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1 Bruno Herberts Sehnem – ATM 2023/2 Otorrinolaringologia ESTUDO DIRIGIDO 2 – OTITE MÉDIA AGUDA Anatomia da Orelha Média: A orelha média é um espaço irregular localizado na parte petrosa do osso temporal. A orelha média é cheia de ar, originado da nasofaringe e transportado por meio da tuba auditiva (Trompa de Eustáquio). A orelha média apresenta 3 pequenos ossos, o martelo, a bigorna e o estribo, que são os ossículos da audição, pois formam uma estrutura articulada que conecta as paredes lateral e medial da cavidade timpânica e que transmite as vibrações da membrana timpânica através da cavidade para a cóclea, localizada na orelha interna. O espaço no interior da orelha média é dividido em: - Mesotímpano: cavidade timpânica propriamente dita. - Epitímpano ou recesso epitimpânico: localiza-se acima do nível da membrana timpânica e contém a cabeça do martelo e o corpo e o ramo curto da bigorna. - Hipotímpano: localiza-se no assoalho da cavidade timpânica, entre o bulbo da veia jugular e a margem inferior da membrana timpânica. A cavidade timpânica é delimitada lateralmente pela membrana timpânica e medialmente pelo promontório, que é a parede lateral da orelha interna. Além disso, a cavidade timpânica comunica-se anteriormente com a nasofaringe por meio da tuba auditiva e posteriormente com o antro mastoideo e as células mastoideas. A cavidade timpânica é um local comum de infecção na infância (otite média aguda). Limites da Cavidade Timpânica: - Teto: tegme timpânico, lâmina de osso compacto que separa a cavidade craniana da cavidade timpânica; localiza-se na superfície anterior da parte petrosa do osso temporal. - Assoalho: lâmina de osso compacto que separa a cavidade timpânica do bulbo superior da veia jugular interna. 2 Bruno Herberts Sehnem – ATM 2023/2 - Parede anterior: equivale a parede posterior do canal carótico. - Parede posterior: apresenta ádito ao antro mastoideo, eminência piramidal e fossa para a bigorna. → Ádito ao antro mastoideo: região de transição entre o recesso epitimpânico e o antro mastoideo. → Eminência piramidal: localiza-se imediatamente posterior à janela do vestíbulo e imediatamente anterior à parte vertical do canal do nervo facial; contém o músculo estapédio. → Fossa para a bigorna: pequena depressão na parte inferior e posterior do recesso epitimpânico; contém o ramo curto da bigorna. - Parede lateral: membrana timpânica e anel timpânico, estrutura óssea à qual a membrana timpânica está fixada. - Parede medial: equivale à parede lateral da orelha interna; apresenta promontório, janela do vestíbulo, janela da cóclea e proeminência do canal do nervo facial. → Promontório: proeminência óssea arredondada delimitada por sulcos que alojam os nervos do plexo timpânico; localizada sobre a projeção lateral do canal espiral da cóclea. → Janela do vestíbulo: abertura em forma de rim localizada acima e atrás do promontório que leva da cavidade timpânica ao vestíbulo da orelha interna; ocupada pela base do estribo. → Janela da cóclea: localizada abaixo e atrás da janela do vestíbulo, sendo separada deste pelo subículo do promontório; localiza-se imediatamente abaixo da proeminência óssea do promontório. → Proeminência do canal do nervo facial: corresponde à parte superior do canal do nervo facial; o canal cruza a parede timpânica medial imediatamente acima da janela do vestíbulo e segue para baixo e para dentro da parede posterior da cavidade timpânica. O antro mastoideo é um seio pneumatizado localizado na parte petrosa do osso temporal, sendo formado por várias células aéreas, denominadas células mastoideas. 3 Bruno Herberts Sehnem – ATM 2023/2 Os ossículos da audição (martelo, bigorna e estribo) são conectados às paredes timpânicas por meio de ligamentos, 3 ligamentos para o martelo, 1 ligamento para a bigorna e 1 ligamento para o estribo. 4 Bruno Herberts Sehnem – ATM 2023/2 A mastoide e as células pneumatizadas da mastoide são importantes para a realização de trocas gasosas por meio da mucosa de revestimento dessas estruturas. Embora a função da mastoide ainda não seja completamente conhecida, acredita-se que a mastoide funciona como um reservatório de gás que compensaria as variações de pressão da orelha média, em conjunto com a tuba auditiva. Alguns autores acreditam que a mastoide também funcionaria como um isolante térmico, protegendo a orelha média de variações de temperatura. Assim, como tanto a mastoide quanto a tuba auditiva estariam envolvidas no processo de regulação da pressão no interior da orelha média, quando há disfunção de uma, há aumento da função compensatória da outra. Por exemplo, em patologias que causam obstrução da tuba auditiva, poderia haver aumento compensatório da pneumatização da mastoide com o objetivo de diminuir a pressão negativa gerada no interior da cavidade timpânica e, assim, diminuir a retração da membrana timpânica. A baixa pneumatização das células mastoides pode estar associada a aumento da pressão negativa no interior da orelha média, resultando em retração da membrana timpânica. A disfunção crônica da tuba auditiva e/ou a baixa pneumatização da mastoide pode causar pressão negativa crônica da orelha média, que pode resultar em complicações, como o desenvolvimento de efusões. As efusões desenvolvem-se quando o indivíduo com pressão negativa crônica da orelha média apresenta aumento da quantidade de secreção na nasofaringe (ex. gripes, resfriados), que é aspirada, ou seja, deslocada da área de maior pressão (nasofaringe) para a área de menor pressão (orelha média) por meio da tuba auditiva durante a respiração. A ascensão de secreção para a cavidade timpânica produz a efusão, que pode ser formada por exsudato ou por transudato. A efusão por transudato é formada por líquido aquoso, claro e com baixa concentração de proteínas, comum na otite média secretora/serosa. A efusão por exsudato é formada por líquido denso, amarelado e com alta concentração de proteínas, comum na otite média aguda.