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HEMOPARASITOSE Babesiose (doença do carrapato): · Doença endêmica no Brasil; · Carrapato hospedeiro definitivo; · Protozoário intraeritrocítico (Rhipicephalus sanguineus); · Cães domésticos e canídeos selvagens; · Tem capacidade de causar anemia (o animal pode ficar apático, anoréxico ou com febre); · Realiza a transmissão transovariana no carrapato diferente da Erliquia. Isso faz com que a babesia tenha maior prevalência que a Erliquia entre os vetores (carrapatos). Fisiopatogenia: · O protozoário no interior do eritrócito vai se multiplicar de forma assexuada. Ele vai realizar merogonia (secção parcial de um ovo antes de sua primeira divisão). Posteriormente isso vai dar origem a 2,4,6... até 32 ovos. · A partir do momento que um eritrócito está cheio de merozoítos pode acontecer 2 coisas diferentes: 1. Pode ocorrer uma lise (quebra) desse eritrócito intravascular (hemólise intravascular). 2. Esse eritrócito pode ser fagocitado por células de defesa (macrófagos), depois pode ser levado ao baço e lá ser destruído esse processo é uma hemólise extravascular. · Esse quadro de anemia pode ser progressivo, pois os merozoítos vão se multiplicar e parasitar novas células e nas células infectadas vai ocorrer o processo de merogonia novamente. · Devido a destruição dos eritrócitos é possível observar casos de hemoglobinemia, hemoglobinúria, quadros também de icterícia devido a lise de eritrócitos extravasculares. · São produzidos decorrentes desses focos infecciosos pirogênios endógenos que vai levar a um quadro de febre com o animal podendo chegar há 40ºC. · Devido ao baixo número de hemácias pode ocorrer uma oxigenação tecidual inadequada e isso pode levar há um quadro de hipoxia, como consequência da hipoxia pode ocorrer um choque podendo levar o animal ao óbito. · Essa anemia progressiva também pode levar a um quadro de acidose. Transmissão: · A babesia vai ser transmitida de uma fase para outra. Uma larva positiva vai dar origem a uma ninfa positiva e a um adulto positivo, esse processo é chamado de transmissão transestadial. Também pode ocorrer a transmissão intraestadial, é quando o carrapato tem o ciclo interrompido e sobe em um novo hospedeiro transmitindo a babesia. Alterações clínicas: · Se o número de parasitas for pequeno o animal vai apresentar sinais clínicos pouco evidentes. · Se o cão tiver contato com um grande número de carrapatos os sinais clínicos serão mais evidentes como: anorexia, febre (39-41ºC), anemia hemolítica, linfadenomegalia, trombocitopenia e esplenomegalia. Diagnóstico: · Anamnese completa · Exame parasitológico (esfregaço sanguíneo) · Técnicas sorológicas · Biologia molecular Tratamento: · Dipropionato de imidocarb e aceturato de diminazene HEPATOZOONOSE CANINA Agente etiológico: · Hepatozoon canis · Hepatozoon americanum (extremamente patogênico) · Parasitam leucócitos e tecidos de cães. Hospedeiro: · Definitivos ou invertebrados: Carrapatos · H. canis: Rhipicephalus sanguineus, Amblyomma ovale, Amblyomma cajenense e Rhipicephalus microplus. · H. americanum: Amblyomma maculatum. · Intermediário ou vertebrados: cão, gato, canídeos e felídeos selvagens. Transmissão: · Ingestão de carrapatos contendo oocistos esporulados na hemocele. · Transmissão vertical – transplacentária · Carnivorismo – ingestão dos estágios teciduais do parasita Características biológicas: Sinais clínicos: Hepatozoon canis · Inespecíficos · Assintomáticos a doença severa e potencialmente fatal · Febre · Anorexia · Fraqueza · Perda de peso · Palidez das mucosas · Corrimento ocular · Fraqueza dos membros posteriores Diagnóstico: Esfregaços sanguíneos · Presença de gamontes · Parasitemia do H. canis (1 a 5%-70%) é maior que a de H. americanum (menor que 0,1%). · Buffy coat aumenta a sensibilidade · Gamontes podem deixar as células após coleta de sangue. · O problema dessa técnica é que falta as vezes pessoas capacitadas para a realização da técnica e identificar o agente etiológico. Tratamento: H. canis · Dipropionato de imidocarb (5mg/kg IN, 2 aplicações a cada 14 dias) · Doxiciclina (1mg/kg SID por 14 dias) · Prednisolona (0,5 mg/kg BID por 3 dias) · Resultados inconsistentes. H. americanum · Suporte nutricional · AINEs (febre e dor) · TCP: Sulfadiarina+ Trimetoprim (15mg/kg BID), Clindamicina (10mg/kg TID), Pirimetamina (0,25 mg/kg SID) por 14 dias. · Decoquinato (agente anti-coccidiano) logo após remissão dos sinais clínicos por 2 anos – 1 colher de chá na ração, BID. · Faltou 1 dia? Sinais reapareceram 1 semana depois – recomeçar com TCP novamente. Cytauxzoon felis Agente etiológico: · Protozoário parasita de felinos domésticos e selvagens; · Gatos domésticos – doença clínica severa, com alta mortalidade; · Fase erotrocítica (piroplasma) e fase tecidual (esquizonte); · Filogeneticamente relacionado a Babesia sp. e Theileria sp. · Piroplasma – inócuo · Ezquizonte é responsável pelos sinais clínicos. · Macrófagos contendo esquizontes nos pulmões, baço e fígado · Muito difícil de ser detectado. Hospedeiros: Felinos domésticos · 1º relato nos EUA (Wagner, 1976) · Gatos domésticos (hospedeiros acidentais e terminais?): morte em 19 a 21 dpi; eritrioarasitemia + esquizontes em tecidos (nesse período que é possível identificar o agente etiológico) · Gatos com doença, eritroparasitemia e que sobreviveram (Meinkoth et al, 2000) · Gatos aparentemente infectados com C. felis (Joyner et at, 2007) Transmissão: · Dermacentor variabilis – transmissão experimental de bobcats para gatos domésticos · Amblyoma americanum – transmissão experimental entre gatos domésticos (Reichard et al, 2009) · Incidência sazonal – correlacionada com atividade de carrapato Sinais clínicos: · Curso agudo · Infecções experimentais – sinais após 5 a 14 dpi · Depressão · Desidratação · Anorexia · Relutância a movimentos e ao toque · Comportam-se como se estivessem com dor generalizada · Febre · Icterícia · Alguns gatos: vocalização anormal, ataxia e nistagmo · Estado terminal: moribundos, hipotérmicos e dispnéicos. Achados laboratoriais: Anemia · Desenvolve-se tardiamente, porém de forma acentuada · Sem evidência de regeneração, contagem de reticulócitos não aumentada, pouca policromasia · Anemia resulta da eritrofagocitose · Medula óssea não responsiva – tempo insuficiente para responder ou supressão da M.O em f(x) da doença inflamatória Leucopenia · Acentuada, com presença de neutrófilos tóxicos · Diferenciação com micoplasmose – leucocitose e anemia não regenerativas · Hiperbilirrubinemia e hipoalbuminemia – estágios tardios da doença. Diagnóstico: Esfregaço sanguíneo · Limitações biológicas: · Aparecimento dos sinais clínicos precede a eritroparasitemia · Quando aparece parasitas, esta é de baixa magnitude · Parasitemia aumenta com a progressão da doença – repetir esfregaço Técnicas · Diferenciação de precipitado de corante, corpúsculos Howell-Jolly Diagnóstico e tratamento: Importante – caso encontre algo parecido com as imagens realizar PCR para ter certeza qual parasita é, pois são muito parecidos. Mycoplasma Agente etiológico: · Corpúsculos arredondados, próximos a margem dos eritrócitos, corados de roxo (menores) ou violetas (maiores); · Formato discóide, de anéis, hastes, raquetes, vírgulas ou cocos; Transmissão: · Ainda pouco conhecida; · Experimentalmente; oral, IV, intraperitoneal; · Transfusão de sangue; · Transmissão de hemoplasmas entre espécies (caninos, felinos, roedores); · Transmissão vertical (mãe para filhotes). · Não se conhece ainda vetores. Patogênese: Destruição de hemácias · Dano direto a membrana do eritrócito · Pequenas injúrias – imbalaçoes osmóticos – entumescimento e hemólise · Auto-anticorpos: Acs produzidos contra antígenos erotrocitários ou modificadas devido a presença dos parasitas; · Imunomediada – Acs contra os parasitas atacados que acabam por se ligar aos Ags eritrocíticos · Hemólise extravascular (eritrofagocitose no baço) – mais importante que a intravascular. Achados laboratoriais · Anemia regenerativa macrocitica hipocrônica · Anisocitose, policromasia, reticulócitos, absolutosaumentados · Corpúsculos Howell-Jolly · Eritrócitos nucleados; · Alguns gatos: pouca regeneração – f(x) estágio inicial da anemia ou infecção retroviral concomitante; · Hiperproteinemia e hiperbilirrubinemia; · Aumento da atividade das enzimas hepáticas – f(x) dano hipóxico; · Teste de Coomb’s e aglutinação em salina positivo. Sinais clínicos: Infecções agudas Mycoplasma haemofelis · Anemia hemolítica aguda, às vezes fatal; · Palidez, letargia, fraqueza, taquipneia, linfa e esplenomegalia; · Febre (. Em pico de parasitemia) · Ocasionalmente icterícia · Pico de parasitemia e mínimo HT 2 s.p.i; · Parasitemia flutua rapidamente Mycoplasma haemocanis · Parasitemia em muitos eritrócitos; · Anemia se desenvolve rapidamente (> em animais imunocomprometidos, esplenectomizados ou com doenças concomitantes – erliquiose, babesiose, septicemia) · Anorexia, letargia, perda de peso, febre; · HT (hematócrito) < 11% · Geralmente: cão se recupera de fase aguda e se mantém cronicamente infectado · As vezes morte. Infecções crônicas em felinos · Carreadores crônicos por meses a anos mesmo após antibioticoterapia; · Fonte de infecção para outros gatos; · Reativação da enfermidade raramente ocorre; · Estado de carreador é mais comum com Candidatus M. haemominutum que para M. Haemofelis; · Candidatus M. turicensis – eliminação completa da infecção