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Transporte e Descarte de Materiais Biológicos

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INSTRUMENTAÇÃO 
LABORATORIAL 
Laura Silveira Ayres 
Transporte e descarte de 
materiais biológicos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer as normativas associadas ao transporte e descarte de 
materiais biológicos.
 � Identificar a classificação de risco, os procedimentos e os cuidados 
associados ao transporte de materiais biológicos.
 � Descrever os procedimentos associados ao descarte de materiais 
biológicos.
Introdução
Entre os agentes biológicos estão os microrganismos de modo geral, as 
culturas de células, os parasitas, as toxinas e os príons que têm potencial 
de causar danos à saúde humana e animal, como infecções, intoxicações, 
alergias, doenças autoimunes, neoplasias e malformações (XAVIER; DORA; 
BARROS, 2011). Por meio do conhecimento e do gerenciamento dos 
riscos biológicos existentes em ambientes laboratoriais, é possível tomar 
medidas para reduzir os riscos de acidentes e aumentar a segurança 
ambiental e individual durante o exercício das atividades profissionais.
Neste capítulo, você vai estudar as normas vigentes no Brasil referentes 
ao transporte e ao descarte dos materiais biológicos. Também vai ver 
quais são os riscos associados à sua manipulação, os cuidados necessários 
para o seu transporte e como deve ser feito o descarte apropriado do 
material biológico.
1 Normativas referentes ao transporte e 
descarte de materiais biológicos
Os acidentes envolvendo materiais biológicos podem ocorrer por via direta, 
como no caso da veiculação de agentes por meio de aerossóis e das gotículas, 
ou por via indireta, como é o caso das mãos, das luvas e dos instrumentos per-
furocortantes contaminados com potenciais agentes biológicos. A penetração 
dos agentes biológicos no organismo pode ocorrer por via aérea, intestinal, pela 
pele contendo lesão, pelas mucosas ou por via parenteral, que veremos com 
mais detalhes a seguir, no Quadro 1, e também mais adiante neste capítulo. 
De acordo com o risco e a probabilidade de contágio, bem como com a 
gravidade do dano à saúde, os agentes biológicos são classificados em classes 
de risco biológico de 1 a 4, como pode ser visto no Quadro 2. Cada classe de 
risco biológico apresenta requisitos especiais para a contenção dos acidentes e 
para o transporte e descarte dos resíduos. O nível de risco biológico é sempre 
determinado de acordo com o agente de maior risco manipulado no local; 
por exemplo, para um local que manipula agentes biológicos de classe 2 e 3, 
o nível de biossegurança local será o 3 (XAVIER; DORA; BARROS, 2011). 
Fonte: Adaptado de Xavier, Dora e Barros (2011).
Doença Agente Modo de transmissão
Aids Vírus HIV
Acidente perfurocortante 
ou contato com pele 
lesada ou mucosa.
Hepatite B Vírus da hepatite B (HBV)
Hepatite C Vírus da hepatite C (HCV)
Tuberculose Mycobacterium tuberculosis Contato com secreções 
respiratórias. Meningite Neisseria meningitidis
Escabiose Sarcoptes scabiei Contato com a pele.
Conjuntivite Vírus ou bactérias Contato com secreções 
ou lágrima.
Quadro 1. Principais doenças transmitidas pela exposição a materiais biológicos
Transporte e descarte de materiais biológicos2
Fonte: Adaptado de Xavier, Dora e Barros (2011).
Classe 
de risco
Risco in-
dividual
Risco 
coletivo
Profila-
xia e tra-
tamento
Exemplos 
de agentes 
biológicos
Nível de 
biosse-
gurança
Classe 1 Baixo Baixo — Lactobacillus NB1
Classe 2 Moderado Baixo Existente Escherichia 
coli, Hae-
mophilus, 
Candida sp.,
Aspergillus, 
Adenovírus, 
vírus da 
hepatite C
NB2
Classe 3 Elevado Moderado Nem 
sempre 
apresenta
Mycobacte-
rium bovis, 
Mycobac-
terium 
tuberculosis,
Histoplasma 
capsulatum,
hantavírus
NB3
Classe 4 Elevado Elevado Não 
existem
Vírus da 
varíola, Ebola
NB4
Quadro 2. Classificação dos riscos biológicos
Para que haja um ambiente seguro e para a implementação do uso de 
equipamentos de proteção individual e coletiva nos estabelecimentos de 
saúde, foram criadas no Brasil uma série de normativas regulamentando o 
transporte e o descarte dos materiais biológicos, bem como os procedimentos 
de biossegurança de modo geral. De acordo com a Agência Nacional de Vi-
gilância Sanitária (Anvisa) (BRASIL, 2018b), a regulamentação que envolve 
a biossegurança inclui:
 � Portaria 485, de 11 de novembro de 2005, do Ministério do Trabalho 
(MT): aprova a Norma Regulamentadora (NR) 32.
 � NR 32: trata da saúde do trabalhador em serviços de saúde.
3Transporte e descarte de materiais biológicos
 � Portaria de Consolidação nº 05, de 28 de setembro de 2017, do 
Ministério da Saúde (MS) (Portaria 2.914, de 12 de dezembro de 
2011): regulamenta os requisitos para a água para consumo humano.
 � Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 52, de 22 de outubro 
de 2009: trata do controle de vetores e pragas.
 � RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002: estabelece os projetos físicos 
de estabelecimentos de saúde.
 � RDC nº 222, de 28 de março de 2018: trata das boas práticas em 
gerenciamento de resíduos. 
 � NR 7: estabelece o Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional. 
 � NR 9: estabelece o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais.
 � NR 17: trata da ergonomia.
 � NR 26: estabelece a sinalização de segurança.
No que se refere especificamente ao transporte e descarte de materiais 
biológicos, a regulamentação é feita pela NR 32, pela RDC 222, pela NR 9 
e pela NR 26. 
2 Classificação de risco, procedimentos 
e cuidados associados ao transporte 
de materiais biológicos
Como vimos, os agentes biológicos são classificados em quatro classes de 
riscos, de acordo com a patogenicidade para o homem e para os animais, a 
virulência, o modo de transmissão, a endemicidade (localização geográfica e 
sua capacidade de disseminação) e a possibilidade de prevenção do contágio 
e/ou tratamentos disponíveis (TEIXEIRA; VALLE, 2010). A seguir, veremos 
as principais características dos agentes, de acordo com cada nível de risco 
biológico (TEIXEIRA; VALLE, 2010):
 � Classe de risco 1: na Classe de risco 1, ou nível de biossegurança 1 
(NB1), estão os agentes que nunca foram descritos como causadores de 
doenças para seres humanos e animais e que não constituem um risco 
para o meio ambiente. Seu risco de contágio individual ou coletivo é 
baixo.
Transporte e descarte de materiais biológicos4
 � Classe de risco 2: a Classe de risco 2 (NB2) inclui agentes capazes de 
causar doenças no homem e em animais, mas com baixa probabilidade 
de contaminação para os profissionais de laboratório e baixa capacidade 
de transmissão no meio ambiente. Além disso, para os agentes desta 
classe existem métodos profiláticos de contágio e tratamentos eficazes 
disponíveis. Seu risco individual é moderado e o risco coletivo é baixo.
 � Classe de risco 3: a Classe de risco 3 (NB3) estão incluídos os agentes 
cuja forma de contágio é pela via aérea e que causam doenças em 
homens e animais, porém com profilaxia e tratamento disponíveis. 
Apresentam risco de contágio de pessoa a pessoa, representando um 
alto risco individual e um moderado risco coletivo.
 � Classe de risco 4: a Classe de risco 4 (NB4) compreende os micror-
ganismos com alta capacidade de contágio e alta letalidade, apresen-
tando alto risco individual e coletivo e não apresentando profilaxia ou 
tratamento disponíveis.
Vias de contágio
As vias de contágio associadas à transmissibilidade dos agentes são as seguintes 
(TEIXEIRA; VALLE, 2010):
 � Via aérea: pode ocorrer durante a manipulação de materiais bioló-
gicos como a pipetagem, a centrifugação com abertura da centrífuga 
em funcionamento, a maceração ou sonicação de tecidos, a agitação, 
a flambagem de alça de platina, a abertura de ampolas contendo ma-
terial liofilizado, a abertura de frascos de cultura contendo células 
infectadas, etc. Nesses casos são gerados aerossóis. Os aerossóis em 
suspensão podem se propagar no ambiente e causar contaminação pela 
via inalatória, dependendo da concentração, patogenicidade e virulênciado agente infeccioso. 
 � Via cutânea: a forma mais comum de contágio é pelo ferimento com 
instrumentos perfurocortantes, em especial durante o recapeamento 
de seringas (procedimento não recomendado). Também é comum o 
corte com vidraria quebrada ou trincada e com outros instrumentos 
contaminados.
5Transporte e descarte de materiais biológicos
 � Via ocular: a contaminação pela mucosa conjuntival ocorre por meio de 
aerossóis ou de respingos de materiais biológicos diretamente nos olhos. 
 � Via oral: no passado, a forma mais comum de contágio pela via oral 
ocorria no ato de pipetar com a boca, mas, atualmente, esse hábito 
está sendo erradicado aos poucos. Outras formas de contágio por via 
oral são a ingestão de alimentos e bebidas em ambiente laboratorial e 
a falta de procedimentos de higiene, como a lavagem de mãos após a 
retirada das luvas e após a manipulação de materiais potencialmente 
contaminantes.
Equipamentos de proteção individual e coletiva
Os equipamentos de proteção individual (EPIs) têm a finalidade de mi-
nimizar a exposição aos riscos da manipulação de materiais biológicos e 
químicos, de modo a evitar possíveis acidentes ocupacionais. Assim como os 
EPIs, os equipamentos de proteção coletiva (EPCs) também minimizam a 
exposição dos laboratoristas aos riscos, bem como protegem o meio ambiente 
da contaminação; caso ocorra algum acidente, reduzem as suas consequências. 
Todos os procedimentos que envolvam a manipulação de materiais bioló-
gicos devem ser realizados com a utilização de EPIs e EPCs. Processos que 
sejam passíveis de gerar aerossóis ou gotículas devem, preferencialmente, ser 
realizados em cabines de proteção biológica; na sua ausência, deve-se utilizar 
máscara e óculos de proteção. O avental e as luvas devem estar presentes em 
todos os procedimentos com materiais biológicos. Os EPCs indispensáveis 
são o chuveiro de emergência e o lava-olhos, que precisam estar próximos do 
ambiente do laboratório e ser fácil acesso (XAVIER; DORA; BARROS, 2011).
Para cada classe de risco e nível de biossegurança dos agentes biológicos 
presentes no laboratório existe um tipo de material recomendado para o seu 
manuseio. Veja, no Quadro 3, um resumo dos equipamentos que devem ser 
utilizados em cada nível de biossegurança. 
Transporte e descarte de materiais biológicos6
Fonte: Adaptado de Xavier, Dora e Barros (2011).
Equipamento de proteção NB1 NB2 NB3 NB4
Luvas × × × ×
Avental de mangas longas e 
ajustadas no punho
× × × ×
Calçados fechados × × × ×
Óculos de segurança e proteção facial 
para procedimentos com formação 
de aerossóis ou respingos
× × × ×
Dispositivos para pipetagem × × × ×
Chuveiro de emergência e lava-olhos × × × ×
Cabines de segurança biológica Classe I ou II × × ×
Autoclave × × ×
Quadro 3. Equipamentos de proteção exigidos para a manipulação dos agentes biológi-
cos de acordo com o nível de biossegurança
Condutas gerais de segurança contra riscos biológicos
Independentemente do nível de biossegurança necessário em um laboratório, 
existem condutas gerais para a manipulação dos materiais biológicos que 
evitam e minimizam a exposição dos profissionais ao risco de contágio. Entre 
elas estão as listadas a seguir (XAVIER; DORA; BARROS, 2011):
 � O acesso ao laboratório deve ser restrito, estando proibida a entrada 
de crianças e animais; os acessos devem estar sempre desobstruídos.
 � A porta de entrada deve estar sinalizada com o símbolo internacional do 
risco biológico, a indicação de área restrita, a identificação e o telefone 
do responsável técnico pelo laboratório.
 � Deve ser proibida no ambiente laboratorial a ingestão de alimentos e 
bebidas, bem como a aplicação de cosméticos.
7Transporte e descarte de materiais biológicos
 � A higienização correta das mãos com água e sabão, na presença de suji-
dade, e, alternativamente, com álcool 70%, na ausência de sujidade, deve 
ser disseminada em treinamentos periódicos a todos os profissionais.
 � O uso dos EPIs deve ser obrigatório, e eles devem ser retirados antes 
de sair do ambiente de trabalho. As luvas descartáveis não devem ser 
reutilizadas e não devem ser utilizadas ao tocar em superfícies não 
contaminadas, como teclados, telefones, maçanetas, etc.
 � A pipetagem deve ser feita sempre com instrumentos adequados e 
nunca com a boca.
 � Os instrumentos perfurocortantes não devem ser manuseados após o 
seu uso, como no ato de recapear agulhas. Seu descarte deve ser feito 
em recipientes rígidos e com tampa, que nunca devem ser reutilizados.
 � O ambiente deve ser descontaminado de forma adequada à legislação 
vigente sempre que houver derramamento de material biológico.
 � O recolhimento de vidrarias quebradas deve ser feito com o uso de pás 
e pinças, nunca com as mãos. O descarte deve ser feito em recipiente 
para materiais perfurocortantes. 
 � É essencial o controle periódico de artrópodes e roedores, realizado 
por empresa especializada.
 � A calibração e a verificação do correto funcionamento dos equipamen-
tos de proteção coletiva devem ser feitas periodicamente, seguindo a 
legislação.
Transporte de materiais biológicos
O transporte de materiais biológicos deve estar sempre acompanhado de docu-
mento que indique o que está sendo transportado e quais são os procedimentos 
a serem tomados para o controle do material transportado, desde a origem 
até o destino final, de acordo com a regulamentação vigente. Os profissionais 
responsáveis pelo transporte devem estar treinados para a manipulação, con-
tenção, embalagem, rotulagem, documentação e para o transporte adequado do 
material biológico. De acordo com o destino do material, são seguidas normas 
específicas para transporte dentro do território nacional e para o transporte 
internacional (BRASIL, 2010). 
Transporte e descarte de materiais biológicos8
Transporte nacional
Para o transporte nacional entre laboratórios de uma mesma instituição, no 
mesmo prédio ou em prédios diferentes dentro do mesmo campus, deve-se 
utilizar embalagens fechadas e vedadas, contendo a identificação do material e 
o nome e endereço do remetente e do destinatário. O mesmo vale para o envio 
de amostras entre um posto de coleta e a central técnica de um laboratório. 
A escolha correta da embalagem é fator essencial para garantir a segurança 
não somente do material transportado, para que chegue em boas condições ao 
destino, mas, principalmente, para que não apresente perigo para os profis-
sionais que farão o transporte. As embalagens para o transporte de materiais 
biológicos, de modo geral, devem ser de boa qualidade e ser seguras contra 
vazamentos, variações climáticas ou alterações de temperatura, umidade ou 
pressão. Para amostras que exijam resfriamento, é necessário o uso de gelo 
seco (dióxido de carbono sólido) ou de compressas de gel congelado e de 
termômetro que registre a temperatura durante todo o trajeto. 
É recomendado o uso de dois recipientes, um interno (tubo ou placa de 
Petri), contendo o material, e outro externo. O externo deve ser embalado 
em material resistente para o transporte. Caso o transporte seja feito em via 
pública, deve seguir as recomendações da Agência Nacional de Transportes 
Terrestres (ANTT) para o transporte de material biológico, Resolução nº 420, 
de 12 de fevereiro de 2004, e suas alterações — Resoluções ANTT nº 701, 
de 25 de agosto de 2004, nº 1.644, de 26 de setembro de 2006, nº 2.657, de 
15 de abril de 2008, e nº 2.975, de 18 de dezembro de 2008 (BRASIL, 2010). 
Quanto ao transporte entre laboratórios da mesma instituição em diferentes campi ou 
entre laboratórios de diferentes instituições, a RDC nº 1, de 22 de janeiro de 2008, da 
Anvisa, que dispõe sobre a importação de materiais biológicos, também trata desse 
tema, e as mesmas exigências quanto aos padrões de embalagem, armazenamento 
e transporte se aplicam para esse caso (BRASIL, 2010).
9Transporte e descarte de materiais biológicos
Caso o material biológico seja proveniente de organismo geneticamentemodificado (OGM), a instituição deve solicitar a permissão de transporte à 
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Quanto ao transporte 
desse tipo de material, deve-se seguir a Instrução Normativa nº 4, de 19 de 
dezembro de 1996. Todas as instituições que trabalham com OGMs — tanto 
a remetente quanto a destinatária do material — devem ter um certificado de 
qualidade em biossegurança (CQB), emitido pela CTNBio. A embalagem 
deve estar vedada e conter identificação com o símbolo internacional de 
material biológico, nome, endereço completo e telefone do destinatário e do 
remetente (BRASIL, 2010).
Se quiser saber mais sobre o transporte nacional de materiais perigosos, leia a Resolução 
nº 5.848, de 25 de junho de 2019, que atualiza o Regulamento para o Transporte 
Rodoviário de Produtos Perigosos, disponível no link a seguir.
https://qrgo.page.link/7QeWY
Transporte internacional
O transporte internacional deve seguir as normas da International Air Transport 
Association (IATA). As mesmas normas para o transporte aéreo se aplicam ao 
transporte terrestre. O remetente deve classificar o material de acordo com a 
classe de risco biológico, segundo a classificação das Nações Unidas (número 
UN). O material deve ser embalado e rotulado de acordo com a regulamentação 
da IATA e deve conter documentação de embarque. No caso dos materiais 
perigosos, a documentação deve estar em duas vias. Todo o pessoal envolvido 
na preparação e no transporte do material deve ser treinado e deve passar por 
reciclagem do treinamento a cada dois anos (BRASIL, 2010). 
Para o transporte de organismos vivos geneticamente modificados 
(OVGMs), deve ser seguido o protocolo de Cartagena, de Biossegurança. 
Esse protocolo foi instituído na Convenção sobre Diversidade Biológica e tem 
157 países signatários (BRASIL, 2010). 
Transporte e descarte de materiais biológicos10
Classes de perigo de acordo com a IATA
A IATA (International Air Transport Association) considera como substâncias 
infecciosas aquelas que contenham ou possam conter bactérias, vírus, parasi-
tas, fungos e príons (agentes infecciosos formados por proteínas aberrantes), 
assim como os derivados de organismos vivos utilizados para prevenção, 
tratamento ou diagnóstico de doenças humanas e animais, como as vacinas e 
os kits diagnósticos (BRASIL, 2010). Segundo a IATA, as classes de perigo 
são divididas em:
 � substâncias tóxicas;
 � substâncias infecciosas:
 ■ Categoria A — substâncias infecciosas que podem causar incapaci-
dade permanente, doença fatal ou risco de morte a humanos e animais;
 ■ Categoria B — todas as demais substâncias infecciosas.
Embalagem para transporte de materiais biológicos
Para garantir a segurança de todos que entrarão em contato com a embalagem 
do material biológico durante o transporte, deve-se utilizar embalagens de boa 
qualidade e seguras contra vazamentos, variações de temperatura, umidade 
e pressão (BRASIL, 2010).
Para o transporte terrestre nacional, a embalagem deve seguir as instruções 
da Resolução nº 420, de 12 de fevereiro de 2004, da ANTT (BRASIL, 2010). 
Para o transporte internacional, seguem-se as recomendações da IATA. Para 
substâncias da Categoria A (Figura 1), a embalagem deve ser composta de 
recipiente interno (contendo a amostra) à prova de vazamentos, uma embalagem 
secundária e uma embalagem externa resistente. A embalagem externa deve 
ser rotulada com as seguintes informações, apresentadas também na Figura 2 
(BRASIL, 2010):
 � classe de material infeccioso (UN2814 ou UN2900);
 � identificação do material;
 � etiqueta com instruções do manuseio do material;
 � destinatário e remetente.
11Transporte e descarte de materiais biológicos
Figura 1. Embalagem para substâncias infectantes da Categoria A.
Fonte: Adaptada de Brasil (2010).
Embalagem primária
(tubo de ensaio)
Tampa
Material absorvente
Embalagem externa
Etiqueta de orientação
da embalagem (não obrigatória
quando a embalagem primária
não exceder 50ml)
Marcação da especi�cação
das Nações Unidas (UN)
Identi�cação da amostra
(inclui lista discriminada de todos
os conteúdos)
Embalagem secundária
(impermeável)
Figura 2. Exemplo de etiqueta para material infectante.
Fonte: Adaptada de Brasil (2010).
Substância infecciosaClassi�cação:
Dimensões mínimas: 100 x 100 mm
50 x 50 mm)(para embalagens pequenas
por embalagem
Número de identi�cações 1
Cor: Branco e preto
SUBSTÂNCIA INFECCIOSA
Em caso de dano ou vazamento,
noti�que imediatamente a
autoridade de saúde pública 
Transporte e descarte de materiais biológicos12
Para material refrigerado, pode ser utilizado o gelo seco na embalagem 
secundária ou na embalagem externa. Nesse caso, isso deve estar descrito na 
declaração do remetente, e a embalagem externa deve conter etiqueta com o 
peso correspondente ao gelo seco. Para substâncias da Categoria B, a emba-
lagem é muito semelhante à da Categoria A, como você pode ver na Figura 3, 
porém ela não necessita de homologação pelas Nações Unidas (UN), e po-
dem ser utilizadas somente duas embalagens. Para ambas as categorias de 
materiais biológicos, após a abertura no local de destino, a embalagem deve 
ser desinfetada ou esterilizada para evitar contaminação (BRASIL, 2010).
Figura 3. Embalagem exigida para substâncias infectantes da Categoria B.
Fonte: Adaptada de Brasil (2010).
Embalagem primária
(à prova de vazamentos
ou impermeável)
Embalagem secundária
(à prova de vazamentos
ou impermeável)
Etiquetas de/para
Tampa à prova d’água
Material de embalagem
absorvente
Suporte tipo rack
(isopor, esponja)
Lista de conteúdos discriminada
(registro das amostras)
Embalagem externa rígida
Identi�cação de 
produto perigoso
Identi�cação da embalagem
13Transporte e descarte de materiais biológicos
3 Descarte de materiais biológicos
A regulamentação a respeito do descarte de materiais biológicos no Brasil 
é feita pela RDC nº 222/2018 da Anvisa. De acordo com a resolução, são 
considerados geradores de resíduos de serviços de saúde (RSS) todos os 
serviços cujas atividades estejam relacionadas com a atenção à saúde hu-
mana ou animal, inclusive os serviços de assistência domiciliar; laboratórios 
analíticos de produtos para saúde; necrotérios, funerárias e serviços em que 
se realizem atividades de embalsamamento; serviços de medicina legal; dro-
garias e farmácias, inclusive as de manipulação; estabelecimentos de ensino e 
pesquisa na área de saúde; centros de controle de zoonoses; distribuidores de 
produtos farmacêuticos, importadores, distribuidores de materiais e controles 
para diagnóstico in vitro; unidades móveis de atendimento à saúde; serviços 
de acupuntura; serviços de piercing e tatuagem, salões de beleza e estética, 
entre outros afins (BRASIL, 2018a).
A resolução prevê que todos os serviços geradores de RSS devem elaborar 
um plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (PGRSS) que 
esteja de acordo com a legislação municipal, estadual e federal. O PGRSS deve 
conter os procedimentos relacionados à geração, segregação, acondicionamento, 
identificação, coleta, armazenamento, transporte, tratamento e disposição 
final dos resíduos. O plano também deve estar de acordo com a regulamen-
tação sanitária e ambiental e com as normas dos serviços locais de coleta e 
transporte de resíduos. Além disso, o plano deve prever as atitudes a serem 
tomadas em casos de emergências e acidentes envolvendo o gerenciamento 
dos RSS (BRASIL, 2018a). 
O descarte de materiais biológicos segue algumas etapas: a primeira é a 
segregação, seguida da coleta, do armazenamento interno e/ou externo e, por 
último, a destinação final.
Segregação
A primeira etapa do gerenciamento dos resíduos é a segregação, ou seja, 
a separação dos materiais de acordo com suas características. Para a segre-
gação, a RDC 222 estipula uma classificação em grupos, de acordo com o 
risco dos resíduos. O Grupo A é o correspondente aos resíduos biológicos e 
é subdividido em 5 subgrupos, listados a seguir (BRASIL, 2018a):Transporte e descarte de materiais biológicos14
 � Subgrupo A1
 ■ Culturas e estoques de microrganismos; resíduos de fabricação de 
produtos biológicos; descarte de vacinas de microrganismos vivos, 
atenuados ou inativados.
 ■ Resíduos da atividade de ensino e pesquisa ou atenção à saúde de 
indivíduos ou animais, com suspeita ou certeza de contaminação 
biológica por agentes classe de risco 4.
 ■ Bolsas transfusionais contendo sangue ou hemocomponentes rejei-
tadas por contaminação ou por má conservação, ou com prazo de 
validade vencido, e as resultantes de coleta incompleta.
 ■ Sobras de amostras de laboratório contendo sangue ou líquidos corpó-
reos, recipientes e materiais contendo sangue ou líquidos corpóreos.
 � Subgrupo A2
 ■ Carcaças, peças anatômicas, vísceras e outros resíduos de animais de 
experimentação com inoculação de microrganismos, suas forrações 
e cadáveres de animais suspeitos de serem portadores de microrga-
nismos de relevância epidemiológica.
 � Subgrupo A3
 ■ Peças anatômicas (membros) do ser humano; produtos de fecundação 
sem sinais vitais, com peso menor do que 500 gramas ou estatura 
menor do que 25 centímetros ou idade gestacional menor do que 
20 semanas, que não tenham valor científico ou legal e caso não 
tenha havido requisição pelo paciente ou seus familiares.
 � Subgrupo A4
 ■ Kits de linhas arteriais, endovenosas e dialisadores.
 ■ Filtros de ar e gases aspirados de área contaminada; membrana 
filtrante de equipamento médico-hospitalar e de pesquisa.
 ■ Sobras de amostras de laboratório e recipientes contendo fezes, urina 
e secreções, provenientes de pacientes que não contenham e nem 
sejam suspeitos de conter agentes Classe de risco 4, e nem apresentem 
relevância epidemiológica e risco de disseminação.
 ■ Resíduos de tecido adiposo proveniente de lipoaspiração, lipoescul-
tura ou outro procedimento de cirurgia plástica.
 ■ Recipientes e materiais do processo de assistência à saúde, que não 
contenham sangue ou líquidos corpóreos.
 ■ Peças anatômicas (órgãos e tecidos), incluindo a placenta, e outros 
resíduos provenientes de procedimentos cirúrgicos ou de estudos 
anatomopatológicos ou de confirmação diagnóstica.
15Transporte e descarte de materiais biológicos
 ■ Cadáveres, carcaças, peças anatômicas, vísceras e outros resíduos 
provenientes de animais não submetidos a processos de experimen-
tação com inoculação de microrganismos.
 ■ Bolsas transfusionais vazias ou com volume residual pós-transfusão.
 � Subgrupo A5
 ■ Órgãos, tecidos e fluidos orgânicos de alta infectividade para príons 
e quaisquer materiais resultantes da atenção à saúde de indivíduos 
ou animais, suspeitos ou confirmados, e que tiveram contato com 
órgãos, tecidos e fluidos de alta infectividade para príons.
O Grupo B corresponde aos resíduos químicos. O Grupo C inclui os 
resíduos radioativos, já o Grupo D corresponde aos resíduos comuns, que 
não apresentam risco e são semelhantes aos resíduos domiciliares. Por último, 
o Grupo E inclui os resíduos perfurocortantes e escarificantes (BRASIL, 
2018a). 
Os resíduos devem ser segregados de acordo com o seu grupo específico no momento 
da sua geração. Para o Grupo A, os resíduos em estado sólido devem ser acondicionados 
em sacos resistentes à ruptura e a vazamentos e impermeáveis. Deve ser respeitado o 
limite de peso do saco e o limite de 2/3 da sua capacidade para permitir o fechamento 
e evitar rupturas (BRASIL, 2018a).
Os resíduos do Grupo A que não necessitarem de tratamento e os que 
necessitarem de tratamento, após tratados, são considerados rejeitos e devem 
ser acondicionados em sacos brancos leitosos. Quando for obrigatório o trata-
mento prévio, os rejeitos devem ser acondicionados em saco vermelho até o 
tratamento. Os resíduos líquidos devem ser acondicionados em recipientes de 
material compatível com o tipo de líquido, resistentes, rígidos, estanques e com 
tampa, permitindo a sua contenção. A identificação do tipo de resíduo deve 
estar afixada nos carros de coleta, nos locais de armazenamento e nos sacos 
que acondicionam os resíduos. A identificação dos sacos deve ser impressa, 
e não adesivada (BRASIL, 2018a).
Transporte e descarte de materiais biológicos16
Coleta e armazenamento interno, temporário e externo
A coleta e o transporte interno dos RSS devem ter horários pré-estabelecidos, 
e o transporte deve ser realizado em recipiente rígido e identificado com o 
símbolo internacional de risco biológico. Para o armazenamento temporário 
e externo, os sacos devem ser mantidos fechados em coletores com tampa 
fechada. 
O armazenamento temporário deve ser feito em local com pisos e paredes 
revestidos com material resistente, lavável e impermeável. O local também 
deve conter iluminação artificial e ponto de água, tomada elétrica alta e ralo 
com sifão e tampa. Quando houver área de ventilação, ela deve ter tela de 
proteção contra insetos e roedores. A porta deve ter largura compatível com 
os coletores e deve estar identificada como “Abrigo temporário de resíduos” 
e com o símbolo do risco biológico. É proibido o armazenamento dos coletores 
fora do abrigo temporário (BRASIL, 2018a).
Os abrigos externos devem permitir fácil acesso aos veículos para o trans-
porte interno e externo. Devem ter capacidade de armazenamento adequada 
para a ausência de uma coleta regular e dimensionada de acordo com a geração 
de resíduos de cada grupo. Cada tipo de resíduo deve estar identificado, e as 
características de construção devem prever o uso de revestimento lavável, 
resistente e impermeável para pisos e paredes, contendo abertura para venti-
lação com telas de proteção. O acesso deve ser restrito ao pessoal responsável 
pelo manejo dos resíduos. Também devem ter canaletas para escoamento 
da água de lavagem, drenando para a rede de esgoto por ralos com sifão e 
tampa. Os veículos para transporte externo dos RSS não devem ter sistema de 
compactação ou outro sistema que danifique os sacos, exceto para os resíduos 
comuns (Grupo D) (BRASIL, 2018a). 
Destinação
Os RSS que não apresentarem risco biológico, químico ou radiológico podem 
ser destinados à reciclagem ou encaminhados para disposição final apropriada 
e respeitando o meio ambiente. Para os demais rejeitos, existem orientações 
específicas para cada grupo e subgrupo. Para o Grupo A, dos resíduos bioló-
gicos, a destinação é a seguinte:
17Transporte e descarte de materiais biológicos
 � Subgrupo A1: de modo geral, os RSS do Subgrupo A1 devem ser 
tratados antes da destinação final. 
 ■ O tratamento deve utilizar processos validados para a redução ou 
eliminação da carga microbiana, em equipamento compatível com 
Nível III de inativação microbiana.
 ■ Após o tratamento, os rejeitos devem ser encaminhados para dispo-
sição final ambientalmente adequada.
 ■ As agulhas e seringas utilizadas na aplicação de vacinas, quando 
não desconectadas, devem respeitar as regras dos resíduos perfuro-
cortantes (BRASIL, 2018b).
 ■ As sobras de amostras de laboratório contendo sangue ou líquidos 
corpóreos podem ser descartadas diretamente no sistema de coleta 
de esgotos, desde que atendam às regras dos órgãos ambientais e 
serviços de saneamento da cidade onde se encontra o serviço de 
saúde (consultar legislação municipal) (BRASIL, 2018a).
 ■ Caso o tratamento seja realizado fora da unidade geradora ou do 
serviço, os RSS devem ser acondicionados em saco vermelho e 
transportados em recipiente rígido, impermeável, resistente à ruptura, 
ao vazamento e com tampa, além de bem identificado. 
 � Subgrupo A2: os RSS do Subgrupo A2 também devem passar por 
tratamento antes da disposição final.
 ■ Os RSS contendo microrganismos com alto risco de transmissibili-
dade, alto potencial de letalidade ou que representem risco caso sejam 
disseminados no meio ambiente, devem ser submetidos, na unidade 
geradora, a tratamento para o Nível III de inativação microbiana.
 � Subgrupo A3: devem ser destinados para sepultamento, cremação, inci-
neração ou outra destinaçãolicenciada pelo órgão ambiental competente.
 ■ Quando forem encaminhados para incineração, os RSS devem es-
tar em sacos vermelhos e identificados com a inscrição “PEÇAS 
ANATÔMICAS”.
 � Subgrupo A4: os RSS do Subgrupo A4 não necessitam de tratamento 
prévio. Devem ser acondicionados em saco branco leitoso e encami-
nhados para a disposição final ambientalmente adequada.
 � Subgrupo A5: os RSS do Subgrupo A5 devem ser encaminhados para 
tratamento por incineração, acondicionados em saco vermelho duplo e 
em recipiente identificado (BRASIL, 2018a).
Transporte e descarte de materiais biológicos18
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC 
n. 222, de 28 de março de 2018. Brasília, DF, 2018a. Disponível em: http://portal.anvisa.
gov.br/documents/10181/3427425/RDC_222_2018_.pdf/c5d3081d-b331-4626-8448-
c9aa426ec410. Acesso em: 8 fev. 2020. 
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Capacitação em boas práticas de 
inspeção e sistema de gestão da qualidade. Brasília, DF, 2018b.
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes gerais para o trabalho em contenção com agentes 
biológicos diretrizes gerais para o trabalho em contenção com agentes biológicos. 3. ed. 
Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2010. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível 
em: https://w2.fop.unicamp.br/cibio/downloads/cibio_diretrizes_gerais_trabalho_con-
tencao_agentes_biologicos_3ed_.pdf. Acesso em: 8 fev. 2020.
TEIXEIRA, P.; VALLE, S. Biossegurança: uma abordagem multidisciplinar. Rio de Janeiro: 
Fiocruz, 2010. 
XAVIER, R. M.; DORA, J. M.; BARROS, E. (org.). Laboratório na prática clínica: consulta 
rápida. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.
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19Transporte e descarte de materiais biológicos

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