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Exames de função pulmonar Autor: Pedro V.F. Medrado ESPIROMETRIA Mede os volumes e fluxos aéreos, principalmente a capacidade vital lenta (CV), capacidade vital forçada (CVF), o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), e suas relações (VEF1/CV e VEF1/CVF). Vai avaliar a medida que entra e sai dos pulmões, e seu diagnóstico possibilita a quantificação de distúrbios ventilatórios, podendo ser realizadas com manobras lentas ou manobras forçadas (na espirometria normalmente se vê os forçados). Avaliação de pacientes com sintomas respiratórios ou doença respiratória conhecida. É um exame que exige compreensão, colaboração do paciente, equipamentos exatos e emprego de técnicas padronizadas aplicadas por um pessoal treinado. Pereira – os valores obtidos devem ser comparados a valores previstos adequados para a população avaliada (altura, peso, sexo...), e sua interpretação deve ser feita à luz dos dados clínicos (paciente realmente tem aquele distúrbio?) e epidemiológicos. A CPT e o VR não podem ser medidos pela espirometria. Indicado · Há necessidade de diagnóstico · Monitoração de uma doença ou de seu tratamento · Avaliação de incapacidade Contra-indicado · Hemoptise recente; · Angina recente; · Descolamento de retina; · Pneumotórax; · Na vigência de uma crise hipertensiva; · Na vigência de um edema pulmonar; · Aneurisma de aorta torácica; · Cirurgias abdominais, torácicas e neurológicas recentes. O paciente deve evitar antes do exame · Fumar deve ser proibido por pelo menos 2 horas antes · Ingestão de álcool nas últimas 4h · Refeições volumosas nas últimas 2h · Exercícios prévios no dia do exame · Roupas apertadas – compromete mobilidade E/I · Uso de beta-bloqueadores de curta duração 6horas antes – depende da duração de ação · Uso de beta de longa ação 12horas antes · Uso de beta de ultra-longa ação 24horas antes Técnica · Espirômetro computadorizados de custo relativamente baixo e altamente acurados são largamente disponíveis · Acurária do volume do espirômetro deve ser checada diariamente com uma seringa de 3L · Deve desenhar as curvas de fluxo-volume e volume-tempo e os gráficos dessas curvas devem ser disponibilizados Medida de volumes pulmonares Podem ser avaliados por diversas técnicas, a determinação por pletismografia é mais acurada. · Volume corrente (VC): volume de ar inspirado ou expirado em cada respiração normal · Volume de reserva inspiratória (VRI): volume máximo de ar que pode ser inspirado após uma inspiração espontânea, ou o volume extra de ar inspirado além do volume corrente normal. · Volume de reserva expiratória (VRE): volume máximo de ar que pode ser expirado em uma expiração forçada após a expiração espontânea · Volume residual (VR): volume de ar que fica retido nos pulmões após uma expiração forçada máxima – mantém a patência dos alvéolos, e evita colabamento. · Volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1): é a quantidade de ar eliminada no primeiro segundo da manobra de expiração forçada. As capacidades pulmonares são resultados da soma de 2 ou mais volumes pulmonares · Capacidade pulmonar total (CPT): VR + VC + VRE + VRI volume máximo que os pulmões podem ser expandidos com o maior esforço, representa a quantidade total de ar presente nos pulmões na inspiração máxima. · Capacidade residual funcional (CRF): VR + VRE quantidade de ar que permanece nos pulmões ao final da expiração normal. · Capacidade inspiratória (CI): VC + VRI volume total de ar que pode ser inspirado a partir da CRF. · Capacidade vital (CV): VC + VRE + VRI quantidade total de ar que pode ser mobilizado entre a inspiração máxima e a inspiração máxima. · Capacidade vital forçada (CVF) volume de gás expirado de maneira forçada depois de uma inspiração máxima. Expiração rápida e intensa no espirômetro. · VEF1 – a mensuração de tempo na manobra de CVF – não pode exceder 5% da CVF ou 150ml, o que for maior. - Padrão restritivo – redução da capacidade vital - Se a obstrução com aprisionamento – aumento do volume residual de forma adaptativa, e diminui a capacidade vital. Outros parâmetros · Razão VEF1/CVF, ou VEFt% – relação entre o volume expiratório forçado no primeiro segundo e a capacidade vital forçada · VEFt% = VEFt/CVF x 100 · Fluxo expiratório forçado 25%-75% (FEF25-75%) – fluxo médio expiratório forçado, medido pela manobra de CVF. · É CVF-dependente · Volume expirado divido pelo tempo requerido entre os pontos de 25% e 75% do volume de expiração. · Pico de fluxo expiratório (PFE) – fluxo máximo alcançado na manobra da CVF Manobra de CVF adequada 1. Inspiração máxima até a CPT 2. Expiração abrupta e forçada máxima (Curva FxV) 3. Expiração contínua até o volume residual (Curva VxT) PFE Diferentes padrões patológicos. · Normal: pico abrupto e forçado, com queda lenta. · Nos padrões de obstrução, o fluxo, e pico, são bem menores a CPT e a VR são aumentadas. · Nos padrões de fibrose, distúrbio restritivo, a CPT é reduzida e a VR é levemente reduzida · O VEF1 é reduzido, e a curva é mais prolongada em pacientes com obstrução. Exame adequado – segue os critérios: · Pelo menos três testes aceitáveis · Inspirações máxima antes do início do teste · Início satisfatório da expiração · Evidência de esforço máximo · Volume extrapolado <5% da CVF ou 0,15, o que for o maior · Diferença entre os três maiores valores do PFE<10% ou 0,5L/s o que for maior · Expiração sem hesitação · Duração satisfatória do teste · Em geral >6s · Pelo menos 10s na presença de obstrução, idealmente 15s · Término · Plâto no último segundo · Desconforto acentuado ou risco de síncope · Artefatos ausentes · Tosse no 1º segundo · Vazamento · Obstrução da peça bucal · Manobra de Valsava · Ruído glótico Esses padrões devem ser descartados para análise de espirometria – artefatos. · Resultados reprodutíveis – 8 manobras · Para CVF e VEF1 os dois maiores valores devem diferir <0,15L · Se estes critérios não são preenchidos após oito tentativas, interrompa o exame e siga com a interpretação usado os três melhores testes. · Seleção das curvas para interpretação – 6 curvas e 2 reprodutivas. · Selecione dos testes a qualidade aceitável · Seleciona a maior CVF · Selecione o maior VEF1 das curvas com valores de PFE aceitáveis · Selecione os fluxos instantâneos da curva com maior soma de CVF e VEF1, obedecido o critério anterior. Qualidade do exame – classificação · A – Pelo menos duas manobras aceitáveis (de até 8 tentativas) com os dois maiores valores de CVF e VEF1 diferindo menos do que 0,15L e PFE<10% ou 0,5L (o que for maior) - MELHOR · B – Pelo menos duas manobras aceitáveis com os dois maiores valores de CVF e VEF1 entre 0,15 e 0,2L ou PFE>15% · C – Apenas uma manobra aceitável, ou mais do que uma manobra aceitável, mas com valores de VEF1 com variação acima de 0,2L. · D – Nenhum teste aceitável (sem interpretação) – NÃO ACEITA Normal VEF1/CVF + CVF normal Avalia o CVF Caso normal A Espirometria é normal DV Restritivo Caracterizado por redução da CPT · CV e CVF reduzidos + VEF1/CVF% e FEF25-75/CVF normais ou elevados DVR é inferido Processo que interfira com a função de fole dos pulmões ou da parede torácica Redução dos volumes pulmonares Casos onde há diagnóstico clínico de doença obstrutiva, mas a PFP é de DVR ou combinado: · Vazamento no espirômetro; · Inspiração incompleta, interrupção precoce da expiração; · Alçaponamento de ar; · Fechamento das vias aéreas; · Superposição de doenças; DV Inespecífico CVF reduzida + relação VEF1/CVF normal Em 42% dos casos tidos como restritivos, a CPT não está alterada; Considerar: obesidade, obstrução (fechamento completo das vias aéreas); Complementar a avaliação com teste de difusão – mede a capacidade do pulmão captar o O2. Aparente DVR, na falta de CPT, será inespecífico se: · Ausência de clínica para doença restritiva · CV>50% do previsto · CV, ou CVF, pós-broncodilatador ainda reduzida · FEF25-75/CVF não elevado (<150%) ou difusão normal DV Obstrutivo Relação VEF1/CVF e VEF1 reduzidos Outras medidas incluem: FEF25-75% devem ser consideradasapenas depois de definida a obstrução Causas: DPOC, asma, bronquiectasia e bronquiolites. Realizar prova broncodilatadora Quanto mais alto, maior o volume pulmonar. DV Misto ou combinado e obstrutivo com CVF Reduzida Quando a CVF permanece reduzida antes e após o broncodilatador Para avaliação a medida da CPT é ideal Alternativa – extensão da queda do CVF · Cai proporcionalmente ao VEF1 nos DVR · Menos proporcional no DVO · Queda maior que a esperada nos DVO, mas menor que nos DVR; Diferença entre a CVF e o VEF1 · Se maior ou igual a 25 infere-se DVO com CVF reduzido por provável hiperinsuflação; · Se menor ou igual a 12 infere-se Distúrbio misto; · Entre 12 e 25 DVO com CVF reduzido. Prova pós-broncodilatador Salbutamol ou fenoterol – 400mcg Espera 15 minutos Diretrizes de Função Pulmonar da SBPT: · VEF1>7% e >= 200ml absoluto; · CVF>= 350 ml absoluto; · CV>= 400 ml; · CI >= 300 ml; Distúrbio ventilatório obstrutivo · Variações isoladas de fluxo ou volume Exceções · Se, inicialmente, a VEF1/CVF for normal, e houver suspeita de obstrução, aplicar o BD. Havendo resposta positiva ao BD e com correlação clínica, definir diagnóstico como obstrutivo. · No caso de ausência de suspeição clínica fixar diagnóstico como tônus broncomotor aumentado (AVEF1>10%)