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PERÍCIA CONTÁBIL
Programa de Pós-Graduação EAD
UNIASSELVI-PÓS
Autoria: Jorge da Silva Krening
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Reitor: Prof. Hermínio Kloch
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof.ª Cláudia Regina Pinto Michelli
Equipe Multidisciplinar da 
Pós-Graduação EAD: Prof.ª Bárbara Pricila Franz
 Prof.ª Cláudia Regina Pinto Michelli
 Prof. Ivan Tesck
Revisão de Conteúdo: Fábio Darci Kowalski
Revisão Gramatical: Iara de Oliveira
Revisão Pedagógica: Bárbara Pricila Franz
Diagramação e Capa: 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Copyright © UNIASSELVI 2017
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial.
 657.450
 J92p Krening, Jorge da Silva
 Perícia contábil / Jorge da Silva Krening. Indaial : 
 UNIASSELVI, 2017.
 143 p. : il.
 
 ISBN 978-85-69910-36-7
 1. Perícia Contábil.
 I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. 
Me. Jorge da Silva Krening
Possui Mestrado em Controladoria pela 
Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista 
em Auditoria e Perícia pela Universidade Federal do 
Rio Grande do Sul e Graduação em Ciências Contábeis 
pela Universidade Federal de Santa Maria. Profissional 
especializado em auditoria e controladoria, com atuação 
destacada na avaliação de riscos e controles internos. 
Possuí comprovada experiência em auxiliar e subsidiar os 
Risk Owners (donos do risco) nos processos de gestão de 
riscos, monitorando os resultados, consolidando práticas, 
metodologias e planos de ação por meio de reportes, além 
de elaborar e disseminar políticas e normas internas em seus 
diversos níveis. Tem vivência na elaboração e aplicação de 
matrizes de riscos, conforme estrutura conceitual COSO 
(Committee of Sponsoring Organizations). Além da vivência 
em auditoria, tem experiência no planejamento, organização 
e supervisão das atividades de contabilidade, coordenação 
e implantação de diretrizes, metodologias e politicas 
corporativas. Também atua como professor de Auditoria e
Contabilidade Avançada nos cursos de pós-graduação 
do grupo UNIASSELVI. Possuí experiência em diversos 
segmentos (comércio, indústria, prestação de serviço e 
instituições financeiras).
Artigos completos publicados em periódicos:
IMONIANA, J.O.; KRENING, J. Adesão das Cooperativas 
de Crédito à Framework de Controles Internos. Revista 
Organizações em Contexto (Online)., v. 11, p. 571 - 
601, 2015.
Capítulos de livros publicados:
KRENING, J. Identificação e avaliação dos riscos 
de distorção relevante por meio de entendimento 
da entidade e seu ambiente. In: PROCONTAB 
Contabilidade. Auditoria independente. Porto 
Alegre: Artmed Panamericana, 2016, v.3, p. 
9-25.
Sumário
APRESENTAÇÃO ..................................................................... 7
CAPÍTULO 1
Fundamentos da Perícia Contábil ....................................... 9
CAPÍTULO 2
Plano de Trabalho em Perícia Contábil ........................... 23
CAPÍTULO 3
Parecer e Laudos Periciais ................................................. 33
CAPÍTULO 4
Perícia Judicial ...................................................................... 53
CAPÍTULO 5
Técnicas de Execução da Perícia ....................................... 61
CAPÍTULO 6
Aplicação da Perícia Contábil............................................. 71
CAPÍTULO 7
Arbitragem .............................................................................79
CAPÍTULO 8
Normas Brasileiras Sobre a Perícia .................................. 91
CAPÍTULO 9
Fraudes em Contabilidade ..................................................101
CAPÍTULO 10
Instituto da Prova Pericial ............................................... 117
CAPÍTULO 11
Perícia no Código Civil Brasileiro ................................... 127
CAPÍTULO 12
Casos Práticos de Perícia Contábil .................................135
APRESENTAÇÃO
Prezado(a) acadêmico(a), a partir deste momento você terá a oportunidade de 
conhecer o que é perícia contábil. Trata-se de um tema de grande importância na 
sua formação profissional, pois lhe dará a base necessária para que possa encontrar 
excelentes oportunidades no mercado de trabalho. Isso depende apenas do seu 
comprometimento com o estudo. 
Serão abordados os aspectos introdutórios, nos quais buscaremos registrar 
as regras da perícia atribuídas ao contador, a origem da perícia de âmbito geral e 
o surgimento da perícia contábil no Brasil. Dando prosseguimento, buscaremos 
identificar os objetivos, conceituar o sentido e, também, os elementos da perícia. 
Trataremos, do mesmo modo, do perfil do profissional habilitado para o exercício da 
perícia. Esforçamo-nos para conceituar e esclarecer que a tomada de decisão cabe 
aos Juízes Estaduais e Federais, os quais conduzem os processos de acordo com o 
Código de Processo Civil. Também procuramos esclarecer questões sobre o início e 
as características da matéria pericial, fundamentos doutrinários, a ética profissional, 
bases contextuais, exercício profissional, a função contábil e o perito.
Teremos por assunto uma abordagem histórica e as características que 
levaram à realização da perícia, como classificação, requerimento e trabalhos 
técnicos da contabilidade. 
Para nos tornarmos afins de nossas atribuições, tornaremos evidente o 
exercício profissional e ressaltaremos que, ao realizar uma perícia, podem ocorrer 
irregularidades administrativas e irregularidades contábeis. No que diz respeito a 
essas irregularidades, o assunto abordado deve ser demonstrado em um laudo 
elaborado pelo profissional da área denominado de perito.
Por fim, versaremos sobre as fraudes em contabilidade e, também, sobre o 
instituto da prova pericial. Daremos ênfase para a Lei n. 13.105/2015, responsável 
por trazer novidades e mudanças significativas no que diz respeito à perícia, em 
especial à perícia contábil.
Para melhor entendimento do tema, apresentaremos algumas situações para 
ilustrar como se dá a aplicação da perícia, portanto, abordaremos, de forma breve e 
sucinta, a perícia nas áreas trabalhista e bancária.
Com esta exposição, é possível percebermos a relevância desta matéria. 
Desejo a você uma boa leitura e que este caderno lhe forneça subsídios para sua 
aprendizagem. Bons estudos!
O autor.
CAPÍTULO 1
Fundamentos da Perícia 
Contábil
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
	Compreender os fundamentos e conceitos da Perícia Contábil de acordo com 
a legislação vigente.
	Desenvolver os conhecimentos conceituais para utilização no campo da Perí-
cia Contábil.
10
 Perícia Contábil
11
Fundamentos da Perícia Contábil Capítulo 1 
Contextualização
Para entendermos como se dá a aplicação prática da perícia contábil, 
primeiramente devemos abordar os aspectos introdutórios, nos quais é 
importante estudar as regras atribuídas ao perito-contador por meio das leis que 
regulamentam a atividade, sua origem e principais objetivos e finalidades. 
Este capítulo apresenta conteúdo atualizado e focado para os principais 
fundamentos inerentes a este ramo do conhecimento, abordando, de forma breve, 
aspectos históricos da perícia. 
Procuramos trazer informações relevantes acerca da perícia judicial, 
extrajudicial e arbitral e, sobre assuntos que ajudarão você, pós-graduando(a), a 
ter maiores esclarecimentos sobre o tema, incluindo questões sobre o exercício 
profissional, a função contábil e o perito. Com esta exposição é possível 
percebermos a relevância desta matéria. 
Desejo a você um bom estudo e que este capítulo lhe forneça subsídios para 
sua aprendizagem.
Conceitos e Finalidades
Antes de falarmos em perícia contábil,primeiramente, faz-se necessário 
entender e compreender o conceito mais generalista de perícia. Para levantamento 
da prova pericial, objetivo principal da perícia, são necessários habilidades e 
conhecimentos que recaem em áreas específicas (administração, engenharia, 
medicina, contabilidade, etc.).
Portanto, podemos fundamentar a perícia contábil como um apanhado de 
procedimentos técnico-científicos que objetivam dar suporte à uma instância 
decisória, elementos de prova que servirão como subsídio para uma justa solução 
do litígio ou constatação de fato. Isso se dará por meio de laudo pericial contábil 
ou parecer técnico-contábil, que deverá estar em conformidade com as normas 
jurídicas e profissionais e com a legislação específica no que for pertinente.
De maneira geral, perícia é o testemunho técnico, visando conhecer um 
fato cuja existência não pode ser acertada ou juridicamente apresentada, se não 
suportada em conhecimentos técnicos e científicos.
12
 Perícia Contábil
perícia é o 
testemunho 
técnico, visando 
conhecer um fato 
cuja existência não 
pode ser acertada 
ou juridicamente 
apresentada, se 
não suportada em 
conhecimentos 
técnicos e 
científicos.
A necessidade de se fazer uma perícia ocorre sempre que se 
apresentam as seguintes características: 
• Surge de um conflito latente e manifesto que se quer esclarecer.
• Constata prova ou demonstra veracidade de alguma situação, coisa 
ou fato.
• A perícia se fundamenta em requisitos técnicos, científicos, legais e 
profissionais.
• Sua materialização deve ocorrer segundo forma especial, à instância 
decisória, a transmissão da opinião técnica ou científica sobre a 
verdade dos fatos, de modo que a verdade jurídica corresponda 
àquela (BARBOZA, 2010).
Nas palavras de Sá (2005), a perícia contábil é a verificação de fatos 
ligados ao patrimônio individualizado, visando oferecer opinião, mediante 
questão proposta. Para tal opinião, realizam-se exames, vistorias, indagações, 
investigações, avaliações, arbitramentos, em suma, todo e qualquer procedimento 
necessário à opinião.
Breve Histórico
Historicamente, a perícia está intrinsicamente ligada à cultura dos povos 
antigos, que foram responsáveis pela sua introdução. Vestígios de perícia são 
encontrados, registrados, e documentados na civilização antiga do Egito, e, 
também, na Grécia, um dos berços da sistematização dos conhecimentos jurídicos. 
Naquela época, surgiu a figura dos especialistas em determinados campos do 
conhecimento, visando realizar verificação e exames de determinadas situações.
Considerando o aspecto de tempo e espaço, entendemos ser importante 
analisar o Quadro 1, que sintetiza, de forma objetiva, a cronologia histórica da 
evolução da perícia contábil:
13
Fundamentos da Perícia Contábil Capítulo 1 
Quadro 1 – Cronologia histórica da perícia
Período Principais Acontecimentos
Ano 4000 a.C Primeiros sinais do uso da contabilidade e primeiros vestígios de perícias para agrimensura.
Ano 1248 a.C. Claras referências da realização de perícias de levantamento de locais de morte violenta na obra Si Yuan Lu, do Juiz Song Ts’Eu na China.
Ano 130 d.C
Vestígios de escritas de perícia no papiro Abbot, ao tempo do Imperador Adriano 
Trajano Augusto. Corresponde a um autêntico laudo do médico Caio Minucio Valeria-
no, do burgo de Caranis, a propósito de ferimentos na cabeça recebidos por um 
indivíduo chamado Mysthorion.
Século VIII O Imperador Carlos Magno, nas Leis Capitulares, Sálicas e Germânicas, exigia a interferência de médicos para analisar ocorrências de mortes violentas.
A partir do Século 
XIII
Grande desenvolvimento da perícia como instrumento de prova na Grécia, França, 
Inglaterra e Itália.
Século XIV O Papa Gregório XI, nas Leis Decretais, determinava a realização de perícias médi-cas para a comprovação de casos de impotência, aborto e lesões corporais.
No ano de 1850
A perícia surge regulamentada no Brasil pela Lei n. 556 de 25 de junho de 1850 
– Código Comercial – que estabeleceu o Juízo Arbitral obrigatório nos casos de 
abalroação de navios. Regulamento n. 737, de 25 de dezembro de 1850, sobre o 
funcionamento do perito. Em matéria contábil, é escolhido o profissional formado em 
aula de Comércio com posse da Carta de Habilitação.
No ano de 1863
Pela primeira vez, é utilizada a arbitragem na chamada ‘Questão Christie’, caso que 
envolvia a detenção de oficiais da marinha britânica por autoridades policiais brasi-
leiras. A arbitragem, cujo laudo foi favorável ao Brasil, foi feita pelo Rei Leopoldo, da 
Bélgica.
No ano de 1866 Revogado o Juízo Arbitral obrigatório pela Lei n. 1.350 (o juízo arbitral voluntário permaneceu).
No ano de 1911 O governo brasileiro decreta lei sobre peritos contabilistas, estabelecendo suas atribuições. 
No ano de 1916 É aprovado o regulamento pronunciando-se sobre a perícia contábil.
No ano de 1917 Entra em vigor a Lei n. 3.071, de 1º de janeiro de 1916 – Código Civil, que tem trata sobre a profissão do contador e, consequentemente, a perícia contábil.
No ano de 1939
Entra em vigor o Decreto Lei n. 1.608, de 18 de setembro de 1939. Definia a partici-
pação do perito nas ações judiciais, mais precisamente, no campo do direito civil e 
comercial.
No ano de 1946 Entra em vigor o Decreto Lei n. 9.295 de 27 de maio de 1946, que define as atribui-ções do Contador e do Guarda-livros, a legalização da perícia contábil.
No ano de 1973 Entra em vigor o Novo Código de Processo Civil, Lei n. 7.270, de 10 de dezembro de 1984. Estabeleceu-se que o perito necessitava de formação universitária.
No final do ano de 
2009
O Conselho Federal de Contabilidade aprova as Resoluções CFC n. 1.243/09, que 
aprova a NBC TP 01- Perícia Contábil e a Resolução CFC n. 1.244/09, que aprova a 
NBC PP 01 – Perito Contábil.
Fonte: Manual de Procedimentos Periciais (2010).
14
 Perícia Contábil
Em relação ao Brasil, Sá (2009) comenta que, embora as informações 
ocorressem de forma precária, o que se sabe é que a perícia surgiu em um evento 
da classe contábil em 1924, quando aconteceu o primeiro Congresso Brasileiro de 
Contabilidade.
Magalhães et al. (2008) corroboram com Sá (2009) e citam que foi com 
o advento do “segundo” Código de Processo Civil, criado pela Lei n. 5.869/73, 
por meio das Leis Complementares atribuídas ao Código de Processo Civil, 
que as perícias judiciais tiveram ampliada a sua legislação, ficando de forma 
clara e aplicável. Neste contexto, foi inclusa a Legislação Trabalhista e o Direito 
Comercial, que adotam a mesma metodologia que as jurisprudências de natureza 
processual civil, ampliando a área atingida pela perícia.
Perito-Contador
A perícia contábil é de competência exclusiva do contador em situação regular 
perante o Conselho Regional de Contabilidade de sua jurisdição. O Decreto-Lei 
n. 9.295/46, que regulamenta a profissão de Contador, especificamente no seu 
artigo 25, alínea “c”, deixa claras as prerrogativas e atribuições dos profissionais 
da contabilidade em relação à perícia. 
[...] as perícias contábeis ou extrajudiciais, revisão de balanços 
e de haveres, revisão permanente ou periódica de escritas, 
regulações judiciais ou extrajudiciais de avarias, grossos ou 
comuns, assistência aos conselhos Fiscais das Sociedades 
Anônimas e quaisquer outras atribuições de natureza técnica 
conferidas por lei aos profissionais de contabilidade. (BRASIL, 
1946).
Portanto, aquele que executa a perícia é chamado de perito. Este profissional 
deverá possuir conhecimento e experiência específicos na questão determinada, 
pois deverá emitir sua opinião técnica sobre a matéria examinada. É por meio dos 
exames que o perito trará clareza suficiente, trazendo à tona a verdade de fatos 
complexos sobre determinado assunto.
Barboza (2010) conceitua o profissional perito como um agente ativo da 
perícia, uma pessoa entendida sobre determinado assunto, expert, que tem 
como objetivo esclarecer os aspectos técnicos dos fatos, medianteelaboração 
de exame, ou de vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação ou até 
certificação.
Vários autores conceituam e vinculam o perito como profissional da 
contabilidade, tendo a grande maioria entendimento semelhante ao exposto 
15
Fundamentos da Perícia Contábil Capítulo 1 
pelo CFC (Conselho Federal de Contabilidade), por meio da NBC PP 01 – Perito 
Contábil: “Perito é o contador, regularmente registrado em Conselho Regional 
de Contabilidade, que exerce a atividade pericial de forma pessoal, devendo ser 
profundo conhecedor, por suas qualidades e experiências, da matéria periciada” 
(CFC, 2012, p. 24).
Portanto, perito não é profissão, mas sim o exercício de uma função dentro 
de seus conhecimentos para acurar determinado fato no âmbito de domínio. Para 
isso, a qualificação é fator indispensável.
Habilitação Profissional
De acordo com o item 7 da NBC TP 01, o perito deve comprovar sua 
habilitação:
[...] como perito em contabilidade por intermédio de Certidão de 
Regularidade Profissional emitida pelos Conselhos Regionais 
de Contabilidade. O perito deve anexá-la no primeiro ato de 
sua manifestação e na apresentação do laudo ou parecer 
para atender ao disposto no Código de Processo Civil. É 
permitida a utilização da certificação digital, em consonância 
com a legislação vigente e as normas estabelecidas pela 
Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras – ICP-Brasil. 
(NBC, 2015).
No âmbito geral, a habilitação profissional significa o conhecimento de 
determinado assunto, que permite apresentar os fatos comprovadores da 
realização de atos ilícitos, e permita às autoridades dirimir dúvidas pertinentes. 
Para isso, é necessário comprovar sua habilitação, que segundo Sá (2009, p. 
277), “devem o perito-contador e o perito-contador assistente, fazê-lo mediante 
apresentação de certidão específica, cujo documento é emitido pelo Conselho 
Regional de Contabilidade, de acordo com a forma a ser regulamentada pelo 
Conselho Federal de Contabilidade”.
A referida certidão deverá ser juntada ao processo no primeiro momento que 
o perito-contador, ou o perito-contador assistente se manifestarem nos autos, 
ficando habilitados para o exercício da função pericial contábil.
O CRC de cada estado é o órgão que emite a DHP, a qual é fornecida ao 
profissional da contabilidade que está em dia com suas obrigações profissionais, 
através do acesso à internet, na página do CRC, de acordo com seu estado de 
origem. Os conselhos regionais seguem padrões de acesso e consultas.
16
 Perícia Contábil
Neste curso que você está iniciando, a UNIASSELVI 
disponibiliza, na sua plataforma virtual de aprendizagem, um conjunto 
de materiais que auxiliarão nos seus estudos. Acesse com seu login 
e senha no site da instituição: <www.uniasselvipos.com.br>.
Figura 1 – Exemplo acesso site do CRC SC
Fonte: CRCSC. Acesso em: 31 maio 2016.
A declaração fornecida está demonstrada a seguir:
Figura 2 – Exemplo de declaração de regularidade profissional
Fonte: CRCSC. Acesso em: 01 jun. 2016.
17
Fundamentos da Perícia Contábil Capítulo 1 
Você sabia que: A expressão perícia é derivada do latim peritia, 
que significa conhecimento. Portanto, quando falamos em perícia 
não podemos nos limitar a uma determinada área do conhecimento. 
Como exemplo, podemos citar: peritos-engenheiros, peritos-médicos, 
peritos-psicólogos, peritos-criminais, etc. O chamado perito-contador 
é o profissional habilitado para lidar com questões e fatos ligados à 
Ciência Contábil.
Tipos de Perícia
De acordo com a área de atuação à qual ela é demandada, a perícia pode 
ser classificada em quatro tipos. A forma de execução se dará em função do tipo, 
que também implicará o produto final a ser apresentado (laudo ou parecer). 
Alberto (2009) classifica essas modalidades de perícia como: (a) perícia 
judicial; (b) perícia semijudicial; (c) perícia extrajudicial; (d) perícia arbitral. 
Segue um pequeno resumo para que você possa entender o conceito e 
finalidade de cada uma delas:
a) Perícia Judicial
Quando os usuários principais forem os agentes do Poder Judiciário. Estes 
realizarão o requerimento, considerando as regras legais estabelecidas. A perícia 
judicial se divide em: finalidade apontada pelo processo e prova ou arbitramento. 
 
Portanto, a perícia judicial será prova quando, no processo de conhecimento 
ou de liquidação por artigos, tiver o propósito de trazer a verdade real, demonstrável 
científica ou tecnicamente, para subsidiar a decisão do julgador; e será arbitramento 
quando determinada no processo de liquidação de sentença, tiver por objeto 
quantificar a obrigação mediante critério técnico em que ela se constituir.
18
 Perícia Contábil
b) Perícia Semijudicial
Realizada dentro da grandiosidade institucional do Estado, não afetando 
o Poder Judiciário, e com finalidade principal de ser meio de prova nos 
ordenamentos institucionais usuários. 
A perícia semijudicial subdivide-se em: (I) policial (nos inquéritos); (II) 
parlamentar (nas comissões parlamentares especiais); e (III) administrativo-
tributária (nos conselhos de contribuintes). Alberto (2009) ressalta que são 
classificadas em semijudiciais porque as autoridades policiais, parlamentares ou 
administrativas têm algum poder jurisdicional, e por estarem sujeitas às regras 
legais e regimentais semelhantes às judiciais.
c) Perícia Extrajudicial
É aquela realizada fora do Estado e da esfera judicial, não submetível a uma 
outra pessoa encarregada de arbitrar a matéria conflituosa, inclusive fora do juízo 
arbitral. São subdivididas em: 
• Demonstrativas: mostrar a veracidade ou não do fato; 
• Discriminativas: levantar os termos justos do fato em que há dúvida do 
 quantum; 
• Comprovativas: comprovar fraudes, desvios, simulações, etc.
Quantum é uma palavra empregada para designar uma 
quantidade ou uma quantia indeterminada. Portanto, quantia em 
pecúnia, pedido em condenação. QUANTUM DEBEATUR: O 
quanto se deve. QUANTUM SATIS: O quanto suficiente. SI ET IN 
QUANTUM: Agora e enquanto perdurar a mesma situação. Exemplo: 
Se o quantum da pensão alimentícia for fixado judicialmente, qual o 
prazo de prescrição?
d) Perícia Arbitral
É aquela que não se enquadra em nenhum dos conceitos acima. É realizada 
no âmbito da instância decisória criada pelas partes envolvidas. Subdivide-se em 
probante e decisória, de acordo com a destinação de funcionamento.
19
Fundamentos da Perícia Contábil Capítulo 1 
Nos capítulos 4 e 7, você encontra um maior detalhamento 
sobre perícia judicial e arbitragem.
NOMENCLATURA DE DISPOSITIVOS REGULADORES
a) Princípios: fundamentos da ação da ciência sobre seu objeto 
e seu objetivo. Dos princípios decorrem as normas e os padrões. 
Caracterizam-se pela universalidade e generalidade. Os princípios 
funcionam como parte estrutural na atividade pericial, para a 
aplicação de regras para a condução da perícia. 
b) Normas: são os indicativos comportamentais, envolvendo as 
técnicas e a ética, obrigatórios na execução da ciência. Caracterizam-
se pela generalidade e especificidade e são obedientes aos 
princípios. São mutáveis e adaptáveis à realidade do ambiente.
 
c) Padrões: também são comportamentos técnicos e éticos, mas 
oriundos do resultado das ações dos profissionais daquela ciência. 
Representam a práxis adotada, habitualmente ou comumente.
Fonte: Conselho Federal de Contabilidade (2009).
Nomenclatura (Dispositivos 
Reguladores)
É importante salientar a necessidade da observação por parte dos peritos, 
dos princípios, normas e padrões. Estes se designam para fornecer aos peritos 
um referente profissional, buscando a uniformidade, segurança jurídica e a 
previsibilidade em relação aos seus atos.
20
 Perícia Contábil
Devemos lembrar 
sempre que 
toda atividade 
profissional, dentre 
outras a da perícia 
contábil, está sujeita 
às normas legais e 
aos procedimentos 
específicos.Leis que Regulamentam a Prática da 
Perícia
Os primórdios do Código de Processo Civil (CPC) em 1939, já trazia regras 
relacionadas à perícia, mas foi com o surgimento do Conselho Federal de 
Contabilidade, por meio do Decreto-Lei n. 9.295/46, que foi institucionalizada a 
perícia contábil de fato. Ou seja, as atribuições legais estavam a cargo exclusivo 
dos contadores diplomados.
Considerando que a perícia contábil está em crescente evolução, foi, no 
entanto, com uma nova edição do Código de Processos Civil (CPC), por meio da 
Lei n. 5.869/73, que “as perícias judiciárias foram agasalhadas com tratamento 
mais cristalino” (HOOG, 2005). 
Temos, também, a legislação trabalhista e o Direito Comercial (CC/2002), 
incluídos no contexto da atividade pericial, da mesma forma que a jurisprudência 
de natureza processual civil.
Em função do crescimento da importância da Perícia Contábil no Brasil, o 
órgão máximo de fiscalização do exercício profissional do Contador, o CFC 
(Conselho Federal de Contabilidade), tomou para si a responsabilidade de editar 
as normas que regulamentam o tema.
No exercício de suas atribuições legais, o CFC aprovou as seguintes normas:
• NBC PP 01 – Perito Contábil (última atualização em 27 de fevereiro de 
2015): norma que estabelece procedimentos inerentes à atuação do contador na 
condição de perito.
• NBC TP 01 – Perícia Contábil (última atualização em 27 de fevereiro de 
2015): norma que estabelece regras e procedimento técnico-científicos a serem 
observados pelo perito, quando da elaboração da perícia contábil, no âmbito 
judicial, extrajudicial, mediante o esclarecimento dos aspectos e dos fatos do litígio 
por meio de exame, indagação, investigação, arbitramento, avaliação e 
certificação.
Devemos lembrar sempre que toda atividade profissional, dentre 
outras a da perícia contábil, está sujeita às normas legais e aos 
procedimentos específicos.
21
Fundamentos da Perícia Contábil Capítulo 1 
Atividades de Estudos:
1) Cite as características que justificam a necessidade de se fazer 
uma perícia.
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
2) De acordo com a área de atuação a perícia pode ser classificada 
em quatro tipos. Conceitue cada uma delas.
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
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 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
Algumas Considerações 
Neste capítulo, procuramos apresentar o conceito de perícia contábil de 
acordo com a legislação em vigência. Além disso, entendemos que a perícia não 
está limitada somente a uma área do conhecimento.
Abordamos os tipos de perícias e as nomenclaturas dos seus dispositivos 
regulares, verificando que a perícia judicial ocorre quando realizada por 
requerimento ou necessidade dos agentes do Poder Judiciário, devendo obedecer 
às regras.
É importante lembrar sempre que somente o profissional de contabilidade 
(contador) pode atuar como perito, em função do seu domínio técnico em áreas 
como direito tributário, bancário, comercial, financeiro, penal, administrativo, 
constitucional, previdenciário, ambiental, trabalhista e processual.
22
 Perícia Contábil
No próximo capítulo, abordaremos a metodologia e procedimentos 
empregados pelo perito-contador para criação de um plano de trabalho de perícia 
contábil.
Referências
ALBERTO, Valder Luiz Palombo. Perícia contábil. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
BRASIL. Decreto-Lei n. 9.295, de 27 de maio de 1946. Cria o Conselho Federal 
de Contabilidade, define as atribuições do Contador e do Guarda-livros, e dá 
outras providências. Diário Oficial da União. Rio de Janeiro: 1946. Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del9295.htm>. Acesso em: 
20 jun. 2016.
BARBOZA, Jovi. Perícia contábil e arbitragem. Maringá: Editora Projus, 2010.
CFC - Conselho Federal de Contabilidade. Normas brasileiras de 
contabilidade: perícia contábil: NBC TP 01 e NBC PP 01. Brasília: Conselho 
Federal de Contabilidade, 2012. Disponível em: <http://goo.gl/5Zcb3n>. Acesso 
em: 20 jun. 2016.
HOOG, Willian Alberto Zappa. Prova Pericial contábil: aspectos práticos & 
fundamentais.
4. ed. Curitiba: Juruá, 2005.
MAGALHÃES, A. de Deus et al. Perícia Contábil: Uma Abordagem Teórica, 
Ética, Legal, Processual e Operacional. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
NBC. Normas Brasileiras de Contabilidade. NBC TP 01, de 27 de fevereiro de 
2015. Dá nova redação à NBC PP 01 – Perito Contábil. Disponível em: <http://
www.normaslegais.com.br/legislacao/nbc-pp-01-2015.htm>. Acesso em: 02 jun. 
2016.
SÁ, Antônio Lopes de. Perícia Contábil. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
CAPÍTULO 2
Plano de Trabalho em Perícia 
Contábil
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Compreender a metodologia e os procedimentos empregados para criação de 
um plano de trabalho em Perícia Contábil.
� Aplicar a metodologia para desenvolvimento do plano de trabalho.
24
 Perícia Contábil
25
Plano de Trabalho em Perícia Contábil Capítulo 2 
Contextualização
Para melhor atingir seus objetivos, o perito-contador deve, primeiramente, 
preocupar-se e destinar tempo para a estratégia do seu trabalho. Para isso, faz-se 
necessário um plano de trabalho ou um planejamento. 
O objetivo principal é identificar o objeto da perícia e definir o escopo e 
procedimentos do trabalho a ser executado na busca da prova pericial, que servirá 
como alicerce para fundamentar a proposta de honorários, visando justificar, com 
máxima clareza e transparência possível ao Juiz, o tempo necessário de acordo 
com a complexidade, diligências e equipe técnica, demais custos, etc. Portanto, é 
necessário justificar o porquê dos custos em toda fase da perícia, ou seja, desde 
a leitura dos autos, coleta de informações até a emissão do produto final, o laudo 
pericial.
Um plano de trabalho bem elaborado consiste em evitar que o Juiz, por 
exemplo, por ausência de legitimidade, acabe arbitrando um valor que não seja 
suficiente para cobrir os custos diretos e indiretos da perícia.
Com esta exposição, é possível percebermos a relevância deste capítulo. 
Desejo a você bom estudo e que este material lhe forneça subsídios para sua 
aprendizagem.
Conceito de Plano de Trabalho 
(Planejamento)
O planejamento da perícia ou plano de trabalho é a fase da perícia 
antes das pesquisas, cálculos e respostas aos quesitos. É nesta etapa 
que o perito do juízo estabelece a metodologia dos procedimentos 
periciais a serem aplicados, elaborando-a a partir do conhecimento do 
objeto da perícia.
De maneira geral, o planejamento ou plano de trabalho é uma 
espécie de guia norteador que consiste na quantificação do tempo 
necessário à realização de cada etapa da perícia, na estimativa do 
valor dos honorários, de uma forma organizada, com as reflexões 
necessárias e as medidas que devem ser tomadas em cada quesito.
Os itens de 42 a 45 da NBC TP 01 tratam sobre o cronograma do 
planejamento dos trabalhos periciais. O item 42 dispõe:
O planejamento ou 
plano de trabalho 
é uma espécie 
de guia norteador 
que consiste na 
quantificação do 
tempo necessário à 
realização de cada 
etapa da perícia, 
na estimativa 
do valor dos 
honorários, de uma 
forma organizada, 
com as reflexões 
necessárias e as 
medidas que devem 
ser tomadas em 
cada quesito.
26
 Perícia Contábil
O perito-contador deve levar em consideração que o 
planejamento da perícia, quando for o caso, inicia-se antesda elaboração da proposta de honorários, considerando-se 
que, para apresentá-la ao juízo, árbitro ou às partes no caso 
de perícia extrajudicial, há necessidade de se especificar 
as etapas do trabalho a serem realizadas. Isto implica que 
o perito-contador deve ter conhecimento prévio de todas as 
etapas, salvo aquelas que somente serão identificadas quando 
da execução da perícia [...] (CFC, 2012, p. 9).
Já o item 44 dispõe sobre as evidências que o cronograma de trabalho deve 
prever.
No cronograma de trabalho, devem ficar evidenciados, 
quando aplicáveis, todos os itens necessários à 
execução da perícia, tais como: diligências a serem 
realizadas, deslocamentos, necessidade de trabalho 
de terceiros, pesquisas que serão feitas, elaboração 
de cálculos e planilhas, respostas aos quesitos, prazo 
para entrega do laudo e outros, de forma a assegurar 
que todas as etapas necessárias à realização da perícia 
sejam cumpridas (CFC, 2012, p. 10).
É na fase de planejamento que o perito deve atentar para dois aspectos 
fundamentais do processo: o que está sendo demandado e a época do 
acontecimento dos fatos. Portanto, é fundamental a leitura da inicial, da 
contestação ou da impugnação, dos documentos juntados pelas partes 
e dos quesitos elaborados pelo juízo e pelas partes.
É na fase de 
planejamento que o 
perito deve atentar 
para dois aspectos 
fundamentais do 
processo: o que está 
sendo demandado 
e a época do 
acontecimento dos 
fatos. Portanto, 
é fundamental a 
leitura da inicial, 
da contestação ou 
da impugnação, 
dos documentos 
juntados pelas 
partes e dos 
quesitos elaborados 
pelo juízo e pelas 
partes.
Requisitos para Criação 
de um Plano de Trabalho 
(Planejamento)
Para se montar um plano de trabalho eficaz, é necessário 
estabelecer requisitos, de acordo com o tipo de perícia. São eles: 
• Pleno conhecimento do processo, se for judicial, e o direcionamento 
dos objetivos; 
• Conhecimento de todos os fatos que motivam a perícia, inclusive, a 
identificação do local de realização da perícia; 
• Levantamento prévio dos recursos disponíveis para o exame; 
27
Plano de Trabalho em Perícia Contábil Capítulo 2 
• Do prazo de execução das atividades em entregar o laudo ou parecer;
 
• Acessibilidade aos dados, através de diligências; 
• Conhecer os peritos assistentes; 
• Verificar a relevância e o valor da causa; 
• Verificar o planejamento das horas despendidas para a execução do 
trabalho pericial.
Em relação ao cumprimento do prazo determinado ou contratado 
para realização dos trabalhos de perícia, o perito deve considerar em seus 
planejamentos:
• Conteúdo da proposta de honorários apresentada pelo perito-
contador e aceita pelo juízo, pelo árbitro ou pelas partes, no 
caso de perícia extrajudicial, ou pelo perito-contador assistente; 
• Prazo suficiente para solicitar e receber os documentos, bem 
como para a execução e a entrega do trabalho; 
• Programação de viagens, quando necessárias.
Sempre devemos lembrar que o pleno conhecimento das razões 
pelas quais a perícia se realiza deve determinar a filosofia e a política 
do plano de trabalho a ser elaborado como guia.
Sempre devemos 
lembrar que o pleno 
conhecimento das 
razões pelas quais 
a perícia se realiza 
deve determinar a 
filosofia e a política 
do plano de trabalho 
a ser elaborado 
como guia.
Você deve saber que: Sempre que novos fatores exigirem ou 
recomendarem, deve acontecer a revisão e a atualização dos planos 
de trabalho.
Finalizando o Plano de Trabalho
A finalização do plano de trabalho da perícia se dá quando o perito-contador 
terminar as análises preliminares. Do momento da origem, quando for o caso, à 
proposta de honorários (nos casos em que o juízo ou o árbitro não tenha fixado, 
previamente, honorários definitivos), aos termos de diligências e aos programas 
de trabalho.
28
 Perícia Contábil
Quadro 2 – Modelo planejamento para perícia judicial
Fase Pré-Operacional
ITEM ATIVIDADE AÇÕES
TEMPO PRAZO
ESTIMADO REAL ESTIMADO REAL
1
Carga ou 
recebimento 
do processo
Após receber a intimação do 
juiz, quando for o caso, reti-
rar o processo da Secretaria. h h XX/XX/XX XX/XX/XX
2 Leitura do processo
Conhecer os detalhes acerca 
do objeto da perícia, reali-
zando a leitura e o estudo 
dos autos.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
3
Aceitação, 
ou não, da 
perícia
Após estudo e análise dos 
autos, constatando-se 
que há impedimento ou 
suspeição, não havendo 
interesse do perito ou não 
estando habilitado para fazer 
a perícia, devolver o proces-
so justificando o motivo da 
escusa.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Aceitando o encargo da 
perícia, proceder ao plane-
jamento. h h XX/XX/XX XX/XX/XX
4 Proposta de honorários
Com base na relevância, 
no vulto, no risco e na 
complexidade dos serviços, 
entre outros, estimar as 
horas para cada fase do 
trabalho, considerando ainda 
a qualificação do pessoal 
que participará dos serviços, 
o prazo para a entrega dos 
trabalhos e a confecção de 
laudos interdisciplinares.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Execução da perícia
5 Sumário
Com base na documentação 
existente nos autos, elaborar 
o sumário dos autos, indican-
do o tipo do documento e a 
folha dos autos onde pode 
ser encontrado.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
29
Plano de Trabalho em Perícia Contábil Capítulo 2 
6
Assistentes 
técnicos
Uma vez aceita a partici-
pação do perito-assistente, 
ajustar a forma de acesso 
dele aos trabalhos.
7 Diligências
Com fundamento no 
conteúdo do processo e 
nos quesitos, preparar o(s) 
termo(s) de diligência(s) 
necessário(s), no (s) qual (is) 
será relacionada a documen-
tação ausente nos autos.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
8 Viagens
Programar as viagens quan-
do necessárias. h h XX/XX/XX XX/XX/XX
9
Pesquisa 
documental
Com fundamento no con-
teúdo do processo, definir 
as pesquisas, os estudos 
e o catálogo da legislação 
pertinente.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
10
Programa 
de trabalho
Exame de documentos 
pertinentes à perícia.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Exame de livros contábeis, 
fiscais, societários e outros.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Análises contábeis a serem 
realizadas.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Entrevistas, vistorias, 
indagações, investigações, 
informações necessárias.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Laudos interdisciplinares e 
pareceres técnicos.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Cálculos, arbitramentos, 
mensurações e avaliações a 
serem elaborados.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Preparação e redação do 
laudo pericial. h h XX/XX/XX XX/XX/XX
30
 Perícia Contábil
11
Revisões 
técnicas
Proceder a revisão final do 
laudo para verificar eventuais 
correções, bem como veri-
ficar se todos os apêndices 
e anexos citados no laudo 
estão na ordem lógica e 
corretamente enumerados.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
12
Prazo su-
plementar
Diante da expectativa de 
não concluir o laudo no 
prazo determinado pelo juiz, 
requerer, antes do vencimen-
to do prazo determinado, por 
petição, prazo suplementar, 
reprogramando o planeja-
mento.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
13
Entrega 
do laudo 
pericial 
contábil.
Devolver os autos do proces-
so e peticionar, requerendo 
a juntada do laudo e levan-
tamento ou arbitramento dos 
honorários.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
Fonte: Disponível em: <http://goo.gl/5Zcb3n>. Acesso em: 02 jun. 2016.
Atividades de Estudos:
1) O que é plano de trabalho de perícia?
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
2) Cite os requisitos para criação de um plano de trabalho de 
perícia?
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
31
Plano de Trabalho em Perícia Contábil Capítulo 2 
 ________________________________________________________________________________________________________
 ____________________________________________________
Algumas Considerações 
Neste capítulo, entendemos que o plano de trabalho da perícia é o ponto 
de partida para o desenvolvimento do trabalho a ser executado. Baseia-se 
diretamente na matéria pleiteada, constituindo-se em elemento base para a 
remuneração, ou seja, os cálculos dos honorários, salvo quando estes forem 
arbitrados pelo juiz.
É nesta fase que o perito deve atentar para dois aspectos fundamentais do 
processo: o que está sendo demandado e a época do acontecimento dos fatos. 
Portanto, é fundamental a leitura da inicial, da contestação ou da impugnação, 
dos documentos juntados pelas partes e dos quesitos elaborados pelo juízo e 
pelas partes.
Referências
CFC - Conselho Federal de Contabilidade. Normas brasileiras de 
contabilidade: perícia contábil: NBC TP 01 e NBC PP 01. Brasília: Conselho 
Federal de Contabilidade, 2012. Disponível em: <http://goo.gl/5Zcb3n>. Acesso 
em: 20 jun. 2016.
NBC - Normas Brasileiras de Contabilidade. NBC TP 01 – Perícia Contábil. 
Disponível em: <http:// http://portalcfc.org.br/wordpress/wp-Content/
uploads/2012/12/NBC_TP_01.pdf >. Acesso em: 02 jun. 2016.
32
 Perícia Contábil
CAPÍTULO 3
Parecer e Laudos Periciais
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Compreender os conceitos e a apresentação do parecer e dos laudos periciais.
 
� Desenvolver os conhecimentos básicos necessários para que o parecer 
e os laudos periciais sejam apresentados de forma adequada.
34
 Perícia Contábil
35
Parecer e Laudos Periciais Capítulo 3 
Contextualização
Como já vimos nos capítulos iniciais, um dos principais objetivos da perícia é o 
esclarecimento de determinados fatos ou circunstâncias (judicial ou extrajudicial). 
Essa comprovação se dá por meio dos chamados laudos ou pareceres. Dessa 
forma, o laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil têm por limite os 
próprios objetivos da perícia deferida ou contratada.
Portanto, é de suma importância entender e compreender os conceitos de 
laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil. Esses são como documentos 
escritos, nos quais os peritos devem registrar, de forma abrangente, o conteúdo da 
perícia e particularizar os aspectos e as minudências que envolvam o seu objeto e 
as buscas de elementos de prova necessários para a conclusão do seu trabalho.
Conceito de Laudo
 
Sá (2009) explica que o laudo é a informação que o perito produz sobre 
determinado trabalho que realizou. Em outras palavras, o laudo é a opinião do 
perito em que relata seu ponto de vista e emite justificativa, oferecendo as bases 
ou os elementos de que fez uso.
A manifestação exata do perito sobre os fatos, de forma minuciosa, gera a 
peça tecnológica denominada Laudo Pericial Contábil.
Conceitua Sá (2009, p. 42): “Laudo é uma palavra que provém da expressão 
verbal latina substantivada laudare (laudo, laudare), no sentido de 
‘pronunciar’, tal como a empregou Marco Túlio Cícero em Pro Murema 
(75)”. Em outras palavras, explica o autor, laudo é um pronunciamento 
ou manifestação de um especialista sobre uma ou várias questões, que 
se submetem a sua apreciação.
Laudo foi conceituado por Alberto (2009, p. 108) como “[...] peça 
escrita, na qual os peritos contábeis expõem, de forma circunstanciada, 
as observações e estudos que fizeram e registram as conclusões 
fundamentadas da perícia”. 
Conforme Sá (2009, p. 11):
[...] os laudos podem ser: (I) isolados; ou, (II) de uma Junta ou 
Colegiado de Peritos.
(I) Isolados: de um só perito.
(II) Junta ou Colegiado de Peritos: na perícia judicial são três 
 “[...] peça escrita, 
na qual os 
peritos contábeis 
expõem, de forma 
circunstanciada, 
as observações 
e estudos que 
fizeram e registram 
as conclusões 
fundamentadas da 
perícia”.
36
 Perícia Contábil
ou mais peritos.
O laudo pode obedecer a critérios diferentes, depende de cada 
caso.
Você sabia que: Dependendo do caso, os laudos são 
acompanhados de anexos que demonstram ou provam as 
conclusões. Ainda podem conter plantas, desenhos, fotografias, 
balancetes, balanços, cópias do livro diário, relatórios gerenciais, etc.
Dependendo do caso, os laudos são acompanhados de anexos que 
demonstram ou provam as conclusões. Assim, destaca-se a análise da síntese 
feita em cada quesito.
Exemplo:
Quesito nº ... – A empresa ... no período de ... a ... utilizou-se de 
suas reservas para aumentos de capital?
Resposta ao Quesito nº ... – No período referido, a empresa 
destinou suas reservas para finalidades distintas, sendo, para fins de 
aumento de capital, utilizados valores que montam ..., de acordo com 
o demonstrado no anexo a esta perícia de nº ... onde se espelham 
as datas, os valores, o registro das alterações contratuais na Junta 
Comercial
Fonte: Sá (2009, p. 11).
Considerando que os anexos podem (às vezes) formar a parte mais volumosa 
do trabalho, sobretudo nas perícias judiciais, é tolerável que o perito, ao verificar 
a veracidade do anexo, apenas mencione: “como consta das folhas ... dos autos”. 
Nas perícias administrativas, nas quais, muitas vezes, o que se busca 
investigar é a fraude, os laudos passam a ter diferentes conotações, haja vista 
que o importante não são os quesitos, mas sim as apurações de fatos. Nesse 
caso, o perito passa a expor seu plano de trabalho, a matéria verificada, as 
irregularidades detectadas, em quem recaiu a responsabilidade.
37
Parecer e Laudos Periciais Capítulo 3 
Independentemente do tipo de perícia, o laudo traz a opinião e é preciso que 
tenha requisitos de qualidade. São requisitos de qualidade, segundo Sá (2009, p. 
12):
1. identificação completa do caso (Processo nº , lugar, data, 
partes envolvidas, etc.);
2. identificação do perito;
3. identificação da autoridade a que se destina;
4. se for o caso, qual a metodologia adotada;
5. identificação de quesito por quesito ou do caso sobre o qual 
se opina;
6. resposta a cada um dos quesitos;
7. conclusões precisas sobre os quesitos;
8. anexos que comprovem os casos que merecem análises;
9. data e assinatura do perito.
Se, ao final, não for possível a conclusão, o perito dará sua negativa. Isto 
pode acontecer nos casos de a matéria estar fora do alcance contábil, ou na falta 
de convicção.
Se a conclusão só puder ser dada com ressalvas, estas deverão ser 
expressas e bem identificadas.
No caso de a conclusão ser negativa, o perito deve sempre detalhar. Por 
exemplo:
Exemplo:
Não pode este perito afirmar que o limite de depreciações 
utilizado foi o adequado porque a empresa desde ... não possuía 
seus registros de bens do imobilizado, nem os controlava de modo 
a permitir a plena identificação, nem nos apresentou qualquer laudo 
técnico que comprovasse a vida útil dos bens, apesar de solicitados, 
conforme carta à diretoria de produção, de tal data, com a prova de 
recebimento assinada pelo diretor ... em ... .
Fonte: Sá (2009, p. 12).
38
 Perícia Contábil
Você sabia que: Uma resposta com apenas um NÃO não 
qualificaria o laudo, gerando margens para dúvidas.
Sá (2009) destaca que, nos casos de avaliação, o perito precisa valer-
se de muitos elementos, como: fotografias, publicações, informes e até laudos 
emitidos por outros especialistas. Nesse caso, o perito precisa explicar toda sua 
metodologia e descrever a qualidade das fontes consultadas.
O perito não deve poupar explicações que justifiquem seu trabalho e que 
ofereçam confiança aos que dele se vão utilizar.
Sá (2009) menciona que o laudo pericial é uma peça de alta responsabilidade, 
assim entendida, uma prova que requer qualidade, devendo atender a requisitos 
especiais que lhe são pertinentes, não podendo conter defeitos.
Para o seu melhor entendimento, apresentamos um modelo de laudo 
elaborado por Sá (2009):
MODELO DE LAUDO
Em um processo judicial, um advogadoprecisa argumentar 
sobre o valor de quotas da sociedade da qual seu cliente saiu; o 
sócio egresso entende que foi prejudicado, e, inconformado, entrou 
na justiça para discutir. O advogado sabe que pela lei o sócio tem 
direito a receber o valor de suas quotas na forma que o contrato 
estabelecia, mas não há conhecimentos contábeis suficientes para 
atestar isto; o Juiz, por sua vez, sendo também advogado, não 
dispõe de conhecimento especializado para julgar. Requer-se, então, 
a um perito-contador sua opinião.
No processo, como é usual, formulam-se os quesitos ou 
perguntas (tanto o “autor” como o “réu” podem formular, através de 
seus advogados, tais quesitos).
O perito do juiz examina a questão e dá sua opinião através de 
seu laudo.
Exemplo de laudo:
39
Parecer e Laudos Periciais Capítulo 3 
Exmo. Sr. Doutor
Juiz de Direito da ________Vara ________ da Comarca de 
________
Antônio Lopes de Sá, perito nomeado e compromissado nos 
autos do Processo de nº ________ em que são partes, como autores, 
________ e como réus ________, requer a juntada de seu laudo 
pericial contábil, concluído tempestivamente, cujo teor é o seguinte:
QUESITOS DOS AUTORES
1º O valor atribuído ao Patrimônio Líquido para efeito de 
determinar o valor da sociedade ________ está correto?
Resposta do Perito: Conforme demonstramos no Anexo 01, que 
fica fazendo parte integrante deste laudo, o valor atribuído de R$ 
________ pelos réus não está correto.
Militam contra a correção os itens 1 a 3 do Anexo 01, supra-
aludido, ou seja, não foram corretas as reavaliações dos bens do 
Ativo Permanente, nem, como se demonstra nos itens 4 a 6, do 
anexo 01 já referido, os valores imateriais de “fundo de comércio” ou 
aviamento, como o previsto na cláusula ________ do contrato social 
registrado sob nº ________ na Junta ________.
2º No entender do perito, qual o valor a ser atribuído às quotas 
dos autores ________ pelas quotas que possuíam na sociedade 
________?
Resposta do Perito: No entender deste perito e como se acha 
demonstrado no Anexo nº 02, que fica fazendo parte integrante deste 
laudo, o valor de Patrimônio Líquido Reavaliado, ao qual se agrega 
o valor do aviamento, produz um total de R$________; calculando-
se o percentual de participação dos autores e que era de ______%, 
o valor de suas quotas é de R$ ________ (itens 9 e 10 do Anexo nº 
02).
QUESITOS DOS RÉUS
1º O valor de R$ ________ de Patrimônio Líquido do balanço 
encerrado em ________ foi reavaliado para servir de base de cálculo 
de quotas dos sócios ________ egressos?
40
 Perícia Contábil
Resposta do Perito: Sim. Houve reavaliação, porém a mesma 
deixou de incluir elementos, e outros os fez com insuficiência, 
conforme está demonstrado no Anexo nº 01, apenso.
2º O Patrimônio Líquido Reavaliado foi, percentualmente, 
atribuído como valor de resgate das quotas dos sócios egressos?
Resposta do Perito: Sim. Tal valor, todavia, como já foi 
esclarecido, não é. Este perito o considera correto.
Valor correto seria, como respondeu este perito no presente 
laudo, R$ ________ .
3º Entende o senhor perito que, diante da situação de juízo 
verificada nos exercícios de ______ e ______, seria o caso de 
calcular-se o valor de aviamento, conforme determina a cláusula 
______ do contrato social?
Resposta do Perito: Entende este perito, conforme a melhor 
doutrina contábil e de acordo com normas consagradas, que o valor 
de aviamento se calcula sobre as “perspectivas de lucros” e não 
sobre os resultados passados.
Em razão disto, como demonstra no Anexo nº 02, o aviamento 
deve ser calculado e agregado ao valor de patrimônio líquido para 
que se tenha o valor de cálculo a que se refere a cláusula ______ do 
Contrato Social. Para reforço da opinião deste perito, em anexo de nº 
03, relaciona as opiniões dos maiores mestres da atualidade sobre o 
assunto.
Belo Horizonte, ________.
Antônio Lopes de Sá – Contador CRC 1086 MG
Fonte: Sá (2009, p. 42-43).
“Não existe um padrão de laudo, o que existem são formalidades que 
compõem a estrutura dos mesmos”, explica Sá (2009, p. 44). Geralmente, a 
estrutura deles deve ser composta dos seguintes elementos.
I. Prólogo do encaminhamento – assim entendida a 
identificação e o pedido de anexação aos autos, conforme foi 
visto no exemplo anterior. Por este motivo o laudo é dirigido ao 
41
Parecer e Laudos Periciais Capítulo 3 
Juiz, identificada a Vara, a Comarca, o número do processo, 
os autores e os réus, a natureza da ação, bem como o perito, 
nas perícias judiciais. Nas perícias administrativas ou de outro 
gênero, o laudo será encaminhado a quem o requereu e 
identificada a razão.
II. Quesitos – nas perícias judiciais os quesitos são divididos 
em: quesitos dos autores; e, quesitos dos réus. Nas perícias 
administrativas os quesitos são identificados pelas áreas de 
interesse que foram objeto de indagação (que podem ser 
setores da empresa, grupo de pessoas, filiais, agente etc.).
III. Respostas – as respostas devem seguir-se aos quesitos, 
conforme pode ser observado no exemplo apresentado acima. 
IV. Assinatura do Perito.
V. Anexos – os anexos ilustram as respostas, para evitar que 
se tornem longas demais, ou, então reforçam a opinião.
VI. Pareceres (se houver) – de outros especialistas ou de 
notáveis profissionais podem ser requeridos para efeito de 
reforço da opinião do perito ou até para suplementá-la e, nesse 
caso, ficam apensos ao laudo (SÁ, 2009 p. 45).
 Sempre devemos lembrar que o laudo pericial por si só não é garantia 
de que a perícia atingiu o objetivo para o qual foi deferida. Para que o laudo 
pericial possa satisfazer às necessidades da prova pericial, deve estar apoiado na 
pesquisa e na investigação dos fatos, atributos fundamentais de sustentação da 
perícia. Sem elas, o perito não conseguirá defender seu laudo e nem oferecer a 
prova esperada para auxiliar a sentença do Juiz.
Você sabia que: De acordo com cada caso, a estrutura pode ser 
ampliada, porém, o mínimo que deve conter é o que foi exposto.
Requisitos do Laudo
Para que um laudo possa classificar-se como de boa qualidade, Sá (2009) 
explica que ele precisa atender, no mínimo, aos seguintes requisitos: (1) 
objetividade; (2) rigor tecnológico; (3) concisão; (4) argumentação; (5) exatidão; 
(6) clareza.
1. Objetividade: é um princípio que se estriba no preceito acolhido pelas 
ciências, ou seja, a exclusão do julgamento em bases pessoais ou subjetivas. 
Os princípios, as leis e as normas da contabilidade existem há milênios. A 
caracterização como ciência se dá pelo fato da generalidade da aplicação 
42
 Perícia Contábil
Exemplo de resposta objetiva:
“As depreciações calculadas no exercício de ....... na base 
percentual aplicada sobre o saldo das contas ....... não espelham a 
realidade. Os valores deveriam ser R$.... R$.... R$.... Considerando-
se a vida útil dos bens relacionados no anexo nº.... e os laudos do 
Instituto Tecnológico de ....... que a fixou.
Não ocorrendo fatores, outros como os de obsolescência, 
sinistros etc. que possam vir a interromper a vida útil, a depreciação 
deve limitar-se a uma razão que considere a vida útil e o valor para 
se encontrarem as quotas de depreciação pertinentes.
Exemplo de resposta não objetiva: 
“As depreciações parecem-se aceitáveis porque a empresa 
naturalmente as calculou dentro de suas conveniências”.
Fonte: Sá (2009, p. 15).
Nesse caso, o perito precisa ater a questão à realidade e estar de acordo 
com os parâmetros da contabilidade. Não deve utilizar-se de expressões do tipo 
“parece-me”; o perito não deve emitir opiniões vagas e imprecisas em matéria 
definida no conhecimento contábil, menciona SÁ (2009).
2. Rigor tecnológico: o laudo deve limitar-se ao que é reconhecido com da 
especialidade. O rigor tecnológico expulso por si é subjetivo.
3. Concisão: exige que as respostas evitem o difuso. Um laudo deve evitar 
palavras e argumentos inúteis ao caso, deve ser bem redigido, e precisaater-se 
ao assunto, e responder satisfatoriamente.
A concisão não deve excluir os argumentos.
do conhecimento. O que é objetivo é racional, explica SÁ (2009), e, no campo 
tecnológico da perícia, deve inspirar-se na ciência contábil.
O perito não deve divagar, mas, de forma concreta, o laudo deve estar focado 
na matéria, respeitando sua disciplina de conhecimentos. 
43
Parecer e Laudos Periciais Capítulo 3 
Exemplo de resposta concisa inadequada.
Quesito: o valor dos estoques foi determinado corretamente no 
exercício de ......?
Resposta: Não.
Exemplo de resposta concisa adequada.
Não. O valor dos materiais foi tomado apenas pelo preço da 
fatura, sem considerar os demais custos de compra que devem 
aumentar o custo dos materiais. “O anexo nº.... demonstra a 
irregularidade. Além deste procedimento,
Ferir o que dispõe a lei ......, fere a Norma de Avaliação Contábil 
do CFC nº .... e altera o resultado da empresa para menor”
Fonte: Sá (2009, p. 17).
Você sabia que: A parte colocada “entre aspas” representa 
um acréscimo que não pode ser tomado como concisão, mas 
completa objetivamente a orientação que o perito deve dar sobre as 
consequências do fato.
4. Argumentação: deve o perito alegar porque concluiu ou em que se 
baseou para apresentar a sua opinião. Quando as argumentações forem longas, 
demandando a evocação de muitos argumentos, o perito pode utilizar-se de 
anexo para discorrer sobre suas razões, tornando, dessa forma, mais concisa a 
resposta.
Exemplificando o caso de anexo de argumentação, apresenta-se o modelo a 
seguir:
44
 Perícia Contábil
Resposta ao quesito nº 01 – o valor de aviamento não foi 
considerado no cálculo de valor das quotas, mas faz parte do valor 
de cessão de quotas e ações. Sobre a questão o anexo nº 01, que 
fica fazendo parte deste laudo, apresenta as argumentações sobre 
o assunto e faz citações às principais obras sobre a questão, com 
opinião de valiosos luminares da contabilidade, e às normas editadas 
a esse respeito.
Tal procedimento visa tornar mais prática a leitura e utilização 
do laudo. A leitura do Anexo pode complementar razões, se for do 
interesse dos advogados
Fonte: Adaptado de Sá (2009).
5. Exatidão: é condição essencial de um laudo, explica Sá (2009). O perito 
não deve “supor”, mas só afirmar quando tem absoluta segurança sobre sua 
opinião. Um laudo é uma opinião baseada em realidades inequívocas; se houver 
insegurança para opinar, o perito deve abdicar, declarando impossibilidade para 
responder.
Você sabia que: se o laudo se basear só em “depoimentos 
de testemunhas” não é um laudo pericial contábil, porque falta 
materialidade para concluir.
A exatidão de um laudo só acontece se as provas que conduzem à opinião 
forem consistentes e obtidas por critérios eminentemente contábeis.
6. Clareza: a clareza é um requisito importantíssimo, uma vez que o laudo é 
feito para terceiros, os quais não necessariamente são especialistas no assunto 
e que também não possuem obrigação de entender a terminologia tecnológica e 
científica da contabilidade. Ressalta Sá (2009, p. 47-48) que:
[....] a clareza envolve frases inequívocas 
quanto a seu entendimento; deve 
o perito evitar interpretações do que 
afirma; deve afirmar claramente. Frases 
45
Parecer e Laudos Periciais Capítulo 3 
vagas, de dupla interpretação, com abuso de terminologia 
contábil específica, rebuscada demasiadamente em seu 
vernáculo, impedem a clareza.
Dessa forma, é possível inferir que quando nos referimos à clareza, a 
resposta a um quesito não deve gerar nova pergunta. A clareza considera que 
uma resposta deve ser abrangente e completa dentro do que se pergunta.
Dentro do exposto, perguntamos: quando alguma pergunta estiver 
incompleta, como deve agir o perito?
A esta pergunta, Sá (2009, p. 48) responde: “[...] algumas vezes, as perguntas 
ao perito são incompletas, por desconhecimento contábil de quem as faz (por 
isso é que o perito precisa conhecer as ‘razões’ dela”. Nesse caso, o perito pode 
“complementar” sua resposta, dentro do tema.
Exemplo:
Quesito nº ... – O valor dos estoques foi determinado 
corretamente no exercício de ...?
A resposta poderia ser apenas NÃO.
Isto seria responder sem perguntar.
Além de argumentar, pode o perito complementar:
Resposta: ... Além de tal procedimento ferir a lei ... art. ... § ... 
fere a Norma de Contabilidade nº ... do ..... e provocou a redução do 
lucro apurado no mesmo exercício.
Fonte: Sá (2009, p. 48).
Sá (2009) explica que a parte grifada em itálico (provocou) é a complementação 
que ajuda o propósito da pergunta, embora não esteja contido nela.
O simples NÃO na resposta ao quesito denota má qualidade do laudo. O 
objetivo do laudo é esclarecer e não apenas cumprir uma obrigação de resposta 
da qual o profissional se desincumbe com um simples NÃO.
46
 Perícia Contábil
A apresentação de uma resposta apenas negativa, conforme se exemplificou 
anteriormente, responde, mas não esclarece o motivo. É parte integrante do dever 
do profissional, como comportamento ético, exibir as razões de sua conclusão.
Conceito de Parecer
Com o advento da Lei n. 8.455/92, surgiu um novo tipo de laudo de 
responsabilidade do assistente técnico, comenta Ornelas (2003).
Anteriormente, os assistentes técnicos costumavam oferecer seus trabalhos 
técnicos denominando-os, nos casos de divergência, de Laudo Pericial Contábil. 
Era considerado divergente ou parcialmente divergente, segundo o nível de 
discordâncias técnicas observadas, em conformidade com o art. 431, do CPC 
14, que explica: “se houver divergência entre o perito e os assistentes técnicos, 
cada qual escreverá o laudo em separado, dando as razões em que se fundar”, 
menciona Ornelas (2003, p. 104). Este dispositivo foi revogado a partir da citada 
lei. Naquela época, este laudo era denominado também de Laudo Crítico.
Segundo a Lei n. 8.455/92, art. 433, o perito apresentará o laudo em 
cartório, no prazo fixado pelo juiz, pelo menos vinte dias antes da audiência de 
instrução e julgamento. Já o parágrafo único, que trata dos assistentes técnicos, 
prevê que estes oferecerão seus pareceres no prazo comum de dez dias após a 
apresentação do laudo, independentemente de intimação.
Atualmente, a legislação prevê que o perito, na função de assistente técnico, 
é responsável pela oferta de parecer pericial contábil, isto é, por meio de trabalho 
próprio, emite sua opinião técnica a respeito do laudo pericial contábil elaborado 
pelo perito judicial, que pode ser crítica ou concordante.
Para Alberto (2009), parecer pericial contábil é uma espécie de laudo, no qual 
o profissional discorre sobre determinada matéria, fazendo-o segundo as técnicas 
e as abrangências periciais geradas por quem deles tenha de fazer uso para a 
defesa de interesses próprios, ou para elucidar algum assunto, e o classifica em: 
extrajudicial, judicial, e própria opinião.
Para o seu maior entendimento, utilizamos a abordagem de Alberto (2009), 
que explica o significado de cada um dos itens:
• Extrajudicial: quando a parte necessita de opinião fundamentada de um 
técnico sobre determinado assunto contábil, ou caso necessite dele para a 
realização de um negócio.
47
Parecer e Laudos Periciais Capítulo 3 
• Judicial: pode ser gerado pela parte para instruir a inicial da ação 
a ser proposta ou para servir de razões a contestar em ações que 
esteja sofrendo, segundo admite o CPC – Comitê de Pronunciamentos 
Contábeis.
• Própria Opinião: é o parecer técnico do assistente indicado pela parte para 
uma perícia judicialmente determinada.
Segundo Ornelas (2003), o fato do assistente técnico gerar trabalho técnico 
denominado de parecer pericial contábil, não o desobriga de tomar os mesmos 
cuidados técnicos adotados pelo perito judicial, isto é, acompanhar as pesquisas 
realizadas, desenvolver levantamentos específicos de seu interesse que suportem 
o trabalho que oferece.
“O trabalhodo assistente técnico não perde as características de laudo, à 
medida que emite juízo técnico ou defende tese ou critério técnico divergente do 
laudo pericial contábil oficial” (ORNELAS, 2003 p. 104). Por este motivo, deve 
obedecer a algumas regras básicas assim denominadas: (a) resumo do laudo 
oficial; (b) comentários técnicos ao laudo pericial contábil; (c) parecer pericial 
contábil; (d) encerramento.
a) Resumo do laudo oficial – sintetiza toda a matéria técnica tal qual consta 
do laudo pericial contábil gerado pelo perito judicial.
b) Comentários técnicos ao laudo pericial contábil – nesta regra, o assistente 
técnico desenvolve toda a sua criatividade técnica, no sentido de realçar 
os aspectos do laudo oficial, favoráveis às razões técnicas de quem o 
indicou para a função. Destacará eventuais interpretações não adequadas 
geradas pelo perito contábil. O assistente técnico deve ter cuidado 
especial no uso da linguagem, não gerando elogios ou críticas de cunho 
pessoal. Em outras palavras, deve manter-se neutro. O uso de linguagem 
agressiva e ataques gratuitos, além de ferirem as normas de civilidade, 
geralmente denunciam a ausência de bons e consistentes argumentos 
técnicos e teóricos. Essa é a parte que considera todas as razões técnicas 
necessárias para fundamentar sua opinião técnica, seu parecer técnico.
c) Parecer pericial contábil – nesta regra, o assistente técnico oferece sua 
opinião técnica favorável, desfavorável, ou, parcialmente favorável, a 
respeito do laudo pericial contábil que foi submetido a sua apreciação 
técnica.
d) Encerramento – o encerramento do parecer é realizado nos mesmos 
moldes do laudo pericial contábil, comentado no tópico anterior. Poderá 
48
 Perícia Contábil
ser feita a juntada de anexos que tenha elaborado e documentos que 
tenha colhido.
Uma vez encerrados os trabalhos periciais, o parecer é encaminhado ao juiz 
responsável pelo processo objeto da perícia contábil realizada, explica Ornelas 
(2003).
O parecer pericial contábil contém uma página de apresentação em que 
é identificado, a qual juiz deve ser dirigido o processo, sendo especificado o 
processo e as respectivas partes, e, também, que se trata de parecer pericial 
contábil.
Sugere Ornelas (2003) que o parecer não seja entregue no dia em que é 
terminado.
Após o término, é importante deixá-lo em repouso por uns dois dias. Depois, 
é recomendado fazer uma nova leitura do conteúdo do trabalho técnico, para 
saber se mantém sua opinião.
Essa leitura é uma oportunidade de verificar eventuais erros ou equívocos, 
este é o momento em que o perito avalia se sua peça contábil está clara aos 
leitores ou usuários. Se o perito estiver seguro de tudo o que escreveu, e é aquilo 
mesmo que irá apresentar, então, estará apto a sustentar seu trabalho técnico em 
qualquer circunstância, e poderá entregá-lo. 
O encaminhamento do parecer pericial contábil é feito mediante a entrega da 
via original no protocolo central de cada ramo do Poder Judiciário, acompanhado 
de uma segunda via, que será protocolada e ficará em seu poder como prova do 
trabalho finalizado e entregue.
Sugere Ornelas (2003), que esta via seja guardada juntamente com os 
demais documentos e provas utilizadas na execução do trabalho, para servir de 
guia a eventual resposta às impugnações ou pedidos de esclarecimentos feitos 
pelo juiz ou pelas partes.
O assistente técnico tem prazo de dez dias após a entrega do laudo pericial, 
segundo a Lei n. 10.358/2001, para oferecer seu parecer pericial contábil sobre a 
peça técnica oferecida pelo judicial, conforme dispõe o parágrafo único do art. 433.
Ressalta Ornelas (2003), que, segundo a Lei n. 5.584/70, parágrafo único 
do art. 3º, o prazo do assistente técnico é o mesmo do perito, sob pena de seu 
trabalho ser tirado dos autos. Na justiça do trabalho, esta prática é conjunta e 
49
Parecer e Laudos Periciais Capítulo 3 
harmoniosa entre perito e assistente técnico. O perito não pode entregar o laudo 
sem antes o assistente técnico ter preparado seu parecer pericial contábil.
As reações das partes face ao conteúdo do parecer pericial contábil do 
assistente técnico poderão ser de concordância absoluta ou parcial, ou de 
discordância absoluta ou parcial. Estas reações poderão vir acompanhadas de 
pedido de esclarecimentos, que pode, ou não, ser aceito pelo juiz.
Você sabia que: nem sempre os comentários oferecidos referem-
se ao conteúdo. Muitas vezes, o objetivo do comentário é atingir a 
pessoa do perito, a fim de sensibilizar o Juiz para a realização de 
nova prova técnica, por outro profissional, geralmente quando o 
resultado técnico é desfavorável à parte que critica.
Quando ocorre este tipo de situação, a primeira reação do perito será, na 
petição de esclarecimentos, requerer ao juiz que mande riscar todas as palavras 
ofensivas e injuriosas à honra e à dignidade do perito, nos termos do art. 15, 
CPC. O art. 15 dispõe que “[...] é defeso às partes e seus advogados empregar 
expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao juiz, de 
ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las”. Feito isso, passa, então, 
a esclarecer os quesitos requeridos e deferidos.
É importante ressaltar que, nesse caso, antes de responder aos quesitos de 
esclarecimentos, é necessário informar o juiz quanto à matéria nova e requerer 
orientação do procedimento a ser adotado.
Neste curso, a UNIASSELVI disponibiliza na sua plataforma 
virtual de aprendizagem um conjunto de materiais que irão auxiliar 
nos seus estudos. Acesse com seu login e senha no site da 
instituição: <www.uniasselvipos.com.br>.
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 Perícia Contábil
Atividades de Estudos:
1) O que é laudo pericial?
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2) Cite os requisitos mínimos de um laudo?
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3) O que é um parecer pericial contábil?
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4) Explique como se dá o encaminhamento do parecer pericial 
contábil.
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Parecer e Laudos Periciais Capítulo 3 
Algumas Considerações 
Neste capítulo, entendemos conceitos de laudo na visão de diferentes 
autores. E, ainda, que não existe um modelo padrão de laudo, mas o que existe 
são formalidades que compõem sua estrutura. Vimos que para que o laudo seja 
classificado de boa qualidade, deve contemplar seis itens, assim denominados: 
objetividade; rigor tecnológico; concisão; argumentação; exatidão e clareza.
Importante sempre atentar que o perito não deve divagar, utilizando-se de 
expressões do tipo “parece-me”, mas deve posicionar-se de forma concreta, pois o 
laudo deve estar focado na matéria, respeitando sua disciplina de conhecimentos.
Para enfatizar a conceituação do parecer pericial contábil, utilizamos as 
ideias de Alberto (2009),o qual menciona que o parecer pericial contábil é uma 
espécie de laudo, classificado em: extrajudicial, judicial e própria opinião.
Importante sempre lembrar que o encaminhamento do parecer pericial 
contábil é considerada a etapa final da perícia. Isso acontece após o encerramento 
dos trabalhos, quando, então, é entregue uma via original no protocolo central 
de cada vara do Poder Judiciário, acompanhado de uma segunda via, que 
será protocolada e ficará em poder do perito-assistente técnico, como prova da 
realização e entrega.
Referências
ALBERTO, Valder Luiz Palombo. Perícia contábil. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
NBC - Normas Brasileiras de Contabilidade. NBC TP 01 – Perícia Contábil. 
Disponível em: <http:// http://portalcfc.org.br/wordpress/wp-Content/
uploads/2012/12/NBC_TP_01.pdf >. Acesso em: 02 jun. 2016.
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia contábil. 4. ed. São Paulo: 
Atlas, 2003. 
SÁ, Antonio Lopes de. Perícia contábil. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
52
 Perícia Contábil
CAPÍTULO 4
Perícia Judicial
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Compreender o conceito de perícia e perito judicial.
� Desenvolver os conhecimentos conceituais para utilização no campo da Perícia 
Judicial e saber como se tornar um perito.
54
 Perícia Contábil
55
Perícia Judicial Capítulo 4 
Contextualização
Conhecer quando ocorreu o surgimento da perícia no Brasil é de suma 
importância. De acordo com Sá (2009), a perícia surgiu em um evento da 
classe contábil, em 1924, em decorrência do primeiro Congresso Brasileiro de 
Contabilidade. Na mesma ocasião, os profissionais tornaram oficial a necessidade 
da chamada perícia judicial, cujos trabalhos seriam atribuídos privativamente aos 
membros das Câmaras periciais, e que seriam fiscalizados pelos Conselhos de 
Contabilidade no momento de sua criação. Outro item importante, decidido no 
mesmo evento, foi a remuneração do trabalho do perito.
Também é necessário destacar a nomeação de perito judicial por parte do 
juízo, que ocorre diante da necessidade do juiz de esclarecer dúvidas existentes 
no processo judicial. O profissional nomeado deve ter domínio da matéria a ser 
elucidada e ser de confiança do juiz.
Conceito de Perícia Judicial
 
A definição ou conceito de perícia ainda não está contemplada no Código de 
Processo Civil, apesar de estabelecer normas e procedimentos processuais, bem 
como as condições legais quanto à habilitação do profissional para o exercício da 
Perícia Judicial.
Representa a perícia realizada dentro dos procedimentos processuais do 
poder judiciário, por determinação, requerimento ou necessidade de seus agentes 
ativos e se desenvolve ou se processa segundo regras legais específicas.
A perícia judicial é especifica e define-se pelo texto da lei, estabelecido pelo artigo 
420 do Código de Processo Civil, na parte relativa ao processo de conhecimento: “a 
prova pericial consiste em exame, vistoria e avaliação” (BRASIL, 1973).
Ela se motiva pelo fato de o juiz depender do conhecimento técnico ou 
especializado de um profissional para poder decidir. Essas perícias podem ser: 
• Oficiais: determinadas pelo juiz, sem requerimento das partes; 
• Requeridas: determinadas pelo juiz, com requerimento das partes; 
• Necessárias: quando a lei ou a natureza do fato impõe sua 
 realização;
• Facultativas: o juiz determina se houver conveniência; 
• Perícias de presente: realizadas no curso do processo;
56
 Perícia Contábil
• Perícias do futuro: são as cautelares preparatórias da ação principal. 
 Visam perpetuar fatos que podem desaparecer com o tempo.
As perícias judiciais têm origem numa ação judicial que tramita em juízo.
A perícia judicial, como o próprio nome está dizendo, tem fundamento numa 
ação postulada em juízo, podendo ser determinada diretamente pelo juiz dirigente 
do processo ou a ele requerida pelas partes em litígio. Nos processos judiciais 
civis, além da rotina técnica de procedimentos, existe um cerimonial inerente ao 
desenvolvimento regular do processo, sendo ele: indicação do perito judicial pelo 
juiz, indicação de assistentes técnicos pelas partes, formulação de quesitos, por 
meio dos quais as partes e o próprio juiz manifestam as dúvidas que desejam ver 
esclarecidas pela perícia, o compromisso dos peritos e os prazos.
Podem ser requeridas pelas partes ou determinadas pelo próprio juiz.
Na perícia judicial, os exames são, na maioria das vezes, 
específicos e recaem sobre fatos que já se encontram em discussão no 
âmbito do processo.
Em qualquer dos casos, o juiz, ao determinar a perícia, nomeia 
o perito do juízo e as partes indicam seus assistentes técnicos 
(opcionalmente). Às vezes, uma das partes, ou ambas, deixa de indicar 
assistentes, declarando que se “louva” no perito do juízo.
Ao ser nomeado, o perito deve comparecer ao cartório e consultar os autos 
do processo para avaliar seus honorários, o que deverá ser feito levando em 
consideração alguns detalhes, tais como: vulto do trabalho a ser feito, grau de 
dificuldade, local da diligência e despesas previstas. Calculado o total, deverá se 
dirigir ao juiz, por meio de petição na qual exporá, com detalhes, os honorários 
pretendidos, requerendo, também, o seu depósito para iniciar os trabalhos.
O perito deverá acompanhar o andamento do processo e, tão logo tenha 
seus honorários depositados, retirará os autos do cartório por meio de carga, no 
livro apropriado, em poder de funcionário indicado para isso.
De posse dos autos, o perito deverá imediatamente fazer um levantamento 
de tudo que vai necessitar para seu trabalho (livros, documentos, etc.) e dirigir-
se à sede da empresa ou ao local da perícia, onde entrará em contato com o 
interessado e com ele deixará por escrito a relação do que deseja, marcando dia e 
hora de retorno. A relação por escrito deverá ser feita em duas vias. O perito trará 
uma delas, devidamente assinada por quem a recebeu. No dia e hora marcada, 
retornará para fazer a perícia.
Na perícia judicial, 
os exames são, 
na maioria das 
vezes, específicos e 
recaem sobre fatos 
que já se encontram 
em discussão no 
âmbito do processo.
57
Perícia Judicial Capítulo 4 
Há perícias de diversas modalidades, de acordo com as necessidades 
processuais. As principais, no entanto, são:
• Nas varas cíveis: prestação de contas, avaliações patrimoniais, 
litígios entre sócios, indenizações, avaliações de fundos de comércio, 
renovatórios de locações e outras;
• Nas varas criminais: fraudes e vícios contábeis, adulterações de 
lançamentos e registros, desfalques e alcances, apropriações indébitas e 
outras;
• Nas varas de família: avaliação de pensões alimentícias, avaliações 
patrimoniais e outras;
• Nas varas de órfãos e sucessões: apuração de haveres, prestação de 
contas de inventariantes e outras;
• Na justiça do trabalho: indenizações de diversas modalidades, litígios 
entre empregadores e empregados de diversas espécies;
• No tribunal marítimo: avarias simples e grossas, sinistros em geral;
• Nas varas de falências e concordatas: perícias falimentares em geral.
Você sabia que: As perícias judiciais ocorrem no âmbito da justiça 
e todas as tramitações são fixadas no Código de Processo Civil, 
constando todo o procedimento, de acordo com as normas legais. 
Cada espécie de processo envolvendo as partes é enquadrada em um 
dos vários ramos do direito, trabalho, família, falências, civis e outros. 
Em todos os processos pode haver a necessidade de perito-contador.
Exigências para se Tornar um Perito 
Judicial
Podemos conceituar perito judicial como o profissional habilitado e nomeado 
pelo juiz para emitir sua opinião sobre questões técnicas de sua especialidade. 
58
 Perícia Contábil
Ressaltam Magalhães et al. (2008) que o profissional, para poder atuar como 
perito, necessita ter nível universitário, ser inscritono órgão de classe competente, 
e, no caso do contador, este profissional deve ser inscrito no Conselho Regional 
de Contabilidade do Estado onde estiver inserido, devendo comprovar sua 
especialidade mediante certidão do órgão profissional em que estiver inscrito.
A lei processual denomina perito o profissional que é nomeado por iniciativa 
do juiz, podendo, após este ato, as partes ou uma delas, indicar o assistente 
técnico “Perito da arte”.
Wakim e Wakim (2012) entendem que o art. 145 do CPC considera o perito 
como cientista, isto porque ele fornecerá ao condutor do litígio informações 
técnicas e científicas que permitam ao juiz tomar sua decisão, e complementam 
citando o que preveem os parágrafos 1º e 2º:
§ 1º Os peritos são escolhidos entre profissionais de nível uni-
versitário, devidamente inscritos no órgão de classe compe-
tente.
§ 2º Os peritos comprovarão sua especialidade na matéria so-
bre que deverão opinar, mediante certidão do órgão profission-
al em que estiverem inscritos.
Você sabia que: Até a alteração do Código de Processo Civil, que 
ocorreu com a promulgação da Lei n. 8.455/92, perito ou assistente 
técnico era nomeado para fazer perícia, o qual mencionava o que via 
e o que constatava em suas investigações e o fazia com bases reais 
e com absoluta intenção de justiça. Foi a partir desta alteração que 
coube ao perito fazer a perícia, lavrar e assinar o laudo.
Definidas e interligadas as bases conceituais, objeto e objetivo da perícia, é 
possível perceber que algumas das suas características devem compor o perfil do 
profissional que atua ou pretende atuar nesse ramo de conhecimento. É exigível 
e desejável que se conscientize da necessidade de discernir, analisar, julgar e 
agregar sua personalidade, em grau de que lhe empreste autoridade moral natural 
para o acatamento de seu trabalho, independentemente de atender aos aspectos 
formais e relativos a ele.
Resumindo, é preciso ser ético em contraposição a ter ética, o que é 
substancialmente diferente, pois ter é tão somente atender às regras formalmente 
59
Perícia Judicial Capítulo 4 
expressas porque a elas está subjugado, enquanto ser é entender as regras, 
formalizadas ou não, como uma atitude natural, intrínseca ao próprio ser, que só 
quem é conscientizado pode ter. 
Não basta ao perito a responsabilidade moral e intelectual. De acordo com o 
Código do Processo Civil (CPC), o perito possui, também, responsabilidade civil 
e criminal, delegado ao pagamento de indenização de prejuízos que causar por 
dolo ou culpa, nos moldes do artigo 147 do CPC (BRASIL, 2002), o qual dispõe 
que “o perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas, responderá 
pelos prejuízos que causar à parte, ficará inabilitado, por 2 (dois) anos, a 
funcionar em outras perícias e incorrerá na sanção que a lei penal estabelecer“. A 
responsabilidade, nesse caso, refere-se às informações inverídicas e a prejuízos 
causados à parte, podendo ficar inabilitado de trabalhar em outras perícias por 
dois anos.
Você sabia que: nem sempre os comentários oferecidos referem-
se ao conteúdo. Muitas vezes, o objetivo do comentário é atingir a 
pessoa do perito, a fim de sensibilizar o Juiz para a realização de 
nova prova técnica, por outro profissional, geralmente quando o 
resultado técnico é desfavorável à parte que critica.
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Atividades de Estudos:
1) O que é perícia judicial?
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 Perícia Contábil
2) Cite os principais requisitos para se tornar um perito judicial?
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Algumas Considerações 
Neste capítulo, entendemos o conceito e a importância da perícia judicial, 
que nasce da necessidade dos agentes ativos do poder judiciário, desenvolvendo-
se por meio de regras legais específicas. 
O perito, seja judicial ou extrajudicial, é escolhido principalmente pela confiança 
de quem indica e não necessariamente pela sua capacidade profissional.
A perícia é uma especialização que requer um universo diversificado de 
conhecimentos, não bastando apenas o conhecimento acadêmico porque, na 
perícia, o perito precisa enxergar onde não há luz, ler o que não está escrito e 
encontrar o que parece não existir.
Referências
BRASIL. Lei n. 10.358, de 27 de dezembro de 2001. Altera dispositivos da 
Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, relativos ao 
processo de conhecimento. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/LEIS_2001/L10358.htm>. Acesso em: 08 jul. 2016.
MAGALHÃES, Antônio de Deus Farias, et al. Perícia contábil: uma abordagem 
teórica, ética, legal, processual e operacional. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
SÁ, Antonio Lopes de. Perícia contábil. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
WAKIM, Vasconcelos Reis; WAKIM, Elizete Aparecida de Magalhães. Perícia 
contábil e ambiental: fundamentação e prática. São Paulo: Atlas, 2012.
CAPÍTULO 5
Técnicas de Execução da Perícia
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Compreender e entender as técnicas empregadas para execução da perícia.
� Desenvolver e aplicar os conhecimentos técnicos mais adequados para 
execução da perícia.
62
 Perícia Contábil
63
Técnicas de Execução da Perícia Capítulo 5 
Contextualização
Para a execução da perícia contábil, o profissional utiliza um conjunto 
de procedimentos técnicos, como: pesquisa, diligências, levantamentos de 
dados, análise, cálculos, por meio de exame, vistoria, indagação, investigação, 
arbitramento, mensuração, avaliação e certificação.
A execução da perícia, quando incluir a utilização de equipe técnica, deve ser 
realizada sob a orientação e supervisão do perito, que assume a responsabilidade 
pelos trabalhos, devendo assegurar-se de que as pessoas contratadas estejam 
profissionalmente capacitadas à execução.
Importante salientar a figura dos papéis de trabalho, que é a documentação 
preparada pelo perito para a execução da perícia. Eles integram um processo 
organizado de registro de provas, por intermédio de termos de diligência, 
informações em papel, meios eletrônicos, plantas, desenhos, fotografias, 
correspondências, depoimentos, notificações, declarações, comunicações ou 
outros quaisquer meios de prova fornecidos e peças que assegurem o objetivo da 
execução pericial.
Objetivo da Utilização de Técnicas 
Para Execução da Perícia
 
A execução do trabalho pericial é realizada por meio de técnicas que 
consideram os modos de operação decorrentes da própria ciência (ALBERTO, 
2009).
De acordo com Sá (2009), os planos periciais possuem o conteúdo suficiente 
para que a opinião seja transmitida pelo perito, de forma que satisfaça os que a 
requereram. Não é possível padronizar, pois muitos são os casos que ocorrem.
O importante é que os planos sigam os itens que compõem o objeto de 
indagação.
Exemplo:
Imaginemos uma perícia administrativa em que se examina a atuação do 
chefe de almoxarifado.
Objetivo: saber se ele desviou materiais do estoque.
64
 Perícia Contábil
Motivo: existe uma acusação de que o chefe tem vendido os mesmos 
materiais a atravessadores, em proveito próprio, e, no último inventário feito, este 
não conseguiu apurar diferenças.
Percepção: existea possibilidade de manipulação nos registros de 
movimentação.
Hipóteses básicas: compras registradas com entradas “a menor” ou saídas 
“a maior”.
O plano deve girar em torno de tais verificações.
O conteúdo seria verificar as “entradas” contra as notas de compras e as 
“saídas” contra as requisições e estas contra as ordens de produção. Isto porque, 
partindo-se das notas fiscais de compras, se o registro de entrada foi “a menor”, 
logo será apurado; partilhando-se das ordens de fabricação contra as notas de 
requisições de estoques, deve-se, também, se houver, detectar a diferença. Isto 
porque os “saldos” de cada item do estoque conferem com os “levantamentos 
físicos” que foram realizados (SÁ, 2009).
O exemplo exposto menciona que o programa de trabalho do perito giraria 
em torno dessas ocorrências.
Alberto (2009) dividiu as técnicas do trabalho pericial contábil em três: (1) 
Técnicas preliminares; (2) Técnicas básicas e (3) Técnicas científicas. 
1) Técnicas preliminares: compreende o objeto, o objetivo e as 
diligências. Toda ciência tem seu objeto e seus princípios, e, também, 
sua adaptação aos métodos a serem expressados por meio da 
metodologia própria da referida ciência. A ciência deve estar ligada à 
aplicação prática e fundamentada em princípios, bem como deve utilizar 
metodologia adequada a seu objeto e a seus objetivos.
Na aplicação prática da Ciência Contábil, da qual a perícia é uma 
delas, devem ser considerados os “modos de operação” decorrentes 
da própria ciência, que, em outras palavras, quer dizer que a aplicação 
prática dos resultados das pesquisas das ciências se expressa através 
de técnicas desenvolvidas para abordar determinadas situações 
(ALBERTO, 2009).
Como modus operandi, são mutáveis, a técnica não é a ciência, 
mas é parte da aplicação desta ciência. Da técnica modus operandi 
nasce a tecnologia modus faciendi.
Na aplicação prática 
da Ciência Contábil, 
da qual a perícia é 
uma delas, devem 
ser considerados 
os “modos 
de operação” 
decorrentes da 
própria ciência, que, 
em outras palavras, 
quer dizer que a 
aplicação prática 
dos resultados 
das pesquisas das 
ciências se expressa 
através de técnicas 
desenvolvidas 
para abordar 
determinadas 
situações 
(ALBERTO, 2009).
65
Técnicas de Execução da Perícia Capítulo 5 
No caso da perícia, para que o laudo possa ser elaborado, o perito deve se 
valer de técnicas usuais e especiais. As técnicas preliminares são:
a. Definir o objeto da perícia – neste caso, o perito deve procurar estabelecer 
e definir o objeto pericial, haja vista que nem sempre o objeto está claro 
para o usuário do serviço pericial.
b. Estabelecer, com base no objeto e demais elementos disponíveis, qual 
o objetivo da perícia, ou seja, qual a finalidade para a qual está sendo 
examinada determinada matéria. Esta finalidade, na maioria das vezes, 
não está claramente estabelecida pelo usuário. Este procedimento é 
importante, pois, dependendo da finalidade da perícia, deverá o perito 
estabelecer a metodologia que empregará, ou, em suma, as técnicas de 
abordagem que adotará. Trata-se da investigação em sentido lato sensu, 
ou seja, investigar junto aos próprios autos ou conjunto de elementos que 
lhe são submetidos.
c. Se o objeto e os objetivos tornarem necessária a pesquisa de campo, o 
profissional deverá comparecer no local onde será efetuada a pesquisa, 
ou, ainda, onde serão solicitados os documentos, ouvidas pessoas ou 
efetuadas as medições ou reproduções da coisa, ou fato de qualquer 
espécie (ALBERTO, 2009, p. 120).
Ressalta Alberto (2009, p. 26): “[...] é aconselhável que essa técnica 
seja empregada com os cuidados devidos, devendo o perito lavrar termo 
circunstanciado da solicitação, pesquisa ou verificação efetuada”.
A diligência é importante ato técnico para a realização do laudo. É por meio 
deste ato que muitos atos, fatos e situações ocultos podem vir à tona. A disposição 
mental apropriada do perito, sua observação e capacidade de apreensão são 
fatores decisivos para o encaminhamento que terá o laudo propriamente dito.
2) Técnicas básicas: de acordo com Alberto (2009), técnicas básicas são: 
exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação e certificação. 
Dependendo da finalidade da perícia solicitada, esta se valerá de técnicas 
específicas. Ressalta o autor que não se pode confundir procedimentos técnicos 
típicos da atividade pericial, com “espécies de perícia”.
3) Técnicas científicas: assim entendidas a análise e a síntese. Toda a técnica 
pericial presume o emprego da metodologia científica, uma vez que só é possível 
dizer que é perícia se houver o emprego de conhecimentos técnicos ou científicos 
(ALBERTO, 2009).
66
 Perícia Contábil
Todas as metodologias científicas, como lógica aplicada, resultado da 
observação pura e simples, estão sustentadas pela análise e pela síntese, isto é, 
pela decomposição do todo em partes. A ciência, ao ser aplicada, age na realidade 
concreta, e a realidade com ela interage, de maneira que ao perito não é dado 
desconhecer ou não perceber essa influência de bom argumentador da realidade 
e da abstração da realidade.
Deve o profissional estar atento para poder agir conscientemente, conduzindo 
com rigor científico a realização do trabalho pericial, de maneira que seu resultado 
se afirme pela própria força de suas convicções e certezas (ALBERTO, 2009).
Para maior entendimento do assunto, Sá (2009) apresenta o seguinte 
Programa de Trabalho Pericial, baseado no exemplo exposto no início deste tópico.
PROGRAMA DE TRABALHO PERICIAL
Empresa ............. Data ............ Inquérito administrativo nº ............. Perito .........
Local de Exame: Almoxarifado da fábrica ................. na cidade de .....................
Unidade .............................
Almoxarife Responsável Sr. .................. Auxiliares ............ e ................e ..........
Sistema de registro de estoques ............Último inventário físico em ..................
I – NOTAS DE COMPRAS
Confrontar as notas de compras do artigo ............ fornecedor .......... contra os registros 
de estoques ......... código .......... no mês de .........................................
Aplicar o mesmo critério para os artigos ................. fornecedores .......................
Partir dos registros de estoques dos artigos ............... para as notas de compras 
.................. dos fornecedores .................................
II – ORDENS DE FABRICAÇÃO
Partir das notas de fabricação nº ............. dos materiais .............. para o Registro dos 
estoques códigos ......................
Partir dos estoques códigos .................. para as notas de fabricação nº .........
(listar todos os exames e destacar as discrepâncias encontradas).
No caso de perícia judicial, os programas seguem os quesitos, determinando-se, em 
cada um, o que vai ser examinado.
Exemplificando:
67
Técnicas de Execução da Perícia Capítulo 5 
PROGRAMA DE TRABALHO PERICIAL
Processo nº ........ Vara ....... Juiz ........Partes: autores .......réus .........Data ...... Natureza 
da ação .............Fórum de ......... Advogados: Autores .......Réus ........
Peritos ............. Do juiz .......... Do autor ................. Do réu ................. Compromisso em 
............................. Prazo .............................
Quesito nº 1
Solicitar os livros Diário do período ............ a ...............
Verificar: Termos de abertura, rubricas nas páginas, nº registro ..........................
Verificar o estado de encadernação das listagens.
Verificar se contém as assinaturas do contabilista, dos proprietários.
Observar e relatar em que páginas estão lançados os demonstrativos contábeis de en-
cerramento dos exercícios de .......... e ..............
Solicitar os registros de Razão (listagens)
Destacar, por digitações, imprimindo a seguir, as contas de Razão relativas aos Srs.
....................................e ........................... de .......................................
Quesito nº 2
Destacar do arquivo o contrato nº .............. entre ............ e............. de.............. 
Verificar se o destacado pela cláusula ........................ tem registro contábil pertinente 
em ........................................
Realizar o mesmo procedimento em relação à cláusula ......................................
Quesito nº 3
Obter o total de registros de pagamentos da conta ..............................................
Observar se de ......... a ......... existem créditos na conta do Sr. ..........................
Confrontar tais registros com a conta bancária ....................................................
NOTA:
“Os planos periciais têm o conteúdo compatível com os objetos de exames, adaptan-
do-se tudo a cada caso na conformidade dos regimes contábeis e documentais e na-
tureza do serviço” (SÁ, 2009 p. 41).
68
 Perícia Contábil
Conceitos de Exame, Vistoria, 
Indagação, Investigação, 
Arbitramento, Mensuração, 
Avaliação e Certificação.
A maior parte das técnicas de perícia que apresentamos são comuns a todas 
as espécies de perícia. Para melhor compreensão Alberto (2009) explica cada 
uma das técnicas, a partir da conceituação das Normas Contábeis.
Exame: é a análise dos elementos constitutivos da matéria, que pode ser em 
relação a um elemento qualquer (uma pessoa, um documento, um móvel, etc.). 
Pressupõe a separação dos elementos da matéria examinada em tantas partes 
quanto necessário for, para formar convicção sobre elas.
Vistoria: é o ato de verificar o documento redigido relativo ao objeto pericial 
concreto (pessoa, máquina, documento, condições, ambientes, etc.). Em outras 
palavras, é possível dizer que é apreensão do estado do objeto no momento do 
exame e seu testemunho na instância usuária.
Indagação: é o documento pericial de obtenção do testemunho pessoal 
daqueles que têm, ou deveriam ter, conhecimento dos fatos ou atos concernentes 
à matéria periciada.
Investigação: a investigação é a pesquisa que busca trazer ao laudo que 
está oculto por quaisquer circunstâncias. As manifestações que habitualmente 
surgem são: astúcia, má-fé, fraude, malícia e outros procedimentos aéticos que 
visam obscurecer a verdade.
Arbitramento: está relacionado à solução de controvérsia por critério técnico, 
como constante das normas contábeis. Do ponto de vista estritamente pericial, 
é a técnica de determinar valores por meio de procedimentos estatísticos, como 
média, mediana, desvio-padrão, etc., e situações mensuráveis conhecidas, 
utilizadas como parâmetro para se determinar o valor de situação capazes de 
fundamentar o valor encontrável.
Avaliação: é a análise e identificação do valor de coisas, bens, direitos, 
obrigações, despesas e receitas, por critério objetivo, calculável ou demonstrável. 
É a constatação do valor real das coisas, ou de sua determinação por critério 
comparativo direto, como pesquisas, valor de mercado, etc.
69
Técnicas de Execução da Perícia Capítulo 5 
Certificação: é a informação trazida ao laudo pelo perito com caráter 
afirmativo, cuja autenticidade é reconhecida em função da fé pública atribuída ao 
profissional. Tais informações podem ter naturezas diversas ou mesmo estarem 
ligadas às técnicas de vistoria, indagação ou investigação.
Você sabia que: As técnicas de arbitramento e avaliação não se 
aplicam a todas as perícias. Devem ser encaradas como técnicas 
de mensuração de valor, e podem ser usadas por contadores ou 
engenheiros, e outros, mas não podem ser usadas por médicos ou 
grafotécnicos, por exemplo.
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Atividades de Estudos:
1) Cite e explique as técnicas do trabalho pericial contábil?
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2) Conceitue a técnica denominada de Exame?
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 Perícia Contábil
Algumas Considerações 
Neste capítulo, entendemos a importância do emprego das técnicas de 
execução da perícia. A execução do trabalho pericial é realizada por meio de 
técnicas que consideram os modos de operação.
A equipe técnica que executará a perícia deve estar subordinada ao perito, 
responsável pelo trabalho. É sua atribuição zelar pela capacitação profissional 
dos envolvidos no trabalho.
Para melhor entendimento, foram apresentados alguns exemplos com a 
intenção de situá-lo(a) em relação às diversas formas de execução da perícia. 
Referências
ALBERTO, Valder Luiz Palombo. Perícia Contábil. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
SÁ, Antonio Lopes de. Perícia contábil. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
CAPÍTULO 6
Aplicação da Perícia Contábil
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Compreender a aplicação da perícia contábil e situações onde é requisitada.
� Desenvolver a capacidade de identificar e aplicar a perícia contábil de acordo 
com a necessidade ou demanda.
72
 Perícia Contábil
73
Aplicação da Perícia Contábil Capítulo 6 
Contextualização
Nesta unidade, veremos as aplicações da perícia contábil, identificando em 
quais situações ela é requisitada. 
O campo de aplicação da perícia contábil é bastante amplo, abrangendo 
desde os lançamentos contábeis diários até o valor patrimonial econômico e 
contábil da empresa. 
O poder judiciário, na figura do juiz, determinará as necessidades específicas 
da perícia contábil, seja entre pessoas físicas ou jurídicas, nos vários ramos do 
direito. Recentemente, o árbitro também tem se utilizado dos conhecimentos da 
contabilidade em suas decisões.
A título de exemplos a respeito de situações onde a perícia contábil é 
requisitada, indicamos abaixo três grupos, contendo assuntos que recorrem ao 
conhecimento contábil: avaliações, verificações e apurações de haveres, na análise 
de valores patrimoniais e no exame, análise e identificação de erros ou fraudes.
Avaliações, Verificações e 
Apurações de Haveres
 
O processo judicial de exclusão, saída ou óbito de sócio, segundo 
terminologia jurídica dada pela Lei n. 10.406/2002, conhecido pelo Novo Código 
Civil, é tido como uma operação de: “resolução societária”. A resolução de uma 
sociedade em relação ao sócio é uma forma diferente de dissolução, mantendo 
assegurada a continuidade e a função social da empresa. Cabe ao sócio retirante 
ou aos seus herdeiros o direito de recebimento dos seus haveres com base em 
balanço patrimonial levantado especialmente com essa finalidade.
Segundo Ornelas (2003, p. 25), apuração de haveres “é o procedimento 
judicial ordenado pelo magistrado, desenvolvido por perito em contabilidade, 
que tem por meta a avaliação das quotas societárias, ou seja, mensuração da 
participação societária do sócio dissidente, excluído, ou pré-morto em sociedades 
contratuais”. Ou seja, é um processo de avaliação patrimonial para pagamento ou 
reembolso de participação em uma sociedade, numa situação de discórdia entre 
os sócios ou herdeiros do sócio falecido. 
74
 Perícia Contábil
Apuração de haveres é “o instrumento aplicado às hipóteses 
de dissolução parcial das sociedades para se aquilatar o valor do 
patrimôniosocial que caberia ao sócio que se retira”.
A resolução societária é um meio encontrado pelos tribunais para 
equacionar os princípios constitucionais da liberdade de associação e da 
função social da propriedade que, por vezes, tornam-se incompatíveis.
Normalmente, nos casos de apuração de haveres, tem-se os 
seguintes interessados: sócio remanescentes, sócio dissidente, sócio 
excluído, herdeiros do sócio falecido, magistrado, advogado das partes, perito-
contador e seus assistentes técnicos. Os sócios remanescentes permanecem com 
toda a estrutura operacional-financeira e têm o interesse em minimizar o valor da 
empresa, diminuindo o desembolso a ser efetuado pela entidade, e evitando uma 
provável descapitalização, que poderá levá-los a ter de realizar futuros aportes de 
capital. 
O sócio dissidente ou excluído, bem como os herdeiros do sócio falecido, 
em geral, possuem interesses semelhantes, pois esperam maximizar o valor 
da empresa no processo de apuração de haveres, recebendo, assim, um maior 
volume de recursos. Entretanto, têm maior dificuldade em visualizar o valor da 
empresa, pois as principais informações e os melhores instrumentos de avaliação 
estão em poder dos sócios remanescentes. 
Diante de uma situação de questionamento judicial, caberá ao Juiz de Direito 
dirimir o caso, que deverá ser resolvido de maneira mais justa para todas as 
partes interessadas. Entretanto, como o magistrado não possui conhecimento 
suficiente para a avaliação de empresas, portanto, solicita o trabalho do perito-
contador para orientá-lo na questão. 
Apuração de 
haveres é “o 
instrumento aplicado 
às hipóteses de 
dissolução parcial 
das sociedades para 
se aquilatar o valor 
do patrimônio social 
que caberia ao sócio 
que se retira”.
Análise de Valores Patrimoniais
As ações trabalhistas acontecem quando empregados e empregadores, em 
determinado momento, e, na grande maioria dos casos, no ato da rescisão contratual 
de trabalho, desacordam entre si quanto ao entendimento pessoal ou coletivo dos 
direitos que as leis que regem a relação empregado-empregador preceituam a este 
respeito. Sentindo-se lesada, uma das partes propõe litígio à outra parte.
75
Aplicação da Perícia Contábil Capítulo 6 
Você sabia que: No decorrer da ação trabalhista, o juiz poderá 
solicitar o auxílio de perito, conforme é determinado que a prova 
pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação.
De acordo com Alberto (2002, p. 112-113), a perícia contábil é ensejada 
nos processos trabalhistas em duas ocasiões: na apuração de haveres dos 
empregados retidos junto ao patrimônio dos empregadores, e na análise dos 
valores patrimoniais dos empregadores, nas ações trabalhistas em que se discute 
dissídios coletivos. Com relação às primeiras, temos:
Os haveres do trabalhador, transitoriamente retidos junto ao patrimônio do 
empregador, não deixam, por isso, de ser haveres e como tal hão de ser apurados 
por perícia contábil, notadamente quando se tratar de tornar líquidas sentenças 
que concluíram pela obrigação de dar tais haveres ao reclamante.
Exame, Análise e Identificação de 
Erros ou Fraudes
A perícia contábil é um instrumento indispensável na verificação de fraudes e 
erros contábeis, pois realiza procedimentos, de acordo com as normas técnicas, 
a fim de fundamentar o laudo pericial, tais como: o exame, que constitui a análise 
de livros e documentos; a vistoria, que consiste na verificação e constatação 
de situação, coisa ou fato, de forma circunstancial; a indagação, que trata de 
obtenção de testemunho daqueles que têm ou que deveriam ter conhecimento 
da matéria periciada; a investigação, que é a pesquisa visando trazer ao laudo 
o que está oculto por quaisquer circunstancias; o arbitramento, que trata da 
determinação de valores ou solução de controvérsias por critérios técnicos; a 
avaliação, que consiste no ato de determinar valor das coisas, bens, direitos e 
obrigações, despesas e receitas; e a certificação, que é a informação trazida ao 
laudo pelo perito contábil, de caráter afirmativo, cuja autenticidade é reconhecida 
pela fé pública atribuída ao profissional.
Num sentido amplo, uma fraude é um esquema ilícito ou de má-fé criado 
para obter ganhos pessoais, apesar de ter, juridicamente, outros significados 
legais mais específicos (os detalhes exatos divergem entre as jurisprudências). 
Muitos embustes são fraudulentos, apesar de os que não são criados para obter 
ganhos pessoais não são adequadamente descritos dessa maneira.
76
 Perícia Contábil
Em Direito Penal, fraude é o crime ou ofensa de, de forma deliberada, 
enganar outros com o propósito de prejudicá-los, usualmente para obter 
propriedade ou serviços dele ou dela, de modo injusto. Fraude pode ser efetuada 
por meio de auxílio de objetos e/ou documentos falsificados. Somente uma perícia 
especializada, com larga experiência, pode conseguir identificar efetivamente 
uma fraude bem elaborada ou um erro. 
Se esta não for bem comprovada, com provas robustas e com a devida 
fundamentação legal, que somente um perito judicial pode proporcionar ao 
contratante; de nada adiantará registrar na delegacia uma queixa-crime, correndo 
até o risco de sofrer um revés na justiça, pagando (indenizando), por mais absurdo 
que seja, danos morais ao acusado ou responsável.
Você sabia que: Um parecer contábil elaborado e assinado por 
um perito contábil é um instrumento fundamental para instruir uma 
eventual ação penal e efetivamente obter êxito na condenação dos 
efetivos responsáveis.
O advogado, a polícia ou mesmo o juiz, na maioria das vezes, não possui 
conhecimento técnico específico da matéria em análise. Portanto, é necessário 
o auxílio de um perito especializado em contabilidade para identificar eventuais 
operações fraudulentas ou com erros. Existem duas situações diferentes: quando 
o juiz nomeia um perito judicial, por assim julgar necessário, ou quando uma das 
partes do processo julga oportuna e pede através de seus advogados ao juiz 
que sejam anexados laudos técnicos, elaborados por assistentes técnicos. Isto 
certamente proporcionará ao magistrado o olhar técnico imparcial, identificando a 
fraude ou erro e enquadrando-a, se for o caso, no código penal.
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Aplicação da Perícia Contábil Capítulo 6 
Atividades de Estudos:
1) Conceitue apuração de haveres?
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2) Explique como a perícia contábil é utilizada no exame, análise e 
identificação de erro ou fraudes?
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Algumas Considerações 
Neste capítulo, entendemos algumas das principais aplicações da perícia 
contábil. Discriminar os campos e as situações em que é possível a aplicação 
da perícia contábil é tarefa que somente pode ser tomada em caráter de 
exemplificação, pois inumeráveis são as situações em que a perícia pode atuar. 
Também relevante e comum é a necessidade de se verificar, analisar ou 
avaliar a certeza e correção de um determinado valor ou conjunto de valores, que 
podem ser débitos ou créditos, receitas ou despesas. 
A Perícia Contábil pode ser utilizada como forma para verificação,análise, 
exame ou identificações de situações críticas da contabilidade, como as 
envolvendo erros e fraudes.
Todas essas aplicações de perícia contábil, devemos ressaltar, podem 
ocorrer na instância de inquérito, no processo judicial ou arbitral, ou, ainda, 
extrajudicialmente.
78
 Perícia Contábil
Referências
ALBERTO, Valder Luiz Palombo. Perícia Contábil. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia contábil. 4. ed. São Paulo: 
Atlas, 2003. Perícia contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011
CAPÍTULO 7
Arbitragem
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Compreender o conceito e a importância da arbitragem e suas convenções.
� Desenvolver os conhecimentos conceituais para atuação no campo da 
arbitragem.
80
 Perícia Contábil
81
Arbitragem Capítulo 7 
Contextualização
A cada instante, o homem é desafiado a romper com os limites e a resolver 
problemas provocados pelas intensas mudanças havidas na sociedade. As 
inovações representam as grandes conquistas humanas, que ocorrem num contexto 
teórico formulado, amadurecido e desenvolvido no próprio exercício da prática.
Nesse contexto, o ambiente empresarial atual está marcado pela derrubada 
de barreiras comerciais dentro de uma crescente globalização da economia. Todo 
esse processo leva as empresas a uma adaptação às mudanças impostas por 
esse mercado, fazendo com que o processo decisório seja mais rápido, mais 
preciso e dinâmico.
Em qualquer empresa, a administração busca resolver seus impasses e conflitos 
com mais ousadia e celeridade, pois a ênfase dada nessas resoluções dependerá do 
sucesso de suas negociações com clientes, fornecedores, sócios e empregados.
Neste capítulo, estudaremos como a arbitragem é considerada uma forma de 
solução rápida e amigável para os conflitos. 
A arbitragem, democrática e legítima, é uma justiça capacitada e qualificada 
cujo objetivo é solucionar conflitos patrimoniais diretamente relacionados ao 
campo de atuação do profissional da contabilidade.
Origem e Conceito de Arbitragem
 
Desde os tempos mais remotos, buscamos apaziguar os problemas inerentes 
aos conflitos.
As civilizações primitivas buscavam uma forma amigável de solução imparcial 
por meio de árbitros (pessoas de confiança mútua em que as partes se louvavam 
para resolver os seus conflitos). Esta interferência, em geral, recaía sobre os 
sacerdotes, que garantiam soluções acertadas, de acordo com a vontade dos 
deuses, em face de suas ligações com as divindades, ou, então, buscavam a 
solução com os anciões (sábios), que conheciam os costumes do grupo social e 
da comunidade a que pertenciam as partes. A decisão do árbitro pautava-se pelos 
padrões acolhidos pela convicção coletiva, inclusive, pelos costumes.
 
A origem da arbitragem, como meio de composição de litígios, é bem anterior 
à jurisdição pública. Isto nos permite dizer que a arbitragem foi norma primitiva de 
justiça e que os primeiros juízes nada mais foram do que árbitros.
82
 Perícia Contábil
A arbitragem no Brasil encontrava-se em desuso e a Lei n. 9.307/96 resgatou 
de nossas instituições jurídicas o acordo de vontades por meio do qual as partes, 
preferindo não se submeter à decisão judicial, confiam a árbitros a solução de 
seus conflitos de interesses.
Porém os próprios interessados, mediante concessões mútuas, dirimem suas 
controvérsias de comum acordo, transferindo a terceiros a solução, por não se 
sentirem habilitados a resolvê-las pessoalmente. É um meio rápido e racional de 
solução paralelo ao Poder Judiciário, tornando mais célere a aplicação da justiça.
A sentença, sendo condenatória, constitui título executivo e independente de 
homologação. A inexistência da homologação judicial é um dos possíveis atrativos 
do juízo arbitral, bem como o seu caráter sigiloso.
Nada impede que a sociedade se ampare em alternativas 
mais baratas e rápidas, como a arbitragem, podendo, sempre que 
necessário, recorrer ao poder público para obrigar os vencidos a 
cumprirem a decisão proferida. E, de acordo com o parágrafo 1º 
do artigo 4º da Lei n. 9.307/96 - Lei da Arbitragem, as relações de 
negócios que tenham por objeto direitos patrimoniais disponíveis 
facultam às partes estipular preventivamente que eventuais dúvidas 
ou conflitos de interesses que venham a surgir durante a sua vigência, 
sejam submetidos, preferencialmente, à decisão do Juízo Arbitral. Para 
tal deliberação, inserir-se-á “Cláusula Compromissória” nos contratos.
Nesse contexto globalizado, o profissional deve estar 
preparado mediante especialização, procurando sempre ampliar 
os conhecimentos contábeis, como também em outras áreas, 
para ocupar o espaço a ele destinado e atuar nesta nova forma 
alternativa de solução de controvérsias e litígios, originados de 
relações contratuais ou extracontratuais, originária da vontade das 
partes. A possibilidade de maior rapidez na solução do conflito, a 
especialização do árbitro das questões levadas à sua apreciação, o 
menor custo e, também, o sigilo da questão em debate, principalmente 
questões comerciais, muitas delas envolvendo segredos industriais 
ou questões técnicas, são aspectos inerentes à decisão arbitral e ao 
próprio negócio da empresa.
Fonte: Disponível em: <http://t.boletimjuridico.com.br/doutrina/
texto.asp?id=2456>. Acesso em: 20 set. 2016.
83
Arbitragem Capítulo 7 
Atualmente, a arbitragem está expressa como matéria dispositiva, em quase 
todos os sistemas jurídicos existentes, e como modalidade de solução de litígios 
com extensão em nível nacional e internacional.
Segundo Strenger (1998, p. 82), “Arbitragem é instância jurisdicional, 
praticada em função de regime contratualmente estabelecido, para dirimir 
controvérsias entre pessoas de direito privado e/ou público com procedimentos 
próprios e, (sic) força executória perante tribunais estatais”.
Com base nessa definição, temos que a arbitragem está sempre configurada 
por meio de um contrato, sendo, dessa forma, convencional o objeto arbitral. 
O principal objetivo da escolha do julgamento por arbitragem é fugir ao 
pronunciamento da Justiça comum, que, além de ser morosa e dispendiosa, pode 
enveredar pelos caminhos da polêmica, desvirtuando os resultados práticos que 
as partes esperam.
A arbitragem é uma forma de solução de conflitos por meio de árbitros 
privados e substitui a jurisdição estatal. A inserção de cláusulas nos contratos, 
objetivando ampliar o espaço de manobra que as partes poderão ter em caso de 
conflito, é condição inerente à preservação dos pactos.
Genericamente, a arbitragem é convencionada mediante a Convenção de 
Arbitragem, que compreende a “Cláusula Compromissória”, em que as partes 
contratantes deliberam submeter os eventuais conflitos originados do contrato 
à solução arbitral, podendo, também, iniciar-se mediante um ajuste celebrado 
entre os contratantes para a submissão de uma questão já identificada à decisão 
arbitral, o que se convencionou chamar de “compromisso arbitral”.
Importância da Perícia Dentro da 
Arbitragem
Alberto (2009), ao explicar sobre a perícia contábil, ressaltou as distintas 
espécies de perícia, que são identificáveis e definíveis segundo os ambientes em 
que estão instadas a atuar, e que delinearão suas características intrínsecas e o 
modus faciendi, para o perfeito atendimento do objeto. Os ambientes de atuação 
que lhe definirão as características podem ser: ambiente judicial, ambiente 
semijudicial, ambiente extrajudicial e o ambiente arbitral.
A perícia arbitral, de acordo com Alberto (2009), é aquela realizada no juízo 
arbitral, cujo pedido decisório é criado pelas partes, não se enquadrando em 
84
 Perícia Contábil
nenhuma das outras espécies de perícia citadas, devido a suas características 
especiais de atuar parcialmente como se judicial ou extrajudicial fosse. A perícia 
arbitral subdivide-seem: probante (que prova) e decisória (que decide), de acordo 
com que se destine a funcionar como meio de prova do juízo arbitral, como 
subsidiadora da convicção do árbitro, ou é ela própria a arbitragem, ou seja, 
funciona seu agente ativo como o próprio árbitro da discussão.
Você sabia que: as espécies de laudo não dependem 
diretamente das espécies de perícias. Estão mais ligados aos 
objetivos e procedimentos periciais empregados.
Laudo Arbitral
O laudo arbitral, segundo Alberto (2009), diverge, em parte, das 
características gerais apontadas, pois a conclusão arbitral é uma decisão sobre a 
questão proposta.
O laudo arbitral deverá utilizar-se da forma descritiva, isto é, deverá descrever 
em forma de relatório, fundamentos e dispositivo final, que tem semelhança 
apurada com as características de sentença judicial. O laudo arbitral é, assim, o 
resultado do trabalho do árbitro, e esta função, em determinados casos, é mais 
adequada aos peritos, razão pela qual é considerada de instância decisória e não 
como atividade pericial.
Sentença Arbitral
Arenhart (2005), doutor em Direito Processual Civil, estudioso da área, 
realizou estudos pertinentes à arbitragem e faz breves observações sobre o 
procedimento arbitral, conforme segue.
O autor mencionado denomina de sentença arbitral o ato do árbitro ou do 
tribunal arbitral decidir a discussão submetida à arbitragem. Este ato é em tudo 
assimilado à sentença judicial, ressalvado, entretanto, de que não pode conter, 
entre seus efeitos, qualquer expressão de imperium, por não se tratar de ato 
estatal (ARENHART, 2005).
85
Arbitragem Capítulo 7 
O julgamento contido na sentença arbitral pode revestir-se de resultado positivo 
não situado no exercício de imperium estatal. Neste caso, menciona Arenhart 
(2005), a sentença pode ser declaratória, constitutiva ou condenatória, porém 
jamais terá caráter de mando ou executivo. Ressalta, ainda, que esta classificação 
tem em vista a eficácia preponderante da sentença, o que não impede que esta 
decisão contenha mais de uma destas eficácias, nem que, havendo cumulação de 
pedidos, possa esta sentença encaixar-se em mais de um destes tipos.
A sentença arbitral opera seus efeitos não apenas em relação às partes, 
entre as quais é dada, mas, também, à semelhança do que ocorre com a sentença 
judicial, e é impositiva frente aos sucessores das partes, conforme prevê o art. 31.
Para Szklarowsky (2008), a sentença arbitral condenatória constitui título 
executivo judicial, assim como a sentença homologatória de transação ou de 
conciliação, ainda que verse matéria não posta em juízo, ex vi do disposto nos 
incisos III e VI, do artigo 584 do Código de Processo Civil, com a redação dada 
pelo artigo 1º da Lei n. 10.358, de 27 de janeiro de 2001.
Arenhart (2005) ressalta que, do mesmo modo que ocorre com a sentença 
judicial, pode a sentença arbitral operar efeitos, naturais e reflexos, em face de 
terceiros, não podendo, porém, ser exigida em relação a estes, nem sendo tais 
efeitos indiscutíveis para terceiros.
Novamente, Arenhart (2005) menciona que, com o objetivo de melhor 
esclarecer esta ideia, utilize-se o exemplo a seguir apresentado:
[...] uma sentença arbitral que anule determinado contrato de 
compra e venda não opera seus efeitos apenas em relação às 
partes, mas também terceiros, que tivessem interesse indireto 
no cumprimento daquele pacto, são indiretamente prejudica-
dos e frustrados com a decisão judicial, isto é, pessoas que uti-
lizariam o bem adquirido, credores que poderiam pretender o 
crédito resultante da compra e venda etc.; a sentença arbitral, 
portanto, surtiria efeitos também para estes terceiros, apenas 
não admitindo que estes efeitos possam ser imutáveis ou in-
discutíveis para os terceiros que revelem possuir legitimidade 
e interesse para discuti-los judicialmente.
Arenhart (2005) menciona que, em se tratando de sentença arbitral de 
cunho condenatório, esta decisão constituirá título executivo, e, em caso de não 
cumprimento voluntário do preceito, subsidiará o processo de execução na via 
judicial conforme art. 31, in fine.
Continua Arenhart (2005) mencionando que a sentença arbitral também 
poderá revestir-se de caráter meramente homologatório. Quando as partes, no 
86
 Perícia Contábil
curso da arbitragem, chegarem a algum acordo a respeito do litígio, poderão 
elas solicitar ao árbitro, ou ao tribunal arbitral, a homologação desta transação 
por sentença, mesmo para que se revista ela da eficácia de título executivo, à 
semelhança da sentença arbitral condenatória.
A sentença arbitral deve ser promulgada no prazo previsto pela Convenção 
de Arbitragem. Sendo omisso este pacto, o prazo para a sentença será de seis 
meses, contados da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro, segundo 
prevê o art. 23 do Código de Processo Civil. Uma vez que a parte interessada tenha 
notificado o árbitro, concedendo-lhe prazo de dez dias para a entrega da sentença, 
o descumprimento desse prazo acarretará a extinção do compromisso arbitral e, 
consequentemente, a nulidade daquele julgamento, dispõe o art. 32, inciso VII. O 
prazo poderá ser prorrogado por acordo entre as partes e o árbitro, tantas vezes 
quantas corresponderem ao interesse dos litigantes.
De acordo com o art. 24 do Código de Processo Civil, exige a lei que a sentença 
arbitral seja dada em documento escrito, que contenha inclusive os requisitos do art. 
26. Assim, deverá esta sentença, de forma similar ao que ocorre com a sentença 
judicial, conter relatório, fundamentação e dispositivo. Além de indicar a data e o 
local em que tenha sido proferida, deve estar assinada pelo árbitro ou pelos árbitros 
que a elaboraram. No relatório deve haver menção aos nomes dos litigantes, sendo 
o espaço para que os árbitros apresentem uma síntese do litígio a eles submetido. 
Na fundamentação da sentença arbitral, deverão os árbitros avaliar as questões 
de fato e de direito componentes das razões do litígio, indicando as razões que 
os levam a decidir de tal ou qual forma. É nesse momento que se estabelecem as 
premissas do julgamento, com o exame dos argumentos trazidos pelas partes, das 
provas produzidas e dos elementos relevantes para a formação do convencimento 
dos árbitros, ressalta Arenhart (2005).
É ainda imposição da lei que na fundamentação seja expressa a menção de 
que a decisão se funda em equidade, quando este for o caso, amparada no art. 
26, inc. II. Estabelecidas as razões do julgamento, o próximo passo é o dispositivo 
da sentença arbitral, que é o local em que os árbitros resolvem os pedidos que 
lhes foram apresentados, oferecendo a solução à controvérsia sujeita à arbitragem. 
Se necessário for, é nesse momento que se fixa o prazo para o cumprimento da 
sentença arbitral pelas partes. Cabe ainda, na sentença arbitral, a decisão a respeito 
das despesas e custos referentes à arbitragem. Compete aos árbitros imputar esta 
responsabilidade às partes, segundo critérios de equidade ou segundo a previsão 
contida na Convenção de Arbitragem, não havendo a obrigatoriedade de seguir-
se a disciplina prevista no Código de Processo Civil a esse respeito. Do mesmo 
modo, havendo previsão na convenção de arbitragem sobre a questão, caberá 
aos árbitros, na sentença arbitral, decidir a respeito de eventual litigância de má-fé, 
impondo ao responsável as sanções contempladas no pacto.
87
Arbitragem Capítulo 7 
No caso de ser proferida por tribunal arbitral, a sentença arbitral é tomada 
por maioria de votos, prevalecendo, no caso de dissidência invencível, o voto do 
presidente do tribunal, conforme dispõe o art. 24, § 1º. O árbitro vencido poderá, 
se assim entender necessário, declarar seu voto em separado, o que não alterará 
a substância da decisão, nem terá repercussões em termos de resultado positivo 
da decisão ou de impugnabilidade da sentença.
Uma vez concluída a sentença arbitral, será dada ciência às partes, por meiodo envio de cópia da decisão, pessoalmente, com recibo, por via postal ou por 
qualquer outro meio de comunicação, desde que comprove o seu recebimento.
A partir desse processo, dar-se-á início ao prazo para o cumprimento da 
decisão, que, uma vez descumprido, sujeitará o infrator à competente demanda 
judicial executiva (ARENHART, 2005).
Ressalta Arenhart (2005) que a sentença arbitral não se sujeita a recurso 
de qualquer espécie, nem a homologação judicial, conforme prevê o art. 18. 
Entretanto, poderá a parte interessada requerer ao árbitro, ou ao tribunal arbitral, 
no prazo de cinco dias, contados da ciência da sentença arbitral e comunicados ao 
seu adversário, que corrija eventual erro material contido naquela decisão, ou, até 
mesmo, que esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição ali presente ou 
mesmo supra possível omissão verificada. Essa situação, que se assemelha aos 
embargos de declaração previstos na legislação processual comum, visa, como 
pode ser observado, evitar a entrega de decisão defeituosa, que gere dificuldade 
de cumprimento ou mesmo de entendimento pelas partes, e, eventualmente, pelo 
Poder Judiciário, havendo a necessidade de sua execução ulterior.
Você sabia que: Se houver requerimento de esclarecimento/
retificação da sentença, deverão os árbitros a seu respeito pronunciar-
se em dez dias, aditando a sentença, se for o caso, e comunicando 
as partes de forma idêntica à comunicação referente à sentença.
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88
 Perícia Contábil
Atividades de Estudos:
1) Conceitue Arbitragem?
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2) Conceitue laudo arbitral?
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Algumas Considerações 
Neste capítulo, entendemos que atividade profissional do perito-contador 
está, atualmente, mais próxima da arbitragem, pois assim está determinando 
o mercado, tanto na esfera do Judiciário quanto na esfera extrajudicial. Esta 
afirmação tem por base a constante nomeação de profissionais para atuarem 
como peritos-contadores para auxiliar como árbitros em processos judiciais, 
nomeados pelo juiz, principalmente em processos na fase de liquidação de 
sentença.
De forma natural, o contador que atua na área da perícia contábil, recebendo 
de forma repetitiva o voto de confiança dos juízes e/ou das partes para a apuração 
de haveres, atuará com muita familiaridade como árbitro.
A importância da perícia na arbitragem está tanto para auxiliar na solução 
do conflito quanto na formação do árbitro, face aos seus conhecimentos técnicos 
específicos sobre a matéria que envolve os direitos patrimoniais disponíveis e a 
sua quantificação.
89
Arbitragem Capítulo 7 
O mercado de trabalho se amplia quando se vê a arbitragem como um 
meio de decisão de litígios e, principalmente, de desafogo do Judiciário. Pode 
o contador atuar como perito no processo, como assistente técnico de uma das 
partes e, extrajudicialmente, como juiz arbitral ou como perito na arbitragem. A 
prova pericial poderá ser determinada pelas partes interessadas, em função de 
ser necessário o conhecimento contábil específico não afeto às partes julgadoras.
Abordar ou refletir sobre a importância da perícia na arbitragem é alertar para 
um campo de atuação, que, também, deve ser valorizado pelo perito-contador, 
pois a Reforma do Judiciário, que reduziu a atuação dos profissionais na área 
da Justiça do Trabalho, trouxe muitas mudanças para os profissionais que atuam 
neste segmento.
Referências
ALBERTO, Valder Luiz Palombo. Perícia contábil. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
ARENHART, Sérgio Cruz. Breves observações sobre o procedimento 
arbitragem. Disponível em: <ufpr.academia.edu/SergioCruzArenhart>. Acesso 
em: 16 ago. 2011
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia contábil. 4. ed. São Paulo: 
Atlas, 2003. 
STRENGER, Irineu. Comentários à lei brasileira de arbitragem. São Paulo: 
LTr, 1998.
SZKLAROWSKY, Leon Frejda. Sentença arbitral 2. Revista Prática Jurídica. 
Editora Consulex, n. 44, de 30 de novembro de 2005.
90
 Perícia Contábil
CAPÍTULO 8
Normas Brasileiras Sobre a Perícia
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Compreender a estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade, com ênfase 
na regulamentação da perícia contábil e do perito-contador.
� Aplicar as normas no âmbito dos trabalhos de perícia contábil.
92
 Perícia Contábil
93
Normas Brasileiras Sobre a Perícia Capítulo 8 
Contextualização
Desde 1992 as normas periciais contábeis estão regulamentadas. Com a 
nova estrutura normativa da classe contábil, promovida e aprovada pelo Conselho 
Federal de Contabilidade (CFC), destacamos os dois normativos relacionados à 
perícia contábil: NBC PP 01 e NBC TP 01.
Estas normas estabelecem critérios inerentes à atuação do contador na 
condição de perito (NBC PP 01) e, ainda, regras e procedimentos técnico-
científicos a serem observados pelo perito (NBC TP 01) quando da elaboração 
de perícia contábil, no âmbito judicial, extrajudicial, inclusive arbitral, mediante o 
esclarecimento dos aspectos e dos fatos do litígio, por meio de exame, vistoria, 
indagação, investigação, arbitramento, avaliação ou certificação.
Este capítulo é de suma importância para que possamos utilizar a 
normatização de maneira adequada e, também, compreendamos melhor a 
aplicação da perícia contábil.
Estrutura das Normas
 
No exercício da profissão contábil, devem ser observadas as Normas 
Brasileiras de Contabilidade (NBC), que são um conjunto de regras e 
procedimentos de conduta, as chamadas normas profissionais (NBCPs), bem 
como a doutrina conceitual, os princípios, estrutura técnica e os procedimentos, 
chamados de normas técnicas (NBC-Ts), a serem aplicados na realização dos 
trabalhos previstos, e que são aprovados por resolução emitida pelo Conselho 
Federal de Contabilidade (CFC), que, inclusive, foi atualizada pela Resolução 
CFC n. 1.156/2009.
As NBC compreendem os códigos e normatizações abaixo:
• Código de Ética Profissional do Contabilista.
• Normas de Contabilidade.
• Normas de Auditoria Independente e de Asseguração.
• Normas de Auditoria Interna.
• Normas de Perícia Contábil.
Importante salientar que as NBC, principalmente depois de aprovada a Lei 
n. 11.638/07, estão em processo de harmonização com as Normas Internacionais 
de Contabilidade emitidas pelo IASB - Comitê Internacional de Normas de 
Contabilidade, as Normas Internacionais de Auditoria e Asseguração e as 
94
 Perícia Contábil
Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público emitidas pela IFAC - 
Federação Internacional de Contadores.
Atualmente, com a evolução e padronização das normas internacionais de 
contabilidade, o Conselho Federal de Contabilidade subdividiu as normas profissionais 
e normas técnicas de acordo com sua especificidade, como vemos a seguir.
Estrutura das Normas Profissionais
• NBC-PG: normas gerais aplicadas aos profissionais da área 
contábil.
• NBC-PA: normas aplicadas especificamente aos contadores 
que atuam como auditor independente.
• NBC-PI: normas aplicadasespecificamente aos contadores 
que atuam como auditor interno.
• NBC-PP: são aplicadas especificamente aos contadores que 
atuam como perito contábil.
Estrutura das Normas Técnicas
• NBC-TS: são as normas societárias convergentes com as Normas 
Internacionais.
• NBC-TSP: normas ao Setor Público, convergentes com as Normas 
Internacionais de Contabilidade para o Setor Público.
• NBC-TE : normas que não possuem Norma Internac ional 
correspondente, observando as NBC-TS.
• NBC-TA: são as normas de Auditoria convergentes com as Normas 
Internacionais de Auditoria Independente (ISAs) emitidas pela Federação 
Internacional de Contadores (IFAC).
• NBC-TR: são as normas de Revisão convergentes com as Normas 
Internacionais de Revisão (ISREs) emitidas pela IFAC.
• NBC-TO: são as normas de Asseguração convergentes com as Normas 
Internacionais de Asseguração (ISAEs) emitidas pela IFAC.
• NBC-TSC: são as normas para Serviços Correlatos convergentes com 
as Normas Internacionais para Serviços Correlatos (ISRSs) emitidas pela 
IFAC.
95
Normas Brasileiras Sobre a Perícia Capítulo 8 
• NBC-TI: são as normas aplicadas aos trabalhos de auditoria interna.
• NBC-TP: são as normas aplicadas aos trabalhos de perícia.
A inobservância das Normas Brasileiras de Contabilidade constitui 
infração disciplinar, sujeita às penalidades previstas nas alíneas “c”, 
“d” e “e” do art. 27 do Decreto-Lei n. 9.295/46, e, quando aplicável, ao 
Código de Ética Profissional do Contabilista.
Dada a relevância do tema Perícia Contábil, o Conselho Federal 
de Contabilidade, que é o órgão máximo de fiscalização do exercício 
profissional do Contador no Brasil, absorveu, também, a matéria 
relativa à Perícia Contábil.
A constante evolução e a crescente importância da perícia exigem 
atualização e aprimoramento das normas endereçadas à sua regência 
para manter permanente justaposição e ajustamento entre o trabalho a 
ser realizado e o modo ou o processo dessa realização. 
O Conselho Federal de Contabilidade, no exercício de suas atribuições 
legais e regimentais, por meio da Resolução n. 1.243, de 10 de dezembro de 
2009, resolveu aprovar a NBC PP 01, que trata do Perito Contábil, a qual entrou 
em vigor em 1º de janeiro de 2010. Esta norma foi revogada, obtendo uma nova 
redação em 18 de março de 2015.
A NBC PP 01, que trata do Perito Contábil, quando se refere ao item 5 – 
Competência Profissional, ressalta que, para o exercício da função deve manter:
Competência técnico-científica pressupõe ao perito manter adequado nível de 
conhecimento da ciência contábil, das Normas Brasileiras de Contabilidade, das 
técnicas contábeis, da legislação relativa à profissão contábil e aquelas aplicáveis 
à atividade pericial, atualizando-se, permanentemente, mediante programas de 
capacitação, treinamento, educação continuada e especialização.
E complementa que, para isso, o perito deve demonstrar capacidade para 
pesquisar, examinar, analisar, fundamentar de forma sintética a prova no laudo 
pericial contábil e/ou no parecer pericial contábil, quando se tratar do perito-
contador assistente.
A inobservância das 
Normas Brasileiras 
de Contabilidade 
constitui infração 
disciplinar, sujeita 
às penalidades 
previstas nas 
alíneas “c”, “d” e 
“e” do art. 27 do 
Decreto-Lei n. 
9.295/46, e, quando 
aplicável, ao Código 
de Ética Profissional 
do Contabilista.
96
 Perícia Contábil
Você sabia que: Realizar seus trabalhos com a observância 
da equidade significa que o perito-contador e o perito-contador 
assistente devem atuar com igualdade de direitos, adotando os 
preceitos legais técnicos inerentes à profissão contábil.
De acordo com Sá (2009), o espírito de solidariedade do perito-contador 
e do perito-contador assistente não pode induzir, como também não justifica, a 
participação ou ser conivente com erros ou atos infringentes às normas profissionais 
e éticas que regem o exercício da profissão, devendo sempre buscar a verdade 
fática, a fim de esclarecer o objeto da perícia de forma técnica e imparcial.
Quadro 3 - Resumo dos itens abordados na NBC PP 01
HABILITAÇÃO 
PROFISSIONAL
O perito deve comprovar sua habilitação como perito em conta-
bilidade por intermédio de Certidão de Regularidade Profissional 
emitida pelos Conselhos Regionais de Contabilidade. O perito 
deve anexá-la no primeiro ato de sua manifestação e na apresen-
tação do laudo ou parecer para atender ao disposto no Código de 
Processo Civil. É permitida a utilização da certificação digital, em 
consonância com a legislação vigente e as normas estabelecidas 
pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras – ICP-Brasil.
IMPEDIMENTO E 
SUSPEIÇÃO
Impedimento e suspeição são situações fáticas ou circunstanciais 
que impossibilitam o perito de exercer, regularmente, suas fun-
ções ou realizar atividade pericial em processo judicial ou extraju-
dicial, inclusive arbitral. Os itens previstos nesta Norma explicitam 
os conflitos de interesse motivadores dos impedimentos e das 
suspeições a que está sujeito o perito nos termos da legislação 
vigente e do Código de Ética Profissional do Contador.
RESPONSABILIDADE
O perito deve conhecer as responsabilidades sociais, éticas, 
profissionais e legais às quais está sujeito no momento em que 
aceita o encargo para a execução de perícias contábeis judiciais e 
extrajudiciais, inclusive arbitral.
ZELO PROFISSIONAL
O termo “zelo”, para o perito, refere-se ao cuidado que ele deve 
dispensar na execução de suas tarefas, em relação à sua condu-
ta, documentos, prazos, tratamento dispensado às autoridades, 
aos integrantes da lide e aos demais profissionais, de forma que 
sua pessoa seja respeitada, seu trabalho levado a bom termo e, 
consequentemente, o laudo pericial contábil e o parecer técnico-
-contábil dignos de fé pública
97
Normas Brasileiras Sobre a Perícia Capítulo 8 
UTILIZAÇÃO DE ESPE-
CIALISTA
O perito pode valer-se de especialistas de outras áreas para a 
realização do trabalho, quando parte da matéria-objeto da perícia 
assim o requeira. Se o perito utilizar informações de especialista, 
inclusive se anexar documento emitido por especialista, o perito é 
responsável por todas as informações contidas em seu laudo ou 
parecer.
HONORÁRIOS
Na elaboração da proposta de honorários, o perito dever conside-
rar os seguintes fatores: a relevância, o vulto, o risco, a complexi-
dade, a quantidade de horas, o pessoal técnico, o prazo estabele-
cido e a forma de recebimento, entre outros fatores.
ESCLARECIMENTOS
O perito deve prestar esclarecimentos sobre o conteúdo do laudo 
pericial contábil ou do parecer técnico-contábil, em atendimento 
à determinação do juiz ou árbitro que preside o feito, os quais 
podem não ensejar novos honorários periciais, se forem apresen-
tados para obtenção de detalhes do trabalho realizado, uma vez 
que as partes podem formulá-los com essa denominação, mas 
serem quesitos suplementares.
MODELOS
1 – Escusa em perícia judicial;
2 – Renúncia em perícia arbitral;
3 – Renúncia em perícia extrajudicial;
4 – Renúncia à indicação em perícia judicial;
5 – Renúncia à indicação em perícia arbitral;
6 – Renúncia em assistência em perícia extrajudicial;
7 – Petição de honorários periciais contábeis;
Fonte: O autor.
Quadro 4 - Resumo dos itens abordados na NBC TP 01
EXECUÇÃO
Ao ser intimado para dar início aos trabalhos periciais, o perito do 
juízo deve comunicar às partes e aos assistentes técnicos: a data 
e o local de início da produção da prova pericial contábil, exceto 
se designados pelo juízo.
PROCEDIMENTOS
Os procedimentos periciais contábeis visam fundamentar o laudo 
pericial contábil e o parecer técnico-contábil e abrangem, total ou 
parcialmente, segundo a natureza e a complexidade da matéria, 
exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, mensura-
ção, avaliação e certificação.
PLANEJAMENTO
O planejamento da perícia é a etapa do trabalho pericial que 
antecede as diligências, pesquisas, cálculose respostas aos 
quesitos, na qual o perito do juízo estabelece a metodologia dos 
procedimentos periciais a serem aplicados, elaborando-o a partir 
do conhecimento do objeto da perícia.
98
 Perícia Contábil
TERMO DE DILIGÊNCIA
Termo de diligência é o instrumento por meio do qual o perito 
solicita documentos, coisas, dados e informações necessárias à 
elaboração do laudo pericial contábil e do parecer técnico-contábil.
LAUDO E PARECER 
PERICIAL CONTÁBIL
O laudo pericial contábil e o parecer técnico-contábil são docu-
mentos escritos, nos quais os peritos devem registrar, de forma 
abrangente, o conteúdo da perícia e particularizar os aspectos e 
as minudências que envolvam o seu objeto e as buscas de ele-
mentos de prova necessários para a conclusão do seu trabalho.
MODELOS
1 – Termo de Diligência na Perícia Judicial;
2 – Termo de Diligência na Perícia Extrajudicial;
3 – Termo de Diligência na Perícia Arbitral;
4 – Planejamento para Perícia Judicial.
Fonte: O autor.
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Atividades de Estudos:
1) Como estão estruturadas as Normas Brasileiras de Contabilidade 
(NBCs)?
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2) O que o ocorre em caso de inobservância das Normas Brasileiras 
de Contabilidade?
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Normas Brasileiras Sobre a Perícia Capítulo 8 
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Algumas Considerações 
Neste capítulo, você teve a oportunidade de conhecer a estruturação das 
normas brasileiras de contabilidade e, em especial, as normas profissionais do 
perito, a sua aplicação, competência profissional, enfim, a legislação necessária 
para a prática da perícia contábil.
Vimos que as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) são um conjunto 
de regras e procedimentos de conduta, bem como as chamadas normas 
profissionais (NBC-Ps), as quais tem como objetivo uma doutrina conceitual, 
princípios, estrutura e normas técnica, a serem aplicados na realização dos 
trabalhos previstos, e que são aprovadas por resolução emitidas pelo Conselho 
Federal de Contabilidade (CFC).
Com a evolução e padronização das normas internacionais de contabilidade, 
o Conselho Federal de Contabilidade subdividiu as normas profissionais e as 
normas técnicas de acordo com suas especificidades.
As normas brasileiras de contabilidade estabelecem regras e procedimentos 
técnico-científicos a serem observados pelo perito, quando da elaboração de 
perícia contábil, no âmbito judicial, extrajudicial, inclusive arbitral, mediante o 
esclarecimento dos aspectos e dos fatos do litígio por meio de exame, vistoria, 
indagação, investigação, arbitramento, avaliação ou certificação.
Em relação ao perito-contador, as próprias Normas Brasileiras de 
Contabilidade também se preocuparam em definir seu papel e atribuições. As 
normas do perito estão regulamentadas desde 1992.
Portanto, o objetivo das Normas Brasileiras de Contabilidade é estabelecer 
procedimentos inerentes à atuação do contador na condição de perito.
100
 Perícia Contábil
Referências
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Norma Brasileira de 
Contabilidade - NBC PP 01, de 27 de fevereiro de 2015 – Dá nova redação à 
NBC PP 01 - Perito Contábil. Disponível em: <http://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/
detalhes_sre.aspx?Codigo=2015/NBCPP01>. Acesso em: 01 jul. 2016.
______. Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01, de 27 de fevereiro 
de 2015 – Dá nova redação à NBC PP 01 - Perito Contábil. Disponível em: 
<http://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2015/NBCTP01>. 
Acesso em: 01 jul. 2016.
SÁ, Antônio Lopes. Perícia contábil. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
CAPÍTULO 9
Fraudes em Contabilidade
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Aplicar os conceitos de perícia para reconhecer os principais elementos 
motivadores das fraudes em contabilidade.
102
 Perícia Contábil
103
Fraudes em Contabilidade Capítulo 9 
Contextualização
Assuntos envolvendo fraudes têm marcado presença, tanto nas manchetes 
dos meios de comunicação quanto no próprio meio corporativo em que 
trabalhamos.
Quase sempre nos deparamos com o erro (incorreção, inexatidão), com 
o engano (erro causado por descuido, falta de conhecimento específico ou 
desatenção) e com o equívoco (interpretação ambígua). Todos poderão estar na 
fronteira da fraude (ação praticada de má-fé).
Este capítulo é importante, pois abordaremos, a partir dos conceitos e de 
algumas características das terminologias do tema, as suas possíveis causas. 
O objetivo será abordar exemplos práticos de fraudes contábeis e como se 
dá a atuação do perito nessas situações.
Conceito de Fraude Contábil
 
A ação econômico-administrativa desenvolve-se por manifestações volitivas 
(vontade) da pessoa a quem esteja vinculada uma soma de interesses pecuniários 
e, em processo do tempo, por agentes que aplicam suas técnicas especializadas 
na consecução dos objetivos, procedendo em conformidade com as regras legais 
e de acordo com as normas profissionais e observância ética.
Ocorre que, por deficiências técnicas, estados psíquicos ou falhas morais, os 
fatos da administração não se apresentam com a necessária perfeição material, 
ou infringem os preceitos legais e os ensinamentos éticos. Quando identificadas, 
invocam na incriminação de seus causadores civil e/ou criminalmente.
A fraude por si só pode ser considerada como o ato de enganar ou burlar 
em proveito próprio. A fraude não se presume, a princípio deve ser provada por 
quem acusa, embora se admita a chamada prova por indícios ou circunstâncias. 
São consideradas variantes de fraudes: furto, roubo, lesão, desfalque, estelionato, 
falsificação.
Exemplos mais comuns: 
• Adulterações de pesos e medidas; 
• Substituição e subtração de mercadorias; 
• Furtos nas transações; 
104
 Perícia Contábil
• Roubo e desvio de mercadorias e valores; 
• Apropriação indébita; 
• Falsificação de documentos; 
• Faltas de caixa. 
As irregularidades contábeis são frutos de irregularidades administrativas 
e podem causar prejuízos. A organização contábil e respectivas escritas devem 
assegurar e confirmar a regularidade administrativa. Os gestores depositam 
justificada confiança nos serviços da contabilidade, acompanhando sua supervisão 
nos aspectos administrativo e técnico, mas somente até onde o permitam seus 
conhecimentos da matéria.
Seguem algumas possíveis causas das imperfeições contábeis: 
• Grande volume de trabalho; 
• Complexidade da matéria;
• Quaisquer fatores físicos ou psíquicos; 
• Fraquezas de conhecimento; 
• De boa-fé ou malícia e premeditação; 
• Exigências técnicas e do indispensável rigor nas aplicações da 
 contabilidade.
Concorrem para a execução irregular da contabilidade (não 
intencionais): 
• Ausência ou deficiência de método de trabalho; 
• Falta de dedicação; 
• Precipitação; 
• Falhas de origem física ou psíquica (inquietação, revolta, 
 desatenção, distração, fraquezas de memória, etc.);
• Negligência.
Sendo a contabilidade, por suas funções, uma forma de representação de 
fatos, ela, como qualquer outra forma de expressão,não pode prestar-se às 
aparências, figurando fatos inexistentes ou desvirtuados por artifícios, falsas 
105
Fraudes em Contabilidade Capítulo 9 
situações, isto com o caráter de simulação, ou seja, a intenção de induzir a 
interpretações que não condizem com a realidade, a verdade e a exatidão de 
coisas e fatos. 
Imperfeições Técnicas
A firma de contabilidade segue planos previamente elaborados e sua 
execução é guiada por normas pré-determinadas. Planos incompletos ou 
defeituosos são considerados possíveis causas das imperfeições.
Exemplo: normas deficientes ou mal orientadas; contas inadequadas e 
impropriedades de titulações produzem confusão e induzem a interpretações 
erradas; função de conta mal definida é causa de erros; síntese 
excessiva ou desdobramento desnecessário de contas produz 
dificuldades, obscurece ou complica o mecanismo contábil; livros que 
não atendam às exigências de clareza e método; livros auxiliares em 
grande número; processo de escrituração que não obedece ao método 
racional, torna os registros obscuros; má redação ou deficiência de 
histórico, palavras ou números ambíguos prejudicam o valor qualitativo 
da contabilidade. 
 Indícios de fraude, pelas seguintes imperfeições: desordem 
geral na escrituração, confusão e atraso; ausência de evidências; 
insuficiência de quadratura; frequência exagerada de estornos.
Indícios de fraude, 
pelas seguintes 
imperfeições: 
desordem geral 
na escrituração, 
confusão e 
atraso; ausência 
de evidências; 
insuficiência 
de quadratura; 
frequência 
exagerada de 
estornos.
Você sabia que: A boa guarda e conservação dos livros e 
registros contábeis e o perfeito arquivo dos comprovantes são 
requisitos irrecusáveis para sua valorização.
Negligência Profissional
O contador responsável pela contabilidade de uma firma está na obrigação 
moral de manter a respectiva escrituração em boa ordem, “em dia”.
Exemplo: má guarda e má conservação dos livros; má apresentação de 
trabalho; falta de asseio nos trabalhos e ausência ou atraso nas verificações; 
106
 Perícia Contábil
acúmulo de documentos para escriturar; omissões de conferência dos elementos; 
omissões ou imperfeições de lançamentos.
Erros Técnicos e de Escrituração
Importante, primeiramente, é a distinção de erro substancial e formal. 
Substancial é aquilo que se refere à essência e formal é referência à apresentação, 
à expressão dos atributos das coisas. Em contabilidade, o erro é de substância ou 
de conceito.
Quando se organiza plano de contas ou livros com impropriedades de 
indicação ou defeitos de função, ou quando consideram, ou classificam fatos 
de maneira que não significam a realidade ou verdade. Erro de forma é a 
representação gráfica defeituosa ou viciada de fatos. Presume-se que todo o erro 
é involuntário, qualificando-se como simulação, adulteração ou fraude, quando 
intencional. Diz-se que o erro é de técnica quando a impropriedade ou inexatidão 
contraria os PFC ou as formas racionais consagradas nos meios profissionais. 
Deixar de registrar o endosso de uma letra cambial, por exemplo, seria um erro 
técnico, substancial e involuntário.
Infrações
Não cumprir uma determinação administrativa e, principalmente, legal ou 
cumpri-la parcialmente, com desvirtuamento ou deformação, é infringir normas ou 
preceitos a serem observados pela contabilidade.
Exemplo: inobservância das formalidades expressas na legislação societária 
e código comercial em relação aos livros e aos vícios de escrituração condenados 
pelos mesmos diplomas legais; inobservância de normas e preceitos estatutários 
e contratuais no registro das operações; inobservância da legislação tributária; 
inobservância dos padrões e classificação de balanço quando impostos por lei 
(S/A, banco, companhia de seguros, transportes aéreos, previdência privada, 
entidades públicas, fundos, etc.).
Simulações
Quando coisas e fatos não correspondem à verdade, quando alguém 
contraria normas e preceitos, ou quando são arquitetadas situações irreais e 
107
Fraudes em Contabilidade Capítulo 9 
irregulares. São aqueles que não se verificaram ou com desvirtuação gráfica, ou 
omissão de operações e negócios legítimos.
Exemplo: simulação de inventários; operações ou negócios; débitos e créditos; 
despesas ou prejuízos; rendas ou lucros; distribuição indevida ou evitada de lucros; 
de déficit ou superávit falsos; situações aparentes ou falsas de balanços. 
Adulteração
Dentre as irregularidades contábeis, são apontadas como adulteração 
não apenas o simples fato de alterar a escrituração em alguma de suas partes, 
mas a emenda, a eliminação ou os acréscimos que alterem, propositadamente, 
os registros. As alterações podem ser de contas, históricos, datas, quantias, 
lançamentos ou peças contábeis já elaboradas.
Exemplo: adulteração de inventários; escrituração de livros; nos próprios 
livros; em débitos; créditos; contas e subcontas de receitas e despesas; nos 
resultados econômicos; nos balanços e peças que os acompanham.
Fraudes
Intenções de lesão de interesses alheios. São exemplos claros de fraudes: 
• Falsificação de lançamentos nas falências; 
• Falsas situações de contas; 
• Reservas falsas; 
• Lucros líquidos alterados; 
• Erros de classificação de receita e despesa; 
• Omissão de entradas de dinheiro; 
• Repetição indevida das mesmas saídas de dinheiro.
Culpa Profissional
As imperfeições técnicas de organização e execução de contabilidade, as 
negligências profissionais, os erros técnicos e de escrituração, bem como outras 
irregularidades de escrita podem ser causa determinante ou concorrente, direta ou 
indireta, de prejuízos materiais e morais em desfavor do dono de um patrimônio 
ou de terceiros em relações comerciais: um inventário de mercadorias, uma 
108
 Perícia Contábil
verificação de caixa com os resultados inexatos podem ser causa de prejuízo; a 
situação de um conta de terceiros em que seu saldo não corresponde à realidade 
pode determinar operações ou liquidações prejudiciais; registro errado de uma 
operação traz sempre inconvenientes: deixar de satisfazer uma obrigação no dia 
de seu vencimento, devido a informação errônea da contabilidade, pode levar à 
sua falência; às infrações à legislação comercial, na escrituração, prejudicam a 
força probante desta; pagamentos indevidos ou antecipados, informados pela 
contabilidade, acarretam prejuízo.
Estas irregularidades e das demais que a contabilidade induz a cometer 
constituem culpa profissional, que deverá responder material ou moralmente 
pelos danos que causar.
Responsabilidades Profisionais em 
Caso de Fraude Contábil
Quer sejam involuntárias as falhas e culpas do contador, quer sejam 
intencionais, quer ação de dolo ou fraude, o profissional sofre as respectivas 
consequências, que se traduzem em perda de emprego, ressarcimento de 
prejuízos ou responsabilidade criminal. No exercício de suas funções, o contador 
tem responsabilidade profissional pelos atos irregulares que praticar.
Segundo a alínea “d”, do art. 27, da Lei n. 12.249/2010, aplica-se a pena de 
suspensão do exercício da profissão àqueles que “dentro do âmbito de sua atuação 
e no que se referir à parte técnica forem responsáveis por qualquer falsidade de 
documentos que assinarem e pelas irregularidades de escrituração praticadas no 
sentido de fraudar as rendas públicas”. A mesma lei, alínea “f”, prevê, inclusive, a 
cassação do exercício profissional quando comprovada incapacidade técnica de 
natureza grave, crime contra a ordem econômica e tributária.
Diferenças entre erro e fraude:
O QUE É ERRO?
Erro é um vício involuntário, de escrituração ou nas 
demonstrações contábeis. É diferente da fraude que é voluntário. O 
erro pode ser de essência ou de forma.
109
Fraudes em Contabilidade Capítulo 9 
Erros de essência: são inversões de números, de repetição 
de registro, de transposição de saldos de contas, de classificação 
de contas,de somas, etc. Os erros de essência tendem a ser mais 
graves.
Erros de forma: são os registros de pagamentos feitos pelos 
sócios, por meio de suas contas particulares, para a empresa, ou 
vice-versa. Se os registros transacionaram somente pelo caixa, há 
um erro de forma, porque o sócio depositou em sua conta e pagou 
obrigação da empresa (nesta conta). O patrimônio dos sócios 
(pessoa física) nunca deve se confundir com o patrimônio da 
empresa (pessoa jurídica).
O QUE É FRAUDE?
Fraude é a lesão, o erro premeditado, feito propositadamente 
para lesar alguém. Tanto nas perícias administrativas, judiciais, 
quanto especiais, a fraude é sempre motivo de muito trabalho de 
verificação. 
“Detectada a fraude, pela gravidade que representa, deve ser 
sempre relatada, se afetar a opinião requerida” (SÁ, 1994). 
A perícia, quando está voltada para a localização de fraudes, 
deve ter planos específicos, com cautelas que envolvem cuidados 
especiais. Muitas perícias são realizadas para detectar fraude.
Você sabia que: Detectado o erro, o perito precisa procurar a 
“origem” deste e as “causas”. Sendo o erro relevante, que influencie 
substancialmente nas conclusões, deve ser evidenciado e declarada 
a influência que provocou.
110
 Perícia Contábil
Perícia Contábil e a Fraude Contábil
Para que você, acadêmico(a), tenha um conhecimento mais amplo, buscamos 
um case, apresentado por Magalhães et al. (2008, p. 110-115), referente a uma 
perícia extrajudicial, pertinente a uma Prestação de Contas de Administradores/
Procuradores, que descrevemos a seguir.
Inicialmente, apresentam-se o perito e as partes, conforme demonstrado no 
item 1.
1 Apresentação
Identificação do perito: (..........)
Matéria Periciada: litígio entre outorgante e outorgados quando do encerramento da 
gestão administrativa-comercial de empresa concessionária de derivados de petróleo.
Outorgante: Parte 1 (Contratante da Perícia Extrajudicial)
Parte 2 (Praticante do Ilícito)
Parte 3 (Praticante do Ilícito)
Síntese: Atendendo às condições expressas no CONTRATO DE SERVIÇOS DE 
PERÍCIA CONTÁBIL EXTRAJUDICIAL, firmado em 31-07-x5, periciamos os registros 
contábeis e os documentos que nos foram apresentados, mencionados na sequência:
Livros: Diário, n. (...) registrado na JCP/(...), sob n.(...), em 8-7-x5, fls. (...);
Registro de Entradas da Matriz, n. (...), fls. (...);
Registro de Saídas da Matriz, n. (...), fls. (...);
Registro de Apuração de ICMS da Matriz, n. (...), fls. (...);
Registro de Inventário da Matriz, n. (...), fls. (...)
Registro de Entradas da Filial de BF, n. (...), fls. (...);
Registro de Saídas da Filial de BF, n. (...), fls. (...);
Registro de Apuração de ICMS da Filial de BF, n. (...), fls. (...);
Registro de Inventário da Filial de BF, n. (...), fls. (...).
Documentos: Notas fiscais de compras e de vendas;
CMD (Controle de Movimento Diário de Combustíveis);
Extratos de Contas Correntes;
Canhotos de Cheques;
Ordens de Pagamento;
Recibos de Depósitos, dos seguintes bancos: BANCO 1, BANCO 2, BANCO 3, BANCO 4.
111
Fraudes em Contabilidade Capítulo 9 
De posse da documentação, os autores fazem uma explanação de como foram 
desenvolvidos os trabalhos, conforme é apresentado no item 2.
2 Visão do conjunto
A perícia foi desenvolvida em todos os registros, aplicando-se os procedimentos usuais, 
com aprofundamento específico nas áreas identificadas a seguir: disponibilidades, 
estoques, compras e vendas, registros fiscais e registros contábeis.
2.1 Caixa e Equivalentes de Caixa
Nos exames efetuados nos controles auxiliares e facultativos das contas que registram 
as disponibilidades, constataram-se as seguintes irregularidades:
a) Banco conta Movimento – BANCO 1
- Omissão de lançamentos contábeis de alguns fatos ocorridos nos meses de abril a 
junho de 19x5;
- Encontramos na documentação cinco canhotos de talões de cheques pertencentes 
a uma conta não identificada, cujas anotações envolvem operações comerciais 
idênticas às da empresa periciada, por exemplo: o cheque nº 143891, no valor 
de R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais), tendo como beneficiário um posto de 
gasolina; o cheque nº 333103, no valor de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais), 
também para pagamento de um posto; os cheques nº 143904 e 143907, todos ao 
mesmo beneficiário.
b) Banco Conta Movimento – BANCO 2
- Omissão de lançamentos contábeis dos fatos ocorridos nos meses de abril a junho 
de 19x5;
- Um comprovante de depósito em nome de outra empresa (...) Ltda., autenticado 
com o número “055, de 13/FEV./x5”, no valor de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de 
reais), foi encontrado junto aos comprovantes de depósitos bancários da empresa 
periciada.
c) Banco Conta Movimento – BANCO 3
- Este sem registro de movimento em nome da empresa periciada, porém está 
documentado um registro de lançamento a crédito, no extrato expedido pelo banco, 
na conta da Outorgada: Parte 3 (PRATICANTE DO ILÍCITO), procuradora da 
empresa periciada, no valor de R$ 38.000.000,00 (trinta e oito milhões de reais), 
emitido em 01/02/x5.
2.2 Estoques, compras e vendas
112
 Perícia Contábil
Nos exames desses controles, foram constatadas as seguintes irregularidades:
a) Estoques: MCD – Movimentação de Controle Diário de Combustíveis – foi constatada 
omissão do registro da entrada de 9.800 (nove mil e oitocentos litros) de ÓLEO DIESEL, 
adquiridos da fornecedora “[...] Distribuidora S/A”, conforme nota fiscal n. 29.301, no 
valor de custo igual a R$ 10.923.570,00 (dez milhões, novecentas e vinte e três mil, 
quinhentos e setenta reais).
b) Compras: no Registro de Entradas a NF n. 9.804, de “[...] e Representações de 
Produtos Derivados de Petróleo Ltda.”, foi lançada com um erro de valor; R$ 3.000,00 
(três mil reais), que representa uma saída fictícia de caixa.
c) Vendas: no exame dos talonários de notas fiscais e no registro de Saídas, 
constatamos omissão de registro de vendas dos meses de ABRIL a MAIO/x5, da Filial 
de BF, no valor de R$ 5.395.520,00 (cinco milhões, trezentos e noventa e cinco mil, 
quinhentos e vinte reais) e mais uma diferença nas vendas do dia 10/março/x5 no valor 
de R$ 549.000,00 (quinhentos e quarenta e nove mil reais), que comprovam omissão na 
entrada de caixa, no valor de R$ 5.944 .520,00 (cinco milhões, novecentos e quarenta e 
quatro mil, quinhentos e vinte reais).
2.3 Registros Fiscais
Os registros fiscais não estão revestidos das formalidades legais, pelas razões 
enunciadas a seguir:
a) Registro de entradas da Matriz: erro de valor no lançamento da segunda linha às fls. 
(...); rasuradas as fls. [...]; soma a lápis.
b) Registro de Saídas da Matriz: rasuradas as fls. [...]; somas a lápis.
c) Registro de Entradas da Filial de BF: rasuradas as fls. [...].
d) Registro de saídas da Filial de BF: o valor das vendas de MAR./x5 e ABRIL/x5 
não conferem com os valores registrados no Registro de Apuração do ICMS para os 
mesmos meses.
2.4 Registros contábeis
Os registros contábeis também não estão feitos em conformidade com a legislação 
comercial e tributária, pelos motivos que enunciamos a seguir:
a) Omissão de lançamentos de fatos contábeis, principalmente, nas contas “Banco 
Conta Movimento”, nos meses de ABRIL a JUNHO/x5.
b) Lançamento indevido a débito da conta “Venda de Lubrificantes isentos”, no valor 
de R$ 12.480.640,00 (doze milhões, quatrocentos e oitenta mil, seiscentos e quarenta 
reais), implicando erro de classificação da conta.
c) Lançamentos sintéticos da conta “Caixa” com ausência de Livro Caixa Analítico ou 
113
Fraudes em Contabilidade Capítulo 9 
Histórico R$
Compra de mercadoria sem a competente entrada do estoque, o que significa desvio 
da mercadoria, NF n. 29.301. 10.923.570
Venda de mercadoria sem a competente entrada do valor recebido, NFVC n. 051 a 165. 5.393.520
Saída fictícia de caixa, por compra lançada com valor maior do que o real: valor 
lançado R$ 695.935,00; valor correto conforme NF.9804 – R$ 692.935,00; diferençaencontrada
3.000
TOTAL 16.320.090
b) Indicios de Fraude
Histórico R$
Depósito em nome de outra empresa (...) Ltda., no Banco 3. 5.000.000
Depósito de grande valor em nome da Parte 3, procuradora da empresa periciada, no Banco 4. 38.000.000
TOTAL 43.000.000
c) Ausência de prestação de contas
- Não consta dos registros contábeis que os procuradores tenham prestado contas ao 
deixarem a empresa; a Contabilidade registra elevados saldos de CAIXA, conforme 
provam os balancetes dos últimos quatro meses, a saber:
Histórico R$
- MARÇO/x5 (nas duas filiais) 16.817.301
- ABRIL/x5 (matriz e filiais) 86.278.793
- MAIO/x5 (matriz e filiais) 78.331.986
- JUNHO/x5 (matriz e filiais) 80.144.048
Boletins Diários de Caixa.
d) Alteração do sistema contábil utilizado, no curso da gestão administrativa, sem 
justificativa de mudança.
3 comentários periciais (CONCLUSÕES)
As conclusões apresentadas são pela existência de:
(a) Fraudes e erros, efetivamente comprovados;
(b) Indícios de fraudes, que podem ser investigadas;
(c) Ausência de prestação de contas dos atos praticados pelos procuradores, na gestão 
administrativa, a seguir especificados.
a) Fraudes e erros constatados:
114
 Perícia Contábil
4 Documentos Probantes
Os documentos comprobatórios das irregularidades, fraudes e erros constatados, dos 
indícios de fraudes e dos saldos de caixa, estão enumerados, a seguir:
a) Nota Fiscal n. 29.301, de “[...] Distribuidora S/A”;
b) Notas Fiscais de Venda a Consumidor n. 051 a 200:
c) Nota Fiscal n. 9.804, de “[...] Derivados de Petróleo Ltda.”;
d) Controles de Movimento Diário dos meses de FEV. a MAR./x5 das bombas de 
GASOLINA, ÓLEO DIESEL e ÁLCOOL HIDRATADO;
e) RECIBO DE Depósito n. 998907, do BANCO 3;
f) Extrato de Conta Corrente, BANCO 4, emitido em 1-2-x5, conta em nome da Parte 3;
g) Talonários de cheques (canhotos), n. 143891 a 143900; 332371 a 332390; 332391 a 
332410; 333101 a 333120; 833891 a 833910; 299911 a 299930 (conta não identificada);
h) Balancetes dos meses de março a junho de 19x5.
5 Recomendações
a) Seja o contabilista responsável pela Contabilidade da empresa convidado a 
regularizar os registros contábeis, efetuando os lançamentos omitidos e reclassificando 
os lançamentos incorretos, no prazo legal.
b) Sejam os procuradores, Parte 2 e Parte 3 (PRATICANTES DO ILÍCITO) convidamos 
a prestar contas amigavelmente ou em juízo, se assim o preferirem, requerendo-se o 
depoimento pessoal de cada um deles sobre os fatos não esclarecidos.
Fonte: Magalhães et al. (2008, p. 110-115)
Abaixo indicamos os aspectos mais relevantes desse caso:
a) Os atos preparatórios para a Perícia Extrajudicial são expressos no contrato, 
portanto, diferentes daqueles usuais na Perícia Judicial, pois, nesse caso, o 
perito não é nomeado pelo juiz, mas contratado pela(s) parte(s).
b) Na Perícia Extrajudicial, podem ser elaborados quesitos ou não, 
porém seguidas as regras básicas definidas no contrato.
c) A essência da Perícia Extrajudicial está no exame do sistema contábil, 
dos livros e dos documentos que formam o suporte da escrita contábil e 
dos atos da gestão social. 
d) A apresentação do Laudo da Perícia Extrajudicial deve ser feita 
com observação da seguinte estrutura: introdução, visão do conjunto, 
documentos e livros examinados, comentários periciais.
A apuração das culpas, em qualquer caso, é uma indagação para fixar 
responsabilidades materiais ou morais. Nesse caso, age a Perícia Contábil, 
referindo-se às situações e fatos ou investigando-se as respectivas origens, 
além de apurar os efeitos materiais que tenham prejudicado ou que venham 
a prejudicar determinada situação patrimonial.
A apuração das 
culpas, em qualquer 
caso, é uma 
indagação para fixar 
responsabilidades 
materiais ou morais. 
Nesse caso, age 
a Perícia Contábil, 
referindo-se às 
situações e fatos ou 
investigando-se as 
respectivas origens, 
além de apurar os 
efeitos materiais 
que tenham 
prejudicado ou que 
venham a prejudicar 
determinada 
situação patrimonial.
115
Fraudes em Contabilidade Capítulo 9 
Você sabia que: A consequência, no caso de fraude, é que cabe 
ação pela responsabilidade criminal, além da civil nos processos 
judiciais. Cabe ao perito, quando da investigação de tais casos, fixar 
limites da obrigação pecuniária, justificando-os e comprovando-os.
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Atividades de Estudos:
1) Explique a origem das irregularidades contábeis.
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
2) Qual a diferença entre erro e fraude?
 ____________________________________________________
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 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
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116
 Perícia Contábil
Algumas Considerações 
No atual cenário da economia brasileira, em que os chamados crimes do 
colarinho branco predominam, faz-se necessário cada vez mais o uso da perícia 
para apuração das manipulações e uso indevido dos recursos.
Cabe recordar que a ação administrativa se desenvolve de acordo com os 
fins a que se destina a massa patrimonial. A partir da prática de atos e realizando 
fatos para esses fins, o administrador, colaboradores e prepostos, usam os bens 
materiais a sua disposição e estabelecem relações de negócios com terceiros. 
As ações administrativas, normalmente, tendem à vigilância patrimonial e à 
defesa dos interesses dos investidores, sem ofensa aos terceiros. Em quaisquer 
das manifestações das ações administrativas pode haver contaminação de 
imperfeições, que perturbam a normalidade que deve predominar.
Nesse sentido, a contabilidade serve como um instrumento de mensuração 
da performance e como fonte de informação aos usuários externos das empresas. 
Entretanto, um dos principais objetivos da contabilidade, que é atuar como uma 
espécie de camada de controle, vem sendo questionado devido à perda de 
confiabilidade dos relatórios contábeis.
Referências
MAGALHÃES, Antonio de Deus Farias, et al. Perícia contábil: uma abordagem 
teórica, ética, legal, processual e operacional. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
CAPÍTULO 10
Instituto da Prova Pericial
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Entender e compreender a necessidade do perito em aprender noções 
fundamentais quanto ao instituto da prova pericial.
� Aplicar as noções fundamentais quanto ao instituto da prova pericial.
118
 Perícia Contábil
119
Instituto da Prova Pericial Capítulo 10 
Contextualização
Diante do que dispõe o Código de Processo Civil (BRASIL, 2003), em seu 
art. 332, as provas periciais são consideradas “ [...] meios legais, [...] hábeis para 
provar a verdade dos fatos, em que se fundamenta a ação ou a defesa”.
A Lei n. 11.690, de 9 de junho de 2008, introduziu relevantes modificações no 
âmbito da prova pericial, com destaque para questões, como: convicção do juiz, 
produção antecipada de prova, realização de diligências, prova ilícitas e provas 
delas derivadas, provas inadmissíveis, desentranhamento de prova, corpo de 
delito, falta de perito oficial, peritos não oficiais, assistente técnico, oitiva de perito, 
encaminhamento de quesitos com antecedência, laudo complementar, parecer, 
disponibilização do material probatórioàs partes, perícias complexas, designação 
de mais um perito e designação de mais de um assistente técnico.
Principais Conceitos da Prova 
Pericial
 
Segundo consta no art. 420, III do Código de Processo Civil (BRASIL, 
2003), a prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação, podendo o juiz 
indeferir a perícia quando a prova do fato não depender do conhecimento especial 
de técnico; quando for desnecessária em vista de outras provas produzidas ou 
quando a verificação for impraticável. 
Rezende (2009, p. 59) assim se manifestou a respeito da prova pericial:
É necessária, dada a complexidade ou a particularidade da 
matéria debatida no processo. Inclusive para a formação de 
convicção do juízo, informações técnicas especializadas são 
imprescindíveis, posto que a todos os indivíduos é impossível 
dominar, em profundidade, todas as áreas do conhecimento, 
ainda mais aquelas eminentemente técnicas, cientificas e/ou 
relativas a atividades especificas que precisam de maiores ver-
ificações (exemplo: questões atinentes à engenharia, tecnolo-
gia da informação, contabilidade, medicina etc.).
Você sabia que: Atuando como perito indicado pelo juízo ou 
por indicação das partes, como assistente técnico, o contador deve 
buscar a solução do conflito por meio da prova pericial.
120
 Perícia Contábil
Perícia é o exame, com operação de ordem técnica, que leve a conclusões 
sobre o estado de pessoa ou de coisa, ou o valor da coisa, em consequência de 
algum ato ou fato. Tanto pode referir-se a erro, ou causa de dano, como o que do 
erro resultou ou o valor do dano; e à própria ofensa a integridade física, moral ou 
psíquica, ou ao estado físico ou psíquico da pessoa. A perícia é meio de prova.
Muitas vezes, a prova pericial se confunde com a própria 
perícia, embora a primeira seja a verdade dos fatos e a segunda vise 
à busca dessa verdade, pois sem ela a perícia não obtém êxito e, 
consequentemente, não contribui com a justiça nem com a sociedade.
Como verdade, a prova esclarece fatos controversos, conduz as 
partes ao acordo e o Juiz à sentença. Contudo, mesmo estabelecida 
a verdade por meio da prova pericial, que também deve ser prova 
material dos fatos sobre os quais se estabeleceu a lide, ela poderá não 
ser aceita como verdade absoluta por todas as partes envolvidas no 
litígio.
Infelizmente, em largos períodos de tempo, foram utilizadas 
algumas “provas”, assim mesmo, entre aspas, que, na verdade, nada 
provam, não passíveis de comparação com a prova pericial, por recaírem sobre 
objeto ou com vícios inviabilizadores de se procurar e demonstrar a verdade – que 
é o próprio objetivo do processo – de modo a fornecer elementos de convicção 
aquele encarregado de efetuar a entrega da prestação jurisdicional.
A parte que discordar da prova terá o ônus de apresentar a contraprova. A 
contraprova é a negação da prova e, por consequência, do laudo pericial que, até 
então, era tido como documento fidedigno, portanto, portador da própria prova.
Muitas vezes, a 
prova pericial se 
confunde com a 
própria perícia, 
embora a primeira 
seja a verdade dos 
fatos e a segunda 
vise à busca dessa 
verdade, pois sem 
ela a perícia não 
obtém êxito e, 
consequentemente, 
não contribui com a 
justiça nem com a 
sociedade.
Documentos Probantes 
Provas que já foram utilizadas em tempos antigos e as admitidas na 
legislação brasileira, assim entendidas aquelas que buscam cumprir a função do 
processo, que é a busca da verdade que se quer conhecer. Vejamos essas provas 
e suas características no quadro que segue:
121
Instituto da Prova Pericial Capítulo 10 
Quadro 5 – Provas e suas características
ORDÁLIAS
A menos humana e ilógica das provas. Supondo que Deus não permitiria que 
aquele que fosse inocente saísse ferido ou perdesse a vida. Uma das moda-
lidades consistia em determinar que o acusado segurasse um ferro em brasa 
com as duas mãos, carregasse-o contando nove passos e o depositasse 
suavemente no chão. Se desta proeza não resultasse nenhuma queimadura, 
era o esperado sinal de que a acusação era improcedente.
JURAMENTO
Consistia na convocação de caráter divino das afirmações, como meio de 
confirmação da verdade, isto é, as altas autoridades estatais ou eclesiásticas 
poderiam jurar invocando o nome de Deus. Curiosamente, esta “prova” era 
dirigida contra as afirmações de quem dela não podia fazer uso (artesãos, 
escravos servos, etc.).
DUELO JURÍDICO
Veio substituir as Ordálias, admitindo o detentor do poder de decisão que um 
litígio pudesse ser efetivado pela realização de um combate. Os combatentes 
poderiam ser os próprios oponentes em litígio ou estes representados por 
especialistas. Aqui há o emprego da técnica, mas sem qualquer relação com 
a verdade ou fato que se quer provar. A única perícia existente, no caso, é do 
manejo eficiente das armas.
COMPURGADORES
Na verdade, era um passo anterior ao testemunho, pois consistia num Atesta-
do de Inocência ou Declaração de mesmo cunho, passado por outras pesso-
as, reconhecidas como de reputação ilibada. Embora com vícios operacionais, 
já que as pessoas capazes de atestar (classes média e aristocrática da 
época) não estavam dispostas a testar sobre membros das classes inferiores.
DEPOIMENTO PESSOAL
É o resultante da interrogação das partes litigantes pelo condutor do processo 
judicial. Relaciona-se com a perícia à medida que esta vier a recair sobre 
matéria, a perícia não a desprezará totalmente. Está prevista no CPC, artigos 
342, 343 e 347.
CONFISSÃO Podendo ser espontânea ou provocada. Quando a matéria já estiver solucio-nada pela confissão, então, dispensa a perícia quando recair no mesmo fato.
EXIBIÇÃO DE 
DOCUMENTO
A perícia admitirá como verdadeiros fatos para os quais os documentos iriam 
fazer prova pericial dentro do laudo pericial. 
DOCUMENTO
A prova pericial liga-se à prova documental, seja quando recai sobre o próprio 
documento, ou quando se vale de documentos como embasadores do exame 
pericial.
TESTEMUNHO
Esta espécie de prova, embora independente no processo judicial, pode 
também vir a se ligar à prova pericial, como, por exemplo, quando é o próprio 
perito que, no uso das faculdades que a lei lhe confere para trazer aos autos a 
verdade real, ouve testemunhas ou obtém informações.
PERÍCIA A prova pericial se inter-relaciona com as demais provas, em menor ou maior grau.
INSPEÇÃO JUDICIAL Relaciona-se com perícia, quando o agente da inspeção (o Juiz) julgue, pela natureza do objeto sobre o qual recai o ato, deva ser assistido por perito.
Fonte: Manual de Procedimentos Periciais (2010, p. 21)
122
 Perícia Contábil
Os artigos 378, 379 e 380 do Código de Processo Civil (BRASIL, 2003) 
afirmam:
• Os livros contábeis são documentos fundamentais para uma busca de 
prova pericial;
• Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, 
todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os 
lançamentos não correspondem à verdade dos fatos;
• Os livros comerciais, que preencham os requisitos exigidos por lei, provam 
também a favor do seu autor no litígio entre comerciantes;
• A escrituração contábil é indivisível: se dos fatos que resultam dos 
lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e outros lhe 
são contrários, ambos serão considerados em conjunto como unidade.
Esses livros poderão ser arrecadados em diligência para fazer 
provas periciais contábeis. Normalmente são os seguintes:
• Livro Diário;
• Livro Razão;
• Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR;
• Livros de Entradas, Saídas de Mercadorias e Apuração do 
 ICMS;
• Livro de Inventário;
• Livro de Controle de Estoques.
No entanto, cabe ao perito verificar a necessidade da exibição dos livros 
comerciais e dos documentos que originaram a escrituração contábil e fiscal. 
Todavia, a sociedade comercial não está obrigada a apresentar seus livros em 
litígios de que não faça parte. 
Prova pericial e verdade nos autos são palavrassinônimas. É a demonstração 
que se faz – o modo – da existência, autenticidade e veracidade de um fato ou 
ato. Juridicamente, é o meio de convencer o juízo da existência do fato em que se 
baseia o direito do postulante.
123
Instituto da Prova Pericial Capítulo 10 
O perito, investido 
da função judicial de 
esclarecer os fatos, 
deverá usar meios 
lícitos que possam 
contribuir na 
produção da prova 
pericial. 
Você sabia que: A prova pericial só é deferida pelo Juiz se este 
sentir que há fatos não esclarecidos que sejam imprescindíveis 
para o deslinde da lide, mesmo que não tenha sido solicitada pelas 
partes e que estes fatos sejam de natureza técnica.
O perito, investido da função judicial de esclarecer os fatos, deverá 
coletar elementos, produzir cenários, realizar cálculos, utilizar a lógica, 
efetuar diligência, tomar depoimento, bem como usar outros meios 
lícitos que possam contribuir na produção da prova pericial. Por fim, 
esses mecanismos citados para a obtenção da prova são também 
denominados meios de prova.
Prova pericial ou, simplesmente perícia, constitui um gênero probatório, cujas 
espécies, nos termos do art. 420, são o exame, a vistoria, e a avaliação. A essas 
espécies, é legítimo acrescer o arbitramento (Código Civil, art. 136, n. VII), que se 
distingue das demais espécies.
Por exame pericial, no sentido estrito, ou simplesmente exame, entende-se 
a inspeção, por meio de perito, sobre pessoa, coisa, móveis e semoventes, para 
verificação de fatos ou circunstâncias que interessam à causa.
Vistoria é a mesma inspeção relativamente a imóveis. Dessa noção, decorre 
que um e outra somente são praticáveis quando o objeto da perícia é de natureza 
material, quer dizer, pode ser visto, ouvido, sentido e examinado pela inspeção. 
Examinam-se pessoas, animais, coisas móveis, documentos, vistoriam-se imóveis.
Tratando-se de apurar o valor, em dinheiro, do objeto do litígio, de direitos ou 
da obrigação demandada, a perícia toma o nome de arbitramento. Sua finalidade 
é a estimação do valor, em moeda, de coisa, direitos ou obrigações.
Dá-se o nome de avaliação à mesma estimação do valor, em moeda, de 
coisas, direitos ou obrigações, quando feita em inventário, partilhas ou processos 
administrativos e nas execuções, para a estimação da coisa a partilhar ou penhorada. 
Nesse caso, é bem a avaliação a determinação do justo preço de alguma coisa.
Embora não sendo jurisconsultos, a experiência e a pesquisa leva o perito contábil 
a conhecer termos jurídicos que são muito utilizados em seus trabalhos periciais.
124
 Perícia Contábil
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Atividades de Estudos:
1) Discorra sobre a importância da prova pericial.
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2) Quais livros poderão ser arrecadados em diligência para fazer 
provas periciais contábeis?
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Algumas Considerações 
Estudamos, neste capítulo, que a prova pericial se inter-relaciona com as 
demais provas, em menor ou maior grau, podendo, ao recair na matéria sobre a 
qual, em parte, as demais recaíram ou recairiam, ora esclarecer ou complementar 
as provas já produzidas, ora torná-las como uma de suas premissas ou, ainda, 
contrapor-se tecnicamente àquelas.
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125
Instituto da Prova Pericial Capítulo 10 
Quando se tratar de matéria contábil, considerar-se-ão, ainda, as regras 
técnicas e profissionais, como indicativos de conduta obrigatória emanadas das 
NBCTP 01 – Perícia Contábil e NBC PP 01 – Perito Contábil de caráter cogente, 
emanadas do poder disciplinador e regulador da profissão inerente ao Conselho 
Federal de Contabilidade. 
É importante sempre lembrar que prova pericial consiste em exame, vistoria 
ou avaliação. 
Outro aspecto a ser considerado é que o juiz indeferirá a perícia sempre 
quando: a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; for 
desnecessária em vista de outras provas produzidas e a verificação for impraticável.
Referências
BRASIL. Código de Processo Civil. Brasília: Supremo Tribunal Federal. 2003.
126
 Perícia Contábil
CAPÍTULO 11
Perícia no Código Civil Brasileiro
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Desenvolver o conhecimento dos efeitos promovidos na perícia a partir da 
reforma no Código Civil Brasileiro;
� Aplicação das alterações promovidas no âmbito dos trabalhos de perícia 
contábil, de acordo com o novo Código Civil Brasileiro.
128
 Perícia Contábil
129
Perícia no Código Civil Brasileiro Capítulo 11 
Contextualização
No Brasil, analisando os primeiros sinais do surgimento da perícia contábil, 
observamos que o período remonta a 1939, quando o Código de Processo Civil 
(promulgado pelo Decreto-Lei n. 1.608, de 18/09/1939, em seus arts. 57, 117, 
129, 131, 132, 208, 254, 255, 256, 257, 267 e 268) descreveu, de maneira sucinta 
e precisa, admitindo a perícia como prova de fato, que depende de conhecimento 
especial, inclusive, expôs sobre o laudo, a recusa do perito, a substituição deste, 
os esclarecimentos pelo perito em audiência, a indicação de assistentes técnicos, 
as despesas com o ato e as penalidades aplicáveis por eventual ato ilícito ou dolo 
do perito, explica Hoog (2010).
MAGALHÃES et al. (2008) corroboram com Hoog (2011) e mencionam que 
foi com o segundo Código de Processo Civil, criado pela Lei n. 5.869/73, e com 
as modificações atribuídas pelas Leis Complementares ao Código de Processo 
Civil, que as perícias judiciais tiveram legislação ampla, clara e aplicável. Mas foi 
em 2015, por meio da Lei nº.13.105, que mudanças mais significativas afetaram 
a perícia de forma mais marcante e significativa. De forma sucinta e objetiva, 
abordaremos essas mudanças nesse capítulo.
Mudanças na Perícia Promovidas 
Pelo Novo Código Civil Brasileiro
 
A Lei n. 13.105 de 16/03/2015 traz novidades e mudanças significativas no 
que diz respeito à perícia, em especial, à perícia contábil, por ser esta a mais 
regulamentada dentre as de outras profissões regulamentadas.
Dentre as novidades se destacam:
• Obrigatoriedade da apresentação de proposta de honorários;
• Prova técnica simplificada;
• Perícia consensual;
• Opção da nomeação de órgãos técnico-científicos;
• Novo prazo para as partes indicarem assistente técnico e se manifestarem 
sobre o laudo pericial;
130
 Perícia Contábil
• Responsabilidade do perito nomeado de assegurar aos assistentes 
técnicos das partes o acesso e o acompanhamento das diligências e dos 
exames com prévia comunicação comprovada nos autos;
• Comunicar no prazo de 05 (cinco) dias às partes o início dos trabalhos 
periciais e a restituição dos valores recebidos pelo trabalho não realizado.
Proposta de Honorários
A apresentação de proposta de honorários não era exigida no Código 
Processual Civil (CPC) anterior, todavia, nos termos do inciso I do parágrafo 2º do 
artigo 465 do novo CPC, o perito nomeado deve apresentá-la em 05 (cinco) dias, 
acompanhada do seu currículo, com comprovação de especialização, e contatos 
profissionais, em especial,o endereço eletrônico, para onde serão dirigidas as 
intimações pessoais. 
Necessário alertar que se esta for proposta de honorários periciais contábeis 
deve seguir o que determinam os itens de 47 a 64 da NBC/PP 01.
É importante observar, ainda, as questões contidas nos 
parágrafos 4º e 5º, quais sejam:
• Havendo honorário remanescente, ele será pago apenas 
ao final da perícia, depois de entregue o laudo pericial e 
prestados todos os esclarecimentos necessários pelo perito 
do juízo e;
• Quando a perícia for inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá 
reduzir os honorários inicialmente arbitrados.
Prova Técnica Simplificada
O artigo 464 traz a prova técnica simplificada como substituta da prova 
pericial, quando o ponto controvertido for de menor complexidade. Esta 
prova consistirá apenas na inquirição de especialista, pelo juiz, sobre o ponto 
controvertido da causa que demande especial conhecimento científico ou 
técnico. Segundo especialistas, esta novidade poderia gerar confusão entre os 
131
Perícia no Código Civil Brasileiro Capítulo 11 
profissionais, na medida em que não se identifique a diferença entre o perito 
especializado nomeado pelo juiz para realizar a perícia e o especialista em 
conhecimento científico ou técnico de menor complexidade para depor a respeito.
Perícia Consensual 
O artigo 471 trata da perícia consensual, na qual as partes litigantes escolhem 
e indicam, de comum acordo, o perito, em lugar da nomeação por parte do juízo, 
desde que a causa possa ser resolvida por autocomposição. Especialistas acham 
pouquíssimo provável que as partes em conflito consigam arrefecer os ânimos do 
conflito, quebrem as arestas e venham consensualmente a indicar um perito comum. 
Nomeação de Órgão Técnico ou 
Científico
O parágrafo 1º do artigo 156 do Novo CPC prevê a nomeação de órgão 
técnico ou científico como perito do juízo, o qual poderá ser indicado por 
universidades, por conselhos de classe, pelo Ministério Público, pela Defensoria 
Pública e pela Ordem dos Advogados do Brasil. A novidade aqui é a possibilidade 
de pessoa jurídica também realizar a perícia e não mais apenas a pessoa física 
do perito profissional legalmente habilitado. 
Prazo Para Indicação de Assistentes
Em relação ao prazo para as partes indicarem assistente técnico, passou 
de 5 (cinco) dias para 15 (quinze) dias. O mesmo aumento também ocorreu para 
se manifestarem sobre o laudo pericial, que antes era de 10 (dez) dias. Essa 
mudança foi considerada boa para as partes e seus patronos, pois ambos terão 
mais tempo para buscar no mercado o profissional mais adequado para funcionar 
como perito assistente e para elaborar o parecer pericial. Em relação ao laudo, 
agora se tem mais uma semana de prazo.
132
 Perícia Contábil
Você sabia que: Uma mudança importante e que acaba de 
uma vez por todas com a dúvida da participação conjunta ou não 
dos assistentes técnicos com o perito do Juízo é aquela insculpida 
no parágrafo 2º do artigo 466, concomitante com artigo 474, que 
obriga o perito nomeado a assegurar e comprovar a participação dos 
assistentes técnicos.
Restituição dos Valores Recebidos
Outra mudança que se relaciona com os honorários periciais é a contida 
no parágrafo 2º do artigo 468, a qual prevê que o perito substituído restitua em 
15 (quinze) dias, os valores recebidos pelo trabalho não realizado, sob pena de 
execução contra si. 
Atividades de Estudos:
1) A Lei n. 13.105/2015 promoveu mudanças na perícia. Mencionar 
a principais novidades que se destacam.
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
2) Discorra sobre o tratamento dado no novo Código Processual 
Civil (CPC) em relação a proposta de honorários.
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
133
Perícia no Código Civil Brasileiro Capítulo 11 
Algumas Considerações 
Neste capítulo, entendemos as mudanças recentes ocorridas na perícia, em 
decorrência da atualização do Código Processual Civil (CPC) por meio da Lei n. 
13.105/2015. 
Percebemos que as mudanças deixaram mais claras algumas questões, que 
antes geravam dúvidas e incertezas, tanto para as partes quanto para os peritos 
técnicos. 
Sem dúvidas, as modificações são no sentido de exigir uma cobrança e, ainda, 
uma maior responsabilidade, conhecimento e zelo por parte dos profissionais que 
labutam no ambiente pericial, em especial, o contábil.
Referências
BRASIL. Código de Processo Civil. Brasília: Supremo Tribunal Federal, 2015.
HOOG, Wilson Alberto Zappa. Prova Pericial Contábil: aspectos práticos e 
fundamentais. 4. ed. Curitiba: Juruá, 2007.
MAGALHÂES, Antônio de Deus Farias et. al. Perícia Contábil nos Processos 
Cível e Trabalhista: o valor informacional da contabilidade para o sistema 
judiciário. São Paulo: Atlas, 2008.
134
 Perícia Contábil
CAPÍTULO 12
Casos Práticos de Perícia Contábil
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Analisar os casos práticos mais corriqueiros envolvendo a perícia contábil;
� Aplicar os conhecimentos conceituais através da análise de casos práticos de 
perícia contábil.
136
 Perícia Contábil
137
Casos Práticos de Perícia Contábil Capítulo 12 
Contextualização
Estudamos, nos demais capítulos, que a perícia pode ser realizada em 
qualquer área científica, ou, até mesmo, em situações empíricas. É a natureza 
do processo que a classificará, podendo ser de origem judicial, extrajudicial, 
administrativa ou operacional.
No que tange à natureza dos fatos com que se depara, a perícia pode ser 
classificada como criminal, contábil, médica, trabalhista, bancária entre outras.
É possível dizer que a perícia visa avaliar, verificar e analisar as situações, 
coisas e fatos, e atinge as relações, efeitos e haveres patrimoniais. Sua 
procedência acontece depois de estabelecido requerimento ou ofício, devendo 
restringir-se especificamente ao objeto merecedor de análise. O objeto não pode 
ser o objetivo da perícia, haja vista que o objeto se refere aos fatos de natureza 
técnica, e o objetivo se destina a apresentar uma prova ou constatação, de forma 
final e verdadeira.
Para melhor entendimento do tema, utilizaremos, neste capítulo, algumas 
situações para ilustrar como se dá a aplicação da perícia. 
Não podemos deixar de recordar que a perícia tem como objetivo a busca da 
verdade real em determinado caso judicial, em que haja alguma dúvida voltada 
para o julgador, sobre a ação judicial na qual consta um fato que é contestado pelo 
réu, nascendo destes dois pontos de vista, “duas verdades”, as quais poderão ser 
diferentes da verdade real, e cuja resposta somente poderá ser demonstrada ou 
encontrada com a ajuda do perito, que deve agir com imparcialidade e se atentar 
aos aspectos técnicos e científicos, que lhe qualificam para a tarefa. 
Nesse capítulo, abordaremos de forma breve e sucinta a perícia nas áreas 
trabalhista e bancária.
Perícia Trabalhista
 
Um empregado foi admitido pela empresa comercial Antunes & Saraiva Ltda., 
para atuar na função de serviços gerais, em 01/04/2006. Sua jornada de trabalho 
na empresa é de segunda a sexta das 08h às 18h, com intervalo para descanso 
e refeições de 02 horas, e, aos sábados, das 08h às 12h, perfazendo um total de 
44 horas semanais.
138
 Perícia Contábil
Em 01/05/2007, o empregado recebeu o Aviso de Dispensado Empregador 
sem justa causa, cientificando-o do fato e estabelecendo a data de 30/05/2007 
como seu último dia de trabalho na empresa, data prevista para a rescisão 
contratual e pagamento das verbas salariais devidas.
Na data em questão, na sede do sindicato da categoria, o empregado tomou 
conhecimento dos valores que lhe seriam pagos, constantes da Rescisão de Contrato 
de Trabalho, e considerou que a empresa não lhe pagou todas as verbas devidas. 
Descrição Valor – R$
Aviso Prévio Trabalhado 440,00
Férias Integrais 440,00
1/3 Férias Integrais 146,67
Férias Proporcionais – 2/12 avos 73,33
1/3 Férias Proporcionais – 2/12 avos 24,44
13º. Salário – 5/12 avos 183,33
Sub-Total 1.307,77
FGTS – Maio/2007 35,20
FGTS – Férias Indenizadas e 13º. Salário 69,42
FGTS – Multa 40% (Saldo base R$ 433,04) 173,22
Total Bruto 1.585,61
INSS – Aviso Prévio 35,20
INSS – 13º. Salário 14,67
Total Líquido 1.535,74
Obs.: Saldo FGTS na data da dispensa do empregado Abril/07 – R$ 433,04
Isso posto, em 01/06/2007 dirigiu-se a um escritório de advocacia com o 
objetivo de obter maiores informações quanto ao caso, e solicitar a interveniência 
de profissional junto a Justiça do Trabalho para pleitear o pagamento das verbas 
devidas.
Os dados a seguir discriminados, servem de base para a determinação das 
verbas salariais contestadas:
• Salários de Abr./2006 a Mar./2007 – R$ 400,00 e de Abr./2007 e Maio/2007 
– R$ 440,00;
• Horas extras mensais no período de Abr./2006 a Abr./2007 – 40 horas, 
sendo 20 de segunda a sexta e 20 aos domingos e feriados, nunca pagas 
pelo empregador, e registradas no cartão de ponto do empregado.
139
Casos Práticos de Perícia Contábil Capítulo 12 
O advogado do reclamante consubstanciou a petição inicial em 05/06/2007, 
com base nos valores devidos de horas extras e demais verbas calculadas em 
forma de reflexos, chegando a um montante global de R$ 5.000,00.
O jurídico da reclamada, em suas alegações, contestou a petição formulada 
pelo advogado do reclamante, manifestando-se no sentido de tentar comprovar 
a inexistência das horas extras, afirmando que a empresa trabalha apenas no 
horário de funcionamento normal, e as possíveis excedentes foram compensadas 
com folgas programadas.
Na audiência de conciliação e julgamento, ocorrida em 30/09/2007, não 
houve acordo, motivo pelo qual o magistrado julgou a ação, considerando-a 
procedente, nomeando um perito para emitir um Laudo Pericial – Cálculo de 
Reclamação Trabalhista, para avaliar tecnicamente os valores devidos.
Você sabia que: Baseado nos dados fornecidos, o perito terá 
plenas condições de realizar o cálculo dos valores devidos ao 
reclamante e expor os resultados em um laudo pericial.
Perícia Bancária
Um determinado usuário de cartão de crédito utilizava normalmente o 
citado instrumento creditício, comprando e pagando as faturas mensais nas 
datas aprazadas. Em 15/10/2005, data de vencimento da fatura, o usuário, 
apresentando problemas financeiros, deixou de quitá-la, pagando o valor mínimo 
nela estabelecido, R$ 125,00 (cento e vinte e cinco reais). Em 15/11/2005 sua 
fatura apresentava a seguinte situação:
Fatura – Vencimento 15/10/2005 – Encargos Mês: 12,9% Valores – R$
Valor da fatura anterior – 15/09/2005 0,00
Compras do mês 1.250,00
Valor pago em 15/10/2005 125
Saldo da Fatura em 15/10/2005 1.125,00
140
 Perícia Contábil
Demonstrativo da fatura apresentada em 15/11/2005:
Fatura – Vencimento 15/11/2005 – Encargos Mês: 12,9% Valores – R$
Valor da fatura anterior – 15/10/2005 1.125,00
Valor pago em 15/10/2005 125
Encargos do Cartão 145,13
Saldo da Fatura em 15/11/2005 1.270,13
Em 15/11/2005, o usuário pagou parte do valor apresentado na fatura, 
correspondente ao saldo devido, deduzidos os encargos debitados, no valor de 
R$ 1.125,00 (hum mil cento e vinte e cinco reais).
Em 15/12/2005, a administradora enviou a fatura mensal, conforme a seguir:
Fatura – Vencimento 15/12/2005 – Encargos Mês: 12,9% Valores – R$
Valor da fatura anterior – 15/11/2005 1.270,13
Valor pago em 15/12/2005 1.125,00
Encargos do Cartão 18,72
Saldo da Fatura em 15/12/2005 163,85
O usuário tentou discutir com a administradora o saldo apresentado, 
ponderando sobre o valor dos encargos cobrados sem êxito, deixando de 
pagar os valores cobrados.
Durante o mês seguinte, o usuário utilizou normalmente seu cartão de crédito, 
fazendo compras, e, em 15/01/2006, a administradora apresentou nova fatura de 
cobrança, assim discriminada:
Fatura – Vencimento 15/01/2006 – Encargos Mês: 12,9% Valores – R$
Valor da fatura anterior – 15/12/2005 163,85
Valor pago em 15/12/2005 0,00
Encargos do Cartão 21,14
Compras do mês 1.150,00
Saldo da Fatura em 15/01/2006 1.334,99
Na data, o usuário pagou parcialmente o valor da fatura apresentada, 
quitando em 15/01/2006 R$ 1.150,00 ( hum mil cento e cinquenta reais).
141
Casos Práticos de Perícia Contábil Capítulo 12 
Nos meses subsequentes, o usuário não utilizou seu cartão de crédito, nem 
tampouco quitou os débitos apresentados, e as faturas mensais demonstraram a 
seguinte situação:
Fatura – Vencimento 15/02/2006 – Encargos Mês: 12,9% Valores – R$
Valor da fatura anterior – 15/01/2006 184,99
Valor pago em 15/01/2006 0,00
Encargos do Cartão 23,86
Compras do mês 0,00
Saldo da Fatura em 15/02/2006 208,85
Fatura – Vencimento 15/03/2006 – Encargos Mês: 12,9% Valores – R$
Valor da fatura anterior – 15/02/2006 208,85
Valor pago em 15/02/2006 0,00
Encargos do Cartão 26,94
Compras do mês 0,00
Saldo da Fatura em 15/03/2006 235,79
Isso posto, preocupado com o crescimento de sua dívida, decidiu recorrer as 
vias judiciais, na tentativa de solucionar o problema.
O jurídico contratado, após uma análise da situação, formulou uma petição 
inicial com base no fato de a administradora de cartão de crédito não ser uma 
instituição financeira, estando sujeita a aplicação de juros legais máximos 
previstos pelo Código Civil – Art. 406 (Lei n. 10.406/02), o qual define que as 
taxas de juros moratórios (legais), neles incluídas comissões de permanência e 
quaisquer outras remunerações direta ou indiretamente referidas à concessão de 
crédito, não poderão ser superiores ao cobrado pela Fazenda Nacional; cobrança 
acima deste limite será conceituada como crime de usura, punido, em todas as 
suas modalidades, nos termos que a lei determinar.
A capitalização dos juros, também verificada, só pode ocorrer anualmente 
(artigo 591 do Código Civil), e a sua incidência fora do prazo legal indica a prática do 
anatocismo (juros sobre juros), vedada pela citada lei, além da administradora ferir o 
Código de Defesa do Consumidor, e alegar estar investida na cláusula de mandato.
Novamente o usuário tentou negociar os encargos cobrados junto à 
administradora, não obtendo êxito.
142
 Perícia Contábil
Você sabia que: Baseada nestes dispositivos legais, a petição 
inicial ainda carecia de um laudo pericial, que informasse os cálculos 
dos valores em litígio. Motivo pelo qual deverá ser solicitada para um 
perito tal providência.
Atividades de Estudos:
1) Explique o significado do termo “duas verdades”, considerado do 
ponto de vista da perícia?
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2) A perícia pode ser realizada em qualquer área? Justifique a sua 
resposta.
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Algumas Considerações 
Neste capítulo, abordamos situações de aplicação da perícia nas áreastrabalhista e bancária. Em ambas as situações analisadas, o produto final do 
trabalho pericial se dá através do laudo elaborado pelo perito, e deve refletir 
de forma nítida e imparcial a verdade dos fatos técnicos analisados por este 
profissional. 
143
Casos Práticos de Perícia Contábil Capítulo 12 
Dessa forma, evidenciamos a crescente importância da perícia, mediante 
a chamada verdade real. Igualmente, pode assumir forte influência na decisão 
judicial quando auxilia o juízo a solucionar os litígios entre trabalhadores e 
empregadores (perícia trabalhista), correntistas e instituições financeiras (perícia 
bancária), salvo em hipóteses nas quais existam elementos nos autos para a 
análise da questão sem a perícia. 
Referências
ALBERTO, Valder Luiz Palombo. Perícia contábil. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
RIBEIRO, Eraldo Teixeira. Prática Trabalhista. 3. ed. São Paulo: Premier 
Máxima, 2007. v. 2.
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia contábil. 4. ed. São Paulo: 
Atlas, 2003.

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