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Aulas Práticas Necrópsia Turma 2021/1 Colheita de amostras Diluição do formol: 1 parte de formaldeído (37 – 40%) para 9 partes de água de torneira – coloca-se também alguns tamponantes para manter o pH Volume da solução: 4 a 6x maior que o volume de material a fixar (em recipientes de boca larga) Material com até 1 cm de espessura para ser bem fixado A amostra deve ser colhida de forma que se tenham porções representativas das estruturas dos órgãos Usar pinça para não esmagar o material Em intestinos, cortar um segmento de 2 até 4 cm, quando colocado no formol, fazê-lo entrar na luz do órgão, para ele não colabar e fixar corretamente O encéfalo é colocado inteiro no formol (muitos prejuízos se for seccionado antes de ser fixado) Alterações pós-mortais “Algor mortis” (= “Frigor mortis” ou esfriamento do cadáver) – a temperatura do corpo do animal entra em equilíbrio com a temperatura ambiente) “Rigor mortis” (= rigidez cadavérica) Rigor mortis no coração = esvaziamento do ventrículo esquerdo (se não acontecer a contração, significa que há alguma alteração na parede do VE – investigar insuficiência cardíaca) Diferenciar alteração pós-mortal de lesões nas lesões sempre há distúrbios circulatórios, como hiperemia, hemorragia, edema, congestão Alterações pós-mortais - Coagulação do sangue no Sistema Circulatório A partir de 1 hora após a morte Os coágulos se dividem em: coágulo lardáceo (parte pálida, sem hemácias) e coágulo cruórico (parte escura, com hemácias) Os coágulos tem brilho, elasticidade e não está aderido nas paredes do sistema circulatório Diferenciar de trombo: o trombo não tem brilho, fica aderido a parede e não tem elasticidade (se fragmenta) Alterações pós-mortais - Livor mortis (manchas pós-mortais) Hipostase (derivação do sangue para partes mais baixas) – cor azulada/ arroxeada Embebição hemoglobínica (órgãos com muito sangue, vasos sanguíneos, coração – não confundir com hemorragias, nelas as manchas são mais bem definidas e com uma cor de vermelho vivo) – cor: de vinho tinto Pseudomelanose (degradação da hemoglobina + sulfeto de hidrogênio das bactérias intestinais – sulfometahemoglobina ocorre mais em superfícies que ficam em contato com o intestino, pois é um local onde se tem muitas bactérias - listras tigroides na mucosa do IG) – cor: azulada/ esverdeada/ acinzentada/ enegrecida Alterações pós-mortais - Livor mortis (manchas pós-mortais) Embebição biliar (não confundir com icterícia, ela acontece espalhada por todo o corpo, enquanto a embebição biliar é somente com o que está em contato com a vesícula biliar) – cor: amarelada Áreas pálidas relacionadas a pressão Áreas pálidas com aspecto de cozido (muto parecido com necrose, se ao cortar também tiver machas no parênquima, colher uma amostra e enviar para analise para ver se é alteração pós-mortal ou necrose – perceber se há outras alterações também) Alterações pós-mortais Descolamentos Distensão x deslocamento (torções, invaginações, hernias) Lacerações e rupturas Timpanismo pós-mortal – a microbiota do rúmen (bovinos) e do intestino grosso (equinos) continuam se proliferando e produzindo gases mesmo depois que o animal morre, distendendo as estruturas Procurar a linha de timpanismo (no esôfago), só ocorre no timpanismo verdadeiro Alterações pós-mortais Prolapso retal - o verdadeiro apresenta coloração avermelhada e distúrbio circulatório com congestão, hemorragia e edema Saída de “sangue” de orifícios naturais (refluxo pós mortal) – na maioria das vezes não é sangue, é liquido tingido pela hemoglobina, pode ter vindo do estômago, proventrículo, ... só vai ter significância se for acompanhado de distúrbios circulatórios na mucosa do trato respiratório (avermelhado), pois isso indicaria que ocorreu antes da morte Liberação de fluidos/conteúdo gástrico – Ocorre por relaxamento de esfíncteres Esse conteúdo pode ser encontrado em vias aéreas, mas se acompanhado de distúrbios circulatórios na mucosa do trato respiratório, significa que ocorreu antes da morte Alterações pós-mortais Amolecimento embebição hemoglobínica + amolecimento (ação de enzimas e bactérias) = rim polposo diferenciar de enterotoxemia (“doença do rim polposo”) – doença de cordeiros bem nutridos, causada por toxinas de Clostridium perfringens Enfisema pós-mortal (formação de bolhas devido a produção de gás pelas bactérias da putrefação – fica com aspecto crepitante) Descrição Macroscópica Fígado - Bovino Fígado: Bordas arredondadas, difusamente pálido-amarelado e mais friável. Diagnóstico morfológico: Esteatose hepática aguda difusa acentuada Diagnóstico definitivo mais provável: Cetose bovina Pulmão - Bovino Pulmão: Nódulos branco-amarelados de 0,5 cm a 5 cm, distribuídos por todos os lobos, a superfície de corte são friáveis a firmes, com focos duros. Diagnóstico morfológico: Pneumonia granulomatosa multifocal a coalescente acentuada. Diagnóstico definitivo: Tuberculose bovina Laringe – Bovino Laringe: massa branco-amarelada de aproximadamente 9 cm na porção interna da laringe; apresenta superfície irregular, é opaca e tem áreas friáveis com focos duros. Diagnóstico morfológico: Laringite granulomatosa focalmente extensa acentuada. Diagnóstico definitivo: Tuberculose bovina Abomaso – Bovino Abomaso: espessamento moderado das pregas da mucosa, com aspecto gelatinoso ao corte. Diagnóstico morfológico: Edema difuso moderado de pregas da mucosa abomasal Situação de ocorrência: Hipoproteinemia, principalmente Hemoncose Fígado - Bovino Fígado: evidenciação do padrão lobular com aspecto de noz moscada. Diagnóstico morfológico: Congestão centrolobular crônica acentuada (=Congestão passiva crônica do fígado) Diagnóstico definitivo: Insuficiência cardíaca congestiva direita. Uma situação específica de ocorrência também é a tromboflebite de veia cava caudal, em que também há impedimento do retorno venoso. Coração - Bovino Coração: massa pálida, opaca e friável, envolvendo a valva tricúspide. Diagnóstico morfológico: trombose valvar acentuada Diagnóstico definitivo: Endocardite valvular ou endocardite vegetante Situações de ocorrência: processos infecciosos localizados em rúmen, retículo, útero, mama, casco, como rumenite química, reticuloperitonite traumática, metrite pós-parto, mastite bacteriana, pododermatite bacteriana, respectivamente. Coração - Canino Coração: massa pálida, opaca e friável, envolvendo a valva mitral. Diagnóstico morfológico: trombose valvar Diagnóstico definitivo: Endocardite valvular ou endocardite vegetante Situações de ocorrência: solução de continuidade infectada em pele, como miíase; periodontite bacteriana; onfaloflebite bacteriana em filhotes Rins - Canino Rins: Extensas áreas escuras e mais claras, bem demarcadas, em forma de cunha com base voltada para a superfície cortical, ou retangulares na cortical Diagnóstico morfológico: necrose isquêmica focalmente extensa a coalescente = infartos renais agudos (hemorrágicos) e subagudos (pálidos, em que o sangue já foi metabolizado). Situação de ocorrência: Endocardite valvular Diagnóstico definitivo: Nefrite embólica bacteriana Rim - Bovino Rim: focos pálidos de 0,1 a 0,5 cm disseminados principalmente na cortical, os mais superficiais fazem saliência na superfície do órgão. Diagnóstico morfológico: Nefrite supurativa embólica acentuada Diagnóstico definitivo: Nefrite bacteriana embólica Fígado - Canino Fígado: redução acentuada do volume, esverdeado, superfície nodular, à superfície e ao corte nódulos pálidos-amarelados de 0,2 a 1,0 cm de diâmetro. Diagnóstico morfológico: Fibrose hepática difusa acentuada e regeneração nodular Diagnóstico definitivo: Cirrose hepática ou fígado em estágio terminal. Coração - bovino Coração: observa-se acentuado aumento de volume do coração, espessa camada de exsudato organizado envolvendo o coração, com aderência fibrosa entre pericárdio visceral e parietal. Diagnóstico morfológico: Pericardite fibrinopurulenta organizada difusa acentuada Diagnósticodefinitivo: Reticulopericardite traumática Etiologia: Corpo estranho perfurante no retículo Coração - Suíno Coração: observa-se delgada camada de material brancacento, friável e opaco que envolve todo o órgão. Diagnóstico morfológico: Pericardite fibrinosa difusa moderada Diagnóstico definitivo: Polisserosite ou Doença de Glässer Etilogia: Haemophilus parasuis Fígado - Ovino Fígado: massa friável branca-acinzentada com lamelações concêntricas. com 8 cm de diâmetro e delimitada por cápsula fibrosa. Diagnóstico morfológico: Piogranuloma extenso Diagnóstico definitivo: Linfadenite caseosa Etiologia: Corynebacterium paratuberculosis Extremidade distal membro - Equino (potro) Extremidade distal membro: extensa área desprovida de pele, com superfície granular, borda da pele brancacenta e com borda irregular Diagnóstico morfológico: cicatrização por segunda intenção Etiologia: trauma Encéfalo – Bezerro Encéfalo: Cerebelo com volume muito reduzido e exposição parcial do quarto ventrículo. Diagnóstico morfológico: Hipoplasia cerebelar difusa acentuada Diagnóstico definitivo: Sugestivo de infecção congênita pelo vírus da Diarreia Viral Bovina (BVD) entre 100 e 150 dias de gestação. Rim - Suíno Rim: parênquima renal muito delgado, mais acentuadamente na medula renal, depressões de contorno irregular na cortical, pelve e cálices renais acentuadamente dilatados. Diagnóstico morfológico: Atrofia acentuada de parênquima renal por compressão Diagnóstico definitivo: Hidronefrose unilateral Situação de ocorrência: obstrução ureteral Rúmen e Retículo - Bovino Rúmen e retículo: massa brancacenta, firme, de cerca de 5 cm, com superfície nodular e brilhante, bem delimitada e com pedúnculo restrito à mucosa da região do cárdia. Há proliferações exofíticas menores (0,1 a 0,5 cm) no sulco ruminorreticular. Todas as formações se projetam para luz, a partir da mucosa aglandular. Diagnóstico morfológico/definitivo: Papilomas, cárdia e sulco ruminorreticular. Etologia: Infecção por Papilomavírus Bovino Complicações: Obstrução do cárdia, com timpanismo gasoso resultante Vagina - Cadela Vagina: nódulos e massas de 1,0 a 2,5 cm na parede vaginal (camada muscular), arredondados, firmes, bem circunscritos, que se projetam para a luz vaginal e para o vestíbulo vaginal e ao corte são brancacentos e estriados. Diagnóstico morfológico/definitivo: Leiomioma/fibroleiomioma vaginal Vesícula urinária - Bovino Vesícula urinária: nódulos de 0,1 a 1,0 cm de diâmetro, brancacentos a escuros (eram avermelhados antes da fixação), planos a exofíticos, com consistência variável, espalhados pela mucosa e que se projetam para luz vesical a partir da mucosa. Diagnóstico morfológico: neoplasias mesenquimais e epiteliais malignas e benignas (podem incluir papiloma, adenoma, hemangioma, fibroma, carcinoma de células escamosas, carcinoma de células transicionais, hemangiossarcoma, fibrossarcoma, adenocarcinoma). Diagnóstico definitivo: Hematúria enzoótica bovina Etiologia: intoxicação crônica por Pteridium esculentum ssp. arachnoideum (“samambaia-docampo”; anteriormente Pteridium aquilinum). Fígado - Canino Fígado: acentuado aumento de volume, nódulos e massas pálidos, relativamente moles, de 0,5 a 7,0 cm de diâmetro, disseminados por todos os lobos hepáticos. Vários desses nódulos e massas fazem saliência na superfície do órgão, alguns nódulos têm centro deprimido (=umbilicados) e as massas maiores tem centro amolecido ou gelatinoso. Diagnóstico morfológico/definitivo: Compatível com colangiocarcinoma. Pênis - Equino Pênis: nódulos planos a exofíticos firmes de 0,3 a 3,0 cm distribuídos predominantemente em área de mucosa despigmentada da extremidade distal do pênis, não delimitados e que se aprofundam nas camadas subjacentes. Diagnóstico morfológico: Carcinoma de células escamosas. Etiologia: Exposição repetida a radiação solar Membro pélvico esquerdo – Canino (Rottweiler) Membro pélvico esquerdo: aumento de volume na porção distal de tíbia e fíbula com massa de cerca de 13 x 8 cm, sem delimitação entre tecido ósseo e tecidos moles e há fragmentos ósseos em meio à massa. Diagnóstico morfológico/definitivo: Osteossarcoma. Membro pélvico – Canino Membro pélvico: massa em dígito 4, relacionada à base da unha, face lateral, de cerca de 5 cm de diâmetro, superfície irregular e opaca, ao corte firme e acinzentado e vários nódulos coalescentes de aspecto semelhante ao observado na massa com distribuição relacionada ao trajeto venoso proximal aos dígitos. Diagnóstico morfológico: Melanoma maligno Útero – Vaca Útero: parede uterina acentuadamente espessada, com nódulos e massas, pálidasacinzentadas ao corte e com aspecto de toucinho Diagnóstico morfológico: linfossarcoma, útero, bovino. Diagnóstico definitivo: Leucose enzoótica bovina Etiologia: Retrovírus bovino