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UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DO PARÁ – UFOPA 
INSTITUTO DE BIODIVERSIDADES E FLORESTA - IBEF 
SOLOS FLORESTAIS 2 
ENGENHARIA FLORESTAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS: 
PLINTOSSOLO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SANTARÉM-PARÁ 
 JULHO/2022 
Jaíne Beatriz Sousa da Silva 
Kaio Ramon de Sousa Magalhães 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SANTARÉM-PARÁ 
Trabalho apresentado como critério 
avaliativo da disciplina solos florestais II 
ministrado pelo Prof. Dr. Clodoaldo 
Alcino Andrade dos Santos 
 
http://www.docente.ufopa.edu.br/clodoaldo.santos
http://www.docente.ufopa.edu.br/clodoaldo.santos
 JULHO/2022 
SUMÁRIO 
 
Fatores e processos pedogenéticos de formação dos plintossolos ...................................4 
Processo de formação e mineralização da fração argila ..................................................6 
Principais propriedades físicas e morfológicas dos plintossolos .....................................6 
A relevância das propriedades físicas e morfológicas para o manejo 
 da classe de solos. ...........................................................................................................8 
Classificação do perfil 12 até o 40 nível categórico do SIBCS e 
 sua correlação com a classificação Soil Taxonomy e WRB/FAO ................................9 
Referências ................................................................................................................... 11 
FATORES E PROCESSOS PEDOGENÉTICOS DE FORMAÇÃO DOS 
PLINTOSSOLOS. 
 Os Plintossolos são solos caracterizados por apresentarem o processo de 
formação pedogenética especifico de plintitização. Sendo que a ocorrência se dá 
principalmente em ambientes onde existe restrições de drenagem ,ou seja, locais que 
apresentam solos imperfeitamente drenados na zona de flutuação do lençol freático no 
qual tanto a secagem quanto os ciclos de umedecimento são responsáveis pela 
precipitação de Fe e acumulação localizada de óxidos, com a hematita e a goethita 
formando, assim, mosqueado e nódulos macios avermelhados que podem se endurecer 
irreversivelmente e tem denominação de plintita como demonstra a Figura 1(KÄMPF e 
CURI, 2012). Com acréscimo do processo de plintitização com novos aportes de Fe 
ligados a esses nódulos formados pode-se levar a sua cimentação e como consequência 
disso, tem-se a formação da Petroplintita (SANTOS et al. 2013) como ressalta a Figura 2 
 
 
Figura 1: Plintita. Fonte: https://www.pedologiafacil.com.br/enquetes/enq21.php 
 
 
 
Figura 2: Petroplintita. Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/13391036/ 
 
 As plintitas tem em sua constituição principalmente: Fe, Si, Al e Mn. Que são 
resultantes do intemperismo de rochas félsicas, ígneas, metamórficas e sedimentares 
(Eswaran et al., 1990; Aleva, 1994; Asiamah & Dedzoe, 1999). A gênese das mesmas, 
por sua vez, está associada com a segregação e acumulação dos compostos de ferro sob 
variação sazonal do lençol freático. Essa distribuição do ferro no solo se dá em função da 
alternância dos processos de oxi-redução, em um ambiente hidromórfico. O ferro é 
precipitado como óxido de ferro em condições de ressecamento e se re-solubiliza em 
condições de umedecimento (Driessen & Deckers, 2001; Buol et al., 2011). Os ciclos 
alternados úmido e seco caracterizam o ambiente para desenvolvimento desse processo, 
como o mais aceito para a formação dos solos Plínticos. Fora isso, os processos de 
umedecimento e ressecamento alternados, acompanhados da oxido-redução nos solos é a 
principal causa de movimentação e recristalização do ferro e formação dos nódulos 
(Alexander & Cady, 1962). Sendo fundamental destacar que a translocação dos óxidos 
de ferro ocorre porque o movimento do elemento no perfil pode ocorrer de duas maneiras, 
ou seja, para cima ou para baixo (Bourman & Ollier, 2002). 
 No que diz respeito a formação das petroplintitas que se dão a partir das plintitas, 
faz-se necessário condições oxidantes em clima quente e úmido. Além disso, é importante 
ressaltar que uma drenagem eficiente é essencial para a remoção de sílica, das bases e dos 
sais de metais alcalinos terrosos que são liberados e para a concentração dos sesquióxidos 
no solo. A formação da petroplintita, com isso, pode ocorrer devido a alguma mudança 
drástica no ambiente, que pode se dá por fatores como: pela evaporação da água 
remanescente; remoção da vegetação; pela redução da temperatura das águas subterrâneas 
ou ainda pela erosão. Resultando, assim, tanto na precipitação de óxidos de ferro quanto 
na formação da petroplintita no perfil (Watana, 2005). 
 Nesse sentido, SANTOS et al. (2013) definem a classe dos plintossolos como o 
grupamento de solos de expressiva plintitização podendo ter ou não a formação de 
petroplintita, com segregação localizada de ferro, atuante como agente de cimentação, 
com capacidade de consolidação acentuada. Sendo importante salientar, nesse caso, que 
sua gênese está relacionada à fatores como: transporte, segregação, concentração e 
mobilização de íons e compostos de Fe, elemento este que pode ser proveniente tanto do 
material de origem como da translocação de outros horizontes ou mesmo de áreas 
adjacentes mais elevadas (Driessen & Dudal, 1989). 
PROCESSO DE FORMAÇÃO E MINERALIZAÇÃO DA FRAÇÃO ARGILA 
 Pelo o exposto anteriormente, a classe dos plintossolos forma-se sob condições 
de restrição e percolação da água, ficando, assim, sujeitos ao efeito temporário de um 
grande excesso de umidade, que traz consequências indispensáveis para a formação dos 
horizontes plíntico, elemento este fundamental na classificação desses solos. Em meio a 
tal contexto, Anjos et al. (2007) afirmam que a formação dos plintossolos está diretamente 
ligada tanto ao ambiente quanto ao alto grau de intemperismo, nos quais a mineralogia 
resultante é geralmente caulinítica ou oxídica. Ainda de acordo com esses autores o 
processo de impedimento de drenagem resulta de um lençol freático mais superficial que 
ocorre em algum período do ano. Tal situação, se dá principalmente em áreas com cotas 
inferiores com relevo plano, como depressões, baixadas, terços inferiores de encostas, ou 
devido à existência de camadas concrecionárias ou materiais de texturas argilosas, como 
nas áreas de surgente em condições de clima tropical úmido. Como o ferro é o elemento 
mais abundante nas plintitas que caracterizam a classe dos plintossolos. Ele se encontra 
na forma de óxidos e hidróxidos, sendo a hematita e a goetita os minerais mais comuns. 
Os óxidos de ferro, como ferridrita, lepidocrosita, maguiemita, magnetita, imenilta e 
limonita, também podem ser encontradas na composição das plintitas e petroplintitas, 
porém com menor frequência (McFarlane, 1976; Asiamah & Dedzoe, 1999). 
 
PRINCIPAIS PROPRIEDADES FÍSICAS E MORFOLÓGICAS DOS 
PLINTOSSOLOS 
 Os Plintossolos como demonstrados na Figura 5 no geral, caracterizam-se pela 
presença do horizonte plíntico, litoplíntico ou concrecionário que se iniciam dentro de 
40 cm a partir da superfície ou mesmo dentro dos 200 cm sendo precedido de horizonte 
glei ou horizontes com cores pálidas, variegadas ou com mosqueado em quantidade 
abundante (Santos et al., 2018) Outra característica marcante dos plintossolos é o fato 
dessa classe apresentar manchas avermelhadas, ricas em ferro, que de certo modo pode 
ser facilmente singularizado da matriz do solo, ou de concreções ferruginosos que 
possuem extrema dureza. Tal coloração deriva principalmente dos óxidos de ferro. 
(Cornell & Schwertmann, 2006). 
 
 
 
 
 
 A 
 
 
 B 
 
 
 C 
 
Figura 5: 5A Plintossolos Argilúvicos. 5B Plintossolos Pétricos.5CPlintossolos 
Háplicos. Fonte: (Embrapa 2018) 
 Na literatura, pouco se fala diretamente sobre as propriedades físicas gerais e 
específicas da classe de plintossolos como um todo. No geral, os autores procuram 
ressaltar em seus trabalhos as alterações das mesmas relacionado, elas aos diferentes tipos 
de manejo e uso do solo e a maneira com que são afetadas. Seguindo essa linha de 
raciocínio Mota et al (2006) ao estudar a eficiência de atributos físicos como indicadores 
de degradação dos Plintossolos no Vale do Javaés no estado do Tocantins, em diferentes 
áreas de características diferentes tais como: áreas de agricultura extensiva, Pastagem e 
áreas remanescentes ,ressalta que a porosidade total, a resistência à penetração são os 
atributos que apresentam mais eficiência na análise da degradação do solo sendo que 
estes atributos demonstraram bom desempenho na distinção dos efeitos do uso sobre as 
propriedades físicas dos Plintossolos. Benício et al. (2021), por sua vez, ao o analisar 
efeito da densidade, porosidade de solos plínticos em plantio convencional, plantio direto 
e mata nativa ressaltam que o primeiro promove um aumento na porosidade do solo em 
relação ao segundo. Fora isso, o estudo aponta ainda que os valores de densidade 
encontrados em plantio direto não limitam o cultivo da soja, podendo o mesmo passar por 
alterações no decorrer do tempo reduzindo, com isso, a mesma em função do acúmulo de 
matéria orgânica no solo. 
 Na perspectiva dos autores do presente trabalho e em função de características 
gerais do Plintossolos como retenção de (água característica de solos mal drenados), 
Presença de argila e presença de plintita que interfere muitas das vezes no crescimento de 
raízes das plantas e na distribuição de água no solo. Acredita-se que como características 
físicas gerais os Plintossolos apresentem predominância de Microporosidade e alta 
densidade em função do acumulo de água principalmente período no chuvoso, podendo 
esses serem alterados com o manejo da fração orgânica como visto anteriormente nos 
artigos citados. 
 
A RELEVÂNCIA DAS PROPRIEDADES FÍSICAS E MORFOLÓGICAS PARA 
O MANEJO DA CLASSE DE SOLOS 
 No que diz respeito ao manejo dos plintossolos, é importante pontuar que devido 
presença de plintita, os mesmos não são considerados favoráveis do ponto de vista de 
produção agrícola (Aleksander & Cady 1969; Gidigasu, 1974; Ollier,1990; Asiamah & 
Dedzoe, 1999). Isso porque solos que apresentam esse material possuem características 
como endurecimento e baixa fertilidade química devido à pobreza não só em bases mas 
também em matéria orgânica. Não parando por aí o processo de transformação de plintita 
em petroplintita é responsável pelo aumento de restrição do potencial agrícola 
restringindo, com isso, o movimento do ar, da água e a penetração do sistema radicular 
das plantas (Asiamah & Dedzoe, 1999). Ainda nessa perspectiva, Junior et al (2020) 
destaca que o ambiente de drenagem imperfeita onde são formados os plintossolos 
favorece a falta de oxigênio no período das chuvas. Além disso, alguns tipos de 
Plintossolos, devido ao grande número de concreções podem limitar o desenvolvimento 
do sistema radicular das plantas, a permeabilidade e as operações de mecanização. 
 Em meio a esse cenário, Oliveira (2021) ressalta que em função das particularidades 
referente a essa classe de solo, é fundamental que se conheça qual o tipo de Plintossolo 
existente, para que se faça os devidos ajustes no manejo e uso do mesmo, podendo, dessa 
forma potencializá-lo tornando mais viável para a agricultura. Na literatura vários estudos 
apontam a matéria orgânica como a solução do manejo adequado dos Plintossolos, já que 
a mesma aumenta as propriedades químicas e físicas benéficas para a melhoria do 
crescimento das plantas e também as condições limitantes desta classe de solos. 
 Parker (2016) ao avaliar um sistema de cultivo em diferentes regiões de 
plintossolo indica que plantio direto em sucessão de milho e feijão-caupi promove 
melhorias significativas em propriedades do solo como: porosidade, densidade, 
estabilidade de agregados e condutividade hidráulica. Silva et al (2012) ao trabalhar com 
sistemas agroflorestais (SAFS) em um Plitossolo Háplico verificam que os SAFS 
Ocasionam mudança nos atributos físicos do solo melhorando o ambiente para o 
crescimento radicular. Ver-se aí a importância do manejo para a utilização e 
melhoramento dessa classe de solos tão limitadas pelas suas características 
pedogenéticas. 
CLASSIFICAÇÃO DO PERFIL 12 ATÉ O 40 NÍVEL CATEGÓRICO DO SIBCS 
E SUA CORRELAÇÃO COM A CLASSIFICAÇÃO SOIL TAXONOMY E 
WRB/FAO 
 
 
 
Figura 6: Perfil de solo destinado a Equipe. 
 
O perfil de solo supracitado, de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de 
Solos, classifica-se como Plintossolo Argilúvico distrófico típico devido aos seguintes 
requisitos: 
• Apresenta uma baixa atividade da fração argila (Tb) com valores inferiores a 
27cmolc/kg, sendo eles 21,34 cmolc/kg e 22,11 cmolc/kg; 
• Baixa saturação por bases, com um valor inferior a 50%, caracterizando o solo 
como distrófico (V%= 7%); 
• Característica Plintita presente nos horizontes BA, B1 e B2; 
• Caráter argilúvico, possuindo relação textural (B/A) acima do valor mínimo 
exigido (1,4), sendo neste solo, no valor de 4,1; 
• Estrutura prismática moderada no horizonte B; 
• Horizonte diagnóstico plíntico, apresentando presença de plintita superior a 15% 
por volume, espessura com mais de 15cm, cores avermelhadas, matiz de 2,5YR 
com mosqueados na matiz de 7,5YR com cromas altos (5/6), textura argila siltosa 
e estrutura prismática moderada no horizonte B; 
• Caráter típico pois não se enquadra nas características necessárias para outros 
classificações do 4º nível categórico. 
 
Correlacionando-o com o Sistema WRB/FAO, este perfil seria classificado como 
Plinthosols Protostagnic dystric pois este tipo de solo apresenta uma fase de estagnação 
de água em seu perfil assim como cores redutimórficas, condições de redução e baixa 
saturação de bases. 
Correlacionando-o com o Sistema de classificação Soil Taxonomy este solo seria 
classificado como Plintaquults Kandic pertencendo à ordem dos solos Ultisols, Subordem 
dos Aquults e grande classe dos Plintaquults; esta caracterização é devido ao solo 
apresenta CTC < 24cmolc/kg; baixa saturação por bases, presença de plintita em um ou 
mais horizontes em 125cm de profundidade do solo, um período com presença estagnada 
de água, condições redoximórficas e iluviação de argila. 
Contudo, vale ressaltar que estas correlações são feitas baseadas em solos com as 
características mais semelhantes possível de acordo com os outros sistemas de 
classificação, não sendo uma correlação exata, sendo mais distante no sistema Soil 
Taxonomy onde a Ordem Ultisols é correspondente aos Argissolos não possuindo 
nenhum correspondente exato aos Plintossolos, tais como no Sistema WRB/FAO e 
SIBCS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
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