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1 MUDANÇA DE DESFECHO RISCO DE VIÉS COCHRANE LILACS ENSAIO CONTROLADO ALEATORIZADO REVISÃO SISTEMÁTICA METANÁLISE GUIDELINES COORTE PROGNÓSTICO FATOR DE RISCO ESPECIFICIDADE BASELINE FOLLOW UP ANÁLISE POR INTENÇÃO DE TRATAR CEGAMENTO SPIN REGISTRO DE ENSAIOS CLÍNICOS PLAUSABILIDADE BIOLÓGICA SIGILO DE ALOCAÇÃO FATOR DE IMPACTO PLACEBO ESTUDO 75 PBE 75 termos da Prática Baseada em Evidências que você precisa conhecer GLOSSÁRIO DA PBE REFERÊNCIA INDISPENSÁVEL PARA QUALQUER PROFISSIONAL DE SAÚDE 2ª edição 2 INTRODUÇÃO Prática Baseada em Evidências é uma abordagem de atendimento de pacientes que se utiliza de pesquisa clínica de alta qualidade nas tomadas de decisão. Clínicos que usam PBE em sua plenitude conseguem selecionar melhor cursos de aperfeiçoamento e trazer melhores resultados para seus pacientes! Quando você começa a estudar PBE, se depara com termos específicos e que podem gerar dúvidas. Por isso, compilei, nesta segunda edição do Glossário, os 75 principais termos mais usados nos conteúdos sobre Prática Baseada em Evidências. Os termos estão organizados por ordem de prioridade e importância, e também por grupos de assuntos. Se você quiser buscar algum termo específico, basta consultar o índice remissivo nas últimas páginas ou teclar Ctrl+F (ou Command+F, no Mac). Aproveite o conteúdo! www.leocostapbe.com.br 3 GLOSSÁRIO DA PBE TERMOS GERAIS 1. Prática Baseada em Evidências (PBE): PBE é a tomada de decisão consciente que é baseada não somente em evidência, mas também nas características e preferências do paciente. PBE deve levar em conta que o cuidado de pacientes é individual e envolve várias incertezas. Os componentes da PBE são: a melhor evidência científica disponível, as características e preferências dos pacientes e a expertise do profissional. Esses componentes são indissociáveis. Clínicos que não conseguem utilizar os três pilares da PBE de forma simultânea, não conseguem, de fato, realizar um atendimento baseado em evidências. 2. Desfecho: É um sinal ou sintoma ou marcador que são coletados durante um estudo, traduzindo, assim, o resultado do mesmo. Por exemplo, se um estudo analisa os efeitos de um determinado tratamento na intensidade da dor, a intensidade da dor é o desfecho do estudo. 3. Desfecho primário: É o principal desfecho do estudo. Esse desfecho é selecionado pelo autor do estudo previamente e, teoricamente, deveria ser o desfecho mais importante para pacientes com aquela condição. Por exemplo, num ensaio clínico em que se quer determinar a eficácia de um tratamento para câncer, o desfecho primário mais óbvio seria mensurar o índice de mortalidade nos grupos de tratamento. Afinal, pacientes, ao receberem o diagnóstico de câncer, usualmente, temem por perderem suas vidas. 4. Desfecho secundário: É um desfecho considerado menos importante que o primário. Mas que faz parte do contexto geral da doença. Desfechos como qualidade de vida em pacientes com câncer, por exemplo, tendem a serem considerados secundários. 5. Mudança de desfecho: É o quanto o desfecho varia entre o início e o final do tratamento (mudança intragrupo ou intrassujeito). Por exemplo, se um paciente iniciou o tratamento com uma dor de intensidade nove (medido 4 numa escala de zero a dez) e, após o tratamento, está com uma dor de intensidade três, pode-se dizer que o paciente obteve uma melhora nesse desfecho de seis pontos. 6. Colaboração Cochrane: A Colaboração Cochrane conta com mais de 37 mil voluntários, de mais de 130 países ao redor do mundo dedicados a realizarem revisões sistemáticas com metodologia Cochrane para apresentação da melhor evidência científica disponível em todo o mundo, com o objetivo de ajudar a tomada de decisão nas diversas áreas da saúde. As revisões Cochrane trazem informação de alta qualidade aos profissionais de saúde, pacientes, cuidadores, pesquisadores, financiadores e gestores de políticas de saúde. O site da Colaboração Cochrane é https://www.cochrane.org 7. Fator prognóstico: São fatores que influenciam o curso clínico e a evolução de uma determinada doença, tanto para melhor quanto para pior. Os fatores prognósticos estão associados a mudanças clínicas independente do tratamento. 8. Fator de risco: São fatores que aumentam a probabilidade de ocorrência de uma determinada doença ou lesão. 9. Sensibilidade: É a capacidade de um teste em identificar corretamente pacientes que tenham uma determinada doença. 10. Especificidade: É a capacidade de um teste em identificar corretamente pessoas sem uma determinada doença. 11. Acurácia diagnóstica: É a capacidade de um teste diagnóstico em detectar corretamente pacientes com uma determinada doença e descartar doenças em pessoas que não tem essa mesma doença. Em outras palavras, são testes com altos níveis de sensibilidade e especificidade. 12. Baseline (linha de base): É a primeira medida realizada num estudo longitudinal (como estudos de coorte e ensaios controlados). 5 13. Follow up (reavaliações): São as medidas realizadas após a linha de base (baseline) em estudos longitudinais (como estudos de coorte e ensaios controlados). 14. Prevalência: É o total de casos existentes numa determinada população. Ou seja, a prevalência mede a proporção de pessoas, em uma população, que estão acometidas com a doença em um determinado momento. 15. Incidência: É o total de novos casos que surgem numa determinada população. Ou seja, a incidência refere-se ao número de novos casos que ocorrem em uma população de indivíduos em risco durante um determinado período de tempo. 16. Índice H: É uma métrica para medir a performance de um pesquisador em influenciar outras pesquisas. Similar ao fator de impacto, o índice H também usa de citações. O índice H é altamente influenciado pela idade do pesquisador e por autocitação. É uma métrica importante, mas que também deve ser vista com cautela. 17. Sham ou placebo: São intervenções inertes (incapazes de gerar algum efeito) e indistinguíveis (impossível de saber se são inertes pelos pacientes) que são comumente usadas como grupo controle em ensaios controlados aleatorizados. Se a mudança de desfecho dos pacientes do grupo experimental for parecida com a mudança de desfecho dos pacientes num grupo placebo/ sham, cientificamente, dizemos que o tratamento oferecido no grupo experimental é ineficaz. 18. Plausibilidade biológica: Se refere ao possível mecanismo de ação de um determinado tratamento. Há tratamentos que possuem plausibilidade biológica clara, mas, quando testados, se mostram ineficazes e vice-versa. 19. Validade externa: Se refere a quanto os resultados de um determinado estudo são transferíveis para sua realidade clínica. Trata-se dos participantes do estudo, assim como as pessoas que estão atendendo esses pacientes. Leitores devem tentar entender, com muito cuidado, quais são as características 6 dos pacientes que participaram do estudo para saber se os mesmos se parecem com os seus próprios pacientes. Da mesma forma, leitores devem se aprofundar em saber o nível de treinamento e experiência do profissional que participou do estudo e comparar essas características com ele mesmo. Assim, você vai saber o quanto de validade externa um determinado estudo possui em relação a sua prática clínica. ASPECTOS ÉTICOS EM PESQUISA 20. Registros de ensaios clínicos: Um dos maiores problemas em pesquisa é a ocultação de resultados negativos. Para isso, a Convenção de Helsinki (que é a constituição mundial dos comitês de ética em pesquisa) passou a exigir que autores de todos os ensaios clínicos devem deixar seus projetos registrados publicamente em plataformas de acesso livre. Esse registro deve ser feito antes do início do recrutamento dos pacientes. Assim, os editores de revista, antes de publicarem os resultados dos estudos, poderão comparar o projeto com o artigo final, evitando o relato seletivo de desfechos. Todos os registros domundo são unificados pela Organização Mundial da Saúde nesse link: https://www.who.int/ictrp/en/ 21. Comitê de Ética em Pesquisa: São comitês que julgam se os direitos fundamentais e a segurança dos participantes de uma pesquisa estão protegidos. Há comitês de ética específicos para seres humanos e para animais, ambos com regras distintas. A regra de ouro de um comitê de ética é que todos os estudos devem ser aprovados por esses comitês antes do início da condução dos estudos. É importante salientar que comitês de ética não se propõem a julgar se o estudo é bem delineado ou não, mas sim garantir a segurança e privacidade dos sujeitos de pesquisa. Estudos não aprovados por comitês de ética não podem ser publicados em revistas científicas. BASES DE DADOS 22. PEDro: Essa sigla significa Physiotherapy Evidence Database. A PEDro é a base de dados de evidências em fisioterapia. A PEDro é uma base de dados gratuita com mais de 45.000 ensaios controlados aleatorizados, revisões 7 sistemáticas e diretrizes de prática clínica em fisioterapia. Para cada ensaio clínico, revisão ou diretriz de prática clínica, a PEDro apresenta os detalhes de citação, o resumo e o link para texto completo (quando possível). Todos os ensaios clínicos indexados na PEDro são avaliados independentemente para fins de classificação de qualidade. Esses critérios de qualidade são utilizados para guiar usuários a, rapidamente, identificar ensaios clínicos que são mais possíveis de conter informações para guiar a prática clínica. O site da PEDro é https://www.pedro.org.au 23. Bibliotéca Cochrane: Atualmente, mais de 9 mil revisões sistemáticas Cochrane já foram publicadas na Biblioteca Cochrane (http://www. cochranelibrary.com/). Essa biblioteca também possui a maior base de dados de ensaios clínicos publicados, conhecida como CENTRAL. A busca nessa base pelos revisores é de fundamental importância para obtenção dos ensaios controlados aleatorizados que serão incluídos nas revisões sistemáticas. 24. SciELO: A Scientific Electronic Library Online - SciELO é uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros. O site da Scielo é http://www.scielo.br 25. LILACS: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde. O site da LILACS é https://lilacs.bvsalud.org 26. PubMed: É uma base de dados em literatura médica internacional com mais de 30 milhões de artigos científicos. Todo o conteúdo da base MEDLINE é indexado gratuitamente na PubMed. O site da PubMed é https://www. ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/ 27. MESH (Medical Subject Headings): São termos-chave de busca usados na base de dados PubMed que auxiliam as pessoas em buscas nessa base. Via de regra, a PubMed automaticamente busca por sinônimos desse termo MESH para que clínicos não tenham que digitar múltiplos termos de busca, facilitando o trabalho ao selecionar artigos para leitura. O link para esses termos está aqui: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/mesh 8 28. BIREME: É a biblioteca virtual em saúde latino-americana. A BIREME engloba uma série de bases de dados em português e espanhol. Você pode visitar o site da BIREME no link: https://bvsalud.org 29. DeCS: São os Descritores em Ciências da Saúde da BIREME. O DeCS é uma tradução e ampliação do MESH e ajuda as pessoas a fazerem buscas em português, espanhol, francês e português. Eles servem como termos-chave para facilitar buscas na base de dados BIREME, assim como outras bases em língua portuguesa e espanhola como a LILACS e SCIELO, por exemplo. DESENHOS DE ESTUDO 30. Pesquisa clínica: São tipos de pesquisas que são realizadas em ambientes clínicos, com pacientes reais e que coletam desfechos relevantes para pacientes. 31. Estudo observacional: São tipos de estudo em que o pesquisador não manipula nenhuma variável, ele simplesmente as observa. Estudos de coorte, estudos transversais e estudos de caso e controle são exemplos de estudos observacionais. 32. Estudo experimental: São tipos de estudo em que o pesquisador manipula variáveis para testar os efeitos de uma determinada intervenção, por exemplo. Ensaios controlados aleatorizados são exemplos clássicos de estudos experimentais. 33. Ensaio controlado aleatorizado: É um tipo de experimento científico que tem como objetivo mensurar o efeito de uma determinada intervenção em um ou mais desfechos específicos. Os pacientes são divididos aleatoriamente em dois ou mais grupos e, posteriormente, são comparados entre si. A intervenção de interesse é denominada como grupo experimental e o grupo comparador é denominado grupo controle (que pode ser um grupo sem intervenção, um tratamento placebo ou mesmo outro tipo de tratamento). Um ensaio controlado aleatorizado com baixo risco de viés é considerado o padrão ouro para se determinar a eficácia de uma determinada intervenção. 9 34. Ensaio controlado quasi-aleatorizado: É um ensaio controlado (com 2 ou mais grupos) em que a divisão entre os grupos não ocorreu de forma aleatória. 35. Ensaio pragmático: Os ensaios controlados aleatorizados pragmáticos são estudos em que os pacientes de, pelo menos, um dos grupos recebe um tratamento individualizado e, às vezes, multimodal a ponto que reflete exatamente tratamentos que são utilizados no “mundo real”, refletindo pragmaticamente, a prática clínica usual. 36. Série de caso: É um tipo de estudo que se propõe a medir mudança de desfechos em um conjunto de pacientes que receberam uma determinada intervenção. Esse desenho de estudo se caracteriza por não ter grupo controle, portanto, é impossível saber com esse desenho de estudo se o paciente mudou de desfecho devido ao prognóstico ou devido à intervenção. 37. Estudo de caso único: É um tipo de estudo que se propõe a descrever um caso clínico, desde a avaliação até o desfecho final. Esses estudos podem ser muito úteis em casos de doenças raras ou apresentações clínicas muito atípicas. 38. Pesquisa qualitativa: É uma abordagem fundamental de pesquisa que estuda aspectos subjetivos de fenômenos sociais e do comportamento humano. É a melhor forma de se entender sobre experiências de pacientes sobre o cuidado recebido. 39. Estudo de coorte: São estudos longitudinais que acompanham um grupo de pessoas por um determinado período de tempo. Esse desenho de estudo é excelente para se determinar o prognóstico de uma determinada condição de saúde. A palavra coorte (cohort em inglês) significa “grupo de pessoas”. 40. Estudos transversais: É um desenho de estudo em que as variáveis são coletadas em um ponto único do tempo. 10 41. Estudos de caso e controle: São estudos que comparam pessoas doentes (casos) com pessoas normais (controles). 42. Ensaio controlado fase I: Trata-se de um pequeno ensaio clínico em que o objetivo é determinar a melhor dose de um determinado tratamento focado na segurança do paciente. 43. Ensaio controlado fase II: Trata-se de uma evolução da fase I. Agora que já se sabe da dose mais segura, resta saber se é eficaz. O número de sujeitos também é pequeno. 44. Ensaio controlado fase III: Sabendo que a dose é segura (testada na fase I) e eficaz (testada na fase II), precisa-se determinar se o tratamento é definitivamente eficaz e seguro numa grande amostra. Para medicamentos serem aprovados por agências reguladoras, como a ANVISA (do Brasil) ou FDA (dos Estados Unidos), por exemplo, é necessário que o mesmo passe por ensaios de fases I, II e III. 45. Revisão sistemática: É um método científico que reúne todos os estudos relevantes sobre uma determinada pergunta de pesquisa. 46. Revisão narrativa: Como o próprio nome diz, é uma revisão que não possui métodos próprios de execução. Os autores escolhem as referências à revelia e escrevem um texto sumarizando um determinado tema. Não há garantias de que toda a evidência sobre o tema foi utilizada (viés de seleção), o que pode enviesar as conclusões da mesma. 47. Revisão de escopo (scoping review):Trata-se de um tipo de revisão que se propõe a sumarizar o “estado da arte” de um determinado tema. Ao contrário de uma revisão sistemática que se propõe a focar em uma pergunta específica de pesquisa, a revisão de escopo é muito mais ampla. A revisão de escopo inclui diferentes delineamentos de estudo, fato que também a difere de uma revisão sistemática. 48. Diretrizes da prática clínica (Guidelines): São recomendações em como diagnosticar e tratar uma condição de saúde. São sumários de conhecimento 11 que levam em consideração os benefícios e riscos de procedimentos diagnósticos e tratamentos. Os guidelines são construídos para populações específicas e, portanto, as conclusões dos guidelines de um determinado país podem ser substancialmente diferentes de guidelines de outro país. ITENS RELACIONADOS A VIÉS EM PESQUISA 49. Risco de viés: É uma medida que determina o quanto um artigo é metodologicamente confiável. Artigos com alto risco de viés possuem baixa credibilidade. Artigos com baixo risco de viés possuem alta credibilidade. Importante notar que artigos com alto risco de viés tendem a apresentar estimativas irreais e entusiasmadas nos resultados e devem ser interpretados com muita cautela. Os principais sinônimos de risco de viés são: qualidade metodológica e validade interna. 50. Qualidade metodológica: É um sinônimo de risco de viés ou de validade interna de um determinado estudo. 51. Viés de confirmação: É a tendência em buscar, interpretar ou priorizar informações de um modo que confirma minhas crenças ou hipóteses. 52. Análise por intenção de tratar: É um tipo de abordagem utilizada em ensaios controlados aleatorizados em que todos os sujeitos do estudo são analisados nos grupos em que foram previamente alocados, independente se eles aderiram (ou não) aos tratamentos propostos. 53. Cegamento: Cegar é não permitir que as pessoas envolvidas num ensaio controlado aleatorizado (pacientes, terapeutas ou avaliadores de desfecho) saibam qual tratamento foi oferecido. 54. Sigilo de alocação: A pessoa que determina a elegibilidade de um paciente para um ensaio clínico, no momento em que ela define a elegibilidade, não tem conhecimento em que grupo esse paciente será alocado. A técnica de randomização com envelopes consecutivamente numerados, selados e opacos é um dos tipos de técnica que garantem o sigilo de alocação. 12 REDAÇÃO CIENTÍFICA 55. Spin: É o exagero das conclusões de um artigo pelos seus autores. A interpretação dos resultados não reflete os dados apresentados no próprio artigo. 56. Qualidade de redação dos artigos: Para assegurar a transparência de artigos científicos, algumas regras são sugeridas para que a redação seja simples, clara e realista. Para maiores detalhes, visite o site http://www. equator-network.org 57. CONSORT statement: A sigla CONSORT significa “Consolidated Standards of Reporting Trials” (em português, seria Padrões Consolidados para a Redação de Ensaios Clínicos). O CONSORT é um guia para pesquisadores sobre como redigir ensaios clínicos para que todos os detalhes metodológicos sejam devidamente reportados para que clínicos possam julgar se o estudo é bom ou não. O CONSORT não é uma escala de risco de viés e não deveria ser usado para esse propósito. Para maiores detalhes, visite: http://www. consort-statement.org 58. PRISMA statement: A sigla PRISMA significa “Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis” (em português, seria Itens Preferenciais de Revisões Sistemáticas e Metanálises para serem Reportadas). O PRISMA é um guia para pesquisadores sobre como redigir revisões sistemáticas para que todos os detalhes metodológicos sejam devidamente reportados para que clínicos possam julgar se a revisão é boa ou não. Apesar de não ser uma escala de qualidade metodológica, os itens do PRISMA auxiliam muito os clínicos a fazer uma leitura crítica de revisões. Para maiores detalhes, visite: http://www.prisma-statement.org 59. STROBE statement: A sigla STROBE significa “Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology” (em português, seria Otimizando a Redação de Estudos Observacionais em Epidemiologia). O STROBE é um guia para pesquisadores redigirem estudos observacionais 13 em epidemiologia (estudos transversais, coortes longitudinais e estudos de caso e controle) para facilitar a compreensão dos mesmos por clínicos. Para maiores detalhes, visite: https://www.strobe-statement.org REVISTAS CIENTÍFICAS 60. Revisão por pares: O processo de revisão por pares significa que o artigo passou por um processo de revisão por pessoas qualificadas, independentes e livres de conflitos de interesse. Os revisores podem pedir ajustes, aceitar ou rejeitar o artigo durante o processo de revisão por pares. Apesar de imperfeita, a revisão por pares é a melhor forma de qualificar um artigo para a publicação final em uma revista científica. 61. Revistas indexadas por pares: São revistas científicas que possuem um corpo editorial e que todos os artigos são revisados por revisores independentes. Os artigos só são publicados se os mesmos forem considerados aceitáveis pelos revisores e pelos membros do corpo editorial. 62. Revistas predatórias: São revistas que parecem ser científicas, mas não são. O único propósito dessas revistas é publicar para arrecadar dinheiro de pesquisadores mal informados (ou mal intencionados). Elas são caracterizadas por: 1) revisarem extremamente rápido (na verdade, não revisam); 2) cobrarem uma taxa de publicação muito abaixo dos preços de mercado; 3) terem uma política forte de atração de artigos através de e-mails e convites “sedutores”; 4) apresentam uma falsa lista de editores para passar a impressão de seriedade, e 5) apresentam fatores de impacto falsos. Clínicos não deveriam ler nada publicado em revistas predatórias e pesquisadores não deveriam publicar nesses veículos de comunicação. Pessoas sem treinamento têm extrema dificuldade em identificar uma revista predatória. Há um excelente site que tenta rastrear revistas predatórias que pode ser visitado nesse link: https:// predatoryjournals.com 63. Pre-print: É uma modalidade de artigo científico que está exposto num site, mas que ainda não foi revisado por pares. A ideia do pre-print é dar visibilidade ao artigo da forma mais rápida possível para a população. 14 Portanto, a população deveria ler pre-prints cientes de que aquele artigo não foi revisado, quando comparado com um artigo que está publicado em uma revista científica. Os pre-prints também são utilizados por pesquisadores para receberem feedback da comunidade científica aberta para fazerem ajustes antes da submissão para uma revista científica. 64. Epub (electronic publication) ahead of print: É um artigo científico que foi recentemente aceito para publicação, mas que ainda não foi devidamente diagramado e alocado num fascículo definitivo. O conteúdo desse artigo já é definitivo e o mesmo já passou por revisão por pares. A ideia do epub ahead of print é dar visibilidade de artigos aceitos para publicação o quanto antes para auxiliar a disseminação da ciência. 65. Pre-proof: São as provas gráficas do artigo. Às vezes, o artigo, antes de sair em epub ahead of print, é publicado numa versão de pre-proof. O conteúdo em si é o mesmo que foi aprovado na revisão por pares, mas ainda pode sofrer pequenos ajustes de gramática, formatação, nomes dos autores, etc. Em essência, é muito parecido com o epub ahead of print, mas ainda pode sofrer discretas modificações. As pre-proofs são sempre apresentadas de forma não diagramada. 66. Retraction: Artigos após a publicação podem ser removidos (retracted). Há diversas razões pelas quais um artigo pode ser removido após o aceite. Por exemplo, os autores podem descobrir após a publicação que fizeram uma análise incorreta dos dados, e pelo bem da ciência, pedem ao editor para remover o próprio artigo. Infelizmente, a maior partedas remoções se dá por problemas graves, como falsificação de dados, plágio severo, ausência de aprovação de comitê de ética, críticas graves da comunidade científica, entre outros. Há um excelente blog sobre retraction que vale a pena seguir: https://retractionwatch.com 67. Fator de impacto: As principais revistas científicas do mundo são submetidas a uma métrica chamada fator de impacto. Esse fator de impacto é basicamente uma métrica que se refere às citações dos artigos daquela revista em outros artigos. Quanto maior o volume de citações recebidas 15 num determinado período de tempo, dividido pelo número de artigos publicados, maior será o fator de impacto. É injusto comparar métricas de fatores de impacto de revistas de áreas diferentes. Por exemplo, revistas de cardiologia tendem a ter maiores fatores de impacto do que revistas de ortopedia, por exemplo. A razão disso é que há muito mais artigos publicados (e pesquisadores) em cardiologia do que em ortopedia. Sendo assim, apesar de importante, é necessário cuidado para não fazer comparações diretas de fatores de impacto de diferentes áreas do conhecimento. 68. Qualis periódicos CAPES: O Qualis é um sistema de classificação e pontuação de revistas científicas que a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) utiliza para mensurar a performance de programas de mestrado e doutorado no Brasil. Ao contrário do que muitos dizem, o Qualis não é um ranking de qualidade de revistas científicas e não deveria ser utilizados por clínicos (e mesmo pesquisadores) para definir se uma revista científica tem boa qualidade ou não. Há um excelente artigo sobre os dez pontos que você deveria saber sobre o Qualis que está nesse link: http://ojs.rbpg.capes.gov.br/index.php/rbpg/article/ view/947/pdf TERMOS ESTATÍSTICOS 69. Estimativa do efeito: É qualquer estimativa que demonstre se um tratamento foi melhor do que o grupo controle (ou seja, trata-se da diferença entre grupos num ensaio controlado aleatorizado). Geralmente, essa estimativa é expressa em diferenças absolutas ou relativas entre grupos ou através de testes baseados em razões entre os grupos (ex.: odds ratios). 70. Confiabilidade: É a capacidade de um teste, ao ser repetido, oferecer os mesmos resultados, se os pacientes se mantiverem estáveis dentro do mesmo período de tempo. Exemplo: se uma pessoa de 70 quilos sobe numa balança num intervalo de dez segundos, e a balança apresenta 70 quilos nas duas medidas, essa balança é considerada confiável. 71. Análise univariada: É um tipo de análise estatística que verifica a 16 associação entre uma variável e outra. Na maioria dos casos, esse tipo de análise verifica o quanto uma determinada variável influencia a variável de interesse. Por exemplo, um pesquisador pode utilizar uma análise univariada para verificar a influência da idade na mortalidade de pessoas infectadas por um determinado vírus. 72. Análise multivariada: É um tipo de análise estatística que verifica a associação de um conjunto de variáveis e a variável de interesse. O mundo é multifatorial, e muitas doenças/lesões são influenciadas por um conjunto de fatores. A análise multivariada permite que o pesquisador construa um modelo envolvendo muitas variáveis ao mesmo tempo para determinar a influência desse conjunto de variáveis no desfecho de interesse. Por exemplo, um pesquisador pode utilizar uma análise multivariada para verificar a influência da idade, gênero, raça, diabetes e hipertensão na mortalidade de pessoas infectadas por um determinado vírus. 73. Regressão para a média: Em estatística, a regressão à média é o fenômeno que se apresenta quando uma variável extrema aparece na sua primeira medição, ela tenderá a ser mais próxima da média em sua segunda medição e, paradoxalmente, se é extrema na sua segunda medição, ela tenderá a ter sido mais próxima da média em sua primeira. A regressão à média define que, em qualquer série de eventos aleatórios, há uma grande probabilidade de um acontecimento extraordinário ser seguido, em virtude puramente do acaso, por um acontecimento mais corriqueiro. 74. MCID (Minimal Clinically Important Differences): É o efeito mínimo observado que possa ser considerado clinicamente importante para os pacientes. 75. Metanálise: É um método estatístico para combinar dados em uma revisão sistemática. 17 ÍNDICE REMISSIVO Acurácia diagnóstica: ............................................................................ Pág. 04 Análise multivariada: ...............................................................................Pág. 16 Análise por intenção de tratar: .............................................................Pág. 11 Análise univariada: .................................................................................. Pág. 15 Baseline (linha de base): ........................................................................ Pág. 04 Biblioteca Cochrane: ...............................................................................Pág. 07 BIREME: ................................................................................................... Pág. 08 Cegamento: ...............................................................................................Pág. 11 Colaboração Cochrane: ......................................................................... Pág. 04 Comitê de Ética em Pesquisa: .............................................................. Pág. 06 Confiabilidade: ......................................................................................... Pág. 15 CONSORT statement: ........................................................................... Pág. 12 DeCS: ........................................................................................................ Pág. 08 Desfecho: ................................................................................................. Pág. 03 Desfecho primário: ................................................................................. Pág. 03 Desfecho secundário: ............................................................................ Pág. 03 Diretrizes da prática clínica (Guidelines): ............................................Pág. 10 Ensaio controlado aleatorizado: ........................................................... Pág. 08 Ensaio controlado fase I: ........................................................................Pág. 10 Ensaio controlado fase II: .......................................................................Pág. 10 Ensaio controlado fase III: ......................................................................Pág. 10 Ensaio controlado quasi-aleatorizado: ................................................ Pág. 09 Ensaio pragmático: ................................................................................. Pág. 09 Epub (electronic publication) ahead of print: .....................................Pág. 14 Especialidade: .......................................................................................... Pág. 04 Estimativa do efeito: .............................................................................. Pág. 15 Estudo de caso único: ........................................................................... Pág. 09 Estudo de coorte: ................................................................................... Pág. 09 Estudo experimental: ............................................................................. Pág. 08 Estudo observacional: ........................................................................... Pág. 08 Estudos de caso e controle: ..................................................................Pág. 10 Estudos transversais: ............................................................................. Pág. 09 18 Fator de impacto: .....................................................................................Pág. 14 Fator de risco: ..........................................................................................Pág. 04 Fator prognóstico: .................................................................................. Pág. 04 Follow up (reavaliações): ....................................................................... Pág. 05 Incidência: ................................................................................................ Pág. 05 Índice H: ................................................................................................... Pág. 05 LILACS: ......................................................................................................Pág. 07 MCID (Minimal Clinically Important Differences): ............................Pág. 16 MESH (Medical Subject Headings): .....................................................Pág. 07 Metanálise: ................................................................................................Pág. 16 Mudança de desfecho: .......................................................................... Pág. 03 PEDro: ....................................................................................................... Pág. 06 Pesquisa clínica: ...................................................................................... Pág. 08 Pesquisa qualitativa: ............................................................................... Pág. 09 Plausibilidade biológica: ......................................................................... Pág. 05 Prática Baseada em Evidências (PBE): ................................................ Pág. 03 Pre-print: ...................................................................................................Pág. 13 Pre-proof: ..................................................................................................Pág. 14 Prevalência: .............................................................................................. Pág. 05 PRISMA statement: ................................................................................ Pág. 12 PubMed: ....................................................................................................Pág. 07 Qualidade de redação dos artigos: ..................................................... Pág. 12 Qualidade metodológica: .......................................................................Pág. 11 Qualis periódicos CAPES: ..................................................................... Pág. 15 Registros de ensaios clínicos: ............................................................... Pág. 06 Regressão para a média: ........................................................................Pág. 16 Retraction:.................................................................................................Pág. 14 Revisão de escopo (scoping review): ...................................................Pág. 10 Revisão narrativa: ....................................................................................Pág. 10 Revisão por pares: ...................................................................................Pág. 13 Revisão sistemática: ................................................................................Pág. 10 Revistas indexadas por pares: ...............................................................Pág. 13 Revistas predatórias: ...............................................................................Pág. 13 Risco de viés: ............................................................................................Pág. 11 19 SciELO: .......................................................................................................Pág. 07 Sensibilidade: ........................................................................................... Pág. 04 Série de caso: .......................................................................................... Pág. 09 Sham ou placebo: ................................................................................... Pág. 05 Sigilo de alocação: ...................................................................................Pág. 11 Spin: ........................................................................................................... Pág. 12 STROBE statement: ............................................................................... Pág. 12 Validade externa: .................................................................................... Pág. 05 Viés de confirmação: ..............................................................................Pág. 11 20 www.leocostapbe.com.br