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EDITORA ATLAS S.A. Rua Conselheiro Nébias, 1384 (Campos Elísios) 01203-904 São Paulo (SP) Tel.: (011) 221-9144 (PABX) http://www.editora-atlas.com.br PAULO ROBERTO VAMPRÉ HUMMEL MAURO ROBERTO BLACK TASCHNER Engenharia Econômica -Teoria e Prática Ampliada com Modelo de Determinação da Inflação Interna da Empresa e Modelo de Resolução com Taxa de Inflação Múltipla 4ª Edição SÃO PAULO EDITORA ATLAS S.A. — 1995 © 1986 by EDITORA ATLAS S.A. Rua Conselheiro Nébias, 1384 (Campos Elísios) 01203-904 São Paulo (SP) Tel.: (011) 221-9144 (PABX) 1. ed. 1986; 2. ed. 1988; 3. ed. 1992; 4. ed. 1995; 33 tiragem ISBN 85-224-1220-0 Impresso no Brasil/Printed in Brazil Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto nº 1.825, de 20 de dezembro de 1907. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS - É proibida a reprodução total ou parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio. A violação dos direitos de autor (lei nº 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal. Capa: Paulo F. Leite Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Hummel, Paulo Roberto Vampré, - Análise c decisão sobre investimentos c financiamentos: engenharia econômica: teoria c prática / Paulo Roberto Vampré Hummel, Mauro Roberto Black Taschner. — 4. cd. ampl. com modelo de determinação da inflação interna da empresa e modelo de resolução com taxa de inflação múltipla. — São Paulo : Atlas, 1995. Bibliografia ISBN 85-224-1220-0 1. Engenharia econômica 2. Investimentos — Análise 3. Investimentos - Brasil 4. Matemática financeira 1. Taschner, Mauro Roberto Black, — II. Título. 95-0025 CDD-658.152 Índices para catálogo sistemático: 1. Análise de desempenho: Investimentos: Administração financeira 658.152 2. Investimentos: Análise financeira: Administração de empresas 658.152 Dedicamos este livro a nossas mulheres e filhos, a quem agradecemos pela paciência e pelo estí- mulo com que sempre nos brindaram. Os Autores Sumário Prefácio, 11 Apresentação à segunda edição, 13 Apresentação à primeira edição, 15 Parte 1 TEORIA BÁSICA DA ENGENHARIA ECONÔMICA, 19 1 INTRODUÇÃO Â ENGENHARIA ECONÔMICA, 21 1.1 Introdução, 21 1.2 Planejamento de estudos econômicos, 23 1.2.1 Uma decisão por sentimento, 23 1.2.2 Uma análise econômica, 24 1.2.3 Decisão: escolha entre alternativas, 24 1.3 Princípios fundamentais da Engenharia Econômica, 25 1.3.1 Não existe decisão a ser tomada considerando-se alternativa única, 25 1.3.2 Só se podem comparar alternativas homogêneas para se po- der comparar o seu resultado, 25 1.3.3 Apenas as diferenças de alternativas são relevantes, 26 1.3.4 Os critérios para decisão entre alternativas econômicas devem reconhecer o valor no tempo do dinheiro, 26 1.3.5 Não devem ser esquecidos os problemas relativos ao raciona- mento do capital, 26 1.3.6 Decisões separáveis devem ser tomadas separadamente, 26 1.3.7 Deve-se sempre atribuir certo peso para os graus relativos de incerteza associados às previsões efetuadas, 27 1.3.8 As decisões devem levar também em consideração os eventos qualitativos não quantif icáveis monetariamente, 27 1.3.9 Realimentação de informações, 27 7 1.3.10 Dados econômicos/gerenciais, 27 1.4 Limitações do estudo, 28 2 CONCEITOS BÁSICOS, 29 2.1 Equivalência, 29 2.2 Juros, 31 2.3 Taxa de juros, 31 2.4 Juros compostos, 32 2.4.1 Juros nominais, 32 A — Pagamento de juros antecipados, 32 B — Pagamento de juros sobre o total e hão sobre o saldo devedor, 33 2.5 Conceitos adicionais, 33 2.5.1 Fluxo de caixa, 33 2.5.2 Símbolos, 34 3 CÁLCULO DE JUROS COMPOSTOS, 35 3.1 Cálculos dos fatores de juros compostos, 35 3.1.1 Fator de valor futuro para pagamento único, 35 3.1.2 Fator de valor atual para pagamento único, 37 3.1.3 Fator de valor futuro de uma série uniforme de pagamentos, 38 3.1.4 Fator de fundo de amortização, 40 3.1.5 Fator de valor atual para série uniforme, 41 3.1.6 Fator de recuperação de capital, 42 3.1.7 Fatores para série gradiente, 44 Exercícios, 46 4 MÉTODOS EQUIVALENTES PARA COMPARAÇÃO DE ALTERNATIVAS, 49 4.1 Introdução, 49 4.2 Custo anual, 50 4.2.1 Alternativas com mesma vida econômica, 50 4.2.2 Alternativas com vidas econômicas diferentes, 53 4.3 Método do valor presente, 57 4.3.1. Alternativas com vidas econômicas iguais, 58 4.3.2 Alternativas com vidas econômicas diferentes, 61 4.4 Método da taxa de retorno - comparação de alternativas com investi- mentos iguais, 66 4.5 Taxa de retorno — comparação de alternativas com investimentos dife- rentes: Taxa de retorno incrementai, 69 Exercícios, 738 Parte 2 APLICAÇÕES PRÁTICAS, 79 5 ANÁLISE DE ALTERNATIVAS MÚLTIPLAS, 81 5.1 Introdução, 81 5.2 Análise de problemas de alternativas mutuamente exclusivas sem limi- tação de capital, 82 5.3 Comparação de alternativas mutuamente exclusivas tecnicamente,com disponibilidade de capital, porém sem retorno, 84 5.4 Análise de problemas de alternativas múltiplas considerando-se grupos não exclusivos de alternativas mutuamente exclusivas tecnicamente, com limitação de capital, 85 Exercícios, 93 6 SUBSTITUIÇÃO DE EQUIPAMENTO, 98 6.1 Introdução, 98 6.2 Problema relativo a compra de equipamento similar, 99 6.3 Problema onde não haverá reposição de equipamento, 100 6.4 Problema em que haverá reposição com equipamento idêntico, 102 6.5 Substituição de equipamento devido a mudanças nas exigências de serviço, 104 6.6 Considerações a respeito da análise de investimento antes ou depois do Imposto de Renda, 106 6.7 Problema de substituição de equipamento usado, mas com vida útil remanescente por um equipamento diferente, 107 6.8 Análise de quando se deve substituir um equipamento em utilização por outro modelo tecnicamente superior, 112 Exercícios, 118 7 LEASING, 123 7.1 Conceito, 123 7.2 Vantagens do leasing, 124 7.3 Desvantagens do leasing, 124 7.4 Operação do leasing, 124 7.5 Compras x leasing, 126 Exercícios, 128 8 INFLAÇÃO, 130 8.1 Conceito, 130 8.1.1 A inflação e a empresa, 131 8.2 Mensuração da inflação, 132 8.3 Modelo para determinação da inflação interna da empresa, 133 8.3.1 Metodologia, 134 9 8.4 Fórmulas, 137 8.5 Problema de mudança de base monetária, 139 8.6 Problema que apresenta fluxo de caixa com valores reajustáveis e não reajustáveis com a inflação, 144 8.7 Problema de leasing x compra num regime inflacionário, 146 8.8 Problema que considera uma taxa de juros subsidiados, 155 8.9 Problema que considera a inflação interna da empresa diferente da correção monetária ou cambial, 158 8.9.1 Resumo — inflação considerando-se índices de correção dife- rentes da taxa de inflação interna, 160 8.10 Problema em que a correção de custos é maior que a correção das re- ceitas, 161 8.11 Problema em que o período em que se efetuam as correções não coin- cide com o período do fluxo de caixa, 164 8.12 Análise de modelo com taxa de inflação múltipla, 165 Exercícios, 166 9 FINANCIAMENTOS BANCÁRIOS, 172 9.1 Considerações gerais, 172 9.2 Determinação da taxa de juros real em algumas operações bancárias típicas, 173 9.2.1 Desconto de duplicatas simples, 173 9.2.2 Desconto de duplicatas com reciprocidade, 174 9.2.3 Desconto de duplicatas com reciprocidade e retenção, 175 9.2.4 Financiamento de capital de giro em moeda nacional, 176 9.2.5 Financiamento de capital de giro em moeda estrangeira — Operação 63,177 9.2.6 Financiamento de capital de giro em moeda nacional a juros subsidiados, 179 9.2.7 Financiamento de longo prazo para aquisição de bens, 181 9.2.8 Comentários finais, 184 Exercícios, 184 Anexo - Tabela de fatores de juros, 187 Respostas dos problemas, 210 Bibliografia, 214 10 Prefácio Nesta década dos anos 80, nosso desenvolvimento econômico e industrial realiza-se sob o impacto dos novos fatores resultantes da atual revolução tecnoló- gica que domina o cenário dos países desenvolvidos do mundo. Em escala cres- cente, e em função também das exportações, o empresário brasileiro insere-se no panorama do desenvolvimento tecnológico contemporâneo de modo compe- titivo, criando novos processos emétodos de trabalho, assim como adotando cri- térios cada vez mais objetivos e precisos para os processos de decisão econômica, a nível de empresa. Neste contexto, a lógica, o raciocínio e as técnicas da Enge- nharia Econômica encontram um campo cada vez mais amplo e fértil para sua aplicação por parte dos profissionais dos setores mais variados como analistas financeiros, administradores comerciais e industriais, engenheiros de projeto, compradores e mesmo consumidores finais. Especialmente na atual conjuntura brasileira, que se caracteriza pelas eleva- das taxas de juros, quer reais, quer inflacionárias, uma clara conceituação e correta aplicação de metodologia para efeito de determinação dos custos financeiros e alternativas de investimento ganha um campo crescente de utilizações. Alternati- vas de compras e de financiamento podem hoje ser rotineiramente analisadas, com a utilização de programas para microcomputadores, mantendo-se os respectivos dados em arquivo. Para efeito de seleção de investimentos e de controle de custos operacionais e de produção, a aplicação sistemática e permanente da Engenharia Econômica, no dia-a-dia das atividades empresariais, passou a integrar todos os programas de redução de custos e de aumento da produtividade. Estas análises hoje rotineiras representam uma longa evolução em relação aos estudos iniciais da Engenharia Econômica, desenvolvidos pelos professores Eugene L. Grant e W. Grant Ireson, da Universidade de Stanford, nos EUA, durante o pós-guerra, e cuja grande contribuição foi o desenvolvimento das aplicações da matemática financeira para a tomada de decisões na área de investimentos. 11 A presente obra, de autoria dos professores Paulo Roberto Vampré Hummel e Mauro Taschner, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fun- dação Getúlio Vargas, representa um novo marco e, ao mesmo tempo, uma con- siderável evolução e inovação das publicações existentes no campo da Engenharia Econômica, em face da abordagem metódica da matéria, com ênfase, desde o iní- cio, no processo de tomada de decisão. O texto é apresentado de modo a acom- panhar todos os conceitos com aplicações práticas e adequadas à nossa realidade empresarial. Assim, após os conceitos iniciais da matemática financeira, o assunto é desenvolvido com a apresentação de Métodos Equivalentes para a Solução de Alternativas, Análise de Alternativas Múltiplas e Substituição de Equipamento, acompanhados dos respectivos exercícios. Os capítulos de Leasing e de Inflação apresentam as ocorrências e os fenômenos característicos à atual conjuntura. No que diz respeito às operações de leasing ou arrendamento mercantil, o texto anali- sa suas vantagens e desvantagens, em função de diferentes formas de pagamento. O capítulo que trata da inflação desenvolve inicialmente algumas defini- ções. Em seguida, passa à sua mensuração e apresenta um problema de mudança da base monetária. Ainda são examinados casos de juros subsidiados, assim como os casos em que a inflação interna diverge da correção monetária ou cambial, ou o caso em que a correção dos custos é maior do que a correção das receitas. Final- mente, o último capítulo trata da Comparação entre Alternativas de Financiamen- tos Bancários, demonstrando, através de diversos exemplos, a equivalência das ta- xas de juros cobradas, com o objetivo de possibilitar comparações e, ao mesmo tempo, determinar os juros reais a serem pagos. Os autores, ambos engenheiros diplomados pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), possuem Gurso de Pós-Graduação e Mestrado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e dedicam-se ao ensino de Engenharia Econômica há 15 anos. O presente livro, fruto desta experiência, destina-se aos nossos estudantes do ensino superior, bem como aos demais estudiosos da matéria, numa abordagem que considero direta, simples e atualizada, e pela qual aqui cumprimento seus qualificados autores. São Paulo, novembro de 1985 Prof. WOLFGANG SCHOEPS Professor Titular da EAESP/FGV 12 Apresentação a Segunda Edição Nesta segunda edição, introduzimos pequenas modificações ditadas pelas mudanças na conjuntura (o Plano Cruzado já se foi, por exemplo) e também diversas alterações atendendo a sugestões e reclamações recebidas de nossos cole- gas professores e de numerosos outros leitores, cuja colaboração aproveitamos pa- ra agradecer. As principais modificações foram feitas no Capítulo 8, que trata da inflação e seus efeitos, e são as seguintes: a) introdução do tópico 8.3, "Modelo de inflação interna da empresa"; b) introdução do tópico 8.12, "Análise de modelo com taxa de inflação múltipla". Com essas mudanças, procuramos aperfeiçoar o livro sem, contudo, nos afastarmos do objetivo de ter um texto prático, fácil de ler, e que tanto possa ser fonte de consulta para quem já conhece o assunto, como livro-texto para acom- panhar um curso básico de engenharia econômica. São Paulo, junho de 1988. OS AUTORES 13 Apresentação à Primeira Edição Com este livro pretendemos consolidar e transmitir de forma sistematizada o conhecimento adquirido em quase 20 anos de experiência profissional como consultores e executivos de empresas nacionais e multinacionais, somados a 15 anos de experiência didática vivida ministrando cursos de graduação e pós-gradua- ção na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. Nosso objetivo é transmitir os conceitos fundamentais inerentes a este cam- po de estudo da forma menos sofisticada possível, procurando, na maior parte das vezes, introduzir os conceitos teóricos acompanhados de exercícios práticos, tentando descomplicar ao máximo possível as formulações "científico-matemá- ticas" inerentes a esta matéria. As noções e os conceitos aqui apresentados foram selecionados de modo a permitir a aplicação desta ferramenta de decisão à realidade econômica brasileira atual, ou seja, um regime inflacionário. Este livro foi estruturado de modo a solidificar os conceitos básicos durante seus primeiros capítulos usando um modelo não inflacionário, para, finalmente, nos dois últimos capítulos, introduzir o conceito de inflação. Acreditamos que des- sa forma os últimos capítulos abrangerão todos os conhecimentos anteriormente apresentados, simplesmente acrescentando a conceituação de base monetária para permitir a utilização dos modelos em uma economia inflacionária. O livro foi dividido em duas partes distintas: PARTE 1 Compreende do Capítulo 1 ao Capítulo 4, onde introduzimos a teoria básica de Engenharia Econômica, suas regras fundamentais, suas restrições e o princípio 15 de equivalência, as fórmulas que permitem a correlação das principais variáveis e, finalmente, a descrição exemplificada dos três métodos exatos de análise de in- vestimento, ou seja, valor presente, custo anual e taxa de retorno incrementai. PARTE 2 Na Parte 2 encontraremos aplicações práticas da teoria estudada na Parte 1. O Capítulo 5 apresenta o estudo de alternativas múltiplas mutuamente ex- clusivas técnica e financeiramente, incluindo um modelo prático de otimização de investimentos de capital, que leva em consideração diferentes alternativas de in- vestimento, contando cada uma delas com várias subalternativas, que respeitam a limitação de capital da empresa. O Capítulo 6 desenvolve a teoria relativa à substituição de equipamentos; apresenta alguns modelos típicos de utilização e discorre sobre a necessidade de a análise econômica ser feita antes ou depois do Imposto de Renda. O Capítulo 7 introduz o conceito de leasing (arrendamento mercantil) no Brasil, suas vantagens e desvantagens, e suas implicações em relação ao Imposto de Renda. No Capítulo 8 introduzimos o conceito de inflação e discutimos exaustiva- mente suas principais aplicações práticas. Nesse capítulo, procuramos rever e sedi- mentar os principais problemas apresentados nos capítulos anteriores, analisados desta vez dentro de um quadro de economia inflacionária. Finalmente, no Capítulo 9 procuramos consolidar a teoriaaprendida nos capítulos anteriores, apresentando os modelos mais comuns de financiamento bancário encontrados no mercado financeiro. As soluções detalhadas desses casos reais procuram também evidenciar como pequenas nuanças na especificação dos empréstimos podem modificar por completo o seu resultado final. Este livro não é uma obra acabada; também não é uma obra nova. Na realidade, trata-se de uma evolução de materiais condensados que vimos há anos empregando como textos nos cursos da EAESP/FGV, e que vêm sendo aperfeiçoados gradativamente graças às críticas e sugestões recebidas dos alunos e colegas, aos quais muito agradecemos. Esperamos receber muitas críticas e sugestões de nossos futuros leitores, especialmente colegas que queiram usar nosso livro como texto, para que possa- mos continuar a melhorá-lo. Aqueles que desejarem entrar em contato conosco poderão fazê-lo através da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Var-16 gas. Departamento de Produção e Operações Industriais, Av. 9 de Julho, 2029, São Paulo, Capital, onde teremos o maior prazer em recebê-los. Muitos anos de trabalho levaram-nos até este livro. Durante esses anos mui- tas pessoas nos ajudaram direta ou indiretamente, e queremos aqui agradecer a todas e desculpar-nos por não podermos relacionar todos seus nomes, pois o espa- ço restrito não o permitiria. Entretanto, não podemos deixar de nomear três professores, Woifgang Schoeps, Claude Machline e Dayr R. A. dos Reis, cujo estímulo e apoio foram fundamentais para nossa vida acadêmica e profissional, e a quem somos especial- mente gratos. São Paulo, fevereiro de 1986. PAULO ROBERTO VAMPRÉ HUMMEL MAURO ROBERTO BLACK TASCHNER 17 Parte 1 TEORIA BÁSICA DA ENGENHARIA ECONÔMICA 1 Introdução à Engenharia Econômica 1.1 INTRODUÇÃO Em qualquer tipo de empresa, seja comercial, seja prestadora de serviços, seja industrial, existirá sempre a necessidade de tomar decisões. Essas decisões apresentam sempre o sentido de maximizar a curto, médio ou longo prazo o lucro da empresa. Dessa forma, está-se sempre tomando decisões quando se substituem su- primentos e materiais, se substituem equipamentos obsolescentes, se escolhe entre dois novos produtos pesquisados ou se define qual dos financiamentos apresen- tados é o mais econômico para a empresa. Entretanto, deve-se notar também que muitas vezes se deve decidir entre sacrificar benefícios imediatos em função da consideração a longo prazo. Um exemplo típico disto seria um lançamento promocionalmente bem feito de um mau produto que certamente se desgastará com o tempo e que, portanto, trará efeitos negativos sobre a empresa. A Engenharia Econômica pode ser definida como um conjunto de técnicas que permitem a comparação, de forma científica, entre os resultados de tomadas de decisão referentes a alternativas diferentes. Nesta comparação, as diferenças que marcam as alternativas devem ser expressas tanto quanto possível em termos quantitativos. A alternativa mais econômica deve ser sempre escolhida após a verificação de que todas as variáveis que influem no sistema foram estudadas. As alternativas, normalmente, são denominadas alternativas de investimento, pois exigem sempre a inversão de capital. O número e as características dessas alternativas podem variar de problema para problema, ou, melhor dizendo, para cada tipo de tomada de decisão. 21 Por exemplo, no campo financeiro essas alternativas poderão situar-se na escolha entre aplicar o dinheiro da companhia em open market ou em letras de câmbio. No setor de marketing, a empresa poderá ver-se forçada a decidir sobre a conveniência de um ou mais canais de distribuição, associando, dessa forma, custo à eficiência de distribuição. Na área de contabilidade, um problema, por demais conhecido, poderá ser a escolha entre automatizar ou não a contabilidade. No campo de administração de pessoal pode-se ter como alternativas um pla- no de incentivos salariais e um plano de remuneração dos funcionários com base em uma taxa por dia trabalhado. No campo de produção, a decisão poderá situar-se na viabilidade de se comprar uma máquina nova ou continuar com a antiga. Já na área de engenharia de produto tem-se como alternativas o lançamento do produto A e do produto B, levando-se em consideração seus custos, suas futuras demandas no mercado, sua distribuição, suas possibilidades de fabrica- ção com maquinaria existente dentro da linha de produção em andamento e, se ne- cessário, o estudo das alternativas de compra de novas máquinas, de aumento do nível de mão-de-obra contra o remanejamento da mão-de-obra atual para absor- ver o novo produto a ser fabricado. De qualquer forma, a intenção é orientar estudantes e profissionais no sen- tido de um melhor conhecimento e uso das ferramentas operacionais disponíveis, uma vez que é impossível tentar dentro deste livro apontar todos os parâmetros em termos de sistemas, que permitirão o perfeito equacionamento do problema. De qualquer forma, é sempre bom lembrar que as causas e os efeitos secundários nunca devem ser abandonados se se quiser uma perfeita resolução do problema. Quanto mais o modelo for simplificado, mais ele perde a sua relação com a reali- dade. Um exemplo marcante daquilo a que se está referindo é a problemática enfrentada pelas empresas de aviação no tocante à compra ou não dos aviões "Ban- deirante". Se analisado o problema sem as considerações secundárias, ou seja, pensan- do-se exclusivamente na alternativa do avião ser ou não comprado, levando-se em consideração sua taxa de rentabilidade própria, a resposta seria não. Entretanto, se se levar em consideração que esse avião pode ser encarado como complemento dos jatos, aumentando, dessa forma, a demanda para este tipo de avião, ter-se-á como solução do problema a viabilidade de compra dos Bandeirante.22 Verifica-se, portanto, que, embora o Bandeirante não seja uma boa solução isoladamente, ele pode otimizar, com sua compra, a situação da empresa que visa principalmente a rentabilidade dos seus jatos. 1.2 PLANEJAMENTO DE ESTUDOS ECONÔMICOS A fim de tornar mais fácil a introdução dos conceitos básicos que permitem a análise econômica de alternativas, será utilizada uma situação industrial que exi- ja uma análise deste tipo. Certa companhia, após pesquisa de mercado, verificou que a tendência de consumo de um dos seus novos produtos era de aumentar bruscamente a demanda no próximo ano. Ao mesmo tempo o departamento de produção informou que os níveis de produção atuais já não permitiriam nenhum aumento da capacidade de produção da seção de acabamento. Portanto, era necessária uma decisão sobre como ampliar a capacidade daquela seção. 1.2.1 Uma decisão por sentimento Sem nenhuma pesquisa técnica preliminar, o diretor industrial da firma deci- diu comprar duas máquinas para aumentar a capacidade de produção da seção de acabamento. Como as máquinas eram de alta produção, os investimentos também foram altos, já que, além dos custos elevados das mesmas, a companhia foi obriga- da a enviar seus técnicos para o exterior, a fim de treiná-los adequadamente para a futura montagem e operação das máquinas. Como conseqüência desta decisão, logo após a chegada das máquinas, ficou provado que a capacidade instalada passou a exceder as necessidades de produção, provocando uma situação de ineficiência, uma vez que as máquinas ficavam paradas durante grande parte da jornada de tra- balho. Além disso, houve o acréscimo de mão-de-obra necessário à operação das máquinas como outro fator desfavorável da decisão, já que resultava num aumento da folha de pagamento da seção. Conseqüentemente, a decisão tomada realmente resolveu o problema de ca- pacidade de produção. Entretanto, o resultado ficou comprometido pelos altos custos decorrentes da solução apresentada. 23 1.2.2 Uma análise econômica Uma vez decidido o lançamento do novo produto no mercado, a diretoria convocou um técnico especializado para estudar a situação do acabamento e emi- tiropiniões sobre a melhor solução para o aumento da capacidade do mesmo. 0 engenheiro estudou inicialmente todos os dados relativos à demanda estimada do produto a ser lançado. Em seguida, pesquisou as características das máquinas existentes na seção e a demanda atual de outros produtos, a fim de veri- ficar a disponibilidade existente para o processamento do novo produto. Nesse exame, verificou que as duas máquinas já instaladas realmente poderiam proces- sar o novo produto; entretanto, esta produção sozinha saturaria a capacidade das máquinas. Portanto, embora resolvido o problema para a fabricação do novo pro- duto, criar-se-ia um novo problema de como processar os produtos antigos, caso se continuasse a usar o mesmo sistema operacional. Ele verificou que existia uma série de alternativas que o diretor industrial não tinha considerado ao tomar a decisão de comprar as máquinas. Assim, percebeu que seria possível aumentar a produção da seção, com- prando uma máquina de embalagem automática, que substituiria os vários postos de embalagem manual e que constituíam o gargalo da produção. Ao mesmo tempo poderia, com um pequeno rearranjo físico das máquinas, instalar uma correia transportadora ligando a saída das máquinas com a embalagem automática. Com esta solução, ganhar-se-ia tempo no transporte interno que, com a inexistência de correia, deveria ser feito em estrados movimentados por empilhadeiras. Outra melhoria que podia ser feita era a adaptação, na saída das máquinas, de dispositivos que separavam os produtos em quantidades predeterminadas e iguais às quantidades a serem embaladas. Esses dispositivos transportavam o produto acabado até a correia principal, que, por sua vez, o levava até a máquina de embalagem automática. Dessa maneira, além de acelerar ainda mais a produção, eliminava-se com essa solução a mão-de- -obra na saída das máquinas. 1.2.3 Decisão: escolha entre alternativas Verificou-se, portanto, a existência de solução alternativa, que não só subs- tituía as máquinas de embalagens mecânicas, como também modificava o layout e complementava as máquinas atuais com novos dispositivos, ganhando-se, dessa forma, não só maior produção, como também economia de mão-de-obra.24 Assim sendo, seria necessário comparar os custos e vantagens dessa alter- nativa com os custos da alternativa anterior, que seria a compra de duas novas má- quinas complexas. A fim de descobrir qual das soluções era a mais econômica, foram reduzidas as despesas e receitas a um custo anual uniforme equivalente. Esses cálculos envol- viam conceitos sobre vida econômica dos dispositivos e máquinas necessários para cada alternativa, usando uma taxa de juros igual à taxa de retorno necessária para justificar um investimento deste tipo. Uma vez chegada à quantificação final, antes da tomada de decisão, anali- sou-se outro fator traduzível em termos monetários. A recente expansão dos ne- gócios da companhia havia resultado na necessidade do aumento de capital de giro para financiar o aumento de estoques e de contas a pagar, tornando desejável con- servar os recursos financeiros e manter os investimentos em um nível médio. Assim, a alternativa do uso da correia e da máquina de embalagem foi final- mente escolhida, ao mesmo tempo em que se ficava conhecendo como aumentar futuramente a produção, com investimento adicional menor, que seria a compra de dispositivos automáticos de saída para as máquinas de acabamento. 1.3 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA 1.3.1 Não existe decisão a ser tomada considerando-se alternativa única Isto significa que, para tomar qualquer decisão, devem ser analisadas todas as alternativas viáveis. As alternativas devem ser no mínimo duas. Exemplo: a) Comprar novo equipamento ou continuar utilizando o atual. b) Aplicar dinheiro em letras de câmbio ou colocá-lo no cofre de casa. 1.3.2 Só se podem comparar alternativas homogêneas para se poder comparar o seu resultado Exemplo: O que é melhor comprar: um apartamento em bairro nobre por $ 500.000 ou outro em bairro popular por $ 200.000? 25 Não é possível tal comparação se não conseguirmos a homogeneidade de dados de comparação. Se os dois apartamentos têm a mesma metragem, a mesma qualidade de acabamento, os mesmos cômodos, a mesma disposição, consideran- do-se ainda que o índice de valorização de ambos os bairros é o mesmo e que não há vantagem em se morar em bairro nobre ou bairro popular, então se pode dizer que a segunda alternativa é melhor que a primeira, de outro modo não. 1.3.3 Apenas as diferenças de alternativas são relevantes Se em ambas as alternativas se tiver uma série de custos ou receitas iguais, eles não são necessários para decidir qual das alternativas é a melhor, uma vez que, existindo nas duas alternativas no mesmo momento, sua diferença se anula. 1.3.4 Os critérios para decisão entre alternativas econômicas devem reconhecer o valor no tempo do dinheiro Não se pode dizer simplesmente que a alternativa A de investir $ 100e re- ceber $ 200 em dois anos é melhor que investir $ 100 e receber $ 400 em cinco anos, porque existe uma defasagem das alternativas no tempo. Dessa forma, não se pode simplesmente escolher a alternativa B porque $ 400 é maior que $ 200. Para fazer a comparação tem-se de igualar o tempo de vida ou de utilização das alternativas. No exemplo acima não se deve esquecer de que os $ 200 podem ser reapli- cados a uma taxa qualquer por mais três anos. Só dessa forma é que será permitida a comparação das duas alternativas. 1.3.5 Não devem ser esquecidos os problemas relativos ao racionamento do capital De nada adianta existir alternativa excepcionalmente rentável se o capital mais o capital que se conseguirá com terceiros não é suficiente para cobrir as necessidades de capital dessa alternativa. 1.3.6 Decisões separáveis devem ser tomadas separadamente Este princípio requer que todos os problemas e alternativas econômicas de investimento sejam cuidadosamente avaliados para determinar qual o número, tipo26 e seqüência das decisões necessárias. Se não houver o cuidado de tratar separada- mente de decisões separáveis, é possível que as soluções ótimas deixem de ser analisadas por se encontrarem obscurecidas dentro do contexto geral. 1.3.7 Deve-se sempre atribuir certo peso para os graus relativos de incerteza associados às previsões efetuadas Como em todas as alternativas de investimento sempre há valores estimati- vos, deve-se tomar, portanto, a precaução de atribuir a cada um desses eventos certo grau de incerteza. A consideração formal do grau e do tipo de incerteza serve para assegurar que a qualidade da solução seja conhecida pelos responsá- veis pelas tomadas de decisão. 1.3.8 As decisões devem levar também em consideração os eventos qualitativos não quantificáveis monetariamente A seleção de alternativas requer que as possíveis diferenças entre alternati- vas sejam claramente especificadas. Sempre que possível, essas diferenças devem ser quantificáveis numa unidade comum (geralmente unidade monetária), para for- necer uma base para a seleção dos investimentos. Os eventos não quantificáveis devem ser, entretanto, claramente especificados a fim de que os responsáveis pela tomada de decisão tenham todos os dados necessários relacionados de forma a poder tomar a sua decisão. Em certos casos, a alternativa mais econômica não é a melhor solução em função dos dados não monetários, ou não quantificáveis. 1.3.9 Realimentação de informações A realimentação de dados para os técnicos responsáveis pelo estudo de al- ternativas é vital para o reajuste das estimativas realizadas, além de permitir o au- mento do grau de sensibilidade e a previsão de erros em decisões futuras. 1.3.10 Dados econômicos/gerenciais No estudo de alternativas deve-se sempre ter presente que os valores e os dados que nos interessam são sempre os econômicos e gerenciais. Os dados con- 27 tábeis só são importantes na avaliação após o Imposto de Renda. Dessa forma, embora contabilmente a vida de umamáquina seja de dez anos, economica- mente pode-se efetuar o estudo considerando sua vida econômica como sendo de cinco anos, ou seja, determina-se que a máquina deva ser paga em cinco anos. 1.4 LIMITAÇÕES DO ESTUDO 1. A primeira limitação diz respeito ao modelo a ser adotado, uma vez que é pra- ticamente impossível transpor para o papel todas as considerações e variáveis encontradas na vida real. Deve-se, portanto, não só levar em consideração a situação mais abrangente do problema, como também caracterizar claramente quais são as premissas, as restrições e as limitações do modelo a ser estudado. Assim sendo, não só se pode ter certeza de que a melhor alternativa foi identificada e conseqüentemente escolhida, como também se poderá garantir que os custos e benefícios estimados irão prevalecer no futuro. 2. Os modelos de Engenharia Econômica aqui estudados pressupõem, a priori, que as taxas de juros e taxas de retorno existentes no mercado são iguais. Isto significa que, se se pode emprestar dinheiro a 5% ao mês, também se poderá tomar emprestado este dinheiro pela mesma taxa. Sabe-se que isto não é ver- dade na prática, pois as taxas de empréstimos (juros) no mercado financeiro são sempre maiores que as taxas de captação (retorno). 3. O modelo pressupõe ainda que as taxas de juros (retorno) não variam durante a vida (horizonte ae planejamento) das alternativas. 4. Em todas as alternativas analisadas pressupõe-se que o fluxo de caixa real final é viável dentro das condições econômicas e financeiras da empresa em pauta. 5. A complexidade do modelo a ser montado deve ser compatível com a confia- bilidade dos dados assumidos. 28 2 Conceitos Básicos 2.1 EQUIVALÊNCIA É essencial, em todas as abordagens válidas aos problemas de Engenharia Econômica, o conceito da equivalência, ou seja, que um fluxo de dinheiro possa ser equivalente a outro fluxo diferente, em certas condições específicas. Por exemplo, considere-se um empréstimo de $ 1.000 hoje, a uma taxa de 10% ao ano, sendo os juros capitalizados anualmente. No final do quinto ano,, quando se tiver de pagar o empréstimo de uma só vez, ter-se-á de pagar $ 1.610. Diz-se então que, a uma taxa de 10% ao ano, após cinco anos a quantia de $ 1.610 é equivalente à quantia de $ 1.000 no momento zero (ou seja, hoje). Da mesma forma, pode-se analisar o caso de duas ou mais séries de paga- mentos serem equivalentes. Analisando o Quadro 2.1, da página seguinte deparamos que: todos os planos de I a IV a uma taxa de juros de 10% ao ano são equivalen- tes. Isto porque todos são planos, que possibilitam esta taxa de pagamento de uma dívida de $ 10.000, hoje. Senão, vejamos: o plano I é um plano segundo o qual se paga anualmente o juro simples de 10%, ficando como dívida, após um ano, sempre o capital inicial, que será devolvido na última prestação. No plano II tem-se o pagamento do capital dividido em dez prestações iguais de $ 1.000, e paga-se no final de cada ano sempre os juros sobre o saldo devedor. No plano III tem-se uma série uniforme de pagamentos iguais, e no plano IV o pagamento em uma única parcela. 29 Essas séries, portanto, são equivalentes, pois foram todas rigorosamente calculadas utilizando-se a mesma taxa de juros. Note-se que, da mesma forma que se partiu de $ 10.000 iniciais e se chegou a essas séries, se se partir delas, só se chegará ao valor presente de $ 10.000 caso a taxa de juros seja de 10% ao ano. O Quadro 2.2 mostra claramente o fato, apresentando o valor presente de cada uma das séries propostas no Quadro 2.1 a taxas diferentes. Resumindo, pode-se dizer que as séries são equivalentes quando: a) Existem ao menos duas séries diferentes de pagamentos. b) Todas as séries de pagamentos futuros pagam o total presente a uma mesma taxa de juro. Dessa forma, um possível investidor pode escolher qualquer entre várias séries de pagamentos futuros, em troca do valor presente que ele deseja inves- tir, se existir equivalência entre aquelas séries de pagamentos. Este conceito é fundamental, pois toda a teoria da Engenharia Econômica envolve a transformação das séries de pagamentos em séries equivalentes de alter- nativas, de forma a se possibilitar a real comparação de dois ou mais investi- mentos realizados. Quadro 2.1. Séries de pagamentos equivalentes. * ANO 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 INVESTIMENTO $ 10.000 PlanoI $ 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 11.000 Plano II $ 2.000 1.900 1.800 1.700 1.600 1.500 1.400 1.300 1.200 1.100 Plano III $ 1.627 1.627 1.627 1.627 1.627 1.627 1.627 1.627 1.627 1.627 Plano IV $ 25.937 30 * Taxa de juros 10% As séries de pagamentos do Quadro 2.1 só serão equivalentes à taxa de juros de 10% ao ano, uma vez que, convertidas ao valor presente, apresentam o mesmo valor, idêntico ao valor do investimento inicial (ver Quadro 2.2). O conceito de equivalência tornar-se-á mais inteligível com o decorrer do estudo dos problemas de Engenharia Econômica. Note-se que está implícito no conceito de equivalência que a taxa de juros é a mesma tanto para tomar ou quanto para aplicar dinheiro. Da mesma forma, os modelos a serem apresentados posteriormente pressupõem uma única taxa de ju- ros durante todo o período analisado. Quadro 2.2. Valor presente das séries de pagamentos do Quadro 2.1 a diferentes taxas de juros Taxa de Juros 0% 5% 10% 15% 20% Plano I 20.000 13.861 10.000 7.491 5.808 Plano II 15.500 12.278 10.000 8.340 7.096 Plano III 16.270 12.563 10.000 8.166 6.821 Plano IV 25.937 15.923 10.000 6.411 4.189 Note-se que a equivalência entre as alternativas só existe quando a taxa de juros for igual a 10% no período. 2.2 JUROS Os juros podem ser definidos como o aluguel pago pela obtenção de um dinheiro emprestado ou, mais amplamente, como o retorno obtido pelo investi- mento produtivo do capital. Dessa forma, quando se emprestam $ 1.000 por um ano e são recebidos $ 1.100, os juros são a diferença entre o recebido e o emprestado (ou seja, $ 100). 2.3 TAXA DE JUROS Taxa de juros é a razão entre os juros cobráveis ou pagáveis no fim de um período de tempo e o dinheiro devido no início do período. 31 Assim sendo, aproveitando o exemplo anterior, se foram recebidos $ 100 pelo empréstimo de $ 1.000 em um ano, a taxa de juros é de 100/1.000 = 0,10, ou seja, 10% de juros ao ano. Usualmente, utiliza-se o conceito de taxa de juros quando se paga por um empréstimo, e taxa de retorno quando se recebe pelo capital emprestado. 2.4 JUROS COMPOSTOS Diz-se que um empréstimo é contratado a juros compostos quando, ao fim de cada período, os juros devidos são pagos ou incorporados ao capital. Neste caso, para o próximo período os juros serão calculados sobre o total do capital mais os juros incorporados. Por exemplo, se foram recebidos $ 1.000 para serem pagos ao final de três anos, a juros de 10% ao ano, tem-ser Daí se conclui que $ 331 são os juros compostos devidos pelo empréstimo de $ 1.000 em três anos, a uma taxa de 10% ao ano. 2.4.1 Juros nominais Normalmente, encontram-se na praça outros tipos de juros que são batiza- dos como aparentes ou nominais Encontram-se em transações comerciais, onde se afirma que a taxa de juros é uma e pelo cálculo real se verifica que isto não acontece. Os exemplos mais notáveis são: A - PAGAMENTO DE JUROS ANTECIPADOS Pelo empréstimo de $ 10.000 a 10% ao ano a entidade comercial cobra juros antecipadas de 10%, ou seja, só entrega ao credor $ 9.000.32 ANOS 1P 2P 3P INICIO $ 1.000 1.100 1.210 JUROS FINDO O ANO $ 100 110 121 TOTAL DEVIDO $ 1.100 1.210 1.331 Dessa forma, ao invés de o cliente receber $ 10.000 e pagar $ 1.000 como mandaria o conceito de juros, ele no fundo recebe $ 9.000 e devolve $ 10.000 no fim do período; portanto, os juros reais passam a ser de 1.000/9.000 ao ano, ou seja, de 11,11% e não os 10% como foi anunciado. B - PAGAMENTO DE JUROS SOBRE O TOTAL E NÃO SOBRE O SALDO DEVEDOR O exemplo típico é o de um financiamento bancário'de $ 10.000 em dez meses, em que aum juro nominal de 2% a.m. são pagas dez prestações de $ ... 1.200, esquecendo-se de que o principal está sendo amortizado mensalmente. O juro real ou efetivo equivalente a este é de 3,6% ao mês. Estes exemplos foram colocados para alertar o usuário sobre certas taxas nominais de juros, taxas estas que nem sempre são verdadeiras. 2.5 CONCEITOS ADICIONAIS 2.5.1 Fluxo de caixa É simplesmente um recebimento ou pagamento de uma quantia de dinheiro. O fluxo de caixa é assim apresentado graficamente: série uniforme de pagamentos 33 Nesta convenção as receitas são representadas por flechas voltadas para ci- ma, enquanto as despesas ou custos são representados por flechas voltadas para baixo. 2.5.2 Símbolos i% — Representará uma taxa de juros para determinado período. Exemplos: 12% ao ano: i= 12% ou 0,12; 2% ao mês ou 0,02. n - Representará determinado número de períodos sujeitos a juros. Exemplos: 10 anos:n = 10; 20 meses:n = 20. P — Representará o valor presente de uma soma de dinheiro. Exemplo: o preço atual de um terno é de $ 200.000; portanto, P = 200.000. 5 - Representará uma importância de dinheiro daqui a n períodos a uma taxa de juros /; S será equivalente a P a esta taxa. S é, portanto, o valor futuro de uma soma de dinheiro existente hoje. Exemplo: $ 10.000 colocados ho- je num banco que paga /% de juros anuais, totalizando S unidades mone- tárias no final de n anos. R — Representará uma série uniforme de pagamentos iguais efetuados no final de cada período, por n períodos, a uma taxa de juros /. Esta série será equivalente com esta taxa de juros e estes n períodos ao valor presente P. Exemplo: se se colocam $ 10.000 num banco que paga juros de/% ao ano, poder-se-á ao fim de cada ano — durante o período de n anos — retirar R unidades monetárias. 34 3 Cálculo de Juros Compostos 3.1 CÁLCULOS DOS FATORES DE JUROS COMPOSTOS Suponha-se, a partir deste momento, que os juros serão sempre considerados como compostos, capitalizados ao fim do período, normalmente ano, mês ou semestre. 3.1.1 Fator de valor futuro para pagamento único Este cálculo possibilita responder à seguinte pergunta: • Qual o montante 5 (valor futuro) gerado pela aplicação de capital P, ao fim de n períodos, sendo / a taxa de juros por período? Se uma quantia P é investida a uma taxa de juros / ao ano, os juros a serem pagos no final do 19 ano serão iP e a quantia total devida ao fim do primeiro ano será P + iP = P (1 +i) . Seguindo o mesmo raciocínio para os outros períodos, pode-se montar a tabela da página seguinte. 35 Tabela de Juros Compostos para pagamento único Verifica-se, portanto, que o capital P após n períodos se transformou em Chamando-se S o valor futuro equivalente a P após n anos, à taxa de juros /, tem-se: Tendo-se P = 1.000.000, passa-se a procurar S pára 36 PERÍODO SOMA DE DINHEI- RO NO INÍCIO DO PERÍODO JUROS ACUMULA- DOS DURANTE O PERÍODO SOMA DE DINHEIRO DEVIDA NO FINAL DO PERÍODO O fator fator de juro capitalizado (para pagamento único) e pode ser representado pela expressão ríodos. é chamado fator de valor futuro para pagamento único ou que se lê: dado P, determinar S à taxa de juros i e n pe- Um exemplo de problema deste tipo é o seguinte: Uma empresa levanta um empréstimo de $ 1.000.000 para compra de um novo conjunto de máquinas. Os termos do empréstimo estipulam o pagamento do principal e de todos os juros acumulados no fim de um período de cinco anos. A taxa de juros capitalizados anualmente é de 10% ao ano. Qual o valor devido pela empresa no final do empréstimo? Através da tabela de juros para / = 10% e n = 5, encontra-se que 3.1.2 Fator de valor atual para pagamento único Neste segundo tipo de problema, o que se precisa é determinar qual o valor presente equivalente a um valor futuro a uma taxa de juros /', durante um perío- do n. Dessa forma, procura-se P sabendo que S,n e i são conhecidos. Como foi visto anteriormente, se S = P (1 + i)n, tem-se que: O fator chama-se fator de valor atual para pagamento único. Pode, também, ser representado pela expressão onde se lê: dado S, determinar P para taxa de juros / e n períodos. Um exemplo prático deste tipo de problema é o seguinte: Suponha-se que uma empresa tenha estimado que sua linha de aca- bamento deva ser substituída daqui a dez anos, quando se tornará obso- leta. O valor esperado de reposição da maquinaria é de $ 500.000. Dese- ja-se saber qual a soma de dinheiro que se deveria investir hoje, para que no final do décimo ano houvesse condição de substituir o equipamento. Sabendo-se que o dinheiro será aplicado a uma taxa de 6% ao ano, qual será, portanto, a quantia a ser investida hoje? .: tem-se S = $ 500.000; i = 6% ao ano e n = 10; e procura-se P. 37 Na tabela de juros, a uma taxa de 6% e para n = 10, descobre-se Dessa forma, tem-se que, se forem aplicados $ 279.000 num prazo de dez anos a uma taxa de 6% ao ano, serão obtidos $ 500.000 como se desejava. 3.1.3 Fator do valor futuro de uma série uniforme de pagamentos Neste caso, o problema é descobrir qual o montante S equivalente a uma série uniforme de pagamentos iguais a R a uma taxa de juros i e após n períodos. Graficamente, tem-se: Neste caso, o montante S é composto pela soma dos montantes gerados in- dividualmente de cada parcela R investida. Dessa forma, o valor futuro equivalente ao valor R no momento 1 é igual a A soma expressa no colchete corresponde à soma de n termos de uma pro- gressão geométrica de razão (1 + /).38 O valor futuro equivalente ao valor R no momento 2 é igual a e assim por diante. Dessa forma, o montante S, que será igual à soma será igual a: + R; colocando-se R em evidência, tem-se: Exemplo: Deseja-se ao final de cinco anos adquirir um novo complexo industrial, cujo valor estimado é de $ 1.000.000. Sabendo que poderão ser retidos anual- mente dos lucros $ 100.000, quanto se deverá tomar emprestado no futuro se a taxa de juros no mercado é de 10% ao ano? Esquematicamente: Então, conhecendo R, deseja-se determinar S: Na tabela de juros a 10% e n = 5, tem-se: 39 uniforme de pagamentos ou Fator de Juro Capitalizado de uma série uniforme e pode ser representado pela expressão O fator é denominado Fator do Valor Futuro de uma série 5 para uma taxa de juros i e um período n. que se lê: dado R, determinar a1 é o 1º termo e q é a razão, tem-se: Sabendo-se que onde an é o último termo da progressão, Então, relativamente aos lucros retidos no final do quinto ano, ter-se-á um montante equivalente a $ 610.500. Como são necessários $ 1.000.000, deverão ser tomados por empréstimo $ 1.000.000 - $ 610.500, ou seja, $ 389.500. 3.1.4 Fator de fundo de amortização Neste caso, conhecendo o valor futuro de um investimento qualquer, dese- ja-se obter a série uniforme equivalente a este montante a uma taxa de juros / e um período n. Suponha-se que uma empresa esteja preocupada com o desenvolvi- mento de um novo produto que espera colocar no mercado no fim de um ano. Estima-se que os custos de propaganda, distribuição etc. importarão num investimento em volta de $ 200.000. Para que não haja problema na época de lançamento em relação ao capital necessário, a empresa resolveu separar de sua receita mensal a quantia de dinheiro necessária para que, aplicando mensalmente a juros de 1% ao mês, acumulasse no final do ano o investimento previsto. Qual deverá ser, portanto, esta quantia? No problema apresentado sabe-se, portanto, que o valor de S é $ 200.000, que a taxa de juros é 1% ao mês e que o número de períodos em que o investimen- to será capitalizado (n) é 12; e quer-se descobrir qual é o valor de R. Esquematizando: Na coluna referente ao fator em pauta das tabelas de juros de 1%, para n = 12, encontrar-se-á o fator 0,7885. .: R = 200.000 x 0,7885 = 15.77040 É, portanto, o caso inverso do item anterior mencionado. Dessa forma, já se sabe que o fator de ser representado pela expressão Um problema típico da aplicação deste fator é o que segue: se chama fator de fundo de amortização e po- quese lê: dado S, determinar R. Ou seja, se forem aplicados mensalmente $ 15.770 a juros de 1% ao mês em um período de 12 meses, ter-se-á no final deste período a quantia de $ 200.000 de que se necessita. 3.1.5 Fator de valor atual para série uniforme Neste tipo de problema o que interessa é estabelecer a relação entre a série uniforme e o valor presente. Dessa forma, dado o valor de R a ser retirado periodicamente, deseja-se sa- ber qual é o principal (P) que deve ser investido a uma taxa de juros/ no período considerado para se poder dispor de R no fim de cada período. Esquematicamente: (1) (2) e que: Partindo dos fatores anteriores, estabelece-se que: .: substituindo 5 na equação (1) com o valor de (2), tem-se: 41 3.1.6 Fator de recuperação de capital Este fator permite que sejam respondidas perguntas como: - Qual é o R ou valor do pagamento da série uniforme, que deve ser retirado no final de cada um de n períodos, para repor o principal P, investido à taxa de juros /? Como foi visto, se: tem-se: sendo que o fator de ser representado pela expressão para uma taxa de juros / e um período n. Um problema típico para ser resolvido, usando este fator, é o seguinte: se chama fator de recuperação de capital e po- que se lê: dado P, determinar R o fator Um problema típico é aquele pelo qual se estabelece que o pagamento de uma dívida seria feito em 60 pagamentos iguais e mensais de $ 1.000. Se no final do terceiro ano (36? pagamento) se quisesse quitar a dívida, quanto se deveria pagar ao devedor naquele momento, se a taxa de juros de em- préstimo era de 1% ao mês? 42 = é denominado valor atual para a série uni- forme e pode ser representado pela expres- são que se lê: dado R, deter minar P para uma taxa de juros / e um pe- ríodo n. Na tabela de juros com / = 12% e n = 10, encontra-se na coluna valor de 0,17698. Isto significa que uma série de dez pagamentos iguais e sucessivos de 8.849 é equivalente a 50.000 a uma taxa de 12% ao ano. 43 -se-á no final do 36P ano a quantia de $ 21.243, para quitar a dívida. Vamos examinar agora o seguinte problema: Existe o interesse em comprar uma máquina que custa $ 50.000 a vista. Sa- bendo-se que a taxa de juros de mercado é 12% ao ano, qual a quantia a se propor ao vendedor para pagá-la em dez prestações iguais e consecutivas? Esquematicamente: Esquematicamente: Na tabela de juros de 1% para n = 24, na coluna de tem-se que ou seja: pagar- 3.1.7 Fatores para série gradiente Alguns fluxos de caixa envolvem receitas ou despesas que crescem ou decres- cem uniformemente. Exemplo t íp ico deste t ipo de despesas crescentes com o tem- po são os custos de manutenção de equipamentos, pois, quanto mais velhos os equipamentos, maiores se tomam os seus custos de manutenção. Esquematicamente: Chamando-se 6 a taxa de crescimento das despesas ou receitas, tem-se o f lu- xo de caixa apresentado graficamente acima. A f im de determinar qual o montante S equivalente após n períodos, com a utilização de uma taxa de juros /', pode-se raciocinar como se a série gradiente fosse decomposta em n séries uniformes com períodos variados de (n — 1) a 0. O montante resultante deverá ser o valor total dos montantes parciais. Assim sendo, tem-se: onde S2 é o montante referente à série uniforme estabelecida no momento 2, e G é o valor de um pagamento de série uni- forme. O coeficiente usado é o fator de juros capitalizados de uma série uniforme. Dessa forma, util izando o mesmo raciocínio para o momento 3, tem-se: Seguindo o mesmo raciocínio até o úl t imo montante parcial, tem-se: 44 onde, como já foi visto, no fator de acumulação de capital a somatória do colchete é igual a Dessa forma: Como R = S tem-se que:R = G é o fator gradiente representado por que se deve ler: dado G, determinar R para uma taxa de juros / e 45n períodos. onde ou: Colocando G em evidência: ou: .: o montante EXERCÍCIOS 1. Responda às perguntas seguintes, levando em consideração juros compostos de 10% ao ano. a) Que importância recebida anualmente durante um período de 14 anos justificaria um investimento de $ 2.000? b) Que importância seria acumulada ao;fim de 30 anos através de depósitos de $ 4 durante o referido período?46 Tendo uma relação entre G e R e conhecendo a relação entre P e R, nada mais fácil do que estabelecer a relação entre P e G. Esta expressão será: P = G determinar P para uma taxa de juros / para um período n. Este fator chama-se fator de valor presente ou atual de uma série gradiente. Um problema t ípico pode ser descrito como segue abaixo: Dado um caminhão cujos custos mensais iniciais de manutenção de $ 1.000 são acrescidos de $ 300 mensalmente, qual será o custo mensal equivalente a ele no decorrer do ano, utilizando-se uma taxa de juros de 1/2% ao mês, ou seja: onde o fator pode ser lido da seguinte maneira: dado G, taxa 1/2% e n = 12 na coluna encontra-se o coeficiente 5,441 = R = = 300 x 5,441 = 1.632,30. Daqui conclui-se que uma despesa mensal de $ 1.632,30 equivale, num ano, a uma taxa de 1/2% ao mês, a uma série gradiente com taxa de crescimento igual a $ 300. O custo mensal equivalente da manutenção do caminhão é, pois: 1.000,00 + 1.632,30 = $ 2.632,30 na tabela de juros com c) Quantos anos seriam necessários para triplicar determinada importância? d) Que dívida atual poderia ser paga através de oito pagamentos anuais de $ 30? 2. Responda às perguntas seguintes, levando em consideração juros semestrais de 10%. a) A quantia de J 200.000 foi tomada emprestada com a condição de ser devolvida através de 26 prestações semestrais. No fim do décimo ano (10P), isto é, logo após o pagamento da vigésima prestação, a fim de evitar a continuação do pagamento de juros, decidiu-se pagar o restante da dívida através de um único pagamento. Qual deveria ser o valor desse pagamento? b) Importâncias são depositadas semestralmente num fundo de capitali- zação e destinam-se a totalizar $ 1.000 em 25 anos. Qual será o saldo deste fundo no final de 10 anos? 3. Responda às perguntas seguintes, levando em consideração, juros compostos de 10% ao ano. a) A importância de $ 7.000 foi tomada emprestada hoje, devendo ser paga através de 20 prestações uniformes, a serem pagas ao fim de cada ano subseqüente. Depois do 12º pagamento que porção dos $ 7.000 estaria ainda por amortizar? b) Que investimento em 19 de janeiro de 1960 permitiria retiradas de $ 10.000 durante as seguintes datas 1-1-1971, 1-1-1972, 1-1-1973 ... etc. . . .e 1-1-1980? 4. Responda às perguntas seguintes, levando em consideração juros compostos de 10% ao ano. a) Que importância daqui a cinco anos justificaria um investimento de $2.000 hoje? b) Se $ 40.000 são depositados num banco, que retirada anual uniforme durante um período de nove anos faria com que nosso saldo fosse zero no final do novo ano? c) Um empréstimo realizado hoje deverá ser pago daqui a dez anos através de $ 300 (empréstimo e juros). Qual o montante deste empréstimo? d) Que renda anual perpétua nos possibilitaria a importância de $ 80.000? 5. Através de um investimento de $ 3.000 hoje estaremos recebendo $ 400 ao fim de cada um dos próximos dez anos. Por interpolação e usando as tabe- las de juros fornecidas, determine a taxa de juros (aproximada) que este investimento está possibilitando. 47 6. Nosso banco nos paga juros compostos de 10% ao ano. Que quantia devere- mos depositar no quinto aniversário de nosso filho a fim de que possamos fazer retiradas de $ 500 por ocasião de seus 18º, 19º, 20º, 21º, 22º, 239 e 249 aniversários e possamos liquidar a conta naquela ocasião, isto é, após o 249 aniversário? 7. Uma hipoteca que exige pagamentos anuais de $ 71.200 ao fim de cada um dos próximos 11 anos está à venda por $ 500.000. Que taxa de juros estaria obtendo em seu investimento o comprador desta hipoteca? 8. A fim de evitar dificuldades na produção foi proposta uma modificação em um produto que irá requerer gasto imediato de $ 14.000 para a modifica- ção de certas ferramentas.Que economias anuais deverão ser feitas para recuperar essa despesa em quatro anos, com taxa de juros de 10% a.a.? 9. As despesas de manutenção para uma estrutura cuja vida estimada é de 20 anos serão: • $ 1.000 ao fim do 59 ano • $ 2.000 ao fim do 109 ano • S 3.500 ao fim do 159 ano A uma taxa de juros de 10% ao ano, qual será o custo anual uniforme para o período de 20 anos? 10. Uma companhia alugou um depósito e pagou adiantadamente seis anos de aluguel; nos termos do contrato será permitido à companhia renová-lo por mais seis anos, pagando $ 1.500 no início de cada ano do segundo período de seis anos. Passados dois anos do primeiro período de locação, o locador, necessitan- do de dinheiro, propõe à Companhia o adiantamento dos pagamentos refe- rentes ao aluguel anual do segundo período de seis anos. Se a taxa de juros pretendida é de 20% a.a., qual é o pagamento justo a ser feito em lugar des- ses seis pagamentos anuais? 48 4 Métodos Equivalentes para Comparação de Alternativas 4.1 INTRODUÇÃO Como já explicitado anteriormente, a Engenharia Econômica é a técnica des- tinada a escolher uma entre várias alternativas de investimento. Qualquer metodologia a ser adotada no processo de análise necessariamente inclui: a) Valor e época dos pagamentos para cada uma das alternativas. b) Taxa de retorno mínima que deve ser obtida com a aplicação de capi- tal disponível em algum lugar. c) Prazo durante o qual os efeitos da decisão serão analisados. A rentabilidade de uma série de pagamentos é dada pela taxa de juros que permitiria ao capital empregado fornecer certo retorno. Ao analisar um possível investimento deve-se considerar que o mesmo já deslocou capital passível de ser aplicado em outros investimentos que possibilitariam retornos. Portanto, esse investimento, para tornar-se atrativo, deverá render, no mínimo, a taxa de juros equivalente à rentabilidade das aplicações correntes e de pouco risco. A escolha entre as alternativas será feita pela comparação dos efeitos que decorreriam da escolha de cada uma delas em separado. Para que esta comparação tenha algum sentido é necessário que os efeitos da decisão, no caso os fluxos de caixa decorrentes de cada alternativa, sejam estimados para o mesmo período de tempo, denominado período de análise que transcorre da data da decisão (data zero) até o horizonte de planejamento. Este horizonte de planejamento, por sua vez, é definido pela duração necessária dos serviços pretendidos das alternativas ou pelo limite futuro a partir do qual os erros de previsão se tornariam demasiado grandes. 49 Existem problemas onde as vidas físicas ou econômicas das diversas alterna- tivas são diferentes. Nestes casos podem-se adotar três soluções diversas: 1. é razoável acreditar que todas as alternativas possam repetir-se, com o mesmo fluxo de caixa, indefinidamente. Isto equivale a definir um horizonte de planejamento infinito; 2. a afirmação anterior não se aplica, mas é razoável supor a repetição com os mesmos custos até o mínimo múltiplo comum das durações das alternativas, e este passa a ser o horizonte de planejamento; 3. nenhuma das afirmações anteriores é válida. Neste caso é necessário definir um horizonte de planejamento independente das durações das alternativas e projetar o fluxo de caixa de todas elas para esse mesmo período de análise, mesmo que na primeira vida ou em algumas das repetições futuras haja alterações nos valores dos fluxos, ou mesmo truncamento da última vida. Os três métodos que serão aqui apresentados são equivalentes entre si, isto é, se adequadamente aplicados, levam a soluções idênticas. Note-se que pelo conceito da homogeneidade deveremos sempre levar em consideração: • Investimentos iguais • Vidas iguais • Taxas de retorno iguais 4.2 CUSTO ANUAL Este método consiste em reduzir os fluxos de caixa das alternativas conside- radas a séries uniformes equivalentes, usando uma taxa de juros que será igual à taxa mínima de atratividade. Uma vez determinados os custos anuais, a simples comparação dos mesmos permite a escolha da alternativa mais econômica. Ressalte-se que, embora o méto- do se chame custo anual, pode-se escolher outro período diferente do "ano" para efetuar-se a comparação. Ressalte-se também que, para poder comparar alternativas, elas devem ser homogêneas quanto à sua duração. Dessa forma, pode-se dividir este método em dois casos separadamente. 4.2.1 Alternativas com mesma vida econômica Exemplo 1: Serão comparadas três alternativas:50 A: envolve despesas anuais de $ 10.000, sem investimento inicial. B: tem despesas anuais de $ 5.000, um investimento inicial de $ 15.000, sem valor residual. C: envolve despesas anuais de $ 4.000, um investimento inicial de $ 20.000 e um valor residual de $ 2.000. A taxa mínima de atratividade é de 10% ao ano e o período de serviço das alternativas é de dez anos. Soluções: • Alternativa A Custo anual dado • Alternativa B Custo equivalente ao investimento inicial P: = 15.000 x 0,1627 $ 2.441 $ 5.000 TOTAL $ 7.441 Custo anual dado Custo anual • Alternativa C Custo anual equivalente ao investimento inicial P: Custo anual dado Custo anual equivalente ao valor residual L: $ 3.254 $ 4.000 $ - 1 2 5 TOTAL $ 7.129 $ 10.000 = 20.000 x 0,1627 = - 2.000 x 0,0627 Custo anual A alternativa C é a mais vantajosa, pois apresenta os menores custos anuais equivalentes. Nota-se que nas três alternativas apontadas subentende-se que temos $ 20.000 para investir. A alternativa A, portanto, deve ser entendida como $ 20.000 aplicados no mercado e despesas anuais de $ 10.000. A alternativa B, deve ser entendida como $ 10.000 investidos na compra de B, $ 10.000 investidos no mercado e despesas anuais de $ 5.000. 51 A alternativa C deve ser entendida como $ 20.000 investidos na compra de B, $ 0 aplicado no mercado, despesas anuais de $ 4.000 e valor residual de $ 20.000. Nota-se, portanto, que em todas as alternativas temos o mesmo investimento inicial, ou seja, $ 20.000. Exemplo 2: Uma companhia deseja mecanizar uma operação de movimentação de mate- riais em seu almoxarifado. Atualmente, esta operação está sendo realizada manual- mente por uma equipe de operários. Os custos anuais devidos aos salários da mão- -de-obra e as despesas relacionadas com esses salários, tais como pagamentos de horas extras, previdência social, seguro contra acidentes, férias etc, são de $ ... 8.000. A mecanização dessa operação será obtida por um equipamento de movi- mentação de materiais, cujo valor é de $ 20.000. Com esta mecanização espera-se reduzir o custo da mão-de-obra para $ 2.000 ao ano. As despesas anuais estima- das para operar o equipamento são: força = $ 500; manutenção = $ 1.500 e taxas de seguro e outros gastos correlatos = $ 500. O equipamento que tem uma vida econômica de dez anos terá um valor de revenda de $ 2.000. Se a taxa mínima de atratividade é de 18% ao ano, será van- tajosa a mecanização? A primeira alternativa será manter a operação manual com um custo anual de $ 8.000. A segunda alternativa terá um custo anual equivalente total de: $ 4.450= 20.000 x 0,225 Custo anual equivalente ao investimento inicial: 52 Despesas anuais Mão-de-obra Força Manutenção Seguro etc. $ 2.000 500 1.500 $ 4.500 - 8 5 T O T A L $ 8.865 Custo anual equivalente ao valor de revenda L: = - 2.000 x 0,0425 O maior custo anual da segunda alternativa significa: "não vale a pena inves- t i r $ 20.000, na compra do equipamento". É conveniente, como até agora temos fei to, que nos estudos econômicos se considerem receitas e despesas dos fluxos de caixa como ocorrendo nos fins de cada ano, embora a maioria ocorra "durante o ano". Esta convenção de " f i m de ano", que será por nós usada em todo o l ivro, simplifica bastante as conversões requeridas de juros compostos. Na grande maio- ria dos casos, esta hipótese é válida para os propósitos práticos, pois não conduz a erros na decisão entre alternativas. 4.2.2 Alternativas com vidas econômicas diferentes Se,no caso do exemplo 1 anterior, a alternativa A, ou seja, a que envolve despesas anuais de $ 10.000 sem investimento inicial, tivesse vida de cinco anos; a alternativa B, com despesas anuais de $ 5.000 e investimento inicial de $ 15.000, tivesse uma vida de dez anos; e a alternativa C, ou seja, a que envolve custos anuais de $ 4.000 e investimento inicial de $ 20.000 com valor residual de $ 2.000, tivesse uma vida de 15 anos, simplesmente não se poderia comparar as três alterna- tivas, pois suas "ut i l idades" não são iguais, isto é, as alternativas não são homogê- neas quanto à sua vida út i l . Para resolver este t ipo de problema, normalmente aceita-se que os modelos das alternativas se repitam tantas vezes quantas forem necessárias até a duração total atingir o mínimo múlt iplo comum das durações individuais. Dessa forma, como o mínimo múlt ip lo comum de 5, 10 e 15 é igual a 30, o modelo da alternativa A repete seis vezes, o da alternativa B, três vezes e o da alternativa C, duas vezes. 53 Dessa forma, tem-se graficamente: Verifica-se, entretanto, que o custo anual equivalente para a alternativa A nos primeiros cinco anos é idêntico ao do segundo período, e assim por diante, pois de cinco em cinco anos o f luxo de caixa se repete. O mesmo acontece com a alternativa B de dez em dez anos e com a C de 15 em 15 anos. Assim sendo, no momento em que se calcula o custo para os primeiros cinco anos, sabe-se que este custo é idêntico para os outros períodos na alternati- va A, e assim sucessivamente nas alternativas B e C. Logo, para efeito de cálculo no caso do custo anual, basta que se calcule o custo anual equivalente para a vida econômica das alternativas, lembrando que a comparação dessas alternativas está sendo feita para uma vida total equivalente ao mínimo múlt iplo comum. Exemplif icando: • Alternativa A Custo anual = 10.000 • Alternativa B Custo anual 54 • Alternativa C Custo anual Assim, conclui-se que para uma comparação de 30 anos a alternativa C é a mais econômica, pois seu custo anual é menor. Caso a suposição da repetição das alternativas até atingir o mínimo múltiplo comum das vidas não faça sentido por qualquer razão, deve-se estabelecer um período de análise comum para o qual se possa projetar com segurança os fluxos de caixa das alternativas e cai-se novamen- te no caso citado no exemplo 1, ou seja, vidas econômicas iguais. Exemplo 3: Uma companhia de transporte possui uma frota de caminhões que utiliza no transporte de carga rodoviária. Esta companhia está trabalhando durante dez anos e atualmente possui dados bastante precisos sobre os custos operacionais dos seus caminhões. A análise dos custos operacionais mostra um crescimento acentua- do dos custos de manutenção, à medida que os caminhões são utilizados. Os dados registrados permitiram estabelecer uma tendência média desses custos, mostrando que, em média, o custo de manutenção no primeiro ano é de $ 1.000, no segundo ano $ 1.200, no terceiro ano $ 1.400, ou seja, aumenta $ 200 por ano de serviço. A companhia deseja comparar os custos anuais equivalentes para um caminhão com sete anos de serviço e outro com dez anos, a fim de estabelecer uma política de substituição dos mesmos. Como os demais custos praticamente independem da vida dos caminhões, a comparação será feita baseando-se nos custos de manutenção, no valor de com- pra de um caminhão e no seu valor de revenda. Como a frota é padronizada, a companhia está em condições de conhecer esses valores. Cada caminhão custa $ 40.000, e o valor de revenda deles é: $ 6.000 com sete anos de uso e $ 4.000 com dez anos. A taxa mínima de atratividade é de 8% ao ano. Solução: Para visualizar melhor a conversão do fluxo de caixa usa-se a seguinte repre- sentação gráfica: 55 Sendo: P = investimento inicial (valor de compra) L = valor de revenda do caminhão g = gradiente do custo de manutenção R = parcela uniforme do custo de manutenção n = anos de serviço / = taxa mínima de atratividade Pela representação gráfica verifica-se que os custos de manutenção podem ser divididos em uma parcela de custos uniformes de valor igual ao custo de manu- tenção do primeiro ano e em um gradiente que é dado pelo aumento de custo de manutenção de ano para ano. • Caminhão com sete anos de serviço: Custo anual equivalente ao investimento inicial: Parcela de custos uniformes do custo de manutenção Custo anual equivalente à parcela do custo em gradiente, da manutenção: $ +7.680 +1.000 538 TOTAL Custo anual equivalente ao valor de revenda: 56 • Caminhão com dez anos de serviço: Custo anual equivalente ao investimento inicial: Custo anual equivalente à parcela do custo em gradiente, da manutenção: Parcela uniforme do custo de manutenção Custo anual equivalente ao valor de revenda: O custo anual equivalente do caminhão com dez anos de uso é menor. Note-se que se está sempre considerando a utilização do mesmo capital para todas as alternativas. O capital excedente em cada alternativa será aplicado no capital de giro da empresa considerando-se a taxa de retorno interna da em- presa, ou seja, a taxa calculada com base na relação lucro/capital investido ou na taxa de retorno que se conseguiria no mercado financeiro em investimentos de pequeno ou nenhum risco. 4.3 MÉTODO DO VALOR PRESENTE A característica essencial deste método é a análise de diversas alternativas considerando-se, para efeito de comparação, o valor presente (P) equivalente a cada um dos fluxos de caixa representativos das alternativas em análise. O valor presente de um investimento é um valor único colocado em uma data arbitrária de referência, e equivalente nessa data ao fluxo de caixa desse in- vestimento. Como no caso do custo anual, o método do valor presente deve ser subdivi- dido em dois casos: • alternativas com vidas econômicas iguais; • alternativas com vidas econômicas diferentes. 57 $ +5.960 +774 +1.000 TOTAL 4.3.1 Alternativas com vidas econômicas iguais A análise deste caso será feita utilizando-se o mesmo problema já visto quan- do da apresentação do método anterior, ou seja: Serão comparadas três alternativas: A: envolve despesas anuais de $ 10.000 sem investimento inicial. B: envolve despesas anuais de $ 5.000 e investimento inicial de $ 15.000 sem valor residual. C: envolve despesas anuais de $ 4.000, investimento inicial de $ 20.000 e valor residual de $ 2.000. A taxa de atratividade mínima ou taxa de juros é de 10% ao ano e o período de serviço das alternativas é de dez anos. Solução: • Alternativa A • Alternativa B onde: 58 • Alternativa C A alternativa C é a escolhida, uma vez que o valor presente de suas despesas é menor que o das demais. Exemplo 4 Escolher o melhor dos planos seguintes, usando uma taxa mínima de retor- no de 10%. Plano Despesas anuais Período Custo inicial Valor residual A $ 8.000 10 anos - - B $ 5.100 10 anos $ 15.000 - c $ 4.300 10 anos $ 25.000 $ 5.000 Plano A: Valor presente das despesas anuais: 59 Plano B: Valor presente das despesas anuais: Custo inicial (valor atual) Valor presente de todas as despesas Plano C: Valor presente das despesas anuais: Custo inicial (valor atual) Menos: Valor presente de valor residual: Valor presente de todas as despesas Resposta: o melhor plano é o plano B, por ter o valor presente menor. Observação: Os valores presentes serão normalmente calculados na data zero das séries de pagamentos comparados. Pelo fato de os custos iniciais já estarem na data zero, ne- nhum fator lhes será aplicado. Quando existir um valor residual estimado, como no Plano C, o seu valor presente deverá ser subtraído para que se obtenha o valor presente total.60 $ 26.420 25.000 4.3.2 Alternativas com vidas diferentes Da mesma forma como já havia sido discutido no caso do método do custo anual, alternativas com vidas diferentes não podem ser comparadas diretamente. Embora no custo anual as conseqüências não sejam, em geral, drásticas, no caso do valor presente este erro levafreqüentemente a soluções absurdas. Existem dois tipos de solução para este caso. Ambas pressupõem que a subs- tituição futura dos equipamentos implicará os mesmos custos previstos para o equipamento inicial. Caso essa suposição não seja válida, é necessário definir um período de aná- lise comum para todas as alternativas, transcorrendo da data zero até o horizonte de planejamento, e em seguida projetar o fluxo de caixa de cada alternativa ao longo desse período. Feito isso, cai-se novamente no caso de vidas iguais. Existem duas alternativas: 1. Pode-se usar o mínimo múltiplo comum das vidas das alternativas como horizonte de planejamento. 2. Pode-se calcular os valores presentes para um horizonte perpétuo de planejamento. Esta abordagem é comumente chamada custo capitali- zado. Nesta alternativa repetem-se as alternativas infinitas vezes. Um exemplo típico a ser resolvido será a comparação de duas alternativas, usando uma taxa de juros de 8%: Custo inicial Vida Valor residual Despesas anuais $ 50.000 20 $ 10.000 $ 9.000 Alternativa A $ 120.000 40 $ 20.000 $ 6.000 Alternativa B Resolução pelo mínimo múltiplo comum: Mínimo múltiplo comum: 40 anos Esquematicamente: 61 O valor presente do custo de renovação daqui a 20 anos será: (Mais) valor presente do investimento inicial = (Mais) valor presente dos custos anuais: (Menos) valor presente do valor residual daqui a 40 anos: Valor presente total (A) = Valor presente do valor residual: Custo inicial Valor presente dos custos anuais: Valor presente total (B) = Conclui-se que a alternativa A é melhor que a B. Resolução pelo custo capitalizado: Aplicando o método do custo capitalizado, é necessário dar dois passos: 1°) Transformar em custo anual todas as quantias repetitivas num mes- mo período de tempo. 2º) Trazer este custo anual para o valor presente considerando62 - 920 (receita) = $ 120.000 $ 8.580 $ 50.000 = $ 107.320 Sabe, inclusive, que, quando transforma-se em R = Pi. a equação Assim sendo, resolve-se o problema como segue: • Alternativa A Valor presente da série inf inita de renovações: Valor presente dos custos anuais perpétuos = R/i Valor presente da série inf inita dos valores residuais: Valor presente (A) pelo método do custo capitalizado • Alternativa B Valor presente da série inf inita de renovações: Valor presente dos custos anuais perpétuos: Valor presente da série inf inita dos valores residuais: Valor presente (B) pelo método de custo capitalizado: Exemplo 5 (usando o método do valor presente): A instalação de uma estação de bombeamento custa $ 20.000, e tem uma vida estimada de 15 anos. O valor de revenda do equipamento é de $ 1.000 e os custos de operação são de $ 8.000 por ano. A adoção de equipamento auxiliar, nessa estação de bombeamento, elevará seu custo inicial para $ 50.000; entretanto, a vida estimada da estação será de 30 anos e o valor de revenda será de $ 15.000. O custo operacional da estação será de $ 5.000 por ano. 63 Considerando uma taxa mínima de atratividade de 8% ao ano, qual deve ser a alternativa escolhida? Solução: Para resolver problemas deste tipo, inicialmente igualam-se os períodos de serviço das alternativas. O período de análise passa a ser o período mínimo múlti- plo comum das durações das alternativas. Completa-se o raciocínio usando-se a suposição de que os investimentos propostos, com os mesmos custos e receitas, se repetirão após o término de sua vida. No exemplo, o período de análise (horizonte de planejamento) considerado será de 30 anos, que é o mínimo múltiplo comum das alternativas. No caso da primeira alternativa, em que a vida do investimento é de 15 anos, supõe-se que existirão dois investimentos com seus respectivos custos anuais ao longo dos 30 anos que serão tomados para efeitos de comparação. Alternativa 1 Valor presente do custo inicial do primeiro equipamento: Valor presente equivalente do custo anual de operação: $ 20.000 $ 90.062 Valor presente equivalente ao valor de revenda do pri- meiro equipamento: Valor presente equivalente ao custo do equipamento no 15º ano: Valor presente equivalente ao valor de revenda do segundo equipamento: 64 $ - 315 $ 6.304 TOTAL Alternativa 2 Valor presente do custo inicial da estação Valor presente equivalente do custo anual de operação: $ 50.000 $ 56.289 Valor presente equivalente ao valor de revenda: T O T A L Conclusão: O equipamento da alternativa 2 é o mais econômico. O mesmo problema pode ser solucionado pelo valor presente com período de análise inf in i to (custo capitalizado), como segue: Alternativa 1 Custo anual equivalente do investimento inicial: Custo anual operacional Custo anual equivalente do valor de revenda: .'. valor presente (custo capitalizado): Alternativa 2 Custo equivalente do investimento inicial: Custo anual Taxa de juros $ 2.336 $ 8.000 $ 4.440 65 Custo anual operacional Custo anual equivalente do valor de revenda: TOTAL Valor presente (custo capitalizado): $ 5.000 .'. conclui-se que se mantém a mesma solução obtida pelo método anterior. 4.4 MÉTODO DA TAXA DE RETORNO - COMPARAÇÃO DE ALTERNATIVAS COM INVESTIMENTOS IGUAIS A taxa de retorno de uma proposta de investimento é a taxa de juros para a qual o valor presente dos recebimentos resultantes do projeto é exatamente igual ao valor presente dos desembolsos. Esta abordagem exige, como as anteriores, a descrição de cada alternativa de investimento em termos dos custos e rendas a ele associados, levando-se em conta os momentos em que ocorrem esses eventos. Uma comparação organizada das taxas de retorno calculadas com a taxa de retorno mínima fixada pela empresa permite identificar a alternativa mais econômica. Define-se taxa de retorno mínima como a menor taxa de retorno conside- rada como aceitável pela empresa. A taxa mínima de retorno não deve ser nunca menor que a taxa de retorno que se conseguiria investindo no mercado financeiro numa operação sem risco. Note-se que, para efeito de comparação de alternativas pelo método da taxa de retorno, se deve ter sempre o mesmo valor de investimento a ser aplicado em todas as alternativas. Exemplo 1 Este exemplo refere-se a um período completo de sete anos. A data zero é colocada em janeiro do primeiro ano quando uni investidor comprou uma propriedade para aluguel por $ 9.950. Coma esse investidor gastou66 $ 116.350 $ 950 imediatamente para vários melhoramentos na propriedade, o seu custo inicial total foi de $ 10.900. No fim do mês de dezembro do sétimo ano, a proprie- dade foi vendida pelo preço de $ 22.000. Deste total foi deduzida uma parcela de 5% de comissão ao corretor ($ 1.100), restando uma receita líquida de venda de $ 20.900. A segunda coluna da Tabela 4.1 mostra as receitas que ocorreram durante o período de detenção da propriedade. A terceira coluna mostra todos os desembolsos, incluindo custos de manutenção, impostos sobre propriedades e seguros. A quarta coluna combina esses dois dados, resultando na apresentação do fluxo de caixa a cada ano. Duas linhas são usadas para o último ano (ano 7), uma com as receitas e desembolsos relacionados com o aluguel e outra com receitas e desembolsos relacionados com a venda da propriedade. Tabela 4.1. Fluxo de caixa do investimento em uma propriedade. ANO 0 1 2 3 4 5 6 7 7 RECEITAS $ + 1.500 + 1.800 + 1.800 + 1.800 + 1.800 + 1.800 + 1.800 + 1.700 + 22.000 DESEMBOLSOS $ 10.900 500 550 570 450 360 430 410 1.100 LIQUIDO $ - 10.900 + 1.000 + 1.250 + 1.230 + 1.350 + 1.440 + 1.370 + 1.290 + 20.900 Esquematicamente, o fluxo é igual a: A taxa de retorno, como foi visto, é a taxa de juros com a qual o valor pre- sente das receitas líquidas se iguala ao valor presente dos desembolsos. 67 Dessa forma: Por tentativa escolhe-se uma taxa de retorno. Suponha-se que foi escolhida a taxa de 15%. Pela tabela de 15%, na coluna encontram-se os valores de: e assim por diante. Dessa forma, a equação ficará: 10.900 = 4.000 x 0,8696 + 1.250 x 0,7561 + + 1.230 x 0,6575+ 1.350 x 0,5718 + + 1.440 x 0,4972 + 1.370 x 0,4323 + + 22.190 x 0,3759 .: 10.900 - [870 + 945 + 809 + 772 + 716 + 592 + 8.341] = -2.145 .: é necessário encontrar uma taxa de retorno, cujos valores dos coeficientes na coluna sejam menores que os dados a 15% para que a equação se aproxi- me de zero. Utilizando a taxa de 20% e substituindo-a como nos casos anteriores, tem-se: 10.900- [833 + 868 + 712 + 651 + 579 + 459 + 6.193] = 605 .: conclui-se que a taxa de retomo desejada está entre 15% e 20%. Fazendo uma simplificação, ou seja, uma interpolação linear, tem-se: 68 .'. a taxa de retorno é aproximadamente 18,9%. Note-se que o conceito de taxa de retorno também está intimamente ligado ao conceito de vida. Ou seja, quando se diz que a taxa de retorno de investimento é de 15% ao ano, é fundamental que se diga qual é a vida do investimento. Isto é, 15% a.a. para uma vida de cinco anos é muito diferente de uma taxa de 15% a.a. para uma vida de dez anos. Dessa forma, quando se diz que a taxa de retorno de um investimento é de 15% a.a. e sua vida é de cinco anos, isto significa que o capital investido será remunerado em 15% ao ano e o investimento estará totalmente pago em cinco anos. Quando o fluxo de caixa for irregular, existe a possibilidade de se ter mais do que uma raiz na resolução da equação da taxa de retorno. Neste caso, o méto- do da taxa de retorno não deverá ser usado. 4.5 TAXA DE RETORNO - COMPARAÇÃO DE ALTERNATIVAS COM INVESTIMENTOS DIFERENTES: TAXA DE RETORNO INCREMENTAL No exemplo precedente houve preocupação em determinar a taxa de retor- no do investimento total. Entretanto, se houvesse mais do que uma alternativa com valores diferentes de investimento inicial, surgiria a necessidade de calcular a taxa de retorno incrementai para definir a alternativa mais econômica. Nestes casos, o procedimento a seguir deverá ser: 1. Ordenar as alternativas em ordem crescente dos investimentos. 2. Determinar a taxa de retorno da alternativa de menor investimento e compará-la com a taxa de retorno mínima aceitável. Caso a taxa seja menor que a taxa de retorno mínima aceitável, abandonar esta alternativa e seguir o mesmo procedimento para a seguinte. Caso seja maior que a taxa de retorno mínima aceitável, aceita-se esta alter- nativa e calcula-se a taxa de retorno incrementai entre a alternativa aceita e a se- guinte. 69 A análise da taxa de retorno incrementai nada mais é do que a análise so- bre o incremento de investimento da alternativa B em relação à alternativa A que é compensado pelo incremento de receitas de (B - A). A taxa de retorno destes in- crementos é chamada taxa de retorno incrementai. Note-se que a taxa de retor- no incrementai é comparada também com a taxa de retorno mínima aceitável. Isto porque, no caso de se aceitar a alternativa B, o investimento incrementai é remunerado pela taxa incrementai. Se se aceita A, o investimento incrementai é remunerado pela taxa mínima aceitável. Note-se neste exemplo teórico que, após a aceitação da alternativa A, tem- -se a seguinte comparação: O que será melhor: aplicar o incremento de investimento na taxa de retor- no mínima aceitável ou aplicar o incremento de investimento executando em vez de A a alternativa B? Ressalte-se que em cada análise a ser feita se deve ter presen- te sempre que as comparações devem ser efetuadas utilizando-se o mesmo mon- tante como investimento inicial. No caso de alternativas obrigatórias, considera-se sempre a alternativa de menor investimento inicial como alternativa aceita, ou seja, o mal menor, inde- pendentemente de se ter retorno ou de o retorno ser inferior ao mínimo aceitável. Um exemplo deste tipo de problema é o seguinte: A compra de uma máquina está sendo estudada para um serviço de duração de seis anos. A compra da máquina é obrigatória. Máquina I: A máquina I tem um custo inicial de $ 4.500 e um valor residual nulo após seis anos de uso. Tal máquina acarreta os seguintes custos anuais: Mão-de-obra Força Reparos e manutenção $800 $ 360 $420 Máquina II: A máquina II tem um custo inicial de $ 9.600 e um valor residual estimado após seis anos de funcionamento de $ 3.000. Esta máquina acarreta os seguintes custos anuais: Mão-de-obra Força Reparos e manutenção $400 $460 $ 20070 Calcule a taxa de retorno adicional. Esquematicamente tem-se: Máquina I 800 360 420 400 460 200 1.580 1.060 .: Máquina II — Máquina I .: o resultado da diferença dá a seguinte equação gráfica: 71 Máquina II 6 1.580 4.500 1.060 9.600 3.000 5.100 9.600 4.500 3.000 A máquina I como compra obrigatória é aceita e considerada como mal menor. Para verificar se II é melhor que I, procura-se a taxa de retorno incremen- tai igualando-se receitas e despesas no valor presente. Tem-se, portanto: 5.100 = 520 x 5,076 + 3.000 x 0,7462 .: 5.100 = 2.639,5 + 2.236,6 .: 5.100=4,878, ou seja, 5.100-4.876 = 221,9 Fazendo / = 5%: Verifica-se que o fator mais forte, ou seja, o que mais influencia o resultado das receitas, é o fator referente ao coeficiente Analisando a equação retroapresentada, verifica-se que é necessário que o coeficiente seja maior que 5,076, para se obter a igualdade. Na tabela de juros veri- fica-se que neste caso a taxa de juros diminui. Daí se conclui que, neste caso, o coeficiente cresce inversamente à taxa de juros. Portanto, analisando a mesma equação com uma taxa de 4%, tem-se: 5.100 = 520 x 5,242 + 3.000 x 0,7903 5.100 = 2.725,8 + 2.370,9 5.100 = 5.096,7, ou seja, 5.100 - 5.096 = 4 Portanto, conclui-se que a taxa de retorno esperada é um pouco menor do que 4% ao ano. Se a taxa de retorno mínima aceitável for maior que 4%, aceita-se a alter- nativa /, que consiste em aplicar $ 4.500 na máquina A e o restante, ou seja, $ 5.100, à taxa mínima aceitável, pois a alternativa B implicaria em aplicar $ 4.500 na mesma taxa que a alternativa A e $ 5.100 a uma taxa menor que a mí- nima aceitável. 72 EXERCÍCIOS 4.2 CUSTO ANUAL 1. Calcular e comparar os custos anuais dos motores A e B, cuja compra é considerada para um serviço de 12 anos, utilizando uma taxa de juros de 10% ao ano. Custo inicial Valor residual estimado Custo anual de energia Custo anual de reparos MOTOR A $ 2.500 S - $ 500 $ 300 MOTOR B % 4.000 $ 1.000 $ 300 $ 220 TUBO 30 CM $ 21.000 $ 6.700 TUBO 50 CM $ 32.000 $ 3.850 2. Um serviço de encanamento precisa ser executado em uma empresa. As al- ternativas que se apresentam são as seguintes: Custo inicial Custo anual de operação 0 período esperado de serviço é de sete anos, após o qual o encanamento será removido com valor residual previsto de 5% do seu custo. O retorno mínimo exigido é de 8% ao ano. Comparar os custos anuais. 3. Certo material proposto para o revestimento de um edifício tem uma vida estimada de dez anos e custará $ 3.000. O revestimento feito com um mate- rial mais espesso custará $ 800 a mais, prolongando, contudo, a vida estima- da para 15 anos. Os custos de instalação para ambos os tipos de material serão de $ 1.200. Comparar o custo anual dos dois tipos de material, usan- do uma taxa de retorno de 8% a.a., para um período infinito de utilização. 4. Comparar os custos anuais dos seguintes tipos de fiação para prestar um ser- viço específico, durante 60 anos, usando uma taxa de juros de 5% ao ano. Custo inicial Vida útil Valor residual Custos anuais de manutenção FIO DE ALUMÍNIO $ 10.000 20 anos nenhum $ 600 FIO DE COBRE $ 23.000 60 anos $ 3.000 $ 100 73 A B 5. Uma escola considera dois planos alternativos para a construção de um audi- tório novo. Um engenheiro fez as seguintes estimativas de custo para cada um: • Construção em aço: Custo inicial $ 350.000. Vida: 100 anos. Custo anual de manutenção: Cr$ 2.000. • Construção em concreto: Custo inicial $ 200.000. Custo de pintura, a cada três anos, $ 10.000. Novos assentos, a cada 12 anos, $ 40.000. No- va estrutura, a cada 36 anos, % 100.000. Comparar os custos anuais dos dois planos, supondo utilização perpétua e uma taxa de juros de 5%. 6. Os gastos anuaispara operação e manutenção de certo tipo de ônibus são de $ 2.200 para o primeiro ano e, sob certas condições específicas de operação que existem para esta empresa, sofrem um acréscimo de $ 300 por ano nos primeiros cinco anos de operação. O custo inicial do ônibus é de $ 4.800. O valor residual estimado após quatro anos é $ 1.400; após cinco anos é $ 1.000. Comparar os custos anuais uniformes para um ônibus vendido após cinco anos de uso e após quatro anos de uso. Taxa de juros de 10% a.a. O salário e encargos do motorista e cobrador é de $ 1.200 por ano. 7. Uma companhia está estudando o problema de isolamento de canos de va- por. As alternativas em estudo são as seguintes: 1. utilizar isolamento com espessura de 10 cm. 2. utilizar isolamento com espessura de 20 cm. As perdas anuais de vapor, deixando-se o encanamento sem isolamento, atingiriam $ 5 por metro de encanamento. O isolamento de 10 cm de espes- sura reduzirá tais perdas de cerca de 85% e custará $ 1,06 por metro de en- canamento . O isolamento de 20 cm de espessura reduzirá as perdas de cerca de 92% e custará $ 2,10 por metro de encanamento. Comparar os custos anuais de isolamento para 1.000 m de tubulação (inclusive os custos relati- vos às perdas de vapor), para os dois tipos de isolamento propostos, levando em conta uma duração de 15 anos para a tubulação e considerando nulo o valor residual dessa tubulação após 15 anos. A companhia, para o projeto em questão, estipulou 10% a.a. como taxa mínima de retorno. 8. Determinar e comparar os custos anuais de um serviço permanente a ser rea- lizado. Este serviço poderá ser executado de acordo com um dos planos abaixo (A ou B). Utilizar no estudo em questão a taxa de juros de 6%. 74 Plano A: Envolve um investimento inicial de $ 15.000. Destes S 15.000, $ 10.000 são destinados a uma construção permanente e $ 5.000 para uma estrutura que deverá ser renovada a cada 20 anos. Os gastos anuais para o plano A são de $ 700. Plano B: Envolve um investimento inicial de $ 25.000. A este investimento deverá seguir-se outro de $ 4.000 daqui a dez anos. Ambos os in- vestimentos são relativos a construções permanentes. Os gastos anuais para o plano B são de S 200 para os primeiros dez anos e de $ 300 para os anos subseqüentes. 4.3 VALOR PRESENTE 1. Para determinada obra pública é proposto o uso alternativo de um encana- mento de 20 cm ou de 30 cm. O encanamento de 20 cm tem um custo ini- cial de $ 45.000 e o custo anual de bombeamento é estimado em $ 10.000. O encanamento de 30 cm tem um custo inicial de $ 60.000 e o custo anual de bombeamento é estimado em $ 7.000. O serviço de tal equipamento será utilizado por 20 anos; nenhum valor residual é esperado para ambos os tipos ao final desse período. Comparar os valores presentes dos custos dos 20 anos de serviços, usando a taxa de juros de 10% a.a. 2. Dois tipos de pavimentação estão sendo considerados, tendo as seguintes estimativas de custo: Custo inicial Período de repavimentação Custo de repavimentação Custo anual de manutenção As repavimentações periódicas envolverão somente a superfície e não a base da pavimentação; comparar esses dois tipos com base no custo capi- talizado, usando a taxa de juros de 3 1/2%. 3. Um investidor pode comprar notas promissórias, em número de doze; cada uma refere-se a um pagamento anual de $ 700. O primeiro pagamento deverá ser efetuado daqui a um ano. Quanto deveria o investidor pagar pelas notas para receber 8% de juros compostos anualmente? Para receber 7%? Para receber 6% ? 75 TIPO A $ 8.000 12 anos $ 5.000 $ 400 TIPO B S 12.000 18 anos $ 5.000 $ 300 4. Uma companhia está planejando construir um edifício para escritório de dez andares. Espera-se que depois de alguns anos dez andares sejam adicionados ao edifício. Dois projetos foram feitos: • O projeto A é uma planta convencional para um prédio de dez andares. Seu custo inicial é de $ 420.000.000. • O projeto B pressupõe que o edifício inicial seja os primeiros dez andares de um edifício de vinte andares. Isto eleva o custo inicial de construção para $ 490.000.000. Com o projeto A estima-se um custo de S 500.000.000 para adicionar dez andares no futuro. Com o projeto B a construção de dez andares a mais custará somente $ 400.000.000. A vida útil estimada do edifício é de 60 anos com valor residual igual a zero. Os custos de manutenção serão de S 1.000.000 por ano a menos com o projeto A do que com o projeto B du- rante os 60 anos. Com juros a 8% a.a., quando deverão ser construídos os andares adicionais para justificar a seleção do projeto A? 5. Comparar os planos A e B tomando como base de estudo o custo capitaliza- do de serviço permanente, utilizando uma taxa de juros de 8%. O plano A envolve um investimento inicial de $ 30.000 e despesas anuais de $ 1.000 para os primeiros 20 anos e de $ 2.000 para os anos subseqüentes. Tal pla- no envolve também gastos de $ 20.000 por ocasião dos 20P ano, 40º ano, 609 ano, 809 ano etc. O plano B envolve um investimento inicial de $ 50.000, bem como um investimento de S 10.000 após 30 anos. Tal plano envolve também gastos de $ 5.000 por ocasião dos 109 ano, 209 ano, 309 ano, 409 ano etc. 4.4 TAXA DE RETORNO 1. Uma propriedade que contém lojas e escritórios está à venda por $ 7.000. Estima-se que durante um período de 20 anos a renda proveniente dos alu- guéis das lojas e escritórios atingirá por ano $ 890 e que as despesas com impostos, manutenção, condomínio etc. atingirão por ano $ 380. Estima-se ainda que após 20 anos a propriedade poderá ser vendida por $ 4.500. Que taxa de retorno estaria obtendo no negócio um capitalista que adquirisse tal propriedade? 2. Um capitalista comprou, por $ 200.000, 100 ações da Companhia XYZ, porém durante dois anos não recebeu dividendo algum. No fim dos 3 º , 4 º , 5º, 6º, 7º e 8º anos recebeu por cada ação $ 100 de dividendos. No fim76 dos 99 e 109 anos recebeu por cada ação $ 200 de dividendos. No fim do 10º ano, após o recebimento dos dividendos já mencionados, vendeu suas ações por $ 500.000. Calcular a taxa de retorno para o investimento em questão. 3. A respeito de um projeto os seguintes dados são conhecidos: Custo inicial Valor residual após 25 anos Receita média anual Despesa média anual $ 12.000 $ 2.000 $ 2.590 $ 1.506 Supondo uniformes a receita e despesa anuais, calcular a taxa de retorno deste investimento. 4. A compra de uma loja está sendo considerada para fins especulativos. O preço de compra da loja é de $ 2.000 acreditando-se que, se for mantida a propriedade por 12 anos, ela poderá ser vendida por S 3.000. Durante esse tempo haverá um aluguel anual de S 360. As despesas anuais com impostos estão estimadas em S 60 durante todo o período de detenção da proprieda- de. Qual a taxa de retorno sobre este investimento? 5. Uma loja vende amplificadores a $ 2.500 cada um, mas $ 500 deverão ser pagos como entrada e $ 500 ao fim de cada mês durante os próximos quatro meses, "sem cobrança de juros". Discutindo a possível compra, você descobre que poderá comprar o aparelho por $ 2.250 a vista. Também você fica sabendo que, comprando a prestação, haverá uma cobrança de $ 50 na data da compra, referente a serviços e despesas contratuais. Que taxa de juros será realmente paga se o amplificador for comprado a prestação? 6. Uma sociedade anônima recebe $ 8.500.000 como resultado da emissão de $ 10.000.000 de debêntures resgatáveis em 30 anos. Se as despesas anuais de administração forem de $ 125.000 e se os juros são pagáveis anualmente à taxa de 5% sobre o valor nominal das debêntures, qual a taxa que exprime o custo verdadeiro do empréstimo? 1.5 TAXA DE RETORNO INCREMENTAL 1. Um amplificador de som pode ser adquirido por $ 100.000 a vista ou por $ 20.000 de entrada e dez prestações mensais de $ 13.019,63. Se o hori- zonte de planejamento é de 5 anos e a taxa de retomo for de 10% ao mês, qual das duas alternativas é a melhor? 77 2. No problema anterior, se a taxa mínima de retorno aceitável for de 5% ao mês, qual alternativa será a melhor? 3.No problema 1, se a taxa mínima de retorno for de 15% ao mês, qual será a melhor alternativa? 4. 0 imóvel A pode ser adquirido por $ 100.000 e alugado por $ 20.000 anuais; após cinco anos será vendido por $ 50.000. O imóvel B pode ser comprado por $ 180.000 e durante cinco anos alugado por $ 80.000 anuais; findo esse prazo, deverá ser vendido por S 100.000. Se um investidor puder obter por seu dinheiro, no mercado financeiro, uma taxa de retorno de 10% ao ano, o que deverá fazer: comprar A, com- prar B ou aplicar no mercado financeiro? Calcular 5. No problema 4, o que aconteceria se 6. No problema 4, o que aconteceria se ' 7. Uma bomba de água essencial para um processo industrial pode ser compra- da de dois fornecedores. O fornecedor A vende a bomba por $ 100.000, e a despesa mensal de operação e manutenção é estimada em $ 12.000. A bomba do fornecedor B custa S 170.000 e a despesa mensal de operação e manutenção é estimada em S 8.000. Se ambas as bombas vão ser usadas por cinco anos e se a taxa mínima de retorno exigida é de 10% ao mês, qual das bombas deve ser escolhida? (Calcule i). 8. No problema 7 qual será a resposta se 9. Um motorista de táxi pode comprar um carro pequeno por $ 30.000. Neste caso sua despesa por km será de $ 1 entre manutenção e combustível. O táxi pequeno deverá rodar cerca de 5.000 km/mês, auferindo uma receita média de $ 1,60 por km. Ao fim de cinco anos de uso o táxi pequeno será vendido por $ 5.000. Um táxi grande de luxo custará S 100.000, sua des- pesa por km para manutenção e combustível será de $ 2,20. O táxi de lu- xo deverá rodar apenas 3.000 km/mês, mas sua receita média por km será de S 5 . 0 táxi de luxo será vendido após cinco anos por $ 10.000. Nessas condições, ao mês, qual dos dois táxis deverá ser comprado? Calcular i (pequeno), i (luxo) e i. 10. No problema ao mês qual dos dois táxis será escolhido? 11. No problema ao mês, qual táxi deverá ser escolhido? 78 Parte 2 APLICAÇÕES PRÁTICAS 5 Análise de Alternativas Múltiplas 5.1 INTRODUÇÃO Até agora foram analisados problemas em que havia necessidade de avaliar no máximo duas alternativas. Existem, porém, inúmeros casos em que as alterna- tivas em jogo são mais do que duas; em conseqüência, a empresa se vê diante dos chamados problemas de alternativas múltiplas. Pode-se dividir esses problemas em dois tipos: a) Problemas onde não existe restrição de capital. b) Problemas com restrição de capital, ou seja, capital fixo. Existem problemas em que nos são dadas várias alternativas disponíveis que se substituem entre si, pois todas resolvem o mesmo problema. Nesses casos, será escolhida apenas uma das alternativas, pois as outras se tornam supérfluas. Diz-se então que as alternativas são mutuamente exclusivas, tecnicamente. Da mesma forma, existem problemas em que as alternativas de investimento não são mutuamente exclusivas tecnicamente, ou seja, elas se referem à aquisição de objetos diferentes, racionalizações, ou tipos de investimentos diferentes e podem ser realizadas simultaneamente. Pode-se, entretanto, ter capital disponí- vel para somente um dos projetos. Diz-se, então, que essas alternativas são mutua- mente exclusivas, financeiramente. 81 Dois exemplos típicos daquilo que foi conceituado são: a) Escolha entre uma série de modelos diferentes de caminhões. Esses caminhões serão mutuamente exclusivos tecnicamente se se necessi- ta de apenas um caminhão para o serviço. b) A escolha entre investir na compra de uma nova máquina para a seção de acabamento ou compra de mais um caminhão para a frota de dis- tribuição. Neste caso, embora as alternativas não sejam mutuamente exclusivas tecnicamente, poderão sê-lo financeiramente, caso o capital disponível não seja suficiente para aceitação de ambos os investi- mentos. 5.2 ANALISE DE PROBLEMAS DE ALTERNATIVAS MUTUAMENTE EXCLUSIVAS SEM LIMITAÇÃO DE CAPITAL Exemplo: Um número de alternativas diferentes está sendo considerado para a constru- ção de uma nova fábrica. A Tabela 5.1 apresenta os seis planos mutuamente ex- clusivos tecnicamente a serem avaliados. Entende-se como investimento inicial o custo estimado de terrenos e cons- truções. Para cada plano estão discriminadas também as receitas e as despesas anuais esperadas. Foi estabelecido que, independentemente do plano que vier a ser adotado, a propriedade será mantida por dez anos, e o custo de revenda supõe- •se igual ao investimento inicial. A taxa de retorno mínima aceitável foi estabelecida em 12% ao ano. QUAL DOS PLANOS É MAIS ECONÔMICO? Primeiramente, esclarece-se que, se a taxa de retorno mínima aceitável é de 12%, isto significa que serão conseguidos no mercado outros investimentos com risco semelhante, que possibilitarão retorno a esta taxa. Ressalte-se também que no caso exclusivo deste tipo de problema, em que o investimento inicial é idêntico ao valor residual, as receitas resultantes funcio- nam como juro simples (pois o capital total é devolvido no final do investimento). Isto permite calcular a taxa de retorno do investimento pela divisão da receita líquida pelo investimento inicial. O primeiro passo para resolver o problema é ordenar os planos segundo a ordem crescente dos investimentos iniciais, conforme se demonstra a seguir.82 Tabela 5.1. Planos mutuamente exclusivos para nova fábrica. O segundo passo é determinar a taxa de retorno para o plano I, uma vez que todas as alternativas já estão ordenadas em ordem crescente de investimento total. Então, dividindo 8,2/100, obtêm-se 8,2%. Como 8,2% é menor que 12%, verifica-se que o plano I é inaceitável. Analisa-se, então, o plano I I . Dividindo 16,3/130 = 12,5%, verifica-se que o plano II é aceitável. A partir deste momento já se sabe como aplicar 130. Então a alternativa III transforma-se em aplicar 130 no plano II e 22 (diferença entre investimento inicial plano l l l - l l ) a 12% ou aplicar 152 no plano I I I . Achando a taxa de retorno incrementai do plano l l l - l l , ou seja, 5,6/22 onde 5,6 = (21,9 - - 16,3) é a receita líquida incrementai e 22 o investimento incrementai, tem-se a taxa de retorno incrementai TRI = 25,4%. Como esta taxa é melhor que 12%, deve-se aplicar no plano III e não no plano I I . Passa-se a analisar agora o plano IV em relação ao plano I I I , seguindo o mesmo raciocínio anterior. Como a taxa de retorno incrementai do plano IV — plano III = 4/32= = 12,5%, considera-se o plano IV melhor que o plano I I I . Ao analisar o plano V em relação ao plano IV nota-se que a taxa de retorno incrementai é igual a 9,2%; portanto, menor que 12%. Dessa forma, considera-se o plano IV como base da comparação seguinte e despreza-se o plano V. Em seguida acha-se o investimento adicional para o plano VI em relação ao IV = 260 - 184 = 76 e a receita adicional 31,2 - 25,4 = 5,3 e, conseqüentemente, 83 • Investimento inicial • Receitas anuais • Custos anuais • Receita líquida anual • Taxa de retorno sobre investimento inicial • Investimento adicional ao investimento anterior • Acréscimo da receita líquida • Taxa de retorno incrementai PLANO I 100 22,3 14,1 8,2 8,2% PLANO II 130 34 17,7 16,3 12,5% PLANO III 152 40,2 18,3 21,9 22 5,6 25,4 PLANO IV 184 46,9 21 25,9 32 4 12,5 PLANO V 220 53,7 24,5 29,2 36 3,3 9,2 PLANO VI 260 58,2 27 31,2 76 5,3 7% a taxa de retorno incrementai 5,3/76 = 7%, donde se conclui que o melhor plano é o plano IV, uma vez que o investimento adicional de 76 poderá ser aplicado a 12% neste plano. Note-se aqui a importância de uma análise pormenorizada neste tipo de pro- blema, pois, ao analisá-lo simplesmente pela taxa de retorno sobre o investimento inicial, seria escolhida a alternativa 3, cuja taxa de 14,4% é a maior, como se pode verificar na Tabela 5.2. Tabela 5.2. Taxas de retorno das alternativas da nova fábrica. Taxa de retorno sobre o nvestimento total PLANO I 8,2% PLANO II 12,5% PLANO III 14,4% PLANO IV 14,1% PLANO V 13,3% PLANO VI 12% Verifica-se por esta análise que os planos V e VI poderiam ter sido aceitos,embora, como provado anteriormente, eles não maximizem o retorno sobre o in- vestimento total a ser aplicado. O grande erro ao analisar apenas as taxas de retorno das alternativas é que se está comparando as alternativas com seu investimento inicial pura e simplesmente, quando o problema real é otimizar o investimento da maior das alternativas, ou seja, 260 unidades monetárias. 5.3 COMPARAÇÃO DE ALTERNATIVAS MUTUAMENTE EXCLUSIVAS TECNICAMENTE, COM DISPONIBILIDADE DE CAPITAL, PORÉM SEM RETORNO Ressalte-se primeiramente que, caso as alternativas não sejam consideradas obrigatórias ou indispensáveis, elas nem deverão ser analisadas, uma vez que não possuem taxa de retorno. Caso sejam consideradas obrigatórias, o primeiro passo é classificá-las em ordem crescente de investimento inicial. Considera-se então a alternativa com menor investimento inicial como acei ta e a partir deste momento prossegue-se a análise como no caso anterior.84 Note-se que para haver receita adicional quando analisado o incrementai de duas alternativas a despesa anual daquela de maior investimento inicial deverá ser menor que a da alternativa que se está levando em consideração para compa- ração. Caso isto não aconteça, ou seja, ao aumentar o investimento inicial ocorra também aumento nas despesas anuais, verifica-se que só a alternativa de menor investimento inicial será válida, ou seja, a única aceitável. 5.4 ANALISE DE PROBLEMAS DE ALTERNATIVAS MÚLTIPLAS CONSIDERANDO-SE GRUPOS NÃO EXCLUSIVOS DE ALTERNATIVAS MUTUAMENTE EXCLUSIVAS TECNICAMENTE, COM LIMITAÇÃO DE CAPITAL Considere-se agora que haja um capital para o início do ano de 140 unida- des monetárias para compra ou substituição de ativos. Consultadas todas as áreas da empresa, verificou-se que existem seis grupos de alternativas possíveis para a aplicação deste capital. Dentro de cada grupo as alternativas são mutuamente exclusivas tecnicamente. Entretanto, cada um dos grupos de alternativas refere-se a investimentos em áreas diferentes e é passível de ser adotado isoladamente ou combinado des- de que o capital disponível não seja suplantado. Portanto, o problema é maximizar a taxa de retorno da empresa utilizando para isto as alternativas apresentadas. Note-se que cada grupo de alternativas de investimento se subdivide, neste exemplo, em três alternativas tecnicamente ex- clusivas. Considere-se, para que o enunciado do problema fique completo, que a taxa de retorno mínima aceitável para essa companhia é de 9% ao ano e que os dados das receitas e despesas anuais apresentados são sempre resultantes das di- ferenças entre as receitas e despesas envolvidas. As alternativas são, portanto: a) Investimento para lançamento de um novo produto na praça: Custo inicial Vida esperada Valor residual Economia atual 40 7 0 6 50 7 0 9 60 7 0 15 85 b) Investimento obrigatório para revisão da rede elétrica: Custo inicial Vida esperada Valor residual Despesa anual 20 7 0 10 40 7 0 7 50 7 0 4 20 7 7 3 30 7 7 9 50 7 7 11 30 7 0 4 40 7 0 5,5 50 7 0 8 30 7 5 10 40 7 5 8 60 7 5 4 20 7 0 6 30 7 0 7,5 50 7 0 10 Custo inicial Vida esperada Valor residual Economia anual f) Investimento indispensável para aumentar a produção (imposição da diretoria): Custo inicial Vida esperada Valor residual Despesa anual e) Investimento para modificação do layout da seção de acabamento: Custo inicial Vida esperada Valor residual Economia anual d) Investimento indispensável para a substituição de um torno: Custo inicial Vida esperada Valor residual Economia anual c) Investimento para modernizar a contabilidade: 86 Solução do problema: Primeira Etapa Ordenar as alternativas dentro de cada grupo, em ordem crescente de investi- mento inicial, e selecionar, em cada um dos seis grupos de alternativas apresenta- das, quais as que apresentam taxas de retorno maiores ou iguais à taxa de retorno mínima aceitável, tanto no investimento global como no incrementai e rejeitar as que não se enquadram. As alternativas que são aceitas em cada grupo serão tanto mais interessantes quanto maior o seu investimento inicial, a exemplo do que acontece nos casos de alternativas mutuamente exclusivas tecnicamente. Primeiro Passo: Grupo A Analisando A1, tem-se: Na tabela de juros procura-se qual a taxa a que equivale o coeficiente 6,66 para n = 7 fator Verifica-se, portanto, que para: Portanto, a taxa de retorno de A1 é aproximadamente 1% e, dessa forma, a alternativa A1 é rejeitada. Entretanto, através da tabela de fatores de juros verifica-se que: e que para as taxas de retorno superiores a 9% os coeficientes pre menores que 5,03. são sem- Dessa forma, concluímos que, quando as alternativas envolvem só R e P, podemos adotar a regra de unicamente analisar o valor do coeficiente Caso seja maior que o coeficiente-limite, a alternativa é rejeitada (taxa de retorno menor que 9%). Caso o coeficiente seja menor ou igual ao coeficiente-limite, a alternativa é aceita (taxa de retorno maior ou igual à mínima aceitável). 87 Dessa forma: Conclui-se, portanto, que das alternativas A só é aceitável a alternativa A3. Segundo passo: Grupo B Verifica-se que em vez de receita este grupo tem despesa anual; portanto, essas alternativas só deverão ser analisadas se forem obrigatórias ou indispensáveis. Como não se tem taxa de retorno por só apresentar despesas, aceita-se a alternativa de mais baixo custo inicial e se-usa como comparação para calcular as taxas de retorno incrementais das demais alternativas. Portanto, B1 é aceita. alternativa recusada alternativa aceita onde +3 significa uma receita aparente, ou seja, investem-se mais 20 unidades e têm-se como "economia" três unidades anuais. alternativa B2 rejeitada alternativa aceita Dessa forma, conclui-se que em princípio tanto a alternativa B1 como a B3 são aceitas, sendo B3 preferível a B1. Terceiro passo: Grupo C Note-se que estas alternativas apresentam também valor residual, o que im- plica não se poder utilizar o "macete" para descobrir se a alternativa é válida ou não. Neste caso, é necessário calcular as taxas de retorno, ou seja:88 ou: Para i = 9% tem-se: 20=15,09 + 3,85=18,94 Verifique-se, portanto, o que acontece com i = 8%: 20 = 3 x 5,2 + 7 x 0,58 20=15,6 x 4,06 =19,66 Assim, verifica-se que / = 8%, ou seja, a alternatica C1 não é válida; entre- 9%, ou seja, aceita-se a alternativa Analise-se agora C3. Como C2 foi aceita, a análise de C3 é feita a partir de C2 a fim de determi- nar a taxa de retorno incrementai. Note-se que o valor residual não foi considerado, pois ou seja, os valores residuais se anularão. 89 é rejeitado ca-se que a taxa de retorno é menor que i\; é necessário, então,aumentar os coe- ficientes, ou seja, procurar taxas com valores inferiores a i\. tanto, o raciocínio feito permite notar que tanto o fator crescem ou diminuem na mesma direção. Dessa forma, quando se cal- como verifi-culam os valores com i = i1, caso ocorra Dessa forma, analise-se C2 : Quarto passo: Grupo D Como a alternativa D é obrigatória, a alternativa D1 é aceita a priori como mal menor. Neste caso, não importa que a taxa de retorno de D\ seja menor que a taxa de retorno mínima aceitável. Dessa forma, uma vez aceita D1, tem-se de analisar D2 e D3 em relação a D1. é rejeitada também é aceita Quinto passo: Grupo E Verifica-se que este grupo não é obrigatório e só tem despesas, donde se conclui que não há nenhum interesse em adotar qualquer dessas alternativas. :.E1,E2 e E3 rejeitadas Sexto passo: Grupo F alternativa aceita alternativa rejeitada alternativa rejeitada Segunda Etapa O próximo passo é verificar quais são as alternativas aceitas separando-se em obrigatórias ou indispensáveis e não obrigatórias, e analisar as combinações possíveis, escolhendo uma de cada grupo. Se não houver limitação de capital, a solução ótima será a que incluir a melhor alternativa de cada grupo. Se o capital for limitado (no caso é 140), a solução ótima terá de ser descoberta como segue: 90 ObrigatóriasNão obrigatórias Ordenando as combinações possíveis, incluindo alternativas de todos os gru- pos, tem-se: cujo custo inicial = 20 + 30 + 20 + 60 + 30 = 160 cujo custo inicial = 20 + 50 + 20 + 60 + 30 = 180 cujo custo inicial = 50 + 30 + 20 + 60 + 30 = 190 cujo custo inicial = 50 + 50 + 20 + 60 + 30 = 210 Verifica-se, portanto, que todas as combinações consideradas são inviáveis financeiramente. Note-se que a última d e l a s s e r i a a solução ótima se não houvesse restrição de capital. Elimine-se, portanto, uma das alternativas não obrigatórias fazendo-se pos- teriormente as considerações possíveis: (rejeitada por ultrapassar o capital) (rejeitada por ultrapassar o capital) (rejeitada por ultrapassar o capital) (rejeitada por ultrapassar o capital) Como todas as alternativas que continham foram rejeitadas, devem-se analisar isoladamente. 91 Fica-se, portanto, com as seguintes composições de alternativas que passam a ser mutuamente exclusivas financeiramente. Note-se que a alternativa (2) é pior que a alternativa (3), uma vez que D3 é melhor que D1 .: a alternativa (2) é excluída. Analisando as alternativas (1) e (4) que têm o mesmo custo inicial, verifica- -se que o valor de economia anual e o valor residual da alternativa (4) são maiores do que os da (1); portanto, elimina-se a alternativa (1). Analisando as alternativas (3) e (5) que têm o mesmo custo inicial, verifica- -se quê o valor da economia anual e o valor residual da alternativa (3) são maiores que os respectivos valores da alternativa (5); portanto, conclui-se que a alternativa (5) é excluída. Dessa forma, sobraram apenas duas alternativas, ou seja, a (3) e a (4) para serem analisadas. Tomando-se a alternativa (3), de menor custo inicial como válida a priori, procura-se a taxa de retorno incrementai da alternativa (4) em relação a (3); portanto: Como 5 < 5,03, a melhor alternativa, ou seja, a alternativa que maximizaria a taxa de retorno para um capital disponível de 130 é a alternativa 4, ou seja, Dessa forma, os investimentos escolhidos para obter a maximização do retorno serão:92 Custo Inicial Economia Anual Valor Residual 130 100 120 130 120 - 10 + 4 + 6 + 15= 15 excluído por 3 - 10 + 8 + 6 + 9= 13 - 4 + 4 + 6 + 9 = 1 5 - 4 + 8 + 6 = 1 0 0 excluído por (4) 7 7 0 excluído por (3) — alternativa 2 - revisão da rede elétrica — alternativa 1 - substituição do torno — alternativa 1 - aumento de produção — alternativa 2 - modernização da contabilidade EXERCÍCIOS 1. Uma companhia tenciona mecanizar uma tarefa manual. A companhia deci- diu utilizar uma taxa de retorno mínima de 25% ao ano e, devido à grande duração dos equipamentos propostos, resolveu analisá-los supondo duração eterna. Foram apresentadas seis alternativas. Dizer qual deve ser escolhida e por quê. Se for necessário efetuar algum cálculo, faça-o. PROPOSTA A B C D E F INVEST. 1.000 4.000 8.000 9.000 12.000 20.000 ECONOMIA ANUAL 100 1.160 2.400 2.670 2.880 5.120 RETORNO 10,0% 29,0% 30,0% 29,6% 24,0% 25,6% INVEST. ADIC. 3.000 4.000 1.000 3.000 8.000 ECONOMIA ADIC. 1.060 1.240 270 210 2.240 RETORNOS/ ADIC. 35,3% 31,0% 27,0% 7,0% 28,0% 2. Uma companhia precisa instalar precipitadores de fuligem para se enquadrar na legislação antipoluição. Os precipitadores, todos de mesma capacidade e de igual vida, dez anos, têm valor residual zero e apresentam os seguintes custos: Precipitador Custo Inicial Despesas Anuais Se a Cia. exige uma taxa de retorno mínima de 10% ao ano, para este tipo de investimento qual dos precipitadores deverá ser comprado? Nota: Não existe a alternativa de não instalar um precipitador. O grupo Brasil S.A. está considerando o restabelecimento de sua fábrica no Oeste. Seis alternativas estão sendo consideradas pela administração. 3. 93 Alternativa I II III IV V VI Investimento inicial exigido $ 1.300.000 1.600.000 2.400.000 2.600.000 3.600.000 5.000.000 Redução anual das despesas comparadas com a locação existente $ 300.000 500.000 820.000 840.000 1.200.000 1.520.000 Supõe-se que a nova fábrica será utilizada durante cinqüenta anos. Inde- pendentemente de qual alternativa seja selecionada, espera-se que a fábrica tenha um valor residual líquido de aproximadamente zero ao final dos cin- qüenta anos. A taxa mínima atrativa de retorno usada pela corporação é de 25%. Qual das alternativas deverá ser escolhida? 4. A Cia. Asterisco está considerando a compra de um pequeno computador para seu departamento de pesquisas. Várias alternativas mutuamente exclu- sivas estão em estudo. As estimativas relativas a cada uma são: Compu- tador A B C D Custo inicial do computa- dor $ 280.000 340.000 380.000 440.000 Valor residual estimado 10ª vida $ 240.000 280.000 310.000 350.000 Economia anual líquida do novo computador vs. condições existentes $ 46.000 56.000 62.000 72.000 A Cia. pretende manter o computador durante dez anos, época em que será vendido. Se a taxa mínima atrativa de retorno é de 15%, qual deverá ser a alternativa escolhida? 5. A seção de orçamentos de uma firma de manufatura aprovou um gasto de $ 80.000 para o aperfeiçoamento de suas instalações industriais. O adminis- trador da fábrica recebeu propostas com programas de redução de custo vindos de quatro administradores de departamento. São elas: • Departamento A: quatro propostas mutuamente exclusivas para aperfei- çoamento do departamento de tesouraria:94 Proposta Investimento Inicial $ 10.000 15.000 25.000 30.000 Economia anual líquida nas despesas $ 2.000 5.000 7.800 9.500 • Departamento B: três propostas mutuamente exclusivas para aperfeiçoa- mento na montagem: Proposta Investimento Inicial $ 10.000 20.000 30.000 Economia anual líquida nas despesas $ 4.100 7.800 10.000 • Departamento C: três propostas mutuamente exclusivas para aperfeiçoa- mento na inspeção: Proposta Investimento Inicial $ 10.000 15.000 20.000 Economia anual líquida nas despesas S 4.000 5.000 7.500 • Departamento D: proposta para uma nova empilhadeira: Supõe-se que cada proposta terá um tempo de vida de cinco anos e valor residual zero. A seção de orçamentos requer que cada alternativa renda pelo menos 15% antes dos impostos. Determinar que alternativas devem ser reco- mendadas. 95 Proposta Investimento Inicial S 15.000 Economia anual líquida nas despesas $ 4.600 6. Um superintendente está estudando as seguintes propostas de investimento que foram recebidas dos departamentos (E) produção, (F) controle de qualidade e (G) expedição: As alternativas E1 e E2 são mutuamente exclusivas por razões técnicas; F1 e F2 são também mutuamente exclusivas. Cada uma das alternativas tem vida esperada de dez anos e valor residual zero. A firma adota uma taxa mínima atrativa de 10%. a) Que propostas devem ser recomendadas se o capital para o investimento for ilimitado? b) Que propostas devem ser recomendadas se apenas S 14.000 estiverem disponíveis para novos investimentos? 7. Selecionar, pela taxa de retorno, os investimentos que a Empresa X deve realizar, entre os abaixo relacionados, sabendo-se que: Capital disponível da empresa: 100 TRMA: 10% Investimento para Economia de Mão-de-obra na Expedição: Custo inicial Vida Valor residual Economia anual Investimento para substituir uma máquina indispensável na linha de produ- ção e que foi irremediavelmente danificada:96 Alternativas Investimento Inicial $ 2.000 4.000 4.000 8.000 4.000 Excesso anual de recebimentos sobre despesas $ 275 770 1.075 1.750 1.100 Custo inicial Vida Valor residual Custo de operação Investimento para melhoria de layout: Custo inicial Vida Valor residual Economia anual Investimento para melhoria de dispositivos: Custo inicial Vida Valor residual Economia anual 97 6 Substituição de Equipamento 6.1 INTRODUÇÃO Até agora a preocupação principal foi com comparações entre alternativas de investimento a realizar. Entretanto, constantemente os administradores se de- frontam com problemas nos quais deve ser tomada uma decisãoentre continuar a produzir com determinados equipamentos ou substituí-los por novos que se enquadram melhor técnica e economicamente. Esses tipos de problemas requerem estudos cuidadosos para se tomar a deci- são corretamente. As principais razões que levam à substituição de equipamento são: a) Existência de alternativas tecnicamente melhores. b) Obsolescência física: o equipamento está gasto e só produz à custa de grandes despesas de manutenção ou se nele se efetuar uma grande reforma. c) Inadequação: o atual equipamento tem uma capacidade insuficiente para novas condições de demanda ou não se presta mais para atender a essas condições devido a mudanças nas exigências do serviço pres- tado. d) Obsolescência funcional: no caso de a demanda sobre o produto do equipamento ter decrescido. e) Possibilidade de arrendamento ou aluguel ou de outros meios mais ba- ratos que a simples continuidade com os equipamentos. Ressalte-se que neste tipo de estudo se supõe sempre a existência de dois ativos com características opostas de idade e serviço etc. que competem entre si.98 O equipamento velho é normalmente denominado Defensor, enquanto o novo é chamado Desafiante. Caso exista mais de um desafiante, utilizando-se as técnicas de Engenharia Econômica aqui apreendidas reduzem-se as alternativas a uma única, ou seja, a melhor para se comparar com o defensor. Colocadas essas premissas, apresentam-se neste capítulo alguns problemas típicos para possibilitar a compreensão dos leitores. 6.2 PROBLEMA RELATIVO A COMPRA DE EQUIPAMENTO SIMILAR Exemplo: Deseja-se comprar um carro pequeno para utilizá-lo como táxi. A escolha está entre a compra de um Fusca, um Fiat ou um Chevette. Os dados estimados para uma vida útil de três anos são apresentados na ta- bela abaixo. São dados hipotéticos criados para exemplificar o método. Custo inicial Valor residual daqui a três anos Custo de manutenção anual Considerando-se que a taxa de retorno mínima aceitável é de 15% ao ano, qual deverá ser a escolha? Resolvendo-se pelo método do custo anual tem-se: FUSCA 99 FUSCA $ 630.000 325.000 200.000 FIAT $ 810.000 400.000 160.000 CHEVETTE $ 790.000 380.000 180.000 FIAT CHEVETTE Verifica-se, pois, que a melhor alternativa é a do Fusca, pois tem o menor custo anual. 6.3 PROBLEMA ONDE NÃO HAVERÁ REPOSIÇÃO DE EQUIPAMENTO Neste tipo específico de problema, o que realmente interessa é saber quando é mais econômico tirar o produto de linha. Exemplo: Considerem-se as seguintes estimativas de retorno, custos operacionais e valor residual para um equipamento que por ocasião da análise tem oito anos de uso e cuja vida restante prevista é de mais dois anos. A taxa de retorno mínima aceitável é de 10% ao ano.100 ANO 8 9 10 RETORNO ESPERADO 1.500.000 1.000.000 CUSTOS OPERACIONAIS ESPERADOS 1.000.000 800.000 VALOR RESIDUAL ESPERADO NO FIM DO ANO 200.000 100.000 Resolução: Para verificar qual das alternativas é melhor, utiliza-se o método do valor presente. Dessa forma, tem-se: Vender já VP = 200.000 Vender daqui a um ano Vender daqui a dois anos Donde se conclui que a melhor alternativa é vender o ativo daqui a dois anos. Na solução aqui adotada foi usado implicitamente o horizonte de planeja- mento infinito, considerando-se um fluxo de caixa nulo a partir da venda do ativo. Dessa forma, não foi violado o princípio de só se comparar alternativas com duração igual. 101 6.4 PROBLEMA EM QUE HAVERÁ REPOSIÇÃO COM EQUIPAMENTO IDÊNTICO Neste tipo de problema examina-se o caso de reposição de equipamentos em que os custos iniciais, rendas, despesas anuais de operação, vida física e valores de mercado por ocasião da venda são idênticos. Neste tipo de problema, se define normalmente qual deverá ser a política de renovação de um ou de uma série de equipamentos cuja reposição é considerada sempre como idêntica ou equivalente. Exemplo: Vai ser comprada uma frota de carros de marca e tipo previamente escolhi- dos. Conhecidos os custos, deseja-se determinar se a renovação da frota deve ocor- rer no 2º, 3º ou 4º ano. Sabe-se que a taxa de retorno mínima aceitável da companhia é de 10% ao ano. CUSTO INICIAL 0 $ 30.000 1 2 3 4 CUSTOS OPERACIONAIS 100 200 300 400 VALORES DE VENDA NO MERCADO 20.000 18.000 16.000 13.000 Graficamente, tem-se: Para dois anos 102 Para três anos Para quatro anos Uma vez que o retorno é idêntico, adota-se como critério de comparação o custo anual, lembrando, entretanto, que se está comparando as alternativas para uma vida de 12 anos (mínimo múltiplo comum de 2, 3 e 4), ou infinitos anos. Verifica-se também que os custos operacionais obedecem a uma série gra- diente. Deste modo: 103 Portanto, conclui-se que a melhor alternativa é renovar a frota de quatro em quatro anos. 6.5 SUBSTITUIÇÃO DE EQUIPAMENTO DEVIDO A MUDANÇAS NAS EXIGÊNCIAS DE SERVIÇO Exemplo: Há dez anos uma planta industrial instalou um processo que requeria o uso contínuo de 12 mil m3 de água por dia. Uma linha de encanamento com 70 cm de diâmetro foi instalada para transportar a água de um riacho próximo à planta; seu custo inicial foi de $ 12.000. Os custos de bombeamento têm sido de $ 690 por ano. A depreciação tem sido feita assumindo uma vida de 20 anos e valor re- sidual igual a zero. Agora, uma modificação está para ser feita nos métodos de produção que re- quererá uso do dobro da quantidade de água. Isto aumentará os custos de bombea- mento de maneira mais que proporcional ao aumento da quantidade da água. Para determinar se deverá ser feita alguma mudança na linha de encanamento, os en- genheiros da companhia estabeleceram quatro planos para comparação: Plano A Bombear a quantidade total de água através da linha atual. O custo anual de bombeamento será de $ 5.010. Nenhum investimento será exigido. Plano B Instalar uma linha adicional com encanamento de 70 cm a um custo de $ 15.000. Cada linha carregaria metade do total da água necessária e teria custos anuais de bombeamento de $ 690. Plano C Remover a linha atual;.seu valor atual estimado é de $ 4.000. Substituí-la por encanamento de 100 cm, com custo inicial de $ 24.000 e custos anuais de bombeamento de $ 970.104 Plano D Remover a linha atual, substituindo-a por encanamento de 120 cm, cujo custo inicial é de $ 30.000. O custo anual de bombeamento é estimado em $510. Para propósitos deste estudo econômico, a linha atual terá valor residual zero daqui a dez anos e os novos encanamentos terão também valor residual zero naquela época. A taxa de retorno é de 12% ao ano. Graficamente, tem-se: Plano A Plano B Plano C Plano D ou seja, para o plano A, tem-se somente um aumento de custo que tornará o custo anual = 5.010. Para o plano B serão mantidas as instalações atuais, ou seja, continua-se com $ 690 de custos, e instala-se uma nova linha igual ao investimento de $ 15.000 e mesmos custos de $ 690. 105 690 690 Portanto, chega-se à conclusão de que o plano mais econômico é o plano B. Note-se que a resolução deste problema foi feita através da análise das alter- nativas antes do IR, entretanto, como temos depreciação com vidas diferentes, a análise deveria ser feita após o IR, como veremos no item 6.6. 6.6 CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DA ANALISE DE INVESTIMENTO ANTES OU DEPOIS DO IMPOSTO DE RENDA Com exceção do problema apresentado no item 6.5, os problemas apresen- tados nos capítulos anteriores sempre diziam respeito à escolha de duas ou mais alternativas para compra de equipamentos ou, mais precisamente, eram problemas em que todas as alternativas a serem comparadas tinham implicações físicas seme- lhantes. Isto é, eram sempre ativadas contabilmente, estavam sendo negociadas no mesmo momento e tinham o mesmo comportamento relativo aos descontos reali- zados para efeito de redução de Imposto de Renda, inclusive a depreciação contá- bil. Nestas alternativas não era, portanto, importante efetuar a análise após o Imposto de Renda, visto que este teria produzido efeitos proporcionais em todas as alternativas. Dessa forma, convencionou-seque esses casos serão sempre anali- sados antes do Imposto de Renda. Entretanto, existem situações em que as alternativas não apresentam os mesmos critérios de dedução fiscal, assim como no caso das alternativas em que se compara um equipamento novo com outro já existente e, finalmente, em que os valores residuais contábeis e de mercado são significativamente diferentes. Em todos os casos, cujos exemplos são apresentados adiante, a comparação das alternativas de investimento deverá ser sempre analisada após o Imposto de Renda, isto é, levando-se em consideração toda a legislação fiscal do Imposto de Renda.106 No plano D também deve-se remover a linha velha, vendê-la e comprar uma nova; portanto: No plano C deve-se remover a linha velha, vendê-la e comprar uma nova. Ressalte-se que esta é a única ocasião em que se devem utilizar os dados contábeis além dos econômicos, pois, como é sabido, as regras do Imposto de Ren- da têm como base os dados contábeis. Para resolver problemas que envolvem pagamento de Imposto de Renda será usada neste livro a metodologia a seguir descrita. Em primeiro lugar será apresentado o f luxo de caixa da "equação gráfica econômica", constituído pelas entradas e saídas de caixa calculadas sem conside- rar os efeitos do Imposto de Renda. Em seguida será apresentado o f luxo de receitas e despesas contábeis, deno- minado "equação gráfica contábil antes do Imposto de Renda" ou, simples- mente, "equação gráfica contábi l " . Neste f luxo aparecem as despesas e receitas operacionais correspondentes às saídas e entradas de caixa econômicas, e apare- cem também valores puramente contábeis como lucros ou prejuízos na venda de ativos, despesas de depreciação e amortização, e não aparecem desembolsos ou re- cebimentos relativos a compra de ativos e amortização de empréstimos, entre outros. Este f luxo contém as bases de cálculo das alterações no Imposto de Renda a pagar decorrentes da escolha da alternativa respectiva. Os valores a pagar ou a economizar de Imposto de Renda podem ser incluí- dos neste f luxo ou apenas no f luxo f inal , descrito a seguir. O terceiro e úl t imo f luxo apresentado, que servirá de base para os cálculos de valor presente, custo anual ou taxa de retorno, é denominado "equação eco- nômica após o Imposto de Renda". Este f luxo de caixa é obt ido pela soma dos valores do primeiro f luxo "equa- ção gráfica econômica" com os valores de Imposto de Renda a pagar ou economi- zar calculados a partir do segundo f luxo, "equação gráfica contábil antes do Im- posto de Renda". 6.7 PROBLEMA DE SUBSTITUIÇÃO DE EQUIPAMENTO USADO, MAS COM VIDA ÚTIL REMANESCENTE POR UM EQUIPAMENTO DIFERENTE (RECONHECIMENTO DE ERROS DO PASSADO) Um ano atrás, o gerente de uma fábrica comprou uma máquina por $ 17.000. Na época da compra estimou-se que teria uma vida úti l de dez anos e um valor de revenda no f im do período de zero. Entretanto, o desempenho da má- quina não fo i o esperado. O custo de peças sobressalentes trocadas na máquina é de $ 175 por ano. Os custos operacionais e de manutenção são de $ 325 por ano. Seguros e outros custos indiretos perfazem $ 50 por ano. A impressão que se tem é que a 107 máquina continuará operando por outros dez anos se a atual política de manu- tenção for mantida. Estima-se que o valor de revenda daqui a dez anos será de $ 2 0 0 . Existe uma alternativa de vender a máquina atual por $ 7.500 e comprar uma nova por $ 15.000. Atribui-se um valor residual daqui a dez anos de $ 1.500. Estima-se, porém, que os custos de manutenção e operação serão de $ 300 e outros custos indiretos de $ 30 anuais. Sabendo-se que a taxa de retorno utiliza- da pela companhia é de 10% ao ano, qual deverá ser a alternativa escolhida? A alíquota marginal de Imposto de Renda é 35%. Neste problema, após um ano de utilização do equipamento, a alternativa é trocar de equipamento e ignorar o valor pago pela sua compra (considerado como uma perda já ocorrida) ou continuar com o equipamento em uso. Grafica mente, tem-se: Alternativa A: continuar onde 550 = 375 + 125 + 50 que são os custos para se manter o equipamento. Alternativa B: vender e comprar o novo equipamento Utilizando o método do custo anual, tem-se: 108 Portanto, conclui-se que, embora a performance do equipamento A não tenha sido a esperada, ainda é mais econômico continuar com ele do que comprar um novo. Nesta resolução, não se considerou o efeito do Imposto de Renda, o que, segundo apresentado no item anterior, não está certo, uma vez que as situações de depreciação fiscal em ambos os casos são diferentes. Dessa forma, a resolução correta deverá ser: Alternativa A: continuar Equação gráfica econômica: Equação gráfica contábil antes do Imposto de Renda: (1) Depreciação nos nove anos que restam. (2) Valor contábil igual a 0, pois no décimo primeiro ano o equipa- mento já fo i totalmente depreciado. Logo, lucro tributável de 200 na venda. 109 Equação gráfica econômica após o Imposto de Renda: (3) Dedução do Imposto de Renda relativa a despesas efetuadas anual- mente. (4) Dedução do Imposto de Renda relativa à depreciação anual. (5) Entrada líquida após o Imposto de Renda. Como o valor contábil é zero, o valor de venda é um lucro tributável. Dessa forma, o custo anual após o Imposto de Renda para a alternativa A será: Verifica-se que a taxa de retorno após o Imposto de Renda é de 6,5%, isto porque, se se imagina que para um capital de 100 havia um lucro de 10 antes do IR, após pagar 35% de IR, o lucro será de 6,5; conseqüentemente, a taxa de re- torno será dada por ou seja, 6,5%. 110 Alternativa B: vender o equipamento antigo e comprar um novo. Equação gráfica econômica: Equação contábil: Equação econômica após o Imposto de Renda: (1) Valor contábil de venda: 17.000-1.700 = 15.300. (2) Valor contábil 15.300, valor de mercado 7.500; portanto, prejuízo contábil (15.300 - 7.500). O prejuízo contábil é abatido no Im- posto de Renda, dando uma receita de: (15.300 — 7.500) x 0,35 = = 2.730. (3) Soma da depreciação e despesas operacionais que são abatidas no Imposto de Renda. 111 (4) Valor de mercado 1.500, valor contábil zero; portanto, lucro con- tábil 1.500, Imposto de Renda pago sobre 1.500. .'. a solução A é melhor que B. Note-se que nesses casos se está sempre supondo que a situação da empresa é lucrativa, de modo que todas as despesas operacionais e depreciações diminuem não só o lucro operacional, como também a quantia inicial que se pagaria de Im- posto de Renda, caso as alternativas apresentadas não fossem aceitas. 6.8 ANÁLISE DE QUANDO SE DEVE SUBSTITUIR UM EQUIPAMENTO EM UTILIZAÇÃO POR OUTRO MODELO TECNICAMENTE SUPERIOR Exemplo: Uma máquina com três anos de uso tem o seguinte histórico de custo: OPERAÇÃO E REPAROS PERDAS DEVIDO A PARADAS $ 600.000 800.000 1.000.000 $ 0 200.000 400.000 1 2 3 ANO O valor da compra foi de $ 5.000.000. Se a máquina continuar em serviço durante o 4P ano, estima-se que os custos de operação e reparos serão de $ ... 1.200.000 e as paradas de $ 600.000. No 5º ano, os custos serão de $ 1.400.000 e $ 800.000 respectivamente. A máquina tem um valor presente realizável de $ 3.000.000 e daqui a um ano seu valor cairá para $ 1.500.000 e daqui a dois anos para $ 1.000.000.112 Existe no mercado uma nova máquina, com tecnologia superior e cujo custo inicial é de $ 6.000.000. Acredita-se que a nova máquina eliminará com- pletamente as interrupções e seu custo operacional médio está estimado em $ 500.000. Considerando-se uma taxa de retorno mínima aceitável, após o Imposto de Renda de 12%, avalie o defensor com um ou dois anos a mais de serviço con- tra o desafiante. Pressuponha também que a vida do desafiante é de cinco anos e seu valor residual é de $ 1.600.000. A depreciação é feita em linha reta em cinco anos e a alíquota marginal de Imposto de Renda é de 35% e o horizonte de planejamento é infinito. Resolução: Para simplificar os cálculos dividem-se os valores monetários por 1.000. Comoo horizonte de planejamento é infinito, pode-se supor que o fluxo de caixa do desafiante se repetirá infinitas vezes exatamente igual. Como já foi visto, isso permite calcular o custo anual infinito do desafiante de forma simpli- ficada, calculando-se apenas para um ciclo de vida. Começa-se, pois, calculando o custo anual do desafiante, após o Imposto de Renda, independentemente da máquina defensora, custo esse que será chamado CAI. Primeiro Passo: Cálculo do CAI do desafiante. Equação gráfica econômica: 113 Equação gráfica contábil: Depreciação (1) (2) (3) Redução Valor econômico (1.600) - valor contábil (zero) = lucro tributável (1.600), gerando IR a pagar = 1.600 x 0,35 = 560. Equação econômica após o Imposto de Renda: Segundo Passo: Análise das alternativas usando CAI. Para este passo é importante notar que, se nas três alternativas possíveis (comprar o desafiante já, daqui a um ano ou daqui a dois anos) o fluxo de caixa114 do desafiante for substituído por um fluxo infinito de prestações anuais de valor CAI, a partir do terceiro ano, as três alternativas apresentarão o mesmo fluxo de caixa. Por essa razão, é possível resolver o problema considerando apenas o que ocorre nos dois primeiros anos, apenas usando CAI nos anos em que o desafian- te já existir. 1º Alternativa: comprar o desafiante já Equação gráfica econômica: Equação gráfica contábil: (1) Valor contábil é 2.000; se vendida por 3.000 gera lucro tributável de 1.000. (2) 350 é o IR a pagar decorrente de (1). Equação econômica após IR: 115 2a Alternativa: comprar o desafiante daqui a dois anos Equação gráfica econômica: Equação gráfica contábil: (1) Depreciação = 5.000 : 5. (2) Redução do IR a pagar = (1.200 + 600 + 1.000) x 0,35 = 980. (3) Lucro contábil na venda = valor de mercado (1.500) - valor contá- bil (1.000) = 500. (4) IR a pagar pelo lucro contábil = 500 x 0,35 = 175. 116 Equação econômica após IR: 3a Alternativa: comprar desafiante daqui a dois anos Equação gráfica econômica: Equação gráfica contábil: 117 (1) Depreciação anual = 5.000 : 5 = 1.000. (2) Lucro contábil na venda = valor de venda (1.000) - valor contábil (zero). (3) Redução no IR a pagar = (1.200 + 600+1.000) x 0,35 = 980 (4) Redução no IR a pagar = (1.900 + 800+ 1.000) x 0,35 = 1.120 (5) IR a pagar pelo lucro na venda = 1.000 x 0,35 = 350. Equação econômica após IR: Conclusão: os valores presentes das três alternativas são: o que permite concluir que a melhor é a de comprar o desafiante já. EXERCÍCIOS 1. Uma empresa opera uma frota de caminhões, que, se adquiridos novos, podem ser usados por períodos de 5,10 ou 15 anos. Caso sejam mantidos na empresa por 10 ou 15 anos, sofrem reformas grandes ao fim do 5º e, quan- do for o caso, ao fim do 109 ano. Não faz sentido usar os caminhões por mais de 15 anos. O custo de cada caminhão novo é de $ 120.000 e seu valor de revenda aos 5, 10 e 15 anos de idade é de, respectivamente, % 60.000,118 S 30.000 e $ 10.000. O custo das reformas aos cinco e dez anos é, respecti- vamente, $ 20.000 e $ 50.000. As despesas anuais de operação e manuten- ção normal (excluídas as reformas) são como segue: do 1º ao 5º a n o - 5.000 do 6º ao 10º ano - 10.000 do 11º ao 15º ano - 20.000 a) Considerando utilização permanente dos caminhões, comparar os custos anuais das alternativas de trocar os caminhões, a cada 5, 10 e 15 anos, utilizando uma taxa mínima de retorno de 20% ao ano. b) Considerando um caminhão com cinco anos de uso, decidir o que é me- lhor: continuar a usá-lo até os 10 anos, até os 15, ou trocar por um novo. 2. Uma fresadora com três anos de uso tem o seguinte histórico de custos: OPERAÇÃO $ 7.000 9.000 11.000 PERDAS DEVIDAS A INTERRUPÇÕES $ 0 2.000 4.000 ANO 1 2 3 Se a fresadora continuar em serviço durante o 49 ano, estima-se que os custos de operação serão de $ 13.000 e os de perdas por interrupções serão de $ 6.000. As estimativas correspondentes para o 59 ano de opera- ção seriam S 15.000 e $ 8.000. A máquina tem um valor de venda hoje de $ 15.000 que se reduzirá para $ 12.000 daqui a um ano e para $ 10.000 daqui a dois anos. Existe uma sugestão para substituir essa máquina por uma nova, com controle eletrônico, cujo custo é de $ 60.000. A nova máquina eliminará completamente as interrupções e seus respectivos custos e ainda reduzirá os custos de operação em $ 2.000 todo ano em comparação aos custos correspondentes da fresadora atual. Supor que a máquina nova seja renovada indefinidamente com o mesmo fluxo de caixa ao fim de cada ciclo de vida útil. Fazer uma comparação dos custos anuais usando uma taxa de retorno de 12%. Avaliar o custo anual do defensor com um e dois anos a mais de serviço e pressuponha uma vida de cinco anos para o desafiante, com um valor residual final de $ 10.000. 3. A Cia. Azul possui uma máquina que custou $ 26.000,00 há oito anos. Sua depreciação é linear por 10 anos. Seu custo operacional é de S 3.000,00 por ano. 119 Uma nova máquina está disponível a um custo de $ 11.000,00. Se adqui- rida, a nova máquina economizará anualmente $ 2.000. Se a nova má- quina for adquirida, a velha será vendida por $ 8.000,00. Se a velha conti- nuar em uso, terá uma vida econômica de mais cinco anos e terá valor re- sidual zero. Suponhamos que o valor residual estimado da nova máquina, seja de $ 1.000 ao final de cinco anos, que a taxa mínima atrativa de retorno, depois dos impostos, seja de 12 %, e que a taxa incrementai de Imposto de Renda seja de 30%. A máquina existente deve ser substituída pelo desafi- ante descrito? Por quê? Supor depreciação linear em cinco anos para o desa- fiante, e use prazo de análise de cinco anos. 4. O administrador da divisão Oeste da Cia. Marrom recebeu um pedido do su- perintendente da fábrica de Goiânia para um novo gerador para substituir o equipamento existente. O administrador encaminhou o pedido para a alta administração para aprovação. O gerador existente foi adquirido há cinco anos por $ 5.000. Foi depreciado pelo método linear por cinco anos, a um valor residual zero. Embora seu valor contábil presente seja zero, acredita-se que possa per- manecer em operação por outros oito anos antes que se desgaste totalmente. O gerador existente é um equipamento especializado, mas, felizmente, há, atualmente, um comprador que pretende pagar $ 600 pelo equipamento. Entretanto, provavelmente, esta seja a última chance para vendê-lo a qual- quer preço. O equipamento proposto custará $ 6.000 e tem vida útil esperada de dez anos. Se adquirido, será adotada a depreciação por linha reta em 10 anos. Espera-se que o valor real de mercado do equipamento, em certa data, seja o mesmo que seu valor contábil naquela data. Os custos operacionais para o equipamento proposto são de $ 1.800 por ano menos do que com o equipamento existente. A empresa planeja vender a fábrica e todo seu equipamento em oito anos. O preço de venda independerá da decisão atual concernente ao gerador. Supondo-se uma taxa de retorno de 10% após o IR, cuja taxa marginal é de 40%, deve o novo equipamento ser adquirido? Por quê? 5. Uma prensa furadeira automática, de alta velocidade, para fins especiais, que custa S 15.000, foi proposta para substituir três prensas manuais que estão em uso. A vida desta prensa automática foi estimada em cinco anos. As despesas com mão-de-obra, manutenção etc. são estimadas em $ 3.000 por ano. 120 As prensas manuais custaram $ 2.000 cada uma há 10 anos e foram pro- jetadas para uma vida úti l de 20 anos. Seus valores de mercado hoje são de $ 750 cada uma e há estimativa de que em cinco anos estejam valendo $250 cada uma. As despesas com mão-de-obra etc. estão em torno de $ 2.850 por máquina, por ano. Espera-se que o serviço exigido continue por apenas cinco anos mais e que o valor residual do desafiante seja de $ 5.000 ao final desse tempo. A taxa mínima atrativa de retorno para a Cia. antes dos impostos é de 12%. Embora a vida esperada de serviço, se adotar o desafiante, seja de apenas cinco anos, será necessáriodepreciá-lo por dez anos (com valor resi- dual zero). A depreciação linear tem sido usada para os defensores e desa- fiantes. Fazer uma análise do custo anual antes do IR para determinar se os defensores devem ser substituídos. 6. A Cris-AD Modas está considerando a substituição e/ou remodelamento de uma pequena estrutura comercial. Um novo prédio custará $ 60.000 e terá uma vida útil estimada de 20 anos. Espera-se que a estrutura existente, se reformada, tenha uma vida útil adicional de sete anos. Os custos para o remodelamento são estimados em S 18.000. A construção existente pode ser vendida, como está, por $ 8.000, mas, se reformada e mantida por mais sete anos, não terá valor de venda nessa época. O valor residual final de uma estrutura substituída, após 20 anos, é esti- mado em $ 1.000. Todos os outros custos não serão afetados pela decisão de reposição. Se 15% for a taxa mínima atrativa de retorno, antes dos impostos, deter- mine os custos anuais uniformes equivalentes para as duas alternativas. Con- siderar a utilização por tempo infinito do prédio. No caso de reforma, supor a construção de um prédio novo após sete anos. 7. O Hospital Clínico está considerando a compra de um novo equipamento de cozinha para substituir seu equipamento velho de três anos de idade. A vida física total do equipamento atual é de cinco anos. A história dos custos para os últimos três anos — e as estimativas para os dois anos seguintes — é a que segue: 121 1 600 100 2 800 300 3 1.000 500 4 1.200 700 1.100 5 1.400 900 900 1.400 OPERAÇÕES $ MANUTENÇÃO $ VALOR RESIDUAL NO FIM DO ANO $ O superintendente da cozinha sugeriu que esse equipamento seja substi- tuído por um novo modelo que custa $ 6.000. O fabricante afirma que esse novo equipamento não necessitará de manutenção e, além disso, reduzirá os custos de operação em $ 100 por ano em relação aos custos correspon- dentes com o equipamento antigo. Supondo-se uma vida física de cinco anos para o desafiante com o valor residual final de $ 1.000, fazer uma comparação antes dos impostos, dos custos anuais equivalentes, usando uma taxa mínima atrativa de retorno de 10% antes dos impostos. 122 7 Leasing 7.1 CONCEITO O leasing no Brasil é conhecido como arrendamento mercantil. Este termo exprime uma operação na qual uma empresa (arrendadora) arrenda um bem eco- nômico à outra empresa (arrendatária), mediante certas condições contratuais. FABRICANTE OU FORNECEDOR ARRENDADORA A R R E N D A T Á R I A (2)(D (1) A empresa arrendadora compra o bem do fabricante ou do forne- cedor com todas as características técnicas solicitadas pela arren- datária. (2) A empresa arrendadora entrega o bem à arrendatária e passa a rece- ber uma série de pagamentos periódicos estipulados no contrato de leasing. Ao término deste contrato, a arrendatária será obrigada a exercer a opção de compra, adquirindo portanto o bem por um valor residual f ixado em contrato. Atualmente, no Brasil, um número crescente de empresas, em vez de com- prar, está optando pela alternativa de arrendar os equipamentos de que necessitam tornando assim o leasing uma prática usual nos nossos meios econômicos, a exem- plo do que ocorre nos países mais adiantados. 123 7.2 VANTAGENS DO LEASING A aquisição através de compra de um equipamento nem sempre é viável para uma empresa; com isto uma solução hábil para acelerar seus projetos é o leasing, senão veja-se: a) Não há imobilização de capital próprio nem há necessidade de finan- ciamento para a compra do equipamento, liberando capital para a ma- nutenção de capital de giro e disponibilidade de crédito junto aos bancos. Dessa forma, elevam-se os índices de liquidez da empresa. b) Além de permitir a manutenção de altos níveis de produtividade com a renovação do equipamento em práticas previamente fixadas, as des- pesas ou custos gerados pelo valor do aluguel do bem arrendado são inteiramente dedutíveis do Imposto de Renda. c) Não sendo imobilizado, o valor do bem adquirido não aumenta o to- tal do ativo permanente da empresa, contribuindo para não diminuir a relação (patrimônio líquido-ativo permanente) cuja correção mone- tária é lançada como despesa para efeito de Imposto de Renda. No caso (PL — AP) < 0, esta correção passa a ser lançada como receita (lucro inflacionário) para efeito de Imposto de Renda, aumentando o imposto a pagar. 7.3 DESVANTAGENS DO LEASING A preocupação com uma regulamentação que especifique e ordene as ope- rações de leasing encontra-se na Lei nP 6.099/74 e na Resolução nP 351/75 do Conselho Monetário Nacional. A legislação em vigor não enfoca a possibilidade de rescisão de contrato por parte da arrendatária, o que agrava sobremaneira a operação, sendo feitos na maioria das vezes contratos irrevogáveis em todas as suas cláusulas. Esta pode ser uma desvantagem para uma empresa arrendatária, se não souber escolher o equi- pamento adequado ao estabelecer o tempo ótimo de duração de contrato. O leasing como alternativa de investimentos, no entanto, poderá ser sempre comparado a outros tipos de financiamento. 7.4 OPERAÇÃO DO LEASING As condições principais para se efetuar um leasing encontram-se na legisla- ção atual, que reza o seguinte:124 a) O bem econômico não pode ser fabricado pela própria arrendadora. b) O bem econômico deve ser destinado ao uso próprio da arrendatária, desde que atenda às especificações indicadas por ela. c) A arrendadora e a arrendatária devem ser pessoas jurídicas, com al- gumas exceções para pessoas físicas. d) As arrendadoras devem ser pessoas jurídicas qualificadas na forma de: 1. pessoas jurídicas que tenham como objeto social exclusivo a prá- tica de operações de arrendamento mercantil; 2. bancos de investimento; 3. bancos de desenvolvimento; 4. caixas econômicas; 5. entidades autorizadas pelo BNH, a saber: • sociedades de crédito imobil iário; • associações de poupança e empréstimo. e) Os objetos do arrendamento poderão ser somente bens móveis ou imó- veis classificados no ativo f i xo , exceto os bens de produção estrangeira enumerados pelo Conselho Monetário Nacional. f) Os contratos de leasing podem ter a duração de dois anos (veículos), três, quatro, cinco, dez anos, dependendo basicamente da vida út i l do equipamento e das condições da arrendatária. g) O leasing apresenta esquemas de pagamentos variáveis de acordo com o bem arrendado. Os pagamentos incidem ao f inal de cada período estabelecido em contrato, não podendo ultrapassar um semestre, guar- dados os reajustes normais de correção monetária, se estipulados. h) As taxas de arrendamento incidem sobre o custo de aquisição ou pre- ço de compra pela arrendadora e variam em função do prazo e do valor residual (valor preestabelecido contratualmente) estimado ao f i - nal do contrato. Muitas arrendadoras estipulam um valor residual do bem ajustado à depreciação do mesmo ao final do contrato. i) Ao final de um contrato de leasing, a arrendatária tem as seguintes alternativas: 1. renovação do contrato de leasing; 2. compra do equipamento - a arrendatária terá esta opção, pelo valor residual garantido; isto quer dizer que a arrendatária sempre garan- te um valor residual estabelecido em contrato; 3. devolução do bem arrendado — como a arrendatária, por força de contrato, garantiu um valor residual na devolução do bem, se a arrendadora promover a venda do bem em questão, deverá proce- der da seguinte forma: 125 • se o preço de venda efetivo for superior ao f ixado (VR), a dife- rença será para a arrendatária; • se o preço de venda efetivo for inferior ao f ixado (VR) , a arren- datária pagará a diferença, por contrato. Na maioria das vezes, a devolução do bem arrendado configura-se quando a arrendatária indica um terceiro interessado no equipa- mento do bem arrendado. Assim, o valor residual normalmente é prefixado para se ajustar ao valor de mercado do bem na época considerada. j) Existem basicamente três tipos diferentes de formas de pagamento utilizadas no leasing: 1.correção monetária utilizando-se índices de custo de vida ou custo de papéis no mercado (ex.: CDI) como referência; 2. correção cambial, utilizando-se a variação do dólar como refe- rência; 3. prestações constantes — neste caso, no cálculo do coeficiente já fo i predeterminada uma taxa de inflação de modo a permitir que o valor das prestações não se modif ique no tempo. As opções apresentadas no item / devem constar obrigatoriamente em con- trato, cabendo à arrendatária, ao final do mesmo, a escolha da alternativa mais vantajosa. No caso de não haver as opções em contrato, o leasing não se confi- gura, ocorrendo simples contratos de aluguel ou locação ou de compra e venda. Exemplo de alguns bens destinados a leasing: veículos, tornos, fresadeiras, prensas, geradores, caldeiras, computadores, embarcações, aviões, containers etc. 7.5 COMPRA X LEASING Exemplo: A Cia. Telefônica de Xiririca está estudando a compra ou leasing de uma fro- ta de dez carros. O valor de cada carro é de $ 2.000.000 a vista. O Banco Só Lucro propõe fazer um leasing deste equipamento em 36 meses, com valor residual simbólico, a um coeficiente de 4,35. O valor de mercado para venda dos carros após 36 meses será de $ 100.000. Qual será a alternativa escolhida, assumindo-se que a taxa de retorno após o IR é de 10% ao ano, e que o IR é de 35%?126 Resolução: 1. Horizonte de planejamento: 3 anos. 2. Despesas operacionais idênticas em ambas as alternativas; portanto, não rele- vantes. 3. Nestes tipos de problemas, dividimos a resolução em três partes: a) montagem gráfica da equação econômica antes do IR; b) montagem gráfica da equação contábil; c) montagem gráfica da equação econômica após o IR. • Alternativa compra Equação econômica antes do IR: Equação contábil. Depreciação em cinco anos: Nota-se que na equação contábil o período passa de mensal para anua Equação econômica após o IR: (1) 140.000 = 400.000 x 0,35 (2) Onde prejuízo contábil * $ 700.000, ou seja, deixamos de pagar 700.000 x 0,35 = 245.000 de IR, $ 245.000 + 100.000 = = 345.000. 127 4. Calculando a taxa mensal equivalente a 10% ao ano, temos • Alternativa leasing Equação econômica antes do IR: (1) 2.000.000 x 0,0435 = 87.000 Equação contábil: (1) 365.400 = 87.000 x 12 x 0,35. (2) 65.000 = 100.000 x 0,65. Equação econômica após o IR: .: A melhor opção é Compras a Vista. EXERCÍCIOS 1. Uma Cia. está estudando a viabilidade da troca de um equipamento produti- vo adquirido há cinco anos. Este equipamento, cuja vida útil foi estimada128 em dez anos, e que custou $ 220.000, tem um valor de mercado atual de $ 120.000. Sabe-se também que após dez anos seu valor de mercado é $ 20.000 e seu valor contábil é zero. Seus custos operacionais previstos para os próximos cinco anos são de $ 5.000 anuais. Como alternativa, a Cia. pode comprar um novo equipamento com a mes- ma produtividade, cujo valor de compra é de $ 300.000 e seus custos ope- racionais são de $ 3.000 por ano para os próximos dez anos. Sabe-se que o valor de mercado previsto para daqui a cinco anos é de $ 100.000 e após dez anos é zero. Como terceira alternativa, a Cia. pode efetuar uma operação de leasing com o mesmo equipamento, alugando-o para os próximos cinco anos com um custo de $ 65.000 por ano. Qual das alternativas é a mais vantajosa para nossa Cia., considerando que a depreciação é sempre linear, a taxa de Imposto de Renda é de 30% e a taxa mínima de retorno aceitável é de 12% ao ano (após o IR)? Considerar um período de análise de cinco anos. 2. A Cia. Tibúrcio mantém um contrato de leasing através do qual ela aluga da Cia. Lisa dez caminhões para fazer o transporte das mercadorias que produz. O aluguel de cada caminhão custa $ 5.000 por mês. Para utilização dos ca- minhões, a Cia. Tibúrcio contrata motoristas aos quais paga $ 650 por mês. Além disso, incorre em custos de S 400 por mês referentes a gastos com combustível e lubrificantes para cada caminhão. No próximo mês, a Cia. Tibúrcio necessitará de um total de vinte cami- nhões para o transporte de mercadorias, em face de recente expansão de seus negócios. Por isso, o executivo encarregado de transportes quer fazer uma análise dos custos para as seguintes alternativas: (1) alugar 20 cami- nhões nas condições de custo mencionadas; e (2) comprar 20 caminhões para atender às exigências atuais. A compra dos caminhões acarretará os seguintes custos: (1) preço total: $ 70.000 para cada caminhão (a Cia. Tibúrcio dará $ 30.000 de entrada e pagará os restantes $ 40.000 em 48 prestações mensais, a uma taxa de juros de 4% ao mês). O caminhão tem uma vida útil de quatro anos, ao fim da qual terá um valor residual de $ 20.000. As despesas mensais de operação são idênticas às acima mencionadas (salário $ 650 e combustível $ 400); acrescidas de S 300 de custos de reparos e ajustes. Além disso, será necessá- rio pagar pelo licenciamento anual dos caminhões, estimado em $ 1.300 por caminhão no início de cada ano. A Cia. Tibúrcio usa a taxa de juros de 5% ao mês para avaliar seus investi- mentos. Comparar ambas as alternativas com base no custo mensal (por pe- ríodo de 30 dias), considerando que a firma objetiva um serviço perpétuo. 129 8 Inflação 8.1 CONCEITO A inflação é um fenômeno encontrado em quase todas as economias mun- diais, embora suas conseqüências sejam mais sentidas em países em fase de desen- volvimento como o Brasil, em que a inflação já chegou a alcançar três dígitos. Es- te capítulo objetiva mostrar como as decisões sobre alternativas de investimento são influenciadas por este fenômeno. A inflação é caracterizada por alta persistente e generalizada dos preços de bens de consumo (duráveis e não duráveis), bens de capital (ou bens de produção), insumos (ou bens intermediários), mão-de-obra e recursos naturais. A inflação é usualmente reconhecida em três formas principais: de demanda, de custo e psicológica (ou inercial). 1. Inflação de demanda. Ocorre quando há excesso de demanda para bens e serviços em relação à oferta. 2. Inflação de custo. Ocorre quando há aumentos dos custos de produ- ção (por exemplo, salários), sem conseqüente aumento da produtivi- dade. 3. Inflação psicológica ou inercial. Devido principalmente à falta de cre- dibilidade do Governo, uma nova forma de inflação passou a ser consi- derada no caso brasileiro: a psicológica, ou inercial. Este t ipo de inflação surge do repasse antecipado aos preços da infla- ção prevista. Dessa forma, os empresários procuram precaver-se quan- to a futuras ações do Governo.130 Esta atitude de correção antecipada dif iculta mui to o sucesso de qual- quer plano de estabilização econômica. A ação dos empresários é facilitada pela completa falta de compara- bilidade de bens no mercado, agravada principalmente pela ausência por parte do consumidor de consciência que lhe permita reagir no que diz respeito a defender seus direitos básicos. Outros conceitos que muitas vezes encontramos em "economês" são: a) a deflação, que se constitui na diminuição da demanda global, que provoca formação de estoques e, conseqüentemente, queda de preços (sem diminuição de custos) e, finalmente, queda de produção e desem- prego; b) a desinfiação, que ocorre quando se tem uma queda gradativa da infla- ção; e c) a estagflação, que ocorre quando se dá o fenômeno da inflação com recessão econômica. 8.1.1 A inflação e a empresa Podem-se caracterizar pelo menos três situações bem definidas do comporta- mento da empresa diante da inflação. a) A empresa acompanha, com aumento de preços de venda, a desvalori- zação do dinheiro. b) A empresa não aumenta seus preços proporcionalmente aos aumentos de custo. c) A empresa aumenta seus preços mais que proporcionalmente à infla- ção de seus custos. No primeiro caso verifica-se que os modelos apresentados até aqui cont i- nuam válidos, uma vez que o poder aquisitivo da empresa não é afetado. 131 Já no segundo caso, o poder aquisitivo da empresa d iminui , afetando essen- cialmente a empresa. Nodecorrer deste capítulo esta é a situação em que se deve concentrar mais a atenção. No terceiro caso, o poder aquisitivo da empresa aumenta; o enfoque a ser adotado neste caso para avaliação de problemas de tomada de decisão é semelhan- te ao segundo caso. 8.2 MENSURAÇÃO DA INFLAÇÃO A mensuração da inflação é baseada em modelos matemáticos, que procu- ram medir, de forma periódica, os índices de aumento de preço dos bens e servi- ços que os compõem. Dessa forma, os índices dependem das premissas e restrições dos modelos a serem montados. Assim temos, por exemplo, modelos diferenciados que medem: índice do Custo de Vida, índice Geral de Preços (ambos da FGV), índice de Preços ao Consumidor Ampliado, índice de Preços ao Consumidor Restrito (ambos medidos pelo IBGE), índice de Custo de Vida (DIESE), e assim por diante. Como cada índice possui metodologia própria, a conseqüência é que cada um indica valores diferentes da inflação, que medem a inflação do setor específico da economia para a qual cada índice está voltado. Assim, índices que medem pre- ços de materiais não ferrosos têm valores diferentes dos índices de preço de cons- trução c iv i l ; índices de São Paulo têm valores diferentes dos índices de Fortaleza, e assim por diante. onde I2 e /1 são os índices do ano 2 e do ano 1. Por exemplo, se /2 = 140 e /1 = = 100, temos: Dessa forma, define-se: Taxa de inflação: 132 Diz-se, neste caso, que a taxa de inflação do ano 2 em relação ao 1 fo i de 40% no período. De outro lado. chama-se: Taxa de desvalorização: Note-se que a diferença entre as duas definições está na base de mensuração. No caso da inflação, a base é I1 (valor passado); no caso da desvalorização, l2 (valor presente). No exemplo anterior, tem-se: Diz-se, portanto, que a moeda perdeu 28,6% do seu poder aquisitivo. Verifica-se, portanto, que a inflação é medida a partir de índices. Esses índi- ces são modelos que procuram exprimir uma realidade vivida. Dessa forma, quando se analisa o cálculo da inflação pelo índice do custo de vida de São Paulo, é importante saber para que faixa da população este modelo fo i montado. Assim sendo, um índice montado para famílias de até cinco salários mínimos mensais dará resultados diferentes de um índice montado para famílias com renda mensal maior que 30 salários mínimos mensais. Verifica-se, portanto, que uma das tarefas fundamentais para se comparar investimentos é a da definição de modelos de inflação coerentes com as nossas necessidades. Assim, para analisar se é válida ou não uma operação de financia- mento em dólares, deve-se antes de mais nada saber qual é a taxa de inflação da empresa, e qual tem sido sua variação em relação aos índices oficiais e não oficiais usualmente utilizados (índices da FGV, FIPE, DIEESE e tc ) . No item 8.3 mostramos, através de exemplo prático, como podemos definir e calcular um índice de inflação particularizado, apropriado para avaliar os efeitos da inflação em uma empresa específica. 8.3 MODELO PARA DETERMINAÇÃO DA INFLAÇÃO INTERNA DA EMPRESA Vamos, agora, construir o nosso modelo para determinação da inflação in- terna da empresa. 133 8.3.1 Metodologia a) Devemos identificar, com base no passado, o comportamento dos custos da empresa, analisar como podemos classificá-los em categorias mais am- plas que permitam e/ou facil item suas projeções em relação ao futuro. Não devemos esquecer que o modelo tem duas finalidades distintas: • medir a inflação interna do passado; • projetar a inflação interna futura. Dessa forma, na montagem do modelo devemos tomar todos os cuidados não só para que seja viável a definição clara dos parâmetros, como para facilitar sua coleta e/ou projeção. b) Não devemos esquecer que o modelo pressupõe certa estrutura de custos da empresa, e o modelo só será válido sé a estrutura representar a empre- sa, e se suas alterações no decorrer do período não forem significativas. Por outro lado, para serem válidas, as comparações do modelo não po- dem ser alteradas, isto é, seus parâmetros devem ser constantes. Cada empresa deverá montar, portanto, seu modelo representativo, que, como veremos no exemplo a seguir, não precisará ser necessariamente sofisticado. Modelo da Cia. Farmacêutica Nacional — CFN Identificaram-se como parâmetros-base cinco componentes: • matérias-primas; • mão-de-obra; • combustível; • ICM (Imposto de Circulação de Mercadorias); e • outras despesas. 1. Matéria-prima. Este parâmetro poderia ser montado através da análise da curva ABC. Entretanto, pelo fato de a empresa em pauta possuir quatro produtos que representam em média 60% de seu faturamento, optamos por considerar como submodelo do custo inflacionário referente a matérias-primas o custo físico destes produtos. Dessa forma, teremos: 134 Produto A Produto B Produto C Produto D Custo físico momento 0 $ 6,28 1,42 2,27 17,62 Custo físico momento 1 $ 7,02 1,47 2,52 17,99 Inflação interna dos custos físicos 12,00% 3,63% 10,00% 2,10% Assim, considerando-se que o percentual relativo do faturamento médio des- te produto apurado foi: • Produto A = 10%, • Produto B = 16%, • Produto C = 50%, • Produto D = 24%, teremos que a inflação média relativa à matéria-prima será dada por: Inflação média = (10% x 12% + 16% x 3,63% + 3,63% + 50% x 10% + + 24% x 21%) : 100% = 7,24% Para efeito de projeção, deveremos comparar uma série mensal do passado e esta- belecer relação com os índices do Governo mais significativos para efeito de medi- ção de inflação. 2. Mão-de-obra. Para efeito deste subitem, é necessário definir o organograma fun- cional que.servirá como base do modelo. Mesmo que ele seja modificado ligeira- mente pelo dinamismo da empresa, o modelo deverá manter-se pelo menos pelo prazo em que os percentuais estabelecidos como base de cada parâmetro não tenham sofrido modificações substanciais. Dessa forma, se um dos cargos que constam no modelo estiver vago durante um período, o valor do salário a ser pago para este cargo deverá ser considerado. Por outro lado, um novo cargo não previsto no modelo não terá seus custos in- cluídos no mesmo. Temos no caso anterior uma economia de custos, não uma 135 diminuição da inflação de mão-de-obra interna. Da mesma forma, no segundo caso teremos um aumento de custo, porém não caracterizado por aumento in- flacionário. Para efeito do nosso exemplo de projeção, vamos considerar que o índice bási- co de mão-de-obra será alterado a cada três meses, com um índice trimestral médio de 17,42%, ou seja, prevemos um incremento do INPC de 5,5% ao mês. 3. ICM (Imposto de Circulação de Mercadorias). O ICM incide diretamente no valor das vendas realizadas. Dessa forma, sob o ponto de vista de modelo de in- flação, ele só é afetado quando do aumento de preço dos produtos vendidos. Assim, o percentual de inflação relativo ao item é exatamente igual ao percen- tual de aumento de preço médio ponderado (dentro das premissas estabelecidas pelo modelo). Portanto, quando da projeção da inflação futura, os índices de inflação deverão acompanhar as projeções de aumento do preço. 4. Combustível. Para efeito de projeção futura, o índice referente a combustível dependerá de dois fatores: preço médio do petróleo e variação do dólar. Note- se que aqui não estamos fazendo controle de quantidade, e sim medindo os índices de aumento de preço. Isto significa que quando não houver aumento de preço do combustível, embora por qualquer motivo a companhia gastou 10% a mais nesta rubrica, a inflação será zero. Porém, os custos relativos a esse item serão acrescidos em 10%. Portanto, o conceito de inflação e o de aumento de custo são conceitos diferentes. A inflação inf lui no aumento de custo, mas o aumento quantitativo de um item (o que leva a aumento de custos) não influi na inflação. 5. Outras despesas. Este índice deve ser associado à variação de algum índice de inflação específico escolhido para representá-lo. Talvez seja o item mais dif í-cil de ser medido, devido à disparidade das contas normalmente agrupadas dentro deste i tem. Na CFN, temos a seguinte ponderação na análise de custos: Matérias-primas 22,23% Mão-de-obra 35,33% ICM 12,95% Combustível 8,77% Outras despesas 20,72% Dessa forma, teremos: (22,2% x 8% + 35,33% x 5,5% + 12,95% x 4,47% + 20,7% x 3,14% + + 8,77% x 6%) : 100 = 5,47% ao mês, ou seja, aproximadamente 89% ao ano.136 Assumindo-se como projeção da inflação 5,47 % ao mês, ou seja, 89,00 %, conforme achamos acima, e projetando o aumento de preço em 69% ao ano, note-se que deveríamos ter ou um incremento de rentabilidade que deverá ser gerado com um aumento de vendas, ou uma diminuição de custos, de modo a anular o efeito da relação inflação/aumento de preço maior que 1. Note-se que a diminuição de custos deverá ser gerada, entre outros, por: 1. aumento de produção; 2. racionalização dos processos de produção; 3. corte de despesas supérfluas; 4. corte de pessoal supérfluo; 5. melhor negociação nas compras; 6. menor estoque, menor prazo de cobrança, melhor condição de compra, gerando melhoria no cash flow, e conseqüente diminuição dos emprésti- mos bancários ou aumento das aplicações financeiras. A polít ica de estoques deve ser estabelecida criteriosamente, tendo em vista, entre outros: a) disponibilidade de recursos; b) tendência da inflação interna de matéria-prima; c) negociação por quantidade; d) custo real do empréstimo bancário X inflação interna. De qualquer forma, a matéria-prima é o único índice que depende direta- mente da ação do administrador. Como é alterado diuturnamente, tem influência decisiva nos resultados do dia-a-dia da empresa. Numa economia instável como a brasileira, o acompanhamento periódico destes índices é, portanto, peça fundamental, não só para possibilitar tomada de decisões que venha a otimizar o lucro da empresa, como também porque per- mite, muitas vezes, a sua sobrevivência. 8.4 FÓRMULAS Como será visto a seguir, a fórmula da taxa de inflação média é essencial- mente a mesma utilizada para a taxa de juros compostos. 137 Se, por exemplo, um produto custa hoje $ 100 e a taxa de inflação é de 20% ao ano, deverá ser vendido a $ 120 no ano seguinte e no ano posterior a $ 144, e assim por diante, de modo a compensar a desvalorização sofrida pela moeda. Ora, isto leva a dizer que: ou seja, que o valor equivalente a P inf lacionado por uma taxa de inflação d após n períodos é igual a C. Note-se que o conceito de valores equivalentes relacionados a uma taxa de inflação nada mais significa que valores equivalentes em índices monetários dife- rentes, que, portanto, serão sempre iguais na mesma base monetária. Dessa forma, ao ser introduzido o conceito de inflação é fundamental que se saiba responder a duas perguntas: 1. Qual é o momento em que cada entrada ou saída fo i efetivada? 2. Qual é o índice monetário que esta entrada ou saída tem como re- ferência? Verifica-se, portanto, que os problemas até aqui apresentados, em que não se levava em consideração a inflação, nada mais eram que problemas cujos valores constantes no f luxo de caixa tinham todos a mesma base monetária (índice mo- netário único). É importante lembrar que, quando se aplica a fórmula não se está movimentando um pagamento no tempo, e sim transformando o valor P referido ao índice l0 em um valor equivalente referido a /n O momento da entrada ou saída de dinheiro é exatamente o mesmo neste caso. Entretanto, se se introduz no problema citado o efeito da taxa de juros após encontrar o valor de C na base monetária n, pode-se aplicar a fórmula de taxa de juros de maneira que se encontre o valor futuro M. Note-se que este valor futuro estará no momento n e terá como índice monetário de referência o índice do momento n (ln). Assim, Sabendo-se que e efetuando-se as substituições, tem-se: 138 Pode-se definir: e neste caso: onde e - taxa de retorno aparente. Moemonicamente, as relações apresentadas podem ser assim explicadas: Considera-se: valor numérico da entrada ou saída de caixa ano-base do índice monetário ano em que a entrada ou saída se realizou no f luxo de caixa partindo-se de uma entrada ou saída referente ao índice monetário de base 0 (zero) no ano zero, utiliza-se a taxa de juros i, para descobrir qual é o valor equi- valente a esta no índice monetário de base 0, no ano n. ou seja: ou seja: Partindo-se de uma entrada ou saída referente ao índice monetário zero, usa-se a inflação quando se deseja descobrir qual é o valor equivalente a esta entrada ou saída no índice monetário n, no ano zero. Ou seja, qual é o valor inflacionado de V (lo.o) referente ao índice monetário n, ou seja, V'ln0? Da mesma forma, partindo-se de uma entrada ou saída de caixa referente ao índi- ce monetário do ano zero, no ano zero será util izado e quando se quiser descobrir qual é o valor equivalente a esta entrada ou saída no índice monetário do ano n, no ano n (taxa de juros aparente), ou seja, achar um valor V'ln,n, ocorrendo em n, expresso em referência a In, equivalente a Vlo,0. A partir deste momento, acredita-se que nada melhor do que discutir pro- blemas típicos, para sedimentar os conceitos de inflação aqui apresentados. 8.5 PROBLEMA DE MUDANÇA DE BASE MONETÁRIA Em 1971, uma empresa comprou uma caldeira por $ 2 milhões (moeda atual). A caldeira deveria durar 20 anos e a cada cinco anos sofrer uma reforma 139 de $ 200.000 (moeda de hoje). A empresa verificou que na realidade vai pagar hoje (1981) $ 400.000 para reformar a caldeira, e previu gastar $ 3.037.500 daqui a cinco anos (moeda da época). O valor de mercado da caldeira em 81 é de $ 600.000 e sua depreciação fo i feita em linha reta para dez anos. O preço de aquisição da caldeira em 71 foi de $ 34.683. As despesas anuais de manuten- ção da caldeira são de $ 50.000 por ano (moeda de hoje). O valor residual da caldeira daqui a dez anos será de $ 5.766.500 (moeda da época). É possível comprar hoje uma nova caldeira por $ 2.500.000 e seu valor residual de mer- cado daqui a dez anos será de $ 15.000.000, em moeda da época. O custo de manutenção esperado será de $ 40.000 por ano (moeda de hoje). A nova caldeira também será depreciada em dez anos e não necessitará de nenhuma revisão duran- te seu tempo de uso. Supondo o Imposto de Renda em 35%, calcule com uma taxa de retorno real de 15% ao ano após o IR qual das alternativas se deve es- colher. Resolução O primeiro passo será determinar qual a taxa de inflação do problema. Considerando-se o preço de aquisição da caldeira em 71 e seu valor equi- valente no índice monetário de 8 1 , tem-se: 2.000.000 = 34.683(1 + d)10 :: d = 50% ao ano. Mostrando graficamente os f luxos de caixa, tem-se: • Alternativa 1 — conservar 140 • Alternativa 2 - vender e comprar nova Dessa forma, tira-se o efeito de inflação do problema. Remontando os flu- xos na mesma base monetária, tem-se: Alternativa 1 141 O terceiro passo deverá ser colocar todos os valores do fluxo numa única base monetária. A base escolhida será a do ano de 81. • Alternativa 2 Fazendo o fluxo contábil, tem-se: • Alternativa 1 Lembrando que a alternativa 1 está totalmente depreciada e que as despesas de reforma foram lançadas contabilmente como despesa, tem-se: como, neste caso particular, o fluxo contábil é igual ao econômico, tem-se: 142 multiplicando-se por 103, ter-se-á: • Alternativa 2 Fluxo contábil: CA1 = 106.870 .: é melhor continuar com a Alternativa 1 e fazer as reformas necessárias. 143 Fluxo econômico: 8.6 PROBLEMA QUE APRESENTA FLUXO DE CAIXA COM VALORES REAJUSTAVEIS E NÃO REAJUSTAVEIS COM A INFLAÇÃO Uma empresa deve escolher entre equipamento tipo A ou B. A capacidade total de produção necessária é de 5.000 unidades/ano. A taxa de juros de mer- cado é de 80% ao ano. A inflação para os próximos cinco anos é de 60% ao ano. O serviço será utilizado para os próximos cinco anos, após o que a firma encerrará suas atividades. Dados EQUIPAMENTOCusto inicial Despesa anual reajustável Despesa anual não reajustável Valor residual Capacidade de produção A $ 10.000 4.000 10.000 0 2.000/ano B $ 20.000 3.000 12.000 0 3.000/ano Considerando-se que o preço do produto é de $ 20 por unidade não reajus- tável nos próximos cinco anos, verificar qual dos equipamentos é viável. Se a em- presa tiver de comprar um dos dois, qual será o escolhido? Resolução Primeiramente, define-se o que se entende por despesas reajustáveis e não reajustáveis. Despesas reajustáveis são aquelas que a cada período são corrigidas pela cor- reção monetária. Estão, portanto, todas elas no índice monetário do momento 0. Despesas não reajustáveis são aquelas em que os valores apresentados em cada momento não sofrem qualquer tipo de correção. Um exemplo de despesas reajustáveis são as despesas de leasing que são cor- rigidas mensalmente com as OTN (Obrigações do Tesouro Nacional) ou as pres- tações de aluguel que são corrigidas anualmente pelas mesmas OTN. Um exemplo de despesa não reajustável são as prestações pagas para compra de um aparelho de televisão em dez pagamentos. A parcela a ser paga em cada mês tem o mesmo valor nominal; como existe, porém, inflação, seu valor em termos de poder aquisitivo é diferente.144 Como a análise a ser feita compreende dois equipamentos a serem compra- dos novos no mesmo momento, sua análise poderá ser feita antes do Imposto de Renda. • Alternativa A Precisa-se de três máquinas A a fim de atingir a capacidade de produção re- querida; portanto: 100 não reajustável 12 reajustável 30 não reajustável • Alternativa B Precisa-se de duas máquinas B a fim de atingir a produção requerida: 100 não reajustável 6 reajustável 24 não reajustável O primeiro passo será transformar as despesas não reajustáveis, ou seja, aque- las que estão representadas no índice monetário relativo à sua posição no tempo em despesas reajustáveis, a fim de que mais uma vez se possa eliminar o efeito de inflação no modelo apresentado. • Alternativa A Receita não reajustável = 100 Despesa não reajustável = 30 Conseqüente receita final não reajustável = 70 145 Sabendo que a taxa de mercado é igual à taxa de juros aparente e, faz-se esta série uniforme ao valor presente desinflacionado, ou seja: Determine-se agora a taxa de juros real / para que seja possível a compara- ção por custo anual real. Sabendo que tem-se: • Alternativa B Determinando, primeiramente, VP desinflacionado, tem-se: Dessa forma, ficam respondidas a primeira e a segunda perguntas, ou seja: 1. Neste preço, ambas as alternativas são viáveis. 2. A alternativa B é melhor que A 8.7 PROBLEMA DE LEASING x COMPRA NUM REGIME INFLACIONÁRIO A empresa Vadinho S.A. tem atualmente uma prensa que foi comprada há cinco anos por $ 1.000.000. Seu valor de mercado hoje é de $ 400.000. Seu valor146 de mercado daqui a cinco anos está estimado em $ 50.000. Sabe-se que a máquina foi depreciada pelo método de linha reta por um prazo de dez anos com valor re- sidual zero. Seu custo operacional anual é em média $ 400.000. Foi apresentada à empresa a opção de comprar uma máquina usada da em- presa Dona Flor, cujo preço de compra foi há dois anos de $ 1.800.000. O valor de oferta dessa máquina é de $ 1.600.000. Sabe-se que na outra empresa ela foi considerada com uma vida útil de oito anos. Entretanto, os técnicos da Vadinho S.A. avaliaram que sua vida comercial, uma vez comprada, só será de cinco anos sem nenhum valor de mercado após esse prazo. Seu custo operacional anual está estimado em $ 80.000. Existe também a alternativa de comprar nova máquina X por $ 2.000.000 com vida estimada de dez anos. Seus custos operacionais estão estimados em $ 20.000 por ano. Seu valor de mercado previsto para daqui a cinco anos será de $ 1.400.000 e após dez anos de $ 400.000. O Banco Só Lucros ofereceu-se para fazer leasing das novas máquinas relacio- nadas, oferecendo duas opções: a) Taxa fixa (prestações fixas, não reajustáveis) VALOR RESIDUAL 1,00 10% 20% COEFICIENTE 60 MESES 5,26 5,20 5,15 b) Taxa variável com correção monetária (prestações reajustáveis segun- do índice previsto no contrato) VALOR RESIDUAL 1,00 10% 20% COEFICIENTE 60 MESES 2,45 2,35 2,25 O valor expresso no valor residual é a quantia que deverá ser paga na compra do equipamento ao término do contrato. Analisar qual das alternativas é mais adequada à empresa, sabendo-se que a taxa de retorno mínima da empresa antes do Imposto de Renda é de 20% ao ano e o Imposto de Renda que incide na empresa é de 35% ao ano. A estimativa de inflação para os próximos cinco anos é de 50% ao ano. 147 Resolução O primeiro passo será montar o esquema gráfico de cada alternativa e achar qual o custo anual equivalente após o Imposto de Renda. Será utilizado horizonte de planejamento de cinco anos para homogeneizar as alternativas. • Alternativa 1 — continuar com o equipamento Todos os dados estão na base monetária do momento zero. Equação gráfica antes do Imposto de Renda: Equação contábil: Equação econômica após o Imposto de Renda: depreciação 148 • Alternativa 2 — comprar a máquina da empresa Dona Flor Equação gráfica econômica antes do Imposto de Renda: / = 1 3 % após o Imposto de Renda, uma vez que é igual a 20% antes do Imposto de Renda. (1) Valor de mercado com a venda da máquina atual. Equação gráfica contábil: (2) Prejuízo contábil pela venda da máquina usada após cinco anos = = 4 0 0 - 5 0 0 = 1 0 0 . (3) Depreciação em cinco anos. (4) 140 = (320 +80) x 0,35. 149 Equação gráfica econômica após o Imposto de Renda: 140 80 (5) 435 = 400 (valor econômico) + 100 (valor do prejuízo contábil) x x 0,35. • Alternativa 3 — comprar a nova máquina X Equação gráfica econômica antes do Imposto de Renda: Equação gráfica contábil: 150 Equação gráfica econômica após o Imposto de Renda: 77 20 (1) Prejuízo contábil na venda = 400 - 500 = 100. (2) Valor de mercado 1.400, valor contábil 1.000, lucro contábil 400, IR 140; portanto, valor econômico = 1.260. (3) 435 = 400+100 x 0,35. Logo, a alternativa 3, ou seja, comprar a máquina X é a melhor das alternati- vas de compra. Resta saber se alguma alternativa de leasing desta máquina será melhor. • Alternativa 4 — utilizar a opção do leasing para utilizar a máquina X O primeiro passo é verificar qual das taxas de leasing é mais interessante. Análise das taxas fixas Taxa fixa significa pagamentos não reajustáveis. O coeficiente apresentado nas tabelas de leasing normalmente equivale ao valor pago mensalmente por um capital de 100 cruzados. 151 .'. considerando-se e = 4,97 .'. isto significa que as taxas destas alternativas são praticamente iguais. 152 Com e = 4,97%, tem-se: .: neste caso, as três taxas são praticamente semelhantes. Sendo e = 4,97 ao mês eanual = 79% Como d=50% ao ano, i corresponderá a (1,79/1,50) - 1 = 1 , 1 9 - 1 =0,19, ou seja, 19% ao ano, que corresponde a i mensal de 1,46%. Análise da taxa variável com correção monetária Sendo correção monetária igual à inflação: •'. esta até agora é a melhor alternativa. utilizando-se i = 1,36, taxa mais baixa até aqui, tem-se 153 .: a taxa de TV2 é aproximadamente igual a 1,36; portanto, continua-se com a 1.a alternativa de taxa variável. Util izando i = 1,36 por mês, tem-se: .: a taxa de TV3 também é um pouco mais que TV1 Portanto, a alternativa de leasing a ser considerada na compra da máquina X é TV1. Leasing da máquina X Valor da prestação Equação econômica antes do Imposto de Renda: meses Equação contábil (anual) 608 x 49 x 0,35 12 = 20 =213 588 5 anos 154 Equação econômica após o Imposto de Renda: (mensais) anos (1) 910 = venda 1.400, valor contábil 0 , . : 1.400 x 0,65 = 910. (2) Valor deduzido no final de cada ano do Imposto de Renda = 49 x x 12 = 588 588 x 0,35 = 206, receita apresentada no final de cada ano. (3) 1,024 juro mensal equivalente a 13% ao ano. .: a melhor alternativa é fazer o leasing da máquina X. Deve-se notar que neste estudo não seconsidera a outra vantagem do leasing, que é não aumentar o ativo permanente e com isso diminuir a relação Patrimônio Líquido-Ativo Permanente, cuja correção, sendo positiva, é abati- da do Imposto de Renda. 8.8 PROBLEMA QUE CONSIDERA UMA TAXA DE JUROS SUBSIDIADOS Para analisar este caso específico aproveita-se a formulação do problema an- terior acrescentando a seguinte alternativa. A Companhia Farmacêutica, por sua vez, oferece um novo modelo de prensa XY que, embora custe mais caro, $ 2.500.000, é 80% financiada com subsídios em cinco anos a uma taxa de 10% ao ano em cinco pagamentos iguais e consecu- 155 tivos. Seus custos operacionais estão estimados em $ 15.000 por ano e seu valor de mercado previsto para cinco anos será de $ 1.000.000 e será de $ 400.000 após dez anos. Sua vida é estimada em dez anos. Resolução O primeiro passo será descobrir qual será a parte financiada e quanto custa- rá anualmente. Dessa forma, têm-se $ 2.500.000 x 0,8 = $ 2.000.000, parte a ser finan- ciada. O valor a ser pago anualmente será dado por: Ressalte-se que este valor é o que será pago anualmente não incorrendo em nenhum reajuste posterior. Isto significa que cada pagamento está na base mone- tária referente ao seu respectivo período de pagamento. Verifique-se primeiramente qual é o fluxo gráfico contábil referente a esta operação: Procure-se agora os juros anuais pagos, uma vez que são deduzidos do Im- posto de Renda. Se o financiamento é de $ 2.000.000 em cinco anos, há de recuperação de capital (note-se que este é o procedimento usualmente feito na contabilidade das empresas). .: juros = 527.590 - 400.000 = 127.590 por ano. Este valor, porém, está inflacionado. Desinflacionando-o, tem-se: 156 pois a taxa de retorno antes do IR é igual a 20% e a correção monetária é igual a inflação = 50% :.P= 151.047. Voltando ao fluxo da base monetária do momento zero, tem-se: Considerando-se que este é o valor dos juros desinflacionados, a receita aparente referente a ela será igual a 50.507 x 0,35 =17.677. Então, o fluxo gráfico contábil será representado assim: 180.250 17.677 15.000 500.000 (3) (1) (2) (1) Receita aparente referente a juros desinflacionados. (3) 180.250 = 0,35(15.000 + 500.000). (2) Depreciação = 500.000. Antes de passar para o fluxo econômico depois do Imposto de Renda, ainda é necessário desinflacionar os valores referentes ao pagamento das prestações. Dessa forma, tem-se: 157 Voltando à série uniforme desinflacionada, tem-se: Pode-se agora voltar ao f luxo de gráfico econômico após o Imposto de Ren- da, pois todos os valores estão na base monetária do momento zero. 180.250 17.677 208.849 15.000 650.000(1) 500.000 5 (1) 650.000 = 1.000.000 (x 65), pois o valor contábil no momento 5 é zero. Dessa forma, todo o valor de venda será considerado lucro con- tábil. Resolvendo o gráfico, tem-se: Dessa forma, verifica-se que a melhor alternativa seria comprar o equipa- mento com juros subsidiados. 8.9 PROBLEMA QUE CONSIDERA A INFLAÇÃO INTERNA DA EMPRESA DIFERENTE DA CORREÇÃO MONETÁRIA OU CAMBIAL Considere-se agora o problema da alternativa 1 do leasing taxa variável, em que a correção monetária será igual a 50% ao ano e a inflação interna 45% ao ano.158 O primeiro passo será a determinação de juros internos cobrados na opera- ção. No caso presente, verificou-se que i = 1,36 ao mês. O segundo passo será a determinação da taxa de correção mensal equivalen- te a 50% ao ano. Como a inflação interna é menor que a correção monetária, desinflaciona- -se esta série à taxa de inflação interna para se ter o real valor do custo deste leasing para a empresa. Assim, a série uniforme inflacionada equivalente ao coeficiente 2,45 é: ou seja, como o coeficiente de inflação interna é menor do que o do Governo, o custo real de operação no VP é igual a $ 2.045.237, em vez de $ 2.000.000. Voltando, pois, ao custo anual na base monetária do ano zero e aplicando a taxa de leasing, tem-se: Este é, portanto, o valor econômico equivalente à prestação a ser paga men- salmente devido à diferença entre a inflação e a correção monetária. Para efeito da determinação da receita aparente referente ao Imposto de Renda das despesas de leasing usa-se o mesmo valor encontrado da solução do item 8.6. Isto é devido a que para efeito de f luxo contábi l , o que vale é a corre- ção fornecida pelo Governo. 159 ou seja: taxa referente à inflação interna. taxa de inflação interna. 74%, ou seja: mensal Dessa forma, a equação final do leasing seria: 50 (mensais) Conseqüentemente, o custo anual equivalente a esta operação é de $ 165.000. Da mesma forma, se a correção monetária fosse menor que a inflação inter- na, isto significaria que o Governo está financiando parte da empresa. 8.9.1 Resumo — inflação considerando-se índices de correção dife- rentes da taxa de inflação interna Como foi dito anteriormente, um dos pontos fundamentais para a análise de um projeto numa economia inflacionária é a determinação da taxa interna de in- flação de uma empresa. Analise-se agora o caso de um investimento a ser feito, com uma correção maior ou menor que a taxa de inflação interna da empresa. O procedimento a ser adotado será sempre o seguinte: 1. Caso a correção já esteja incorporada ao fluxo de caixa, utiliza-se a taxa de retorno interna aparente da empresa para voltar ao valor pre- sente e posteriormente voltar a uma série uniforme utilizando a taxa de retorno interna (/'). 2. Caso a correção seja incorporada ao fluxo de caixa, parte-se do valor presente do investimento e acha-se a série uniforme equivalente à taxa de juros aparente referente à correção. Posteriormente, volta-se ao valor presente utilizando-se a taxa de juros aparente relativa à inflação interna da empresa.160 Nos dois casos, o que realmente se fez foi corrigir do valor real a ser pago o efeito da inflação para se trabalhar com um modelo em que todos os parâmetros sejam avaliados no índice Monetário Io (único). 8.10 PROBLEMA EM QUE A CORREÇÃO DE CUSTOS É MAIOR QUE A CORREÇÃO DAS RECEITAS Estudo sobre a viabilidade econômica para aquisição da máquina envasadora EVI6 para produção de hidrante Custo estimado do equipamento (colocado na fábrica Custo estimado da instalação Velocidade estimada de produção: 5.000 envelopes/ hora Máxima produção mensal estimada: 8 horas de traba- lho: 800.000 unidades por mês $ 2.200.000 $ 100.000 Mão-de-obra atual usada para 40.000 unidades Seleção e rotulagem Envasamento Embalagem Mão-de-obra prevista para 40.000 unidades - usando EVI6 Seleção + rotulagem + envasamento Embalagem TOTAL TOTAL 24 horas 21 horas 156 horas 201 horas 16 horas 30 horas 46 horas $ 24,20 $ 13,30 $ 37,50 Portanto, o número de horas economizadas para 40.000 unidades é Salários por hora Encargos sociais Custo por hora — TOTAL Economia de mão-de-obra para 40.000 unidades 161 $ 5.812,50 Estudo sobre o material de embalagem Atualmente Cartuchos + bulas + tubos plásticos Usando a máquina EVI6 Alumínio para 40.000 unidades x 2.25g/unidade Custo do alumínio: $ 550/kg x 90 kg Economia de material de embalagem por 40.000 uns. $ 67.250 = 90 kg = $ 49.500 = $ 17.750 Previsão de vendas/hidrante (unidade) 1981 1982 1983 1984 1985 3.200.000 3.500.000 3.800.000 4.180.000 4.450.000 Considerando-se cada 40.000 unidades equivalentes a uma partida, tem-se o seguinte número de partidas: 80 87,5 95 104,5 111,25 Economia anual de mão-de-obra 1981 1982 1983 1984 1985 $465.000 $509.000 $552.000 $607.000 $647.000 Economia anual de matéria-prima 1981 1982 1983 1984 1985 $1.420.000 $1.553.000 $1.686.000 $1.855.000 $1.975.000 Total da economia anual 1981 1982 1983 1984 1985 $ 1.885.000 $ 2.062.000 $ 2.238.000 $ 2.462.000 $ 2.622.000 Esses valores mostram as bases monetárias de junho de 1980. Considerando a diferença entre o aumento de preço dos insumos (matérias- -primas + salários) e o aumento de preço aprovado pelo Conselho Interministerial de Preços (CIP), em 20% ao ano, tem-se:1621981 1982 1983 1984 1985 $1.571.000 $1.432.000 $1.295.000 $1.187.000 $1.054.000 Esses valores foram encontrados deflacionando cada valor do total da econo- mia anual em 20% ao ano. Portanto: Cálculo — retorno de investimento Valor residual após cinco anos = zero Portanto, Isto significa que o investimento de $ 2.300.000 será totalmente pago por ele mesmo em cinco anos e ainda acrescenta ao capital investido 54% ao ano, des- contando inflação, mesmo considerando-se seu valor residual após cinco anos igual a zero e levando-se em conta uma diferença de 20% entre o aumento de custo e o aumento de preço do produto. 163 8.11 PROBLEMA EM QUE O PERÍODO EM QUE SE EFETUAM AS CORREÇÕES NÃO COINCIDE COM O PERÍODO DO FLUXO DE CAIXA Exemplo: A correção monetária das prestações de um apartamento é anual, porém os pagamentos são mensais. A prestação básica é de $ 10.000 por mês em cinco anos e a correção monetária média é estimada em 50% ao ano para os próximos cinco anos. Deseja-se saber qual é a série uniforme equivalente. Partindo da taxa de juros mínima aceitável, por exemplo 1% ao mês, e achando-se a inflação mensal d = 3,44% ao mês, tem-se: e = 4,47% .: P1 equivalente aos primeiros 12 meses será: ou seja, desinflacionando a série, tem-se que o valor equivalente desinflacionado é 8,12. Como o efeito da inflação ocorre depois de 12 meses e passa mais 12 meses sem correção, pode-se dizer que a série apresentada é equivalente a uma série de 8,12 por cinco anos, ou seja, o procedimento será sempre este: a. Acha-se a série uniforme desinflacionada equivalente à saída dos pri- meiros 12 meses trazendo-se a essa série uniforme para o valor presen- te utilizando-se a taxa de juros aparente. Posteriormente, utilizando a taxa de juros real, encontra-se a série uniforme equivalente desinfla- cionada. As outras séries que incorporam a correção têm o mesmo va- lor mensal da série uniforme equivalente. Este mesmo tipo de procedimento pode e deve ser adotado quando são analisados dois ou mais tipos de financiamento com período de correção dife- rente. Observação: Note-se que este raciocínio só é válido quando as receitas são corri- gidas mensalmente com a inflação.164 8.12 ANALISE DE MODELO COM TAXA DE INFLAÇÃO MÚLTIPLA Vamos elaborar um problema em que a taxa de inflação fornecida pelo Go- verno é de 1% ao mês, a taxa de inflação interna 1,2% a.m. e a taxa média de desvalorização cambial 1,1% a.m. A taxa interna mínima de retorno é de 1,5% ao mês. Observar que a receita está congelada pelos próximos 12 meses, as despesas trimestrais são corrigidas pela taxa de câmbio (pagamento de operação t ipo 63) e as despesas mensais pela inflação interna. Partindo-se de estimativa de receitas e despesas, deseja-se determinar a taxa de retorno real, considerando-se os seguintes dados: • investimento inicial — $ 5.000; • receita mensal - $ 1 . 0 1 0 ; • despesas mensais — $ 200; • despesas trimestrais — $ 600 + correção cambial; Método: determinação de séries equivalentes. a) receita: desinflacionando as receitas: Cálculo da receita equivalente desinflacionada: b) despesas trimestrais: b1) cálculo de correção cambial trimestral: b2) cálculo ao valor Dresente. considerando-se correção cambial = 0: 165 b3) cálculo da série equivalente inflacionada com a correção cambial: b4) cálculo do valor presente desinflacionado: b5) cálculo da série uniforme equivalente desinflacionada. c) cálculo da taxa de retorno real da operação: Considerando-se um investimento inicial de Cz$ 5.000, teremos: 937,6 200 196 541,6 .'. a taxa de retorno real deste investimento é de 4,28% ao mês. EXERCÍCIOS 1. A que prestação mensal pode ser vendida certa máquina em dez pagamentos iguais, sendo o primeiro no ato da venda, sabendo-se que a taxa de inflação é de 26% a.a., e a taxa de juros real desejada é de 12% a.a.? O preço deseja- do a vista é $ 100.166 2. Empatou-se em 1953 $ 1.200.000,00 na construção de uma fábrica. Foram gastos, em 54, mais $ 1.200.000,00 em benefíciamentos diversos. Nos três anos seguintes,os investimentos superaram as receitas em $ 300.000,00. Entre 58 e 61, a fábrica proporcionou um retorno positivo anual de $ 800.000,00. Por quanto deve-se vender a fábrica, ao final de 61, para que se obtenha um retorno real anual de 8% sobre os investimentos, sabendo-se que a inflação durante este período foi de 15% ao ano? (Considere os valores como pagos ou recebi- dos ao final de cada ano.) 3. Oferece-se ao proprietário de um terreno, cujo valor, hoje, é $ 25.000.000, a troca por um apartamento de valor $ 100.000.000 em termos de moeda futura; ficará pronto, porém somente dentro de três anos. O proprietário estima que a inflação monetária que vigorará durante esse tempo será de 50% a.a. Qual é a taxa de retorno do negócio a ele proposto? 4. Um equipamento pode ser pago com um dos seguintes planos: Plano A: $ 63.000 menos 10% do desconto, a vista. Total: $ 56.700. Plano B: $ 6.300 em dez pagamentos iguais. Total: $ 63.000. Plano C: $ 3.000 de entrada, mais 15 pagamentos de $ 4.900. Total: $ 76.500. Plano D: $ 3.000 de entrada, mais 20 pagamentos de $ 4.225. Total: $ 87.500. Qual é o melhor para um comprador que aplica seu dinheiro a 2% ao mês? 5. A Caixa Econômica empresta 80% para a compra de um imóvel, até o teto de $ 3.500.000. O empréstimo deverá ser reembolsado mensalmente em 15 anos, com juros de 1% a.m. As taxas de inscrição, $ 9.000, de avaliação, $ 7.500, e de expediente, $ 70.000, são pagas pelo beneficiado. Se a infla- ção for de 50% a.a., para um empréstimo de $ 1.000.000, qual será a taxa de juros real cobrada do mutuário? 6. Um cofre pode ser comprado por $ 48.000 a vista ou por $ 20.000 de en- trada, mais cinco prestações mensais consecutivas de $ 8.000. Se a inflação for de 5% a.m., que condições de compra são preferíveis? Supor que o com- prador aplica seu dinheiro à taxa aparente de 10% a.m. 7. Um ano atrás, o gerente de uma fábrica comprou uma máquina por $ 17.000. Na época da compra, estimou-se que teria uma vida útil de dez anos e um valor de revenda no fim do período de zero. Entretanto, o desempenho da máquina não foi o esperado. O custo operacional do primeiro ano foi de $ 500 e, se se fizer uma reforma daqui a cinco anos ao custo de $ 20.000 (moeda da época), a máquina continuará operando por mais cinco anos. Estima-se o valor de re- venda daqui a dez anos em $ 5.187. 167 Existe a alternativa de vender a máquina atual por $ 7.500 e comprar uma no- va por $ 15.000. Atribui-se um valor residual daqui a dez anos de $ 4.000. Estimam-se os custos operacionais em $ 550. Sabendo-se que a inflação esti- mada é de 10% ao ano, a taxa de retorno interna da companhia de 12% ao ano e a alíquota de IR igual a 35%, qual deverá ser a alternativa escolhida? 8. Uma companhia está estudando a compra de novo equipamento para lança- mento de novo produto. As estimativas feitas são as seguintes: a) horizonte de planejamento — 5 anos; b) valor unitário de venda - $ 10,00 por unidade; c) correção semestral de preço — 80% da inflação do período; d) despesas operacionais reajustáveis — $ 5,00 por unidade; e) despesas operacionais não reajustáveis - $ 3,00 por unidade; f) estimativa de venda — 100.000 unidades por semestre; g) correção monetária semestral — 10%; h) taxa de retorno interna — 5% por semestre; i) preço de compra do equipamento - $ 2.000.000. Deseja-se saber: 1. A compra do equipamento é viável nestas condições? 2. Qual o preço a ser estipulado para o equipamento atingir o break even pointl 3. Qual a quantidade mínima a ser vendida para atingir o break even pointl PROBLEMA 1 Uma empresa necessita, por razões de sobrevivência, instalar um computa- dor novo, e dispõe de várias alternativas para adquiri-lo ou alugá-lo, como se ex- plica a seguir: a) O fornecedor ICM (International Computing Machines) propõe a uti- lização de um aparelho ICM/360, de 3º geração, que pode ser ad- quirido: a.l. a vista por $ 1.000.000; a.2. financiado pelo BNDE em 20 anos,em pagamentos trimestrais iguais à taxa de 36% ao ano, já incluída a correção monetária; a.3. este aparelho poderá também ser alugado por 20 anos, com pa- gamento de um aluguel trimestral de $ 60.000, reajustável de acordo com a inflação que ocorrer, medida pelo índice Geral de Preços da FGV.168 Em qualquer das hipóteses, o aparelho ICM/360 causará despesas de operação e manutenção de $ 36.000 trimestrais, que serão reajusta- das de acordo com a inflação. No caso de se optar pelo financiamento BNDE, o Banco repassador cobrará no ato da concessão uma taxa de abertura de crédito corres- pondente a 15% do valor emprestado. O valor residual desse equipamento, com 20 anos de uso, pode ser estimado em $ 100.000, a preço de hoje. b) O fornecedor Bullouglis, concorrente do anterior, propõe a utilização de um computador B-3500, com capacidade semelhante ao ICM/360, nas seguintes condições: b.l. a vista por $ 1.200.000 - financiados por um Banco de inves- timento à taxa real de 10% ao ano, pagável em 20 anos em pres- tações trimestrais corrigidas segundo a inflação que ocorrer (va- lor real constante); b.2. arrendado por 15 anos, com pagamento trimestral de $ 100.000 não reajustável, qualquer que seja a inflação no período. Após 15 anos o equipamento poderá ser adquirido por $ 200.000 a preço de época. Em qualquer das hipóteses as despesas de manutenção e operação serão de $ 25.000 trimestrais, reajustáveis segundo a inflação. O valor de mercado para um B-3500 com 20 anos de idade, daqui a 20 anos, é estimado em S 450.000 a preço da época. c) Uma terceira fornecedora, a CDC (Custom Data Corporation) propõe o computador CDC-5000, com capacidade três vezes superior aos ou- tros dois, por ser de 4ª geração, que pode ser adquirido: c.l. a vista por $ 1.800.000 (sem financiamento); c.2. alugado por $ 100.000 por trimestre, reajustáveis segundo a in- flação. O CDC-5000, com 20 anos de uso, tem um valor de mercado, a preço de hoje, de $ 250.000. Suas despesas de operação e manutenção no volume de operações necessário à empresa serão de $ 15.000 por trimestre, reajustáveis se- gundo a inflação que ocorrer. Resolva o problema, considerando que a empresa dispõe de apenas $ 1.000.000 para investimento fixo (capital próprio) e que os três computadores prestarão, nos próximos 20 anos, o mesmo serviço, con- 169 siderando ainda uma inflação provável de 30% ao ano para os próxi- mos 20 anos, e lembrando que a empresa exige uma taxa mínima de retorno real antes do Imposto de Renda de 5% ao ano de seus investi- mentos em equipamentos de uso geral. A taxa de Imposto de Renda é de 30% ao ano. NOTAS: 1. Faça todas as suposições que achar necessárias. 2. Justifique as passagens feitas. PROBLEMA 2 Um laboratório deve escolher um entre dois equipamentos alternativos, de modo a atender a sua demanda atual de 100.000 doses de vacina por ano. O modelo francês possui uma capacidade produtiva de 100.000 doses anuais e custa hoje $ 1.000.000,00. No prazo de 10 anos, seu valor residual de mercado será de $ 200.000,00 e o valor contábil será zero. As despesas anuais não reajustáveis são de S 100.000,00. O modelo americano possui uma capacidade produtiva de 120.000 doses anuais e tem um preço hoje de $ 1.200.000,00. No prazo de 10 anos, o valor residual de mercado será de $ 400.000,00 e o valor contábil tambe'm será zero. As despesas anuais não reajustáveis são de S 80.000,00. Sabe-se que o preço da dose de vacina é de $2,00 e é reajustado anualmen- te à taxa de inflação anual de 10%. sendo a taxa mínima de retorno anual após o imposto de renda exigida pela empresa 7,8% e a alíquota do imposto 35%: 1. Qual das duas máquinas deve ser escolhida? 2. Qual o break-even-point das duas alternativas? 3. Qual o preço mínimo que viabiliza a melhor alternativa? PROBLEMA 3 A Gravadora de Discos Som Preso pretende montar um Estúdio de Som em local já existente. Atualmente, para suas gravações, a empresa está alugando estúdios de ter- ceiros, gastando aproximadamente $ 1.000.000 por mês. Estima-se que, operando170 o seu próprio estúdio full-time, o custo operacional, incluindo mão-de-obra, maté- ria-prima, manutenção etc, será de $ 500.000. Além das horas a serem utilizadas pela companhia atualmente, ter-se-ia con- dições de alugar mais 100 horas a terceiros. O valor-base de mercado por hora de estúdio é de $ 2.000. O custo de construção está orçado em $ 5.000.000 de cruzeiros fínanciáveis por operação de capital de giro a 10% ao ano mais correção monetária semestral. Existe a possibilidade de o financiamento ser de 2 a 5 anos, sendo suas prestações semestrais. O custo do equipamento já instalado será de: Equipamento A - $ 20.000.000 financiados em cinco anos a uma taxa de 7% ao ano mais correção cambial semestral. Equipamento B - $ 15.000.000 financiados por uma operação de 63 em dois anos à taxa de 13% ao ano mais correção cambial semestral. Sabe-se também que o custo do dinheiro para a companhia em operações de desconto de duplicata de 30 a 180 dias é de 4% ao mês. A companhia atualmente tem problemas de fluxo de caixa, sendo que os in- vestimentos projetados só serão viáveis se autofinanciáveis nos respectivos prazos de financiamento. Note-se que é prática comum atualmente elevar o aluguel da hora de estúdio a cada seis meses de modo a compensar a inflação. 1. Com base nas informações prestadas acima, qual deverá ser a política adotada pela Gravadora? 2. Qual das alternativas é a mais econômica para a empresa? Faça todas as suposições que julgar necessárias, justificando-as. Apresente todas as restrições julgadas compatíveis e necessárias para a resolução do problema. Inflação = 56% ao ano. Correção Cambial = 44% ao ano. Correção Monetária = 32% ao ano. 171 9 Financiamentos Bancários 9.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS A análise de financiamentos bancários pode visar dois objetivos diferentes. O primeiro consiste na determinação da taxa de juros compostos real a ser paga pelo tomador do empréstimo, em oposição à taxa nominal declarada.pela institui- ção financeira. A diferença entre as duas decorre da existência de inflação e das condições específicas do empréstimo como reciprocidade exigida, data, prazo e forma de cálculo dos pagamentos a serem efetuados para a liquidação do emprés- t imo. O conhecimento das taxas reais é fundamental para a negociação com as instituições financeiras e para uma avaliação do grau de alavancagem positiva ou negativa que o financiamento criará para a empresa. O segundo objetivo, não menos importante, visa comparar as diversas alter- nativas existentes para atender às necessidades de financiamento da empresa em determinado instante. A forma de atender ao primeiro objetivo, determinar a taxa de juros real, consiste em projetar o f luxo de caixa da operação em estudo e calcular a taxa de retorno interna em valor real, isto é, descontada a inflação. A forma de atender ao segundo objetivo, ou seja, a comparação de alterna- tivas de financiamento, consiste em projetar os fluxos de caixa das várias alterna- tivas e compará-los dentro de um mesmo prazo de análise, util izando a mesma taxa mínima de retorno como em qualquer problema de Engenharia Econômica. É importante lembrar que no caso brasileiro, historicamente a taxa de juros bancários da grande maioria das operações tem sido maior do que a taxa de retor- no dos empreendimentos comerciais e industriais; além disso, todas as operações bancárias têm fluxos de caixa semelhantes, e a comparação de alternativas de financiamento pode ser feita apenas pela comparação das taxas de ju ros reais.172 Entretanto, em outros países, como, por exemplo, nos USA, a taxa de juros real pode ser bem menor que a taxa de retorno sobre os investimentos empresaria- is, é necessário comprar os f luxos de caixa usando a taxa de retorno empresarial como taxa mínima de retorno, conforme foi explicado. 9.2 DETERMINAÇÃO DA TAXA DE JUROS REAL EM ALGUMAS OPERAÇÕES BANCÁRIAS TÍPICAS 9.2.1 Desconto de duplicatas simples Vamos imaginaruma operação de desconto de duplicatas no valor de 100,00 com prazo de 45 dias, e taxa nominal de juros de 3% a.m., IOF incluído. Vamos supor uma inflação de 1,5% a.m. Nesta operação, os juros J são descontados no ato da concessão do emprés- t imo (juros antecipados) e são calculados da seguinte forma: O f luxo de caixa da operação fica, pois: A taxa de juros diários aparente pode ser calculada com calculadora f inan- ceira como segue: apertando a tecla / obtém-se o valor e = 0,10% a.d., pois todos os pagamentos estão em valor nominal. Convertendo a taxa para taxa aparente mensal: apertando a tecla FV obtém-se FV = 103,12 173 Daqui se deduz: Ora, como d = 1,5% a.m., obtém-se que: ou seja, 9.2.2 Desconto de duplicatas com reciprocidade Vamos imaginar o mesmo problema anterior, mas acrescido da exigência de reciprocidade de 20%. Isto significa que, além da cobrança antecipada de juros de 3,0% a.m. (IOF incluso), serão retidos 20% do valor descontado, que, natural- mente, serão devolvidos no vencimento da duplicata. Assim, para uma duplicata de 100,00 vencendo em 45 dias, o tomador rece- berá na data zero o valor 100,00 subtraído dos juros J e da reciprocidade R, cal- culados como segue: No vencimento da duplicata o banco cobrará 100,00 do sacado e devolverá 20,00 ao tomador. O fluxo de caixa ficará, pois: 174 Carregando na calculadora os valores nominais: apertando / obtém-se ed = 0,13% a.d. apertando FV obtém-se FV = 103,94 Carregando PV = i = n Calculando em = = 3,94%a.m. Calcula-se im como abaixo: Comparando com o anterior (9.2.1) vemos que a reciprocidade provocou aumento na taxa real de 1,6% para 2,4% a.m., ou de 20,8% para 32,9% quando a comparação passa a ser anual. 9.2.3 Desconto de duplicatas com reciprocidade e retenção Vamos imaginar a mesma operação de desconto de duplicatas de valor 100,00 a vencerem em 45 dias, com taxa nominal de 3% a.m., IOF incluso, com 20% de reciprocidade, acrescida de uma retenção inicial de 3 dias. A inflação con- tinua sendo 1,5% a.m. O fluxo de caixa passa a ser o seguinte: 175 Ou seja, o f luxo de caixa é o mesmo do exemplo do item 9.2.2, apenas a data do recebimento inicial passou de 0 a 3. Assim, o prazo n a ser util izado para o cálculo das taxas passou a n = 45 — 3 = 42 dias. Carregando na calculadora: PV = -75,50; FV = 80,00; n = 42 e, em seguida, apertando /, obtém- se o valor ed = 0,14% a.d. Convertendo para valor mensal, obtém-se: em = 4,22% a.m. Calculando im como anteriormente: Donde se vê que a inclusão dos três dias de retenção aumenta a taxa real de juros anual de 32,9% para 37,4%, ou seja, uma variação de 15% no valor da taxa. 9.2.4 Financiamento de capital de giro em moeda nacional Vamos supor um financiamento de 100,00 por 90 dias, com taxa nominal composta de juros de 2,2% a.m. (29,8% a.a.) mais IOF de 1,5% a.a. antecipado, dada uma inflação média de 1,2% a.m. (15,4% a.a.). O f luxo de caixa da operação será composto dos valores nominais a seguir: 1. Valor do IOF descontado no ato da operação: 2. Valor líquido recebido no ato da operação: 3. Valor a pagar no vencimento da operação:176 Carregando na calculadora: PV = -100,00; n = 3 e i = 2,2, obtém-se O fluxo de caixa em forma gráfica f ica! A taxa de juros aparente mensal é determinada carregando: PV = -99,63; FV = 106,75; n = 3 e premendo / obtém-se em = 2,33% correspondendo a 31,8% a.a. A taxa de juros real mensal será calculada por: 9.2.5 Financiamento de capital de giro em moeda estrangeira — Operação 63 Vamos analisar um empréstimo de US$ 100.000,00, por 90 dias, com as condições seguintes: Libor: 8% a.a. Spread: 2,25% a.a. Imposto de Renda: 1/3 (Libor + Spread) Comissão Bancária: 2% a.a. Taxa de Abertura de Crédito: 1% antecipada sobre o valor do empréstimo. Taxa de Câmbio em vigor no momento da operação: Valor de 1 US$ - compra - $ 13,77 Valor de 1 US$ - venda - $ 13,84 Correção cambial - 4% ao trimestre Inflação - 1%ao mês. 177 Nestas condições procederemos aos cálculos para determinar a taxa de juros real, cumprindo os seguintes passos: 1. Determinação do valor emprestado em $. Usando a taxa de câmbio de compra, tem-se: US$ 100.000,00 x 13,77 $/US$ = $ 1.377.000,00 2. Cálculo da taxa de abertura de crédito $ 1.377.000,00 x 1%= 13.770,00 3. Cálculo do valor líquido recebido em cruzados VLR = $ 1.377.000,00 - $ 13.770,00 = $ 1.363.230,00 4. Cálculo do valor de venda do US$ na data do vencimento VV= $ 13,84 x 1,04= $ 14,39 5. Cálculo do Principal Corrigido na data do vencimento PC = US$ 100.000,00 x 14,39 $/US$ = $ 1.439.000,00 6. Cálculo dos juros a remeter A taxa de juros usada é a soma de libor com spread, ou seja: taxa anual = 8,00 + 2,25 = 10,25% O cálculo dos juros segue a seguinte fórmula considerado .o prazo de 90 dias: (valor dos juros a remeter) VJR = $ 36.874,37 7. Cálculo do Imposto de Renda a Pagar A forma tradicional de cálculo é a seguinte: 8. Cálculo da Comissão Bancária A fórmula usada para cálculo do valor da comissão bancária envol- ve o cálculo pro rata temporis da comissão sobre o valor do principal corrigido mais os juros a remeter, ou seja:178 comissão = comissão = $ 7.195,00 9. Resumindo, o valor total a ser pago no vencimento será, em cruzados: principal corrigido: juros a remeter: imposto de renda: comissão bancária: total a pagar $ 1.439.000,00 $ 36.874,37 $ 12.291,46 $ 7.195,00 $ 1.495.360,83 10. Cálculo da taxa de juros aparente O fluxo de caixa gráfico fica: 1.495.360,83 Carregando os valores na calculadora, com: obtém-se apertando /: 11. Cálculo da taxa de juros real Considerando a inflação de 1% a.m. temos: ao ano. É interessante notar que esta taxa final é quase três vezes maior do que a ta- xa básica da operação (libor +spread), devido â forma de cálculo e aos custos adi- cionais introduzidos. 9.2.6 Financiamento de capital de giro em moeda nacional a juros subsidiados Este é o caso das operações tipo 695 e das de crédito rural. 179 Vamos imaginar um empréstimo tipo 695, com as seguintes condições: prazo de 360 dias, juros de 3% a.a., IOF de 1,5% a.a. antecipado, reciprocidade de 50% no saldo médio e comissão de abertura de crédito de 0,5%. Vamos calcu- lar a taxa de juros real para um empréstimo de $ 100.000,00 e uma inflação média de 0,5% ao mês. 1. Cálculo do valor líquido recebido Do valor bruto de $ 100.000,00 serão deduzidos: IOF= 1,5% x 100.000,00= 1.500,00 (comissão de abertura) = 0,5% x 100.000,00 = 500,00 reciprocidade = 50% x 100.000,00 = 50.000,00 Logo, o valor líquido recebido será: VLR = 100.000,00 - (1.500,00 + 500,00 + 50.000,00) VLR = 48.000,00 2. Cálculo do valor a pagar no vencimento Ao valor do empréstimo serão acrescidos os juros e dele será deduzido o valor da reciprocidade. juros = 3% x 100.000,00 = 3.000,00 Logo, o valor a pagar no vencimento será: VPV = 100.000,00 + 3.000,00 - 50.000,00 VPV = 53.000,00 3. Cálculo da taxa de juros aparente O fluxo de caixa em valores nominais é: Logo, a taxa anual será: 180 4. Cálculo da taxa de juros real Se a inflação mensal a inflação anual será Nestas condições a taxa de juros real anual será: Isto mostra que, apesar de os juros serem subsidiados, dependendo das condições adicionais de reciprocidade, comissão de abertura, IOF, retenções, ou outras, a taxa real pode ser positiva. 9.2.7 Financiamento de longo prazo para aquisição de bens Vamos imaginar uma operação em que a parte financiável do bem adquiri- do valha Cz$ 100.000,00, e vamos supor juros nominais de 8% ao ano, mais IOF de 1,5% antecipado, e que o pagamento seja efetuado em 60 meses, sendo 12 de carência seguidos de 48 pagamentos mensais reajustáveis anualmente segundo a inflação. Se esta for em média de 20% ao ano, os cálculos serão os seguintes: 1. Valor líquido a receber Do valor do empréstimo será deduzido o IOF. IOF = 1,5% x 100.000,00= 1.500,00 Logo, o valor líquido recebido será: VLR = 100.000,00 - 1.500,00 VLR = 98.500,00 2. Cálculo do valor devido ao fim do 19 ano VF1= 100.000,00 x 1,08 x 1,20 VF1 = 129.600,00 3. Cálculo do valor das prestações do 29 ano Em primeiro lugar é preciso calcular a taxa de juros mensal. Ou, carregando na calculadora: n = 12, PV = -100,00 e FV = 108,00, teclando /, obtém-se 181 Com esta taxa, podemos escrever ou, carregando na calculadora teclando PMT obtém-se 4. Cálculo das prestações dos anos seguintes: As prestações P3, P4 e P5 dos anos subseqüentes serão calculadas cor- rigindo a P2 pelo valor da inflação anual. Como esta é suposta cons- tante e igual a 20%, pode-se escrever: P3=P2x 1,20= 3.146,96 x 1,20 = P3 = 3.776,35 Os valores de P4 e P5 calculados da mesma forma serão: P4 =4.531,62 P5 * 5.437,95 5. Assim, o fluxo de caixa em valores nominais fica: 6. Cálculo da taxa de juros aparente Este cálculo pode ser feito por um programa de computador, carre- gando o fluxo de caixa integral. Como as calculadoras normais não admitem mais de 20 pagamentos, podemos fazer, uma primeira apro- ximação concentrando os pagamentos anuais no início de cada ano, e obteremos uma taxa de juros maior que a correta. Se fizermos, na HP12-C: -98.500,00 12 x 3.146,96=37.763,52 12 x 3.776,35 = 45.316,22 12 x 4.531,62 = 54.379,47 12 x 5.437,95 = 65.255,36182 Obteremos IRR = 32,7% a.a. ou 2,4% a.m. Com esta taxa como ponto de partida vamos calcular o valor pre- sente líquido do f luxo de caixa. Digitando PMT = 5.437,95, / = 2,4%, n = 12 e teclando PV, obtém- -se PV = -56.120,46, que é o valor das 12 últimas prestações na data 48. Digitando RCL PV FV; n = 48; PMT = 0 e teclando PV, obtém-se PV5 = 17.977,25, que é o valor presente das últimas 12 prestações na data 0. Repetindo o raciocínio para as prestações dos anos 4, 3, 2, ajus- tando os valores de n, obtêm-se os valores presentes respectivos: PV4 = 19.913,20 PV3 = 22.057,65 PV2 = 24.433,06 O valor presente líquido será: VPL = -98.500,00 +PV2 + PV3 +PV4 +PV5 VPL(2A%) = - 14.118,84 Como esperávamos, o VPL é negativo, ou seja, a taxa é mui to alta. Vamos experimentar com i = 2,0% e obteremos: VPL (2,0%) = -1.707,37 Se tentarmos com i = 1,8% obteremos: VPL (1,8%) = + 5.302,38 Por interpolação entre os dois últimos resultados, teremos a taxa de juros aparente: em = 1,95% a.m. ou 26,10% ao ano. 7. Cálculo da taxa de juros real Neste caso, devido aos valores envolvidos, a taxa de juros real f icou menor que a taxa nominal do empréstimo. Dependendo do valor da inflação e da existência de comissões de abertura de crédito, retenção 183 inicial do valor líquido pelo banco, e reciprocidade de saldo médio, a taxa real poderá tornar-se bem maior do que a nominal. 9.2.8 Comentários finais Para efeito de cálculo da taxa de juros desinflacionada, assume-se que a pessoa física ou jurídica tomadora tem condições de manter sua margem opera- cional intacta. Isso significa que as receitas deverão manter seu padrão de com- pra intacto, ou seja, a inflação de custos será repassada integralmente nos preços. Caso isso não aconteça, como acontece quando do congelamento dos pre- ços, a taxa inflacionada deverá ser considerada como real. Quando o repasse dos preços é efetuado por índice do Governo, diferente da inflação interna da companhia, deve-se utilizar esse parâmetro para a definição da taxa de juros real da operação. Em qualquer caso, o procedimento de análise será sempre o mostrado neste capítulo, isto é, calcular o fluxo de caixa em cruzados, calcular a taxa de juros aparente correspondente a esse fluxo e, considerando a inflação média prevista para o período do empréstimo, calcular a taxa de juros real da operação. Com relação à estimativa da inflação, é bom lembrar que, sempre que possí- vel, deve usar-se a taxa de inflação avaliada por modelo desenvolvido pela própria empresa. Caso isso não seja possível, devem-se usar índices que meçam a inflação do setor de atividades da empresa e, apenas em último caso, usar o índice de in- flação oficial, pois este tende a medir a inflação média de toda a economia, que pode ser bem diferente da inflação interna da empresa, em particular. EXERCÍCIOS 1. Será realizada uma operação de desconto de uma duplicata cujo valor de face é de $ 2.000,00 a uma taxa de juros real de 5% a.m. (antes do IOF). A duplicata vence no prazo de dois meses. A inflação estimada é de 10% para o primeiro mês e de 20% para os meses seguintes.. O valor do IOF é de 2%, a ser pago antecipadamente. Calcule o valor a ser recebido no mo- mento do desconto e a taxa de juros nominal a ser paga.184 2. Vamos supor que para uma duplicata com valor de face de $ 100,00 e vencimento no prazo de dois anos, a taxa de juros nominal bruta que o banco cobra para descontá-la é 8% a.a. No entanto, além dos juros, o banco exige uma reciprocidade de 10%. Sendo a taxa de inflação anual de 2% e o valor do IOF de 2% (pago antecipadamente), calcule a taxa de juros real efetivamente paga. 3. No exemplo anterior, suponha que o banco exija um prazo de retenção de 90 dias e calcule novamente a taxa de juros efetivamente paga. 4. Um indivíduo adquiriu um financiamento de $ 1.000,00 por 120 dias, comprometendo-se a pagá-lo em cinco vezes (entrada mais quatro mensais). O banco que forneceu o financiamento cobrou uma taxa de juros de 4% a.m. e aceitou postergar o pagamento de entrada por 15 dias, exigindo, em contrapartida, o pagamento de uma taxa de abertura de crédito de $ 10,00. Calcule o custo efetivo deste financiamento. 5. Uma empresa adquiriu um empréstimo no exterior (via operação 63) no valor de US$ 20.000,00 por um ano, a uma taxa de juros igual a Prime-rate maisspread. As condições de pagamento são as seguintes: Prime-rate: 4% a.a. Spread bancário: 2% Comissão bancária: 1% a.a. Taxa de abertura de crédito: 2% sobre o valor do empréstimo, paga anteci- padamente Taxa de câmbio: 1 US$ = $ 0,90 compra 1US$ = $ 0,92 venda Taxa de inflação anual: 20% a.a. Taxa de juros paga efetivamente: 15% a.a em moeda nacional Calcule a correção cambial embutida na operação. 6. Suponha que se faça uma operação do tipo 695 por 180 dias com um valor de $ 10.000,00, juros nominais de 16% a.a. (com incidência semestral) pagos no final do período e IOF de 1,5% pago antecipadamente. A taxa de inflação mensal é de 1%. Assumindo que a taxa de juros real efetiva má- xima que se deve cobrar do devedor seja de 10% a.a., qual deve ser a taxa de abertura de crédito máxima que se pode cobrar nesta operação? 7. A aquisição de um automóvel pode ser financiada por um prazo de 12 me- ses a uma taxa de juros nominal de 8% a.m. O IOF cobrado na operação é 2%, pago antecipadamente, e o valor do automóvel a ser financiado é $ 10.000,00. Para este tipo de operação, o banco exige uma reciprocidade de $ 1.000,00, que serão devolvidos sem correção no final do décimo se- gundo mês. A taxa de juros real efetiva da operação é de 4% a.m. Qual é a taxa de inflação mensal assumida, considerando, que esta é a mesma para todos os meses? 185 Anexo TABELA DE FATORES DE JUROS TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 1.00 188 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE N N TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 2.00 189 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 3.00 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE 190 TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 4.00 191 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 5.00 192 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 6.00 193 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 7.00 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE 194 TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 8.00 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SE'RIE EM GRADIENTE 195 TAXA DEJUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 9.00 196 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 10.00 197 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SE'RIE EM GRADIENTE TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 11.00 198 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 12.00 199 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 13.00 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE 200 201 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 14.00 202 PAGAMENTOS SIMPLES SE'RIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 15.00 203 TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 20.00 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE 204 TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 25.00 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE 205 TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 30.00 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 35.00 206 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 40.00 207 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE 208 TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 45.00 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE 209 TAXA DE JUROS POR PERÍODO DE CAPITALIZAÇÃO I = 50.00 PAGAMENTOS SIMPLES SÉRIE UNIFORME DE PAGAMENTOS SÉRIE EM GRADIENTE Respostas dos Problemas 3. CÁLCULO DE JUROS COMPOSTOS 1. a) $ 271,49; b) $ 657,98; c) 11,53 anos; d) $ 160,05 2. a) S 95.083,21; b) $ 49,21 3. a) $ 4.386,47; b) $ 23.689,97 4. a) $ 3.221,02; b) $ 6.945,62; c) $ 115,66; d) $ 8.000 5. 5,60% a.a. 6. $ 775,61 7. 8,34% a.a. 8. $ 4.416,59 9. $ 261,92 10. $ 2.886,73 4. MÉTODOS EQUIVALENTES PARA COMPARAÇÃO DE ALTERNATIVAS 4.2 CUSTO ANUAL 1. CA(A)= S 1.166,91; CA(B) = $ 1.060,29 2. CA(30) = $ 10.615,84; CA(50) = $ 9.817,00 3. CA(fino) = $ 625,92 CA(espesso) = $ 584,15210 4. CA(A) = $ 1.402,43 CA(B) = $ 1.306,56 5. CA(AÇO) = $ 19.634,10; CA(CONCRETO) = $ 16.728,55 6. CA(cinco anos) = $ 5.045,47; CA(quatro anos) = $ 5.026,95 7. CA(10) = $ 889,36; CA(20) = $ 676,09 8. CA(A) = $ 1.735,92; CA(B) = $ 1.889,85 4.3 VALOR PRESENTE 1. VP(20) = $ 130.135,64; VP(30) = $ 119.594,95 2. VP(A) = $ 29.211,99; VP(B)=$ 26.402,41 3. VP(8%)= $5.275,25; VP(7%) = S 5.559,88; VP(6%)= $ 5.868,69 4. 2<N<3 5. VP(A) = $ 50.644,90; VP(B)= S 55.308,12 4.4 TAXA DE RETORNO 1. 6,35% 2. 12,44% 3. 7,87% 4. 16,56%. a.a. 5. 6,83% 6. 7,52% a.a. 4.5 TAXA DE RETORNO INCREMENTAL 1. As duas são equivalentes 2. Compra a vista. 3. Compra a prestação. 4. iA = 12,15%; iB = 22,04%; i =33,63% Melhor solução: comprar B. 5. Melhor seria comprar B. 6. Melhor seria aplicar no mercado financeiro. 7. i=5,48%a.m.; melhor comprar bomba A. 8. Comprar bomba B. 211 9. i(pequeno) = 9,97% a.m.; /(luxo) = 8,34% a.m. e i = 7,63% a.m.; melhor seria comprar táxi de luxo. 10. O pequeno. 11. A rigor nenhum; se for obrigatório comprar um dos dois, melhor será o pe- queno. 5. ANÁLISE DE ALTERNATIVAS MÚLTIPLAS 1. D 5. A(2),B(2), C(3), D(l) 2. D 6. a) E2, F2 e Gl 3. V b) E2,F1 e G1 4. B 7. B-2, C-X,D-l 6. SUBSTITUIÇÃO DE EQUIPAMENTO 1 a) CA(5) = $ 37.062,78 CA(10)= $ 35.817,54 CA(15) = $ 36.808,14 b) melhor é manter por mais cinco anos, com CA = $ 26.031,39 2. CA(Defensor + 1) = $ 21.840;CA(Defensor + 2) = 8 22.110 CA(Desafiante - A) = $ 21.820 3. Sim;VP(nova) =$1.293,16 VP (velha) = 8 4.500,58 4. Não deve, pois VP(Def.) = $ 4.094 e VP(Des.) = $ 8.369 5. Devem ser substituídos; CA(Auto) =$5.750 CA(Man.) = $ 8.644 6. Melhor reformar; CA(Novo) = $ 9.576 CA(Reforma) = $ 6.249 (primeiros sete anos) 7. CA(Novo) =$ 2.281;CA(Velho+l) = $ 2.006;CA(Velho + 2) = S 2.142 8. VP(Velho) =$ 99.639,52;VP(Novo) = $ 209.872,96; VP(leasing) = $ 171.587,35 7. LEASING 1. a) CA (Velho): -5.304; CA (Novo)--26.703; CA (Leasing) =4.125 b)VP(Velho)= $ 99.639,52;VP(Novo) = $ 209.872,96; VV(Leasing) = $ 171.587,35. 2. CA(Leasing) = $ 121.000; CA(Compra) = $ 98.741,80. 8. INFLAÇÃO 1. $ 11,34 2. $ 10.407 3. e = 58,74% i = 5,8% 4. Plano B 5. -2,22% a.m. 6.a.$ 48.000 avista. b.$ 54.865212 7. Premissas: a) custos operacionais reajustáveis b) valores de compra em moeda de hoje c) valores de revenda em moeda de época d) taxa de retorno 12% após IR Alternativa escolhida: manter a Máq. EcAnual = $482,00 Comprar uma Máq. Custo Ec Anual $619,00 8. a) Nas taxas de retorno do investimento 2,71%menor que taxa interna = 5% b) $ 10,30 c) 112.121 unidades semestrais 9. 1.22,4% a.m. 2.8,33% a.a. 3.9,9% a.a. 4.3,9% a.a. 5. correção cambial = 24 % a.a. 6. Taxa máxima de abertura de crédito=1,49 % 7. Taxa de inflação = 2,5 % a.m. 213 Bibliografia BIERMAN JR., H. Smidts. The capital budgeting decision. 3. ed. New York, Macmillan, 1971. BONINI, Edmundo E. Mercado de capitais. São Paulo, 1971. BUFFA, Elwood S. Administração da produção. Rio de Janeiro, Livros Técnicos e Científicos, 1972. Caps. 4, 5 e 6. CAVALHEIRO, Luiz A. F. Elementos de matemática financeira. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, 1974. COHAN, Avery B. Financial decision making theory and practice. 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