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CASO CLÍNICO – HOSPITAL-LABORATÓRIO
BOX – AVALIAÇÃO DIGESTÓRIA II
CASO CLÍNICO. F.M.N, 51 anos, masculino, pescador, morador da zona rural da Cidade de São Felipe, Bahia, procurou unidade de saúde com queixa de aumento do volume abdominal, febre, icterícia (pele e mucosas), dores abdominais em quadrante superior direito, com relato de hematêmese. Refere uso diário de bebida alcoólica. Ao exame físico apresenta mucosas hipocrômicas +++/IV, icterícia generalizada ++++/IV, presença de ginecomastia, ausculta pulmonar com creptações bibasais, fígado palpável a 4cm do rebordo costal, presença de esplenomegalia, sinal de piparote +, presença de spiders em abdome, atrofia testicular, edema de MMII com formação de cacifo. Foram solicitados os seguintes exames para elucidação diagnostica: parasitológico de fezes, hemograma completo, coagulograma, prova de função hepática, exames sorológicos, como reações intradermicas e anti HBS, ultrasonografia de abdome total, endoscopia digestiva alta. Considerando o caso, como você conduziria a anamnese e o exame físico desse paciente?
Edema de MMII com formação de cacifo: Cacifo, sinal de cacifo ou sinal de Godet é um sinal clínico avaliado por meio da pressão digital sobre a pele, por pelo menos 5 segundos, a fim de se evidenciar edema. É considerado positivo se a depressão ("cacifo") formada não se desfizer imediatamente após a descompressão.
Sinal de piparote +: O Sinal de Piparote é um sinal médico indicativo de ascite. Piparote positivo ocorre quando fazemos uma percussão no abdome do paciente e notamos a propagação de uma onda do líquido ali acumulado. A percussão deve ser feita em região de flanco para observar a propagação da coluna de líquido para o lado oposto.
A dor no quadrante superior direito
O fígado e da vesícula biliar são os principais órgãos estão localizados no quadrante superior direito. Assim, doenças e distúrbios relacionados a elas pode causar dor na região.
Fígado: dor abdominal superior direito são os sintomas mais comuns e evidentes de possíveis distúrbios hepáticos relacionados, tais como cirrose hepática. Além disso, qualquer tipo de infecção no fígado, icterícia, e qualquer tipo de trauma ou lesão do fígado também podem levar a dor.
Hematêmese; Vômito com sangue
Mucosas hipocrômicas +++/IV : grave anemia
Icterícia generalizada ++++/IV: pele amarelada
Aumento do volume abdominal: O aparecimento de inchaço, ascite, icterícia, hemorragia e encefalopatia caracterizam uma doença hepática avançada.
Feminilização: por acúmulo de androstenediona, pode haver ginecomastia, atrofia testicular, eritema palmar e spiders (abaixo)
Ausculta pulmonar com creptações bibasais: Sepse grave septicemia é um tipo de infecção do sangue e infecções fúngicas que excede o sistema imunitário do corpo. Coágulos sanguíneos pequenos que formam o fluxo sanguíneo para os órgãos e danos em órgãos tais como os pulmões blocos.
Esplenomegalia A esplenomegalia normalmente é diagnosticada no exame físico, através de palpação ou percussão, ou através de ultra-sonografia (ecografia). Deve-se diferenciar a esplenomegalia da presença de baço acessório, uma variação anatômica que ocorre em 10 a 30% da população normal e não tem qualquer significado patológico.
fígado palpável a 4cm do rebordo costal: hepatomegalia a borda hepática costuma ser palpada a cerca de 1 a 2 cm do rebordo costal direito.
DEFINIÇÃO E ETIOLOGIA
A cirrose hepática pode ser definida anatomicamente como um processo difuso de fibrose e formação de nódulos, acompanhando-se freqüentemente de necrose hepatocelular. Apesar das causas variarem, todas resultam no mesmo processo.
As manifestações clínicas das hepatopatias (doenças do fígado) são diversas, variando de alterações laboratoriais isoladas e silentes até uma falência hepática dramática e rapidamente progressiva. Esse espectro amplo reflete em parte um grande número de processos fisiopatológicos que podem lesar o fígado, e em parte a grande capacidade de reserva do órgão.
Estima-se que aproximadamente 40% dos pacientes com cirrose são assintomáticos. Uma vez que os sintomas se manifestam, no entanto, o prognóstico é severo e os custos econômicos e humanos são altos. A cirrose contabiliza cerca de 26.000 mortes por ano nos E.U.A., e mais de 228.145 anos potenciais de vida perdidos. O paciente com cirrose alcoólica perde em média 12 anos de vida produtiva, muito mais que a cardiopatia (2 anos) e o câncer (4 anos). Esses dados só reforçam a necessidade de um diagnóstico precoce.
A cirrose pode ser suspeitada quando há achados clínicos ou laboratoriais sugerindo insuficiência hepatocítica. Esses podem ser sutis como fadiga ou hipoalbuminemia ou severos como hemorragia por varizes. De qualquer modo, a evidência de insuficiência hepatocítica requer atitude imediata pelos benefícios potenciais do tratamento e pelo prognóstico reservado da cirrose estabelecida. Conseqüentemente, a investigação etiológica deve proceder paralela ao tratamento, pois o diagnóstico não é encontrado em mais de 30% dos casos.
Fatores de Risco
· Sexo: Homens: acima de 55 anos estão mais sujeitos a cirrose, doenças biliares e neoplasias hepatobiliares. Mulheres são mais sujeitas a hepatite autoimune quando jovens e na meia-idade, ou cirrose biliar primária acima dos 40 anos (a última é 9 vezes mais freqüente em mulheres do que em homens).
· História familiar: A hemocromatose envolve mais homens que mulheres e é associada a diabetes, cardiopatia e pigmentação de pele. A deficiência de alfa-1 antitripsina é associada a doença pulmonar e aparecimento em pacientes mais jovens. A doença de Wilson é sugerida pela coincidência de anormalidades neurológicas e faixa etária mais jovem.
· Hábitos pessoais e exposições: dentre todos os fatores, o etilismo merece ênfase especial devido à sua prevalência. Em homens, estima-se que o consumo de 60-80 gramas de álcool por dia por 10 anos estabelece risco para o desenvolvimento de cirrose (em mulheres, 40-60 g).
· Antecedentes pessoais: episódios pregressos de hepatite, uso de drogas endovenosas, icterícia ou transfusões sangüíneas aumentam o risco de hepatites virais. Episódios prévios de pancreatite ou hepatite alcoólicas indicam consumo suficiente de álcool para desenvolver cirrose alcoólica. Colecistectomia e cirurgia biliar prévias representam maior risco para desenvolvimento de estenoses biliares e cirrose biliar secundária.
SINAIS E SINTOMAS
Inespecíficos:
· Fraqueza, adinamia, fadiga, anorexia
· Caquexia: por (1) anorexia, (2) má- absorção de nutrientes por diminuição do fluxo de bile e do edema intestinal, (3) redução do estoque hepático de vitaminas hidrossolúveis e micronutrientes, (4) redução do metabolismo hepático e muscular pelo aumento das citocinas e (5) balanço alterado de hormônios que mantém a homeostase metabólica (insulina, glucagon e hormônios tireoidianos).
· Equimoses e sangramentos espontâneos
· Feminilização: por acúmulo de androstenediona, pode haver ginecomastia, atrofia testicular, eritema palmar e spiders (abaixo) A redução do metabolismo hepático leva a uma alteração dos hormônios que mantêm a homeostase metabólica (insulina, glucagon e hormônios tireoideanos), dos hormônios sexuais (acúmulo de androstenediona, podendo ocorrer ginecomastia e atrofia testicular), e dos elementos da coagulação sanguínea.