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EPISTAXE Visão geral · Qualquer sangramento proveniente da mucosa nasal · Urgência mais frequente na otorrino · 60% das pessoas têm um episódio ao menos 1 vez na vida · Maioria autolimitada · Maior incidência nos meses frios e secos Perfil dos pacientes · Antes dos 10 anos: autolimitados · Entre 45-65 anos: · Mais graves · Necessidade de cirurgia Etiologia · Estímulos intrínsecos ou extrínsecos que provocam modificações no volume sanguíneo, função glandular local e integridade da mucosa, fazendo com que haja exposição dos vasos · Alguma coisa que faz com que os vasos fiquem mais expostos · Trauma · Trauma digital: colocar o dedo no nariz · Passagem de sonda nasoenteral/nasogástrica · Fratura · Alterações anatômicas · Desvio de septo: fluxo laminar turbilhona mais no desvio, fazendo com que a mucosa fique mais ressecada e com os vasos mais expostos · Perfuração septal · Inflamação: rinossinusite, rinite · Vasodilatação · Corpo estranho · Cirurgias nasais · Tumores · Drogas · AINH, AAS · Anticoagulantes · HAS · Coagulopatias · Hemofilia · Coagulopatia secundaria a insuficiência hepática, síndrome paraneoplásica · Trombocitopenia: dengue, quimioterapia · Vasculopatia: telangiectasia hemorragia hereditária Anatomia · O nariz é extremamente vascularizado · Sistema carótida interna: ramificação final na temporal e maxilar (entra no forame esfeno-palatino formando a artéria esfeno-palatina) · Sistema carótida externa Sistema carótida interna · Quando a artéria esfeno-palatina entra no nariz pelo forma, vai emitir dos ramos: artéria nasal lateral posterior (parede lateral) e artéria septal contorna o arco da coana (irriga todo o septo) · Artéria oftálmica emite as artérias etmoidais (anterior e posterior) que irrigam a parte superior do nariz · Plexo de Kiesselbach: região da parte anterior do septo nasal · Confluência e anastomoses de todas as artérias · Muito chance de sangramento (90% dos sangramentos são desse plexo) Classificação · Anterior · Em geral o sangramento vem do plexo de Kiesselbach · Posterior · Em geral artéria esfenopalatina ou algum ramo dela (sangramentos importantes) · Superior · Artérias etmoidais · “S point” Manejo dos pacientes com epistaxe · Primeiramente tratar como um trauma, portanto fazer o ATLS · Proteção de vias aéreas · Estabilização das condições hemodinâmicas · Controle da PA · Exames · Hb/Ht/tipagem sanguínea (apenas em caso de transfusão) · Coagulograma se o paciente usar anticoagulante ou for portador de alguma discrasia · Controle do sangramento com vasoconstritor · Algodão com algum vasoconstritor (adrenalina, afrin, naridrin) e coloca no nariz do paciente Estratégias hemodinâmicas · Identificar o ponto do sangramento e cauterizar Epistaxe anterior (muito frequente em criança) · Cauterização com ácido tricloroacético (80%) · Tamponamento anterior se o sangramento for mais difuso ou se estiver difícil de cauterizar · Fazer pressão sobre o vaso que está sangrando por 48-72 horas usando merocel ou dedo de luva (usando gaze) Epistaxe posterior · Artéria esfenopalatina · Para fazer um tamponamento efetivo usar a sonda de Foley, que após insuflada fica impactada na coana do paciente, fazendo pressão no vaso que está sangrando (saída da esfenopalatina) · Em geral quando fazemos esse tamponamento, preenchemos a cavidade nasal do paciente com gaze · Extremamente desconfortável, portanto, requer cirurgia para cauterização · Tampão por 48-72 horas – embolização ou cirurgia Epistaxe superior · Tamponamento com dedo de luva · Cauterização da artéria etmoidal superior é feita pela orbita · S point: identificar o mamilo no septo para cauterizar (altura da concha média) Indicação de cirurgia Critérios de Wexham · Epistaxe posterior persistente sem controle com tamponamento · Queda da hemoglobina (> 4) ou necessidade de transfusão · 3 episódios de epistaxe recorrente, necessitando de retamponamento durante a mesma internação · Internações hospitalares por epistaxe recorrente ipsilateral (> 3 nos últimos 3 meses) Nunca esquecer 1) Calma e paciência 2) Tipodiagnóstico: achar onde está sangrando com aspiração e identificação do vaso