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FOTOSSÍNTESE
Os vegetais clorofilados têm o equipamento bioquímico necessário para
transformar substâncias pouco energéticas (CO2 e H2O) em substância rica em
energia (glicose). Na fotossíntese, a energia luminosa absorvida pela clorofila é
transformada em energia química de ligação, que fica armazenada no carboidrato.
A luz utilizada nessa formação é absorvida por uma série de pigmentos. Cada pigmento
absorve determinados comprimentos de ondas, refletindo os que não absorve. A cor do
pigmento é dada pelo comprimento de onda refletido, podendo-se determinar
o espectro de absorção de cada pigmento através de um espectrofotômetro.
Os tipos de pigmentos utilizados na fotossíntese variam nos diferentes grupos
de organismo fotossintetisantes. Nos vegetais superiores, os pigmentos mais
importantes são a clorofila a e a clorofila b, pigmentos verdes que absorvem a luz
no violeta, no azul e no vermelho, refletindo no verde; por isso, são verdes.
Colocando-se em um gráfico os diferentes comprimentos de onda em função
da taxa em que se processa a fotossíntese, pode-se verificar o espectro de
ação da luz na fotossíntese:
Observando-se os gráficos apresentados, pode-se notar que os picos
do espectro de ação da luz na fotossíntese e os dosespectros de absorção da
luz pela clorofila têm padrão semelhante, evidenciando que a clorofila é o
pigmento mais importante na recepção da luz na fotossíntese.
A absorção da luz pela clorofila se faz com intensidade máxima nas faixas de
comprimento de onda de 450 nm (nanometros), que é correspondente à luz
azul, e 700 nm que corresponde, à luz vermelha. O nanometro ainda é muito
conhecido como milimícron. A absorção da luz verde é quase nula. A clorofila
reflete-a quase integralmente. E é por isso que nós a vemos dessa cor.
As curvas indicam:
A) espectro de absorção da luz pela clorofila a;
B) espectro de absorção da luz pela clorofila b;
O espectro de ação da fotossíntese não corresponde rigorosamente ao espectro
de absorção da luz pelas clorofilas. Considerando o fenômeno fotossíntese em
termos gerais, a resposta à luz vermelha é maior do que à luz azul. Isso se explica
porque os pigmentos acessórios (xantofila, licopeno e caroteno) absorvem
intensamente certas radiações de forma mais eficiente que as clorofilas,
transferindo depois a elas a energia absorvida.
Em certas plantas aquáticas, outros pigmentos, com ficoeritrina e a ficoxantina,
também absorvem a luz eficientemente. Nesses casos, o espectro de ação da
luz na fotossíntese é diferente daquele apresentado anteriormente, estando os
picos de maior taxa de fotossíntese praticamente coincidentes com os de
absorção pelos pigmentos citados.
A equação tradicional da fotossíntese é:
Essa reação, no entanto, não pode mais ser aceita como correta, tendo em vista
que o oxigênio liberado na fotossíntese provém da água e não do gás carbônico. Isto
foi confirmado por um experimento clássico (década de 40), no qual o oxigênio
da água foi marcado com o isótopo O18, verificando-se que todo o oxigênio
liberado na fotossíntese era isótopo –18.
Dessa forma, a reação aceita é:
Essa equação mostra o processo de síntese de compostos orgânicos a partir
de substâncias inorgânicas, utilizando-se a energia luminosa e com liberação
de oxigênio.
Hoje, sabemos que a fotossíntese se processa em duas etapas. Na primeira, a luz
cede energia para a clorofila. Portanto, essa etapa não ocorre sem a presença
de luz. Ela é conhecida com fase luminosa da fotossíntese ou reações de claro. Na
segunda etapa, a energia retida por certos compostos, vai permitir uma série
de reações que vão levar ao aparecimento da glicose. Essa etapa pode ocorrer
mesmo na ausência da luz. É a fase escura ou reações de escuro da fotossíntese.
Sabemos que a luz branca resulta da combinação de diversas radiações:
vermelha, alaranjada, amarela, verde, azul, anil e violeta. Mas nem todas essas
radiações têm o mesmo efeito sobre a clorofila. E portanto, nem todas agem
igualmente, estimulando a fotossíntese.
A fotossíntese se processa em duas etapas. A primeira é a fotólise de Hill ou fase
fotoquímica. Nela é liberado o O2 da água, e os hidrogênios são incorporadas a um
aceptor de hidrogênio, no caso, o NADP (nicotinamida – adenina – dinucleotídeo
– fosfato).
A reação da primeira etapa é:
Além disso, ocorre a formação de ATP pela utilização direta da energia
luminosa (fotofosforilação).
A segunda etapa é chamada puramente química ou fase de escuro, proposta por
Blackman, na qual o NADPH2, reduz o CO2, formando-se açúcar.
Essa reação é:
Somando-se as duas reações:
1. Fase luminosa
A fase luminosa caracteriza-se por um conjunto de reações fotoquímicas que
executam a fotólise da água, e simultaneamente, originam dois transportadores de
energia, o NADPH2 e o ATP, que, em seguida, são utilizados para a redução do
CO2 na fase obscura (estroma).
O NADPH2 é produzido por redução do NADP e o ATP por fosforilização do
ADP em presença de fosfato inorgânico Pi, fenômeno também
chamado fotofosforilização. As equações gerais dessas reações podem ser
assim escritas:
2.Fase Obscura
Durante a fase obscura, o NADPH2 e o ATP produzidos durante as reações
fotoquímicas são utilizados para reduzir o CO2.Ocorrem no estroma do
cloroplasto.Foram os trabalhos de Calvin, Bassham e Benson, empreendidos
desde 1946, que permitiram conhecer as diversas etapas da redução do gás
carbônico a glicídios. Esses pesquisadores trabalharam com culturas de algas
verdes unicelulares (Chlorella ou Scenedesmus), às quais forneceram
CO2 marcado com
14C.
Com tais métodos, combinando a auto-radiografia e a cromatografia, Calvin e
seus alunos mostraram que o primeiro composto estável que aparece, após
somente alguns segundos de fotossíntese, em presença de CO2 marcado, é
uma substância em C3 grupamento carboxila é radioativo.
A fórmula do PGA é a seguinte:
ácido fosfoglicérico (PGA) do qual um dos carbonos, o do Contrariamente ao que
se pensava ,o CO2 não se fixa numa substância em C2 para dar o PGA, mas
num açúcar em C5 fosforilado: a ribulose –1,5 – difosfato (RuDP). Fixando-se
na ribulose o CO2 dá origem a um composto de seis carbonos muito instável,
que se decompõe imediatamente em duas moléculas de ácido fosfoglicérico,
conforme a reação seguinte:
A partir de duas moléculas de ácido fosfoglicérico (PGA) forma-se glicose, por
uma série de reações cujo desenrolar é o inverso da glicólise. É durante essa
fase que são utilizados uma parte do NADPH2 e uma parte do ATP, formados
na fase luminosa. A oxidação do NADPH2 em NADP e a hidrólise do ATP em
ADP mais P inorgânico permitem a formação de triosefosfato. Não só açúcares
se formam a partir do PGA mas também aminoácidos, ácidos orgânicos, ácidos graxos e
glicerol.
Nos compostos radioativos que podem ser evidenciados por cromatografia, por
exemplo, verifica-se que 30% do carbono marcado passa para os aminoácidos e que
a alanina, em particular, forma-se tão rapidamente quanto os glicídios. Durante
a fase obscura da fotossíntese há, pois, síntese de glicídios, mas também de
outros compostos necessários à vida das plantas.
O ácido fosfoglicérico serve também para regenerar a ribulose difosfato que é gasta para
formar o PGA. Por uma série de reações (ciclo de Calvin), durante as quais se
formam compostos fosforilados intermediários em C3, C4, C6 e C7, moléculas de
ribulose são reconstituídas a partir de moléculas de PGA.
O balanço da reações e o seguinte:
3. Acumulação dos produtosde síntese
Diversas substâncias sintetizadas pelos cloroplastos podem ficar em estoque no
estroma, como é o caso da glicose que se acumula sob a forma de um
polímero, o amido, que forma então grãos mais ou menos volumosos. Esse
amido acumulado durante o dia e hidrolisado à noite, caminha na planta sob a
forma de glicose.
Pigmentos carotenóides podem também se acumular no estroma, mas, esse
caso, verifica-se que seu aparecimento é acompanhado do desaparecimento
da clorofila: o plasto carregado de carotenóide não é mais fotossintético, ele se
transforma em cromoplasto.
Visualização geral:
Poderíamos, então, nos perguntar se o cloroplasto íntegro contém clorofila, por
que motivo não fluoresce (emite luz vermelha), quando iluminado?
A análise química do cloroplasto demonstrou a presença de várias substâncias
aceptoras de elétrons, entre as quais alguns citocromos. Determinou-se então que, no
cloroplasto iluminado, deve ocorrer algo semelhante ao esquema abaixo.
Note que também aqui o elétron da clorofila a iluminada ganha energia; porém
este elétron é removido da clorofila pelo primeiro receptor. Em seguida, o
elétron “desce” a níveis energéticos menores, sendo capturado por aceptores
intermediários ("degraus energéticos") antes de retornar à clorofila. Nesta “descida”, a
energia perdida pelo elétron é capturada, resultando na produção de ATP.
Compare agora os esquemas anteriores da fluorescência e dfaotofosforilização:
na fluorescência, já que o elétron voltou diretamente à clorofila toda energia
absorvida por ele foi devolvida de uma vez só, sob a forma de luz (vermelha).
Na fotofosforilização, o elétron perdido também acaba voltando à clorofila;
porém não diretamente, e sim passando por substâncias intermediárias.
Neste caso, a energia do elétron é “perdida” aos poucos, o que permite sua
captura pelo sistema ADP – ATP.
Você notou que o caminho do elétron é cíclico, já que ele sai da clorofila e acaba
voltando a ela. Por este motivo, o processo é chamado fotofosforilação cíclica.
Não percamos de vista que o ATP produzido na fase de claro será utilizado na
produção de glicose, na fase de escuro.
Resumindo:
Sabe-se hoje que o cloroplasto iluminado é capaz de fabricar ATP.
Nele, a clorofila a excitada pela luz, perde um de seus elétrons, que
ganha energia, sai da molécula, e é capturado por um aceptor. O
elétron passa por aceptores intermediários e acaba voltando à
clorofila, perdendo aos poucos a energia adquirida. Esta energia é
utilizada na produção de ATP. Já que o caminho do elétron é
“fechado“, o processo é chamado fotofosforilação cíclica.
Os fotossistemas I e II
Foi dito anteriormente que as moléculas de clorofila não estão sozinhas no
cloroplasto mas sim associadas a uma série de outras substâncias.
Modernamente tem se falado em fotossistemas, para designar unidades
funcionais presentes nas membranas dos tilacóides constituídas por moléculas
de pigmentos, associadas entre si. Nesses fotossistemas, há dois tipos
de clorofilas (a e b) e pigmentos amarelos e laranjas, os carotenóides. São
conhecidos dois tipos de fotossistemas, I e II que, absorvem comprimentos de
onda luminosa ligeiramente diferentes e agem juntos na fotossíntese. Em
ambos, a clorofila aparece ser a molécula fundamental.
A fotólise da água está associada à fotofosforilação acíclica
Sabe-se hoje que no cloroplasto, além da produção cíclica de ATP, que já
conhecemos, há produção de ATP acoplada à “quebra”da água . O processo é
razoavelmente complexo:
1.O fotossistema II (clorofila b) recebe luz. Elétrons ganham energia e são
capturados por aceptor. A água perde elétrons,que são cedidos ao fotossistema
II, e origina íons H+ que ficam no meio e O2 liberado da planta.
2. Os elétrons que saíram do fotossistema II são transferidos a uma cadeia de
aceptores, alguns dos quais são citocromos. Na sua passagem “ladeira abaixo”
eles perdem energia, usada na produção de ATP.
3. O fotossistema I (clorofila a)também foi iluminado e perdeu seus próprios
elétrons para uma molécula aceptora. Por essa razão, ele se torna aceptor e
recebe os elétrons provenientes do fotossistema II.
4. Os elétrons provenientes do fotossistema I, junto com íons H+ provenientes da
água, são cedidos ao NADP, que se transforma em NADPH2.
Você então percebe que, juntamente com a fotólise da água, ocorreu produção
de ATP. Dizemos que esta produção éacíclica, porque os elétrons que a
permitiram provieram da água e terminaram nos NADPH2.
A fosforilação cíclica também pode ser enxergada nesse esquema. Ela é
representada pela linha pontilhada. Em alguns casos, os elétrons do fotossistema I
, ao invés de seguirem para o NADP, são entregues à cadeia de
transportadores e voltam ao próprio fotossistema I. Tanto o ATP feito
ciclicamente como aquele que é produzido simultaneamente à quebra da água
serão usados na fase de “escuro” .
Resumindo
O fotossistema II, estimulado pela luz, solta elétrons ricos em energia
que passam por aceptores e permitem produção acíclica de ATP. O
fotossistema II é regenerado ganhando elétrons da água. O
fotossistema I, quando iluminado, cede elétrons de alta energia ao
NADP que, junto com íons 2H+ da água, se transforma em NADPH2.
Os elétrons do fotossistema II regeneram o fotossistema I. Um
caminho alternativo dos elétrons entre o fotossistema I e os
aceptores gera produção (cíclica) de ATP.
Os resultados da fase fotoquímica (ou fase de claro)
Retomando o que vimos nos itens anteriores, o que de fundamental acontece
na fase de claro pode ser resumido assim:
I-Produção de ATP, de dois modos: pela fotofosforilização cíclica, auto-suficiente e
dependente apenas da luz e pelafotofosforilização acíclica, paralela a fotólise da
água. Certos cálculos da energia necessária às reações de escuro para a
produção de glicose mostram que a quantidade de ATP produzida na
fotofosforilização acíclica não é sulficiente para sustentar o processo; haveria
então necessidade dos dois tipos de fotofosforilização, que ocorrem
simultaneamente para haver produção sulficiente de ATP.
II-Produção de NADPH2, a partir da fotólise da água. Não esqueçamos do papel da
clorofila, que doa elétrons altamente energéticos ao NADP, permitindo sua
redução. A água participa do processo cedendo 2H+ ao NADP e liberando O2.
O NADPH2 na fase de escuro, “hidrogenará” (reduzirá) o CO2, formando o
carboidrato glicose.
As reações de “escuro” (a fase enzimática)
Uma simplificação extrema do que ocorre na fase de “escuro” pode ser
esquematizada assim:
Em outras palavras, o NADPH2 e o ATP produzidos na fase de claro são indispensáveis
para a transformação de CO2em glicose.
A fotossíntese bacteriana.
Há certos grupos de bactérias, as sulfobactérias, que são capazes de realizar o
processo fotossintético em condições totalmente anaeróbicas. Só que nessa
fotossíntese bacteriana a fonte de hidrogênios não é a água, mas sim o gás
sulfídrico (H2S).
A equação do processo pode ser resumida assim:
Analisando esta reação, podemos ver que tais bactérias não liberam O2 na
fotossíntese. Já que, ao ser desdobrada a substância H2S, surgem no
citoplasma grânulos residuais de enxofre. Tal reação, já conhecida a algum
tempo, foi o primeiro indício de que, na fotossíntese vegetal, o O2 liberado não
provinha do CO2, mas sim do H2S. A água então corresponde, na fotossíntese
das plantas, ao H2S da fotossíntese das sulfobactérias.
As bactérias fotossintéticas não apresentam clorofila a, mas sim tipos especiais de
clorofila (bacterioclorofila), além de outros pigmentos. Enquanto a clorofila a absorveluz principalmente nas regiões vermelha e azul do espectro, as clorofilas
bacterianas parecem ter maior eficiência nos comprimentos de onda miores que ,
ou seja, no infravermelho. Neste caso, as bactérias fotossintetizantes conseguem
o processo no “escuro”, ou melhor, na região do espectro invisível ao olho
humano.
A quimiossíntese
Diversos tipos de bactérias não clorofiladas conseguem fabricar alimento
orgânico a partir de CO2 e H2O, porém, na ausência de luz. A energia usada é
obtida por meio da oxidação de compostos inorgânicos reduzidos. Esse processo é
chamado quimiossíntes.eCompare à fotossíntese, no esquema abaixo:
Dependendo da espécie, as bactérias quimiossintetizantes podem oxidar
substâncias como gás sulfídrico, enxofre, amônia, nitritos, compostos de ferro,
etc. Elas necessitam, então, como matérias-primas, de substâncias
inorgânicas, oxigênio, CO2 e H2O, fabricando glicose na ausência de luz.
FATORES LIMITANTES
Há uma série de fatores ambientais físico-químicos, que estando em proporção
inadequada, impedirão que as reações da fotossíntese tenham seu melhor rendimento:
serão os fatores limitantes da fotossíntese. Dentre eles podemos lembrar:
insuficiência de água ou sais minerais no solo; concentração insuficiente de
CO2; fraca luminosidade; temperatura inadequada.
Analisaremos três deles:
a) Importância da temperatura.
Qualquer temperatura abaixo ou acima da “ótima” resulta em condição
limitante para as reações de fotossíntese. Abaixoda temperatura “ótima”
a energia cinética das moléculas reagentes (CO2, H2O) é insuficiente para
conseguir o rendimento químico. Acima da “temperatura ótima” as enzimas vão se
desnaturando, podendo até parar as reações.
b) Influência da concentração de CO2.
No ar atmosférico há uma mistura de gases: N2 78% ; O2 21% ;
C2O 0,035%.
A construção do gráfico acima utiliza dados obtidos em condições experimentais de
laboratório. Observa-se que aconcentração ótima é atingida em 0,2% de CO2, pois
acima dessa concentração a taxa de fotossíntese já não poderá melhorar.
Conseqüentemente, qualquer concentração abaixo desse ótimo (0,2%) está
funcionando como limitante para o melhor rendimento do processo.
A concentração do CO2 no ar atmosférico exerce contribução importante para
a temperatura ambiente. Os estudiosos estimam que se essa concentração
chegar em torno de 0,05% o calor será suficiente para descongelar parcela das
calotas polares, fazendo subir o nível dos mares, o que provocaria inundações
catastróficas.
c) Intensidade luminosa.
Sendo a energia luminosa de natureza ondulatória eletromagnética, a freqüência (ou
comprimento de onda) determina asdiferenças de cores no espectro visível,
enquanto a amplitude é responsável pela intensidade luminosa forte ou fraca.
Durante o dia, entre 11 horas e 14 horas iantensidade luminosa é muito forte,
enquanto ao amanhecer ou ao entardecer essa intensidade é fraca.
Aobservação do gráfico acima demonstra que as intensidades luminosas abaixo do
ponto de saturação luminosa sãovalores limitantes do processo fotossintético.
Acima dessa “intensidade ótima” já não haverá mais melhoria na taxa de
rendimento.
Os fatores analisados estãtodos presentes ao mesmo tempo no ambiente e os
componentes limitantes podem ser dois ou mais concomitantemente. O que se
procura analisar, nas condições naturais, é qual deles estará influindo de maneira
mais decisiva como fator limitante da fotossíntese.
PONTO DE COMPENSAÇÃO FÓTICA (P.C.F.).
O processo fotossintético é exclusivo das células com pigmentos (clorofilas,
carotenóides, etc), os quais se encontram no interior dos cloroplastos dos seres
eucariontes.
As células executam suas atividades biológicas dispondo da energia do ATP que
produzem através da respiração. Assim, na presença de luz, as células que fazem
fotossíntese (produção da matéria orgânica) não deixam de respirar (queimar a
matéria orgânica):
Fotossíntese:
Respiração:
Se considerarmos somente os reagentes e os produtos finais, sem levar em conta
as etapas intermediárias, as reações de fotossíntese e respiração são inversas: o
que é produzido na fotossíntese será gasto na respiração e vice-versa !
Em condições experimentais, podemos analisar graficamente, fotossíntese
comparada com a respiração da planta.
À intensidade luminosa em que a fotossíntese se iguala à respiração,
chamaremos de ponto de compensação fótica (P.C.F.).
Nesse ponto, o que a planta produz na fotossíntese empata com o que ela queima
através da própria respiração.
Em intensidade luminosa acima do P.C.F. haverá uma produção fotossintética
superior ao que é gasto na respiração. Oexcesso de produção poderá ser
armazenado em parênqumias de raiz, caule e folhas. Essa reserva será
queimadanaquela horas do dia ou do ano em que a planta está abaixo do
P.C.F. ou mesmo não estiver realizando a fotossíntese. Essa mesma reserva deverá
ser utilizada para os processos de crescimento, regeneração e reprodução.
Algumas considerações ambientais importantes:
1.Nas plantas aquáticas e vegetais dos extratos mais baixos de florestas tropicais,
geralmente a luz é o principal fator limitante.
2. Nas plantas do deserto a água pode ser fator limitante para crescimento ou
germinação.
3. Em plantas terrestres geralmente o CO2 é o maior responsável pela limitação.
Observação:
Além das grandes florestas tropicais (Amazônica, Mata Atlântica), ocorre no
Brasil uma outra formação de vegetação, cujaprincipal característica é a presença
de árvores baixas e espaçadas, com o predomínio dos arbustos na paisagem:
- CERRADOS → aspecto seco, pela falta de nutrientes no solo.
- CAATINGA → aspecto seco, devido à carência de água.
Quem “IMPEDE”o desenvolvimento do CERRADO para que ele NÃO se torne
“mais denso”?!
HIPÓTESES:
1) o fogo (em geral provocado por descargas elétricas !).
2)o cerrado é vegetação clímax = (hipótese mais aceita !), que não se torna floresta
devido às condições de clima e solo falta (de nutrientes essenciais e a grande
presença de alumínio seriam as responsáveis pela fisionomia característica dos
cerrados) existentes, tendo o fogo um papel secundário.
Considerações anatômicas (evolutivas) importantes:
● As folhas precisam da luz para fazer fotossíntese, mas o excesso de luz pode
destruir a clorofila.
Para isso elas contam com “defesas” contra o excesso de iluminação:
parênquima paliçádico, epiderme sem cloroplastos e cutícula brilhante.
● Os raios solares de cores azul e vermelha chegam atenuados à superfície do
solo.
O azul é desviado por partículas da atmosfera e espalhado por ela (nossa
atmosfera é azul) e o vermelho é absorvido e refletido por gotículas de água da
atmosfera.
● Os raios solares de cor verde e amarela são radiações diretas e não são
desviados na atmosfera tanto quanto o azul e o vermelho.
HIPÓTESE (análise evolutiva !):
Os principais pigmentos fotossintetizantes (= clorofilas) “foram selecionados” ao
longo dos tempos como os mais aptos (eficientes), já que:
1) refletem muito as cores verde e amarela, que poderiam danificar (destruir) as
clorofilas.
2) realizam o máximo de absorção para as cores que chegam mais atenuadas:
vermelho e azul.