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Delírio e JuízoDelírio e Juízo Conceito de Juízo Aspectos essenciais do delírio Delírio Primário X Delírio Secundário Estruturação do Delírio Categorias de Delírio Conceitos O juízo é a condição que permite o ser humano a interagir com o mundo, discernindo a verdade do erro. O delírio é um erro do ajuizar. São juízos patologicamente falsos sobre a realidade que leva o indivíduo a pensar sobre questões que fogem da lógica e da racionalidade. São acompanhados de uma convicção extraordinária, não suscetíveis à influência e possuem um conteúdo i í l Todavia, nem todos os juízos falsos são patológicos. O erro constitui um juízo falso, que difere do delírio porque começa de uma ignorância, um julgamento apressado ou em premissas falsas. E pode ser passível de correção pelos dados da realidade. Todo delírio é, de certa forma, referente a si mesmo, seu conteúdo está direta ou indiretamente relacionado ao sujeito delirante, o delírio se transforma no eixo em torno do qual passa a girar a vida do indivíduo. O delirante não sente a necessidade de comprovar a veracidade de seu juízo nem de convencer outras pessoas. Aspectos do Delírio Aspectos do Delírio — Convicção plena daquilo em que acredita; — Geralmente é algo absurdo, que foge da racionalidade e do bom senso; — Existe uma autorreferência, ou seja, o indivíduo é sempre o centro do delírio; — Extensão, as ideias delirantes podem envolver vários aspectos da vida do indivíduo; — Pressão ou preocupação. Mostra o quanto o indivíduo está preocupado e envolvido com suas crenças delirantes; — Comportamento desviante. Aqui se verifica o quanto o indivíduo age em função de seu delírio. — Resposta afetiva ou afeto negativo. Trata-se de o quanto as crenças delirantes abalam afetivamente o humor do paciente, podendo levá-lo a ficar triste, assustado, ansioso ou irritado. Delírio Primário O delírio primário é a ideia delirante autêntica. Ele não deriva de nenhuma outra manifestação psíquica patológica, é incompreensível, não é possível chegar à sua origem. Está relacionado a uma profunda transformação da personalidade. Acontece uma queda radical da capacidade de discernir o verdadeiro do falso. O delírio primário também é chamado Delírio Verdadeiro, e quase sempre está associado à Esquizofrenia. Delírio Secundário O delírio secundário, também chamado Ideia Deliroide, se origina de forma compreensível psicologicamente, ao comparar-se com outras manifestações psíquicas. Deriva dos transtornos de humor, alterações da sensopercepção e do rebaixamento do nível de consciência. Estruturação do Delírio Segundo a estrutura, os delírios são classificados em simples (monotemáticos), complexos (pluri temáticos), sistematizados e não- sistematizados. Delírios Simples: são ideias que se desenvolvem em torno de um único conteúdo. Delírios Complexos: são ideias que englobam vários temas em simultâneo, com conteúdos como perseguição, místico-religiosos, ciúmes, reivindicação, etc. Delírios Congruentes: são aqueles que fazem parte do espectro de um determinado transtorno, como exemplo, o delírio de ruína está geralmente associado a um quadro de depressão psicótica. Delírios Incongruentes: são aqueles que não fazem parte do espectro de um transtorno, como exemplo, delírio de grandeza em um quadro de depressão. Tipos de Delírio Delírio de Perseguição ou Paranoia: é o mais comum. O indivíduo está convencido de que algo ruim vai acontecer e que será vítima de perseguição. Nestes casos, a pessoa acredita que está sendo perseguida por inimigos que lhe querem fazer mal. Este dano pode ser físico ou moral. É mais comum na esquizofrenia paranoide, no distúrbio delirante ou na fase maníaca do Transtorno Afetivo Bipolar, porém podem ocorrer em qualquer transtorno psicótico. Delírio de Influência: o indivíduo acredita que seu pensamento é controlado, interceptado ou lido por outra pessoa, grupo de pessoas ou forças externas. Pode sentir que alguém o controla à distância, ou o contrário, que possui o poder de ler mentes e controlar outras pessoas com os pensamentos. Ocorre durante os surtos psicóticos na esquizofrenia. Delírio Melancólico ou de Ruína: está presente na depressão psicótica. A pessoa se sente ameaçada por acontecimentos irremediáveis e nada pode fazer para evitar sua ruína ou catástrofe. Delírio de grandeza ou megalomaníaco: o indivíduo se considera superior aos demais em múltiplos aspectos. Ele pode se considerar o rei de todos os seres humanos, que é a única pessoa inteligente que existe no mundo, que é a pessoa mais rica de todas. Consideram-se pessoas especiais, e que a sua existência tem uma grande importância para a humanidade. Estados Pré- delirantes Em geral, os delírios surgem após o período pré-delirante, denominado por Jaspers (1979) de "humor delirante". Nesse período, o indivíduo experimenta muita aflição e ansiedade e sente como se algo terrível estivesse para acontecer., mas não sabe o que é de fato. O paciente ainda apresenta grande perplexidade e uma sensação de fim de mundo, uma estranheza radical em relação a tudo. Esse estado pode durar horas ou dias. O "humor delirante" cessa quando o indivíduo apresenta o delírio. No momento do delírio, configura-se tal qual uma revelação, uma resposta em relação ao que o paciente está sentindo. Mecanismos do Delírio Devemos pensar o delírio como espécie de construção, uma tentativa de reorganização do funcionamento mental. Segundo Freud (1976), o delírio é uma tentativa de autocura do sujeito psicótico. Ele constrói de novo o mundo, não mais como era antes, mas de maneira a viver nele mais uma vez. Desta maneira, Freud reconhece o delírio como um trabalho onde o sujeito tenta reatar as relações com a realidade e atenuar sua angústia. Para Dalgalarrondo (2006), é o esforço que o sujeito faz para lidar com a desorganização que a doença de fundo produz. Fazem parte dos mecanismos do delírio: — a interpretação delirante; — a intuição delirante; — a imaginação delirante; — a afetividade; — alterações sensoperceptivas; — a memória delirante. Interpretação Delirante Alguns delírios são formados através de uma distorção extrema da interpretação dos fatos e vivências. Exemplo: uma pessoa com depressão ao ver uma vela se apagando julga que sua própria existência está se apagando também. Intuição Delirante O indivíduo, de repente, é tomado por uma intuição que o faz dar um novo sentido as coisas. A realidade se mostra totalmente convincente com sua intuição. Imaginação Delirante A imaginação está presente na constituição da maior parte dos delírios, lado a lado com a interpretação delirante. Afetividade Muitos delírios são organizados a partir do estado afetivo que se encontra o sujeito. Exemplo: o estado afetivo eufórico e de exaltação pode ser visto no delírio de grandeza. Alterações Sensoperceptivas Alguns delírios são constituídos a partir de experiências alucinatórias intensas, como alucinações auditivas de conteúdo persecutório, ou alucinações visuais muito vívidas. Memórias Delirantes Existe uma mistura de recordações verdadeiros com falsas, recheadas de alucinações ou ilusões mnêmicas na construção do delírio.