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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO Escola de Minas - Departamento de Arquitetura e Urbanismo Curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo BÁRBARA RIOGA NICOLAU ARQUITETURA BIOFÍLICA E SAÚDE MENTAL: A HIPÓTESE DA BIOFILIA APLICADA NO AMBIENTE RESIDENCIAL ESTUDANTIL COLETIVO Ouro Preto, MG 2021 Bárbara Rioga Nicolau ARQUITETURA BIOFÍLICA E SAÚDE MENTAL: A HIPÓTESE DA BIOFILIA APLICADA NO AMBIENTE RESIDENCIAL ESTUDANTIL COLETIVO Trabalho Final de Graduação apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito final para a obtenção do grau de bacharela em Arquitetura e Urbanismo. Orientador: Profº Doutor Clécio Magalhães do Vale. Ouro Preto, MG 2021 Nicolau, Barbara Rioga . NicArquitetura Biofílica e Saúde Mental [manuscrito]: A hipótese da Biofilia aplicada no ambiente residencial estudantil coletivo. / Barbara Rioga Nicolau. - 2021. Nic96 f.: il.: color., tab., mapa. NicOrientador: Prof. Dr. Clecio Magalhães do Vale. NicMonografia (Bacharelado). Universidade Federal de Ouro Preto. Escola de Minas. Graduação em Arquitetura e Urbanismo . Nic1. Estudantes - Habitações. 2. Arquitetura - Biofilia. 3. Projeto arquitetônico. I. Vale, Clecio Magalhães do. II. Universidade Federal de Ouro Preto. III. Título. Bibliotecário(a) Responsável: Maristela Sanches Lima Mesquita - CRB-1716 SISBIN - SISTEMA DE BIBLIOTECAS E INFORMAÇÃO N639a CDU 72:711.4 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO Universidade Federal de Ouro Preto Escola de Minas Departamento de Arquitetura e Urbanismo Campus Universitário – CEP: 35400-000 – Ouro Preto – MG Home page: http://www.em.ufop.br – E-mail: dearq@em.ufop.br – Fones: (0xx)31 3559-1484 ATA DE DEFESA DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Em 13 de julho de 2021, reuniu-se a banca examinadora do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Minas da UFOP, intitulado: Arquitetura biofílica e saúde mental: a hipótese da biofilia aplicada no ambiente residencial estudantil coletivo da aluna Bárbara Rioga Nicolau. Compuseram a banca os professores(as) Clécio Magalhães do Vale (Orientador), Alice Viana de Araújo (Avaliadora 1 / UFOP) e Ana Cristina Reis Faria (Avaliador 2 / UFSJ ). Após a exposição oral, a candidata foi arguida pelos componentes da banca. Em seguida, em reunião reservada, os avaliadores decidiram pela APROVAÇÃO, com a nota 09 (NOVE). _________________________________________ Orientador ________________________________________ Avaliador 1 Avaliador 2 http://www.em.ufop.br/ mailto:dearq@em.ufop.br AGRADECIMENTOS Agradeço primeiro à Deus, pois sem ele nada seria possível. Aos meus pais e minha irmã, pelo amor e apoio incondicional durante toda a graduação e, principalmente durante o desenvolvimento deste estudo. Sem vocês eu não chegaria até aqui. Ao meu orientador, Clécio, por ter aceitado continuar nessa jornada comigo. Obrigada pela confiança e por todos os ensinamentos e paciência, este trabalho só foi possível graças ao seu apoio e valiosas contribuições. À Lanna, pela colaboração e empenho inicial. Também à todos os professores que compartilharam o seu conhecimento e experiências, participando de toda a minha trajetória na arquitetura. Em especial a Alice, pela inspiração e auxílio. Aos meus amigos, em especial Ana Paula, por sempre acreditar em mim, em todos os momentos me apoiado, aconselhando e me acalmado em todos os momentos. Nossa amizade também moveu este projeto. Ao Igor e a todos os amigos que me ajudaram de forma direta ou indiretamente, andando só eu jamais conseguiria. RESUMO O presente trabalho trata de proposta de projeto arquitetônico de uma moradia universitária próximo à UFMG, em Belo Horizonte, Minas Gerais, baseada nos princípios da arquitetura biofílica. O projeto desenvolve-se com o intuito de investigar o rebatimento destes princípios sobre a qualidade de vida e saúde mental dos estudantes universitários - Moradia Estudantil UFMG - enquanto residentes da moradia. O projeto se embasa nos benefícios, princípios e estratégias da arquitetura biofílica, de forma que o produto final atenda às diretrizes propostas. Os estudos iniciam coma a fundamentação teórica a respeito da arquitetura biofílica e aborda o estudo de habitações estudantis. Os resultados projetuais alcançados expressam, de maneira clara, uma série de recursos empregados, úteis ao desenvolvimento de projetos arquitetos baseados nestas premissas. Palavras-chave: Moradia estudantil, biofilia, projeto arquitetônico. ABSTRACT The present project treats about an architectural project proposal for a student housing near UFMG, in Belo Horizonte, Minas Gerais, based on the principles of biophilic architecture. The project is developed in order to investigate the impact of these principles on the quality of life and mental health of university students - Student Housing UFMG - as residents of the housing. The project is based on the benefits, principles and strategies of biophilic architecture, so that the final product meets the proposed guidelines. The studies begin with the theoretical foundation regarding the biophilic architecture and address the study of student housing. The project results achieved clearly express a series of resources used, useful for the development of architectural projects based on these premises. Keywords: Student housing, biophilia, architectural project LISTA DE FIGURAS Figura 1: Linha do tempo principais estudos acerca da Biofilia – Acervo pessoal, 2020 ........................................................................................................................................ 15 Figura 2: Uso repetido de elementos naturais. Fonte: Beatriz Rodas – Rara Gente, 2018 ........................................................................................................................................ 16 Figura 3: Sala de jantar integrada com adaptação de elementos naturais ao conforto do usuário. Fonte: Líder Interiores, 2020. ........................................................................... 17 Figura 4: Horta comunitária em condomínio. Fonte: Luis Gomes – Casa.com ............. 17 Figura 5: Homem em contato com a natureza. Fonte: FreePik ...................................... 18 Figura 6: Utilização de madeira como elemento estrutural. Fonte: Nelson Kon - AECweb ........................................................................................................................................ 18 Figura 7: Síntese estratégias com a natureza. Fonte: Kellert & Calabrese. Adaptado pela autora .............................................................................................................................. 19 Figura 8: Lobbie hotel.Fonte: Catie Ryan - Terrapin Bright Green ............................... 26 Figura 9: Feng Shui em residência. Fonte: Forum da Construção, 2015 ....................... 27 Figura 10: Green School, em Bali- Indonésia, o prédio construído com estrutura em bambú. Fonte: Arquitetura e Construção, 2016 .............................................................. 27 Figura 11: Edifício sustentável Moster Lofts. Fonte: SustentArqui, 2015 ..................... 28 Figura 12: Projeto de Safdie Architects - Hospital Albert Einstein (SP). Fonte: Projeto Batente, 2020 .................................................................................................................. 33 Figura 13: Contraste de cores de mobiliário e materiais em alojamento estudantil em Tocantins.Fonte: Madeira e Construção (2018) ............................................................ 37 Figura 14: Uso de madeira em alojamento estudantil em Tocantins. Fonte: Madeira e Construção (2018) .......................................................................................................... 38 Figura 15: Corredor do alojamento estudantil em Bjolsen, Noruega. Fonte: Thomsem (2007) ............................................................................................................................. 38 Figura 16: Moradia Universitária I. Fonte: Barbosa (2020) ........................................... 40 Figura 17: Moradia Universitária I, pátio. Fonte: Barbosa (2020) ................................. 40 Figura 18: Moradia Universitária I, oficina na horta. Fonte: Barbosa (2020) ................ 41 Figura 19: Moradia Universitária I, horta comunitária. Fonte: Barbosa (2020)............. 41 Figura 20: Moradia Universitária II. Fonte: Google Maps – Street View (2021) .......... 42 Figura 21: Moradia Universitária II, pátio. Fonte: Valéria (2021) ................................. 42 Figura 22: Moradia Universitária III. Fonte: Google Maps – Street View(2021) .......... 43 Figura 23: Moradia Universitária III, pátio. Fonte: Barbosa (2020) .............................. 43 Figura 24: Ostra Hospital, 2017. Fonte: Hans Wretling - White Architects .................. 44 Figura 25: Planta baixa esquemática Ostra Hospital com detalhe, 2017. Fonte: Hans Wretling - White Architects (adaptada pela autora) ....................................................... 45 Figura 26: Janelas para iluminação e ventilação. Lateral Ostra Hospital, 2017. Fonte: Hans Wretling - White Architects .................................................................................. 46 Figura 27: Pátio interno Ostra Hospital, 2017. Fonte: Hans Wretling - White Architects ........................................................................................................................................ 47 Figura 28: Pátio Kickstarter, 2016. Fonte: Ole Sondresen Architect ............................. 47 Figura 29: Planta baixa esquemática Kickstarter, 2016. Fonte: Ole Sondresen Architect (adaptada pela autora) ..................................................................................................... 48 Figura 30: Corte esquemático edifício Kickstarter, 2016. Fonte: Ole Sondresen (adaptada pela autora) ..................................................................................................................... 48 Figura 31: Pátio interno Kickstarter, 2016. Fonte: Ole Sondresen Architect ................. 49 Figura 32: Sala de Reuniões Kickstarter, 2016. Fonte: Ole Sondresen Architect .......... 50 Figura 33: Fachada lateral Moradias Infantis, 2018. Fonte: ArchDaily ......................... 51 Figura 34: Vista do pátio. Moradias Infantis, 2020. Fonte: ArchDaily .......................... 52 Figura 35: Vista do pátio através do corredor. Moradias Infantis, 2020. Fonte: ArchDaily ........................................................................................................................................ 52 Figura 36: Vista aérea Olympia Place, 2017. Fonte: ArchDaily .................................... 53 Figura 37: :Espaços de convivência Olympia Place, 2017. Fonte: ArchDaily............... 53 Figura 38: Vista dos espaços de convivência Olympia Place, 2017. Fonte: ArchDaily 54 Figura 39: Mapa de inserção do terreno. País – estado – cidade – região. Fonte: Acervo Pessoal, 2021. ................................................................................................................. 56 Figura 40: Mapa de localização. Fonte: Google maps, 2021. ........................................ 56 Figura 41: Mapa de usos dos lotes no entorno. Fonte: BH Map, 2021 (adaptado pela autora) ............................................................................................................................. 57 Figura 42: Mapa de localização de Moradias UFMG. Fonte: BH Map, 2021 (adaptado pela autora) ..................................................................................................................... 57 Figura 43: Rota de ônibus Av Fleming à UFMG. Fonte: Moovit, 2021 ........................ 58 Figura 44: Rotas de carro Av Fleming à UFMG. Fonte: Google Maps, 2021 ............... 59 Figura 45: Rotas de carro Av Fleming à UFMG. Fonte: Google Maps, 2021 ............... 59 Figura 46: Acesso à Lagoa da Pampulha. Fonte: Google Maps, 2021 ........................... 60 Figura 47: : Acesso ao Mineirão. Fonte: Google Maps, 2021 ........................................ 60 Figura 48: Áreas naturais. Fonte: BH Map, 2021 (Adaptado pela autora) ..................... 61 Figura 49: Acesso ao Parque Ecológico. Fonte: Google Maps, 2021 ............................ 61 Figura 50: Terreno de estudo destacado em roxo. Fonte: Google Maps, 2021 (Adaptado pela autora) ..................................................................................................................... 62 Figura 51: Terreno de estudo destacado em roxo e indicação de vistas. Fonte: Google Maps, 2021 (Adaptado pela autora) ............................................................................... 62 Figura 52: Vista 1. Testada do terreno pela Avenida Fleming. Fonte: Google Maps-Street View, 2021 ..................................................................................................................... 63 Figura 53: Vista 2. Testada do terreno pela Avenida Fleming. Fonte: Google Maps-Street View, 2021 ..................................................................................................................... 63 Figura 54: Vista 1. Testada do terreno pela rua Belterra. Fonte: Google Maps-Street View, 2021 ................................................................................................................................ 64 Figura 55: Vista 2. Testada do terreno pela rua Belterra. Fonte: Google Maps-Street View, 2021 ................................................................................................................................ 64 Figura 56: Levantamento planialtimétrico do terreno. Fonte: PBH (Adaptado pela autora) ........................................................................................................................................ 65 Figura 57: Topografia natural. Fonte: Acervo Pessoal ................................................... 65 Figura 58 Topografia modificada. Fonte: Acervo Pessoal ............................................. 65 Figura 59: Diagrama de Insolação e Ventilação. Fonte: Acervo Pessoal. ...................... 66 Figura 60: Diagrama de evolução da forma. Fonte: Acervo Pessoal. ............................ 67 Figura 61: Diagrama de evolução da forma. Fonte: Acervo Pessoal. ............................ 67 Figura 62: Diagrama princípios da Arquitetura Biofílica. Fonte: Autoria própria ......... 69 Figura 63: Estratégias projetuais da Arquitetura Biofílica. Fonte: KELLERT; CALABRESE, 2015. (adaptado pela autora) ................................................................. 69 Figura 64: Birdview proposta. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 ......................................... 70 Figura 65: Perspectiva acesso pela avenida Fleming. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 ..... 70 Figura 66: Uso de materiais naturais e integração com a natureza na proposta. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 ..................................................................................................... 71 Figura 67: Jardim comunitário. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 ....................................... 71 Figura 68: Benefícios da vegetação. Fonte: SUSTENTARQUI, 2018. ......................... 72 Figura 69: Diagrama de coleta de água e Painel solar. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 .... 73Figura 70: Diagrama de setorização térreo. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 ..................... 74 Figura 71: Diagrama de setorização 2º pavimento. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 ......... 74 Figura 72: Diagrama de setorização 3º pavimento. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 ......... 75 Figura 73: Legenda diagrama de setorização. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 ................. 75 Figura 74: Tipologia completa. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 ....................................... 75 Figura 75: Possibilidade 2 de layout. Fonte: Acervo Pessoal, 2021............................... 76 Figura 76: Possibilidade 3 de layout. Fonte: Acervo Pessoal, 2021............................... 76 Figura 77: Perspectiva Área de uso misto (refeições, estar, estudos). Fonte: Acervo pessoal, 2021 .................................................................................................................. 77 Figura 78: Diagrama de estrutura. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 ................................... 77 Figura 79: Esquema de peças drywall. Fonte: Next Group, 2016 .................................. 78 Figura 80: Perspectiva do projeto que evidencia a vedação em tijolo aparente. Fonte: Acervo pessoal, 2021 ...................................................................................................... 78 LISTA DE TABELAS Tabela 1: % da População vivendo em Áreas Urbanas - HUMAN SPACES: The Global Impact of Biophilic Design in the Workplace. Mar, 2015. P.9 ...................................... 30 Tabela 2: : Quadro comparativo obras análogas e moradias. Fonte: Acervo Pessoal. ... 55 Tabela 3: Quadro Urbanístico do terreno escolhido. Fonte: Acervo Pessoal. ................ 66 Tabela 4: Programa projetual proposto. Fonte: Autoria própria. ................................... 68 Sumário 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 10 1.1 Justificativa.............................................................................................................. 12 1.2.1 Objetivo geral .................................................................................................. 12 1.2.2 Objetivos específicos ....................................................................................... 13 1.3 Metodologia de pesquisa ......................................................................................... 13 2 ARQUITETURA BIOFÍLICA ................................................................................ 14 2.2 Princípios e estratégias da arquitetura biofílica....................................................... 16 2.2 Neuroarquitetura e Arquitetura Biofílica .................................................................. 23 2.3 Biofilia na Arquitetura ............................................................................................ 24 2.4 Arquitetura Biofílica e outras vertentes .................................................................. 28 2.5 Arquitetura Biofílica e saúde mental ....................................................................... 29 2.6 Saúde mental e pandemia ........................................................................................ 34 3 HABITAÇÃO COLETIVA ESTUDANTIL .......................................................... 35 3.1 Moradias UFMG ...................................................................................................... 39 4 PROPOSTA DE ANTEPROJETO ......................................................................... 44 4.1 Obras Análogas ........................................................................................................ 44 4.1.1 Östra Hospital (Gotemburgo, Suécia) ................................................................... 44 4.1.3 Moradias Infantis (Tocantis, Brasil) ..................................................................... 50 4.1.4 Moradia Estudantil Olympia Place (Amherst, EUA) ........................................... 53 4.1.6 Quadro Síntese Obras Análogas ........................................................................... 54 4.2 Objeto de estudo ...................................................................................................... 55 4.2.1 O contexto urbano ................................................................................................ 56 4.2.2 Transporte e mobilidade ....................................................................................... 58 4.2.3 Parques e áreas naturais ........................................................................................ 59 4.2.4 O terreno ............................................................................................................... 62 4.2.5 A implantação ....................................................................................................... 67 4.2.6 O programa ........................................................................................................... 68 4.2.7 Os princípios e estratégias .................................................................................... 69 4.2.8 Morfologia e espacialidade ................................................................................... 73 4.2.9 Estrutura ................................................................................................................ 77 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 79 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ...................................................................... 80 7 ANEXOS 10 1 INTRODUÇÃO A discussão acerca da biofilia na arquitetura tem se tornado cada vez mais frequente na última década, com foco direcionado principalmente no ambiente corporativo e hospitalar. Porém, após revisão bibliográfica foi possível identificar uma ausência de insumos no que diz respeito à comprovação dos benefícios e aplicabilidade da biofilia em espaços residenciais. Diante do cenário de aumento constante de doenças psicossomáticas no Brasil e no mundo, é pretendido explorar e interpretar as ferramentas do design biofílico para o aumento no bem estar através da conexão emocional e física do ser humano com a natureza, de forma direta e indireta no ambiente residencial. O design biofílico é uma ferramenta para tornar os ambientes mais saudáveis e com maior nível de bem estar para as pessoas, através de algumas estratégias de projeto como a luz natural (que ajuda a governar nossos ritmos circadianos), materiais naturais (que têm uma qualidade calmante e restauradora, provocando respostas visuais e táteis positivas, que poucos materiais artificiais podem replicar), maior proximidade com a natureza, dentre outras estratégias citadas a diante. Dito que atualmente o nível de doenças psicossomáticas associadas à ausência ou insuficiência de elementos naturais (ver tabela 01) está cada vez maior, o estudo visa compreender como nossa mente capta as informações transmitidas pelo ambiente ao nosso redor, expor os conceitos da biofilia na arquitetura e propor um projeto para aplicação à arquitetura residencial, que utiliza de ferramentas e estratégias que integram a natureza em suas várias formas no processo de projeto para que seja notado a diminuição significativa e incidência de tais doenças. Principais elementos naturais utilizados na arquitetura Elementos Utilização Madeira Estrutura, vedação, mobiliário, decoração, revestimentos. Tecidos e Fibras Naturais (ex. linho, algodão, sisal) Mobiliário, decoração, vedação Formas orgânicas (formas puras e naturais) Mobiliário, estrutura, decoração Vegetação No interior ou exterior da edificação, cortinas verdes, jardins,vasos, 11 Pedra Estrutura, vedação, decoração Cores Naturais e tons terrosos (terracota, marrom, cáqui, areia, etc) Mobiliário, pintura, pisos, decoração Tabela 01 – Listagem dos principais materiais naturais utilizados na arquitetura. Fonte: Acervo Pessoal A princípio será apresentado o conceito de arquitetura biofílica e os seus princípios (os quais devem ser seguidos impreterivelmente, para que o projeto seja considerado biofílico), seguido de 24 estratégias que podem ser adotadas. Logo depois, é explorado a arquitetura biofílica no ambiente comercial e de hotelaria, associando os benefícios ao ambiente residencial. Para que seja esclarecido a diferença da biofilia de algumas vertentes, é apresentado em um subcapítulo as principais diferenças entre a Arquitetura biofílica e a sustentabilidade, bem como sua diferença com a bioarquitetura. A partir da revisão bibliográfica e da análise de pesquisas desenvolvidas durante a pandemia de COVID-19, o subcapítulo 2.5 aborda diretamente os benefícios da arquitetura biofílica na saúde mental do usuário, enquanto que no subcapítulo seguinte, é apresentado dados de saúde mental durante a pandemia e correlacionado com a influência que a permanência no ambiente residencial possui no cérebro humano. Para que haja a compreensão da habitação coletiva estudantil, no capítulo 3 os conceitos e aspectos que impactam na percepção do estudante/usuário são apresentados, a fim de que seja possível realizar um projeto de qualidade associado às estratégias biofílicas. No capítulo 4, são analisadas obras análogas de dois projetos biofílicos, sendo eles de contexto hospitalar e residencial, e são apontadas as estratégias biofílicas utilizadas nos projetos. Também são apresentadas obras análogas de habitações estudantis coletivas. Por fim, é apresentado o objeto de estudo com justificativa de contexto e escolha de terreno, mostrando também o programa e estratégias a ser utilizadas na etapa de anteprojeto que seguirá no TFG 2. A proposta de anteprojeto se baseia em um edifício estudantil que estaria sob gestão da FUMP (Fundação Universitária Mendes Pimentel) – Assistência Estudantil, onde o foco desde o princípio é a saúde mental dos estudantes, que, de acordo com revisão de bibliografia é o público mais afetado por doenças psicossomáticas na atualidade. 12 1.1 Justificativa Atualmente é encontrado uma série de registros da aplicabilidade da arquitetura biofílica nos ambientes corporativos, hospitalares e de hotelaria, (conforme mostram os artigos científicos, periódicos e pesquisas utilizados como base para este estudo), porém foi notado um grande déficit desses registros no ambiente residencial, o que diante disso questiona-se: de que forma os benefícios da arquitetura biofílica podem ser utilizados no ambiente residencial estudantil a fim de proporcionar significativa melhora na saúde mental dos seus usuários? Então, levando em consideração não apenas no momento crucial de isolamento social (no qual as pessoas, em especial os estudantes, estão sendo obrigadas a levar ao extremo a convivência com o seu espaço residencial), como também no momento posterior a ele, esta pesquisa poderá servir de insumo para futuros pesquisadores que desejam aplicar a hipótese da biofilia em residências coletivas, já que a arquitetura sempre teve e continuará tendo uma forte influência na saúde mental dos seus usuários. Os estudantes foram escolhidos como público-alvo por, através da pesquisa COVIDPSIQ a identificação de uma maior necessidade por parte de estudantes e jovens entre 18-29 anos. A pesquisa demonstra que 59% dos analisados alegaram que a graduação causa um aumento de doenças psicossomáticas Atualmente a UFMG possui três núcleos de residência estudantil (Moradia Universitária I, Moradia Universitária II e Moradia Universitária III), somando um total de 1014 vagas, o que, de acordo com dados da UFMG, representa apenas 4,46% dos estudantes residentes de outras cidades. Diante disso, a proposta deste projeto vem com o intuito de suprir parte da necessidade dos estudantes por moradia e criar espaços de convívio e interação com a natureza, ampliando a experiencia biofílica e fazendo com que os usuários e moradores tenham a qualidade de vida aumentada na residência universitária. 1.2.1 Objetivo geral O presente trabalho apresenta a arquitetura biofílica como possível vetor de melhora na qualidade de vida das pessoas em seu ambiente residencial, através de análises existentes dos efeitos da arquitetura biofílica nos ambientes hospitalares, de hotelaria e corporativos, e propõe, a nível de anteprojeto, estudo na cidade de Belo Horizonte – MG 13 que atendeu aos princípios da biofilia, onde a saúde mental do usuário é priorizada desde a concepção projetual. 1.2.2 Objetivos específicos a) Expor os conceitos do design biofílico, bem como seus princípios e estratégias para a aplicação correta no projeto aumentando assim a pesquisa acerca da aplicabilidade e benefícios da arquitetura biofílica no ambiente residencial; b) Diferenciar a arquitetura biofílica de outras vertentes ; c) Analisar a partir da literatura científica os benefícios da arquitetura biofílica para a saúde humana; 1.3 Metodologia de pesquisa A metodologia, em primeiro momento, engloba a revisão bibliográfica acerca da arquitetura biofílica e o mapeamento de cursos online no período de isolamento social que correlacionam a biofilia com o ambiente residencial, afim de adquirir insumos básicos para identificar os benefícios e a aplicabilidade do tema no cotidiano das pessoas. Também foi realizada uma análise de questionários e pesquisas sobre saúde mental aplicadas desde o início da pandemia (março/2020) para correlacionar a possível melhora dos princípios biofílicos na saúde mental do usuário no ambiente residencial, mais especificamente do público estudantil. Neste sentido, foi realizada pesquisa sobre moradia estudantil coletiva, seus fundamentos e tipologias arquitetônicas. No segundo momento, realizou-se uma análise de obras análogas às quais a biofilia foi aplicada, para que, por fim, fosse possível aplicar todos os princípios e conceitos aprendidos em uma proposta de projeto residencial estudantil em um espaço próximo à UFMG, na cidade de Belo Horizonte, MG. 14 2 ARQUITETURA BIOFÍLICA A palavra biofilia tem origem etimológica grega, onde Bio significa vida e Philia amor, sendo assim a biofilia traduzida em “amor pela vida”. É um termo que foi usado pela primeira vez em 1964 pelo psicanalista alemão Erich Fromm e aprofundado posteriormente pelo sociobiólogo Edward O. Wilson, no seu estudo Biofilia, publicado em 1984. De acordo com Wilson (1996), o homem evoluiu 99% de sua existência em um mundo biocentrico, o que induz a crer que ao passo que o homem se afasta da natureza ele perde a conexão inata com a natureza. A biofilia então, é um conceito científico que vem ratificar a necessidade humana de estar mais próximo da natureza. Em um mundo onde é cada vez mais comum que os elementos naturais sejam substituídos por grandes sítios urbanos e tecnologia, a busca incessante do ser humano para se relacionar com elementos naturais é mais urgente e necessária (AVELAR, et al., 2017). A busca por estes elementos naturais poderia dizer que a biofilia então seria apenas a introdução de plantas no ambiente construído, mas, apesar de ser a resposta mais simples e comum, não é suficiente para traduzir o conceito de arquitetura biofílica. De acordo com KELLERT & CALABRESE (2018), pioneiros na área, a arquitetura biofílica busca mais que apenas trazer elementos da natureza para dentro dos edifícios através de plantas. Ela busca criar um bom habitat para as pessoas, a partir de espaços que ajudam a promover o bem estar e a saúde mentale física. A partir daí, os autores Kellert e Calabrese propõe 3 tipos de experiências que descrevem 24 estratégias para uma aplicação bem sucedida da biofilia na arquitetura. Tais tipos são divididos em: experiência direta da natureza, experiencia indireta da natureza e experiência de espaço e lugar. Estes tipos e estratégias serão melhor explicitados no capítulo 2.1 onde estarão vinculados aos 5 princípios primordiais da aplicação da arquitetura biofílica. No que se trata da linha do tempo de estudos da biofilia e da arquitetura, Wilson foi o primeiro a utilizar o termo Biofilia. No seu livro publicado em 1986 discorreu sobre a relação dos seres humanos com os organismos vivos e com a natureza, explicitando a afetividade inata dos seres humanos para com os demais seres vivos da Terra. Em 1995 Wilson, juntamente com o pesquisador Kellert, ampliaram e refinaram a teoria da biofilia apresentando as consequências para o nosso bem estar através de estudos que também apontam o afastamento gradual da sociedade do mundo natural. 15 Figura 1: Linha do tempo principais estudos acerca da Biofilia – Acervo pessoal, 2020 Já em 2005, Kellert propôs um novo modelo arquitetônico de sustentabilidade, fugindo dos paradigmas que mantem as pessoas sem o senso de pertencimento e apego do local em que habitam. Ele ilustra como todo projetista (arquiteto e/ou designer) pode e deve utilizar de métodos simples para atender às necessidades inatas humanas de contato com a natureza. Kellert evolui em suas pesquisas no ano de 2008, com a criação de um guia inédito para a prática do design biofílico, com seus conceitos básicos, benefícios e estratégias. Nele o autor exemplifica 73 atributos e 06 elementos do design biofílico. Contudo, este livro apresenta atributos e elementos muito amplos e abrangentes, fazendo com que o conceito e prática não sejam interpretados de forma clara. Então o arquiteto e designer Bill Browning em 2014 buscou simplificar o entendimento através dos 14 padrões do design biofílico, usados para melhorar o bem estar e saúde no ambiente construído. Atualmente, os estudos acerca do design biofílico são desenvolvidos a partir da bibliografia criada pela arquiteta e designer Elisabeth Calabrese e Kellert (atuais referências no estudo acerca da arquitetura biofílica). Os autores fizeram uma síntese dos estudos existentes e conseguiram ilustrar de forma clara e didática cinco princípios necessários para se obter o design biofílico e 24 estratégias para alcançá-lo. Desde então, para que um projeto seja considerado biofílico, deve atender impreterivelmente aos 05 princípios, que serão exemplificados no capítulo a seguir. 16 2.2 Princípios e estratégias da arquitetura biofílica Para a aplicação bem sucedida da arquitetura biofílica, Calabrese e Kellert (2015) descreveram em seu estudo 5 princípios básicos, princípios estes que são considerados intenções de projeto que devem ser levados em consideração desde o início do processo criativo para o espaço em questão. Tais princípios representam condições essenciais para a prática eficaz do design biofílico. São eles: 1. “Promover o envolvimento repetitivo e sustentado com a natureza” – O primeiro princípio deixa claro que não basta apenas a aplicação de um único elemento que remete à natureza no projeto, deve-se haver a repetição contínua para que seja efetivo. Ao se observar a natureza, percebe-se que a mesma não é composta por elementos isolados, ela possui movimento, sequência e ritmo. Logo, não basta, por exemplo, dispor de forma aleatória em um cômodo vasos de plantas e acreditar que já é o suficiente para representar a conexão com a natureza. É necessário realizar a repetição de elementos que trazem ritmo e aproxime o ambiente construído do ambiente natural. Figura 2: Uso repetido de elementos naturais. Fonte: Beatriz Rodas – Rara Gente, 2018 2. “Adaptar a vida humana ao mundo natural, para aumentar a saúde, condicionamento e bem-estar” – Para este princípio, deve-se estabelecer premissas que levem em consideração o que causa o bem estar e o que pode melhorar a qualidade de vida do usuário no espaço que frequenta. Este princípio diz que não basta trazer a natureza 17 na sua forma bruta, é necessário realizar adaptações para que o ser humano, em seu estado atual possa desfrutar sem perder o conforto, fazendo com que o cérebro capte o ambiente externo de forma a baixar os níveis de cortisol e elevar o bem estar. Figura 3: Sala de jantar integrada com adaptação de elementos naturais ao conforto do usuário. Fonte: Líder Interiores, 2020. 3. “Encorajar um apego emocional à ambientes e lugares especiais” - Deve-se projetar espaços agradáveis que atraiam o usuário e estimulem sua memória afetiva. É sabido que o tempo do homem nas cidades é consideravelmente pequeno se comparado à sua vida próxima à natureza. Logo, a memória afetiva do ser humano pode ser ativada interligando elementos da natureza ao seu cotidiano, que aumenta o apego das pessoas pelo espaço, elevando também, de forma inconsciente, o senso de pertencimento, cuidado e apego àquele espaço. A aplicação deste princípio está diretamente ligado à construção de uma comunidade natural e integrada. Figura 4: Horta comunitária em condomínio. Fonte: Luis Gomes – Casa.com 18 4. “Promover interações positivas entre pessoas e a natureza, que incentiva um senso expandido de relacionamento e responsabilidade pela comunidade humana e natural” - O projetista deve se preocupar em conceber ambientes que promovem interação entre ser humano e natureza, e que essa interação seja responsável e mútua. Neste princípio, utiliza- se dos conceitos de sustentabilidade, onde o homem trata a natureza também como sujeito de direitos e a respeita, de forma que utiliza de seus recursos sem o esgotar, se preocupando em manter o espaço natural saudável. Figura 5: Homem em contato com a natureza. Fonte: FreePik 5. “Incentivar o fortalecimento mútuo, a interconexão e soluções de arquitetura de forma integrada” – O último princípio diz que é possível utilizar de soluções arquitetônicas que também sejam soluções de design biofílico, como por exemplo a utilização de vigas e pilares estruturais de madeira ao invés de se optar por pilar tradicional de concreto ou metal, sem conexão com a natureza. Figura 6: Utilização de madeira como elemento estrutural. Fonte: Nelson Kon - AECweb 19 A prática do design biofílico envolve a aplicação de várias estratégias que são chamadas de experiências e atributos (Kellert;Calabrese, 2015). Para realizar a escolha das estratégias a serem utilizadas, o projetista deve analisar diversos fatores de entorno do edifício, sempre aplicando os princípios citados anteriormente. Com isso, três tipos de experiências com a natureza são utilizados, sendo eles o de experiencia direta da natureza, experiencia indireta e experiencia de espaço e lugar. Figura 7: Síntese estratégias com a natureza. Fonte: Kellert & Calabrese. Adaptado pela autora Tipo 1: experiencia direta da natureza, que utiliza de luz natural, ar puro através da ventilação adequada e uso de elementos da natureza como água, fogo e vegetação. Também fazem parte da experiencia direta a presença de animais e a percepção do clima e da paisagem através, principalmente, da vista que o ambiente construído possui. Assim, soluções como paredes verdes, jardins internos, espelhos d’águas e fontes, aberturas para 20 ventilação e iluminação são exemplos da experiencia direta da natureza. Além disso, é possível utilizar de estratégias que aumentem e melhorem a experiencia direta, como uma boa organização do layout que valorize a vista exterior, uso de cores que aumentem a percepção da luz natural e o uso de espelhos para multiplicar a vista da paisagem ou de jardins. Estratégiasaplicadas no tipo 1: 1-Luz natural: aumenta a produção de hormônios da felicidade e controla o ritmo cardíaco; 2-Ar/Ventilação natural: permite que o usuário possua condições de temperatura semelhantes ao exterior, o que aumenta a conexão com a natureza; 3-Água: o contato com a água no ambiente estimula os sentidos, ampliando a sinestesia no local e o som da água alivia sintomas de estresse; 4-Plantas: estratégia mais utilizada e bem sucedida quando aliada às demais, a utilização de plantas no ambiente interno de forma abundante e harmoniosa estimula a produtividade, além de reduzir o estresse; 5-Animais: essa estratégia pode ser aplicada através da produção de espaços que atraiam pássaros, por exemplo; 6-Clima: através da exposição direta à condições externas, por vistas do ambiente externo, ventilação e iluminação naturais; 7-Paisagens e ecossistemas naturais: utilização de paisagens amplas que transmitam segurança, bem estar e contato com a natureza, através de aberturas de esquadrias amplas, por exemplo; 8-Fogo: pode estimular o cérebro de duas formas, trazendo a sensação de conforto ou ansiedade, logo, este deve ser pensado em harmonia com o contexto do ambiente, para que traga o efeito desejado. Tipo 2: experiencia indireta com a natureza; estratégia utilizada quando o ambiente construído não possui vista direta para a paisagem, e/ou quando o proprietário não possui verba para investir em paredes verdes, jardins internos ou espelhos d’água. Caso recorrente em grandes cidades onde o número de prédios é elevado e, em sua maioria as janelas possuem abertura para outros prédios ou para a avenida movimentada. As experiencias indiretas permitem soluções simples que contribuem para a aproximação com a natureza. Por exemplo, imagens da natureza como pinturas ou fotografias e o uso de plantas artificiais também contribuem para a criação de espaços mais agradáveis e que geram impacto positivo no organismo humano. Isso se dá pelos 21 circuitos neuronais não terem tido tempo evolutivo suficiente para aprender a diferenciar uma reprodução da realidade do que de fato é real (PAIVA, 2020). Porém, é possível dizer que o uso de reproduções nunca será uma experiência plena sensorialmente como estar em contato direto com a natureza. Por isso, sempre que possível, o ideal é maximizar o uso de experiencias diretas no ambiente construído. Estratégias aplicadas no tipo 2: 9-Imagens da natureza: devem estar presentes no ambiente de forma repetida e abundante, conforme prega o primeiro princípio; 10-Materiais naturais: utilização de materiais cujas texturas possam ser percebidas pelo usuário provocam respostas táteis e visuais positivas; 11-Cores naturais: utilização de tons terrosos e tons que remetem às plantas, água, céu e demais elementos da natureza; 12-Simulação da luz e ventilação naturais: em casos onde não seja possível aproveitar o máximo da luz e iluminação natural, é indicado a utilização da iluminação circadiana (iluminação artificial que acompanha a luz natural no decorrer do dia) para controle do sono, redução do estresse e diminuição do cortisol; 13-Formas e desenhos: utilização de formas e padrões inspirados na natureza estimulam a conexão do usuário com a natureza; 14-Evocando a natureza: estratégia que preza pela representação imaginativa, onde pequenos elementos no ambiente trazem a similaridade com a natureza 15-Riqueza de informações: diversidade de texturas, formas, cores e riqueza sensorial, conforme a natureza nos proporciona; 16-Idade, mudança e tempo: materiais que dão aspecto envelhecido ou utilização de materiais que com o passar do tempo se alterarão, acontecendo de forma semelhante ao ambiente natural externo; 17-Geometrias naturais: propriedades matemáticas encontradas na natureza, como por exemplo fractais, proporção áurea e sequencia de Fibonacci trazem grande conexão com o mundo natural; 18-Biomimética: utiliza de soluções sustentáveis arquitetônicas e tecnológicas baseadas na natureza. Tipo 3: experiencia de espaço e lugar; quando o ser humano está em meio a natureza, a experiencia não se resume a elementos naturais, mas sim ao conjunto de todos os elementos. Por isso, além das experiencias diretas e indiretas da natureza, a combinação das características gerais do ambiente também são importantes. Ambientes que fazem a 22 combinação de espaços mais amplos de perspectivas com espaços mais isolados e de refúgio, integração das partes com o todo, complexidade sensorial organizada e conexão ecológica e cultural com o local onde o projeto se insere. O design biofílico busca criar habitats melhores, ambientes que geram uma atmosfera geral muito próxima daquela que é vivenciada em meio a natureza. Estratégias aplicadas no tipo 3: 19-Perspectiva e refúgio: utilizar do campo de visão longo a favor do usuário, de forma que haja espaços de refúgio que estimulem sensação de segurança e proteção; 20-Complexidade e ordem: complexidade no ambiente de forma ordenada e cautelosa, tendo o cuidado de que o ambiente se assemelhe com a natureza de forma harmônica e não amedrontadora; 21-Integração: ambientes que se integram por todo espaço ou através de um ambiente central, como um pátio ou sala de estar, por exemplo; 22-Espaços de transição: corredores, varandas e pátios aconchegantes que não causam sensação de enclausuramento; 23-Mobilidade: movimentação livre no espaço, caminhos e pontos de entrada e saída do ambiente claramente definidos; 24-Vínculo cultural e ecológico com o espaço: ligado aos princípios três e quatro, esta última estratégia citada é para gerar o apego emocional e motivar os usuários a conservarem o ambiente natural e construído o qual está inserido. Ao escolher projetar seguindo os princípios da arquitetura biofílica, o projetista deve analisar o local de inserção da edificação, o entorno e as condições climáticas, de localização e, financeiras para o projeto. Em alguns casos, onde o contexto é de paisagens naturais em volta, é mais fácil utilizar das estratégias de experiencia direta com a natureza e as de espaço e lugar, onde as chances de maior sucesso de impacto na saúde mental do usuário são aumentadas. Entretanto, em alguns casos a inserção da edificação não é em meio a natureza e não possui acesso privilegiado às vidas, o que é o caso dos grandes centros de cidades, por exemplo. Neste caso, as estratégias de experiencia indireta com a natureza podem ser bem aplicadas e aliadas com outras estratégias também são capazes de trazer um resultado eficiente para o usuário. Logo, pode-se dizer que o uso das estratégias se dá através de variáveis de clima local, inserção, investimento financeiro, área do local dentre outras, e com o estudo correto é possível usufruir dos benefícios da arquitetura biofílica. 23 2.2 Neuroarquitetura e Arquitetura Biofílica A neuroarquitetura é um campo recente cujos estudos começaram em 2003 na Califórnia através de neurocientistas que identificaram o possível impacto dos ambientes no cérebro humano, e desde então as pesquisas acerca do tema aumentam de forma significativa a cada ano que passa. A neuroarquitetura é um campo interdisciplinar que junta os conhecimentos da neurociência, da ciência cognitiva e da psicologia à arquitetura e ao urbanismo. Ela busca principalmente entender como os ambientes não apenas de pouca permanência, como principalmente os de longa permanência afeta o cérebro a curto e longo prazo. (PAIVA,2018) Para melhor entendimento, pode-se dividir o cérebro em dois sistemas. O sistema I – que representa 5% e é a parte consciente do cérebro, sendo o definido por pensamento rápido e o sistema II – representa 95% sendo a parte inconsciente e de pensamento lento. O ambiente construído é percebido diretamente pelo sistema 1, o que faz com que seja necessário a realização de testese medições quantitativas que interpretem o cérebro e sejam capazes de gerar informações precisas, o que não acontece nas entrevistas e pesquisas qualitativas. Logo, através da medição qualitativa é evidenciado que o sistema 1 identifica os espaços e eleva sensações no ser humano. Como por exemplo, para aumentar o nível do estresse, o sistema capta espaços ameaçadores ativando respostas de luta ou fuga, enquanto que para ativar a criatividade, o espaço deve induzir o comportamento espontâneo. (PAIVA, 2018) É possível então, mudar a maneira que o ambiente construído interfere na vivência plena do usuário pensando o projeto arquitetônico de forma que o mesmo impacte diretamente o sistema 1, através das informações notadas inconscientemente. A ligação da neuroarquitetura com a arquitetura biofílica, parte do princípio de que ao longo da evolução, o cérebro humano foi programado para o convívio com a natureza, onde privá-lo deste contato causa efeitos negativos em seu desempenho. (GONÇALVES; PAIVA, 2018). O que demonstra diretamente o quanto o contato com a natureza impacta o desenvolvimento do cérebro, já que a vida nas cidades ainda é recente para um cérebro que evoluiu ao longo de milhares de anos, ainda não deixando um tempo necessário de adaptação completa dos seres humanos à vida nas cidades. 24 2.3 Biofilia na Arquitetura O termo biofilia, propriamente dito é recente, mas partes do seu conceito e princípios já vêm sendo aplicados há décadas no ambiente construído, porém não de forma integrada, já que o que se espera da arquitetura biofílica é a atenção obrigatória aos 5 princípios e o foco, desde o princípio no usuário. O Design Biofílico ou Arquitetura Biofílica leva o conceito da Biofilia para o ambiente construído, onde preza diretamente o bem estar e saúde humana, valorizando a relação do homem com a natureza de diversas formas, gerando inúmeros benefícios psicos e neurológicos. (Browning e Cooper, 2015). O estudo da biofilia na arquitetura se deu de forma espontânea, onde a partir dos estudos do biólogo Wilson, o ecologista social e estudioso das construções Stephen Kellert identificou em 2005 a relação direta entre a arquitetura e a biofilia, expondo como os arquitetos poderiam, através de métodos simples manter a conexão do ser humano com a natureza e criou o conceito de Design Biofílico. O blog e centro de recursos focado no design biofílico chamado Human Spaces – espaços humanos – publicou em 2015 uma pesquisa que media o impacto global do design biofílico no ambiente de trabalho. Foram analisados 7600 trabalhadores de 16 países, onde no fim da pesquisa os resultados mostraram que há elementos predominantes que atraem a atenção do candidato ao procurar trabalhar em uma empresa, são eles: Iluminação natural (44%), plantas e flores (20%), ambiente sem ruídos (19%), vista para o mar ou lagos (17%) e cores vibrantes (15%). Tal parâmetro aumenta a preocupação de grandes e modernas empresas que são competitivas com o mercado e buscam aumentar a produtividade dos seus funcionários. Neste ponto, a pesquisa demonstrou que em escritórios com elementos biofílicos naturais (como plantas, cores remetentes à natureza e iluminação natural) apresentaram aumento de 15% na criatividade, 6% na produtividade e 15% no bem estar. (HUMAN SPACES, 2015) A pesquisa mostra também algumas variáveis importantes de países, onde, ligado com o princípio 3 que visa estimular a memória afetiva, propõe que deve-se analisar individualmente a cultura e inserção de cada projeto, para que obtenha um resultado eficiente. De acordo com Human Spaces (2015, p. 31) Nossos estudos demonstram que os elementos de design biofílico podem ter diferentes efeitos sobre os funcionários em cada país. Por exemplo, a 25 disponibilização de vegetação no escritório, a forma de plantas e paredes verdes, foi relacionado ao aumento dos níveis de criatividade na Espanha. Já no Brasil, a água foi particularmente importante se tratando da produtividade dos funcionários. A cor do escritório foi importante para a criatividade em alguns países. A incorporação da cor vermelha dentro do design do escritório foi muito relacionada aos aumentos dos níveis de criatividade na Índia. (Tradução da autora) As cores que mais se destacaram na pesquisa foram azul, verde, amarelo, branco e marrom, onde impactam de forma significante a motivação, produtividade, inspiração, felicidade, criatividade e entusiasmo dos funcionários. A cor cinza impactou significantemente o sentimento de estresse dos mesmos. (Human Spaces, 2015) Em suma, a pesquisa apresenta que “quando as pessoas entram em um local de trabalho que incorpora a natureza, elas ficam mais propensas a se sentirem felizes e motivadas para o dia de trabalho.” (Human Spaces, 2015, p.38), onde a incorporação dos elementos naturais propostos pela biofilia faz com que os funcionários queiram criar um melhor ambiente de trabalho, aumenta a interação entre funcionários e, consequentemente o desempenho também é melhorado. Na área da hotelaria, o mesmo blog Human Spaces realizou uma pesquisa em 2017 para medir dentro do ambiente hoteleiro o impacto do design biofílico. A pesquisa foi realizada em 39 hotéis e resorts de 18 países, onde a experiencia em hotéis com design biofílica foi nitidamente diferente de hotéis comuns, apresentando impacto criativo, inovador e socialmente conectado (INTERFACE, 2017). Em síntese, algumas estratégias do design biofílico foram destacadas, onde diferentes elementos naturais são utilizados. A conexão não visual, através do contato com elementos naturais através de mobiliários, estruturas e decoração do ambiente aumenta a conexão multissensorial dos hóspedes. Já o uso da perspectiva e refúgio fez com que os hóspedes identificassem diferentes interpretações de um mesmo espaço, variando de acordo com o passar do dia e de localização. Houve aumento de 36% em hóspedes que permanecem nos lobbies e saguões dos hotéis biofílicos e os comentários de avaliação em até duas vezes mais positivos, onde deram destaque para a experiencia vivenciada. Com relação ao bem estar dos hóspedes, a pesquisa mostrou que “exposição à natureza todos os dias podem ajudar a reduzir o estresse e a fadiga mental. Vistas, refúgio e outras características da natureza incorporadas ao ambiente do edifício também podem 26 ser capazes de aumentar as percepções de segurança e conforto.” (Human Spaces, 2017, p.36). Em hotéis com iluminação natural e vistas externas houve uma grande percepção no impacto no funcionamento do sistema circadiano, aumento no conforto visual e nas atuações cognitivas. A iluminação natural aliada à presença repetida de elementos naturais apresentou regulação na pressão arterial e aumento no conforto e tranquilidade (HUMAN SPACES, 2017). É necessário que haja um estudo detalhado e personalizado de cada contexto, seja de inserção, condições climáticas e culturais ou recursos disponíveis, para que a escolha das estratégias sejam precisas e eficientes, podendo aumentar o bem estar, criatividade e diminuir o estresse, como ocorre quando a biofilia é utilizada nos ambientes coorporativos e de hotelaria. Figura 8: Lobbie hotel.Fonte: Catie Ryan - Terrapin Bright Green É importante ressaltar que a biofilia não se posiciona como um movimento totalmente original e novo. É, no entanto, o novo reconhecimento de um fenômeno muitas vezes não notado; a teoria de que nós, como humanos, temos uma afiliação inata com todas as coisas vivas (WILSON, 1984). Existem exemplos de arquitetura produzida com abordagens relacionadas à biofilia que não se apresentam dentro dessa categorização, como por exemplo a busca de interações positivas entre o ser humano e a natureza (ligado ao quarto princípio da arquitetura biofílica) através da técnica milenar chinesa Feng Shui que promovevibrações 27 positivas da natureza no ambiente construído, com o intuito de aumentar a felicidade e bem estar do usuário. Figura 9: Feng Shui em residência. Fonte: Forum da Construção, 2015 Ou mesmo incentivar o fortalecimento mútuo, a interconexão e soluções de arquitetura de forma integrada (quinto princípio da arquitetura biofílica) através do uso de materiais naturais como parte da estrutura do edifício, o que faz com que seja possível fazer conexão entre o quinto princípio à bioarquitetura, por exemplo. Figura 10: Green School, em Bali- Indonésia, o prédio construído com estrutura em bambú. Fonte: Arquitetura e Construção, 2016 Logo, a arquitetura biofílica é uma junção de movimentos existentes, de forma com que o seu foco se tornou a interação entre o usuário e a natureza, afim de promover maior bem estar e saúde mental às pessoas. No ambiente residencial, o impacto da biofilia ainda é pouco mensurado, o que faz com que seja necessária uma transposição das aplicações em outras áreas como citadas 28 acima e adaptações ao contexto residencial. Por ser um ambiente de grande permanência e onde geralmente busca-se conforto e sensações positivas, pode se estimar que as estratégias aplicadas nos ambientes corporativos e de hotelaria podem ser utilizados com sucesso no ambiente residencial. 2.4 Arquitetura Biofílica e outras vertentes Segundo Pirani (2015), a bioarquitetura engloba construções ecológicas, sustentáveis e bioclimáticas. Ela prioriza sempre o baixo impacto ambiental, se preocupando com a economia dos resíduos sólidos e recursos naturais prezando assim por aproveitar da melhor maneira a ventilação e iluminação do local. A bioarquitetura possui um equilíbrio entre aproveitar as tecnologias modernas e trazer a arquitetura vernacular (uso de materiais de acabamento e matérias primas locais, técnicas tradicionais e tipologias regionais (UGREN, 2018). A arquitetura sustentável, utiliza de estratégias de economia de recursos, como energia renovável, aproveitamento da água pluvial, dentre outras estratégias. A sustentabilidade junto da arquitetura orgânica, permacultura e bioarquitetura, prezam diretamente pela saúde da natureza. A tomando como sujeito de direitos e que deve ser levada em conta na hora de projetar. (PIRANI, 2015) Figura 11: Edifício sustentável Moster Lofts. Fonte: SustentArqui, 2015 29 Já o design biofílico, além de englobar alguns aspectos da bioarquitetura e outras vertentes citadas, traz uma nova forma de pensar, entender e planejar os ambientes, aliando as estratégias utilizadas pelas vertentes arquitetônicas aqui citadas à saúde das pessoas, onde o ambiente é construído diretamente para proporcionar saúde plena (física, mental e emocional) e bem estar aos usuários. As evidencias científicas apresentados no presente estudo respaldam a arquitetura biofílica como vetor de melhora na saúde mental humana (através de iluminação, ventilação, plantas, formas, etc). Logo, não é possível falar da arquitetura biofílica de forma isolada e inédita, a biofilia engloba todas as vertentes antes estudadas e direciona especificamente para o ser humano, entendendo o impacto de cada decisão de projeto na saúde humana. Além disso, a arquitetura para ser considerada biofílica deve seguir os 5 princípios básicos explicados no capítulo 2.1, que, após serem compreendidos e absorvidos são incorporados no projeto, descrevendo uma metodologia clara que permite que aquele ambiente seja um vetor de melhora na saúde de seus usuários trazendo a reconexão com a natureza. As outras vertentes, como bioarquitetura e arquitetura sustentável prezam acima de tudo a relação edifício x natureza, enquanto que a arquitetura biofílica defende a relação indivíduo x natureza. Em traços curtos, o que diferencia a arquitetura biofílica é que a mesma defende e possui o foco voltado à relação indivíduo x natureza, enquanto que nas demais vertentes, como bioarquitetura e arquitetura sustentável, o focam na relação edifício x natureza. No atual cenário de pandemia, o qual as pessoas estão sendo sujeitas à níveis de estresse e situações atípicas, as quais fragilizam sua saúde mental, pode-se dizer que o estudo e a aplicação da arquitetura biofílica torna-se mais necessário que as demais vertentes, já que preza principalmente pela saúde mental do usuário, ainda assim não deixando de lado questões ambientais. 2.5 Arquitetura Biofílica e saúde mental A base da biofilia diz que possuímos a conexão inata com a natureza e essa conexão trás saúde e proporciona um desenvolvimento para que consigamos prosperar e ter a felicidade 30 O relatório Human Spaces (Browning e Cooper, 2015) mostra que o Brasil é o país que registrou, de 1950 a 2010, o aumento mais significativo na urbanização (51%) seguido da Indonésia (42%) e Filipinas (39%), conforme mostrado na tabela abaixo. Tabela 1: % da População vivendo em Áreas Urbanas - HUMAN SPACES: The Global Impact of Biophilic Design in the Workplace. Mar, 2015. P.9 Isto é notado não apenas nos grandes centros urbanos, mas também em cidades de médio e pequeno porte, onde exponencialmente as pessoas migram para as áreas urbanas. E, de acordo com a previsão da Organização das Nações Unidas, a porcentagem de pessoas que viverão em ambientes urbanos em 2050 passará de 55 para 70%. Com a dinâmica acelerada vivenciada nas cidades atualmente, se torna cada vez mais difícil a conexão homem-natureza no dia a dia. De acordo com o relatório “The Burden of Mental Disorders in the Region of the Americas” publicado pela Organização Mundial da Saúde em 2018, o Brasil foi 31 considerado o segundo país mais depressivo (atrás apenas do Paraguai) e o mais ansioso da América Latina. O que pode ser associado à urbanização acelerada somado ao modo de vida contemporâneo, onde a dinâmica de vida é focada na produtividade e consequentemente as pessoas se encontram cada vez mais isoladas da experiência benéfica com a natureza (KELLERT, 2012). Através da pesquisa “The National Human Activity Pattern Survey (NHAPS)” desenvolvida nos EUA em 2001, foi evidenciado que o homem passa cerca de 90% do seu tempo em ambientes fechados (ambiente residencial, coorporativo ou em veículos de locomoção). O que faz com que estes locais fechados tenham maior estímulo mental sobre o homem. A hipótese da Biophilia afirma que os seres humanos, como espécie, respondem positivamente às formas da natureza, seus processos e padrões. As cenas naturais provocam estímulos mentais positivos que podem reduzir os níveis de estresse e auxiliar os indivíduos a ficam mais relaxados (ULRICH, 1981). Wilson; Kellert (1984;2012) fazem uma afirmação diretamente ligada ao primeiro princípio da aplicação bem sucedida do design biofílico: Os benefícios do contato com a natureza geralmente dependem de repetidas experiências. As pessoas podem possuir uma inclinação inerente à afiliação à natureza, mas como muito do que nos torna humanos, esta tendência biológica precisa ser nutrida e desenvolvida para se tornar funcional. (Tradução da autora) Conforme exemplificado no capítulo 2.3, a pesquisa Human Spaces (2015) demonstrou que em escritórios com elementos biofílicos naturais (como plantas, cores remetentes à natureza e iluminação natural) apresentaram aumento de 15% na criatividade, 6% na produtividade e 15% no bem estar. Os benefícios da aplicação da biofilia na arquitetura não se limitam apenas nessas questões. No que se trata do bem estar quotidiano, a atenção direcionada para realizar tarefas repetitivas e / ou tarefas em ambientes muito agitados (geralmente ambiente de trabalho) demanda energia intensiva e com o tempo podem resultar em fadiga mental e perda de recursos cognitivos (KELLERT et al., 2008). Logo, através de conexões fortes ou rotineiras com a naturezapode-se oferecer oportunidades para restauração da energia. A neuroarquitetura mostra que nossas funções cognitivas superiores demandam uma pausa para restauração e como resultado, recupera-se a capacidade de executar tarefas focadas (o que não ocorre quando os recursos cognitivos estão fatigados). 32 Estresse de curto prazo, aumenta os batimentos cardíacos e os níveis de hormônio do estresse (KANDEL et al., 2013). A biofilia desencadeia respostas fisiológicas, através de conexões com a natureza, como relaxamento dos músculos, bem como redução da pressão arterial diastólica (menor valor verificado durante a aferição de pressão arterial) e dos hormônios do estresse – cortisol (KANDEL et al., 2013). Experiências com ambientes naturais proporcionam maior restauração emocional, com casos mais baixos de tensão, ansiedade, raiva, fadiga, confusão e humor (KANDEL et al., 2013). As plantas provocam respostas psicológicas nas pessoas, e, de acordo com Nicodemo e Primavesi (2009, p.12): O ambiente natural tem características consideradas fundamentais para propiciar o relaxamento: 1) capacidade de atrair a atenção, sem que seja necessário esforço pessoal, desativando os mecanismos envolvidos na manutenção da atenção voluntária que inibem a urgência de responder às distrações − o som das folhas agitadas pelo vento, o canto dos pássaros, o burburinho de água em movimento, e a observação das nuvens e do pôr-do-sol são exemplos que servem para ilustrar a idéia; 2) distração dos problemas cotidianos − pode ser representada por uma mirada de uma janela ou por uma caminhada no parque, desde que dê oportunidade para uma pausa na atenção concentrada que ocasionou a fadiga; 3) sensação de estar em outro mundo ou conectado a uma realidade mais abrangente − o ambiente deve prover estímulos suficientes para ver, experimentar e sentir de modo a provocar envolvimento profundo com a experiência vivida; e 4) compatibilidade entre as inclinações pessoais e o ambiente, permitindo o repouso. Embora situações não naturais possam contribuir para a recuperação da fadiga mental, a natureza é considerada o mais confiável recurso de experiências restaurativas. (apud KAPLAN, 1995) O pesquisador Yoshifumi Miyazaki da Universidade de Chiba, no Japão, realizou junto de sua equipe uma pesquisa investigativa a fim de provar os benefícios dos fitocidas – aromas dos óleos essenciais das plantas e árvores produzido contra micro-organismos) avaliou cerca de 600 voluntários com pressão arterial alta, e observou os seguintes resultados: redução de 16% do cortisol, de 2% na pressão arterial, 4% na frequência cardíaca e aumento de mais de 100% das atividades do sistema nervoso parassimpático (que mede o relaxamento).1 1 Informações obtidas através de entrevista concedida por Miyazaki para o Globo Repórter em 2013. 33 Os benefícios se estendem ao ambiente hospitalar, onde segundo pesquisa realizada por Park;Mattson (2009) os pacientes em quartos com plantas e contato com a natureza apresentaram níveis mais baixos de pressão arterial, menos dor ansiedade e fadiga e manifestaram recuperação mais alta que os pacientes em quartos enclausurados sem contato com a natureza e iluminação/ventilação natural. Além disso, o bem estar e satisfação foram aumentados. Exposição a paisagens naturais e o contato com a natureza através da ventilação e iluminação natural e plantas pelo período de 30 minutos por dia por pelo menos uma semana, pode reduzir a prevalência da depressão e pressão arterial em 7% e 9%, respectivamente (SHANAHAN, et al., 2016). Figura 12: Projeto de Safdie Architects - Hospital Albert Einstein (SP). Fonte: Projeto Batente, 2020 Através da observação de diversas respostas psicológicas e até mesmo fisiológicas da exposição humana à natureza em sua totalidade, é possível afirmar que através da aplicação da biofilia – que busca aproximar o homem da natureza no ambiente construído – a saúde mental dos usuários é aumentada independente do contexto. Apesar dos estudos serem mais abrangentes em ambientes comerciais/corporativos e hospitalares, a associação dos benefícios pode e deve ser transportada aos demais contextos da arquitetura, como nos ambientes residenciais. 34 2.6 Saúde mental e pandemia Atualmente passa-se por um contexto de pandemia, onde o isolamento social é imposto e necessário para que a doença Covid-19 (causada pelo coronavírus SARS-CoV- 2) seja controlada e, posteriormente, prevenida através de vacina. Logo, a presença das pessoas em suas residências esteve cada vez maior, principalmente em um cenário onde parte da população consegue utilizar suas casas como escritórios e devem sair apenas para atividades essenciais, o que pode potencializar o efeito problemático da ausência de contato com a natureza, como aponta a literatura cientifica. A outra parte da população que necessita sair para o trabalho, utiliza a sua residência como refúgio de segurança e descanso. A pandemia trouxe em evidência que o enclausuramento é um agravante na saúde mental dos usuários, e a presença constante no ambiente residencial, o que antes não era comum, faz com que sejam notados os efeitos de curta duração no ser humano, como mudança de comportamento e humor, maior estresse e tensão e alteração na performance. Porém, deve-se atentar também aos efeitos de longa duração que nosso ambiente residencial causa, pois, quanto maior o tempo que passamos em um ambiente, mais duradouros tendem a ser os efeitos que esse ambiente pode gerar. (PAIVA,2020) A partir de análise de resultado parcial de relatórios (COVIDPsiq, 2020) sobre a saúde mental da população brasileira durante o período de isolamento social, é possível afirmar que o aumento de transtornos mentais como depressão, ansiedade, estresse e estresse pós traumático aumentaram de forma significativa desde o início da pandemia. As pesquisas ainda se encontram em estágio inicial, tendo em vista o tempo recente para estudos. Para os dados apresentados abaixo foram levados em conta as etapas da pesquisa “CovidPsiq – Evolução de sintomas emocionais durante a pandemia” realizado pela Universidade Federal de Santa Maria e a prévia dos resultados preliminares divulgados pelo Ministério da Saúde. Em síntese, 36,2% dos estudantes apresentaram maior nível de estresse, depressão e ansiedade, sendo o maior número se comparado com as demais ocupações. Dos analisados, 57,9% eram solteiros, 76,3% mulheres e 51% dos entrevistados eram estudantes. Dentre os estudantes, 69% cursa ensino superior e pós graduação. O resultado das pesquisas aponta que os estudantes de idade entre 18 e 29 anos apresentaram maiores sintomas emocionais (ansiedade, depressão e estresse), sendo que quanto menor a idade e renda, maior a vulnerabilidade emocional. A maior parcela dos 35 participantes da pesquisa alega sentir mais falta de atividades de lazer e, dos estudantes, 59% alegam que a graduação causa um aumento de problemas relacionados à saúde mental. (COVIDPSIQ, 2020). Dentro deste contexto, o estudo da biofilia em moradia estudantil se tornou mais relevante. Diante dos dados de aumento significativo das doenças psicossomáticas agravadas pelo isolamento social, projetar pensando diretamente no indivíduo e em seu bem estar se torna cada vez mais necessário, e é eficiente utilizar dos princípios da biofilia, já que os mesmos possuem comprovação científica de melhora na saúde mental dos usuários. É possível correlacionar a vulnerabilidade emocional com a presença constante nos ambientes residenciais, os quais em sua maioria não possuem contato com a natureza, e o isolamento impede as pessoas de realizarem atividades ao ar livre. Logo, a residência não possuindo iluminação e ventilação natural ou elementos naturais para trazer o contato com o ambiente externo estando dentro de casa,se torna ainda maior a sensação de enclausuramento e pode intensificar a depressão, ansiedade e estresse. Por isso, a necessidade de trazer a biofilia para o ambiente residencial e, também no contexto de moradias estudantis. 3 HABITAÇÃO COLETIVA ESTUDANTIL Como proposta de anteprojeto, é pretendido a realização de uma habitação coletiva estudantil, e para que haja coerência e qualidade de projeto é necessário o estudo de questões que tangenciam o tema. Após análise de tais questões será possível a aplicação dos princípios da biofilia no contexto arquitetônico/social proposto. A Moradia Estudantil pode ser definida como: (...) um ambiente que oferece suporte aos residentes, desde no que se refere à estrutura física até a socialização do estudante, com espaços mobiliados e ambientes compartilhados dando condições de permanência para alunos que são de outras cidades e até de outros Estados, durante o período que realizam seu curso. (PARISOTTO, 2018) Pode-se dizer que as moradias estudantis no contexto brasileiro foram criadas para cumprir a função social de garantir a habitação aos estudantes de baixa renda que não possuem renda suficiente para arcarem com despesas de casas, apartamentos ou mesmo repúblicas, visto que em sua maioria, os estudantes não pertencem à cidade a qual frequentam a universidade. 36 A partir da Constituição de 1946 (art. 172), o direito à assistência estudantil foi ampliado para todo sistema de ensino. Em 2008 o Programa Nacional de Assistência Estudantil – PNAES - foi implementado em todas as instituições federais de graduação e fez com que a partir daí a assistência estudantil fosse efetiva e aumentasse a permanência de estudantes de baixa renda no ensino superior. (IMPERATORI, 2017) No Art 2º, é citado ações de assistência estudantil que aborda desde o acesso à moradia e alimentação até o apoio pedagógico e inclusão digital do aluno. No que se trata da moradia estudantil, a instituição federal possui a opção de oferecer residência universitária disponibilizando toda a infraestrutura (como quartos mobiliados e com eletrodomésticos) ou ofertar bolsa destinada ao auxílio nos gastos referentes à moradia. (IMPERATORI, 2017) No contexto da oferta de moradias universitárias, as universidades, em sua maioria, ignoram a individualidade dos alunos habitantes e buscam replicar o caráter institucional nas moradias, deixando de lado a interação do ambiente edificado com o seu exterior, o que faz com que o contentamento estudantil para com o ambiente residencial estudantil seja minorado. Neste caso, a aplicação da biofilia no projeto visa maximizar o bem estar e aumentar o contato dos moradores com o exterior, pensando nas moradias e áreas comuns como uma unidade, e assim, fazendo com que o edifício não possua um aspecto institucional, mas sim um ambiente acolhedor e de desenvolvimento. Scoaris (2012) evidencia certas estratégias que poderiam ser adotadas no ambiente residencial estudantil para que se minimizasse o descontentamento dos estudantes e aumentasse a qualidade de vida e satisfação dos mesmos. Foram analisados pelo autor diversos aspectos de grande impacto na qualidade do projeto construído, dentre eles a cor do mobiliário e superfícies parietais; aspecto exterior do edifício; formas de acessos e circulação. a) Cor do mobiliário e superfícies parietais: No que diz respeito à tal aspecto, em sua maioria as universidades, por possuir orçamento limitado, optam pela ambientação monocromática e padronizada dos materiais de acabamento e mobiliário das moradias estudantis, o que poderia ser evitado caso o projeto arquitetônico e de interiores fosse elaborado desde o princípio incorporando outros aspectos que não apenas econômicos (SCOARIS, 2012). Através da décima e décima primeira estratégia - uso de materiais naturais e cores naturais, respectivamente - da arquitetura biofílica citadas no capítulo 2.1 é possível fazer 37 com que sejam incorporados materiais cujas texturas provocam respostas táteis e visuais positivas e cores de tons terrosos e contrastantes que remetam à natureza sem que haja um gasto exacerbado de verba. Figura 13: Contraste de cores de mobiliário e materiais em alojamento estudantil em Tocantins. Fonte: Madeira e Construção (2018) b) Aspecto exterior do edifício: Aspecto que segundo Scoaris (2012) foi apontado como um dos principais fatores de atratividade e, frequentemente são percebidos de forma negativa pelos estudantes pelo caráter padronizado e sólido que sempre remete aos ambientes institucionais monótonos. Fachadas criteriosamente desenhadas e um arranjo diversificado na organização dos dormitórios poderiam, por exemplo, reduzir a escala de percepção do edifício e minimizar sua associação com a formalidade impessoal dos ambientes institucionais. SCOARIS, p 74, 2012 O autor também cita que os materiais utilizados também causam grande impacto na percepção, evitando sempre deixar que existam grandes blocos de concreto. O uso de madeira nas fachadas é melhor aceito pelos usuários e pode ser associado ao quinto princípio biofílico, através de sua utilização como solução arquitetônica pelo uso de vigas e pilares de madeira. 38 Figura 14: Uso de madeira em alojamento estudantil em Tocantins. Fonte: Madeira e Construção (2018) O uso de corredores de acesso estreitos e sem ventilação/iluminação foram associados a características quantitativas negativas e pode-se dizer que é a “conformação espacial mais frequente em residências estudantis.” (SCOARIS, p 78, 2012) Figura 15: Corredor do alojamento estudantil em Bjolsen, Noruega. Fonte: Thomsem (2007) Scoaris (2012) identificou possíveis estratégias que minimizam a percepção negativa de enclausuramento nos corredores das moradias, como faixas de janelas por 39 toda extensão de uma das laterais do corredor e uso de iluminação zenital, a fim de aumentar a sensação de amplitude do corredor ou circulação vertical. Escolhendo projetar utilizando das estratégias biofílicas de perspectiva e refúgio (utilizando do campo de visão longo a favor do usuário, de forma que haja espaços de refúgio que estimulem sensação de segurança e proteção) e de espaços de transição (corredores, varandas e pátios aconchegantes que não causam sensação de enclausuramento) é possível minimizar também tal aspecto geralmente identificado de forma negativa nos projetos de moradia estudantil. Além das problemáticas analisadas por Scoaris (2012), a partir de uma análise da habitação coletiva da Universidade Federal de Ouro Preto, Souza (2019) coletou dados e questionários cedidos pela prefeitura do campus para entender os problemas e demandas dos apartamentos. O resultado apontou que mais de 88% dos moradores possuem preferencia por quarto individual e quase todos os moradores apontaram problemas estéticos e estruturais na edificação. Em suma, é possível afirmar após observação dos aspectos acima e de investigação dos padrões de construção das moradias tradicionais, que a percepção institucional dos estudantes prevalece à percepção de acolhimento e satisfação nas moradias. Então, pode-se dizer de forma crítica que através do uso das estratégias biofílicas - que existem para melhorar o bem estar e percepção dos usuários através do contato com a natureza – seja possível projetar uma habitação coletiva estudantil com qualidade, garantindo o conforto dos estudantes e mitigando aspectos percebidos negativamente, conforme ilustrados por Scoaris (2012) e Souza (2019). 3.1 Moradias UFMG Além da análise de obras análogas, analisar as moradias atuais da UFMG (a partir de informações oferecidas pelo site das moradias, e por vídeos publicados pelos moradores sobre o funcionamento) foi um ponto de partida importante para o desenvolvimento do programa do objeto de estudo, uma vez queas mesmas são funcionais e atendem parte da demanda dos alunos. Localizadas na mesma avenida do terreno escolhido para implantação do objeto de estudo, as moradias estão divididas atualmente em três terrenos, e são conhecidas pela nomenclatura MOP (Moradia Universitária do bairro Ouro Preto). 40 De acordo com informações encontradas no site da FUMP, a primeira moradia (MOPI) foi inaugurada em 2001 e conta com 300 vagas. Sendo 6 blocos de 3 andares com 2 apartamentos por andar; 36 apartamentos, com 6 e 4 quartos e 44 quitinetes com 2 vagas cada. Os apartamentos contam com sala, cozinha e dois banheiros. Possuem lavanderia coletiva, salão de convivência e sistema de aquecimento solar. (FUMP, 2021) Figura 16: Moradia Universitária I. Fonte: Barbosa (2020) Figura 17: Moradia Universitária I, pátio. Fonte: Barbosa (2020) 41 Figura 18: Moradia Universitária I, oficina na horta. Fonte: Barbosa (2020) Figura 19: Moradia Universitária I, horta comunitária. Fonte: Barbosa (2020) Já a Moradia Universitária II (MOP II), inaugurada em 2006, conta com 332 vagas. Sendo 5 blocos de 4 andares com 2 apartamentos por andar, 40 apartamentos com 8 quartos, 3 quitinetes com 4 vagas cada. Os apartamentos possuem sala, cozinha, 2 banheiros e área de serviço. Como técnica de sustentabilidade, a MOP II conta com sistema de aquecimento de água através de energia solar. (FUMP, 2021) 42 Figura 20: Moradia Universitária II. Fonte: Google Maps – Street View (2021) Figura 21: Moradia Universitária II, pátio. Fonte: Valéria (2021) A Moradia Universitária III foi inaugurada por último, em 2018 e contém 382 vagas. No terreno estão implantados 3 blocos, dois destinados aos apartamentos e um destinado a uma área de uso comum. Os blocos residenciais possuem 45 apartamentos, todos com quartos individuais, sala, cozinha, banheiros e área de serviço. O bloco de moradias também conta com sistema de aquecimento de água através de energia solar e aproveitamento da água da chuva. 43 Figura 22: Moradia Universitária III. Fonte: Google Maps – Street View(2021) Figura 23: Moradia Universitária III, pátio. Fonte: Barbosa (2020) Apesar das moradias serem funcionais e atenderem a parte da demanda dos alunos, foi possível perceber uma lacuna principalmente na estética dos edifícios e no uso de tons monocromáticos nos acabamentos e adornos, onde é possível notar o caráter institucional e pouco personalizado. Tais características, conforme expressas por Scoaris (2012), fazem com que a percepção dos alunos com relação às moradias seja insatisfatória. A proposta de anteprojeto de habitação estudantil biofílica visa maximizar a satisfação dos estudantes/moradores quanto ao local de morada. Por isso, foram utilizados 44 materiais e formas que tragam aproximação afetiva do usuário com a edificação. Além disso, a integração da natureza com o projeto faz com que o edifício perca o caráter institucional. 4 PROPOSTA DE ANTEPROJETO 4.1 Obras Análogas Como é de pouca exploração o estudo da biofilia aplicada na arquitetura residencial, foram escolhidas obras análogas em outras áreas da arquitetura, como hospitalar, corporativa. A escolha das obras análogas se deu através de um processo de priorização de edifícios utilizados anteriormente como estudo de caso da arquitetura biofílica. Logo, os edifícios a serem apresentados são considerados biofílicos e as estratégias biofílicas escolhidas serão exibidas, bem como o contexto o qual o projeto está inserido. A escolha de dois projetos de habitação estudantil se deu pelas estratégias empregadas no projeto, que vão desde à implantação da edificação no terreno e escolha de materiais naturais ao envolvimento da comunidade com o edifício. 4.1.1 Östra Hospital (Gotemburgo, Suécia) O Hospital Östra é uma instalação psiquiátrica localizada em Gotemburgo, Suécia e teve sua construção finalizada em 2006. Possuindo 18 mil metros quadrados o hospital foi projetado pelo grupo de arquitetos White Architects com o intuito de criar uma boa arquitetura que aliviasse o sofrimento de pacientes psiquiátricos de suas famílias, de forma a acelerar a recuperação. Figura 24: Ostra Hospital, 2017. Fonte: Hans Wretling - White Architects 45 A empresa Terrapin Bright Green, fundado pelo estudioso na arquitetura biofílica Bill Browning realizou um estudo de caso no hospital a fim de apresentar as estratégias biofílicas utilizadas para a melhora na saúde dos pacientes e ocupantes. Figura 25: Planta baixa esquemática Ostra Hospital com detalhe, 2017. Fonte: Hans Wretling - White Architects (adaptada pela autora) Através da figura 16, é possível mapear 4 estratégias biofílicas utilizadas no projeto. São elas: -E1: Paisagens e ecossistemas naturais; a sétima estratégia da arquitetura biofílica por Calabrese e Kellert (2015), que neste caso está diretamente ligado com a conexão visual com a natureza, onde o projeto garante que mesmo os quartos localizados nas partes centrais da construção possuam conexão e acesso às vistas. Segundo Terrapin Bright Green (2017), a conexão visual com a natureza causa a diminuição da pressão arterial e frequência cardíaca, melhora a atenção e a felicidade, em geral. -E2: Luz natural; a primeira estratégia que visa o contato do paciente à percepção de mudanças de luz no decorrer do dia. De acordo com Terrapin Bright Green (2017) traduzido: Cada agrupamento de quartos de pacientes tem um solário de canto com janelas em duas paredes, enquanto os quartos individuais (privados) têm 46 janelas. As cortinas operáveis permitem que os pacientes ajustem o nível de luz de acordo com sua preferência. Além disso, quadras de luz no centro de cada departamento trazem a luz do dia para os espaços internos onde não há janelas disponíveis. Essas quadras de luz são o centro da área comum, trazendo luz não só para a própria quadra, mas também para os outros espaços comunitários circundantes, como a área de refeições. (Tradução da autora) O estudo de caso realizado pela empresa também cita que a luz natural causa um aumento no conforto visual e impacto positivo no cérebro pelo funcionamento circadiano do sistema. Figura 26: Janelas para iluminação e ventilação. Lateral Ostra Hospital, 2017. Fonte: Hans Wretling - White Architects -E3: Complexidade e ordem; vigésima estratégia mapeada por Calabrese e Kellert (2015), o estudo de caso evidencia a repetição em formato L dos departamentos, onde são todos interligados através de pátios centrais. Segundo Terrapin Bight Green (2017) “O hospital possui informação sensorial que adere a uma hierarquia, se assemelhando àquelas encontradas na natureza” O intuito dos profissionais projetistas eram causar a sensação de propriedade dos pacientes com o ambiente, ou seja, aumentar o senso de pertencimento, visto que foi informado que a média de tempo de internação é de 19 dias. -E4: Perspectiva e refúgio; décima nona estratégia por Calabrese e Kellert (2015), busca reduzir o estresse dos pacientes, fazendo com que se sintam seguros no ambiente o qual estão inseridos. De acordo com Terrapin Bight Green (2017, apud White Architects, 2017) “Se os pacientes puderem personalizar e mostrar seus territórios, dizem os 47 pesquisadores, então a atmosfera social deve melhorar e o ambiente ser visto de uma forma mais positiva”. Figura 27: Pátio interno Ostra Hospital, 2017. Fonte: Hans Wretling - White Architects 4.1.2 Kickstarter Sede Comercial (Nova York, EUA) Localizada em Nova York (EUA), a sede comercial Kickstarter é uma plataforma global de crowdfunging – “prática de levantar fundos para um projeto através de pequenas doações de dinheiro de um número grande de pessoas via internet” (FREITAS,2017). O escritório foi construído em uma antiga fábricade lápis no Booklyn, NY e foi projetado pelo arquiteto Ole Sondresen e teve sua obra finalizada em 2014. (Terrapin Bight Green, 2016) Figura 28: Pátio Kickstarter, 2016. Fonte: Ole Sondresen Architect 48 O arquiteto utilizou de algumas estratégias da arquitetura biofílica a fim de que fosse um ambiente de trabalho conectado com a natureza, saudável e dinâmico. Logo, desde a escolha da setorização, forma e materiais utilizados no edifício Ole Sondresen priorizou a saúde dos usuários. Através da análise de planta baixa e seção lateral é possível destacar algumas das estratégias utilizadas pelo arquiteto. Através do estudo de caso realizado pela empresa Terrapin Bight Green em 2016, é possível destaca-las nas figuras 20 e 21. Figura 29: Planta baixa esquemática Kickstarter, 2016. Fonte: Ole Sondresen Architect (adaptada pela autora) Figura 30: Corte esquemático edifício Kickstarter, 2016. Fonte: Ole Sondresen (adaptada pela autora) -E1: Animais; a quinta estratégia destacada por Calabrese e Kellert (2015), o projeto prioriza o uso da vegetação nativa, fornecendo habitat ideal para as espécies locais 49 e migratórias, o que inclui pássaros e insetos. O contato do usuário com a fauna e flora trás impacto positivo na pressão arterial, melhora no comportamento e aumenta a atenção e capacidade de exploração do usuário. (Terrapin Bight Green, 2016) -E2: Definido pela empresa Terrapin Bight Green como “conexão com sistemas naturais” este ponto destaca diversas estratégias do tipo 1 (experiencia direta com a natureza) onde através dos pátios, terraço e telhado é possível identificar espécies nativas e algumas também frutíferas que estimulam o usuário de forma multissensorial, onde o mesmo pode ter contato tátil, visual, olfativo, auditivo e gustativo. Além disso, o usuário pode testemunhar o clima local através das amplas janelas e portas. (Terrapin Bight Green, 2016) Figura 31: Pátio interno Kickstarter, 2016. Fonte: Ole Sondresen Architect -E3: Materiais naturais, sendo a décima estratégia do tipo 2 de experiencia, Kickstarter é composto por materiais reutilizados do edifício anterior, onde o edifício segundo Terrapin Bight Green (2016) “(...) reflete a ecologia e geologia local, criando um sentido distinto de lugar”. O arquiteto optou pela utilização vasta de madeira recuperada, a qual tem o poder de diminuição da pressão arterial diastólica, melhora no desempenho criativo e maior sensação de conforto. (Terrapin Bight Green, 2016) 50 Figura 32: Sala de Reuniões Kickstarter, 2016. Fonte: Ole Sondresen Architect -E4: Perspectiva e refúgio; décima nona estratégia por Calabrese e Kellert (2015), encontrada também no edifício exibido no subcapítulo anterior, segundo Terrapin Bight Green, 2016: A geometria do edifício oferece suporte a uma hierarquia para a condição do potencial cliente, com uma variedade de vistas desimpedidas à distancia para vigilância e planejamento. A planta do andar principal oferece vistas do ambiente de trabalho interno e do pátio no centro do edifício. No segundo andar, há vistas para as principais áreas de trabalho, o terraço da varanda e o pátio central. Finalmente, o telhado ampliou a perspectiva com linhas de visão para baixo no pátio e área de trabalho, bem como para os edifícios circundantes e a linha do horizonte para conectar os ocupantes ao bairro maior. (Tradução da autora) A perspectiva e refúgio no edifício Kickstarter busca reduzir o estresse tédio e fadiga, comuns em escritórios corporativos. O refúgio aumenta a concentração e a percepção de segurança. (Terrapin Bight Green, 2016) 4.1.3 Moradias Infantis (Tocantis, Brasil) Localizado no município Formoso do Araguaia em Tocantis, o edifício acomoda 540 crianças de idade entre 13 e 18 anos que estudam na escola Canuanã. O projeto busca unir na arquitetura as belezas do cerrado e os saberes da comunidade, de forma que toda 51 concepção projetual contou com a participação ativa da comunidade local. (ARCHDAILY, 2020) Figura 33: Fachada lateral Moradias Infantis, 2018. Fonte: ArchDaily Ao buscar uma interação com a natureza através da escolha de materiais naturais, cômodos com iluminação e ventilação naturais em abundancia e vistas para a natureza ao redor, o projeto utiliza de várias estratégicas também aplicadas na biofilia. Além disso, a conexão estabelecida entre o usuário natureza e a forma que a edificação cumpre a função social, faz com que mesmo que de forma não intencional, o edifício possa ser qualificado como biofílico. O edifício é construído com recursos locais e baseado em técnicas locais. Blocos de terra feitos à mão no local foram usados para construir as paredes e treliças, escolhidos por suas propriedades térmicas, técnicas e estéticas. Além de ser rentável e ambientalmente sustentável, esta abordagem cria um edifício com fortes ligações ao meio envolvente e à comunidade que serve. (BALDWIN, 2018) Nas figuras 25 e 26, é possível notar que os espaços de transição (corredores) são voltados aos pátios externos, de forma com que não haja sensação de enclausuramento ou medo, e também conecte o usuário à natureza e ao exterior. Além disso, é evidente o uso de materiais naturais como estrutura e vedação da edificação. 52 Figura 34: Vista do pátio. Moradias Infantis, 2020. Fonte: ArchDaily Figura 35: Vista do pátio através do corredor. Moradias Infantis, 2020. Fonte: ArchDaily 53 4.1.4 Moradia Estudantil Olympia Place (Amherst, EUA) Localizada em Armherst, o edifício cercado pela natureza local foi projetado para atender a demanda dos estudantes da cidade. A geometria escolhida pelos arquitetos permite o maior aproveitamento em todos os espaços da iluminação e ventilação natural, permitindo também amplo acesso às áreas livres externas. Figura 36: Vista aérea Olympia Place, 2017. Fonte: ArchDaily O espaço conta com 73 unidades de diversas tipologias, variando de estúdios individuais à suítes para 4 estudantes, o que foi proposto pelos estudantes locais para melhorar sua experiencia. (ARCHDAILY, 2017) Conforme ilustrado nas figuras 28 e 29, a escolha de materiais naturais para revestimento do piso e escada chamam a atenção, junto das amplas janelas que são distribuídas por todos os locais de convívio entre os moradores, o que faz com que seja possível a interação entre os alunos e com a natureza. Figura 37: :Espaços de convivência Olympia Place, 2017. Fonte: ArchDaily 54 Figura 38: Vista dos espaços de convivência Olympia Place, 2017. Fonte: ArchDaily 4.1.6 Quadro Síntese Obras Análogas Na tabela 02 foi realizada a comparação entre as obras análogas e moradias da UFMG a fim de auxiliar nas percepções projetuais que nortearão o projeto. A partir de análise crítica-comparativa das obras é possível entender algumas potencialidades e fraquezas, a fim de explorá-las na proposta de anteprojeto. Projeto Ano Localização Un. Habit. Modelo de Unidades Estratégias Biofílicas Hospital Östra 2006 Gotemburgo, Suécia - - -Paisagens e ecossistemas naturais -Iluminação e ventilação natural -Perspectiva e refúgio -Complexidade e ordem Kickstarter Sede Comercial 2009 Nova York, EUA - - -Animais -Conexão com a natureza -Materiais naturais -Perspectiva e refúgio Moradias Infantis 2017 Tocantins, Brasil 90 -Quartos com 6 alunos, banheiros, copa -Materiais naturais -Integração com a Natureza -Iluminação e ventilação natural 55 Moradia Estudantil Olympia 2016 Amhest, EUA 73 - Estúdios individuais -Unidades de 2 quartos -Unidades de 4 quartos (cozinhas e lavanderias compartilhadas -Integração com a Natureza -Iluminação e ventilação natural -Materiais Naturais Moradia Universitária I 2001Belo Horizonte – MG - Brasil 80 -Apartamentos com 6 quartos -Apartamentos com 4 quartos -Quitinetes com duas vagas - Moradia Universitária II 2006 Belo Horizonte – MG - Brasil 43 -Apartamentos com 8 quartos -Quitinetes com quatro vagas - Moradia Universitária III 2018 Minas Gerais, Brasil 45 - Apartamentos com 8 quartos - Apartamentos com 9 quartos - Tabela 2: : Quadro comparativo obras análogas e moradias. Fonte: Acervo Pessoal. 4.2 Objeto de estudo O programa pretendido se baseia na composição de uma habitação estudantil onde a intenção de projeto é seguir os 05 princípios para a prática da arquitetura biofílica, de forma que a maioria das 24 estratégias serão aplicadas de forma tática, a promover maior bem estar aos estudantes. O projeto seria de gestão da FUMP, como auxilio no atendimento às altas demandas de suporte de moradia de qualidade aos alunos da UFMG. A escolha do programa se deu através de análise dos princípios da arquitetura biofílica e dos questionários de saúde mental, em que, conforme mostrado em análise no capítulo 2.6, foi identificado uma maior necessidade por parte de estudantes e jovens entre 18-29 anos. Através da pesquisa COVIDPSIQ, 59% dos analisados alegaram que a graduação causa um aumento de doenças psicossomáticas. Já a escolha do terreno, se justifica principalmente devido à localização privilegiada e próxima à universidade que, além de estar em uma avenida movimentada e com vida noturna ativa, próximo à comércios essenciais aos estudantes, o terreno é próximo às atuais moradias universitárias da UFMG (MOP I, MOPII e MOPIII) fazendo com que os estudantes mantenham contato e possam compartilhar de eventos e aproveitar do transporte para a UFMG já ofertado. Com o terreno amplo e localização, é possível tender aos 05 princípios, onde a priori, é esperado aproveitar ao máximo das estratégias do tipo 1 de experiência com a natureza, de forma que a iluminação e ventilação natural e o contato com plantas, clima 56 e paisagem exterior serão pontos chaves para desenvolvimento base do projeto (tendo em vista que o tipo 1 é o de maior impacto positivo no usuário). 4.2.1 O contexto urbano O terreno está inserido na regional da Pampulha, em Belo Horizonte – MG, conforme ilustra a figura 30. Figura 39: Mapa de inserção do terreno. País – estado – cidade – região. Fonte: Acervo Pessoal, 2021. Figura 40: Mapa de localização. Fonte: Google maps, 2021. Localizada no bairro Ouro Preto, a Avenida Fleming é uma avenida em constante desenvolvimento, a qual é bastante conhecida pelo potencial gastronômico dos restaurantes e pela vida social noturna bem ativa. Lojas e comércios diversos estão se 57 ampliando e fazendo com que a avenida, repleta de condomínios residenciais, seja também uma região comercial. Figura 41: Mapa de usos dos lotes no entorno. Fonte: BH Map, 2021 (adaptado pela autora) A avenida também é um atrativo para estudantes da UFMG, já que está situada há apenas 2km da portaria da universitária, e, pela ótima localização, foi a escolha para implementação também das moradias I, II e III da UFMG, conforme é ilustrado na figura 42. Figura 42: Mapa de localização de Moradias UFMG. Fonte: BH Map, 2021 (adaptado pela autora) 58 4.2.2 Transporte e mobilidade A proximidade do terreno com a UFMG e o acesso facilitado através de ônibus e transporte alternativo como bicicleta, fará com que seja possível a permanência de estudantes de graduação e de pós, de forma que a qualidade de vida dos estudantes seja aumentada de forma significativa. O projeto será implantado em uma região cuja localização permite fácil acesso de transportes das modalidades: - Transporte público (ônibus): Pontos de ônibus há 20 metros do terreno escolhido, onde circulam linhas para diversos locais da cidade. As linhas 3302A, 535, 639 são de acesso à UFMG campus Pampulha, conforme ilustra rota na figura 43. Além disso, a UFMG já oferece ônibus gratuito para os moradores das moradias presentes na Av. Fleming, o que fará com que o acesso à universidade seja ainda mais facilitado. Figura 43: Rota de ônibus Av Fleming à UFMG. Fonte: Moovit, 2021 -Veículos particulares: O acesso por veículos particulares também é facilitado pela possibilidade de circular por avenidas articuladoras e de rápido fluxo. 59 Figura 44: Rotas de carro Av Fleming à UFMG. Fonte: Google Maps, 2021 Além disso, a avenida conta com diversos pontos de ônibus ao redor e ciclovia, aumentando assim possibilidades de lazer e passeios seguros de bicicleta. Sendo possível também ir de bicicleta até às dependências da UFMG. Figura 45: Rotas de carro Av Fleming à UFMG. Fonte: Google Maps, 2021 4.2.3 Parques e áreas naturais A proximidade do terreno com a lagoa da Pampulha e áreas naturais fará com que seja possível aproveitar dos princípios 3 e 4 apresentados por Calabrese e Kellert (2015) 60 onde o contato com o entorno permite o acesso a memórias afetivas dos usuários ligadas à natureza. Assim, o senso de pertencimento e fortalecimento à comunidade também serão ativados. Além de estar há um quilômetro da Lagoa da Pampulha, o terreno é próximo de dois importantes sítios naturais, o Jardim Botânico (ficando há 3km de sua entrada) e o Parque Ecológico da Pampulha (2km). O terreno fica a pouco menos que 2km do Mineirão e Ginásio Mineirinho, onde diversas atividades podem ser realizadas. Figura 46: Acesso à Lagoa da Pampulha. Fonte: Google Maps, 2021 Figura 47: : Acesso ao Mineirão. Fonte: Google Maps, 2021 61 Figura 48: Áreas naturais. Fonte: BH Map, 2021 (Adaptado pela autora) Figura 49: Acesso ao Parque Ecológico. Fonte: Google Maps, 2021 62 4.2.4 O terreno O terreno possui 5868m² e, como mencionado anteriormente está localizado na rua Avenida Fleming, no bairro Ouro Preto. O mesmo possui dois acessos, um pela avenida e o acesso secundário pela rua local Belterra. Figura 50: Terreno de estudo destacado em roxo. Fonte: Google Maps, 2021 (Adaptado pela autora) Figura 51: Terreno de estudo destacado em roxo e indicação de vistas. Fonte: Google Maps, 2021 (Adaptado pela autora) 63 Figura 52: Vista 1. Testada do terreno pela Avenida Fleming. Fonte: Google Maps-Street View, 2021 Figura 53: Vista 2. Testada do terreno pela Avenida Fleming. Fonte: Google Maps-Street View, 2021 : 64 Figura 54: Vista 1. Testada do terreno pela rua Belterra. Fonte: Google Maps-Street View, 2021 Figura 55: Vista 2. Testada do terreno pela rua Belterra. Fonte: Google Maps-Street View, 2021 A topografia do terreno, (disponível na base geral de dados da Prodabel) é composta por três curvas de nível, onde a parte mais baixa é a do acesso pela avenida Fleming e o terreno está em aclive em direção à rua Belterra, conforme é ilustrado na figura 47. O projeto possui intuito de menor intervenção possível no terreno, de forma com que a implantação dos platôs acompanha as curvas de nível, minimizando o uso de arrimos. 65 Figura 56: Levantamento planialtimétrico do terreno. Fonte: PBH (Adaptado pela autora) Figura 57: Topografia natural. Fonte: Acervo Pessoal Figura 58 Topografia modificada. Fonte: Acervo Pessoal 66 As fachadas principais do terreno são as fachadas nordeste (pela Av Fleming) e noroeste (pela rua Belterra), conforme ilustra a igura 48. A implantação do projeto se deu de forma a aproveitar da insolação e ventilação naturais, utilizando principalmente da vegetação para conforto térmico. Figura 59: Diagrama de Insolação e Ventilação. Fonte: Acervo Pessoal. Legislação Urbana De acordo com o zoneamento proposto pelo Plano Diretor de Belo Horizonte, e através da informação básica do terreno, é possívelobter os seguintes parâmetros: Quadro Urbanístico do terreno Localização Área do Lote 5868m² Coeficiente de Aproveitamento 0,9 (5281m²) Taxa de Permeabilidade 30% (1760m²) Áreas de Diretrizes especiais (ADE) -ADE Pampulha Afastamento Frontal Mínimo 5 metros Afastamento Lateral Mínimo 3 metros Afastamento Fundos Mínimo 3 Metros Tabela 3: Quadro Urbanístico do terreno escolhido. Fonte: Acervo Pessoal. 67 4.2.5 A implantação O projeto é composto por dois blocos, inicialmente pensados por monobloco e, ao desmembrar a forma, resultou em dois blocos em formato L e U, conforme ilustrado pelos diagramas de evolução de forma abaixo. Figura 60: Diagrama de evolução da forma. Fonte: Acervo Pessoal. Figura 61: Diagrama de evolução da forma. Fonte: Acervo Pessoal. 68 4.2.6 O programa O projeto contemplará espaços privados e compartilhados, com divisão prevista citada na tabela abaixo: Espaço Qtde Equipamentos/Mobiliário Área Unidade de dois quartos (comporta até 4 pessoas) 45 2 quartos com cama, armários, escrivaninha, banheiro e varanda 32m² Unidade de um quarto (comporta até 2 pessoas) 25 Quarto com cama, armários, escrivaninha, banheiro e varanda 20m² Lavanderia Compartilhada 2 Maquinas de lavar e secadoras, tanques, bancadas 18m² Cozinha Compartilhada 2 Geladeiras, armários, pias, fogões, mesas, sofás 30m² Sala de estudos 2 Mesas, cadeiras, armário, sofá, computadores Média 50m² Salão de lazer e convívio 1 Mesas de sinuca TV, sofás, cadeiras, mesas 270m² Ferramentaria / Depósito/ Despensa 3 Armários média 10m² Cômodo para lixo 1 14m² Terraço 1 Fogueira, bancos, vegetação 15m² Lojas comerciais 7 - média 15m² Sala administrativa FUMP 1 Mesas, cadeiras, sofás, macas, armários 34m² Salas de estar / contemplação 14 Distribuídas por todo o edifício, com mesas, sofás, poltronas, vegetação média 25m² Área verde lazer - Bancos, árvores, jardins, jardim comunitário 3200m² Estacionamento Multiuso 1 Vagas descobertas, jardim 417m² Tabela 4: Programa projetual proposto. Fonte: Autoria própria. 69 4.2.7 Os princípios e estratégias O projeto contempla os 5 princípios da arquitetura biofílica (figura 51) e utilizar das estratégias de experiência sintetizadas na figura 52, as quais estão em destaque as que foram utilizadas no projeto. O uso de materiais naturais é evidente através do Figura 62: Diagrama princípios da Arquitetura Biofílica. Fonte: Autoria própria Figura 63: Estratégias projetuais da Arquitetura Biofílica. Fonte: KELLERT; CALABRESE, 2015. (adaptado pela autora) 70 Figura 64: Birdview proposta. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 Figura 65: Perspectiva acesso pela avenida Fleming. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 71 Figura 66: Uso de materiais naturais e integração com a natureza na proposta. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 Figura 67: Jardim comunitário. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 Nos corredores, para que sejam espaços de transição biofílicos (aconchegantes que não causam sensação de enclausuramento), foram criados bolsões que funcionam além de escape, espaços para conexão com a natureza, convívio, estar e estudos. Houve a preocupação de, em cada andar existir a integração com a natureza, de forma com que a ventilação e iluminação foram bem aproveitados e, em cada espaço comum é possível observar o exterior, conforme ilustrado na figura a seguir. 72 Figura 68: Benefícios da vegetação. Fonte: SUSTENTARQUI, 2018. Nas áreas livres que circunda toda a proposta, foram criados jardins com espécies mistas e vibrantes, de forma que, com baixa manutenção e custo, seja possível cultivar e manter o jardim sempre exuberante. Vale ressaltar que a natureza não fica apenas externa ao edifício. Foram criados terraços com vasos com espécies diversas que aumentam o contato dos moradores com a natureza. O uso dos materiais naturais é evidente não apenas nos forros e pisos em madeira, como também nas esquadrias, brises e persianas. O intuito do projeto é que, além da diversidade de plantas encontradas (no interior e exterior), o mobiliário também seja composto por materiais e fibras naturais. A proposta do jardim comunitário, criado na lateral do bloco 2 (de acesso imediato pela rua Belterra) parte como proposta de fortalecimento mútuo entre os moradores e desenvolvimento de apego emocional. Além disso, o jardim/horta comunitário poderá ser 73 vinculado à projetos de extensão desenvolvidos pela UFMG e gerar renda para os alunos e universidade. Além disso, o projeto utiliza de estratégias como coleta de água da chuva e aquecimento/energia solar através de painéis fotovoltaicos posicionados de forma estratégica na cobertura da edificação. Todos são voltados para o norte, de forma com que o aproveitamento da luz solar seja máximo. Figura 69: Diagrama de coleta de água e Painel solar. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 4.2.8 Morfologia e espacialidade As moradias já existentes da UFMG utilizam de muros e cercas nos fechamentos do terreno, não explorando a integração entre a calçada/rua com o edifício. Em contrapartida, o presente estudo visa explorar da permeabilidade visual, onde parte da fachada do edifício é limitada apenas por vegetação, trazendo maior visibilidade às lojas presentes no térreo. Ainda no térreo, é implantado o estacionamento multiuso, onde eventualmente os alunos poderão ocupar o espaço para a realização de diversas atividades, desde concentração para manifestações e elaboração de cartazes à eventos promovidos nas moradias universitárias como festa junina e outras festas temáticas. A proposta é composta por dois blocos, sendo que, para se adequar à topografia proposta, possuem, em cada um, um desnível. A parte mais baixa dos blocos possui 3 pavimentos e a parte mais alta 4 pavimentos. 74 É proposto a implantação de uma quadra poliesportiva, visto que apenas a moradia I possui quadra e a mesma costuma ser utilizada com frequência pelos moradores. Além dos esportes, assim como no estacionamento multiuso, a quadra poderá abrigar diversas atividades propostas pelos estudantes. Pela rua Belterra, é proposto o alargamento da calçada em alguns pontos, de forma com que amplie a interação do edifício com o entorno. Figura 70: Diagrama de setorização térreo. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 Figura 71: Diagrama de setorização 2º pavimento. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 75 Figura 72: Diagrama de setorização 3º pavimento. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 Figura 73: Legenda diagrama de setorização. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 A moradia possui unidades de um e dois quartos, ambos com mesmas dimensões e esquadrias. Os quartos das unidades possuem três possibilidades de layout, podendo comportar apenas um estudante, dois, ou um casal. Figura 74: Tipologia completa. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 76 Figura 75: Possibilidade 2 de layout. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 Figura 76: Possibilidade 3 de layout. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 Todos os quartos possuem cama, escrivaninha, cadeira e guarda roupas para uso do morador. Além disso, cada quarto possui acesso à uma varanda, podendo ser individual ou compartilhada com a unidade vizinha. A varanda aumenta o contato do estudante com o exterior do quarto e com a natureza. A moradia possui duas cozinhas compartilhadas com todos os equipamentos necessários, cujo layout comporta perfeitamente os moradores e faz com que seja possível uma maior sociabilização entre os moradores, aumentando assim o contato e convívio entre eles. Também existem duas lavanderias compartilhadas, com lavadoras e secadoras, para uso de todos. No térreo do bloco 1 (de acesso imediato pela avenida Fleming) há uma ampla área com mesas, cadeiras, sofás, televisãoe mesas de sinuca, para que os moradores possam socializar e partilhar de atividades coletivas, desde jogar sinuca à assistir jogos de futebol em conjunto ou filmes. Além da área principal de sociabilização, foi distribuído 77 por ambos os blocos várias áreas com mobiliário (sofás, mesas, poltronas) que podem ser utilizadas de forma livre por diversos grupos de moradores. Figura 77: Perspectiva Área de uso misto (refeições, estar, estudos). Fonte: Acervo pessoal, 2021 4.2.9 Estrutura A moradia estudantil possui estrutura metálica (vigas e pilares) e lajes de concreto protendido. A junção deste tipo de estrutura com laje de concreto protendido permite a utilização de vãos maiores, conforme ocorre principalmente no salão do térreo e do bloco 2. Figura 78: Diagrama de estrutura. Fonte: Acervo Pessoal, 2021 78 Já a vedação, em seu exterior e no exterior das unidades é realizada com alvenaria em blocos de concreto aparente (o que reduz o custo com acabamentos e trás personalidade ao edifício). E a vedação do interior das unidades é feita em drywall, o que permite que, caso haja demanda de modificação de layout das unidades, isto seja possível de forma facilitada. Figura 79: Esquema de peças drywall. Fonte: Next Group, 2016 Figura 80: Perspectiva do projeto que evidencia a vedação em tijolo aparente. Fonte: Acervo pessoal, 2021 79 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo apresentou dados que expõem o aumento constante das doenças psicossomáticas, agravados pela pressão durante a graduação. A arquitetura biofílica então, foi apresentada como vetor de melhora na qualidade de vida das pessoas através de análises existentes dos efeitos da arquitetura biofílica nos diversos contextos arquitetônicos (hospitalar, coorporativo e de hotelaria). Ao apresentar os benefícios em tais contextos, se tornou possível transpor ao ambiente residencial estudantil, de forma que ao apresentar efeitos de algumas estratégias na saúde mental das pessoas (como a proximidade de plantas para a diminuição do estresse, aumento de criatividade e bem estar, diminuição do cortisol e pressão arterial) é possível dizer que a união das várias estratégias no projeto irá maximizar de forma significativa a saúde mental e bem estar dos usuários. A proposta de anteprojeto atingiu as diretrizes projetuais propostas, suprindo parte da necessidade dos estudantes por moradia e englobou os princípios e estratégias da arquitetura biofílica, levando em consideração a saúde mental e bem estar dos usuários desde o primeiro momento. 80 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: • ANDRADE, R. M. de. Estímulos naturais e a Saúde Humana: A Hipótese da biofilia em debate. Polêm!ca, v. 17, n.4, p.30 - 43 , out-dez 2017. • ArchDaily. 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Saúde debate, Rio de Janeiro, v. 43, n. 122, p. 949-965, jul-set, 2019. 85 ANEXOS 654321 Abaixo Acima 87654321 17 16 15 14 13 12 11 10 9 Acima Acima A= 34,35 m² Administração / salas médicas / FUMP 0,00 1,00 0,00 1,00 0,90 PROJEÇÃO 2º PAVIMENTO JOGOS E SOCIABILIZAÇÃO JOGOS E SOCIABILIZAÇÃO ESTAR/TV Estar/Estudos Convívio/Estudos 0,00 2,20 -0,10 A= 11,58 m² Loja A= 11,62 m² Loja A= 17,27 m² Lavanderia A= 41,66 m² Sala de Estudos ACESSO ACESSO ACESSO PRINCIPAL PEDESTRES ACESSO PEDESTRES LOJAS 1234567891011121314151617 QUADRA POLIESPORTIVA / ESPAÇO EVENTOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 TALUDE 45° TALUDE 45° 1 2 3 4 5 -0,10 0,90 1 2 3 4 5 6 VAGA 1 VAGA 2 VAGA 3 VAGA 4 VAGA 5 VAGA 6 VAGA 7 VAGA 8 VAGA 9 VAGA 10 VAGA 11 VAGA 12 VAGA 13 VAGA 14 VAGA 15 VAGA 16 A= 271,13 m² Salão de Lazer e convívio A= 20,11 m² Estar PROJEÇÃO 2º PAVIMENTO ARRIMO H=100cm ARRIMO H=100cm A R R IM O H = 10 0c m Projeção pergolado Projeção pergolado N ACESSO VEÍCULOS Rebaixo Veículos CALÇADA AVENIDA FLEMING CALÇADA RUA BELTERRA M U R O D E D IV IS A H = 25 0 c m M U R O D E D IV IS A H = 25 0 c m LOTE CONSTRUÍDO LOTE VAGO A= 14,59 m² Banheiro Unissex A= 14,48 m² Banheiro A= 10,75 m² Quarto 1 A= 2,21 m² Box A= 1,49 m² Sanitário A= 10,75 m² Quarto 2 A= 5,36 m² Antessala Loja A= 11,1m² Loja A= 16m² Loja A= 9,25m² Loja A= 22,7m² Loja A= 11,1m² Estar/Convívio A= 18,2m² Quarto A= 10,65m² Banheiro A= 3,25m² Lavatório A= 2,4m² Varanda A= 2,97m² Varanda A= 2,97m² Estacionamento Multiuso A= 417m² 04.05 A 04.05 A 04.05 B 04.05 B 04.05 C 04.05 C 3,00 Arquibancada 1,95 1,40 0,90 P03 P03 P03P03 P03 P03 P03 P03 P03 P03 P03 P03 P13 P13 P13 P13 P13 P13 P13 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P01 P01 P04 P04 P04 P01 P01 P04 P01 P11 P11 P11 P11 P05 P08 P11 P09 P10 P08 P05 P13 P13 P09 P11 P04 P01 P10 P12 P01 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P03 P05 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P12 P09 P09 P09 P10 P10 P09 J01 J01 J01 J01 J02 J06 J03 J07 J01 J01 J01 J01 J03 J03 J06 J05 J06 J03 J01 ACESSO 1 : 100 Térreo 1 Tabela de Janelas - Área Cód. Quanti dade Dimensões Largura Altura Área J01 70 80 cm 130 cm 1,04 m² J02 8 240 cm 140 cm 3,36 m² J03 4 200 cm 140 cm 2,80 m² J05 4 320 cm 180 cm 5,76 m² J06 5 400 cm 180 cm 7,20 m² J07 5 160 cm 140 cm 2,24 m² Tabela de Portas Cód. Quant. Dimensões Largura Altura P01 8 90 cm 210 cm P02 3 80 cm 210 cm P03 120 70 cm 210 cm P04 133 60 cm 210 cm P05 4 700 cm 260 cm P06 2 90 cm 210 cm P08 4 330 cm 250 cm P09 6 120 cm 220 cm P10 5 240 cm 250 cm P11 109 120 cm 250 cm P12 2 440 cm 250 cm P13 63 70 cm 210 cm Abaixo Abaixo Abaixo 17 16 15 14 13 12 11 10 98 7 6 5 4 3 2 1 87654321 17 16 15 14 13 12 11 10 9 654321 87654321 17 16 15 14 13 12 11 10 9 Abaixo A= 9,43 m² depósito/despensa ESTAR/CONVÍVIO ACESSO 3,00 3,00 3,00 4,00 4,00 3,00 4,00 3,00 3,00 Estar/Refeições/Estudos A= 13,36 m² Cômodo para lixo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 A= 27,78 m² Cozinha Compartilhada A= 62,65 m² Estar/Refeições/Estudos A= 66,93 m² Sala de Estudos A= 19,44 m² Estar / Contemplação A= 25,38 m² Estar/Contemplação VAGA VAGA VAGA VAGA A= 22,30 m² Cozinha Compartilhada Brise Brise Br is e Br is e área descoberta/vasos/vegetação N CALÇADA RUA BELTERRA ACESSO PEDESTRES ACESSO VEÍCULOS rebaixo veículos Quarto A= 13,16m² Banheiro A= 4,2m² Quarto A= 13,16m² Banheiro A= 4,2m² Estar/Convívio A= 18,2m² A= 10,26 m² Quarto A= 3,91 m² Banheiro Jardim Comunitário A= 28,48m² 04.05 A 04.05 A 04.05 B 04.05 B 04.05 C 04.05 C Projeção pav superior P03 P03 P03P03 P03 P03 P03 P03 P03 P13 P13 P13 P11 J01 P11 P11 P11 J01 J01 J01 P11 P11 P11 P11 P11 J01 J01 P03 P03 P03 P03 P03 P03P03P03P03P03 P13 P13 P13 P13P13P13 J01 J01 J01 J01 J01 J01 J01 J01 J01 J01 J01 J01J01J01 J01 P11 P11 P11 P11 J01 J06 J06 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P03 P03 J01 P03 P03 J01 P13 P13 P11 J02 J02 P05 J05 J07 J05 J01 J02 P01 P06 P13P13P13 P11 P11 P11 P11 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P13 P13 P04 P04 J01 P04 P04 P02 P11 J01 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P13 P04 P04 P04 P04 P03 P03 P03 P03 J07 P10 P03 P03 P03 P03 P13 P13 P11 J01 J01 P11 P11 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P11 P03 P03 P04 P04 P04 P04 P13 P03 P03 P03 P03 P04 P04 P04 P04 P03 P13 P13 P13 P13 P13 P04 P04 P04 P04 P03 P03P03P03 P04 P04 P03 P03 P04 P04 P03 P03 P04 P04 P03P03 P03 P04 P04 P03 P03 P05 P02 P08P06 P08 Alargamento na calçada 1 : 100 Pavimento 2 1 Abaixo 654321 87654321 17 16 15 14 13 12 11 10 9 17 16 15 14 13 12 11 10 98 7 6 5 4 3 2 1 6,00 6,00 6,00 7,00 6,00 6,00 7,00 7,00 6,00 A= 10,24 m² Depósito / Ferramentaria / Limpeza A= 10,28 m² Ferramentaria/Depósito Brise Brise Br is e Brise área descoberta/vasos/vegetação N A= 77,03 m² Estar/Convívio/Estudos A= 25,38 m² Estar/Convívio A= 26,19 m² Estar/Contemplação Estar/Convívio A= 18,2m² A= 14,58 m² Estar/Contemplação 04.05 A 04.05 A 04.05 B 04.05 B 04.05 C 04.05 C J01 J01 J01 J01 J01 J01 J01J01J01 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P11 P03 P03 P03P03 P03 P03 P03 P03 P03 P13 P13 P13 P11 P11 P11 P11 J01 J01 J01 P11 P11 P11 P11 P11 J01 J01 P03 P03 P03 P03 P03 P03P03P03P03P03 P13 P13 P13 P13P13P13 J01 J01 J01 J01 P11 P11 P11 P11 J01 P11 P11 P11 P11 P11 P03 P03 J01 P03 P03 J01 P13 P13 J01 P11 P03 J02 J02 J02 J02 P11 P11 P11P11 J07 J02 J05 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P03 P03 P04 P04 P11 P04 P04 J01 P04 P04 J01 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P13 P13 J07 P02 J01 P11 P11 P13 P11 J05 J01 P03 P03 P03 P03 P13 P13 P11 J01 J01 P11 P11 P04 P04 P04 P04 P04 P04 P11 P03 P03 P04 P04 P04 P04 P13 P03 J01 P11 P03 P03 P03 P04 P04 P04 P04 P03 P04 P04 P04 P04 P03P03P03 P04 P04 P03 P03 P04 P04 P03 P03 P04 P04 P03P03 P03 P04 P04 P13 P13 P13 P13 P13 P13 P13 P13 P03 P13 P04 J01 P11 P11 P04 P04 P03 P03 J01 P11 P11 P04 P04 P03 P03 P03 P13 P13 J02 P03 P03 P03 J01 P13 1 : 100 Pavimento 3 1 Acesso Principal - Avenida Fleming Acesso Fundos - Avenida Belterra Vista lateral - Bloco 1 Bird View Bird View 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 1 2 3 4 5 6 7 8 Salão de Lazer e convívio Talude 45º Estar/Convívio 1,00 Estar/Convívio 4,00 Estar/Convívio 7,00 1,001,00 4,00 7,00 0,90 Quarto Quarto Quarto Convívio/Estudos Banheiro Banheiro Antessala Antessala 4,00 7,00 Área de Convívio 6,00 6,00 3,00 0,00 3,00 6,00 QuartoVaranda QuartoVaranda 7,00 4,00 Quarto Varanda Quarto Varanda p e rs ia n a p e rs ia n a p e rs ia n a Li m ite d o T e rr e n o Calçada 2,90 2,70 Rua Belterra Talude 45º Li m ite d o T e rr e n o Calçada Avenida Fleming0,12 -0,08 Telhado fibrocimento i= 10% Telhado fibrocimento i= 10% Telhado fibrocimento i= 10% Forro de madeira 3,00 1 2 3 4 5 6 7 10 9 8 11 Arquibancada A rr im o Estar/Contemplação Banheiro QuartoVaranda QuartoVaranda QuartoVaranda Quarto Antessala Quarto Quarto Antessala Quarto Quarto Antessala Quarto Quarto Antessala Quarto Antessala Quarto Quarto Antessala Quarto 7,00 4,00 1,00 3,00 6,00 6,00 3,00 Área de Convívio Banheiro Área de Convívio Área de Circulação Área de Circulação Convívio/ Estudos 1,00 4,00 7,00 0,90 Quadra poliesportiva / Espaço eventos M u ro d e D iv is a M u ro d e D iv is a 2,903,00 6,00 Telhado fibrocimento i= 10% Telhado fibrocimento i= 5% Telhado fibrocimento i= 10%Forro de madeira Forro de madeira p e rs ia n a p e rs ia n a p e rs ia n a Talude 45º Loja Loja Estar/Contemplação Banheiro Salão de Lazer e convívioSala de Estudos Estar/Refeições/Estudos Estar/Convívio/Estudos Estar/Convívio Loja Loja 0,00 0,00 0,00 1,00 1,00 0,90 Estacionamento Multiuso Jardim Comunitário 1,85 Quadra Poliesportiva 2,90 M u ro d e D iv is a 6,00 3,003,00 6,00 9,10 Terraço G.c. Alvemaria h=120cm Telhado fibrocimento i= 10% Telhado fibrocimento i= 10% Área de Convívio 6,00 3,00 0,00 Telhado fibrocimento i= 10% Telhado fibrocimento i= 5% M u ro d e D iv is a Quarto Quarto Quarto Quarto Quarto Quarto Quarto Quarto Quarto Quarto Quarto Quarto Quarto Quarto Quarto Quarto A rr im o Escada arquibancada 1 : 100 B 2 1 : 100 C 3 1 : 100 Fachada Principal 4 1 : 100 A 1 04.05 A 04.05 A 04.05 B 04.05 B 04.05 C 04.05 C G u a rd a C o rp o A lv e n a ria h = 1 20 c m 10% 1 0 % Telhas de Fibrocimento (placas solares a serem instaladas) Telhas de Fibrocimento 1 0 % 5 % Telhas de Fibrocimento (placas solares a serem instaladas) 1 0 % Telhas de Fibrocimento Terraço L.P.I 2% Pergolado metal e vidro 9,10 11,90 Projeção da Edificação P ro je ç ã o d a E d ifi c a ç ã o Calha Calha Calha Calha Calha Projeção Caixas d'água 3000L Projeção Caixas d'água 3000L 1 : 100 Diagrama de Cobertura 1 Perspectiva terraço Perspectiva pátio central Perspectiva bloco 2 Perspectiva Estacionamento multiuso Perspectiva Bloco 1 Rua Belterra - Calçadas alargadasPerspectiva Quadra poliesportiva Perspectiva Jardim Comunitário Perspectiva Área de estudos / refeições - Bloco 1 Perspectiva Cozinha compartilhada - Bloco 1 Perspectiva Salão de lazer e convívio - Bloco 1 Perspectiva área de estar e convívio Folhas 01.05 - Térreo 02.05 - 2º pavimento 03.05 - 3º pavimento 04.05 - Cortes 05.05 - Cobertura 06.05 - Não nomeada 06.06 - Não nomeada