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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ-UECE 
CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS-CCT 
CURSO DE GEOGRAFIA LICENCIATURA 
GEOGRAFIA DO NORDESTE 
DOSCENTE: Prof.ª. DR. CAMILA DUTRA DOS SANTOS 
 
 
SUELLEN INGRID PEREIRA LIMA 
 
 
RESENHA TEXTUAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FORTALEZA-CEARÁ 
2022 
ROCHA, Aristotelina Pereira Barreto et al. Geografia do Nordeste. 2. ed. Natal: 
Editora da UFRN, 2011. Capítulo 7: A formação do espaço nordestino. In: 
ROCHA, Aristotelina Pereira Barreto (p. 7-35). Disponível em: 
< http://bibliotecadigital.sedis.ufrn.br/pdf/geografia/Geo_Nord_LIVRO_WEB.pdf 
Doutorado em Geografia através da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE 
(2013). Mestrado (2005), Bacharelado (2007) e Licenciatura (2001) em Geografia 
pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Docente efetiva da 
ESCOLA AGRÍCOLA DE JUNDIAÍ - UFRN. Desenvolve pesquisas no âmbito da 
Geografia, História, Arte e Cultura do Rio Grande do Norte, Economia Regional e do 
Ensino. Autora de livros didáticos para o ensino fundamental e médio. 
O Nordeste brasileiro representa a primeira zona de povoamento criada pelos 
conquistadores portugueses, que iniciaram a colonização a partir do litoral nordestino, 
que favorecia a ocupação em razão da presença de melhores condições naturais, 
como uma porção litorânea vastamente recortada, ideal para a navegação de 
cabotagem, e o relevo plano próximo ao mar. 
O cultivo da cana-de-açúcar, (que obteve seu auge entre o final do século XVI e 
meados do século XVII), baseado no sistema Colônia-Metrópole, estruturou o 
comércio e o desenvolvimento das cidades nordestinas, principalmente na faixa 
litorânea, atualmente conhecida como Zona da Mata. Portugal ampliou seu comércio 
açucareiro com os recursos investidos principalmente em Pernambuco, com base no 
trabalho indígena e capital estrangeiro (holandês). Para produzir de acordo com as 
necessidades da colônia, foram trazidos os negros africanos. Esse sistema consolidou 
a estrutura fundiária que ainda prevalece no Nordeste, marcada por forte 
concentração de terras e influência de oligarquias e famílias tradicionais nas decisões 
políticas e econômicas. 
A economia açucareira norteou outras atividades, como a criação de gado (carne, 
transporte, energia para os engenhos, sebo, lenha para as caldeiras), sendo que esta 
atividade acabou por se expandir para áreas do sertão, constituindo a base de sua 
economia. Ao final do século XVII, a produção de açúcar nas Antilhas aumentou a 
oferta do produto no mercado internacional, abaixando vertiginosamente seu preço. 
http://bibliotecadigital.sedis.ufrn.br/pdf/geografia/Geo_Nord_LIVRO_WEB.pdf
Com o declínio da produção açucareira, a pecuária absorveu grande parte da 
população. 
Durante quase três séculos (XVI até o XVIII) a região Nordeste concentrou a maior 
parte da população e grande parte das riquezas do Brasil. O sistema de acumulação 
baseado na cana-de-açúcar, ao contrário do café no Sudeste, ocorreu num momento 
em que a ocupação brasileira representava o enriquecimento da metrópole através da 
exploração da colônia. Ainda que se discuta que no estado de São Paulo as riquezas 
se concentraram com os Barões do Café e não proporcionaram um equilíbrio na 
distribuição de renda, tal acumulação ocorreu num outro contexto histórico, pós-
Revolução Industrial, sendo utilizada na modernização da infraestrutura e induzindo a 
formação de uma classe social capaz de investir em empreendimentos que se 
instalaram efetivamente no território brasileiro. 
Por outro lado, a pecuária extensiva foi responsável, ainda durante o século XVII, pelo 
início da interiorização da ocupação no Nordeste. Afastado da Zona da Mata para não 
comprometer a lavoura de cana, o rebanho bovino seguiu pelo Agreste – faixa 
transitória entre as áreas úmidas e as porções de clima seco – até alcançar o Sertão. 
A pecuária extensiva nordestina realizada no Agreste e no Sertão chegou a atrair até 
mesmo imigrantes paulistas para a região Nordeste. A figura do sertanejo, vaqueiro 
acostumado às condições extremas impostas pela seca existe até os dias atuais em 
diversas cidades nordestinas. 
A partir do século XIX, o Nordeste passou a assumir um papel de dispersor de 
população. Historicamente, a região possui alto índice de emigrações, em função da 
carência de infraestrutura e de projetos de desenvolvimento que incluam as camadas 
mais populares, situação agravada pelas secas sazonais e a grande concentração 
fundiária. 
Podemos concluir então, que esse processo de formação do espaço nordestino faz 
com que possamos refletir sobre as diferentes atividades econômicas que 
determinaram caminhos, lugares e a sociedade. Sendo assim, pode se analisar a 
estrutura produtiva dessas atividades econômicas e compreendeu, portanto, a 
dinâmica socioespacial gerada pela atividade açucareira no litoral leste; pela pecuária, 
pelo extrativismo e pelo algodão no interior e no litoral norte nordestino, bem como os 
espaços produzidos, suas peculiaridades e suas forças de gerarem novas formas, 
estruturas e lugares na região Nordeste.

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