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Farmacotécnica I e Operações Unitárias Professora: Juliana Cajé 2 Referências bibliográficas 1. Ansel, H.C; Popovich, N.G.; Allen, J.R. Formas farmacêuticas e sistemas de liberação de fármacos, 6º edição, 2003, Editora Artmed. 2. Aulton, M.E. Delineamento de formas farmacêuticas, 2° edição, 2005, Editora Artmed. 3. Ferreira, A.O., Guia prático da Farmácia Magistral, volume 1, 4° edição, 2010, Editora Pharmabooks. 3 Referências bibliográficas 4. Ferreira, A.O., Brandão, M., Guia prático da Farmácia Magistral, volume 2, 4° edição, 2010, Editora Pharmabooks. 5. Storpirtis, S., Gonçalves, J.E., Chiann, C., Gai, M.N., Farmácia clínica e atenção farmacêutica, 2009, Editora Guanabara Koogan. Datas Importantes Avaliações previstas em calendário • V1 – 04/04 • V2 – 30/05 • VS – 20/06 • R1 – 02/05 • 2ª Chamada – 11/06 (V1) e 18/06 (V2) VT • Datas: 10 e 17/05 • Duas atividades avaliativas: uma individual e outra em grupo 4 5 Farmacotécnica • Setor das ciências farmacológicas que trata das operações e das formas farmacêuticas • Transforma substâncias medicamentosas em formas farmacêuticas (produto acabado) 6 Introdução • Droga: substância ou matéria-prima que tenha a finalidade medicamentosa ou sanitária • Medicamento: produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico Para assegurar a estabilidade e eficácia do medicamento os princípios de química, física, microbiologia e tecnologia farmacêutica devem ser aplicados. 7 Introdução • Atribuições do farmacêutico: - Aquisição, armazenamento, controle e distribuição de medicamentos - Manipulação - Atendimento das prescrições - Aconselhar sobre o uso correto 8 Introdução • Responsabilidades do paciente: - Administração na forma correta - Uso de quantidade adequada - Respeitar os intervalos de horário - Uso pelo período prescrito 9 Introdução O farmacêutico magistral Solucionador de problemas terapêuticos através do preparo de medicamentos diferenciados 10 Introdução • Maiores desafios da farmácia magistral : -Aquisição de um conhecimento técnico aprofundado - Adaptação de tecnologias já existentes ao preparo unitário de medicamentos O número de farmácias magistrais no Brasil pulou de 2100 em 1998 para 5800 em 2013 Em 2005 foi lançada a USP Pharmacists Pharmacopeia dirigida especificamente à manipulação A conquista da credibilidade é fundamental para a estabilidade e a consolidação da farmácia magistral 11 Introdução • O crescimento da farmácia magistral gera : - Consumidores mais exigentes - Competição - Disputa entre as farmácias e grandes laboratórios - Busca da excelência em serviços - Gestão da qualidade - Treinamento contínuo - Emprego de novas tecnologias - Política adequada de formação de preços 12 Histórico • As terapias com o uso de vegetais e minerais existem a tanto tempo quanto os seres humanos; • O uso de terapias começou antes dos registros históricos, graças ao instinto do homem primitivo de aliviar a dor; • Entre vários povos, acreditava-se que as doenças fossem causadas por demônios; • Os principais métodos para remoção dos espíritos consistiam na administração de ervas e plantas. 13 Histórico • Papiro de Ebers, de 18 metros e datado do décimo sexto século a. C. – documento que comprova que os Egípcios usavam algumas substâncias e formas farmacêuticas usadas até hoje • ≈ 800 formulações e mais de 700 substâncias • São citados : acácia, mamona, carbonato de sódio, enxofre, mel, cerveja, vinho e leite 14 Histórico • Dentre os indivíduos que revolucionaram o desenvolvimento da farmácia estão : - Hipócrites, médico grego que colocou a medicina num plano ético elevado. Seu trabalho inclui a descrição de centenas de medicamentos - Dioscórides, médico e botânico grego foi o primeiro a lidar com a botânica como ciência aplicada à farmácia 15 Histórico - Galeno, médico e farmacêutico, ele obteve tantas preparações de drogas vegetais pela mistura ou fusão dos componentes individuais que esta área foi designada “Farmácia Galênica “ - Paracelso, transformou a farmácia que tinha a botânica como base, em uma profissão que tem a química como base. Acreditou que era possível preparar medicamentos para combater doenças específicas 16 Histórico • A farmácia foi separada da medicina em 1240 d. C. • Imperador Frederico II regulamenta a prática da farmácia • Farmacêuticos são então obrigados a prestar juramento 17 Histórico • A partir da regulamentação da prática farmacêutica e da evolução das ciências básicas, foi iniciada a investigação de agentes medicinais com base científica • Dentre as descobertas mais importantes estão: ácidos lático, cítrico, tartárico e arsênico, identificação da glicerina, isolamento da morfina, quinina , estrequinina e cafeína 18 Histórico • A Europa durante os séculos XVII , XVIII e XIX se destacou como potência na prática farmacêutica; • Após a revolução, com a dificuldade de importação de fármacos, americanos são obrigados a adquirir experiência tecnológica e científica; • Em 1821, a Faculdade de Farmácia da Filadélfia foi a primeira escola de farmácia da nação. 19 No Brasil... • Físicos, unguentários e mascates: eram profissionais que comercializavam preparações com fins curativos . Sua atividade era, em geral, ambulante. • Eles traziam consigo as “caixas de botica”, uma arca de madeira que continha certa quantidade de drogas. • Anos depois, foram chamados de boticas, os estabelecimentos comerciais que vendiam produtos para cura em geral 20 Histórico • Até princípios do Império, os barbeiros concorreram com as boticas no comércio de drogas • Nos tempos coloniais existiram poucas boticas. Os jesuítas e os hospitais militares tinham as únicas com que a população podia contar • Os boticários eram oriundos geralmente de famílias humildes e obtinham seus conhecimentos nas boticas tornando-se ajudantes e aprendizes • Em fins do século XVII, algumas boticas já tomavam a aparência das boticas do reino; • Em um cômodo ficavam as drogas expostas a venda e em outro ficava o laboratório; 21 Histórico • Em 1810 acontece a regulamentação do exercício da farmácia • As boticas eram inspecionadas e recebiam certidões conforme a exatidão dos pesos, asseio e qualidade dos produtos • Em 1832 há a criação dos primeiros cursos de farmácia, vinculados a faculdade de medicina, em Salvador e no Rio de Janeiro • O primeiro curso autônomo de farmácia é fundado em Ouro Preto em 1839 22 Histórico • Em 1851 é criado um decreto imperial que cria a Junta de Saúde Pública e a exigência de diploma para dirigir a farmácia • 1926: publicação da primeira Farmacopeia Brasileira 23 Histórico • As farmacopeias foram criadas devido ao grande avanço dos fármacos, para haver obtenção de padrões uniformes • As farmacopeias são obras que reúnem monografias contendo especificações para serem usadas na produção de fármacos e medicamentos 24 Histórico • Em 1973 é decretada a lei 5.991 que estabelece normas para funcionamento de farmácias e drogarias; - Farmácias: estabelecimento de manipulação de fórmulas magistrais e oficinais, de comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, de dispensação e atendimento privativo. 25 Histórico - Drogaria: estabelecimento de dispensação e comércio de drogas, medicamentos e correlatos em suas embalagens originais. - Distribuidora: empresa atacadista de drogas, produtos e insumos farmacêuticos que comercializam e distribuem produtos a farmácias e drogarias e são obrigadas a ter farmacêutico por ser atividade de relevância para a saúde e proteção do consumidor 26 As leis • RDC 33/2000 – Dispõe sobre as boas práticas de manipulação; • Decreto nº 79.094, de 05 de janeiro de 1977 - Documento emitido pela autoridade sanitária federal declarando que o estabelecimento licenciado cumpre com os requisitos deboas práticas de fabricação e controle; • RDC 67/2007 Medicamento de referência • Produto inovador registrado no órgão federal Brasileiro, responsável pela vigilância sanitária e comercializado no país, cuja eficácia, segurança e qualidade foram comprovados, cientificamente, no órgão federal competente, por ocasião do registro. Farmacopéia Brasileira 5ª edição Medicamento genérico • Medicamento semelhante a um produto de referência, que pretende ser com esse intercambiável, geralmente produzido após a expiração ou renúncia da proteção patentária ou de outros direitos de exclusividade, comprovada a sua eficácia, segurança e qualidade, e designado pela DCB ou, na sua ausência, pela DCI. Farmacopéia Brasileira 5ª edição Lei 9787/99 DCB = Denominação comum Brasileira DCI = Denominação comum Internacional Medicamento Similar • É aquele que contém o mesmo ou os mesmos princípios ativos, apresenta a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica, e que é equivalente ao medicamento registrado no órgão federal, responsável pela vigilância sanitária, podendo diferir somente em características relativas ao tamanho e forma do produto, prazo de validade, embalagem, rotulagem, excipientes e veículo, devendo sempre ser identificado por nome comercial ou marca. Farmacopéia Brasileira 5ª edição Referência Genérico Similar Intercambialidade Bioequivalência Demonstração de equivalência entre produtos farmacêuticos apresentados sob a mesma forma farmacêutica, contendo composição qualitativa e quantitativa de princípios ativos idêntica, e que tenham biodisponibilidade comparável quando estudados sob um mesmo desenho experimental. Farmácia Magistral Manipulação: conjunto de operações farmacotécnicas, com a finalidade de elaborar preparações magistrais e oficinais e fracionar especialidades farmacêuticas Farmácia Magistral Substância proscrita: substância cujo uso está proibido no Brasil Livro de receituário geral: Livro destinado ao registro de todas as preparações magistrais manipuladas em farmácias Farmácia Magistral Notificação de receita: Documento padronizado destinado à notificação da prescrição de medicamentos: a) entorpecentes – cor amarela b) psicotrópicos – cor azul c) retinóides de uso sistêmico e imunossupressores – cor branca Aditivação: adição de um ou mais produtos acabados ou substâncias a um outro produto manipulado ou industrializado para atender uma prescrição Farmácia Magistral Base galênica: preparação composta de uma ou mais matérias primas, com fórmula definida, destinada a ser utilizada como veículo/ excipiente Veículo/Excipiente: substância ou composto inerte utilizado na diluição ou transporte do princípio ativo Farmácia Magistral Boas práticas de manipulação em farmácias: medidas que asseguram que os produtos manipulados sejam consistentemente manipulados e controlados com qualidade apropriada Procedimento Operacional Padrão: descrição pormenorizada de técnicas e operações a serem utilizadas na farmácia Farmácia Magistral Quarentena: retenção temporária de insumos, preparações básicas ou manipuladas, isolados fisicamente enquanto esperam liberação ou rejeição Contaminação cruzada: contaminação de determinada matéria-prima ou produto acabado com uma outra matéria prima ou produto, durante o processo de manipulação Medicamento magistral • Todo medicamento cuja prescrição pormenoriza a composição, a forma farmacêutica e a posologia. • É preparado na farmácia, por um profissional farmacêutico habilitado ou sob sua supervisão direta. Farmacopéia Brasileira 5ª edição Abreviaturas empregadas na prática farmacêutica Abreviaturas Termo em grego ou latim Significado ãa, ãã Aná (grego) Partes iguais, repetição. Usada nas fórmulas para designar que as substâncias receitadas em uma só fórmula são prescritas em doses iguais. q.s. Quantum sufficit ou quantum satis (latim) Quantidade suficiente. No Brasil, também se usa q.s.p. (quantidade suficiente para) no fechamento da quantidade final de uma formulação. f.s.a. Fiat secundum artem (latim) Faça segundo a arte. Medicamento magistral • Preparação magistral: aquela preparada na farmácia, a partir de uma prescrição, destinada a um paciente individualizado e que estabeleça em detalhes sua composição, forma farmacêutica, posologia e modo de usar Preparação oficinal: aquela preparada na farmácia, cuja fórmula esteja inscrita no Formulário Nacional ou em Formulários Internacionais reconhecidos pela ANVISA Medicamento oficinal • Farmacopéia Alemã • Farmacopéia Americana • Farmacopéia Argentina • Farmacopéia Britânica • Farmacopéia Européia • Farmacopéia Francesa • Farmacopéia Internacional (OMS) • Farmacopéia Japonesa • Farmacopéia Mexicana • Farmacopéia Portuguesa RDC N° 37/09 Medicamento fitoterápico • Medicamento obtido empregando-se exclusivamente matérias- primas ativas vegetais. É caracterizado pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu uso, assim como pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade. Sua eficácia e segurança são validadas por meio de levantamentos etnofarmacológicos, de utilização, documentações tecnocientíficas ou evidências clínicas. Farmacopeia Brasileira 5ª edição Forma farmacêutica • É o estado final de apresentação dos princípios ativos farmacêuticos após uma ou mais operações farmacêuticas executadas com a adição ou não de excipientes apropriados a fim de facilitar a sua utilização e obter o efeito terapêutico desejado, com características apropriadas a uma determinada via de administração. Farmacopeia Brasileira 5ª edição Forma farmacêutica Líquida Semissólida Sólida Solução Creme Pó Suspensão Pomada Grânulo Tintura Gel Comprimido Elixir Pastas Drágea Loção Cápsula Classificação em relação à forma física Classificação em relação à forma de emprego: Uso interno Uso externo Classificação intuitiva: Simples Compostos • “OTC – over the counter” • Tarja preta Exigem retenção de receita • Tarja vermelha “proibida a venda sem prescrição médica” Manipulação x Industrialização Medicamento Industrializado Medicamento Manipulado Formulação padronizada Formulação personalizada Paciente é adequado ao produto Produto é adequado à necessidade do paciente Comercialização em larga escala Prescrição de diferentes formas farmacêuticas Benefícios do medicamento manipulado 1) Versatilidade posológica 2) Viabilização de associações de fármacos 3) Escolha da forma farmacêutica e dos excipientes 4) Resgate de medicamentos descontinuados 5) Manipulação de medicamentos órfãos Benefícios do medicamento manipulado 6) Viabilização do segundo uso de um fármaco (off – label use) Fármaco Indicação Tradicional Segundo Uso Bacofleno Relaxante muscular Alcoolismo Azitromicina Antibiótico Fadiga crônica Albendazol Anti-helmíntico Pediculose Claritromicina Antibiótico Cálculo biliar Benefícios do medicamento manipulado 7) Economia 8) Personalização terapêutica 9) Obstáculo à automedicação 10) União multiprofissional Receita • Prescrição escrita de medicamento, contendo orientação de uso para o paciente, efetuada por profissional legalmente habilitado, quer seja de formulação magistral ou de produto industrializado. RDC N° 344/98 Art. 35 - Somente será aviada a receita: a) que estiver escrita em vernáculo, por extenso e de modo legível, observados a nomenclatura e o sistema de pesos e medidas oficiais b) que contiver o nome e o endereço residencial do paciente e, expressamente, o modo de usar a medicação c) que contiver a data e a assinatura do profissional, endereço do consultório ou da residência, e o número de inscrição no respectivo Conselho profissional Parágrafo único. O receituário de medicamentos entorpecentes ou a estes equiparados e os demais sob regime de controle, de acordo com a sua classificação, obedecerá às disposiçõesda legislação federal específica Receituário Lei No 5.991, de 17 de dezembro de 1973 Art. 36 - A receita de medicamentos magistrais e oficinais, preparados na farmácia, deverá ser registrada em livro de receituário § 1o É vedada a captação de receitas contendo prescrições magistrais e oficinais em drogarias, ervanárias e postos de medicamentos, ainda que em filiais da mesma empresa, bem como a intermediação entre empresas § 2o É vedada às farmácias que possuem filiais a centralização total da manipulação em apenas 1 (um) dos estabelecimentos Art. 37 - A farmácia, a drogaria e o dispensário de medicamentos terão livro, segundo modelo oficial, destinado ao registro do receituário de medicamentos sob regime de controle sanitário especial Parágrafo único. O controle do estoque dos produtos de que trata o presente artigo será feito mediante registro especial, respeitada a legislação específica para os entorpecentes e os a estes equiparados, e as normas baixadas pelo Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina e Farmácia. Receituário Art. 38 - A farmácia e a drogaria disporão de rótulos impressos para uso nas embalagens dos produtos aviados, deles constando o nome e endereço do estabelecimento, o número da licença sanitária, o nome do responsável técnico e o número do seu registro no Conselho Regional de Farmácia Parágrafo único. Além dos rótulos a que se refere o presente artigo, a farmácia terá impressos com os dizeres: "Uso Externo", "Uso Interno", "Agite quando Usar", "Uso Veterinário" e "Veneno” Art. 39 - Os dizeres da receita serão transcritos integralmente no rótulo aposto ao continente o invólucro do medicamento aviado, com a data de sua manipulação, número de ordem do registro de receituário, nome do paciente e do profissional que a prescreveu Parágrafo único. O responsável técnico pelo estabelecimento rubricará os rótulos das fórmulas aviadas e bem assim a receita correspondente para devolução ao cliente ou arquivo, quando for o caso Receituário Art. 41 - Quando a dosagem do medicamento prescrito ultrapassar os limites farmacológicos ou a prescrição apresentar incompatibilidades, o responsável técnico pelo estabelecimento solicitará confirmação expressa ao profissional que a prescreveu Art. 42 - Na ausência do responsável técnico pela farmácia ou de seu substituto, será vedado o aviamento de fórmula que dependa de manipulação na qual figure substância sob regime de controle sanitário especial Art. 43 - O registro do receituário e dos medicamentos sob regime de controle sanitário especial não poderá conter rasuras, emendas ou irregularidades que possam prejudicar a verificação da sua autenticidade. Receituário juliana.caje@sg.universo.edu.br