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CURSO VPS – LITERATURA 
Prof. Danilo Augusto 
ENEM – Aula 06 
MÓDULO II – LITERATURA É GÊNERO I: O ÉPICO E O LÍRICO 
3. O gênero lírico 
Na Grécia Antiga, as epopeias cumpriram a importante função de divulgar os ideais e valores que organizavam 
a vida na polis (em grego, cidade ou estado). Os poemas épicos, porém, não respondiam ao anseio humano 
de expressão individual e subjetiva. 
A poesia lírica surge como uma forma de atender a esse anseio. Ela se define pela expressão de sentimentos e 
emoções pessoais. Outra marca característica de sua estrutura é o fato de dar voz a um sujeito lírico, diferente da 
narração impessoal própria da épica. 
 
 TOME NOTA 
O gênero lírico define-se, portanto, como aquele em que uma voz particular — o eu lírico (ou eu poemático) — 
manifesta a expressão do mundo interior, ou seja, fala de sentimentos, emoções e estados de espírito. 
 
 As principais manifestações líricas 
No início, os poemas líricos eram cantados, geralmente acompanhados pela lira, um instrumento musical de 
cordas. Foi do nome desse instrumento que derivou a denominação do gênero literário como lírico. 
A separação entre poesia e música só aconteceu depois da invenção da imprensa, no século XV, quando a cultura 
escrita passou a prevalecer sobre a cultura oral. 
Foi somente no Renascimento italiano que a poesia de expressão subjetiva ganhou o reconhecimento 
equivalente ao dos demais gêneros. Isso aconteceu quando o gosto do público leitor foi conquistado pela poesia 
amorosa de Petrarca e seus seguidores. Desse momento em diante, consolidou-se a identificação da lírica como 
um dos três grandes gêneros literários. 
 
 Formas líricas 
Desde o nascimento da lírica, várias foram as estruturas utilizadas na composição de poemas. Algumas se 
tornaram mais conhecidas, uma vez que permaneceram em uso ao longo dos séculos. São elas: 
• A elegia: poema surgido na Grécia Antiga que trata de acontecimentos tristes, muitas vezes enfocando a morte 
de um ente querido ou de alguma personalidade pública. 
• A écloga: poema pastoril que retrata a vida bucólica dos pastores, em um ambiente campestre. Muito 
desenvolvido entre os séculos XVI e XVIII. 
• A ode: poema também originado na Grécia Antiga que exalta valores nobres, caracterizando-se pelo tom de 
louvação. 
• O soneto: a mais conhecida das formas líricas. Poema de 14 versos, organizados em duas estrofes de quatro 
versos (quartetos) e duas estrofes de três versos (tercetos). 
 
 AS ORIGENS DO SONETO 
O soneto é uma adaptação da cansó (canção) provençal, um poema mais longo, formado por duas estrofes de 
tamanho irregular. 
Giacomo da Lentino, poeta da corte do imperador romano Frederico II, inspirou-se na cansó provençal para criar 
uma nova forma poética mais curta, composta de 14 versos — o soneto —, que foi difundida pelos dois grandes 
autores do Renascimento italiano: Dante Alighieri e Francesco Petrarca. 
 
 A estrutura do soneto 
As duas primeiras estrofes do soneto apresentam o desenvolvimento do tema, e as duas últimas, sua conclusão. 
Essa estrutura revela forte influência do Renascimento, pois a literatura dessa época é marcada pelo desejo de 
solucionar o embate entre razão e emoção. A forma do soneto ilustra uma tentativa de conciliar essas duas 
manifestações humanas aparentemente tão conflitantes, porque procura submeter os sentimentos e emoções 
humanas a uma exposição mais lógica ou racional. 
Com base no poema de Florbela Espanca, vamos analisar a estrutura do soneto. 
 
 
Após a análise do soneto, o significado de seu título torna-se mais claro: “fanatismo” é paixão, dedicação cega, 
absoluta. O poema, por meio do desenvolvimento que faz do tema do amor incondicional, revela o que seria o 
verdadeiro significado do fanatismo amoroso. 
 Recursos poéticos 
Quando lemos um texto, a nossa atenção costuma se voltar para o sentido das palavras. Ao fazer isso, 
analisamos seu aspecto semântico. As palavras, porém, também têm uma sonoridade muito explorada pela 
literatura. Essa sonoridade é a base para a construção de recursos poéticos, como o ritmo, o metro e a rima. 
 
 Principais Características 
• Poesia (escrita em versos) 
• Subjetividade 
• Sentimentalidade, emotividade e afetividade 
• Metrificação e rima 
• Musicalidade 
 
 Eu Lírico 
O eu lírico (também chamado de "sujeito lírico" ou "eu poético"), diferente do autor do texto (pessoa real) é 
uma entidade fictícia (pode ser feminino ou masculino), uma criação do poeta, que faz o papel de narrador ou 
enunciador do poema. Em outros termos, o eu lírico representa a "voz da poesia". 
Para entender melhor esse conceito, basta lembrar das cantigas de amigos trovadorescas, escritos pelos 
trovadores, em que o eu-lírico é feminino, cuja voz feminina aparece como a pessoa que escreve o texto. Assim, 
não devemos confundir a voz do autor (sujeito autobiográfico) com a voz do poema (sujeito poético). 
No caso do gênero lírico, o eu lírico expressa suas emoções e impressões por meio de seu mundo interior e 
por isso, geralmente aparece escrito com verbos e pronomes na primeira pessoa. 
Há que se ressaltar que, além do espírito subjetivo, principal componente da poesia lírica, ela ainda conta com 
a participação do “eu-lírico”, ou seja, a própria voz que fala no poema, expressa pelas emoções e pelo 
sentimentalismo, no qual o eu–poético não mantém nenhuma ligação com o artista (o poeta). 
A fim de que possamos identificar as referidas características pertinentes à arte poética, analisaremos a seguir 
algumas criações: 
 
Amor é fogo que arde sem se ver 
 
Amor é fogo que arde sem se ver; 
É ferida que dói e não se sente; 
É um contentamento descontente; 
É dor que desatina sem doer; 
 
É um não querer mais que bem querer; 
É solitário andar por entre a gente; 
É nunca contentar-se de contente; 
É cuidar que se ganha em se perder; 
 
É querer estar preso por vontade; 
É servir a quem vence, o vencedor; 
É ter com quem nos mata lealdade. 
 
Mas como causar pode seu favor 
Nos corações humanos amizade, 
Se tão contrário a si é o mesmo Amor? 
 
Luís Vaz de Camões 
Soneto de Fidelidade 
 
De tudo ao meu amor serei atento 
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto 
Que mesmo em face do maior encanto 
Dele se encante mais meu pensamento. 
 
Quero vivê-lo em cada vão momento 
E em seu louvor hei de espalhar meu canto 
E rir meu riso e derramar meu pranto 
Ao seu pesar ou seu contentamento 
 
E assim, quando mais tarde me procure 
Quem sabe a morte, angústia de quem vive 
Quem sabe a solidão, fim de quem ama 
 
Eu possa me dizer do amor (que tive): 
Que não seja imortal, posto que é chama 
Mas que seja infinito enquanto dure. 
 
Vinícius de Moraes 
 
➢ RUMO AO ENEM 
Questão 1 - (UFU) 
amar é um elo 
entre o azul 
e o amarelo 
LEMINSKI, Paulo. La vie en close. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. p.126. 
 
Com base na leitura do poema, assinale a afirmativa que NÃO se aplica à poesia de Paulo Leminski contida em La 
vie em close. 
a) Observa-se o emprego do haicai, tomado à tradição literária japonesa, evidenciando o gosto pelo poema breve. 
b) Nota-se a predominância do eixo sintagmático sobre o paradigmático, conferindo ao poema um caráter mais 
discursivo. 
c) Destaca-se a preferência pelo trocadilho e pelo jogo de palavras, marcados por efeitos de surpresa e 
condensação. 
d) Ressalta-se, em relação ao signo verbal, a exploração dos significantes, vistos em relativa autonomia quanto aos 
significados. 
 
Questão 2 - (UFU) Em geral, a lírica é vista como o gênero que se caracteriza por expressar sentimentos e ideias 
íntimas de um sujeito poético. A poesia lírica seria, então, marcada sobretudo pela subjetividade, privilegiando o 
mundo interior em face ao mundo exterior. 
Assinale a alternativa em que o fragmento do poema NÃO apresenta um eu lírico correspondente ao que foi 
descrito. 
a) “Mundo mundo vasto mundo,/ se eu me chamasse Raimundo/ seria uma rima, não seria uma solução./ Mundo 
mundo vasto mundo,/ mais vasto é meu coração.”(ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia) 
b) “É mineral o papel/ onde escrever/ o verso; [...] É mineral, por fim,/ qualquer livro:/ que é mineral a palavra 
escrita, a fria natureza/ da palavra escrita.” (MELO NETO, João Cabral de. Psicologia da composição) 
c) “Em que lugar ficou/ o que agora/ me faz falta/ o que não sei/ nem mais o nome/ o que antes foi tão querido/ 
[...] cercado por minha pele/ feito eu mesmo?” (FREITAS FILHO, Armando. Longa vida) 
d) “Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho/ [...] Nem ama duas vezes a mesma mulher. [...] Ainda não estamos 
habituados com o mundo/ Nascer é muito comprido.” (MENDES, Murilo. In: Os quatro elementos)

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