Prévia do material em texto
SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Escola de Negócios e Seguros E73s Escola de Negócios e Seguros. Diretoria de Ensino Técnico. Seguros de responsabilidade civil geral / Supervisão e coordenação metodológica da Diretoria de Ensino Técnico; assessoria técnica de José Eduardo Teixeira Arias. –26. ed. – Rio de Janeiro : ENS, 2021. 124 p. ; 28 cm 1. Seguros de responsabilidade civil. I. Arias, José Eduardo Teixeira. II. Título. 0021-2559 CDU 368.41.016.1(072) 26ª EDIÇÃO RIO DE JANEIRO 2021 REALIZAÇÃO ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO METODOLÓGICA DIRETORIA DE ENSINO TÉCNICO ASSESSORIA TÉCNICA JOSÉ EDUARDO TEIXEIRA ARIAS – 2021/2020 JOÃO MARCOS BRITO MARTINS – 2019/2018/2017 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS – GERÊNCIA DE CONTEÚDO E PLANEJAMENTO PICTORAMA DESIGN É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de partes dele, sob quaisquer formas ou meios, sem permissão expressa da Escola. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL A ENS, promove, desde 1971, diversas iniciativas no âmbito educacional, que contribuem para um mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e resseguro cada vez mais qualificado. Principal provedora de serviços voltados à educação continuada, para profissionais que atuam nessa área, a Escola de Negócios e Seguros oferece a você a oportunidade de compartilhar conhecimento e experiências com uma equipe formada por especialistas que possuem sólida trajetória acadêmica. A qualidade do nosso ensino, aliada à sua dedicação, é o caminho para o sucesso nesse mercado, no qual as mudanças são constantes e a competitividade é cada vez maior. Seja bem-vindo à Escola de Negócios e Seguros. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 1. RESPONSABILIDADE CIVIL: ASPECTOS JURÍDICOS 8 INTRODUÇÃO 9 A Obrigação de Indenizar 9 A SUBSCRIÇÃO DO RISCO NOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL 10 O Risco Moral 11 O Risco Físico 11 O Risco Jurídico 11 DIFERENÇA ENTRE RESPONSABILIDADE CIVIL E RESPONSABILIDADE PENAL 13 ELEMENTOS ESSENCIAIS DA RESPONSABILIDADE CIVIL 14 Ação ou Omissão do Agente 15 Culpa ou Dolo do Agente 16 Nexo de Causalidade entre a Ação/Omissão do Agente e o Dano 17 Dano experimentado pela vítima 17 TEORIAS DA RESPONSABILIDADE CIVIL: RESPONSABILIDADE OBJETIVA E RESPONSABILIDADE SUBJETIVA 18 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL E RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL 20 Responsabilidade Contratual 20 Responsabilidade Extracontratual ou Aquiliana 21 TERCEIROS 21 PRESCRIÇÃO 21 JURISPRUDÊNCIA 22 FIXANDO CONCEITOS 1 23 SUMÁRIO INTERATIVO SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 2. CONHECENDO AS CARACTERÍSTICAS E OS PRINCÍPIOS DO SEGURO DE RCG 27 CONSIDERAÇÕES INICIAIS 28 REEMBOLSO 28 BENEFICIÁRIO 29 TIPOS DE APÓLICES 29 Apólice à Base de Ocorrência 30 Apólice à Base de Reclamação 30 OBJETO DO SEGURO 34 LIMITES DE ATUAÇÃO DO SEGURO DE RCG 35 Riscos Não abrangidos pelo RCG 35 Exclusões de Riscos 37 LIMITES DE RESPONSABILIDADE 40 Limite de Responsabilidade por Sinistro 41 Limite Agregado 41 REINTEGRAÇÃO DO LIMITE MÁXIMO E INDENIZAÇÃO 43 GARANTIA DE REEMBOLSO 43 FIXANDO CONCEITOS 2 44 3. DISPOSIÇÕES TARIFÁRIAS GERAIS 47 CONHECENDO AS DISPOSIÇÕES TARIFÁRIAS GERAIS 48 Proposta e Questionário 48 Garantia Única 49 Prazo do Seguro 49 Pluralidade de Coberturas 49 Critérios Adotados para o Cálculo dos Prêmios 50 Franquias 53 FIXANDO CONCEITOS 3 56 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 4. RESPONSABILIDADE CIVIL MODALIDADES E CONDIÇÕES ESPECIAIS 58 MODALIDADES E CONDIÇÕES ESPECIAIS 59 MODALIDADES DE RCG MAIS UTILIZADAS NO MERCADO BRASILEIRO 61 RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais 61 RC – Empregador 63 RC – Riscos Contingentes – Veículos Terrestres Motorizados 64 RC – Produtos no Território Nacional 65 RC – Produtos no Exterior 69 RC – Condomínios, Proprietários e/ou Locatários de Imóveis 70 RC – Guarda de Veículos de Terceiros 72 RC – Obras Civis e/ou Serviços de Montagem e Instalação de Máquinas e/ou Equipamentos 75 RC – Prestação de Serviços em Locais de Terceiros 78 RC – Familiar 80 OUTROS RAMOS DO GRUPO DE RESPONSABILIDADE CIVIL 81 RC – Profissional 81 RC – Profissional de Corretores de Seguro 82 RC – Administradores e Diretores (D&O) 84 FIXANDO CONCEITOS 4 86 5. RISCOS AMBIENTAIS 88 INTRODUÇÃO 89 LEGISLAÇÃO 91 Cobertura Adicional de Poluição Súbita 92 Cobertura de Poluição Súbita em RC – Produtos 93 RC – POLUIÇÃO AMBIENTAL 93 Objeto do Seguro 93 Riscos Excluídos 95 Obrigações do Segurado 95 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Liquidação de Sinistros 96 Renovação 96 FIXANDO CONCEITOS 5 97 6. SINISTROS 99 NOÇÕES DE REGULAÇÃO E LIQUIDAÇÃO DE SINISTROS 100 Características Básicas do Regulador 101 Documentação Pertinente à Regulação 101 Providências na Regulação 102 Utilização de Checklist 103 Regras para Liquidação de Sinistros 104 FIXANDO CONCEITOS 6 108 ESTUDOS DE CASO 110 ANEXOS 112 Anexo 1– Exemplo de Seguro de RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais 112 Anexo 2 – Referências Importantes 119 Anexo 3 – Glossário da circular susep 437/12 120 GABARITO 121 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 124 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 8 UNIDADE 101 ■ Compreender os aspectos jurídicos aos quais os futuros clientes estejam expostos, interpretando como se processa a formação da responsabilidade. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: ⊲ INTRODUÇÃO ⊲ A SUBSCRIÇÃO DO RISCO NOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL ⊲ DIFERENÇA ENTRE RESPONSABILIDADE CIVIL E RESPONSABILDADE PENAL ⊲ ELEMENTOS ESSENCIAIS DA RESPONSABILIDADE CIVIL ⊲ TEORIAS DA RESPONSABILIDADE CIVIL ⊲ RESPONSABILIDADE CONTRATUAL E RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL ⊲ TERCEIROS ⊲ PRESCRIÇÃO ⊲ JURISPRUDÊNCIA ⊲ FIXANDO CONCEITOS 1 TÓPICOS DESTA UNIDADE RESPONSABILIDADE CIVIL: ASPECTOS JURÍDICOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 9 UNIDADE 1 INTRODUÇÃO A Circular SUSEP 437, de 14 de junho de 2012 estabelece as regras bási- cas para a comercialização do Seguro de Responsabilidade Civil Geral e disponibiliza, no endereço eletrônico da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP (www.SUSEP.gov.br), as condições contratuais do Plano Padronizado deste seguro. A circular não determina normas de precificação às seguradoras; daí não conter disposições tarifárias referentes à efetivação do cálculo do prêmio, ficando por conta da seguradora tal prerrogativa. Este manual não está configurado, completamente, com o Plano Padronizado, em razão de as seguradoras não estarem obrigadas a adotá-lo. Não obs- tante, o estudo das modalidades e assuntos tratados é suficiente para que os alunos possam compreender os pressupostos e nuanças do seguro de Responsabilidade Civil Geral (RCG), de tal modo que estejam capacitados a operar com qualquer tipo de plano, ou com os contratos novos de Planos Padronizados e os contratos novos de Planos não Padronizados. — A Obrigação de Indenizar Vamos entrar num mundo fascinante. Diz respeito ao modo como as pes- soas devem tratar umas às outras de forma que, em convivência pacífica, possam evitar danos a si mesmas. Mas como isso é possível? Na socieda- de moderna onde as grandes cidades estão apinhadas de gente e quase não há lugar para todos, fica difícil viver sem estar sujeito a causar proble- mas a outras pessoas, ainda que sem intenção. http://www.susep.gov.br 10 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Realmente, não é tarefa das mais simples, sobretudo porque sabemos ser responsabilidade do poder público traçar políticas públicas com objetivo de solucionar ou ainda, tentar evitar as consequências decorrentes dos problemas surgidos nas interações humanas. Nem sempre os governos, no entanto, estão suficientemente preparados para agir a contento de demandas como essa. Carros velozes, produtos perigosos, prédios inseguros, indústriascom controle de qualidade que deixa a desejar, serviços nem sempre presta- dos com a segurança requerida, crianças criadas com poucos limites, são aspectos, enfim, cujo entrelaçamento é capaz de constituir-se em poten- cial de dano à coletividade. Muito bem, surgidos os problemas, sobretudo aqueles de natureza econô- mica, vem à mente uma questão. Quem responderá por eles? Mais objeti- vamente, quem pagará por eles? Em termos gerais, nas catástrofes o poder público é chamado a intervir. Já no âmbito das pessoas, sejam naturais ou jurídicas, cada um deve responder pelos prejuízos a que derem causa. E aí reside o problema. Cada vez mais os acidentes acontecem com gran- de potencial de dano. Os cidadãos e as empresas nem sempre estão preparados para, em âmbito particular, suportar condenações judiciais decorrentes de atos danosos por ele praticados. A solução, portanto, é a contratação de um seguro de responsabilidade civil, onde o potencial de causar danos a terceiros possa ser reparado por conta de uma seguradora, a reparação devida. O cidadão, a indústria, a loja, o produto vendido, o filho menor do chefe de família, o shopping center, o restaurante, enfim, todos eles, e cada um de per si, podem não ter recursos financeiros para indenizar eventuais prejuí- zos por eles causados, mas, certamente, terão como pagar o prêmio de seguro requerido para esse fim. É disso que vamos tratar: responsabilidade. A SUBSCRIÇÃO DO RISCO NOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL Há três fatores, entre outros, dependendo do risco, que devem ser conside- rados para fins de subscrição do seguro: 11 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Risco Moral. ■ Risco Físico. ■ Risco Jurídico. Tais dimensões, em conjunto, fornecerão ao subscritor as variáveis e seus respectivos pesos, determinantes à aceitação, ou não, do risco. O corretor não precisa ser um especialista em subscrição, até porque cada seguradora tem normas específicas para cada risco. Ele precisa entender, contudo, de aspectos gerais pertinentes ao tema, de tal maneira que pos- sa pensar como o segurador. É nessa direção que vamos analisar alguns aspectos centrais, os quais podem nos revelar, com clareza, as chances de o contrato ser aceito pelo segurador. — O Risco Moral A seguradora deve examinar detidamente a vida patrimonial do segurado. Os requisitos de honestidade, probidade e retidão são importantes aspec- tos na apreciação da aceitação do risco, no tocante ao risco moral. A propensão do segurado em causar danos a terceiros, com o objetivo de se locupletar dolosamente do contrato, pode existir (fraude). É hipótese a ser considerada. Não se trata de conceito subjetivo, portanto sujeito à opinião e/ou interpretação do analista. É análise vital no contrato de res- ponsabilidade civil, pois se trata de seguro de responsabilidade. — O Risco Físico Qual será o risco objeto do contrato? Um produto, uma indústria, um hos- pital, uma escola, um hotel, uma igreja, enfim, seja o que for, há específica propensão ao risco que deve ser objeto de análise e aí, de forma pontual, já que é objeto de mensuração. As seguradoras exigem o preenchimento de um questionário de análise de risco, que será complementado por uma vistoria a ser realizada, em regra, sobretudo nos riscos que exijam maiores cautelas. — O Risco Jurídico Não menos relevante é o risco jurídico. Há empresas cuja responsabilida- de se caracteriza por meio da apuração de culpa. Em outras, porém, bas- tam apenas o fato e a relação de causalidade, para que se configure a obri- gação de indenizar. Nada obstante, durante a apuração da culpa podem surgir as chamadas excludentes de responsabilidade, que desobrigarão o causador do dano de qualquer responsabilidade. 12 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Muitas vezes o pagamento do sinistro vai depender de interpretação judi- cial. Outras variáveis, no entanto, podem surgir. Seja sobre a cobertura propriamente dita, seja sobre as condições gerais que excluem determina- da causa que a justiça entenda ser objeto de pagamento, enfim, quando adentramos no campo da interpretação ficamos à disposição do intérprete, que nem sempre entende o contrato da forma que foi concluído pelas par- tes (cia. de seguros e segurado). Estudaremos a seguir as principais legislações que devem ser objeto de análise. DO SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL “Art. 787. No seguro de responsabilidade civil, o segurador garante o pagamento de perdas e danos devidos pelo segu- rado a terceiro.” O seguro de responsabilidade civil é espécie do seguro de dano. Os seguros de responsabilidade civil são aqueles em que o segurado transfere ao segurador as perdas que possam advir ao seu patrimônio, resultante de indenizações que tenha de satisfazer a terceiros em razão de danos causa- dos a eles. O segurado transfere, portanto, as perdas financeiras resultan- tes da ocorrência do risco. O risco, no seguro de responsabilidade civil, caracteriza-se pela obrigação que o segurado possa vir a ter para com terceiros (obrigação de indenizar) que por sua vez está prevista no conjunto das leis brasileiras que disciplina a questão da responsabilidade civil. O Código de Defesa do Consumidor O Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/90, criou o sistema de proteção e defesa do consumidor que impôs profunda alteração ao orde- namento jurídico nacional. A lei determina a responsabilidade objetiva (independentemente da existência de culpa) de todas as empresas forne- cedoras de produtos e/ou prestadoras de serviços, como segue em alguns artigos transcritos parcialmente, a saber: A lei é taxativa quando afirma que “independentemente da existência de culpa”. O causador do dano responderá pelos prejuízos causados, o que caracteriza a responsabilidade objetiva (teoria do risco) onde, ainda que não tenha sido culpado, deverá reparar o dano, o que torna, portanto, irre- levante a apuração da culpa. A única exceção a essa regra, relativamente à prestação de serviços, diz respeito à responsabilidade do profissional liberal, consoante os termos da lei: “A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa”. O profissional liberal responderá, por- tanto, com base na responsabilidade subjetiva; a saber: somente se for comprovada a sua culpa no evento danoso. 13 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Convém chamarmos a atenção, para a repercussão dessa norma nos Seguros de RCG, pois a imensa maioria de nossos segurados, pessoas jurídicas (empresas industriais, comerciais e prestadoras de serviços), está enquadrada na definição do Código do Consumidor, ou seja, respondem independentemente da existência de culpa (responsabilidade objetiva, teoria do risco). É fácil concluir que, após o advento do Código do Consumidor, inúmeros sinistros que não previam cobertura passaram a prevê-la, o que alterou, significativamente, o modo de análise e subscrição de risco das empre- sas seguradoras, já que passaram a reembolsar os segurados pelos danos causados aos consumidores, independentemente da existência de culpa; danos esses reconhecidos em sentença judicial ou por acordo com prévia e expressa autorização das seguradoras. Saiba mais Leitura recomendada ALBERTIN, Alberto Luiz. Comércio eletrônico: modelo, aspectos e contribuição de sua aplicação. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2010. CAVALIERI, F. Sérgio. Programa de Responsabilidade Civil. 12ª ed. 2015 – Editora Atlas. DIFERENÇA ENTRE RESPONSABILIDADE CIVIL E RESPONSABILIDADE PENAL A Responsabilidade Penal nasce da violação à norma constante da lei penal, enquanto que a Responsabilidade Civil emerge do prejuízo causado, que viola também o equilíbrio social, mas não exige as mesmas medidas, no sen- tido de restabelecê-lo. A reparação civil reintegra o prejudicado na situação patrimonial anterior; ao passo que a sanção penal tem por finalidade restituir a ordem social ao estado anteriorà infração. Nosso ordenamento, como regra, dispõe no artigo 935: “A responsabilidade civil é independente da criminal; não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal”. 14 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Então, se houver condenação para ato criminoso, não há o que se discutir no juízo cível. Porém, em sentido contrário, a premissa não é verdadeira. Havendo absolvição no crime, pode haver condenação no juízo cível. A rigor, existem discussões sobre essa interpretação, e nem poderia ser diferente, pois há valores distintos em jogo e apenas o caso concreto con- duzirá o julgador na interpretação mais adequada. VAMOS RESUMIR? RESPONSABILIDADE CIVIL RESPONSABILIDADE PENAL Emerge do Prejuízo Surge da violação à norma Reintegra o Patrimônio Restitui a ordem social Ação da vítima Ação da Sociedade Tende à Reparação Civil Tendente à Punição Atenção: sempre que você se deparar com a expressão “reparação civil”, sig- nifica que haverá pagamento em dinheiro (ou equivalente) a alguma vítima de ato danoso. A expressão indica sempre a necessidade de indenizar-se alguém. ELEMENTOS ESSENCIAIS DA RESPONSABILIDADE CIVIL O interesse em restabelecer o equilíbrio econômico-jurídico alterado pelo dano é a causa geradora da responsabilidade civil. Na caracterização da obrigação reparatória, devem estar presentes os seguintes elementos: I. Ação ou omissão do agente II. Culpa ou dolo do agente III. Nexo de causalidade IV. Ocorrência do dano. Presentes esses elementos, ficará caracterizada a obrigação em reparar o dano por parte daquele que o causou, lembrando que a responsabilidade objetiva (teoria do risco) dispensa o elemento “culpa”, ou melhor, sua veri- ficação se torna desnecessária haja vista exigir a simples presença dos elementos “ dano” e “nexo causal”. 15 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Ação ou Omissão do Agente A ação (ato comissivo) e a omissão (ato omissivo) constituem o primeiro pressuposto da responsabilidade civil, que, originando danos a terceiros, geram o dever de reparação. A responsabilidade pela reparação do dano pode surgir: a) por fato próprio, b) por fato da coisa, c) por fato de outrem, d) por fato do produto e/ou do serviço. a) Responsabilidade por fato próprio ou direta Tal responsabilidade é oriunda de danos que o cidadão possa causar a terceiros por meio de ações ou omissões praticadas por ele mesmo, sem o emprego de coisas que estejam sob a sua esfera de vigilância ou guarda, como exemplo, os crimes contra a honra das pessoas. b) Responsabilidade por fato da coisa O título sugere que a “coisa” possa causar prejuízos a terceiros por si mes- ma, o que não é verdade, pois o que se quer afirmar é que os prejuízos são causados por intermédio delas. Tal classificação é empregada largamente nos meios jurídicos, particularmente quando se trata de danos causados pelos automóveis, aviões, trens, embarcações, indústrias, produtos etc. c) Responsabilidade por fato de outrem A doutrina utiliza amplamente o termo para designar a responsabilidade de pais, tutores, curadores, patrões, dentre outros, pelos danos que aqueles que estão sob a esfera de vigilância, proteção ou fiscalização tiverem cau- sado a terceiros, assim o patrão responde por atos de seus empregados. d) Responsabilidade por fato do produto e do serviço A lei 8078/90, Código de Proteção e Defesa do Consumidor, em seus arti- gos 12, 13 e 14, estabelece a responsabilidade objetiva dos fornecedores de produtos e serviços. Caracterizada a relação de consumo, não há o que discutir relativamente à culpa do agente fornecedor, vez que essa é legal- mente presumida. 16 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL HIPOSSUFICIÊNCIA DO CONSUMIDOR: Implica admitir que o consumidor é a parte frágil da relação, como regra. Imagine o consumidor diante de um grande banco, de uma empresa multinacional, por exemplo, tentando fazer valer seus direitos. A desproporção é flagrante. No sentido de contornar essa desvantagem, digamos assim, o Código do Consumidor, no capítulo da proteção contratual, em seu artigo 47, dispõe: “As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor”. — Culpa ou Dolo do Agente A Culpa ou dolo do agente é definida como o desvio de uma norma de conduta. A culpa, em termos genéricos, desdobra-se em dolo e culpa pro- priamente dita. O dolo reflete o ato da intenção de causar o resultado, enquanto na culpa o resultado não é o desejado pelo agente e decorre da falta de diligência na observância da norma de conduta. Da culpa, caracterizada no art.186 do Código Civil decorrem outras noções; a saber: negligência, imprudência e imperícia. ■ Negligência: decorre da inobservância de normas que exigem que operemos com atenção e discernimento. Ex.: a enfermeira deixou de ministrar o remédio ao paciente, que, em decorrência, veio a falecer. ■ Imprudência: decorre da falta de cautela na execução de qual- quer ato, cujas consequências poderiam ser previstas pelo agente. Ex.: o motorista, num dia chuvoso, na pista molhada, desenvolve velocidade muito acima da permitida para o local. ■ Imperícia: decorre da falta de habilidade do agente no exercício da atividade profissional requerida. Ex.: o médico prescrever ao doente um medicamento em dose incompatível com o seu estado de saúde, vindo o paciente a falecer em razão disso. Registre-se que, na prática, essas limitações humanas (negligência, impru- dência e imperícia), por vezes, revelam-se entrelaçadas, tornando difícil a sua classificação. Mas, de maneira geral, a dificuldade não altera a direção da responsabilidade, pois o agente responderá pelos atos ilícitos que cometer, independentemente dessa ou daquela classificação. 17 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Nexo de Causalidade entre a Ação/ Omissão do Agente e o Dano A relação de causa e efeito entre o ato danoso e suas consequências pre- cisa ficar estabelecida com clareza, pois se esse requisito não for atendido, não haverá obrigação de indenizar. A respeito do tema, destaque-se o estudo da Teoria da Causalidade Adequada, no qual se estabelece que causa constitui o antecedente necessário e adequado à produção do evento. Trata-se de causa relevante, portanto, que produziu efeito direto e evidente (relação de causa e efeito). O vínculo de causalidade não oferece maiores problemas quando a causa é simples. A dificuldade tende a ampliar-se quando houver mais de um fator concorrente para o evento. É a situação em que uma ou várias circuns- tâncias ou condições concorrem para o evento, sem que seja possível determinar qual delas foi a preponderante. Outro ponto de particular interesse para o presente estudo refere-se às Excludentes de Responsabilidade, que emergem da investigação sobre o nexo de causalidade entre a conduta do agente e o efetivo resultado danoso. É pertinente esclarecer que nem sempre o causador do dano deu origem a ele, assim como o fator gerador do evento teve origem na ação ou omissão do agente. — Dano experimentado pela vítima Quando pensamos na noção de dano, assumimos que ele constitui condi- ção indispensável para que o ato ilícito alcance repercussão na esfera do direito civil. O dano é definido pela diminuição ou subtração de um bem jurídico que abrange não só o patrimônio. Pode atingir também a vida, a saúde, a honra, dentre outros. As espécies de danos podem ser resumidas em: dano patrimonial e dano moral. Consoante o artigo 402 do Código Civil, a reparação do dano patrimonial deve abranger o dano emergente (o que a vítima efetivamente perdeu) e o lucro cessante (o que razoavelmente deixou de lucrar). Na avaliação do lucro cessante, relativamente à fixação do valor da indenização, recorre- mos ao princípio da razoabilidade. O dano moral, por sua vez, consiste na lesão a um interesseque visa à satisfação ou ao gozo de um bem jurídico extrapatrimonial, situado no âmbito dos direitos da personalidade; a saber: a vida, a integridade corpo- ral, a liberdade, a honra, o decoro, a intimidade, os sentimentos afetivos, a própria imagem; ou, nos atributos da pessoa. 18 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Uma classificação simples e resumida de dano: ■ Dano corporal: refere-se à lesão corpórea ou à doença sofrida por pessoa física (inclusive morte ou invalidez) em decorrência de ação ou omissão de outra pessoa; ■ Dano material – quando se refere a dano físico à propriedade, ani- mais, deterioração de objetos tangíveis, destruição de substâncias; e ■ Dano imaterial – quando se refere a dano resultante da privação de um direito, da interrupção de uma atividade ou da perda de um bene- fício. Nos casos de interrupção de uma atividade, existem os danos de natureza pecuniária, como os lucros cessantes e/ou esperados. O seguro de Responsabilidade Civil Geral, resumidamente, é um tipo de seguro que indeniza o dono de alguma coisa, ou o responsável por alguma pessoa, por danos que essa coisa ou pessoa possam causar a terceiros. Por exemplo: o fabricante de TV cujo aparelho explode causando danos à família deverá indenizar esses danos. Da mesma forma, o aluno que foi feri- do na escola porque escorregou na escada que estava sendo lavada pela servente, deverá ter eventuais danos pagos pelo dono da escola. Então, o seguro de RCG que foi contratado por essas organizações, irá reembolsar aqueles que o contrataram. TEORIAS DA RESPONSABILIDADE CIVIL: RESPONSABILIDADE OBJETIVA E RESPONSABILIDADE SUBJETIVA Com base no elemento culpa, surgiram as teorias da responsabilidade subjetiva e da responsabilidade objetiva. Ou seja, há de se responsabilizar o causador do dano segundo uma ou outra teoria, consoante regras de direito, naturalmente, previamente estabelecidas. A Responsabilidade subjetiva refere-se à estrita necessidade de verifica- ção da culpa, tal como expresso no art. 186 do Código Civil, ao estabelecer: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. O legislador reforça a garantia do ofendido, no art. 942 do mesmo código, quando prescreve: Atenção Não há que se falar em Responsabilidade Civil sem que haja a produção de um dano. O dano é elemento fundamental na configuração da obrigação de indenizar. 19 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL “Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação.” Portanto, a regra no direito pátrio é a da aplicação da teoria subjetiva. Já a Responsabilidade Objetiva, também conhecida como a Teoria do Risco, prescinde da verificação do elemento culpa, bastando a comprovação do dano e do nexo de causalidade. Dessa forma, aquele que prejudicar alguém deve ressarcir o dano, independentemente da existência de culpa, na medi- da em que, segundo pressupostos dessa teoria, a culpa é presumida, o que torna desnecessária a sua investigação e prova. É comum dizer-se que a teoria objetiva se filia ao princípio da causalidade; ou seja, a culpa é configurável em face de suficiente relação de causa e efeito entre o fato causador do dano e a efetividade dos prejuízos. A teoria objetiva, com o advento da máquina e a transformação completa das relações humanas, nasceu no final do século XIX na Europa. Em segui- da passou a ser aplicada também no Brasil, notadamente em processos relativos a acidentes de trabalho, bem como em relação aos transportes aeroviários e ferroviários e naqueles que envolviam a responsabilidade civil do Estado. A queda de objetos de uma casa e o fato do locatário responder pelo incêndio no prédio, são exemplos, da jurisprudência que consagram a teo- ria objetiva. O Código Civil brasileiro referenda a questão quando insere tal teoria no artigo 927: “Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvol vida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem”. 20 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL RESPONSABILIDADE CONTRATUAL E RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL Na responsabilidade civil contratual, antes mesmo de surgir a obrigação de indenizar por parte do inadimplente, existe um contrato, um vínculo jurídico de convenção entre as partes envolvidas. Por outro lado, na responsabilidade civil extracontratual ou aquiliana (o ter- mo se origina da Lex Aquilia do direito romano), nenhuma relação jurídica existe entre o causador do dano e a vítima. Portanto, a responsabilidade extracontratual advém, independentemente da existência de um contrato pré-celebrado. Exemplos: a marquise que desaba ferindo pedestres; o martelo que des- penca de uma obra na cabeça de quem passa; o botijão de gás que explo- de na cozinha de um shopping etc. Então, surgirá, para o causador do dano, a obrigação legal de ressarcir a(s) vítima(s) em relação aos danos causados. — Responsabilidade Contratual Nas questões inerentes à responsabilidade contratual cabem comentários acerca das obrigações de meio e de resultado. As obrigações de meio conduzem o agente a envidar todos os esforços necessários ao cumprimento da obrigação, sem, contudo, estar obriga- do ao alcance do resultado esperado. É o caso do médico, do advogado, entre outros. As obrigações de resultado são aquelas que exigem do agente o cumpri- mento da obrigação nos termos do estipulado no contrato. Tem que dar certo. Construção de prédios e transportes são exemplos. Embora seja perceptível, até mesmo ao leigo, o que seja obrigação de resultado e obri- gação de meio, há ocasiões em que elas se misturam. Nessa hipótese, só o caso concreto permitirá a correta interpretação. RESUMINDO: não estão cobertos por apólice de seguro os contratos que extrapolam a natureza do seu objeto. Atenção Um contrato não precisa ser necessariamente escrito. Quando pegamos um ônibus existe um contrato de transporte previsto em lei, mas não assinamos nenhum papel e devolvemos ao motorista, não é mesmo? Quando entramos num restaurante existe um contrato de fornecimento por parte do estabelecimento, mas não assinamos nenhum papel antes de almoçar, não é mesmo? Atenção Algumas cláusulas de certos contratos não são cobertas por apólice de seguro de responsabilidade civil. Por exemplo, se o dentista segurado prometer ao cliente que a prótese vai torná-lo mais bonito e isso não ocorrer, a apólice de responsabilidade civil profissional não reembolsará o dentista do valor a ser pago em juízo numa possível condenação. Da mesma forma o cirurgião plástico, segurado por apólice de responsabilidade civil profissional, que promete devolver o dinheiro cobrado à cliente em caso de insucesso da cirurgia. Esse valor não será reembolsado pela seguradora. 21 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Responsabilidade Extracontratual ou Aquiliana Como visto, na responsabilidade civil extracontratual ou aquiliana (o termo se origina da Lex Aquilia do direito romano), nenhuma relação jurídica exis- te entre o causador do dano e a vítima, até que a ação ou omissão daquele desperte o mecanismo obrigacional reparatório. A doutrina dominante entende que ela pode surgir por fato próprio, por fato da coisa, por fato de outrem e por fato do produto ou do serviço. Reforçando os conceitos, a responsabilidade extracontratual pode surgir por ação do próprio segurado, ou por algo pelo qual ele responda juridica- mente, por exemplo: seu barco, seu avião,sua fábrica, ou por alguma pes- soa por quem ele responda por força de lei, por exemplo: seus filhos, seus empregados ou por algum serviço prestado e/ou produto fornecido. Esta última categoria foi destacada para que se dê ênfase à importância que tem a relação de consumo na sociedade atual, em face da complexidade e de riscos pertinentes. TERCEIROS Para o Seguro de Responsabilidade Civil, o terceiro é um elemento de aparição incidental e que sofre o dano. Pode ser qualquer pessoa, desde que não seja o próprio segurado, seus ascendentes, seus descendentes, seu cônjuge, pessoas que dependam economicamente ou que residam ou que tenham sociedade econômica ou emprego com o segurado. Com a exclusão dessas pessoas das coberturas das apólices de RCG, por não se enquadrarem na definição de terceiro, evita-se que o segurado seja tentado a agravar o risco, prejudicando o segurador. Evita-se, também, que o causador do dano se beneficie do ato ilícito que cometeu. PRESCRIÇÃO A prescrição extintiva, em síntese, ocorre quando o titular de um direito subjetivo patrimonial deixa de acioná-lo dentro de um determinado espaço de tempo previsto na lei. Assim, perde-se o direito de ação. A prescrição Atenção A responsabilidade extracontratual é objeto de cobertura no ramo de Responsabilidade Civil Geral, dentro, evidentemente, dos riscos contratados. 22 UNIDADE 1 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL constitui medida de segurança jurídica para a sociedade de forma a evitar que certas pendências se prolonguem indefinidamente. DIREITO DE AÇÃO: O cidadão não deverá entrar em juízo após passado o prazo previsto em Lei. A prescrição acha-se disciplinada no Código Civil nos artigos 189 a 206. A prescrição só poderá ser interrompida uma única vez, a teor do artigo 202, que enumera as causas que a interrompe. RESUMINDO: ■ Prazo Geral: 10 (dez) anos. ■ Ação do Segurado X Segurador: 1 ano ■ Reparação de Danos: 3 anos ■ Do Beneficiário de Seguro: 3 anos ■ No CDC: 5 (cinco) anos por fato do produto ou do serviço. JURISPRUDÊNCIA Resumidamente: é o conjunto das decisões e interpretações das leis fei- tas pelos tribunais superiores, aplicando as normas às situações de fato. Podem dar origem às súmulas vinculantes, que passam a ter repercussão geral, ou seja, aplicabilidade direta em casos semelhantes aos julgados. Vamos transcrever, neste manual, alguns julgados do Superior Tribunal de Justiça, para que o corretor possa ver a materialização dos conceitos estu- dados, em sua aplicabilidade no cotidiano. 23 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL FIXANDO CONCEITOS 1 Marque a alternativa correta 1. Quais os fatores mais importantes a serem considerados para subscri- ção de um seguro de responsabilidade civil? (a) Risco de exclusão de ilicitude. (b) Os riscos Moral; Físico e Jurídico. (c) Risco de danos a terceiros. (d) Risco eventual e objetivo. (e) Risco eventual e má fé. 2. Como se caracteriza o Risco no seguro de Responsabilidade Civil? (a) Pela prática de atos intencionais praticados pelo segurado. (b) Pela obrigação de indenizar que o segurado possa vir a ter para com terceiros (c) Pela comprovação da culpa por parte do segurado. (d) Pela comprovação da responsabilidade subjetiva. (e) Exclusivamente pelos atos praticados por empregados do segurado. Correlacione as colunas abaixo e depois marque a alternativa correta 3. A ação culposa caracteriza-se pela ausência do desejo de prejudi- car. A culpa pode ser caracterizada, também, pelas modalidades abaixo. Relacione os conceitos a suas respectivas situações: 1) Negligência. ( ) Ação praticada sem a habilita- ção ou competência requerida a um profissional. 2) Imperícia. ( ) Ação do sujeito sem a habilida- de técnica que deveria possuir como profissional. ( ) O agente se omite num dever que lhe competia executar. ( ) Omissão na realização de determinada tarefa. Agora assinale a alternativa correta: (a) 1,1,1,2. (d) 2,1,1,2. (b) 1,1,2,2. (e) 2,2,1,1. (c) 1,2,1,2. 24 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Marque a alternativa correta 4. Uma enfermeira esqueceu-se de dar um medicamento a um paciente em um hospital, o que agravou sensivelmente o seu estado de saúde. Tec- nicamente, dizemos que houve: (a) Ação dolosa (b) Ação culposa (c) Omissão dolosa (d) Omissão culposa (e) Imprudência 5. O empregado de um posto de gasolina danificou um veículo durante a operação de abastecimento. De acordo com o Código Civil Brasileiro, a solução a ser dada para este caso, no tocante à reparação dos prejuízos no carro do cliente, é a seguinte: (a) O empregado deverá pagar o prejuízo. (b) O dono do posto deverá pagar o prejuízo, porque o patrão responde pelos atos de seus empregados. (c) Não há obrigação de indenizar, pois a conduta do empregado foi intencional. (d) Não há obrigação de indenizar, pois a conduta do empregado foi involuntária. (e) O dono do posto não tem obrigação de indenizar, pois quem deve pagar é quem causou o prejuízo. Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta: 6. Relativamente às teorias da Responsabilidade Civil, podemos dizer que: I) A teoria objetiva implica a existência do elemento culpa. II) Na teoria subjetiva, o autor do dano só responderá se tiver sua culpa comprovada. III) Para a configuração da teoria objetiva, é irrelevante saber se o agen- te agiu ou não agiu com culpa. Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente III é proposição verdadeira. (c) Somente I e II são proposições verdadeiras. (d) Somente II e III são proposições verdadeiras. (e) I, II e III são proposições verdadeiras. 25 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Marque a alternativa correta 7. Considere o fato de um empregado ter causado danos materiais a um cliente de um estabelecimento comercial. Certamente, o patrão responde- rá pelos prejuízos com base em que princípio: (a) Obrigação de resultado. (b) Responsabilidade Penal. (c) Obrigação de meio. (d) Responsabilidade subjetiva. (e) Responsabilidade por fato de outrem. Marque a alternativa correta 8. Relativamente ao estudo da Responsabilidade Civil, uma ação dolosa é caracterizada da seguinte forma: (a) O dano é causado independentemente da vontade do agente. (b) A intenção do agente não é relevante. (c) O autor age com intenção de causar o dano. (d) A conduta do agente é involuntária. (e) Só pode ser analisada após o resultado da ação. 9. Para que a responsabilidade objetiva fique caracterizada, é suficiente que estejam presentes os elementos abaixo: (a) Ação ou omissão, culpa e nexo de causalidade. (b) Ação ou omissão, culpa, dano e nexo de causalidade. (c) Ação ou omissão, dano e nexo de causalidade. (d) Ação ou omissão, imprudência, negligência e nexo de causalidade. (e) Ação ou omissão e nexo de causalidade. Correlacione as colunas abaixo e depois marque a alternativa correta. 10. O dano é elemento fundamental para a configuração da Responsabili- dade Civil. Não há repercussão do ato ilícito sem a produção de um dano. Entre suas espécies destacamos as seguintes, com as quais devem ser feitas as correlações devidas: 1) Dano pessoal. ( ) Lesão corpórea. 2) Dano material. ( ) Doença. ( ) Lesão a um animal. ( ) Dano a um objeto. 26 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Agora assinale a alternativa correta: (a) 1, 2, 1, 1. (b) 1, 1, 2, 2. (c) 1, 2, 2, 1. (d) 1, 2, 1, 2. (e) 2, 2, 1, 1. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 27 UNIDADE 202 CONHECENDO AS CARACTERÍSTICAS E OS PRINCÍPIOS do SEGURO DE RCG ■ Entender as características e os princípios do seguro de RCG, interpretando os tipos de apólice, qual é o objeto do seguro, seus limites de atuação e de responsabilidade, bem como a reintegração do LMI e as garantiasde reembolso. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: ⊲ CONSIDERAÇÕES INICIAIS ⊲ REEMBOLSO ⊲ BENEFICIÁRIO ⊲ TIPOS DE APÓLICES ⊲ OBJETO DO SEGURO ⊲ LIMITES DE ATUAÇÃO DO SEGURO DE RCG ⊲ LIMITES DE RESPONSABILIDADE ⊲ REINTEGRAÇÃO DO LIMITE MÁXIMO E INDENIZAÇÃO ⊲ GARANTIA DE REEMBOLSO ⊲ FIXANDO CONCEITOS 2 TÓPICOS DESTA UNIDADE 28 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL CONSIDERAÇÕES INICIAIS Vamos agora estudar os Seguros de RCG e seus fundamentos. No desenrolar dos assuntos, ficará claro que existem modalidades de Seguros de Responsabilidade Civil cujas coberturas nem sempre darão garantias ao segurados contra todas as suas obrigações, as quais estão explicitadas nos fundamentos jurídicos da Responsabilidade Civil no Direito Brasileiro. Em outras palavras, a responsabilidade do segurado é ampla, enquanto que a cobertura da apólice pode ser restrita. Cada modalidade possui coberturas e exclusões específicas que atenderão aos princípios básicos do seguro. Além disso, dentro da diversidade de cláusulas, deve o pro- fissional de seguro estar atento ao fato de que cada seguradora tem a liberdade de criar planos próprios, que nem sempre serão iguais aos de outras seguradoras. Os temas apresentados a seguir seguem um padrão de conduta geral, isto é, explicitados segundo um modo de operação aceito pela maioria dos operadores no mercado securitário. A seguir você vai conhecer a definição das expressões mais usadas nos seguros de RCG. REEMBOLSO No Brasil, a maioria das apólices de outros ramos são à base de indenização. Porém, no caso da Responsabilidade Civil, elas são à base de reembolso. 29 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL O princípio do reembolso determina que o segurado primeiro pague ao ter- ceiro reclamante para depois, então, ter direito ao reembolso com o segurador. A exceção a essa regra encontra-se no Código Civil, a saber: “Art. 788. Nos seguros de responsabilidade legalmente obriga- tórios, a indenização por sinistro será paga pelo segurador direta- mente ao terceiro prejudicado. Parágrafo único. Demandado em ação direta pela vítima do dano, o segurador não poderá opor a exceção de contrato não cumprido pelo segurado, sem promover a citação deste para integrar o contraditório.” Os seguros de responsabilidade civil legalmente obrigatórios encontram-se discriminados no Decreto-Lei 73/66 e em algumas outras legislações mais específicas. Resumo: BENEFICIÁRIO Os Seguros de Responsabilidade Civil são considerados patrimoniais, por- que uma de suas funções é a de proteger o patrimônio do segurado. Quando um segurado causa um dano a um terceiro, a lei o obriga a repa- rar esse dano com os seus bens. Sendo assim, o objetivo do Seguro de RCG é proteger o patrimônio, pois, ao reembolsar o segurado no valor do sinistro, a apólice restabelece o patrimônio do segurado no mesmo pata- mar anterior ao sinistro. TIPOS DE APÓLICES As apólices de RCG podem ser classificadas como apólice à base de ocorrência (occurrence basis) e apólice à base de reclamação (claims SEGURADO TERCEIRO PAGA SEGURADOR SEGURADO REEMBOLSA Importante Nas apólices de RCG, apenas o próprio segurado pode ser o beneficiário, pois, por ser um seguro patrimonial, não pode ser estipulado em favor de terceiros. 30 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL made). Essa tipologia guarda relação direta com o prazo que o segurado tem para reclamar reembolso e, por via de consequência, do terceiro em ver seu prejuízo ressarcido. O que determinará qual o tipo a ser oferecido pela seguradora, naturalmente levando em conta aspectos mercadológi- cos, comerciais e atuariais de sua conveniência, é a especificidade dos riscos, objeto do contrato da apólice de responsabilidade civil. — Apólice à Base de Ocorrência Na apólice à base de ocorrência, é imprescindível que o dano ocorra durante a vigência da apólice e que a reclamação pelo segurado e/ou terceiro reclamante, quando for o caso, seja apresentada até o fim do prazo prescricional legal. O prazo prescricional começa a partir da data da ciência do dano. Para que fique mais bem compreendido, esse tipo de apólice, como regra, é o mesmo adotado nos seguros em geral (ramos incêndio, automóvel, vida, entre outros). O conceito é similar. E o prazo prescricional é aquele estipulado no Código Civil Brasileiro. Observe no gráfico como ocorre: Início da vigência da apólice Fim da vigência da apólice Reclamação Fim do prazo prescricional Ocorrência do dano — Apólice à Base de Reclamação Nessa apólice, o dano deve ocorrer durante a sua vigência, e a reclamação deve ser também apresentada durante a sua vigência. No entanto, a partir da primeira renovação, aplica-se a retroatividade de cobertura para as apó- lices anteriores, ou seja, quando a apólice é renovada, aquela ocorrência da primeira apólice poderá ser reclamada até o final da nova apólice, e assim por diante, desde que não haja interrupção de cobertura. Nota O prazo para reclamar faz parte dos dois tipos de apólice: Apólice à Base de Ocorrência (prazo prescricional do Código Civil) e Apólice à Base de Reclamação (prazo complementar e/ou suplementar, se houver, constantes da apólice). 31 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Importante Essa retroatividade é definida de acordo com os seguintes parâmetros: ■ Na primeira vigência, não é permitido ao segurado estipular retroatividade; e ■ A partir da primeira renovação e em todas as outras subsequentes, desde que não haja interrupção de cobertura, será aplicada a retroatividade, sempre a partir da data de início de vigência da primeira apólice. Observe como acontece, acompanhan- do os gráficos a seguir. COBERTURA/VIGÊNCIA 1º ANO COBERTURA/VIGÊNCIA 2º ANO COBERTURA/VIGÊNCIA 3º ANO Os prazos complementares são automáticos, estão expressos na apólice e não existe cobrança de prêmio adicional. Exemplos de apólice à base de reclamação: Um segurado não irá renovar sua apólice de RCG. A apólice que está por terminar tem o seu fim de vigência em 30/06. Um sinistro ocorrido durante a vigência pode ser reclamado até 1 ano após a data de 30/06 para ser reembolsado. Uma outra situação é a de o segurado descobrir que cometeu um dano contra um terceiro e que, provavelmente, haverá uma reclamação por aquele dano. Entretanto, até aquela data, não houve reclamação oficial do terceiro contra ele. Nesse caso, o segurado notifica à seguradora que cometeu um dano contra terceiros e que esse sinistro poderá ser reclama- do no futuro. Essa notificação deve ser feita durante a vigência da apó- lice, e os eventuais terceiros notificados, que tenham sofrido danos referentes ao evento, têm prazo de 1 ano para reclamar. 32 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Nos dois exemplos, o prazo complementar é iniciado após o término da vigência da apólice ou após o seu cancelamento (em alguns casos). O segurado, no entanto, se desejar, pode dilatar o prazo automático, con- tratando o prazo suplementar, desde que, para isso, pague um prêmio adicional. Nas apólices de reclamações, o prazo suplementar é adotado, indepen- dentemente do número de renovações, quando: ■ A apólice de reclamações não é renovada na mesma seguradora, pois o segurador da nova apólice pode não aceitar o período de retroatividade da apólice vencida; ■ O segurado decide não renovar o seguro. Exemplo: um segurado que manteve apólices à base de reclamação por dez anos resolve encerrar suas atividades no país. Assim, para se pro- teger de qualquer reclamação feita contra ele por danos causados no período de retroatividade da apólice (dez anos), esse segurado contrata suplementação do prazo automático pelo período estabelecido entre o segurado e a seguradora. O prazo suplementar inicia logo após o término do prazo complementar e pode ser concedido por um período de até três anos. Critérios para a Contratação de Apólices à Basede Reclamação ■ As apólices deverão, necessariamente, conter cláusula garantindo ao segurado prazo complementar mínimo de 1 ano, contado a partir do término de vigência da apólice ou de seu cancelamento, com vistas a amparar sinistros ocorridos na vigência da apólice e no período de retroatividade de cobertura. ■ É obrigatória a inclusão, nas condições contratuais do seguro – quer se trate de apólice inicial, quer de renovação –, de cláusula garantindo ao segurado o direito à obtenção de prazo suplemen- tar. As seguradoras poderão cobrar prêmio adicional para o prazo suplementar. ■ O direito do segurado à obtenção de prazo suplementar não é aplicável aos casos de cancelamento do seguro por determinação legal ou por falta de pagamento do prêmio ou, ainda, por ter sido atingido o limite agregado. ■ Deverá ficar expressamente indicado, nas condições contratuais do seguro, que a concessão de prazo suplementar somente poderá prevalecer: 33 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL I. se o seguro for renovado em outra sociedade seguradora e esta não admitir, na cobertura contratada, o período de retroatividade da apólice anterior; e II. se o segurado não renovar o seguro ou se o renovar sob a for- ma de apólice à base de ocorrências, seja na mesma sociedade seguradora ou em outra. ■ Nas renovações sucessivas em uma mesma sociedade segura- dora, é obrigatória a concessão do período de retroatividade da cobertura e do prazo complementar, bem como a previsão quanto à possibilidade de obtenção de prazo suplementar. ■ Renovada a apólice à base de reclamações, em outra sociedade segu- radora que não aquela da apólice vencida, a nova sociedade segura- dora poderá, mediante cobrança de prêmio adicional e desde que não tenha havido solução de continuidade do seguro, admitir o período de retroatividade de cobertura considerado na apólice anterior. ■ A apólice à base de reclamações deverá indicar, expressamente, em destaque, além de sua vigência, o período de retroatividade de cobertura ou a data retroativa de cobertura. Estarão cobertos os sinistros ocorridos entre a data retroativa de cobertura e o tér- mino de vigência da apólice, desde que reclamados durante seu período de vigência ou no prazo complementar previsto ou, ainda, durante o prazo suplementar para a apresentação de reclamações no caso de ter sido ele adotado. ■ Deverá ser incluída cláusula, nas condições contratuais do seguro, estabelecendo qual dos critérios a seguir indicados será adotado, na hipótese de aceitação, pela sociedade seguradora, de aumento do limite máximo de garantia da apólice, durante sua vigência ou mesmo na renovação: » o novo limite prevalecerá, integralmente, durante a vigência da apólice e a respectiva data retroativa, se houver, inclusive para as reclamações relativas a sinistros já ocorridos e que não sejam de conhecimento do segurado; » será determinado que o novo limite será aplicado, apenas, a sinistros efetivamente ocorridos a partir da data de sua imple- mentação, prevalecendo o limite anterior para os sinistros já ocorridos, sejam eles de conhecimento ou não do segurado. ■ Não é permitida a utilização de apólices à base de reclamações para Seguros de Responsabilidade Civil, contratados por período inferior a 12 meses, salvo se for para fins de unificação de vigên- cia com outras apólices de seguro pertencentes ao segurado ou, ainda, para aquelas modalidades não sujeitas ao risco de latência prolongada ou sinistros tardios. Atenção Após o estudo dos tipos de apólices utilizados em Responsabilidade Civil, podem sur gir algumas ques tões relevantes, a saber: qual o melhor tipo de apólice? Quem escolhe a modalidade? A seguradora ou o segurado? Qual o critério a ser adotado na escolha? 34 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Não há, portanto, tipo melhor ou pior. Não é essa a questão. Existe um tipo que melhor atende às conveniências das partes. Como um risco cujo sinistro ocorra com dia, hora e local determinados, por sua própria nature- za. Exemplo: um risco comercial, RC – Operação, que apresenta eventos cujos danos são perfeitamente visualizados e mensurados de pronto e assim certamente terá cobertura por apólice à base de ocorrências. Já um Seguro de RCG – Produtos, que cubra danos causados a tercei- ros por remédios fabricados pelo segurado, certamente terá sua apólice à base de reclamações, pois trata-se de objeto segurado sujeito ao ris- co de latência prolongada ou sinistros tardios. Ressalta-se: aqueles riscos cujos danos vão surgir, em muitos casos, muito tempo depois de ocorrido o evento, já que tais danos nem sempre são de fácil percepção. Quando se trata de Responsabilidade Civil, nem sempre o dano surge imedia- tamente após a ocorrência do evento. Pode levar meses e até anos. Por exem- plo, os efeitos colaterais de um remédio. Os produtos químicos, ao entrarem no organismo humano, podem mascarar determinadas reações e, durante algum tempo, dificultar qualquer identificação. Outros exemplos: riscos de poluição, responsabilidade de dentistas, médicos, fisioterapeutas, entre outros. OBJETO DO SEGURO Uma apólice de RCG objetiva cobrir o risco da responsabilidade civil do segurado perante terceiros. Nas Condições Gerais da apólice, define-se o que está sendo segura- do, ou seja, o objeto do seguro: “O presente seguro tem por objetivo reembolsar o segurado, até o limite máximo da importância segurada (LMG), das quan- tias pelas quais vier a ser responsável civilmente, em sentença judicial transitada em julgado ou em acordo autorizado de modo expresso pela seguradora, relativas a reparações por danos invo- luntários, corporais e/ou materiais causados a terceiros, ocorri- dos durante a vigência deste contrato e que decorram de riscos cobertos nele previstos.” LMG quer dizer limite máximo de garantia, que corresponde ao valor máxi- mo de indenização a ser pago pela seguradora por sinistro. Tal expressão é a constante do Código Civil. Tem como sinônimos mais comuns: impor- tância segurada, quantia segurada e valor segurado. Sentença judicial transitada em julgado Decisão definitiva em processo judicial em relação à qual não cabe mais qualquer recurso. 35 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL LIMITES DE ATUAÇÃO DO SEGURO DE RCG — Riscos Não abrangidos pelo RCG Teoricamente, os Seguros de Responsabilidade Civil serão tantos quantas forem as atividades humanas. Mas, por diversos motivos, alguns Seguros de Responsabilidade Civil não são abrangidos pelo ramo RCG, como os vinculados à circulação de veículos, por exemplo. Alguns riscos de Responsabilidade Civil que não se enquadram nos limites de atuação do Ramo RCG, por estarem amparados em outros ramos de Seguro mais específicos e assim foram destacados tendo em vista a busca de melhor tratamento técnico-atuarial, já que apresentam características marcantes e grande número de unidades expostas ao risco, o que requer gerenciamento e subscrição diferenciados. ■ Proprietários de veículos – RCF-V; ■ Transportador rodoviário – carga – RCTR-C; ■ Transportador rodoviário – internacional – RCTV-I; ■ Transportador aéreo – RETA; ■ Transportador aéreo – carga – RETA-C; ■ Armador – carga – RCA-C; ■ Operador de usinas nucleares – riscos nucleares; ■ Prestador de serviços técnicos de prospecção e exploração de petróleo – riscos de petróleo; ■ Prestador de serviços que envolvem danos a aeronaves – aero- náuticos; ■ Construtor de imóveis financiados pelo SFH – habitacional; ■ Promotor de provas desportivas com veículos motorizados – RCF-V; e ■ Construtor naval – cascos. No tocante à legislação, nomeadamente o Código Civil Brasileiro e o Códi- go de Defesa do Consumidor, para citar as principais e diretamente aplicá- veis, todos os ramos acima enumerados terão sinistros com apuração de responsabilidades baseada nas citadas leis, à exceção de algumas legisla- ções próprias de navegação aérea e/ou marítima e/ou terrestre, que serãoaplicadas juntamente com as já citadas. 36 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Existem, ainda, outros ramos de seguros que operam modalidades de Segu- ros de RCG, com coberturas e subscrição quase idênticas ao Ramo RCG, diferenciando-se somente em pouquíssimos pontos, em razão da praticida- de da carteira. Tais modalidades são operadas nos seguros inerentes aos Riscos de Engenharia e nos Seguros Compreensivos Padronizados. Seguros de Riscos de Engenharia: Seguros de Obra Civil em Construção e Instalação e Montagem Além dos riscos cobertos pelas apólices de Seguros de Riscos de Enge- nharia, existe uma série de coberturas adicionais não obrigatórias que podem ser utilizadas como ampliação das coberturas básicas, de acordo com a conveniência do segurado. As coberturas adicionais são contratadas juntamente com a cobertura básica mediante solicitação expressa do segurado e cobrança do respec- tivo prêmio adicional. É necessário que se tenha a cobertura básica para contratar as coberturas adicionais. A vantagem principal das coberturas adicionais é ampliar a garantia neces- sária para cada tipo de risco, devido aos diversos fatores presentes numa obra, como: clima, topografia, tipo de solo, vizinhança, distância, possíveis despesas extras. As cláusulas que regem as coberturas adicionais oferecidas nos Seguros de Obra Civil em Construção e Instalação e Montagem, que dizem respeito ao Ramo RCG, são as seguintes: Cláusula 211 – Cobertura de Responsabilidade Civil Geral A cobertura de Responsabilidade Civil Geral cobre os danos mate- riais e pessoais causados a terceiros em decorrência dos trabalhos pertinentes à obra. Todos os funcionários e bens dos empreiteiros e subempreiteiros envolvidos na obra não estão abrangidos por essa cobertura, já que não são considerados terceiros. A segura- dora responsabiliza-se por indenizações até o limite estabelecido na garantia da apólice. O critério para a taxação da cobertura leva em consideração os seguintes parâmetros: ■ A classificação do risco quanto à vizinhança; ■ A verificação, no contrato, se os serviços são de execução com projeto ou de montagem com o fornecimento de equipamentos; e ■ A definição do coeficiente de agravação de taxa em função do limite de responsabilidade escolhido pelo segurado. 37 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Cláusula 212 – Cobertura de Responsabilidade Civil Cruzada A cobertura de Responsabilidade Civil Cruzada estende-se aos participantes da apólice: segurado, empreiteiros, subempreitei- ros e contratados, como se cada um deles tivesse contratado uma apólice separadamente. Assim, todos são considerados terceiros entre si. Essa cobertura tem como justificativa maior o fato de serem usuais as ocorrên- cias de danos pessoais e materiais (equipamentos envolvidos na execução do projeto) que os empreiteiros sofrem durante a obra. A responsabilidade da seguradora fica limitada à garantia estabe- lecida na apólice. Essa cobertura é um complemento da cláusula de Responsabili- dade Civil Geral – Cláusula 211 (RCG) e não pode ser contratada separadamente. — Exclusões de Riscos As exclusões de riscos fazem parte das apólices de qualquer ramo e ser- vem para delimitar a amplitude das coberturas concedidas. Para se adap- tar à realidade do mercado, as seguradoras podem alterar essas exclusões (reduzindo ou ampliando) à medida que isso se torne necessário. “1. O presente contrato não cobre reclamações por: a) danos decorrentes de atos de hostilidade ou de guerra, tumul- tos, greve, lockout, rebelião, insurreição, revolução, confisco, nacionalização, destruição ou requisição, decorrentes de qualquer ato de autoridade de fato ou de direito, civil ou militar e, em geral, todo e qualquer ato ou consequência dessas ocorrências; b) danos decorrentes de atos praticados por qualquer pessoa, agindo por parte de, ou em ligação com qualquer organização cujas atividades visem a derrubar, pela força, o governo ou instigar a sua queda, pela perturbação da ordem política e social do país, por meio de atos de terrorismo, guerra revolucionária, subversão e guerrilhas, saque ou pilhagem; c) danos a bens em poder do segurado, para guarda ou custódia, transporte, uso ou manipulação ou execução de quaisquer trabalhos; d) responsabilidades assumidas pelo segurado, por contratos ou convenções, que não sejam decorrentes de obrigações civis legais; e) danos consequentes do inadimplemento de obrigações por força exclusiva de contratos e/ou convenções; 38 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL f) danos resultantes de dolo ou culpa grave do segurado, bem como os decorrentes de atos por ele praticados em estado de insanidade mental, de alcoolismo ou sob efeito de substâncias tóxicas. Se o segurado for pessoa jurídica, esta exclusão aplica-se apenas aos atos praticados pelos sócios controladores da empre- sa segurada, seus diretores ou administradores; g) multas impostas ao segurado, bem como as despesas de qual- quer natureza, relativas a ações ou processos criminais; h) radiações ionizantes ou quaisquer outras emanações ocorridas na produção, transporte, utilização ou neutralização de materiais físseis (nucleares) e seus resíduos; e quaisquer eventos decorren- tes de energia nuclear, com fins pacíficos ou bélicos; i) qualquer perda, destruição, dano ou responsabilidade legal, direta ou indiretamente causados por, resultantes de, ou para os quais tenha contribuído material de armas nucleares; j) danos causados pela ação paulatina de temperatura, umidade, infil- tração e vibração, bem como por poluição, contaminação e vazamento; l) perdas financeiras, inclusive lucros cessantes, não decorrentes de dano corporal e/ou dano material, sofridos pelo reclamante e cobertos pelo presente contrato; m) danos decorrentes da circulação de veículos terrestres fora dos locais de propriedade, alugados ou controlados pelo segura- do e, ainda, os danos relacionados à existência, ao uso e à conser- vação de aeronaves e aeroportos; n) extravio, furto ou roubo; o) danos causados ao segurado, seus ascendentes, descendentes e cônjuge, bem como a quaisquer parentes que com ele residam ou dele dependam economicamente e, ainda, os causados aos sócios controladores da empresa segurada, seus diretores ou administradores; e p) danos genéticos, bem como causados por asbestos, talco asbestiforme, diethilstibestrol, dioxina, ureia formaldeído, vacina para gripe suína, dispositivo intrauterino (DIU), contraceptivo oral, fumo ou derivados, danos resultantes de hepatite B ou Síndrome de Deficiência Imunológica Adquirida (AIDS). 1.1 Não caberá qualquer indenização por este seguro quando, entre o segurado e o terceiro reclamante, existir participação acionária ou por cota, até o nível de pessoas físicas que, isoladamente ou em conjunto, exerçam ou tenham possibilidade de exercer controle comum da empresa segurada e da empresa reclamante. 39 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 2. O presente contrato não cobre, ainda, salvo convenção em contrário: a) danos causados a empregados ou prepostos do segurado quando a serviço; b) danos a veículos sob guarda do segurado; c) danos causados pela circulação de veículos eventualmente a serviço do segurado; d) danos causados pelo manuseio, uso ou por imperfeição de produtos fabricados, vendidos, negociados ou distribuídos pelo segurado, depois de entregues a terceiros, definitiva ou provisoria- mente, e fora dos locais ocupados ou controlados pelo segurado; e) danos relacionados à prestação de serviços profissionais a terceiros, tais como serviço médico, odontológico, de enferma- gem, advocacia, engenharia, arquitetura, auditoria, contabilidade, processamento de dados e similares; f) danos morais. 3. Em hipótese nenhuma, estarão cobertas as indenizações a título de punição (punitive damage) ou a título exemplar (exemplary damage).” Das exclusões apresentadas, quatro devem ser observadas com mais detalhe: Danosa Bens de Terceiros sob a Responsabilidade do Segurado O segurado que tem a posse direta de bens de terceiros deve, por lei, pre- servá-los como se fossem seus. A cobertura para esses riscos encontra-se nos seguros mais específicos, como os de Incêndio, Roubo, com cláusula beneficiária em favor do proprietário do bem. Essa exclusão faz com que o segurado assuma o risco do seu próprio negócio (business risk), pois não é função do Seguro de RCG transferir para a seguradora riscos ligados ao interesse do próprio segurado com terceiros, embora em algumas modalidades do Seguro de RCG isso seja admitido, como nos casos de RC – Guarda de Veículos, RC – Guarda de Embarcações e RC – Armazéns Gerais. Responsabilidades Assumidas pelos Segurados O objetivo dessa exclusão é evitar que o segurador tenha que acatar algu- ma obrigação civil, além do ordenamento jurídico, assumida pelo segura- do, uma vez que não pode previamente dimensioná-la. 40 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Exemplo: se um segurado garantir, em propaganda, que se responsabili- zará pelo pagamento em dobro por algum tipo de dano corporal que seu produto cause ao cliente, a seguradora só terá que reembolsar (caso haja cobertura) o valor do dano, enquanto o valor prometido em dobro terá que ser assumido pelo segurado. Inadimplemento de Obrigações Contratuais As apólices de RCG atuam, basicamente, na esfera da Responsabilida- de Civil Extracontratual. As responsabilidades civis contratuais podem ser cobertas por meio do Ramo Garantia de Obrigações Contratuais. Perdas Financeiras Só existe cobertura para perdas financeiras e lucros cessantes quando esses riscos são diretamente decorrentes de danos corporais e/ou mate- riais cobertos pelo contrato de seguro. Exemplo: uma fábrica explode e danifica uma fábrica vizinha, que fica sem produzir por 1 mês. Aquele vizinho atingido teve um lucro cessante, decor- rente da explosão da fábrica do segurado. Nesse caso, haverá cobertura, pois o lucro cessante foi consequência de um risco coberto (explosão). LIMITES DE RESPONSABILIDADE O Seguro de RCG apresenta peculiaridades que nos conduzem a raciocí- nios técnicos diferentes dos demais ramos. O principal deles se situa no campo da fixação do limite máximo de garantia, mais comumente chamado de valor segurado ou importância segurada. Num Seguro contra Incêndio, sabemos que o valor segurado deve corres- ponder ao valor da casa segurada. Num Seguro de Automóvel, sabemos que o valor dele no mercado é a base para os cálculos do prêmio. E no Seguro de RCG? Qual seria o limite máximo de garantia? Que aspectos devemos considerar para a sua fixação? A resposta não é simples. Por quê? Porque o limite máximo de garantia deverá corresponder a um valor monetário condizente com a potencialidade do segurado em causar danos a terceiros. Ou seja, qual o potencial de prejuízo implícito em suas operações. Não há resposta pronta. Isso porque a questão é subjetiva. Vai depender da consideração de uma série de aspectos relativos, quase nunca absolutos. Superada essa dificuldade inicial e uma vez determinados os limites a segurar, para fins de identificação das garantias seguradas, os limites segu- rados se apresentam assim na apólice: 41 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Limite de responsabilidade por sinistro; e ■ Limite agregado. — Limite de Responsabilidade por Sinistro É o limite máximo de responsabilidade da seguradora por sinistro ou série de sinistros decorrentes de um mesmo evento, independentemente do número de reclamações. Corresponde à importância segurada da apólice. — Limite Agregado É o total máximo indenizável pela apólice durante a sua vigência. Deter- mina-se, no limite agregado, quantas vezes o limite por sinistro poderá ser utilizado. Observe a aplicação prática a seguir. Aplicação prática Em uma apólice de RCG, temos a seguinte situação: Limite de responsabilidade por sinistro (importância segurada): R$ 100.000 Limite Agregado: 3 vezes (R$ 100.000 × 3 = R$ 300.000) Teto = R$ 300.000 1º sinistro: R$ 50.000 – reembolso no valor de R$ 50.000 2º sinistro: R$ 150.000 – reembolso no valor de R$ 100.000 3º sinistro: R$ 100.000 – reembolso no valor de R$ 100.000 4º sinistro: R$ 200.000 – reembolso no valor de R$ 50.000 R$ 500.000 R$ 300.000 Observe que, no 2º sinistro, o limite máximo indenizável foi o limite de responsabilidade por sinistro e que, no 4º sinistro, foi reembolsado o saldo final do limite agregado, que nessa apólice era de R$ 300.000. Em qualquer situação, o limite máximo de garantia sempre será o limite máximo indenizável por sinistro ou evento. Não obstante os conceitos acima, tradicionalmente aplicados nas apóli- ces de Responsabilidade Civil Geral ao longo dos anos, a SUSEP, em Con- dições Padronizadas no seu Glossário de Responsabilidade Civil Geral, conceituou de forma própria os Limites de Responsabilidade acima men- cionados. Vejamos: 42 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL “Limite agregado (LA): No Seguro de Responsabilidade Civil, não há, normalmente, pre- visão de reintegração, após a liquidação de um sinistro, do Limi- te Máximo de Indenização da cobertura cuja garantia tenha sido reivindicada. Para contornar, ao menos parcialmente, a ausência da reintegração, e eventualmente cobrir sinistros independentes abrigados pela mesma cobertura, utiliza-se o Limite Agregado, que representa o total máximo indenizável pelo contrato de seguro, relativamente à cobertura considerada. O seu valor, previamente fixado, é normalmente estipulado como o produto do Limite Máxi- mo de Indenização por um fator maior do que 1, como 1,5, ou 2, ou 3. Não é, no entanto, obrigatório que esse fator seja maior do que 1, considerando-se, nesses casos, que o Limite Agregado é igual ao Limite Máximo de Indenização. Os Limites Agregados estabeleci- dos para coberturas distintas são independentes, não se somando nem se comunicando. Quando o contrato opta pela garantia trípli- ce, não há Limite Agregado. Ver ‘Garantia Única’, ‘Garantia Tríplice’ e ‘Reintegração’. Limite máximo de indenização por cobertura con- tratada (LMI) Limite máximo de responsabilidade da Seguradora, por cobertu- ra, relativo à reclamação ou série de reclamações decorrentes do mesmo fato gerador. Os limites máximos de indenização estabele- cidos para coberturas distintas são independentes, não se soman- do nem se comunicando. Limite de Responsabilidade No Seguro de Responsabilidade Civil, há, em geral, dois limites de responsabilidade para cada cobertura contratada: o Limite Máxi- mo de Indenização e o Limite Agregado. O primeiro corresponde à indenização máxima a que se obriga a Seguradora no caso de sinistro, ou série de sinistros, com o mesmo fato gerador, abrigados pela cobertura. O segundo representa o total máximo indenizável quando se consideram todos os sinistros ocorridos independen- temente, garantidos pela mesma cobertura. Ver “Limite Agrega- do”. Há, ainda, a possibilidade (opcional) de estipulação do Limite Máximo de Garantia da Apólice, a ser aplicado no caso de sinistro garantido por mais de uma das coberturas contratadas.” 43 UNIDADE 2 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL REINTEGRAÇÃO DO LIMITE MÁXIMO E INDENIZAÇÃO Como regra, sobretudo na prática diária das seguradoras, em caso de sinistro, nos Seguros de RCG, o valor do limite máximo de indenização não voltará ao seu valor original (que constava antes do sinistro) de forma automática. GARANTIA DE REEMBOLSO O Seguro de RCG pode reconhecer a obrigação da seguradora de reem- bolsar o segurado de duas maneiras: através de sentença judicial, transitada em julgado, e/ou através de acordos extrajudiciais celebra- dos com o terceiro reclamante, com a anuência da seguradora (o que é muito comum). Em qualquer um dos casos, as Condições Gerais da apólice condicionam a apuração e a liquidação do sinistro à concordância do segurador, já que é ele quem arca com o montantedos prejuízos. Assim, evita-se que o segu- rado faça acordos, nem sempre justos ou adequados, para se livrar rapida- mente da reclamação do terceiro. Organizando as Ideias Proteger o patrimônio do segurado, em decorrência da sua responsabilidade civil perante terceiros, é o objetivo principal de uma apólice de RCG. É, portanto, nessa apólice, em suas Condições Gerais, que o objeto do seguro é explicitado, ou seja, é definido o que está sendo segurado. No Brasil, as apólices de RCG reembolsam, enquanto as apólices de outros ramos inde- nizam. Em outros termos, o Seguro de RC visa reembolsar o segurado (único beneficiário das apólices) até o limite máximo de indenização. Vale lembrar que, nessa transação, primeiramente o segurado paga ao terceiro reclamante para, depois, ter direito ao reem- bolso. Trata-se, portanto, do princípio do reembolso. Não obstante, nada impede que a seguradora pague ou repare o bem do terceiro, diretamente. Isso deve ocorrer sempre com a comunicação prévia do segurado, que informará todas as minúcias do acidente. Para as apólices à base de reclamações, é importante estar atento às situações de renovação do seguro, de retroatividade e do prazo suplementar, assim como aos limites de atuação do Seguro de RCG e aos limites de responsabilidade. 44 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL FIXANDO CONCEITOS 2 Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta 1. Relativamente aos Seguros de Responsabilidade Civil no Brasil, à exce- ção dos seguros legalmente obrigatórios, vige o princípio do reembolso. Sua principal consequência é a de que o terceiro não tem ação direta con- tra o segurador. Além disso, sobre tal modalidade, podemos dizer que: I) A indenização deverá ser paga ao terceiro pelo segurado, e só depois disso ele deverá solicitar o reembolso ao segurador. II) O terceiro reclamante paga ao segurado o valor dos prejuízos. III) O reclamante não pode reclamar diretamente ao segurado. Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente III é proposição verdadeira. (c) Somente I e II são proposições verdadeiras. (d) Somente I e III são proposições verdadeiras. (e) I, II e III são proposições verdadeiras. 2. Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a alternativa correta: O tipo de apólice denominado apólice à base de reclamação originou-se do Ramo RCG e vem atender a particularidades próprias do ramo, tendo em vista a ocorrência de sinistros cujos danos, por vezes, surgem muito tempo depois do fato gerador. Algumas das características básicas desse tipo de apólice são: ( ) A partir da primeira renovação, aplica-se a retroatividade de cober- tura às apólices anteriores. ( ) Os prazos complementares são concedidos por meio de cobrança de prêmio adicional. ( ) Nos prazos complementares, não existe cobrança de prêmio adicional. Agora assinale a alternativa correta: (a) V,V,V. (b) V,F,V. (c) V,V,F. (d) F,V,V. (e) F,V,F. 45 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 3. Marque a alternativa que preencha corretamente a(s) lacuna(s): LMI quer dizer limite máximo de indenização, que corresponde ao valor máximo de ___________a ser pago pela seguradora por ____________, cujo sinônimo mais comum é importância segurada. (a) indenização / sinistro (b) indenização / terceiro (c) importância / dano material (d) importância / dano corporal (e) indenização / pessoa 4. Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta: Sobre a apólice à base de reclamação, há critérios a serem utilizados quan- do de sua contratação, entre os quais se destacam, resumidamente: I) Deve constar cláusula garantindo ao segurado prazo complementar mínimo de 1 ano. II) Garantia de prazo suplementar sob cobrança de prêmio adicional. III) O prazo suplementar deverá ser concedido mesmo nos casos de cancelamento por falta de pagamento de prêmio. Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente II é proposição verdadeira. (c) Somente III é proposição verdadeira. (d) Somente I e II são proposições verdadeiras. (e) I, II e III são proposições verdadeiras. 5. Marque a alternativa correta A utilização de apólice à base de ocorrência ou apólice à base de recla- mação, nos Seguros de Responsabilidade Civil, tem aplicação específica. Então, sobre isso, podemos dizer que: (a) Sua utilização é indiferente, pois ambas são adequadas a qualquer tipo de risco. (b) A apólice à base de ocorrência é indicada para sinistros de latência prolongada. (c) O critério a ser adotado depende do limite máximo de garantia. (d) Sua aplicação é determinada em função da característica do risco. (e) A apólice à base de ocorrência é sempre melhor do que a apólice à base de reclamação. 46 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta: 6. São riscos excluídos nos Seguros de Responsabilidade Civil Geral, entre outros: ( ) Danos decorrentes de guerra. ( ) Danos decorrentes de revolução. ( ) Pagamento efetuado a terceiro com expressa autorização da seguradora. ( ) Danos causados ao segurado, seus ascendentes, descendentes e cônjuge. Agora assinale a alternativa correta: (a) V, F, F, F. (b) V, V, F, V. (c) F, V, V, F. (d) V, V, V, V. (e) F, V, V, V. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 47 UNIDADE 3 DISPOSIÇÕES 03 TARIFÁRIAS GERAIS ■ Conhecer as disposições tarifárias gerais, interpretando-as claramente para uma melhor noção dos prêmios a serem cobrados. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE ⊲ CONHECENDO AS DISPOSIÇÕES TARIFÁRIAS GERAIS ⊲ FIXANDO CONCEITOS 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 48 UNIDADE 3 CONHECENDO AS DISPOSIÇÕES TARIFÁRIAS GERAIS As disposições tarifárias gerais abrangem definições relativas à pro- posta, aos questionários, às garantias, aos prazos, às modalidades de cobertura, aos critérios para taxação de riscos, às franquias e às parti- cipações do segurado nos prejuízos (PSP). — Proposta e Questionário Como em qualquer ramo, a proposta antecede a apólice de seguro. A proposta é encaminhada pelo interessado (ou seu representante) à seguradora para que esta possa fazer avaliação criteriosa e, se necessá- ria, inspeção do risco no local a ser segurado. Observação O exemplo de questionário – Anexo 1 – no Seguro de Responsabilidade Civil con- tém subsídios importantes para que a seguradora analise o risco a ser segurado e calcule o prêmio do seguro. Tendo em vista o valor dessas informações, o ques- tionário deve ser datado, assinado (pelo segurado ou corretor) e, obrigatoriamente, anexado à proposta. Atenção É recomendável que o corretor exija que o segurado assine a proposta de seguro e o questionário, sob pena de ele, corretor, ser responsabilizado por questões judiciais de- correntes das informações constantes nesses documentos. O segurado poderá alegar que não disse ou não informou aqueles dados. 49 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Garantia Única O mercado brasileiro trabalha hoje, basicamente, com a Garantia Única. Isso significa que um único capital segurado abrange o reembolso por danos corporais e/ou materiais causados a terceiros. Exemplo: se o segurado derruba um muro do vizinho e esse muro cai em cima de uma pessoa, os danos causados pelo segurado foram materiais (muro) e corporais (pessoa atingida). Nesse caso, a importância segura- da pagará os dois tipos de danos, independentemente dos valores indivi- duais, obviamente limitados à própria importância segurada (limite máximo de indenização). — Prazo do Seguro Geralmente, os Seguros de RCG são emitidos pelo prazo de 1 ano, salvo algumas exceções. Para prazos inferiores a 1 ano, devem ser utilizados os percentuais da Tabela de Prazo Curto e, para prazos superiores a 1 ano, os percentuais da Tabela dePrazo Longo. Normalmente, a cobrança dos prêmios adicionais, referentes a altera- ções (endosso) feitas durante a vigência da apólice, é efetuada na base pro rata temporis. — Pluralidade de Coberturas O Seguro de RCG é dividido em várias modalidades. Dependendo da atividade do segurado, ele pode necessitar de mais de uma delas ao con- tratar o Seguro de RCG. Assim sendo, todas as modalidades necessárias ao segurado estarão cobertas numa mesma apólice, facilitando as operações administrativas do segurado e da seguradora. Para cada modalidade coberta, será discriminado, na apólice, seu pró- prio limite máximo de indenização, franquia, limite agregado. Quando se esgotar a garantia de uma das modalidades, ela estará automaticamente cancelada (desde que não haja solicitação de reintegração da cobertura), sem influenciar, porém, na cobertura das outras modalidades constantes da apólice. Pro rata temporis Tabela utilizada, em geral, para a cobrança de prêmios referentes às alterações feitas durante a vigência da apólice Atenção Cada modalidade deve ter seus limites perfeitamente demarcados, sob pena de o segurado requerer, numa eventual insuficiência de valor, a utilização de capital inerente à cobertura não utilizada. É conveniente que isso fique esclarecido no contrato. 50 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Critérios Adotados para o Cálculo dos Prêmios De modo geral, em quase todos os ramos de seguro, o prêmio é calculado por meio da multiplicação de uma taxa pelo valor segurado. No caso de RCG, o prêmio é calculado por meio de parâmetros (infor- mações) diferenciados para cada risco de responsabilidade civil, já que, usualmente, não são aplicadas taxas. Esses parâmetros são definidos com base nas informações do questioná- rio preenchido pelo segurado, entregue com a proposta. Essas informa- ções, necessárias ao cálculo do prêmio de seguro, servem, também, para análise do risco por parte do subscritor da seguradora. De posse dessas informações, as seguradoras aplicam, de acordo com o risco, suas fórmulas e critérios específicos para o cálculo de prêmio. Importante A partir do início da década de 1990, mais precisamente com a publicação do Decreto 605, de 17/07/1992 e outras normas complementares, o mercado de seguros foi auto- rizado a desenvolver e aprovar junto à Susep novos modelos de seguros, conhecidos como seguros compreensivos. Com essa inovação as formas de taxação dos riscos puderam também ser alteradas, permitindo a cada seguradora criar seus produtos de acordo com a suas expertises. Decorridos quase 30 anos dessa reformulação, podemos afirmar que existe hoje no mercado uma série de produtos diferenciados cada um com um critério diferente para o cálculo do prêmio. O exemplo de cálculo de prêmio que você vai conhecer a seguir, era o método utilizado por todo mercado segurador antes da publicação do já mencionado decreto 605/92, o que não significa afirmar que não possa ser utilizado atualmente. Nesse exemplo, realizado a partir dos dados constantes no questionário apresentado no Anexo I, simularemos a cotação de um Seguro de RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais (Operações). Subscritor Técnico com muita experiência no ramo de seguro em que atua, que faz a análise técnica de aceitação e precificação do risco. 51 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Aplicação prática A primeira informação que deve ser retirada do questionário é a atividade principal de- senvolvida pelo proponente, que, no nosso exemplo, será uma usina de álcool. Com essa informação, consultamos a tabela de atividades que nos indicará a Classe de Risco: EXEMPLO DE TABELA DE CLASSES DE RISCO (PARCIAL) CÓDIGO ESPECIFICAÇÃO CLASSE DO RISCO OPERAÇÕES PRODUTOS 01 Academia de ginástica, danças e lutas I – 02 Açougues, aviários, peixarias e abatedouros I II 03 Acrílico – Artigos de II II 04 Açúcar e Álcool (Usinas e Destilarias) II I 05 Aditivos para tintas e similares III II Classe de Risco para Operações da Usina de Álcool: II Em seguida, voltamos ao questionário para saber qual o faturamento do proponente que, no nosso exemplo, é de R$ 45.000.000,00. De posse desse dado, consultamos outra tabela da tarifa, que nos indica o Prêmio Básico. Selecionaremos o prêmio básico da classe II (conforme indicado na tabela anterior). TABELA DE PRÊMIOS BÁSICOS – OPERAÇÕES (PARCIAL) (VALORES EM UT) FATURAMENTO ANUAL CLASSE I CLASSE II CLASSE III 9.000.000,00 58,70 88,10 117,40 13.500.000,00 65,90 98,90 131,80 18.000.000,00 71,80 107,70 143,60 22.500.000,00 76,70 115,00 153,40 27.000.000,00 81,60 122,40 163,20 31.500.000,00 86,50 129,70 173,00 36.000.000,00 90,80 136,10 181,60 40.500.000,00 94,60 142,00 189,20 45.000.000,00 97,90 146,90 195,80 52 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Prêmio Básico – Operações da Usina de Álcool: 146,90 Para finalizar a cotação, verifica-se, no questionário, o Limite Máximo de Indeniza- ção – LMI – solicitado pelo proponente que, no nosso exemplo, é de R$ 1.800.000,00. Aplicamos essa informação à tabela de Coeficiente de Agravação: TABELA DE COEFICIENTES DE AGRAVAÇÃO (PARCIAL) LMI (UT) COEFICIENTE 1.000.000,00 61,96 1.100.000,00 65,06 1.200.000,00 67,96 1.400.000,00 73,26 1.600.000,00 78,00 1.800.000,00 82,29 2.000.000,00 86,21 Coeficiente de Agravação da Usina de Álcool: 82,29 Finalmente, chegamos ao cálculo do Prêmio Tarifário: Cálculo do Prêmio: Prêmio Tarifa = Prêmio Básico × Coeficiente de Agravação Prêmio Tarifa = R$ 146,90 × 82,29 Prêmio Tarifa = R$ 12.088,40 Essa metodologia de cálculo pode variar de acordo com a modalidade contratada. Obs.: UT, ou Unidade Tarifária, é a “moeda” utilizada nas tarifas. Hoje em dia, 1 UT equivale a 1 dólar. Desconto por Experiência No desenvolvimento de uma tarifa de RCG, a seguradora pode prever a concessão de desconto por experiência para os riscos que apresenta- rem boa experiência ao longo de sucessivas renovações. Boa experiência quer dizer baixa sinistralidade. Ou seja, ocorrência de sinistros dentro do que se pode entender como razoável (atuarialmente falando). 53 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL TABELA DE DESCONTOS (%) PERÍODO DE COBERTURA ANTERIOR (ANOS COMPLETOS E SUCESSIVOS) S/P = 0 S/P = OU < 10% S/P = OU < 10% S/P = OU < 10% S/P = OU < 10% S/P = OU < 10% 1 10 – – – – – 2 17 10 – – – – 3 23 17 10 – – – 4 28 23 17 10 – – 5 32 28 23 17 10 – 6 36 32 28 23 17 10 7 37 35 32 28 23 17 8 38 37 35 32 28 23 9 39 38 37 35 32 28 10 40 39 38 37 35 32 (S/P) – Relação SINISTRO/PRÊMIO. Se o seguro for uma renovação, após calcularmos o prêmio tarifário (prê- mio básico × coeficiente de agravação), verificamos qual a sinistralidade do risco (S/P) no período segurado (abrange os seguros anteriores do segura- do) e aplicamos o desconto de experiência sobre o prêmio tarifário. Dependendo do produto de cada Segurador, a metodologia para conces- são desse desconto pode ser diferente, sempre, porém, respeitando as condições aprovadas na Susep. — Franquias A franquia – ou seja, o valor monetário, fixado em apólice, correspon- dente à parte do sinistro assumida pelo segurado – pode ser aplicada nos Seguros de Responsabilidade Civil, dependendo da natureza do risco. Cabe lembrar que de acordo com as condições padronizadas divulgadas pela Circular Susep 437/2012, o seguro de RCG não prevê a inclusão de franquias ou participação obrigatória do segurado (POS), salvo se negocia- das previamente e constantes das condições particulares do seguro. Quando previstas, as franquias devem ser do tipo dedutíveis por sinistro e aplicadas sobre os prejuízos apurados. 54 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Exemplo de Aplicação (quando prevista) 1) LMI = R$ 30.000,00 Franquia = R$ 5.000,00 Prejuízo = R$ 40.000,00 Valor do reembolso = R$ 40.000,00 – R$ 5.000,00 = R$ 35.000,00 (como o LMI é o valor máximo indenizável, nestecaso, o valor do reembolso será igual a R$ 30.000,00) Valor do reembolso = R$ 30.000,00 2) LMI = R$ 500.000,00 Franquia = R$ 2.000,00 Prejuízo = R$ 27.000,00 Valor do reembolso = R$ 27.000,00 – R$ 2.000,00 = R$ 25.000,00 Valor do reembolso = R$ 25.000,00 Participação Obrigatória do Segurado – POS Como já explicado anteriormente a aplicação de POS, assim como a fran- quia, não é prevista nas condições padronizadas aprovadas pela Susep. Quando incluída, o segurado participa, compulsoriamente, com um percen- tual da responsabilidade do risco aplicado sobre os prejuízos apurados em cada sinistro. Normalmente essas participações estabelecem também, além do percen- tual, limites monetários mínimos e/ou máximos, que também devem cons- tar da especificação da apólice. Exemplo de Aplicação (quando prevista) 1) LMI = R$ 30.000,00 POS = 15% Mínimo = R$ 500,00 Máximo = R$ 2.000,00 Prejuízo = R$ 15.000,00 Valor da POS = R$ 15.000,00 × 15% = 2.250,00 (como o valor máximo é igual a R$ 2.000,00, a PSP será de R$ 2.000,00) Valor do reembolso = R$ 15.000,00 – R$ 2.000,00 = R$ 13.000,00 55 UNIDADE 3 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 2) LMI = R$ 500.000,00 POS = 10% Mínimo = R$ 1.000,00 Máximo = R$ 4.000,00 Prejuízo = R$ 7.000,00 Valor da POS = R$ 7.000,00 × 10% = 700,00 (como o valor mínimo é igual a R$ 1.000,00, a POS será de R$ 1.000,00) Valor do reembolso = R$ 7.000,00 – R$ 1.000,00 = R$ 6.000,00 Observe que no primeiro exemplo, a franquia é estabelecida, na apóli- ce, por meio de valor monetário, enquanto a participação obrigatória do segurado (POS) – segundo exemplo, é fixada por meio de um percentual. No primeiro exemplo, o valor é fixo e do conhecimento antecipado do segurado, enquanto, no segundo (POS), o valor varia de acordo com o prejuízo. Organizando as Ideias Foram estudadas, nesta unidade, a proposta, o questionário, a garantia, os prazos, as modalidades de coberturas, os critérios para taxação de riscos e as franquias. Essas são as disposições tarifárias gerais. Podemos dizer que não há um contrato de seguro se não houver uma proposta apre- sentada à seguradora, para que ela possa avaliar o risco. Por outro lado, é por meio do questionário que a seguradora busca informações sobre o risco a ser segurado. Quando se fala em seguro, fala-se obviamente em garantia de indenizações. No merca- do, brasileiro, dá-se preferência pela garantia única, ou seja, um único capital segurado abrange indenizações por danos corporais e/ou materiais causados a terceiros. E tudo isso dentro de um determinado prazo (vigência). A depender da atividade do segurado, uma apólice de RCG pode abranger mais de uma modalidade de cobertura. Cada modalidade terá seu limite de garantia discriminado. Isso significa que, esgotada a garantia de uma das modalidades, ela estará automatica- mente cancelada sem que isso influencie na cobertura das outras modalidades. Finalmente, é importante lembrar que o prêmio de Seguro RCG é calculado mediante uma série de parâmetros, diferenciados para cada risco de RCG e que pode ser diferen- te de seguradora para seguradora, dependendo do produto aprovado na SUSEP. 56 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL FIXANDO CONCEITOS 3 Correlacione as colunas abaixo e depois marque a alternativa correta 1. Todo Seguro de Ramos Elementares deve ter determinado em sua apó- lice o período de vigência do risco. Com referência ao prazo do Seguro de RCG, associe corretamente as lacunas: 1) Prazos inferiores a 1 ano devem utilizar 2) Cobranças feitas durante a vigência devem utilizar 3) Prazos superiores a 1 ano devem utilizar ( ) Tabela de Prazo Longo. ( ) Pro rata temporis. ( ) Tabela de Prazo Curto. Agora assinale a alternativa correta: (a) 1, 2, 3. (b) 1, 3, 2. (c) 2, 3, 1. (d) 3, 1, 2. (e) 3, 2, 1. Marque a alternativa correta 2. Em todo seguro existe um método de taxação do risco, ou seja, o modo como se determina o prêmio a ser cobrado do segurado. No Seguro de RCG, para fins de cálculo do prêmio é correto afirmar: (a) O prêmio a cobrar depende exclusivamente dos riscos excluídos. (b) O cálculo do prêmio depende exclusivamente do desconto a ser aplicado. (c) Deve respeitar os critérios aprovados por cada seguradora para o produto. (d) Sempre haverá aplicação do coeficiente de agravação. (e) O cálculo está diretamente ligado ao valor da franquia. 57 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Marque a alternativa correta 3. No caso de RCG, o prêmio é calculado por meio de parâmetros diferen- ciados para cada risco de responsabilidade civil, que dependem das infor- mações extraídas do questionário preenchido pelo segurado e entregue junto com a proposta. Ao técnico responsável pela análise desse questionário para fins de cálcu- lo do prêmio, se dá o nome de: (a) Subscritor. (b) Analista de Sinistro. (c) Regulador. (d) Gerente de Negócios. (e) Analista Financeiro. Marque a alternativa que preencha corretamente a(s) lacuna(s) 4. A depender da atividade do segurado, uma apólice de RCG pode abran- ger mais de uma _________________________ de cobertura e cada uma terá seu limite de garantia discriminado. Isso significa que, esgotada a _____________________________________ de uma das modalidades, ela estará automaticamente cancelada sem que isso influencie na cobertu- ra das outras garantias. (a) taxa / importância segurada. (b) franquia / participação. (c) importância segurada / franquia. (d) modalidade / importância segurada. (e) participação do segurado / taxa. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 58 UNIDADE 404 RESPONSABILIDADE CIVIL MODALIDADES e CONDIÇÕES ESPECIAIS ■ Compreender as características gerais das principais modalidades do Seguro de RCG, bem como o das coberturas acessórias, interpretando assim qual é a modalidade ou conjunto de modalidades que melhor atende ao segurado. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE ⊲ MODALIDADES E CONDIÇÕES ESPECIAIS ⊲ MODALIDADES DE RCG MAIS UTILIZADAS NO MERCADO BRASILEIRO ⊲ OUTROS RAMOS DO GRUPO DE RESPONSABILIDADE CIVIL ⊲ FIXANDO CONCEITOS 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 59 UNIDADE 4 O Ramo de Responsabilidade Civil Geral é composto por um grande núme- ro de modalidades. Cada modalidade possui condições e cláusulas próprias, que as particulari- zam em razão de suas peculiaridades e propensões a riscos determinados. As modalidades, sob seus diferentes nomes, portanto, terão coberturas, riscos cobertos e riscos excluídos diferenciando-se entre si. MODALIDADES E CONDIÇÕES ESPECIAIS Relacionamos algumas das modalidades de Responsabilidade Civil que o mercado oferece. Elas são aplicadas de acordo com o risco contratado. Procuramos destacar as mais utilizadas no mercado brasileiro, apresentan- do, resumidamente, o objeto do seguro de cada uma, bem como os riscos cobertos, excluídos e os tipos de coberturas. Em alguns casos, acrescen- tam-se observações relevantes sobre suas características. Algumas das Modalidades de Responsabilidade Civil ■ Anúncios e Antenas ■ Armazéns Gerais e Similares ■ Auditórios ■ Clubes, Agremiações e Associações Recreativas ■ Condomínios, Proprietários e Locatários de Imóveis ■ Empregador 60 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais ■ Estabelecimentos de Ensino ■ Estabelecimentos de Hospedagem, Restaurantes, Bares e Similares ■ Exposições e Feiras de Amostras ■ Familiar ■ Farmácias e Drogarias ■ Guarda de Embarcações de Terceiros ■ Guarda de Veículos de Terceiros ■ Obras Civis e/ou Instalação e/ou Montagem de Equipamentos ■ Operações de Carga e Descarga ■ Operações de Vigilância ■ Parques de Diversões, Zoológicos e Circos ■ Prestações de Serviços em Locais de Terceiros ■ Produtos no Exterior ■ Produtos no Território Nacional ■ Promoção de Eventos Artísticos, Esportivos ■ Riscos Contingentes– Veículos Terrestres Motorizados ■ Shopping centers ■ Teleféricos e Similares ■ Transporte de Passageiros em Embarcações ■ Concessionárias ou não de Serviços de Produção e Distribuição de Gás ■ Concessionárias ou não de Serviços de Produção e Distribuição de Eletricidade ■ Concessionárias ou não de Serviços de Abastecimento de Água e/ ou Saneamento Básico ■ Concessionárias ou não de Pontes e/ou Rodovias ■ Concessionárias ou não de Ferrovias 61 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL MODALIDADES DE RCG MAIS UTILIZADAS NO MERCADO BRASILEIRO — RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais Essa modalidade é mais conhecida no mercado brasileiro como RC – Operações e é o principal seguro para riscos comerciais e industriais do RCG. Para tanto, as coberturas oferecidas devem ser as mais abrangentes, visando dar cobertura a diversas atividades. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado decor- rente de: ■ Existência, uso e conservação dos imóveis especificados em contra- to. Garantir a “existência, uso e conservação dos imóveis especifica- dos em contrato” engloba uma infinidade de situações, fatos, atos e ocorrências de responsabilidade, como: incêndios; explosões; que- das de objetos; demonstração de produtos em pontos de venda e/ou em locais de clientes; operações de vigilância; participação em feiras e exposições, desde que o evento não tenha sido promovido pelo segurado; e outras; ■ Operações comerciais e/ou industriais do segurado, inclusive ope- rações de carga e descarga em local de terceiros; ■ Existência e conservação de painéis de propaganda, letreiros e anúncios pertencentes ao segurado; ■ Eventos programados pelo segurado sem cobrança de ingressos, limitados aos seus empregados, familiares e pessoas comprovada- mente convidadas; e ■ Danos causados por mercadorias transportadas pelo segurado ou a seu mando, em local de terceiros ou em via pública, excluídos, no entanto, os danos decorrentes de acidente com o veículo transportador. Riscos Excluídos Em RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais, não estão cober- tas reclamações decorrentes de: 62 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Danos causados por construção, demolição, reconstrução ou alte- ração estrutural do imóvel, bem como qualquer tipo de obra, inclu- sive instalações e montagens, admitidos, porém, pequenos traba- lhos de reparos destinados à manutenção do imóvel; ■ Danos causados a/ou por embarcações de qualquer espécie; ■ Competições e jogos de qualquer natureza, salvo convenção em contrário; e ■ Instalações e montagens, bem como de qualquer prestação de serviço em locais ou recinto de propriedade de terceiros ou por estes controlados ou utilizados. Tipos de Cobertura Coberturas adicionais são admitidas, ainda, coberturas adicionais para serem aplicadas de acordo com a necessidade de cada segurado, destacando-se as seguintes: » Circulação de equipamentos nas adjacências dos estabele- cimentos; » Competição e jogos esportivos; » Objetos pessoais de empregados sob a guarda do segurado; » Danos causados por profissionais da área médica; e outras. Cobertura acessória Existe, também, a cobertura de Poluição Súbita, que pode ser contratada como acessória de RC – Operações. Embora tais riscos sejam específicos da modalidade de RC – Poluição Ambiental, a Poluição Súbita é aqui admitida por se tratar de uma forma de poluição com características próprias. Os parâmetros adotados para limitar a cobertura desse risco são: » A ocorrência do sinistro deve acontecer durante a vigência da apólice e em data claramente identificada; » O término do sinistro não pode exceder 72 horas, contadas do início do fato gerador. Caso exceda esse prazo, é considerado evento contínuo e caracterizado como poluição gradual; e » O sinistro não pode ter se originado em depósitos, dutos e tubulações subterrâneas ou submersas e, consequente- mente, expostos aos efeitos da corrosão ou qualquer outra causa externa. 63 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Atenção É preciso que conste expressamente na apólice que a cobertura acessória de Poluição Súbita não reembolsa despesas efetuadas com a finalidade de evitar ou minimizar a propagação do sinistro de Poluição Súbita. As empresas poderão ficar obrigadas a contratar seguro sempre que adquirirem licença ambiental. A obrigatoriedade está prevista em projeto de lei e vai obrigar a empresa que conseguir licença a fazer um Seguro de Responsabilidade Civil por danos ambien- tais em eventuais acidentes. A intenção é que se possa ter uma forma de criar mais responsabilidades em todas essas empresas que estabelecem, por natureza de atuação, qualquer relacionamento com o ambiente. — RC – Empregador Essa modalidade objetiva garantir o pagamento das indenizações devi- das, pelo segurado aos seus empregados, em decorrência de danos corporais sofridos por eles durante o exercício de suas funções. Os danos materiais não estão cobertos. Ela garante a indenização correspondente à responsabilidade do segura- do no evento, independentemente de pagamento pela Previdência Social e pelas prestações por acidente de trabalho previstas na Lei 8.213, de 24/07/91. O Seguro de RC – Empregador está totalmente dissociado das prestações previdenciárias relativas ao Seguro Obrigatório de Acidentes do Trabalho, do qual o empregado é beneficiário no caso de acidente. O trabalhador, nesta situação, portanto, além de fazer jus aos benefícios da Previdência Social, perfaz, adicionalmente, direito à indenização do empregador sem que este benefício venha a complementar o anterior. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado, relati- va a danos corporais sofridos por seus empregados ou prepostos, quando a serviço do segurado ou durante o percurso de ida e volta do trabalho, sempre que a viagem for realizada por veículo contratado pelo segurado. Os danos corporais cobertos restringem-se a danos que resultem em mor- te ou invalidez permanente do empregado, provenientes de acidente súbito e/ou inesperado que ocorra durante o exercício de suas funções ou durante o percurso de ida e de volta do trabalho (residência/trabalho ou trabalho/residência), desde que a viagem seja realizada por veículo con- tratado pelo segurado. 64 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Riscos Excluídos Em RC – Empregador não estão cobertas as reclamações decor- rentes de: ■ Descumprimento de obrigações trabalhistas relativas à seguridade social, seguros de acidentes do trabalho, pagamento de salários e similares; ■ Danos resultantes de dolo ou culpa grave do segurado, de seus diretores, administradores e/ou sócios; ■ Danos relacionados à circulação de veículos licenciados, de pro- priedade do segurado, fora dos locais ocupados por ele; ■ Doença profissional, doença do trabalho ou similar (as doenças profissionais são de natureza gradual; não se enquadram, portan- to, na exigência do risco dessa modalidade, cuja natureza é súbita); ■ Danos relacionados a radiações ionizantes ou energia nuclear, sal- vo convenção em contrário; e ■ Ações de regresso contra o segurado, promovidas pela Previdên- cia Social. Atualmente, não é permitida a contratação da cobertura de RC – Empre- gador de forma isolada. Ela deve ser complementar a outras, como, RC – Operações, RC – Obras Civis. — RC – Riscos Contingentes – Veículos Terrestres Motorizados Essa modalidade tem como objetivo proteger o segurado do risco de danos causados a terceiros por veículo que esteja eventualmente a seu serviço, mas que não seja de sua propriedade. É aplicada apenas para a proteção dos interesses do segurado, ou seja, o proprietário do veículo não pode se beneficiar desse seguro. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado decor- rente de: ■ Acidentes relacionados à circulação de veículos quando,compro- vadamente, a serviço eventual do segurado, só se aplicando na proteção dos interesses deste e, em nenhuma hipótese, em bene- fício dos proprietários dos veículos em questão. Culpa grave Caracteriza-se pela negligência extrema do agente, não prevendo aquilo que é previsível ao comum dos homens. 65 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Para que haja cobertura nessa modalidade, o veículo deve: ■ estar a serviço eventual do segurado; ■ ser de propriedade de empregados do segurado; e/ou ■ ser de terceiros, sem qualquer vínculo com o segurado. Riscos Excluídos Não estão cobertas, nessa modalidade de RC, as reclamações decor- rentes de acidentes causados por: ■ veículos de propriedade do próprio segurado; ■ veículos de empregados, quando a utilização desses veículos for condição inerente ao exercício de suas funções; e ■ veículos vinculados contratualmente ao segurado, sob forma expressa ou tácita. Exemplo Uma loja de pizzas está com todos os seus veículos fazendo entregas na rua. O dono da pizzaria recebe um telefonema de um cliente importante, pedindo a entrega imedia- ta de 20 pizzas gigantes. O dono solicita a um de seus empregados, que estava de carro no dia, que entregue as pizzas. Durante o percurso, o empregado perde o controle do carro e colide em um muro, causando danos materiais ao dono da casa. Os danos materiais causados ao dono do muro serão, nesse caso, reembolsados pelo seguro, porém a avaria ocorrida no veículo do funcionário da pizzaria não terá cobertura. Não é permitida, atualmente, a contratação dessa cobertura de forma isola- da. Ela deve ser complementar a outras, como, RC – Operações. — RC – Produtos no Território Nacional O Seguro de RC – Produtos no Território Nacional objetivo proteger o segurado das perdas patrimoniais que venha sofrer em decorrência de produto por ele fabricado, vendido ou distribuído com defeito de fabrica- ção, que cause danos corporais ou materiais a terceiros. Essa modalidade pode ser contratada, portanto, tanto pelo fabricante quanto pelo distribuidor ou vendedor do produto. 66 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Apenas os produtos com defeito de fabricação, ou seja, produtos normal- mente de boa qualidade que, por um motivo qualquer, apresentam durante o seu processo de fabricação ou durante a sua fase de armazenamento uma imperfeição, são passíveis de cobertura nesse seguro. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é uma das ferramentas que dão amparo legal ao assunto, estabelecendo critérios em relação à responsabilidade civil sobre produtos e serviços. O CDC menciona as seguintes situações: Responsabilidade pelo fato do produto e do serviço Que é a responsabilidade decorrente de acidente de consumo, ou seja, quando o produto apresenta um defeito e causa um dano corporal ou material ao consumidor. Nesse caso, existe a cobertura do seguro. Exemplo: um consumidor compra um chuveiro elétrico que, ao ser usado, apresenta um defeito qualquer e explode, cau- sando danos corporais ao consumidor; e Responsabilidade por vício do produto e do serviço Que é a responsabilidade decorrente de vícios de qualidade ou quantidade do produto, sem que haja a produção de um dano cor- poral ou material ao consumidor. Nesse caso, não existe a cober- tura do seguro, pois se trata da reposição do produto viciado junto ao consumidor. Exemplo: um consumidor compra um chuveiro elétrico que, ao ser usado, não esquenta a água. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado decor- rente de acidentes provocados por defeito dos produtos especificados na apólice, fabricados, vendidos e/ou distribuídos pelo segurado. Essa cobertura só abrange reclamações por danos ocorridos após a entrega dos produtos a terceiros, definitiva ou provisoriamente, e fora dos locais ocupados ou controlados pelo segurado e de danos causados por produtos originários de um mesmo processo defeituoso de fabricação ou afetados por uma mesma condição inadequada de armazenamento, acondicionamento ou manipulação. Nesse caso, serão considerados como um único sinistro, independentemente do número de reclamantes. Considera-se, nessa situação, a data do sinistro o dia em que o segurado toma conhecimento do primeiro dano ocorrido, mesmo que o terceiro pre- judicado não tenha apresentado reclamação. O segurado é obrigado a incluir, na apólice, toda a linha de produtos fabri- cados por ele no local de risco. Evita-se, assim, que o segurado faça a seleção do risco, relacionando na apólice apenas os produtos que ele con- sidera de maior probabilidade a causar danos a terceiros. 67 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Não estarão cobertos, em hipótese alguma, os danos causados aos próprios produtos. Riscos Excluídos Não estão cobertas as reclamações decorrentes de: ■ Distribuição e/ou comercialização ilegal de produtos; ■ Distribuição e/ou comercialização além do prazo de validade; Observação Essa exclusão destina-se a produtos que estão sujeitos a deterioração entre sua fabri- cação e o uso. Lembre-se de que o seguro não responde por atos ilegais. ■ Despesas com a substituição parcial ou integral do produto, bem como a retirada do mercado; ■ Utilização de produtos como componentes de aeronaves; Observação Existe o Seguro Aeronáutico para cuidar especificamente desses riscos, que são, em tese, considerados catastróficos ■ Utilização de produtos em competições e provas desportivas de modo geral; Observação Esses produtos são, quase sempre, submetidos ao limite máximo de sua capacidade de resistência. ■ Utilização de produtos que estiverem em fase de experiência e/ou tenham sido geneticamente modificados/produtos transgênicos; 68 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Observação Testar os produtos antes de colocá-los no mercado é uma obrigação do segurado, que não pode transferi-la para o segurador. ■ Danos consequentes à utilização do produto, em virtude de propa- ganda inadequada, recomendações ou informações errôneas do segurado, seus sócios, prepostos e/ou empregados; Observação Representa risco moral do segurado fazer propaganda com promessas exageradas ou não alertar o consumidor sobre os riscos do produto. ■ Imperfeição do produto devido a erro de plano, fórmula, desenho e projeto; ■ Danos resultantes de alterações genéticas ocasionadas pela utili- zação de produtos; Observação Esse risco é potencialmente catastrófico por poder afetar um grande número de pessoas. ■ O fato de o produto não funcionar ou não ter o desempenho espe- rado. Estarão cobertos, no entanto, os danos corporais e materiais, consequentes de acidente provocado pelo defeito apresentado pelo produto; Observação A parcela do risco ligada à falta de desempenho do produto, ou seja, quando a perfor- mance do produto não corresponde à esperada, é diretamente ligada ao risco empresa- rial do segurado, não podendo ser repassada ao segurador. ■ Poluição, contaminação ou vazamento, a menos que resultem de um acontecimento súbito e inesperado, iniciado em data clara- mente identificada e com duração máxima de 72 horas. 69 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Tipos de Cobertura Cobertura Acessória De acordo com as condições da apólice de RCG, podem ser contratadas coberturas acessórias para os seguintes riscos: ■ Erro de Projeto; ■ Retirada de Produtos do Mercado (recall), cujo risco pode ser aceito de forma acessória pelo segurador. Frequentemente, leem-se notícias nos jornais sobre casos de recall. Essa cobertura é contratada, usualmente, por segura- dos que fabricam produtos que, ao apresentarem defeito, colo- cam em risco a vida ou a segurança do consumidor, como as indústrias automobilística e alimentícia, dentre outras. Essa cobertura – Retirada de Produtos do Mercado (recall) – reembolsa o segurado pelas despesas decorrentes de: » Anúncios em veículos de comunicação; » Correspondência pessoaldirigida a clientes, como cartas, tele- fonemas; » Transporte dos produtos retirados; » Armazenamento do produto defeituoso até o reparo dele ou destruição; e » Contratação de pessoal externo especializado em estratégia de marketing com o objetivo de minimizar os efeitos do evento. Para essa cobertura, é fixado um valor próprio, que representa percentual do LMG contratado de RC – Produtos. A tarifa estabelece o percentual máximo de 10% a ser praticado pelo mercado. — RC – Produtos no Exterior O Seguro de RC – Produtos no Exterior visa à cobertura dos produtos do segurado que causem danos a terceiros fora do Brasil. As coberturas e exclusões são semelhantes às de RC – Produtos no Território Nacional. Existe a necessidade, para a contratação desse seguro, de relatório sobre Sistemas de Controle de Qualidade, além da proposta de seguro e do Atenção O produto defeituoso retirado do mercado não tem cobertura em nenhuma hipótese. 70 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL questionário. Esse relatório é imprescindível para a análise e a cotação do risco de Produtos no Exterior e deve ser assinado por um enge- nheiro da seguradora. As apólices podem ser contratadas à base de ocorrência ou à base de reclamação, tendo cada uma delas suas próprias Condições Gerais, não precisando, portanto, do texto básico da tarifa de Responsabilidade Civil. O segurado pode optar, na apólice, pela demanda judicial em foro bra- sileiro ou em foro no exterior. No caso de o segurado optar pelo foro brasileiro, toda sentença de tribunal no exterior fica condicionada à homo- logação da Justiça brasileira. O segurado opta, também, pela emissão da apólice em moeda brasileira (reais) ou em moeda estrangeira. São expressamente excluídos da apólice os danos punitivos (punitive damage ou exemplary damage), normalmente arbitrados em tribunais norte-americanos. Essa sentença caracteriza-se por indenização comple- mentar à vítima, a título de punição ao causador do dano, além das perdas e danos propriamente ditos. Exemplo: um cidadão causou dano a um ter- ceiro no valor de R$ 10.000,00. O juiz, além de condenar o causador do dano a pagar à vítima os R$ 10.000,00, também o sentencia a pagar mais R$ 2.000,00 a título de punição. É normal que ocorram alguns casos de exportação indireta, ou seja, aquela que não é feita pelo próprio segurado, mas, sim, por uma outra pessoa jurídica. Os produtos indiretamente exportados estarão segurados, automaticamente, desde que a cobertura da apólice abranja o país onde o dano ocorrer. — RC – Condomínios, Proprietários e/ou Locatários de Imóveis Esse seguro é aplicado, principalmente, aos riscos em imóveis residen- ciais, embora condomínios comerciais, industriais, profissionais e mistos também possam contratá-lo. O RC – Condomínio protege o condomínio, mas, em nenhuma hipótese, protege os condôminos de suas próprias responsabilidades. Em contrapar- tida, os condôminos são considerados terceiros perante a responsabilida- de do condomínio. Caso o condômino deseje contratar esse seguro para sua fração do condo- mínio (apartamento, loja), pode solicitar à seguradora a cobertura e pagar, como prêmio, a fração correspondente ao seu apartamento (ou loja), em relação ao total do risco segurado. 71 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Exemplo: em um condomínio residencial, existem dez apartamentos e, por algum motivo, o síndico resolveu não contratar o Seguro de RC – Condomí- nio. Um dos moradores contratou, no entanto, essa modalidade de seguro, referente à sua unidade. Se, pois, condomínio vier a ser responsabilizado por danos a terceiros, a indenização será rateada por todos os condômi- nos. Nesse caso, o apartamento que fez a sua apólice receberá da segura- dora o reembolso de sua parte. Destaque-se que a apólice cobre, apenas, as responsabilidades pertinen- tes ao condomínio. Em hipótese alguma, portanto, cobre responsabilida- des do proprietário do apartamento e/ou do locatário (inquilino) do imóvel. Para essa cobertura, eles teriam que contratar o RC – Familiar. Riscos Cobertos Considera-se coberta a responsabilidade civil do segurado decorrente de acidentes: ■ Relacionados à existência, à conservação e ao uso de imóvel especi- ficado no contrato, equiparando-se os condôminos a terceiros. Riscos Excluídos Não estão cobertas as reclamações por: ■ Danos causados a veículos quando em locais de propriedade, alugados ou controlados pelo segurado, inclusive os danos cau- sados também pelos portões, automáticos ou não, existentes no imóvel segurado; ■ Danos provenientes de operações industriais, comerciais e/ou profissionais; ■ Danos causados por construção, demolição, reconstrução ou alteração estrutural do imóvel, bem como qualquer tipo de obra, inclusive instalações e montagens, admitidos, porém, os pequenos trabalhos de reparos destinados à manutenção do imóvel; ■ Danos ao próprio imóvel e ao seu conteúdo, decorrentes de vazamento ou infiltração de água, quando resultantes do entupi- mento de calhas ou da má conservação das instalações de água e esgoto; e ■ Danos ao próprio imóvel e ao seu conteúdo, decorrentes de incên- dio e/ou explosão. 72 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Atenção Cobertura para Veículos em Edifícios Residenciais: ■ Como a modalidade RC – Condomínios não oferece cobertura para danos a veícu- los sob a sua responsabilidade, é necessário que o segurado (condomínio) contrate a modalidade RC – Guarda de Veículos de Terceiros para se proteger de reclamações; e ■ a cobertura será aplicada, de forma inequívoca, se o segurado for responsável pelo dano e/ou prejuízo sofrido pelo condômino. — RC – Guarda de Veículos de Terceiros Essa modalidade cobre os danos causados a veículos de terceiros sob a guarda do segurado. Abrange estacionamentos em geral, oficinas mecânicas, postos de abastecimento, garagens em condomínios e qual- quer outro estabelecimento que tenha veículos sob sua responsabilidade. Esse seguro cobre, também, as operações das atividades do segurado nos riscos de estacionamentos rotativos profissionais, oficinas mecâ- nicas e postos de abastecimento, sendo, portanto, desnecessária, nes- ses casos, a contratação do RC – Operações. Nos estabelecimentos cuja atividade fim seja a guarda de veículos de ter- ceiros, esse seguro abrange a responsabilidade civil do segurado decor- rente da existência, da conservação ou do uso do local especificado no contrato, uma vez que também abrange as atividades decorrentes das operações de abastecimento, reparo ou manutenção de veículos desen- volvidas no referido local. Nos estacionamentos em condomínios de edifícios residenciais e/ou comerciais não acontece dessa maneira, pois essa modalidade não ofere- ce cobertura para riscos relativos à existência, ao uso e à conservação do imóvel que, para serem cobertos, necessitam da contratação da modalida- de de RC – Condomínio. No caso de imóveis em condomínios residenciais e comerciais, os condô- minos são equiparados a terceiros, estando seus veículos cobertos por esse seguro no caso de danos sofridos no local especificado no contrato. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado, decorrente de danos sofridos por veículos de terceiros, enquanto sob guarda do segurado nos locais indicados na apólice. 73 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL O seguro abrange, também, as hipóteses de roubo ou furto total desses veículos, salvo convenção em contrário: ■ Nos estabelecimentos em que não houver registro por escrito de entrada e saída de veículos, com a sua identificação e horário de permanência, a cobertura de furto só prevalecerá nos casos em que ficar comprovada a destruição ou rompimento de obstáculo para a subtração do veículo; e ■ Fica entendido e acordado que a cobertura não abrange qualquer bem deixado sob guarda ou custódia do segurado que não seja veículo. No caso de imóveis emcondomínio, os condôminos ficam equiparados a terceiros. No caso de posto de abastecimento, de oficina mecânica ou de estabe- lecimento cuja atividade fim seja a guarda de veículos de terceiros, fica entendido e acordado que o seguro abrangerá, também, a responsabili- dade civil do segurado decorrente da existência, conservação ou uso do local especificado na apólice, bem como das operações de abastecimento, reparo ou manutenção de veículos desenvolvidas nos referidos locais. Riscos Excluídos Não estão cobertas as reclamações decorrentes de: ■ Roubo ou furto de veículos que não estejam nos locais especifica- dos no contrato; ■ Roubo, furto ou extravio de quaisquer peças, ferramentas, acessó- rios ou sobressalentes, salvo se o próprio veículo for roubado ou furtado; ■ A propriação indébita, bem como roubo ou furto do veículo, se pra- ticado por/ou em conivência com qualquer preposto do segurado; ■ Danos causados por obras civis, montagem ou instalação no local segurado, sendo admitidos pequenos trabalhos de reparo destina- dos à manutenção do local, desde que o valor da obra não exceda o limite de 0,5% da importância segurada; ■ Danos a veículos, resultantes de serviços executados de forma insuficiente ou defeituosa (todavia estarão cobertos os danos cor- porais e materiais causados pelo veículo, em consequência de acidentes relacionados à execução de serviços insuficientes ou defeituosos); e ■ Danos a veículos sob a guarda do segurado, decorrentes de inun- dação ou alagamento. 74 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Tipos de Cobertura O segurado pode optar, nessa modalidade, por uma das seguintes coberturas: Cobertura global Cobre colisão, incêndio, roubo e furto; Cobertura parcial Há duas alternativas à escolha do segurado: » Cobertura exclusiva de colisão; e » Cobertura exclusiva de incêndio, roubo e furto. Nas tarifas, a cobertura parcial é 60% do prêmio tarifário da cobertura global. Coberturas acessórias Podem ser, ainda, contratadas, adicionalmente, coberturas aces- sórias, como: ■ Chapas de Experiência: com duas alternativas de cobertura: » Danos causados a veículos em experiência mecânica; e » Danos causados por veículos em experiência mecânica ou em demonstração para fins de venda. O segurado pode contratar as duas, sendo que cada cobertura e cada chapa de experiência deverão ter importância segurada pró- pria, nunca superior à cobertura principal. Exemplo: uma oficina realiza testes, na rua, no veículo de um clien- te, causando um acidente. Os danos decorrentes desse acidente, que atingirem o veículo em teste, e os danos materiais ou corporais causados a terceiros ficam cobertos se a oficina tiver contratado as duas coberturas de Chapas de Experiência. ■ Percurso: Essa cobertura é para as reclamações por danos decorrentes da circulação de veículos de clientes, inclusive o roubo desses veículos quando conduzidos por empregados do segurado, devidamente habilitados, no percurso entre o esta- belecimento especificado na apólice e as respectivas garagens. 75 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Observação No caso específico de edifícios residenciais, as situações comumente cobertas são aquelas em que há: ■ Defeito súbito em portão automático, causando dano ao veículo que passa no momento; ■ Veículos roubados ou furtados no interior das garagens do condomío; ■ Objetos esquecidos por empregados do prédio na garagem – baldes e latas – com potencial de provocar incidentes como avarias na lataria e automóveis durante ope- rações de manobra; ■ Objetos que caiam de janelas do condomínio em cima de veículos, desde que não se identifique o apartamento diretamente responsável; ■ Incêndio nas garagens; e ■ Pequenas obras no edifício. De forma acessória, o segurado pode ainda contratar a cobertura para alagamento na garagem e outras. Algumas situações não cobertas em edifícios: ■ Roubo ou furto parcial – acessórios, equipamentos, partes dos veículos; ■ Apropriação indébita, roubo ou furto parcial ou total se praticado por empregado do edifício ou com a conivência dele; ■ Obras de grande porte; ■ Vazamentos e infiltrações constantes; e ■ Danos causados pelos próprios condôminos. — RC – Obras Civis e/ou Serviços de Montagem e Instalação de Máquinas e/ou Equipamentos Essa modalidade visa ao reembolso do segurado nas despesas relativas à responsabilidade civil, por danos causados a terceiros, em consequência de atividades de: ■ Construção, demolição e reformas de imóveis residenciais, comer- ciais e industriais; e ■ Instalação, montagem/desmontagem e reparos de máquinas e/ou equipamentos. 76 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Para a cotação do prêmio de RC – Obras Civis, são necessárias informa- ções sobre fatores que influenciam o cálculo, como: tipo de obra, valor do contrato, número de pavimentos, tipo de vizinhança. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado decorren- te de acidentes causados por: ■ Obras civis especificadas no contrato; e/ou ■ Serviços de montagem, desmontagem, reparo e instalação espe- cificados no contrato. Riscos Excluídos Não estão cobertas, nessa modalidade, as reclamações decorrentes de: ■ Responsabilidade a que se refere o artigo 618 (garantia da obra) do Código Civil Brasileiro; “Art. 618. Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções consideráveis, o empreiteiro de mate- riais e execução responderá, durante o prazo irredutível de cinco anos, pela solidez e segurança do trabalho, assim, em razão dos materiais, como do solo. Parágrafo único. Decairá do direito assegurado neste artigo o dono da obra que não propuser a ação contra o empreiteiro, nos cento e oitenta dias seguintes ao aparecimento do vício ou defeito.” ■ Danos causados a imóveis ou seus conteúdos pelo derramamen- to, infiltração ou descarga de água; ■ Danos causados por inobservância voluntária das normas da Asso- ciação Brasileira de Normas Técnicas e/ou disposições específicas de outros órgãos competentes; ■ Danos causados pelo uso de materiais ainda não testados ou por métodos de trabalho ainda não experimentados ou aprovados; ■ Falta de funcionamento ou baixo desempenho do objeto instalado/ montado, como máquina e/ou equipamento ou obra executada; ■ Danos ou prejuízos à própria obra, à máquina e/ou aos equipa- mentos em processo de montagem e/ou instalação; ■ Danos materiais causados a empreiteiros, subempreiteiros ou a quaisquer terceiros que trabalhem ou executem serviços na obra, sob contrato firmado com o segurado ou seus empreiteiros; ■ Obras e/ou instalações e montagens em embarcações e/ou em plataformas de prospecção de petróleo (onshore ou offshore); Comentário Apenas os danos causados a terceiros que não façam parte da obra estão cobertos. Os danos causados à própria obra em execução não preveem cobertura, pois esse risco é coberto no Ramo Riscos de Engenharia. 77 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Limpeza final, pintura e reparos de bens de propriedade de tercei- ros, decorrentes da queda contínua de argamassa, concreto, tintas e/ou materiais de revestimento; ■ Danos causados por erro de projeto; ■ Danos causados por sondagens de terreno, rebaixamento de len- çol freático, escavações, aberturas de galerias, estaqueamento e serviços correlatos (fundações); ■ Danos materiais causados ao proprietário da obra; e ■ Danos causados a/ou por embarcações. Tipos de Cobertura Coberturas Adicionais Essa modalidade de seguro oferece as coberturas adicionais enumera- das a seguir: Erro de Projeto Cobre os danos causados a terceiros, alheios à obra, decorrentes de erro de projeto. Exemplo: o desabamento de uma construção mal projetada, que cau- sa danos aos prédios vizinhos e às pessoas que passavam no local. Fundações Cobre os danos causados a terceiros, decorrentes de sondagem de estaqueamento (fixação de estacas dafundação), sondagem de terreno, escavações. Exemplo: ao fincar as estacas no terreno a ser construído, a estrutura do prédio vizinho fica abalada, causando risco de des- moronamento. Danos Materiais causados ao Proprietário da Obra Cobre danos a imóveis, móveis ou quaisquer coisas que estejam no local e que pertençam ao proprietário da obra, desde que não estejam sendo trabalhados, manipulados ou transportados pelo construtor/segurado. Exemplo: em um condomínio residencial vertical, os moradores resolvem construir um salão de festas e uma piscina. Durante as obras, o guindaste que estava sendo utilizado na construção bate no edifício preexistente e causa danos. Somente haverá cobertura desse sinistro se houver a contratação da cobertura adicional de Danos Materiais Causados ao Proprietário da Obra. 78 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL EDIFÍCIO PREEXISTENTE OBRA DA PISCINA OBRA DO SALÃO Cruzada Cobre os danos corporais e/ou materiais causados aos diversos executantes da obra, quando ocasionados por um deles, exceto no tocante a bens diretamente envolvidos na obra objeto do seguro. Exemplo: uma empreiteira de serviços hidráulicos está em fase de montagem da tubulação de esgoto na obra. Durante essa eta- pa, porém, um funcionário da empresa, que realizava instalação elétrica, é vítima de danos corporais, após um tubo cair e provo- car ferimentos na cabeça dele. Embarcações Cobre os danos causados a/ou por embarcações. Essa cobertura é recomendada para obras desenvolvidas em portos, píeres, mari- nas ou em locais próximos a embarcações. Exemplo: em uma construção próxima a um cais, um pedaço de parede em construção cai em cima de um barco de terceiros, ancorado no local, causando danos a esse barco. — RC – Prestação de Serviços em Locais de Terceiros Podem contratar essa modalidade do Seguro de RCG segurados que execu- tam serviços de limpeza e/ou manutenção de imóveis e serviços de assis- tência técnica/manutenção de equipamentos em locais de terceiros, como: 79 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Firmas de limpeza; ■ Firmas de manutenção ou conservação de imóveis; ■ Firmas que prestam serviços de escritório; e ■ Firmas de assistência técnica, entre outras. É necessária a existência de contrato entre o segurado e o terceiro a quem está sendo prestado o serviço. O objetivo desse seguro é garantir os bens já existentes e pertencentes ao cliente do segurado, não cobrindo, entretanto, os danos aos bens que sejam objeto da prestação de serviços. Exemplo: uma firma tem como atividade a limpeza de fachada de prédios. Durante o trabalho de limpeza, portanto, um funcionário do segurado, inad- vertidamente, provoca a queda de uma das placas de granito da fachada no meio da rua. O incidente provoca danos corporais em um pedestre e danos materiais à portaria do prédio no qual realizava a manutenção. Nesse caso, apenas os danos corporais ao pedestre e os danos materiais à portaria estarão cobertos, pois os danos causados à fachada (perda da placa de granito) não estão cobertos, uma vez que a manipulação da fachada é o objeto da prestação do serviço. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado decor- rente de acidentes relacionados à prestação dos serviços especificados no contrato, em locais de terceiros, ficando a cobertura condicionada à existência de contrato entre segurado e seus clientes. Para efeito do Seguro RC – Prestação de Serviços em Locais de Terceiros, também será considerado como terceiro o contratante dos serviços. Riscos Excluídos Não estão cobertas as reclamações decorrentes de: ■ Desaparecimento, extravio, furto e roubo de bens, inclusive dinheiro e valores. Consideram-se valores, para efeito desse seguro: metais preciosos, pedras preciosas ou semipreciosas, pérolas, joias, cheques, títulos de crédito de qualquer espécie, selos, apólices e quaisquer outros instrumentos ou contratos, negociáveis ou não, que representem dinheiro; ■ Danos ou prejuízos consequentes da insuficiente ou defeituosa execução de serviços. Estarão cobertos, no entanto, os danos cor- porais e/ou materiais que decorram de acidente diretamente cau- sado por falha de execução de serviço; 80 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Danos aos bens, objeto do contrato de prestação de serviços; e ■ Danos consequentes à utilização de produtos, em virtude de pro- paganda inadequada, recomendações ou informações errôneas do segurado, seus sócios, prepostos e/ou empregados. A necessidade de impor limitações a essa modalidade objetiva impedir que o Seguro de RCG cubra uma parcela do risco empresarial que deve ser assumida pelo segurado. — RC – Familiar A modalidade RC – Familiar é também chamada, em algumas segu- radoras, de RC – Chefe de Família. Destaque-se que as condições aqui explicitadas levam em conta as coberturas geralmente oferecidas por boa parte das seguradoras. Há algumas diferenças, portanto, entre elas. Essa cobertura nada mais é do que um seguro que cobre as operações de uma família, que abrangem a existência, o uso e a conservação do imóvel, a vigilância dos filhos menores (culpa in vigilando), a guarda de animais domésticos e os danos causados por serviçais no exercício do seu trabalho. Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado decor- rente de danos causados a terceiros pelo próprio segurado, por seu côn- juge, filhos menores que estiverem sob seu poder e em sua companhia; por empregados serviçais no exercício do trabalho que lhes competir ou por ocasião dele; por animais domésticos, cuja posse o segurado detenha; pela queda de objetos ou seu lançamento em lugar indevido. Riscos Excluídos Não estão cobertas as reclamações decorrentes de: ■ Danos causados por quaisquer veículos terrestres motorizados; ■ Danos causados por qualquer tipo de embarcação, exceção feita a barcos a remo e veleiros de até sete metros de comprimento; ■ Danos causados pelo exercício de atividade profissional; ■ Danos causados por construção, demolição, reconstrução ou alte- ração estrutural do imóvel e qualquer tipo de obra, inclusive insta- lações e montagens, admitindo-se, porém, pequenos trabalhos de reparos destinados à manutenção do imóvel; e ■ Exercício ou prática dos seguintes esportes: caça (inclusive subma- rina), tiro ao alvo, equitação, esqui aquático, surfe, windsurfe, voo livre, vela, pesca, canoagem, esgrima, boxe e artes marciais; salvo pedido expresso do segurado e mediante prêmio adicional. Atenção A cobertura não abrange somente os danos causados pelo segurado na sua residência, mas também as reclamações por danos causados por ele em todo o território nacional. Caso o segurado deseje cobertura para outros países, terá que contratar extensão da cobertura com a seguradora. 81 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Tipos de Coberturas Coberturas Adicionais Empregados Domésticos Acidentes sofridos por empregados domésticos; Tacos de Golfe Contra os riscos de roubo, incêndio, raio e suas consequências, até o limite fixado; Hole-in-One Reembolso até o limite previsto no contrato de Seguro, das despe- sas do segurado pela comemoração, na sede do clube, no dia em que se verificar o ocasional Hole-in-One; e Prática de Esportes O segurado deverá discriminar, na apólice, qual (ou quais) o(s) esporte(s) que pratica e pagar um prêmio adicional por esporte praticado. OUTROS RAMOS DO GRUPO DE RESPONSABILIDADE CIVIL RC – Profissional, RC – Administradores e Diretores (D&O) e RC – Riscos Ambientais já foram considerados modalidades de RCG, porém, atualmente, no Brasil, são considerados ramos isolados. — RC – Profissional Esse seguro é direcionado a pessoas físicas ou jurídicas que têm um conhecimento ou treinamento técnico específico em uma atividade, como médicos, advogados, corretores, engenheiros, além de hospitais, escritórios de engenhariae outros. A aceitação desse seguro requer análise criteriosa por parte da segurado- ra, tendo em vista a característica individual de cada risco. São considera- dos e observados os seguintes aspectos: 82 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Gabarito técnico e tempo de atuação daqueles profissionais no mercado; ■ Prazo de contração do seguro não superior a um ano; ■ Preferência por apólices à base de reclamações; e ■ Avaliação do risco por especialistas na categoria profissional em estudo. Os riscos profissionais são oferecidos aos resseguradores, atualmente, de forma facultativa para conhecimento das respectivas bases de contratação do resseguro. As coberturas e exclusões são diferenciadas por atividade, como RC – Profissionais de Estabelecimentos Médicos, RC – Profissionais de Empresas de Engenharia, RC – Profissionais de Corretores de Seguros. Riscos Cobertos Esse seguro cobre a responsabilidade civil do segurado decorrente de falhas ou acidentes relacionados a: ■ Ações ou omissões inerentes ao exercício da atividade profissio- nal discriminada na apólice; e ■ Existência, uso e conservação do imóvel especificado na apólice. Riscos Excluídos Entre as várias modalidades de RC – Profissional existentes, seguem, a seguir, algumas exclusões aplicadas a elas: ■ Danos estéticos (algumas seguradoras já oferecem essa cobertura); ■ Quebra de sigilo profissional; ■ Uso de técnicas experimentais; ■ Competições e jogos de qualquer natureza; ■ Insolvência do segurado; ■ Injúria, difamação ou calúnia; ■ Erros de avaliação; e ■ Despesas com a revisão total ou parcial de projetos, entre outras. — RC – Profissional de Corretores de Seguro A cobertura de RC – Profissional de Corretores de Seguros é concedida no mercado brasileiro desde o final da década de 1970. 83 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL A definição da atividade de corretor pode ser resumida da seguinte forma: “É o intermediário, pessoa física ou jurídica, legalmente autorizado a angariar e a promover contratos de seguros entre as seguradoras e as pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.” Obviamente, hoje em dia, a função do corretor é muito mais abrangente, pois ele acompanha sinistros, realiza inspeções, além de uma variedade de outros serviços que podem ser prestados a seus clientes. A Responsabilidade Civil do corretor pode advir de diversas formas: ■ O corretor esquece de entregar, na seguradora, o pedido de reno- vação de uma apólice em tempo hábil. Caso ocorra um sinistro, o corretor poderá ser responsabilizado pelo cliente dele; ■ O cliente deixa a cargo do corretor o pagamento das prestações do seguro, e o corretor atrasa uma das parcelas, falha que poderá, no limite, provocar o cancelamento da apólice; e ■ O cliente atribui ao corretor a responsabilidade de manter o valor do bem constantemente atualizado, e este deixa de fazê-lo. Em caso de sinistro, a seguradora não indenizará ao segurado o valor atualizado do bem. Apresentamos a seguir um modelo de condições que são adotadas por algumas seguradoras do mercado para o Seguro de RC – Profissional de Corretores e Auditores. Modelo de Condições para o Seguro de RC – Profissional de Corretores e Auditores Riscos Cobertos Considera-se risco coberto a responsabilidade civil do segurado, caracte- rizada nas Condições Gerais, e diretamente relacionada a: ■ Ações e/ou omissões inerentes à atividade de corretor de seguros devidamente registrada nos órgãos reguladores da classe no país. Fica entendido e acordado que: » A cobertura da apólice fica única e exclusivamente restrita à responsabilidade civil profissional do segurado, como con- sequência de qualquer ato de negligência, erro ou omissão decorrente de seus serviços profissionais prestados terceiros, de acordo com a habilitação dele como corretor de seguros; e » A cobertura da apólice também prevalece em relação à respon- sabilidade civil do segurado, decorrente de atos de negligên- cia, ações ou omissões de seus empregados e/ou atendentes devidamente registrados por relação oficial de emprego com o segurado. 84 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Existência, uso e/ou conservação do(s) local(ais) ocupado(s) pelo segurado, utilizado(s) exclusivamente para a atividade de correta- gem de seguros, devidamente especificado(s) na apólice. ■ Perdas financeiras diretamente decorrentes de atos de negligên- cia, ações ou omissões inerentes à prática profissional do segura- do, devidamente amparadas pela cobertura da apólice. ■ Danos morais: sublimitada ao percentual máximo de 20% do LMG constante do contrato, desde que resultantes de evento coberto e qualificado como ato de negligência, ação ou omissão inerente à prática profissional de responsabilidade do segurado. ■ A verba dessa cobertura não é cumulativa com a importância segurada, sendo esta última (20% do LMG) considerada o limite máximo indenizável pelo contrato de seguro. Riscos Excluídos Algumas exclusões constantes da apólice de RC – Riscos Profissionais de Corretores de Seguros: ■ Insolvência do segurado; ■ Injúria, difamação ou calúnia; ■ Danos causados por construção, demolição, reconstrução ou alte- ração estrutural do imóvel ou qualquer tipo de obra, inclusive ins- talações e montagens, admitidos, porém, pequenos trabalhos de reparos destinados à manutenção do imóvel; ■ Quebra de sigilo profissional; ■ Extravio, furto ou roubo de documentos; e ■ Erros de avaliação. Tipos de Cobertura Coberturas Adicionais ■ Extravio; Furto e Roubo de Documentos; e ■ Erros de Avaliação de Bens (funcionários engenheiros, arquitetos ou agrônomos). — RC – Administradores e Diretores (D&O) Esse seguro é mais conhecido como Directors and Officers. Cobre a res- ponsabilidade de executivos de empresas por atos por eles praticados durante a administração de seus negócios. 85 UNIDADE 4 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL A entrada em vigor do Código Civil impôs regras mais rígidas sobre a res- ponsabilidade de executivos de empresas, por atos por eles praticados durante a administração de seus negócios, mesmo sem culpa. Nesses casos, há a desconsideração da personalidade jurídica, e os bens do admi- nistrador respondem por eventuais danos causados. As exclusões aplicadas ao segurado, a quem for imputado um dos atos danosos previstos nos riscos excluídos, não poderão ser estendidas aos outros segurados que não praticaram o referido ato danoso. Essas exclu- sões somente serão aplicadas caso confirmadas por sentença transitada em julgado ou por outra decisão definitiva contrária ao segurado; ou, ain- da, caso o segurado admita a ocorrência de ato danoso. 86 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL FIXANDO CONCEITOS 4 Marque a alternativa correta 1. Considerando que a apólice RC – Condomínios exclui todo e qualquer dano a veículos sob a guarda do condomínio, faz-se necessária, para uma contrata- ção abrangente, a contratação simultânea, da seguinte modalidade: (a) RC – Familiar. (d) RC – Obras Civis. (b) RC – Guarda de Veículos. (e) RC – Antenas. (c) RC – Profissional de Síndico. 2. São cobertos(as) pelo Seguro RC – Empregador: (a) Danos materiais sofridos por empregados do segurado. (b) Doenças profissionais sofridas pelos empregados. (c) Doenças do trabalho adquiridas pelos empregados. (d) Danos corporais, de natureza súbita/acidental, sofridos por empregados. (e) Danos corporais, de natureza gradual, sofridos por empregados. 3. Analise as proposições a seguir e marque a alternativa correta: I) A modalidade RC – Obras Civis (Construção) admite a cobertura adi- cional para os riscos das fundações. II) A cobertura adicional de Danos Materiais Causados ao Proprietário da Obra da modalidade RC – Obras Civis cobre os danos causados a bens preexistentes no local das obras. III) A modalidade RC – Obras Civis admite a cobertura acessória para danos causados a terceirospor Erro de Projeto. (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente II é proposição verdadeira. (c) Somente I e II são proposições verdadeiras. (d) Somente II e III são proposições verdadeiras. (e) I, II e III são proposições verdadeiras. 87 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Marque a alternativa correta 4. Quem pode contratar a apólice RC – Produtos no Território Nacional é: (a) Somente o fabricante. (b) Somente o vendedor. (c) Somente o distribuidor e o vendedor. (d) O fabricante, o vendedor ou o distribuidor. (e) Somente o distribuidor. Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta. 5. Entre as modalidades de Seguro de Responsabilidade Civil Geral, pode- mos citar: I) Produtos e Prestação de Serviços em Locais de Terceiros. II) Condomínios e Guarda de Veículos de Terceiros. III) DPVAT e Empregador. Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente I e II são proposições verdadeiras. (c) Somente I e III são proposições verdadeiras. (d) Somente as afirmativas II e III estão corretas. (e) I, II e III são proposições verdadeiras. Marque a alternativa correta. 6. A queda de um anúncio de propaganda de uma empresa segurada atin- ge pessoas e bens vizinhos à indústria. A modalidade de seguro que cobre esse sinistro é a: (a) RC – Profissional. (b) RC – Carga e Descarga. (c) RC – Operações Comerciais e/ou Industriais. (d) RC – Empregador. (e) RC – Obras. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 88 UNIDADE 505 RISCOS AMBIENTAIS ■ Conhecer as estipulações constitucionais acerca da proteção ao ambiente em nosso país, considerando as razões das exclusões e/ou limitações de certos riscos ambientais e compreendendo as obrigações dos segurados, seja no tocante à legislação pertinente, seja relativamente às condições de um contrato de seguro. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE ⊲ INTRODUÇÃO ⊲ LEGISLAÇÃO ⊲ RC – POLUIÇÃO AMBIENTAL ⊲ FIXANDO CONCEITOS 5 89 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Os Seguros de Riscos Ambientais são classificados como ramo separado de RCG. Eles são estudados aqui, dada sua importância, em razão da res- ponsabilidade inerente. Os danos ao ambiente tornam-se cada vez mais nocivos e surpreendentes. As medidas protetivas, por seu turno, buscam multiplicar-se. O setor de seguros vem se esforçando para aumentar a participação na recomposição dos prejuízos, apesar dos interesses que envolvem o tema. INTRODUÇÃO A SUSEP, por meio da Circular SUSEP 535, de 28 de abril de 2016, deter- minou que os seguros para Riscos Ambientais passem a ser classificados como especialidade à parte. O segmento foi classificado como o de núme- ro 13, dentro do Grupo (03) dos Seguros de Responsabilidades. Dessa for- ma, a identificação desse domínio para a SUSEP passa a ser: 0313. Independentemente da nova classificação, o Seguro de Riscos Ambientais cada vez mais consolida-se como um dos segmentos mais importantes para o novo cenário socioeconômico contemporâneo. A cobertura para danos ambientais é de extrema importância para empre- sas que utilizam produtos químicos e/ou geram resíduos tóxicos durante seus processos produtivos. Os custos causados por esses danos podem ser muito altos. 90 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Podem gerar poluição, além de causar danos materiais e corporais: ■ Uma refinaria de petróleo, que pode contaminar um lençol freático; ■ Um contratado de uma indústria que pode, negligentemente, cau- sar derrame de líquido poluente e contaminar um rio; ■ Um funcionário ou prestador de serviço, que trabalhe em determi- nada indústria, pode causar, acidentalmente, dispersão de insetici- da, capaz de danificar propriedades vizinhas; ■ Um transportador, contratado para transportar resíduos tóxicos, que sofre acidente com o caminhão, poderá provocar dispersão de resíduos; e ■ Um incêndio ou mau funcionamento de um aparelho podem cau- sar dispersão de líquido poluente. As Condições Gerais de responsabilidade civil, assim como as de outros ramos de seguro, excluem no entanto, como regra geral, a cobertura para poluição ambiental. Nas Condições Especiais, quando ela é oferecida, geralmente restringe-se à poluição súbita. As Condições Especiais de RC – Produtos oferecem cobertura automática para poluição súbita. A cobertura também é automática em RC – Shopping center, mas apenas para determinado grau de poluição. Aplica-se a qual- quer outra modalidade, ainda que de forma limitada, a cobertura adicional para poluição súbita (exceto, naturalmente, a RC – Produtos, que já a ofe- rece automaticamente). Poluição súbita é a poluição gerada por evento repentino e não espera- do, como: ■ Um vento que derruba um poste, que fura um tanque de armaze- namento de produtos químicos; ■ O empregado que manipula um produto erradamente, causando derrame; ■ Um incêndio em armazém, que causa dispersão de produtos quí- micos; e ■ O tombamento de uma carreta, que provoca dispersão de amônia. Poluição gradual é a poluição gerada por dispersão ou emissão, que dura um período de tempo, como: ■ Vazamento paulatino de poluente de um tanque durante meses; ■ Corrosão de tanques; de dutos, provocando lento e contínuo vaza- mento; ■ Emissão constante de fumaça; e ■ Contaminação do ar, afetando empregados durante anos. 91 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL LEGISLAÇÃO A legislação brasileira passa a ser a cada dia mais rigorosa em relação aos danos ambientais. Veja, abaixo, um resumo do trecho da Constituição Federal que trata sobre o assunto: CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL “CAPÍTULO VI – DO MEIO AMBIENTE Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equi- librado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1º – Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e pro- ver o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipula- ção de material genético; III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços terri- toriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; V – controlar a produção, a comercialização e o emprego de téc- nicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as prá- ticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. 92 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL § 2º – Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recu- perar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. § 3º – As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obriga- ção de reparar os danos causados. § 4º – A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na formada lei, dentro de con- dições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. § 5º – São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. § 6º – As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.” — Cobertura Adicional de Poluição Súbita A cobertura adicional, que pode ser contratada para quase todas as modalidades, responde por danos corporais e materiais decorrentes de poluição, contaminação ou vazamento súbitos e acidentais ocorridos durante a vigência do contrato (base de ocorrência). Há, contudo, limitações: ■ A cobertura só responde se a emissão, descarga, dispersão, des- prendimento, escape, emanação ou vazamento da substância tóxi- ca ou poluente tiverem se iniciado em data claramente identificada e tenham cessado até 72 horas após seu início, caracterizando-se, portanto, como poluição súbita; ■ Os danos corporais e ou materiais sofridos por terceiros também deverão se manifestar no prazo de 72 horas, contadas do início das ocorrências; e ■ Só estão cobertas as ocorrências (emissão, descarga, disper- são) originadas de depósitos, dutos, tubulações ou quaisquer equipamentos localizados no nível ou acima da superfície do solo ou da água (perdas abaixo do solo só são cobertas pelo RC – Poluição Ambiental). 93 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL As condições especiais da cobertura estabelecem, ainda, as seguintes exigências: ■ Cabe ao segurado provar que a ocorrência iniciou-se em data claramente identificada e que terminou no prazo de 72 horas. A seguradora só acolherá a reclamação de sinistro se aceitar a prova apresentada pelo segurado; ■ O segurado obriga-se a desenvolver, e manter em perfeitas condi- ções programas de gerenciamento de riscos e de gerenciamento/ monitoramento ambiental para prevenir e dotar os locais indicados na apólice de segurança contra eventuais acidentes; e ■ O segurado é obrigado a executar e custear operações destinadas a neutralizar, isolar, limitar ou eliminar os agentes poluentes susce- tíveis de causar danos. Tais despesas, no entanto, não são objeto de reembolso por essa cobertura adicional. A tarifa estipula um prêmio de pelo menos 20% do prêmio de cada cobertura que envolva o risco de poluição súbita. — Cobertura de Poluição Súbita em RC – Produtos Em RC – Produtos, a cobertura para poluição súbita é automática, não havendo, portanto, necessidade de contratação da cobertura adicio- nal descrita. As Condições Especiais de RC – Produtos (território nacional) e RC – Pro- dutos no Exterior excluem os riscos de poluição, contaminação ou vazamen- to, a menos que resultem de um acontecimento súbito e inesperado, iniciado em data claramente identificada e com duração máxima de 72 horas. RC – POLUIÇÃO AMBIENTAL — Objeto do Seguro O Seguro de RC – Poluição Ambiental objetiva reembolsar o segurado das quantias pelas quais vier a ser responsável civilmente, relativas a repara- ções por danos corporais ou materiais, involuntariamente causados a ter- ceiros em decorrência de poluição ambiental, provocados pelas opera- ções do(s) estabelecimento(s) especificado(s) na apólice. 94 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL A cobertura só prevalece se forem verificadas, simultaneamente, as seguintes condições: ■ O fato gerador do dano reclamado não pode ser anterior à data limite para ocorrências, prevista na apólice (a ocorrência do dano tem que ser posterior à data de retroatividade); ■ Os danos têm que ter sido causados a bens e pessoas em territó- rio brasileiro; e ■ As reclamações devem ser apresentadas por terceiros na vigência do contrato ou durante os prazos suplementares (base de reclamação). A cobertura também abrange: ■ As custas judiciais e os honorários do(s) advogado(s) nomeado(s) de acordo com ela; ■ Despesas feitas pelo segurado para neutralizar ou restringir as con- sequências do sinistro, limitadas a 20% da importância segurada; e ■ Despesas com a defesa do segurado na esfera criminal, dentro do limite da IS, desde que tal defesa possa influir em ação cível da qual advenha responsabilidade amparada pelo contrato. Atenção Para efeito do RC – Poluição Ambiental, entende-se por: ■ Dano corporal – doença, lesão corporal, invalidez ou morte, excluindo-se do con- trato o pagamento por reparações que venham a ser devidas pelo segurado por dano moral; ■ Dano material – dano físico à propriedade tangível, inclusive todas as perdas financeiras relacionadas ao uso dessa propriedade; ■ Poluição ambiental – emissão, dispersão ou depósito de substância ou produ- to que venha a prejudicar as condições existentes na atmosfera, nas águas e no solo, como se apresentavam antes do fato poluente; e/ou a produção de odores, ruídos, vibrações, ondas, radiações, emanações ou variações de temperatura que ultrapassem os limites de tolerância legalmente admitidos, excluídos, contudo, os danos relacionados a radiações ionizantes ou com energia nuclear. ■ Terceiro – qualquer pessoa física ou jurídica, exceto: » o segurado, seu cônjuge, ascendentes, descendentes ou pessoas dele depen- dentes economicamente; » os empregados ou prepostos do segurado quando a seu serviço; » o sócio, diretor ou administrador da empresa segurada; e » a pessoa física ou jurídica controlada ou controladora de empresa segurada, bem como seus sócios, diretores ou administradores. 95 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Riscos Excluídos Além das exclusões previstas nas Condições Gerais, o RC – Poluição Ambiental não cobre reclamações por: ■ Danos decorrentes de guerra, terremotos ou sabotagem; ■ Danos a bens do segurado para guarda ou custódia, transporte, uso, manipulação ou execução de quaisquer trabalhos; ■ Responsabilidades assumidas pelo segurado por contratos ou convenções que não sejam decorrentes de obrigações civis legais; ■ Danos consequentes do inadimplemento de obrigações por força exclusiva de contratos e/ou convenções; ■ Danos resultantes de dolo ou de atos praticados em estado de insanidade mental, de embriaguez ou sob efeito de substâncias tóxicas. No caso de pessoa jurídica, essa exclusão aplica-se apenas aos atos praticados pelos sócios controladores da empresa segurada, seus diretores e administradores. Há cobertura para danos resultantes de dolo de um empregado. ■ Multas de qualquer natureza impostas ao segurado; ■ Danos decorrentes da circulação de veículos fora do estabelecimento especificado na apólice, sendo tais riscos objeto de apólice específica; ■ Danos causados por produtos fabricados, vendidos, negociados ou distribuídos pelo segurado, depois de entregues a terceiros, definitiva ou provisoriamente e fora dos locais ocupados ou con- trolados pelo segurado (o objetivo da apólice é cobrir a poluição gerada por operações, e não por produtos); ■ Danos causados por qualquer tipo de obra, inclusive instalações e montagens, admitidos, porém, pequenos reparos destinados à manutenção do imóvel; e ■ Danos resultantes do mau estado de conservação ou da insufi- ciente manutenção dos equipamentos destinados à prevenção de acidentes, caso fique comprovado que tais fatores de agravação eram conhecidos, ou não, e poderiam ser ignorados pelo segura- do ou seus dirigentes. — Obrigações do Segurado São obrigações do segurado: ■ Zelar e manter em bom estado de conservação, segurança e fun- cionamento os bens de sua propriedade e posse que sejam capa- zes de causar danos cuja responsabilidade lhe possa ser atribuída; 96 UNIDADE 5 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Comunicar por escrito à seguradora as alterações ou mudanças que possam agravar os riscos cobertos; ■ Desenvolver e manter, em condições ótimas, programas de geren- ciamento de resíduos, de gerenciamento de riscose de gerencia- mento/monitoramento ambiental; e ■ Fornecer todos os dados e documentos necessários às inspeções técnicas efetuadas pela seguradora. Comentário A seguradora tem o direito de inspecionar as instalações do segurado, em qualquer momento, mediante aviso prévio. Dessas inspeções, a seguradora produzirá relató- rios trimestrais. Se nas instalações for detectado algum defeito que tenha causado ou possa vir a cau- sar danos, o segurado é obrigado a tomar as providências necessárias para remediar o defeito, dentro de prazo compatível com a situação, sob pena de aplicação do disposto no artigo 768 do Código Civil (“o segurado perderá o direito à garantia se agravar inten- cionalmente o risco objeto do contrato”). — Liquidação de Sinistros No caso de sinistro, qualquer acordo judicial ou extrajudicial, com o terceiro prejudicado, seus beneficiários e herdeiros só será reconhecido, pela seguradora, se houver anuência. — Renovação O contrato de RC – Poluição Ambiental não é objeto de renovação automática. Sua renovação está sujeita à anuência da seguradora e do segurado, e condicionada à correta conservação e manutenção dos equi- pamentos destinados à prevenção de acidentes. Atenção As condições da apólice de RC – Poluição Ambiental já preveem a extensão automáti- ca do prazo para apresentação das reclamações, sem necessidade de pagamento de prêmio adicional, nas condições já observadas na análise de outras modalidades. Mediante pagamento de prêmio adicional e adoção de cláusula especial, o segurado pode contratar, em prorrogação ao prazo automático, um período suplementar de cobertura para reclamações de terceiros nas condições também já examinadas em tópicos anteriores. Atenção Se o segurado recusar o acordo recomendado pela seguradora e aceito pelo terceiro prejudicado, a seguradora não responderá por quantias acima daquelas pelas quais o sinistro seria liquidado pelo referido acordo. 97 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL FIXANDO CONCEITOS 5 Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta. 1. Das situações abaixo, aquelas que estão sujeitas a gerar poluição ambiental são: I) Um transportador, contratado para transportar resíduos tóxicos, sofre acidente com o caminhão, causando dispersão dos resíduos. II) Um contratado de uma indústria pode, negligentemente, causar der- rame de líquido poluente, contaminando um rio. III) Um incêndio ou o mau funcionamento de um aparelho podem causar dispersão de líquido poluente. Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente II é proposição verdadeira. (c) Somente III é proposição verdadeira. (d) Somente II e III são proposições verdadeiras. (e) I, II e III são proposições verdadeiras. Marque a alternativa correta. 2. A cobertura de Poluição Súbita na modalidade RC – Produtos: (a) Está coberta desde que o evento tenha duração superior a 72 horas. (b) É coberta de forma adicional sem cobrança de prêmio. (c) É coberta de forma adicional com cobrança de prêmio. (d) É coberta de forma automática. (e) Não é coberta. 98 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta 3. São riscos cobertos em poluição ambiental: I) As custas judiciais e os honorários do(s) advogado(s) nomeado(s) de acordo com ela. II) Danos causados por qualquer tipo de obra, inclusive instalações e montagens, admitidos, porém, pequenos reparos destinados à manutenção do imóvel. III) Despesas feitas pelo segurado para neutralizar ou restringir as con- sequências do sinistro, limitadas a 20% do limite máximo de indeni- zação. Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente II é proposição verdadeira. (c) Somente III é proposição verdadeira. (d) Somente I e III são proposições verdadeiras. (e) I, II e III são proposições verdadeiras. SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 99 UNIDADE 606 SINISTROS ■ Compreender todas as etapas de um processo de regulação e liquidação de um sinistro em seguros de RCG, interpretando por parte do corretor, a finalidade de cada documento solicitado e como será desenvolvido o processo de regulação e liquidação. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE ⊲ NOÇÕES DE REGULAÇÃO E LIQUIDAÇÃO DE SINISTROS ⊲ FIXANDO CONCEITOS 6 100 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL A regulação do sinistro no Ramo RCG apresenta certas peculiaridades. Isso porque há interesses dos segurados e dos terceiros, que nem sempre são coincidentes, a serem satisfeitos pela seguradora. O segurador deve cercar-se, assim, de cuidados com o objetivo de evi- tar demandas judiciais, por vezes desgastantes para as partes, devido a uma tendência do segurado em proteger-se dos danos causados, o que aumenta, em muitos casos, os prejuízos de terceiros a serem reparados. É sabido que não é oferecida cobertura para todo e qualquer tipo de dano. Por outro lado, nem sempre o segurado contrata aquilo de que necessita. Assim, na hora da reclamação, o segurado busca aumentar o índice de abrangência da apólice. NOÇÕES DE REGULAÇÃO E LIQUIDAÇÃO DE SINISTROS Assim como na emissão e na cotação das apólices, também na regulação de sinistros os riscos de Responsabilidade Civil se diferenciam dos riscos de propriedade (incêndio, roubo, automóvel), devido à sua extensa abrangência no que diz respeito aos tipos de danos que podem ser causa- dos a terceiros. Comentário O Seguro de Responsabilidade Civil Geral cobre as mais diversas atividades comerciais, industriais e privadas existentes, por meio das mais diversas e variadas coberturas, cada uma com o seu detalhamento de exclusões e franquias próprias. Essa complexidade de coberturas e exclusões, indubitavelmente, dificulta a regulação de sinistros de Responsabilidade Civil Geral. 101 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Um corretor, em diversas situações, pode vir a ser chamado a acompa- nhar uma regulação de sinistro como representante do segurado. Ape- sar de não haver necessidade de o corretor ser habilitado a regular um sinistro, é necessário que ele saiba avaliar a qualidade técnica dos reguladores que realizarão a inspeção, pois uma regulação mal reali- zada pode gerar prejuízos aos clientes. Sendo assim, o corretor deve tomar conhecimento do processo de regulação e liquidação de sinis- tros, bem como das características técnicas básicas que um regulador deve ter para poder avaliar a qualidade do evento. — Características Básicas do Regulador Podemos citar como características básicas de um regulador de sinistros de RCG: ■ Clareza e objetividade na comunicação com o segurado e com os terceiros; ■ Conhecimento básico de seguro; ■ Conhecimento dos procedimentos de regulação; ■ Noções de Direito Civil; ■ Noções de Contabilidade; ■ Habilidade no trato com as partes; e ■ Facilidade na identificação de problemas e soluções. Atenção É importante que o regulador saiba qual é a sua alçada de regulação (até onde ele pode decidir sozinho) para que não tome decisões que comprometam a seguradora. O resseguro também é um dos fatores a serem levados em conta pelo corretor, pois, de acordo com o contrato de resseguro que tiver sido feito para a carteira de RCG, a seguradora poderá ser obrigada a ceder a regulação do risco ao ressegurador, poden- do, em alguns casos, apenas acompanhar a regulação. Nesses casos, o corretor deve estar atento para poder deixar o segurado sempre ciente de que forma procederá a regulação do sinistro. — Documentação Pertinente à Regulação Cabe ao corretor orientar e/ou providenciar, com o segurado, toda a documentação necessária para que a seguradora realize a regu- 102 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL lação da maneira mais rápida e eficiente possível. Como os sinistros do Seguro de ResponsabilidadeCivil Geral ocorrem quando o segurado causa um dano a um terceiro, alguns documentos são necessários para que se organize corretamente o processo do sinistro. Alguns deles são fundamentais para a caracterização da responsabi- lidade do segurado, como: ■ Relato do segurado sobre o sinistro (aviso de sinistro); ■ Boletim de ocorrência policial; ■ Certidão dos bombeiros; ■ Laudo do Instituto de Criminalística; ■ Orçamentos e comprovantes de custos em geral; ■ Termos do acordo celebrado; ■ Documentos integrantes de processo judicial; ■ Laudo de análise laboratorial; ■ Laudo judicial; e ■ Comprovante de pagamento do prêmio de seguro (normalmente, a própria seguradora detém o controle dos pagamentos e não exige esse documento. Não obstante, é um direito da seguradora solicitar o comprovante de pagamento do prêmio, caso julgue necessário). — Providências na Regulação Antes e durante a regulação, algumas providências devem ser mpreen- didas pelo regulador para que todo o processo de regulação seja eficiente e não precise ser refeito, cabendo ao corretor intermediar e facilitar o acesso ao local do sinistro e às informações necessárias: ■ Vistoriar o local (de posse da apólice); ■ Identificar os terceiros (nomes, moradia); ■ Verificar se a competência da regulação é da seguradora ou do ressegurador; ■ Pesquisar se existe documentação fotográfica, ou em vídeo, do sinistro; ■ Verificar circunstâncias e formalidades legais; ■ Estudar a conveniência da liberação do local ou do bem sinistrado; ■ Verificar a necessidade de contratação de perito; ■ Verificar meios de comprovação de prejuízos; ■ Analisar se existe necessidade de vistoria judicial; 103 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Tomar providências para proteger os salvados e/ou evitar a agra- vação dos danos; ■ Tomar providências de caráter provisório ou emergencial (loca- ções, instalações); ■ Verificar a ocorrência de economia de despesas, por parte do terceiro; ■ Verificar a possibilidade de ressarcimento contra corresponsáveis ou responsáveis em segunda instância; ■ Verificar ocorrências anteriores semelhantes; ■ Estudar a necessidade de acordo formal sobre a extensão das res- ponsabilidades; ■ Acompanhar e coordenar encontros entre as partes para determi- nação de valores e responsabilidades; ■ Sugerir providências na medida das necessidades; ■ Acompanhar a fixação de valores; ■ Sempre procurar o caminho do acordo extrajudicial (amigável); ■ Estudar a conveniência de adiantamentos por conta do reembolso final; ■ Evitar que o segurado assuma responsabilidade indevida por inte- resses comerciais do terceiro ou do próprio segurado; ■ Agir com presteza; e ■ Priorizar o bom-senso. — Utilização de Checklist Um dos fatores principais para uma boa regulação é a preparação de um checklist, no qual o regulador possa orientar-se durante as várias etapas da regulação. Atenção Deve-se fazer, usualmente, um checklist por modalidade de seguro, já que o escopo de cobertura é diferenciado. Um corretor que queira se especializar em acompanhamento de sinistros deve desen- volver um checklist próprio por segmento de seguro, baseado naqueles apresentados pelas seguradoras ou desenvolvido por ele próprio. Esse checklist servirá, no entanto, apenas como base de avaliação do trabalho realiza- do pelo regulador, pois, se, durante a regulação, o regulador deixar de cumprir algumas etapas, isso servirá como argumento para que o corretor possa apresentar reclamação quanto à qualidade da regulação. 104 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Regras para Liquidação de Sinistros As regras constam das tarifas e, normalmente, fazem parte das apólices de RCG. Elas devem ser sempre apresentadas e esclarecidas, pelo corretor, ao segurado, no momento da contratação do seguro, para que ele fique ciente das suas obrigações em caso de sinistros. Obrigações do Segurado O segurado obriga-se a: ■ Dar imediato aviso à seguradora, por carta registrada ou protoco- lada, da ocorrência de qualquer fato de que possa advir responsa- bilidade civil, nos termos do contrato; ■ Comunicar à seguradora, no prazo de cinco dias sobre a data do seu recebimento, qualquer citação, carta ou documento que se relacione ao sinistro coberto pelo contrato; ■ Zelar e manter em bom estado de conservação, segurança e fun- cionamento os bens de sua propriedade e posse que sejam capa- zes de causar danos cuja responsabilidade lhe possa ser atribuí- da, comunicando à seguradora, por escrito, qualquer alteração ou mudança que venham a sofrer os referidos bens; e ■ Dar ciência à seguradora da contratação ou da rescisão de qualquer outro seguro referente aos mesmos riscos previstos no contrato. Liquidação de Sinistros A liquidação de sinistro coberto pelo seguro será processada mediante as seguintes regras: ■ Apurada a responsabilidade civil do segurado, de acordo com o objeto do seguro, a seguradora efetuará o reembolso da repara- ção pecuniária que o segurado tenha sido obrigado a pagar; ■ A seguradora indenizará o montante dos prejuízos regularmente apurados, observando o limite de responsabilidade por sinistro; ■ Qualquer acordo judicial ou extrajudicial com o terceiro prejudica- do, seus beneficiários e herdeiros só será reconhecido pela segu- radora se esta obtiver anuência prévia. Na hipótese de recusa do segurado em aceitar o acordo, recomendado pela seguradora e aceito pelo terceiro prejudicado, a seguradora não responderá por quaisquer quantias acima daquelas pelas quais o sinistro seria liquidado pelo acordo; ■ Se proposta qualquer ação civil, o segurado emitirá aviso imediato à seguradora, nomeando, de acordo com ela, os advogados de defesa; 105 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ■ Embora não figure na ação, a seguradora fornecerá as instruções para seu processamento, intervindo diretamente nessa ação, se lhe convier, na qualidade de assistente; ■ Fixada a indenização devida, seja por sentença transitada em jul- gado, seja por acordo na forma do terceiro item descrito anterior- mente, a seguradora efetuará o reembolso da importância a que estiver obrigada no prazo de 15 dias a contar da apresentação dos respectivos documentos; ■ Dentro do limite máximo previsto no contrato de seguro, a segura- dora responderá, também, pelas custas judiciais do foro civil e pelos honorários do(s) advogado(s) nomeado(s) de acordo com ela; e ■ Se a reparação pecuniária devida pelo segurado compreender pagamento em dinheiro e prestação de renda ou pensão, a segu- radora, dentro do limite de responsabilidade previsto no contrato, pagará, preferencialmente, a parte em dinheiro. Quando a segura- dora, ainda dentro daquele limite, tiver que contribuir também para o capital assegurador da renda ou pensão, poderá fazê-lo com vis- tas ao fornecimento ou à aquisição de títulos em seu próprio nome, cujas rendas serão inscritas em nome da(s) pessoa(s) com direito a recebê-las com clausula estabelecendo que, cessada a obrigação, os títulos retornarão ao patrimônio da seguradora. Contribuição Proporcional Quando na data da ocorrência de um sinistro existirem outros seguros garantindo os mesmos riscos previstos nesse contrato, a seguradora con- tribuirá, apenas, com a quota de indenização das perdas e danos sofri- dos pelo segurado na proporção existente entre a importância que houver garantido para os riscos ocorridos e a totalidade da importância segurada por todas as apólices em vigor naquela data. Perda de Direito Além dos casos previstos em lei, a seguradora ficará isenta de qualquer obrigação se: ■ O segurado não fizer declarações verdadeiras e completas ou omitir circunstâncias de seu conhecimento que possam ter influen- ciado na aceitação da proposta ou na fixação do prêmio; ■ O segurado deixar de cumprir as obrigações convencionadas no contrato de seguro; e ■ O segurado, por qualquer meio, procurar obter benefícios ilícitosdo seguro a que se refere o contrato. 106 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Prescrição A data da apresentação, ao segurado, da reclamação de terceiro – judicial ou extrajudicial – determinará o início da contagem do prazo prescricional estabelecido no Código Civil, o que igualmente aplica-se às hipóteses de paralisação do procedimento judicial ou extrajudicial por culpa do segurado. Fluxograma de um Processo de Sinistro Reembolso, pela seguradora, de eventual diferença de honorários ao segurado Conhecimento, pelo segurado, de reclamação judicial INÍCIO DANO A TERCEIRO Conhecimento, pelo segurado, do dano a terceiro Comunicação à seguradora, feita, normalmente, pelo corretor Discussão administrativa sobre o pedido do reclamante, incluída a regulação, se necessária. Pagamento da indenização, pelo segurado, ao reclamante Reembolso, pela seguradora, ao segurado Discussão judicial Comunicação à seguradora, feita, normalmente, pelo corretor Nomeação dos advogados de defesa CONDENAÇÃO OU ACORDO JUDICIAL Pagamento da indenização, pelo segurado, ao reclamante + honorários/custas Reembolso, pela seguradora, ao segurado FIM FIM FIM 107 UNIDADE 6 SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Ilustrando na Prática — Casos Reais Desastre de Bhopal Considerado por muitos como o pior acidente industrial de todos os tem- pos, o Desastre de Bhopal recebeu esse nome, justamente por ter aconte- cido na cidade de Bhopal, na Índia. Na madrugada do dia 3 de dezembro de 1984, cerca de 40 toneladas de gases tóxicos vazaram da unidade da Union Carbide, uma fábrica de pesticidas de origem norte-americana. Esti- ma-se que mais de 500 mil pessoas foram expostas ao isocianato de meti- la, um composto altamente danoso para o corpo humano. Os efeitos foram imediatos: muitos moradores das redondezas saíram de suas casas com náuseas, outros expeliram sangue e muitos foram vítimas de sérios problemas de visão. Ao menos 3 mil pessoas morreram. Sabe qual é a pior parte? Ainda existe grande quantidade de lixo tóxico nos arre- dores da fábrica abandonada, e a população de Bho- pal ainda luta para tentar conseguir alguma indenização. Explosão da Plataforma P-36 Considerada a maior plataforma petrolífera do mundo, a P-36 era operada pela Petrobras na Bacia de Campos, a 130km da costa do Rio de Janeiro. No dia 15 de março de 2001, duas explosões nas colunas de sustentação provocaram a morte de 11 integrantes da equipe de emergência que estava a bordo, além de fazer com que a estrutura tombasse 16 graus. Em poucas horas, a plataforma já estava inteiramente submersa. Felizmente, o restante da tripulação conseguiu ser salva – um total de 164 trabalhadores. De acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a causa do incidente foi a “não-conformidade quanto a procedimentos ope- racionais, de manutenção e de projeto”. Desastre de Minamata Embora seja comumente empregado em termômetros e outros produtos que utili- zamos no dia a dia, o mercúrio é uma substância bastante perigosa – e o Desastre de Minamata traduz-se em exemplo para demonstrar esse nível de periculosidade. Tudo começou em 1965, quando vários habitantes da pequena cidade de Minamata, no Japão, deram entrada em hospitais com exatamente os mes- mos sintomas: convulsões gravíssimas, surtos de psicose, per- da de cons- ciência e febre altíssima. Todos morreram. As investigações apontaram que as vítimas apresentavam característica pitoresca em comum: todos consu- miram quantidade considerável de peixes retirados da baía de Minamata. Após mais investigações, foi constatado que uma fábrica local utilizava com- postos de mercúrio na produção de PVC e os lançava diretamente na baía da cidade afetada, contaminando peixes, moluscos e aves naquele ecossistema. Hoje, estima-se que as vítimas fatais do incidente cheguem a aproximada- mente 900 pessoas. Se contabilizássemos os moradores que ficaram com sequelas graves, no entanto, esse número certamente seria muito maior. 108 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL FIXANDO CONCEITOS 6 Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a alternativa correta. 1. Sobre as providências a serem tomadas pelo regulador de um sinistro de Responsabilidade Civil, no que se refere à sua competência, podemos enumerar as seguintes: ( ) Vistoriar o local da ocorrência do sinistro munido da apólice. ( ) Identificar os terceiros. ( ) Emitir cheque para pagamento de prejuízos dos terceiros. ( ) Buscar, em primeiro lugar, um acordo judicial para a composição dos prejuízos. ( ) Verificar se a competência da regulação é da seguradora ou do res- segurador. Agora assinale a alternativa correta: (a) V, F, F, F, V. (d) V, V, V, F, F. (b) V, V, F, F, V. (e) F, V, V, V, F. (c) F, V, V, V, V. Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta. 2. No tocante à regulação de sinistro de Responsabilidade Civil, existem algumas regras que precisam ser seguidas pelos segurados e que, normal- mente, constam da apólice, a saber: I) Dar imediato aviso à seguradora de qualquer ocorrência que possa gerar responsabilidades. II) Zelar e manter em boas condições os bens objeto da cobertura da apólice que possam causar danos a terceiros. III) Fazer acordo com eventuais terceiros sobre o pagamento de prejuí- zos causados, mesmo sem autorização da seguradora, com vistas à liquidação imediata. Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente III é proposição verdadeira. (c) Somente I e II são proposições verdadeiras. (d) Somente I e III são proposições verdadeiras. (e) Somente II e III são proposições verdadeiras. 109 FIXANDO CONCEITOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Marque a alternativa correta. 3. Considere o texto: “Qualquer acordo judicial ou extrajudicial com o ter- ceiro prejudicado só será reconhecido pela seguradora se esta obtiver anuência prévia. Na hipótese de recusa do segurado em aceitar o acordo, recomendado pela seguradora e aceito pelo terceiro prejudicado, a segu- radora não responderá por quaisquer quantias acima daquelas pelas quais o sinistro seria liquidado pelo acordo”. Sendo assim, é correto afirmar que: (a) A prévia anuência dispensa autorização formal. (b) O segurado não deverá seguir à risca o que foi acordado com a seguradora. (c) O segurado pode pagar, do seu bolso, eventuais diferenças a mais. ( d) Na Justiça, o segurado poderá fazer acordo com o terceiro sem autorização da seguradora. (e) A seguradora nunca fará qualquer acordo que atenda aos interesses do segurado. Marque a alternativa que preencha corretamente a(s) lacuna(s): 4. Cabe ao corretor orientar e/ou providenciar, com o, ____________ toda a documentação necessária para que a seguradora realize a ______________ o mais rápida e eficientemente possível. (a) segurado / regulação (b) terceiro / inspeção (c) prejudicado / sub-rogação (d) inspetor / vistoria (e) inspetor / sub-rogação 110SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ESTUDOS DE CASO Caso 1 Um idoso é atropelado sem gravidade em via pública. Sofreu apenas alguns arranhões. Não obstante, o atropelador observou que o idoso esta- va muito nervoso. Levou-o ao pronto-socorro da região. O médico que o atendeu disse que passasse dali algumas horas, pois iriam aplicar um sedativo na vítima. Horas depois o atropelador compareceu ao hospital, tendo recebido a notícia do falecimento da vítima, em razão da aplicação de um medicamento que havia causado uma reação grave no paciente, levando-o a óbito. 1. Houve nexo de causalidade entre o atropelamento e o resultado morte? 2. A vítima faleceu em razão do atropelamento? Essa foi a causalidade adequada? Caso 2 “Problemas Jurídicos Resultantes de Clausulado Inadequado ou Insu- ficiente” Um hospital contratou uma apólice de RCG na modalidade RC – Estabe- lecimentos Comerciais e/ou Industriais (RC –Operações). Das condições especiais, constava: Riscos Cobertos: Considera-se risco coberto a Responsabilidade Civil do segurado, caracterizada na forma da Cláusula I das Condições Gerais, e decorrente de acidentes relacionados com: a) a existência, uso e conservação do imóvel especificado neste contrato; b) operações comerciais e/ou industriais do segurado, inclusive operações de carga e descarga em local de terceiros; c) a existência e conservação de painéis de propaganda, letreiros e anún- cios pertencentes ao segurado; d) os eventos programados pelo segurado sem cobrança de ingressos, limitados aos seus empregados, familiares e pessoas comprovadamente convidadas; e e) danos causados por mercadorias transportadas pelo segurado, ou a seu mando, em local de terceiros ou em via pública, excluídos, todavia, os danos decorrentes de acidente com o veículo transportador. ESTUDOS DE CASO 111SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Das condições gerais, constava: 2 – O presente contrato não cobre, ainda, salvo convenção em contrário: t) danos relacionados à prestação de serviços profissionais a terceiros, tais como serviço médico, odontológico, de enfermagem, advocacia, engenharia, arquitetura, auditoria, contabilidade, processamento de dados e similares. Certo dia, uma paciente faleceu na mesa de cirurgia, em razão de proble- mas decorrentes de erro médico, segundo ficou apurado mais tarde, em inquérito policial. Soube-se, igualmente, que o médico não agiu dolosa- mente; o evento perpetrou-se em razão de negligência, já que o profis- sional não observou todo o procedimento exigido para o caso. Tratava-se, portanto, de profissional bastante experiente, porém negligente em rela- ção às conferências devidas e requeridas pelo protocolo, muito provavel- mente por perceber-se em domínio absoluto desses processos. Os beneficiários da paciente falecida ajuizaram ação contra o hospital. Este, por sua vez, informou, no processo, que tinha Seguro de RCG – Operações e chamou a seguradora para integrar o processo, ou seja, para responder por eventual condenação do hospital. Além disso, o hospital alegou que a culpa foi do médico, cabendo a ele responder pela indenização. Na sentença, o juiz condenou a seguradora ao pagamento da indenização, embora ela tivesse alegado que o sinistro não previa cobertura, em razão da exclusão constante das condições gerais. Sendo assim, comente a posição de cada um dos envolvidos na questão, à luz dos pressupostos da responsabilidade civil em geral, do Código Civil Brasileiro e, em particular, do Código de Defesa do Consumidor. Atenção Não é necessário que sejamos advogados para comentar o caso. Vamos utilizar os fundamentos legais da responsabilidade civil, constantes deste manual. O importante é treinarmos o raciocínio, pois a questão apresentada, e outras similares, estão dire- tamente relacionadas ao Seguro de RCG e, portanto, guarda relação com o desejável conhecimento da matéria. ESTUDOS DE CASO 112 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL ANEXOS — Anexo 1– Exemplo de Seguro de RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais O objetivo é acompanhar o processo de solicitação de cobertura por parte de um corretor com determinada seguradora. RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais para uma Indústria de Brinquedos 1º passo: O segurado solicita ao corretor uma cobertura de RCG. O corretor deve ter o cuidado de, sempre que houver uma cotação de Responsabilidade Civil, observar quais as modalidades mais adequadas à atividade do segurado e, após essa análise, solicitar à seguradora uma cotação. 2º passo: Preencher os questionários ou as informações necessárias para a correta subscrição do risco pela seguradora. O corretor fornece o questionário da modalidade ao segurado, que o preenche para posteriormente ser enviado à seguradora para o devido cálculo do prêmio. Fornecemos, abaixo, o questionário preenchido pelo segurado: Seguro de Responsabilidade Civil Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais, Empregador e Riscos Contingentes Veículos Terrestres Motorizados Questionário Anexo à Proposta do Seguro 1. Nome do proponente: Companhia ABC S.A. 2. Data de início das operações: 03/10/1960 3. Durante os últimos 5 anos, foi alterada a sua denominação social, efe- tuada qualquer incorporação, compra ou fusão com outra firma? Caso posi- tivo, informe detalhes: Razão social sem alterações. Associação com a empresa Acme Ltda. 4. Atividades do proponente: a) principal: Indústria de Brinquedos b) outras, inclusive as realizadas fora dos locais especificados no item 5 abaixo: 113 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 5. Natureza e endereço dos estabelecimentos do proponente – matriz, filiais, escritórios, fábricas, lojas e depósitos: (Rua-Cidade-Estado) 1) Avenida Lopes Quintas, no 12.378 São Bernardo do Campo – SP 5.1 No caso de estabelecimentos industriais ou de estabelecimen- tos destinados à armazenagem de substâncias tóxicas, corrosivas, inflamáveis ou explosivas, deverá ser indicada, por meio de cro- qui simplificado, a situação do estabelecimento em relação à vizi- nhança, com informações sobre o afastamento e a ocupação dos prédios vizinhos (residencial, comercial ou industrial, assinalando, nestes dois últimos casos, o tipo de atividade desenvolvida). 6. Trânsito ou permanência de terceiros (pessoas ou bens) nos estabeleci- mentos do proponente. Assinalar a frequência: Alta ( ) Média (X) Baixa ( ) 7. Faturamento bruto da empresa a preço constante: Nos últimos 12 meses: R$ 48.000.000,00 Previsão para 12 meses período seguro: R$ 50.000.000,00 a) Receita operacional decorren- te da atividade fim: R$ 50.000.000,00 b) Outras receitas: R$ – Total: R$ 50.000.000,00 8. Número de empregados: 500 9. Informar sobre a existência de (assinalar): ( ) desvio ferroviário e/ou estrada de ferro própria. (X) caldeiras. (X) equipamentos móveis: pontes rolantes, empilhadeiras. ( ) substâncias tóxicas, corrosivas, inflamáveis ou explosivas. (X) restaurantes ou similares. ( ) anúncios ou letreiros do proponente em via pública ou em local de terceiros. 114 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 10. Assinalar, caso haja interesse na contratação das seguintes coberturas adicionais: ( ) competições e jogos esportivos. ( ) circulação de equipamentos mecânicos nas vias públicas adja- centes ao estabelecimento. ( ) objetos pessoais de empregados sob guarda do proponente. 11. O proponente tem conhecimento de qualquer fato de que possa advir uma reclamação contra a empresa? Em caso afirmativo, forneça detalhes: NÃO 12. No tocante ao presente risco, o proponente tem conhecimento de alguma reclamação contra si nos últimos 5 anos? Em caso positivo, indicar a data, o valor e a causa de cada reclamação, ainda que não tenha havido seguro no período: NÃO 13. Alguma seguradora recusou proposta de seguro semelhante feita pelo proponente, estabeleceu condições agravadas para a sua aceitação ou recusou a renovação de algum seguro seu? Em caso afirmativo, esclareça os motivos alegados pela seguradora: NÃO 14. No caso de o proponente possuir ou já ter possuído seguro para garan- tir quaisquer dos riscos propostos, indique a seguradora: NÃO 15. Existe alguma previsão para ampliação das atividades do proponente no período de vigência do seguro proposto? NÃO 16. Limite Máximo de Indenização pretendido: Estabelecimentos Comer- ciais/Industriais: R$ 100.000,00 17. Declaro que as informações acima são verdadeiras e que estou ciente de que, em caso de sinistro, se for verificado que os valores que serviram de base ao cálculo do prêmio foram inferiores aos contabilizados, a indeni- zação será reduzida proporcionalmente à diferença entre o prêmio devido e o pago. São Paulo, 01/01/18 Companhia ABC S.A. Local e data Assinatura do Proponente ou seu Representante Legal 3º passo: Cálculo da cotação. Com as informações fornecidas no questionário, já é possívelcalcular o prêmio tarifário de RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais para esse segurado. 115 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Vamos acompanhar, passo a passo, o processo de cotação: Informações Necessárias Verificar, na Tarifa, as informações necessárias para o cálculo do prêmio e retirá-las do questionário. Segundo as Disposições Tarifárias de Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais, o cálculo do prêmio tarifário é feito por meio da fórmula: Prêmio Básico × Coeficiente de Agravação O Prêmio Básico é obtido na Tabela de Prêmios Básicos de Operações e é referente ao faturamento do segurado no período da vigência. Além do faturamento, a tabela necessita da classe de risco, que é obtida na Tabela de Classificação, a qual é referente à atividade principal do segurado. O Coeficiente de Agravação é obtido na Tabela de Coeficientes de Agra- vação e é referente ao limite máximo de indenização solicitado pelo segurado. Vimos, então, que as informações iniciais para a cotação dos riscos são: ■ Faturamento; ■ Atividade Principal; ■ Limite Máximo de Indenização (LMI) – Classe de Risco; ■ Prêmio Básico; e ■ Coeficiente de Agravação. As três primeiras são extraídas do questionário, e as outras são obtidas nas tabelas. Uso das Tabelas A primeira informação a ser trabalhada é a atividade principal do segura- do. Com ela, iremos obter a Classe de Risco a que ele pertence. Para isso, usaremos a Tabela de Classificação. Segundo o questionário, a atividade principal do segurado é: Indústria de Brinquedos A Tabela de Classificação serve para classificar os riscos de RC – Opera- ções e de RC – Produtos. Por isso, é fundamental estar atento na hora de consultá-la para que não se utilize a classe de risco errada. Para o risco segurado (Indústria de Brinquedos), encontramos, na tabela, a seguinte classificação: 116 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL CÓD. ESPECIFICAÇÃO OPERAÇÃO PRODUTOS 20 Bebidas, alcoólicas ou não (fabricação e distribuição) II I 21 Bicicletas e ciclomotores (até 50 cc) II II 22 Borracha, beneficiamento (fabricação, artigos de) II I 23 Brinquedos II II 24 Cabeleireiros, barbearias e institutos de beleza II – 25 Caldeiras (fabricação de) II III 26 Cerâmicas, louças, azulejos e similares II I (Reprodução Parcial da Tabela de Classificação) Classe de risco para a atividade Brinquedos: Classe II A próxima informação a ser trabalhada é o Prêmio Básico, que é encon- trado na Tabela de Prêmios Básicos de Operações. Para isso, teremos que verificar, no questionário, o valor do faturamento: R$ 50.000.000,00. FATURAMENTO ANUAL CLASSE I CLASSE II CLASSE III 40.500.000,00 94,60 142,00 189,20 45.000.000,00 97,90 146,90 195,80 54.000.000,00 103,80 155,70 207,60 63.000.000,00 109,30 164,00 218,60 72.000.000,00 113,90 170,90 227,80 (Reprodução Parcial da Tabela de Prêmios Bási- cos de Operações) Nota: o valor do faturamento (R$ 50.000.000,00) não existe na tabela; em casos como este, aplicam-se os prêmios básicos correspondentes ao fatu- ramento imediatamente superior. Os valores dos prêmios básicos encontram-se em “UTs”, que podem ser considerados como “dólar”; então, 1 UT = 1 dólar (este critério pode variar de seguradora para seguradora). Para esse risco, teremos que utilizar o faturamento imediatamente superior na tabela, no caso o faturamento de R$ 54.000.000,00. Como já havíamos verificado a Classe de Risco (Classe II), o nosso risco terá como Prêmio Básico: 155,70. 117 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL A próxima informação a ser tratada é o Coeficiente de Agravação, que é encontrado na Tabela de Coeficientes de Agravação. Para isso, teremos que verificar, no questionário, o valor da importância segurada: R$ 100.000,00. LMG (UT) COEFICIENTE 90.000 14,49 95.000 15,21 100.000 15,92 110.000 16,80 120.000 17,66 (Reprodução Parcial da Tabela de Coeficientes de Agravação) Nota: o valor da importância segurada, em alguns casos, pode não existir na Tabela; em casos como este, aplica-se o coeficiente cor- respondente à próxima importância segurada mais elevada exis- tente na tabela. Os valores das importâncias seguradas encontram-se em “UTs”, que podem ser considerados como “dólar”; então 1 UT = 1 dólar (este critério pode variar de seguradora para seguradora). Para esse risco, iremos aplicar diretamente a IS de 100.000,00 e encon- traremos o Coeficiente de Agravação: Coeficiente de Agravação: 15,92 Cálculo do Prêmio Tarifário Prêmio Tarifário = Prêmio Básico × Coeficiente de Agravação Prêmio Tarifário = 155,70 × 15,92 Prêmio Tarifário = R$ 2.478,74 Franquia: R$ 500,00 Obs.: os valores acima têm apenas objetivo didático, não implicando, em hipótese alguma, valores referentes a uma cotação real. 4º passo: A seguradora apresenta ao corretor o valor do seguro. Por meio de correspondência formal, a seguradora fornece as bases do seguro para que o corretor possa submetê-las ao segurado. Nessa correspondência, portanto, deverá constar a relação das cobertu- ras, dos seus respectivos LMI, do prêmio do seguro, das franquias e das Condições Gerais, Especiais e Particulares do seguro. 118 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL 5º passo: O segurado aceita as bases e solicita a efetivação do seguro. Com a “ordem firme” do segurado, o corretor/seguradora elabora a pro- posta para oficializar a efetivação do seguro. 6º passo: A seguradora emite a apólice. Após dar recebimento na proposta, a seguradora passa a ter 15 dias para recusar o risco. Caso deseje declinar do risco, a seguradora é obrigada a formalizar essa recusa com o corretor/segurado. No caso de aceitação, a seguradora inicia o processo de emissão da pro- posta para que esta se torne uma apólice oficial. A formatação da apólice varia muito de seguradora para seguradora. O importante é que todas as informações constantes da proposta constem da apólice. Além do seu frontispício, a apólice também tem, como parte integrante, a especificação dos riscos, ou seja, o detalhamento de cada local segurado, com as suas respectivas coberturas, verbas, franquias e condições. 119 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Anexo 2 – Referências Importantes CIRCULAR SUSEP – 437 de 14 de junho de 2012 [ Consolidado ] [ Con- dições Contratuais Padronizadas ] Data de Publicação: 15/06/2012 Ementa: Estabelece as regras básicas para a comercialização do Seguro de Responsabilidade Civil Geral, e disponibiliza, no endereço eletrônico da SUSEP, as condições contratuais do Plano Padronizado deste seguro. Revogou: CIRCULAR 55/78, CIRCULAR 70/79, CIRCULAR 26/80, CIRCU- LAR 38/80, CIRCULAR 57/81 [ Consolidado ], CIRCULAR 5/82, CIRCULAR 41/82, CIRCULAR 42/82, CIRCULAR 5/84, CIRCULAR 33/84, CIRCULAR 107/99 Alterado por: CIRCULAR 454/12, CIRCULAR 467/13, CIRCULAR 476/13 ATENÇÃO: as alterações acima são pontuais e não distorcem a circular 437. Se referem a prazos de entrada em vigor, que já foram consolidados com o tempo. http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=29548 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=2&codigo=29548 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=4&codigo=29548 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=4&codigo=29548 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=18052 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=18985 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=16852 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=16867 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=16867 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=17059 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=2&codigo=17059 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=16736 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=16899http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=16899 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=16900 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=16595 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=16655 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=7577 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=7577 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=30332 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=31067 http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=31411 120 ANEXOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL — Anexo 3 – Glossário da circular SUSEP 437/12 Como anexo da referida circular, a Susep divulgou a definição dos ter- mos que se referem às estipulações constantes do Plano Padronizado de Seguro de Responsabilidade Civil Geral, com o objetivo de uniformizar as coberturas e cláusulas contratuais que irão compor as novas apólices de RCG (Responsabilidade Civil Geral). Trata-se, portanto, de um esforço do órgão fiscalizador do mercado de seguros no sentido de, certamente, proporcionar aos operadores do mer- cado – e, evidentemente, aos consumidores – um conhecimento sistema- tizado do ramo RCG, haja vista a grande quantidade de modalidades ine- rentes aos riscos respectivos. Os vocábulos constantes deste glossário, em sua maioria, acham-se em consonância com as principais modalidades de seguro de RCG apresen- tadas neste Manual. Algumas definições, no entanto, correspondem a coberturas contempladas no Plano Padronizado e que não foram objeto de estudo no Manual, em razão de havermos abordado somente as prin- cipais modalidades. É sabido que as seguradoras não estão obrigadas a adotar o Plano Padro- nizado, pois têm a faculdade de solicitar autorização à SUSEP no sentido de operar com Planos Não Padronizados. Além disso, a questão da precificação, ou seja, a fixação dos prêmios, é prerrogativa das seguradoras. Por isso mesmo, a SUSEP não editou dis- posições tarifárias correspondentes às modalidades contempladas no Plano Padronizado. Não obstante, as linhas mestras constantes do Plano Padronizado deverão ser seguidas pelas seguradoras nas notas técnicas atuariais relativas a novos contratos, ainda que não tenha sido adotado o Plano Padronizado. http://www.susep.gov.br/setores-susep/seger/codoc/glossario/glossario_listing?b_start:int=20&-C= http://www.susep.gov.br/setores-susep/seger/codoc/glossario/glossario_listing?b_start:int=20&-C= 121 GABARITO SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL GABARITO Fixando Conceitos UNIDADE 1 UNIDADE 2 UNIDADE 3 1 – B 1 – A 1 – E 2 – B 2 – B 2 – C 3 – E 3 – A 3 – A 4 – D 4 – D 4 – D 5 – B 5 – D 6 – D 6 – B 7 – E 8 – C 9 – C 10 – B UNIDADE 4 UNIDADE 5 UNIDADE 6 1 – B 1 – E 1 – B 2 – D 2 - D 2 – C 3 – E 3 – D 3 – C 4 – D 4 – A 5 – B 6 – C 122 GABARITO SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL Estudo de caso Caso 1 1. Sim. Se não houvesse o atropelamento nada disso teria acontecido. 2. Não. Surgiu um outro nexo causal: a aplicação do medicamento. Caso 2 1) A COBERTURA DO SEGURO: realmente, a cobertura de RCG – Operações exclui os erros e/ou omissões decorrentes de atividades profissionais. A cobertura, como visto, tem como base os sinistros decorrentes de acidentes relacionados com a existência, uso e conservação do imóvel especificado nesse contrato. Do ponto de vista do contrato, então, não haveria cobertu- ra para erros e/ou omissões de cunho profissional. É o que nos demonstra a interpretação tarifária. Por outro lado, o juiz do processo interpretou de maneira diversa. Isso porque questionou, em sua sentença, o que implicaria o uso e a existência de um hospital? Ele existe para realizar cirurgias e exa- mes laboratoriais. Aliás, essa é a sua finalidade, concluiu. E, convenhamos, quem vê o contrato de fora, digamos assim, pode ser tentado a interpretar dessa forma. Sendo assim, é conveniente que a seguradora, em estabele- cimentos como hospitais, clínicas, comercialize a cobertura de RC – Opera- ções em conjunto com a de Erros e/ou Omissões dos profissionais da área médica. Evitar-se-ia oferecer cobertura a sinistros sem a correspondente cobrança de prêmio. Como se vê, por mais cuidado que se tenha na elabo- ração das cláusulas de um contrato de seguro, quando a questão é levada a juízo, corre-se o risco de surgirem problemas de interpretação. 2) A POSIÇÃO DO HOSPITAL: o estabelecimento em questão é prestador de serviços. Como regra, segundo o Código de Defesa do Consumidor, ele responde por danos causados ao consumidor, independentemente da exis- tência de culpa. Só não responderá por prejuízos se provar que, prestado o serviço, o defeito inexiste ou a culpa é exclusiva do consumidor ou de ter- ceiro. O fato de o hospital alegar a culpa do médico – e foi provado que ele teve culpa – não retira a responsabilidade do hospital, já que o empregador responde por atos de seu empregado. A única hipótese de se responsabili- zar um médico seria no caso de ele alugar um centro cirúrgico de um hospi- tal, por exemplo, para realizar procedimentos médicos, e a paciente não ter nenhum contato com tal hospital, já que foi escolhido pelo médico. E, outra hipótese, ainda, é a de que um eventual dano ao paciente não decorresse de nenhum equipamento fornecido pelo hospital. 3) A POSIÇÃO DO MÉDICO: o fato de o médico não ter agido dolosamen- te, não retira dele a responsabilidade pelo evento. A culpa, como sabido, 123 GABARITO SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL decorre da negligência, da imprudência e da imperícia. É evidente que o médico também poderia ter sido responsabilizado por imperícia, que é a falta de habilidade na prática de atividade profissional. O inquérito policial optou, contudo, pela negligência em razão do maior peso que teve a omis- são, nesse caso. Convém, ainda, assinalar que o médico, como regra, tem obrigação de meio; ou seja, ele é obrigado a utilizar todos os recursos a seu alcance, mas não pode ser responsabilizado por não ter salvo a vida de um paciente, já que há outros fatores que escapam ao seu controle. Mas, no presente caso, foi constatada a culpa dele. 124 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL GERAL REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Seguros de responsabilidade civil geral. 18. ed. 1a reimpressão. Assessoria técnica de João Marcos Brito Martins. Rio de Janeiro: Funenseg, 2015. 186 p. ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Seguros de responsabilidade civil geral. 19. ed. Assessoria técnica de João Marcos Brito Martins. Rio de Janeiro: Funenseg, 2016. 186 p. ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Seguros de responsabilidade civil geral. 20. ed. Assessoria técnica de João Marcos Brito Martins. Rio de Janeiro: Funenseg, 2017. 186 p. MARTINS, João Marcos Brito; MARTINS, Lidia de Souza. Direito de Segu- ro: Responsabilidade Civil das Seguradoras. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008. VENOSA, Sílvio de Salvo. Teoria Geral das Obrigações e Teoria Geral dos Contratos. São Paulo: Atlas, 2016. Legislação BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: www.planalto.gov.br BRASIL. Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990. Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Código de Proteção e Defesa do Consumidor. BRASIL. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. RESPONSABILIDADE CIVIL: ASPECTOS JURÍDICOS introdução A Obrigação de Indenizar A SUBSCRIÇÃO DO RISCO NOS SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL O Risco Moral O Risco Físico O Risco Jurídico DIFERENçA ENTRE RESPONSABILIDADE CIVIL E RESPONSABILiDADE PENAL ELEMENTOS ESSENCIAIS DA RESPONSABILIDADECIVIl Ação ou Omissão do Agente Culpa ou Dolo do Agente Nexo de Causalidade entre a Ação/Omissão do Agente e o Dano Dano experimentado pela vítima Teorias da Responsabilidade Civil: Responsabilidade Objetiva e Responsabilidade Subjetiva Responsabilidade Contratual e Responsabilidade Extracontratual Responsabilidade Contratual Responsabilidade Extracontratual ou Aquiliana Terceiros Prescrição Jurisprudência Fixando Conceitos 1 CONHECENDO AS CARACTERÍSTICAS E OS PRINCÍPIOS do SEGURO DE RCG CONSIDERAÇÕES INICIAIS reembolso BENEFICIÁRIO TIPOS DE APÓLICES Apólice à Base de Ocorrência Apólice à Base de Reclamação OBJETO DO SEGURO LIMITES DE ATUAÇÃO DO SEGURO DE RCG Riscos Não abrangidos pelo RCG Exclusões de Riscos LIMITES De responsabilidade Limite de Responsabilidade por Sinistro Limite Agregado REINTEGRAÇÃO DO LIMITE MÁXIMO E INDENIZAÇÃO GARANTIA DE REEMBOLSO FIXANDO CONCEITOS 2 DISPOSIÇÕES TARIFÁRIAS GERAIS CONHECENDO AS DISPOSIÇÕES TARIFÁRIAS GERAIS Proposta e Questionário Garantia Única Prazo do Seguro Pluralidade de Coberturas Critérios Adotados para o Cálculo dos Prêmios Franquias FIXANDO CONCEITOS 3 RESPONSABILIDADE CIVIL MODALIDADES e CONDIÇÕES ESPECIAIS MODALIDADES E CONDIÇÕES ESPECIAIS MODALIDADES DE RCG MAIS UTILIZADAS NO MERCADO BRASILEIRO RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais RC – Empregador RC – Riscos Contingentes – Veículos Terrestres Motorizados RC – Produtos no Território Nacional RC – Produtos no Exterior RC – Condomínios, Proprietários e/ou Locatários de Imóveis RC – Guarda de Veículos de Terceiros RC – Obras Civis e/ou Serviços de Montagem e Instalação de Máquinas e/ou Equipamentos RC – Prestação de Serviços em Locais de Terceiros RC – Familiar OUTROS RAMOS DO GRUPO DE RESPONSABILIDADE CIVIL RC – Profissional RC – Profissional de Corretores de Seguro RC – Administradores e Diretores (D&O) FIXANDO CONCEITOS 4 RISCOS AMBIENTAIS INTRODUÇÃO LEGISLAÇÃO Cobertura Adicional de Poluição Súbita Cobertura de Poluição Súbita em RC – Produtos RC – POLUIÇÃO AMBIENTAL Objeto do Seguro Riscos Excluídos Obrigações do Segurado Liquidação de Sinistros Renovação FIXANDO CONCEITOS 5 SINISTROS Noções de regulação e liquidação de sinistros Características Básicas do Regulador Documentação Pertinente à Regulação Providências na Regulação Utilização de Checklist Regras para Liquidação de Sinistros FIXANDO CONCEITOS 6 Estudos de Caso Anexos Anexo 1– Exemplo de Seguro de RC – Estabelecimentos Comerciais e/ou Industriais Anexo 2 – Referências Importantes Anexo 3 – Glossário da circular susep 437/12 Gabarito Referências Bibliográficas