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A Tecnologia como Área do 
Conhecimento Humano: conceito e 
evolução histórica
APRESENTAÇÃO
Vivemos na época em que a tecnologia tornou-se um elemento essencial. Ela está presente nos 
meios corporativos, educacionais, comerciais, além ter impactado fortemente as relações 
humanas. Atualmente, convivemos com o grande impacto desses recursos em nossas vidas, pois 
nos comunicamos por meio das redes sociais, trabalhamos em ambientes virtuais de 
aprendizagem e intranets, realizamos transações financeiras de forma eletrônica. De modo que a 
geração atual, não imagina a sua vida sem a influência da tecnologia. Tais reflexões nos levam a 
pensar sobre as origens desses recursos, verificando como eles evoluíram até chegar aos tempos 
dos computadores e da internet.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá os conceitos de tecnologia e verá como ela 
evoluiu através do tempo até se constituir como uma área do conhecimento humano. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer o conceito de tecnologia.•
Analisar a evolução histórica da tecnologia.•
Identificar a tecnologia como uma área do conhecimento humano.•
DESAFIO
A tecnologia se tornou um elemento chave para o desenvolvimento do homem nas mais diversas 
áreas do conhecimento. Percebemos esse domínio tecnológico ao entrar em uma farmácia, 
supermercado, clínicas e hospitais, entre outros. Usamos a tecnologia em casa, em nosso 
ambiente de trabalho, de estudos, em nosso lazer e esta se tornou parte do nosso dia a dia.
1
Notavelmente a forma como os alunos estudam hoje é diferente do que era no tempo que você 
tinha 10 anos de idade, as tecnologias utilizadas para auxiliar na aprendizagem, os métodos de 
ensino, a interação oferecida... diversos aspectos sofreram modificações. Agora, imagine que 
você está escolhendo uma escola para matricular o seu filho e tem tido a oportunidade de 
observar o trabalho que vem sendo desenvolvido com os alunos em sala de aula.
1. Descreva abaixo um comparativo sobre o que você está observando sobre o uso da tecnologia
na sala de aula atual e o que era usado na sua época de escola.
2. Exponha neste comparativo a sua opinião sobre vantagens e desvantagens que a tecnologia
trouxe para a educação.
INFOGRÁFICO
Veja no Infográfico uma síntese da evolução histórica do desenvolvimento da tecnologia no 
mundo!
CONTEÚDO DO LIVRO
A tecnologia é o conjunto dos instrumentos, métodos e técnicas que permitem o aproveitamento 
2
prático do conhecimento científico. Em resumo, é possível ver que a tecnologia pode ser 
relacionada ao uso de instrumentos, arte, sociedade e ideologia. Esse termo vai além do 
conhecimento de determinadas ferramentas, indo até a sua influência nas formas de pensar e agir 
em uma sociedade. Portanto, é possível perceber o quanto esse conceito é amplo, e se aplica a 
vários contextos, daí vem a importância de esclarecer a diferença existente entre os termos 
tecnologia e técnica.
O capítulo A tecnologia como área do conhecimento humano: conceito e evolução histórica, da 
obra "Educação e Tecnologias", base teórica desta Unidade de Aprendizagem, aborda os 
principais conceitos de tecnologia, além da evolução histórica desse conceito desde os tempos 
da pré-história!
Boa leitura!
3
A tecnologia como 
área do conhecimento 
humano: conceito e 
evolução histórica
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Conceituar tecnologia.
 Analisar a evolução histórica da tecnologia.
 Identificar a tecnologia como uma área do conhecimento humano.
Introdução
O conceito de tecnologia é amplo e se aplica a diversas áreas, podendo 
estar relacionado com a arte, a sociedade, o uso de instrumentos, entre 
tantos outros contextos, desde os pré-históricos até os mais modernos. 
Para os arqueólogos, a tecnologia diz respeito à evolução das ferramentas 
utilizadas pelo homem ao longo da história, bem como à evolução das 
ferramentas que permitem estudar os elementos históricos de forma 
cada vez mais eficiente e eficaz. Para os biólogos, a tecnologia é aquilo 
que facilita o estudo das células e da evolução da vida no planeta Terra 
e fora dele. Já para as pessoas que trabalham com computadores e que 
acompanham as novidades nesse meio, a tecnologia tem relação com o 
desenvolvimento de sistemas e aparelhos que trocam informações entre 
si, de forma cada vez mais rápida, com um alcance crescente de pessoas 
e empregando técnicas cada vez mais avançadas. 
4
Neste capítulo, você vai verificar que a tecnologia sempre existiu e faz 
parte da história do ser humano na Terra. Você vai estudar o conceito de 
tecnologia, analisar a sua evolução histórica e identificar os pontos que 
fazem da tecnologia uma área do conhecimento humano.
Conceito de tecnologia
Quando se aborda o tema da tecnologia, é comum as pessoas pensarem nos 
avanços tecnológicos, como computadores cada vez mais potentes, robôs que 
imitam os seres humanos e carros autônomos utilizados para o deslocamento 
no trânsito. Porém, o conceito de tecnologia é muito mais amplo do que o 
utilizado nos sistemas computacionais, por exemplo.
Segundo Karasinski (2013), a palavra tecnologia tem sua origem do grego 
techne, que significa técnica, e logia, que significa estudo de algo ou discussão. 
De acordo com o dicionário on-line Michaelis, a tecnologia trata do conjunto 
de processos, métodos, técnicas e ferramentas relacionados à arte, à indústria, 
à educação, entre outras, bem como do conhecimento técnico e científico e 
suas aplicações em uma área em particular (TECNOLOGIA, 2019).
Dessa forma, é possível concluir que tecnologia é o uso de técnicas e de co-
nhecimento adquirido ao longo do tempo para facilitar ou aperfeiçoar os estudos 
e trabalhos com artes, a resolução de problemas ou a execução de atividades 
específicas. Ela pode ser aplicada em diversas tarefas e atividades, até mesmo 
naquelas em que as pessoas não percebem a tecnologia, como as técnicas desen-
volvidas na Pré-História para garantir a sobrevivência dos seres humanos na Terra.
Evolução histórica da tecnologia
A utilização da tecnologia é observada na humanidade desde os primórdios, 
quando as civilizações antigas dominaram o fogo e produziram suas próprias 
ferramentas com pedras e materiais rústicos, antes mesmo de dominarem a 
escrita, buscando sobreviver, melhorar a qualidade de vida e, posteriormente, 
realizar estudos e experimentos. Segundo Pinsky (2011), lascar pedras batendo 
umas nas outras foi uma das primeiras técnicas desenvolvidas pelos humanos, 
com o objetivo de afi á-las para caçar e manusear os alimentos. Nesse contexto, 
eram desenvolvidas pontas de lanças, como os exemplos da Figura 1.
A tecnologia como área do conhecimento humano: conceito e evolução histórica
5
Figura 1. Pedras lascadas na forma de pontas de lanças.
Fonte: Rodrigues ([20--], documento on-line).
A técnica de lascar pedras começou a ser usada no período Paleolítico. Era 
uma técnica demorada e trabalhosa e foi a responsável pela descoberta do fogo, 
que é considerado uma das tecnologias mais importantes da humanidade. Com 
o fogo, era possível aquecer o grupo e cozinhar alimentos, proporcionando
maior sobrevivência e aumento demográfico, além de possibilitar a fundição
de metais.
O fim do período Paleolítico e o início do período Neolítico são marcados 
pela Revolução Neolítica, quando os grupos começaram a se fixar em um único 
local, por conta do domínio da terra e da agricultura, e passaram a utilizar 
a metalurgia para o desenvolvimento de ligas metálicas fundidas com cobre 
e estanho, para produzir utensílios e ferramentas. Com o domínio dessas 
técnicas, reduziram-se os riscos relacionados à caça, à busca por alimento e 
à migração de um lugar para o outro. 
Revoluções industriais
A Primeira Revolução Industrial se caracteriza pelas mudanças na forma 
de interação da sociedade com a natureza e pela criação de novasformas de 
produção. De acordo com Branco ([20--]), ela começou na Inglaterra, em 
meados do século XVIII, tendo a máquina a vapor e sua aplicação na indústria 
têxtil como uma das suas principais invenções. Esse maquinário causou grande 
impacto na economia e na sociedade.
Como consequência dessa revolução, as cidades cresceram rapidamente, 
novas profissões começaram a surgir e os campos passaram a utilizar pro-
cessos mecanizados para melhorar e acelerar a produção. Houve a criação 
das primeiras ferrovias, para deslocar pessoas e produtos de um local para o 
A tecnologia como área do conhecimento humano: conceito e evolução histórica
6
outro de forma mais eficiente. Nesse período, houve crescimento na utilização 
da agricultura e na extração mineral, o que causou a exploração de muitos 
povos, como os africanos.
Na Segunda Revolução Industrial, destacou-se o avanço tecnológico, 
com o surgimento de novas indústrias e o aumento da capacidade produtiva 
delas — ou seja, novos níveis de industrialização foram atingidos. O ferro, a 
energia a vapor e o carvão deram lugar ao aço, ao petróleo e à eletricidade, 
que geraram a possibilidade de automatização do trabalho, como é possível 
observar na Figura 2. Surgiram indústrias elétricas e químicas, e as tecnologias 
das indústrias siderúrgicas evoluíram.
Figura 2. Automatização dos processos industriais para aumentar a produção industrial.
Fonte: Souza ([20--], documento on-line)
Com o final da Segunda Guerra Mundial, surgiu a Terceira Revolução 
Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-Científica, que 
teve como característica principal o surgimento da eletrônica como o centro 
da modernização industrial. Houve a criação dos primeiros computadores, 
produtos eletrônicos, satélites e robôs, além da criação de produtos de alto 
valor agregado, como consequência de investimentos de anos em pesquisas, 
estudos e testes. Assim, o valor do produto passou a ir além do valor da 
matéria-prima.
A tecnologia como área do conhecimento humano: conceito e evolução histórica
7
Indústria 4.0
De acordo com Ortega (2019), o conceito da Quarta Revolução Industrial, 
também conhecida como Indústria 4.0, foi desenvolvido pelo diretor e fun-
dador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab. Schwab defende que 
a industrialização mais recente tem como resultado a mudança na forma de 
viver, trabalhar e se relacionar (ORTEGA, 2019). Isso se deve à mudança de 
paradigma ocasionada pelos avanços nas indústrias, que tendem a ser total-
mente automatizadas, combinando robôs com sistemas e processos digitais.
Como é possível observar na Figura 3, essa fase é marcada pelos sistemas 
cibernéticos, pela internet das coisas, pela inteligência artificial, além de nano-
tecnologias e robôs. Existe a possibilidade de milhões de vagas de empregos nos 
países mais industrializados do mundo serem extintas. A consequência disso 
são os empregos do futuro, que dizem respeito a vagas que ainda não existem.
Figura 3. As quatro revoluções industriais.
Fonte: Perin (2013, documento on-line).
Assim, a tecnologia é utilizada como ferramenta para auxiliar o ser humano 
a lidar com o presente e, também, preparar-se para o futuro. Atualmente, 
dados são produzidos de forma exponencial; a maior parte dos dados do 
A tecnologia como área do conhecimento humano: conceito e evolução histórica
8
mundo foi criada nos últimos anos e funciona como uma forma de alimento 
para a inteligência artificial. Quanto maior a quantidade de dados, maior a 
precisão das predições.
Tecnologia como área do conhecimento humano
De acordo com a Portaria nº. 9 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pes-
soal de Nível Superior, de 23 de janeiro de 2008, foi criada a Grande Área 
Multidisciplinar, que possui a subárea Interdisciplinar, entre outras, e que, por 
sua vez, possui a subárea Engenharia, Tecnologia e Gestão, além das subáreas 
agrárias, de meio ambiente, de saúde e biológicas (CAPES, 2008). Ou seja, 
a tecnologia é considerada uma área interdisciplinar, isto é, possui aspectos 
comuns a duas ou mais disciplinas ou áreas de conhecimento. 
Assim, é possível concluir que, independentemente da área de conheci-
mento, é possível utilizar a tecnologia para alcançar melhores resultados e 
obter os avanços desejados, causando alto impacto no processo da educação. 
Com os avanços tecnológicos causados pela Indústria 4.0, surgiu também o 
termo Educação 4.0. Este, segundo Caron (2017), gera a reflexão sobre as 
necessidades educacionais das novas gerações, em tempos em que a informação 
e o conteúdo são fartos, abundantes e se somam para dinamizar os processos 
nos mais diversos segmentos da indústria.
Assista ao vídeo disponível no link a seguir e obtenha mais informações sobre a 
Educação 4.0 — por exemplo, o que esperar dela e como seus aspectos mudam a 
forma de ensinar e de aprender.
https://qrgo.page.link/To6CB
Como pode ser observado na Figura 4, no novo modelo de educação, os 
estudantes utilizam a sala de aula para praticar os conceitos estudados antes de 
ir para a sala, de forma independente, bem como para tirar dúvidas, caso elas 
surjam ao longo do processo. Após as aulas, os estudantes precisam revisar 
o conteúdo e expandir seus aprendizados.
A tecnologia como área do conhecimento humano: conceito e evolução histórica
9
Figura 4. Sala de aula invertida.
Fonte: Aula... ([201-], documento on-line).
Dessa forma, as atividades de sala precisam do apoio da tecnologia para 
atrair a atenção dos estudantes. Além disso, as atividades independentes 
precisam do apoio da tecnologia, para que o processo de aprendizagem seja 
mais efetivo.
AULA invertida. EdTech, [201-]. Disponível em: https://sites.google.com/a/ctmsenai.
com.br/googleeducator/recursos/aula-invertida. Acesso em: 26 ago. 2019.
BRANCO, A. L. Revoluções industriais: primeira, segunda e terceira revoluções. UOL Educa-
ção, [20--]. Disponível em: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/revolucoes-
-industriais-primeira-segunda-e-terceira-revolucoes.htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
CAPES. Portaria no. 9, de 23 de janeiro de 2008. Diário Oficial da União, 25 jan. 2008. 
Disponível em: https://www.capes.gov.br/images/stories/download/legislacao/Por-
taria_009.pdf. Acesso em: 26 ago. 2019.
CARON, A. A educação 4.0 já é realidade! Positivo Tecnologia Educacional, 2017. Dispo-
nível em: https://www.positivoteceduc.com.br/educacao-4-0/a-educacao-40-ja-e-
-realidade/. Acesso em: 26 ago. 2019.
A tecnologia como área do conhecimento humano: conceito e evolução histórica
10
KARASINSKI, L. O que é tecnologia? Tecmundo, 2013. Disponível em: https://www.tec-
mundo.com.br/tecnologia/42523-o-que-e-tecnologia-.htm. Acesso em: 26 ago. 2019.
ORTEGA, J. Indústria 4.0: entenda o que é a quarta revolução industrial. StartSe, 2019. 
Disponível em: https://www.startse.com/noticia/nova-economia/60414/industria-4-
-0-entenda-o-que-e-quarta-revolucao-industrial. Acesso em: 26 ago. 2019.
PERIN, C. Indústria 4.0: qual o grau de maturidade digital da sua empresa? Blog Cláudio 
Perin, 2013. Disponível em: https://claudioperin.com.br/industria-4-0-qual-o-grau-de-
-maturidade-digital-da-sua-empresa/. Acesso em: 26 ago. 2019.
PINSKY, J. As primeiras civilizações. São Paulo: Editora Contexto, 2011.
RODRIGUES, P. E. Idade da Pedra. InfoEscola, [20--]. Disponível em: https://www.info-
escola.com/pre-historia/idade-da-pedra. Acesso em: 26 ago. 2019.
SOUSA, R. Segunda revolução industrial. Brasil Escola, [20--]. Disponível em: https://
brasilescola.uol.com.br/historiag/segunda-revolucao-industrial.htm. Acesso em: 26 
ago. 2019.
TECNOLOGIA. In: DICIONÁRIO Michaelis On-line. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2019. 
Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-
-brasileiro/tecnologia/. Acesso em: 26 ago. 2019.
Leituras recomendadas
ABRANTES, B. Terceira revolução industrial: tudo sobre a chamada revolução infor-
macional! Stoodi, 2018. Disponível em: https://www.stoodi.com.br/blog/2018/08/14/
terceira-revolucao-industrial/.Acesso em: 26 ago. 2019.
CAPES. Tabela de áreas de conhecimento. 2009. Disponível em: http://www.ufrb.edu.
br/pibic/images/repositorio/pdfs/areas_de_conhecimento_capes.pdf. Acesso em: 
26 ago. 2019.
O QUE é quarta revolução industrial? SalesForce Blog, 2018. Disponível em: https://
www.salesforce.com/br/blog/2018/Janeiro/O-que-e-Quarta-Revolucao-Industrial.
html. Acesso em: 26 ago. 2019.
A tecnologia como área do conhecimento humano: conceito e evolução histórica
11
DICA DO PROFESSOR
A tecnologia tem grande influência na vida da sociedade, atuando em diversas áreas presentes 
no seu cotidiano. A Dica do Professor desta Unidade de Aprendizagem abordará uma área 
específica, em que essa evolução trouxe bastante mudança e, hoje, também é aproveitada pelo 
setor de educação.
Acompanhe!
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
EXERCÍCIOS
1) Segundo Karasinski (2013), a palavra tecnologia tem sua origem do grego techne, que
significa técnica, e logia, que significa estudo de algo ou discussão. É possível
encontrar diferentes definições, mas que conduzem à mesma ideia, ou seja, trata-se
de do conjunto de processos, métodos, técnicas e ferramentas relacionados às mais
diversas áreas do conhecimento humano.
Nessa perspectiva podemos reconhecer que o termo não é simples e objetivo, mas
abrangente, tanto em possibilidades quanto nas formas de ser entendido. Diante
disso, assinale a alternativa correta:
A) É fundamental associarmos a técnica ao estudo desta, se quisermos compreender a
tecnologia como um processo que se desenvolve cada vez mais nas universidades.
B) Somente depois da primeira revolução industrial que, realmente, podemos dizer que houve
o surgimento da tecnologia, pois antes, não havia a máquina realizando o trabalho humano.
C) A tecnologia pode ser identificada desde os primeiros instrumentos pré-históricos quando
os primitivos criaram as primeiras ferramentas para facilitar o seu trabalho.
A automação é a principal característica da técnica associada aos estudos sobre esta, pois éD)
12
no momento em que há autonomia homem-máquina que a ciência reconhece o termo 
tecnologia.
E) O termo é complexo e apoia-se em vertentes ideológicas diversas, dessa forma, ao falar em
tecnologia é fundamental a compreensão de qual é a técnica e sua finalidade social.
2) A tecnologia pode ser descrita como o recurso utilizado pelo homem para facilitar seu
trabalho, representa diferentes formas de apropriação da natureza em benefício da
vida humana. Se observar a evolução tecnológica a partir da 1ª Revolução Industrial
pode-se notar:
I – A cada cem anos, aproximadamente, ocorreu uma nova revolução tecnológica até
o surgimento da automação, robótica, internet, entre outros.
II – O desenvolvimento tecnológico tende a crescer nos próximos cem anos, tanto 
quanto vem crescendo desde a Indústria 1.0.
III – A chamada indústria 4.0 evidencia um crescimento exponencial do parque 
tecnológico.
IV – Uma das maiores mudanças trazidas pela indústria 4.0 foi a capacidade de 
predição cada vez mais precisa em função do aumento do número de informações.
Após analisar as assertivas acima, assinale a alternativa correta:
A) I, II e IV.
B) II, III e IV.
C) I, III e IV.
D) III e IV.
E) I, II, III e IV.
13
3) A tecnologia, como resultado de grandes transformações é, em si, um dos maiores
exemplos da quebra de paradigmas. Segundo o dicionário Aurelio (2008) paradigma
é um padrão, modelo. Assim, ao quebrar paradigmas, podemos dizer que os modelos
ou padrões foram modificados, transformados. Dessa forma, para melhor
compreendermos as transformações, relacione o evento ao paradigma que foi
alterado:
I – 1ª Revolução Industrial
II – 2ª Revolução Industrial
III – 3ª Revolução Industrial
IV – 4ª Revolução Industrial
( ) Seu desenvolvimento foi causado pelo surgimento de novas fontes de energia, como
o petróleo e a eletricidade, o paradigma da produção modificou-se e o processo
ganhou velocidade.
( ) o paradigma vencido foram as barreiras espaciais, essa revolução modificou o 
modo de comunicação e transferência de informações e, pelos elevados investimentos 
o produto passou a ser mais valorizado que sua matéria de origem.
( ) O crescimento urbano e a mudança no modo de produção foram apenas algumas 
das mudanças, principalmente porque o paradigma vigente era artesanal e havia 
pouco movimento populacional ou de produtos.
( ) Dentre os paradigmas quebrados podemos citar o modo de trabalho, muitos 
profissionais ainda não podem prever sua profissão, porque esta ainda não foi criada, 
mas o esforço de muitas tarefas foi substituído por um simples comando de voz.
A relação correta aparece na alternativa:
A) I, III, IV e II.
B) II, III, IV e I.
C) I, IV, III e II.
14
D) IV, III, II e I.
E) II, III, I e IV.
4) Como um conhecimento amplo e multidisciplinar, a tecnologia pode ser considerada
em diferentes áreas e subáreas, inclusive na Educação. A indústria 4.0 e a Educação
4.0 pertencem a esse momento.
Sobre a Educação 4.0, é correto o que se afirma em:
A) Com o desenvolvimento da indústria 4.0 foram modificados os materiais com que as
escolas realizam suas atividades de ensino, ou seja, cadernos estão sendo substituídos por
tablets e as carteiras passa a ser feitas com material antialérgico.
B) A interdisciplinaridade é o ponto forte na Educação 4.0, pois por meio da tecnologia todas
as disciplinas estão conectadas e os temas discutidos ficam mais claros aos alunos que
podem estudar a partir de materiais mais abstratos e voláteis.
C) O grande paradigma está na velocidade com que as informações circulam e se modificam,
dessa forma, a Educação 4.0 tem como prioridade orientar os alunos quanto ao
armazenamento de informações em nuvens e utilização de recursos tecnológicos.
D) A Educação 4.0, seguindo as mudanças sociais e no mundo do trabalho passa a oferecer
aos alunos novas práticas de ensino, pois informar já não é necessário tendo em vista os
meios de comunicação existentes, assim, as metodologias são alteradas.
E) A automação e os processos de inteligência artificial chegam às escolas e,aos poucos os
professores são substituídos por robôs, os livros por imagens holográficas ou máquinas
inteligentes, por isso a educação está se modificando rapidamente.
I - A revolução científica representou uma transformação nos modos de produção 
com apoio de satélites e robôs, além de agregar maior valor aos produtos 
industrializados.
5)
15
PORQUE
II – O surgimento da eletrônica possibilitou mais pesquisas e estudos sobre materiais, 
modernizando a indústria.
Assinale a alternativa correta:
A) As assertivas I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa correta da I.
B) A assertiva I é uma proposição verdadeira e a assertiva II é uma proposição falsa.
C) As assertivas I e II são proposições verdadeiras e a II não é uma justificativa correta da I.
D) A assertiva I é uma proposição falsa e a assertiva II é uma proposição verdadeira.
E) As assertivas I e II são proposições falsas.
NA PRÁTICA
Cinco recursos tecnológicos impactaram profundamente a vida do homem e mudaram o mundo! 
Veja como estes recursos influenciaram estas mudanças!
16
17
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
A evolução cognitiva e as revoluções tecnológicas
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Mapa do conhecimento humano
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Uso da tecnologia em sala de aula desperta interesse
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
18
Liberdade de expressão, privacidade e 
direitos humanos 
APRESENTAÇÃO
A liberdade de expressão, o direito à privacidade e o respeito aos direitos humanos são 
elementos centrais à prática do jornalismo. Como estabelece o próprio Código de Ética do 
Jornalismo, o direito à informação é fundamental ao cidadão. E, como tal, os jornalistas não 
podemadmitir que ele seja impedido, razão pela qual a informação deve ser correta, pautada em 
fatos e com responsabilidade social.
No entanto, isso não equivale a dizer que, sob a bandeira da informação, tudo é permitido e que 
e toda e qualquer informação pode e deve ser divulgada, pois os mesmos princípios reconhecem 
que todo indivíduo tem direito a ter sua intimidade e vida privada respeitadas. A polêmica 
principal versa sobre os limites necessários e/ou desejáveis para tal e tem profundo impacto na 
forma como os jornalistas atuam.
Nesta unidade de Aprendizagem, você vai se aprofundar nestes importantes conceitos: liberdade 
de expressão, privacidade e direitos humanos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Definir liberdade de expressão.•
Relacionar liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos.•
Analisar os limites da liberdade de expressão e da privacidade.•
DESAFIO
A liberdade de expressão é tida por juristas e filósofos como um dos princípios basilares de 
qualquer democracia, sintetizada de forma brilhante na frase da escritora Evelyn Hall (1906): 
"Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o último instante o teu direito 
de dizê-la". 
19
A tênue linha que divide a liberdade de expressão e informação e o direito à privacidade é 
constantemente testada na prática jornalística, em especial na sessão de "colunismo social". 
Embora sejam consideradas por alguns autores como um "jornalismo menor", publicações de 
coberturas acerca da vida de personalidades notórias e famosas fazem parte da realidade 
jornalística há mais de um século, ficando famosa a palavra paparazzo, cunhada para designar 
repórteres fotográficos que cobrem a vida dos famosos. 
A própria Constituição brasileira já determina que a intimidade, a vida privada, a honra e a 
imagem das pessoas são invioláveis (inciso X do artigo 5.º), afirmando categoricamente que a 
casa é o asilo inviolável do indivíduo, sendo que ninguém pode penetrá-la sem o consentimento 
do morador (inciso XI do mesmo artigo). 
O desafio a seguir irá colocá-lo no papel de editor-chefe da versão digital de um grande 
jornal que deverá tomar uma decisão ética acerca de uma publicação. Observe:
20
21
INFOGRÁFICO
A Lei dos Direitos Humanos obriga os governos a fazerem algumas coisas e os impede de 
fazerem outras. Os indivíduos também têm responsabilidades: usufruindo dos seus direitos 
humanos, devem respeitar os direitos dos outros. Nenhum governo, grupo ou indivíduo tem o 
direito de fazer qualquer coisa que viole os direitos de outra pessoa.
A Organização das Nações Unidas (ONU) é um dos maiores divulgadores e defensores dos 
direitos humanos, principalmente por conta do seu Fundo das Nações Unidas para a Infância 
(Unicef), órgão das Nações Unidas que tem como objetivo promover a defesa dos direitos das 
crianças.
Neste Infográfico, você verá os principais direitos humanos baseados no documento Uma 
introdução à abordagem baseada em direitos humanos, UNICEF Finlândia 2015. Confira. 
22
23
CONTEÚDO DO LIVRO
Por que o princípio da liberdade de expressão é considerado tão importante que sua proteção 
teve de ser destacada nas Constituições de diversos países? Onde termina a livre expressão e 
começa a calúnia, a injúria e a difamação? Os direitos humanos têm sido respeitados?
Embora a discussão acerca desses temas já se estenda por décadas, nos últimos 20 anos ela se 
tornou ainda mais premente por conta das redes sociais e da Internet e da imensa amplitude e 
alcance que elas conferiram a todos seus integrantes. No cerne dessa discussão, está o jornalista 
e sua prática profissional, não só no tocante aos direitos e aos limites, mas principalmente aos 
ataques que vem sofrendo. 
Reflita mais sobre o assunto. Ele será parte fundamental de sua vida profissional, e, neste exato 
momento, ocorrem em todo mundo ações, manifestações e determinações que terão impacto 
positivo ou negativo na forma como você irá exercer sua profissão. 
No capítulo Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos, da obra Legislação 
aplicada à Comunicação Social — ênfase em Jornalismo, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, você verá como a liberdade de expressão implica muito mais do que 
simplesmente falar o que se pensa. Você também entenderá essas implicações para um 
profissional da comunicação, assimilando as relações entre liberdade de expressão, privacidade 
e direitos humanos.
Boa leitura.
24
Liberdade de 
expressão, privacidade 
e direitos humanos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Definir liberdade de expressão.
 Relacionar liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos.
 Analisar os limites da liberdade de expressão e da privacidade.
Introdução
É bem provável que, em nenhum outro momento na história da huma-
nidade, o debate acerca da liberdade de expressão, privacidade e direitos 
humanos tenha se tornado assunto tão controverso. Sabemos que a 
internet trouxe inúmeros benefícios para a humanidade. A comunicação 
atravessou fronteiras geográficas, permitindo a divulgação de informações 
em tempo real, facilitou a comunicação entre pessoas, contribuindo para 
estreitar laços, e beneficiou as relações comerciais. Por outro lado, para 
muitos estudiosos, o advento da rede trouxe consigo alguns malefícios, 
como o distanciamento das relações, porque as pessoas se falam muito 
mais por redes sociais ou aplicativos de conversas do que por ligações, 
por exemplo. 
No entanto, de maneira pragmática, podemos entender que a internet 
não trouxe malefícios. O que acontece é que muitas pessoas não sabem 
usar a tecnologia de forma responsável. Com isso, tornou-se habitual 
dizer que a internet é “terra sem sei”, o que não procede, afinal, o Marco 
Civil da Internet foi proposto justamente para dirimir tal argumento. 
Um dos principais direitos do cidadão, os direitos humanos, mantém-se 
preservado, o que inclui, entre outros, a liberdade de opinião e expressão, 
pilares essenciais à democracia, bem como o direito à privacidade.
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Neste capítulo, você vai estudar a liberdade de expressão, conside-
rando que ela significa muito mais do que simplesmente falar o que 
pensa. Também vai ler sobre a extensão da nossa liberdade de expressão 
enquanto profissionais da comunicação. Além disso, você vai conhecer 
a relação entre liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos. 
Por fim, com base em exemplos reais que repercutiram na mídia, vai 
conferir os limites que devem nortear o direito à liberdade de expressão 
e à privacidade.
1 Conceito de liberdade de expressão
A liberdade de expressão é um direito garantido na Constituição Federal de 
1988, fi xado no art. 5º, parágrafo IV, que diz que “[…] é livre a manifestação 
do pensamento, sendo vedado o anonimato” e no parágrafo IX, que afi rma 
que “[…] é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científi ca e de 
comunicação, independente de licença ou censura” (BRASIL, 1988, documento 
on-line). Além disso, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), 
proclamada em 10 de dezembro de 1948, na Assembleia Geral das Nações 
Unidas em Paris, considera esse direito um elemento essencial à democracia: 
Art. 19 – Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, 
este direito implica a liberdade de manter as suas próprias opiniões sem inter-
ferência e de procurar, receber e difundir informações e ideias por qualquer 
meio de expressão independentemente das fronteiras (NAÇÕES UNIDAS, 
2009, documento on-line).
A liberdade de expressão é uma cláusula pétrea da Constituição Federal, ou 
seja, é inviolável, não pode ser modificada nem mesmo por decreto ou emenda 
constitucional. O Marco Civil da Internet foi fundamentado nesse direito.
Se analisarmos a definição de cada uma das palavras, liberdade significa 
“ser livre”, e expressão,“expressar por palavras”. O próprio termo, portanto, 
corresponde ao fato de ser livre para falar, expressar-se. Por isso, assegura-
dos pela lei, todos temos direito a manifestar nossas opiniões sem medo de 
represálias. Na mesma proporção, temos o direito de receber informação por 
diferentes meios, de forma independente e sem censura, conforme consta no 
art. 1° da Lei nº. 5.250, de 9 de fevereiro de 1967, chamada de Lei de Im-
prensa: “É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento 
e a difusão de informações ou ideias, por qualquer meio, e sem dependência 
Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos
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de censura […]” (NEVES, 2000, p. 111). Isso significa, em partes, que temos 
o direito de manifestar nossa opinião pessoal ou de um grupo. No entanto, o
fato de uma pessoa ter o direito a falar o que quiser, por exemplo, em sua rede
social, não quer dizer que ela pode ofender ou xingar a imagem de outra, nem
fazer acusações sem comprovação. A célebre frase de Augusto Branco define
bem esse contexto: “As pessoas gostam do ideal de liberdade de expressão
até o momento em que começam a ouvir aquilo que elas não gostariam que
dissessem a respeito delas” (IMAGINIE, 2019, documento on-line).
Certamente, a máxima da comunicação nos últimos tempos tem sido “O 
seu direito termina quando começa o meu” ou “O meu direito termina quando 
começa o do outro”. A própria Constituição estabelece limites legítimos para 
a liberdade de expressão do indivíduo, conforme consta no art. 5º (BRASIL, 
1988, documento on-line):
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; 
V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da 
indenização por dano material, moral ou à imagem; 
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das 
pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral 
decorrente de sua violação.
A discussão sobre liberdade de expressão é ampla e muito complexa, 
pois, constantemente, há situações em que a pessoa se sente censurada ao 
expressar um pensamento sobre algo ou alguém. Porém, o que é preciso 
levar em consideração é que existem direitos constitucionais importantes 
que resguardam o indivíduo e que são instrumentos de proteção do direito 
penal, por meio dos crimes de injúria, calúnia e difamação, conhecidos como 
crimes contra a honra.
Como profissionais da comunicação, o que precisamos ter em mente é que, 
sempre que a liberdade de expressão acontecer em excesso, de forma a ofender 
ou atacar outra pessoa sem provas e com o intuito de depreciar ou caluniar, a 
lei permite a responsabilização do autor do ato infrator, o que não configura 
censura. Quando isso acontece, é comum vermos manifestações contra o 
“politicamente correto”, mas, legalmente falando, trata-se do resguardo de 
direitos tão indispensáveis quanto o da liberdade de expressão. Trata-se de 
uma medida de ponderação do próprio direito, em que nenhuma norma ou 
princípio são absolutos.
Como formadores de opinião, os jornalistas precisam considerar que ne-
nhuma pessoa é condenada, civil ou criminalmente, por emitir opinião sobre um 
assunto, ou por fazer humor, ou expor sua visão de mundo. Ela será condenada 
Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos
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pelo abuso do seu direito sempre que este ferir os direitos fundamentais de 
outra pessoa que merece igual proteção. Portanto, injúria, calúnia e difamação 
são crimes que não devem, de forma alguma, ser confundidos com o direito 
de liberdade de expressão e manifestação do pensamento.
Para saber mais sobre a liberdade do jornalista de manifestar livremente aquilo que o 
incomoda enquanto profissional da comunicação e cidadão, assista ao filme O custo 
da coragem, de 2003, dirigido por Joel Schumacher.
2 Liberdade de expressão, privacidade e 
direitos humanos
A relação estabelecida entre os princípios de liberdade de expressão, pri-
vacidade e direitos humanos é justamente o direito que cada cidadão tem 
para se expressar e manifestar sua opinião acerca de qualquer assunto sem a 
intervenção do Estado. 
A DUDH, por meio da Resolução 217 A (III), garante — entre muitos 
outros direitos, como o direito à vida e à liberdade — o direito ao trabalho e 
à educação, o direito à liberdade de opinião e o direito à expressão, conforme 
consta em seu art. 19: “Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e 
expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões 
e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios 
e independentemente de fronteiras” (NAÇÕES UNIDAS, 2009, documento 
on-line). Portanto, os direitos humanos são diretrizes que reconhecem e res-
guardam a dignidade de todos os povos e regem o modo como a sociedade se 
relaciona entre si. Segundo Lebre (2018, p. 2):
Os direitos humanos, constituindo parte integrante da essência do Homem, e 
fundamentalmente, enquanto ser social e gregário, tomam um papel determi-
nante na manutenção na harmonia e salvaguarda da liberdade, paz e justiça 
entre os indivíduos, de forma que estes se sintam protegidos de abusos como 
a discriminação, a intolerância, a injustiça, a opressão e a escravidão que 
podem surgir nesta convivência bem como sentirem vontade e liberdade em 
se assumirem com a dignidade daquilo que são — seres humanos. 
Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos
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Os direitos humanos, então, não são simplesmente transferidos por outros 
indivíduos; são, na verdade, características inerentes à condição de ser humano 
e, por essa razão, não podem ser cassadas por outrem.
Um dos campos em que o embate entre a liberdade de expressão e a cen-
sura é mais explícito é o das artes. Observe as Figuras 1 e 2. Apesar estarem 
separadas por quase 100 anos, ambas foram consideradas “degeneradas” e 
alvo de reprimenda e censura.
Figura 1. Imagem censurada — Ecce Homo, de Lovis Corinth (1925).
Fonte: Corinth (2020, documento on-line).
Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos
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A Figura 1 apresenta a pintura Ecce Homo, criada pelo pintor expressionista 
Lovis Corinth, em 1925. Corinth, juntamente com dezenas de artistas, foi 
classificado como “degenerado” pelo Partido Nazista alemão. Todas as obras 
de arte e movimentos culturais que não estavam de acordo com a concepção de 
arte e o ideal de beleza dos nacional-socialistas receberam essa classificação.
Figura 2. Imagem censurada — Cruzando Jesus Cristo com Deusa Schiva de Fernando 
Baril (1996).
Fonte: Baril (1996, documento on-line).
A Figura 2 apresenta a obra Cruzando Jesus Cristo com Deusa Schiva, 
de Fernando Baril, de 1996. A obra fez parte da exposição Queermuseu, 
realizada em 2017, e foi alvo de muita polêmica. Segundo os críticos, a obra é 
Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos
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um “desrespeito a figura religiosa” e poderia ser tipificada como crime penal 
por “[…] vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”, de acordo 
com art. 208 do Código Penal (BRASIL, 1940, documento on-line). 
Cientes de que a comunicação é essencial para as relações humanas, a 
liberdade de expressão é fundamental para o direito ao livre pensamento 
e expressão do indivíduo. Conforme destacado no início deste capítulo, a 
Constituição Federal brasileira, em seu art. 5º (BRASIL, 1988), garante a 
liberdade de pensamento e expressão. Por sua vez, o conceito de liberdade de 
expressão é extremamente amplo e tem diferentes implicações, que envolvem, 
desde uma pessoa expor sua opinião até um estadista expor sua ideologia, um 
jornalista, sua apuração, um artista, sua arte, etc. Da mesma forma, além de 
garantir a expressão, o direito também corresponde ao livre acesso à infor-
mação, partindo de diferentes fontes de informação, independente de licença 
ou censura. Conforme Cabral (2010, documento on-line):
É direito de qualquer um manifestar, livremente, opiniões, ideias e pensamen-
tos pessoais sem medo de retaliação ou censura por partedo governo ou de 
outros membros da sociedade. É um conceito fundamental nas democracias 
modernas nas quais a censura não tem respaldo moral.
Liberdade de pensamento e liberdade de expressão são os dois princípios 
que norteiam as democracias representativas, que se conciliam com outros 
direitos, por exemplo, direito à informação, direito à privacidade, etc. Não 
diferente do que vimos até aqui, o direito à privacidade também é resguardado 
por leis. Conforme já mencionado, no art. 5º da Constituição Federal, são 
“[…] direitos invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem 
das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral 
decorrente de sua violação” (BRASIL, 1988, documento on-line). Tal direito 
também é resguardo no art. 12, da Lei nº. 10.406, de 10 de janeiro de 2002, do 
Código Civil: “A vida privada da pessoa natural é inviolável e o juiz, a reque-
rimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou 
fazer cessar ato contrário a esta norma” (BRASIL, 2002, documento on-line).
Há uma estreita relação entre os três direitos citados aqui. O direito à liber-
dade de expressão, os direitos humanos e o direito à privacidade se relacionam 
paralelamente e com uma única finalidade: resguardar o cidadão. Para Alves 
(2003, p. 287), a privacidade é um direito pessoal e:
É, portanto, a exclusão do conhecimento alheio em relação àquilo que só diz 
respeito à própria pessoa, especificamente, quanto ao seu modo de ser. É o 
Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos
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direito de resguardar-se a pessoa da ingerência alheia na sua vida privada. 
É o direito que a pessoa possui de resguardar-se dos sentidos alheios, prin-
cipalmente da vista e ouvidos dos outros. Em suma, é o direito de estar só.
Esses direitos têm suportes regulamentários garantidos em um mesmo 
estatuto jurídico: a Constituição Federal. Por isso, como jornalista, você pre-
cisa atentar-se aos limites que circundam esses direitos para que não infrinja 
a lei. Além disso, é de estrema importância compreender que estabelecer 
limites para a liberdade de expressão não é censurar, e sim resguardar outros 
direitos, como o da privacidade. Veja no Quadro 1 as definições de liberdade, 
pensamento e expressão.
 Fonte: Adaptado de Lebre (2018). 
Liberdade
É um conceito que encerra em si mesmo uma opção 
ou vontade própria e um constrangimento — o 
conflito com a liberdade de outra pessoa.
Pensamento
Natureza racional e exclusiva no homem, é uma 
manifestação da subjetividade humana, um fenômeno 
reservado à mente do próprio indivíduo. Pode ser 
considerado ou representado como uma não ação, 
no sentido de que não afeta diretamente outrem, 
exceto quando manifestado ou expressado por uma 
ação de comunicação (falar, escrever, agir, etc.).
Expressão
É ação concreta: uma comunicação, uma manifestação 
objetiva do pensamento. A natureza da interação é sempre 
em relação com outro, isto é, a expressão é manifestação 
exterior e objetiva do nosso pensamento em outrem. 
Ainda assim, a liberdade da expressão não é absoluta, 
porque ela pode estar limitada na sua ação quando, no 
seu pleno exercício, corre o risco de colidir com outras 
liberdades individuais, designadamente, o direito à honra, à 
integridade moral, à imagem, ao bom nome e à reputação.
 Quadro 1. Definição de liberdade, pensamento e expressão 
No próximo tópico, veremos alguns exemplos de veículos ou profissionais 
que excederam o direito à liberdade de expressão.
Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos
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3 Liberdade de expressão e privacidade
Com a expansão da internet e, especialmente, das redes sociais, as relações 
humanas saíram do espaço privado e ganharam destaque no espaço público. 
Legitimamente, espaço público é caracterizado por aquele ambiente de uso 
comum, onde exercemos atividades coletivas e onde é pleno o direito de ir 
e vir. São os ambientes de circulação, como ruas, avenidas, praças, parques 
e praias. Já espaço privado é aquele ambiente de propriedade privada, seja 
por parte de um indivíduo, seja por parte de uma empresa, como casas, lojas 
comerciais, escolas particulares, shoppings, entre outros.
As redes sociais surgem como um espaço público, como forma de interação 
entre os sujeitos sociais. Para Recuero (2009, p. 16) “[…] essa comunicação 
[a internet], mais do que permitir aos indivíduos comunicar-se, amplificou a 
capacidade de conexão, permitindo que redes fossem criadas e expressas nesses 
espaços: as redes sociais mediadas pelo computador”. Como bem sabemos, 
nesse ambiente virtual, podemos reencontrar amigos que não vemos há tempos, 
acompanhar a vida de personalidades da mídia, comprar, ficar informados e 
nos comunicar. Com muita exposição na internet, como é possível separar o 
direito à liberdade de expressão e à privacidade? 
Diariamente, vemos pessoas se posicionando nas redes sociais e fazendo 
uso do seu direito de fala para dizer o que pensam, muitas vezes sem prestar 
atenção na forma como se expressam e sem levar em consideração o impacto 
que sua fala pode provocar. Um exemplo dessa postura é o caso do jornalista 
Stanley Gusman, apresentador do programa Alterosa Alerta, da TV Alterosa, 
afiliada do SBT em Minas Gerais. 
Em julho de 2019, o apresentador afirmou no programa: “Eu sei quem é 
o dono do Ibope. O nome do cara é Montenegro. Se ele fosse do bem, ele ia
chamar Montebranco”. Em seguida, ao que tudo indica, o apresentador foi
advertido pelo ponto eletrônico e, rindo desconcertado, desabafou: “Não é
de cor não gente. É escuro, escuridão. Céu branco, inferno negro. Ih, vocês
também são muito, né?!”. A fala do jornalista repercutiu rapidamente nas redes
sociais e gerou revolta pelo teor racista. Os internautas pediram sua prisão
por injúria racial, direito previsto em lei. Mostrando-se contrário à postura do
jornalista, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais emitiu
nota condenando a fala do apresentador e destacando que, em vez de usar a
liberdade de expressão para promover temas construtivos e de valorização
da igualdade, ele transmitiu uma ideia racista (APRESENTADOR..., 2019,
documento on-line).
Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos
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Ao contrário do caso citado acima, que tratou do limite da liberdade de 
expressão, o exemplo a seguir diz respeito ao direito à privacidade. Em abril de 
2020, a atriz Grazi Massafera reclamou, em suas redes sociais, que fotos suas 
foram tiradas por um pararazzi sem a sua permissão. Na ocasião, a atriz, que 
estava em distanciamento social por conta da pandemia de coronavírus, estava 
junto de seu namorado Caio Castro na sacada da varanda de seu apartamento, 
admirando o pôr do sol da praia de São Conrado, no Rio de Janeiro. Logo, 
a foto ganhou as páginas dos principais sites do Brasil (OLIVEIRA, 2020). 
Tempo depois, a atriz voltou às redes sociais e postou a foto de sua cachorri-
nha na janela com a seguinte frase: “E noixxx tá como?!” com a observação 
“Aos que fazem fotos sem permissão da janela das pessoas, apenas parem por 
favor, ok? Entendedores entenderão” (GRAZI..., 2020a, documento on-line).
Automaticamente, a atriz recebeu apoio de amigos indignados com a 
invasão de privacidade, uma delas a também atriz Fabíula Nascimento, que 
afirmou: “Um absurdo! É impressionante a confusão feita de: invasão de pri-
vacidade com o ‘é o preço da fama’. Uma coisa é estar na rua, num evento… 
Outra é ter sua casa vigiada” (GRAZI..., 2020b, documento on-line). A fala de 
Fabíula merece atenção, pois representa exatamente os limites que precisam 
ser estabelecidos entre liberdade de expressão e privacidade. 
Por mais que se trate de uma pessoa pública, o direito à privacidade de 
Grazi Massafera foi violado a partir do momento em que ela foi fotografada 
em sua casa e a foto divulgada sem sua autorização. Naquele momento, a atriz 
não estava em seu ambiente de trabalho, muito menos na rua. Além disso, os 
veículos de comunicação que compartilharama imagem contribuíram para 
a invasão de privacidade.
Nos meios de comunicação, é cada vez mais comum que profissionais 
cometam abusos em suas publicações. A ética e a responsabilidade em noticiar 
perdem espaço para a busca por audiência e, muitas vezes, o resultado é a 
demissão do profissional. Um exemplo a esse respeito ocorreu no fim de 2019. 
Aaron Tura, responsável pelo site TV Foco e colunista do programa Melhor 
da Tarde (Bandeirantes), cometeu dois abusos: violou a privacidade da atriz 
Isis Valverde e distorceu informações sobre a família do falecido apresentador 
Gugu Liberato.
A respeito da atriz Isis Valverde, Aaron Tura destacou a manchete “Isis 
Valverde mostra os peitos em foto íntima e faz grande anúncio: ‘hoje tem’”, 
acompanhada de uma foto que a atriz havia publicado na sua rede social. No 
entanto, ao contrário do que a matéria induzia, a foto mostrava Ísis amamen-
tando o filho, e a legenda (escrita pela atriz) dizia: “Hoje tem amor de mãe” 
(ISIS, 2019, documento on-line). A atriz se manifestou, reclamando pela 
Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos
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distorção da notícia e, principalmente, por explorar sua imagem de forma 
sensual/sexual. Neste caso, a atriz também recebeu apoio de outras atrizes e 
mulheres anônimas que se solidarizam com a deturpação da imagem de uma 
mãe amamentando seu filho. O site TV Foco, muitas outras vezes, publicou 
notícias sensacionalistas e apelativas para gerar audiência. Com isso, tornou-se 
um meio de comunicação sem credibilidade na rede.
Em outra ocasião, Aaron Tura publicou mais uma matéria com informa-
ção deturpada. Neste caso, foi a respeito da família do apresentador Gugu 
Liberato, que faleceu em novembro de 2019. A manchete no site destacava 
afirmava: “Roberto Cabrini faz descoberta avassaladora na morte de Gugu e 
é ameaçado pela família: ‘A verdade vai aparecer’” (JORNALISTA..., 2019, 
documento on-line). A publicação do colunista fazia menção à reportagem 
feita pelo jornalista Roberto Cabrini, do SBT. 
As duas polêmicas custaram o emprego do colunista no Melhor da Tarde. 
Sob forte pressão, o diretor do programa, Rodrigo Riccó, demitiu o profissional, 
visando não ter a imagem do programa relacionada à postura do colunista. Isso 
porque, não apenas os envolvidos ficaram indignados com a falta de ética, mas 
também o público fez críticas e cobrou um posicionamento da apresentadora 
Cátia Fonseca nas redes sociais do programa. O impacto dos fatos, a revolta 
dos internautas e a demissão fizeram com que o colunista se afastasse das redes 
sociais por um tempo e, quando regressou, emitiu um comunicado pedindo 
desculpas e reconhecendo o erro (JORNALISTA..., 2019).
A respeito do direito à privacidade, conforme o inciso X do art. 5º da 
Constituição, “X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a 
imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material 
ou moral decorrente de sua violação” (BRASIL, 1988, documento on-line). 
Para os juristas, a chave para a compreensão do inciso está nos conceitos 
de intimidade, que diz respeito a suas relações sociais mais próximas com 
a família, e vida privada, que é a relação do indivíduo com a sociedade de 
forma mais ampla. 
Imagine um indivíduo que viva em uma casa com sua mãe e seu irmão. 
Os fatos que ocorrem em sua casa formam a esfera de sua intimidade. Já os 
fatos que envolvem sua interação com seus colegas e amigos fazem parte de 
sua vida privada. A privacidade inclui todas as relações que não são públicas, 
mesmo as que não são tão próximas como a relação que se tem com familiares.
Porém, muitas vezes, para informar algum assunto importante à sociedade, 
a imagem de algumas pessoas é divulgada. Nessas situações, pode haver 
“[…] um choque entre o direito à imagem e o direito à informação” (CHAGAS, 
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2019, documento on-line). Para não cometer abusos, deve-se, então, observar 
os seguintes fatores, de acordo com o caso em questão (CHAGAS, 2019):
▪ Veracidade da informação: a informação exposta junto com a imagem
era verdadeira?
▪ Justificativa: houve um motivo justo para que a imagem fosse divulgada?
Ela era fundamental para a compreensão da matéria?
▪ Grau de consciência do indivíduo: a pessoa cuja imagem foi divulgada
sabia que estava sendo fotografada? 
▪ Publicidade do local: o local onde a imagem foi captada era público?
▪ Grau de preservação do contexto original da foto: a imagem foi utilizada 
dentro do contexto em que foi tirada?
▪ Grau de identificação do indivíduo: a pessoa pode ser facilmente reco-
nhecida na foto, por exemplo por meio de sua roupa ou de sua identificação
na legenda da foto?
▪ Utilização da imagem: a imagem foi usada de forma jornalística ou co-
mercial?
▪ Grau de publicidade da pessoa: a pessoa que teve sua imagem utilizada 
era uma figura pública ou conhecida?
Dependendo da resposta a tais perguntas, pode ser que a divulgação de fotos 
do indivíduo em questão não tenha configurado uma violação à sua imagem.
Podemos concluir, desse modo, que é imprescindível ter responsabilidade 
na hora de se comunicar. O jornalista precisa entender bem a distinção entre 
responsabilização e censura. Quando uma pessoa comete abuso, ela deve ser 
penalizada por suas ações. Isso não quer dizer que ela está sofrendo censura. 
Portanto, compreender conceitos como espaço público, espaço privado, inti-
midade e, sobretudo, direito à privacidade e direito à liberdade de expressão, 
é essencial para o jornalista.
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Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos
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LEBRE, L. T. S. B. Liberdade de expressão e privacidade na internet: dialéctica de dois direitos 
humanos na terra de ninguém. [S. l.]: Pisicologia.pt, 2018. Disponível em: https://www.
psicologia.pt/artigos/textos/A1182.pdf. Acesso em: 8 abr. 2020.
NAÇÕES UNIDAS. Declaração universal dos direitos humanos. Rio de Janeiro: UNIC Rio, 
2009. Disponível em: https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2018/10/DUDH.
pdf. Acesso em: 26 mar. 2020. 
NEVES, R. J. Vade mecum da comunicação social. São Paulo: Rideel, 2000.
OLIVEIRA, S. Grazi Massafera reclama de fotos sem permissão ao lado de Caio Castro: 
“apenas parem”. Recife: Blog Social, 2020. Disponível em: https://blogs.ne10.uol.com.
br/social1/2020/04/08/grazi-massafera-reclama-de-fotos-sem-permissao-ao-lado-de-
-caio-castro-apenas-parem/. Acesso em: 13 maio 2020.
RECUERO, R. C. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.
Leituras recomendadas
BRASIL. Lei nº. 5.250, de 9 de fevereiro de 1967. Regula a liberdade de manifestação do 
pensamento e de informação. Brasília, DF, 1967. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/L5250.htm. Acesso em: 5 maio 2020.
CUSTÓDIO, R. M. Os limites da liberdade de expressão: uma coisa é censura, outra é 
responsabilização. [S. l.]: Justificando, 2019. Disponível em: http://www.justificando.
com/2019/05/03/os-limites-da-liberdade-de-expressao-censura-e-responsabilizacao. 
Acesso em: 8 abr. 2020.
LEMOS, A. Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura contemporânea. 4. ed. Porto 
Alegre: Sulina, 2008.
OAB SP. O limite entre a privacidade e a liberdade de expressão. São Paulo, 2017. Disponí-
vel em: http://www.oabsp.org.br/noticias/2017/10/o-limite-entre-a-privacidade-e-a-
-liberdade-de-expressao.12012. Acesso em: 9 abr. 2020.
VELHO, G. Individualismo e cultura: notas para uma antropologia da sociedade con-
temporânea. 5. ed. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1999.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos
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DICA DO PROFESSOR
Liberdade de expressão, direito à privacidade e defesa dos direitos humanos são temas 
historicamente relacionados à prática profissional do jornalista, que há séculos exerce a difícil 
tarefa de buscar equilíbrio entre esses pontos, investigando, apurando e denunciando ações dos 
poderosos para a sociedade. De fato, muitos consideram a imprensa o "quarto poder". 
Dado o alcance e a facilidade de uso, vários jornalistas começaram a utilizar as redes sociais 
como ferramenta de divulgação de seu trabalho. O que se pode constatar é que o respeito à 
privacidade, em muitos casos, está longe de ser efetivo, em especial no caso de jornalistas 
mulheres.
Na Dica do Professor, você entenderá melhor essa relação, tendo como foco de análise o 
Twitter. 
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EXERCÍCIOS
1) A liberdade de expressão é um importante preceito democrático, fundamental para a
manutenção e a ordem, em grande parte, das sociedades modernas. Justamente por
causa disso, o Poder Legislativo reiteradamente busca assegurar tal direito.
Dos documentos listados a seguir, somente um não faz alusão à liberdade de
expressão. Qual?
A) Declaração Universal dos Direitos Humanos.
B) Constituição da República Federativa do Brasil.
C) Código de Defesa do Consumidor.
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D) Marco Civil da Internet.
E) Código de Ética do Jornalista.
2) Considerando que "Os direitos humanos, constituindo parte integrante da essência
do homem, e fundamentalmente, enquanto ser social e gregário, tomam um papel
determinante na manutenção na harmonia e salvaguarda da liberdade, paz e justiça
entre os indivíduos, de forma que estes se sintam protegidos de abusos como a
discriminação, a intolerância, a injustiça, a opressão e a escravidão que podem surgir
nesta convivência, bem como sentirem vontade e liberdade em se assumirem com a
dignidade daquilo que são – seres humanos", observe as seguintes asserções:
I - Os direitos humanos são características inerentes à condição de ser humano.
Por isso:
II - Podem ser cassados por outrem e transferidos por outros indivíduos.
Assinale a alternativa correta.
A) A asserção I é falsa, e a asserção II é verdadeira.
B) A asserção I é verdadeira, e a asserção II é falsa.
C) As asserções I e II são verdadeiras, sendo que a II é uma consequência da I.
D) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma consequência da I.
E) As asserções I e II são falsas.
O artigo 5.o da Constituição assegura os direitos dos cidadãos no tocante à liberdade 
de pensamento e expressão. "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País 
3)
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a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade". Com base nesse artigo, considere as seguintes afirmações:
I - Os brasileiros só podem ser obrigados a fazer ou deixar de fazer algo se uma lei 
assim o definir.
II - Sendo o catolicismo, a religião oficial do Brasil, seguir outra religião viola o 
direito de pensamento.
III - A expressão artística, intelectual e científica necessita do selo de aprovação dos 
respectivos Ministérios (das Artes, Cultura e Ciência).
IV - O brasileiros podem se associar da forma como quiserem, desde que a associação 
não seja para fins paramilitares.
Estão corretas as afirmativas:
A) I e II.
B) I e III.
C) I e IV.
D) II e III.
E) II e IV.
Em relação à prática do jornalismo, o atual contexto tecnológico cria oportunidades e 
amplia as modalidades de trabalho e investigação do jornalista. Ao mesmo tempo, 
com a crescente amplitude de alcance dada pela rede digital, cresce também uma 
força contrária exercida no sentido de cercear a atuação do jornalista. Considere as 
seguintes afirmações:
I - A liberdade de expressão via canais digitais não é universal, sendo restrita em 
alguns lugares do planeta.
4)
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II - Atos terroristas contra órgãos da imprensa são também atentados à liberdade de 
expressão.
III - O narcotráfico e o crime organizado atuam contra os jornalistas muitas vezes 
com a conivência do aparato de segurança do Estado.
IV - Alguns presidentes de países da América têm criticado ou desabonado a prática 
do jornalismo.
Quais das afirmações aplicam-se ao contexto brasileiro?
A) I e II.
B) I e III.
C) I e IV.
D) II e III.
E) III e IV.
Considere o seguinte: No início de 2018, a atriz Paolla Oliveira estava em set de 
filmagem da Rede Globo de Televisão, em Avaré (SP), onde se realizavam as 
filmagens da série "Assédio". A atriz foi fotografadaclandestinamente no processo 
de troca de roupas, e essas fotos passaram a circular pela rede digital. A Rede Globo 
de TV, em comunicado à imprensa, se solidarizou com a atriz, afirmando que 
ocorreu um crime de violação do direito à privacidade da atriz.
Com base no inciso X do art. 5.o da Constituição, que versa sobre os direitos da 
privacidade, considere as seguintes afirmativas:
I - A atriz não estava ciente de que estava sendo fotografada.
II - O local onde a imagem foi captada não era público.
5)
42
III - A personagem interpretada pela atriz aparece nua na minissérie.
IV - Sendo uma figura notória, o direito à privacidade da atriz é relativo.
Quais afirmações justificam o argumento de que um crime contra o direito à 
privacidade foi cometido?
A) I e II.
B) I e III.
C) I e IV.
D) Ii e III.
E) II e IV.
NA PRÁTICA
A questão acerca da liberdade de expressão é polêmica e tem sido palco de acaloradas 
discussões há pelo menos um século. Com o advento da Internet e das redes sociais, essa 
discussão não apenas tornou-se mais complexa como também passou a relacionar-se com os 
direitos dos cidadãos. 
A evolução dos meios de comunicação e das tecnologias digitais traz novas vantagens e 
possibilidades para os cidadãos, mas também cria a oportunidade para novos crimes. À medida 
que os brasileiros passam a viver e a depender dos seus dados digitais, armazenando 
informações pessoais e profissionais, passam a ser alvos de criminosos em busca de dados como 
números de cartões de crédito e informações pessoais. Muitos desses crimes ainda não são 
tipificados pelo Código Penal brasileiro. 
Um fato que trouxe notoriedade e incentivou a discussão acerca do direito à privacidade e dos 
limites à liberdade de expressão ocorreu em 2012 com a atriz Carolina Dieckmann, que teve 
fotos íntimas roubadas e divulgadas na rede digital, as quais foram acessadas mais de 8 milhões 
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de vezes em apenas quatro dias. Na ocasião da captura dos criminosos, não existia o crime de 
"invasão de dispositivo informático".
Veja, Na Prática, a discussão que se instaurou sobre o direito à privacidade e que gerou a lei que 
ficou conhecida como "Lei Carolina Dieckmann". 
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SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Observatório da Imprensa – Uma antologia de crítica de mídia no Brasil de 1996 a 2018
O Observatório da Imprensa abriga um extenso acervo de 22 anos de crítica de mídia no Brasil e 
deu origem à criação de um espaço autônomo e plural de crítica do jornalismo. Textos 
relevantes desse acervo compõem a compilação “Observatório da Imprensa – Uma antologia de 
crítica de mídia no Brasil de 1996 a 2018”, organizada pelos jornalistas Pedro Varoni e Lucy 
Oliveira e publicada em formato de e-book pela Editora Casa da Árvore. Recomendamos a 
leitura do capítulo 5 - "2016 até hoje — desinformação em rede."
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Ele riu da condenação? Com a palavra, Danilo Gentili
O comediante e apresentador do programa "The Noite" foi condenado a seis meses de prisão por 
piada que fez com a Deputada Maria do Rosário. Nesta entrevista concedida a Leda Nagle, ele 
explica em detalhes o ocorrido.
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Liberdade, privacidade e direitos humanos
O Comitê Gestor da Internet, ao longo do ano de 2015, realizou um Ciclo de Conferências com 
a participação de cientistas, pensadores, inventores, ativistas e personalidades da Internet. A 
mesa "Liberdade, Privacidade e Direitos Humanos" contou com a participação de Frank La Rue 
(especialista em direitos humanos e direitos trabalhistas) e James Bamford (jornalista americano 
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especialista em órgãos de inteligência). Confira. 
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Como a China "apagou da memória" o Massacre da Praça da Paz Celestial, que completa 
30 anos
A liberdade de expressão não é um direito garantido em todos os países do mundo. Em alguns 
deles, o Estado utiliza de seu poderio para impedir a livre circulação de informações, e a China é 
um exemplo. Nesta matéria da BBC, o jornalista John Sudworth mostra como a China apagou 
fatos do passado recente, como o Massacre da Praça da Paz Celestial.
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Bem-vindo a Fahrenheit 451 (Leia-o ou queime-o!)
"Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe dê os dois lados de uma questão para 
resolver; dê-lhe apenas um. Melhor ainda, não lhe dê nenhum. Deixe que ele se esqueça de que 
há uma coisa como a guerra. Se o governo é ineficiente, despótico e ávido por impostos, melhor 
que ele seja tudo isso do que as pessoas se preocuparem com isso." Fahrenheit 451 é um 
romance de ficção de Ray Bradbury que fala sobre um mundo onde o controle da informação é 
tamanho que existe uma equipe de profissionais cuja função é queimar livros. Confira essa 
reflexão do canal "Quebrando a Caixa" sobre o tema.
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Responsabilidade civil subjetiva, objetiva 
(teoria do risco) e culpa presumida
APRESENTAÇÃO
A responsabilidade civil prevê que um dano causado a alguém deve ser indenizado pelo agente 
causador. Assim, no tocante ao elemento subjetivo, a responsabilidade civil tem como espécies: 
a subjetiva e a objetiva, sendo a culpa elemento integrante ou não da obrigação de reparar o 
dano.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender sobre os tipos de responsabilidade civil. 
Vai estudar a evolução histórica do instituto, dos primórdios até os dias atuais, com enfoque na 
culpa como seu elemento subjetivo. Verá os tipos de responsabilidade civil, os quais são 
definidos com base na análise da existência ou não do elemento subjetivo, qual seja, a culpa. 
Além disso, como muitos temas novos surgem com o desenvolvimento da sociedade, você 
estudará o tratamento dado à responsabilidade civil pelas Cortes Superiores brasileiras.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Verificar a evolução histórica das espécies de responsabilidade civil.•
Explorar as espécies de responsabilidade civil.•
Analisar a aplicação da responsabilidade civil pelas Cortes Superiores.•
DESAFIO
Os conceitos de responsabilidade civil se baseiam na obrigação de reparar um dano causado, 
mesmo que involuntariamente. Com a evolução histórica do instituto, o Estado assumiu a 
função de regular a resolução de tais conflitos.
Analise o seguinte caso e verifique a melhor solução para ele.
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INFOGRÁFICO
Com o Código Civil de 2002 a responsabilidade objetiva ingressou efetivamente no 
ordenamento jurídico brasileiro, mas a prevalência da culpa (responsabilidade subjetiva) 
continua sendo a regra, porém, com a previsão da responsabilidade objetiva em várias 
situações. 
Neste Infográfico você verá os tipos de responsabilidade civil a partir da comprovação ou não 
do elemento culpa.
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CONTEÚDO DO LIVRO
A responsabilidade civil nasceu da necessidade da sociedade resolver de forma 
institucionalizada os conflitos, oriundos do não cumprimento de uma obrigação. O tema 
desenvolveu-se passando de uma ideia de vingança até a reparação pecuniária do dano.
Leia o capítulo Responsabilidade civil subjetiva, objetiva (teoria do risco) e culpa presumida, da 
obra Responsabilidade civil, base teórica para esta Unidade de Aprendizagem, em que você verá 
os tipos de responsabilidade civil, como a subjetiva, a objetiva e a culpa presumida, e também 
como o tema é tratado pelas Cortes Superiores brasileiras.
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Responsabilidade civil 
subjetiva, objetiva (teoria 
do risco) e culpa presumida
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Verificar a evolução histórica das espéciesde responsabilidade civil.
 Explorar as espécies de responsabilidade civil.
 Analisar a aplicação da responsabilidade civil pelas Cortes Superiores.
Introdução
A responsabilidade civil pressupõe a reparação de um dano causado à 
vítima por meio de uma indenização. Neste capítulo, você vai aprender 
sobre os tipos de responsabilidade civil. Estudará a evolução histórica 
do conceito, dos primórdios até os dias atuais, com enfoque na culpa 
como o seu elemento subjetivo. Verá os tipos de responsabilidade civil, 
os quais são definidos com base na análise da existência ou não do 
elemento subjetivo, ou seja, a culpa. Assim, a culpa define o tipo de 
responsabilidade, que pode ser subjetiva, objetiva e de culpa presumida. 
Além disso, como muitos temas novos surgem com o desenvolvimento 
da sociedade, você estudará o tratamento dado à responsabilidade civil 
pelas Cortes Superiores brasileiras.
Evolução histórica das espécies 
de responsabilidade civil
O instituto da responsabilidade civil se baseia em uma concepção moderna 
da reparação de danos. Nos primórdios da civilização, não existia a noção 
de responsabilidade civil como hoje conhecemos e não se avaliava o seu 
elemento subjetivo: a culpa. 
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As concepções de justiça que regiam as sociedades antigas embasavam o 
pensamento de que o dano injusto, decorrente do descumprimento de um de-
ver contratual ou pela desobediência a um preceito legal, deveria acarretar ao 
devedor o dever de indenizar o ofendido. Embora sejam essas as mesmas ideias 
que perpassam o Direito atual, nem sempre o dever de indenizar recaía sobre o 
patrimônio do devedor. Nesse sentido, a Lei de Talião — “olho por olho, dente 
por dente” — transmitiu ao Direito Romano clássico a concepção de que o credor 
tinha direito de exigir corporalmente do devedor a satisfação da ofensa à obrigação 
contratual ou a lesão a preceito legal (TEPEDINO, 2006). Em contrapartida, a 
Lei de Talião traz a primeira ideia de proporcionalidade na reparação do dano. 
Posteriormente, passou-se à chamada fase da composição tarifada, na qual 
a Lei das 12 Tábuas fixava, em casos concretos, o valor da pena a ser paga pelo 
ofensor, a qual deveria ser proporcional àquele sofrido por ela. Nesse momento, 
o Estado passou a ocupar a posição da vítima, suprindo a sua vontade ao dosar 
a pena a ser paga pelo agente ofensor, substituindo a composição voluntária por 
uma composição obrigatória e, inclusive, tarifada, sendo estipulados valores
para as diversas espécies de lesão ou dano. Essa evolução teve o seu marco
histórico quando, ao assumir a função de punir, o Estado se tornou responsável 
pela ação repressiva, dando origem à ação de indenização.
 Prevaleceu no Direito Romano, inicialmente, a responsabilidade civil 
objetiva, pois não havia a exigência de comprovação do elemento subjetivo 
“culpa” para a exigência das cruéis penas impostas. Porém, a comprovação da 
culpa passou a ser necessária a partir da percepção de que as penas corporais 
constituíam meio impróprio de satisfação do direito lesado e que a sua não 
exigência acarretava situações injustas (TARTUCE, 2011).
A maior evolução da responsabilidade civil ocorreu com o advento da Lex 
Aquilia, que deu origem à denominação da responsabilidade civil delitual ou 
extracontratual, também chamada de responsabilidade aquiliana. Nasceu, 
nesse momento, um princípio geral regulador da reparação do dano, trazendo 
as primeiras ideias de culpa. Foi também nesse momento que surgiram as 
primeiras divisões entre responsabilidade civil e responsabilidade penal.
Com o advento da Lei Poetelia Papiria (326 a.C.), a responsabilidade civil 
passou a ser um vínculo jurídico, isto é, imaterial, sendo que o devedor passou 
a responder pelo débito não mais com seu corpo, mas com o seu patrimônio. 
Essa é a evolução mais próxima do que atualmente se entende por reparação 
civil, que é a compensação do dano em valor pecuniário correspondente. 
Com a criação do código de Napoleão, em 1804, temos o nascimento de um 
modelo da legislação moderna. Ele buscava impedir a interferência abusiva do 
Estado na vida dos cidadãos, trazendo o preceito básico da responsabilidade 
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civil extracontratual, com fundamento na culpa efetiva e provada. O art. 
1.382 do Code é claro ao exigir a culpa como elemento da responsabilidade 
civil, enunciando que todo ato de homem que cause dano a terceiro obriga 
o responsável que agiu com culpa a repará-lo (PEREIRA, 1994). Assim, o
código francês instituiu um princípio geral, “[...] obrigando a reparar todos os
danos que uma pessoa causar a outra por sua culpa” (PEREIRA, 1994, p. 6).
A culpa, como condição essencial do dever de indenizar, foi, assim, durante 
muito tempo ao longo da história, a única regra — e cumpria satisfatoriamente a 
sua função na responsabilidade civil. Porém, com o passar dos tempos, percebe-
mos que a culpa sozinha não poderia embasar todo o instituto da responsabilidade 
civil, pois existiam situações que exigiam uma reparação de danos mesmo 
sem a análise do elemento subjetivo culpa. Surgiu, então, a responsabilidade 
objetiva. No ano de 1897, Louis Josserand apontou a responsabilidade objetiva 
como marco evolutivo do tema da responsabilidade civil (PEREIRA, 1994).
A visão de Josserand era diferenciada e inovadora para a sua época, pois, para ele, o 
dano levaria em conta o sujeito passivo do prejuízo, ou seja, a vítima. Como aponta 
Almeida (2007, p. 62), analisando a responsabilidade civil e a obra de Josserand: 
É verdade que a relevância da matéria está intimamente ligada ao 
progresso da humanidade. Tal fato não passou despercebido a Louis 
Josserand, que, já em 1936, observava a existência de causas profundas, 
ao mesmo tempo de ordem social e mecânica, científica e material, 
responsáveis pela prodigiosa e acelerada evolução do instituto da res-
ponsabilidade civil. O desenvolvimento científico, gerador de conforto 
por um lado, mas de perigos e acidentes, por outro, tornou-se fonte 
relevante da responsabilidade civil.
Mais adiante, o autor (ALMEIDA, 2007) refere que a responsabilidade civil, a partir dos 
estudos de Josserand, foi redimensionada para se preocupar mais com a reparação 
do lesado, chegando-se até a excessos nesse sentido.
Da evolução do Direito francês, surgiram dois campos distintos na área da res-
ponsabilidade civil. Na maioria dos casos, continuava-se a examinar a conduta 
do autor do dano e a responsabilidade civil dependia da prova da culpa ou da 
sua presunção. Porém, em outras situações, surgiu a teoria da responsabilidade 
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objetiva, na qual se visava garantir a segurança da vítima com base na teoria do 
risco ou na desigualdade de condições entre o autor do dano e a vítima.
Josserand (1941), defensor da teoria do risco desenvolvida por Raymond 
Saleilles, traz como causas da evolução da responsabilidade civil o caráter 
sucessivamente mais perigoso da então vida moderna, na qual o perigo havia se 
intensificado diante da Revolução Industrial, aliada ao aumento da preocupação 
com a reparação do dano e com a vítima do prejuízo. A teoria do risco surge 
como base para a responsabilidade objetiva, na qual os autores defendem que 
todos devem ser responsáveis não somente por seus atos culposos, mas por 
todos aqueles atos que causem dano a terceiros. 
No Brasil, as primeiras noções de responsabilidade civil objetiva surgiram 
com o Código de Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990), o qual prevê algumas 
hipóteses de proteção do consumidor contra produtos e serviços que lhe ofereces-
sem riscos, sem a análise da existência da culpa por parte do causadordo dano.
Com o Código Civil de 2002 (BRASIL, 2002), a responsabilidade objetiva 
ingressou efetivamente no ordenamento jurídico brasileiro. A prevalência 
da culpa (responsabilidade subjetiva) continua sendo a regra, mas com a 
previsão da responsabilidade objetiva em várias situações. A preocupação do 
ordenamento jurídico, assim, passa a ser a reparação do dano, estabelecendo 
que cada um deve suportar os riscos da sua atividade.
Espécies de responsabilidade civil 
A responsabilidade civil prevê que um dano causado a alguém deve ser in-
denizado pelo agente causador. Assim, no tocante ao elemento subjetivo, a 
responsabilidade civil tem como espécies a subjetiva e a objetiva, sendo a 
culpa um elemento integrante ou não da obrigação de reparar o dano. Dessa 
forma, para que haja obrigação de reparação do dano, há a necessidade da 
demonstração de culpa do agente ofensor. 
A culpa é a não observância de um dever que o agente podia conhecer e 
observar. Se efetivamente o conhecia e deliberadamente o violou, ocorre o delito 
civil, ou, em matéria de contrato, o dolo contratual. Se a violação do dever, 
podendo ser conhecida e evitada, é involuntária, constitui culpa simples (DIAS, 
2006). Assim, na responsabilidade civil subjetiva, a culpa se caracteriza quando 
o causador do dano não tinha intenção de provocá-lo, mas, por imprudência,
negligência, imperícia, causa dano, gerando a obrigação de repará-lo.
Entre as modalidades de culpa, destacamos que a imprudência ocorre por 
precipitação, consistindo em praticar uma ação sem as necessárias precauções. 
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Ou seja, o agente age com precipitação, inconsideração, ou inconstância no 
cumprimento de determinado ato, causando dano. A negligência se dá quando 
o agente não toma os devidos cuidados, não acompanha a realização do ato
com a devida atenção e diligência, não agindo com zelo. O agente, por sua
omissão voluntária de cuidado, acarreta a falta ou demora no prevenir ou obstar 
um dano. A imperícia, por sua vez, ocorre quando o agente acredita estar
apto e possuir conhecimentos suficientes para a prática de um ato; entretanto, 
não está de fato preparado por falta de conhecimento, aptidão, capacidade
ou competência. Ela ocorre pela falta de especial habilidade, experiência ou
previsão no exercício de determinada função, profissão, arte ou ofício.
Para entender melhor as modalidades de culpa, vejamos alguns exemplos.
 Imprudência: ocorre muito no trânsito, como, por exemplo, quando o condutor
trafega pelo acostamento.
 Negligência: deriva da ausência de um dever de cuidado, como, por exemplo, uma 
criança que foge da creche. Nesse caso, as pessoas que tinham o dever de cuidar 
foram negligentes com esse dever.
 Imperícia: resulta da falta de um conhecimento que o agente acredita ou diz ter. Por 
exemplo, um médico clínico geral que realiza uma cirurgia plástica. Esse médico
não tem conhecimento técnico para realizar o ato e está agindo com imperícia.
A responsabilidade civil subjetiva ocorre quando o agente age com culpa. 
Assim, quando restar comprovada a presença de um dos três elementos (ne-
gligência, imperícia ou imprudência), fica caracterizada a culpa do agente, 
surgindo o dever de reparação, pois, mesmo sem intenção, mas com culpa, o 
agente causou dano.
Para a caracterização da culpa, é necessário que ela seja demonstrada por 
meio de provas. Entretanto, existe a teoria da culpa presumida, que resulta 
na hipótese da responsabilidade subjetiva com culpa presumida. Nesse caso, 
ocorre uma inversão do ônus da prova quanto à culpabilidade. Segundo Ca-
valieri Filho (2008, p. 39):
[...] diante da complexidade e dificuldade em provar a culpa em determinadas 
situações e da objeção da doutrina subjetivista em reconhecer a necessidade 
de imposição da teoria da responsabilidade objetiva, o instituto da culpa 
presumida foi a ferramenta utilizada para facilitar a situação da vítima quanto 
à prova da culpa do agente causador do dano. 
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Gonçalves (2003, p. 18) afirma que “[...] quando a culpa é presumida, 
inverte-se o ônus da prova. O autor da ação só precisa provar a ação ou omis-
são e o dano resultante da conduta do réu, porque sua culpa já é presumida”. 
Por fim, temos a responsabilidade objetiva, a qual não depende da com-
provação da culpa do agente causador do dano, apenas do nexo de causalidade 
entre a sua conduta e o dano causado à vítima. Ou seja, mesmo que o agente 
causador não tenha agido com dolo ou culpa, deverá indenizar a vítima. Por 
responsabilidade objetiva, enfim, entendemos aquela que dispensa a culpa, 
bastando a ocorrência do dano. Ela é justificada com base na teoria do risco, a 
qual defende que, se alguém exerce uma atividade criadora de perigos especiais, 
deve responder pelos danos que ocasionar a terceiros. Assim, a responsabilidade 
é decorrente do risco criado pela atividade e não da culpa. 
Em suma, no ordenamento jurídico atual, há necessidade de demonstração 
da culpa para configuração da responsabilidade civil, que tem como regra a 
responsabilidade subjetiva. Entretanto, em detrimento da teoria da culpa, a 
teoria do risco ganha o seu espaço, estabelecendo também a responsabilidade 
objetiva, que independe de culpa. 
A teoria do risco (responsabilidade objetiva) é apresentada em diversas modalidades 
(PEREIRA, 1994):
 Risco proveito — Responsabiliza aquele que busca tirar proveito da atividade da-
nosa, baseando-se no preceito de que quem aufere o bônus, deve suportar o ônus.
  Risco profissional — Aqui, o dever de indenizar ocorre sempre que o fato prejudicial de-
corre da atividade ou profissão do lesado. Justifica a reparação dos acidentes de trabalho.
 Risco excepcional — Ocorre quando o dano decorre de situação anormal, es-
capando da atividade comum da vítima, ainda que estranho ao trabalho que
normalmente exerça.
  Risco integral — É admitida no âmbito do Direto Administrativo. A responsabilidade
decorre da própria atividade, sendo uma forma de repartir por todos os membros
da coletividade os danos atribuídos ao Estado, ainda que o dano seja decorrente da 
atividade da vítima.
  Risco criado — Ocorre quando aquele que, em razão de sua atividade ou profissão, cria 
um perigo, estando assim a reparar o dano que causar, salvo prova de haver obedecido
a todas as medidas idôneas a evitá-lo. Conforme destaca Caio Mário, a teoria do risco 
criado é a que melhor se adapta às condições de vida social, fixando-se na ideia de 
que, se alguém põe em funcionamento qualquer atividade, responde pelos eventos 
danosos que essa atividade gera para os indivíduos, independentemente de determinar 
se em cada caso, isoladamente, o dano é devido à imprudência, a um erro de conduta.
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Aplicação da responsabilidade civil 
pelas Cortes Superiores 
Quando falamos em aplicação das teorias do Direito e da legislação, devemos 
focar o estudo nos tribunais de um país. A jurisprudência, assim, surge como 
refl exo do entendimento e aplicação de institutos e conceitos jurídicos, como 
no caso em estudo da responsabilidade civil. Assim, a jurisprudência resulta 
do entendimento e da aplicação em determinado sentido da legislação, sendo 
que os Tribunais Superiores é que formam a jurisprudência que deve ser se-
guida pelos tribunais inferiores e por juízes no país. Os Tribunais Superiores 
devem observar a aplicação da legislação em consonância com os princípios 
constitucionais de forma que o ordenamento jurídico se mantenha harmonioso 
com o que determina a Constituição.
Nesse sentido, é importante que analisemoscomo as Cortes Superiores 
têm entendido e aplicado o instituto da responsabilidade civil nas modalidades 
da responsabilidade subjetiva, objetiva e ainda a culpa presumida aos novos 
conflitos que surgem com o desenvolvimento social, como a tecnologia, por 
exemplo. Além disso, na busca pela defesa de interesses e bens que importem 
à coletividade, como o meio ambiente.
No link a seguir, “Tribunais Superiores: quais são? O que 
fazem?”, você verá a divisão de competências dos Tribunais 
Superiores do País, como são compostos e quais matérias 
cada Tribunal julga:
http://goo.gl/69AVWw 
Para compreender melhor essa ideia, vamos destacar alguns casos que 
movimentaram as decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e 
do Supremo Tribunal Federal (STF), que compõem a Corte Superior do Brasil.
Muito se discutiu sobre o tipo de responsabilidade a ser decretada sobre 
os provedores de aplicação pelo conteúdo gerado por terceiros e armazenados 
ou viabilizados pelo provedor. Em acórdão proferido em 12 de dezembro de 
2017, a 3ª Turma do STJ, ao julgar o Recurso Especial (REsp) nº. 1.501.603 
(BRASIL, 2017a), reiterou que provedores de aplicação somente poderão ser 
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responsabilizados se, após avisados sobre conteúdo ofensivo por ordem judicial, 
não tomarem providências para a retirada do referido conteúdo.
Sobre a matéria, está aguardando julgamento no STF do mérito, com reper-
cussão geral reconhecida para todas as instâncias, o Recurso Extraordinário 
(RE) nº. 1.037.396, com base no qual a Corte vai dizer se é constitucional o art. 
19 do Marco Civil da Internet (Lei nº. 12.965, de 23 de abril de 2014), referente 
à responsabilidade de websites e gestores de aplicativos de redes sociais, por 
danos decorrentes de atos ilícitos praticados por terceiros.
Outro assunto de grande importância na atualidade é a proteção do meio 
ambiente, as multas e o tipo de responsabilidade ambiental em caso de dano. 
Sobre o assunto, no ano de 2016, a 2ª Turma do STJ decidiu, no julgamento do 
REsp nº. 1.401.500 (PR) (BRASIL, 2016a), que a responsabilidade administra-
tiva em matéria ambiental é subjetiva. O ministro Antônio Herman Benjamin, 
relator do citado processo, votou pelo provimento do recurso especial ao 
pugnar pela necessidade de comprovação de culpa, no que foi acompanhado 
pelos demais julgadores (BRASIL, 2016a):
2. A insurgente opôs Embargos de Declaração com intuito de provocar a
manifestação sobre o fato de que os presentes autos não tratam de respon-
sabilidade ambiental civil, que seria objetiva, mas sim de responsabilidade
ambiental administrativa, que exige a demonstração de culpa ante a sua
natureza subjetiva. Entretanto, não houve manifestação expressa quanto ao
pedido da recorrente.
3. Cabe esclarecer que, no Direito brasileiro, e de acordo com a jurisprudência 
do Superior Tribunal de Justiça, a responsabilidade civil pelo dano ambiental, 
qualquer que seja a qualificação jurídica do degradador, público ou privado, 
proprietário ou administrador da área degradada, é de natureza objetiva,
solidária e ilimitada, sendo regida pelos princípios do poluidor-pagador, da
reparação in integrum, da prioridade da reparação in natura e do favor debilis.
4. Todavia, os presentes autos tratam de questão diversa, a saber, a natureza 
da responsabilidade administrativa ambiental, bem como a demonstração de 
existência ou não de culpa, já que a controvérsia é referente ao cabimento ou 
não de multa administrativa. 
A decisão do REsp nº. 1.401.500 (PR) é considerada um marco da consolida-
ção do entendimento jurisprudencial sobre o assunto, em razão da importância 
e da repercussão do caso, bem como do porte das empresas envolvidas e do 
valor da multa. No entanto, é importante destacar que já havia na Corte outras 
decisões nesse sentido, a exemplo do REsp nº. 1.251.697 (PR) e do Agravo 
Regimental (AgRg) no Agravo em Recurso Especial (AREsp) nº. 62.584 
(RJ), de forma que, no STJ, existe um processo adiantado de consolidação 
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da jurisprudência a esse respeito. Porém, como visto no julgado, outro é o 
entendimento do STJ em caso de responsabilidade civil. 
Dessa forma, com vistas à responsabilidade civil decorrente de um dano 
ambiental, a responsabilidade pela reparação do dano é objetiva, ou seja, 
independe de culpa, e solidária, pois alcança os poluidores diretos e indi-
retos. É entendida sob a modalidade do risco integral, sendo que não são 
admitidos excludentes de responsabilidade, como caso fortuito, força maior, 
fato ou ato de terceiro. Tais critérios estão definidos pela jurisprudência nos 
julgados: REsp nº. 1.307.938 (GO), AgRg no REsp nº. 1.494.995 (RS), REsp 
nº. 1.374.284 (RJ), REsp nº. 1.175.907 (MG), AgRg no AResp nº. 381.567 
(SP). Inclusive sobre o rito dos recursos repetitivos, no julgamento do REsp 
nº. 1.374.284 (MG), ficou decidido que “[...] a responsabilidade por dano 
ambiental é objetiva, informada pela teoria do risco integral, sendo o nexo 
de causalidade o fator aglutinante que permite que o risco se integre na 
unidade do ato” (BRASIL, 2014).
Na esfera administrativa, pode estar sujeito à multa aquele que cometeu, 
diretamente, a infração, sendo que, para que ocorra a responsabilização do 
poluidor indireto, deve ser examinada a sua responsabilidade subjetiva, ou 
seja, se ele agiu com culpa. Assim, o poluidor indireto somente responde na 
medida de sua culpabilidade e de forma proporcional à sua conduta. Exemplo: 
autuações de empresas e fixação de multas administrativas sem exame da 
culpa não poderão mais ocorrer.
Outro caso sobre a análise do tipo de responsabilidade civil aplicável foi 
objeto do julgamento pelo STF do RE nº. 635.336 (BRASIL, 2016b), no qual 
foi fixada a tese sobre o cultivo ilegal de plantas psicotrópicas e a natureza da 
responsabilidade civil do proprietário das terras, em decorrência da previsão 
do confisco das terras cultivadas como pena sancionatória. Sendo fixada 
a tese: “A expropriação prevista no art. 243 da Constituição Federal (CF) 
pode ser afastada, desde que o proprietário comprove que não incorreu em 
culpa, ainda que in vigilando ou in eligendo” (BRASIL, 2016b). Assim, o 
STF decidiu que a responsabilidade do proprietário é subjetiva, dependendo 
da prova da culpa.
Sobre a responsabilidade objetiva, o STJ tem entendimento sumulado no 
que tange à responsabilidade das instituições bancárias sobre atos e fraudes 
praticados por terceiros aos seus correntistas que ocasionarem na sua inclusão 
indevida nos cadastros restritivos de crédito: “Súmula 479: As instituições 
financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno 
relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações 
bancárias” (BRASIL, 2017b).
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Sobre a culpa presumida, verificamos também a existência de uma súmula 
do STF sobre o assunto: “Súmula 341: É presumida a culpa do patrão ou 
comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto” (BRASIL, 2017c).
 O STJ já se manifestou em alguns julgados (Agravo Interno [AgInt] no 
AREsp nº. 1.162.733, AgInt no AREsp nº. 483.170 [SP], AgRg no AREsp 
nº. 572.430 [SP]) sobre a presunção da culpa daquele que colide na traseira 
de outro veículo, em um acidente de trânsito. Esse exemplo é corriqueiro 
nos tribunais, mas a presunção da culpa não é a sua certeza, da forma que 
quem sofreu a batida na sua traseira nada precisa provar. Em contrapartida, 
quem bateu na traseira terá que provar que não teve culpa para se eximir 
da responsabilidade pelos danos sofridos pelo outro,bem como para res-
ponsabilizar o verdadeiro culpado pelos danos que também sofreu. Dessa 
forma, a questão posta aos Tribunais Superiores da definição quanto ao tipo 
de responsabilidade civil é aplicável em cada caso nem sempre é óbvia e 
está prevista na lei. Muitas vezes somente após um grande debate jurídico 
é possível definir se o agente ou responsável por um dano responderá de 
forma subjetiva ou objetiva por ele.
ALMEIDA, J. L. G. Novos rumos da responsabilidade civil. In: ALMEIDA, J. L. G. (Coord.). 
Temas atuais de responsabilidade civil. São Paulo: Atlas, 2007. 
BRASIL. Lei nº. 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor 
e dá outras providências. Brasília, DF, 1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/l8078.htm>. Acesso em: 24 mar. 2018.
BRASIL. Lei nº. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília, DF, 2002. 
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso 
em: 24 mar. 2018.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso especial nº. 1.374.284 — MG (2012/0108265-7). 
Relator: Ministro Luis Felipe Salomão. Brasília, DF, 27 ago. 2014. Disponível em: <https://
www.jusbrasil.com.br/diarios/documentos/137672283/recurso-especial-n-1374284-
-mg-do-stj>. Acesso em: 24 mar. 2018.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso especial nº. 1.501.603 — RN (2014/0290071-
6). Relatora: Ministra Nancy Andrighi. DJe, 18 dez. 2017a. Disponível em: <https://ww2.
stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ITA&sequencial=1
668833&num_registro=201402900716&data=20171218&formato=PDF>. Acesso em: 
24 mar. 2018.
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BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. STJ — RESP 1401500 / PR 2013/0293137-0. Relator: 
Ministro Herman Benjamin. 13 set. 2016a. Disponível em: <http://www.portaljustica.
com.br/acordao/1910080>. Acesso em: 24 mar. 2018.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Súmula 479/STJ — 18/12/2017. STJ, 2017b. Dispo-
nível em: <https://www.legjur.com/sumula/busca?tri=stj&num=479>. Acesso em: 
25 mar. 2018.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 635.336 Pernambuco. Re-
lator: Ministro Gilmar Mendes. Brasília, DF, 14 dez. 2016b. Disponível em: <http://
redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=13611711>. Acesso 
em: 25 mar. 2018.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula 341. Brasília, DF: STF, 2017c. Disponível em: 
<http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menuSumarioSumulas.asp?sumula=2478>. 
Acesso em: 25 mar. 2018.
CAVALIERI FILHO, S. Programa de responsabilidade civil. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
DIAS, J. A. Da responsabilidade civil. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2006.
GONÇALVES, C. R. Comentários ao Código Civil. São Paulo: Saraiva, 2003. v. XI.
JOSSERAND, L. Evolução da responsabilidade civil. Revista Forense, Rio de Janeiro, v. 
86, n. 454, p. 52-63, jun. 1941.
PEREIRA, C. M. S. Responsabilidade civil. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1994.
TARTUCE, F. Manual de Direito Civil: volume único. São Paulo: Método, 2011.
TEPEDINO, G. Temas de Direito Civil. Rio de Janeiro: Renovar, 2006. 2. v. 
Leituras recomendadas
ALBERGARIA, B. Histórias do Direito: evolução das leis, fatos e pensamentos. 2. ed. 
São Paulo: Atlas, 2012.
BRASIL. Lei nº. 6.194, de 19 de dezembro de 1974. Dispõe sobre Seguro Obrigatório de 
Danos Pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, ou por sua carga, a 
pessoas transportadas ou não. Brasília, DF, 1974. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/L6194.htm>. Acesso em: 24 mar. 2018.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Tribunais superiores: quais são? O que fazem? 
Brasília, DF: CNJ, 2012. Disponível em: <http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/59218-
-tribunais-superiores-quais-sao-o-que-fazem>. Acesso em: 24 mar. 2018.
FARIAS, T. A natureza jurídica da multa administrativa ambiental e o Superior Tribunal 
de Justiça. Canal Veritas, 2017. Disponível em: <http://canalveritas.com.br/2017/06/28/
multa-admin-ambiental-stj/>. Acesso em: 24 mar. 2018.
GOMES, O. G. A crise do Direito. São Paulo: Max Limonad, 1955.
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GONÇALVES, C. R. Direito Civil brasileiro: responsabilidade civil. 12. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2017. v. 4.
GONÇALVES, C. R. Direito Civil brasileiro: teoria geral das obrigações. 7. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2010. v. 2.
GUIMARÃES, L. R. Responsabilidade civil: histórico e evolução. Conceito e pressupostos. 
Culpabilidade e imputabilidade. Instituição Toledo de Ensino, 2011. Disponível em: <ht-
tps://bdjur.stj.jus.br/jspui/bitstream/2011/19911/Responsablidade%20C%C3%ADvil.
pdf>. Acesso em: 24 mar. 2018.
STOCO, R. Tratado de responsabilidade civil: doutrina e jurisprudência. 7. ed. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2007.
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DICA DO PROFESSOR
A legislação busca por meio de seu enunciado identificar um objeto jurídico a ser protegido. A 
responsabilidade civil, nesse sentido, visa responsabilizar um agente que não cumpre uma 
obrigação jurídica pelo dano causado à vítima. 
Porém, com evolução da sociedade, e atualmente com o avanço rápido da tecnologia e a 
aproximação das pessoas causada por ela, bem como pelo alcance rápido das informações, 
muitos temas fogem a uma previsão na lei. Disso resulta que esses temas, ao gerarem conflitos, 
acabam tendo sua solução somente nos tribunais.
A Dica do Professor de hoje abordará esse assunto.
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EXERCÍCIOS
1) Indique a resposta correta quanto ao momento da evolução da responsabilidade civil,
onde se originou a ação de indenização e as primeiras ideia de culpa:
A) com a vingança coletiva.
B) com a Lei de Talião.
C) com a Lei Aquilia.
D) com a Lei das XXII Tábuas.
E) com o Código de Napoleão.
Dentre as fases da evolução do instituto da responsabilidade civil, é correto afirmar2)
62
que o surgimento da responsabilidade objetiva moderna se deu:
A) no Brasil, somente com o Código Civil de 2002.
B) no Direito Francês, com base na teoria do risco.
C) na Lei das XII Tábuas já estava prevista a responsabilidade objetiva.
D) com a Lei Poetelia Papiria, quando o Estado assumiu a função de punir.
E) o Código de Napoleão não exigia a culpa, portanto, era baseado na responsabilidade
objetiva.
3) Sobre a culpa, é correto afirmar que:
A) a imperícia não é uma forma de culpa.
B) a culpa nasce da vontade de praticar determinada conduta.
C) a imprudência resulta da falta de habilidade técnica.
D) a imperícia resulta do excesso de cuidado pelo agente.
E) a negligência é a modalidade de culpa em que o agente falta com o dever de cuidado.
4) Sobre os tipos de responsabilidade civil, aponte a alternativa correta:
A) Na responsabilidade objetiva não se discute a culpa.
63
B) Na culpa presumida não há a inversão do ônus da prova.
C) A teoria do risco justifica a responsabilidade subjetiva.
D) A culpa por negligência não precisa ser provada.
E) Na responsabilidade objetiva não se discute o dano.
5) Responda qual a alternativa correta quanto ao tratamento do tema da
resposanbilidade civil pelas Cortes Superiores do Brasil:
A) Para os Tribunais, basta que a lei seja aplicada, sem necessitar muita interpretação.
B) Muitos temas modernos não devem ser levados aos Tribunais, pois a lei deve mudar e
prever cada caso isoladamente.
C) As multas por danos ambientais foram debatidas pelo STJ, foram definidos critérios que
estabeleceram que a responsabilidade é objetiva como forma de reparação civil de um
dano ambiental, e a responsabilidade é subjetiva no caso de multasadministrativas.
D) Segundo os Tribunais, na colisão traseira a culpa é sempre de quem bate atrás.
E) Segundo o STJ, as instituições financeiras respondem com culpa pelos danos causados aos
seus correntistas, em caso de fraude provocada por terceiros.
NA PRÁTICA
Na responsabilidade civil a análise da culpa reflete o tipo de obrigação existente, bem como 
define haverá a obrigação de reparar o dano. A culpa é a não observância de um dever que o 
agente podia conhecer e observar. 
64
Na responsabilidade subjetiva é necessária a prova da culpa, a qual não é examinada na 
responsabilidade objetiva, bastando a prova do dano.
A prática proposta mostra como é feita essa análise do tipo de responsabilidade jurídica na 
prática.
65
66
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Responsabilidade objetiva do Estado: Teoria do Risco Administrativo
Amplie seus conhecimentos sobre a responsabilidade objetiva do Estado neste vídeo que explica 
de forma simples como ela funciona.
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Responsabilidade civil nas relações de consumo
Aprofunde seus conhecimentos sobre a responsabilidade objetiva no Direito do Consumidor.
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67
Marco civil da internet
APRESENTAÇÃO
O uso da Internet é cada vez mais parte da vida diária das pessoas. Dois fatores contribuíram 
para o aumento da utilização da Internet no mundo e, principalmente, no Brasil: o custo cada 
vez mais acessível dos dispositivos móveis, como smartphones, tablets e computadores, à 
grande parte da população; a diminuição dos planos de acesso à Internet oferecidos por 
provedores e operadoras de telefonia nos últimos anos. 
Para que os usuários possam ter seu direito garantido ao acessar todos os recursos disponíveis, é 
necessária a criação de leis que poderão assegurar os direitos, os quais já são, em parte, previstos 
pela Constituição Federal de 1988 e outros dispositivos que surgiram devido ao uso de novas 
tecnologias.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar o impacto do Marco Civil da Internet, 
também conhecido como Constituição Brasileira da Internet, e compreender quais são os 
principais aspectos que envolvem os provedores de acesso à Internet, os provedores de conteúdo 
ou aplicativos e também as questões que irão nortear as redes privadas das organizações.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer os aspectos que gerenciam o Marco Civil da Internet no Brasil.•
Analisar os princípios de neutralidade, privacidade na Internet e registro de acessos.•
Relacionar a liberdade de expressão dos usuários com a responsabilidade dos provedores 
de serviços web.
•
DESAFIO
O Marco Civil da Internet é uma lei que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para 
o uso da Internet no Brasil. O principal objetivo é regulamentar a rede no País para garantir que
a Internet continue livre, não proprietária e culturalmente diversificada. Apesar de a Lei não
68
prever questões em relação às redes privadas das empresas, acaba afetando muitos 
procedimentos privados. 
A referida Lei trouxe uma série de dúvidas em relação às políticas internas das empresas. 
Considere os seguintes artigos desse dispositivo legal:
69
Você faz parte da equipe de segurança da informação da sua empresa. Após analisar os artigos 
do Marco Civil da Internet, juntamente com o administrador da rede corporativa, elabore as 
seguintes respostas: 
a) Qual a responsabilidade da empresa pelos conteúdos propagados a partir dos domínios de sua
70
rede interna?
b) Proponha medidas que garantam o alinhamento das premissas estabelecidas pelo Marco Civil
da Internet com o uso dos recursos de acesso à Internet da empresa.
INFOGRÁFICO
Os princípios de neutralidade, privacidade e registro de acessos foram previstos como pontos 
fundamentais do Marco Civil da Internet. Essa lei garantiu a liberdade de expressão dos 
usuários, considerou a responsabilidade de quem publica os conteúdos e também a dos 
provedores de serviços web.
Neste Infográfico, você verá uma explicação dos principais aspectos e sua aplicação em relação 
a todas as partes envolvidas na utilização da rede.
71
72
CONTEÚDO DO LIVRO
O Marco Civil da Internet representou um grande avanço no tratamento dos direitos e deveres 
dos usuários da Internet. Foi uma lei que colocou o Brasil na vanguarda em termos de legislação 
da Internet. Hoje, muitos países citam a Lei brasileira.
No capítulo Marco Civil da Internet, da obra Ética e legislação, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, você verá os aspectos que gerenciam o Marco Civil da Internet no Brasil.
Boa leitura.
73
Marco civil da internet
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer os aspectos que gerenciam o marco civil da internet
no Brasil.
 � Analisar os princípios de neutralidade, privacidade na internet e re-
gistro de acessos.
 � Relacionar a liberdade de expressão dos usuários com a responsabi-
lidade dos provedores de serviços web.
Introdução
Neste capítulo, você vai estudar os principais elementos propostos pelo 
marco civil da internet. Assim que o marco civil da internet foi instituído, 
em 23 de abril de 2014, por meio da Lei nº. 12.965, foram estabelecidas 
as diretrizes para o uso da internet no Brasil, considerando os princípios, 
as garantias, os direitos e os deveres das partes.
O marco civil da internet é muito importante, tanto que é considerado 
a “constituição da internet” no Brasil. Como você vai ver, muitos elementos 
de interesse de toda a comunidade da internet foram considerados nele, 
como: neutralidade, privacidade e liberdade de expressão.
1 Trajetória do marco civil da internet
O marco civil da internet foi desenvolvido de forma inédita para o Brasil. 
Afinal, ele contou com a efetiva participação da sociedade civil por meio de 
cerca de 2 mil contribuições formais e informais. Assim, a Lei nº. 12.965/2014 
foi construída de modo coletivo. A participação em massa da comunidade civil 
foi de grande contribuição para o projeto como um todo.
74
Em outros países, é possível observar a constante participação da sociedade civil na 
construção de leis, mas no Brasil isso não é comum, por isso o destaque do marco 
civil da internet.
No Brasil, todo projeto de lei passa por diversos trâmites para ser aprovado. 
Muitas vezes, tais trâmites envolvem interesses políticos, que nem sempre 
condizem com os interesses de quem de fato será afetado pela lei. Muitas 
votações e ajustes podem ocorrer tanto na Câmara dos Deputados quanto no 
Senado. Além disso, é claro, pode haver vetos presidenciais. Esse processo 
pode durar meses ou até anos, como ocorreu no caso das discussões que 
levaram à aprovação do marco civil da internet. No Quadro 1, a seguir, veja 
os principais pontos do marco civil da internet e a evolução nas discussões: 
do projeto de lei até a versão final.
Temas
2011 (texto 
original)
2012 (proposta 
do relator)
2014 (proposta 
aprovada)
Internet livre 
(neutralidade 
da rede)
Os provedores de 
internet devem 
dar tratamento 
igualitário 
de acesso e 
velocidade 
a todos os 
sites, a não ser 
por aspectos 
técnicos.
A neutralidade 
poderá ser rompida 
para priorizar 
emergências 
(segurança 
pública, etc.). A 
regulamentação 
ocorrerá por decreto 
presidencial, 
após consulta ao 
Comitê Gestor da 
Internet (CGI).
Além do CGI, 
a Agência Na-
cional de Tele-
comunicações 
(Anatel) deverá 
ser consultada. A 
regulamentação 
das exceções será 
feita por deter-
minação consti-
tucional de “fiel 
execução da lei”.
Quadro 1. Evolução da criação do marco civil da internet
(Continua)
Marco civil da internet
75
Temas
2011 (texto 
original)
2012 (proposta 
do relator)
2014 (proposta 
aprovada)
Privacidade Os provedores 
devemguardar 
o registro de 
acesso geral à 
internet, mas não 
podem manter 
os registros 
específicos de 
acesso a sites.
Permanece igual. Sites na 
internet com 
fins lucrativos, 
como Google e 
Facebook, devem 
manter o registro 
de acesso por 
seis meses. Não 
podem guardar 
dados pessoais 
que extrapolem 
o serviço.
Dados pes-
soais e co-
municações 
na internet
Os registros de 
acesso à internet 
devem prezar 
pela intimidade, 
pela vida privada 
e pela honra. 
Poderão ser 
fornecidos 
somente após 
ordem judicial.
Permanece igual. Dados pessoais 
e conteúdo de 
comunicações 
privadas são 
incluídos no 
texto, o que 
permite que 
autoridades 
tenham acesso 
a eles via ação 
judicial.
Liberdade 
de expressão 
versus 
conteúdo 
ilegal/
ofensivo
Provedores não 
são punidos por 
publicações de 
terceiros. Já sites 
e aplicações são 
responsabilizados 
se não acatarem 
a Justiça.
A viabilidade 
técnica para 
serviços retirarem 
publicações após 
ordem judicial conta. 
O conteúdo pode 
ser substituído 
pela ordem judicial 
sobre a retirada.
Se o conteúdo 
tiver imagens 
de nudez ou 
de atos sexuais 
do ofendido, o 
serviço deverá 
retirá-lo após 
notificação, sem 
necessidade de 
ação judicial.
Quadro 1. Evolução da criação do marco civil da internet
(Continua)
(Continuação)
Marco civil da internet
76
Fonte: Adaptado de Gomes (2015).
Temas
2011 (texto 
original)
2012 (proposta 
do relator)
2014 (proposta 
aprovada)
Monito-
ramento 
na web
Não previa 
qualquer forma 
de coleta de 
dados pessoais 
na internet.
Dados dos usuários 
poderão ser 
utilizados para as 
finalidades que 
fundamentam a 
oferta de um serviço 
e seu uso deverá 
ser especificado. 
O usuário pode 
pedir a exclusão 
dos seus dados.
A utilização 
deverá ser 
explicitada já 
no contrato. 
Serão nulos os 
contratos que 
não permitam 
ações na Justiça 
brasileira. O 
Código do 
Consumidor 
passa a valer 
nessa relação.
Quadro 1. Evolução da criação do marco civil da internet
(Continuação)
O projeto de lei do marco civil da internet teve início em 2009, mas só 
entrou em pauta de votação em outubro de 2013, por conta de um pedido 
presidencial denominado “urgência constitucional”. A partir de agora, você 
vai conhecer todo o trâmite realizado desde as discussões iniciais até a votação 
e a aprovação da lei. O CGI, em sua terceira reunião ordinária, que ocorreu 
em 2009, aprovou a Resolução CGI.br/RES/2009/003/P — Princípios para 
a Governança e Uso da Internet no Brasil, chamado de “decálogo do CGI.
br”. Esse foi um dos documentos inspiradores da criação do marco civil da 
internet (COMITE, 2009).
A Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça (SAL/MJ), 
em parceria com a Escola de Direito do Rio de Janeiro, da Fundação Getúlio 
Vargas (FGV Direito Rio), lançou o projeto para a construção colaborativa 
de um marco civil da internet no Brasil. Por sua vez, o Ministério da Cultura 
“concedeu” a sua plataforma para os debates. Durante a primeira fase, entre 29 
de outubro e 17 de dezembro de 2009, foram mais de 800 contribuições entre 
comentários, e-mails e referências propositivas em sites (MARCO..., 2009).
Marco civil da internet
77
A partir dos debates e das sugestões da primeira fase, criou-se a minuta 
do anteprojeto do marco civil, que voltou a ser discutida, em uma segunda 
fase, por meio de um processo de construção colaborativa com participação 
da sociedade. Os debates públicos dessa segunda fase foram iniciados em 
8 de abril e encerrados em 30 de maio de 2010 (BRASIL, 2010). Em junho 
de 2010, ocorreu a primeira decisão judicial que menciona a iniciativa do 
marco civil. A desembargadora Letícia de Faria Sardas, da 20ª Câmara Cível 
do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), no Agravo de Instrumento 
(AI) nº. 0013822-08.2010.8.19.0000, afirmou o seguinte: “O Marco Civil da 
Internet no Brasil, submetido à segunda consulta pública, estabelece os direitos 
dos cidadãos brasileiros na internet. [...] Ponto muito importante e positivo do 
Marco Civil é a forma como propõe regular os direitos e deveres relativos aos 
vários dados gerados pelo usuário quando navega” (RIO DE JANEIRO, 2010).
O projeto de lei do marco civil da internet — Projeto de Lei nº. 2.126, de 
2011 — foi então apresentado à Câmara dos Deputados pelo Poder Executivo. 
Tal projeto estabeleceu “princípios, garantias, direitos e deveres para o uso 
da Internet no Brasil” (BRASIL, 2011b). Uma comissão especial foi reunida 
pela Câmara para analisar a proposta de criação do marco civil da internet 
em 26 de novembro de 2011. A instalação da comissão ocorreu no dia 28 de 
março de 2012. Os deputados João Arruda e Manoel Junior foram eleitos, 
respectivamente, presidente e primeiro vice-presidente do colegiado. Já o 
relator escolhido foi o deputado Alessandro Molon.
Por meio do portal e-Democracia, da Câmara, ocorreu um amplo debate 
virtual sobre princípios, garantias, direitos e deveres relativos ao uso da in-
ternet no Brasil. As contribuições desse debate auxiliaram os trabalhos dos 
deputados envolvidos com o tema (BRASIL, 2011a; BRASIL, 2012). No dia 20 
de julho de 2012, os conselheiros presentes na reunião ordinária do CGI, por 
unanimidade, declararam amplo apoio ao parecer final do deputado federal 
Alessandro Molon e à aprovação de tal parecer na comissão especial da Câmara 
dos Deputados (COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL, 2012).
O cientista britânico Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web 
(WWW), declarou apoio ao projeto do marco civil e incentivou os brasilei-
ros a pressionarem para que a votação começasse logo. Segundo ele, o Brasil 
estava à frente dos demais países porque a proposta partia da perspectiva de 
direitos humanos (MATURANA, 2013). Além disso, naquele período, ocorreu 
um fato de repercussão mundial quando o norte-americano Edward Snowden, 
um analista de sistemas que trabalhou na Central Intelligence Agency (CIA) 
e na National Security Agency (NSA), tornou públicos detalhes de vários 
programas que constituem o sistema de vigilância global da NSA, inclusive 
Marco civil da internet
78
detalhes de como a agência americana espionava a então presidente da Repú-
blica Dilma Rousseff. Além disso, foram divulgadas importantes transações 
milionárias envolvendo o leilão da área de exploração de petróleo do pré-sal 
(ENTENDA..., 2014).
O governo brasileiro precisava dar uma resposta ao mundo em relação 
à proteção dos dados de seus cidadãos e, principalmente, de membros do 
Congresso Nacional. Assim, a proposta do marco civil da internet, que estava 
na Câmara, passou a tramitar em regime de urgência constitucional (GON-
ÇALVES, 2014).
O presidente da República pode solicitar que projetos de lei de sua autoria tramitem 
em regime de urgência (art. 65 da Constituição). É a chamada “urgência constitucional”. 
Nesse caso, a Câmara tem 45 dias para votar a matéria, e o Senado, mais 45 dias para 
apreciá-la. Se nesse prazo os parlamentares não concluírem a votação, o projeto passará 
a trancar a pauta de deliberações da casa em que estiver tramitando, ou seja, nada 
poderá ser votado antes que o projeto em urgência constitucional seja apreciado 
(AGÊNCIA BRASIL DE NOTÍCIAS, 2004).
A então presidente Dilma Rousseff defendeu, em 24 de setembro de 2013, 
na 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o estabelecimento de 
um marco civil multilateral para a governança e o uso da internet, bem como 
medidas que garantissem a efetiva proteção dos dados. Dilma afirmou que 
as revelações sobre as atividades de uma rede global de espionagem eletrô-
nica provocaram indignação e repúdio em amplos setores da opinião pública 
mundial. No Brasil, a situação foi ainda mais grave, pois dados pessoais de 
cidadãos e da própria presidente da República foram indiscriminadamente 
objeto de interceptação (PASSARINHO, 2013).
O relator do marco civil da internet, deputado Alessandro Molon, apresentou 
uma nova versão do texto final do seu parecer a pedido de Dilma. No novo 
texto, ele incluiu regraspara tentar coibir a espionagem de dados de usuários 
brasileiros por empresas de internet estrangeiras. O novo texto condicionou a 
uma nova regulamentação, por meio de decreto do governo, a obrigação dos 
provedores de internet que exercem atividades no Brasil de guardarem os seus 
dados em data centers no País (BRASIL, 2011c).
Marco civil da internet
79
O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o marco civil da internet no 
dia 25 de março de 2014. A partir de 26 de março de 2014, o projeto passou 
a tramitar no Senado Federal (Projeto de Lei da Câmara nº. 21, de 2014). 
O marco civil da internet foi apreciado simultaneamente pelas comissões de 
ciência, tecnologia, inovação, comunicação e informática; de meio ambiente, 
defesa do consumidor e fiscalização e controle; e de constituição, justiça e 
cidadania. Ele pôde receber emendas somente nas comissões de ciência, 
tecnologia, inovação, comunicação e informática, pelo prazo único de cinco 
dias úteis (BRASIL, 2014b).
O projeto que regulamenta a internet brasileira recebeu 41 emendas de 
senadores. Acabado o prazo para a apresentação de emendas, os relatores do 
projeto nas comissões estudaram o assunto e emitiram os seus votos, levando 
em conta as sugestões dos colegas. O projeto entrou em votação no Senado e foi 
finalmente aprovado como Lei nº. 12.965 em 23 de abril de 2014. A aprovação 
ocorreu na véspera de um importante evento sobre internet, o NETmundial — 
Encontro Multissetorial Global Sobre o Futuro da Governança da Internet, que 
aconteceu nos dias 23 e 24 de abril de 2014, em São Paulo. Esse evento teve 
como foco a elaboração de princípios de governança da internet e a proposta 
de um roteiro para a evolução futura desse ecossistema.
O marco civil da internet foi apresentado aos participantes durante o en-
contro. Embora não tenha agradado inteiramente a todos os representantes das 
dezenas de países participantes — e esteja longe de ser um documento perfeito, 
como reconheceu o presidente do comitê executivo do encontro, o brasileiro 
Virgílio Almeida —, o texto final apresentado no NETmundial resume as 
contribuições de diferentes regiões e de diferentes interessados na rede mundial 
de computadores. Sobretudo, tal texto reafirma importantes princípios para a 
gestão e o uso da rede mundial de computadores (A GESTÃO..., 2014).
Na ocasião, Vint Cerf, inventor do protocolo TCP/IP e considerado o 
“pai da internet”, opinou sobre o marco civil. Veja o que ele disse: “o grande 
teste será agora, após a aprovação. Quão efetiva será essa legislação? Como 
ela será implementada? Muitos especialistas, entre os quais me incluo, que-
rem saber como e se o Marco Civil vai realmente funcionar como esperado” 
(HONORATO, 2014).
O marco civil da internet sinalizou que o acesso à internet é um instrumento 
essencial ao exercício da cidadania e da liberdade de expressão, elevando-o ao 
patamar de garantia constitucional. O marco civil da internet foi publicado na 
edição de 24 de abril de 2014 do Diário Oficial da União (BRASIL, 2014a).
Marco civil da internet
80
2 Neutralidade, privacidade e 
registro de acessos
A neutralidade de rede está prevista no art. 9º da Lei nº. 12.965/2014. A neutra-
lidade, nesse contexto, diz respeito sobretudo ao acesso igualitário à internet, 
como expressa o dispositivo: “O responsável pela transmissão, comutação ou 
roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de 
dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou 
aplicação” (BRASIL, 2014a).
Para garantir a igualdade na rede, a lei buscou proibir que os provedores 
de conexão restrinjam o acesso dos internautas a determinadas aplicações. 
Para tanto, definiu uma imposição legal: os provedores/operadoras não po-
dem estabelecer pacotes de preços diferenciados para o acesso exclusivo a 
determinados sites. Seria o caso, por exemplo, de planos que só acessam redes 
sociais (MACHADO, 2014). Ademais, os usuários, ao contratarem um plano 
de internet, devem pagar apenas pela velocidade contratada, não podendo 
haver limitação de acesso a determinados sites ou mesmo serviços.
A lei foi taxativa ao proibir atos que violem o princípio da neutralidade de 
rede, como o estímulo ao acesso a determinadas aplicações. Porém, a própria 
lei prevê as possíveis exceções à regra, que serão regulamentadas por meio de 
decreto e somente após consulta prévia ao CGI e à Anatel. Tais exceções dizem 
respeito apenas aos “requisitos técnicos indispensáveis à prestação adequada 
dos serviços e aplicações” e à priorização dos serviços de emergência, nos 
termos do art. 9º, § 1º, da Lei nº. 12.965/2014. Veja (BRASIL, 2014a):
Art. 9º O responsável pela transmissão, comutação ou roteamento tem o dever 
de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por 
conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação.
§ 1º A discriminação ou degradação do tráfego será regulamentada nos termos 
das atribuições privativas do Presidente da República previstas no inciso IV 
do art. 84 da Constituição Federal, para a fiel execução desta Lei, ouvidos
o Comitê Gestor da Internet e a Agência Nacional de Telecomunicações, e
somente poderá decorrer de:
I — requisitos técnicos indispensáveis à prestação adequada dos serviços e 
aplicações; e
II — priorização de serviços de emergência.
Marco civil da internet
81
Outra questão prevista na lei se refere à proibição de os provedores utiliza-
rem comercialmente dados pessoais de seus usuários, exceto se estes consen-
tirem expressamente. Assim, se anteriormente os dados dos internautas eram 
negociados livremente pelos provedores, depois da aprovação do marco civil, 
foi proibida a utilização do histórico de navegação para fins comerciais. Isso é 
importante especialmente para limitar as enxurradas de anúncios publicitários 
personalizados e com temáticas de assuntos pesquisados anteriormente em 
sites de busca (MACHADO, 2014).
Dessa forma, conforme previsão do art. 7º, VII e X, do marco civil da 
internet, para que os provedores possam utilizar os dados pessoais de um 
internauta, este deve consentir “livre, expresso e informado”. Ademais, tal 
autorização pode ser revogada a qualquer momento pelo usuário dos serviços 
de internet, exigindo-se a “exclusão definitiva dos dados pessoais que tiver 
fornecido a determinada aplicação de internet”, ressalvando apenas as guardas 
obrigatórias previstas na lei.
Em relação às previsões legais acerca da obrigatoriedade de armazena-
mento e disponibilização dos registros de conexão e de acesso a aplicações 
de internet, além dos dados pessoais e comunicações privadas, os provedores 
não podem se abster da preservação da intimidade, da vida privada, da honra 
e da imagem das partes direta ou indiretamente envolvidas (art. 10 da Lei 
nº. 12.965/2014). As empresas só estarão obrigadas a fornecer tais informações 
dos usuários a partir de determinação judicial.
No entanto, o art. 10, § 3º, do marco civil possibilita que as autoridades ad-
ministrativas requisitem dados cadastrais que informem a qualificação pessoal, 
a filiação e o endereço de determinado usuário. Ora, tal regulamentação deixa 
uma cláusula aberta ao mencionar apenas a “autoridade administrativa”, sem 
especificá-la. Assim, há insegurança quanto ao real sigilo das informações 
pessoais dos usuários. Veja o que a lei afirma (BRASIL, 2014a):
Art. 10. A guarda e a disponibilização dos registros de conexão e de acesso 
a aplicações de internet de que trata esta Lei, bem como de dados pessoais 
e do conteúdo de comunicações privadas, devem atender à preservação da 
intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das partes direta ou in-
diretamente envolvidas. [...]
§ 3º O disposto no caput não impede o acesso aos dados cadastrais que infor-
mem qualificação pessoal, filiação e endereço, na forma da lei, pelas autori-
dades administrativas que detenham competência legal para a sua requisição.
Marco civil da internet
82
Além disso, o marco civil da internetestabeleceu que todos os provedores 
de internet devem manter os registros de conexão por um ano (art. 13). Já os 
registros de acesso a aplicações devem ser mantidos por seis meses (art. 15). Tal 
regra vale inclusive para empresas estrangeiras que operam no Brasil. Assim, 
no caso de descumprimento, incidirão sanções que podem ser aplicadas isolada 
ou cumulativamente. Entre tais sanções, você pode considerar: advertência; 
multa de até 10% do faturamento do grupo econômico no Brasil; suspensão 
temporária ou proibição do exercício das atividades (MACHADO, 2014).
Contudo, alguns pontos devem ser observados quanto a essa regulamenta-
ção. Primeiramente, o fato de os provedores de internet terem de armazenar 
por um período de tempo considerável os registros de conexão e de acesso a 
aplicações desencadeia um custo extra às empresas. Estas, por conseguinte, 
poderão repassar essa despesa aos consumidores. Além disso, outro ponto que 
merece cuidado se refere ao efetivo sigilo e à inviolabilidade das informações 
pessoais dos internautas. Afinal, são corriqueiras as notícias relativas a sites 
públicos e privados invadidos que têm seus dados furtados.
A TV Senado exibiu um documentário sobre o marco civil da internet. O vídeo está 
disponível no YouTube e no site do Observatório do Marco Civil da Internet. Faça uma 
busca on-line e confira!
3 A liberdade de expressão dos usuários e 
a responsabilidade dos provedores
A liberdade de expressão é um ponto muito importante contemplado pelo 
marco civil da internet. Como você sabe, a internet oferece um espaço eclético 
para qualquer tipo de manifestação. Além disso, por meio dela, os usuários 
podem expressar a sua opinião sobre qualquer tema. Contudo, nem todas as 
manifestações são realizadas de forma positiva (CRUZ, 2019).
Com o marco civil da internet, o direito dos usuários de se expressarem 
livremente continua garantido. No entanto, assim como acontece no mundo 
físico, agora os indivíduos podem ser responsabilizados por suas ações na 
internet. Ao contrário do que muitos ainda podem imaginar, a internet não 
Marco civil da internet
83
é uma terra sem lei, em que você pode ofender quem quer que seja ou tecer 
comentários preconceituosos sem que lhe seja imposta nenhuma punição 
(CRUZ, 2019).
O marco civil da internet considera a responsabilidade civil dos provedo-
res. A fim de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, a Lei 
nº. 12.965/2014 estabelece, em seu art. 19, que os provedores de aplicações de 
internet só poderão ser responsabilizados civilmente por danos decorrentes de 
conteúdos gerados por terceiros na hipótese de que, mesmo após determinação 
judicial, não tomem as medidas pertinentes. Ou seja, os provedores só serão 
obrigados a retirar determinado conteúdo publicado na rede mediante ordem 
judicial; se não o fizerem no prazo assinalado, eles poderão ser responsabi-
lizados (BRASIL, 2014a).
Em consonância com o que já vinha sendo julgado nos tribunais, o art. 18 
da lei normatiza o entendimento de que as empresas de conexão de internet 
não serão responsabilizadas civilmente por danos gerados por conteúdos 
produzidos por terceiros. Isso se mostra prudente, visto a ingerência das 
empresas frente ao teor das publicações.
A partir do marco civil da internet, a retirada de conteúdos da rede neces-
sariamente passa pelo crivo judicial. Porém, a lei não se omitiu quanto aos 
meios de facilitação de tal medida, conforme o art. 19, § 4º. Tal dispositivo 
prevê a possibilidade de se antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da 
tutela pretendida. Isso pode ser feito desde que haja prova inequívoca do fato, 
verossimilhança da alegação do autor, receio fundado de dano irreparável ou 
de difícil reparação e, o que é inovador, desde que seja observado o “interesse 
da coletividade na disponibilização do conteúdo na internet” (BRASIL, 2014a).
Entende-se que “interesse da coletividade na disponibilização do conteúdo 
na internet” na verdade foi a forma encontrada pelo legislador para garantir que 
o magistrado somente conceda a medida antecipatória caso observe que a sua
concessão não causará prejuízos ao interesse da coletividade na informação
(MACHADO, 2014).
No entanto, a lei é clara ao ressalvar que, em casos de nudez e sexo, os 
provedores são obrigados a retirar o conteúdo ofensivo após mero pedido 
extrajudicial da vítima, não sendo necessária intervenção judicial (art. 21). 
Isso se mostra plausível diante da velocidade com que esse tipo de conteúdo 
se espalha, de modo que é necessária máxima urgência na sua retirada da 
rede, a fim de evitar o agravamento do dano. Como você deve imaginar, 
o Judiciário não conseguiria propiciar a celeridade exigível para esses casos.
Marco civil da internet
84
Além disso, considere o que afirma o art. 19, § 3º (BRASIL, 2014a):
§ 3º As causas que versem sobre ressarcimento por danos decorrentes de
conteúdos disponibilizados na internet relacionados à honra, à reputação
ou a direitos de personalidade, bem como sobre a indisponibilização desses 
conteúdos por provedores de aplicações de internet, poderão ser apresentadas 
perante os juizados especiais.
Com isso, garante-se às vítimas todas as peculiaridades inerentes aos 
juizados, como a desnecessidade de patrocínio de advogado para o ingresso 
com a ação, a isenção de custas em primeiro grau, além da celeridade e da 
informalidade do rito. Mas, é claro, em ações cumuladas com reparação de 
danos, os valores pretendidos com a reparação não podem ultrapassar o limite 
de alçada dos juizados, inclusive no que tange à necessidade do patrocínio de 
advogado (MACHADO, 2014).
Como você viu, muitos esforços foram feitos para que o marco civil da 
internet pudesse garantir a liberdade de expressão dos usuários, bem como a 
responsabilidade dos provedores de serviços web. O marco civil da internet 
trouxe uma série de direitos e deveres para todos os envolvidos com o uso da 
internet, tanto usuários quanto provedores. Por isso, é fundamental que todo 
profissional de Tecnologia da Informação (TI) conheça os pontos previstos na 
lei, a fim de garantir que as empresas adotem mecanismos, regras e técnicas 
para cumpri-los.
Você sabia que a constituição da Islândia foi elaborada de forma colaborativa por 
meio da internet? Nas redes sociais e no site oficial do conselho criado para a redação 
do documento, os cidadãos sugeriram itens e opinaram a respeito de mudanças. 
Para saber mais sobre essa experiência, faça uma pesquisa na internet (SALES, 2013).
Marco civil da internet
85
A GESTÃO da Internet. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 26 abr. 2014. Disponível em: 
https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,a-gestao-da-internet-imp-,1158813. 
Acesso em: 21 abr. 2020.
AGÊNCIA BRASIL DE NOTÍCIAS. Urgência constitucional. Câmara dos Deputados, Brasília, 
20 abr. 2004. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/47245-urgencia-
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BRASIL. Câmara dos Deputados. Conheça a última versão do Relatório do Marco Civil 
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BRASIL. Câmara dos Deputados. Marco Civil da Internet: Guia de discussão. e-Democracia, 
Brasília, 2011a. Disponível em: http://arquivo.edemocracia.camara.leg.br/web/marco-
-civil-da-internet/inicio#.XnJqMC3Oq-s. Acesso em: 21 abr. 2020.
BRASIL. Câmara dos Deputados. PL 2126/2011: Projeto de Lei, apresentado em 24 de agosto 
de 2011. Estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no 
Brasil. Brasília: Câmara dos Deputados, 2011b. Disponível em: http://www.camara.gov.
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Marco civil da internet
86
COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL. Resolução CGI.br/RES/2012/010/P. Posicio-
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São Paulo, 23 abr. 2014. Disponível em: https://veja.abril.com.br/tecnologia/e-preciso-
-avaliar-a-eficacia-do-marco-civil-diz-pai-da-internet/. Acesso em: 21 abr. 2020.
MACHADO, R. C. Marco civil da internet - Análise dos pontos relevantes da Lei 
nº 12.965/2014. Jus, Teresina, 23  jul. 2014. Disponível em: https://jus.com.br/arti-
gos/30162/marco-civil-da-internet-analise-dos-pontos-relevantes-da-lei-n-12-965-2014. 
Acesso em: 21 abr. 2020.
MARCO Civil da Internet: seus direitos e deveres em discussão. Cultura Digital, [S. l.], 
29 out. 2009. Disponível em: http://culturadigital.br/marcocivil/page/31. Acesso em: 
21 abr. 2020.
MATURANA, M. Aos 20 anos da web, Brasil discute marco legal. Senado Notí-
cias, Brasília, 28 maio 2013. Disponível em: http://www12.senado.gov.br/noticias/
materias/2013/05/28/aos-20-anos-da-web-brasil-discute-marco-legal. Acesso em: 
21 abr. 2020.
PASSARINHO, N. Dilma diz na ONU que espionagem fere soberania e direito interna-
cional. G1, São Paulo, 24 set. 2013. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noti-
cia/2013/09/dilma-diz-na-onu-que-espionagem-fere-soberania-e-direito-internacional.
html. Acesso em: 21 abr. 2020.
RIO DE JANEIRO (Estado). Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Agravo de Instrumento 
0013822-08.2010.8.19.0000. 2010. Disponível em: http://www1.tjrj.jus.br/gedcacheweb/
default.aspx?UZIP=1&GEDID=0003CE5019F3DCD994E204507450C838B5FC2CC4024
71F29. Acesso em: 21 abr. 2020.
Marco civil da internet
87
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
SALVES, D. Constituição colaborativa da Islândia serve de exemplo ao Brasil. Terra, Porto 
Alegre, 23 maio 2013. Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/tecnologia/
internet/constituicao-colaborativa-da-islandia-serve-de-exemplo-ao-brasil,f9f3a0b2
993de310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html. Acesso em: 21 abr. 2020.
Leituras recomendadas
BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei nº. 2.126 de 2011: Emenda Aglutinativa 
1. Brasília: Câmara dos Deputados, 2014. Disponível em: http://www.camara.gov.br/
internet/agencia/pdf/Emenda_aglutinativa_N_1.pdf. Acesso em: 21 abr. 2020.
BRASIL. Câmara dos Deputados. Sessão: 359.3.54.O. Debate do Marco Civil da Internet. 
Brasília: Câmara dos Deputados, 2013. Disponível em: http://www.camara.leg.br/inter-
net/sitaqweb/TextoHTML.asp?etapa=3&nuSessao=359.3.54.O&nuQuarto=3&nuOrador
=3&nuInsercao=0&dtHorarioQuarto=09:21&sgFaseSessao=CG. Acesso em: 21 abr. 2020.
Marco civil da internet
88
DICA DO PROFESSOR
O Marco Civil da Internet foi muito importante para garantir os principais aspectos de direitos e 
deveres dos usuários da rede, porém as constantes evoluções acabam gerando brechas que 
precisarão ser sanadas com a revisão da lei ou mesmo a criação de leis adicionais. 
Nesta Dica do Professor, você irá entender um pouco do que se passou desde a criação da Lei e 
quais são os novos desafios do momento.
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EXERCÍCIOS
1) O Marco Civil da Internet foi estabelecido pela Lei n.o 12.965/2014 e tem como
princípio básico o fato de que o responsável pela transmissão, pela comutação ou pelo
roteamento tem o dever de tratar de forma igual quaisquer pacotes de dados, sem
distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação. Isso
significa, na prática, que todas as informações que trafegam na rede devem ser
tratadas da mesma forma, navegando na mesma velocidade, sendo ilegal o uso de
recursos como, por exemplo, traffic shaping.
Esse princípio básico do Marco Civil da Internet chama-se:
A) neutralidade da rede.
B) isonomia de dados.
C) finalidade social da rede.
D) preservação dos aspectos participativos da redes.
89
E) preservação da estabilidade, segurança e funcionalidade da rede.
2) O Marco Civil da Internet é uma Lei que estabelece princípios, garantias, direitos e
deveres para o uso da Internet no Brasil. O principal objetivo é regulamentar a rede
no País para garantir que a Internet continue livre, não proprietária e culturalmente
diversificada. A Lei também prevê liberdade de expressão aos seus usuários.
A lei tem entre seus princípios:
A) a preservação da natureza participativa da rede.
B) a livre divulgação dos dados pessoais.
C) a proteção do direito de ir e vir.
D) o controle pela União dos modelos de negócio da Internet.
E) o controle da expressão e da manifestação por parte da União.
3) Para a Lei n.o 12.965/2014, consideram-se: _______________: o sistema constituído
do conjunto de protocolos lógicos, estruturado em escala mundial para uso público e
irrestrito, com a finalidade de possibilitar a comunicação de dados entre terminais
por meio de diferentes redes; _______________: a habilitação de um terminal para
envio e recebimento de pacotes de dados pela Internet, mediante a atribuição ou
autenticação de um endereço IP; ________________:o conjunto de funcionalidades
que podem ser acessadas por meio de um terminal conectado à Internet.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas na ordem exposta no
enunciado:
A) Internet; conexão à Internet; aplicações de Internet.
90
B) Terminal; registro de conexão; registro de acesso a aplicações de Internet.
C) Internet; registro de conexão; aplicações de Internet.
D) Internet; registro de conexão; registro de acesso a aplicações de Internet.
E) Terminal; endereço de protocolo de Internet (endereço IP); aplicações de Internet.
4) A página do Facebook de uma entidade filantrópica começa a receber diversas
ofensas dirigidas aos seus colaboradores. Como a empresa deve interagir com o
Facebook para que este disponibilize as informações pessoais dos usuários que
criaram os perfis (como: “João Justiceiro”; “Em busca de verdades”) que foram
responsáveis pelas mensagens ofensivas?
Com base no disposto na Lei n.o 12.965/2014, que estabelece princípios, garantias,
direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil, assinale a alternativa correta:
A) A requisição judicial de fornecimento de registros de conexão ou acesso a aplicações de
Internet apresentado pela entidade não tem requisitos legais mínimos para ser admitida,
devendo, no mínimo, elucidar os fundados indícios da ocorrência de um ilícito.
B) Aos usuários responsáveis pela criação dos perfis são assegurados a inviolabilidade e o
sigilo do fluxo de suas comunicações pela Internet, que não poderão ser infringidas mesmo
mediante de ordem judicial. Portanto, nada poderá ser revelado ao solicitante.
C) O caso narrado no enunciado não se aplica à Lei n.o 12.965/2014. O texto faz referência a
uma lei complementar do Código Civil. Esses aspectos são tratados como um tipo de
contravenção penal. Todo o registro de acesso não poderá ser disponibilizado para
qualquer finalidade.
A preservação da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem dos usuários 
responsáveis pela criação dos perfis impede o acesso aos dados cadastrais que informem 
D)
91
qualificação pessoal, filiação e endereço a qualquer requisitante.
E) O Facebook somente será obrigado a disponibilizar os registros de conexão e de acesso a
aplicações de Internet, de forma autônoma ou associados a dados pessoais ou a outras
informações que possam contribuir para a identificação do usuário ou do terminal,
mediante ordem judicial.
5) Em 2014, o Brasil sediou o Encontro Multissetorial Global sobre o Futuro da
Governança da Internet (NETmundial). Nesse evento, foi sancionado o Projeto de Lei
que instituiu o Marco Civil da Internet, considerado uma espécie de Constituição da
Internet no Brasil.
Assinale a alternativa que aponta os principais aspectos dessa Lei:
A) O armazenamento de dados de qualquer empresa que oferece serviços no Brasil deverá ser
feito localmente, mesmo que seja uma réplica dos dados armazenados em outros países.
B) Os provedores da rede podem ofertar conexões diferenciadas, por exemplo, para acesso
apenas a e-mails, YouTube ou redes sociais.
C) Os provedores de conexão à Web devem ser responsabilizados pelo uso que os usuários
fizerem da rede e por publicações feitas por terceiros, havendo ou não ordem judicial pela
retirada dessas publicações.
D) Não deve ocorrer nenhum tipo de armazenamento de dados – como telefone, e-mails e
filiação – a respeito de qualquer cidadão brasileiro.
E) Princípios, garantias, direitos e deveres para usuários e provedores, como a chamada
neutralidade da rede.
NA PRÁTICA
92
Atualmente, as empresas encontram grandes dificuldades em definir as políticas de segurança 
que devem proteger tanto os usuários internos quando os tipos de coisas que esses usuários 
podem fazer na Internet. O Marco Civil da Internet veio com o propósito de regulamentar essas 
questões e criar regras claras quanto aos deveres e aos direitos dos usuários. 
Neste Na Prática, você vai saber como ocorre o processo da criação da Política de Privacidade 
de uma empresa privada, considerando os principais aspectos previstos por lei.
93
94
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Brasil Justiça - Marco Civil da Internet e Lei Carolina Dieckmann
Confira, neste vídeo, os aspectos do Marco Civil da Internet e qual a sua relação com a Lei 
Carolina Dieckmann. Muitos aspectos omissos da legislação começaram a ganhar atenção na 
mídia depois que as fotos íntimas da atriz Carolina Dieckmann foram divulgadas na Internet de 
forma indevida.
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Observatório do Marco Civil da Internet
Confira, neste portal, os diversos aspectos sobre o Marco Civil da Internet. O conteúdo é vasto e 
conta com processos e julgados que aplicaram diretamente a Lei n.º 12.965/2014.
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Panorama - Lei de Proteção de Dados Pessoais: o que muda?
Confira, nesta entrevista, as particularidades da Lei de Proteção de Dados Pessoais e sua 
correlação com o Marco Civil da Internet. A referida Lei foi criada a partir do Marco Civil a fim 
de dispor sobre aspectos importantes sobre a proteção de dados pessoais na Internet.
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95
A legislação sobre a segurança da 
informação no mundo
APRESENTAÇÃO
A partir da década de 1990, grande parte dos países começou a implementar leis de proteção de 
dados, estando diretamente relacionada com a nova dinâmica comercial mundial. Essa nova 
matriz está balizada pelo mundo digital, ou seja, pela Internet, que possibilitou uma maior 
transação de dados no âmbito mundial. Essa globalização digital foi a catalizadora para o 
surgimento de novos controles e regulamentações, tendo a necessidade de repactuar os 
compromissos institucionais e individuais dentro dessa nova troca entre oferta e demanda.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá as premissas básicas e universais da privacidade de 
dados aplicada em diversos países. Será possível também reconhecer os benefícios que o 
Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) trouxe junto à União Europeia (GDPR-
EU), e de que forma isso impactou a sociedade. Por fim, será apresentada a forma como os 
países do continente americano estão se relacionando com as leis de proteção de dados.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Explicar os aspectos comuns quanto à privacidade de dados nos mais diversos países.•
Reconhecer a importância do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) da 
União Europeia (GDPR-EU).
•
Descrever as leis de proteção de dados em outros países americanos.•
DESAFIO
A RGPD (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados) apresenta penalidades diferentes para 
as empresas que violarem a lei, de acordo com a gravidade do incidente. As multas podem ir de 
2 a 4% do faturamento global da empresa, ou de €10 milhões a €20 milhões.
96
Sendo assim, quais são os objetivos de se estar aderente a essa legislação? De que forma a 
organização acaba se adaptando a esse novo cenário? Este que, quando não atendido, poderá ser 
impactado por multas com valores bem significantes.
INFOGRÁFICO
O vazamento dos dados de usuários é um risco sério e as organizações precisam estar aptas a 
tomar as ações necessárias quando isso ocorrer, minimizando, assim, o impacto e gerando a 
transparência necessária entre os envolvidos na transação.
Veja, no Infográfico, a representação de três cenários que podem ocorrer durante um incidente a 
respeito de um vazamento de dados de usuários que participaram de uma determinada transação 
entre as partes interessadas. Além disso, clique nos botões referente aos artigos para saber mais.
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97
CONTEÚDO DO LIVRO
A revisão da legislação europeia a respeito da proteção de dados pessoais foi iniciada devido à
 constatação de queas regras até então existentes não acompanhavam a nova dinâmica do 
mercado e que cada vez mais seus cidadãos estavam sendo, de certa forma, “usados” perante as 
organizações para maximizar os seus resultados sem que eles tivessem noção disso. Sendo 
assim, o órgão Supervisor de Proteção de Dados Europeu emitiu uma diretriz em 
2011 solicitando que o bloco reavaliasse suas políticas de proteção de dados, surgindo, assim, o 
Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) da União Europeia, também conhecida 
como (GDPR-EU).
No capítulo A legislação sobre a segurança da informação no mundo, da obra Ética e Legislação
, você vai entender melhor a importância dessa lei e como os demais países que formam esse 
grande comércio junto à União Europeia (EU) estão se adaptando a esse cenário cada vez mais 
globalizado e digital.
Boa leitura. 
98
A legislação sobre 
a segurança da 
informação no mundo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Explicar os aspectos comuns quanto à privacidade de dados nos
mais diversos países.
 � Reconhecer a importância do Regulamento Geral sobre a Proteção
de Dados (RGPD) da União Europeia (GDPR–EU).
 � Descrever as leis de proteção de dados em outros países americanos.
Introdução
O marco zero da relação entre instituições e indivíduo é a transparência, 
que possibilita maior liberdade na sociedade. Por vezes, o meio de ga-
rantir a transparência é a legislação. Quando está em jogo a segurança 
da informação, as leis de proteção de dados entram em cena. Por meio 
delas, é possível verificar e auditar se os dados transacionados estão 
sendo utilizados adequadamente, e não para outros fins que não aqueles 
previamente acordados.
Diversos países têm criado leis relativas à privacidade de dados. 
O RGPD, que em inglês tem a sigla GDPR (General Data Protection Regula-
tion), por exemplo, é compartilhado pelos países da União Europeia (UE). 
Por meio do RGPD, esses países buscam padronizar e normatizar as suas 
legislações, bem como atingir conjuntamente os resultados esperados.
Neste capítulo, você vai estudar a legislação relativa à segurança da 
informação utilizada no mundo. Além de conhecer melhor o RGPD, você 
vai se familiarizar com a legislação de outros continentes. Como você vai 
notar, as prerrogativas legais se tornam cada vez mais universais. Afinal, 
no mundo todo, um simples dado pode proporcionar ganhos estratégicos 
para as organizações, porém sempre é necessário agir dentro da lei.
99
1 Proteção de dados internacional
O RGPD já está em vigor na UE desde 2018. No Brasil, a Lei Geral de Proteção 
de Dados (LGPD) já foi aprovada, porém ainda não está vigorando. Essas duas 
leis se unem a diversas legislações existentes no globo que também visam 
à proteção de dados dos cidadãos. Afinal, em um mercado cada vez mais 
digital e sem fronteiras, são necessárias algumas regulações para preservar 
as premissas básicas da individualidade das pessoas.
Cada país busca identificar as suas particularidades e características ao criar 
uma lei, porém é normal avaliar as iniciativas em andamento no resto do mundo 
para identificar o que deu certo e o que deu errado. Atualmente, o RGPD inspira os 
demais países, pois a não adequação às normas do mercado europeu se reflete no 
distrato comercial. Esse regulamento exige diversos cuidados, podendo inviabilizar 
acordos e até mesmo gerar multas aos envolvidos. Ou seja, os países que não se 
adequarem ao RGPD terão dificuldades para negociar com o bloco europeu.
A seguir, você vai ver como alguns países tratam a proteção de dados em 
seus territórios (GONZÁLEZ, 2020).
Alemanha
A Alemanha é um dos países pioneiros na regulamentação relativa à privacidade 
e à proteção de dados. A sua Lei Federal de Proteção de Dados (Bundesdatens-
chutzgesetz — BDSG), de 2017, segue os preceitos do RGPD. A BDSG trata dos 
direitos e deveres de órgãos públicos e privados para as atividades de coleta e 
processamento de dados. Além disso, há diretrizes específicas que determinam 
como as empresas devem e podem tratar os dados de seus funcionários.
Austrália
Na Austrália, a lei máxima sobre segurança e proteção de dados é a Lei 
de Privacidade, de 1988, que governa tanto as instituições do setor público 
quanto as do setor privado. A lei foi construída com base nos 13 Princípios 
Australianos de Privacidade (Australian Privacy Principles — APPs), que 
discorrem sobre temas como:
 � uso e divulgação de dados;
 � direitos do titular dos dados;
 � manutenção da qualidade dos dados;
 � transparência e anonimidade.
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
100
A lei é complementada pelas regulamentações estaduais de privacidade e 
pelas leis de proteção de dados voltadas para setores específicos.
China
A mais recente regulamentação chinesa sobre privacidade é a lei Tecnologia 
da Informação: Especificação Sobre Segurança de Informações Pessoais. 
Conhecida também apenas como “O Padrão”, a regulamentação traz diretrizes 
sobre transparência, direitos do titular e consentimento. Antes de essa lei entrar 
em vigor, em 2017, o conjunto de regras chinesas sobre o tema era formado 
por diferentes regulamentações, como:
 � Lei Civil da República Popular da China, de 2017;
 � Lei de Cibersegurança, de 2017;
 � Lei Criminal, de 2015;
 � Decisão de Fortalecer a Proteção das Redes de Informações, de 2012;
 � Padrão Nacional de Segurança da Tecnologia da Informação, de 2013;
 � Lei de Proteção ao Consumidor, de 2014.
Dinamarca
Na Dinamarca, as principais regras sobre o tema estão na Lei Dinamarquesa 
de Proteção de Dados, de 2018. Anteriormente, a questão era regida pela Lei 
Dinamarquesa de Processamento de Dados Pessoais, estabelecida em 2000. 
A lei mais recente serve como complemento e reforço ao RGPD. Dessa forma, 
a lei dinamarquesa trata de processamento de dados, divulgação de informações 
pessoais, consentimento, transferência de dados, etc., além de estabelecer 
multas para casos de violação.
Filipinas
Em 2016, o país implementou a Lei nº 10.173, também conhecida como “Lei de 
Privacidade de Dados”. Redigida quatro anos antes, em 2012, essa é a principal 
legislação sobre o tema nas Filipinas. A lei determina que, para que possa ser 
feita a coleta dos dados de um indivíduo, ele tem o direito de saber quem a 
realiza, com que propósito e com que finalidade. Ele também tem o direito de 
saber como e por quem os dados serão processados e quem terá acesso a eles.
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
101
Finlândia
A Finlândia substituiu sua Lei de Dados Pessoais, de 1999, pela Lei de Proteção 
de Dados, de 2018, visando a alcançar um maior alinhamento com o RGPD. 
Contudo, o país ainda tem outras regulamentações sobre proteção de dados 
específicas para setores do mercado e da indústria, como a Lei de Proteção da 
Privacidade dos Trabalhadores (Lei nº 759/2004) e o Código de Sociedade da 
Informação (Lei nº 917/2014), voltado para a confidencialidade de mensagens, 
cookies e telecomunicações.
França
A França é outro exemplo de país da UE que atualizou suas normas de proteção 
de dados para seguir mais explicitamente o RGPD. O país trocou sua Lei de 
Proteção de Dados pela Lei 2 de Proteção de Dados. A nova regulamentação 
estabelece as regras para os agentes de tratamento, determinando também 
que quaisquer tratamentos de dados devem ser feitos para fins específicos e 
que apenas os dados fundamentais para tais propósitos podem ser coletados. 
Além disso, a segunda versão da lei firma o direito do titular de saber quem é 
o agente de tratamento e qual é o propósito da coleta e do tratamento.
Grécia
A Grécia encontra-se em processo de elaboração de uma nova lei de proteção de 
dados, que já nascerá alinhada com o RGPD. Enquanto isso, a regulamentação 
vigente é a Lei nº 2.472/97, que traz regras para controladores e operadores 
e visa a garantir os princípios da transparência, do tratamento de dados com 
propósito e da responsabilizaçãodos agentes. O país conta também com duas 
regulamentações adicionais sobre o tema: o Diretivo de Privacidade Eletrônica 
(Lei nº 3.471/2006), com normas complementares à lei principal, e o Diretivo de 
Retenção de Dados (Lei nº 3.917/2011), que trata do armazenamento de dados.
Índia
A Índia ainda não tem uma única lei central sobre proteção e privacidade de 
dados, e sim diversas leis e normativas que se complementam. Porém, o país 
publicou a Lei de Proteção de Dados Pessoais em dezembro de 2019, em análise 
por uma comissão parlamentar até a data da escrita deste capítulo. Enquanto 
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
102
isso, as normativas mais importantes são a Lei de Tecnologia da Informação 
(Lei nº 21/2000) e a lista de Regras de Tecnologia da Informação, de 2011. 
Ambas trazem regras específicas sobre como proteger dados pessoais e outros 
requerimentos para garantir a privacidade de dados. Há, ainda, conjuntos de 
regras voltados especificamente para a coleta e o tratamento de dados pessoais 
nos setores bancário e de saúde.
Indonésia
O conjunto de regras sobre proteção de dados na Indonésia se constitui pela 
Lei de Informação e Transações Eletrônicas (Lei nº 11/2018) e sua respectiva 
emenda, pela Lei nº 19/2016 e pelas Regulações nº 82/2012 e nº 20/2016 (Regu-
lação MOCI). Assim como a Índia, a Indonésia também vem trabalhando em 
uma lei que unifique suas regras sobre o tema: a Lei de Proteção à Privacidade 
de Dados Pessoais, baseada em grande parte no RGPD. O objetivo é que o 
texto da lei foque em consentimento, notificação de vazamentos de dados e 
exclusão de dados, entre outros pontos relacionados.
Islândia
Em 2018, a Islândia substituiu sua antiga Lei de Processamento de Dados Pes-
soais (Lei nº 77/2000) pela Lei de Proteção de Dados e Processamento de Dados 
Pessoais (Lei nº 90/2018) — também com o objetivo de adequar suas regras 
às do RGPD. A lei de 2018 traz diretrizes sobre como obter consentimento do 
titular, quando e como informar o titular sobre tratamentos realizados com 
seus dados, como armazenar dados devidamente e como fazer transferências 
internacionais de dados.
Japão
Desde 2003, a privacidade de dados era regida pela Lei de Proteção de In-
formações Pessoais (Lei nº 57/2003). Contudo, em 2017, o Japão colocou em 
prática a Emenda APPI, que traz preceitos básicos para a proteção de dados 
pessoais. A Emenda APPI traz regras sobre compartilhamento de dados com 
terceiros, manutenção de informações em bancos de dados e anonimização 
de dados e vazamentos, estabelecendo diretrizes para proteger os titulares. 
Devido à nova legislação, o Japão foi incluído na “lista branca” da UE, que 
reúne países com leis adequadas de proteção de dados.
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
103
Malásia
Em 2010, a Malásia colocou em vigor a sua primeira legislação sobre o tema, 
a Lei de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 709). Ela é construída sobre 
sete princípios: generalidade, notificação e escolha, divulgação, segurança, 
retenção, integridade de dados e acesso. Essa lei estabelece que, para que um 
tratamento de dados seja legítimo e legal, o titular deve receber informações 
por escrito sobre o propósito da coleta e do tratamento, sobre os seus direitos 
enquanto titular dos dados e sobre quem terá acesso a esses dados.
Nova Zelândia
A Nova Zelândia controla a privacidade de dados por meio dos 12 Princípios 
da Privacidade de Informação, estabelecidos em 1993 na Lei de Privacidade do 
país. Os princípios são focados principalmente em questões como propósito da 
coleta de dados, formas de armazenamento e acesso, limitações do tratamento 
e divulgação de dados pessoais. O país também tem legislações de privacidade 
voltadas para setores específicos, incluindo crédito, saúde e telecomunicações.
Até a data da escrita deste capítulo, circulava pelo governo neozelandês a Lei de Priva-
cidade de 2018 — que, quando aprovada, substituirá a legislação anterior. As mudanças 
mais significativas incluem reporte mandatório sobre vazamentos, notificações de 
compliance e fortalecimento de transferências internacionais de dados. Outra diretriz 
importante da nova legislação é o direito do titular de fazer uma reclamação sobre a 
legitimidade de uma coleta ou de um tratamento de dados, que subsequentemente 
será investigada.
Algumas considerações
Como você viu, a questão da privacidade de dados não é novidade. Afinal, 
diversos países já possuem legislações a respeito desse tema. O que fica cada 
vez mais claro é que o RGPD é a espinha dorsal das legislações que têm 
surgido. Ele indica o mínimo necessário para que haja cuidado com os dados 
individuais durante as transações comerciais (PINHEIRO, 2018).
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
104
A seguir, veja alguns aspectos comuns às diferentes leis nacionais 
(PINHEIRO, 2018):
 � o cuidado que as empresas precisam ter com os dados dos cidadãos;
 � a penalidade a que as empresas estão expostas caso haja algum tipo
de vazamento;
 � a noção de que o usuário é o dono dos seus dados, de modo que precisa
saber o pode ser feito com o dado que disponibiliza durante determinada
transação.
Na Figura 1, veja o grau de aderência dos países às leis de proteção de dados. 
Como você pode notar, a Argentina e o Uruguai são os países sul-americanos 
mais aderentes às leis de proteção de dados. Destaca-se também a Guiana 
Francesa, país que está sujeito às leis francesas e, por consequência, adere 
totalmente à legislação europeia (SERPRO, 2020).
Figura 1. Adequação dos países à proteção de dados.
Fonte: Serpro (2020, documento on-line).
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
105
2 RGPD
No dia 27 de abril de 2016, foi consolidado o RGPD. Ele discorre sobre a 
proteção das pessoas físicas no que diz respeito ao correto tratamento dos 
dados pessoais e à utilização desses dados pelos mercados, o que implica 
considerar o livre fluxo de dados ( free data flow).
Ficou acordado que a lei entraria efetivamente em vigor após dois anos, 
quando seriam colocadas em prática as penalidades pertinentes. Até então, 
as penalidades não seriam aplicadas, pois o momento seria de transição e 
adequação de todas as partes interessadas. Conforme Pinheiro (2018), a im-
plementação do RGPD gerou um efeito dominó, tendo em vista que todos os 
países que não pertencem à UE enfrentariam algumas barreiras e até mesmo 
sofreriam impactos financeiros caso não aderissem à legislação da zona do 
euro. Em um mundo cada vez mais competitivo, os países tiveram de se adaptar 
às novas exigências para fazer negócios com esse mercado tão importante.
O objetivo do RGPD (UNIÃO EUROPEIA, 2016) é contribuir para a ob-
tenção de um espaço de liberdade, segurança e justiça. Além disso, o RGPD 
visa à união econômica para o progresso econômico e social, a consolidação 
e a convergência das economias no nível do mercado interno e o bem-estar 
das pessoas físicas. Esse regulamento ainda tem o intuito de assegurar um 
nível coerente de proteção das pessoas físicas no âmbito da UE e evitar que 
as divergências constituam um obstáculo à livre circulação de dados pessoais 
no mercado interno. A ideia é garantir a segurança jurídica e a transparência 
aos envolvidos no tratamento de dados pessoais, aos órgãos públicos e à 
sociedade como um todo.
São impostas obrigações e responsabilidades iguais aos controladores e processadores. 
O RGPD busca assegurar um controle coerente do tratamento dos dados pessoais, 
possibilitando a cooperação efetiva entre as autoridades de controle dos diferentes 
Estados-membros.
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
106
Vale a pena destacar que, apesar de essa lei reforçar a importância fun-
damental das informações dos cidadãos, ela acaba apenas complementando 
diversas outras leis nacionais existentes no bloco europeu, como a Carta dos 
Direitos Fundamentais da UE e o Tratado sobre o Funcionamento da UE. 
Nesse sentido, é possível fazerum paralelo com o Marco Civil da Internet (Lei 
nº 12.965, de 23 de abril de 2014) e a Lei do Cadastro Positivo (Lei nº 12.414, 
de 9 de junho de 2011), ambos do Brasil (PINHEIRO, 2018).
No entanto, essa regulamentação se faz necessária no sentido de esclarecer 
conceitos ambíguos e não factíveis. Foi nesse ponto que o RGPD inovou em 
relação às demais leis, buscando também padronizar as normas relativas aos 
atributos qualitativos cobrados e penalizados.
No Quadro 1, a seguir, veja como o RGPD põe em prática os itens de 
conformidade relativos à proteção de dados. Note que esse regulamento busca 
esclarecer a necessidade do cuidado com os dados e exemplificar os procedi-
mentos adequados, indicando como os dados devem ser tratados, protegidos 
e disponibilizados.
Item de conformidade Regime europeu (RGPD)
Definição e distinção do que 
são dados pessoais e dados 
sensíveis. Tal conceituação 
busca delimitar os direitos e 
as informações protegidas 
pelo ordenamento jurídico.
Define que dado pessoal é qualquer 
informação que identifique ou torne 
identificável a pessoa natural. Já dados 
sensíveis são dados pessoais sobre 
etnia, raça, crenças religiosas, opiniões 
políticas, dados genéticos/biométricos, 
além de informações sobre filiações a 
organizações quaisquer. O RGPD também 
faz considerações acerca dos dados 
genéticos, biométricos e relativos à saúde.
Obrigatoriedade do 
consentimento do usuário 
para a coleta de informações 
e limitação do tratamento do 
dado conforme finalidade.
Prevê a necessidade de uso do dado 
conforme a finalidade apontada. Traz 
exceções de tratamento por motivo de 
interesse público, segurança e saúde.
Quadro 1. Itens de conformidade em relação ao regime europeu
(Continua)
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
107
Fonte: Adaptado de Pinheiro (2018).
Item de conformidade Regime europeu (RGPD)
Distinção entre titularidade 
e responsabilidade sobre 
os dados, assim como 
delimitação das funções e 
responsabilidades assumidas 
no tratamento de dados.
Titular é a pessoa natural a quem se referem 
os dados que são objeto de tratamento; 
por outro lado, o responsável é a pessoa 
física ou jurídica, de direito público ou 
privado, que realiza decisões sobre o 
tratamento de dados. O controlador é quem 
realiza as decisões acerca do tratamento 
de dados; o processador, quem efetua 
o tratamento dos dados. Ambos são 
responsáveis pelo tratamento dos dados.
Indicação de um encarregado 
pela comunicação entre 
os agentes, titulares e 
órgãos competentes.
Aponta que o controlador deve ter uma 
pessoa responsável por tudo que seja 
relacionado à proteção de dados (DPO).
Aplicação de mecanismos 
e práticas pautadas no 
livre acesso à informação e 
na transparência entre os 
usuários e as organizações.
Os titulares têm direito a informações 
claras e acessíveis do início ao fim do 
tratamento do dado, podendo revogar o 
consentimento a qualquer momento.
Aplicação de medidas de 
segurança e dever de reportar.
As empresas devem criar medidas — como 
pseudonimização e encriptação de dados 
— para garantir a segurança de forma 
preventiva. No caso de qualquer incidente, 
a notificação às autoridades deve ser imediata.
Possibilidade de alteração e 
exclusão do dado pessoal.
Os titulares dos dados podem 
alterar ou excluir seus dados.
Aplicação de sanções no 
caso de descumprimento 
das regras.
Prevê a aplicação de sanções gradativas 
e multas administrativas, que podem 
chegar a 20 milhões de euros ou a 4% 
do faturamento anual da empresa.
Criação de um órgão 
competente para fiscalizar e 
zelar pela proteção de dados 
pessoais e pela privacidade.
Possui um órgão de controle e fiscalização 
de proteção de dados pessoais por Estado 
(28) e aplica o princípio do balcão único.
Quadro 1. Itens de conformidade em relação ao regime europeu
(Continuação)
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
108
3 Leis de proteção de dados nas Américas
Nas Américas, conforme Lemos et al. (2018), a legislação de proteção dos 
dados vem ganhando maturidade e mais protagonismo. Isso ocorre tanto de-
vido a escândalos de vazamento de dados (como no caso do Banco Inter, que 
na época perdeu seu certificado digital) quanto pelo uso de informações para 
eleições (como no caso da Cambridge Analytica e do Facebook nas eleições 
dos Estados Unidos em 2016). A seguir, você vai ver como alguns países da 
América tratam a proteção de dados em seus territórios (GONZÁLEZ, 2020).
Argentina
A Lei de Proteção de Dados da Argentina (Lei nº 25.326) estabelece que a 
coleta de dados só pode ser feita mediante o consentimento do usuário. A lei, 
que se aplica a qualquer pessoa ou entidade que lida com dados pessoais no 
país, diz ainda que o titular dos dados (o indivíduo a quem as informações 
se referem) tem o direito de acessar, corrigir, deletar e solicitar a exclusão de 
seus dados. Porém, para deixar as regras de proteção de dados do país mais 
alinhadas às tendências mundiais estabelecidas pelo RGPD, a Argentina vem 
trabalhando em uma nova lei sobre o tema, que terá a legislação atual como 
base e irá ainda mais além — determinando, por exemplo, uma abordagem 
mais completa e obrigações mais rígidas.
Brasil
No Brasil, há a LGPD — que foi aprovada, porém, até a data de escrita deste capí-
tulo, ainda não estava em vigor, mas já vem promovendo mudanças significativas 
na forma como as empresas coletam e tratam dados. O direito à privacidade já 
havia sido estabelecido pelo art. 5 da Constituição Federal de 1988 e pelo Código 
de Proteção ao Consumidor, instituído em 1990. Outra importante legislação 
sobre o tema no País é o Marco Civil da Internet, sancionado em 2014. Voltado 
inteiramente para o uso da internet no País, o Marco Civil traz princípios, garantias, 
direitos e deveres dos usuários da rede, além de diretrizes sobre como o Estado deve 
atuar. Ao lado da privacidade, alguns dos outros principais temas abordados são:
 � neutralidade da rede;
 � retenção de dados e funções sociais da internet, como liberdade de
expressão;
 � transmissão de conhecimento e responsabilidade civil.
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
109
Canadá
O país conta com um total de 28 regulamentações — entre leis provinciais 
e federais — que tratam das questões de privacidade e proteção de dados. 
A legislação nacional referente a isso é a Lei de Proteção de Informações 
Pessoais e Documentos Eletrônicos (Personal Information Protection and 
Electronic Documents Act — Pipeda). Válida para todas as províncias do 
Canadá, a Pipeda apresenta diretrizes referentes à coleta, ao tratamento e 
à divulgação de dados pessoais coletados por empresas durante o exercício 
de suas atividades comerciais. Além disso, discorre sobre as transferências 
internacionais e inter-regionais de dados pessoais. Como complemento a 
ela, há legislações similares aplicáveis em Alberta, Colúmbia Britânica e 
Quebec. Estabelecida em 2000, a Pipeda opera com base em 10 princípios de 
boas práticas a serem seguidos pelas empresas (bastante similares às bases 
da LGPD brasileira). São elas:
1. as empresas são responsáveis pelos dados pessoais que coletaram e
que usam;
2. é preciso identificar claramente os propósitos por trás de uma coleta
de dados;
3. é preciso ter o consentimento do titular para coleta, uso e compartilha-
mento de seus dados, salvo exceções previstas por lei;
4. podem ser coletados somente os dados necessários dentro do propósito 
informado;
5. os dados solicitados podem ser usados, divulgados e mantidos pela em-
presa apenas da maneira informada e enquanto cumprirem os propósitos;
6. as informações pessoais devem ser verídicas e mantidas atualizadas;
7. os dados devem ser protegidos por medidas adequadas, de acordo com
a sensibilidade das informações;
8. a organização precisa fornecer amplamente informações claras e deta-
lhadas sobre suas políticas e práticas de segurança e proteção de dados;
9. o titular dos dados tem o direito de receber informaçõessobre a exis-
tência de tratamentos de suas informações, assim como de questionar
se seus dados são verídicos e estão completos;
10. o titular dos dados tem o direito de questionar as organizações que
tratam e coletam suas informações pessoais, dentro dos nove princípios
anteriores.
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
110
Colômbia
Na Colômbia, a questão da privacidade e da proteção de dados é regida por 
quatro regulamentações: o Decreto nº 1.377/2013, a Lei nº 1.581/2012, a Lei 
nº 1.273/2009 e a Lei nº 1.266/2008. O Decreto nº 1.377/2013 aborda o consen-
timento do titular, as transferências internacionais de dados e as políticas de 
processamento de dados pessoais. Enquanto isso, a Lei nº 1.581/2012 estabelece 
o direito de cada indivíduo de determinar como seus dados serão coletados,
armazenados, usados, processados e transferidos — além de regulamentar
os direitos à privacidade na coleta e no processamento de dados pessoais.
A Lei nº 1.273/2009, por sua vez, traz diretrizes sobre crimes cibernéticos
e estabelece que roubar, vender ou comprar dados pessoais é uma atividade
criminosa. Finalmente, a Lei nº 1.266/2008 discorre sobre a privacidade de
dados no que tange a dados comerciais e financeiros.
Estados Unidos
Os Estados Unidos não têm apenas uma lei que governe a privacidade de dados, 
e sim diversas legislações específicas para diferentes setores ou vigentes em 
determinados estados. Há cerca de 20 leis voltadas para um único setor ou 
indústria em âmbito nacional, além de outras cem legislações estaduais de 
privacidade — o estado da Califórnia é o “lar” de 25 delas. A principal lei 
californiana de privacidade é a Lei de Privacidade do Consumidor da Califórnia 
(California Consumer Privacy Act — CCPA), que garante aos consumidores 
quatro direitos básicos sobre seus dados pessoais: de serem notificados, de 
terem acesso, de poderem optar (ou não) por uma coleta de dados e de terem 
acesso igualitário a serviços.
Todas as empresas que coletam e/ou tratam dados de cidadãos califor-
nianos precisam seguir a CCPA, e não apenas aquelas com sede no estado. 
Nacionalmente falando, as mais importantes regulamentações são a Lei de 
Privacidade, de 1974, a Lei de Proteção à Privacidade, de 1980, a Lei Gramm–
Leach–Bliley, de 1999, a Lei de Portabilidade e Responsabilidade dos Seguros 
de Saúde, de 1999, e a Lei de Relatório de Crédito Justo, de 2018. Além disso, 
os Estados Unidos têm alguns acordos especiais de proteção à privacidade 
com a UE e a Suíça.
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
111
México
A questão da privacidade de dados no México é regida pela Lei Federal de 
Proteção de Dados Pessoais em Poder de Particulares — ou seja, estão em 
jogo dados coletados e tratados por empresas privadas. A lei foi estabelecida 
em 2010. Essas organizações também são governadas pelas diretrizes da 
lista de Regulamentações da Lei Federal de Proteção de Dados Pessoais em 
Poder de Particulares, instituída em 2011, pelas Orientações de Notificações 
de Privacidade, de 2013, e pelos Parâmetros de Autorregulamentação, de 
2014. Para gerenciar todas essas regras, garantir a devida implementação e 
administrar penalidades, o México conta com o Instituto Federal de Acesso 
à Informação e Proteção de Dados (Ifai).
Algumas considerações
Da mesma forma que os demais países, conforme Pinheiro (2018), aqueles 
localizados no continente americano têm reforçado o cuidado com os dados 
dos cidadãos. Além disso, têm buscado aplicar a devida penalidade quando 
as empresas expõem informações de maneira indevida. Ademais, nos países 
americanos, também é consenso que os usuários têm o direito de saber o que 
será feito com as suas informações.
Como você viu ao longo deste capítulo, a proteção dos dados pessoais é 
essencial em um ambiente comercial cada vez mais complexo e dinâmico, em 
que as fronteiras entre o certo e o errado precisam ser claras para viabilizar 
uma sociedade melhor.
GONZÁLEZ, M. Conheça o cenário das leis de proteção de dados ao redor do mundo. 2020. 
Disponível em: https://blog.idwall.co/protecao-de-dados-cenario-mundial-das-leis/. 
Acesso em: 13 abr. 2020.
LEMOS, R. et al. GDPR: a nova legislação de proteção de dados pessoais da Europa. 2018. 
Disponível em: https://www.jota.info/paywall?redirect_to=//www.jota.info/opiniao-
-e-analise/artigos/gdpr-dados-pessoais-europa-25052018. Acesso em: 16 abr. 2020.
PINHEIRO, P. P. Proteção de dados pessoais: comentários à Lei n. 13.709/2018 (LGPD). São 
Paulo: Saraiva, 2018.
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
112
SERPRO. Em que "estágio" estamos? Confira o mapa da proteção de dados pessoais no 
mundo. 2020. Disponível em: https://www.serpro.gov.br/lgpd/menu/a-lgpd/mapa-
-da-protecao-de-dados-pessoais. Acesso em: 13 abr. 2020.
UNIÃO EUROPEIA. Regulamento (EU) 2016/679 do Parlamento Europeu e do Conselho de 
27 de abril de 2016. Relativo à proteção das pessoas singulares no que diz respeito ao 
tratamento de dados pessoais e à livre circulação desses dados e que revoga a Dire-
tiva 95/46/CE (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados). 2016. Disponível em: 
https://eur-lex. europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=uriserv:OJ.L_.2016.119.01.0001.01.
POR&toc=OJ:L: 2016:119:FULL. Acesso em: 13 abr. 2020.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
A legislação sobre a segurança da informação no mundo
113
DICA DO PROFESSOR
A legislação de segurança da informação traz, de uma forma objetiva, o que é esperado das 
organizações para que estas possam, assim, minimizar a chance de um vazamento de dados 
indevidos, e também que as empresas possam avaliar melhor o motivo da coleta de um 
determinado dado, identificando, dessa forma, o seu real propósito ao solicitar uma determinada 
informação.
Veja, na Dica do Professor, alguns fatores de sucesso que uma organização pode levar em conta 
na hora de ficar aderente ao regulamento de proteção de dados.
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EXERCÍCIOS
1) O Regulamento Geral sobre Proteção de Dados (RGPD), criado pelo parlamento do
bloco econômico europeu, tem por objetivo definir os artigos exigidos para o devido
controle e proteção dos dados sensíveis da sua população.
Sendo assim, por que a União Europeia criou uma lei específica para a proteção de
dados, sendo que cada país tem uma lei nacional?
A) Essa lei tem por objetivo tornar o mercado ainda mais burocrático, sem trazer ganhos de
produtividade e prejudicando a economia.
B) Essa lei tem por objetivo padronizar e normalizar as diretrizes do bloco, buscando também
nivelar o trato com a informação dos cidadãos.
C) Essa lei tem por objetivo criar gatilhos para que empresas mal-intencionadas possam
utilizar os dados sensíveis em benefício próprio.
114
D) Essa lei tem por objetivo neutralizar completamente a geração de incidentes possibilitando,
dessa forma, a proteção total dos dados.
E) Essa lei tem por objetivo fomentar a concorrência possibilitando um menor preço no
produto final, tendo em vista os riscos minimizados.
2) Os dados sensíveis de uma pessoa talvez não signifiquem muito, porém, quando
falamos de informações de diversas pessoas, torna-se possível traçar diversos padrões
que, se bem utilizados, podem ser uma ferramenta estratégica para as organizações
utilizarem em seu benefício próprio.
Sendo assim, a maior parte das leis de proteção de dados tem algumas similaridades
entre elas. Quais seriam essas questões em comum?
A) As similaridades são os cuidados que as empresas têm que ter com os dados, minimizando
o risco de incidentes, e isso ocorrendo, e dependendo da gravidade,a empresa está passível
de ser multada e, por fim, que o usuário saiba exatamente o que será feito com a
informação que ele está disponibilizando.
B) A similaridade está relacionada com a forma que o dado pode ser utilizado, não sendo
necessário o aceite e o entendimento por parte do usuário, possibilitando, assim, o livre
uso dessas informações por parte de grandes grupos empresarias, que podem utilizar essa
ferramenta estratégica.
C) As similaridades significam que cada país tem a sua visão a respeito do tratamento das
informações, havendo diversas situações em que não se assemelham, até mesmo dentro do
bloco europeu, onde cada país, apesar de fazer parte do grupo, não é obrigado a seguir as
leis definidas pelo Parlamento da União Europeia.
D) As similaridades são pequenas e irrelevantes, pois no final se trata de um mercado livre e,
sendo livre, não são necessários esses controles, pois o usuário não tem escolha e também
não faz ideia do que é feito com as suas informações, possibilitando, assim, o uso desejado
pelas organizações.
115
E) As similaridades significam que cada país tem as suas leis, e que, apesar das fronteiras
invisíveis, as suas leis nacionais acabam suprimindo a lei do bloco, possibilitando o uso da
maneira desejada pelas organizações, sendo somente necessário que o usuário saiba o que
será feito com essa informação.
3) Durante a criação de uma lei é normal que ocorra um tempo adaptação. Este tempo
pode variar conforme a lei e as suas características. No caso do RGPD, o tempo dado
para a adaptação das organizações foi de em torno de dois anos, após esse período, as
empresas, a partir de 27/04/2016, estariam sujeitas à aplicabilidade de multas, caso
não estivessem em compliance com o RGPD.
Sendo assim, por que esse tempo é necessário e importante para as organizações?
A) Esse tempo é necessário devido às necessidades das empresas em conseguir coletar o
máximo de dados possível e, dessa forma, utilizar esse conhecimento como ferramenta
útil.
B) Esse tempo é necessário devido a toda discussão necessária para definir quais seriam os
artigos a serem aplicados e demais critérios para aplicar a multa, variando de empresa para
empresa.
C) Esse tempo é necessário devido às complexidades e ao alcance que a lei tem, sendo
necessário que empresa e demais fornecedores de sistemas se adaptem às necessidades dos
artigos do RGPD.
D) Esse tempo é necessário devido ao avanço do mercado chinês, que cada vez mais busca
acessar o mercado europeu com seus produtos e demais políticas agrícolas vigentes na
zona do euro.
E) Esse tempo é necessário devido às empresas precisarem fazer caixa para se preparar para
pagar as multas, tendo em vista que elas não iriam se enquadrar nesse regulamento
europeu.
116
4) Uma lei é composta por um conjunto de artigos que, no conjunto do todo, formam os
direitos e os deveres de empresas, governos e pessoas. Dentro desses artigos do RGPD
existe o conceito do consentimento obrigatório do usuário para que, então, seja feita a
coleta de informações, deixando clara a limitação do tratamento do dado e a
finalidade.
Porém, existem casos em que esse consentimento deixa de ser obrigatório. Quais são
eles?
A) O consentimento deixa de ser obrigatório quando a solicitação é feita por empresas da
inciativa privada ou, então, das áreas governamentais.
B) O consentimento deixa de ser obrigatório quando a solicitação é feita por instituições
públicas e privadas das áreas da saúde e educação.
C) O consentimento deixa de ser obrigatório quando a solicitação é feita por empresas da
iniciativa privada das áreas da saúde e educação.
D) O consentimento deixa de ser obrigatório quando a solicitação é feita por empresas da
iniciativa privada de interesse público, como as redes de TV.
E) O consentimento deixa de ser obrigatório quando a solicitação é feita por instituições
públicas das áreas da saúde, interesse público e segurança.
5) No Brasil, temos a Lei Geral de Proteção de Dados, que já foi aprovada, porém,
ainda não está em vigor, e já vem influenciando mudanças significativas na forma
com que as empresas coletam e tratam dados.
No entanto, já existem outras leis que complementam a LGPD. Quais são elas?
A) As leis são: o direito à privacidade, que também já havia sido estabelecido pelo art. 6 da
Constituição Federal brasileira; e o Código de Proteção ao Consumidor. Outra importante
legislação sobre o tema no país é o Marco Civil da Internet (Lei n.° 12.966).
117
B) As leis são: o direito à privacidade, que também já havia sido estabelecido pelo art. 4 da
Constituição Federal brasileira; e o Código de Proteção ao Consumidor. Outra importante
legislação sobre o tema no país é o Marco Civil da Internet (Lei n.° 12.964).
C) As leis são: o direito à privacidade, que também já havia sido estabelecido pelo art. 8 da
Constituição Federal brasileira; e o Código de Proteção ao Consumidor. Outra importante
legislação sobre o tema no país é o Marco Civil da Internet (Lei n.° 12.968).
D) As leis são: o direito à privacidade, que também já havia sido estabelecido pelo art. 5 da
Constituição Federal brasileira; e o Código de Proteção ao Consumidor. Outra importante
legislação sobre o tema no país é o Marco Civil da Internet (Lei n.° 12.965).
E) As leis são: o direito à privacidade, que também já havia sido estabelecido pelo art. 2 da
Constituição Federal brasileira; e o Código de Proteção ao Consumidor. Outra importante
legislação sobre o tema no país é o Marco Civil da Internet (Lei n.° 12.969).
NA PRÁTICA
A legislação sobre a segurança da informação no mundo se torna cada vez mais complexa e, ao 
mesmo tempo, cada vez mais padronizada, e isso é necessário, pois, seguindo certas premissas, 
haverá práticas mais claras e de melhor replicação em qualquer lugar e este acaba sendo um dos 
objetivos do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), justamente consolidar as 
boas práticas da proteção de dados dos seus cidadãos.
Confira, Na Prática, uma empresa que precisa adequar os seus sistemas a essa nova legislação e 
de que forma esse trabalho foi conduzido e estruturado.
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SAIBA MAIS
118
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Jornal Oficial da União Europeia – Regulamentos
Neste link é possível verificar a Lei (RGPD) na íntegra em português.
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Como a GDPR nos ensina o compliance de medidas protetivas da privacidade
Neste site, o autor elaborou um artigo que traz os benefícios que a GPDR trouxe ao compliance 
em relação à proteção dos dados.
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Lei Geral de Proteção de Dados
Neste podcast, os autores falam da lei RGPD na Europa e os desafios que ela vai trazer para a 
LGPD (lei brasileira) e para o mercado publicitário.
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Ajustes realizados nos websites brasileiros para conformidade com o RGPD
Neste artigo, os autores trazem os desafios que os sites brasileiros terão para se adaptar à norma 
europeia.
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RGPD aplicado nas PME portuguesas
Este artigo apresenta como as empresas portuguesas estão se adaptando à lei europeia de 
proteção dos dados.
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119
Crimes digitais
APRESENTAÇÃO
Em uma era na qual as pessoas vivem digitalmente expostas dentro de uma vida social digital, 
conectadas à Internet todos os dias durante o dia todo, realizando serviços como transações 
bancárias e compras on-line, com o acesso ao mundo digital nas mãos, por meio dos 
smartphones, tablets e notebooks, os crimes digitais têm aumentado vertiginosamente.
As redes sociais também contribuem muito com a evolução desses crimes digitais, afinal, 
informações como dados pessoais, preferências e localidade dos usuários estão expostase abrem 
inúmeras portas para diversos tipos de crimes: invasão de computadores, mailing, divulgação de 
informações privadas, injúria, difamação, apologia ao crime, criação de perfis falsos, fraudes, 
roubos de senhas, sequestro de servidores, invasão de páginas, etc.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá a reconhecer as características de um crime 
digital. Além disso, entenderá como identificar os elementos que compõem uma classificação de 
condutas criminosas praticadas no ambiente virtual e os princípios de uma investigação de um 
crime digital.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer as características de um crime digital.•
Identificar os tipos mais comuns de crimes digitais.•
Descrever os princípios de investigação de crimes digitais.•
DESAFIO
As pessoas interagem com o mundo digital todos os dias, isso faz parte da rotina: 
acessam diversos sites, recebem links e verificam os feeds nas redes sociais. O perfil de pesquisa 
de cada usuário é amplamente monitorado por grandes empresas de softwares e, por meio de 
uma análise comportamental, é possível traçar o perfil de acesso, que é muito rico para ações de 
120
marketing e apresentação de produtos e serviços pelas redes sociais.
Com a finalidade de reconhecer as características de um crime digital, analise o contexto acima.
Recomende como a situação deveria ser abordada, avalie as possíveis falhas e verifique se esse 
caso é passível de punição; em caso positivo, em qual o crime se enquadra no Código Penal?
INFOGRÁFICO
Entre os crimes digitais, o furto de informações pessoais está no topo da lista. Esse tipo de crime 
afeta muitos usuários da Internet, e a venda de dados pessoais é uma atividade altamente 
lucrativa para os criminosos. Além dos usuários individuais, as grandes organizações, como e-
commerces, bancos, hotéis, etc., também são alvos do crime, e os prejuízos são 
significativamente maiores, pois além dos danos financeiros, também há prejuízo à imagem da 
empresa, que perde confiança perante seus clientes.
121
Neste Infográfico, você vai ver como funciona o ciclo desse tipo 
de crime digital e quais são os métodos de prevenção, assim como possíveis punições.
122
123
CONTEÚDO DO LIVRO
O crime é tão antigo quanto o início da humanidade. Há quem diga que desde que o mundo é 
mundo, existem crimes. Isso não é diferente no mundo digital, pelo contrário, esse ambiente 
imenso tem a conotação de ser uma terra sem lei devido à sua extensão e à dificuldade de 
comprovação dos crimes. Entretanto, apesar da legislação não alcançar a mesma velocidade de 
crescimento da Internet, atualmente, já existem leis e órgãos governamentais específicos para 
combater esse tipo de crime.
Essa legislação vem reforçar a punição para os crimes digitais, que tem uma esfera ampla na 
aplicação de crimes, apoiando a sociedade. Além disso, busca propiciar uma mudança cultural, 
motivando que a sociedade tenha um comportamento digital respeitoso e saudável.
No capítulo Crimes digitais, da obra Ética e legislação, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, você vai ver os conceitos de como esses crimes são caracterizados, os tipos de 
crimes digitais e os princípios de investigação deles.
Boa leitura.
124
Crimes digitais
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer as características de um crime digital.
 � Identificar os tipos mais comuns de crimes digitais.
 � Apresentar os princípios de investigação de crimes digitais.
Introdução
Os crimes digitais passaram a fazer parte do dia a dia das pessoas a partir 
do uso da Internet pela população e também pelas grandes organizações. 
Como em todos os meios, há oportunidade de os indivíduos realizarem 
crimes contrariando a lei em busca de benefícios próprios.
Os crimes digitais estão ganhando volume devido ao uso massivo 
da rede de computadores no cotidiano das pessoas. As ações — como 
estelionato, um crime que existe desde o início da humanidade — 
se tornaram cada vez mais frequentes no ambiente digital, principalmente 
pelas redes sociais, ganhando volume estrondoso e gerando inúmeros 
prejuízos para a sociedade e também para as empresas. 
Observamos também um volume crescente de crimes de calúnia, 
difamação e injúrias, a partir de encorajamento das pessoas nas redes 
sociais, novamente embasados pela falsa percepção de impunidade.
Neste capítulo, você vai ver como os crimes são caracterizados, os 
tipos de crimes digitais e os princípios de investigação de crimes digitais.
1 Características de um crime digital
Com o nascimento da Internet nos EUA na década de 1960, que tinha um ideal 
bélico criado pela Defense Advanced Research Projects Agency para inibir 
intervenções em suas comunicações pela extinta União Soviética, passamos 
a ter um sistema de informação interligado, sem localização física ou central 
específica.
125
Em 1970, foi criado o par de padrões Transfer Control Protocol/Internet 
Protocol (TCP/IP — Protocolo Controle de Transferência/Protocolo de In-
ternet), permitindo a comunicação entre usuários. Na década de 1980, foi 
criado o conceito de Internet, por meio da ampliação do uso da rede para 
ações comerciais.
A partir de 1990, a rede web ganhou notoriedade, passando a ser um 
dos principais meios de comunicação. Esse novo modelo trouxe com ele um 
universo amplo para disponibilização de informações e um novo modelo de 
convivência na sociedade, no qual podemos conversar com qualquer pessoa 
a qualquer momento em qualquer lugar do mundo. 
O uso dessa rede de computadores abriu uma importante porta para os 
crimes realizados na rede, chamados de crimes digitais. Na década de 1970, 
foi criado o termo hacker, que é o indivíduo capaz de promover a invasão de 
sistemas privados a partir de conhecimentos técnicos.
Os crimes digitais realizados pelas redes públicas, privadas ou domésticas 
podem atingir um ou vários indivíduos. Uma característica marcante nesse 
tipo de crime é a exponencialidade das ações, afinal, um software malicioso 
utilizado para o furto de dados pode obter dados de vários clientes de uma 
organização.
Segundo estudo da Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região 
(BRASIL, 2017, p. 19):
[...] Com a popularização do acesso à Internet nos últimos anos, os crimes 
digitais no Brasil alcançam números assustadores. De acordo com a Safer-
Net (2017), que controla a Central Nacional de Denúncias, mais de 115 mil 
denúncias envolvendo exclusivamente crimes contra direitos humanos foram 
recebidas e processadas no ano de 2016.
Com a evolução da Internet, os crimes cibernéticos passaram a ser tão 
comuns que foram criadas no Brasil delegacias próprias para a realização desse 
tipo de denúncia, assim como mudanças na legislação, criando um recente 
amparo legal para julgar e punir crimes dessa natureza. Para entendermos 
melhor os crimes digitais, é importante entender como a Internet é segmentada:
 � Surface web (web superficial) — é aquela na qual navegamos e acessa-
mos sites de empresas, bancos, redes sociais, entre outros. Utilizamos
navegadores como Google Chrome e buscadores como Google, Bing, 
entre outros, para realizar nossas pesquisas. Apesar da percepção que 
Crimes digitais2
126
existe um volume estrondoso de dados nesse segmento da rede, há 
análises de volumes de acessos que afirmam que apenas 4% de toda a 
informação circulada está na parte da surface web, conforme consta na 
pesquisa realizada pela empresa Experian (SIRUL, 2018, documento 
on-line, tradução nossa):
[...] Se você é como a maioria das pessoas, é aqui que você passa a maior parte 
do tempo — fazendo compras on-line, pesquisando informações e comparti-
lhando fotos e vídeos nas mídias sociais. No entanto, isso representa apenas 
cerca de 4% da Internet.
 � Deep web — ao contrário da surface web, é composta por sites não
indexados, portanto, não é possível encontrá-losnos canais de busca,
como o Google. As informações presentes lá só podem ser acessadas se 
você realmente procurar. Quem acessa a deep web utiliza redes cripto-
grafadas, que ocultam a sua identidade. Esses sistemas funcionam com 
navegadores tradicionais, como Chrome, Firefox, entre outros, porém 
sem endereço IP e dados do usuário, que dificultam a identificação de 
quem está navegando. Nem todas as pessoas que navegam pela deep 
web cometem atos ilegais, algumas apenas querem ficar no anonimato, 
muito comum no mundo corporativo de grandes organizações e também 
utilizada por órgãos governamentais, entretanto, não podemos descartar 
que essa parte da Internet é utilizada sim para cometer crimes digitais.
 � Dark web — também conhecida como zona escura da Internet,
a criptografia é extremamente complexa, permitindo que apenas usuá-
rios que conheçam esse tipo de criptografia cheguem até ela. A dark web 
representa uma pequena parte da deep web, entretanto, é nesse espaço 
da rede que ocorrem os crimes digitais, como troca de informações 
ilegais, tráfico de drogas, ações de hackers, pedofilia, pornografia, 
entre outros crimes. Esse tipo de crime ocorre já que nesse ambiente 
o anonimato é garantido e a polícia tem dificuldades para descobrir
quem é o responsável.
Apesar de a surface web ser um ambiente criptografado, permitindo uma 
melhor investigação e punição em casos de crimes, não impede a realização 
de uma extensa gama de crimes. Existem muitas infrações nessa parte da rede, 
principalmente crimes relacionados a fraudes, estelionato, calúnia e difamação, 
sendo estas duas últimas muito comuns nas redes sociais. A Figura 1 faz uma 
analogia entre os níveis de profundidade da web e um iceberg.
Crimes digitais
127
Figura 1. A web como um iceberg.
Fonte: Gogoni (2019, documento on-line).
A Internet é uma ferramenta-chave para as grandes organizações, permi-
tindo a divulgação de seus produtos e aproximando o relacionamento com 
seus clientes. Entretanto, a Internet torna-se também uma grande preocupação 
em relação à segurança dos dados, tornando-se umas das maiores fontes de 
despesas com custos operacionais, como a compra e manutenção de ferra-
mentas robustas para garantir a segurança das informações e a confiabilidade 
perante os clientes. 
Crimes digitais
128
Nas últimas duas décadas, tivemos uma mudança cultural significativa no 
comportamento da sociedade a partir da criação das redes sociais. As redes 
sociais — pelas suas características de exposição impulsionada pelo uso de 
smartphones — trouxeram consigo um aumento nos crimes digitais a partir 
de uma exposição muito maior das pessoas. Outro crime que vem ganhando 
notoriedade com essa mudança comportamental é o aumento significativo 
de casos de injúrias e difamações, que estão cada vez mais comuns. Assim, 
o impacto que esse tipo de crime digital gera na vida das pessoas é gigantesco 
e desastroso.
Os usuários das redes sociais encaram suas convivências no mundo virtual 
como uma porta aberta para escrever o que bem entendem e realizar comen-
tários extremamente prejudicais e ofensivos.
Um estudo da Symantec, empresa do grupo Norton de segurança digital, indica que 
quase metade de todas as pessoas mundialmente conectadas à Internet fica feliz 
em contar mentiras sobre seus detalhes pessoais, incluindo nome, idade, situação 
financeira, estado civil, aparência e até mesmo sua nacionalidade. Além disso, um terço 
dos adultos já assumiu identidades falsas on-line — desde um nome falso até uma 
identidade totalmente fictícia. Os dados mostram que 33% dos adultos já utilizaram 
um nome falso e 45% mentiram sobre seus dados pessoais.
Os alemães são os melhores em fingir: mais da metade já adotou uma 
identidade falsa on-line ou já mentiu sobre detalhes pessoais on-line (53 e 
51%, respectivamente). Mais da metade dos adultos chineses, brasileiros e 
indianos já admitiu ter mentido sobre as suas informações pessoais on-line 
(58, 56 e 55%, respectivamente).
Cerca de quatro em cada 10 italianos, brasileiros e neozelandeses já usaram 
identidades falsas on-line (41, 41 e 38%, respectivamente). As pessoas no 
Reino Unido sentem-se relutantes em fazer o mesmo — elas são as menos 
propensas a utilizar uma identidade falsa on-line (18%) ou mentir sobre as 
informações pessoais (33%). 
Crimes digitais
129
2 Tipos mais comuns de crimes digitais
Com o crescente número de usuários na Internet, existe cada vez mais cri-
minosos atuando na rede de computadores. Dessa forma, é muito importante 
entender os possíveis tipos de crimes que ocorrem na rede, ressaltando que 
os crimes digitais são ações que evoluem com muita velocidade. A cada novo 
dia, novos modelos de atividades ilícitas estão surgindo, incluindo as ações 
de mau comportamento dentro da rede, principalmente em redes sociais, 
transformando seus usuários em criminosos sujeitos a punições legais. Apre-
sentamos a seguir alguns dos crimes virtuais mais comuns, que costumam 
ser praticados pela Internet:
 � Apologia ao crime — incitar publicamente a prática de crime, fazer,
publicamente (art. 287 “Apologia de fato criminoso ou de autor de crime” 
— Código Penal — Decreto-Lei nº. 2.848, de 7 de dezembro de 1940).
 � Aplicativos maliciosos (malware) — são programas maliciosos insta-
lados sem permissão do usuário, como vírus, para realização de furtos 
de dados pessoais, para fins fraudulentos.
 � Ato obsceno — praticar ações de natureza sexual com ofensa ao pudor.
 � Calúnia — atribuir sem provas a alguém uma ofensa que afete a sua
dignidade ou acusar alguém de um crime.
 � Crimes virtuais contra mulheres — envolvem casos de perseguições,
ofensas, difamação, assédio e também a distribuição de fotos e vídeos
pessoais.
 � Crimes de ódio — são ataques racistas, de gênero, misóginos e até
terroristas.
 � Difamação — atribuir a alguém uma acusação pública que afete a sua
reputação.
 � Divulgação de material confidencial — expor publicamente dados de 
terceiros sem autorização (art. 153 “Divulgar alguém, sem justa causa,
conteúdo de documento particular ou de correspondência confidencial, 
de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano 
a outrem” — Código Penal — Decreto-Lei nº. 2.848/1940).
 � Estupro virtual — envolve coação para produção de conteúdo sexual
sob ameaça de divulgação de fotos e vídeos.
Crimes digitais
130
 � Formulários falsos — envio de mensagens de e-mail falsas para os
usuários solicitando que seja preenchido um formulário, assim, os
criminosos conseguem várias informações sobre os usuários, incluindo 
dados bancários.
 � Injúria — atribuir a alguém uma ofensa desonrosa que afete a sua
dignidade.
 � Lojas virtuais falsas — é um golpe com a divulgação de ofertas falsas,
com preços muito abaixo do preço real de produtos, no qual os usuários 
adquirem os produtos, realizam o pagamento, mas não recebem as 
mercadorias.
 � Pedofilia — envolve armazenamento, produção, troca, publicação de
vídeos e imagens contendo pornografia infantil ou do adolescente,
cometido pela Internet.
 � Perfil falso — refere-se usuários que criam identidade falsa na Internet 
para usar redes sociais, aplicar golpes ou realizar fraudes.
 � Phishing — refere-se a conversas ou mensagens falsas com links
fraudulentos.
 � Plágio — é a cópia de informações veiculadas por terceiros sem a
indicação da fonte.
 � Preconceito ou discriminação — envolve utilizar sites da Internet ou
redes sociais para opinar, de forma pejorativa e negativa, envolvendo
assuntos como etnia, religião, opção sexual, raças, entre outros.
 � Spam — são mensagens enviadas sem o consentimento do usuário.
Os crimes financeiros afetam inúmeros usuários da Internet, envolvendo 
desde ações que geram prejuízos individuais até ações que impactam ambien-
tes corporativos, nos quais esse risco é muito maior, como o furto de dados 
confidenciais de seus clientes, o que poderá gerar prejuízos financeiros e à 
imagem da organização.
A Internet é um ambiente aberto, veloz ede fácil acesso. Vivemos em um 
período em que as crianças já nascem digitalizadas, assim, é nítida a velocidade 
na mudança dos hábitos da população em função dos usos de novas tecnologias. 
Por esse motivo, existe um árduo desafio na adaptação e definição de regras 
de boas condutas dentro do universo digital.
Crimes digitais
131
Assim, precisamos refletir sobre a importância da orientação e do acompa-
nhamento dessas crianças, que não têm maturidade suficiente para se proteger 
de todos os perigos existentes no ambiente digital. Observamos mudanças na 
grade curricular do sistema de ensino, que passou a ser muito mais digitalizado, 
entretanto, essa digitalização ainda deixa muito espaço para crimes relaciona-
dos à pedofilia, que atinge um número imenso de crianças ao redor do mundo. 
Além das redes sociais, o aplicativo WhatsApp, maior plataforma de men-
sagens utilizada massivamente ao redor do mundo, tem sido utilizado com 
muita frequência para aplicação de muitos dos crimes descritos. A Internet 
possibilita novas formas de interação social, sendo que esse novo modelo de 
relacionamento propicia golpes e o cometimento de crimes.
Uma recente pesquisa realizada pela PSafe, a desenvolvedora dos aplicativos 
dfndr, entre os dias 7 de maio e 22 de maio de 2019, revelou que um em cada cinco 
brasileiros já foi vítima de roubo de identidade na Internet, o que representa 24,2 
milhões de potenciais vítimas em todo o País. As respostas à pergunta “Alguma 
das informações pessoais abaixo já foram usadas por alguém sem a sua permis-
são?” nessa pesquisa foram as seguintes (PAVÃO, 2019; PESQUISA..., 2019):
 � 51,3% — número do telefone;
 � 44,3% — credenciais de redes sociais;
 � 37,1% — credenciais de e-mail;
 � 26,8% — CPF;
 � 19,3% — credenciais de banco ou cartão de crédito;
 � 16,0% — credenciais de serviços de compra on-line;
 � 14,9% — credenciais de serviços de streaming, como Netflix ou Spotify;
 � 12,9% — outros.
No aplicativo de envio e recepção de mensagens mais popular no Brasil, o WhatsApp, 
as ações de punições podem ser feitas tanto em conversas individuais como em 
grupos. Em casos de crimes envolvendo conversas divulgadas em grupos, todos os 
usuários de um grupo poderão ser considerados responsáveis pelo conteúdo que 
outras pessoas enviam.
Crimes digitais
132
3 Princípios de investigação de crimes digitais
O grande volume de transações e acessos à Internet tem provocado um aumento 
significativo nos crimes digitais. Os usuários, apesar da sua desenvoltura para 
utilizar a Internet e navegar nas redes, ainda estão muito despreparados para 
reconhecer possíveis tentativas de fraudes e crimes digitais, sofrendo golpes 
que acabam gerando diversos prejuízos.
Muitos usuários não sabem de seus direitos e acabam ficando calados 
perante os crimes praticados. Apesar de existir uma percepção que os crimes 
digitais não são punidos, existem leis específicas para julgar esse tipo de 
crime. Além disso, existe um novo modelo de relacionamento entre países 
que cooperam com informações, as quais permitem a análise de casos que 
ultrapassam as fronteiras e as leis locais.
Localizar e identificar um criminoso digital é muito desafiador. Em crimes 
fora da rede, muitos criminosos são identificados por suas digitais, testemunhas 
ou evidências deixadas na cena do crime. No mundo digital, a busca por esses 
dados é feita em um enorme repositório de dados, por meio do endereço de 
IP do usuário da rede, podendo inclusive ter restrições de dados quanto ao 
conteúdo analisado.
Outro ponto em constante evolução são os julgamentos relacionados a 
crimes de injúria, difamação e calúnia, que ocorrem em grande volume nas 
redes sociais. Observamos uma evolução judiciária em relação a esses jul-
gamentos, objetivando que os usuários examinem os conteúdos postados e 
evitem comentários indevidos em suas redes sociais. Esse tipo de julgamento 
somente acontecerá se a vítima acionar os órgãos competentes, realizando 
boletins de ocorrência e dando continuidade às ações judiciais. A melhor 
maneira de combater os crimes digitais é aplicar medidas similares ao sistema 
penal tradicional.
Em casos de crimes como roubo de dados, fraudes, pedofilia, entre outros, 
o processo de investigação não é uma tarefa fácil. Para chegar aos crimino-
sos, é necessário descobrir muitas camadas de protocolo, quando estes são
rastreáveis. Mesmo após a descoberta dos protocolos, são necessárias muitas
autorizações para poder acioná-los judicialmente.
Crimes digitais
133
O sistema judiciário brasileiro tem evoluído em relação ao julgamento de crimes ciber-
néticos, com a aprovação do novo Marco Civil da Internet (MCI) brasileira, sancionado 
em 23 de abril de 2014, pela Lei nº. 12.965, de 23 de abril de 2014, que regula o uso da 
Internet no Brasil, definindo direitos e deveres.
Outra lei brasileira específica para crimes digitais, Lei nº. 12.737, de 30 de novembro 
de 2012, é também conhecida como a Lei Carolina Dieckmann. A lei leva esse nome 
porque foi aprovada logo após o vazamento de fotos da atriz.
Conforme o art. 154-A da Lei Carolina Dieckmann (BRASIL, 2012, do-
cumento on-line):
Art. 154-A Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de 
computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com 
o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização
expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para 
obter vantagem ilícita.
Pena — detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
Mesmo o crime ocorrendo na web e caracterizado como crimes digitais poderá 
ser enquadrado em qualquer outra lei do Código Penal brasileiro, desde que o 
contexto do crime se aplique ao artigo da lei. Isso ocorre, por exemplo, em casos 
de calúnia e difamação. Uma barreira em todo esse processo é o enquadramento 
do ordenamento jurídico, considerando o sistema judiciário brasileiro, pois o 
local que ocorreu o crime nem sempre será o local do seu julgamento.
Grandes instituições financeiras têm impulsionado o governo para aprova-
ção de leis contra crimes digitais. Esse interesse está embasado nos imensos 
prejuízos financeiros sofridos por fraudes que acontecem via rede. Uma 
reportagem do portal G1 cita que (ROHR, 2016, documento on-line):
A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) afirma que instituições fi-
nanceiras perderam R$ 1,8 bilhão com fraudes em 2015. Em 2011 (antes 
da aprovação da lei), a cifra era de R$ 1,5 bilhão. Embora a cifra não tenha 
crescido muito (ou nada, se for considerada a inflação), é difícil dizer se a 
“estagnação” dos prejuízos se deve à lei ou aos investimentos milionários dos 
próprios bancos em segurança.
O Quadro 1 apresenta os principais crimes digitais e suas respectivas 
tipificações.
Crimes digitais
134
Crime Tipificação em Lei
Furto eletrônico e estelionato 
(fraudes bancárias)
Arts. 155 e 171 do Código Penal 
— Decreto-Lei nº. 2.848, de 7 de 
dezembro de 1940 e alterações
Invasão de dispositivo 
informático e furto de dados
Art. 154-A do Código Penal
Falsificação e supressão de dados Arts. 155, 297, 298, 299, 313-A 
e 313-B do Código Penal
Armazenamento: produção; troca, 
publicação de vídeos e imagens 
contendo pornografia infantil
Arts. 241 e 241-A do Estatuto da 
Criança ou do Adolescente (ECA) — 
Lei nº. 8.069, de 13 de julho de 1990
Assédio e aliciamento de crianças Art. 241-D do ECA
Cyberbulling (veiculação de ofensas 
em blogs e comunidades virtuais)
Arts. 138, 139, 140 do Código Penal
Incitação e apologia ao crime Arts. 286 e 287 do Código Penal
Prática ou incitação de discriminação 
ou preconceito de raça, cor, etnia, 
religião ou procedência nacional
Art. 20 da Lei nº. 7.716, de 
5 de janeiro de 1989
Crimes contra a propriedade 
intelectual artística e de 
programa de computador
Art.184 do Código Penal e Lei nº. 
9.609, de 19 de fevereiro de 1998
Quadro 1. Alguns tipos de crimes digitais e leis utilizadas para o julgamento desses crimes
BRASIL. Justiça Federal.Tribunal Regional Federal da 3ª. Região. Escola de Magistrados 
da Justiça Federal da 3ª. Região. Investigação e prova nos crimes cibernéticos. São Paulo: 
EMAG, 2017. 352 p. (Cadernos de estudos, 1). Disponível em: https://www.trf3.jus.br/
documentos/emag/Midias_e_publicacoes/Cadernos_de_Estudos_Crimes_Ciberne-
ticos/Cadernos_de_Estudos_n_1_Crimes_Ciberneticos.pdf. Acesso em: 28 mar. 2020.
BRASIL. Lei Nº 12.737, de 30 de novembro de 2012. Dispõe sobre a tipificação criminal de 
delitos informáticos; altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código 
Penal; e dá outras providências. Brasília: Casa Civil da Presidência da República, 2012. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12737.
htm. Acesso em: 28 mar. 2020.
Crimes digitais
135
GOGONI, R. Deep Web e Dark Web: qual a diferença? Tecnoblog, Americana, 18 mar. 2019. 
Disponível em: https://tecnoblog.net/282436/deep-web-e-dark-web-qual-a-diferenca/. 
Acesso em: 28 mar. 2020.
PAVÃO, S. 1 em cada 5 brasileiros já foi vítima de roubo de identidade na internet. 
dfndr blog, San Francisco, 30 out. 2019. Disponível em: https://www.psafe.com/blog/
roubo-de-identidade/. Acesso em: 28 mar. 2020.
PESQUISA sobre roubo de identidade. PSafe, San Francisco, maio 2019. Disponível em: 
https://cdn.blog.psafe.com/blog/wp-content/uploads/2019/05/Pesquisa-PSafe-sobre-
-Roubo-de-Identidade.pdf. Acesso em: 28 mar. 2020.
ROHR, A. Quem deve investigar e punir um crime on-line: pacotão de segurança. G1 
Tecnologia, Rio de Janeiro, 14 abr. 2016. Disponível em: http://g1.globo.com/tecnologia/
blog/seguranca-digital/post/quem-deve-investigar-e-punir-um-crime-line-pacotao-
-de-seguranca.html. Acesso em: 28 mar. 2020.
SIRUL, E. What Is the Dark Web? Experian, Costa Mesa, 8 abr. 2018. Disponível em: 
https://www.experian.com/blogs/ask-experian/what-is-the-dark-web/. Acesso em: 
28 mar. 2020.
Leituras recomendadas
ABREU, C. N.; EISENSTEIN, E.; ESTEFENON, S. G. B. (org.). Vivendo esse mundo digital: im-
pactos na saúde, na educação e nos comportamentos sociais. Porto Alegre: Artmed, 
2013. 336 p.
BRASIL. Lei Nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Estabelece princípios, garantias, direitos e 
deveres para o uso da Internet no Brasil. Brasília: Casa Civil da Presidência da República, 
2014. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/
l12965.htm. Acesso em: 28 mar. 2020
BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. Lei Nº 9.609, de 19 de fevereiro de 1998. Dis-
põe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador, sua 
comercialização no País, e dá outras providências. Brasília: Casa Civil da Presidência 
da República, [1998]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/
del2848.htm. Acesso em: 28 mar. 2020.
BRASIL. Ministério da Justiça. Decreto-Lei Nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código 
Penal. Brasília: Casa Civil da Presidência da República, [1940]. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm. Acesso em: 28 mar. 2020.
BRASIL. Ministério da Justiça. Lei Nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989. Define os crimes 
resultantes de preconceito de raça ou de cor. Brasília: Casa Civil da Presidência da 
República, [1989]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm. 
Acesso em: 28 mar. 2020.
Crimes digitais
136
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
BRASIL. Ministério Público Federal. 2ª. Câmara de Coordenação e Revisão. Crimes 
cibernéticos. Brasília: MPF, 2018. 275 p. (Coletânea de artigos, 3). Disponível em: http://
www.mpf.mp.br/atuacao-tematica/ccr2/publicacoes/coletaneas-de-artigos/coleta-
nea_de_artigos_crimes_ciberneticos. Acesso em: 28 mar. 2020.
OLIVEIRA, R. Cinco tipos de crimes digitais devem dominar a internet brasileira em 
2019. Jornal Opção, Goiânia, 29 set. 2019. https://www.jornalopcao.com.br/reportagens/
cinco-tipos-de-crimes-digitais-devem-dominar-a-internet-brasileira-em-2019-212858/. 
Acesso em: 28 mar. 2020.
POZZEBOM, R. Quais são os crimes virtuais mais comuns? Oficina da Net, Santa Cruz do 
Sul, 30 abr. 2015. Disponível em: https://www.oficinadanet.com.br/post/14450-quais-
-os-crimes-virtuais-mais-comuns. Acesso em: 28 mar. 2020.
SURFACE Web vs Deep Web vs Dark Web vs Shadow Web vs Marianas Web. Techdracula, 
[S. l.], 22 dez. 2017. Disponível em: https://techdracula.com/surface-vs-deep-vs-dark-
-vs-vs-shadow-vs-marianas-web/. Acesso em: 28 mar. 2020.
Crimes digitais
137
DICA DO PROFESSOR
Os crimes digitais estão cada vez mais frequentes dentro de um universo tão extenso quanto o 
da Internet, no qual existem milhares de transações todos os dias, fazendo com que esse tipo de 
criminalidade evolua exponencialmente. Apesar da legislação não ter evoluído na mesma 
velocidade, já é possível observar conquistas em relação a punições para esses tipos de crime.
Nesta Dica do Professor, você vai aprender um pouco mais sobre como identificar esse tipo de 
crime e quais são as principais punições.
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EXERCÍCIOS
1) A rede de computadores mundial — a Internet —, é um ambiente interligado, sem
localização física e central específica, e a sua criação permitiu a fácil comunicação
entre a sociedade. Apesar de parecer um ambiente único, a Internet tem mais de um
segmento de navegação. Essas partes da Internet não são visíveis a todos os usuários e
cada uma delas tem uma característica específica, criando cantos obscuros na rede
mundial.
Sendo assim, qual é a afirmativa correta?
A) A rede web é segmentada em três níveis: surface web, deep web e dark web, sendo o
primeiro deles o segmento de maior volume de navegação e tráfico
de informações.
B) A deep web é um segmento que usa dados criptografados, sendo composta
por sites indexados. Ela é composta por tudo aquilo que não é visto livremente na Internet.
C) Na deep web é possível utilizar navegadores como Chrome, Firefox, Bing, etc. Porém, não
há endereço IP e dados do usuário, o que dificulta a identificação de quem está navegando.
138
D) No segmento deep web ocorre a maioria dos crimes digitais, pois essa
parte da Internet colabora com o anonimato e há uma dificuldade em
descobrir os responsáveis.
E) O segmento dark web é um ambiente não criptografado, no qual todas as pessoas que
navegam precisam de conhecimentos específicos para acessar
as informações.
2) Com o uso cada vez maior da rede mundial, de aplicativos e redes sociais, observa-se
uma mudança significativa no comportamento da população, principalmente nas
redes sociais. Em alguns casos, pode ficar a falsa sensação de impunidade, entretanto,
a legislação brasileira vem evoluindo a respeito disso e já é possível perceber um
aumento no número de condenações para os crimes praticados no ambiente digital.
Sendo assim, marque a alternativa correta.
A) Calúnia é um ato muito comum nas redes sociais, onde os usuários, por meio de suas
postagens e comentários, ofendem outros indivíduos de forma injusta, independentemente
dos fatos que envolvem a situação.
B) A utilização das redes sociais para opinar de forma pejorativa sobre assuntos como
religião, etnia, raças, etc., caracteriza crime digital. Esses crimes são julgados apenas com
base nas leis digitais.
C) Preconceito, difamação e injúria são crimes que existem há muitos anos na
sociedade; atualmente, representam o maior volume de crimes realizados através do meio
digital.
D) Atribuir a uma pessoa alguma menção desonrosa, seja em qualquer ambiente digital,
poderá caracterizar em injúria.
E) Usar o ambiente corporativo para divulgação de material próprio da empresaé
caracterizado como furto de informações.
139
3) Apesar da evolução das leis em relação aos crimes digitais e da mudança de
comportamento da população, observa-se um modelo no qual as vítimas ainda não
procuram todos os seus direitos.
Essa característica se deve a qual fato? Marque a opção correta.
A) A evolução das leis é muito recente e os crimes digitais são julgados somente pelas leis
específicas, o que faz com que muitas vítimas desconheçam seus direitos.
B) Processos judiciais são demorados, entretanto, em um crime digital que envolva redes
sociais e aplicativos, as empresas proprietárias dessas redes têm obrigação de entregar os
dados, caso os sistemas legal e judiciário solicitem.
C) As penas definidas para os crimes digitais são muito brandas. Por isso, em muitas
situações, as vítimas acabam se desmotivando e não dão início a um processo judicial.
D) Devido à grande extensão do ambiente digital, a comprovação dos crimes é muito difícil, o
que faz com que muitas vítimas não ingressem com ações no sistema judiciário.
E) Devido ao modelo judiciário do Brasil, há dificuldade em relação a onde ocorreu e onde
será julgado o crime, principalmente em casos em que as vítimas fazem parte de um crime
cometido contra grandes organizações.
4) A criação da Internet foi um ponto crucial para todas as organizações ao redor do
mundo, oportunizando negócios entre países de forma simples e rápida. Porém, toda
essa comodidade também tem seu custo, e essas empesas são frequentemente alvos de
criminosos.
Considerando essa modalidade de crimes, marque a afirmativa correta.
A) Uso de dispositivos, como digitais e reconhecimento facial, são muito seguros e podem ser
considerados como soluções adequadas por um longo tempo pelas organizações para
combater o crime digital.
140
B) O investimento em soluções de segurança representa uma grande fatia orçamentária das
organizações, sendo eficiente no combate ao crime digital.
C) O recebimento de e-mails com promoções é natural no ambiente virtual, não
caracterizando um crime digital.
D) As empresas têm atuado muito no controle de dados e focado em realizar, de forma
eficiente, o controle de todos os dados confidenciais.
E) As grandes organizações vêm atuando no combate ao crime digital por meio de ações que
impulsionam a criação de legislação específica para a tratativa desses crimes.
5) A rede de computadores mundial modificou a maneira como a sociedade passou a se
comunicar e a interagir. Com certeza, esse foi um fator determinante para
impulsionar a evolução na humanidade, abrindo portas para a criminalidade dentro
do ambiente digital.
Sendo assim, qual afirmativa está correta?
A) A Internet foi criada em 1960 pelo governo dos Estados Unidos com o protocolo TCP/IP (
transfer internet protocol/internet protocol), permitindo a comunicação entre usuários.
B) Os primeiro crimes digitais ocorreram na década de 1990, quando a rede web começou a
ganhar notoriedade, passando a ser um dos principais meios de comunicação.
C) O conceito Internet foi criado na década de 1980, no mesmo período que surgiu a palavra
hacker, indivíduo capaz de promover a invasão de sistemas privados a partir de
conhecimentos técnicos.
D) O surgimento das redes sociais, nas últimas três décadas, abriu uma porta importante para
o aumento exponencial da criminalidade digital, devido à exposição dos usuários.
141
E) A extensão da Internet contribui muito com a exponencialidade dos crimes. Estudos
provam que um a cada cinco brasileiros já foi vítima de algum tipo de crime digital.
NA PRÁTICA
Ao contrário do que muitos pensam, o aplicativo WhatsApp não é 
uma terra sem lei. Diferentemente da comunicação falada, todas as conversas nesse aplicativo 
ficam registradas, e muitos brasileiros 
já recorreram à justiça por se sentirem ofendidos por algo escrito 
ou repassado via WhatsApp.
Nesta Na Prática, você vai conhecer um caso real no qual os usuários 
de um grupo de WhatsApp acionaram a justiça.
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SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Quais são os crimes virtuais mais comuns?
Nesta matéria do canal Oficina da Net, você vai encontrar informações interessantes sobre quais 
são os crimes virtuais mais comuns, a descrição de cada um deles e quais são as delegacias 
responsáveis por apurá-los em todos os estados brasileiros.
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Crimes cibernéticos
Este artigo do Ministério Público Federal reflete a importância no combate à criminalidade 
cibernética na sociedade contemporânea, descrevendo em detalhes o crime de pornografia 
infantil e suas devidas punições. Confira.
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142
Introdução à propriedade Intelectual
APRESENTAÇÃO
A propriedade intelectual é um ramo do Direito que tem por finalidade a proteção dos bens 
imateriais oriundos da criação humana, sejam eles de cunho artístico, literário, científico ou 
tecnológico, que são protegidos para que o detentor possua o reconhecimento de sua 
propriedade, além de poder fazer jus à exploração econômica de sua criação. 
Nesta Unidade de Aprendizagem, vamos definir a propriedade intelectual e verificar a sua 
importância, reconhecendo os tipos de invenções que podem ser protegidas, assim como 
reconhecer a divisão da propriedade intelectual.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar o que é a propriedade intelectual.•
Reconhecer quais tipos de criações podem ser protegidas por meio da propriedade
intelectual.
•
Explicar as divisões da propriedade intelectual.•
DESAFIO
Imagine que você é advogado e é procurado pela esposa e pela família de Marcos, que havia 
falecido fazia três anos. Marcos era engenheiro mecânico e possuía uma oficina na garagem de 
casa, onde desenvolvia projetos na busca de melhoria de desempenho de automóveis, gosto 
adquirido desde muito cedo na oficina mecânica do pai. 
A família iria mudar de residência e, ao encaixotar seus pertences, descobriu o desenho de um 
motor elétrico revolucionário no mercado, totalmente inédito, desenvolvido por Marcos e que 
143
havia ficado entre os muitos projetos em que ele trabalhava. Você é então procurado e 
consultado pela família, que busca uma orientação sobre a questão:
1) A família de Marcos pode requerer a patente da invenção? Qual a previsão legal para isso?
2) Quais requisitos devem estar presentes para se considerar uma invenção patenteável?
INFOGRÁFICO
Você sabe quais são as divisões da propriedade intelectual? Veja no infográfico quais são elas e 
como são organizadas.
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CONTEÚDO DO LIVRO
Na obra Propriedade intelectual, leia o capítulo Introdução à propriedade intelectual, base 
teórica desta Unidade de Aprendizagem. Você aprenderá sobre o que é propriedade intelectual e 
que ela se divide em direito autoral, propriedade industrial e proteção sui generis. 
Além disso, vai saber quais os tipos de criações são passíveis de proteção por propriedade 
intelectual. 
Boa leitura.
144
Introdução à propriedade 
intelectual
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar o que é a propriedade intelectual.
 � Reconhecer quais tipos de criações podem ser protegidas por meio
da propriedade intelectual.
 � Explicar as divisões da propriedade intelectual.
Introdução
A propriedade intelectual é um ramo do Direito cuja finalidade é a pro-
teção dos bens imateriais oriundos da criação humana, sejam eles de 
cunho artístico, literário, científico ou tecnológico, protegidos para que 
o detentor possua o reconhecimento da sua propriedade, além de poder 
fazer jus à exploração econômica da sua criação.
Neste capítulo, você vai ler a respeito da definição de propriedade 
intelectuale verificar a sua importância, analisando os tipos de invenções 
que podem ser protegidas e a divisão da propriedade intelectual.
O que é propriedade intelectual?
A propriedade intelectual passou a ser definida pela Convenção da Organização 
Mundial da Propriedade Intelectual como “a proteção aos direitos relacionados 
às criações artísticas, literárias, científicas e invenções, marcas, desenhos in-
dustriais, softwares e muitos outros”. Nesse sentido, a proteção é dada aos bens 
imateriais, que são fruto da criação humana. São chamados de imateriais por 
não necessariamente possuírem uma propriedade física, que possa ser tocada.
A propriedade intelectual, por também se tratar de algo pertencente ao possui-
dor, gera retorno financeiro; assim, passa a ser considerada um ativo. Normalmente, 
é o resultado de um investimento que trará lucros e, por esse motivo, deve ser 
145
bem protegido para que não se perca ou seja utilizado indevidamente por alguém 
mal-intencionado ou por alguém que venha a ter a mesma ideia posteriormente.
A propriedade intelectual é uma denominação que se dá a patentes, direitos autorais, 
desenhos industriais, marcas e outros tipos de propriedade intangível que se originam 
de criações humanas e que não necessariamente precisam possuir corpo físico, ser 
palpável. Faz referência ao conhecimento que um criador detém ao realizar uma 
criação/produto, assegurando os seus direitos de explorar a propriedade intelectual, 
mas, primeiro, será necessário proteger o que foi criado.
Para que uma obra possa ser patenteada, precisamos seguir alguns crité-
rios, devendo comprovar, diante das autoridades da propriedade intelectual, 
que a tecnologia que se pretende proteger é específica, difere de qualquer 
coisa já patenteada antes, não está disponível no mercado ou não tenha sido 
divulgada. Essa invenção também não deve ser óbvia, deve ter utilidade 
para algum ramo industrial e ter a possibilidade de ser reaplicada de forma 
industrial. Diante do exposto, podemos verificar a importância de proteger a 
propriedade intelectual, como forma de preservar um patrimônio inovador, 
o que pode ser feito de três formas:
 � diretamente em uma das sedes do Instituto Nacional da Propriedade
Industrial (INPI);
 � via Correio, encaminhando a solicitação via Sedex;
 � site da Biblioteca Nacional.
O INPI foi criado para ser o órgão brasileiro regulatório e fiscalizador responsável, 
submetido ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). 
Esse órgão é responsável pela concessão dos direitos de propriedade industrial e nele 
devem ser registradas as inovações, patentes, marcas e desenhos técnicos. Quase 
todos os produtos utilizados hoje no nosso dia a dia — como, por exemplo, a torneira 
elétrica, a caneta, a geladeira e o computador — já passaram pela concessão do INPI.
Introdução à propriedade intelectual
146
No site do INPI, podemos verificar os serviços oferecidos e como o registro 
deve ser feito. Podemos também conferir o que já foi registrado, sendo um 
instrumento importante para quem precisa verificar se uma marca ou produto 
já foi catalogado por outra pessoa. Para isso, é necessário estar bem informado 
sobre como funcionam os procedimentos e, se possível, estar bem assessorado 
por um profissional que possa orientar corretamente a melhor forma de apro-
veitar os benefícios desse patrimônio. Para cada espécie de registro, existe um 
prazo de proteção concedido pela lei, para que a pessoa interessada renove 
o seu interesse em manter o registro de seu produto e continue a explorar os
benefícios de sua inovação.
Hoje, iniciar o ato de solicitação de uma patente ou registro de indicação 
geográfica é algo extremamente simples. Existe a possibilidade de legalizar 
os direitos autorais, por meio do envio pelos Correios de uma cópia da obra 
produzida (por meio de Sedex ou carta registrada). Essa correspondência, 
ao ser recebida, não deve ser aberta, pois, caso seja necessário comprovar a 
sua autoria, devemos juntá-la ao processo para que passe por perícia. Dessa 
forma, poderemos comprovar que a obra existe desde a data carimbada no 
envelope pelos Correios.
Outro ato simples, mas com um ótimo custo-benefício, é registrar a obra na 
Biblioteca Nacional, que possui sede no Rio de Janeiro e postos em 10 Estados 
do Brasil. A Biblioteca Nacional é responsável pelo registro, pela guarda e 
pela proteção de toda produção autoral brasileira. Para isso, o autor deve:
 � acessar o site da Biblioteca Nacional;
 � imprimir, preencher e assinar o formulário de registro;
 � anexar as cópias de seus documentos, como registro geral (RG), cadastro
de pessoas físicas (CPF), comprovante de endereço e uma reprodução
da obra impressa com todas as páginas assinadas;
 � entregar pessoalmente na sede ou em um dos postos ou, por fim, enviar
essa solicitação por Sedex.
O registro dessa obra deve sair em cerca de 90 dias. São atos relativamente 
simples, mas que podem proteger um patrimônio valiosíssimo para quem 
o produziu. Mesmo que a proteção se dê por tempo determinado, é muito
importante fazer algo para que a propriedade intelectual seja protegida, pois
essa é a melhor maneira de se garantir uma sustentação legal.
Se a inovação não for devidamente registrada, o autor teria que manter 
o seu trabalho em segredo para proteger a sua criação e para que a sua ideia
não seja roubada. Ao proteger e registrar a sua invenção, o criador terá a
Introdução à propriedade intelectual
147
tranquilidade de que a obra não será roubada ou copiada e poderá disseminá-
-la, com os retornos financeiros contribuindo com o processo de inovação e
modernidade do seu país.
Tipos de criações que podem ser protegidas 
por meio da propriedade intelectual 
Dentro da propriedade intelectual, há várias criações que podem ser protegidas, 
conforme veremos a seguir.
As produções artísticas, literárias e científicas podem se manifestar 
por meio de:
 � fotografias;
 � litografias, que é a impressão em papel de um escrito ou um desenho;
 � escultura;
 � música;
 � projetos de engenharia e arquitetônicos;
 � demais expressões estéticas.
Conforme o art. 7º da Lei nº. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, as obras 
intelectuais são todas as criações do espírito, expressas por qualquer meio 
ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se 
invente no futuro, com destaque para (BRASIL, 1998a):
 � as conferências e os sermões;
 � as obras coreográficas e pantomimas;
 � as obras cinematográficas e fotográficas;
 � as pinturas e esculturas;
 � as cartas geográficas;
 � os projetos de engenharia, arquitetura e paisagismo;
 � as adaptações e traduções;
 � os programas de computador;
 � os dicionários e bases de dados.
Também poderão ser protegidas e registradas as interpretações de artis-
tas, a reprodução e execução musical, bem como as invenções de todos os 
campos da atividade humana, obedecendo sempre os requisitos estabelecidos 
em lei específica.
Introdução à propriedade intelectual
148
São protegidos, também, por meio do registro de propriedade intelectual, 
os desenhos industriais. De acordo com o art. 95 da Lei nº. 9.279, de 14 de 
maio de 1996, o desenho industrial é a: “[...] forma plástica ornamental de um 
objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um 
produto, proporcionando resultado visual novo e original na sua configuração 
externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial” (BRASIL, 1996).
Assim, todo desenho industrial deve apresentar uma forma plástica e original, 
tridimensional ou que tenha um conjunto de linhas e cores que poderão ser aplicadas 
a um produto bidimensional, ou seja, que possa sair do papel e ser transformado 
em um produto que preencha uma finalidade prática. Portanto, o desenho indus-
trial deve ter forma de um objeto com duas dimensões, não possuindo requisito 
essencial de possuir manifestação artística, mas que tenha o requisito da novidade.
A marca é protegida por meio do registrode propriedade intelectual. De 
acordo com o art. 123, I, da Lei nº. 9.279/1996, considera-se marca de um produto 
ou serviço aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico, 
semelhante ou afim, de origem diversa, como, por exemplo, no caso de um acho-
colatado, em que há produtos idênticos, mas que apresentam um visual diferente, 
o que facilita ao consumidor distinguir uma marca da outra (BRASIL, 1996).
Também é possível registrar um nome empresarial que o empresário
adota e utiliza para atuar no mercado, constando no seu contrato ou estatuto 
das sociedades empresárias. A fim de evitar uma concorrência desleal, não 
se admite que existam nomes empresariais idênticos ou sequer semelhantes, 
para que seus clientes não se confundam, mesmo em atividades diferentes. 
Ocorre que o título de registro, salvo no caso de marcas famosas, não evitará 
o uso por terceiros em atividades diversas, a menos que induza os clientes
a uma confusão. Um exemplo seria uma marca de roupas e uma marca de
calçados com o mesmo nome, o que poderia fazer o comprador pensar que
ambos os produtos são pertencentes à mesma marca. Por meio do registro
de propriedade intelectual, é possível proteger os demais direitos de terreno
industrial, científico, literário e artístico.
Conforme estabelecido no art. 22 da Lei nº. 9.610/1998, “pertencem ao 
autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou”, assim, os 
direitos morais vinculam o autor à sua criação, direitos que são inalienáveis 
e irrenunciáveis. Estão elencados no art. 24 da mesma lei os direitos morais 
do autor, como (BRASIL, 1998a):
 � reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra;
 � ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional ligado à obra;
 � conservar o direito de inédito;
Introdução à propriedade intelectual
149
 � conservar o direito à integridade da obra;
 � conservar o direito de modificar a obra;
 � conservar o direito de extinguir a venda;
 � conservar o direito de ter acesso ao exemplar único de sua obra para
fotografar e preservar a sua memória.
No caso de falecimento do autor, os direitos em relação à obra são trans-
mitidos aos seus herdeiros ou sucessores, que possuirão os mesmos direitos, 
ou seja, resguardar a sua manutenção, divulgação e alteração. Não existindo 
sucessores, a função de proteção desses direitos passará ao Estado, mas não 
de forma integral, já que a obra passará a ser considerada de domínio público. 
Haverá o zelo pela conservação da obra, mas seu uso é permitido de forma 
irrestrita por quem assim o desejar.
Divisões da propriedade intelectual
A propriedade intelectual possui três divisões principais:
 � direito autoral;
 � propriedade industrial;
 � proteção sui generis.
Os direitos autorais estão presentes também no Direito Civil, e a sua 
proteção não depende de registro formal e pagamentos de taxas. A sua du-
ração é de 60 anos, a contar do primeiro dia do ano posterior ao falecimento 
do autor, de acordo com o art. 41 da Lei nº. 9.610/1998. De acordo com o art. 
42 da mesma lei “quando a obra literária, artística ou científica realizada em 
coautoria for indivisível, o prazo previsto no artigo anterior será contado da 
morte do último dos coautores sobreviventes” (BRASIL, 1998a). Refere-se 
à autoria de obras intelectuais nos campos literário, científico e artístico, 
como, por exemplo, pinturas, livros, artigos científicos, matérias jornalísticas, 
músicas, imagens, desenhos, software, entre outros.
O direito autoral ainda se divide em duas partes: o direito do autor e o direito 
conexo. O direito do autor se relaciona com criações literárias, artísticas e 
científicas, tendo por requisito a criação do espírito humano, ou seja, livros e 
artigos científicos, por exemplo. Já os direitos conexos são os direitos dos artistas, 
intérpretes ou executantes, produtores fotográficos e empresas de radiodifusão, 
como, por exemplo, os de filmes, shows, novelas, programas de rádio e televisão.
Introdução à propriedade intelectual
150
Um dos requisitos para uma obra ser protegida pela Lei de Direitos Autorais 
é sua originalidade. Ocorre que esse conceito não é uniforme, visto que a 
originalidade seria a criatividade, no sentido de criação do intelecto individual, 
de acordo com a personalidade do seu criador. Isso ocorre quando se exige, por 
exemplo, o caráter de contribuição pessoal; ou no sentido da origem intelectual 
de uma obra, que se aplica quando a proteção é dada a uma obra que não seja 
cópia ou uma apropriação de elementos preexistentes.
A propriedade industrial compõe o Direito Comercial e a sua proteção 
depende da concessão de um título pelo Estado, perante o pagamento de 
taxas. O seu prazo de proteção é menor do que o dos direitos autorais e a lei 
estabelece sanções para a sua não exploração. Nesse caso, de acordo com a lei, 
o registro de propriedade industrial está sujeito ao pagamento de retribuição
quinquenal, a partir do segundo quinquênio da data do depósito. O segundo
quinquênio deve ser pago durante o quinto ano de vigência do registro.
A propriedade industrial tem como foco principal a atividade comercial, 
englobando:
 � patente de invenção e de modelo de utilidade;
 � marca;
 � desenho industrial;
 � indicação geográfica;
 � segredo industrial;
 � repressão à concorrência desleal.
A propriedade industrial está regulamentada pela Lei nº. 9.279/1996 e engloba também 
direitos e obrigações relacionadas a bens intelectuais, bem como objetos de atividades 
industriais de empresas ou indivíduos. Assegura, desse modo, ao titular do direito a 
exclusividade de fabricar, comercializar, importar, usar, vender e ceder.
Na propriedade industrial, assim como no direito autoral, há também duas 
divisões: a patente e a marca. A patente tem como objetos de proteção as 
invenções ou os modelos de utilidade que envolvem novos produtos, bem como 
processos que podem ser industrialmente aplicados. Possui como requisitos 
principais a novidade, atividade inventiva e aplicação industrial, como, por 
exemplo, máquinas e equipamentos. A marca tem como objetivo de proteção 
Introdução à propriedade intelectual
151
a logomarca de um produto, empresa ou serviço, possuindo como requisito a 
compatibilidade com os respectivos ramos de atuação ou de comercialização 
do empreendimento ou da organização.
A novidade exigida na invenção e no modelo de utilidade corresponde a algo 
que ainda não existe e não é de conhecimento do público em data anterior ao 
depósito do pedido da patente, a menos que a divulgação tenha se dado no período 
de 12 meses anteriores ao depósito e que tenha sido feita pelo próprio inventor. 
A proteção dada ao titular do direito pela patente impede o uso da sua criação 
por pessoas desautorizadas. O prazo de vigência da patente, de acordo com o 
art. 40 da Lei nº. 9.279/1996, é de 20 anos para patente de invenção e de 15 anos 
para modelos de utilidade, a contar da data do depósito no INPI (BRASIL, 1996).
Podemos fazer algumas distinções entre direito autoral e propriedade 
industrial: enquanto as obras protegidas pelos direitos autorais têm como 
condição a originalidade, as invenções, os modelos de utilidade e os desenhos 
industriais dependem da condição de novidade, ou seja, requer que esses 
produtos não sejam de conhecimento geral.
Para os desenhos industriais, há uma variedade de formas possíveis. Assim, quando esses 
desenhos possuem somente o requisito de originalidade relativa, ou seja, é considerado 
uma novidade de aplicação, não merecem ser protegidos pela Lei de Direitos Autorais, 
ficando sob a tutela da Lei de Propriedade Industrial. Se o produto for divulgado, por 
qualquer meio, antes de requisitar tal registro, será considerado de domínio público, 
tendo a possibilidade de ser explorado livremente por qualquer pessoa.
A proteção sui generis é o ramo da topografia de circuitos integrados e de 
cultivares, assim como de conhecimentos tradicionais e de exploração genética. 
Nela, cada direito depende de proteção regulamentada porlegislação específica, 
necessitando ainda de registro em órgão competente, sendo que o prazo de validade 
varia de acordo com cada espécie. Aqui o objeto de projeção é a configuração 
tridimensional das camadas sobre uma peça de material semicondutor que visa 
realizar funções eletrônicas em equipamentos. Possui como requisito a topografia 
original e que não seja comum para técnicos e especialistas, no momento da sua 
criação, como, por exemplo, microprocessadores e memórias. Outra questão 
importante é a proteção de software, que é uma sequência de instruções escritas 
 à propriedade intelectual Introdução
152
interpretadas por um computador com o objetivo de executar tarefas específicas. 
Pelas características que apresenta, a sua proteção transita entre os direitos autorais 
e o direito da propriedade industrial, mas o software está diretamente expresso 
no texto da Lei do Direito de Autor, no seu art. 7º, XII, § 1º.
A Lei nº. 9.609/1998 disciplinou os direitos morais do criador de software, 
que exprimem a relação pessoal entre a obra e o seu autor, atribuindo-a aos 
direitos morais reduzidos, podendo somente reivindicar a autoria do programa 
e opor-se a que sejam feitas mudanças no que foi desenvolvido sem a sua 
prévia autorização. Já os direitos relativos ao patrimônio são reconhecidos pela 
Lei de Direitos Autorais, no seu art. 28, que confirma o direito do criador, o 
aproveitamento dos lucros provenientes da sua obra e o direito exclusivo de 
exploração (BRASIL, 1998b).
A proteção de software independe de registro no INPI e é assegurada 
durante 50 anos, contados a partir de 1º de janeiro do ano subsequente ao 
da sua publicação ou, na ausência desta, da sua criação, mas é estabelecida 
a proibição de que esse software seja retirado de circulação para garantir 
segurança aos seus usuários. O registro no INPI não é obrigatório, mas a taxa 
periódica para a conservação do sigilo é imposta pela lei.
No art. 6º da Lei do Software, foram impostas algumas ressalvas, como 
(BRASIL, 1998b):
 � permitir a reprodução de uma cópia do original;
 � permitir a citação parcial, para fins acadêmicos, com expressa indicação
do titular;
 � não constituir ato ilícito a semelhança de software, pelas características
de funcionalidade;
 � permitir a integração de programas quando indispensáveis às necessi-
dades do usuário e para seu uso individual.
O Conselho Nacional de Justiça faz uma excelente ex-
plicação e distinção do que é propriedade intelectual, 
as suas divisões, aplicações e proteções. Acesse este link:
https://goo.gl/QQUxb5
Introdução à propriedade intelectual
153
BRASIL. Lei nº. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação 
sobre direitos autorais e dá outras providências. 1998a. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9610.htm>. Acesso em: 22 jan. 2018.
BRASIL. Lei nº. 9.609, de 19 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre a proteção da propriedade 
intelectual de programa de computador, sua comercialização no País, e dá outras 
providências. 1998b. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
L9609.htm>. Acesso em: 22 jan. 2018.
BRASIL. Lei nº. 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à 
propriedade industrial. 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/L9279.htm>. Acesso em: 22 jan. 2018.
Leituras recomendadas
ENDEAVOR BRASIL. Se tem empreendedorismo, tem inovação. E se tem inovação, tem que 
ter propriedade intelectual. 2015. Disponível em: <https://endeavor.org.br/propriedade-
-intelectual/>. Acesso em: 23 jan. 2018.
KAYO, E. K. et al. Ativos intangíveis, ciclo de vida e criação de valor. Revista de Adminis-
tração Contemporânea, Curitiba, v. 10, n. 3, p. 73-90, set. 2006. Disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552006000300005&lng=
en&nrm=iso>. Acesso em: 23 jan. 2018.
LUPI, A. L. P. B. Proteção jurídica do software: eficácia e adequação. Porto Alegre: Sín-
tese, 1998.
MANUAL de redação de patentes da organização mundial da propriedade intelectual 
(ompi). [200-?]. Disponível em: <http://w3.ufsm.br/nit/images/Guias_e_Manuais/
Manual%20OMPI.pdf>. Acesso em: 23 jan. 2018.
PAESANI, L. M. Manual de propriedade intelectual. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
PIMENTEL, L. O. (Org.). A proteção jurídica da propriedade intelectual de software: noções 
básicas e temas relacionados. Florianópolis: IEL, 2008.
SANCHES, H. T. Legislação autoral. São Paulo: LTR, 1999.
SANTOS, M. J. dos. Direito autoral: propriedade intelectual. São Paulo: Saraiva, 2013.
SLACK, N. et al. Gerenciamento de operações e de processos: princípios e práticas de 
impacto estratégico. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.
SOUZA, T. de J. F. et al. Proposta de melhoria do processo de uma fábrica de polpas 
por meio da metodologia de análise e solução de problemas. In: ENCONTRO NA-
CIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 35., 2015, Fortaleza. Anais... Fortaleza, 2015. 
Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/TN_STP_207_228_27341.pdf>. 
Acesso em: 23 jan. 2018.
 à propriedade intelectual Introdução
154
DICA DO PROFESSOR
Você sabe quais invenções podem ser patenteadas e quais os requisitos para isso? Assista ao 
vídeo e conheça quais são.
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EXERCÍCIOS
1) Dentro da propriedade intelectual temos a propriedade industrial, os direitos de
autor e os chamados sui generis. O que diferencia a propriedade intelectual da
propriedade industrial?
A) A propriedade intelectual e a propriedade industrial são sinônimos, como podemos
observar em vários artigos relacionados ao tema.
B) A propriedade intelectual é um ramo do Direito que visa à proteção de todas as criações
humanas, sendo elas voltadas para a arte, ciência ou indústria. A propriedade industrial é
uma divisão da propriedade intelectual e compreende as criações humanas voltadas para a
indústria.
C) A propriedade industrial é um dos grupos de proteção com maior importância dentro da
propriedade intelectual.
D) A propriedade intelectual protege bens intelectuais e a propriedade industrial protege bens
da indústria.
E) A propriedade intelectual protege bens imateriais e a propriedade industrial protege bens
materiais.
155
2) Quais são as subdivisões da propriedade industrial?
A) Indicações geográficas, marcas, desenho industrial e patente.
B) Indicações geográficas, marcas, modelo industrial e patente.
C) Indicações geográficas, marcas, desenho industrial e direitos autorais.
D) Indicações geográficas, marcas, sui generis e patente.
E) Cultivares, topografia de circuitos integrados, direitos conexos e software.
3) Qual a importância da propriedade intelectual para o Estado e para o criador?
A) Com a concessão da exclusividade pelo Estado, por um período, todos os interessados
podem explorar economicamente o objeto protegido.
B) Com a concessão da exclusividade pelo Estado, por um período, os titulares podem
explorar economicamente o objeto protegido, incentivando o uso não autorizado ou
indevido por terceiros, ou mesmo autorizando o uso, mas sem um retorno financeiro sobre
ele.
C) Com a concessão da exclusividade pelo Estado, por um período, os titulares podem
explorar economicamente o objeto protegido, evitando o uso não autorizado ou indevido
por terceiros, ou mesmo autorizando o uso, mas com um retorno financeiro sobre ele.
D) Com a concessão da exclusividade pelo Estado, por um período, os titulares e seus
concorrentes podem explorar economicamente o objeto protegido, evitando o uso não
autorizado ou indevido por terceiros, ou mesmo autorizando o uso, mas com um retorno
financeiro sobre ele.
156
E) Nenhuma das alternativas.
4) Qual a principal diferença entre a propriedade industrial e os direitos autorais?
A) A diferença entre propriedade industrial e direitos autorais é que a propriedade industrial é
o direito dado à pessoa jurídica e os direitos autorais são os direitos dados à pessoafísica.
B) Ambas protegem criações humanas, mas os direitos do autor têm um prazo maior de
proteção.
C) A propriedade industrial está voltada para a arte e literatura; já os direitos autorais visam à
proteção de todas as criações voltadas para a indústria (produção em massa).
D) A propriedade industrial visa à proteção de todas as criações voltadas para a indústria
(produção em massa); já os direitos autorais protegem todas as criações publicadas,
independentemente da categoria.
E) A propriedade industrial visa à proteção de todas as criações voltadas para a indústria
(produção em massa); já os direitos autorais estão voltados para a arte e literatura.
5) A caneta BIC foi a primeira caneta esferográfica existente, desenvolvida por Laszlo
Biro, seu irmão e um amigo. Quais proteções, respectivamente, poderíamos vincular
a essa caneta, considerando a tecnologia aplicada, seu design e o nome pelo qual hoje
a conhecemos?
A) Patente, desenho industrial e marca.
B) Marca, desenho industrial e patente.
C) Desenho industrial, patente e marca.
157
D) Patente, marca e desenho industrial.
E) Direito autoral, desenho industrial e marca.
NA PRÁTICA
Nesta Unidade de Aprendizagem, você viu diversos conteúdos sobre propriedade intelectual, 
mas você sabe como é feito na prática um registro de patente de invenção? 
Veja quais são as etapas. 
158
159
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Propriedade intelectual - marcas
Conheça mais sobre marcas, seu conceito e como pode ser protegido por propriedade 
intelectual.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Fórum - propriedade intelectual
Assista a este vídeo e saiba mais sobre propriedade intelectual.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Entenda as diferenças entre registro de marca e registro de patente
Você sabe a diferença entre marcas e patentes? Descubra neste link.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Propriedade intelectual: proteção e gestão estratégica do conhecimento
Leia este artigo e veja como o conhecimento pode ser protegido pela propriedade intelectual.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
160
Software: evolução e modalidade de 
registro
APRESENTAÇÃO
Software pode ser classificado como uma sequência de dados ou códigos escritos, organizados 
na forma de comandos específicos, que serão processados ou interpretados por um computador. 
Hoje, um software pode ser simplesmente reconhecido pela figura dos famosos “aplicativos”, 
que nada mais são que programas de computadores, presentes cada vez mais em nosso dia a dia, 
em telefones celulares, televisores, tablets, relógios, entre outros.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar o conceito de software e suas evoluções, as 
características de seu registro e o procedimento pelo qual ele se dá.
Bons estudos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Definir o conceito de software e sua evolução.•
Analisar a modalidade de registro de software.•
Diferenciar o registro de softwares de outras modalidades de registro de propriedade 
intelectual.
•
DESAFIO
A proteção dos direitos autorais e patenteáveis de software é um tema ainda em construção na 
doutrina jurídica. Ainda que a lei 9.609/98 tenha realizado passos importantes para a sua 
consolidação como um ramo do direito autoral, há a possibilidade de registro de alguns 
elementos dessa figura como patente, segundo as próprias orientações do Instituto de 
Propriedade Intelectual do Brasil - INPI.
Imagine que você é um consultor em propriedade intelectual, e é procurado com a seguinte 
161
situação:
A partir das informações acima, responda as seguintes perguntas:
1. Qual a modalidade de registro de propriedade intelectual aplicável a esse caso? Trata-se de
direito autoral ou patente?
2. É possível a empresa Y apresentar processo de nulidade administrativo contra o registro
realizado pela empresa X Software?
INFOGRÁFICO
O registro de software possui características dos modelos de patente e de direitos autorais, sendo 
o primeiro focado em ideias e processos criativos, bem como o produto deles, e o segundo na
obra em si, excluídos os elementos subjetivos de sua criação.
Neste Infográfico, você vai ver um comparativo desses dois modelos, visando a deixar mais 
clara a compreensão da discussão ocorrida na formulação do conceito de registro de software.
162
CONTEÚDO DO LIVRO
O software é um conjunto de informações responsáveis por comandar determinados 
mecanismos, possuindo anteriormente uma conexão íntima com o maquinário o qual 
acompanhava em suas origens, e hoje podendo ser direcionado a mais de um invento, de forma 
independente.
Neste capítulo, você vai conhecer o conceito do software e a sua evolução histórica, bem como 
as repercussões desses fatos para a sua proteção legal.
163
Leia o capítulo Software: evolução e modalidade de registro, do livro Direito Autoral, base 
teórica desta Unidade de Aprendizagem.
Boa leitura.
164
Software
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Definir software e a sua evolução.
 Diferenciar o registro de software de outras modalidades de registro 
de propriedade intelectual.
 Analisar o procedimento de registro de software junto ao Instituto
Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Introdução
A proteção dos direitos autorais e patenteáveis de software é um tema 
ainda em construção na doutrina jurídica. Ainda que a Lei nº. 9.609, de 19 
de fevereiro de 1998, tenha dado passos importantes para a sua conso-
lidação como um ramo do direito autoral, há a possibilidade de registro 
de alguns elementos dessa figura como patente segundo as próprias 
orientações do INPI.
Neste capítulo, você vai ler a respeito do conceito de software e das 
suas evoluções, das características do seu registro e do procedimento 
pelo qual ocorre.
Conceito de software
O conceito de software hoje é facilmente identifi cado pela fi gura dos aplicati-
vos, programas de computação — presentes nos nossos celulares, televisores, 
tablets, relógios, etc. — destinados ao atendimento de alguma necessidade 
de mercado. No entanto, a sua autonomia conceitual é relativamente nova em 
relação às ciências computacionais. Segundo Bertrand (1996, p. 15):
Durante os seus vinte primeiros anos de existência, a indústria da informá-
tica era essencialmente baseada na fabricação e na venda do equipamento 
(hardware). Aliás, até 1970 os programas (software) eram considerados 
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apenas “acessórios” dos computadores e não eram fabricados de uma maneira 
autônoma. Na época, compravam-se os computadores sem a preocupação com 
os programas com os quais iam ser utilizados.
Dessa forma, ao adquirir um computador, o consumidor esperava encontrá-
-lo operando as diversas funcionalidades divulgadas pelo seu desenvolvedor,
estando atrelados novos serviços a uma nova máquina. Dessa forma, a noção
de atualização de funcionalidades a partir da simples troca de programas
era completamente fora de propósito ao olhar dos desenvolvedores e juristas
nesse primeiro momento, motivo pelo qual o desenvolvimento de software
seria protegido pela patente do maquinário ao qual estava vinculado como
simples acessório. Essa concepção seria colocada em cheque com a evolução
da indústria (BERTRAND, 1996, p. 15):
(Na década de 1990) o software é para a informática o que a fita de vídeo é 
para o aparelho de videocassete. Não é mais um acessório: é “o alimento” e ao 
mesmo tempo “o motor” da máquina. É o elemento que determina as funções 
da máquina e que permite assim satisfazer ou não as necessidades de seu 
usuário. O usuário escolhe os programas em razão de suas funcionalidades e 
esta escolha vai muitas vezes ditar também a do equipamento no momento em 
que o programaselecionado só tiver a capacidade de rodar em uma plataforma 
específica. A existência e a qualidade dos programas se tornaram elementos 
essenciais do mercado de informática.
Assim, a liberdade de escolha do consumidor tornou-se possível pela 
liberdade de instalação de softwares em determinados aparelhos ou hardwares, 
independentemente da configuração original da máquina a partir da aquisi-
ção de mídias, como CDs, DVDs e, mais tarde, discos de Blu-ray contendo 
programas de computação, ou mesmo músicas ou vídeos para reprodução 
nesses aparelhos.
A partir dessa independência relativa do software em relação ao hardware, 
no entanto, a proteção das patentes relacionadas ao hardware passou a perder 
força em relação ao software, enquanto os seus processos criativos se distan-
ciaram, criando empresas especializadas em outro elemento computacional.
Foi nesse momento evolutivo que surgiram as primeiras discussões ju-
rídicas sobre o regime adequado de proteção dessa figura, que se encontra 
entre o regime de patentes, relacionado às invenções, e o regime de direitos 
autorais, vinculado classicamente a obras artísticas e registros literários na 
sua expressão registral, não abrangendo as ideias ou os processos criativos 
em si pela dificuldade de cadastrá-los.
Software
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Segundo Bertrand (1996, p. 24):
[...] já no início dos anos setenta, os juristas europeus começaram enfim a 
questionar a necessidade de proteger juridicamente os programas, e assim, a 
extensão possível do direito autoral a esses programas. A opinião dos juristas 
foi rapidamente dividida. Enquanto já em 1971, o professor alemão Eugen 
Ulmer defendia a “proteção possível dos programas de computador pelo 
direito autoral” [...] ao passo que outros juristas dentre os quais o professor 
Robert Plaisant, eram por sua vez mais do que cépticos quanto à extensão 
do direito autoral aos programas, salientando a ausência de “caráter literário 
ou artístico” dos mesmos e o “caráter inadaptado” desse tipo de proteção.
A partir das discussões entre as limitações dos institutos clássicos de prote-
ção de propriedade industrial, a criação de um conceito sui generis ou próprio 
de proteção foi proposta. No entanto, na época da discussão internacional, a 
Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) acabou optando por 
uma solução que enquadrasse a categoria em tratados já assinados pelos seus 
integrantes, de modo que o modelo adotado atualmente é uma aproximação 
dos direitos autorais previstos no Tratado de Berna.
É nesse sentido que conclui Silveira (2014, p. 63), que:
Mantém a Lei nº. 9.609/98 o mesmo sistema da lei anterior — universalmente 
adotado até agora — de assemelhar o direito sobre tratamento da informação 
ao direito de autor sobre a forma de expressão, submetendo o direito do cria-
dor de software às normas gerais da lei autoral (Lei nº. 9.610, de 19.02.1998).
É importante ressaltar que a Lei de Propriedade Industrial exclui, expressa-
mente, “programas de computador em si”, da tutela por meio de patentes (art. 
10, V, da Lei n 9.279/96).
Assim, a norma brasileira conclui uma jornada iniciada nas origens do 
software enquanto parte necessariamente atrelada ao seu hardware de origem, 
protegida pela patente do último para proteger o software como elemento 
autônomo e autoral.
Nesse sentido, o conceito de software trazido pela Lei nº. 9.609, de 19 de 
fevereiro de 1998, é construído como:
[...] a expressão de um conjunto organizado de instruções em linguagem 
natural ou codificada, contida em suporte físico de qualquer natureza, de 
emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento da informação, 
dispositivos, instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica 
digital ou análoga, para fazê-los funcionar de modo e para fins determinados 
(BRASIL, 1998).
Software
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Independentemente do suporte das instruções organizadas que fazem o hardware 
operar de determinada maneira, seja em suporte físico, como nos primeiros compu-
tadores, ou em suporte virtual, como é o caso da nuvem, atualmente esses dados, 
organizados na forma de comandos específicos que fazem máquinas realizarem as 
tarefas das quais necessitamos, são programas de computador ou software.
Esse conceito se molda inclusive à sua modalidade mais contemporânea na 
forma dos aplicativos multiplataforma, que abrangem mais de uma máquina 
e que passaram a assumir de vez a sua natureza imaterial com finalidade 
própria, independentemente do hardware de origem, uma vez que a sua pro-
teção se encontra na sua originalidade e distinção conceitual, não mais em 
um construto de propriedades distintas e úteis.
Distinções e semelhanças da proteção 
do software e outros gêneros 
de propriedade intelectual
A proteção do software enquanto propriedade intelectual, como visto, em um 
primeiro momento, assemelha-se à proteção de patentes e, em outro momento, 
com direitos autorais. Essa situação é derivada da mobilidade do software em 
relação ao hardware de origem, conforme as ciências computacionais evoluíram 
de um conceito de mercado baseado em aparelhos (hardware) para focar em 
aplicativos (software) que funcionam em aparelhos diversos.
O sistema de patentes é o primeiro sistema legal a proteger invenções, 
criado oficialmente em Florença, tendo ocorrências anteriores, como ensina 
Canalli e Silva ([2011], p. 745):
Com o tempo, os homens foram percebendo que as invenções são necessárias ao 
progresso e que devem ser encorajadas, dando algumas vantagens financeiras 
e de exploração aos inventores. Embora na colônia grega de Sybaris (720–510 
a.C.) tenham sido prometidos privilégios de um ano a quem desenvolvesse 
receitas culinárias ou artigos de luxo, a primeira patente de invenção foi con-
cedida somente em 1421 pelo Conselho dos Lordes da República de Florença. 
Este privilégio foi concedido ao engenheiro, arquiteto e inventor Filippo 
Brunelleschi, por um prazo de três anos, pela construção de uma embarcação 
de carga (Il Badalone) que deveria transportar mármore pelo rio Arno.
Software
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Nas suas origens, assim como na atualidade, o sistema de patentes se 
preocupa com o monopólio de uso e produção de determinada invenção com 
potencial industrial (reproduzível em escala) e com utilidade para o mercado. O 
privilégio de monopólio em determinado território torna a atividade inovativa 
interessante ao criador, uma vez que os seus custos são elevados; por outro 
lado, a outorga de patente ao inventor traz credibilidade à sua inovação aos 
olhos do mercado, sinalizando que aquele inventor possui produto ou processo 
de interesse para a coletividade.
O sistema de patentes viria a ser complementado pelo sistema de direitos 
autorais em relação a obras de cunho lúdico, como a literatura, o teatro e outras 
áreas culturais, conforme ensina Cavalheiro (2001, p. 212-213):
A primeira lei conhecida sobre direitos de autor apareceu na Inglaterra em 
1709, baixada pela Rainha Ana (Copyright Act = Direito de cópia ou reprodu-
ção), [...] Em 1735, na Inglaterra, foi adotada outra lei, agora para resguardar a 
arte do desenho e que estabelecia a proibição de ser publicada ou importada, 
para fim de comércio, qualquer estampa de natureza histórica ou não, cujo 
autor, desenhista ou proprietário, não permitisse por escrito, a divulgação da 
mesma. Nos reinados de George II (1739) e George III (1766, 1775 e 1777) 
foram introduzidas ampliações e aperfeiçoamentos nas legislações existentes.
Apesar de a proteção dos direitos dos autores remontar à invenção da 
imprensa e à possibilidade de cópia facilitada de obras literárias e gravuras, a 
legislação tardou a tutelar, de maneira organizada, esses direitos, espelhando-se 
nos direitos de patente, mas limitando-se à proteção da expressão gráfica das 
obras, não abrangendo as ideias e os projetos que lhes deram origem.
Portanto,enquanto o sistema de patentes tradicionalmente abarcou in-
venções e modelos de utilidade — como processos industriais voltados à 
aplicação industrial, abrangendo desde a concepção do produto ou processo 
de fabricação até sua manifestação física —, o direito autoral tradicionalmente 
focou na manifestação do processo criativo presente na obra, não abrangendo 
os processos e as ideias por trás da obra, como uma forma de manter os 
processos criativos no domínio cultural da humanidade.
Ao tratarmos de software, logo, a proteção das patentes, para alguns dou-
trinadores, demonstra ser excessiva no sentido da impossibilidade de cópia 
de processos criativos de interesse do mercado da inovação durante o tempo 
de exclusividade do autor. Por outro lado, a exclusão dos projetos da proteção 
autoral de software representa uma quebra de incentivos para a manutenção 
dos processos únicos da sua criação, tornando a preservação o seu principal 
diferencial. Isso deixou o processo de design ou planejamento à mercê de 
Software
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copiadores, enquanto os códigos em si, protegidos pelo sistema de direitos 
autorais, poderiam ser replicados em linguagem distinta.
Nesse sentido, instrui o manual do usuário do INPI:
Nas décadas de 70 e 80 muito se discutiu a respeito do tipo de proteção a ser 
empregada para a recente indústria de software, fundamental para o contínuo 
aprimoramento da computação. O principal tema dos debates era o tipo de 
proteção mais adequada aos softwares: se a lei de direito autoral (copyright) 
ou a lei de propriedade industrial (patentes). Foi escolhida a lei de direito au-
toral (copyright). Diversos países são hoje signatários da Convenção de Berna 
(Proteção de obras literárias e artísticas), incluindo o Brasil desde 1922, que 
adota na sua Lei nº 9.609/98 esta modalidade de proteção intelectual. A lei de 
software então passou a ser um ramo da lei do direito autoral.
A lei de software e a lei de propriedade industrial (LPI) oferecem diferentes 
modos de proteção. A proteção dada pela primeira abrange apenas as expres-
sões contidas no código utilizado, não os procedimentos ou métodos. Estes 
podem ser protegidos pela LPI, considerada uma proteção mais abrangente 
(BRASIL, 2017, p. 4).
Assim, mesmo que a comunidade internacional tenha resolvido optar 
pela adoção do sistema de direitos autorais, menos protetivos ao software 
enquanto expressões contidas no código utilizado, conforme depreendemos 
da leitura da Lei nº. 9.609/1998, é possível utilizarmos o sistema de patentes 
para resguardar os processos e as ideias que levaram à sua criação. Para tanto, 
devemos observar que esses processos e ideias obedecem aos critérios de 
novidade e aplicabilidade industrial.
Tal qual a proteção dos direitos autorais é “a proteção aos direitos relativos 
ao programa de computador independe de registro”. No entanto, registrar o 
programa no INPI garante maior segurança jurídica ao seu detentor, conforme 
o manual do usuário:
[...] caso haja, por exemplo, demanda judicial para comprovar a autoria ou 
titularidade do programa. Além disso, a proteção não é territorial como no caso 
das patentes, mas sim, sua abrangência é internacional, compreendendo todos 
os 175 países signatários da Convenção de Berna (1886) (BRASIL, 2017, p. 5).
Assim, embora a Lei nº. 9.609/1998 tenha adotado o sistema de direitos 
autorais, com a vantagem de proteção do direito de exploração exclusiva dos 
códigos expressos no programa por 50 anos, é possível usarmos a lei de patentes 
em relação às ideias e aos processos inovadores que levaram à sua existência, 
Software
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desde que observados os requisitos de novidade e aplicabilidade industrial e 
o menor prazo de exploração exclusiva, este de 20 anos a partir do registro.
É uma boa estratégia de proteção, conforme indicado pelo próprio INPI, buscar amparo 
nas duas legislações: assegurar a posse exclusiva dos procedimentos ou do método 
pelo sistema de patentes e garantir a autoria dos trechos relevantes do código pelo 
registro de software. Ambos os pedidos são depositados junto ao INPI.
Procedimento de registro de software no Brasil
O registro do software, seja por meio do sistema de direitos autorais especial 
regido pela Lei nº. 9.609/1998, seja pelo sistema de patentes, hoje é realizado 
por meio do INPI, de forma eletrônica.
Em razão do requisito da novidade, o registro de patente 
deve ser precedido por uma busca prévia nos bancos de 
dados de patentes. Esse serviço é realizado pelo próprio INPI.
Segundo o INPI: “Mesmo não sendo obrigatória, a busca 
é um importante indicativo para decidir se você entra com 
o pedido ou não. Assim, para avaliar se o pedido atende 
aos requisitos de patenteabilidade, é aconselhável fazer
uma busca prévia”. Para realizá-la, acesse:
https://goo.gl/5i9nGD
O pedido é realizado por meio de formulário eletrônico de registro de 
programa de computador (e-RPC) ou e-Patentes, disponível no portal do INPI 
— www.inpi.gov.br —, no qual podemos realizar um cadastro para habilitação 
no e-INPI, nos termos da Resolução nº. 25, de 18 de março de 2013.
No portal, serão gerados login e senha, utilizados para a emissão da Guia 
de Recolhimento da União (GRU), além de demais solicitações de serviços a 
serem executados pelo INPI.
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171
Todos serviços relativos ao e-RPC e e-Patentes podem ser solicitados, pelo 
titular ou seu procurador, ao INPI, mediante preenchimento do formulário 
eletrônico. Entende-se por titular aquele que possui os direitos patrimoniais 
do programa de computador e que vai instruir o pedido de e-RPC ou e-Patente 
no INPI, podendo ser nomeado um procurador. A Figura 1 mostra as fases do 
processo de registro de marca.
Figura 1. Fases do processo de registro de marca.
Fonte: E-marcas (2012).
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172
O sistema verifica a validade da assinatura digital do titular do direito no 
documento de Declaração de Veracidade (DV), para o e-RPC. Além disso, 
o requerente deve realizar o pagamento das taxas via GRU. Já no caso de
patentes, é necessário:
 conteúdo técnico, com relatório descritivo, quadro reivindicatório,
listagem de sequências (para pedido da área biotecnológica), desenhos
(se for o caso) e resumo;
 comprovante de pagamento da GRU.
O solicitante do registro, seja ele o próprio interessado (titular do direito) ou 
seu procurador, deverá assinar digitalmente (certificado digital ICP-Brasil) o 
documento DV eletrônico, disponível para download na GRU ou no formulário 
eletrônico e-RPC, que será disponibilizado na íntegra com as informações do 
solicitante, seja ele o titular do direito ou do procurador.
No caso de o titular do direito ser uma pessoa jurídica, tanto a emissão 
da GRU quanto a assinatura digital no documento DV, e/ou documentos de 
patente devem ser feitas pela mesma pessoa jurídica, nunca por uma pessoa 
física. Já no caso de o titular do direito ser uma pessoa física, os procedimentos 
devem ser feitos pela mesma pessoa física, nunca por uma pessoa jurídica.
Se houver um procurador, o titular de direito atuará como outorgante e é 
ele que assina digitalmente a procuração eletrônica. O procurador, ou seja, o 
outorgado, assinará digitalmente o documento eletrônico: DV e/ou pedido de 
patente. Nesse caso, compete ao procurador a emissão da GRU utilizando o seu 
login pessoal e senha, definindo, no ato da instrução da GRU, a identificação 
do seu cliente.
O procedimento de RPC é protegido pela função criptográfica hash, que é um algoritmo 
utilizado para garantir a integridade de um documento eletrônico, de modo que um 
perito técnico possa comprovar que não houve alteração nesse documento desde a 
época em que este foi transformado. Assim, uma simples alteração nesse documento 
acarretará uma alteração do resumo hash original, desconstituindo, assim,a prova de 
integridade do depósito do programa de computador.
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173
Para realizar o depósito de RPC, é necessário promover a transformação, 
em resumo digital hash, dos trechos do programa de computador e de outros 
dados que considerar suficientes e relevantes para identificá-lo, ficando a 
responsabilidade da guarda do objeto com o titular do direito, pois essa é 
sua propriedade intelectual e deve ser preservada na sua forma original e em 
ambiente seguro. 
O hash é uma prova eletrônica que pode ser obtida a partir de um único arquivo 
(arquivo de entrada), como, por exemplo, arquivos com extensão .pdf, .txt, .zip, .rar, entre 
outras. Esse arquivo de entrada é transformado em um resumo digital hash (arquivo 
de saída, de tamanho fixo), utilizando uma função hash. Note que, no caso de haver 
muitos arquivos, podemos utilizar um compactador de arquivos (por exemplo, WinZip, 
WinRAR). É fundamental que esse resumo digital hash possa ser conferido pelo perito 
do juiz (em caso de comprovação de autoria/titularidade, por exemplo), tendo como 
base o código-fonte (arquivo de entrada) guardado em sigilo pelo titular do direito.
O documento digital (arquivo) pode ser armazenado na forma mais apro-
priada e conveniente para o titular do direito. Pode armazená-lo em CD-ROM, 
DVD, disco rígido, nuvem, pendrive ou outro meio de armazenamento seguro, 
da sua confiança, pelo tempo que o titular entender necessário para a manu-
tenção do seu direito autoral, sendo que esse tempo poderá ser de até 50 anos.
É recomendado ao titular que organize e documente a guarda do arquivo 
(mantendo cópias de segurança), assim como do certificado de registro (que 
também é um arquivo assinado pelo INPI), de modo a recuperá-lo facilmente 
quando for do seu interesse.
Cada registro no INPI possuirá um hash único, que validará, quando ne-
cessário, a autenticidade do software (arquivo) guardado pelo titular. Ainda, 
o titular pode optar pela autorização à obra derivada, que constitui a criação
intelectual nova resultante da transformação da obra originária. O direito
autoral no Brasil, previsto nos tratados internacionais, define que a utilização
da obra depende de autorização prévia e expressa do autor da obra originária.
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174
Caso o programa de computador objeto do pedido de registro seja derivado 
de outro, o campo “Derivação Autorizada” deverá ser preenchido com as 
informações necessárias atinentes ao software que o originou. O campo é de 
livre preenchimento.
Uma vez protocolado o pedido junto ao INPI, é aberto o prazo à oposição de 
terceiros, observando o devido processo administrativo por meio dos princípios 
da publicidade e do contraditório. No caso de haver ou não oposição, o pedido 
será analisado pelo INPI. Se deferido, abre-se o prazo para o pagamento das 
taxas administrativas finais; se indeferido, abre-se o prazo para recurso, que 
pode ser deferido (caso deferido, abre-se o prazo para pagamento das taxas 
administrativas finais) ou indeferido (ocasião em que é arquivado o processo).
Uma vez pagas as taxas finais, será publicada a concessão de direitos 
autorais ou patente ao titular dos direitos e são abertos prazos de 5 anos para 
requerimento judicial de nulidade do procedimento, se for o caso, ou de 120 
dias no caso de nulidade administrativa do procedimento.
O RPC em sete passos:
 acessar o portal do INPI;
 fazer um cadastro, no qual serão criados login e senha;
 utilizar o módulo GRU para emissão do boleto de pagamento;
 baixar o documento DV e assiná-lo digitalmente;
 pagar a GRU;
 acessar o formulário eletrônico e-RPC no portal do INPI, preenchê-lo e anexar o
documento DV e procuração — se for o caso, assinada digitalmente por quem
de direito;
 conferir as informações declaradas;
 enviar o formulário eletrônico e-RPC, quando então será gerado o número de pedido.
Software
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175
BERTRAND, A. A proteção jurídica dos programas de computador. Porto Alegre: Livraria 
do Advogado, 1996.
BRASIL. Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Programa de computador: manual 
completo. 2017. Disponível em: < http://www.inpi.gov.br/menu-servicos/programa-
-de-computador/programa-de-computador-manual-completo>. Acesso em: 9 jan. 
2018.
BRASIL. Lei nº. 9.609, de 19 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre a proteção da propriedade 
intelectual de programa de computador, sua comercialização no País, e dá outras 
providências. 1998. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9609.
htm>. Acesso em: 8 jan. 2018.
CANALLI, W. M.; SILVA, R. P. Uma breve história das patentes: analogias entre ciência/ 
tecnologia e trabalho intelectual/trabalho operacional. [2011]. Disponível em: <http://
www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh4/trabalhos/Waldemar%20Canalli.pdf>. Acesso 
em: 8 jan. 2018.
CAVALHEIRO, R. da C. R. História dos direitos autorais no brasil e no mundo. Cadernos 
de Direito, v. 1, n. 1, 2001. Disponível em: <https://www.metodista.br/revistas/revistas-
-unimep/index.php/cd/article/view/896/415>. Acesso em: 8 jan. 2018.
E-MARCAS. Protocolo do pedido de registro junto ao INPI. 2012. Disponível em:
<https://e-marcas.com.br/wp-content/uploads/2012/01/fluxograma_20121.png>. 
Acesso em: 9 jan. 2018.
SILVEIRA, N. Propriedade intelectual. 5. ed. Barueri: Manole, 2014.
Software
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176
DICA DO PROFESSOR
A evolução do conceito de software possui importantes implicações para a sua proteção legal. 
De sua integração necessária, ao hardware de origem, até a sua independência conceitual.
Nesta Dica do Professor, você vai conhecer um pouco sobre a evolução histórica do software.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
EXERCÍCIOS
1) O software, ou programa de computador, segundo o conceito da lei 9.609/98, é um
conjunto de informações necessárias para a funcionalidade de determinado aparelho.
De acordo com o conceito legal de software, escolha a alternativa que corresponde a
um exemplo de programa de computador.
A) a) iOS
B) b) iPhone
C) c) Ms Surface
D) d) Playstation 4
E) e) Intel Pentium
2) A natureza jurídica da proteção dos softwares, enquanto conjunto de dados
expressos, assemelha-se ao instituto de registro de ______________.
A) a) cultivares.
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B) b) direitos autorais.
C) c) patente.
D) d) topografia de circuitos integrados.
E) e) marca.
3) A proteção das ideias por trás dos programas de computadores e seu processo de
criação podem ser protegidos no Sistema de Propriedade Intelectual Brasileiro por:
A) a) registro de programas de computador.
B) b) registro de patentes.
C) c) registro de direitos autorais.
D) d) Podem ser protegidas tanto no registro de programas de computador, quanto no registro
de patentes.
E) e) Podem ser protegidas tanto no registro de patentes, quanto no registro de direitos
autorais.
4) Qual documento é necessário para o registro de programa de computador, segundo
as instruções do Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI?
A) a) Declaração de Veracidade
B) b) Desenhos
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C) c) Relatório Descritivo
D) d) Quadro reivindicatório
E) e) Listagem de sequências
5) O prazo para a nulidade judicial de processo administrativo de registro de programa
de patente de ideias ou processos envolvendo software, de acordo com as normas do
Instituto Nacional de Propriedade Industrial e a Lei de Propriedade Industrial (Lei
9.279/96), é de:
A) a) 5 anos
B) b) 3 anos
C) c) 2 anos
D) d) 1 ano
E) e) 120 dias
NA PRÁTICA
Na prática, os softwares hoje portam-se como um complexo empresarial em si, como é o caso 
dos aplicativos. Por exemplo, ao criar o Uber, Garret Camp não criou apenas um conjunto de 
dados que faz com que um celular opere de determinada forma, mas também criou uma marca e 
um sistema organizacional inovador ao organizar pessoas físicas como operadoresde Táxi livres 
das regras tradicionais em um sistema baseado em contratos de serviço dissociados da figura da 
concessão pública, tal como operavam os veículos cadastrados no serviço de táxi anteriormente. 
A invenção de Camp, em nosso sistema de registro de propriedade intelectual, poderia 
enquadrar-se nos seguintes registros:
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SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Diferenças entre software e hardware 
Neste vídeo, você vai descobrir as diferenças entre esses dois conceitos importantes para 
esta Unidade de Aprendizagem:
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Mecanismos de proteção à propriedade intelectual para software 
Aprofunde seus conhecimentos ao ler este texto que analisa a proteção aos elementos 
literais e não literais, a proteção à documentação, o prazo de proteção, os limites da 
proteção e a proteção da funcionalidade:.
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Proteção jurídica para aplicativos
O presente artigo aborda a proteção da propriedade intelectual dos aplicativos para dispositivos 
móveis, e como é feita a regulamentação sobre a criação de novas tecnologias, informando, 
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ainda, como isso afeta o desenvolvimento tecnológico na sociedade. Não deixe de ler:
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