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1 PRIVACIDADE E DIREITO AO ESQUECIMENTO NAS REDES DIGITAIS 1 Sumário NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 1. INTRODUÇÃO ................................................................................ 3 2. CONCEITO DIREITO AO ESQUECIMENTO ................................. 4 2.1. Aspectos Gerais ........................................................................... 5 2.2. O Direito ao Esquecimento nos casos “Chacina de Candelária” e “Aída Curl” ..................................................................................................... 8 2.3. Caso Xuxa Meneghel Vs. Google Search .................................... 22 3. FUNDAMENTOS DO DIREITO AO ESQUECIMENTO ................ 25 4. HERANÇA DIGITAL E DIREITO AO ESQUECIMENTO .............. 26 5. CONCLUSÃO ............................................................................... 33 EFERÊNCIAS ........................................................................................ 34 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 1. INTRODUÇÃO Até meados do século XX, o esquecimento era algo inerente à natureza humana, visto que a memória do homem é um recurso inevitavelmente limitado, tanto em relação à quantidade de informações armazenáveis quanto ao tempo de armazenamento. Assim, durante a maior parte da história do desenvolvimento humano, a regra era o esquecimento. Contudo, esse paradigma começou a mudar com o surgimento dos computadores, equipados com uma “memória artificial” muito mais desenvolvida e potente do que a memória biológica do ser humano e que permite armazenar uma enorme quantidade de informações, sem limitação temporal. Além disso, com o desenvolvimento e a proliferação da Internet, passou a ser possível compartilhar informações em escala mundial de forma instantânea. Ou seja, se antes as informações permaneciam confinadas em dispositivos pessoais, agora elas são compartilhadas com o mundo todo, circulando livre e eternamente pela rede e podendo ser copiadas ou replicadas por qualquer usuário que a elas tenha acesso. Esse desenvolvimento tecnológico permite afirmar que, uma vez veiculadas, as informações passam a circular ad eternum na rede informacional. Dessa forma, a regra deixou de ser o esquecimento e passou a ser o registro de todos os fatos, dados e informações, caracterizando assim uma sociedade de “lembrança total”. Nesse cenário, surge a importante discussão sobre o “direito ao esquecimento”, isto é, o direito da personalidade que garante aos indivíduos a prerrogativa de que determinados fatos, dados e informações acerca da sua pessoa não sejam lembrados contra a sua vontade. 4 2. CONCEITO DIREITO AO ESQUECIMENTO O direito ao esquecimento é o direito que uma pessoa possui de não permitir que um fato, ainda que verídico, ocorrido em determinado momento de sua vida, seja exposto ao público em geral, causando-lhe sofrimento ou transtornos. O direito ao esquecimento é um conceito que surgiu e já vem sendo amplamente debatido na Europa. O direito de ser esquecido (em inglês "right to be forgotten") foi sancionado pela corte da União Europeia em 13 maio de 2014. Links para informações "irrelevantes" ou "desatualizadas" (assim consideradas pelo tribunal) são passíveis de serem apagadas. Mais especificamente, a corte da União Europeia, disse que a decisão se aplica a informações "inadequadas, não pertinentes ou já não pertinentes ou excessivas em relação ao objetivo pelo qual foram processadas tendo em conta o tempo decorrido". A gigante Google foi obrigada a prover este serviço aos cidadãos da União Europeia quando solicitado redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia é proibida. O direito ao esquecimento, também é chamado de “direito de ser deixado em paz” ou o “direito de estar só”. Nos EUA, é conhecido como the right to be let alone e, em países de língua espanhola, é alcunhado de derecho al olvido. É importante assentar que o exercício do direito ao esquecimento não confere a ninguém a liberdade de apagar fatos ou reescrever a própria história, mas assegura a possibilidade de discutir o uso que é feito dos fatos pretéritos, mais especificamente o modo e a finalidade com que são lembrados. Portanto, caso algum fato do passado esteja afetando pela veiculação, pode ser que seja o caso de impedir sua veiculação. 5 2.1. Aspectos Gerais A sociedade atual tem como características predominantes o excesso de informações midiáticas e a velocidade acelerada com que essas informações se espalham entre os indivíduos. Sendo a Internet um dos meios mais utilizados por pessoas de todas as condições econômicas e sociais, caracteriza-se como o principal instrumento de veiculação de notícias, dados e informações científicas na atualidade. Não há como negar estamos diante de um novo contexto sobre trocas de informações e experiências. As redes digitais, a comunicação à distância pela rede mundial, a troca de correspondências eletrônica, as videoconferências, o ensino a distância e o comércio digital constituem a realidade atual e são exemplos do que se pode chamar de ciberespaço. O ciberespaço pode ser definido como o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores. Essa definição pode englobar, ainda, o conjunto de sistemas de comunicação eletrônicos, pois eles transmitem informações provenientes de fontes digitais ou destinadas à digitalização. Esse novo mundo, permite a movimentação de conteúdos em tempo real, esbarra frontalmente no direito à privacidade da imagem, da honra e da intimidade do indivíduo, na medida em que um fato ou um dado que diga respeito a apenas uma pessoa pode ser reproduzido, por meio da rede mundial, a um número incalculável de outras pessoas, de forma contínua e indeterminada. E, assim, além do problema da divulgação da informação de forma descontrolada (muitas vezes sem permissão do seu titular), surge um problema maior: a construção de uma opinião de massa, que influencia, sobremaneira, a partir de então, o modo de vida do envolvido. Dessa forma, há de se enfrentar a dicotomia da perpetuação de informação negativa envolvendo dados sensíveis de um indivíduo e do direito de 6 informação, tendo como base a sociedade da informação e o seu aparelhamento. Em outras palavras, tem-se o conflito entre o direito à privacidade, à honra ou à imagem e o direito à informação. Não se pode olvidar que, por meio da rede mundial de computadores, fora promovido um avanço inquestionável na maneira de se transmitir dados e informações; não se imagina a possibilidade de existir um futuro semas facilidades trazidas por essa verdadeira revolução. No entanto, há de se refletir sobre a forma como isso vem sendo feito e até que ponto essas facilidades comprometeriam o direito de ser deixado em paz. Nesse contexto, em que a celeridade do tráfego de informações modificou de forma drástica a maneira dos indivíduos se relacionarem entre si e com a sociedade, o direito à privacidade de dados e de imagem vem sofrendo constantes arranhões, inobstante ser um direito constitucionalmente previsto e de aplicação imediata. A Internet deixou de ser apenas um receptor de informações para se revelar um potencial instrumento de compartilhamento de dados e informações, com a agravante da possibilidade de ter se constituído uma memória digital perene e em escala global. Embora o ato de esquecer tenha sido uma constante na história da humanidade, permitindo o erro como sendo próprio da essência humana, não se pode descartar que, após a criação da memória digital perene e em escala global, a sociedade contemporânea “perdeu essa capacidade”, ao menos a partir da qualidade ímpar de armazenamento da internet e da utilização generalizada das ferramentas digitais. Daí se faz necessária a previsão de um instituto que seja capaz de delimitar a disseminação de informação enganosa ou inverídica de maneira desordenada. O direito ao esquecimento, em um primeiro momento, estabelecidos critérios mais específicos na doutrina e na jurisprudência, seria um instituto a ser pensado para solucionar o problema apresentado. Pode-se afirmar que o direito ao esquecimento incorpora uma expressão de controle temporal de dados e preenche com o fator cronológico o requisito de 7 ferramenta protetiva da privacidade. Contudo, não se confunde com a palavra privacidade per si, que traz consigo uma conduta atual, e até mesmo material. De fato, apesar da aparente confusão inicial, o direito ao esquecimento e o direito à privacidade têm objetos jurídicos de proteção diferentes. Enquanto a privacidade visa à proteção de dados pessoais e íntimos contemporâneos, o direito ao esquecimento objetiva a proteção de dados pretéritos, ou seja, a rememoração indevida de fatos passados e consolidados, que já não tenham qualquer utilidade (interesse público) ou atualidade. Desse modo, não há de se confundir os objetos tratados pela proteção da privacidade com a proteção ao esquecimento. O direito ao esquecimento pode ser considerado um direito de personalidade, pois engloba direito como nome, imagem, honra e privacidade; todavia, pelo fato de aqueles valores intrínsecos à pessoa humana, em sua dinâmica de aplicação, possuírem características próprias, ele pode ser considerado um direito de personalidade autônomo. O direito ao esquecimento tem a sua raiz no princípio da dignidade da pessoa humana, se quer resguardar o direito de eliminar o conteúdo sobre fato ou dados sensíveis, que digam respeito à vida privada do indivíduo, dos meios de comunicação e, mais especificamente, da Internet. O que se busca é a preservação dos direitos fundamentais de qualquer ser humano, principalmente a chance de reconstruir uma nova vida, com novos rumos, diferentes daqueles tomados antes. De maneira lógica, o direito ao esquecimento pode ser caracterizado como uma esfera de proteção, uma redoma, que permitiria que uma pessoa não autorizasse a divulgação de um fato que lhe diga respeito, ainda que verídico, por causar-lhe sofrimento ou algum transtorno, levando-se em consideração a utilidade e a data de ocorrência que a informação, objeto de proteção, foi realizada. 8 2.2. O Direito ao Esquecimento nos casos “Chacina de Candelária” e “Aída Curl” Por falta de regulamentação legislativa, o direito ao esquecimento tem sido delineado pelo Judiciário brasileiro, que, por sua vez, vem decidindo de forma diversa e desconexa em muitos casos apresentados. Com a superlotação de demandas, o reduzido número de funcionários e a falta de investimento em infraestrutura, o papel atípico do Judiciário de legislar transformou-se em um poder comum, típico. Não é de se estranhar a prática do ativismo judicial para a solução de diversas demandas. E com o direito ao esquecimento não é diferente. A matéria, não regulada na legislação brasileira, tem sido motivo de ampla discussão no Judiciário. Sobre o tema em questão, há dois julgados marcantes, proclamados pelo Superior Tribunal de Justiça, que conseguiram dimensionar a importância do tema para o ordenamento jurídico pátrio. O Recurso Especial no 1.334-097/RJ, em que o autor, Jurandir Gomes França, propôs ação de indenização por danos morais em desfavor da Rede Globo de Televisão, baseado nos seguintes fatos: (i) noticiou que foi indiciado como coautor/partícipe dos homicídios de oito jovens, seis menores, assassinados por policiais militares enquanto dormiam nas imediações da Igreja da Candelária, tendo sido denominado o episódio de “Chacina da Candelária”, no dia 23 de julho de 1993, na cidade do Rio de Janeiro; (ii) relatou que, submetido a Júri, por unanimidade, foi absolvido por negativa de autoria; (iii) descreveu que foi procurado pela produção do programa “Linha Direta”, mas se recusou a dar entrevista e sequer autorizou a veiculação de sua imagem; e (iv) contou que, ainda assim, mesmo sem qualquer autorização, o programa fora exibido, apontando o envolvimento direto do autor no crime. 9 Além dos fatos trazidos preliminarmente na petição inicial, outras considerações devem ser feitas no presente caso. O programa “Linha Direta” tinha como principal característica veicular, mediante dramatização, crimes notórios que haviam acontecido no Brasil e que tiveram solução ou não. O programa atingia um público considerável, mas que, talvez, não tivesse uma capacidade de crítica tão elevada. Por isso, além do uso de imagem indevida feita pelo programa, outras consequências vieram a atingir o autor da ação com a veiculação do mesmo. A transmissão da imagem e do nome de Jurandir reacendeu o ódio social contra a sua pessoa, tendo sido ele obrigado a se afastar do seu meio de convivência social. Ademais, a rememoração do fato pelo programa constrangeu e humilhou o autor e seus familiares, os quais passaram a sofrer ameaças constantes, não conseguindo mais estabelecer qualquer vínculo trabalhista. O autor, que era serralheiro, teve sua oficina invadida e destruída por populares, precisando se mudar para outro local na tentativa de reestruturar a sua vida. Assim, o prejuízo causado foi além daquele estabelecido por danos morais, de R$ 50.000,00, pois a vida privada tornou-se pública e o autor teve de suportar transtornos de toda ordem. Daí assertivamente o Superior Tribunal de Justiça ter concedido, por unanimidade de votos, o direito de ser deixado em paz ao interessado. O voto do ministro relator, Luís Felipe Salomão, foi acompanhado pelos demais colegas, e trouxe argumentos valiosos quanto à aplicabilidade do direito ao esquecimento. Em primeiro lugar, o ministro levantou a problemática central do tema: Na verdade, o mencionado conflito é mesmo imanente à própria opção constitucional pela proteção de valores quase 10 sempre antagônicos, os quais, em última análise, representam, de um lado, o legítimo interesse de “querer ocultar-se” e de outro o não menos legítimo interesse de se “fazer revelar”. E, nesse sentido, expôs o compromisso ético que a imprensa precisa ter ao transmitir uma informação, a qual deve ser a mais verdadeira possível, observando os direitos constitucionais à vida privada, à honra, à imagem e à intimidade. Em outras palavras, a imprensa tem um limite de atuação, não como forma de censura, mas sim como forma de respeito a todo um sistema de direitos e princípios trazidos pela Constituição Federal. Desse modo, o direito de ser informadoe o de buscar a informação devem estar em consonância com outros valores trazidos na Carta Magna. Tanto é assim que, das linhas do julgado em apreço, é possível extrair a seguinte afirmação: Não obstante o cenário de perseguição e tolhimento pelo qual passou a imprensa brasileira em décadas pretéritas, e a par de sua inegável virtude histórica, a mídia do século XXI deve fincar a legitimação de sua liberdade em valores atuais, próprios e decorrentes diretamente da importância e nobreza da atividade. Os antigos fantasmas da liberdade de imprensa, embora deles não se possa esquecer jamais, atualmente, não autorizam a atuação informativa desprendida de regras e princípios a todos impostos. Em acréscimo à lição trazida, vale lembrar que nenhum direito constitucional é de aplicação absoluta, ou seja, não se pode falar em prevalência de um direito em detrimento do outro quando em conflito. Deve haver uma harmonização baseada no interesse das partes em cada caso concreto, posto que existem casos em que a liberdade de imprensa se faz mais importante, e 11 então é aplicada, assim como há casos em que o interesse íntimo, particular do indivíduo, deve prevalecer. Contudo, o presente julgado deixou claro que, havendo conflito entre esses dois direitos constitucionais, a prevalência deve ser por aquele direito inerente ao ser humano, ou seja, o direito à privacidade. Nessa linha de raciocínio, o relator esclareceu: Nesse passo, a explícita contenção constitucional à liberdade de informação, fundada na inviolabilidade da vida privada, intimidade, honra, imagem e, de resto, nos valores da pessoa e da família, prevista no art. 220, § 1o, art. 221 e no § 3o do art. 222 da Carta de 88, parece sinalizar que, no conflito aparente entre esses bens jurídicos de especialíssima grandeza, há, de regra, uma inclinação ou predileção constitucional para soluções protetivas da pessoa humana, embora o melhor equacionamento deva sempre observar as particularidades do caso concreto. A opção do Superior Tribunal de Justiça para o caso em questão é nítida: há de se privilegiar soluções protetivas à pessoa humana. E como o direito ao esquecimento decorre do princípio da dignidade da pessoa humana, a decisão não poderia ser diferente se não a de acolher aquele direito. Por esse caminho, o acolhimento do direito ao esquecimento não atenta contra a liberdade de expressão e de imprensa. Ele simplesmente se transforma em uma medida de proteção pertinente ao caso concreto. Os acontecimentos sucessivos que transformaram de maneira negativa a vida do autor justificaram uma proteção à sua honra, à sua vida privada e, sobretudo, ao direito de não ter sua imagem vinculada ao crime ocorrido. Cumpre acrescentar, ainda sobre o conflito de interesses, que o voto do ministro levantou a discussão de um outro aspecto do direito em questão: a contemporaneidade da notícia. 12 A imprensa, qualquer que seja sua especialidade, tem o dever de transmitir a notícia de uma forma transparente e o mais próximo possível da verdade dos fatos, não divulgando apenas rumores e suposições. No caso em pauta, o programa exibido não teve escrúpulos em tratar de um problema antigo, já superado pela sociedade e para o interessado, havendo, portanto, a impertinência da veiculação da notícia. Não se pode negar que o crime em questão abalou social e politicamente o país, todavia, não existia qualquer pertinência em se rememorar a participação de Jurandir no fato delituoso. O programa poderia ter exibido a reportagem da chacina da Candelária (fato histórico incontestável) sem ter citado o nome do autor da ação ou utilizado a sua imagem de forma negativa, de forma a lhe prejudicar a vida social: Nos presentes autos, o cerne da controvérsia transita exatamente na ausência de contemporaneidade da notícia de fatos passados, a qual, segundo o entendimento do autor, reabriu antigas feridas já superadas e reacendeu a desconfiança da sociedade quanto à sua índole, circunstância que lhe teria causado abalo cuja reparação ora se pleiteia. Cabe notar que, não obstante o entendimento do STJ ser avançado e garantista, não consegue explicar com maior precisão o aspecto temporal da notícia, ou seja, existe um limite de prazo para veicular a notícia? A notícia teria um prazo de validade? Essas respostas não foram dadas pelo julgado, mas precisam ser enfrentadas quando da regulamentação efetiva da matéria. Se o direito ao esquecimento está diretamente relacionado a fatos que ocorreram no passado, há de se determinar um lapso temporal em que notícia possa ser dada. A regulamentação para a veiculação atingiria, por óbvio, o respeito à memória individual, e não à memória coletiva, importante e necessária para a 13 construção histórica do país. Isso não representa censura, ao contrário, configura uma exaltação de valores intrínsecos a qualquer ser humano e uma ampliação da capacidade de autodeterminação. Dada a correlação dos argumentos trazidos, cumpre lembrar, neste ponto, que o relator traz à baila a questão da historicidade do fato ocorrido como argumento para a aplicação do direito ao esquecimento. Não resta dúvida de que o fato retratado pelo programa “Linha Direta” é relevante para história da sociedade brasileira, no entanto, a sua divulgação deve ser vista com mais cautela. Os fatos a serem rememorados devem ser aqueles ligados à preservação da memória social, ou seja, a recordação do fato ocorrido deve estar fundamentada em um interesse social e público efetivo. Contudo, é prudente separar o interesse público que diz respeito a acontecimentos relevantes à construção de uma sociedade mais justa e igualitária do interesse público meramente especulativo, que se traduz em boatos para a satisfação de interesses puramente comerciais. O argumento do julgado nesse sentido foi o de que: A historicidade da notícia jornalística, todavia, em se tratando de jornalismo policial, há de ser vista com cautela por razões bem conhecidas por todos. Há, de fato, crimes históricos e criminosos famosos, mas também há crimes e criminosos que se tornaram artificialmente históricos e famosos, obra da exploração midiática exacerbada e de um populismo penal satisfativo dos prazeres primários das multidões, que simplifica o fenômeno criminal às estigmatizadas figuras do bandido vs. Cidadão de bem. Quando ocorre um crime ou uma conduta delituosa, é de interesse público que ocorra a punição dos que nele se envolveram. O jus puniendi do Estado 14 deve agir para coibir condutas atentatórias à paz e ao bom andamento do conjunto social. Nesse caso, o conhecimento do fato deve ser levado a público para que eventuais comportamentos ofensivos não se repitam e a sociedade consiga evoluir conceitos importantes, como o respeito à vida, à propriedade privada e à coletividade. A historicidade, referência no julgado, diz respeito àqueles casos em que a imprensa escrita, virtual ou televisiva ultrapassa os seus limites éticos e morais e perpetua a condenação do ser humano. Normalmente, o interesse público, e até mesmo dos meios de informação, tendem a desaparecer na medida em que se esgotam todos os meios do procedimento criminal para solucionar uma conduta delituosa. E com a extinção da pena ou a absolvição do acusado, o objeto do crime e seus autores devem se manter no anonimato. Por consequência, não há mais interesse em se veicular qualquer notícia ou informativo sobre o caso. O desejo daquele que já cumpriu a determinação legal diante de uma atitude criminosa é o de reconstrução de sua própria vida dentro da sociedade, e, para tanto, o passado deve ser esquecido. Essa ideia foi confirmada pelo julgado em estudo: Com efeito, o reconhecimento do direito ao esquecimento dos condenados que cumpriram integralmentea pena e, sobretudo, dos que foram absolvidos em processo criminal, além de sinalizar uma evolução cultural da sociedade, confere concretude a um ordenamento jurídico que, entre a memória – que é a conexão do presente com o passado – e a esperança – que é o vínculo do futuro com o presente –, fez a clara opção pela segunda. E é por essa ótica que o direito ao esquecimento revela sua maior nobreza, pois se afirma, na verdade, como um direito à esperança, em 15 absoluta sintonia com a presunção legal e constitucional de regenerabilidade da pessoa humana. Não há como negar que o Direito funciona como um estabilizador do passado, conferindo estabilidade às situações pretéritas e mantendo e o equilíbrio das situações presentes e futuras. Na esfera penal, existe um importante estabilizador da relação entre passado delituoso e um futuro de esperança, a reabilitação. O instituto está previsto no Código Penal (artigo 93 e seguintes), no Código de Processo Penal (artigo 743 e seguintes) e na Lei de Execução Penal – Lei no 7.209, de 11 de julho de 1984. A reabilitação possibilita àqueles que já cumpriram condenação criminal, ou aos que foram absolvidos pela prática de algum crime, os benefícios do sigilo de sua folha de antecedentes, bem como a exclusão de registros da condenação no instituto de Identificação. Baseado nesse argumento, o ministro relator reafirmou o direito de tais pessoas afastarem de si o convívio com qualquer informação que as desabone ou que as impossibilite de reestruturar a sua vida em sociedade. A regenerabilidade da pessoa humana, juntamente com o princípio da dignidade da pessoa humana e as garantias fundamentais da privacidade, honra e imagem, previstas na Constituição, são os argumentos utilizados para afastar a perpetuação de notícias depreciativas pela imprensa manipuladora de opiniões. Muito embora o indivíduo se envolva em fatos, criminosos ou não, de grande repercussão social, não se pode perpetuá-los na lembrança da sociedade. A lembrança ou não esquecimento do ocorrido, capaz de causar transtorno na vida do indivíduo envolvido no fato relatado, caracteriza claramente a violação do princípio da dignidade da pessoa humana. Além disso, o Enunciado no 531, na VI Jornada de Direito Civil promovida pelo Conselho de Justiça Federal, reforça a ideia de aplicação da tese do direito 16 ao esquecimento pela Quarta Turma do STJ, ao dizer que: “A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento.” Os pontos levantados pelo acórdão analisado foram importantes para corporificar a ideia do direito ao esquecimento na jurisprudência brasileira e, quiçá, na legislação pátria. Por outro viés, urge ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça julgou um caso em que rejeitou o pedido do direito ao esquecimento. Trata-se do caso “Aída Curi”, Recurso Especial no 1.335.153/RJ: RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL- CONSTITUCIONAL. LIBERDADE DE IMPRENSA VS. DIREITO DA PERSONALIDADE. LITÍGIO DE SOLUÇÃO TRANSVERSAL. COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DOCUMENTÁRIO EXIBIDO EM REDE NACIONAL. LINHA DIRETA-JUSTIÇA. HOMICÍDIO DE REPERCUSSÃO NACIONAL OCORRIDO NO ANO DE 1958. CASO “AINDA CURI”. VEICULAÇÃO, NO MEIO SÉCULO DEPOIS DO FATO, DO NOME E IMAGEM DA VÍTIMA. NÃO CONSENTIMENTO DOS FAMILIARES. DIREITO AO ESQUECIMENTO. ACOLHIMENTO. NÃO APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO. RECONHECIMENTO DA HISTORICIDADE DO FATO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE DE DESVINCULAÇÃO DO NOME DA VÍTIMA. ADEMAIS, INEXISTÊNCIA, NO CASO CONCRETO, DE DANO MORAL INDENIZÁVEL. VIOLAÇÃO AO DIREITO DE IMAGEM. SÚMULA N.403/STJ. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Avulta a responsabilidade do Superior Tribunal de Justiça em demandas cuja solução é transversal, interdisciplinar, e que abrange, necessariamente, uma controvérsia constitucional oblíqua, antecedente, ou 17 inerente apenas à fundamentação do acolhimento ou rejeição de ponto situado no âmbito do contencioso infraconstitucional, questões essas que, em princípio, não são apreciadas pelo Supremo Tribunal Federal. 2. Nos presentes autos, o cerne da controvérsia passa pela ausência de contemporaneidade da notícia de fatos passados, a qual, segundo o entendimento dos autores, reabriu antigas feridas já superadas quanto à morte de sua irmã, Aída Curi, no distante ano de 1958. Buscam a proclamação do seu direito de esquecimento, de não ter revivida, contra a vontade deles, a dor antes experimentada por ocasião da morte de Aída Curi, assim também pela publicidade conferida ao caso décadas passadas. 3. Assim como os condenados cumpriram pena e os absolvidos que se envolveram em processo-crime (Resp. n 1.334/09/RJ), as vítimas de crime e seus familiares têm direito ao esquecimento – se assim desejarem –, direito esse consistente em não se submeterem a desnecessárias lembranças de fatos passados que lhe causaram, por si, inesquecíveis feridas. Caso contrário, chegar-se-ia à antipática e desumana solução de reconhecer esse direito ao ofensor (que está relacionado com sua ressocialização) e retirá-lo dos ofendidos, permitindo que os canais de informação se enriqueçam mediante a indefinida exploração das desgraças privadas pelas quais passaram. 4. Não obstante isso, assim como o direito ao esquecimento do ofensor – condenado e já penalizado – deve ser ponderado pela questão da historicidade do fato narrado, assim também o direito dos ofendidos deve observar esse mesmo parâmetro. Em um crime de repercussão nacional, a vítima – por torpeza do destino – frequentemente se torna elemento indissociável do 18 delito, circunstância que, na generalidade das vezes, inviabiliza a narrativa do crime caso se pretenda omitir a figura do ofendido. 5. Com efeito, o direito ao esquecimento que ora se reconhece para todos, ofensor e ofendidos, não alcança os casos dos autos, em que se reviveu, décadas depois do crime, acontecimento que entrou para o domínio público, de modo que se tornaria impraticável a atividade da imprensa para o desiderato de retratar o caso Aída Curi, sem Aída Curi. 6. É evidente ser possível, caso a caso, a ponderação acerca de como o crime tornou-se histórico, podendo o julgador reconhecer que, desde sempre, o que houve foi uma exacerbada exploração midiática, e permitir novamente essa exploração significaria conformar-se com um segundo abuso só porque o primeiro já ocorrera. Porém, no caso em exame, não ficou reconhecida essa artificiosidade ou o abuso antecedente na cobertura do crime, inserindo-se, portanto, nas execuções decorrentes da ampla publicidade a que podem se sujeitar alguns direitos. 7. Não fosse por isso, o reconhecimento, em tese, de um direito de esquecimento não conduz necessariamente ao dever de indenizar. Em matéria de responsabilidade civil, a violação de direitos encontra-se na seara da ilicitude, cuja existência não dispensa também a ocorrência de dano, com nexo causal, para chegar-se, finalmente, ao dever de indenizar. No caso de familiares de vítimas de crimes passados, que só querem esquecer a dor pela qual passaram em determinado momento da vida, há uma infeliz constatação: na medida em que o tempo passa e vai se adquirindo um “direito ao esquecimento” na contramão, a dor vai diminuindo, de modo que, relembrar o fato trágico da vida, a depender do tempo 19 transcorrido, embora possa gerar desconforto, não causa o mesmo abalo de antes. 8. A reportagem contra a qual se insurgiram os autores foi ao ar 50 (cinquenta) anos depois da morte de Aída Curi, circunstância da qual se conclui não ter havido abalo moral apto a gerar responsabilidade civil. Nesse particular, fazendo-se a indispensável ponderação de valores, o acolhimento do direito ao esquecimento, no caso, com a consequenteindenização, consubstancia desproporcional corte à liberdade de imprensa, se comparada ao desconforto gerado pela lembrança. 9. Por outro lado, mostra-se inaplicável, no caso concreto, a Súmula n. 403/STJ. As instâncias ordinárias reconheceram que a imagem da falecida não foi utilizada de forma degradante ou desrespeitosa. Ademias, segundo a moldura fática traçada nas instâncias ordinárias – assim também ao que alegam os próprios recorrentes –, não se vislumbra o uso comercial indevido da imagem da falecida, com os contornos que tem dado a jurisprudência para franquear a via da indenização. 10. Recurso especial não provido. Apesar de reconhecer o direito dos familiares de esquecer o episódio, o Ministro salientou que o reconhecimento, em tese, de um direito ao esquecimento não conduz necessariamente ao dever de indenizar. Como o cerne da matéria veiculada foi o crime em si, e não a imagem da vítima, não se poderia falar em dano moral. A isso se somaria o fato de que a reportagem contra a qual se insurgiram os autores foi ao ar 50 (cinquenta) anos depois da morte de Aída Curi, razão pela qual não haveria, nos tempos presentes, o mesmo abalo vivenciado à época do acontecimento. É dizer: muito embora tenha gerado algum desconforto aos irmãos, seria inexistente o dano moral. 20 Quanto aos pedidos indenizatórios por dano à imagem e dano material, o Ministro também os rechaçou. Isso porque durante todo o programa exibido a vítima foi retratada mediante dramatizações realizadas por atores contratados, tendo havido uma única exposição de sua imagem real. Assim, não seria possível que esta única fotografia veiculada ocasionasse um decréscimo ou acréscimo na receptividade da reconstituição pelo público expectador. A leitura do voto do Ministro, comparada com a conclusão obtida no RESP nº 1.334.097-RJ, vem a corroborar que atualmente inexistem critérios únicos e definitivos para a ponderação do direito ao esquecimento, bem com em relação aos efeitos decorrentes de sua (in) aplicação. O cerne da problemática reside no conflito entre liberdade de informação e expressão e proteção da memória individual e, em relação ao ponto, os atuais critérios utilizados pela jurisprudência (pessoa pública, local público, ocorrência de crime e evento histórico) são, em verdade, absolutamente insuficientes, não alcançando a complexidade da temática. Daí a necessidade de se estabelecer balizas que possam nortear o juiz a sopesar o direito ao esquecimento, sem prejuízo da análise pormenorizada do caso concreto. Os novos direitos oriundos da era da informação exigem do magistrado que se liberte de esquemas pré-moldados para, conforme a hipótese fática, encontrar e adaptar as técnicas processuais adequadas aos diferentes perfis dos direitos materiais. É nessa linha que, a partir de um estudo aprofundado sobre o tema, MARTINEZ sugere cinco parâmetros: 1) Domínio público: para que uma informação ou dado possa ser rememorado e sua divulgação possa ser considerada lícita é necessário que, em algum momento, tenha sido atingido o domínio público. Não há como atribuir viabilidade à divulgação de fatos pretéritos, em violação a direitos individuais fundamentais, se o fato rememorado não alcançou anteriormente o conhecimento público. Nesse sentido, a prévia divulgação do episódio seria requisito essencial para justificar a nova veiculação de fatos pretéritos. 21 2) Preservação do contexto original da informação pretérita: Somente seria possível a divulgação da informação se, já pertencente ao domínio público, fosse então devidamente contextualizada, consoante o teor integral da notícia original, sob pena de o direito de informar ser convertido em abuso. 3) Preservação dos direitos da personalidade na rememoração: Deve-se, sempre que possível, salvaguardar a imagem, a honra, a privacidade e o nome do envolvido na informação, evitando violações aos seus direitos fundamentais. 4) Utilidade da informação: deve ser igualmente observada. A prevalência do direito de informar em relação à proteção da memória individual somente será legítima e lícita se atender a um efetivo interesse público, que não corresponda a mera curiosidade pública. Merecem ser rememorados somente fatos de grande impacto na sociedade, devendo necessariamente estar atrelados à utilidade real da informação para a coletividade, e não a motivações de caráter mercadológico, vexatórias ou que nunca foram objetos de domínio público. 5) Atualidade da informação: não se busca com isso apagar o passado ou impedir a divulgação dos fatos pretéritos, mas tão somente restringir o acesso e utilização destes acontecimentos em virtude da ação do tempo, que retirou a importância da informação. O magistrado deverá ponderar no caso concreto a atualidade da informação, não sendo possível permitir que dados passados estejam disponíveis permanentemente, a qualquer tempo e de forma ilimitada. Com os critérios mencionados não se pretende atribuir peso ou quantificação à ponderação, mas somente edificar um caminho que possa ser trilhado pelo julgador quando da análise do caso concreto, sopesando os direitos em jogo. Sendo assim, se a divulgação da informação não superar os cinco critérios propostos, deve ser priorizada a proteção aos direitos da personalidade, com a aplicação do direito ao esquecimento. As sugestões propostas representam um norte, sem olvidar o fato de que, dada a atualidade e originalidade do direito ao esquecimento, somada à escassez de bibliografia especializada, nada impede que sejam construídos novos critérios de aplicação nos próximos anos, bem como se proceda à implementação legal do instituto. 22 2.3. Caso Xuxa Meneghel Vs. Google Search Na origem do REsp. 1.316.921 (Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma, julgamento em 26.06.2012, DJE de 29.06.2012), a Autora propôs Ação Ordinária inominada, com pedido de tutela antecipada, em face da empresa Google Brasil Internet Ltda, com o objetivo de ver retirados do sistema Google Search resultados de buscas realizadas, envolvendo o nome da Autora ligados aos termos “pedofilia” ou “pedófila” ou a divulgação em conjunto com a de qualquer outra prática criminosa, baseado nos seguintes fatos: (i) Xuxa Meneghel em 1982 participou do filme denominado “Amor, estranho amor”, onde protagonizava uma cena de sexo com um menor de 12 anos; (ii) tempos depois a Autora alcançou sucesso nacional, passando a ser reconhecida como apresentadora de programas infantis; (iii) com o intuito de deletar a impressão contraditória que poderia repercutir entre sua condição de ídolo infantil e o polêmico filme, Xuxa procurou, ao longo de vários anos, inibir a reprodução e circulação do filme; (iv) e, diante disso, viu seu nome ser constantemente aliado à prática de pedofilia, prejudicando a sua imagem, firmada por meio de diversos programas e ações sociais infantis. Insta destacar que o Recurso Especial ora em análise foi oriundo de decisão interlocutória onde o Juiz de primeiro grau deferiu o pedido de tutela antecipada, determinando que a empresa se abstenha de disponibilizar aos seus usuários, no site de buscas GOOGLE, quaisquer resultados/links na hipótese de utilização dos critérios de busca ‘Xuxa’, ‘pedófila’, ‘Xuxa Meneghel’, ou qualquer outra grafia que se assemelhe a estas, isoladamente ou conjuntamente, com ou sem aspas, no prazo de 48 horas, a contar desta 23 intimação, pena de multa cominatória de R$ 20.000,00 por cada resultado positivo disponibilizado ao usuário (fls 71/72, e-STJ). A referida decisão foi impugnada pela Google via Agravo de Instrumento. Em sede de Agravo, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro lhe deu parcial provimento, restringindo a liminar “apenas às imagens expressamente referidaspela parte agravada”, ainda assim sem “exclusão dos links na apresentação dos resultados de pesquisas” (fls 310/316, e-STJ). Nesse sentido, as partes interpuseram Embargos de Declaração que foram rejeitados pelo TJ/RJ. Ainda, a Google interpôs Recurso Especial, alegando violação dos artigos 461, § 4º e § 6º do Código de Processo Civil/73 (tratando-se sobre a modificação do valor da multa e excesso), mais o artigo 248 do Código Civil (a respeito da prestação impossível), bem como dissídio jurisprudencial. A Terceira Turma do STJ proveu, por unanimidade, o pedido recursal da Requerida. As razões fáticas e jurídicas mais relevantes que influenciaram a decisão e que tem ligação com o núcleo o objeto de estudo, podem ser assim resumidas: Admitiu o STJ que para o serviço sob comento não se poderiam aplicar as mesmas razões das decisões que envolvem provedores de conteúdo, não havendo por parte do provedor de pesquisa qualquer ingerência no conteúdo de links e, dessa forma, não se considerando produto defeituoso (art. 14, do CDC). Não podendo delegar ao provedor de pesquisa a discricionariedade acerca da retirada ou não de páginas de seus resultados, tendo em vista a subjetividade envolvida na classificação de conteúdos como ofensivos ou não à personalidade de outrem. Não se pode aceitar, reconhecendo a internet como meio de circulação de massa, de modo a garantir a liberdade de informação trazida pelo artigo 220, §1º, da Constituição Federal, que os provedores de pesquisa eliminem dos seus resultados de termos ou expressão, sob o risco de restringir o direito coletivo à informação. A Relatora Ministra Nancy Andrigh apreciou que não se mostra aceitável a exigência de que a pesquisa exclua a reprodução de imagens encontradas no resultado de busca, pois seria tecnicamente impossível identificar quais imagens 24 teriam conteúdo ofensivo ou ilícito, sendo que essa retirada indiscriminada de todas as imagens implicaria na violação do Direito Constitucional à Informação. Ainda, no tocante aos termos “pedófila” ou “pedofilia”, a Ministra argumenta que a proibição de que o serviço de busca aponte tais resultados impediria os usuários de localizarem reportagens, notícias, denúncias e uma infinidade de informações sobre o tema, muitas delas de interesse público. E que, inclusive, a vedação restringiria a difusão da entrevista concedida na época, pela Autora Xuxa, que abordava a questão da pedofilia que serve de alerta para toda a sociedade. E, curiosamente, a vedação dificultaria até mesmo a divulgação do próprio resultado do julgamento. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) conclui, por fim, que não assiste razão à Autora demandar judicialmente contra provedor de pesquisa, vez que este somente realizaria a facilitação do acesso ao conteúdo. No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Celso de Mello, embora sem adentrar ao mérito do debate, negou seguimento à Reclamação 15955 ajuizada por Xuxa Meneghel, com o intuito de restabelecer decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que restringiu a exibição de suas imagens nas pesquisas do Google. O ministro, por sua vez, afastou a alegação dos advogados da apresentadora de que o acórdão do STJ, que cassou a liminar que impunha restrição, teria violado a Súmula Vinculante 10, do STF. Impende registrar que o STF analisou apenas processualmente a questão. 25 3. FUNDAMENTOS DO DIREITO AO ESQUECIMENTO A dignidade da pessoa humana é o fundamento sólido e eficaz em que se apoia a ideia do Direito ao Esquecimento. Esse princípio é previsto no artigo 1o, inciso III da Constituição Federal. É de lá que emanam os direitos de que os cidadãos podem usufruir e os deveres que terão de ser cumpridos, seja norteando e orientando a aplicação prática desse mesmo ordenamento, fazendo com que ele não se distancie dos objetivos traçados. Com fundamento no citado princípio, na VI Jornada de Direito Civil promovida pelo CJF/STJ foi aprovado o enunciado n. 531, cujo teor é: ENUNCIADO 531 – A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento. É o caso também do artigo 11 do código civil que aqui se transcreve: Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. Portanto existe farta fundamentação jurídica para o pedido do Direito ao esquecimento, tanto na legislação pátria como na comparada de outros Estados. 26 4. HERANÇA DIGITAL E DIREITO AO ESQUECIMENTO A herança digital e o Direito ao Esquecimento vêm sendo discutidos a partir dos limites entre o público e o privado e os direitos individuais inerentes à dignidade da pessoa humana, como a intimidade, a honra e a privacidade. Há, ainda, o direito à informação e a liberdade de expressão. A Internet e as RSO são utilizadas em diversas áreas pelas pessoas que, ao armazenarem e compartilharem informações, levam à indagação sobre o que fazer com o acervo digital dos titulares e quem seriam seus herdeiros após ocorrer a inatividade nesse ambiente virtual. Para tanto, é importante apresentar o conceito de Direito ao Esquecimento: O direito ao esquecimento é a faculdade que o titular de um dado pessoal tem para vê-lo apagado, suprimido ou bloqueado, pelo decurso do tempo, por ter cessado sua finalidade ou por afrontar seus direitos fundamentais. Trata- se de uma espécie de caducidade, em que a informação, pelo decurso do tempo, pela expiração da sua finalidade ou por sua proximidade com os direitos fundamentais afetos à personalidade, perece ou deveria perecer, ainda que por imposição de lei. (CHEHAB, 2015, p. 115). Nesse sentido, o Direito ao Esquecimento guarda estreita relação com a garantia da privacidade, a qual colide com a liberdade de expressão. Apesar de ter como objetivo proteger a intimidade das pessoas, ela atinge, especialmente, os dados pessoais que, na prática, devido aos novos valores trazidos pela tecnologia, refletem a privacidade dos dados digitais. Resumidamente, é um direito relacionado também ao conteúdo da Internet e ao resultado decorrente de sua disponibilidade. 27 Com base nessa ideia, Rodrigues e Oliveira (2015) destacam que a expressão a “internet não esquece” vem sendo disseminada na própria rede. Segundo as autoras, diante do papel crescente da internet na vida social, coletiva e política, talvez uma das principais interrogações, hoje, sobre o tema “memória” é que este se faz acompanhar, cada vez mais, do seu aparente reverso, o “esquecimento”. A fim de trazer respostas às novas demandas da sociedade pelo “esquecimento”, na Alemanha, por exemplo, entendeu-se que a proteção constitucional da personalidade impede que a imprensa explore, por tempo indefinido, a pessoa do criminoso e sua privacidade, se for obstáculo a sua ressocialização (TEIXEIRA; PAULA, 2017). Tal entendimento encena com maior força o direito ao esquecimento no palco das discussões da União Europeia (UE) onde em 25 de janeiro de 2012 a vice-presidente da Comissão Europeia e comissária encarregada de assuntos de justiça, Viviane Reding, anunciou o projeto de reforma geral das regras adotadas pela UE desde o último documento sobre proteção de dados do ano 1995. Entre as modificações introduzidas nas regras de 1995, encontra-se o direito ao esquecimento digital, com a finalidade de auxiliar “[...] os cidadãos a melhor gerir os riscos ligados à proteção dos dados na internet.” Por esse princípio, os cidadãos poderão “[...] obter a supressão de dados que lhes concernem se nenhum motivo legítimo justificar sua conservação.” (UNIÃO EUROPÉIA, 2016). Em abril de 2016 um novo pacote de proteção de dados foi adotado com a finalidade de preparar a Europapara a era digital - Regulamento nº 2016/679 do parlamento europeu e do conselho, mais conhecido como Regulamento Geral de Proteção dos Dados Pessoais da União Europeia (General Data Protection Regulation - GDPR), que entrou em vigor em maio de 2018 relativo à proteção das pessoas singulares no que diz respeito ao tratamento de dados pessoais e à livre circulação desses dados. Este regulamento é a lei mais relevante atualmente no cenário internacional e aborda a proteção das pessoas físicas em relação ao tratamento dos dados pessoais e a livre circulação desses dados. Tem como principal efeito ser de aplicação direta em toda a Europa, sem necessidade de ser incorporado pelo ordenamento jurídico de cada estado 28 membro. Contempla os direitos de transparência, direitos de informação, direitos de acesso, direitos de retificação, direitos de eliminação ou direito ao esquecimento, limitação do tratamento dos dados, portabilidade dos dados e direito à oposição (UNIÃO EUROPEIA, 2016). Esse regulamento, embora vigorando em território europeu, fez emergir em países que tem relações com comunidades da UE ou pretendem alcançar essa economia a necessidade de adequarem suas legislações no diz respeito à proteção de dados. O Brasil se enquadrou nesse contexto. Conforme destacam Ferreira, Marques e (2018, p. 3131-3132): No Brasil os impactos do GDPR se fizeram sentir por meio da atualização de termos de uso de vários sites e aplicativos, tais como Facebook, Instagram, Google, Yahoo. Isso se deve ao fato que, mesmo sendo restrito à Europa, as empresas tiveram que se adequar à nova legislação para continuarem atuando nos países que compõe a União Europeia, o que levou à adoção de melhorias nas regras de outros países, inclusive do Brasil. Assim, as novas regras acabaram por afetar as transações referentes ao processamento de informações de cidadãos, não só da União Europeia, mas também de organizações localizadas fora da Europa. Cabe salientar no entanto que o Brasil possui em seus dispositivos legais formas de regular a proteção de dados, principalmente quando se trata de direito ao esquecimento, como por exemplo, o Decreto-Lei nº 2.848 do Código Penal que deixa claro em seu Art. 93º que: “A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas em sentença definitiva, assegurando ao condenado o sigilo dos registros sobre o seu processo e condenação.” (BRASIL, 1940). A Lei nº 3.689 em seu Art. 748º determina que “a condenação ou condenações anteriores não serão mencionadas na folha de antecedentes do reabilitado, nem em certidão extraída dos livros do juízo, salvo quando requisitadas por juiz criminal”. (BRASIL, 1941). 29 Os princípios fundamentais como a liberdade de expressão e o princípio da intimidade, estão garantidos na Lei nº 11.105: Art. 5º- Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. [...]. (BRASIL, 1988). O direito à intimidade é um direito personalíssimo com a característica básica de não expor elementos ou informações da vida íntima. A característica da intransmissibilidade se encontra positivada junto à Lei nº 10.406 (BRASIL, 2002) que a torna impeditiva de transferência hereditária de direitos de personalidade, apesar de a tutela de muitos interesses relacionados à personalidade manter-se mesmo após a morte. Avançando nas discussões sobre proteção de dados e direito ao esquecimento uma importante iniciativa se fez com a edição do Enunciado 531 da VI Jornada de Direito Civil, promovida pelo Conselho da Justiça Federal (CJF), em março de 2014. Enunciado preleciona que: “A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento”. (BRASÍLIA, 2014). Neste mesmo ano, outro dispositivo legal brasileiro - a Lei do Marco Civil da Internet (MCI), Lei nº 12.965, sancionada em 23 de abril de 2014 foi considerada uma das legislações mais avançadas do mundo na regulação da internet e na garantia da neutralidade da rede e seu resultado foi proveniente de uma série de discussões iniciadas em anos anteriores já que no Congresso 30 Nacional havia 26 propostas a respeito do tema. (MARQUES; KERR PINHEIRO, 2014). Em seu artigo 7º, o MCI passa a tratar dos direitos dos usuários, nos quatro primeiros incisos- o direito à inviolabilidade da intimidade da vida privada, à inviolabilidade ao sigilo das comunicações e à inviolabilidade e ao sigilo das comunicações privadas armazenadas. No inciso VIII, do mesmo artigo, está expresso que é direito do usuário ter informações claras e completas sobre a coleta, uso, armazenamento, tratamento e proteção de seus dados pessoais que somente poderão ser utilizados para finalidades que (1) justifiquem sua coleta, (2) sejam lícitas e (3) estejam previstas em contrato. No inciso X, ainda do artigo 7º, foi incluído no MCI uma modulação do direito ao esquecimento. O artigo trata do direito à exclusão definitiva dos dados pessoais, a pedido do usuário titular, ao término das relações entre as partes. Nesse contexto, observa- se que apesar dos atuais dispositivos legais brasileiros versarem sobre o assunto, havia necessidade de avançar na legislação específica sobre proteção de dados para se adequar à realidade da sociedade contemporânea, cujo contexto de fluxo informacional se ancora fortemente em novos recursos das tecnologias da informação e comunicação. Sendo assim, em agosto de 2018 foi sancionada a Lei nº 13.709 (lei geral de proteção de dados, LGPD), que altera o MCI e regulamenta o uso, a proteção e a transferência de dados pessoais que circulam na Internet, no âmbito brasileiro. Em seu escopo a lei possui 65 artigos distribuídos em 10 capítulos que dispõem sobre o tratamento, a proteção e a privacidade de dados pessoais em meios digitais. A lei indica que sua aplicação é destinada ao tratamento de dados pessoais pertencentes ou coletados de cidadãos localizados em território brasileiro (BRASIL, 2018). Com foco nas redes sociais on-line, preconizasse o princípio da intimidade que, conforme relatado anteriormente, tem relação direta com o Direito ao Esquecimento, tendo em vista o artigo 5º da Constituição Federal, que, em seu inciso X, declara invioláveis a honra e a imagem das pessoas, as quais constituem um direito à privacidade ou da intimidade. 31 Com a morte, finda-se a personalidade jurídica e, por conseguinte, a pessoa falecida não possuirá mais a aptidão para ser sujeito de direitos e obrigações na ordem jurídica, não sendo, portanto, titular de direitos de personalidade. No entanto, apesar da morte pôr fim à existência da pessoa física, ainda permanece o que se chama de memória do morto, por meio tanto do legado moral, quanto do legado digital deixados pela personalidade que um dia existiu no universo físico e no universo virtual. O direito à honra é fundamental ao de cujus, pois, mesmo que este se encontre desprovido de vida, a sua memória se delonga no tempo, sendo digna de total zelo pelos legitimados, que buscarão protegê-la de acordo com a compreensão mais próxima do que um dia foi à honra para o de cujus. Os e-mails de um usuário morto, apesar de haver decisões em contrário, não podem ser acessados, como forma de manter a intimidade e a reputação do de cujus, pois e-mail é, em regra, pessoal e as informações ali contidas são acessadas apenaspelo usuário. Isso difere de um perfil em uma rede social, onde as postagens são públicas e podem ser vistas e compartilhadas por outras pessoas. Entretanto, necessário se faz pensar em mecanismos que assegure o direito à privacidade dos dados pessoais, possibilitando ao usuário decidir e escolher a melhor forma de compartilhar suas informações, quer seja na atividade, quer seja na inatividade de seu perfil no âmbito das redes sociais online. O Facebook, RSO norte-americana, tem a política de apresentar duas opções para a família. A primeira é transformar a página em memorial, deixando o acesso restrito a amigos confirmados pelo de cujus e mantendo apenas o conteúdo principal. A segunda opção é apagar todos os dados do usuário. Já a Google, empresa de tecnologia, apresenta alternativas, se o usuário preencher os termos, pode alertar o Google a respeito do momento em que a conta deve ser considerada inativa e, quando isso acontecer, se a empresa pode exclui-la automaticamente, para aqueles que desejam dar destinação específica aos dados armazenados nos servidores da empresa, numa espécie de testamento digital. 32 Seguindo nessa mesma direção, para os usuários que desejam deixar comunicações póstumas, alguns portais oferecem a possibilidade de programar mensagens que serão enviadas pelas redes sociais para pessoas previamente designadas. O usuário pode, ainda, programar sua última postagem em redes sociais como Facebook e Twitter, que será publicada pela empresa, uma vez que o falecimento seja confirmado. 33 5. CONCLUSÃO Ainda que não expressamente previsto na Lei Maior, não se pode olvidar da fundamentalidade do direito ao esquecimento, especialmente após a edição da Lei 12.965/14, que em seu artigo 3º, elenca os princípios do uso da internet no Brasil, apontando a proteção da privacidade já em seu inciso II e os próprios direitos dos usuários: inviolabilidade da intimidade e da vida privada, sua proteção e indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Na atual conjuntura, não podemos esquecer que as redes sociais possuem um papel informal de controlador social, com imenso poder de influenciar positiva e negativamente os sentimentos de todos agregados. Em razão de força motriz, deve-se impor algumas limitações, e, talvez, a maior delas seja a dignidade da pessoa humana, florescida na essência do direito ao esquecimento. Mentes sociais camufladas e com inúmeras facetas são formadas diante o empoderamento originado pelos perfis virtuais. A presente perspectiva mostra- se instigante e ao mesmo tempo sensível diante um período da sociedade da hiperinformação (e baixa formação), não deixando de considerar o processo de democratização que motiva pilares como o amplo acesso à informação e a liberdade de expressão, sobretudo a dignidade da pessoa humana que designa tutelar todos os demais direitos individuais e sociais inerentes ao homem. Cabe ressaltar que, com apenas um “clique” no Google, uma pessoa pode reviver todas as mazelas por ela sofridas e até então que estavam esquecidas pela sociedade, reaquecendo os amargos já superados – insegurança pessoal que não pode ser acobertada de forma omissa pelo Direito. 34 REFERÊNCIAS ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamentais. Tradução Virgílio Afonso da Silva. 2.ed. tir. São Paulo: Malheiros, 2011. ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. A segurança da informação no processo eletrônico e a necessidade de regulamentação da privacidade de dados. Revista de processo, v.32, n.152, p.165-180, out. 2007. BARROSO, Luís Roberto. A dignidade da pessoa humana no direito constitucional contemporâneo: a construção de um conceito jurídico à luz da jurisprudência mundial. Belo Horizonte: Fórum, 2013. BITTAR, Carlos Alberto. Os direitos da personalidade. Rio de Janeiro: Forense, 2010. BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 28.ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2013. 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