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Conceito de discurso para Foucault Para Foucault, os enunciados presentes no discurso estão impregnados e são diretamente relacionados com as práticas concretas e de relações históricas. Leia o artigo “Foucault e a Análise do Discurso em Educação”, de Rosa Maria Bueno Fischer, e responda as seguintes questões: 1) Qual é a perspectiva de análise do discurso para Foucault? 2) Quais são os conceitos de enunciado e de prática discursiva para Foucault? Explique cada um deles. Referência: FISCHER, R. M. B. Foucault e a análise do discurso em educação. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 114, p. 197-223, nov. 2001. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100- 15742001000300009&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 12 dez. 2020. 1) Qual é a perspectiva de análise do discurso para Foucault? Para analisar os discursos, segundo a perspectiva de Foucault, precisamos antes de tudo recusar as explicações unívocas, as fáceis interpretações e igualmente a busca insistente do sentido último ou do sentido oculto das coisas – práticas bastante comuns quando se fala em fazer o estudo de um "discurso". A análise do discurso foucaultiana trata o discurso sempre sob uma prática discursiva, sempre em sua realidade, no fato dos enunciados ditos, não na possibilidade abstrata de um enunciado se realizar que se articulam com práticas econômicas, políticas e sociais. Deve-se pensar em uma composição complexa de forças em conflito; em uma conformação mais ligada à imagem de rede do que à de espiral. A obra de Foucault é permeada pelo discurso e sua teoria, embasada nas relações de poder. A obra de Foucault aborda determinadas configurações sobre o texto, visto não sob a perspectiva da análise do conteúdo, mas em seus aspectos discursivos. A análise do conteúdo previa o estudo mecanizado do texto, por meio do qual algumas técnicas poderiam ser empregadas para possibilitar a decifração do texto. A camada superficial do texto poderia, assim, ser penetrada e, em seu interior, descobria-se aquilo que o tornava passível de ser compreendido. Todo texto, desse modo, guardaria uma verdade e essa verdade seria desvelada por – e tão somente – um “analista experiente” (ROCHA, 2012, p. 50). Por isso, Foucault deseja combater alguns estereótipos ligados ao texto, ao conjunto de noções textuais ditadas pela ciência que absorve o texto e o denomina como um romance https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-15742001000300009&script=sci_abstract&tlng=pt https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-15742001000300009&script=sci_abstract&tlng=pt ou como um livro, por exemplo, diminuindo seu potencial discursivo. Passa-se do plano textual para o plano discursivo, da hermenêutica para a pragmática. 2) Quais são os conceitos de enunciado e de prática discursiva para Foucault? Explique cada um deles. A formação discursiva deve ser vista, antes de qualquer coisa, como o "princípio de dispersão e de repartição" dos enunciados, segundo o qual se "sabe" o que pode e o que deve ser dito, dentro de determinado campo e de acordo com certa posição que se ocupa nesse campo. Discurso, para Foucault, é o conjunto dos enunciados que são encontrados em um mesmo sistema de formação. Sendo assim, é importante o esclarecimento do que seja enunciado para o filósofo francês. O enunciado é, antes de mais nada, algo que exerce uma função, ou seja, determina se uma frase será ou não concebida como tal, se uma proposição poderá ser aceita como verdadeira e, ainda, se dado ato de fala, ou seja, a ação do dizer, está em conformidade com os atores que participam da fala, sendo passível de compreensão. Visto sob esse aspecto, o enunciado será o responsável direto pela passagem do texto para o discurso. Foucault determina, ainda, características que definem melhor o enunciado. A primeira delas se refere à ligação do enunciado a um referencial. O enunciado tem uma função que é a de representar um referencial quando disposto no discurso. Como exemplo, podemos citar a união de determinados caracteres que, isoladamente, poderão constituir um nada, algo sem sentido, um vazio de compreensão: I N A M P S. Esses mesmos caracteres passarão a constituir um enunciado quando houver a compreensão do que representam: a sigla de Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social. O enunciado configura, isto sim, “uma situação da ordem do discurso, característica do saber de uma época” (ARAÚJO, 2004, p. 225). Assim, para que o enunciado seja compreendido, não basta o conhecimento linguístico que determina uma sigla como a dada anteriormente (INAMPS), mas, de igual modo, o conhecimento histórico que dirá se tratar de uma política pública de saúde brasileira que deixou de existir há alguns anos. Para a arqueologia do saber, os discursos são práticas – práticas discursivas (Foucault, 1995) – que se articulam com práticas econômicas, políticas e sociais. Deve-se pensar em uma composição complexa de forças em conflito; em uma conformação mais ligada à imagem de rede do que à de espiral. Nas formações discursivas, os elementos não estão simplesmente justapostos, mas são postos em relações bem determinadas pela prática discursiva, em que importam não escolhas ou preferências por temas, nem o modo como conceitos surgem a partir de visões do mundo ou de interesses de tal ou tal grupo. (ARAÚJO, 2004, p. 225)