Prévia do material em texto
Autores: Prof. Marcos Paulo de Oliveira Prof. Adalberto Oliveira da Silva Prof. Claudio Ditticio Colaboradores: Prof. Maurício Felippe Manzalli Profa. Rachel Niza Contabilidade Social CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Professores conteudistas: Marcos Paulo de Oliveira / Adalberto Oliveira da Silva Claudio Ditticio © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) O48e Oliveira, Marcos Paulo de. Contabilidade social. / Marcos Paulo de Oliveira, Adalberto Oliveira da Silva, Claudio Ditticio. - São Paulo: Editora Sol, 2017. 240 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXIII, n. 2-066/17, ISSN 1517-9230. 1. Contabilidade social. 2. Contas nacionais. 3. Políticas públicas. I. Silva, Adalberto Oliveira da. II. Ditticio, Claudio. III.Título. CDU 657 Marcos Paulo de Oliveira Possui mestrado em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Paulista (UNIP). Leciona na Universidade Paulista (UNIP) desde o ano de 2002 nas disciplinas de Contabilidade Social, Elementos de Economia, Economia Brasileira, Economia e Gestão do Setor Público, Macroeconomia Fechada, Macroeconomia Aberta, Macroeconomia Aplicada, Ambiente Econômico Global, entre outras. Trabalhou no setor privado, na área de importação e exportação, e no setor público, com políticas públicas de geração de trabalho, emprego e renda, bem como na área de planejamento e gestão, como gerente de indicadores econômicos e sociais e como gerente de acompanhamento das receitas e dos gastos públicos. Atua na área de pesquisa da Macroeconomia. Adalberto Oliveira da Silva Mestre em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Atualmente é professor adjunto da Universidade Paulista (UNIP) no curso de Ciências Econômicas, onde leciona disciplinas de Macroeconomia Aplicada, História Econômica Geral e Técnicas de Pesquisa em Economia. Também é técnico do Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos e Socioeconômicos (DIEESE), onde atua em pesquisas sobre mercado de trabalho. Suas áreas de interesse são: teoria econômica, desenvolvimento econômico, economia brasileira e políticas públicas. Recentemente, atuou como revisor técnico para o livro de Economia e Gestão, no ano de 2014, no projeto da Biblioteca Universitária Pearson para a confecção de material didático de cursos superiores. Claudio Ditticio Graduado em Economia pela Faculdade de Economia e Administração (USP) e mestre em Economia Política pelaPontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC–SP). Participou de cursos de especialização em Métodos Quantitativos, Banking, Marketing, Processos Administrativos e Operacionais, Derivativos, Avaliação de Empresas e Tecnologia da Informação. Foi administrador e diretor de instituições financeiras, de varejo e atacado e de empresas comerciais. Atuou também em consultoria de economia e de análise política. Foi professor e pesquisador da Escola de Contas do TCM (Tribunal de Contas do Município de São Paulo). Atualmente participa do Ensino a Distância da UNIP como coordenador do curso de Tecnologia em Gestão Pública, no qual também atua como professor conteudista e ministra aulas. É professor universitário, em graduação e pós-graduação, lecionando em vários campi da UNIP nas disciplinas relacionadas principalmente com Economia, Finanças, Administração, Contabilidade, Matemática e Estatística. CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Rose Castilho Lucas Ricardi CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Sumário Contabilidade Social APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7 Unidade I 1 DEFINIÇÕES E DESENVOLVIMENTO CONCEITUAL DA CONTABILIDADE SOCIAL ........................9 1.1 Definições de contabilidade social ...................................................................................................9 1.2 Princípio das partidas dobradas ..................................................................................................... 12 1.3 Conceitos básicos: produto, renda e despesa ........................................................................... 12 1.3.1 A identidade entre produto, despesa e renda ............................................................................. 14 2 FLUXO CIRCULAR DA RENDA ..................................................................................................................... 16 2.1 A macroeconomia e as contas nacionais ................................................................................... 19 2.2 Contas nacionais em uma economia fechada e sem governo .......................................... 20 2.3 Contas nacionais em uma economia aberta e sem governo ............................................. 22 2.4 Contas nacionais em uma economia aberta e com governo ............................................. 24 2.4.1 O sistema de contas nacionais e as identidades contábeis em uma economia aberta e com governo ................................................................................................................ 27 2.5 O sistema de contas nacionais no Brasil ..................................................................................... 32 3 AS CONTAS NACIONAIS NO BRASIL ........................................................................................................ 35 3.1 Sistema de Contas Nacionais ou System of National Accounts (SNA) .......................... 36 3.2 As Tabelas de Recursos e Usos (TRU) ............................................................................................ 41 3.3 As ContasEconômicas Integradas (CEI) ...................................................................................... 53 3.3.1 As contas econômicas integradas por setores institucionais ............................................... 57 4 PROBLEMAS DE MENSURAÇÃO ................................................................................................................ 70 4.1 Dificuldades técnicas .......................................................................................................................... 70 4.1.1 Valores nominais e valores reais ....................................................................................................... 70 4.1.2 Comparações entre países e o dólar: paridade do poder de compra (PPC) .................... 74 4.2 Dificuldades operacionais ................................................................................................................. 76 4.3 Dificuldades conceituais .................................................................................................................... 79 4.3.1 As atividades não monetizadas ......................................................................................................... 79 4.3.2 Meio ambiente e desenvolvimento sustentável ......................................................................... 79 Unidade II 5 BALANÇO DE PAGAMENTOS E TAXAS E REGIMES CAMBIAIS ....................................................... 85 5.1 Balanço de Pagamentos .................................................................................................................... 85 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 5.1.1 Estrutura do Balanço de Pagamentos ............................................................................................ 87 5.1.2 A contabilidade do Balanço Pagamentos .................................................................................... 97 5.2 Taxas de câmbio e regimes cambiais ..........................................................................................105 6 BALANÇO DE PAGAMENTOS NO BRASIL .............................................................................................108 6.1 INDICADORES SOCIAIS .....................................................................................................................116 6.1.1 Crescimento e desenvolvimento ....................................................................................................118 6.1.2 Desigualdades regionais .................................................................................................................... 120 6.1.3 Indicadores de qualidade de vida e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ... 122 6.1.4 Distribuição da renda no Brasil ...................................................................................................... 129 6.1.5 Mensuração do grau de concentração da renda .................................................................... 133 6.1.6 Curva de Lorenz e Índice de Gini ................................................................................................... 137 6.1.7 Problemas metodológicos e limitações dos dados ................................................................141 6.1.8 Indicadores de mercado de trabalho no Brasil ........................................................................ 144 Unidade III 7 POLÍTICAS PÚBLICAS ....................................................................................................................................165 7.1 Conceitos fundamentais .................................................................................................................165 7.1.1 O conceito de Política ........................................................................................................................ 165 7.1.2 O que são políticas públicas ............................................................................................................ 167 7.2 Ciclo de políticas públicas ...............................................................................................................186 7.2.1 Agentes que participam da formulação de políticas públicas .......................................... 186 7.2.2 Definição e escolha de políticas públicas .................................................................................. 193 7.2.3 Construção de uma agenda de governo .................................................................................... 195 7.2.4 Escolha de alternativas para determinada política pública ............................................... 197 7.2.5 Processo de tomada de decisões ................................................................................................... 198 7.2.6 Implantação de determinada política pública ......................................................................... 199 7.2.7 Avaliação dos resultados das políticas públicas ...................................................................... 199 7.2.8 Efeitos das instituições nos processos de políticas públicas .............................................. 204 8 TÓPICOS COMPLEMENTARES RELACIONADOS COM POLÍTICAS PÚBLICAS ...........................205 8.1 Importância da participação no desenho e implantação de políticas públicas .......205 8.2 Mecanismos de participação .........................................................................................................206 8.2.1 Orçamento participativo ................................................................................................................... 208 8.3 Diferentes estilos de políticas públicas .....................................................................................208 8.4 Sustentabilidade e responsabilidade socioambiental ..........................................................209 8.5 Apoio a micro e pequenas empresas ..........................................................................................212 8.6 Políticas de defesa da concorrência ...........................................................................................214 8.7 Paradiplomacia ....................................................................................................................................215 8.8 A adoção de indicadores sociais ...................................................................................................215 8.9 Políticas públicas de incentivo à inovação ..............................................................................216 8.10 Choque de gestão ............................................................................................................................217 7 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 APRESENTAÇÃO A disciplina Contabilidade Social tem como objetivo familiarizar o aluno com os conceitos e métodos de cálculos dos agregados macroeconômicos. Tem o objetivo de proporcionar a compreensão das contas nacionais e a quantificação da atividade produtiva, principalmente da economia brasileira, capacitando-o para a teoria e análise macroeconômica, além de poder entender como se desenvolvem as políticas públicas a partir dos dados apresentados por tal quantificação. A disciplina contempla uma apresentação da contabilidade social como técnica contábil, interligando os conceitos de economia de mercado com os conceitos da teoria macroeconômica na avaliação do produto e de suasvertentes; sistematizando as informações dos agregados na forma de contas nacionais básicas e tradicionais; e envolvendo os agentes econômicos internos com o mercado externo por meio da noção de balanço de pagamentos das taxas de câmbio e regimes cambiais, isto é, por meio da relação entre a moeda brasileira e a de outros países. Procura, ainda, incluir um grande universo de conceitos que não se restringe às contas nacionais, incorporando um contexto específico ao termo “social”, por meio da apresentação e discussão dos indicadores sociais que procuram avaliar a forma de crescimento econômico, isto é, se a população brasileira como um todo está se beneficiando ou apenas uma parte dela. Para esse tipo de avaliação, temos que ir além do crescimento econômico, que é o lado quantitativo da contabilidade social, ou seja, precisamos estudar a evolução desse crescimento a partir de indicadores sociais que avaliam o lado qualitativo de uma economia. Sendo assim, para avaliarmos o crescimento e o desenvolvimento de uma economia, bem como as suas desigualdades regionais, é necessário o estudo de indicadores do mercado de trabalho e de qualidade de vida da população por meio do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a análise da distribuição da renda e a mensuração do grau de concentração através de instrumentos teóricos e estatísticos, como Curva de Lorenz e Índice de Gini e suas limitações e problemas metodológicos. Como não poderia deixar de ser, este livro-texto também aborda a questão das políticas públicas, uma vez que elas não estão dissociadas dos resultados alcançados pelos cálculos agregativos ou mesmo daqueles que se pretende produzir. Nesse aspecto, conceitos fundamentais de políticas públicas, bem como seu ciclo na construção de resultados macroeconômicos, são de igual importância. Vale também destacar o espaço dedicado aos mecanismos de participação popular no desenho das políticas públicas e seus reflexos sociais. INTRODUÇÃO Em meados do século XX, o Brasil foi um dos países que mais cresceu pela ótica econômica, como já acontece com a China neste início do século XXI. Dado esse passado promissor, uma questão passa a ser intrigante: se apresentamos um elevado crescimento econômico no passado e hoje estamos entre as dez economias mais ricas do mundo pelo ranking do Produto Interno Bruto (PIB), por que continuamos tão atrasados em relação a outros países? 8 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Muitos pensadores brasileiros passaram toda a vida acadêmica procurando entender e responder essa questão, como Caio Prado Junior, Florestan Fernandes, Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares, João Manuel Cardoso de Mello, entre outros. Para iniciarmos a busca pela resposta dessa questão, é preciso entender o processo de produção de bens e serviços, o valor adicionado gerado por esse processo, a distribuição da renda e compreender o fluxo circular da renda de uma economia por meio de algumas perguntas: o que produzir? Como produzir? Para quem produzir? Temos como respostas, respectivamente, os bens e serviços produzidos; a quantidade de fatores de produção utilizada e quanto desses fatores são máquinas, equipamentos e mão de obra, bem como quanto dessa mão de obra está no mercado de trabalho formal e informal; e, por fim, quem são os consumidores desses bens e serviços e qual a sua qualidade de vida. No entanto, ainda não conseguimos responder à questão central. Por que estamos em um estágio de desenvolvimento econômico inferior? Para responder, necessitamos medir o fluxo de produção, seu custo e mensurar o valor gerado que constitui a renda e o estoque de riqueza da população de um país, bem como o padrão de vida e o bem-estar social dessa mesma população. Nesse sentido, a contabilidade social permite uma avaliação racional pela força dos números de dados estatísticos que as contas nacionais apresentam por período de tempo. Ao estudarmos a contabilidade social, percebemos que crescimento econômico é diferente de desenvolvimento econômico e, por isso, o Brasil é considerado, no contexto internacional, um caso antiexemplar, isto é, a economia brasileira não é pobre como a da África, mas possui uma das mais elevadas desigualdades do mundo, ou seja, 10% mais ricos da população ganham 30 vezes mais que os 10% mais pobres. As contas nacionais permitem avaliar o que produzimos, como produzimos e para quem produzimos, dando uma dimensão da capacidade de produção e geração de valor adicionado da economia brasileira, o que, pela ótica da renda, revela a participação do capital e do trabalho na formação do Produto Interno Bruto (PIB), bem como o que e quanto consumimos, investimos, exportamos e importamos de outros países. Ao medir cada variável que compõe as contas nacionais, conseguimos avaliar o desempenho econômico e social da economia brasileira no presente, procurando entender e superar os problemas do passado para uma melhoria de vida das gerações futuras por meio do acompanhamento da dinâmica econômica e social, criando e utilizando indicadores capazes de refletir as condições de vida em cada região brasileira, a qualidade do mercado de trabalho, as condições de moradia, saúde, educação, entre outros. Portanto, a contabilidade social passa a ser uma parte da ciência econômica e um ramo da economia aplicada para a elaboração de pesquisas que permitam questionar e solucionar as grandes questões econômicas e sociais que persistem no século XXI. Tal elaboração de pesquisas também tem o papel de auxiliar os formuladores de política econômica, notadamente aquelas públicas, sobre como os indicadores econômicos e sociais podem ser melhorados a partir da percepção de quais áreas devem ter maior atenção e de que forma as políticas públicas podem auxiliar em termos de crescimento e desenvolvimento econômico. Assim, a contabilidade social não se apresenta apenas como um ramo da economia voltado apenas para questões quantitativas, pois questões qualitativas também estão presentes. Os diferentes estilos de adoção de políticas públicas voltadas a questões práticas ou ideológicas impactam positivamente ou negativamente nos indicadores econômicos e sociais. 9 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Unidade I 1 DEFINIÇÕES E DESENVOLVIMENTO CONCEITUAL DA CONTABILIDADE SOCIAL 1.1 Definições de contabilidade social A contabilidade social, antes compreendida apenas como contabilidade nacional, devido ao seu sistema de contas que apuravam o nível de atividade, representa atualmente uma evolução da ciência econômica ao final do século XX, de forma mais específica da teoria macroeconômica, no sentido de passar a mensurar não apenas a parte quantitativa da economia ou crescimento econômico, mas também a parte qualitativa ou desenvolvimento econômico. Segundo Bresser-Pereira e Nakano (1972, p. 1): A contabilidade social é o conjunto de estatísticas de ordem econômica, preparadas e sistematizadas com o objetivo de possibilitar uma visão quantitativa, a mais precisa possível, da economia de um país. É uma síntese contábil dos fatos que caracterizam a atividade econômica de um país. Hoje, praticamente, não existe nenhum país que não tenha a sua contabilidade social, através da qual se pode ter uma visão relativamente exata do estado econômico do país e do seu ritmo de crescimento. O estudo da contabilidade social não é recente,pois já nos fins do século XVII se começa a utilizar o conceito de renda nacional. Apoiada no estudo deste conceito, a contabilidade social desenvolve-se e neste século, particularmente depois de 1920, os estudiosos começam a reconhecer uma pluralidade de conceito de renda (produto, renda, despesa, a preços de mercado, a custo dos fatores etc.). Os problemas econômicos do após guerra vão acelerar os estudos da contabilidade social, e aqueles conceitos de renda nacional vão ser integrados em uma estrutura mais ampla, o sistema de contas nacionais, que descrevem as principais operações da economia relacionando os mais importantes setores econômicos. Essa disciplina tinha apenas o objetivo de medir o produto, a renda e a despesa agregados, isto é, medir o desempenho da economia por meio do crescimento econômico, ou seja, medir a variável mais importante de um país, que é o Produto Interno Bruto (PIB). Entretanto, o século XX demonstrou que muitos países cresceram somente pelo lado quantitativo, ou seja, apresentaram elevadas taxa de crescimento econômico, mas continuavam com elevados índice de pobreza. 10 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Observação Veremos, ao longo deste livro-texto, que: Produto Interno Bruto = Consumo Agregado + Investimento Agregado + Gastos Públicos Agregados + Exportação Agregada – Importação Agregada Ou Produto Interno Bruto = ∑ PiQi Em que i representa todos os bens e serviços produzidos em um país em um dado período de tempo. Percebeu-se que o crescimento econômico não era distribuído de forma igualitária entre a população e que havia elevada concentração de riqueza entre os agentes econômicos. Por esse motivo, o desenvolvimento econômico passou a ser objeto de medição e estudo, avançando sobre a contabilidade nacional ao incluir as características e condições de vida da população residente, isto é, passou a medir as condições sociais. Uma das medidas utilizadas para saber a renda das pessoas em uma economia é conhecida como Produto Interno Bruto por pessoa ou per capita (PIB per capita), que é o total do PIB divido pela população residente em um país. PIB per capita = Produto Interno Bruto / Total da população residente No entanto, o PIB per capita é uma média que não demonstra como a renda está sendo distribuída entre essa mesma população. O Brasil apresentou taxas de crescimento econômico nesses primeiros anos do século XXI. Dado que o crescimento populacional não é tão acelerado, resulta em uma elevação do PIB per capita brasileiro, que, em 2008, era de R$ 16 mil e alcançou o valor de R$ 27 mil no primeiro trimestre do ano de 2014. O PIB per capita, mesmo representando um valor médio, é um indicador utilizado em várias pesquisas e como variável de vários modelos econômicos, bem como na composição de modelos estatísticos para medir a renda anual da população, também sendo utilizado para fazer comparações internacionais. O gráfico a seguir, com base nos dados divulgados pelo IBGE, apresenta o PIB per capita do Brasil de 2008 a 2014. 11 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL 30.000 25.000 20.000 15.000 10.000 5.000 0 2008 16.225 17.196 19.882 22.162 23.655 25.655 27.229 2009 2010 2011 2012(1) 2013(1) 2014(1) Per capita... (1) Com base nos dados de Contas Nacionais Trimestrais. Figura 1 – PIB per capita do Brasil, em R$ Exemplo de aplicação Estima-se que a diferença entre a renda dos 10% mais ricos da população no Brasil em relação aos 10% mais pobres seja mais de 30 vezes. Qual é a porcentagem do PIB que fica com esses 10% mais ricos e com os 10% mais pobres? Dito isso, a contabilidade social possui metodologia e instrumentos capazes de medir a dinâmica de uma economia em um determinado período de tempo, geralmente no prazo de um ano, o quanto se produziu (oferta), quanto se consumiu (demanda), quanto se investiu (formação bruta de capital fixo), quanto se vendeu para outros países (exportação) e quanto se comprou de outros países (importação). Esse avanço metodológico se deve muito à obra do economista John Maynard Keynes (1883-1946), o livro Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicado pela primeira vez em 1936, em que os economistas passaram a entender e compreender melhor como mensurar de forma agregada, ou melhor, medir toda variável de produção, renda e consumo, como também saber o que determina cada uma dessas variáveis, além de poder relacionar cada uma delas, por exemplo, a produção e a despesa, a despesa e a renda, e a renda e a produção dentro de uma lógica sistematizada. Esse novo método trazido por Keynes dá início ao que os economistas denominaram de macroeconomia, em que as variáveis são trabalhadas de forma agregada, ou seja: a somatória do consumo de toda a população residente em um país no período de um ano, chamada de consumo agregado; a somatória de todo o investimento das empresas residentes em um país no período de um ano, chamada de investimento agregado; a somatória de toda a produção dos fatores de produção residentes em um país no período de um ano, chamada de produto nacional; e a somatória de toda a renda gerada pelos fatores de produção dos residentes em um país no período de um ano, chamada de renda nacional. 12 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I 1.2 Princípio das partidas dobradas A contabilidade social segue o método das ciências contábeis ao estruturar o balanço contábil das empresas por meio do princípio das partidas dobradas, ou seja, um valor de lançamento a débito tem um lançamento correspondente, no mesmo valor e simultâneo, a crédito, o que resulta nos equilíbrios interno e externo do balanço ao sistematizar cada variável e as contas que compõem esse balanço, conhecido como Sistema de Contas Nacionais. 1.3 Conceitos básicos: produto, renda e despesa O objetivo principal da contabilidade social é descrever o fluxo de bens e serviços finais produzidos em um país durante o período de um ano. Esse fluxo pode ser mensurado por três óticas: produto, despesa e renda. Elas resultam em totais dos quais podemos montar um sistema de contas e descrever as operações econômicas efetuadas durante um determinado período. São eles: • Produto: soma total dos bens e serviços finais produzidos durante o período de um ano. • Renda: remuneração paga às famílias pelo fornecimento, durante o período de um ano, de fatores de produção para as empresas elaborarem o produto. • Despesa: é a despesa total realizada pelas famílias ao comprarem o produto, também durante o período de um ano. Produto = ∑ PiQi Em que P é a média de preços e Q é a quantidade de todos os bens e serviços produzidos. Ou, Produto = ∑VA Em que VA é o valor adicionado no processo de produção, ou seja, salários, juros, lucros e aluguéis. Cada ótica citada representa um caminho diferente para mensurar, em valores iguais, a atividade econômica. Para maior clareza, iremos estudar a identidade entre produto, despesa e renda e as fases de produção e composição dos setores e produtos produzidos, bem como os valoresgerados. Podemos ver na tabela a seguir que, pelas três óticas, os valores são iguais para o Brasil no ano de 2011. 13 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Tabela 1 – Componentes do Produto Interno Bruto sob as três óticas Componentes do Produto Interno Bruto 2011 valor corrente em milhões de reais A - Ótica da produção Total 4.374.765 Produção 7.436.390 Impostos sobre produtos 658.526 Subsídios aos produtos (-) (-) 2.605 Consumo intermediário (-) (-) 3.717.546 B - Ótica da despesa Total 4.374.765 Despesa de consumo final 3.454.377 Despesa de consumo das famílias 2.572.614 Despesa de consumo das Instituições sem fins de lucro a serviço das famílias 64.395 Despesa de consumo do governo 817.368 Formação bruta de capital 954.059 Formação bruta de capital fixo 902.885 Variação de estoque 51.174 Exportação de bens e serviços 501.802 Importação de bens e serviços (-) (-) 535.473 C - Ótica da renda Total 4.374.765 Remuneração dos empregados 1.846.781 Salários 1.453.655 Contribuições sociais efetivas 338.487 Contribuições sociais imputadas 54.639 Rendimento misto bruto 363.863 Excedente operacional bruto 1.461.861 Impostos sobre a produção e importação 710.548 Subsídios a produção e importação (-) (-) 8.288 Adaptado de: IBGE (2015d). Perceba que há uma identidade “produto ≡ despesa ≡ renda”, em que o valor total é igual para as três óticas. Esse valor de que estamos falando trata-se do PIB, que foi de R$ 4,3 trilhões 14 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I no ano em questão (2011). Portanto, podemos chegar ao resultado do PIB por meio de três óticas ao somarmos a produção de todos os bens finais produzidos (ótica da despesa), todos os valores adicionados em cada etapa de produção (ótica do produto) ou todas as remunerações dos fatores de produção (ótica da renda). 1.3.1 A identidade entre produto, despesa e renda Uma identidade em contabilidade social é uma identidade contábil entre duas variáveis, como uma situação em que a variável X possui uma identidade com a variável Y. Podemos descrever essa identidade da seguinte forma X ≡ Y. No entanto, a identidade de X ≡ Y não implica nenhuma relação de causa e efeito da variável X para a variável Y ou vice-versa. Queremos apenas afirmar que o valor do produto é idêntico ao valor da despesa, o valor da despesa é idêntico ao valor da renda e o valor da renda é idêntico ao valor do produto. Para termos mais clareza, temos: Despesa Agregada = Despesa de Consumo Final + Formação Bruta de Capital Fixo + Exportação – Importação Renda Agregada = Salários + Excedente Operacional Bruto Produto Agregado = Produção – Consumo Intermediário Valor Adicionado = Salários + Excedente Operacional Bruto ou Valor Adicionado = Valor Bruto da Produção – Consumo de Bens e Serviços Intermediários Vamos considerar uma economia fictícia em que não há governo e não há também o setor externo, cujas linhas apresentam três setores e quatro fases de produção denominados aqui como local inicial de produção: uma Fazenda, sendo este o local em que temos a matéria-prima ou insumos – setor primário ou agrícola –; Fiação e Tecelagem, os locais de transformação dessa matéria-prima em tecido – setor secundário ou industrial –; e Varejo, o local em que temos o comércio de tecidos – setor terciário ou comércio e serviços. Já nas colunas, temos o valor bruto da produção, que é a somatória de tudo que foi produzido, inclusive o que foi utilizado como matéria-prima ou insumo na produção. Também temos a remuneração dos fatores de produção, os salários como renda do trabalho, os lucros como remuneração da capacidade empresarial, os juros como remuneração do capital e os aluguéis como remuneração da terra. O valor adicionado, como veremos ao descrever a tabela, é resultado da soma da remuneração dos fatores de produção. A decisão de transformar insumos em bens e serviços necessita de fatores 15 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL de produção, portanto, ao decidir produzir, contratamos os fatores de produção e adicionamos seu valor aos insumos, leia-se: somamos ao valor dos insumos a remuneração dos fatores de produção contratados, conforme a tabela a seguir: Tabela 2 – Produção de algodão e comércio de tecidos (em milhões de unidades monetárias – $) Setores ou fases de produção Valor bruto da produção Insumos – consumo intermediário Salários Lucros, juros e aluguéis (EOB)* Valor adicionado Fazenda 86.399 55.000 10.500 20.899 31.399 Fiação 130.658 86.399 13.400 30.859 44.259 Tecelagem 187.927 130.658 15.900 41.369 57.269 Varejo 262.240 187.927 17.980 56.333 74.313 Total 469.480 262.240 57.780 149.460 207.240 *Excedente operacional bruto O setor primário (Fazenda) apresenta $ 55.000 em insumos, é denominado de consumo intermediário e, para transformar esse insumo em produto final, contrata $ 10.500 em salários (trabalhadores) e $ 20.899 em lucros, juros e aluguéis, valor referente à remuneração da capacidade empresarial do produtor desse setor, aos juros como remuneração do capital que esse mesmo produtor pegou emprestado no banco para comprar máquinas e equipamentos para a sua produção e ao aluguel do local em que colheu os insumos necessários para sua produção. O valor bruto da produção desse setor, no valor de $ 86.399, conforme seu conceito, é a soma do valor dos insumos ($ 55.000), dos salários ($ 10.500) e dos lucros, juros e aluguéis ($ 20.889). Já o valor adicionado, no valor de $ 31.399, é a soma apenas dos salários ($ 10.500) e dos lucros, juros e aluguéis ($ 20.889). Para a próxima fase de produção, no caso, a fiação, acontecer no setor secundário, há necessidade de matérias-primas que serão ofertadas pelo setor primário (fazenda) no valor de $ 86.399. Veja que este é o mesmo valor bruto da produção do setor primário, ao qual terá adicionado $ 13.400 de salários e $ 30.859 de lucros, juros e aluguéis na próxima fase de produção (fiação), resultando no valor bruto da produção de $ 130.658. Veja que o valor adicionado é a soma de $ 13.400 de salários e $ 30.859 de lucros, juros e aluguéis. Para que a próxima fase, denominada Tecelagem, ocorra, o valor bruto da produção da Fiação ($ 130.658) torna-se insumo desse setor, que terá os valores adicionados de $ 15.900 em salários e $ 41.369 em lucros, juros e aluguéis, resultando no valor bruto de produção de $ 187.927 e no total de valor adicionado de $ 57.269. 16 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Já o último setor de produção (Varejo) consumirá o valor bruto da produção da Tecelagem no valor de $ 187.927 e adicionará $ 17.980 em salários e $ 56.333 em lucros, juros e aluguéis, resultando em um valor bruto da produção de $ 262.240 e no valor adicionadode $ 74.313. Após todo esse processo de produção, precisamos saber qual foi o produto agregado ou Produto Interno Bruto (PIB) dessa economia, sendo necessário consideramos apenas o valor dos bens finais produzidos em cada fase de produção. Perceba que não podemos considerar o Valor Bruto da Produção, devido ao fato de que ele soma os valores de insumo ao longo de todo o processo de produção e suas fases setoriais. Se considerarmos o valor de $ 469.480 como o produto agregado, iremos incorrer no erro da dupla contagem, ou seja, iremos considerar os valores dos insumos adicionados duas vezes no mesmo processo de produção. Portanto, faz-se necessário deduzir, do Valor Bruto da Produção final, o Consumo Intermediário final, cujo resultado é $ 207.240. Note que é o mesmo valor da soma dos valores adicionados e igual a soma do total de salários ($ 57.780) e dos lucros, juros e aluguéis ($ 149.460). Sendo assim, podemos chegar ao valor do produto agregado dessa economia por três métodos ou caminhos, denominados aqui como óticas. A ótica da despesa, a ótica do produto e a ótica da renda. A ótica da despesa é a soma dos valores de todos os bens e serviços produzidos no período de um ano e que não foram consumidos como matéria-prima na produção de outros bens e serviços, ou seja, foram considerados como bens finais (Consumo). A ótica do produto é a soma do valor adicionado no processo de produção (Valor Bruto da Produção menos o Consumo Intermediário) e a ótica da renda é a soma das remunerações (Salários, Lucros, Juros e Aluguéis) pagas aos fatores de produção. O produto agregado ou produto interno bruto dessa economia fictícia é o valor de $ 207.240, bem como o valor de toda despesa e da renda dessa mesma economia, ou seja, a identidade Produto ≡ Despesa ≡ Renda, devido ao valor ser idêntico para os três agregados macroeconômicos. 2 FLUXO CIRCULAR DA RENDA Para compreender melhor produto, despesa e renda iremos iniciar nossos estudos por um modelo de sistema econômico simples. Vamos supor que esse sistema econômico tenha apenas as empresas como unidades produtoras e as famílias como fornecedores de fatores de produção e, ao mesmo tempo, unidades consumidoras. Não há consumo intermediário, estoque, relações com o resto do mundo e governo, como podemos ver a seguir: 17 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL ...Empresas... ...Famílias... Salários, juros, lucros, aluguéis (renda) Fatores produtivos Bens e serviços finais (produto) Consumo (despesa) Figura 2 – Fluxo circular da renda simples Aqui, as empresas, ao obterem os fatores de produção (trabalho, capital, recursos naturais), transferem às famílias uma remuneração (salários, juros, lucros, aluguéis) pela utilização desses fatores, isto é, pagam uma renda. Ao combinarem esses fatores de produção, as empresas produzem bens e serviços cujo resultado é o produto, que, por sua vez, será vendido às famílias, que compram os bens e serviços ou produtos e realizam uma despesa. Note que os agentes econômicos que compõem uma sociedade aparecem duas vezes no fluxo circular de renda, ou seja, em um momento são produtores e em outro, consumidores. Na sociedade em que vivemos e que é, no aspecto material, inteiramente organizada pela troca, a ótica do produto considera a atividade dos indivíduos como produtores, ou seja, a atividade das unidades produtivas ou empresas. Já a ótica do dispêndio (ou dos gastos, ou da demanda) refere-se a sua atuação como consumidores, ou seja, como famílias. Finalmente, a ótica da renda analisa os indivíduos em sua condição de proprietários de fatores de produção. As transações ocorrem entre famílias e empresas e envolvem fluxos reciprocamente determinados de bens e serviços concretos, por um lado, e de dinheiro, por outro (PAULANI; BRAGA, 2012, p. 23). Outro ponto importante é que há dois fluxos em andamento: o fluxo real, que é o dos fatores produtivos e de bens e serviços finais (produto), e o fluxo monetário, que é composto por salários, juros, lucros e aluguéis (renda) e o consumo dos bens e serviços produzidos (despesa). Portanto, o que circula é o fluxo monetário por meio da moeda, que é a única mercadoria que vai das empresas para os trabalhadores e volta para as empresas quando estas vendem seus bens e serviços, o que não acontece com os demais bens finais, que fazem uma única rota: das empresas para as famílias. Quanto maior o fluxo monetário e real, maior será o crescimento econômico. O fluxo circular da renda ampliado demonstra como empresas e famílias trocam suas necessidades no mercado de bens e serviços e no mercado de trabalho, em que os fluxos reais medem quantidades e os fluxos monetários medem valores, como no fluxo circular simples. 18 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Receita de vendas de bens e serviços Remuneração do fator trabalho Força de trabalho Despesa na compra de bens e serviços Empresas Mercado de bens e serviços Mercado de trabalho Famílias Bens e serviços Figura 3 – Fluxo circular da renda ampliado As empresas produzem bens finais e bens de capitais, sendo esse segundo tipo de bens necessário para ampliar a produção dos bens finais por meio de uma elevação da capacidade instalada. Sendo assim, essas empresas procuram adotar novas tecnologias ou reposição do capital que se depreciou para ofertar mais bens e serviços no longo prazo. Em uma economia capitalista, o processo de acumulação de capital acompanha o processo de produção devido ao fato de haver os mercados de fundos de capital, que é responsável por canalizar os recursos da renda não consumida das famílias (poupança) para que as empresas tenham recursos disponíveis para investir na produção via mercado de bens de investimentos ou compra de máquinas e equipamentos. Receita de vendas de bens e serviços Receita de vendas de bens de investimentos Demanda de máquinas e equipamentos Despesa com a compra de bens e serviços Mercado de bens e serviços Mercado de trabalho Mercado de fundos de capital Bens e serviços Força de trabalho Oferta de recursosDemanda de recursos Remuneração do fator trabalho Mercado de bens de investimento Empresas Famílias Figura 4 – Fluxo circular da renda ampliado com mercado de fundos e de bens de capitais 19 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL O fluxo circular da renda ampliado apresentado está contextualizado em uma economia fechada e sem governo e que apresenta uma demanda por bens finais e bens de capital, cujo valor adicionado gerado (renda) nesse processo de produção é dividido entre consumo e poupança para financiar apenas as empresas, como veremos nas contas nacionais. 2.1 A macroeconomia e as contas nacionais A partir da publicação do livro Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda, de John Maynard Keynes, em 1936, iniciou-se o processo de construção de identidades macroeconômicas e sua relação com a teoria, sendo necessário entender como são determinadas as principaisvariáveis agregadas de um país. Lembrete O livro a Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda, de John Maynard Keynes, publicado em 1936, ajudou no avanço da contabilidade social, bem como na compreensão da grande depressão dos anos 1930. Keynes demonstrou que uma parte do consumo agregado (C) está em função da renda agregada (Y), em que existe a propensão marginal a consumir (Pmg c ou cY) como lei psicológica fundamental, em que Pmg c varia entre 0 e 1. C = C + cY Keynes também constatou que uma outra parte da Y é composta pelo investimento agregado (I), que sofre flutuações devido às incertezas em relação ao futuro. Portanto, temos: Y = C + cY + I Em que temos a renda agregada (Y), o consumo agregado (C) e a poupança agregada (S), cujas relações podemos obter: Y = C + S S = Y – C A renda agregada é a soma do consumo agregado mais a poupança agregada, que, por sua vez, é a renda agregada menos o consumo agregado. Desta forma, nos aproximamos da demanda agregada (DA) de uma economia simples: DA = C + I 20 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I O equilíbrio se dá quando Y = DA, então temos: Y = C + S DA = C + I Ou C + S = C + I Ao anularmos o consumo (C) de ambos os lados da equação, temos a identidade entre poupança e investimento: S ≡ I Isso demonstra a relação entre poupança e consumo agregados, como visto no fluxo circular da renda ampliado. Percebe-se que a renda agregada é determinada pelo nível de consumo e investimento agregados em uma economia simples. Para melhor entendimento, vamos estudar as contas nacionais em três contextos, uma economia fechada e sem governo, economia aberta e sem governo e economia aberta e com governo. Seguindo um formato de contas agregadas e utilizando, para cada débito, um crédito, e para cada crédito, um débito, ou o princípio das partidas dobradas, que garante os equilíbrios interno e externo entre todas as contas do sistema, vamos agora, por etapas, visualizar os conceitos por contas nacionais e grau de complexidade, isto é, por agentes econômicos (famílias, empresas, governo e resto do mundo ou setor externo) dentro de cada conjunto de contas. 2.2 Contas nacionais em uma economia fechada e sem governo Aqui iremos supor que a economia é fechada, não havendo relações com o resto do mundo, como exportação e importação, bem como renda enviada ou recebida do setor externo. Também iremos considerar que não há governo e, assim, também não há tributação ou gastos públicos nas contas nacionais. Para iniciarmos, é necessário entender alguns conceitos básicos que compõem os créditos e débitos em questão. O primeiro se refere à taxa de acumulação de capital ou investimento agregado, que é igual à soma de formação bruta de capital fixo (FBKF) mais a variação de estoques (∆ Estoques): I = FBKF + ∆ Estoques De acordo com Paulani e Braga (2012, p. 36): 21 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL O investimento costuma ser dividido em variação de estoques, que congrega os bens cujo consumo ou absorção futuros irão se dar de uma única vez, e a formação bruta de capital fixo, que agrega os bens que não desaparecem depois de uma única utilização e possibilitam a produção (e, portanto, o consumo) ao longo de um determinado período de tempo, ou seja, possibilitam a produção de um fluxo de bens e serviços. Já a depreciação é a parcela de reposição do capital que representa as novas máquinas e equipamentos que irão fazer parte do processo produtivo. Este conceito é importante para chegarmos aos conceitos de investimento líquido (IL) e produto líquido (PL): IL = Investimento Bruto menos a depreciação PL = Produto Bruto menos a depreciação O quadro a seguir apresenta três contas: a de produto, a de apropriação da renda e a de capital. Percebe-se que há uma relação entre cada conta devido à relação entre débito e crédito. Quadro 1 – Contas nacionais em uma economia fechada e sem governo Conta do Produto Débito Crédito A - produto líquido (salários, lucros, juros e aluguéis) C - consumo pessoal B - depreciação D - variação de estoques E - formação bruta de capital fixo Renda e Produto Bruto Despesa Bruta Conta de apropriação da renda Débito Crédito C - consumo pessoal A - produto líquido (salários, lucros, juros e aluguéis) F - poupança líquida Utilização da Renda Líquida Renda Líquida Conta de capital Débito Crédito D - variação de estoques F - poupança líquida E - formação bruta de capital fixo B - depreciação Investimento bruto Poupança bruta Adaptado de: Paulani e Braga (2012). Na conta de produto ou produção das empresas, os salários, lucros, juros e aluguéis, bem como a depreciação, são débitos. Já o consumo pessoal, a variação de estoques e a formação bruta de capital 22 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I fixo são créditos. Perceba-se que, para haver consumo (crédito), tem que haver salários, lucros, juros e aluguéis ou renda (débito). Já na conta de apropriação da renda pelas famílias, temos como crédito a renda gerada como produto líquido na forma de salários, lucros, juros e aluguéis e a utilização dessa renda, no lado do débito, em consumo pessoal e poupança líquida, já descontada a depreciação para a reposição do capital como renda não consumida. Na conta de capital, que é importante para sabermos a capacidade da economia em repor e ampliar a capacidade de produção, temos como crédito a poupança líquida e a depreciação, que são fundamentais para a formação bruta de capital fixo, isto é, investimento e reposição da produção com a variação de estoques. 2.3 Contas nacionais em uma economia aberta e sem governo Aqui iremos supor que a economia é aberta, ou seja, que há relações com o resto do mundo, como exportação e importação, renda enviada ou recebida do setor externo, bem como manteremos a consideração de que não há governo, tributação e gastos públicos nas contas nacionais. As relações com o resto do mundo podem ser identificadas pelas seguintes variáveis: • Exportação de bens e serviços (X). • Importação de bens e serviços (Q). • Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE). • Renda Líquida Recebida do Exterior (RLRE). A exportação de bens e serviços é uma parte da produção interna que é vendida para outros países e representa um débito do setor externo com o país exportador. A importação de bens e serviços representa a compra de bens e serviços do exterior e, portanto, representa um crédito do resto do mundo em relação ao país importador. A exportação (X) e a importação (Q) são de bens e serviços e não de fatores de produção. A Renda Líquida Enviada do Exterior (RLEE) e a Renda Líquida Recebida do Exterior (RLRE) representam salários, juros, lucros e aluguéis remetidos para fora ou recebidos do resto do mundo. Por exemplo, um jogador de futebol que joga na Europa, ao enviar uma parte dos seus rendimentos para o seu país de origem, estará gerando uma renda líquida recebida do exterior (RLRE). Já uma multinacional americana operando no Brasil e que remete uma parte dosseus lucros para seu país de origem estará gerando uma renda líquida enviada do exterior (RLEE). 23 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Observação Mesmo considerando, por enquanto, as economias sem governo, é bom lembrar que a renda é liquida devido a ser tributada em seu país de origem. Toda transação com o resto do mundo é computada em um Balanço de Pagamento (BP), que é composto por duas contas principais: a Conta das Transações Correntes e a Conta Financeira e de Capitais. Iremos, aqui, considerar apenas a conta de Transações Correntes, que é composta pelas subcontas Balança Comercial, na qual são computadas as exportações e as importações, Balança de Serviços, na qual são computadas as rendas líquidas enviadas e recebidas, e Transações Unilaterais, na qual são computadas as viagens internacionais, entre outras relações unilaterais com o resto do mundo, como doações. Ao considerarmos uma economia aberta, temos a criação de uma nova conta, que é a do setor externo. Do lado do crédito, há as importações e a renda enviada ao exterior. Já do lado do débito, temos as exportações e a renda recebida do exterior. Veja que há uma rubrica como “resultado do BP em transações correntes”, que representa o saldo entre o crédito e o débito dessa conta. Por exemplo, se a exportação for maior que a importação, o saldo é positivo, o que significa superávit externo. Referente a essa rubrica ou resultado, Paulani e Braga (2012, p. 47) afirmam: [...] pode ficar de fato em qualquer dos lados da conta do setor externo desde que seu sinal esteja correto, garantindo-se o equilíbrio interno da conta. Ficando onde está, ou seja, do lado esquerdo, ele deverá ter sinal positivo se o país em questão teve um déficit em transações correntes e sinal negativo se o país teve superávit. Isso ocorre porque como esta conta está construída do ponto de vista do resto do mundo, um resultado negativo em transações correntes dessa economia significa, para o resto do mundo, um superávit, o inverso ocorrendo se se tratar de um resultado positivo. A conta de produção passa a ter como complementos as rubricas de exportação do lado do crédito, ou seja, pela ótica de dentro para fora, a exportação significa vendas no setor externo, portanto, valores a receber do setor externo. Do lado do débito, teremos as importações ou valores a pagar, o saldo das rendas líquidas enviadas e recebidas, o produto líquido e a depreciação. Na conta de capital, do lado do débito, permanecem as duas rubricas anteriores. Em uma economia aberta, o que muda é do lado do crédito, com a inserção do resultado do BP em transações correntes somados com a poupança líquida e a depreciação. Isso se deve ao resultado do BP em representar a possiblidade de poupança externa, o que poderá elevar a capacidade de investimento da economia interna. 24 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Quadro 2 – Contas nacionais em uma economia aberta e sem governo Conta do setor externo Débito Crédito G - exportações de bens e serviços não fatores I - importações de bens e serviços não fatores H - renda recebida do exterior J - renda enviada ao exterior K - resultado do BP em transações correntes Total do débito Total do crédito Conta de produção Débito Crédito I - importações de bens e serviços não fatores G - exportações de bens e serviços não fatores J (-) H - renda líquida enviada (+) ou recebida (-) C - consumo pessoal A - produto líquido (salários, lucros, juros e aluguéis) D - variação de estoques B - depreciação E - formação bruta de capital fixo Oferta de bens e serviços Demanda por bens e serviços Conta de capital Débito Crédito D - variação de estoques F - poupança líquida E - formação bruta de capital fixo B - depreciação K - resultado do BP em transações correntes Investimento bruto total Poupança bruta total Adaptado de: Paulani e Braga (2012). 2.4 Contas nacionais em uma economia aberta e com governo Daremos início ao sistema de contas nacionais que passam a ter o agente econômico denominado governo, portanto, temos a conta do governo, que apresenta, do lado do crédito, as receitas públicas e, do lado do débito, as despesas públicas. Quando a receita pública é maior que a despesa, o resultado positivo tem como consequência o superávit fiscal ou a poupança pública. Já quando temos uma despesa pública superior à receita, denominamos déficit fiscal, que irá compor a dívida pública. Por meio dos impostos diretos, indiretos e outras receitas correntes líquidas, o governo sustenta seus gastos com folha de pagamento do funcionalismo público, bem como o pagamento de bens e serviços que demanda do setor privado, denominado consumo do governo. Os impostos são classificados em diretos e indiretos. Os impostos diretos oneram a renda, Imposto de Renda (IR), ou a propriedade, Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana (IPTU), bem como o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotivos (IPVA). Esse tipo de imposto é considerado como progressivo, pois acompanha o valor da renda ou da propriedade, isto é, quanto maior o valor, maior será a alíquota do imposto. 25 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Os impostos indiretos são pagos ao incidirem sobre o preço das mercadorias, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Esse tipo de imposto é considerado regressivo, pois não acompanha o valor da renda dos consumidores, ou seja, paga mais ICMS e IPI quem ganha menos, devido à alíquota de imposto ser a mesma para todas as faixas de renda dos consumidores. As transferências do governo podem ser denominadas em pensões, aposentadorias, programa de renda mínima, programa bolsa família, auxílio doença, entre outros, e representa uma devolução que o governo faz à sociedade dos impostos cobrados sem nenhuma contrapartida. Já os subsídios são considerados como imposto negativo, isto é, ao invés de arrecadar por meio de impostos, o governo abre mão do imposto. Um exemplo recente foi a ação do governo federal brasileiro no ano de 2009 de reduzir as alíquotas de impostos sobre carros e sobre toda a linha branca, como geladeiras e fogões, permitindo aos setores produtores desses bens duráveis reduzirem preços devido à queda dos impostos. Percebe-se que o governo tem um papel relevante no sistema econômico, principalmente na forma de registro dos agregados que compõem o sistema das contas nacionais. Por meio dos impostos indiretos e subsídios, o governo altera o sistema de preços de uma economia. É por esse motivo que temos os conceitos de PIB a preços de mercado e PIB a custo de fatores. O PIB a preços de mercado é aquele que considera os impostos indiretos menos os subsídios e o PIB a custo de fatores é aquele que não considera os impostos indiretos e os subsídios. O valor divulgado anualmente é o PIB a preços de mercado, isto é, o que conta com a participação do governo no sistema de preços do sistema econômico. Observação PIB preço de mercado = PIB custo de fatores +impostos indiretos - subsídios PIB custo de fatores = PIB preço de mercado - impostos indiretos + subsídios Com a entrada da conta do governo e a descrição de cada rubrica, podemos analisar as outras contas e ver como o governo participa de cada uma delas. Na conta de produção, temos o consumo do governo do lado do crédito, devido à compra de bens e serviços do setor privado, e do lado do débito, temos os impostos indiretos líquidos de subsídios. [...] como a conta de produto tem que registrar o PIB a preço de mercado, é preciso lançar no lado do débito o valor dos impostos indiretos líquidos de subsídios. Em contrapartida, temos agora também que lançar do lado do crédito o consumo do governo (rubrica L), compensando assim o lançamento a 26 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I débito do governo. De fato, além de coletar tributos, o governo surge também como um agente adicional de demanda, além daquelas que já existiam, quais sejam, consumo pessoal, investimentos (formação bruta de capital fixo mais variação de estoques) e exportações (PAULANI; BRAGA, 2012, p. 55). A próxima conta é a de apropriação da renda, que apresenta a renda nacional a custo de fatores. Do lado do crédito temos o produto líquido ou a renda dos fatores de produção e do lado do débito, temos as despesas, como consumo pessoal, impostos diretos já líquidos das transferências e outras receitas correntes líquidas do governo, como taxas e contribuições, e, por fim, a renda não gasta em consumo, representada pela poupança líquida. Para finalizar, na conta de capital, temos do lado do crédito o saldo do governo em conta corrente devido ao fato de que o governo também pode gerar poupança pública, que poderá ser utilizada na formação bruta de capital fixo ou investimentos do lado do débito. Dessa forma, há o equilíbrio interno e externo das contas, em que, ao deduzirmos cada lado, isto é, créditos e débitos de todas as contas, o resultado será zero. Quadro 3 – Contas nacionais em uma economia aberta e com governo Conta do governo Débito Crédito L - consumo do governo P - impostos diretos M - transferências O - impostos indiretos N - subsídios R - outras receitas correntes líquidas O - saldo do governo em conta corrente Utilização da receita Total da receita Conta de produção Débito Crédito I - importações de bens e serviços não fatores G - exportações de bens e serviços não fatores J (-) H - renda líquida enviada (+) ou recebida (-) C - consumo pessoal A - produto líquido (salários, lucros, juros e aluguéis) L - consumo do governo B - depreciação D - variação de estoques Q (-) N - impostos indiretos líquidos de subsídios E - formação bruta de capital fixo Oferta de bens e serviços Demanda por bens e serviços Conta de apropriação da renda Débito Crédito C - consumo pessoal A - produto líquido (salários, lucros, juros e aluguéis) P (-) M - impostos diretos líquidos de transferências R - outras receitas correntes líquidas F - poupança líquida Utilização da Renda Líquida Renda Líquida 27 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Conta do setor externo Débito Crédito G - exportações de bens e serviços não fatores I - importações de bens e serviços não fatores H - renda recebida do exterior J - renda enviada ao exterior K - resultado do BP em transações correntes Total do débito Total do crédito Conta de capital Débito Crédito D - variação de estoques F - poupança líquida E - formação bruta de capital fixo B - depreciação K - resultado do BP em transações correntes O - saldo do governo em conta corrente Investimento bruto total Poupança bruta total Adaptado de: Paulani e Braga (2012). 2.4.1 O sistema de contas nacionais e as identidades contábeis em uma economia aberta e com governo Após apresentarmos as contas nacionais em uma economia aberta e com governo, podemos completar os conceitos por meio das identidades contábeis sobre produto e renda. Anteriormente, apresentamos renda agregada determinada apenas pelo nível de consumo e investimento agregados em uma economia simples. As contas nacionais em uma economia aberta e com governo passam a ter relações com o resto do mundo, como exportação e importação, bem como renda enviada ou recebida do setor externo, e a participação do governo por meio da tributação e dos gastos públicos nas contas nacionais. Como já apresentamos as variáveis do setor externo, vamos entender a dinâmica econômica com a entrada do governo e sua participação na economia e assim completar as variáveis que determinam o Produto Interno Bruto (PIB). A entrada da conta governo revela que esse agente econômico gera uma receita pública que é composta principalmente por impostos diretos e indiretos, dando condições de executar os gastos públicos em bens e serviços, entre outros. Observação Bens públicos são aqueles que não podem ser providos pelo mecanismo de mercado, como justiça, segurança pública nacional, entre outros. Duas características são inerentes a esse tipo de bem, a da não exclusão e da não rivalidade ou indivisibilidade. 28 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Constatamos que a renda agregada (Y) é composta por consumo (C) e poupança (S) agregados e a despesa agregada é composta por consumo (C) e investimento (I) agregados. Temos: Y = C + S DA = C + I Com a entrada do governo, temos um complemento. Teremos agora, de ambos os lados, as variáveis de arrecadação do governo ou tributação (T) e gastos do governo ou gastos públicos (G): Y = C + S + T DA = C + I + G A renda agregada passa a ser representada por consumo, poupança ou renda não consumida e tributação ou parte da renda gerada e transferida para o governo por meio de impostos, contribuições e taxas. Desta vez, se igualarmos Y = DA, temos: C + S + T = C + I + G Ao cortar o consumo (C) de ambos os lados e invertendo os termos, teremos: S + T = I + G S – I = G - T As equações demonstram, do lado esquerdo, a possibilidade de poupança privada, se a poupança for maior que o investimento (S > I), e, do lado direito, a possiblidade de poupança pública, se os gastos do governo forem menores que a arrecadação pública (G < T). Sempre que houver um déficit público, isto é, quando o governo gastar mais do que arrecadou (G > T), deverá ocorrer um excesso de poupança privada para financiar os gastos excessivos do governo, ou seja, S > I. Como já comentado, o governo altera os preços devido a impostos indiretos e subsídios. Sendo assim, temos o produto a preço de mercado e o produto a custo de fatores, que podem ser apresentados da seguinte forma: Produto a preço de mercado = Produto a custo de fatores + Impostos indiretos – subsídios 29 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIALProduto a custo de fatores = Produto a preço de mercado - Impostos indiretos + subsídios Agora iremos ampliar a renda e a despesa agregadas com as variáveis do resto do mundo, ou setor externo, como já descrito: • Exportação de bens e serviços (X); • Importação de bens e serviços (Q); • Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE); • Renda Líquida Recebida do Exterior (RLRE). A partir daqui, iremos apresentar os conceitos de oferta e de despesa interna e global, da seguinte forma: Y = C + I + G + X – Q Em que a renda agregada representa o produto interno bruto ou a oferta interna (Y) e do outro lado da equação temos todas as despesas internas, inclusive os gastos com importação. Y + Q = C + I + G + X Já nessa segunda equação, temos a renda agregada (Y) somada à importação (Q), que representam a oferta global, isto é, a oferta de bens e serviços produzidos internamente e fora do país, e do outro lado da equação temos todas as despesas globais, inclusive os gastos do resto do mundo com nossas exportações. Por meio da apresentação desses conceitos, temos: • Ótica da utilização da renda que apresenta como os agentes econômicos consomem, poupam e pagam impostos: Y = C + S + T • Ótica da distribuição das despesas que apresenta como os agentes econômicos consomem e investem em produção do lado privado, consomem e investem em produção do lado público, gastam em exportação e importação: Y = C + I + G + X – Q 30 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Ao igualarmos as duas últimas equações apresentadas, temos: C + S + T = C + I + G + X – Q Cortando a variável de consumo (C) de ambos os lados e invertendo a importação do lado direito para o lado esquerdo, temos: S + T + Q = I + G + X Rearranjando os termos: (T - G) + (S – I) = (X – Q) Ou (X – Q) = (T - G) + (S – I) As duas últimas equações demostram o que chamamos de poupança global, isto é, a poupança interna privada (S - I), a poupança interna pública (T - G ou G - T) e a poupança externa (X – Q). No caso de (X – Q) > 0, temos o que se chama de superávit comercial, ou seja, quando as exportações (X) são maiores que as importações (Q), esse resultado indicará um superávit externo, também, ou no setor privado (S – I) > 0 ou no governo (T – G) > 0, ou em ambos. Até agora falamos somente do Produto Interno Bruto (PIB), que trata apenas da produção e despesas dos agentes residentes internos, mas também há o Produto Nacional Bruto (PNB), que trata da produção e despesas dos agentes residentes e não residentes de um país e pode ser apresentado da seguinte forma: PNB = PIB – RLEE + RLRE PIB = PNB + RLEE – RLRE Esses dois conceitos são importantes e devemos sempre tomar cuidado ao utilizar o PIB e o PNB quando estamos fazendo comparações internacionais devido ao fato de que alguns países apresentam um PNB maior que o PIB, como é o caso dos EUA, e em outros, o PIB é maior que o PNB, como é o caso do Brasil. Observação O Brasil tem um PIB > PNB e os EUA tem um PIB < PNB. 31 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Percebe-se que a diferença entre PIB e PNB é devido às rendas líquidas recebidas e enviadas de um país para o outro, pois representam um fluxo de renda de juros, lucros, salários e aluguéis entre agentes residentes e não residentes, isto é, brasileiros que moram no exterior e estrangeiros que moram no Brasil. Lembrete Como já visto, quando um jogador de futebol vai morar na Europa, ele deverá enviar uma parte do seu salário para o Brasil para custear suas despesas familiares, entre outras. Essa renda é considerada como renda líquida recebida do exterior (RLRE). Ela é liquida devido a ser toda tributada no país de origem e representa a renda de fatores de produção de brasileiros não residentes. Já quando temos uma empresa multinacional chinesa produzindo no Brasil, e essa mesma empresa gera lucros e remete parte ou todo lucro para seu país de origem, a China, consideramos essa renda como renda líquida enviada ao exterior (RLEE), que é resultado da produção de fatores de produção de estrangeiros residentes. Na comparação entre Brasil e EUA, há muito mais fatores de produção norte-americanos não residentes, principalmente multinacionais, que remetem RLEE para os EUA do que fatores não residentes brasileiros, por esse motivo o PNB norte-americano acaba sendo maior do que seu PIB. Ao entendermos esses conceitos, passamos ao conceito de Renda Nacional (RN), que é igual ao Produto Nacional Líquido a custo de fatores (PNLcf), e de Renda Pessoal (RP), que é igual à Renda Nacional menos os lucros retidos pelas empresas, menos os impostos diretos sobre as empresas, menos outras receitas do governo, como previdência, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), mais transferências do governo, como aposentadorias, pensões, seguro desemprego, entre outros. RN = PNLcf RP = RN − lucros retidos pelas empresas − impostos diretos sobre as empresas − outras receitas do governo + transferências do governo E, por último, a Renda Pessoal Disponível (RPD), que é igual à Renda Pessoal menos os impostos diretos sobre as famílias: RPD = RP − Impostos Diretos sobre as famílias Outro ponto importante é que quando apresentamos os valores do produto e renda não podemos esquecer que eles são resultado da média de preços multiplicada pela quantidade de todos os bens e 32 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I serviços produzidos no período de um ano. Portanto, se houver um aumento contínuo e generalizado do nível de preços, isto é, ocorrer uma inflação, não se pode considerar isso como um aumento da produção ou da quantidade produzida de bens e serviços, mas somente como um aumento do nível de preços, leia-se: inflação. Para que possamos anular esse efeito da inflação sobre o desempenho da produção, que é medida pelo PIB, temos que trabalhar com os conceitos de Produto Nominal e Produto Real. O Produto Nominal é a somatória de tudo que foi produzido (Q) no período de um ano, por exemplo, o ano de 2014, multiplicado pelo nível médio de preços do mesmo ano corrente, ou seja, do mesmo ano de 2014. Já o Produto Real é a somatória de tudo que foi produzido (Q) no período de um ano, entretanto, essa somatória é multiplicada pelo nível médio de preços do ano anterior. No caso do exemplo, do ano de 2013, como apresentado a seguir: Produto Nominal = ∑P2014 x Q2014 Produto Real = ∑P2013 x Q2014 Dessa forma, anulamos o efeito dos preços na contabilidade nacional e podemos chegar ao resultado de crescimento real do PIB, se ele cresceu por meio de uma maior quantidade de bens e serviços produzidos (Q) e não devido ao impacto da elevação do nível de preços. Por fim, temos o conceito de deflator implícito do PIB, que é a variação média dos preços do período em relação à média dos preços do período anterior e pode ser apresentado da seguinte forma: Deflator = Produto Nominal = ∑P2014 x Q2014 Produto Real = ∑P2013 x Q2014 Com o deflator, podemos calcular o PIB real dividindo o PIB nominal pelo deflator e multiplicandopor 100: PIB real = PIB nominal x 100 Deflator Veremos mais adiante a importância do deflator em corrigir a distorção que o aumento de preços causa aos preços relativos da economia como um todo, bem como na mensuração das contas nacionais, que têm o objetivo de apurar o crescimento econômico real do PIB. 2.5 O sistema de contas nacionais no Brasil O sistema de contas nacionais é um sistema de contabilidade nacional que evolui no tempo e sofre modificações com as normas internacionais e nacionais. No Brasil isso não é diferente. O quadro a seguir apresenta as quatro principais contas nacionais: 33 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL • Conta Produto Interno Bruto (PIB). • Conta Renda Nacional Disponível Bruta (RDB). • Conta Transações Correntes com o Resto do Mundo. • Conta de Capital. A primeira conta irá apresentar, do lado do crédito, o PIB pela ótica da despesa e, do lado do débito, o PIB pela ótica da renda, em que o excedente operacional bruto representa juros, lucros e aluguéis. A segunda conta apresenta do lado do crédito toda a renda gerada ou a renda nacional, isto é, já líquida, da renda enviada e recebida do exterior. A terceira apresenta todos os fluxos realizados com o setor externo, e, por fim, a quarta conta apresenta a capacidade de investimento da economia, isto é, a poupança bruta necessária para o financiamento da produção ou formação bruta de capital fixo. Quadro 4 – Sistema de Contas Nacionais no Brasil Conta Produto Interno Bruto (PIB) Débito Crédito 1.1 – Produto Interno Bruto a custo de fatores 1.4 – Consumo final das famílias 1.1.1 – Remuneração dos empregados 1.5 – Consumo final das Administrações Públicas 1.1.2 – Excedente Operacional Bruto 1.6 – Formação Bruta de Capital Fixo 1.2 – Tributos indiretos 1.7 – Variação de estoques 1.3 - (menos) Subsídios 1.8 – Exportação de bens e serviços não fatores 1.9 – (menos) Importações de bens e serviços não fatores Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIB pm) Dispêndio correspondente ao Produto Interno Bruto Conta Renda Nacional Disponível Bruta (RDB) Débito Crédito 1.4 – Consumo final das famílias 1.1 – Produto Interno Bruto a custo de fatores 1.5 – Consumo final das Administrações Públicas 1.1.1 – Remuneração dos empregados 4.3 – Poupança Bruta 1.1.2 – Excedente Operacional Bruto 3.2 (-) 3.6 – Remuneração de empregados líquida recebida do resto do mundo 3.3 (-) 3.7 – Outros rendimentos líquidos recebidos do resto do mundo 3.4 (-) 3.8 – Transferências unilaterais líquidas recebidos do resto do mundo 1.2 – Tributos indiretos 1.3 - (menos) Subsídios Utilização da Renda Nacional Disponível Bruta (RDB) Apropriação da Renda Nacional Disponível Bruta (RDB) 34 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Conta Transações Correntes com o Resto do Mundo Débito Crédito 1.8 – Exportações de bens e serviços não fatores 1.9 – Importações de bens e serviços não fatores 2.5 (+) 3.6 – Remuneração de empregados recebida do resto do mundo 3.2 (-) 2.5 – Remuneração de empregados paga ao resto do mundo 2.6 (+) 3.7 – Outros rendimentos recebidos do resto do mundo 3.3 (-) 2.6 – Outros rendimentos pagos ao resto do mundo 2.7 (+) 3.8 – Transferências unilaterais recebidas do resto do mundo 3.4 (-) 2.7 – Transferências unilaterais pagas ao resto do mundo 4.4 – Saldo das transações correntes com o resto do mundo Recebimentos Correntes Utilização dos Recebimentos Correntes Conta de Capital Débito Crédito 1.6 – Formação bruta de capital fixo 2.3 – Poupança Bruta 1.6.1 – Construção 3.9 - (menos) Saldo das transações correntes com o resto do mundo Administrações públicas Empresas e famílias 1.6.2 – Máquinas e equipamentos Administrações públicas Empresas e famílias 1.6.3 – Outros 1.7 – Variação de estoques Total da Formação Bruta de Capital Financiamento da Formação Bruta de Capital Adaptado de: Paulani e Braga (2012). A partir do quadro podemos visualizar a composição do Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIBpm) e todas as despesas correspondentes a sua produção. Podemos visualizar, também, a utilização e a apropriação da Renda Nacional Disponível Bruta (RDB), as transações correntes com o resto do mundo ou setor externo e a capacidade de investimento da economia por meio do total da formação bruta de capital e da sua capacidade de financiamento. O quadro a seguir, considerada a quinta conta ou conta complementar, trata da conta corrente das administrações públicas (governo) e apresenta as rubricas de receitas correntes do governo e as rubricas de utilização dessa receita corrente, isto é, as despesas do governo. 35 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Quadro 5 – Conta Complementar Conta Corrente das Administrações Públicas Débito Crédito Consumo final das administrações públicas Tributos indiretos Salários e encargos Tributos diretos Outras compras de bens e serviços Outras receitas correntes líquidas Subsídios Outras receitas correntes brutas Transferências de assistência e previdência (-) Outras despesas de transferência Juros da dívida pública interna Transferências intragovernamentais Poupança em conta corrente Transferências intergovernamentais Transferências ao setor privado Transferências ao exterior Utilização da Receita Corrente Total da Receita Corrente Fonte: Paulani e Braga (2012, p. 64). Percebe-se que todo lado do débito ou despesas públicas, como salários e encargos, compra de bens e serviços e outras despesas, tem como contrapartida o lado do crédito ou receitas do governo por meio dos tributos e outras receitas que são oneradas por transferências para outras esferas públicas, setor privado e resto do mundo. 3 AS CONTAS NACIONAIS NO BRASIL A metodologia sobre a mensuração e a valoração de tudo que é produzido e consumido em um país em dado período de tempo, isto é, um ano, cuja estrutura é conhecida como contas nacionais, segue os princípios contábeis e as diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU), do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Banco Mundial. No Brasil, a contabilidade social é realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que segue essas mesmas diretrizes, fazendo as adaptações necessárias às especificidades da economia brasileira. A metodologia das contas nacionais tem evoluído no tempo com objetivo de se manter: atualizada, ao acompanhar a sofisticação dos mercados financeiros e as complexidades econômicas; flexível, ao possibilitar a adaptação de economias de diferentes níveis político, econômico e social; e harmônica, ao ser compatível com outras estatísticas internacionais.Com base nas publicações, nas notas metodológicas e última referência de atualização do IBGE, iremos descrever a evolução do Sistema de Contas Nacionais brasileiro, bem como apresentar os principais instrumentos e seus dados agregados, procurando sempre demonstrar os valores das contas reais da economia brasileira como forma de sabermos as dimensões da realidade nacional. 36 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I 3.1 Sistema de Contas Nacionais ou System of National Accounts (SNA) Recentemente, o IBGE apresentou novos resultados do Sistema de Contas Nacionais, com referência ao ano de 2010, seguindo as recomendações internacionais. Essas mudanças das séries de dados do Sistema de Contas Nacionais ocorrem anualmente desde a atualização do Sistema de Contas Nacionais do Brasil, publicada em 1997, com a adoção das recomendações internacionais, com base no manual System of National Accounts (SNA) 1993. A metodologia recente segue a revisão de conceitos apresentada no novo manual System of National Accounts 2008. As séries estatísticas seguem a recomendação de manutenção dos valores a preços constantes, isto é, a preços do ano anterior, para anular o efeito da inflação. Cada país faz suas mudanças particulares devido à flexibilidade intrínseca à metodologia do SNA em vigor em um ano de referência. No Brasil, as revisões da série do Sistema de Contas Nacionais foram: • Cálculo do ano de referência e a atualização dos anos anteriores com a introdução das alterações realizadas. Esse processo é chamado de retropolação ou retorno à origem, isto é, faz o valor nominal regredir ao valor do ano anterior resultando em uma nova série estatística atualizada e coerente no período determinado. • Segue-se a recomendação internacional para a determinação do ano-base ou ano de referência para verificar as variações de volume e preço. O ano-base para as variações é o ano anterior, por este motivo a série é considerada como base móvel, isto é, se move para o ano anterior. • Encadeamentos de séries apenas nas Contas Nacionais Trimestrais. Uma série encadeada é feita a partir de um ano estabelecido como base, não sendo necessário coincidir com o ano de referência. Esse método possibilita a criação de índices para avaliar a evolução de uma série com base fixa em um ano. Essa tarefa permite produzir uma série de números índices com base 100 no ano-base e valores a preços do ano-base, chamados série de valores encadeados. Lembrete A metodologia das contas nacionais tem que ser atualizada, flexível e harmônica. As Contas Nacionais, com a referência 2010, permitem uma nova classificação das atividades econômicas e dos produtos produzidos, e, com isso, a inserção de novas fontes de dados, novos conceitos e métodos, além de outros resultados de pesquisas específicas que podem ser realizadas, como a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o Censo Agropecuário, entre outros estudos realizados pelo IBGE. 37 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Uma das regras adotadas em um Sistema de Contas Nacionais é que mudanças profundas nas séries sejam feitas em períodos determinados, de forma a se evitar que os anos da série percam comparabilidade. A dinâmica da economia exige que se mantenha uma permanente discussão, em fóruns específicos, entre os diversos Institutos de Estatística e Bancos Centrais compiladores de Contas Nacionais, em conjunto com organismos internacionais, com vistas a atualizar ou expandir as metodologias de tal forma que reflitam as modificações ocorridas na economia e na sociedade. A partir dessas discussões, originam-se as revisões conceituais e metodológicas internacionais que devem ser adotadas oportunamente nos Sistemas de Contas Nacionais dos países. O SNA 2008 apresentou, por exemplo, novos instrumentos financeiros, mudanças no tratamento dos fundos de pensão e uma nova classificação para os ativos que constituem a formação bruta de capital fixo (IBGE, 2015d, p. 11). Não é fácil a construção do ano de referência de um Sistema de Contas Nacionais, pois existem dados que são impossíveis de estimar todos os anos devido à escassez de tempo para o levantamento, divulgação e acompanhamento dos dados no Sistema. Portanto, criam-se índices e parâmetros para acompanhar a dinâmica do consumo das famílias, do consumo intermediário, entre outros. Observação Toda a exigência da realização de trabalho adicional para atualização de conceitos e metodologia gera um período de transição entre séries estatísticas, o que faz a divulgação da série mais detalhada ser suspensa. As estimativas mais agregadas são mantidas com base na metodologia em vigor. O IBGE interrompeu, em 2009, a divulgação da série do Sistema de Contas Nacionais com referência do ano de 2000 ao não publicar as Tabelas de Recursos e Usos (TRU) e as Contas Econômicas Integradas (CEI) dos anos posteriores. Por esse motivo, às vezes pesquisamos uma série de dados estatísticos no site do IBGE e percebemos que ela não está atualizada. Para o período de 2010 a 2013, por exemplo, estavam disponíveis apenas os dados das Contas Nacionais Trimestrais. Com a implantação do Sistema de Contas Nacionais com a referência 2010 teremos os dados anuais, evitando esse tipo de problema para os pesquisadores. Como a própria metodologia internacional propõe, há a necessidade de revisões periódicas das séries estatísticas do Sistema de Contas Nacionais. No manual internacional System of National Accounts 2008 houve a revisão da classificação nacional de atividades econômicas (CNAE), que 38 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I revelou novos dados para a economia brasileira e exigiu a atualização da série do Sistema de Contas Nacionais do Brasil, fazendo com que, no ano de 2011, houvesse a revisão nos seguintes pontos: • Nova classificação de produtos e atividades no Sistema de Contas Nacionais e integração com o código nacional de atividades econômicas (CNAE) atualizado. • Inserção dos resultados do Censo Agropecuário 2006, da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009 e do Censo Demográfico 2010. • Atualização da fonte ou matriz de consumo intermediário com dados das seguintes atividades econômicas: extrativa mineral, indústria de transformação, construção civil e serviços da Pesquisa de Consumo Intermediário (PCI) 2010. • Atualização das margens de comércio e de transporte com base em pesquisas específicas e na Pesquisa Anual de Serviços (PAS) 2010. • Atualização das estruturas de impostos com base na revisão das alíquotas e nas novas estruturas de consumo. • Utilização dos dados da Receita Federal, isto é, da declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física como referência para parte dos resultados do setor institucional Famílias nas Contas Econômicas Integradas (CEI). O SNA 2008 introduziu modificações conceituais que impactaram nos agregados econômicos, inclusive no Produto Interno Bruno (PIB), sendo o caso da nova classificação dos ativos não financeiros que ampliam a formação bruta de capital fixo, por exemplo, os gastos em softwares e em pesquisae desenvolvimento (P&D), que passaram a ser tratados como formação bruta de capital fixo e não mais como consumo intermediário. Há também no SNA 2008 especificações sobre como tratar as atividades do governo e do setor público ao consolidar conceitos que se relacionam com as atividades de governo e estabelecer a ligação com outros sistemas estatísticos, seguindo o manual Government Finance Statistics do ano de 2001, publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A análise do setor público é importante devido a estar relacionado aos seus objetivos de política econômica e industrial, por meio de empresas, financeiras e não financeiras, sob seu controle, em que tais objetivos alteram as receitas e despesas públicas, bem como o Produto Interno Bruto. 39 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Saiba mais Veja também as pesquisas anuais: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa(s): Pesquisa Anual da Indústria da Construção. Rio de Janeiro: [s.d.]. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados. php?id_pesquisa=27>. Acesso em: 13 jul. 2015. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa(s): Pesquisa Anual de Comércio. Rio de Janeiro: [s.d.]. Disponível em: <http:// www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php?id_ pesquisa=28>. Acesso em: 13 jul. 2015. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa(s): Pesquisa Anual de Serviços. Rio de Janeiro: [s.d.]. Disponível em: <http:// www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php?id_ pesquisa=29>. Acesso em: 13 jul. 2015. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa industrial anual: 1986/1995. Rio de Janeiro: [s.d.]. Disponível em: <http://www. ibge.gov.br/home/estatistica/economia/industria/pia/>. Acesso em: 13 jul. 2015. Dito um pouco sobre a evolução recente do Sistema de Contas Nacionais com base nas normas e diretrizes internacionais e do IBGE, os instrumentos de mensuração dos agregados econômicos passam a ser nosso objeto de estudo daqui para frente, como a Tabela de Recursos e Usos (TRU) e as Contas Econômicas Integradas (CEI), que apresentam os resultados e permitem a análise do desempenho da economia por setores institucionais e têm relação com as informações da TRU. É o IBGE que apresenta os resultados das Tabelas de Recursos e Usos (TRU). Recentemente, por exemplo, o instituto divulgou as TRU a preços correntes de 2010 e a preços constantes do ano anterior e correntes de 2011. As Contas Econômicas Integradas (CEI) para os cinco setores institucionais (empresas financeiras, empresas não financeiras, governo geral, famílias e instituições sem fins de lucro a serviço das famílias), em valores correntes para o biênio 2010-2011, também foram divulgadas. 40 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Saiba mais No site do IBGE, também há a disponibilização da TRU para 68 atividades e 128 produtos, bem como as tabelas sinóticas ou complementares por seções (20 atividades) da classificação nacional de atividades econômicas (CNAE), além das Contas Econômicas Integradas (CEI) com maior nível de desagregação: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Contas nacionais: Brasil 2010-2011: referência 2010: tabelas completas. Rio de Janeiro: [s.d.]. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/ contasnacionais/2011/defaulttab_xls.shtm>. Acesso em: 13 jul. 2015. As informações apresentadas nas TRU mostram os fluxos de oferta e demanda dos bens e serviços e, também, a geração da renda no processo produtivo e do emprego em cada atividade econômica. Os dados que compõem as CEI oferecem uma visão de conjunto da economia, por setor institucional, e descrevem seus fenômenos essenciais: produção, consumo e acumulação. Fornecem, ainda, uma representação compreensível e simplificada, porém completa, deste conjunto de fenômenos e das suas inter-relações (IBGE, 2015d, p. 14). As contas econômicas integradas seguem uma sequência de contas de fluxos inter-relacionadas e articuladas com as contas de patrimônio (estoques), além de demonstrar as relações entre a economia nacional e o setor externo. Elas são apresentadas em três grandes subconjuntos: • Contas correntes (produção, distribuição e uso da renda). • Contas de acumulação (capital e financeira). • Contas de patrimônio (ativos e passivos de abertura e fechamento). As TRU e as CEI são instrumentos essenciais e é a partir delas que o IBGE apresenta os resultados das contas correntes, de capital e de patrimônio financeiro por meio de tabelas sinóticas ou complementares elaboradas pelo próprio instituto para melhor análise dos dados apresentados. São 15 tabelas sinóticas que contêm os principais agregados anuais para a economia brasileira no período em questão. Os resultados das tabelas complementares permitem, ao leitor, identificar as principais grandezas macroeconômicas calculadas no Sistema de Contas Nacionais do Brasil. A partir delas, pode-se, para cada ano, obter as informações agregadas para o conjunto da economia nacional sobre a magnitude do PIB; a composição da oferta e da demanda agregada; a 41 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL geração, distribuição e uso da renda nacional; a acumulação de capital; a capacidade ou necessidade de financiamento; as transações correntes com o resto do mundo; a composição do PIB, segundo as três óticas (produção, despesa e renda); a população, emprego e renda per capita, entre outras informações sobre os agregados macroeconômicos (IBGE, 2015d, p. 14-15). A seguir, vamos apresentar a estrutura conceitual das TRU e de suas contas das Atividades Econômicas, bem como das Contas Econômicas Integradas (CEI) e de suas contas por setores institucionais. Veremos nas TRU os recursos (produção, importação, impostos e subsídios a produtos), à esquerda, e os usos (consumo intermediário, despesa de consumo final, formação bruta de capital fixo, variação de estoques e exportação), à direita da tabela. As TRU são fundamentais ao Sistema de Contas Nacionais ao demonstrar como o total da oferta de bens e serviços foi alocado em um determinado uso, como também ver a composição do PIB por duas das três óticas: • Ótica da produção: PIB = Valor bruto da produção – consumo intermediário + impostos – subsídios sobre produtos • Ótica da despesa: PIB = Consumo final + formação bruta de capital fixo + variação de estoques + exportações – importações A terceira ótica é a da renda, que é a soma dos valores adicionados, isto é, a soma de todos os salários, juros, lucros e aluguéis de um determinado período, e pode ser analisada no quadrante C das TRU, como veremos em sua estrutura. 3.2 As Tabelas de Recursos e Usos (TRU) As TRU são constituídas por seis matrizes: • A – Oferta • A1 – Produção • A2 – Importação • B1 – Consumo intermediário (insumos) • B2 – Despesa final • C – Componentes do valor adicionado 42 CE CO - R ev isã o: R os e -Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Em que teremos: A = A1 + A2 A = B1 + B2 C = A1 – B1 Em sua estrutura, apresentam as tabelas de recursos de bens e serviços, composta por três quadrantes, e de usos de bens e serviços, subdivididos em quatro quadrantes, conforme mostra a figura a seguir: I - Tabela de recursos de bens e serviços II - Tabela de usos de bens e serviços Oferta Oferta A A = = + + A1 B1 C A2 B2 Produção Consumo intermediário Componentes do valor adicionado Importação Demanda final Figura 5 – Modelo das Tabelas de Recursos e Usos Como consta na figura, a tabela I ou tabela de recursos de bens e serviços descreve a origem dos produtos em nacional e importado. O quadrante A apresenta o valor da oferta total (produção mais importação) a preços de consumidor e a preços básicos. Preços ao consumidor = preços básicos + impostos sobre produtos e importação líquidos de subsídios + margens de comércio e transporte. A figura a seguir apresenta a estrutura da tabela A da forma em que ela é publicada pelo IBGE, ou seja, a oferta total a preços do consumidor ou a preços básicos por setores. Dessa forma, podemos analisar quais setores produzem mais e permitem maior dinâmica ao Produto Interno Bruto brasileiro e a qual etapa da produção esse setor pertence, isto é, primário, secundário ou terciário. 43 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Figura 6 – Tabela A, de recursos de bens e serviços A produção das atividades econômicas por produto forma o quadrante A1 com os produtos descritos nas linhas e as atividades nas colunas, ou seja, cada linha indica em quais atividades os produtos são produzidos, enquanto as colunas indicam a composição dos bens e serviços produzidos por cada nível de atividades. Figura 7 – Tabela A1 de recursos de bens e serviços 44 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I O quadrante A2 apresenta as importações detalhadas em duas colunas para os bens e serviços. Na terceira coluna temos um ajuste chamado CIF/FOB, isto é, o CIF é o termo em inglês de Cost, Insurance e Freight e Free On Board ou FOB, sendo o primeiro o custo da mercadoria em serviços como frete e seguro e o segundo o custo da própria mercadoria. Figura 8 – Tabela A2 de recursos de bens e serviços Agora temos o lado de uso, ou seja, a tabela de usos de bens e serviços ou tabela II, que irá apresentar o equilíbrio entre oferta e demanda a preços de consumidor, bem como o consumo intermediário das atividades econômicas por produto. O quadrante B1 apresenta os insumos usados na produção de cada atividade, com os produtos descritos nas linhas e as atividades nas colunas. Esse quadrante representa a matriz insumo- produto devido a mostrar as compras intermediárias dos setores entre si, isto é, insumos para produção ou quanto cada setor comprou em insumo dos demais setores de produção. 45 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Figura 9 – Tabela B1 de usos de bens e serviços Observação Os setores não são puros, isto é, cada setor utiliza bens e serviços de outros setores na composição de seus próprios bens e serviços, por isso é importante fazer a análise linha-coluna e insumo-produto. O quadrante B2 apresenta a demanda final de bens e serviços por meio do consumo final das famílias, das Instituições Privadas Sem Fins Lucrativos a serviço das famílias (ISFL) e das administrações públicas, formação bruta de capital fixo, variação de estoques e as exportações de bens e de serviços. Perceba que podemos estimar o PIB setorial devido ao fato de que o PIB é a somatória do consumo total, formação bruta de capital fixo e variação de estoques e exportações. 46 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Figura 10 – Tabela B2 de usos de bens e serviços Por fim, o quadrante C apresenta a remuneração dos empregados, bem como o total de postos de trabalho em cada atividade, além dos impostos, líquidos de subsídios, o rendimento misto bruto e o excedente operacional bruto. Figura 11 – Tabela C de usos de bens e serviços 47 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL As TRU têm como objetivo analisar os fluxos de bens e serviços e o processo de produção, como a estrutura de insumos e a estrutura de produção de produtos por atividade, e a geração da renda. Dois elementos são fundamentais em sua construção: as atividades pelo conjunto de agentes no processo de produção e os produtos pelo conjunto de bens e serviços. Em síntese, os resultados das TRU podem ser apresentados por meio de duas tabelas, sendo a primeira a Conta de Bens e Serviços, que apresenta o total da oferta e dos usos de bens e serviços no período considerado, e a conta do Produto Interno Bruto (PIB), que apresenta o seu cálculo pela ótica da produção (lado esquerdo) e pela ótica da demanda (lado direito). Quadro 6 – Conta de bens e serviços Conta de bens e serviços Recursos Usos Valor bruto produção pb Consumo intermediário Impostos líquidos sobre produtos Consumo famílias Importação de bens e serviços Governo IPSFLSF Formação de capital Formação bruta de capital fixo Variação de estoques Compra - Venda de “Valores“ Exportação de bens e serviços Total oferta Total usos Fonte: IBGE (2015a, p. 11) Quadro 7 – Cálculo do Produto Interno Bruto PIB Produção Defesa Valor bruto produção pb Consumo famílias menos Governo Consumo intermediário pc IPSFLSF igual Valor adicionado bruto a preços básicos Formação de capital Formação bruta de capital fixo Variação de estoques Compra - Venda de “Valores“ Exportação de bens e serviços menos Importação de bens e serviços PIB PIB Fonte: IBGE (2015a, p. 11). 48 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Após a apresentação teórica, metodológica e conceitual das TRU, é importante a sua apresentação prática, isto é, como as TRU apresentam a série estatística dos principais agregados macroeconômicos, como oferta e importação agregadas, consumo, investimentos, gastos do governo, exportação, importação, entre outros valores agregados. Paraisso, apresentaremos a seguir a TRU do ano de 2011 com seus 12 setores institucionais na linha e coluna. Nela é possível identificar alguns dados que podem auxiliar na extração dos principais dados da série e fazer análises econômicas sobre ela, transformando-as em informações relevantes. As figuras a seguir apresentam os quadrantes A = A1 + A2. Neles, temos a oferta agregada total a preços do consumidor em R$ 8,6 trilhões e a preços básicos em R$ 7,9 trilhões por setores. Caso a necessidade seja o dado desagregado, isto é, a oferta agregada total a preços do consumidor apenas do setor de transformação, o valor é de R$ 3,5 trilhões. Figura 12 – Recursos de bens e serviços (2011) – Quadrante A 49 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Figura 13 – Recursos de bens e serviços (2011) – Quadrante A1 Figura 14 – Recursos de bens e serviços (2011) – Quadrantes A1 e A2 50 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I As figuras a seguir apresentam os quadrantes A = B1 + B2. Temos nesses quadrantes os insumos necessários para a produção (B1) e as despesas ou demanda final (B2), sendo essa última um dos caminhos para se chegar ao valor do PIB, pois apresenta os gastos agregados. Por exemplo: a demanda final foi de R$ 4,9 trilhões, menos as importações de R$ 535,4 bilhões, o que resultará no valor do PIB de R$ 4,3 trilhões em valores correntes no ano de 2011. Figura 15 – Uso de bens e serviços (2011) – Quadrante B1 51 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Figura 16 – Uso de bens e serviços (2011) – Quadrantes B1 e B2 Por fim, o quadrante C apresenta os valores adicionados, ou o PIB pela ótica da renda, isto é, pela soma dos salários, renda do trabalho e do excedente operacional bruto, renda do capital, isto é, a soma dos juros, lucros e aluguéis. Sendo o PIB a soma dos valores adicionados, por meio desse quadrante também podemos chegar ao valor do PIB, basta ver a linha “Valor adicionado bruto (PIB)” e a coluna “total do produto”, cujo valor apresentado é de R$ 3,7 trilhões. Para que o valor seja igual a R$ 4,3 trilhões, como já apresentado, basta somar os R$ 655,9 bilhões de imposto líquidos de subsídios. 52 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Figura 17 – Uso de bens e serviços (2011) – Quadrante C Figura 18 – Uso de bens e serviços (2011) – Quadrante C 53 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL 3.3 As Contas Econômicas Integradas (CEI) Com base nas TRU, as Contas Econômicas Integradas (CEI) apresentam uma visão de conjunto da economia em que são dispostas, em colunas, as contas dos setores institucionais, do resto do mundo e de bens e serviços. As tabelas apresentam uma coluna para a soma dos setores institucionais, isto é, o total da economia, na qual são apresentados os agregados macroeconômicos. Já nas linhas, temos as operações, saldos e alguns agregados, descritos na coluna central da tabela. Observação É importante ressaltar que as contas do resto do mundo são apresentadas do ponto de vista do resto do mundo e não do ponto de vista interno. As CEI possuem uma tabela síntese em que as colunas de bens e serviços são consideradas colunas especiais, pois funcionam como uma conta espelho da conta dos setores institucionais. Na coluna de usos, do lado esquerdo, aparece a oferta de bens e serviços, enquanto na de recursos, do lado direito, aparece a demanda de bens e serviços. Para entendermos as CEI e suas tabelas e contas, necessitamos ver uma a uma. A primeira é a conta de produção, que demonstra os dados do processo de produção e o valor bruto da produção a preços básicos, o consumo intermediário a preços do consumidor e o valor adicionado bruto a preços básicos, sendo esse o saldo dessa conta, obtido pela diferença entre o valor de produção e o consumo intermediário. Quadro 8 – Conta de Produção Contas correntes Usos Recursos Produção Consumo intermediário Valor bruto produção pb Impostos líquidos sobre produtos Valor adicionado / PIB Fonte: IBGE (2015a, p. 12) Antes de prosseguirmos, dois conceitos são importantes. Segundo o IBGE (2015a, p. 21): A Renda Nacional Bruta a preços de mercado, ou Produto Nacional Bruto (PNB), é a soma das rendas primárias a receber pelos setores institucionais residentes. Assim, a RNB é igual ao PIB menos as rendas primárias a pagar, líquidas das a receber, das unidades não residentes (resto do mundo). Ela 54 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I equivale à renda obtida pelas unidades institucionais residentes pelo uso de seus fatores de produção (trabalho e capital) [...]. A Renda Nacional Disponível Bruta expressa a renda disponível da nação para consumo final e para poupança. É igual a RNB mais os impostos correntes sobre a renda e o patrimônio líquidos, recebidos do exterior, mais as contribuições e benefícios sociais e outras transferências correntes líquidas, recebidas do exterior. As CEI apresentam as contas de distribuição primária da renda. As rendas primárias são rendas que se revertem para as unidades institucionais como o resultado de sua participação no processo de produção ou pela propriedade de ativos necessários à produção. A CEI registra a renda primária em duas contas: a conta de geração da renda e a conta de alocação da renda primária. A conta de geração da renda apresenta a distribuição do valor adicionado, renda gerada no processo de produção, entre os fatores de produção (trabalho e capital) e as administrações públicas, cujo ponto de vista é dos produtores, por as operações de distribuição estarem diretamente ligadas ao processo de produção. Quadro 9 – Conta de geração da renda Geração Valor adicionado/PIB Remunerações Impostos s/ produção Excedente operacional bruto Fonte: IBGE (2015a, p. 13). A conta de alocação da renda, como o próprio nome revela, registra a distribuição primária da renda entre renda do trabalho e do capital, bem como as rendas de propriedade a pagar e a receber, e também a remuneração dos empregados e os impostos, líquidos dos subsídios, a receber respectivamente por famílias e administrações públicas. Quadro 10 – Conta de alocação da renda Alocação primária Excedente operacional bruto Remunerações Impostos s/ produção Rendas de propriedade Rendas de propriedade Renda nacional brutaFonte: IBGE (2015a, p. 13). 55 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL A conta de distribuição secundária da renda apresenta a dedução dos impostos e contribuições, demonstrando a passagem do saldo da renda primária de um setor para renda disponível, após o recebimento e pagamento de transferências correntes, exceto as transferências sociais em espécie. Essa redistribuição representa a segunda fase no processo de distribuição da renda. Quadro 11 – Conta de Distribuição Secundária da Renda Distribuição secundária Renda nacional bruta Impostos sobre a renda, propriedade Impostos sobre a renda, propriedade Contribuições sociais Contribuições sociais Benefícios sociais Benefícios sociais Outras transferências correntes Outras transferências correntes Renda nacional bruta disponível Fonte: IBGE (2015a, p. 14). Agora temos a conta de uso da renda que revela como o país e os setores institucionais alocam sua renda disponível em consumo e poupança, sendo esse o saldo da conta. A Renda Nacional Bruta Disponível (RNDB) está dividida em consumo final e a renda não consumida, isto é, poupança. Sendo assim, essa conta considera como recurso a RNDB e as despesas de consumo final que efetivamente dispenderam os recursos. Quadro 12 – Conta de Uso da Renda Nacional Bruta Disponível Uso da renda Renda Nacional Bruta Disponível (RNDB) Consumo final Poupança Fonte: IBGE (2015a, p. 14). Observação O IBGE geralmente publica apenas a conta do uso da renda. Quando se registram os resultados por setor institucional, consideram-se as transferências sociais em espécie e, ao fazer isso, temos no Sistema de Contas Nacionais o conceito de Renda Nacional Bruta Disponível Ajustada (RNDBA), que é igual à RNDB para o total da economia, mas difere para os setores institucionais afetados pelas transferências sociais em espécie. 56 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I A conta de uso da renda disponível ajustada parte da renda disponível ajustada, cujas transferências sociais são recursos para as famílias e usos das administrações públicas e das instituições privadas sem fins lucrativos a serviço das famílias (ISLSF). Essas transferências sociais elevam o consumo das famílias e o consumo final efetivo. Por esse motivo, o Sistema de Contas Nacionais registra na conta de redistribuição da renda em espécie a passagem da RNDB para a RNDBA, registrando em uma linha as transferências em espécie. No quadro a seguir, podemos ver o detalhamento desse processo na conta de uso da renda nacional bruta disponível e na conta de uso da renda nacional bruta disponível ajustada. A primeira detalha o uso da RNDB pela despesa de consumo final, como a tabela apresenta, o individual e coletivo, e a segunda detalha o uso da RNDBA pelo consumo final efetivo, também, o individual e o coletivo. A poupança total, que é o saldo da conta de uso da renda, não se altera em função desses desdobramentos. Quadro 13 – Conta de Uso da Renda Nacional Bruta Disponível Ajustada Uso da renda nacional disponível Renda Nacional Bruta Disponível (RNDB) Despesa de consumo final Individual Coletivo Poupança Uso da renda nacional disponível ajustada Renda Nacional Bruta Disponível Ajustada (RNDBA) Consumo final efetivo Individual Coletivo Poupança Fonte: IBGE (2015a, p. 15). A conta de capital é a conta que dá condições para a formação bruta de capital fixo e variação de estoques, ou seja, os investimentos em produção. Portanto, apresenta relação com a poupança que é o saldo final das operações correntes e é o ponto de partida da conta de acumulação. Sendo assim, a conta de capital registra as operações relativas às aquisições de ativos não financeiros e às transferências de capital que implicam em redistribuição de riqueza, cujo saldo é a capacidade/necessidade líquida de financiamento, isto é, a poupança bruta mais as transferências de capital líquidas a receber do exterior, menos a formação bruta de capital fixo, menos a variação de estoques. 57 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Quadro 14 – Conta de Capital Contas capital Usos Recursos Capital Poupança Formação bruta de capital fixo Transferência de capital Consumo de capital fixo Variações de estoques Capacidade e necessidade de financiamento Fonte: IBGE (2015a, p. 16). A conta financeira demonstra como um país ou uma economia aloca sua capacidade ou necessidade de financiamentos por meio das transações financeiras com ativos e passivos. Conforme o quadro a seguir, a conta é composta por instrumentos financeiros com a aquisição líquida de ativos, registrada na coluna da esquerda, e a dos passivos, na coluna da direita. Quadro 15 – Conta Financeira Aquisição líquida de ativos Aquisição líquida de passivos Financeira Instrumentos financeiros Instrumentos financeiros Capacidade e necessidade de financiamento Fonte: IBGE (2015a, p. 17). 3.3.1 As contas econômicas integradas por setores institucionais Diversos países adotaram as CEI por setores institucionais para melhorar a produção das contas nacionais e suas aplicações analíticas do sistema, mas também para aprofundar o uso dos dados microeconômicos e individualizados para a elaboração de mais informações, principalmente aquelas que são sonegadas, em que “o objetivo das CEI Institucionais é verificar de que forma as empresas, as famílias e a administração pública participam dos processos de geração, apropriação, distribuição e uso da renda” (PAULANI; BRAGA, 2012, p. 117). A metodologia de passagem de dados microeconômicos (fiscais, contábeis etc.), obtidos através de pesquisas estatísticas ou por registros administrativos, para estimativas de contas nacionais está institucionalizada em diversos países com sistemas estatísticos e de contas mais avançados. Nessa etapa 58 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I de elaboração da contabilidade nacional, os dados microeconômicos dos agentes são agregados, mantendo-se as estimativas provenientes das fontes individualizadas, mas aproximando-os às definições de contas nacionais. Nessa fase, respeita-se a coerência dos dados fornecidos por cada agente (IBGE, 2008, p. 82). Antes de caracterizarmos os setores institucionais, devemos lembrar que temos os agentes residentes e não residentes e, assim, é melhor compreender o que é uma economia interna e o resto do mundo. Uma economia interna é o conjunto de todas as unidades institucionais residentes no território econômico brasileiro, portanto, consideramos residente o agente econômico que tem seu centro de interesse no país ou nele realiza operações econômicas por um ano ou mais. Esse ponto é importante devido ao conjunto de contas das CEI por setores institucionais agregar dados denominados “restodo mundo”, isto é, apresentar os fluxos entre unidades institucionais residentes e não residentes, sob o ponto de vista dos não residentes. No Sistema de Contas Nacionais, temos seis setores institucionais: • Empresas não financeiras. • Empresas financeiras. • Administrações públicas. • Famílias. • Instituições sem fins de lucro a serviço das famílias (ISFLSF). • Operações com o resto do mundo. Faz-se necessária a explicação de cada um desses setores. Com base na nota metodológica nº 4 do IBGE (2015c) referente as Contas Nacionais - referência 2010, apresentamos nos quadros 11 a 16, a forma strictu sensu como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística define e esclarece a abrangência e a fonte dos dados de cada setor que compõe as CEI. Empresas não financeiras O setor institucional empresas não financeiras é composto por empresas privadas e públicas, produtoras de bens e serviços mercantis. No caso das empresas públicas, foram consideradas como tal somente aquelas controladas pelos governos federal, estadual e municipal, nas quais mais de 50% dos recursos provêm de receita de vendas ao público em geral. As empresas públicas que não satisfazem essa condição foram classificadas no setor institucional administração pública. Já as empresas privadas são aquelas que não são controladas por unidades da administração pública. 59 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL A produção de bens e serviços mercantis significa a prática de preços economicamente significativos pelas empresas. Os preços são considerados economicamente significativos quando têm influência nos montantes que os produtores estão dispostos a oferecer e nos montantes que os compradores desejam comprar. No caso das empresas públicas, a fonte de informação foi a pesquisa Estatísticas Econômicas das Empresas Públicas Não Financeiras, desenvolvida pelo IBGE. Esta pesquisa, com periodicidade anual, tinha por finalidade a obtenção de informações detalhadas sobre a demonstração de resultados, balanço patrimonial, formação de capital, variação de estoques e participação acionária, das empresas federais, estaduais e das municipais das capitais e regiões metropolitanas. Para estimar as contas das empresas privadas foram utilizadas informações provenientes da Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Empresas financeiras O setor institucional empresas financeiras é composto por unidades institucionais que se dedicam, principalmente, à intermediação financeira ou às atividades auxiliares estreitamente ligadas a ela. Portanto, também inclui as empresas cuja principal função é facilitar a intermediação sem que elas próprias a pratiquem. O setor institucional empresas financeiras é subdividido em instituições financeiras e instituições de seguro. No primeiro grupo, incluem-se o Banco Central, as sociedades que compõem o sistema financeiro nacional e os auxiliares financeiros. No segundo grupo, incluem-se as sociedades de seguros, planos de saúde e fundos de pensão. O objetivo principal da atividade seguradora é transformar riscos individuais em riscos coletivos, garantindo pagamentos (indenizações ou benefícios) no caso da ocorrência de sinistro. A seguir, apresentam-se os subsetores que compõem o setor institucional empresas financeiras: • Banco Central: compreende, além do Banco Central, todas as demais instituições que regulam ou supervisionam as empresas financeiras. • Sociedades de depósitos: são constituídas das empresas que captam por meio de depósitos, podendo ser divididas em dois grupos: — Sociedades de depósitos monetários: referem-se às empresas financeiras que captam por meio de depósitos à vista, transferíveis mediante cheque ou outra forma, como os bancos comerciais e múltiplos. 60 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I — Outras sociedades de depósitos: referem-se às instituições financeiras que captam por meio de depósitos não imediatamente transferíveis, como as sociedades de depósitos e sociedades de crédito imobiliário. • Outros intermediários financeiros: exceto empresas de seguros e fundos de pensão, instituições financeiras que captam sob outras formas que não depósitos, como os bancos de investimento. • Auxiliares financeiros: instituições que apenas auxiliam a intermediação financeira, não desempenhando de fato essa função, como as sociedades corretoras de valores mobiliários e corretoras de câmbio. • Sociedade de seguros e fundos de pensão: entidades cuja função principal consiste no fornecimento de seguros em geral e as estabelecidas com o fim de prover pensões e aposentadorias. Instituições financeiras As fontes básicas de informações são os balancetes semestrais analíticos das instituições financeiras, sob a forma do Plano Contábil das Instituições Financeiras (COSIF) e o Plano Geral de Contas do Banco Central (PGC), ambos consolidados. Além dessa fonte, para os segmentos não cobertos pelo COSIF, mas considerados nas contas nacionais, como atividade financeira, foram utilizadas as informações provenientes da Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Em relação aos fundos de investimentos, a fonte é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Instituições de seguros As fontes utilizadas são as informações provenientes da DIPJ, da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), e dados da Secretaria de Previdência Complementar (SPC). Administrações públicas O setor institucional administração pública é constituído por unidades que têm como função principal produzir serviços não mercantis destinados à coletividade e/ou efetuar operações de repartição de renda e de patrimônio. Os serviços são considerados não mercantis quando prestados de forma gratuita ou a preços economicamente não significativos (quando não têm grande influência nos montantes que os produtores estão dispostos a oferecer e nos montantes que os compradores desejam comprar). A principal fonte de recursos do setor é o pagamento obrigatório efetuado pelas demais unidades institucionais na forma de impostos, taxas e contribuições sociais. 61 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL O setor da administração pública é composto pelas seguintes unidades institucionais: • Órgãos governamentais da administração direta e indireta (autarquias, fundações e fundos), nos âmbitos federal, estadual e municipal. • Entidades públicas juridicamente constituídas como empresas, com funções típicas de governo e cujos recursos são provenientes, em sua maior parte (mais de 50% do total das receitas), de transferências. • Entidades paraestatais que têm como principal fonte de receita a arrecadação de contribuições compulsórias. São elas: Sistema S, instituições produtoras de serviços sociais (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, Serviço Social da Indústria – SESI, Serviço Social do Comércio – SESC etc.); Conselhos profissionais, instituições de apoio à regulação das atividades profissionais; e Fundos de caráter público, como os fundos constitucionais, o Fundo de Garantiado Tempo de Serviço (FGTS) e o fundo remanescente do Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP). Para obtenção dos dados do governo federal, utilizou-se o Balanço Geral da União e o Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI), da Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda, e levantamentos especiais de dados contábeis do FGTS, PIS/PASEP, Sistema S e conselhos profissionais. As informações dos governos estaduais, assim como dos municípios das capitais e das regiões metropolitanas, foram obtidas por meio de pesquisa própria do IBGE: Estatísticas Econômicas das Administrações Públicas. Para os governos municipais, além da pesquisa Estatísticas Econômicas das Administrações Públicas, são utilizadas as informações do sistema Finanças do Brasil (FINBRA), da Secretaria do Tesouro Nacional, e do Sistema de Informações de Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS), do Ministério da Saúde. Famílias Nos Sistemas de Contas Nacionais, famílias são definidas como um pequeno grupo de indivíduos que partilham o mesmo alojamento, que reúnem parte, ou a totalidade, do seu rendimento e patrimônio e que consomem coletivamente certos tipos de bens e serviços, principalmente a habitação e a alimentação. O setor institucional famílias abrange as famílias como consumidoras e como produtoras. Nesse setor estão incluídas as unidades produtivas não inscritas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) – não constituídas em empresas –, e os trabalhadores autônomos. Além dessas categorias, são considerados, ainda, o aluguel imputado aos imóveis residenciais ocupados por seus proprietários, o aluguel efetivo recebido por pessoas físicas e o serviço doméstico remunerado. 62 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Para as estimativas do setor, são utilizadas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), da Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), da pesquisa Economia Informal Urbana (ECINF) e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego. Instituições sem fins de lucro a serviço das famílias (ISFLSF) As instituições sem fins de lucro a serviço das famílias são entidades jurídicas ou sociais criadas com o objetivo de produzir bens ou serviços para as famílias, cujo estatuto não lhes permite ser uma fonte de rendimento, lucro ou outro ganho financeiro, para as unidades que as criam, controlam ou financiam. O setor das instituições sem fins de lucro a serviço das famílias é definido como o conjunto de todas as instituições sem fins de lucro a serviço das famílias residentes, exceto as que estão a serviço das empresas, consideradas produtoras mercantis, e as que são não mercantis, mas que são controladas pelas administrações públicas. São definidas duas grandes categorias de instituições sem fins de lucro a serviço das famílias que fornecem bens ou serviços às famílias, gratuitamente ou a preços economicamente não significativos: • Sindicatos, sociedades profissionais ou científicas, associações de consumidores, partidos políticos, igrejas ou sociedades religiosas (incluindo as financiadas por administrações) e clubes sociais, culturais, recreativos e desportivos. • Organizações de caridade, assistência e ajuda, financiadas por contribuições voluntárias em numerário ou em espécie de outras unidades institucionais. No Sistema de Contas Nacionais, foram consideradas no setor instituições sem fins de lucro a serviço das famílias as entidades classificadas nas seguintes atividades: • Serviços sociais com alojamento: compreendem a assistência social a crianças, idosos, pessoas em situação de exclusão social, como as atividades que são realizadas em orfanatos, albergues infantis, centros correcionais para jovens, asilos, centros de reabilitação para pessoas com tendência ao consumo de álcool e outras drogas etc. • Serviços sociais sem alojamento: compreendem os centros de orientação a famílias, detentos, refugiados, imigrantes, alcoólatras etc., e as atividades das creches. • Atividades de organizações profissionais: compreendem as atividades de organizações e associações constituídas em relação a uma profissão, técnica ou área de saber. 63 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL • Atividades de organizações sindicais: compreendem as atividades das entidades sindicais e associações de trabalhadores assalariados ou profissionais centradas na representação e defesa de seus interesses trabalhistas. • Atividades de organização religiosa: compreendem as atividades de organizações religiosas ou filosóficas; igrejas, mosteiros, conventos ou organizações similares e catequese, celebração ou organização de cultos. • Atividades de organizações políticas: compreendem as atividades de organizações políticas e auxiliares, como as organizações juvenis associadas a um partido político, com finalidade de influir na opinião e poder públicos. • Outras atividades associativas, não especificadas anteriormente: compreendem as atividades de organizações associativas diversas, criadas para defesa de causas de caráter público ou objetivos particulares, como os movimentos ecológicos e de proteção de animais, associações de mulheres por igualdade de sexos, associações de proteção de minorias étnicas e grupos minoritários, associações de pais de alunos etc. Compreendem, também, as associações com objetivos dominantes nas áreas culturais e recreativas, como os grupos literários, de cinema, fotografia, de música e arte, de artesanato, de colecionadores, carnavalescos etc. • Atividades desportivas: compreendem a gestão de instalações esportivas (estádios, ginásios, quadras de tênis e outros esportes, piscinas, hipódromos etc.), a organização e exploração de atividades esportivas por clubes, associações etc., a promoção e organização de eventos esportivos, a atividade de profissionais ligados ao esporte (árbitros, treinadores etc.), o ensino de esportes em escolas esportivas ou por professores independentes, as atividades dos centros de musculação, aeróbica e outros tipos de ginástica, a pesca desportiva e de lazer, atividades ligadas à corrida de cavalos, atividades ligadas a esportes mecânicos (automóveis, karts, motos etc.). A fonte de informação básica para a estimativa desse setor é a DIPJ, por meio da ficha de Origens e Aplicações de Recursos das entidades imunes ou isentas. Operações com o resto do mundo As operações com o resto do mundo retratam as transações econômicas entre as unidades institucionais não residentes (sem que possam ser identificadas) e as unidades institucionais residentes, ou seja, aquelas que têm seu centro de interesse no País ou nele atuam, por um ano ou mais. As contas do resto do mundo descrevem estes fluxos sob o ponto de vista dos não residentes. A fonte básica de dados é o Balanço de Pagamentos, do Banco Central, acrescido de: desagregações especiais fornecidas pelo Banco Central; fitas de importações por produtos 64 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o -28 /0 9/ 20 17 Unidade I da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), da Secretaria da Receita Federal, e fitas de exportações por produtos NCM da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. As estimativas dos agregados de contas nacionais tomaram como fonte os dados do Balanço de Pagamentos, alterados, sempre que necessário, por ajustamentos conceituais ou quantitativos dos fluxos considerados. Adaptado de: IBGE (2015c). As CEI representam um novo sistema que substitui as contas antigas. Seus três grupos de contas permitem uma melhor análise dos agregados macroeconômicos, ou seja, o grupo 1, composto pela conta de bens e serviços, o grupo 2, composto pela conta de produção ou do PIB, conta da renda e a conta de acumulação, e o grupo 3, composto pela conta das operações correntes com o resto do mundo. As operações de débito e crédito que davam os equilíbrios interno e externo às contas antigas foram substituídas pelas operações de usos e recursos, que exigem a mesma coerência contábil e permite avaliar os agregados pela ótica matricial insumo-produto, isto é, a relação da produção com as matérias- primas ou insumos disponíveis. Cada conta das CEI mensura um agregado macroeconômico, como a demanda agregada total, que é a soma das despesas agregadas com consumo, investimento e exportações e que permite mensurar o Valor Bruto da Produção (VBP), que, por sua vez, é a base para mensurar o Produto Interno Bruto (PIB). As contas relacionadas à geração de renda também permitem visualizar a distribuição da renda, principalmente na divisão da renda entre trabalho e capital, sendo esta última descrita como Excedente Operacional Bruto (EOB), que é a soma dos lucros, juros e aluguéis. As contas relacionadas à renda informam a renda nacional bruta (RNB), que, com a entrada do governo, passa a ser renda nacional disponível bruta (RNDB), que será dividida entre renda consumida e não consumida, isto é, a formação da poupança agregada interna e a necessidade ou não de poupança externa. As figuras a seguir apresentam a estrutura das CEI da forma como cada tabela é publicada pelo IBGE. Perceba que cada operação fica centralizada e apresenta, do lado direito, os recursos necessários para os devidos usos lançados do lado esquerdo da tabela, ou seja, operações que reduzem o valor de um setor institucional e entram como recursos para aumentar o valor de um setor institucional. Cada tabela das CEI mostra a desagregação das contas, por operação, para cada setor institucional. Cada conta se relaciona com as contas seguintes por meio do saldo gerado, que é o resultado entre a diferença entre os usos e recursos de cada conta. Por exemplo: a conta 1 se relaciona com a conta 2 por meio da diferença entre o valor bruto da produção e o consumo intermediário e o valor adicionado. 65 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Figura 19 – Contas Econômicas Integradas: produção e geração da renda Figura 20 – Contas Econômicas Integradas: conta de distribuição primária da renda 66 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Figura 21 – Contas Econômicas Integradas: alocação e distribuição da renda Figura 22 – Contas Econômicas Integradas: redistribuição secundária da renda 67 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Figura 23 – Contas Econômicas Integradas: uso da renda 68 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Figura 24 – Contas Econômicas Integradas: acumulação de capital Da mesma forma que fizemos com as TRU, apresentaremos por meio das figuras a seguir os lados das CEI com os valores dos agregados monetários das contas nacionais brasileiras para o ano de 2011. Nelas estão apenas as contas de produção e renda como forma de visualizar, extrair e analisar alguns dados, cuja conta de capital poderá seguir o mesmo método de análise. Veja que ela apresenta os valores por setores, bem como o PIB agregado para uma análise macroeconômica e o PIB setorial para uma análise microeconômica. Por exemplo: ao analisar as figuras 23 e 24, conseguimos extrair o dado do PIB de 2011, que foi de R$ 4,3 trilhões, cujas empresas não financeiras, como indústrias, entre outras, foram as que mais participaram na composição desse valor, isto é, a parte do PIB gerado por esse setor institucional foi de R$ 2,1 trilhões. Esse setor também foi o que gerou a maior parte da massa salarial na forma de remuneração aos empregados com mais de R$ 1 trilhão e as famílias tiveram R$ 2,5 trilhões em despesas com consumo final. Para finalizar, tivemos R$ 535 bilhões em importação e R$ 501 bilhões de exportação de bens e serviços. 69 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Figura 25 – Contas Econômicas Integradas 2011 – Lado Esquerdo (Usos) Figura 26 – Contas Econômicas Integradas 2011 – Lado Direito (Recursos) 70 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I 4 PROBLEMAS DE MENSURAÇÃO Como já estudamos, as contas nacionais são uma fonte de dados e informações que permitem avaliar o avanço econômico e social de um país. Sua simplicidade está apenas em sua forma e estrutura devido a sua complexidade em mensurar e valorar as variáveis que compõem seu conjunto de contas, isto é, os agregados macroeconômicos, que constituem um desafio metodológico devido a problemas técnico, operacionais e conceituais. 4.1 Dificuldades técnicas 4.1.1 Valores nominais e valores reais Sabemos que as contas nacionais, como exemplo o PIB, são o registro da multiplicação de preços por quantidades (PIB = ∑P x Q). A relação dessas duas variáveis é que permite saber o resultado de tudo que foi produzido e consumido no período de um ano. Elntretanto, os preços variam no tempo por vários fatores e, como essa variável faz parte do cálculo, sua variação pode induzir o resultado final da produção e do consumo agregados. Por exemplo: se a média de preços de um ano foi de R$ 5,00 e a produção foi de 1.000 unidades de bens e serviços, podemos dizer que o PIB nominal dessa economia foi de R$ 5.000,00. Se a média de preços subir para R$ 10,00, mantendo a quantidade de unidades produzidas em 1.000 unidades, o PIB nominal dessa economia subiu para R$ 10.000,00. Entretanto, percebe-se que não houve um aumento da produção (Q), mas somente um aumento do nível de preços (P).Esse tipo de crescimento é considerado como crescimento nominal do PIB, que resulta do aumento dos valores nominais ou correntes por ser um aumento do nível de preços dentro do último ano encerrado, por exemplo, o ano de 2014. Para que possamos anular o efeito do aumento de preços na mensuração das contas nacionais, trabalhamos com o nível de preços do ano anterior, que chamaremos de ano base ou ano inicial da série de dados como referência. Ao adotarmos um ano como base e utilizarmos seu nível de preços, por exemplo o ano de 2013, estamos anulando o impacto do aumento do nível de preços sobre os agregados monetários do ano posterior, neste caso o ano de 2014. Esse método resulta no que é conhecido como valores reais, ao não levar em conta a variação dos preços do ano corrente, mas somente a variação da quantidade produzida desse mesmo ano. Por exemplo: PIB nominal = ∑P2014 x Q2014 PIB real = ∑P2013 x Q2014 O PIB nominal considera os valores correntes de cada ano. Já o PIB real considera como valor corrente apenas a quantidade produzida e os preços do ano anterior ou ano base. Esse método do PIB real é chamado deflacionamento, que consiste em anular a variação dos preços, cujos instrumentos para essa tarefa são os índices de preços que acompanham as variações dos níveis de preços em um dado período de tempo e são apresentados em números-índice. Segundo Hoffmann (2006, p. 309): “Os 71 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL números-índices (também chamados, simplesmente, índices) são proporções estatísticas, geralmente expressas em porcentagem, idealizadas para comparar as situações de um conjunto de variáveis em épocas ou localidades diversas”. Os números-índices acompanham a variação relativa de uma série de dados no tempo e podem ser classificados em índices simples (IS), que medem a evolução de apenas uma série de dados iguais, e índices compostos (IC), que medem a evolução de apenas uma série de dados diferentes. Chamaremos de P2013 o preço de uma mercadoria no ano base de 2013 e P2014 é o preço corrente em um período de tempo, no caso o ano de 2014, cujo preço relativo da mercadoria em questão pode ser apresentado da seguinte forma: IC = ∑P2014 / ∑P2013 Usualmente, o valor do número-índice é dado em porcentagem: IC = (∑P2014 / ∑P2013) x 100 Tabela 3 – Preços de livros Ano Preço 2013 25,00 2014 28,00 IC = 28,00/25,00 = 1,12 Ou IC = (28,00/25,00) x 100 = 112 Este resultado significa que os preços subiram 12%. Geralmente, a base é considerada como 100. Se o resultado for maior, significa que os preços subiram e, caso esse índice seja menor do que 100, indica que os preços caíram de um ano para o outro. Os índices compostos são utilizados quando a série de dados é diferente, como preços e quantidades. São conhecidos três tipos diferentes de índices compostos de preços e quantidade: Laspeyres (IL), Paasche (IP) e também o índice composto de Fisher, que é calculado com base na média geométrica dos índices de Laspeyres e Paasche. Índice de Laspeyres de preço = ∑P2014 x Q 2013 / ∑P2013 x Q 2013 Índice de Laspeyres de quantidade = ∑P2013 x Q 2014 / ∑P2013 x Q 2013 72 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Índice de Paasche de preço = ∑P2014 x Q 2014 / ∑P2013 x Q 2014 Índice de Paasche de quantidade = ∑P2014 x Q 2014 / ∑P2014 x Q 2013 Índice de Fisher de preço = √ índice de Laspeyres x índice de Paasche Índice de Fisher de quantidade = √ índice de Laspeyres x índice de Paasche Tabela 4 – Preços e quantidades de livros Ano Preço Quantidade 2013 25,00 150 2014 28,00 180 Aplicando as equações, temos: IL preços = 28,00 x 150 / 25,00 x 150 = 1,12 IL preços = (28,00 x 150 / 25,00 x 150) x 100 = 112 IL quantidades = 25,00 x 180 / 25,00 x 150 = 1,20 IL quantidades = (25,00 x 180 / 25,00 x 150) x 100 = 120 IP preços = 28,00 x 180 / 25,00 x 180 = 1,12 IP preços = (28,00 x 180 / 25,00 x 180) x 100 = 112 IP quantidades = 28,00 x 180 / 28,00 x 150 = 1,20 IP quantidades = (28,00 x 180 / 28,00 x 150) x 100 = 120 Analisando os resultados de cada índice, percebemos que os índices de preços apresentaram uma variação de 12%, tanto o índice de Laspeyres (IL) quanto o de Paasche (IP). Da mesma forma, se considerarmos a base como 100, o resultado foi 112, o que significa a mesma variação de 12%. Já os índices de quantidades indicam que a variação da quantidade foi de 20%, o que representa um crescimento real da produção ao anularmos o efeito dos preços. Para ficar mais claro, vejamos a tabela a seguir, que apresenta um Produto Interno Bruto nominal e real hipotéticos. Vamos supor que há um único bem produzido na economia, que são os livros, cuja equação do PIB é ∑P x Q. 73 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL Tabela 5 – PIB nominal e PIB real Ano Preço Quantidade PIB Nominal IP PIB real Variação real do PIB 2013 25,00 150 3.750,00 1,00 3.750,00 - 2014 28,00 180 5.040,00 1,12 4.500,00 20,0 Ao considerarmos os livros como único produto, chegamos ao PIB nominal de 2013 no valor de 3.750,00, que é resultado da ∑P 2013 x Q 2013. O índice de Paasche (IP) considerado em 2013 é igual a 1,00 e se multiplicado por 100, será igual à base 100, portanto não apresenta variação de preços. Já o PIB nominal de 2014 segue a mesma lógica, isto é, apresenta o valor de 5.040,00 e é resultado da equação ∑P 2014 x Q 2014. Os valores de 3.750,00 e 5.040,00 são valores nominais ou correntes de cada ano. Os valores reais são aqueles que não apresentam a variação de preços. Na tabela, o PIB real é o valor de 3.750,00 dividido pelo índice de Paasche de 1,00 em 2013. No ano de 2014, o PIB real é resultado de 5.040,00 dividido pelo índice de Paasche de 1,12. Veja que, ao olharmos a coluna de variação real do PIB, percebemos que o PIB real cresceu entre 2013 e 2014 em 20%, ou seja, exatamente a variação da quantidade produzida de um ano para o outro, como apresentado nos cálculos anteriores. Tabela 6 – Brasil: PIB nominal e variação nominal e real do PIB (em milhões de reais) Ano PIB nominal Variação PIB nominal Variação PIB real 2000 1.179.482,00 2001 1.302.136,00 10,4 1,31 2002 1.477.822,00 13,5 2,66 2003 1.699.948,00 15,0 1,15 2004 1.941.498,00 14,2 5,71 2005 2.147.239,00 10,6 3,16 2006 2.369.484,00 10,4 3,96 2007 2.661.344,00 12,3 6,09 2008 3.032.203,00 13,9 5,17 2009 3.239.404,00 6,8 -0,33 2010 3.770.084,87 16,4 7,53 2011 4.143.013,34 9,9 2,73 2012 4.392.094,00 6,0 1,03 2013 4.844.815,08 10,3 2,49 Na tabela anterior, com dados do Ipeadata, apresentamos os dados de PIB nominal, a variação nominal do PIB e a variação real do PIB da economia brasileira deste início do século XXI, e podemos perceber que o valor do PIB nominal cresceu a cada ano. A média de variação do PIB nominal no período de 2000-2013, por exemplo, foi de 11,5%, enquanto a média de crescimento ou variação do PIB real foi de 3,3%. Para o resultado da variação do PIB real, o IBGE calcula e divulga o deflator implícito do PIB. Conforme afirmam Paulani e Braga (2012, p. 144): 74 CECO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I No Brasil, temos um índice de preços obtido de forma indireta, que é o deflator implícito do PIB. O que ocorre é que, para o cálculo do valor do PIB, a Fundação IBGE estima o produto dos vários setores institucionais da economia a preços correntes. Isso possibilita, a cada ano, a obtenção do valor do PIB nominal. Todavia, o que mais importa é saber o comportamento do PIB em termos reais, ou seja, o crescimento da quantidade de bens e serviços finais produzidos. Para tanto, constroem-se também, para cada setor, índices de produto real, que, conjuntamente tomados, fornecem uma estimativa da taxa de crescimento de produto real do PIB em cada ano. Saiba mais Para saber mais sobre o deflator implícito do PIB, basta acessar a seguinte página do IBGE: IBGE (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA). Sistema de Contas nacionais: Brasil 2010-2011: referência 2010. Rio de Janeiro: [s.d.]. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/ contasnacionais/2011/default.shtm>. Acesso em: 14 jul. 2015. Ou então, acesse a homepage do Ipeadata (<http://www.ipeadata.gov. br/>), entrar em “Temas”, “Contas nacionais” e pesquisar o deflator implícito do PIB. 4.1.2 Comparações entre países e o dólar: paridade do poder de compra (PPC) O problema técnico colocado aqui se refere à necessidade de se comparar variáveis de um país com outro, por exemplo, o PIB dos Estados Unidos da América (EUA) com o PIB do Brasil ou o PIB do Brasil com o PIB da Argentina. Como cada país mensura suas contas nacionais seguindo as recomendações internacionais, não há problema. Entretanto, cada país valora sua produção na moeda corrente local, isto é, os EUA valoram sua produção e consumo agregados em dólares americanos (US$), o Brasil, em reais (R$), e a Argentina, em peso argentino ($). Acontece que cada moeda possui uma taxa de câmbio, que é o valor da moeda estrangeira em moeda local. Em março de 2015, por exemplo, um dólar da moeda americana (US$) estava sendo vendido no Brasil por R$ 3,16. Entretanto, esse tipo de taxa de câmbio, que representa o preço da moeda estrangeira em moeda local, oscila muito pela lei da demanda e oferta, compra e venda de moeda estrangeira, fator que muda os valores da taxa de câmbio, leia-se da moeda estrangeira, a cada momento. Como exemplo, façamos o seguinte: conforme a tabela 6, o PIB do Brasil em 2013 foi de R$ 4,8 trilhões de reais (R$ 4.844.815,08). Ao convertermos o PIB brasileiro para dólar, bastar dividir o valor de 75 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL R$ 4.844.815,08 por R$ 3,16. Portanto, o valor do PIB brasileiro em dólar será de US$ 1,5 trilhão (US$ 1.533.169,33). Mas, caso o preço do dólar em um dado momento tenha uma redução para R$ 1,58, metade do valor anterior, o valor do PIB brasileiro em dólar subirá para US$ 3,0 trilhões (US$ 3.066.338,66), por uma simples variação da taxa de câmbio, isto é, variação de preços da moeda americana em reais. Para resolver esse problema, utiliza-se a conversão de reais em dólar pelo câmbio de Paridade do Poder de Compra (PPC) vigente, que só leva em conta o que é denominado de bens tradables, ou bens comercializáveis, isto é, a taxa de câmbio passa a ser resultado de uma cesta de bens que são idênticas entre os países e, por ser uma cesta de bens, ela sofre menos oscilações do que a compra e venda de moeda estrangeira, além de demonstrar o custo de vida em cada país. Lembrete As flutuações cambiais, isto é, a variação do preço das moedas estrangeira em moeda local, distorcem os preços em reais e em dólares. Portanto, utiliza-se a taxa de câmbio ajustada da moeda de cada país com o dólar americano pelo Poder de Paridade de Compra (PPC) com base na cesta de bens e serviços ofertada em ambas as economias, o que torna possível comparar o poder de compra de um país em termos de poder de compra de outro país. Saiba mais Na bibliografia internacional, o PPC é chamado de PPP, isto é, Purchase, Power e Parity. Veja em: SOUZA, J. L. O que é? Dólar PPC. In: ___. Indicadores. Desafios do desenvolvimento, Brasília, ano 5, n. 40, p. 64, fev. 2008. Brasília: Ipea, 2008. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/desafios/images/stories/PDFs/ desafios040_completa.pdf>. Acesso em: 13 jul. 2015. Os índices PPC ou PPP são índices espaciais e não temporais, isto é, são índices que mensuram o custo de vida por regiões e países, cuja base é a economia americana, ou seja, sempre estamos comparando o custo de vida entre países. Por exemplo: o custo de vida do Brasil e da Argentina em dólares PPP em relação aos EUA. Quando o índice PPC é menor do que 1 (Índice PPC < 1), o valor da variável em questão, por exemplo o PIB per capita de cada país em dólar PPC (US$ PPC), será maior e quando o índice PPC é maior do que 1 (Índice PPC > 1), o valor em dólar PPC (US$ PPC) será menor devido à relação do preço dos bens e serviços que são produzidos em cada país e os produtos que compõem a cesta de bens tradables em dólar PPC, podendo ter relação com uma maior ou menor produtividade ou renda locais. 76 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I Vamos supor que a cesta de bens entre dois países (Brasil e EUA) seja o pé de alface e que o preço desse bem seja R$ 2,00 no Brasil e US$ 3,00 nos EUA. O câmbio ou dólar PPC será de R$ 0,66 no Brasil, isto é, são os R$ 2,00 divididos pelos US$ 3,00. Caso nosso objetivo seja obter o valor do PIB de 2013 em dólar PPC, basta dividir o valor de R$ 4,8 trilhões (R$ 4.844.815,08) pelo câmbio PPC de R$ 0,66, cujo valor passa a ser em US$ PPC 7,3 trilhões (US$ 7.340.628,90). Muito diferente se a operação fosse realizada com a taxa de câmbio comum ou comercial de R$ 3,16, cujo valor seria de US$ 2 trilhões (US$ 2.018.672,95). Saiba mais Para saber mais sobre cesta de bens e serviços em valores PPC ou PPP, vale a leitura sobre o Big Mac Index, que tem o objetivo de medir o poder de compra dos consumidores desse sanduíche em diversos países. Você pode obter mais informações nos seguintes artigos: SILVA, J. A. L. da. Brasil sobe de posição e tem o 4º Big Mac mais caro do mundo. Infomoney, São Paulo, 23 jan. 2015. São Paulo: Money e Markets, 2015. Disponível em: <http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/ precos/noticia/3824440/brasil-sobe-posicao-tem-big-mac-mais-caro- mundo>. Acesso em: 13 jul. 2015. ÍNDICE Big Mac mostra que real é a quarta moeda mais cara do mundo. Uol, São Paulo, 22 jan. 2015. São Paulo: Uol, 2015. Disponível em: <http:// economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/01/22/indice-big-mac- mostra-que-real-e-a-quarta-moeda-mais-cara-do-mundo.htm>. Acesso em: 13 jul. 2015. Portanto, o nível de preços dos bens e serviços de uma economia podem distorcer os valores dos agregados macroeconômicos, bem como levar a contabilidade de valores irreais devido à variação da taxa de câmbio ou preços das moedas estrangeiras em moeda local (R$/US$ ou R$/$). Entretanto, os métodos estatísticos empregados de deflacionamento das variáveis permitem ajustar as séries de dados estatísticos e corrigi-las. Já nas comparaçõesinternacionais, o dólar PPC ou PPP substitui a taxa de câmbio comum ou comercial e permite corrigir e mensurar os custos de vida em diferentes países, por mais que suas moedas locais sejam diferentes. Mas há outros problemas envolvidos na contabilidade social. 4.2 Dificuldades operacionais Os problemas operacionais estão relacionados à assimetria ou à falta de informação que algumas atividades produtivas geram ao fazerem parte do que é conhecido como economia informal e economia subterrânea. Na medida em que as empresas não são formalizadas, isto é, não possuem o registro de abertura legal, há dificuldades em identificá-las e localizá-las e, portanto, levantar os dados necessários para 77 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL mensurar a produção e o valor adicionado por cada uma delas no computo do Produto Interno Bruto. Conforme Paulani e Braga (2012, p. 58): [...] a economia subterrânea incorpora uma boa parte da economia informal. A diferença entre um e outro termo está em que o primeiro refere-se exclusivamente às atividades que não são deliberadamente declaradas por várias razões: escapar do fisco, não cumprir leis trabalhistas, não arcar com o pagamento de contribuições à seguridade social (previdência), não ter que seguir determinadas normas da atividade produtiva cuja adoção pode implicar custos etc. Assim, a economia subterrânea não inclui as atividades ilegais, nem a economia informal da costureira de bairro ou da cozinheira que faz doces para fora para aumentar o orçamento doméstico. As atividades econômicas subterrâneas podem se dar por transações monetárias ou não, ou seja, pela compra e venda em que a moeda é o principal meio de circulação ou as não monetárias, que se dão principalmente pelo escambo ou produção para subsistência. Dentro desse tipo de economia podemos ter atividades legais não consideradas no computo da produção de um país, por meio da evasão de benefício fiscais em renda não reportada proveniente de emprego autônomo, descontos e benefícios para funcionários, benefícios, escambo de produtos e serviços legais e salário e ativos provenientes de trabalho não reportado relacionado a produtos e serviços legais. Quadro 16 – Tipos de atividades econômicas subterrâneas Transações monetárias Transações não monetárias Atividades ilegais Comércio com produtos roubados. Escambo de drogas, produtos roubados, contrabando etc. Fabricação e tráfico de drogas. Produção ou plantio de drogas para uso próprio. Prostituição. Roubo para uso próprio. Jogo. Contrabando. Fraude. Outros. Atividades legais Evasão fiscal Benefício fiscal Evasão fiscal Benefício fiscal Renda não reportada proveniente de emprego autônomo. Descontos para funcionários, benefícios. Escambo de produtos e serviços legais. Todo o trabalho do tipo “faça você mesmo” e ajuda a vizinhos. Salário e ativos provenientes de trabalho não reportado relacionado a produtos e serviços legais. Fonte: Schneider (2009, p. 55). 78 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I No quadro, percebe-se que, mesmo dentro de atividades legais, há sonegação de informações e outras obrigações exigidas. A economia subterrânea é uma parte da economia informal. Um dado clássico sobre informalidade é a respeito do número de trabalhadores informais, isto é, os trabalhadores sem vínculo de emprego, sendo esta a principal diferença entre trabalho e emprego: a questão dos direitos trabalhistas e proteção social que o trabalho sem vínculo empregatício não tem e que eleva a precarização do mercado de trabalho. Segundo o Ipea (2014), o mercado de trabalho brasileiro vem apresentando queda do nível de informalidade, cujo percentual médio em 2012 foi de 34%, em 2013, foi de 33%, e em janeiro de 2014, o índice foi de 32,2%. Percebe-se que ainda 1/3 dos trabalhadores brasileiros vive na informalidade, o que não é bom para a sociedade e para o país. De forma geral, com relação ao pedaço da informalidade dentro do PIB, o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE), calculam e divulgam o Índice de Economia Subterrânea (IES), conforme o gráfico a seguir (ETCO; FGV, 2014, p. 12): 25 20 15 10 5 0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 21 20,9 20,4 20,1 19,4 18,7 18,5 17,7 16,9 16,7 16,3 16,2 Figura 27 – Índice de Economia Subterrânea (IES) Como podemos observar, há uma tendência de queda da informalidade por meio da economia subterrânea dentro do PIB. No ano de 2003, o índice apresentava 21% do PIB e passou a ser 16,2% do PIB em 2014. Ainda assim, podemos concluir que mais de 10% do PIB não é declarado e, portando, não entra no computo das contas nacionais brasileiras, o que prejudica a contabilidade social do país. Há muito para fazer e um dos grandes avanços tem se dado nas Contas Econômicas Integradas Institucionais (CEI Institucionais), que estudaremos mais adiante, que incorporam a produção formal e informal das famílias e que passam a ser uma fonte de análise para acompanhar a parte de produção e consumo não declarados. 79 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL 4.3 Dificuldades conceituais 4.3.1 As atividades não monetizadas Os problemas conceituais são os problemas teóricos, como a questão das atividades não monetizadas, isto é, atividades que não se integram ao fluxo circular da renda no mercado de bens e serviços, como a economia de subsistência ou produção para consumo próprio, que não é valorada e monetizada. Pode não parecer um problema de forma individual, mas ao agregar todos os indivíduos e pequenos produtores agrícolas, entre outros, o valor a computar pode ser relevante. Paulani e Braga (2012, p. 160) afirmam que há tanto um problema teórico como prático. Teórico devido a essa economia de subsistência ser uma atividade produtiva de bens e serviços que atende às necessidades humanas, portanto, deveriam entrar nas contas nacionais. No entanto, na questão prática, essas atividades não geram renda monetária. Tal solução tem se dado por imputação de valores, ou seja, estima-se o valor dessas atividades com base no valor de mercado e soma-se ao PIB. Essa operação é puramente convencional e arbitrária de cada país, que seleciona o que deve ser computado ou não. 4.3.2 Meio ambiente e desenvolvimento sustentável O Produto Interno Bruto de um país tem como base seus recursos naturais, que são os insumos ou matérias-primas necessários para a produção dos bens e serviços, ou seja, a relação insumo-produto de uma economia. Entretanto, observou-se nas últimas décadas uma aceleração da degradação do meio ambiente, por meio da emissão de gás carbônico na atmosfera, o uso irracional e contaminação dos recursos hídricos, devastação das florestas, poluição de rios e do ar e a exaustão dos recursos naturais, em que alguns desses recursos são exauríveis, como a fonte de energia conhecida como petróleo. Todos esses pontos geram o que é chamado de externalidadesnegativas. Uma externalidade é algo que não faz parte do mecanismo ou sistema de mercado, mas tem impacto na vida dos agentes econômicos que compõem esse sistema. Como os apontamentos são todos negativos, podemos considerá-los como externalidades negativas, porque reduzem o bem-estar social e econômico de todos os agentes econômicos. Essas agressões ao meio ambiente são resultado da acelerada e desordenada industrialização e urbanização, que substituíram os produtos in natura por produtos industrializados. Diante dessa problemática, surgiu um novo campo de estudo chamado de economia do meio ambiente, em que o objeto de estudo é o crescimento sustentável, ou seja, a atividade de produção que possibilite o bem-estar social e econômico e preserve os recursos naturais. 80 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I A contabilidade social vem fazendo um grande esforço para valorar os custos ambientais e considerá-los nas contas nacionais, bem como estimar a depreciação ou reposição do capital in natura dos países e do planeta como forma de melhorar o bem-estar social e econômico. Muitas pesquisas e propostas para as contas nacionais estão em discussão, como a ideia de valorar as externalidades negativas por meio da mensuração das despesas necessárias para a restauração do meio ambiente e evitar a sua degradação acelerada. Saiba mais Uma das iniciativas para melhorar a questão do meio ambiente é a criação dos chamados empregos verdes. Veja mais em: MUÇOUÇAH, P. S. Empregos verdes no Brasil: quantos são, onde estão e como evoluirão nos próximos anos. Brasília: Organização Internacional do Trabalho, 2009. Disponível em: <http://www.oitbrasil.org.br/sites/default/ files/topic/green_job/pub/empregos_verdes_brasil_256.pdf>. Acesso em: 29 jun. 2015. Outro ponto em discussão é a possibilidade da utilização do conceito de disposição a pagar. Por exemplo: comparar bairros, cidades, estados e países com elevada e baixa poluição, comparar o preço dos imóveis em ambos os locais e medir a disposição a pagar dos moradores dos locais com elevada poluição para a redução dessa externalidade negativa, criando o indicador de custos de (des)poluição do ar. E, por fim, a inserção no sistema de contas nacionais de duas rubricas, uma como degradação do meio ambiente do lado de usos (débito) e uma de investimentos em antipoluentes do lado de recursos (crédito). Esse tipo de decisão seria bem interessante do ponto de vista econômico, pois o país que mais degradar o seu meio ambiente estará, ao mesmo tempo, reduzindo seu valor do PIB, caso não faça investimentos eficazes em antipoluentes e elevação do bem-estar social e econômico. Resumo A contabilidade social representa atualmente uma evolução da ciência econômica ao final do século XX, de forma mais específica, da teoria macroeconômica, no sentido de passar a mensurar não apenas a parte quantitativa da economia ou o crescimento econômico, mas também a parte qualitativa ou desenvolvimento econômico. Seu objetivo é medir o produto, a renda e a despesa agregadas, isto é, medir a variável mais importante de um país, que é o Produto Interno Bruto 81 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL (PIB), que revela se uma economia cresceu ou não, mas também medir a qualidade desse crescimento econômico. Esse avanço foi possível devido à publicação do livro de John Maynard Keynes, Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, em 1936, que possibilitou entender algumas variáveis e criar identidades entre diferentes agregados macroeconômicos. A identidade produto ≡ despesa ≡ renda não implica nenhuma relação de causa e efeito da variável produto para despesa e da variável despesa sobre a renda, mas que podemos chegar ao resultado do PIB por meio de três óticas diferentes ao somarmos a produção de todos os bens finais produzidos (ótica da despesa), somar todos os valores adicionados em cada etapa de produção (ótica do produto) ou ao somarmos todas as remunerações dos fatores de produção (ótica da renda). A partir dessas identidades, as contas nacionais passaram a ter um melhor equilíbrio interno e externo a partir do princípio das partidas dobradas, em que para um crédito, há um débito e vice-versa. Todo esse movimento de produto, despesa e renda é visualizado, de forma simples, no fluxo circular da renda entre empresas e famílias em que temos a oferta de bens e serviços por pagamentos, a oferta de fatores de produção por remunerações. Com a entrada de mais dois agentes econômicos, além de empresas e famílias, governo e setor externo, a demanda agregada passa a ter mais variáveis, como gastos do governo, exportação e importação. Do lado externo, ainda teremos a renda líquida enviada e recebida do exterior, o que permitirá trabalhar com uma ótica interna e nacional, isto é, produto e renda internos e nacionais. A mensuração das contas nacionais não é algo tão simples. Há três tipos de problemas que são enfrentados para podermos mensurar, valorar, comparar e analisar a riqueza de dados dessas contas. Os problemas técnicos estão relacionados à variação de preços de um ano para o outro devido à inflação. Para não cometermos erros, passa a ser necessário calcular, além do PIB nominal, o PIB real, por meio da criação de um número-índice que permite deflacionar os dados de um ano para o outro. Ainda nessa mesma categoria de problema, temos sempre o objetivo de fazer comparações internacionais, em que a taxa de câmbio comercial apresenta variações de mercado, sendo necessário o cálculo da taxa de 82 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I câmbio com base no conceito de paridade do poder de compra (PPC ou PPP), calculado sobre os bens e serviços tradables, que são mercadorias ou cestas de bens idênticas entre todos os países. O segundo problema está relacionado às questões operacionais, como as atividades econômicas informais, que, dentro da economia subterrânea, utilizam recursos, como matéria-prima e fatores de produção, além da venda dessa produção, mas geram assimetria de informação ao não seguir a lei, pagar impostos e informar os recursos e usos utilizados. Ainda se constitui um desafio identificar e localizar esse tipo de atividade para inserir seus dados no PIB. E, por fim, o terceiro problema está relacionado às atividades não monetizadas ligadas às economias de subsistência em que o IBGE procura estimar o valor desse tipo de produção e imputar o mesmo valor no PIB, e a degradação do meio ambiente, considerada uma externalidade negativa e que segue em discussão sobre a possibilidade de se completar as contas nacionais com uma conta que considere essa degradação. As contas nacionais no Brasil são realizadas pelo IBGE, que segue recomendações internacionais com base no manual System of National Accounts 1993. A metodologia recente segue a revisão de conceitos apresentada no novo manual System of National Accounts 2008. As atualizações são realizadas em períodos específicos como forma de se evitar que os anos da série percam comparabilidade. As informações das contas nacionaispassaram a ser apresentadas por Tabelas de Recursos e Usos (TRU), que mostram os fluxos de oferta e demanda dos bens e serviços e a renda gerada no processo produtivo por cada atividade econômica, e pelas Contas Econômicas Integradas (CEI), que dão uma visão de conjunto da economia, por setor institucional, e descrevem a produção, consumo e acumulação e suas identidades. Exercícios Questão 1. Seja a função de produção da economia dada por Yt = Akt, onde Y é o produto, A é a tecnologia (constante) e K é uma medida ampla do estoque de capital (inclui capital físico e humano). Nesta economia, a taxa de poupança é igual a 20% ao ano, a população é constante e o nível de tecnologia é A = 0,4. A esse respeito, qual afirmativa é verdadeira? A) As taxas de crescimento do capital e do produto são iguais a 8% a.a. B) As taxas de crescimento do capital e do produto são iguais a 6% e 8% a.a., respectivamente. 83 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 CONTABILIDADE SOCIAL C) A produtividade é crescente. D) O modelo prevê a convergência da renda per capita entre países com parâmetros idênticos e diferentes níveis iniciais de renda per capita. E) Um aumento da taxa de poupança elevaria, temporariamente, a taxa de crescimento do produto. Resposta correta: alternativa A. Análise das alternativas A) Alternativa correta. Justificativa: o crescimento do estoque de capital é dado pela taxa de poupança aplicada à taxa de crescimento da renda, ou seja, Kt = sYt (0 < s< 1). A taxa de poupança dada no enunciado é de 20%; assim, Kt = 0,20Yt. Portanto, como sabemos que a razão de crescimento da renda pelo crescimento do capital nessa questão é de 0,4, teremos 0,20 x 0,40 = 0,08. Ou seja, a taxa de crescimento do capital é de 8% a.a., conforme indica a alternativa. Essa taxa de crescimento do capital produto (Kt/K) em 8% a.a. implica crescimento do produto (Yt/Y), pois K K Y Y K K Y Y t t t t = Þ = 0 2 0 2 , , . Ou seja, as taxas de crescimento do produto e do capital são as mesmas. B) Alternativa incorreta. Justificativa: conforme demonstrado na análise da alternativa A, que está correta, ambas as taxas de crescimento, do produto e de capital, são iguais, sendo de 8% a.a. C) Alternativa incorreta. Justificativa: nada há nesse enunciado que indique essa possibilidade, ainda mais que o nível de tecnologia mantém-se constante. D) Alternativa incorreta. Justificativa: esse modelo não prevê convergência, pois apresenta razão de crescimento econômico dada pelos parâmetros. Assim, o estoque inicial é relevante, pois diferenciará os resultados. E) Alternativa incorreta. Justificativa: esse modelo não prevê que a alteração do nível de poupança alteraria a dinâmica do crescimento econômico de forma permanente. Questão 2. A década de 1980 foi dominada pela inflação e pelo desequilíbrio externo, para os quais concorreu (concorreram): 84 CE CO - R ev isã o: R os e - Di ag ra m aç ão : F ab io - 2 0/ 07 /2 01 5 // Re di m en sio na m en to : C ar la - D ia gr am ad or : M ár ci o - 28 /0 9/ 20 17 Unidade I A) O elevado nível da atividade econômica em todo o período. B) O serviço da dívida externa e a inflação, herdados da década anterior. C) O saldo positivo da balança comercial. D) Os projetos de investimento do período, visando a completar a estrutura industrial brasileira. E) Os juros reduzidos no mercado internacional. Resolução desta questão na plataforma.