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PESSOAS QUE CONSULTAM FREQUENTEMENTE 
AULA 4 – MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE 
(CÁP. 22) 
Como definir “pessoas que se consultam frequentemente? ” 
Os médicos acabam rotulando os pacientes como 
somatizadores crônicos, pacientes problemáticos, pacientes 
difíceis.. Aquele paciente que vemos no corredor e já temos 
uma contratransferência negativa o que não traz benefícios 
para o médico nem para o paciente. 
Como identificar um paciente hiperutilizador? Pela 
frequência numérica de consultas, pela avaliação subjetiva 
do médico, pela quantidade de retornos agendadas pelo 
médico. 
Um paciente que se consulta muitas vezes nem sempre é 
um hiperutilizador porque quer. Muitas vezes, o próprio 
médico induz o paciente a ser dependente. 
E uma consulta pediátrica, o médico pede para a mãe levar 
o filho sempre que tiver febre, isso faz a mãe e o bebe 
serem hiperutilizadores. Porém, quando ele orienta a mãe 
dar uma medicação antitérmica toda vez que der a febre, 
essa mãe e criança não estarão sempre lá por causa de 
febre. 
Além disso, médico pode estar em dúvida sobre seu 
diagnóstico e assim fica agendando retornos constantes 
desnecessários. E também tem pacientes que precisam de 
acompanhamento continuo de perto como uma 
hipertensão descompensada, paciente com doença crônica. 
Existem “famílias frequentes”? SIM. Porque existem alguns 
comportamentos de doença que são aprendidos no seio 
familiar e os sintomas são utilizados como meios para 
legitimar a ida à consulta. E também pode ser um 
mecanismo para lidar com fracassos pessoais. 
Podemos verificar isso quando uma mãe sempre consulta 
com o médico trazendo consigo um ou dois filhos que 
verificam que aquele comportamento de sempre estar indo 
ao médico é um comportamento bom, rotineiro. E sempre 
dentro de casa, associam uma dor de cabeça ao ir ao 
médico, um sintoma qualquer de ansiedade também é 
preciso ir ao médico. E acabem gerando esse 
comportamento que legitimam as maneiras de agir no 
futuro. 
Ser um paciente hiperutilizador é um problema? Sempre? 
Devemos lembrar dos processos naturais do adoecer e da 
cura. Pessoas diferentes lidam com a doença de maneira 
diferente. Por exemplo uma dor de cabeça tem gente que 
toma remédio e tem gente que sempre procura um 
médico. 
Então, pode ocorrer um impasse no processo terapêutico e 
de ajuda quando a gente não compreende o paciente como 
um todo. Cada paciente traz consigo um medo, ansiedade e 
não devemos compreender. 
Existem fatores que são os disparadores por exemplo: 
minha mãe teve câncer na mama, então quando eu sinto 
dor na mama já sinto medo e procuro um médico. Uma 
morte de algum parente também gera medo. 
Existem também os fatores opostos que são finalizadores 
que acontecem quando algo deixa de ser considerado 
importante. Uma família que não convive com mortes, tem 
saúde controlada é fator finalizador que faz com que eles 
não se consultem. 
Níveis de gravidade da doença: pacientes hiperutilizadores 
necessitam de reavaliação frequente porque está com 
câncer e portadores de doença crônica. É um 
hiperutilizador por necessidade. 
 
Esse ciclo vicioso de consultas falhas ocorre quando o 
médico não compreende as necessidades do paciente, tem 
contratransferência negativa, a presença do paciente gera 
estresse no paciente e ocorre ocasionando falhas no 
diagnóstico e começa o ciclo vicioso. 
Compressão deficiente da situação da pessoa: falta de 
paciência, faz julgamentos e isso gera uma respota 
inadequada as necessidades, o médico tenta se livrar 
daquele paciente de maneira incorreta, o que gera um 
prolongamento do sofrimento no paciente e ele portanto, 
não resolve seu problema, então repete as consultas. 
Assim, o médico começa a ter menos tempo disponível o 
que gera estresse médico e menor qualidade de cuidados. 
Daí gera uma aversão, angustia e até um bournout no 
médico. 
Os médicos devem utilizar uma abordagem compreensiva a 
esse paciente, fazendo com que ele fale mais sobre seu 
problema e que ele mesmo compreenda os reais motivos 
daquele problema. 
ALGUMAS DIMENSÕES E FATORES ASSOCIADOS À 
PROCURA FREQUENTE DE CONSULTAS EM MEDICINA 
DE FAMILIA: 
Doenças, problemas e situação de saúde como 
→ Doenças crônicas (doenças musculoesqueléticas, 
diabetes melittus, doença pulmonar obstrutiva 
crônica, etc.). 
→ Problemas de saúde mental, problemas 
psicossomáticos e somáticos, 
→ Sintomas clinicamente inexplicáveis, ansiedade e 
menos subjacentes ao estar doente, à experiência 
da doença e multimorbidade. 
Pessoais: 
→ Sexo feminino (a mulher é estimulada a procurar 
para preventivo, atenção primaria) e extremos 
etários. 
→ Etnia 
→ Donas de casa, pensionistas, desempregados 
→ Características de personalidade 
→ Autopercepção do estado de saúde 
→ Baixa autoestima, lócus de controle e externo e 
frágil resiliência 
→ Busca inconsciente do seu valor e necessidade de 
aceitação, reconhecimento e validação social. 
→ Incapacidade de pensar sobre si mesmo e o 
mundo 
→ Espiritualidade frágil ou inconsistente 
Família, problemas e acontecimentos vitais 
→ Problemas psicossociais (relacionais, econômicos, 
etc.) 
→ Disfunção familiar (doença crônica de um 
elemento, violência domestica, alcoolismo e 
outros) 
→ Família unitária, solidão, viuvez 
→ Família monoparental com crianças dependentes. 
Médicas e relação méico-pessoa: 
→ Patrimônio culturas, valores, preconceitos 
→ Atitude (paternalista versus capacitadora) 
→ Necessidade de que outros dependam de si 
→ Disponibilidade psicológica reduzida 
→ Competências comunicacionais e relacionais 
→ Competências na abordagem de problemas de 
saúde mental 
→ Competências na abordagem de situação 
complexas 
→ Autoquestionamento frequente (capacidade e 
habito de se pôr em causa no trabalho, nas 
relações com usuários, forma como se articula 
com a equipe). 
Equipes de saúde da familia: 
→ Trabalho isolado (pratica autônoma da medicina vs 
equipe de saúde multiprofissional) 
→ Forma de funcionamento, motivação coletiva, 
cultura organizacional de método de trabalho e 
atitudes da equipe (disponibilidade, abertura, 
humanidade, sensibilidade, tolerância, 
adaptabilidadea situações complexas vs. Equipe 
fechada sobre si própria, resistência a mudança) 
→ Qualidade das relações interpessoais entre os 
vários elementos da equipe 
→ Competência profissionais existentes na equipe e 
capacidade de mobilizar outras competências e 
recursos. 
→ Consultas por iniciativa do médico ou equipe para 
atividades preventivas. 
Contextos sociocomunitário e cultural: 
→ Características demográficas e socioeconômicas da 
população 
→ Prevalência de algumas doenças e problemas de 
saúde como parasitoses, dermatoses 
→ Padraoes socioculturais no comportamento 
perante a doença 
→ Imagem social do médico 
→ Redes de suporte social 
→ Distancia de unidade de saúde 
Sistema de saúde e organização dos serviços: 
→ Sistema de saúde (acesso, universalidade, 
integridade, forma de pagamento) 
→ Formas retribuição dos profissionais 
→ Medos de organização dos serviços de saúde, 
sistemas de organização e de marcação de 
consultas. 
É importante conhecer a comunidade e seus recursos? SIM. 
Existem hoje evidencias que mostram que quando 
conhecemos alguma forma de terapia extra 
medicamentosa, tem efetividade no tratamento. 
Ex: uma paciente idosa que é hiperutilizadora e ta sempre 
no consultório com queixas crônicas de difíceis soluções, se 
encaminhar para uma terapia ocupacional, grupo de 
atividade física. Com ctz essa nova ocupação vai fazer com 
que o paciente tenha um auto estima melhor e acabe 
esquecendo os problemas. Então, os recursos disponíveis 
são muito importantes. 
Como analisar, abordar e intervir? 
Em pacientes hiperutilizadores, devemos usar esse método 
clinico integrado, centrado na pessoa. 
 
Ele mostra que a pessoa/paciente está diretamento ligada 
ao medico e profissional, portanto precisa de uma 
comunicação boa. 
A pessoa estáinserida em um contexto de família, rede 
social, as pessoas que ela tem contato, o sistema de saúde. 
O médico está inserido na sua equipe, que pode ser do 
posto ou município. E tudo isso gera saúde para o paciente. 
Quais competências necessárias para o profissional de 
saúde? 
 
Dicas para lidar com as pessoas que consultam 
frequentemente: 
 
 
 
É útil monitorizar o fenômeno em uma população definida? 
SIM. Pandemias por exemplo gera uma histeria coletiva e 
aumenta o número de hiperutilizadores. 
População com grande quantidade de hipertensos, devem 
ser marcados todos e observar a falha na prevenção de 
hipertensão. 
1. O que é uma "pessoa que consulta 
frequentemente"? 2. Existem "famÍlias 
frequentes"? 3. É um problema? Sempre? 4. 
Quais as dimensões e fatores a considerar? 5. 
É importante conhecer a comunidade e seus 
recursos? 6. Como analisar, abordar e 
intervir? 7. Quais as competências 
necessárias? 8. É útil monitorizar este 
fenômeno numa população definida?

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