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Introdução a micologia 
Os fungos fazem parte do reino Fungi, são quimio-
heterotróficos e adquirem alimentos por absorção. Com 
exceção das leveduras, são multicelulares e a maioria se 
reproduz através de esporos sexuados e assexuados. São 
aeróbios ou anaeróbicos facultativos, somente alguns são 
anaeróbios conhecidos. 
Obs: as doenças causadas por eucariotos são de difícil 
tratamento, já que as células humanas são eucarióticas. 
Das mais de 100 mil espécies conhecidas de fungos, apenas 
cerca de 200 são patogênicas aos seres humanos e aos 
animais. Ao longo dos últimos 10 anos, a incidência de 
infecções fúngicas estão aumentando, principalmente em 
unidades de saúde e imunocomprometidos. 
Importância: são importantes na cadeia alimentar, pois 
decompõem a matéria vegetal morta e quase todas as 
plantas dependem de simbiose com fungos, as micorrizas. 
São valiosos para animais, como as formigas que cultivam 
fungos para quebrar celulose, tendo como produto a glicose. 
Além do consumo e produção de alimentos e fármacos pelos 
seres humanos. 
Características 
Os fungos são identificados através das suas características 
como: aparência da colônia, esporos reprodutivos e 
aparência física. 
Estruturas vegetativas: as colônias de fungos são descritas 
como estruturas vegetativas porque são compostas de 
células envolvidas no catabolismo e crescimento. 
Bolores e fungos carnosos: o talo (corpo) de um fungo 
filamentoso ou carnoso consiste em longos filamentos (hifas) 
de células conectadas. As hifas podem crescer até 
proporções imensas. Na maioria dos bolores, as hifas contem 
paredes cruzadas, os septos. Estes dividem as hifas em 
unidades semelhantes a células uninucleadas distintas, são 
chamadas hifas septadas. Em poucas classes de fungos, as 
hifas se apresentam como células longas e com muitos 
núcleos (hifas cenocíticas). 
 
As hifas crescem por alongamento da extremidade e cada 
parte de uma hifa é capaz de crescer. A porção que obtém 
nutrientes é chamada de hifa vegetativa e a reprodutiva é hifa 
aérea. Quando as condições são favoráveis, as hifas crescem 
e formam o micélio, visível a olho nu. 
Leveduras: são fungos unicelulares, não filamentosos, 
esféricos ou ovais. São amplamente distribuídas na natureza 
e encontradas com frequência na forma de um pó branco 
cobrindo folhas e frutas. As leveduras de brotamento (a célula 
parental forma uma protuberância em sua superfície externa 
e a medida que o broto se alonga, o núcleo parental se divide 
e um deles migra pra o broto) como a Saccharomyces, se 
dividem de forma desigual. Uma célula de levedura pode 
produzir mais de 24 células de brotamento.
 
Algumas células formam pseudo-hifas, brotos que não se 
separam uns dos outros. Como a cândida albicans, ela 
necessita de pseudo-hifas para invadir os tecidos mais 
profundos. 
 
As leveduras de fissão dividem-se produzindo duas novas 
células iguais. As leveduras são capazes de realizar 
crescimento anaeróbico facultativo. Na presença de oxigênio, 
as leveduras respiram para metabolizar carboidratos, 
formando dióxido de carbono e água; na ausência de 
oxigênio, fermentam carboidratos e produzem etanol e 
dióxido de carbono. Essa fermentação é usada na fabricação 
de cervejas e panificação. 
Fungos dimórficos: alguns fungos, principalmente as 
espécies patogênicas, exibem dimorfismo (duas formas de 
crescimento, filamentosos ou levedura). A forma filamentosa 
produz hifas aéreas e vegetativas; a forma de levedura se 
reproduz por brotamento. Depende da temperatura e a 37°C 
o fungo apresenta forma de levedura e a 25°C forma de bolor. 
Ciclo de vida: fungos filamentosos podem se reproduzir 
assexuadamente pela fragmentação das suas hifas. Além 
disso, tanto a R. sexuada como a assexuada ocorre pela 
formação de esporos. Embora os esporos fúngicos possam 
sobreviver em locais quentes ou secos, eles não apresentam 
a mesma resistência que os esporos bacterianos. São 
formados através de hifas aéreas, dependendo da espécie. 
Os esporos assexuados são formados pelas hifas e quando 
germinam, tornam-se geneticamente iguais ao organismo 
parental. Os esporos sexuados resultam da fusão de núcleos 
de duas linhagens opostas de cruzamento de uma mesma 
espécie de fungo, os organismos a partir de R. sexuada 
apresentarão características de ambas as linhagens 
parentais. 
Esporos sexuados: são produzidos através de mitose e 
divisão celular; não há fusão de núcleos das células. Os tipos 
de esporos são: 
 
 
 
 
Esporos sexuados: resulta da reprodução sexuada que 
consiste em três etapas = 1. plasmogamia: um núcleo 
haploide de uma célula doadora (+) penetra no citoplasma de 
uma célula receptora (-); 2. cariogamia: os núcleos (+) e (-) se 
fundem formando um núcleo zigótico diploide e 3. meiose: o 
núcleo diploide origina um haploide, esporos sexuados, dos 
quais alguns podem ser recombinantes genéticos. 
Adaptações nutricionais: geralmente são adaptados a 
ambientes que poderiam ser hostis a bactérias. São quimio-
heterotróficos e absorvem nutrientes. Normalmente crescem 
melhor em ambientes em que o pH é próximo a 5; a maioria 
das leveduras é anaeróbia facultativa e quase odos os fungos 
filamentosos são aeróbios; os fungos tem certa resistência a 
pressão osmótica e são frequentemente capazes de 
metabolizar carboidratos complexos. 
Fungos de importância medica 
Zigomiceto: são chamados de fungos de conjugação, são 
filamentosos saprofíticos e apresentam hifas cenocíticas. 
Exemplo o Rhizhopus stolonifer, o mofo preto do pão. 
Microsporídios: eucariotos incomuns, já que não possuem 
mitocôndrias. São parasitos intracelulares obrigatórios e não 
tem microtúbulos. são associados a várias doenças humanas 
como diarreia crônica e inflamação da conjuntiva próxima a 
córnea, principalmente em pacientes com Aids. 
Ascomicetos: incluem fungos com hifas septadas e algumas 
leveduras. Seus esporos sexuados são conídios, os esporos 
se assemelham a poeira. 
Basidiomiceto: possuem fases septadas, inclui fungos que 
produzem cogumelos. Os basidiósporos são formados 
externamente em um pedestal, chamado de basídio. Os 
fungos que se reproduzem das duas formas são chamados 
de teleomorfos e os assexuados de anamorfos. 
Doenças fúngicas 
Qualquer infecção fúngica é chamada de micose, gerallmene 
são infecções crônicas, já que os fungos crescem devagar. 
São classificadas de acordo com o grau de envolvimento 
tecidual (sistêmica, cutânea, subcutânea, superficial ou 
oportunista). Os fármacos que afetam os fungos podem afetar 
as células do animal, por isso o tratamento se torna difícil. 
Micoses sistêmicas: são infecções fúngicas profundas, não 
tem nenhuma região particular, normalmente causadas por 
fungos que vivem no solo. Os esporos são transmissíveis por 
inalação e em geral se inicia nos pulmões e se espalham para 
o resto do corpo, 
Micoses subcutâneas: são infecções fúngicas localizadas 
abaixo da pele, por fungos saprofíticos que vivem no solo e 
na vegetação. A esporotricose é uma infecção subcutânea. 
Micoses cutâneas: fungos que infectam apenas a epiderme, 
o cabelo e as unhas. Os dermatofitos secretam queratinase, 
enzima que degrada a queratina. É transmissível por contato 
direto ou contato com células epidérmicas infectadas. 
Micoses oportunistas: em geral, são inofensivos em seu 
habitat natural, porem pode se tornar patogênico em um 
hospedeiro que se encontra debilitado ou traumatizado. 
Normalmente ocorre em indivíduos com tratamento de 
antibióticos de alto espectro, imunossuprimidos ou doenças 
pulmonares. Pneumocystis é um patógeno oportunista 
frequentemente encontrado em pacientes com aids. Outra 
doença oportunista é a mucormiose, causada por Rhizopus e 
Mucor, ocorre principalmente em pacientes que apresentam 
diabetes melittus, leucemia ou estão em tratamento com 
fármacos supressores. Infecções oportunistas como 
Cryptococcuse Penicillium podem causar doenças fatais em 
pacientes com ais, mas normalmente não acometem 
imunocompetentes. as infecções por leveduras, ou 
candidíases, são mais causadas por Candida albicans e se 
manifestam como candidíase vulvovaginal ou sapinho 
(candidíase monocutanêa). 
Aspecto econômico dos fungos 
Os fungos são amplamente utilizados na biotecnologia há 
muitos anos, como produção de pão e vinho pela levedura 
Saccharomyces cerevisiae, também foi geneticamente 
modificada para a produção de vacinas como hepatite B. são 
utilizados para controle de pragas. Mas também podem ter 
efeitos indesejáveis, principalmente na agricultura, como 
ferrugem causada por Cryphonectria parasitia.

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