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José Emilson Cardoso
Francisco Marto Pinto Viana
Francisco das Chagas Oliveira Freire
Marlon Vagner Valentim Martins
Doenças do cajueiro
Resumo: O cajueiro é afetado por inúmeras doenças ao longo de todo o seu ciclo produtivo e pós-
-colheita. Algumas se destacam pela importância epidemiológica que se traduz por significativas 
perdas. A evolução tecnológica da exploração tem propiciado mudanças no impacto de algumas 
doenças, sobretudo com a introdução de clones de cajueiro-anão-precoce. Os principais avanços 
das pesquisas nas áreas de epidemiologia, etiologia e manejo das doenças mais importantes do 
cajueiro são relatados neste capítulo, enfatizando-se as práticas e inovações geradas por mais de duas 
décadas de investigação. As doenças mais estudadas foram a antracnose, o mofo-preto e a resinose, 
em condições de campo; a requeima e o tombamento de plântulas, em condições de viveiro; e a 
deterioração fúngica da amêndoa, em pós-colheita. O oídio vem se destacando como uma doença da 
mais elevada importância nos últimos anos, sendo, portanto, objeto de intensa investigação.
Introdução
A cultura do cajueiro vem experimentando, desde a década de 1970, um 
crescimento acentuado em área de cultivo e, principalmente, em nível tecnológico, 
em face da implantação de técnicas modernas de manejo, que foram viabilizadas 
pelo desenvolvimento de métodos de propagação agâmica. O lançamento de clones 
do tipo anão possibilitou o manejo das plantas no pomar, a uniformidade do produto 
e a exploração do mercado de pedúnculo (pseudofruto). Entretanto, esse avanço 
contribuiu para uma redução da variabilidade genética, que refletiu no aumento da 
vulnerabilidade das plantas a patógenos. Na região semiárida, por exemplo, apenas o 
clone ‘CCP 76’ responde por mais de 90% dos pomares implantados nas duas últimas 
décadas. Como resultado, doenças até então endêmicas poderão vir a se tornar 
epidêmicas nos anos em que as condições de ambiente forem favoráveis.
Capítulo
2
218 Parte 3 Pragas e doenças do cajueiro
O cajueiro pode ser infectado por mais de uma dezena de doenças, a maioria 
delas causadas por fungos. Embora todas as partes da planta possam apresentar 
sintomas característicos de processos infecciosos, as doenças da parte aérea são as 
mais facilmente constatadas por serem de mais fácil observação e pelos danos que 
elas podem acarretar à produção. 
Nos últimos anos, têm sido observadas epidemias frequentes de mofo- 
-preto, antracnose, resinose e oídio, além do aparecimento de novas doenças, 
provavelmente devido à modernização tecnológica da cultura, antes semiextrativa, 
à redução da base genética dos pomares e às alterações climáticas verificadas nos 
últimos anos. 
A Embrapa vem trabalhando intensamente há mais de duas décadas nas áreas 
de epidemiologia, etiologia e manejo das doenças mais importantes do cajueiro. 
Nesse período, uma grande quantidade de dados foi obtida, proporcionando 
inovações e práticas tecnológicas de importância para o desenvolvimento da cultura. 
As principais doenças estudadas foram a antracnose, o mofo-preto e a resinose, 
em condições de campo; a requeima e o tombamento de plântulas, em viveiro; e, 
em pós-colheita, a deterioração fúngica da amêndoa. Também foi dada ênfase aos 
estudos visando à produção de mudas sadias, ao manejo da planta, ao controle 
químico, à seleção de clones resistentes e ao monitoramento espaço-temporal das 
doenças. 
Neste capítulo, serão apresentadas as práticas e inovações geradas ou 
adaptadas ao longo dos vários anos de pesquisas científicas e tecnológicas 
desenvolvidas pelo Centro Nacional de Pesquisa do Caju, hoje Embrapa Agroindústria 
Tropical.
Doenças do cajueiro em viveiro
Podridão-radicular e podridão-do-colo (Pythium splendens Braun)
A podridão das raízes e do colo, causada pelas espécies de Pythium splendens 
e P. ultimum (OLUNLOYO, 1976; TEIXEIRA, 1988), é uma das doenças mais comuns 
em mudas de cajueiro no viveiro. A doença provoca a morte da planta, devendo as 
perdas ser contabilizadas pela quantidade de mudas destruídas. A média de perdas 
decorrentes dessa doença raramente chega a 1% em viveiros bem conduzidos. Esse 
fungo pode infectar também as raízes de plantas jovens.
O primeiro sintoma é um discreto amarelecimento das folhas, seguido de 
murcha e morte da plântula, como consequência da podridão da raiz, que pode se 
estender até a base do colo, tornando-se visível acima da linha do solo (Figura 1).
O fungo sobrevive no solo na forma de oósporos e é disseminado pelo 
substrato infestado utilizado na produção das mudas. A umidade proporcionada pela
219Capítulo 2 Doenças do cajueiro
Figura 1. Sintoma de podridão 
da raiz em plântulas de cajueiro 
infectadas pelo P. splendens.
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irrigação possibilita a multiplicação do fungo, além de auxiliar na sua disseminação, 
podendo contaminar as raízes das plântulas. A temperatura elevada não constitui 
fator limitante ao crescimento do fungo. 
Plântulas tornam-se resistentes a partir de 60 
dias, quando os tecidos das raízes já maduros se 
tornam impenetráveis ao fungo.
As medidas de controle recomendadas 
incluem a drenagem do substrato contido 
nos sacos, a redução do volume de regas, a 
desinfestação ou seleção do substrato livre de 
propágulos e, principalmente, a eliminação das 
mudas doentes.
Requeima (Phytophthora heveae Thompson e 
P. nicotiana Breda de Haan)
A requeima das plântulas de cajueiro foi detectada em viveiros no litoral 
cearense (FREIRE et al., 2009). Trata-se de uma doença extremamente destrutiva e, 
por conseguinte, constitui uma grande ameaça para os viveiristas. 
Duas espécies do fungo Phytophthora foram constatadas causando a doença. 
P. heveae e P. nicotiana foram confirmadas como agentes causadores da doença 
(FREIRE et al., 2009). Estudos realizados com outras culturas têm indicado que esses 
fungos podem infectar várias espécies de plantas. 
A ocorrência da requeima foi observada somente em viveiros, surgindo como 
lesões de cor parda nas folhas jovens das plântulas. Essas lesões estendem-se 
rapidamente até o broto terminal, causando o colapso total da muda, seja ela de pé- 
-franco ou enxertada (Figura 2).
Tem-se observado que sua ocorrência no Estado do Ceará é restrita aos meses 
de janeiro e fevereiro, sendo mais severa após vários dias de intensa nebulosidade 
220 Parte 3 Pragas e doenças do cajueiro
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Figura 2. Lesões em folhas causadas por 
Phytophthora em mudas de cajueiro sob condições 
de viveiro.
Doenças em campo
Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides (Penz) Penz. & Sacc)
Essa é a mais severa doença do cajueiro no Brasil, seja pela sua ocorrência em 
todas as regiões produtoras, seja pelo volume de danos econômicos que provoca; 
causa prejuízos, indistintamente, tanto em pomares diversificados do ponto de vista 
genético como em campos onde são utilizados clones melhorados. A doença torna-se 
importante quando as condições climáticas são favoráveis e o cajueiro encontra-se 
na fase de lançamento foliar ou floral. Perdas de 40% do volume total da produção 
já foram registradas (PONTE, 1984). Entretanto, perdas na qualidade do produto e 
redução do rendimento industrial podem elevar ainda mais esse percentual.
Essa doença é causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides, que produz 
nas lesões numerosas estruturas de reprodução denominadas acérvulos, que 
podem ocorrer em ambas as faces das folhas, nos ramos, nas flores, nos frutos e nos 
pseudofrutos.
e tempo chuvoso. Durante o período de estiagem, as condições são desfavoráveis a 
essa doença.
As medidas de controle recomendadas são as mesmas listadas para a podridão-
-das-raízes e podridão-do-colo. Resultados experimentais revelaram que o corte ou 
eliminação dos tecidos atacados, seguido de pulverização com fungicida à base de 
metalaxyl e maneb + zinco (mancozeb), recuperou cerca de 80% das mudas de um 
viveiro severamente afetado.
221Capítulo 2Doenças do cajueiro
A antracnose é a mais severa em tecidos jovens, resultantes do lançamento 
floral, o qual ocorre durante ou logo após o período chuvoso. Quando o período de 
elevada umidade prolonga-se até o início da frutificação, as perdas na produção são 
mais acentuadas, podendo até ser totais em algumas plantas (CARDOSO et al. 2000). 
Os sintomas da antracnose podem ser observados em toda a parte aérea da 
planta, entretanto, são mais comumente encontrados nas folhas (Figura 3). No 
início, os sintomas são manchas irregulares e de coloração parda nas folhas jovens, 
tornando-se avermelhadas à medida que as folhas envelhecem (Figura 4). 
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Figura 3. Folhas do cajueiro com sintomas de 
antracnose causada pelo fungo C. gloeosporioides.
Figura 4. Sintomas de antracnose em folhas novas (A) e maduras da planta (B). 
A B
222 Parte 3 Pragas e doenças do cajueiro
Figura 5. Hastes do cajueiro apresentando sintomas 
típicos de antracnose.
Figura 6. Lesões de antracnose em uma panícula. 
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Quando os sintomas são severos, toda a folhagem fica retorcida como se 
tivesse sofrido a ação do fogo. Como o processo infeccioso ocorre nos tecidos 
tenros e jovens, as lesões tornam-se delimitadas quando os tecidos amadurecem. 
Eventualmente, o continuado crescimento no tecido deixa rasgos no limbo foliar. 
As lesões no eixo das inflorescências apresentam-se com as características típicas 
das antracnoses, ou seja, coloração marrom-escura, ovaladas ou arredondadas, 
deprimidas, às vezes com exsudação de uma goma (Figura 5). Nas panículas, 
observam-se lesões da doença sobre quase toda a área (Figura 6). 
223Capítulo 2 Doenças do cajueiro
No maturi, é observada necrose total causada pelo fungo (Figura 7). No fruto e 
no pedúnculo, os sintomas principais são lesões escuras, arredondadas e deprimidas 
(Figura 8). No fruto, a lesão pode atingir mais de 50% da superfície, causando o 
sintoma conhecido como “múmia”, que é o endurecimento da região lesionada 
pelo patógeno. No pedúnculo, podem ocorrer rachaduras e o apodrecimento total 
quando a frutificação acontece em períodos de maior pluviosidade ou quando ocorre 
a conhecida “chuva do caju”.
As investigações sobre o controle da antracnose vêm sendo desenvolvidas 
tanto na proteção das plantas com fungicidas como no desenvolvimento de 
resistência genética e no manejo do pomar. Os resultados têm permitido estabelecer 
novas formas de combate a essa doença, como a eliminação de restos culturais 
infectados (por exemplo, poda de limpeza, remoção e destruição de restos culturais), 
controle químico preventivo com oxicloreto de cobre, com equivalente de 50% 
de cobre metálico (175 g i.a. 100 L-1) e plantio de clones resistentes ou tolerantes 
(CARDOSO et al., 1999). Os clones comerciais ‘CCP 06’, ‘CCP 76’, ‘CCP 1001’, ‘BRS 
189’, ‘BRS 226’, ‘BRS 253’, ‘BRS 265’, ‘BRS 275’ e ‘Embrapa 51’ são resistentes à 
antracnose.
Figura 7. Sintomas da d oença em toda 
a extensão do maturi.
Figura 8. Sintomas da doença na castanha e no 
pedúnculo.
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224 Parte 3 Pragas e doenças do cajueiro
Resinose (Lasiodiplodia theobromae (Pat.) Griffon)
A resinose é uma doença ainda pouco estudada e foi constatada primeiramente 
no Nordeste brasileiro, precisamente em Alto Santo, Estado do Ceará (FREIRE, 1991). 
A princípio, julgava-se tratar de uma doença de pouca importância, uma vez que 
era restrita a plantas velhas e estressadas. Na atualidade, essa doença já assume a 
posição de principal doença em algumas regiões do Semiárido nordestino, onde é 
observada de modo indistinto, tanto em plantas estressadas como aparentemente 
vigorosas. Os danos devidos à resinose são decorrentes da redução da fotossíntese, 
bloqueio do movimento da seiva nos primeiros estágios de infecção e redução do 
número de plantas do pomar pela morte de plantas (BEZERRA et al., 2003). 
Lasiodiplodia theobromae é capaz de infectar, isoladamente ou em associação 
com fitopatógenos, cerca de 500 espécies de plantas, apresentando sintomas como 
tombamento de plântulas, podridão-radicular, murcha e queima-foliar, cancro, 
gomose, podridão-de-frutos e de sementes, morte-descendente, envassouramento, 
além de podridão em madeira. As frutíferas tropicais mais comumente afetadas por 
esse fungo são a mangueira, as anonáceas (gravioleira, ateira, etc.), o coqueiro, as 
Spondias (cajá, cajazeira, cajaraneira, etc.), a bananeira, a aceroleira e o sapotizeiro. 
Os primeiros sintomas da resinose caracterizam-se pelo escurecimento, 
intumescência e rachadura da casca, que evoluem para lesões mais pronunciadas no 
tronco e nos ramos lenhosos na forma de cancros, e que são seguidos de intensa 
exsudação de goma. Retirando-se a casca, observa-se o escurecimento dos tecidos 
internos que se estende até a região cortical e ao câmbio vascular. Com o progresso 
da doença, sobrevêm os sintomas reflexos de deficiências nutricionais, murcha, 
queda de folhas, seca dos ramos e, finalmente, a morte da planta (Figura 9).
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Figura 9. Sintoma da resinose em cajueiro. Planta com ramo doente (A) e sintoma severo da 
doença culminando com a morte da planta (B).
A B
225Capítulo 2 Doenças do cajueiro
A disseminação da doença se dá de forma aleatória (CYSNE et al., 2010), 
por meio da muda infectada sem sintomas (CARDOSO et al., 2009) ou por 
ferimentos ocorridos durante as operações de enxertia, poda, decepa do tronco 
para substituição de copa, roçagem, gradagem e coroamento das plantas, além de 
ferimentos produzidos por insetos.
A retirada total da lesão e/ou a poda dos ramos infectados, seguida da 
aplicação sucessiva de uma pasta fungicida à base de cobre, até a formação 
de tecidos de cicatrização, anteriormente sugerida para o controle da resinose 
(FREIRE, 1991), tem-se revelado ineficiente ao longo do tempo, porquanto novos 
cancros emergem em outros lugares na planta (CARDOSO et al., 1998). Medidas de 
prevenção, como a limpeza de instrumentos e implementos agrícolas e a destruição 
de resíduos culturais infestados, contribuem para a redução da taxa de crescimento 
da doença (FREIRE et al., 2002; CARDOSO; FREIRE, 2002). O potencial da utilização 
de fungicidas adicionados ao óleo lubrificante da motosserra, usada para corte do 
cajueiro visando à substituição de copa, foi comprovado experimentalmente em área 
infestada pelo fungo (CARDOSO et al., 1998). A produção de mudas de cajueiro livres 
do patógeno é uma prática de exclusão eficaz no controle da resinose, pois o agente 
causal dessa doença é transmitido com muita eficiência por meio de sementes e de 
propágulos (garfos) de cajueiro infectados, mas que não apresentam sintomas.
As medidas que visam à obtenção de mudas livres de L. theobromae consistem 
nas seguintes etapas: 
• Seleção da semente para produção do porta-enxerto – utilizar sementes 
de plantas livres de qualquer sintoma de resinose, vigorosas e de jardim de 
semente de clone preferencialmente resistente.
• Uso de substrato desinfetado para o plantio das castanhas em sacos plásticos 
ou em tubetes. 
• Seleção e coleta dos propágulos – os garfos ou borbulhas devem ser obtidos 
de plantas sadias e vigorosas, pulverizadas sistematicamente com fungicidas 
sistêmicos (e.g. carbendazim ou thiabendazole, ambos na dosagem de 2 mL 
do produto comercial/litro de água). As plantas do jardim clonal devem ser 
totalmente livres de qualquer sintoma da resinose. Os utensílios devem 
ser previamente mergulhados em uma mistura de água sanitária e água 
potável (1:1), ou em álcool comercial a 70%. Os garfos e os ramos florais 
fornecedores das borbulhas devem ter suas folhas eliminadas (para evitar a 
transpiração excessiva e sua desidratação), colocados em um balde plástico, 
enrolados em um panolimpo e umedecido, e imediatamente conduzidos 
para o local da enxertia. 
226 Parte 3 Pragas e doenças do cajueiro
Cuidados durante a enxertia – os garfos devem ser mantidos em suspensão 
de carbendazim ou de thiabendazole (3 mL do produto comercial por litro de água) 
durante o processo de enxertia. No caso de ramos florais para retirada de borbulhas, 
eles também devem permanecer submersos na suspensão fungicida. A eliminação de 
ramos doentes por meio de podas de limpeza deve ser feita logo após a colheita. 
As lâminas dos instrumentos de poda devem ser desinfetadas com solução 1:1 
de água e hipoclorito de sódio. Quando usar a motosserra, uma alíquota de 2 mL 
de carbendazim (p.c.) por litro de óleo lubrificante deve ser adicionada, visando 
desinfetar o instrumento de corte e reduzir o inóculo inicial de L. theobromae 
(CARDOSO et al., 1998; CARDOSO et al., 2009).
Outra alternativa para o controle da doença é baseada no uso da resistência 
genética. O emprego do clone ‘CCP 06’ como porta-enxerto reduziu em mais de 30% 
a ocorrência da doença no clone ‘CCP 76’, altamente susceptível ao fungo (CARDOSO 
et al., 2010). Além disso, os clones de cajueiro-anão-precoce ‘BRS 226’ Planalto 
e ‘Embrapa 51’ foram selecionados para resistência à resinose (CARDOSO et al., 
2006, 2007; PAIVA et al., 2008) e podem ser utilizados em locais onde a doença é 
importante.
Podridão-preta-da-haste (Lasiodiplodia theobromae (Pat.) Griffon)
A podridão-preta-da-haste (PPH) foi observada pela primeira vez no Brasil em 
1999 (CARDOSO et al., 2002), afetando plantas adultas de cajueiro-anão-precoce em 
Beberibe (CE) e Pio IX (PI). O fungo Lasiodiplodia theobromae é a mesma espécie 
que causa a resinose do cajueiro, porém geneticamente diferente (CARDOSO; 
WILKINSON, 2008). Recentemente, essa doença vem se alastrando pelo Centro-Oeste 
brasileiro, atingindo grandes proporções no sudeste da Bahia e no sul do Tocantins, 
principalmente na região de Gurupi. 
Os sintomas da doença caracterizam-se pelo escurecimento dos tecidos 
da haste terminal do cajueiro, com sintomas leves iniciais, necrose dos tecidos 
apicais em estádio mais avançado e com eventuais exsudações de goma em pontos 
específicos (Figura 10). 
227Capítulo 2 Doenças do cajueiro
Figura 10. Ramo do cajueiro com sintoma 
de PPH. Escurecimento inicial sobre a haste 
(A); necrose total em estádio avançado da 
doença (B) e ocorrência de exsudação de 
goma em tecido infectado (C). 
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Esse sintoma progride até a necrose total, com queima e seca descendente do 
ramo, tornando a copa parcialmente destruída pela doença (Figura 11). 
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Figura 11. Sintoma severo de PPH em cajueiro-
-anão-precoce.
228 Parte 3 Pragas e doenças do cajueiro
O modo de disseminação do fungo ainda não foi totalmente esclarecido, 
embora existam evidências da transmissão por muda infectada sem sintoma. As 
condições de elevada umidade (chuva e umidade relativa do ar) e a temperatura 
amena durante as noites são tidas como altamente favoráveis. O manejo da doença 
tem sido obtido, experimentalmente, por meio da poda dos ramos afetados seguida 
da aplicação de fungicidas. Os produtos e dosagens testados foram 25% Sulfato 
de cobre, 50% Chlorothalonil + 20% Tiofanato Metílico e Azoxystrobin (CARDOSO 
et al., 2002), porém a eficiência desses procedimentos ainda é limitada quando as 
condições de umidade e temperatura são favoráveis. Os clones resistentes à resinose 
têm se revelado também resistentes à PPH.
Mofo-Preto (Pilgeriella anacardii Arx & Müller)
O mofo-preto é uma doença cujos efeitos econômicos vêm crescendo em 
ritmo acelerado nos últimos anos, principalmente no cultivo do cajueiro-anão-precoce 
(CARDOSO et al., 1994). A ocorrência dessa doença, de forma endêmica, foi 
recentemente constatada em pomares localizados ao longo do litoral dos estados 
do Ceará e Piauí. Danos de até 35% na produção de castanhas já foram registrados 
em cajueiro-anão-precoce no litoral cearense (CARDOSO et al., 2005).
O cajueiro é o único hospedeiro registrado para esse fungo. As primeiras 
evidências do mofo-preto são pequenas manchas arredondadas e amareladas 
na face inferior da folha madura, que se tornam pardas e pretas, atingindo, 
gradativamente, toda a superfície abaxial (Figura 12). A queda prematura das folhas é 
frequente (CARDOSO et al., 2000; FREIRE et al., 2002).
O mofo-preto inicia 
seu ciclo em cajueiro-anão-
-precoce no começo do 
período chuvoso, atingindo 
seu ponto máximo ao término 
desse período, que, no litoral 
nordestino, corresponde 
aos meses de maio e junho 
(CARDOSO et al., 2000). Esses 
dados sugerem a marcante 
importância da umidade nesse 
processo.
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Figura 12. Planta de cajueiro com sintomas de 
mofo-preto nas folhas.
229Capítulo 2 Doenças do cajueiro
Oídio (Oidium anacardii Noack)
O oídio do cajueiro é uma doença que foi descrita pela primeira vez no Estado 
de São Paulo, em 1898 (NOACK, 1898), quando se nomeou o agente causal como o 
fungo Oidium anacardii. É provável que essa espécie tenha coevoluído com espécies 
de Anacardium no Brasil, pois a ocorrência de sintomas fora do Brasil somente foi 
descrita em 1961 na Índia (MORTON, 1961) e em 1979 no leste africano (CASULLI, 
1979). Posteriormente, o oídio foi detectado em todas as áreas produtoras de caju 
do mundo, sendo, entretanto, considerada uma doença de menor importância 
na maioria das regiões, inclusive no Brasil (FREIRE et al. 2002). Acredita-se que 
ela já vinha ocorrendo na África antes de 1960 pela dispersão observada naquele 
continente no final da década de 1970. 
No Brasil, o oídio se manteve, até recentemente, como uma doença de 
importância secundária, não somente pela ocorrência endêmica, mas, sobretudo, 
pelo tipo de sintoma apresentado (FREIRE et al., 2002). 
O sintoma clássico do oídio no Brasil é a formação de um revestimento ralo, 
branco-acinzentado e pulverulento sobre o limbo foliar, assemelhando-se à cinza 
vegetal (Figura 13). As folhas adultas são predominantemente as mais atacadas. 
Na realidade, esses são sinais provenientes da atividade ectoparasitária do fungo, 
cujos haustórios penetram nos tecidos de onde retiram os nutrientes necessários à 
sobrevivência e reprodução. Nas condições epidêmicas descritas na África (CASULLI, 
1979; SIJAONA, 1997), os sintomas não diferem muito desse descrito, porém 
observa-se uma predominância de ataque nos tecidos juvenis, inflorescências, 
pedúnculos e frutos, causando 
abortamento de f lores, 
deformações, rachaduras e 
varíolas nos pedúnculos e frutos. 
Por essa razão, os danos causados 
por esse segundo tipo tornam-
-se muito mais preocupantes, 
uma vez que tanto o 
pedúnculo quanto a castanha, 
que são os principais produtos 
comercializados, são severamente 
afetados.
Figura 13. Folha do cajueiro com sintoma clássico de oídio. 
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230 Parte 3 Pragas e doenças do cajueiro
Desde o ano de 2006, vinha sendo observada a ocorrência de sintomas atípicos 
do oídio em alguns cajueiros, primeiramente em Pio IX, PI. Contudo, esses sintomas, 
que eram esporádicos e aleatórios, passaram a acontecer de forma comum e mais 
severa a partir de 2009, e não somente no Piauí, mas também no Estado do Ceará 
e em outras regiões produtoras do Nordeste brasileiro. Além dos sintomas acima 
descritos, essa nova forma da doença, que antes se limitava às folhas maduras, 
passou a ocorrer, também, em folhas jovens (Figura 14), semelhantemente à 
doença ocasionada pelo tipo africano do patógeno, provocando sintomas e sinais 
em inflorescências, maturis e frutos (Figura 15). Além disso, a ocorrência de uma 
acentuada variegação no pedúnculo (Figura 16) em quase todos os clones comerciais 
tem reduzido o valor no mercado de mesa (in natura) que é um importante nicho do 
agronegócio do caju. Sintomas em plântulas em viveiro também são observados com 
frequência (Figura17).
Figura 14. Sintoma típico do oídio endêmico na África.
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231Capítulo 2 Doenças do cajueiro
Figura 15. Ataque de oídio no cajueiro: 
em inflorescência (A), em maturi (B) e 
em pedúnculo (C), causando estrias e 
rachaduras. 
Figura 16. Manchas no pedúnculo do cajueiro. Figura 17. Sintomas de oídio em plântulas 
em viveiro.
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A B
C
232 Parte 3 Pragas e doenças do cajueiro
A Embrapa Agroindústria Tropical, em colaboração com a Emater do Ceará e 
o Instituto Emater do Piauí, realizou um levantamento preliminar do problema 
nas áreas de produção do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, visando fazer um 
diagnóstico prévio da gravidade e da causa do problema. Nesse levantamento, foi 
constatada a ocorrência generalizada da doença, sendo que, em algumas áreas, 
como na região sudeste do Piauí e no litoral do Ceará, o oídio tem provocado severas 
perdas na produção e qualidade do caju. O diagnóstico foi efetuado em amostras 
obtidas de pomares comerciais localizados nos municípios de Pio IX, PI, Beberibe, CE, 
Pacajus, CE, e Paraipaba, CE. A presença de estruturas fúngicas características de 
Oidium sp. em todas as amostras confirma o diagnóstico inicial, uma vez que, sendo 
esse um fungo ectoparasita obrigatório, sua presença já caracteriza uma relação 
patogênica. 
O efeito dos danos causados pelo oídio à produção não tem sido estudado, 
ainda, nas condições brasileiras. Entretanto, observações feitas na Tanzânia atribuem 
perdas de 50% a 70% da produção causadas por essa doença (MARTIN et al., 1997). 
Nessas condições, os fatores climáticos mais favoráveis ocorrem nos meses de junho 
a julho. Em situações epidêmicas, a produção de pedúnculos comerciáveis pode ser 
drasticamente inviabilizada.
A prática mais comum usada para o controle do oídio é a pulverização (500 g – 600 g 
enxofre 100 L-1) ou o polvilhamento com enxofre elementar no início do lançamento 
das panículas. Três a quatro pulverizações intercaladas semanalmente podem ser 
suficientes em condições epidêmicas da doença. 
Mancha-Angular (Septoria anacardii Freire)
A mancha-angular vem crescendo de importância, em razão de sucessivas 
epidemias observadas em viveiros e em alguns pomares no Ceará e no Piauí, nos 
últimos anos. Causada pelo fungo Septoria anacardii Freire, até o presente, essa 
doença somente foi detectada em cajueiro (FREIRE, 1994).
Os sintomas são limitados às folhas. Apresentam-se, inicialmente, como 
pequenas manchas visíveis de 1 mm a 2 mm de diâmetro, com um halo estreito, 
marrom-escuro a claro, tendendo para bege, com o centro amarelado, visto de 
ambos os lados da folha (Figura 18A). Em alguns clones de cajueiro, as manchas 
podem ser maiores (> 1 cm) e de coloração marrom-clara, assemelhando-se 
realmente ao sintoma de mancha-angular (Figura 18B).
As veias limitam a extensão das lesões, fato que empresta o nome mancha-
-angular à enfermidade. Em folhas jovens de plântulas, as manchas atingem até 
4 mm de diâmetro, eventualmente, unindo-se para formarem extensas áreas 
necrosadas. A ocorrência de desfolha prematura é comum, dependendo da 
variedade do cajueiro e da severidade de ataque.
233Capítulo 2 Doenças do cajueiro
Figura 18. Mancha-angular causada por Septoria anacardii em folhas de cajueiro.
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soA B
Essa doença ocorre durante todo o ano, fato que assegura ao fungo 
sobrevivência contínua no próprio hospedeiro vivo. Os maiores índices de severidade 
no campo são verificados nos meses de abril a junho, que coincidem com o período 
de mais chuva (CARDOSO et al., 1999). A mancha-angular não depende tanto dos 
fatores climáticos como ocorre com as outras doenças do cajueiro, como antracnose, 
mofo-preto e oídio.
Nenhuma medida de controle é assinalada, em razão de a importância 
econômica da mancha-angular ainda passar despercebida pelos produtores. Em 
viveiro, os métodos descritos para o controle da antracnose são suficientes para 
evitar que a doença atinja proporções maiores nas mudas.
Bacteriose-do-cajueiro (Xanthomonas campestris pv. mangiferaeindicae)
Uma nova doença vem ocorrendo no cajueiro desde meados de 2003. As 
primeiras observações foram efetuadas em clones de CAC 35 na Fazenda Planalto, 
em Pio IX, PI. No ano seguinte, foi verificada a ocorrência de sintomas semelhantes 
em mudas do clone ‘CCP 76’ no viveiro da Estação Experimental da Embrapa 
Agroindústria Tropical em Pacajus, CE. Em 2005, foram encaminhadas ao Laboratório 
de Fitopatologia da Embrapa Agroindústria Tropical folhas de cajueiro, oriundas de 
Minas Gerais, com sintomas semelhantes.
A doença é causada por uma bactéria já conhecida dos produtores de manga, 
a Xanthomonas campestris pv. mangiferaeindicae (VIANA et al., 2007). Essa bactéria 
foi relatada pela primeira vez no Estado do Ceará causando manchas em folhas de 
mangueira. 
234 Parte 3 Pragas e doenças do cajueiro
Figura 19. Maturi com sintoma típico do 
ataque de Xanthomonas campestris pv. 
mangiferaeindicae.
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Nas folhas, as manchas têm a coloração marrom-escura, quase preta, e se 
desenvolvem ao longo da nervura central (Figura 20). Em algumas folhas, essas 
manchas ficam apenas na nervura central. Porém, podem-se desenvolver e se 
distribuir para as nervuras secundárias. 
Figura 20. Folhas com nervura central escura e anasarca amarela causada 
por X. campestris pv. mangiferaeindicae.
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Os sintomas que caracterizam a 
doença são grandes manchas aquosas na 
castanha verde, as quais, depois, tornam- 
-se escuras (Figura 19). 
235Capítulo 2 Doenças do cajueiro
Nos frutos, os sintomas apresentam-se inicialmente como anasarca, a partir 
da área de depressão, evoluindo para necrose de boa parte da superfície do fruto 
(Figura 21). As hastes também podem apresentar sintomas da doença (Figura 22). 
Figura 22. Haste de muda escurecida 
em função do ataque da bactéria X. 
campestris pv. mangiferaeindicae.
Figura 21. Castanha com lesão úmida causada por 
X. campestris pv. mangiferaeindicae.
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Ocasionalmente, têm-se obser-
vado a exsudação de uma espuma 
na interseção da castanha com o 
pedúnculo (Figura 23), entretanto, 
ainda não está estabelecida uma 
relação desse sintoma com a 
bactéria. 
Figura 23. Sintoma de exsudação em frutos e 
pedúnculos de caju de etiologia desconhecida.
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236 Parte 3 Pragas e doenças do cajueiro
Ainda não se tem noção dos danos ocasionados por essa doença; entretanto, 
relatos de produtores do Estado do Ceará revelam que a bactéria é capaz de causar 
graves perdas, pois, além das lesões nas folhas, afeta diretamente a castanha. 
Gama et al. (2011) verificaram que cepas pigmentadas dessa bactéria obtidas de 
plantas afetadas em Pio IX são muito mais agressivas ao cajueiro, sugerindo que se 
constituem uma variante de X. citri pv. anacardii.
Informações fornecidas por produtores têm mostrado que a poda de limpeza, 
seguida de pulverizações semanais nas folhas com oxitetraciclina alternada com 
oxicloreto de cobre, tem dado uma excelente resposta para o problema.
Deterioração fúngica de amêndoas
Cerca de 10% da produção anual de castanhas são de amêndoas inadequadas 
ao processamento industrial e ao consumo humano, em decorrência do ataque de 
insetos e, na sua maioria, de fungos. O isolamento e a identificação da microflora das 
amêndoas de castanhas revelaram a existência de 64 espécies de fungos associados 
a amêndoas trazidas dos estados da Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. O 
problema envolve tanto o aspecto industrial, no que diz respeito ao armazenamento, 
como o agronômico, no que se refere ao manejo do pomar. 
Portanto, medidas de pré-colheita e de armazenamentodevem ser tomadas 
para a redução dessas perdas. As medidas de pré-colheita se referem àquelas 
descritas nos itens anteriores. Os métodos de armazenamento considerados 
adequados para sementes são aqueles que estabelecem condições de umidade 
e temperatura baixa, aliada a uma boa aeração. Atualmente, a equipe de 
fitopatologistas da Embrapa Agroindústria Tropical estuda métodos alternativos para 
a redução da taxa de fungos nas amêndoas armazenadas.
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