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Com base em Manuel Manrique Castro, escreva sobre a concepção e fundamentos históricos do Desenvolvimento de Comunidade e sua incidência no Serviço Social.
Anterior à Segunda Guerra Mundial, havia, na América, a necessidade de fortalecer ideais geográficos, fortemente contrários à colonização. Dessa forma, criaram-se dois grandes ideais: Bolivarismo e Monroísmo. 
O Bolivarismo se refere ao ideal hispano-americano de criação de confederação agregando todos os povos de língua espanhola; o Monroísmo, por sua vez, é o ideal anglo-saxônico que visava incorporar as nações hispânicas ao Norte, por meio do chamado Pan-americanismo.
Posterior à guerra, porém, o Pan-americanismo ganha força, iniciando sua segunda fase, representando a ideia da hegemonia dos Estados Unidos a nível mundial. 
“A experiência do período da Segunda Guerra Mundial e a enorme força acumulada pelos Estados Unidos depois do triunfo aliado permitiram finalmente a este país organizar sua hegemonia a nível mundial após a Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional [...] e dar um passo decisivo para o seu predomínio continental com a celebração [...] do Tratado Inter-Americano de Assistência Recíproca (TIAR), com o qual se assentaram as bases militares do pan-americanismo 'monroista' - em si mesmo, o suporte estratégico requerido para a criação da Organização dos Estados Americanos (OEA), consubstanciada na assinatura da Carta de Bogotá [...];” (CASTRO, 2011, p.133). 
Após sua criação, a OEA resgata a União Pan-Americana (UPA), delegando a tal o cargo de Secretária Geral da OEA. Nesse momento, os departamentos técnicos da UPA são revigorados, e, entre eles, está o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, o qual ganha uma nova divisão, a Seção de Serviço Social. 
“[...] através da qual a OEA desenvolveu diretamente a sua influência na formação e na prática dos assistentes sociais latino-americanos, viabilizando ideológica, política e economicamente a proposta norte-americana do desenvolvimento da comunidade como técnica e como campo de intervenção profissional.” (CASTRO, 2011, p.134).
Não havia, entretanto, profissões consideradas aptas às novas demandas, portanto, profissionais receberam formação de pós-graduação, e foi só durante os anos cinquenta e o boom universitário, que novas profissões foram aparecendo. 
O Serviço Social ficou, então, encarregado de ocupar-se da parte social, e, proveniente disso, foi a profissão mais exposta ao funcionalismo. 
O Desenvolvimento de Comunidade surgiu, e se fortaleceu, nas possessões inglesas da África e da Ásia. E, durante os anos 1920, o Escritório Colonial Britânico organizou o “controle superior sobre as populações dominadas”. 
O DC continuou a ser necessário para controlar as reivindicações e a pressão feita pelas comunidades rurais e urbanas diante das desigualdades presentes na sociedade. 
“[...] nos Estados Unidos se aplicam políticas similares, embora com uma ênfase técnica maior e com uma mais alta vinculação profissional do Serviço Social enquanto método orientado à ‘organização’ da comunidade.” (CASTRO, 2011, p. 137).
Foi apresentado por Robert Lane, em 1939, no Congresso Americano de Serviço Social, o que foi chamado de “Campo de Organização da Comunidade”. De acordo com Castro (2011), o documento visava definir a organização de comunidade como um campo de prática, semelhante aos de casos e grupos, e, com isso, modificar as bases determinantes da prática de organização de comunidades dentro do Serviço Social. 
Rubén Utria apud Manuel Manrique Castro (p.147) afirma que o fator-chave para a participação popular no desenvolvimento é a implementação do desenvolvimento de comunidade, promovendo entre a população atitudes que os motivem a participar de tal, atitudes essas que transformam-se em atividades conjuntas entre a comunidade e o governo, buscando a superação do subdesenvolvimento. Castro (2011, p. 148), porém, reitera que há muito pouco a se mostrar como resultado dessas implementações, e que ainda, a fala de Rubén pressupõe ideias como a de que o Desenvolvimento de Comunidade é a melhor maneira de enfrentar o subdesenvolvimento, e, principalmente, que o governo realmente busca a dessas superação de diferenças. 
Diante das ideias apresentadas de DC, era necessário, então, profissionais adaptados às formulações desenvolvimentistas, dessa forma, o Desenvolvimento de Comunidade passou a ser parte do Conselho Econômico e Social. 
“Com efeito, a ONU animou numerosos programas de aperfeiçoamento profissional, que, por seu alcance continental, forjaram um contingente homogeneamente qualificado, em alguns casos sob o tratamento genérico de ‘especialistas em desenvolvimento’, e, noutros, como dos assistentes sociais [...] e isto, por seu turno, alentou uma significativa expansão profissional, de consequências modernizantes sobre as diversas instâncias do Serviço Social.” (CASTRO, 2011, p. 148).

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