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Autores: Prof. Marcos Paulo de Oliveira
 Prof. Adalberto Oliveira da Silva
 Prof. Claudio Ditticio
Colaboradores: Prof. Maurício Felippe Manzalli
 Profa. Rachel Niza
Contabilidade Social
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Professores conteudistas: Marcos Paulo de Oliveira / Adalberto Oliveira da Silva 
Claudio Ditticio
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
O48e Oliveira, Marcos Paulo de.
Contabilidade social. / Marcos Paulo de Oliveira, Adalberto 
Oliveira da Silva, Claudio Ditticio. - São Paulo: Editora Sol, 2017.
240 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXIII, n. 2-066/17, ISSN 1517-9230.
1. Contabilidade social. 2. Contas nacionais. 3. Políticas públicas. 
I. Silva, Adalberto Oliveira da. II. Ditticio, Claudio. III.Título.
CDU 657
Marcos Paulo de Oliveira
Possui mestrado em Economia Política pela Pontifícia 
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduação em 
Ciências Econômicas pela Universidade Paulista (UNIP).
Leciona na Universidade Paulista (UNIP) desde o ano de 2002 
nas disciplinas de Contabilidade Social, Elementos de Economia, 
Economia Brasileira, Economia e Gestão do Setor Público, 
Macroeconomia Fechada, Macroeconomia Aberta, Macroeconomia 
Aplicada, Ambiente Econômico Global, entre outras.
Trabalhou no setor privado, na área de importação e 
exportação, e no setor público, com políticas públicas de geração 
de trabalho, emprego e renda, bem como na área de planejamento 
e gestão, como gerente de indicadores econômicos e sociais e 
como gerente de acompanhamento das receitas e dos gastos 
públicos. Atua na área de pesquisa da Macroeconomia.
Adalberto Oliveira da Silva
Mestre em Economia Política pela Pontifícia Universidade 
Católica (PUC-SP). Atualmente é professor adjunto da 
Universidade Paulista (UNIP) no curso de Ciências Econômicas, 
onde leciona disciplinas de Macroeconomia Aplicada, História 
Econômica Geral e Técnicas de Pesquisa em Economia. 
Também é técnico do Departamento Intersindical de Estudos 
Estatísticos e Socioeconômicos (DIEESE), onde atua em pesquisas sobre 
mercado de trabalho. Suas áreas de interesse são: teoria econômica, 
desenvolvimento econômico, economia brasileira e políticas públicas.
Recentemente, atuou como revisor técnico para o livro de 
Economia e Gestão, no ano de 2014, no projeto da Biblioteca 
Universitária Pearson para a confecção de material didático de 
cursos superiores.
Claudio Ditticio
Graduado em Economia pela Faculdade de Economia e 
Administração (USP) e mestre em Economia Política pelaPontifícia 
Universidade Católica de São Paulo (PUC–SP).
Participou de cursos de especialização em Métodos 
Quantitativos, Banking, Marketing, Processos Administrativos e 
Operacionais, Derivativos, Avaliação de Empresas e Tecnologia 
da Informação.
Foi administrador e diretor de instituições financeiras, de 
varejo e atacado e de empresas comerciais. Atuou também em 
consultoria de economia e de análise política.
Foi professor e pesquisador da Escola de Contas do TCM 
(Tribunal de Contas do Município de São Paulo).
Atualmente participa do Ensino a Distância da UNIP como 
coordenador do curso de Tecnologia em Gestão Pública, no qual 
também atua como professor conteudista e ministra aulas.
É professor universitário, em graduação e pós-graduação, 
lecionando em vários campi da UNIP nas disciplinas relacionadas 
principalmente com Economia, Finanças, Administração, 
Contabilidade, Matemática e Estatística.
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Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Prof. Dr. Yugo Okida
Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Rose Castilho
 Lucas Ricardi
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Sumário
Contabilidade Social
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7
Unidade I
1 DEFINIÇÕES E DESENVOLVIMENTO CONCEITUAL DA CONTABILIDADE SOCIAL ........................9
1.1 Definições de contabilidade social ...................................................................................................9
1.2 Princípio das partidas dobradas ..................................................................................................... 12
1.3 Conceitos básicos: produto, renda e despesa ........................................................................... 12
1.3.1 A identidade entre produto, despesa e renda ............................................................................. 14
2 FLUXO CIRCULAR DA RENDA ..................................................................................................................... 16
2.1 A macroeconomia e as contas nacionais ................................................................................... 19
2.2 Contas nacionais em uma economia fechada e sem governo .......................................... 20
2.3 Contas nacionais em uma economia aberta e sem governo ............................................. 22
2.4 Contas nacionais em uma economia aberta e com governo ............................................. 24
2.4.1 O sistema de contas nacionais e as identidades contábeis em uma 
economia aberta e com governo ................................................................................................................ 27
2.5 O sistema de contas nacionais no Brasil ..................................................................................... 32
3 AS CONTAS NACIONAIS NO BRASIL ........................................................................................................ 35
3.1 Sistema de Contas Nacionais ou System of National Accounts (SNA) .......................... 36
3.2 As Tabelas de Recursos e Usos (TRU) ............................................................................................ 41
3.3 As ContasEconômicas Integradas (CEI) ...................................................................................... 53
3.3.1 As contas econômicas integradas por setores institucionais ............................................... 57
4 PROBLEMAS DE MENSURAÇÃO ................................................................................................................ 70
4.1 Dificuldades técnicas .......................................................................................................................... 70
4.1.1 Valores nominais e valores reais ....................................................................................................... 70
4.1.2 Comparações entre países e o dólar: paridade do poder de compra (PPC) .................... 74
4.2 Dificuldades operacionais ................................................................................................................. 76
4.3 Dificuldades conceituais .................................................................................................................... 79
4.3.1 As atividades não monetizadas ......................................................................................................... 79
4.3.2 Meio ambiente e desenvolvimento sustentável ......................................................................... 79
Unidade II
5 BALANÇO DE PAGAMENTOS E TAXAS E REGIMES CAMBIAIS ....................................................... 85
5.1 Balanço de Pagamentos .................................................................................................................... 85
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5.1.1 Estrutura do Balanço de Pagamentos ............................................................................................ 87
5.1.2 A contabilidade do Balanço Pagamentos .................................................................................... 97
5.2 Taxas de câmbio e regimes cambiais ..........................................................................................105
6 BALANÇO DE PAGAMENTOS NO BRASIL .............................................................................................108
6.1 INDICADORES SOCIAIS .....................................................................................................................116
6.1.1 Crescimento e desenvolvimento ....................................................................................................118
6.1.2 Desigualdades regionais .................................................................................................................... 120
6.1.3 Indicadores de qualidade de vida e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ... 122
6.1.4 Distribuição da renda no Brasil ...................................................................................................... 129
6.1.5 Mensuração do grau de concentração da renda .................................................................... 133
6.1.6 Curva de Lorenz e Índice de Gini ................................................................................................... 137
6.1.7 Problemas metodológicos e limitações dos dados ................................................................141
6.1.8 Indicadores de mercado de trabalho no Brasil ........................................................................ 144
Unidade III
7 POLÍTICAS PÚBLICAS ....................................................................................................................................165
7.1 Conceitos fundamentais .................................................................................................................165
7.1.1 O conceito de Política ........................................................................................................................ 165
7.1.2 O que são políticas públicas ............................................................................................................ 167
7.2 Ciclo de políticas públicas ...............................................................................................................186
7.2.1 Agentes que participam da formulação de políticas públicas .......................................... 186
7.2.2 Definição e escolha de políticas públicas .................................................................................. 193
7.2.3 Construção de uma agenda de governo .................................................................................... 195
7.2.4 Escolha de alternativas para determinada política pública ............................................... 197
7.2.5 Processo de tomada de decisões ................................................................................................... 198
7.2.6 Implantação de determinada política pública ......................................................................... 199
7.2.7 Avaliação dos resultados das políticas públicas ...................................................................... 199
7.2.8 Efeitos das instituições nos processos de políticas públicas .............................................. 204
8 TÓPICOS COMPLEMENTARES RELACIONADOS COM POLÍTICAS PÚBLICAS ...........................205
8.1 Importância da participação no desenho e implantação de políticas públicas .......205
8.2 Mecanismos de participação .........................................................................................................206
8.2.1 Orçamento participativo ................................................................................................................... 208
8.3 Diferentes estilos de políticas públicas .....................................................................................208
8.4 Sustentabilidade e responsabilidade socioambiental ..........................................................209
8.5 Apoio a micro e pequenas empresas ..........................................................................................212
8.6 Políticas de defesa da concorrência ...........................................................................................214
8.7 Paradiplomacia ....................................................................................................................................215
8.8 A adoção de indicadores sociais ...................................................................................................215
8.9 Políticas públicas de incentivo à inovação ..............................................................................216
8.10 Choque de gestão ............................................................................................................................217
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APRESENTAÇÃO
A disciplina Contabilidade Social tem como objetivo familiarizar o aluno com os conceitos e 
métodos de cálculos dos agregados macroeconômicos. Tem o objetivo de proporcionar a compreensão 
das contas nacionais e a quantificação da atividade produtiva, principalmente da economia brasileira, 
capacitando-o para a teoria e análise macroeconômica, além de poder entender como se desenvolvem 
as políticas públicas a partir dos dados apresentados por tal quantificação.
A disciplina contempla uma apresentação da contabilidade social como técnica contábil, interligando 
os conceitos de economia de mercado com os conceitos da teoria macroeconômica na avaliação do 
produto e de suasvertentes; sistematizando as informações dos agregados na forma de contas nacionais 
básicas e tradicionais; e envolvendo os agentes econômicos internos com o mercado externo por meio 
da noção de balanço de pagamentos das taxas de câmbio e regimes cambiais, isto é, por meio da relação 
entre a moeda brasileira e a de outros países.
Procura, ainda, incluir um grande universo de conceitos que não se restringe às contas nacionais, 
incorporando um contexto específico ao termo “social”, por meio da apresentação e discussão dos 
indicadores sociais que procuram avaliar a forma de crescimento econômico, isto é, se a população 
brasileira como um todo está se beneficiando ou apenas uma parte dela.
Para esse tipo de avaliação, temos que ir além do crescimento econômico, que é o lado quantitativo 
da contabilidade social, ou seja, precisamos estudar a evolução desse crescimento a partir de indicadores 
sociais que avaliam o lado qualitativo de uma economia.
Sendo assim, para avaliarmos o crescimento e o desenvolvimento de uma economia, bem como 
as suas desigualdades regionais, é necessário o estudo de indicadores do mercado de trabalho e de 
qualidade de vida da população por meio do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a análise da 
distribuição da renda e a mensuração do grau de concentração através de instrumentos teóricos e 
estatísticos, como Curva de Lorenz e Índice de Gini e suas limitações e problemas metodológicos.
Como não poderia deixar de ser, este livro-texto também aborda a questão das políticas públicas, 
uma vez que elas não estão dissociadas dos resultados alcançados pelos cálculos agregativos ou mesmo 
daqueles que se pretende produzir. Nesse aspecto, conceitos fundamentais de políticas públicas, bem 
como seu ciclo na construção de resultados macroeconômicos, são de igual importância. Vale também 
destacar o espaço dedicado aos mecanismos de participação popular no desenho das políticas públicas 
e seus reflexos sociais.
INTRODUÇÃO
Em meados do século XX, o Brasil foi um dos países que mais cresceu pela ótica econômica, como 
já acontece com a China neste início do século XXI. Dado esse passado promissor, uma questão passa a 
ser intrigante: se apresentamos um elevado crescimento econômico no passado e hoje estamos entre as 
dez economias mais ricas do mundo pelo ranking do Produto Interno Bruto (PIB), por que continuamos 
tão atrasados em relação a outros países?
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Muitos pensadores brasileiros passaram toda a vida acadêmica procurando entender e responder 
essa questão, como Caio Prado Junior, Florestan Fernandes, Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares, 
João Manuel Cardoso de Mello, entre outros.
Para iniciarmos a busca pela resposta dessa questão, é preciso entender o processo de produção de 
bens e serviços, o valor adicionado gerado por esse processo, a distribuição da renda e compreender 
o fluxo circular da renda de uma economia por meio de algumas perguntas: o que produzir? Como 
produzir? Para quem produzir? Temos como respostas, respectivamente, os bens e serviços produzidos; 
a quantidade de fatores de produção utilizada e quanto desses fatores são máquinas, equipamentos e 
mão de obra, bem como quanto dessa mão de obra está no mercado de trabalho formal e informal; e, 
por fim, quem são os consumidores desses bens e serviços e qual a sua qualidade de vida.
No entanto, ainda não conseguimos responder à questão central. Por que estamos em um estágio 
de desenvolvimento econômico inferior? Para responder, necessitamos medir o fluxo de produção, seu 
custo e mensurar o valor gerado que constitui a renda e o estoque de riqueza da população de um país, 
bem como o padrão de vida e o bem-estar social dessa mesma população.
Nesse sentido, a contabilidade social permite uma avaliação racional pela força dos números de 
dados estatísticos que as contas nacionais apresentam por período de tempo.
Ao estudarmos a contabilidade social, percebemos que crescimento econômico é diferente de 
desenvolvimento econômico e, por isso, o Brasil é considerado, no contexto internacional, um caso antiexemplar, 
isto é, a economia brasileira não é pobre como a da África, mas possui uma das mais elevadas desigualdades do 
mundo, ou seja, 10% mais ricos da população ganham 30 vezes mais que os 10% mais pobres.
As contas nacionais permitem avaliar o que produzimos, como produzimos e para quem produzimos, dando 
uma dimensão da capacidade de produção e geração de valor adicionado da economia brasileira, o que, pela 
ótica da renda, revela a participação do capital e do trabalho na formação do Produto Interno Bruto (PIB), bem 
como o que e quanto consumimos, investimos, exportamos e importamos de outros países.
Ao medir cada variável que compõe as contas nacionais, conseguimos avaliar o desempenho econômico 
e social da economia brasileira no presente, procurando entender e superar os problemas do passado para 
uma melhoria de vida das gerações futuras por meio do acompanhamento da dinâmica econômica e social, 
criando e utilizando indicadores capazes de refletir as condições de vida em cada região brasileira, a qualidade 
do mercado de trabalho, as condições de moradia, saúde, educação, entre outros. 
Portanto, a contabilidade social passa a ser uma parte da ciência econômica e um ramo da economia aplicada 
para a elaboração de pesquisas que permitam questionar e solucionar as grandes questões econômicas e sociais 
que persistem no século XXI. Tal elaboração de pesquisas também tem o papel de auxiliar os formuladores de 
política econômica, notadamente aquelas públicas, sobre como os indicadores econômicos e sociais podem ser 
melhorados a partir da percepção de quais áreas devem ter maior atenção e de que forma as políticas públicas 
podem auxiliar em termos de crescimento e desenvolvimento econômico. Assim, a contabilidade social não 
se apresenta apenas como um ramo da economia voltado apenas para questões quantitativas, pois questões 
qualitativas também estão presentes. Os diferentes estilos de adoção de políticas públicas voltadas a questões 
práticas ou ideológicas impactam positivamente ou negativamente nos indicadores econômicos e sociais.
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CONTABILIDADE SOCIAL
Unidade I
1 DEFINIÇÕES E DESENVOLVIMENTO CONCEITUAL DA CONTABILIDADE 
SOCIAL
1.1 Definições de contabilidade social
A contabilidade social, antes compreendida apenas como contabilidade nacional, devido ao 
seu sistema de contas que apuravam o nível de atividade, representa atualmente uma evolução 
da ciência econômica ao final do século XX, de forma mais específica da teoria macroeconômica, 
no sentido de passar a mensurar não apenas a parte quantitativa da economia ou crescimento 
econômico, mas também a parte qualitativa ou desenvolvimento econômico. Segundo 
Bresser-Pereira e Nakano (1972, p. 1):
A contabilidade social é o conjunto de estatísticas de ordem econômica, 
preparadas e sistematizadas com o objetivo de possibilitar uma visão 
quantitativa, a mais precisa possível, da economia de um país. É uma síntese 
contábil dos fatos que caracterizam a atividade econômica de um país.
Hoje, praticamente, não existe nenhum país que não tenha a sua 
contabilidade social, através da qual se pode ter uma visão relativamente 
exata do estado econômico do país e do seu ritmo de crescimento.
O estudo da contabilidade social não é recente,pois já nos fins do 
século XVII se começa a utilizar o conceito de renda nacional. Apoiada 
no estudo deste conceito, a contabilidade social desenvolve-se e neste 
século, particularmente depois de 1920, os estudiosos começam a 
reconhecer uma pluralidade de conceito de renda (produto, renda, 
despesa, a preços de mercado, a custo dos fatores etc.). Os problemas 
econômicos do após guerra vão acelerar os estudos da contabilidade 
social, e aqueles conceitos de renda nacional vão ser integrados em uma 
estrutura mais ampla, o sistema de contas nacionais, que descrevem as 
principais operações da economia relacionando os mais importantes 
setores econômicos.
Essa disciplina tinha apenas o objetivo de medir o produto, a renda e a despesa agregados, isto 
é, medir o desempenho da economia por meio do crescimento econômico, ou seja, medir a variável 
mais importante de um país, que é o Produto Interno Bruto (PIB). Entretanto, o século XX demonstrou 
que muitos países cresceram somente pelo lado quantitativo, ou seja, apresentaram elevadas taxa de 
crescimento econômico, mas continuavam com elevados índice de pobreza. 
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Unidade I
 Observação
Veremos, ao longo deste livro-texto, que:
Produto Interno Bruto = Consumo Agregado + Investimento Agregado + 
Gastos Públicos Agregados + Exportação Agregada – Importação Agregada
Ou 
Produto Interno Bruto = ∑ PiQi
Em que i representa todos os bens e serviços produzidos em um país em 
um dado período de tempo.
Percebeu-se que o crescimento econômico não era distribuído de forma igualitária entre a 
população e que havia elevada concentração de riqueza entre os agentes econômicos. Por esse motivo, o 
desenvolvimento econômico passou a ser objeto de medição e estudo, avançando sobre a contabilidade 
nacional ao incluir as características e condições de vida da população residente, isto é, passou a medir 
as condições sociais.
Uma das medidas utilizadas para saber a renda das pessoas em uma economia é conhecida como 
Produto Interno Bruto por pessoa ou per capita (PIB per capita), que é o total do PIB divido pela 
população residente em um país. 
PIB per capita = Produto Interno Bruto / Total da população residente
No entanto, o PIB per capita é uma média que não demonstra como a renda está sendo distribuída 
entre essa mesma população.
O Brasil apresentou taxas de crescimento econômico nesses primeiros anos do século XXI. 
Dado que o crescimento populacional não é tão acelerado, resulta em uma elevação do PIB per 
capita brasileiro, que, em 2008, era de R$ 16 mil e alcançou o valor de R$ 27 mil no primeiro 
trimestre do ano de 2014.
O PIB per capita, mesmo representando um valor médio, é um indicador utilizado em 
várias pesquisas e como variável de vários modelos econômicos, bem como na composição de 
modelos estatísticos para medir a renda anual da população, também sendo utilizado para fazer 
comparações internacionais.
O gráfico a seguir, com base nos dados divulgados pelo IBGE, apresenta o PIB per capita do Brasil de 
2008 a 2014.
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16.225 17.196
19.882
22.162 23.655
25.655
27.229
2009 2010 2011 2012(1) 2013(1) 2014(1)
Per capita...
(1) Com base nos dados de Contas Nacionais Trimestrais.
Figura 1 – PIB per capita do Brasil, em R$
Exemplo de aplicação
Estima-se que a diferença entre a renda dos 10% mais ricos da população no Brasil em relação aos 
10% mais pobres seja mais de 30 vezes.
Qual é a porcentagem do PIB que fica com esses 10% mais ricos e com os 10% mais pobres?
Dito isso, a contabilidade social possui metodologia e instrumentos capazes de medir a 
dinâmica de uma economia em um determinado período de tempo, geralmente no prazo de um 
ano, o quanto se produziu (oferta), quanto se consumiu (demanda), quanto se investiu (formação 
bruta de capital fixo), quanto se vendeu para outros países (exportação) e quanto se comprou de 
outros países (importação).
Esse avanço metodológico se deve muito à obra do economista John Maynard Keynes (1883-1946), 
o livro Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicado pela primeira vez em 1936, em que 
os economistas passaram a entender e compreender melhor como mensurar de forma agregada, ou 
melhor, medir toda variável de produção, renda e consumo, como também saber o que determina cada 
uma dessas variáveis, além de poder relacionar cada uma delas, por exemplo, a produção e a despesa, a 
despesa e a renda, e a renda e a produção dentro de uma lógica sistematizada.
Esse novo método trazido por Keynes dá início ao que os economistas denominaram de 
macroeconomia, em que as variáveis são trabalhadas de forma agregada, ou seja: a somatória do 
consumo de toda a população residente em um país no período de um ano, chamada de consumo 
agregado; a somatória de todo o investimento das empresas residentes em um país no período de um 
ano, chamada de investimento agregado; a somatória de toda a produção dos fatores de produção 
residentes em um país no período de um ano, chamada de produto nacional; e a somatória de toda a 
renda gerada pelos fatores de produção dos residentes em um país no período de um ano, chamada de 
renda nacional.
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Unidade I
1.2 Princípio das partidas dobradas
A contabilidade social segue o método das ciências contábeis ao estruturar o balanço contábil das 
empresas por meio do princípio das partidas dobradas, ou seja, um valor de lançamento a débito tem 
um lançamento correspondente, no mesmo valor e simultâneo, a crédito, o que resulta nos equilíbrios 
interno e externo do balanço ao sistematizar cada variável e as contas que compõem esse balanço, 
conhecido como Sistema de Contas Nacionais.
1.3 Conceitos básicos: produto, renda e despesa
O objetivo principal da contabilidade social é descrever o fluxo de bens e serviços finais 
produzidos em um país durante o período de um ano. Esse fluxo pode ser mensurado por 
três óticas: produto, despesa e renda. Elas resultam em totais dos quais podemos montar um 
sistema de contas e descrever as operações econômicas efetuadas durante um determinado 
período. São eles: 
• Produto: soma total dos bens e serviços finais produzidos durante o período de um ano.
• Renda: remuneração paga às famílias pelo fornecimento, durante o período de um ano, de fatores 
de produção para as empresas elaborarem o produto.
• Despesa: é a despesa total realizada pelas famílias ao comprarem o produto, também durante o 
período de um ano.
Produto = ∑ PiQi
Em que P é a média de preços e Q é a quantidade de todos os bens e serviços produzidos. Ou,
Produto = ∑VA
Em que VA é o valor adicionado no processo de produção, ou seja, salários, juros, lucros e aluguéis.
Cada ótica citada representa um caminho diferente para mensurar, em valores iguais, a 
atividade econômica. Para maior clareza, iremos estudar a identidade entre produto, despesa 
e renda e as fases de produção e composição dos setores e produtos produzidos, bem como os 
valoresgerados. Podemos ver na tabela a seguir que, pelas três óticas, os valores são iguais para 
o Brasil no ano de 2011.
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CONTABILIDADE SOCIAL
Tabela 1 – Componentes do Produto Interno Bruto sob as três óticas
Componentes do Produto Interno Bruto
 2011 
valor corrente em 
milhões de reais
A - Ótica da produção 
Total 4.374.765
Produção 7.436.390
Impostos sobre produtos 658.526
Subsídios aos produtos (-) (-) 2.605
Consumo intermediário (-) (-) 3.717.546
B - Ótica da despesa 
Total 4.374.765
Despesa de consumo final 3.454.377
Despesa de consumo das famílias 2.572.614
Despesa de consumo das Instituições sem fins 
de lucro a serviço das famílias 64.395
Despesa de consumo do governo 817.368
Formação bruta de capital 954.059
Formação bruta de capital fixo 902.885
Variação de estoque 51.174
Exportação de bens e serviços 501.802
Importação de bens e serviços (-) (-) 535.473
C - Ótica da renda 
Total 4.374.765
Remuneração dos empregados 1.846.781
Salários 1.453.655
Contribuições sociais efetivas 338.487
Contribuições sociais imputadas 54.639
Rendimento misto bruto 363.863
Excedente operacional bruto 1.461.861
Impostos sobre a produção e importação 710.548
Subsídios a produção e importação (-) (-) 8.288
Adaptado de: IBGE (2015d).
Perceba que há uma identidade “produto ≡ despesa ≡ renda”, em que o valor total é igual 
para as três óticas. Esse valor de que estamos falando trata-se do PIB, que foi de R$ 4,3 trilhões 
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Unidade I
no ano em questão (2011). Portanto, podemos chegar ao resultado do PIB por meio de três óticas 
ao somarmos a produção de todos os bens finais produzidos (ótica da despesa), todos os valores 
adicionados em cada etapa de produção (ótica do produto) ou todas as remunerações dos fatores 
de produção (ótica da renda).
1.3.1 A identidade entre produto, despesa e renda
Uma identidade em contabilidade social é uma identidade contábil entre duas variáveis, como uma 
situação em que a variável X possui uma identidade com a variável Y. Podemos descrever essa identidade 
da seguinte forma X ≡ Y. No entanto, a identidade de X ≡ Y não implica nenhuma relação de causa e 
efeito da variável X para a variável Y ou vice-versa. 
Queremos apenas afirmar que o valor do produto é idêntico ao valor da despesa, o valor da despesa 
é idêntico ao valor da renda e o valor da renda é idêntico ao valor do produto. Para termos mais clareza, 
temos:
Despesa Agregada = Despesa de Consumo Final + Formação Bruta de 
Capital Fixo + Exportação – Importação
Renda Agregada = Salários + Excedente Operacional Bruto
Produto Agregado = Produção – Consumo Intermediário
Valor Adicionado = Salários + Excedente Operacional Bruto
ou
Valor Adicionado = Valor Bruto da Produção – Consumo de Bens e 
Serviços Intermediários
Vamos considerar uma economia fictícia em que não há governo e não há também o setor externo, 
cujas linhas apresentam três setores e quatro fases de produção denominados aqui como local inicial de 
produção: uma Fazenda, sendo este o local em que temos a matéria-prima ou insumos – setor primário 
ou agrícola –; Fiação e Tecelagem, os locais de transformação dessa matéria-prima em tecido – setor 
secundário ou industrial –; e Varejo, o local em que temos o comércio de tecidos – setor terciário ou 
comércio e serviços. 
Já nas colunas, temos o valor bruto da produção, que é a somatória de tudo que foi produzido, 
inclusive o que foi utilizado como matéria-prima ou insumo na produção. Também temos a remuneração 
dos fatores de produção, os salários como renda do trabalho, os lucros como remuneração da capacidade 
empresarial, os juros como remuneração do capital e os aluguéis como remuneração da terra.
O valor adicionado, como veremos ao descrever a tabela, é resultado da soma da remuneração 
dos fatores de produção. A decisão de transformar insumos em bens e serviços necessita de fatores 
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CONTABILIDADE SOCIAL
de produção, portanto, ao decidir produzir, contratamos os fatores de produção e adicionamos seu 
valor aos insumos, leia-se: somamos ao valor dos insumos a remuneração dos fatores de produção 
contratados, conforme a tabela a seguir:
Tabela 2 – Produção de algodão e comércio de tecidos 
(em milhões de unidades monetárias – $)
Setores ou 
fases de 
produção
Valor bruto da 
produção
Insumos – 
consumo 
intermediário
Salários
Lucros, juros 
e aluguéis
(EOB)*
Valor adicionado
Fazenda 86.399 55.000 10.500 20.899 31.399
Fiação 130.658 86.399 13.400 30.859 44.259
Tecelagem 187.927 130.658 15.900 41.369 57.269
Varejo 262.240 187.927 17.980 56.333 74.313
Total 469.480 262.240 57.780 149.460 207.240
*Excedente 
operacional 
bruto
O setor primário (Fazenda) apresenta $ 55.000 em insumos, é denominado de consumo intermediário 
e, para transformar esse insumo em produto final, contrata $ 10.500 em salários (trabalhadores) e 
$ 20.899 em lucros, juros e aluguéis, valor referente à remuneração da capacidade empresarial do produtor 
desse setor, aos juros como remuneração do capital que esse mesmo produtor pegou emprestado no 
banco para comprar máquinas e equipamentos para a sua produção e ao aluguel do local em que colheu 
os insumos necessários para sua produção.
O valor bruto da produção desse setor, no valor de $ 86.399, conforme seu conceito, é a soma do 
valor dos insumos ($ 55.000), dos salários ($ 10.500) e dos lucros, juros e aluguéis ($ 20.889). Já o valor 
adicionado, no valor de $ 31.399, é a soma apenas dos salários ($ 10.500) e dos lucros, juros e aluguéis 
($ 20.889).
Para a próxima fase de produção, no caso, a fiação, acontecer no setor secundário, há necessidade 
de matérias-primas que serão ofertadas pelo setor primário (fazenda) no valor de $ 86.399. Veja que 
este é o mesmo valor bruto da produção do setor primário, ao qual terá adicionado $ 13.400 de salários 
e $ 30.859 de lucros, juros e aluguéis na próxima fase de produção (fiação), resultando no valor bruto 
da produção de $ 130.658. Veja que o valor adicionado é a soma de $ 13.400 de salários e $ 30.859 de 
lucros, juros e aluguéis.
Para que a próxima fase, denominada Tecelagem, ocorra, o valor bruto da produção da Fiação 
($ 130.658) torna-se insumo desse setor, que terá os valores adicionados de $ 15.900 em salários e 
$ 41.369 em lucros, juros e aluguéis, resultando no valor bruto de produção de $ 187.927 e no total de 
valor adicionado de $ 57.269.
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Unidade I
Já o último setor de produção (Varejo) consumirá o valor bruto da produção da Tecelagem no valor 
de $ 187.927 e adicionará $ 17.980 em salários e $ 56.333 em lucros, juros e aluguéis, resultando em 
um valor bruto da produção de $ 262.240 e no valor adicionadode $ 74.313.
Após todo esse processo de produção, precisamos saber qual foi o produto agregado ou Produto 
Interno Bruto (PIB) dessa economia, sendo necessário consideramos apenas o valor dos bens finais 
produzidos em cada fase de produção.
Perceba que não podemos considerar o Valor Bruto da Produção, devido ao fato de que ele 
soma os valores de insumo ao longo de todo o processo de produção e suas fases setoriais. Se 
considerarmos o valor de $ 469.480 como o produto agregado, iremos incorrer no erro da dupla 
contagem, ou seja, iremos considerar os valores dos insumos adicionados duas vezes no mesmo 
processo de produção.
Portanto, faz-se necessário deduzir, do Valor Bruto da Produção final, o Consumo Intermediário 
final, cujo resultado é $ 207.240. Note que é o mesmo valor da soma dos valores adicionados e igual a 
soma do total de salários ($ 57.780) e dos lucros, juros e aluguéis ($ 149.460).
Sendo assim, podemos chegar ao valor do produto agregado dessa economia por três métodos ou 
caminhos, denominados aqui como óticas. A ótica da despesa, a ótica do produto e a ótica da renda.
A ótica da despesa é a soma dos valores de todos os bens e serviços produzidos no período de 
um ano e que não foram consumidos como matéria-prima na produção de outros bens e serviços, 
ou seja, foram considerados como bens finais (Consumo). A ótica do produto é a soma do valor 
adicionado no processo de produção (Valor Bruto da Produção menos o Consumo Intermediário) e 
a ótica da renda é a soma das remunerações (Salários, Lucros, Juros e Aluguéis) pagas aos fatores 
de produção.
O produto agregado ou produto interno bruto dessa economia fictícia é o valor de $ 207.240, bem 
como o valor de toda despesa e da renda dessa mesma economia, ou seja, a identidade Produto ≡ 
Despesa ≡ Renda, devido ao valor ser idêntico para os três agregados macroeconômicos. 
2 FLUXO CIRCULAR DA RENDA
Para compreender melhor produto, despesa e renda iremos iniciar nossos estudos por um modelo de 
sistema econômico simples.
Vamos supor que esse sistema econômico tenha apenas as empresas como unidades produtoras e as 
famílias como fornecedores de fatores de produção e, ao mesmo tempo, unidades consumidoras. Não 
há consumo intermediário, estoque, relações com o resto do mundo e governo, como podemos ver a 
seguir:
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CONTABILIDADE SOCIAL
...Empresas... ...Famílias...
Salários, juros, lucros, aluguéis (renda)
Fatores produtivos
Bens e serviços finais (produto)
Consumo (despesa)
Figura 2 – Fluxo circular da renda simples
Aqui, as empresas, ao obterem os fatores de produção (trabalho, capital, recursos naturais), 
transferem às famílias uma remuneração (salários, juros, lucros, aluguéis) pela utilização desses fatores, 
isto é, pagam uma renda. 
Ao combinarem esses fatores de produção, as empresas produzem bens e serviços cujo resultado é 
o produto, que, por sua vez, será vendido às famílias, que compram os bens e serviços ou produtos e 
realizam uma despesa.
Note que os agentes econômicos que compõem uma sociedade aparecem duas vezes no fluxo 
circular de renda, ou seja, em um momento são produtores e em outro, consumidores.
Na sociedade em que vivemos e que é, no aspecto material, inteiramente 
organizada pela troca, a ótica do produto considera a atividade dos 
indivíduos como produtores, ou seja, a atividade das unidades produtivas ou 
empresas. Já a ótica do dispêndio (ou dos gastos, ou da demanda) refere-se a 
sua atuação como consumidores, ou seja, como famílias. Finalmente, a ótica 
da renda analisa os indivíduos em sua condição de proprietários de fatores 
de produção. As transações ocorrem entre famílias e empresas e envolvem 
fluxos reciprocamente determinados de bens e serviços concretos, por um 
lado, e de dinheiro, por outro (PAULANI; BRAGA, 2012, p. 23).
Outro ponto importante é que há dois fluxos em andamento: o fluxo real, que é o dos fatores 
produtivos e de bens e serviços finais (produto), e o fluxo monetário, que é composto por salários, juros, 
lucros e aluguéis (renda) e o consumo dos bens e serviços produzidos (despesa).
Portanto, o que circula é o fluxo monetário por meio da moeda, que é a única mercadoria que vai das 
empresas para os trabalhadores e volta para as empresas quando estas vendem seus bens e serviços, o 
que não acontece com os demais bens finais, que fazem uma única rota: das empresas para as famílias. 
Quanto maior o fluxo monetário e real, maior será o crescimento econômico.
O fluxo circular da renda ampliado demonstra como empresas e famílias trocam suas necessidades 
no mercado de bens e serviços e no mercado de trabalho, em que os fluxos reais medem quantidades e 
os fluxos monetários medem valores, como no fluxo circular simples.
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Unidade I
Receita 
de vendas 
de bens e 
serviços
Remuneração 
do fator 
trabalho
Força de 
trabalho
Despesa 
na compra 
de bens e 
serviços
Empresas
Mercado de 
bens e 
serviços
Mercado de 
trabalho
Famílias
Bens e serviços
Figura 3 – Fluxo circular da renda ampliado
As empresas produzem bens finais e bens de capitais, sendo esse segundo tipo de bens necessário 
para ampliar a produção dos bens finais por meio de uma elevação da capacidade instalada. Sendo 
assim, essas empresas procuram adotar novas tecnologias ou reposição do capital que se depreciou para 
ofertar mais bens e serviços no longo prazo.
Em uma economia capitalista, o processo de acumulação de capital acompanha o processo de 
produção devido ao fato de haver os mercados de fundos de capital, que é responsável por canalizar 
os recursos da renda não consumida das famílias (poupança) para que as empresas tenham recursos 
disponíveis para investir na produção via mercado de bens de investimentos ou compra de máquinas e 
equipamentos.
Receita 
de vendas 
de bens e 
serviços
Receita de 
vendas de 
bens de 
investimentos
Demanda de 
máquinas e 
equipamentos
Despesa com a compra 
de bens e serviços
Mercado de 
bens e 
serviços
Mercado de 
trabalho
Mercado de 
fundos de 
capital
Bens e serviços
Força de trabalho
Oferta de recursosDemanda de recursos
Remuneração do fator trabalho
Mercado de 
bens de
investimento
Empresas Famílias
Figura 4 – Fluxo circular da renda ampliado com mercado de fundos e de bens de capitais
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CONTABILIDADE SOCIAL
O fluxo circular da renda ampliado apresentado está contextualizado em uma economia fechada 
e sem governo e que apresenta uma demanda por bens finais e bens de capital, cujo valor adicionado 
gerado (renda) nesse processo de produção é dividido entre consumo e poupança para financiar apenas 
as empresas, como veremos nas contas nacionais.
2.1 A macroeconomia e as contas nacionais
A partir da publicação do livro Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda, de John Maynard 
Keynes, em 1936, iniciou-se o processo de construção de identidades macroeconômicas e sua relação 
com a teoria, sendo necessário entender como são determinadas as principaisvariáveis agregadas de 
um país.
 Lembrete
O livro a Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda, de 
John Maynard Keynes, publicado em 1936, ajudou no avanço da 
contabilidade social, bem como na compreensão da grande depressão 
dos anos 1930.
Keynes demonstrou que uma parte do consumo agregado (C) está em função da renda agregada (Y), 
em que existe a propensão marginal a consumir (Pmg c ou cY) como lei psicológica fundamental, em 
que Pmg c varia entre 0 e 1.
C = C + cY
Keynes também constatou que uma outra parte da Y é composta pelo investimento agregado (I), 
que sofre flutuações devido às incertezas em relação ao futuro. Portanto, temos:
Y = C + cY + I
Em que temos a renda agregada (Y), o consumo agregado (C) e a poupança agregada (S), cujas 
relações podemos obter:
Y = C + S
S = Y – C
A renda agregada é a soma do consumo agregado mais a poupança agregada, que, por sua vez, é 
a renda agregada menos o consumo agregado. Desta forma, nos aproximamos da demanda agregada 
(DA) de uma economia simples:
DA = C + I
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Unidade I
O equilíbrio se dá quando Y = DA, então temos:
Y = C + S
DA = C + I
Ou
C + S = C + I
Ao anularmos o consumo (C) de ambos os lados da equação, temos a identidade entre poupança e 
investimento:
S ≡ I
Isso demonstra a relação entre poupança e consumo agregados, como visto no fluxo circular da 
renda ampliado.
Percebe-se que a renda agregada é determinada pelo nível de consumo e investimento agregados 
em uma economia simples. Para melhor entendimento, vamos estudar as contas nacionais em três 
contextos, uma economia fechada e sem governo, economia aberta e sem governo e economia aberta 
e com governo.
Seguindo um formato de contas agregadas e utilizando, para cada débito, um crédito, e para cada 
crédito, um débito, ou o princípio das partidas dobradas, que garante os equilíbrios interno e externo 
entre todas as contas do sistema, vamos agora, por etapas, visualizar os conceitos por contas nacionais 
e grau de complexidade, isto é, por agentes econômicos (famílias, empresas, governo e resto do mundo 
ou setor externo) dentro de cada conjunto de contas.
2.2 Contas nacionais em uma economia fechada e sem governo
Aqui iremos supor que a economia é fechada, não havendo relações com o resto do mundo, como 
exportação e importação, bem como renda enviada ou recebida do setor externo. Também iremos 
considerar que não há governo e, assim, também não há tributação ou gastos públicos nas contas 
nacionais.
Para iniciarmos, é necessário entender alguns conceitos básicos que compõem os créditos e débitos 
em questão. O primeiro se refere à taxa de acumulação de capital ou investimento agregado, que é igual 
à soma de formação bruta de capital fixo (FBKF) mais a variação de estoques (∆ Estoques):
I = FBKF + ∆ Estoques
De acordo com Paulani e Braga (2012, p. 36):
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CONTABILIDADE SOCIAL
O investimento costuma ser dividido em variação de estoques, que congrega 
os bens cujo consumo ou absorção futuros irão se dar de uma única vez, e 
a formação bruta de capital fixo, que agrega os bens que não desaparecem 
depois de uma única utilização e possibilitam a produção (e, portanto, 
o consumo) ao longo de um determinado período de tempo, ou seja, 
possibilitam a produção de um fluxo de bens e serviços.
Já a depreciação é a parcela de reposição do capital que representa as novas máquinas e equipamentos 
que irão fazer parte do processo produtivo. Este conceito é importante para chegarmos aos conceitos de 
investimento líquido (IL) e produto líquido (PL):
IL = Investimento Bruto menos a depreciação
PL = Produto Bruto menos a depreciação
O quadro a seguir apresenta três contas: a de produto, a de apropriação da renda e a de capital. 
Percebe-se que há uma relação entre cada conta devido à relação entre débito e crédito.
Quadro 1 – Contas nacionais em uma economia fechada e sem governo
Conta do Produto
Débito Crédito
A - produto líquido (salários, lucros, juros e aluguéis) C - consumo pessoal
B - depreciação D - variação de estoques
 E - formação bruta de capital fixo
Renda e Produto Bruto Despesa Bruta
 
Conta de apropriação da renda
Débito Crédito
C - consumo pessoal A - produto líquido (salários, lucros, juros e aluguéis)
F - poupança líquida 
Utilização da Renda Líquida Renda Líquida
 
Conta de capital
Débito Crédito
D - variação de estoques F - poupança líquida
E - formação bruta de capital fixo B - depreciação
Investimento bruto Poupança bruta
Adaptado de: Paulani e Braga (2012).
Na conta de produto ou produção das empresas, os salários, lucros, juros e aluguéis, bem como a 
depreciação, são débitos. Já o consumo pessoal, a variação de estoques e a formação bruta de capital 
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Unidade I
fixo são créditos. Perceba-se que, para haver consumo (crédito), tem que haver salários, lucros, juros e 
aluguéis ou renda (débito).
Já na conta de apropriação da renda pelas famílias, temos como crédito a renda gerada como produto 
líquido na forma de salários, lucros, juros e aluguéis e a utilização dessa renda, no lado do débito, em 
consumo pessoal e poupança líquida, já descontada a depreciação para a reposição do capital como 
renda não consumida.
Na conta de capital, que é importante para sabermos a capacidade da economia em repor e ampliar a 
capacidade de produção, temos como crédito a poupança líquida e a depreciação, que são fundamentais 
para a formação bruta de capital fixo, isto é, investimento e reposição da produção com a variação de 
estoques.
2.3 Contas nacionais em uma economia aberta e sem governo
Aqui iremos supor que a economia é aberta, ou seja, que há relações com o resto do mundo, como 
exportação e importação, renda enviada ou recebida do setor externo, bem como manteremos a 
consideração de que não há governo, tributação e gastos públicos nas contas nacionais.
As relações com o resto do mundo podem ser identificadas pelas seguintes variáveis:
• Exportação de bens e serviços (X).
• Importação de bens e serviços (Q).
• Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE).
• Renda Líquida Recebida do Exterior (RLRE).
A exportação de bens e serviços é uma parte da produção interna que é vendida para outros países e 
representa um débito do setor externo com o país exportador. A importação de bens e serviços representa 
a compra de bens e serviços do exterior e, portanto, representa um crédito do resto do mundo em 
relação ao país importador. A exportação (X) e a importação (Q) são de bens e serviços e não de fatores 
de produção.
A Renda Líquida Enviada do Exterior (RLEE) e a Renda Líquida Recebida do Exterior (RLRE) representam 
salários, juros, lucros e aluguéis remetidos para fora ou recebidos do resto do mundo. Por exemplo, um 
jogador de futebol que joga na Europa, ao enviar uma parte dos seus rendimentos para o seu país de 
origem, estará gerando uma renda líquida recebida do exterior (RLRE). Já uma multinacional americana 
operando no Brasil e que remete uma parte dosseus lucros para seu país de origem estará gerando uma 
renda líquida enviada do exterior (RLEE). 
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CONTABILIDADE SOCIAL
 Observação
Mesmo considerando, por enquanto, as economias sem governo, é 
bom lembrar que a renda é liquida devido a ser tributada em seu país 
de origem.
Toda transação com o resto do mundo é computada em um Balanço de Pagamento (BP), que é 
composto por duas contas principais: a Conta das Transações Correntes e a Conta Financeira e de 
Capitais. Iremos, aqui, considerar apenas a conta de Transações Correntes, que é composta pelas 
subcontas Balança Comercial, na qual são computadas as exportações e as importações, Balança de 
Serviços, na qual são computadas as rendas líquidas enviadas e recebidas, e Transações Unilaterais, na 
qual são computadas as viagens internacionais, entre outras relações unilaterais com o resto do mundo, 
como doações.
Ao considerarmos uma economia aberta, temos a criação de uma nova conta, que é a do setor 
externo. Do lado do crédito, há as importações e a renda enviada ao exterior. Já do lado do débito, 
temos as exportações e a renda recebida do exterior. Veja que há uma rubrica como “resultado do BP 
em transações correntes”, que representa o saldo entre o crédito e o débito dessa conta. Por exemplo, 
se a exportação for maior que a importação, o saldo é positivo, o que significa superávit externo. 
Referente a essa rubrica ou resultado, Paulani e Braga (2012, p. 47) afirmam:
[...] pode ficar de fato em qualquer dos lados da conta do setor externo desde 
que seu sinal esteja correto, garantindo-se o equilíbrio interno da conta. 
Ficando onde está, ou seja, do lado esquerdo, ele deverá ter sinal positivo se 
o país em questão teve um déficit em transações correntes e sinal negativo 
se o país teve superávit. Isso ocorre porque como esta conta está construída 
do ponto de vista do resto do mundo, um resultado negativo em transações 
correntes dessa economia significa, para o resto do mundo, um superávit, o 
inverso ocorrendo se se tratar de um resultado positivo.
A conta de produção passa a ter como complementos as rubricas de exportação do lado do crédito, 
ou seja, pela ótica de dentro para fora, a exportação significa vendas no setor externo, portanto, valores 
a receber do setor externo. Do lado do débito, teremos as importações ou valores a pagar, o saldo das 
rendas líquidas enviadas e recebidas, o produto líquido e a depreciação.
Na conta de capital, do lado do débito, permanecem as duas rubricas anteriores. Em uma 
economia aberta, o que muda é do lado do crédito, com a inserção do resultado do BP em transações 
correntes somados com a poupança líquida e a depreciação. Isso se deve ao resultado do BP em 
representar a possiblidade de poupança externa, o que poderá elevar a capacidade de investimento 
da economia interna.
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Unidade I
Quadro 2 – Contas nacionais em uma economia aberta e sem governo
Conta do setor externo
Débito Crédito
G - exportações de bens e serviços não fatores I - importações de bens e serviços não fatores
H - renda recebida do exterior J - renda enviada ao exterior
K - resultado do BP em transações correntes 
Total do débito Total do crédito
 
Conta de produção
Débito Crédito
I - importações de bens e serviços não fatores G - exportações de bens e serviços não fatores
J (-) H - renda líquida enviada (+) ou recebida (-) C - consumo pessoal
A - produto líquido (salários, lucros, juros e aluguéis) D - variação de estoques
B - depreciação E - formação bruta de capital fixo
Oferta de bens e serviços Demanda por bens e serviços
 
Conta de capital
Débito Crédito
D - variação de estoques F - poupança líquida
E - formação bruta de capital fixo B - depreciação
 K - resultado do BP em transações correntes
Investimento bruto total Poupança bruta total
Adaptado de: Paulani e Braga (2012).
2.4 Contas nacionais em uma economia aberta e com governo
Daremos início ao sistema de contas nacionais que passam a ter o agente econômico denominado 
governo, portanto, temos a conta do governo, que apresenta, do lado do crédito, as receitas públicas 
e, do lado do débito, as despesas públicas. Quando a receita pública é maior que a despesa, o resultado 
positivo tem como consequência o superávit fiscal ou a poupança pública. Já quando temos uma despesa 
pública superior à receita, denominamos déficit fiscal, que irá compor a dívida pública.
Por meio dos impostos diretos, indiretos e outras receitas correntes líquidas, o governo sustenta seus 
gastos com folha de pagamento do funcionalismo público, bem como o pagamento de bens e serviços 
que demanda do setor privado, denominado consumo do governo.
Os impostos são classificados em diretos e indiretos. Os impostos diretos oneram a renda, Imposto 
de Renda (IR), ou a propriedade, Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana (IPTU), bem como o 
Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotivos (IPVA). Esse tipo de imposto é considerado como 
progressivo, pois acompanha o valor da renda ou da propriedade, isto é, quanto maior o valor, maior 
será a alíquota do imposto.
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Os impostos indiretos são pagos ao incidirem sobre o preço das mercadorias, como o Imposto sobre 
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Esse tipo 
de imposto é considerado regressivo, pois não acompanha o valor da renda dos consumidores, ou seja, 
paga mais ICMS e IPI quem ganha menos, devido à alíquota de imposto ser a mesma para todas as faixas 
de renda dos consumidores.
As transferências do governo podem ser denominadas em pensões, aposentadorias, programa de 
renda mínima, programa bolsa família, auxílio doença, entre outros, e representa uma devolução que o 
governo faz à sociedade dos impostos cobrados sem nenhuma contrapartida.
Já os subsídios são considerados como imposto negativo, isto é, ao invés de arrecadar por meio de 
impostos, o governo abre mão do imposto. Um exemplo recente foi a ação do governo federal brasileiro 
no ano de 2009 de reduzir as alíquotas de impostos sobre carros e sobre toda a linha branca, como 
geladeiras e fogões, permitindo aos setores produtores desses bens duráveis reduzirem preços devido à 
queda dos impostos.
Percebe-se que o governo tem um papel relevante no sistema econômico, principalmente na forma 
de registro dos agregados que compõem o sistema das contas nacionais. Por meio dos impostos indiretos 
e subsídios, o governo altera o sistema de preços de uma economia. É por esse motivo que temos os 
conceitos de PIB a preços de mercado e PIB a custo de fatores.
O PIB a preços de mercado é aquele que considera os impostos indiretos menos os subsídios e o PIB 
a custo de fatores é aquele que não considera os impostos indiretos e os subsídios. O valor divulgado 
anualmente é o PIB a preços de mercado, isto é, o que conta com a participação do governo no sistema 
de preços do sistema econômico.
 Observação
PIB preço de mercado = PIB custo de fatores +impostos indiretos - 
subsídios
PIB custo de fatores = PIB preço de mercado - impostos indiretos + 
subsídios
Com a entrada da conta do governo e a descrição de cada rubrica, podemos analisar as outras contas 
e ver como o governo participa de cada uma delas. Na conta de produção, temos o consumo do governo 
do lado do crédito, devido à compra de bens e serviços do setor privado, e do lado do débito, temos os 
impostos indiretos líquidos de subsídios.
[...] como a conta de produto tem que registrar o PIB a preço de mercado, 
é preciso lançar no lado do débito o valor dos impostos indiretos líquidos 
de subsídios. Em contrapartida, temos agora também que lançar do lado do 
crédito o consumo do governo (rubrica L), compensando assim o lançamento a 
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Unidade I
débito do governo. De fato, além de coletar tributos, o governo surge também 
como um agente adicional de demanda, além daquelas que já existiam, quais 
sejam, consumo pessoal, investimentos (formação bruta de capital fixo mais 
variação de estoques) e exportações (PAULANI; BRAGA, 2012, p. 55).
A próxima conta é a de apropriação da renda, que apresenta a renda nacional a custo de fatores. Do 
lado do crédito temos o produto líquido ou a renda dos fatores de produção e do lado do débito, temos 
as despesas, como consumo pessoal, impostos diretos já líquidos das transferências e outras receitas 
correntes líquidas do governo, como taxas e contribuições, e, por fim, a renda não gasta em consumo, 
representada pela poupança líquida.
Para finalizar, na conta de capital, temos do lado do crédito o saldo do governo em conta corrente 
devido ao fato de que o governo também pode gerar poupança pública, que poderá ser utilizada na 
formação bruta de capital fixo ou investimentos do lado do débito. Dessa forma, há o equilíbrio interno 
e externo das contas, em que, ao deduzirmos cada lado, isto é, créditos e débitos de todas as contas, o 
resultado será zero.
Quadro 3 – Contas nacionais em uma economia aberta e com governo
Conta do governo
Débito Crédito
L - consumo do governo P - impostos diretos
M - transferências O - impostos indiretos
N - subsídios R - outras receitas correntes líquidas
O - saldo do governo em conta corrente 
Utilização da receita Total da receita
 
Conta de produção
Débito Crédito
I - importações de bens e serviços não fatores G - exportações de bens e serviços não fatores
J (-) H - renda líquida enviada (+) ou recebida (-) C - consumo pessoal
A - produto líquido (salários, lucros, juros e aluguéis) L - consumo do governo
B - depreciação D - variação de estoques
Q (-) N - impostos indiretos líquidos de subsídios E - formação bruta de capital fixo
Oferta de bens e serviços Demanda por bens e serviços
 
 Conta de apropriação da renda
Débito Crédito
C - consumo pessoal A - produto líquido (salários, lucros, juros e aluguéis)
P (-) M - impostos diretos líquidos de transferências 
R - outras receitas correntes líquidas 
F - poupança líquida 
Utilização da Renda Líquida Renda Líquida
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CONTABILIDADE SOCIAL
Conta do setor externo
Débito Crédito
G - exportações de bens e serviços não fatores I - importações de bens e serviços não fatores
H - renda recebida do exterior J - renda enviada ao exterior
K - resultado do BP em transações correntes 
Total do débito Total do crédito
 
Conta de capital
Débito Crédito
D - variação de estoques F - poupança líquida
E - formação bruta de capital fixo B - depreciação
 K - resultado do BP em transações correntes
 O - saldo do governo em conta corrente
Investimento bruto total Poupança bruta total
Adaptado de: Paulani e Braga (2012).
2.4.1 O sistema de contas nacionais e as identidades contábeis em uma economia 
aberta e com governo
Após apresentarmos as contas nacionais em uma economia aberta e com governo, podemos 
completar os conceitos por meio das identidades contábeis sobre produto e renda. Anteriormente, 
apresentamos renda agregada determinada apenas pelo nível de consumo e investimento agregados 
em uma economia simples.
As contas nacionais em uma economia aberta e com governo passam a ter relações com o resto 
do mundo, como exportação e importação, bem como renda enviada ou recebida do setor externo, e a 
participação do governo por meio da tributação e dos gastos públicos nas contas nacionais.
Como já apresentamos as variáveis do setor externo, vamos entender a dinâmica econômica com a 
entrada do governo e sua participação na economia e assim completar as variáveis que determinam o 
Produto Interno Bruto (PIB).
A entrada da conta governo revela que esse agente econômico gera uma receita pública que é 
composta principalmente por impostos diretos e indiretos, dando condições de executar os gastos 
públicos em bens e serviços, entre outros.
 Observação
Bens públicos são aqueles que não podem ser providos pelo mecanismo 
de mercado, como justiça, segurança pública nacional, entre outros. Duas 
características são inerentes a esse tipo de bem, a da não exclusão e da não 
rivalidade ou indivisibilidade.
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Unidade I
Constatamos que a renda agregada (Y) é composta por consumo (C) e poupança (S) agregados e a 
despesa agregada é composta por consumo (C) e investimento (I) agregados. Temos:
Y = C + S
DA = C + I
Com a entrada do governo, temos um complemento. Teremos agora, de ambos os lados, as variáveis 
de arrecadação do governo ou tributação (T) e gastos do governo ou gastos públicos (G):
Y = C + S + T
DA = C + I + G
A renda agregada passa a ser representada por consumo, poupança ou renda não consumida e 
tributação ou parte da renda gerada e transferida para o governo por meio de impostos, contribuições 
e taxas.
Desta vez, se igualarmos Y = DA, temos:
C + S + T = C + I + G
Ao cortar o consumo (C) de ambos os lados e invertendo os termos, teremos:
S + T = I + G
S – I = G - T
As equações demonstram, do lado esquerdo, a possibilidade de poupança privada, se a poupança for 
maior que o investimento (S > I), e, do lado direito, a possiblidade de poupança pública, se os gastos do 
governo forem menores que a arrecadação pública (G < T).
Sempre que houver um déficit público, isto é, quando o governo gastar mais do que arrecadou (G > 
T), deverá ocorrer um excesso de poupança privada para financiar os gastos excessivos do governo, ou 
seja, S > I.
Como já comentado, o governo altera os preços devido a impostos indiretos e subsídios. Sendo 
assim, temos o produto a preço de mercado e o produto a custo de fatores, que podem ser apresentados 
da seguinte forma:
Produto a preço de mercado = Produto a custo de fatores 
+ Impostos indiretos – subsídios
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CONTABILIDADE SOCIALProduto a custo de fatores = Produto a preço de mercado 
- Impostos indiretos + subsídios
Agora iremos ampliar a renda e a despesa agregadas com as variáveis do resto do mundo, ou setor 
externo, como já descrito:
• Exportação de bens e serviços (X);
• Importação de bens e serviços (Q);
• Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE);
• Renda Líquida Recebida do Exterior (RLRE).
A partir daqui, iremos apresentar os conceitos de oferta e de despesa interna e global, da seguinte 
forma:
Y = C + I + G + X – Q
Em que a renda agregada representa o produto interno bruto ou a oferta interna (Y) e do outro lado 
da equação temos todas as despesas internas, inclusive os gastos com importação.
Y + Q = C + I + G + X 
Já nessa segunda equação, temos a renda agregada (Y) somada à importação (Q), que representam 
a oferta global, isto é, a oferta de bens e serviços produzidos internamente e fora do país, e do outro 
lado da equação temos todas as despesas globais, inclusive os gastos do resto do mundo com nossas 
exportações.
Por meio da apresentação desses conceitos, temos:
• Ótica da utilização da renda que apresenta como os agentes econômicos consomem, poupam e 
pagam impostos:
Y = C + S + T
• Ótica da distribuição das despesas que apresenta como os agentes econômicos consomem e 
investem em produção do lado privado, consomem e investem em produção do lado público, 
gastam em exportação e importação:
Y = C + I + G + X – Q
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Unidade I
Ao igualarmos as duas últimas equações apresentadas, temos:
C + S + T = C + I + G + X – Q
Cortando a variável de consumo (C) de ambos os lados e invertendo a importação do lado direito 
para o lado esquerdo, temos:
S + T + Q = I + G + X 
Rearranjando os termos:
(T - G) + (S – I) = (X – Q)
Ou 
(X – Q) = (T - G) + (S – I)
As duas últimas equações demostram o que chamamos de poupança global, isto é, a poupança 
interna privada (S - I), a poupança interna pública (T - G ou G - T) e a poupança externa (X – Q).
No caso de (X – Q) > 0, temos o que se chama de superávit comercial, ou seja, quando as exportações 
(X) são maiores que as importações (Q), esse resultado indicará um superávit externo, também, ou no 
setor privado (S – I) > 0 ou no governo (T – G) > 0, ou em ambos.
Até agora falamos somente do Produto Interno Bruto (PIB), que trata apenas da produção e 
despesas dos agentes residentes internos, mas também há o Produto Nacional Bruto (PNB), que trata 
da produção e despesas dos agentes residentes e não residentes de um país e pode ser apresentado 
da seguinte forma:
PNB = PIB – RLEE + RLRE
PIB = PNB + RLEE – RLRE
Esses dois conceitos são importantes e devemos sempre tomar cuidado ao utilizar o PIB e o PNB 
quando estamos fazendo comparações internacionais devido ao fato de que alguns países apresentam 
um PNB maior que o PIB, como é o caso dos EUA, e em outros, o PIB é maior que o PNB, como é o caso 
do Brasil.
 Observação
O Brasil tem um PIB > PNB e os EUA tem um PIB < PNB.
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CONTABILIDADE SOCIAL
Percebe-se que a diferença entre PIB e PNB é devido às rendas líquidas recebidas e enviadas 
de um país para o outro, pois representam um fluxo de renda de juros, lucros, salários e aluguéis 
entre agentes residentes e não residentes, isto é, brasileiros que moram no exterior e estrangeiros 
que moram no Brasil.
 Lembrete
Como já visto, quando um jogador de futebol vai morar na Europa, 
ele deverá enviar uma parte do seu salário para o Brasil para custear suas 
despesas familiares, entre outras. Essa renda é considerada como renda 
líquida recebida do exterior (RLRE). Ela é liquida devido a ser toda tributada 
no país de origem e representa a renda de fatores de produção de brasileiros 
não residentes.
Já quando temos uma empresa multinacional chinesa produzindo no 
Brasil, e essa mesma empresa gera lucros e remete parte ou todo lucro 
para seu país de origem, a China, consideramos essa renda como renda 
líquida enviada ao exterior (RLEE), que é resultado da produção de fatores 
de produção de estrangeiros residentes.
Na comparação entre Brasil e EUA, há muito mais fatores de produção norte-americanos não 
residentes, principalmente multinacionais, que remetem RLEE para os EUA do que fatores não residentes 
brasileiros, por esse motivo o PNB norte-americano acaba sendo maior do que seu PIB.
Ao entendermos esses conceitos, passamos ao conceito de Renda Nacional (RN), que é igual ao 
Produto Nacional Líquido a custo de fatores (PNLcf), e de Renda Pessoal (RP), que é igual à Renda 
Nacional menos os lucros retidos pelas empresas, menos os impostos diretos sobre as empresas, menos 
outras receitas do governo, como previdência, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), mais 
transferências do governo, como aposentadorias, pensões, seguro desemprego, entre outros. 
RN = PNLcf
RP = RN − lucros retidos pelas empresas 
− impostos diretos sobre as empresas − outras receitas do governo
+ transferências do governo
E, por último, a Renda Pessoal Disponível (RPD), que é igual à Renda Pessoal menos os impostos 
diretos sobre as famílias:
RPD = RP − Impostos Diretos sobre as famílias
Outro ponto importante é que quando apresentamos os valores do produto e renda não podemos 
esquecer que eles são resultado da média de preços multiplicada pela quantidade de todos os bens e 
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Unidade I
serviços produzidos no período de um ano. Portanto, se houver um aumento contínuo e generalizado do 
nível de preços, isto é, ocorrer uma inflação, não se pode considerar isso como um aumento da produção 
ou da quantidade produzida de bens e serviços, mas somente como um aumento do nível de preços, 
leia-se: inflação.
Para que possamos anular esse efeito da inflação sobre o desempenho da produção, que é medida 
pelo PIB, temos que trabalhar com os conceitos de Produto Nominal e Produto Real.
O Produto Nominal é a somatória de tudo que foi produzido (Q) no período de um ano, por exemplo, 
o ano de 2014, multiplicado pelo nível médio de preços do mesmo ano corrente, ou seja, do mesmo ano 
de 2014. Já o Produto Real é a somatória de tudo que foi produzido (Q) no período de um ano, entretanto, 
essa somatória é multiplicada pelo nível médio de preços do ano anterior. No caso do exemplo, do ano 
de 2013, como apresentado a seguir:
Produto Nominal = ∑P2014 x Q2014
Produto Real = ∑P2013 x Q2014
Dessa forma, anulamos o efeito dos preços na contabilidade nacional e podemos chegar ao resultado 
de crescimento real do PIB, se ele cresceu por meio de uma maior quantidade de bens e serviços 
produzidos (Q) e não devido ao impacto da elevação do nível de preços.
Por fim, temos o conceito de deflator implícito do PIB, que é a variação média dos preços do período 
em relação à média dos preços do período anterior e pode ser apresentado da seguinte forma:
Deflator = Produto Nominal = ∑P2014 x Q2014 
 Produto Real = ∑P2013 x Q2014
Com o deflator, podemos calcular o PIB real dividindo o PIB nominal pelo deflator e multiplicandopor 100:
PIB real = PIB nominal x 100
 Deflator
Veremos mais adiante a importância do deflator em corrigir a distorção que o aumento de preços 
causa aos preços relativos da economia como um todo, bem como na mensuração das contas nacionais, 
que têm o objetivo de apurar o crescimento econômico real do PIB.
2.5 O sistema de contas nacionais no Brasil
O sistema de contas nacionais é um sistema de contabilidade nacional que evolui no tempo e sofre 
modificações com as normas internacionais e nacionais. No Brasil isso não é diferente. O quadro a seguir 
apresenta as quatro principais contas nacionais:
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CONTABILIDADE SOCIAL
• Conta Produto Interno Bruto (PIB).
• Conta Renda Nacional Disponível Bruta (RDB).
• Conta Transações Correntes com o Resto do Mundo.
• Conta de Capital.
A primeira conta irá apresentar, do lado do crédito, o PIB pela ótica da despesa e, do lado do débito, 
o PIB pela ótica da renda, em que o excedente operacional bruto representa juros, lucros e aluguéis.
A segunda conta apresenta do lado do crédito toda a renda gerada ou a renda nacional, 
isto é, já líquida, da renda enviada e recebida do exterior. A terceira apresenta todos os fluxos 
realizados com o setor externo, e, por fim, a quarta conta apresenta a capacidade de investimento 
da economia, isto é, a poupança bruta necessária para o financiamento da produção ou formação 
bruta de capital fixo.
Quadro 4 – Sistema de Contas Nacionais no Brasil
Conta Produto Interno Bruto (PIB)
Débito Crédito
1.1 – Produto Interno Bruto a custo de fatores 1.4 – Consumo final das famílias
 1.1.1 – Remuneração dos empregados 1.5 – Consumo final das Administrações Públicas
 1.1.2 – Excedente Operacional Bruto 1.6 – Formação Bruta de Capital Fixo
1.2 – Tributos indiretos 1.7 – Variação de estoques
1.3 - (menos) Subsídios 1.8 – Exportação de bens e serviços não fatores
 1.9 – (menos) Importações de bens e serviços não fatores
Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIB pm) Dispêndio correspondente ao Produto Interno Bruto
 
Conta Renda Nacional Disponível Bruta (RDB)
Débito Crédito
1.4 – Consumo final das famílias 1.1 – Produto Interno Bruto a custo de fatores
1.5 – Consumo final das Administrações Públicas 1.1.1 – Remuneração dos empregados
4.3 – Poupança Bruta 1.1.2 – Excedente Operacional Bruto
 3.2 (-) 3.6 – Remuneração de empregados líquida recebida do resto do mundo
 3.3 (-) 3.7 – Outros rendimentos líquidos recebidos do resto do mundo
 3.4 (-) 3.8 – Transferências unilaterais líquidas recebidos do resto do mundo
 1.2 – Tributos indiretos
 1.3 - (menos) Subsídios
Utilização da Renda Nacional Disponível Bruta (RDB) Apropriação da Renda Nacional Disponível Bruta (RDB)
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Unidade I
Conta Transações Correntes com o Resto do Mundo
Débito Crédito
1.8 – Exportações de bens e serviços não fatores 1.9 – Importações de bens e serviços não fatores
2.5 (+) 3.6 – Remuneração de empregados recebida do 
resto do mundo
3.2 (-) 2.5 – Remuneração de empregados paga ao resto do 
mundo
2.6 (+) 3.7 – Outros rendimentos recebidos do resto do 
mundo 3.3 (-) 2.6 – Outros rendimentos pagos ao resto do mundo
2.7 (+) 3.8 – Transferências unilaterais recebidas do resto 
do mundo
3.4 (-) 2.7 – Transferências unilaterais pagas ao resto do 
mundo
 4.4 – Saldo das transações correntes com o resto do mundo
Recebimentos Correntes Utilização dos Recebimentos Correntes
 
Conta de Capital
Débito Crédito
1.6 – Formação bruta de capital fixo 2.3 – Poupança Bruta
 1.6.1 – Construção 3.9 - (menos) Saldo das transações correntes com o resto do mundo
 Administrações públicas 
 Empresas e famílias 
 1.6.2 – Máquinas e equipamentos 
 Administrações públicas 
 Empresas e famílias 
 1.6.3 – Outros 
1.7 – Variação de estoques 
Total da Formação Bruta de Capital Financiamento da Formação Bruta de Capital
Adaptado de: Paulani e Braga (2012).
A partir do quadro podemos visualizar a composição do Produto Interno Bruto a preços de mercado 
(PIBpm) e todas as despesas correspondentes a sua produção. Podemos visualizar, também, a utilização 
e a apropriação da Renda Nacional Disponível Bruta (RDB), as transações correntes com o resto do 
mundo ou setor externo e a capacidade de investimento da economia por meio do total da formação 
bruta de capital e da sua capacidade de financiamento.
O quadro a seguir, considerada a quinta conta ou conta complementar, trata da conta corrente das 
administrações públicas (governo) e apresenta as rubricas de receitas correntes do governo e as rubricas 
de utilização dessa receita corrente, isto é, as despesas do governo.
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CONTABILIDADE SOCIAL
Quadro 5 – Conta Complementar
Conta Corrente das Administrações Públicas
Débito Crédito
Consumo final das administrações públicas Tributos indiretos
 Salários e encargos Tributos diretos
 Outras compras de bens e serviços Outras receitas correntes líquidas
Subsídios Outras receitas correntes brutas
Transferências de assistência e previdência (-) Outras despesas de transferência
Juros da dívida pública interna Transferências intragovernamentais
Poupança em conta corrente Transferências intergovernamentais
 Transferências ao setor privado
 Transferências ao exterior
Utilização da Receita Corrente Total da Receita Corrente
Fonte: Paulani e Braga (2012, p. 64).
Percebe-se que todo lado do débito ou despesas públicas, como salários e encargos, compra de bens 
e serviços e outras despesas, tem como contrapartida o lado do crédito ou receitas do governo por meio 
dos tributos e outras receitas que são oneradas por transferências para outras esferas públicas, setor 
privado e resto do mundo.
3 AS CONTAS NACIONAIS NO BRASIL
A metodologia sobre a mensuração e a valoração de tudo que é produzido e consumido em um país 
em dado período de tempo, isto é, um ano, cuja estrutura é conhecida como contas nacionais, segue 
os princípios contábeis e as diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU), do Fundo Monetário 
Internacional (FMI), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Banco 
Mundial. No Brasil, a contabilidade social é realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE), que segue essas mesmas diretrizes, fazendo as adaptações necessárias às especificidades da 
economia brasileira.
A metodologia das contas nacionais tem evoluído no tempo com objetivo de se manter: atualizada, 
ao acompanhar a sofisticação dos mercados financeiros e as complexidades econômicas; flexível, ao 
possibilitar a adaptação de economias de diferentes níveis político, econômico e social; e harmônica, ao 
ser compatível com outras estatísticas internacionais.Com base nas publicações, nas notas metodológicas e última referência de atualização do IBGE, 
iremos descrever a evolução do Sistema de Contas Nacionais brasileiro, bem como apresentar os 
principais instrumentos e seus dados agregados, procurando sempre demonstrar os valores das 
contas reais da economia brasileira como forma de sabermos as dimensões da realidade nacional.
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Unidade I
3.1 Sistema de Contas Nacionais ou System of National Accounts (SNA)
Recentemente, o IBGE apresentou novos resultados do Sistema de Contas Nacionais, com referência 
ao ano de 2010, seguindo as recomendações internacionais.
Essas mudanças das séries de dados do Sistema de Contas Nacionais ocorrem anualmente desde 
a atualização do Sistema de Contas Nacionais do Brasil, publicada em 1997, com a adoção das 
recomendações internacionais, com base no manual System of National Accounts (SNA) 1993.
A metodologia recente segue a revisão de conceitos apresentada no novo manual System of National 
Accounts 2008. As séries estatísticas seguem a recomendação de manutenção dos valores a preços 
constantes, isto é, a preços do ano anterior, para anular o efeito da inflação. 
Cada país faz suas mudanças particulares devido à flexibilidade intrínseca à metodologia do 
SNA em vigor em um ano de referência. No Brasil, as revisões da série do Sistema de Contas 
Nacionais foram:
• Cálculo do ano de referência e a atualização dos anos anteriores com a introdução das alterações 
realizadas. Esse processo é chamado de retropolação ou retorno à origem, isto é, faz o valor 
nominal regredir ao valor do ano anterior resultando em uma nova série estatística atualizada e 
coerente no período determinado.
• Segue-se a recomendação internacional para a determinação do ano-base ou ano de 
referência para verificar as variações de volume e preço. O ano-base para as variações é o 
ano anterior, por este motivo a série é considerada como base móvel, isto é, se move para o 
ano anterior.
• Encadeamentos de séries apenas nas Contas Nacionais Trimestrais. Uma série encadeada é feita a 
partir de um ano estabelecido como base, não sendo necessário coincidir com o ano de referência. 
Esse método possibilita a criação de índices para avaliar a evolução de uma série com base fixa em 
um ano. Essa tarefa permite produzir uma série de números índices com base 100 no ano-base e 
valores a preços do ano-base, chamados série de valores encadeados.
 Lembrete
A metodologia das contas nacionais tem que ser atualizada, flexível e 
harmônica.
As Contas Nacionais, com a referência 2010, permitem uma nova classificação das atividades 
econômicas e dos produtos produzidos, e, com isso, a inserção de novas fontes de dados, novos 
conceitos e métodos, além de outros resultados de pesquisas específicas que podem ser realizadas, 
como a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o Censo Agropecuário, entre outros estudos 
realizados pelo IBGE.
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CONTABILIDADE SOCIAL
Uma das regras adotadas em um Sistema de Contas Nacionais é que 
mudanças profundas nas séries sejam feitas em períodos determinados, 
de forma a se evitar que os anos da série percam comparabilidade.
A dinâmica da economia exige que se mantenha uma permanente 
discussão, em fóruns específicos, entre os diversos Institutos de 
Estatística e Bancos Centrais compiladores de Contas Nacionais, em 
conjunto com organismos internacionais, com vistas a atualizar ou 
expandir as metodologias de tal forma que reflitam as modificações 
ocorridas na economia e na sociedade. A partir dessas discussões, 
originam-se as revisões conceituais e metodológicas internacionais que 
devem ser adotadas oportunamente nos Sistemas de Contas Nacionais 
dos países. O SNA 2008 apresentou, por exemplo, novos instrumentos 
financeiros, mudanças no tratamento dos fundos de pensão e uma nova 
classificação para os ativos que constituem a formação bruta de capital 
fixo (IBGE, 2015d, p. 11).
Não é fácil a construção do ano de referência de um Sistema de Contas Nacionais, pois 
existem dados que são impossíveis de estimar todos os anos devido à escassez de tempo para o 
levantamento, divulgação e acompanhamento dos dados no Sistema. Portanto, criam-se índices 
e parâmetros para acompanhar a dinâmica do consumo das famílias, do consumo intermediário, 
entre outros.
 Observação
Toda a exigência da realização de trabalho adicional para 
atualização de conceitos e metodologia gera um período de transição 
entre séries estatísticas, o que faz a divulgação da série mais detalhada 
ser suspensa. 
As estimativas mais agregadas são mantidas com base na metodologia em vigor. O IBGE interrompeu, 
em 2009, a divulgação da série do Sistema de Contas Nacionais com referência do ano de 2000 ao 
não publicar as Tabelas de Recursos e Usos (TRU) e as Contas Econômicas Integradas (CEI) dos anos 
posteriores. Por esse motivo, às vezes pesquisamos uma série de dados estatísticos no site do IBGE e 
percebemos que ela não está atualizada.
Para o período de 2010 a 2013, por exemplo, estavam disponíveis apenas os dados das Contas 
Nacionais Trimestrais. Com a implantação do Sistema de Contas Nacionais com a referência 2010 
teremos os dados anuais, evitando esse tipo de problema para os pesquisadores.
Como a própria metodologia internacional propõe, há a necessidade de revisões periódicas das 
séries estatísticas do Sistema de Contas Nacionais. No manual internacional System of National 
Accounts 2008 houve a revisão da classificação nacional de atividades econômicas (CNAE), que 
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Unidade I
revelou novos dados para a economia brasileira e exigiu a atualização da série do Sistema de 
Contas Nacionais do Brasil, fazendo com que, no ano de 2011, houvesse a revisão nos seguintes 
pontos:
• Nova classificação de produtos e atividades no Sistema de Contas Nacionais e integração com o 
código nacional de atividades econômicas (CNAE) atualizado. 
• Inserção dos resultados do Censo Agropecuário 2006, da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 
2008-2009 e do Censo Demográfico 2010.
• Atualização da fonte ou matriz de consumo intermediário com dados das seguintes atividades 
econômicas: extrativa mineral, indústria de transformação, construção civil e serviços da Pesquisa 
de Consumo Intermediário (PCI) 2010. 
• Atualização das margens de comércio e de transporte com base em pesquisas específicas e na 
Pesquisa Anual de Serviços (PAS) 2010.
• Atualização das estruturas de impostos com base na revisão das alíquotas e nas novas estruturas 
de consumo.
• Utilização dos dados da Receita Federal, isto é, da declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física 
como referência para parte dos resultados do setor institucional Famílias nas Contas Econômicas 
Integradas (CEI).
O SNA 2008 introduziu modificações conceituais que impactaram nos agregados econômicos, 
inclusive no Produto Interno Bruno (PIB), sendo o caso da nova classificação dos ativos não financeiros 
que ampliam a formação bruta de capital fixo, por exemplo, os gastos em softwares e em pesquisae 
desenvolvimento (P&D), que passaram a ser tratados como formação bruta de capital fixo e não mais 
como consumo intermediário.
Há também no SNA 2008 especificações sobre como tratar as atividades do governo e do setor 
público ao consolidar conceitos que se relacionam com as atividades de governo e estabelecer a ligação 
com outros sistemas estatísticos, seguindo o manual Government Finance Statistics do ano de 2001, 
publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
A análise do setor público é importante devido a estar relacionado aos seus objetivos de política 
econômica e industrial, por meio de empresas, financeiras e não financeiras, sob seu controle, em que 
tais objetivos alteram as receitas e despesas públicas, bem como o Produto Interno Bruto.
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CONTABILIDADE SOCIAL
 Saiba mais
Veja também as pesquisas anuais:
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa(s): 
Pesquisa Anual da Indústria da Construção. Rio de Janeiro: [s.d.]. Disponível em: 
<http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados. 
php?id_pesquisa=27>. Acesso em: 13 jul. 2015.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa(s): 
Pesquisa Anual de Comércio. Rio de Janeiro: [s.d.]. Disponível em: <http://
www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php?id_
pesquisa=28>. Acesso em: 13 jul. 2015.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa(s): 
Pesquisa Anual de Serviços. Rio de Janeiro: [s.d.]. Disponível em: <http://
www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php?id_
pesquisa=29>. Acesso em: 13 jul. 2015.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa 
industrial anual: 1986/1995. Rio de Janeiro: [s.d.]. Disponível em: <http://www.
ibge.gov.br/home/estatistica/economia/industria/pia/>. Acesso em: 13 jul. 2015.
Dito um pouco sobre a evolução recente do Sistema de Contas Nacionais com base nas 
normas e diretrizes internacionais e do IBGE, os instrumentos de mensuração dos agregados 
econômicos passam a ser nosso objeto de estudo daqui para frente, como a Tabela de Recursos 
e Usos (TRU) e as Contas Econômicas Integradas (CEI), que apresentam os resultados e 
permitem a análise do desempenho da economia por setores institucionais e têm relação com 
as informações da TRU.
É o IBGE que apresenta os resultados das Tabelas de Recursos e Usos (TRU). Recentemente, 
por exemplo, o instituto divulgou as TRU a preços correntes de 2010 e a preços constantes do 
ano anterior e correntes de 2011. As Contas Econômicas Integradas (CEI) para os cinco setores 
institucionais (empresas financeiras, empresas não financeiras, governo geral, famílias e instituições 
sem fins de lucro a serviço das famílias), em valores correntes para o biênio 2010-2011, também 
foram divulgadas.
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Unidade I
 Saiba mais
No site do IBGE, também há a disponibilização da TRU para 68 atividades 
e 128 produtos, bem como as tabelas sinóticas ou complementares por 
seções (20 atividades) da classificação nacional de atividades econômicas 
(CNAE), além das Contas Econômicas Integradas (CEI) com maior nível de 
desagregação:
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Contas 
nacionais: Brasil 2010-2011: referência 2010: tabelas completas. Rio de Janeiro: 
[s.d.]. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/
contasnacionais/2011/defaulttab_xls.shtm>. Acesso em: 13 jul. 2015.
As informações apresentadas nas TRU mostram os fluxos de oferta e demanda 
dos bens e serviços e, também, a geração da renda no processo produtivo e 
do emprego em cada atividade econômica. Os dados que compõem as CEI 
oferecem uma visão de conjunto da economia, por setor institucional, e 
descrevem seus fenômenos essenciais: produção, consumo e acumulação. 
Fornecem, ainda, uma representação compreensível e simplificada, porém 
completa, deste conjunto de fenômenos e das suas inter-relações (IBGE, 
2015d, p. 14).
As contas econômicas integradas seguem uma sequência de contas de fluxos inter-relacionadas e 
articuladas com as contas de patrimônio (estoques), além de demonstrar as relações entre a economia 
nacional e o setor externo. Elas são apresentadas em três grandes subconjuntos:
• Contas correntes (produção, distribuição e uso da renda).
• Contas de acumulação (capital e financeira).
• Contas de patrimônio (ativos e passivos de abertura e fechamento).
As TRU e as CEI são instrumentos essenciais e é a partir delas que o IBGE apresenta os resultados das 
contas correntes, de capital e de patrimônio financeiro por meio de tabelas sinóticas ou complementares 
elaboradas pelo próprio instituto para melhor análise dos dados apresentados. São 15 tabelas sinóticas 
que contêm os principais agregados anuais para a economia brasileira no período em questão. 
Os resultados das tabelas complementares permitem, ao leitor, identificar 
as principais grandezas macroeconômicas calculadas no Sistema de 
Contas Nacionais do Brasil. A partir delas, pode-se, para cada ano, obter 
as informações agregadas para o conjunto da economia nacional sobre 
a magnitude do PIB; a composição da oferta e da demanda agregada; a 
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CONTABILIDADE SOCIAL
geração, distribuição e uso da renda nacional; a acumulação de capital; 
a capacidade ou necessidade de financiamento; as transações correntes 
com o resto do mundo; a composição do PIB, segundo as três óticas 
(produção, despesa e renda); a população, emprego e renda per capita, 
entre outras informações sobre os agregados macroeconômicos (IBGE, 
2015d, p. 14-15).
A seguir, vamos apresentar a estrutura conceitual das TRU e de suas contas das Atividades Econômicas, 
bem como das Contas Econômicas Integradas (CEI) e de suas contas por setores institucionais.
Veremos nas TRU os recursos (produção, importação, impostos e subsídios a produtos), à esquerda, e 
os usos (consumo intermediário, despesa de consumo final, formação bruta de capital fixo, variação de 
estoques e exportação), à direita da tabela. 
As TRU são fundamentais ao Sistema de Contas Nacionais ao demonstrar como o total da oferta de 
bens e serviços foi alocado em um determinado uso, como também ver a composição do PIB por duas 
das três óticas:
• Ótica da produção: PIB = Valor bruto da produção – consumo intermediário + impostos – subsídios 
sobre produtos
• Ótica da despesa: PIB = Consumo final + formação bruta de capital fixo + variação de estoques + 
exportações – importações
A terceira ótica é a da renda, que é a soma dos valores adicionados, isto é, a soma de todos os 
salários, juros, lucros e aluguéis de um determinado período, e pode ser analisada no quadrante C das 
TRU, como veremos em sua estrutura.
3.2 As Tabelas de Recursos e Usos (TRU)
As TRU são constituídas por seis matrizes:
• A – Oferta
• A1 – Produção
• A2 – Importação
• B1 – Consumo intermediário (insumos)
• B2 – Despesa final
• C – Componentes do valor adicionado
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Unidade I
Em que teremos:
A = A1 + A2
A = B1 + B2
C = A1 – B1
Em sua estrutura, apresentam as tabelas de recursos de bens e serviços, composta por três quadrantes, 
e de usos de bens e serviços, subdivididos em quatro quadrantes, conforme mostra a figura a seguir:
I - Tabela de recursos de bens e serviços
II - Tabela de usos de bens e serviços
Oferta
Oferta
A
A
=
=
+
+
A1
B1
C
A2
B2
Produção
Consumo intermediário
Componentes do valor adicionado
Importação
Demanda final
Figura 5 – Modelo das Tabelas de Recursos e Usos
Como consta na figura, a tabela I ou tabela de recursos de bens e serviços descreve a origem dos 
produtos em nacional e importado. O quadrante A apresenta o valor da oferta total (produção mais 
importação) a preços de consumidor e a preços básicos. 
Preços ao consumidor = preços básicos + impostos sobre produtos e 
importação líquidos de subsídios + margens de comércio e transporte.
A figura a seguir apresenta a estrutura da tabela A da forma em que ela é publicada pelo IBGE, 
ou seja, a oferta total a preços do consumidor ou a preços básicos por setores. Dessa forma, podemos 
analisar quais setores produzem mais e permitem maior dinâmica ao Produto Interno Bruto brasileiro e 
a qual etapa da produção esse setor pertence, isto é, primário, secundário ou terciário.
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CONTABILIDADE SOCIAL
Figura 6 – Tabela A, de recursos de bens e serviços
A produção das atividades econômicas por produto forma o quadrante A1 com os produtos descritos 
nas linhas e as atividades nas colunas, ou seja, cada linha indica em quais atividades os produtos são 
produzidos, enquanto as colunas indicam a composição dos bens e serviços produzidos por cada nível 
de atividades.
Figura 7 – Tabela A1 de recursos de bens e serviços
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Unidade I
O quadrante A2 apresenta as importações detalhadas em duas colunas para os bens e serviços. Na 
terceira coluna temos um ajuste chamado CIF/FOB, isto é, o CIF é o termo em inglês de Cost, Insurance e 
Freight e Free On Board ou FOB, sendo o primeiro o custo da mercadoria em serviços como frete e seguro 
e o segundo o custo da própria mercadoria.
Figura 8 – Tabela A2 de recursos de bens e serviços
Agora temos o lado de uso, ou seja, a tabela de usos de bens e serviços ou tabela II, que irá apresentar 
o equilíbrio entre oferta e demanda a preços de consumidor, bem como o consumo intermediário das 
atividades econômicas por produto.
O quadrante B1 apresenta os insumos usados na produção de cada atividade, com os produtos 
descritos nas linhas e as atividades nas colunas. Esse quadrante representa a matriz insumo-
produto devido a mostrar as compras intermediárias dos setores entre si, isto é, insumos para 
produção ou quanto cada setor comprou em insumo dos demais setores de produção.
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CONTABILIDADE SOCIAL
Figura 9 – Tabela B1 de usos de bens e serviços
 Observação
Os setores não são puros, isto é, cada setor utiliza bens e serviços de 
outros setores na composição de seus próprios bens e serviços, por isso é 
importante fazer a análise linha-coluna e insumo-produto.
O quadrante B2 apresenta a demanda final de bens e serviços por meio do consumo final das 
famílias, das Instituições Privadas Sem Fins Lucrativos a serviço das famílias (ISFL) e das administrações 
públicas, formação bruta de capital fixo, variação de estoques e as exportações de bens e de serviços. 
Perceba que podemos estimar o PIB setorial devido ao fato de que o PIB é a somatória do consumo total, 
formação bruta de capital fixo e variação de estoques e exportações.
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Unidade I
Figura 10 – Tabela B2 de usos de bens e serviços
Por fim, o quadrante C apresenta a remuneração dos empregados, bem como o total de postos de 
trabalho em cada atividade, além dos impostos, líquidos de subsídios, o rendimento misto bruto e o 
excedente operacional bruto.
Figura 11 – Tabela C de usos de bens e serviços
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CONTABILIDADE SOCIAL
As TRU têm como objetivo analisar os fluxos de bens e serviços e o processo de produção, como a 
estrutura de insumos e a estrutura de produção de produtos por atividade, e a geração da renda. Dois 
elementos são fundamentais em sua construção: as atividades pelo conjunto de agentes no processo de 
produção e os produtos pelo conjunto de bens e serviços.
Em síntese, os resultados das TRU podem ser apresentados por meio de duas tabelas, sendo a 
primeira a Conta de Bens e Serviços, que apresenta o total da oferta e dos usos de bens e serviços no 
período considerado, e a conta do Produto Interno Bruto (PIB), que apresenta o seu cálculo pela ótica 
da produção (lado esquerdo) e pela ótica da demanda (lado direito).
Quadro 6 – Conta de bens e serviços
Conta de bens e serviços
Recursos Usos
Valor bruto produção pb Consumo intermediário
Impostos líquidos sobre produtos Consumo famílias
Importação de bens e serviços Governo
IPSFLSF
Formação de capital
Formação bruta de capital fixo
Variação de estoques
Compra - Venda de “Valores“
Exportação de bens e serviços
Total oferta Total usos
Fonte: IBGE (2015a, p. 11)
Quadro 7 – Cálculo do Produto Interno Bruto
PIB
Produção Defesa
Valor bruto produção pb Consumo famílias
menos Governo
Consumo intermediário pc IPSFLSF
igual
Valor adicionado bruto a preços básicos Formação de capital
Formação bruta de capital fixo
Variação de estoques
Compra - Venda de “Valores“
Exportação de bens e serviços
menos
Importação de bens e serviços
PIB PIB
Fonte: IBGE (2015a, p. 11).
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Unidade I
Após a apresentação teórica, metodológica e conceitual das TRU, é importante a sua apresentação 
prática, isto é, como as TRU apresentam a série estatística dos principais agregados macroeconômicos, 
como oferta e importação agregadas, consumo, investimentos, gastos do governo, exportação, 
importação, entre outros valores agregados.
Paraisso, apresentaremos a seguir a TRU do ano de 2011 com seus 12 setores institucionais 
na linha e coluna. Nela é possível identificar alguns dados que podem auxiliar na extração dos 
principais dados da série e fazer análises econômicas sobre ela, transformando-as em informações 
relevantes. 
As figuras a seguir apresentam os quadrantes A = A1 + A2. Neles, temos a oferta agregada total 
a preços do consumidor em R$ 8,6 trilhões e a preços básicos em R$ 7,9 trilhões por setores. Caso a 
necessidade seja o dado desagregado, isto é, a oferta agregada total a preços do consumidor apenas do 
setor de transformação, o valor é de R$ 3,5 trilhões.
Figura 12 – Recursos de bens e serviços (2011) – Quadrante A
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CONTABILIDADE SOCIAL
Figura 13 – Recursos de bens e serviços (2011) – Quadrante A1
Figura 14 – Recursos de bens e serviços (2011) – Quadrantes A1 e A2
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Unidade I
As figuras a seguir apresentam os quadrantes A = B1 + B2. Temos nesses quadrantes os insumos 
necessários para a produção (B1) e as despesas ou demanda final (B2), sendo essa última um dos 
caminhos para se chegar ao valor do PIB, pois apresenta os gastos agregados. Por exemplo: a demanda 
final foi de R$ 4,9 trilhões, menos as importações de R$ 535,4 bilhões, o que resultará no valor do PIB 
de R$ 4,3 trilhões em valores correntes no ano de 2011.
Figura 15 – Uso de bens e serviços (2011) – Quadrante B1
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CONTABILIDADE SOCIAL
Figura 16 – Uso de bens e serviços (2011) – Quadrantes B1 e B2
Por fim, o quadrante C apresenta os valores adicionados, ou o PIB pela ótica da renda, isto é, pela 
soma dos salários, renda do trabalho e do excedente operacional bruto, renda do capital, isto é, a soma 
dos juros, lucros e aluguéis.
Sendo o PIB a soma dos valores adicionados, por meio desse quadrante também podemos chegar ao 
valor do PIB, basta ver a linha “Valor adicionado bruto (PIB)” e a coluna “total do produto”, cujo valor 
apresentado é de R$ 3,7 trilhões. Para que o valor seja igual a R$ 4,3 trilhões, como já apresentado, basta 
somar os R$ 655,9 bilhões de imposto líquidos de subsídios.
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Unidade I
Figura 17 – Uso de bens e serviços (2011) – Quadrante C
Figura 18 – Uso de bens e serviços (2011) – Quadrante C
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CONTABILIDADE SOCIAL
3.3 As Contas Econômicas Integradas (CEI)
Com base nas TRU, as Contas Econômicas Integradas (CEI) apresentam uma visão de conjunto da 
economia em que são dispostas, em colunas, as contas dos setores institucionais, do resto do mundo e 
de bens e serviços. 
As tabelas apresentam uma coluna para a soma dos setores institucionais, isto é, o total da economia, 
na qual são apresentados os agregados macroeconômicos. Já nas linhas, temos as operações, saldos e 
alguns agregados, descritos na coluna central da tabela.
 Observação
É importante ressaltar que as contas do resto do mundo são apresentadas 
do ponto de vista do resto do mundo e não do ponto de vista interno.
As CEI possuem uma tabela síntese em que as colunas de bens e serviços são consideradas colunas 
especiais, pois funcionam como uma conta espelho da conta dos setores institucionais. Na coluna de 
usos, do lado esquerdo, aparece a oferta de bens e serviços, enquanto na de recursos, do lado direito, 
aparece a demanda de bens e serviços.
Para entendermos as CEI e suas tabelas e contas, necessitamos ver uma a uma. A primeira é a 
conta de produção, que demonstra os dados do processo de produção e o valor bruto da produção a 
preços básicos, o consumo intermediário a preços do consumidor e o valor adicionado bruto a preços 
básicos, sendo esse o saldo dessa conta, obtido pela diferença entre o valor de produção e o consumo 
intermediário.
Quadro 8 – Conta de Produção
Contas correntes
Usos Recursos
Produção
Consumo intermediário Valor bruto produção pb
Impostos líquidos sobre produtos
Valor adicionado / PIB
Fonte: IBGE (2015a, p. 12)
Antes de prosseguirmos, dois conceitos são importantes. Segundo o IBGE (2015a, p. 21): 
A Renda Nacional Bruta a preços de mercado, ou Produto Nacional Bruto 
(PNB), é a soma das rendas primárias a receber pelos setores institucionais 
residentes. Assim, a RNB é igual ao PIB menos as rendas primárias a pagar, 
líquidas das a receber, das unidades não residentes (resto do mundo). Ela 
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Unidade I
equivale à renda obtida pelas unidades institucionais residentes pelo uso de 
seus fatores de produção (trabalho e capital) [...].
A Renda Nacional Disponível Bruta expressa a renda disponível da nação 
para consumo final e para poupança. É igual a RNB mais os impostos 
correntes sobre a renda e o patrimônio líquidos, recebidos do exterior, 
mais as contribuições e benefícios sociais e outras transferências correntes 
líquidas, recebidas do exterior.
As CEI apresentam as contas de distribuição primária da renda. As rendas primárias são rendas 
que se revertem para as unidades institucionais como o resultado de sua participação no processo de 
produção ou pela propriedade de ativos necessários à produção. A CEI registra a renda primária em duas 
contas: a conta de geração da renda e a conta de alocação da renda primária.
A conta de geração da renda apresenta a distribuição do valor adicionado, renda gerada no processo 
de produção, entre os fatores de produção (trabalho e capital) e as administrações públicas, cujo ponto 
de vista é dos produtores, por as operações de distribuição estarem diretamente ligadas ao processo de 
produção.
Quadro 9 – Conta de geração da renda
Geração
Valor adicionado/PIB
Remunerações
Impostos s/ produção
Excedente operacional bruto
Fonte: IBGE (2015a, p. 13).
A conta de alocação da renda, como o próprio nome revela, registra a distribuição primária da renda 
entre renda do trabalho e do capital, bem como as rendas de propriedade a pagar e a receber, e também 
a remuneração dos empregados e os impostos, líquidos dos subsídios, a receber respectivamente por 
famílias e administrações públicas.
Quadro 10 – Conta de alocação da renda
Alocação primária
Excedente operacional bruto
Remunerações
Impostos s/ produção
Rendas de propriedade Rendas de propriedade
Renda nacional brutaFonte: IBGE (2015a, p. 13).
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CONTABILIDADE SOCIAL
A conta de distribuição secundária da renda apresenta a dedução dos impostos e contribuições, 
demonstrando a passagem do saldo da renda primária de um setor para renda disponível, após o 
recebimento e pagamento de transferências correntes, exceto as transferências sociais em espécie. Essa 
redistribuição representa a segunda fase no processo de distribuição da renda.
Quadro 11 – Conta de Distribuição Secundária da Renda
Distribuição secundária
Renda nacional bruta
Impostos sobre a renda, 
propriedade
Impostos sobre a renda, 
propriedade
Contribuições sociais Contribuições sociais
Benefícios sociais Benefícios sociais
Outras transferências correntes Outras transferências correntes
Renda nacional bruta 
disponível
Fonte: IBGE (2015a, p. 14).
Agora temos a conta de uso da renda que revela como o país e os setores institucionais alocam 
sua renda disponível em consumo e poupança, sendo esse o saldo da conta. A Renda Nacional Bruta 
Disponível (RNDB) está dividida em consumo final e a renda não consumida, isto é, poupança. Sendo 
assim, essa conta considera como recurso a RNDB e as despesas de consumo final que efetivamente 
dispenderam os recursos.
Quadro 12 – Conta de Uso da Renda Nacional Bruta Disponível
Uso da renda
Renda Nacional Bruta 
Disponível (RNDB)
Consumo final
Poupança
Fonte: IBGE (2015a, p. 14).
 Observação
O IBGE geralmente publica apenas a conta do uso da renda. 
Quando se registram os resultados por setor institucional, consideram-se as transferências sociais 
em espécie e, ao fazer isso, temos no Sistema de Contas Nacionais o conceito de Renda Nacional Bruta 
Disponível Ajustada (RNDBA), que é igual à RNDB para o total da economia, mas difere para os setores 
institucionais afetados pelas transferências sociais em espécie.
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Unidade I
A conta de uso da renda disponível ajustada parte da renda disponível ajustada, cujas transferências 
sociais são recursos para as famílias e usos das administrações públicas e das instituições privadas 
sem fins lucrativos a serviço das famílias (ISLSF). Essas transferências sociais elevam o consumo das 
famílias e o consumo final efetivo. Por esse motivo, o Sistema de Contas Nacionais registra na conta de 
redistribuição da renda em espécie a passagem da RNDB para a RNDBA, registrando em uma linha as 
transferências em espécie.
No quadro a seguir, podemos ver o detalhamento desse processo na conta de uso da renda 
nacional bruta disponível e na conta de uso da renda nacional bruta disponível ajustada. A primeira 
detalha o uso da RNDB pela despesa de consumo final, como a tabela apresenta, o individual e 
coletivo, e a segunda detalha o uso da RNDBA pelo consumo final efetivo, também, o individual 
e o coletivo. A poupança total, que é o saldo da conta de uso da renda, não se altera em função 
desses desdobramentos.
Quadro 13 – Conta de Uso da Renda Nacional Bruta Disponível Ajustada
Uso da renda nacional disponível
Renda Nacional Bruta 
Disponível (RNDB)
Despesa de consumo final
Individual
Coletivo
Poupança
Uso da renda nacional disponível ajustada
Renda Nacional Bruta 
Disponível Ajustada (RNDBA)
Consumo final efetivo
Individual
Coletivo
Poupança
Fonte: IBGE (2015a, p. 15).
A conta de capital é a conta que dá condições para a formação bruta de capital fixo e variação de 
estoques, ou seja, os investimentos em produção. Portanto, apresenta relação com a poupança que é o 
saldo final das operações correntes e é o ponto de partida da conta de acumulação. 
Sendo assim, a conta de capital registra as operações relativas às aquisições de ativos não 
financeiros e às transferências de capital que implicam em redistribuição de riqueza, cujo saldo é a 
capacidade/necessidade líquida de financiamento, isto é, a poupança bruta mais as transferências 
de capital líquidas a receber do exterior, menos a formação bruta de capital fixo, menos a variação 
de estoques.
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CONTABILIDADE SOCIAL
Quadro 14 – Conta de Capital
Contas capital
Usos Recursos
Capital
Poupança
Formação bruta de capital 
fixo Transferência de capital
Consumo de capital fixo
Variações de estoques
Capacidade e 
necessidade de 
financiamento
Fonte: IBGE (2015a, p. 16).
A conta financeira demonstra como um país ou uma economia aloca sua capacidade ou necessidade 
de financiamentos por meio das transações financeiras com ativos e passivos. Conforme o quadro a 
seguir, a conta é composta por instrumentos financeiros com a aquisição líquida de ativos, registrada na 
coluna da esquerda, e a dos passivos, na coluna da direita.
Quadro 15 – Conta Financeira
Aquisição líquida de 
ativos
Aquisição líquida de 
passivos
Financeira
Instrumentos financeiros Instrumentos financeiros
Capacidade e 
necessidade de 
financiamento
Fonte: IBGE (2015a, p. 17).
3.3.1 As contas econômicas integradas por setores institucionais
Diversos países adotaram as CEI por setores institucionais para melhorar a produção das contas 
nacionais e suas aplicações analíticas do sistema, mas também para aprofundar o uso dos dados 
microeconômicos e individualizados para a elaboração de mais informações, principalmente aquelas 
que são sonegadas, em que “o objetivo das CEI Institucionais é verificar de que forma as empresas, as 
famílias e a administração pública participam dos processos de geração, apropriação, distribuição e uso 
da renda” (PAULANI; BRAGA, 2012, p. 117).
A metodologia de passagem de dados microeconômicos (fiscais, contábeis 
etc.), obtidos através de pesquisas estatísticas ou por registros administrativos, 
para estimativas de contas nacionais está institucionalizada em diversos 
países com sistemas estatísticos e de contas mais avançados. Nessa etapa 
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Unidade I
de elaboração da contabilidade nacional, os dados microeconômicos dos 
agentes são agregados, mantendo-se as estimativas provenientes das fontes 
individualizadas, mas aproximando-os às definições de contas nacionais. 
Nessa fase, respeita-se a coerência dos dados fornecidos por cada agente 
(IBGE, 2008, p. 82).
Antes de caracterizarmos os setores institucionais, devemos lembrar que temos os agentes residentes 
e não residentes e, assim, é melhor compreender o que é uma economia interna e o resto do mundo. 
Uma economia interna é o conjunto de todas as unidades institucionais residentes no território 
econômico brasileiro, portanto, consideramos residente o agente econômico que tem seu centro de 
interesse no país ou nele realiza operações econômicas por um ano ou mais. 
Esse ponto é importante devido ao conjunto de contas das CEI por setores institucionais agregar 
dados denominados “restodo mundo”, isto é, apresentar os fluxos entre unidades institucionais 
residentes e não residentes, sob o ponto de vista dos não residentes.
No Sistema de Contas Nacionais, temos seis setores institucionais: 
• Empresas não financeiras.
• Empresas financeiras.
• Administrações públicas.
• Famílias.
• Instituições sem fins de lucro a serviço das famílias (ISFLSF).
• Operações com o resto do mundo. 
Faz-se necessária a explicação de cada um desses setores. Com base na nota metodológica nº 4 do 
IBGE (2015c) referente as Contas Nacionais - referência 2010, apresentamos nos quadros 11 a 16, a 
forma strictu sensu como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística define e esclarece a abrangência 
e a fonte dos dados de cada setor que compõe as CEI.
Empresas não financeiras
O setor institucional empresas não financeiras é composto por empresas privadas e 
públicas, produtoras de bens e serviços mercantis. No caso das empresas públicas, foram 
consideradas como tal somente aquelas controladas pelos governos federal, estadual e 
municipal, nas quais mais de 50% dos recursos provêm de receita de vendas ao público 
em geral. As empresas públicas que não satisfazem essa condição foram classificadas no 
setor institucional administração pública. Já as empresas privadas são aquelas que não são 
controladas por unidades da administração pública.
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CONTABILIDADE SOCIAL
A produção de bens e serviços mercantis significa a prática de preços economicamente 
significativos pelas empresas. Os preços são considerados economicamente significativos 
quando têm influência nos montantes que os produtores estão dispostos a oferecer e nos 
montantes que os compradores desejam comprar.
No caso das empresas públicas, a fonte de informação foi a pesquisa Estatísticas 
Econômicas das Empresas Públicas Não Financeiras, desenvolvida pelo IBGE. Esta pesquisa, 
com periodicidade anual, tinha por finalidade a obtenção de informações detalhadas 
sobre a demonstração de resultados, balanço patrimonial, formação de capital, variação 
de estoques e participação acionária, das empresas federais, estaduais e das municipais das 
capitais e regiões metropolitanas.
Para estimar as contas das empresas privadas foram utilizadas informações provenientes 
da Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Empresas financeiras
O setor institucional empresas financeiras é composto por unidades institucionais 
que se dedicam, principalmente, à intermediação financeira ou às atividades auxiliares 
estreitamente ligadas a ela. Portanto, também inclui as empresas cuja principal função é 
facilitar a intermediação sem que elas próprias a pratiquem.
O setor institucional empresas financeiras é subdividido em instituições financeiras e 
instituições de seguro. No primeiro grupo, incluem-se o Banco Central, as sociedades que 
compõem o sistema financeiro nacional e os auxiliares financeiros.
No segundo grupo, incluem-se as sociedades de seguros, planos de saúde e fundos 
de pensão. O objetivo principal da atividade seguradora é transformar riscos individuais 
em riscos coletivos, garantindo pagamentos (indenizações ou benefícios) no caso da 
ocorrência de sinistro.
A seguir, apresentam-se os subsetores que compõem o setor institucional empresas 
financeiras:
• Banco Central: compreende, além do Banco Central, todas as demais instituições 
que regulam ou supervisionam as empresas financeiras.
• Sociedades de depósitos: são constituídas das empresas que captam por meio de 
depósitos, podendo ser divididas em dois grupos:
— Sociedades de depósitos monetários: referem-se às empresas financeiras que 
captam por meio de depósitos à vista, transferíveis mediante cheque ou outra 
forma, como os bancos comerciais e múltiplos.
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— Outras sociedades de depósitos: referem-se às instituições financeiras que captam 
por meio de depósitos não imediatamente transferíveis, como as sociedades de 
depósitos e sociedades de crédito imobiliário.
• Outros intermediários financeiros: exceto empresas de seguros e fundos de pensão, 
instituições financeiras que captam sob outras formas que não depósitos, como os 
bancos de investimento.
• Auxiliares financeiros: instituições que apenas auxiliam a intermediação financeira, 
não desempenhando de fato essa função, como as sociedades corretoras de valores 
mobiliários e corretoras de câmbio.
• Sociedade de seguros e fundos de pensão: entidades cuja função principal consiste 
no fornecimento de seguros em geral e as estabelecidas com o fim de prover pensões 
e aposentadorias.
Instituições financeiras
As fontes básicas de informações são os balancetes semestrais analíticos das instituições 
financeiras, sob a forma do Plano Contábil das Instituições Financeiras (COSIF) e o Plano 
Geral de Contas do Banco Central (PGC), ambos consolidados. Além dessa fonte, para os 
segmentos não cobertos pelo COSIF, mas considerados nas contas nacionais, como atividade 
financeira, foram utilizadas as informações provenientes da Declaração de Informações 
Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Em relação aos fundos de investimentos, a 
fonte é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Instituições de seguros
As fontes utilizadas são as informações provenientes da DIPJ, da Superintendência de 
Seguros Privados (SUSEP), e dados da Secretaria de Previdência Complementar (SPC).
Administrações públicas
O setor institucional administração pública é constituído por unidades que têm 
como função principal produzir serviços não mercantis destinados à coletividade 
e/ou efetuar operações de repartição de renda e de patrimônio. Os serviços são 
considerados não mercantis quando prestados de forma gratuita ou a preços 
economicamente não significativos (quando não têm grande influência nos 
montantes que os produtores estão dispostos a oferecer e nos montantes que os 
compradores desejam comprar).
A principal fonte de recursos do setor é o pagamento obrigatório efetuado pelas demais 
unidades institucionais na forma de impostos, taxas e contribuições sociais.
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CONTABILIDADE SOCIAL
O setor da administração pública é composto pelas seguintes unidades institucionais:
• Órgãos governamentais da administração direta e indireta (autarquias, fundações e 
fundos), nos âmbitos federal, estadual e municipal.
• Entidades públicas juridicamente constituídas como empresas, com funções típicas 
de governo e cujos recursos são provenientes, em sua maior parte (mais de 50% do 
total das receitas), de transferências.
• Entidades paraestatais que têm como principal fonte de receita a arrecadação de 
contribuições compulsórias. São elas: Sistema S, instituições produtoras de serviços 
sociais (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, Serviço Social da 
Indústria – SESI, Serviço Social do Comércio – SESC etc.); Conselhos profissionais, 
instituições de apoio à regulação das atividades profissionais; e Fundos de caráter 
público, como os fundos constitucionais, o Fundo de Garantiado Tempo de Serviço 
(FGTS) e o fundo remanescente do Programa de Integração Social e Programa de 
Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP).
Para obtenção dos dados do governo federal, utilizou-se o Balanço Geral da União e o 
Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI), da Secretaria do Tesouro Nacional, 
do Ministério da Fazenda, e levantamentos especiais de dados contábeis do FGTS, PIS/PASEP, 
Sistema S e conselhos profissionais.
As informações dos governos estaduais, assim como dos municípios das capitais e das 
regiões metropolitanas, foram obtidas por meio de pesquisa própria do IBGE: Estatísticas 
Econômicas das Administrações Públicas.
Para os governos municipais, além da pesquisa Estatísticas Econômicas das Administrações 
Públicas, são utilizadas as informações do sistema Finanças do Brasil (FINBRA), da Secretaria 
do Tesouro Nacional, e do Sistema de Informações de Orçamentos Públicos em Saúde 
(SIOPS), do Ministério da Saúde.
Famílias
Nos Sistemas de Contas Nacionais, famílias são definidas como um pequeno grupo de 
indivíduos que partilham o mesmo alojamento, que reúnem parte, ou a totalidade, do seu 
rendimento e patrimônio e que consomem coletivamente certos tipos de bens e serviços, 
principalmente a habitação e a alimentação.
O setor institucional famílias abrange as famílias como consumidoras e como produtoras. 
Nesse setor estão incluídas as unidades produtivas não inscritas no Cadastro Nacional da Pessoa 
Jurídica (CNPJ) – não constituídas em empresas –, e os trabalhadores autônomos. Além dessas 
categorias, são considerados, ainda, o aluguel imputado aos imóveis residenciais ocupados por 
seus proprietários, o aluguel efetivo recebido por pessoas físicas e o serviço doméstico remunerado.
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Unidade I
Para as estimativas do setor, são utilizadas informações da Pesquisa Nacional por 
Amostra de Domicílios (PNAD), da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), da Declaração 
de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), da pesquisa Economia Informal 
Urbana (ECINF) e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho 
e Emprego.
Instituições sem fins de lucro a serviço das famílias (ISFLSF)
As instituições sem fins de lucro a serviço das famílias são entidades jurídicas ou sociais 
criadas com o objetivo de produzir bens ou serviços para as famílias, cujo estatuto não lhes 
permite ser uma fonte de rendimento, lucro ou outro ganho financeiro, para as unidades 
que as criam, controlam ou financiam.
O setor das instituições sem fins de lucro a serviço das famílias é definido como o 
conjunto de todas as instituições sem fins de lucro a serviço das famílias residentes, exceto 
as que estão a serviço das empresas, consideradas produtoras mercantis, e as que são não 
mercantis, mas que são controladas pelas administrações públicas.
São definidas duas grandes categorias de instituições sem fins de lucro a serviço 
das famílias que fornecem bens ou serviços às famílias, gratuitamente ou a preços 
economicamente não significativos:
• Sindicatos, sociedades profissionais ou científicas, associações de consumidores, 
partidos políticos, igrejas ou sociedades religiosas (incluindo as financiadas por 
administrações) e clubes sociais, culturais, recreativos e desportivos.
• Organizações de caridade, assistência e ajuda, financiadas por contribuições 
voluntárias em numerário ou em espécie de outras unidades institucionais.
No Sistema de Contas Nacionais, foram consideradas no setor instituições sem fins de 
lucro a serviço das famílias as entidades classificadas nas seguintes atividades:
• Serviços sociais com alojamento: compreendem a assistência social a crianças, 
idosos, pessoas em situação de exclusão social, como as atividades que são 
realizadas em orfanatos, albergues infantis, centros correcionais para jovens, 
asilos, centros de reabilitação para pessoas com tendência ao consumo de álcool e 
outras drogas etc.
• Serviços sociais sem alojamento: compreendem os centros de orientação a famílias, 
detentos, refugiados, imigrantes, alcoólatras etc., e as atividades das creches.
• Atividades de organizações profissionais: compreendem as atividades de organizações 
e associações constituídas em relação a uma profissão, técnica ou área de saber.
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CONTABILIDADE SOCIAL
• Atividades de organizações sindicais: compreendem as atividades das entidades 
sindicais e associações de trabalhadores assalariados ou profissionais centradas na 
representação e defesa de seus interesses trabalhistas.
• Atividades de organização religiosa: compreendem as atividades de organizações 
religiosas ou filosóficas; igrejas, mosteiros, conventos ou organizações similares e 
catequese, celebração ou organização de cultos.
• Atividades de organizações políticas: compreendem as atividades de organizações 
políticas e auxiliares, como as organizações juvenis associadas a um partido político, 
com finalidade de influir na opinião e poder públicos.
• Outras atividades associativas, não especificadas anteriormente: compreendem 
as atividades de organizações associativas diversas, criadas para defesa de causas 
de caráter público ou objetivos particulares, como os movimentos ecológicos e de 
proteção de animais, associações de mulheres por igualdade de sexos, associações 
de proteção de minorias étnicas e grupos minoritários, associações de pais de alunos 
etc. Compreendem, também, as associações com objetivos dominantes nas áreas 
culturais e recreativas, como os grupos literários, de cinema, fotografia, de música e 
arte, de artesanato, de colecionadores, carnavalescos etc.
• Atividades desportivas: compreendem a gestão de instalações esportivas 
(estádios, ginásios, quadras de tênis e outros esportes, piscinas, hipódromos etc.), 
a organização e exploração de atividades esportivas por clubes, associações etc., 
a promoção e organização de eventos esportivos, a atividade de profissionais 
ligados ao esporte (árbitros, treinadores etc.), o ensino de esportes em escolas 
esportivas ou por professores independentes, as atividades dos centros de 
musculação, aeróbica e outros tipos de ginástica, a pesca desportiva e de lazer, 
atividades ligadas à corrida de cavalos, atividades ligadas a esportes mecânicos 
(automóveis, karts, motos etc.).
A fonte de informação básica para a estimativa desse setor é a DIPJ, por meio da ficha 
de Origens e Aplicações de Recursos das entidades imunes ou isentas.
Operações com o resto do mundo
As operações com o resto do mundo retratam as transações econômicas entre as 
unidades institucionais não residentes (sem que possam ser identificadas) e as unidades 
institucionais residentes, ou seja, aquelas que têm seu centro de interesse no País ou nele 
atuam, por um ano ou mais. As contas do resto do mundo descrevem estes fluxos sob o 
ponto de vista dos não residentes.
A fonte básica de dados é o Balanço de Pagamentos, do Banco Central, acrescido de: 
desagregações especiais fornecidas pelo Banco Central; fitas de importações por produtos 
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Unidade I
da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), da Secretaria da Receita Federal, e fitas de 
exportações por produtos NCM da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério 
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
As estimativas dos agregados de contas nacionais tomaram como fonte os dados do 
Balanço de Pagamentos, alterados, sempre que necessário, por ajustamentos conceituais ou 
quantitativos dos fluxos considerados.
Adaptado de: IBGE (2015c).
As CEI representam um novo sistema que substitui as contas antigas. Seus três grupos de contas 
permitem uma melhor análise dos agregados macroeconômicos, ou seja, o grupo 1, composto pela 
conta de bens e serviços, o grupo 2, composto pela conta de produção ou do PIB, conta da renda 
e a conta de acumulação, e o grupo 3, composto pela conta das operações correntes com o resto 
do mundo.
As operações de débito e crédito que davam os equilíbrios interno e externo às contas antigas foram 
substituídas pelas operações de usos e recursos, que exigem a mesma coerência contábil e permite 
avaliar os agregados pela ótica matricial insumo-produto, isto é, a relação da produção com as matérias-
primas ou insumos disponíveis.
Cada conta das CEI mensura um agregado macroeconômico, como a demanda agregada total, que 
é a soma das despesas agregadas com consumo, investimento e exportações e que permite mensurar o 
Valor Bruto da Produção (VBP), que, por sua vez, é a base para mensurar o Produto Interno Bruto (PIB).
As contas relacionadas à geração de renda também permitem visualizar a distribuição da renda, 
principalmente na divisão da renda entre trabalho e capital, sendo esta última descrita como Excedente 
Operacional Bruto (EOB), que é a soma dos lucros, juros e aluguéis.
As contas relacionadas à renda informam a renda nacional bruta (RNB), que, com a entrada do 
governo, passa a ser renda nacional disponível bruta (RNDB), que será dividida entre renda consumida 
e não consumida, isto é, a formação da poupança agregada interna e a necessidade ou não de 
poupança externa.
As figuras a seguir apresentam a estrutura das CEI da forma como cada tabela é publicada pelo IBGE. 
Perceba que cada operação fica centralizada e apresenta, do lado direito, os recursos necessários para os 
devidos usos lançados do lado esquerdo da tabela, ou seja, operações que reduzem o valor de um setor 
institucional e entram como recursos para aumentar o valor de um setor institucional.
Cada tabela das CEI mostra a desagregação das contas, por operação, para cada setor 
institucional. Cada conta se relaciona com as contas seguintes por meio do saldo gerado, que 
é o resultado entre a diferença entre os usos e recursos de cada conta. Por exemplo: a conta 1 
se relaciona com a conta 2 por meio da diferença entre o valor bruto da produção e o consumo 
intermediário e o valor adicionado.
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Figura 19 – Contas Econômicas Integradas: produção e geração da renda
Figura 20 – Contas Econômicas Integradas: conta de distribuição primária da renda
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Figura 21 – Contas Econômicas Integradas: alocação e distribuição da renda
Figura 22 – Contas Econômicas Integradas: redistribuição secundária da renda
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CONTABILIDADE SOCIAL
Figura 23 – Contas Econômicas Integradas: uso da renda
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Unidade I
Figura 24 – Contas Econômicas Integradas: acumulação de capital
Da mesma forma que fizemos com as TRU, apresentaremos por meio das figuras a seguir os lados 
das CEI com os valores dos agregados monetários das contas nacionais brasileiras para o ano de 2011. 
Nelas estão apenas as contas de produção e renda como forma de visualizar, extrair e analisar alguns 
dados, cuja conta de capital poderá seguir o mesmo método de análise. Veja que ela apresenta os valores 
por setores, bem como o PIB agregado para uma análise macroeconômica e o PIB setorial para uma 
análise microeconômica. 
Por exemplo: ao analisar as figuras 23 e 24, conseguimos extrair o dado do PIB de 2011, que foi 
de R$ 4,3 trilhões, cujas empresas não financeiras, como indústrias, entre outras, foram as que mais 
participaram na composição desse valor, isto é, a parte do PIB gerado por esse setor institucional 
foi de R$ 2,1 trilhões. Esse setor também foi o que gerou a maior parte da massa salarial na forma 
de remuneração aos empregados com mais de R$ 1 trilhão e as famílias tiveram R$ 2,5 trilhões em 
despesas com consumo final. Para finalizar, tivemos R$ 535 bilhões em importação e R$ 501 bilhões de 
exportação de bens e serviços.
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CONTABILIDADE SOCIAL
Figura 25 – Contas Econômicas Integradas 2011 – Lado Esquerdo (Usos)
Figura 26 – Contas Econômicas Integradas 2011 – Lado Direito (Recursos)
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Unidade I
4 PROBLEMAS DE MENSURAÇÃO
Como já estudamos, as contas nacionais são uma fonte de dados e informações que permitem 
avaliar o avanço econômico e social de um país. Sua simplicidade está apenas em sua forma e estrutura 
devido a sua complexidade em mensurar e valorar as variáveis que compõem seu conjunto de contas, 
isto é, os agregados macroeconômicos, que constituem um desafio metodológico devido a problemas 
técnico, operacionais e conceituais.
4.1 Dificuldades técnicas
4.1.1 Valores nominais e valores reais
Sabemos que as contas nacionais, como exemplo o PIB, são o registro da multiplicação de preços por 
quantidades (PIB = ∑P x Q). A relação dessas duas variáveis é que permite saber o resultado de tudo que foi 
produzido e consumido no período de um ano. Elntretanto, os preços variam no tempo por vários fatores e, 
como essa variável faz parte do cálculo, sua variação pode induzir o resultado final da produção e do consumo 
agregados.
Por exemplo: se a média de preços de um ano foi de R$ 5,00 e a produção foi de 1.000 unidades de 
bens e serviços, podemos dizer que o PIB nominal dessa economia foi de R$ 5.000,00. Se a média de 
preços subir para R$ 10,00, mantendo a quantidade de unidades produzidas em 1.000 unidades, o PIB 
nominal dessa economia subiu para R$ 10.000,00. Entretanto, percebe-se que não houve um aumento 
da produção (Q), mas somente um aumento do nível de preços (P).Esse tipo de crescimento é considerado como crescimento nominal do PIB, que resulta do 
aumento dos valores nominais ou correntes por ser um aumento do nível de preços dentro do 
último ano encerrado, por exemplo, o ano de 2014. Para que possamos anular o efeito do aumento 
de preços na mensuração das contas nacionais, trabalhamos com o nível de preços do ano anterior, 
que chamaremos de ano base ou ano inicial da série de dados como referência.
Ao adotarmos um ano como base e utilizarmos seu nível de preços, por exemplo o ano de 2013, estamos 
anulando o impacto do aumento do nível de preços sobre os agregados monetários do ano posterior, neste caso 
o ano de 2014. Esse método resulta no que é conhecido como valores reais, ao não levar em conta a variação 
dos preços do ano corrente, mas somente a variação da quantidade produzida desse mesmo ano. Por exemplo:
PIB nominal = ∑P2014 x Q2014
PIB real = ∑P2013 x Q2014
O PIB nominal considera os valores correntes de cada ano. Já o PIB real considera como valor 
corrente apenas a quantidade produzida e os preços do ano anterior ou ano base. Esse método do PIB 
real é chamado deflacionamento, que consiste em anular a variação dos preços, cujos instrumentos 
para essa tarefa são os índices de preços que acompanham as variações dos níveis de preços em um 
dado período de tempo e são apresentados em números-índice. Segundo Hoffmann (2006, p. 309): “Os 
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CONTABILIDADE SOCIAL
números-índices (também chamados, simplesmente, índices) são proporções estatísticas, geralmente 
expressas em porcentagem, idealizadas para comparar as situações de um conjunto de variáveis em 
épocas ou localidades diversas”.
Os números-índices acompanham a variação relativa de uma série de dados no tempo e podem 
ser classificados em índices simples (IS), que medem a evolução de apenas uma série de dados iguais, e 
índices compostos (IC), que medem a evolução de apenas uma série de dados diferentes. 
Chamaremos de P2013 o preço de uma mercadoria no ano base de 2013 e P2014 é o preço corrente 
em um período de tempo, no caso o ano de 2014, cujo preço relativo da mercadoria em questão pode 
ser apresentado da seguinte forma:
IC = ∑P2014 / ∑P2013
Usualmente, o valor do número-índice é dado em porcentagem:
IC = (∑P2014 / ∑P2013) x 100
Tabela 3 – Preços de livros
Ano Preço
2013 25,00
2014 28,00
IC = 28,00/25,00 = 1,12
Ou
IC = (28,00/25,00) x 100 = 112
Este resultado significa que os preços subiram 12%. Geralmente, a base é considerada como 
100. Se o resultado for maior, significa que os preços subiram e, caso esse índice seja menor do que 
100, indica que os preços caíram de um ano para o outro.
Os índices compostos são utilizados quando a série de dados é diferente, como preços e 
quantidades. São conhecidos três tipos diferentes de índices compostos de preços e quantidade: 
Laspeyres (IL), Paasche (IP) e também o índice composto de Fisher, que é calculado com base na 
média geométrica dos índices de Laspeyres e Paasche.
Índice de Laspeyres de preço = ∑P2014 x Q 2013 / ∑P2013 x Q 2013
Índice de Laspeyres de quantidade = ∑P2013 x Q 2014 / ∑P2013 x Q 2013
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Unidade I
Índice de Paasche de preço = ∑P2014 x Q 2014 / ∑P2013 x Q 2014
Índice de Paasche de quantidade = ∑P2014 x Q 2014 / ∑P2014 x Q 2013
Índice de Fisher de preço = √ índice de Laspeyres x índice de Paasche
Índice de Fisher de quantidade = √ índice de Laspeyres x índice de Paasche
Tabela 4 – Preços e quantidades de livros
Ano Preço Quantidade
2013 25,00 150
2014 28,00 180
Aplicando as equações, temos:
IL preços = 28,00 x 150 / 25,00 x 150 = 1,12
IL preços = (28,00 x 150 / 25,00 x 150) x 100 = 112
IL quantidades = 25,00 x 180 / 25,00 x 150 = 1,20
IL quantidades = (25,00 x 180 / 25,00 x 150) x 100 = 120
IP preços = 28,00 x 180 / 25,00 x 180 = 1,12
IP preços = (28,00 x 180 / 25,00 x 180) x 100 = 112
IP quantidades = 28,00 x 180 / 28,00 x 150 = 1,20
IP quantidades = (28,00 x 180 / 28,00 x 150) x 100 = 120
Analisando os resultados de cada índice, percebemos que os índices de preços apresentaram 
uma variação de 12%, tanto o índice de Laspeyres (IL) quanto o de Paasche (IP). Da mesma forma, 
se considerarmos a base como 100, o resultado foi 112, o que significa a mesma variação de 12%. 
Já os índices de quantidades indicam que a variação da quantidade foi de 20%, o que representa 
um crescimento real da produção ao anularmos o efeito dos preços. 
Para ficar mais claro, vejamos a tabela a seguir, que apresenta um Produto Interno Bruto 
nominal e real hipotéticos. Vamos supor que há um único bem produzido na economia, que são os 
livros, cuja equação do PIB é ∑P x Q.
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CONTABILIDADE SOCIAL
Tabela 5 – PIB nominal e PIB real
Ano Preço Quantidade PIB Nominal IP PIB real Variação real do PIB
2013 25,00 150 3.750,00 1,00 3.750,00 -
2014 28,00 180 5.040,00 1,12 4.500,00 20,0
Ao considerarmos os livros como único produto, chegamos ao PIB nominal de 2013 no valor 
de 3.750,00, que é resultado da ∑P 2013 x Q 2013. O índice de Paasche (IP) considerado em 2013 
é igual a 1,00 e se multiplicado por 100, será igual à base 100, portanto não apresenta variação de 
preços. Já o PIB nominal de 2014 segue a mesma lógica, isto é, apresenta o valor de 5.040,00 e é 
resultado da equação ∑P 2014 x Q 2014.
Os valores de 3.750,00 e 5.040,00 são valores nominais ou correntes de cada ano. Os valores reais são 
aqueles que não apresentam a variação de preços. Na tabela, o PIB real é o valor de 3.750,00 dividido 
pelo índice de Paasche de 1,00 em 2013. No ano de 2014, o PIB real é resultado de 5.040,00 dividido 
pelo índice de Paasche de 1,12. Veja que, ao olharmos a coluna de variação real do PIB, percebemos que 
o PIB real cresceu entre 2013 e 2014 em 20%, ou seja, exatamente a variação da quantidade produzida 
de um ano para o outro, como apresentado nos cálculos anteriores.
Tabela 6 – Brasil: PIB nominal e variação nominal e real do PIB (em milhões de reais)
Ano PIB nominal Variação PIB nominal Variação PIB real
2000 1.179.482,00 
2001 1.302.136,00 10,4 1,31
2002 1.477.822,00 13,5 2,66
2003 1.699.948,00 15,0 1,15
2004 1.941.498,00 14,2 5,71
2005 2.147.239,00 10,6 3,16
2006 2.369.484,00 10,4 3,96
2007 2.661.344,00 12,3 6,09
2008 3.032.203,00 13,9 5,17
2009 3.239.404,00 6,8 -0,33
2010 3.770.084,87 16,4 7,53
2011 4.143.013,34 9,9 2,73
2012 4.392.094,00 6,0 1,03
2013 4.844.815,08 10,3 2,49
Na tabela anterior, com dados do Ipeadata, apresentamos os dados de PIB nominal, a variação 
nominal do PIB e a variação real do PIB da economia brasileira deste início do século XXI, e podemos 
perceber que o valor do PIB nominal cresceu a cada ano. A média de variação do PIB nominal no período 
de 2000-2013, por exemplo, foi de 11,5%, enquanto a média de crescimento ou variação do PIB real foi 
de 3,3%. Para o resultado da variação do PIB real, o IBGE calcula e divulga o deflator implícito do PIB. 
Conforme afirmam Paulani e Braga (2012, p. 144):
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Unidade I
No Brasil, temos um índice de preços obtido de forma indireta, que é o 
deflator implícito do PIB. O que ocorre é que, para o cálculo do valor do 
PIB, a Fundação IBGE estima o produto dos vários setores institucionais da 
economia a preços correntes. Isso possibilita, a cada ano, a obtenção do 
valor do PIB nominal. Todavia, o que mais importa é saber o comportamento 
do PIB em termos reais, ou seja, o crescimento da quantidade de bens e 
serviços finais produzidos. Para tanto, constroem-se também, para cada 
setor, índices de produto real, que, conjuntamente tomados, fornecem uma 
estimativa da taxa de crescimento de produto real do PIB em cada ano.
 Saiba mais
Para saber mais sobre o deflator implícito do PIB, basta acessar a 
seguinte página do IBGE:
IBGE (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA). Sistema 
de Contas nacionais: Brasil 2010-2011: referência 2010. Rio de Janeiro: 
[s.d.]. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/
contasnacionais/2011/default.shtm>. Acesso em: 14 jul. 2015.
Ou então, acesse a homepage do Ipeadata (<http://www.ipeadata.gov.
br/>), entrar em “Temas”, “Contas nacionais” e pesquisar o deflator implícito 
do PIB.
4.1.2 Comparações entre países e o dólar: paridade do poder de compra (PPC)
O problema técnico colocado aqui se refere à necessidade de se comparar variáveis de um país com 
outro, por exemplo, o PIB dos Estados Unidos da América (EUA) com o PIB do Brasil ou o PIB do Brasil 
com o PIB da Argentina. 
Como cada país mensura suas contas nacionais seguindo as recomendações internacionais, não há 
problema. Entretanto, cada país valora sua produção na moeda corrente local, isto é, os EUA valoram 
sua produção e consumo agregados em dólares americanos (US$), o Brasil, em reais (R$), e a Argentina, 
em peso argentino ($). Acontece que cada moeda possui uma taxa de câmbio, que é o valor da moeda 
estrangeira em moeda local. Em março de 2015, por exemplo, um dólar da moeda americana (US$) 
estava sendo vendido no Brasil por R$ 3,16. Entretanto, esse tipo de taxa de câmbio, que representa o 
preço da moeda estrangeira em moeda local, oscila muito pela lei da demanda e oferta, compra e venda 
de moeda estrangeira, fator que muda os valores da taxa de câmbio, leia-se da moeda estrangeira, a 
cada momento.
Como exemplo, façamos o seguinte: conforme a tabela 6, o PIB do Brasil em 2013 foi de R$ 4,8 
trilhões de reais (R$ 4.844.815,08). Ao convertermos o PIB brasileiro para dólar, bastar dividir o valor de 
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CONTABILIDADE SOCIAL
R$ 4.844.815,08 por R$ 3,16. Portanto, o valor do PIB brasileiro em dólar será de US$ 1,5 trilhão (US$ 
1.533.169,33). Mas, caso o preço do dólar em um dado momento tenha uma redução para R$ 1,58, metade 
do valor anterior, o valor do PIB brasileiro em dólar subirá para US$ 3,0 trilhões (US$ 3.066.338,66), por 
uma simples variação da taxa de câmbio, isto é, variação de preços da moeda americana em reais.
Para resolver esse problema, utiliza-se a conversão de reais em dólar pelo câmbio de Paridade do 
Poder de Compra (PPC) vigente, que só leva em conta o que é denominado de bens tradables, ou bens 
comercializáveis, isto é, a taxa de câmbio passa a ser resultado de uma cesta de bens que são idênticas 
entre os países e, por ser uma cesta de bens, ela sofre menos oscilações do que a compra e venda de 
moeda estrangeira, além de demonstrar o custo de vida em cada país.
 Lembrete
As flutuações cambiais, isto é, a variação do preço das moedas 
estrangeira em moeda local, distorcem os preços em reais e em dólares.
Portanto, utiliza-se a taxa de câmbio ajustada da moeda de cada país com o dólar americano 
pelo Poder de Paridade de Compra (PPC) com base na cesta de bens e serviços ofertada em ambas 
as economias, o que torna possível comparar o poder de compra de um país em termos de poder de 
compra de outro país.
 Saiba mais
Na bibliografia internacional, o PPC é chamado de PPP, isto é, Purchase, 
Power e Parity. Veja em:
SOUZA, J. L. O que é? Dólar PPC. In: ___. Indicadores. Desafios do 
desenvolvimento, Brasília, ano 5, n. 40, p. 64, fev. 2008. Brasília: Ipea, 2008. 
Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/desafios/images/stories/PDFs/
desafios040_completa.pdf>. Acesso em: 13 jul. 2015.
Os índices PPC ou PPP são índices espaciais e não temporais, isto é, são índices que mensuram o custo 
de vida por regiões e países, cuja base é a economia americana, ou seja, sempre estamos comparando 
o custo de vida entre países. Por exemplo: o custo de vida do Brasil e da Argentina em dólares PPP em 
relação aos EUA. 
Quando o índice PPC é menor do que 1 (Índice PPC < 1), o valor da variável em questão, por exemplo 
o PIB per capita de cada país em dólar PPC (US$ PPC), será maior e quando o índice PPC é maior do 
que 1 (Índice PPC > 1), o valor em dólar PPC (US$ PPC) será menor devido à relação do preço dos bens 
e serviços que são produzidos em cada país e os produtos que compõem a cesta de bens tradables em 
dólar PPC, podendo ter relação com uma maior ou menor produtividade ou renda locais.
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Unidade I
Vamos supor que a cesta de bens entre dois países (Brasil e EUA) seja o pé de alface e que o preço 
desse bem seja R$ 2,00 no Brasil e US$ 3,00 nos EUA. O câmbio ou dólar PPC será de R$ 0,66 no Brasil, 
isto é, são os R$ 2,00 divididos pelos US$ 3,00. Caso nosso objetivo seja obter o valor do PIB de 2013 
em dólar PPC, basta dividir o valor de R$ 4,8 trilhões (R$ 4.844.815,08) pelo câmbio PPC de R$ 0,66, 
cujo valor passa a ser em US$ PPC 7,3 trilhões (US$ 7.340.628,90). Muito diferente se a operação fosse 
realizada com a taxa de câmbio comum ou comercial de R$ 3,16, cujo valor seria de US$ 2 trilhões (US$ 
2.018.672,95).
 Saiba mais
Para saber mais sobre cesta de bens e serviços em valores PPC ou PPP, 
vale a leitura sobre o Big Mac Index, que tem o objetivo de medir o poder de 
compra dos consumidores desse sanduíche em diversos países. Você pode 
obter mais informações nos seguintes artigos:
SILVA, J. A. L. da. Brasil sobe de posição e tem o 4º Big Mac mais caro do 
mundo. Infomoney, São Paulo, 23 jan. 2015. São Paulo: Money e Markets, 
2015. Disponível em: <http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/
precos/noticia/3824440/brasil-sobe-posicao-tem-big-mac-mais-caro-
mundo>. Acesso em: 13 jul. 2015.
ÍNDICE Big Mac mostra que real é a quarta moeda mais cara do mundo. 
Uol, São Paulo, 22 jan. 2015. São Paulo: Uol, 2015. Disponível em: <http://
economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/01/22/indice-big-mac-
mostra-que-real-e-a-quarta-moeda-mais-cara-do-mundo.htm>. Acesso 
em: 13 jul. 2015.
Portanto, o nível de preços dos bens e serviços de uma economia podem distorcer os valores dos agregados 
macroeconômicos, bem como levar a contabilidade de valores irreais devido à variação da taxa de câmbio 
ou preços das moedas estrangeiras em moeda local (R$/US$ ou R$/$). Entretanto, os métodos estatísticos 
empregados de deflacionamento das variáveis permitem ajustar as séries de dados estatísticos e corrigi-las. 
Já nas comparaçõesinternacionais, o dólar PPC ou PPP substitui a taxa de câmbio comum ou comercial e 
permite corrigir e mensurar os custos de vida em diferentes países, por mais que suas moedas locais sejam 
diferentes. Mas há outros problemas envolvidos na contabilidade social. 
4.2 Dificuldades operacionais
Os problemas operacionais estão relacionados à assimetria ou à falta de informação que algumas 
atividades produtivas geram ao fazerem parte do que é conhecido como economia informal e economia 
subterrânea.
Na medida em que as empresas não são formalizadas, isto é, não possuem o registro de abertura 
legal, há dificuldades em identificá-las e localizá-las e, portanto, levantar os dados necessários para 
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CONTABILIDADE SOCIAL
mensurar a produção e o valor adicionado por cada uma delas no computo do Produto Interno Bruto. 
Conforme Paulani e Braga (2012, p. 58):
[...] a economia subterrânea incorpora uma boa parte da economia informal. 
A diferença entre um e outro termo está em que o primeiro refere-se 
exclusivamente às atividades que não são deliberadamente declaradas por 
várias razões: escapar do fisco, não cumprir leis trabalhistas, não arcar com 
o pagamento de contribuições à seguridade social (previdência), não ter 
que seguir determinadas normas da atividade produtiva cuja adoção pode 
implicar custos etc. Assim, a economia subterrânea não inclui as atividades 
ilegais, nem a economia informal da costureira de bairro ou da cozinheira 
que faz doces para fora para aumentar o orçamento doméstico.
As atividades econômicas subterrâneas podem se dar por transações monetárias ou não, ou seja, 
pela compra e venda em que a moeda é o principal meio de circulação ou as não monetárias, que se dão 
principalmente pelo escambo ou produção para subsistência.
Dentro desse tipo de economia podemos ter atividades legais não consideradas no computo da 
produção de um país, por meio da evasão de benefício fiscais em renda não reportada proveniente 
de emprego autônomo, descontos e benefícios para funcionários, benefícios, escambo de produtos 
e serviços legais e salário e ativos provenientes de trabalho não reportado relacionado a produtos e 
serviços legais.
Quadro 16 – Tipos de atividades econômicas subterrâneas
Transações monetárias Transações não monetárias
Atividades ilegais
Comércio com produtos roubados. Escambo de drogas, produtos roubados, contrabando etc.
Fabricação e tráfico de drogas. Produção ou plantio de drogas para uso próprio.
Prostituição. Roubo para uso próprio.
Jogo. 
Contrabando. 
Fraude. 
Outros. 
Atividades legais
Evasão fiscal Benefício fiscal Evasão fiscal Benefício fiscal
Renda não reportada 
proveniente de emprego 
autônomo.
Descontos para funcionários, 
benefícios.
Escambo de produtos 
e serviços legais.
Todo o trabalho do tipo “faça 
você mesmo” e ajuda a vizinhos.
Salário e ativos 
provenientes de 
trabalho não reportado 
relacionado a produtos e 
serviços legais.
 
Fonte: Schneider (2009, p. 55).
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Unidade I
No quadro, percebe-se que, mesmo dentro de atividades legais, há sonegação de informações 
e outras obrigações exigidas. A economia subterrânea é uma parte da economia informal. Um 
dado clássico sobre informalidade é a respeito do número de trabalhadores informais, isto é, os 
trabalhadores sem vínculo de emprego, sendo esta a principal diferença entre trabalho e emprego: a 
questão dos direitos trabalhistas e proteção social que o trabalho sem vínculo empregatício não tem 
e que eleva a precarização do mercado de trabalho.
Segundo o Ipea (2014), o mercado de trabalho brasileiro vem apresentando queda do nível de 
informalidade, cujo percentual médio em 2012 foi de 34%, em 2013, foi de 33%, e em janeiro de 2014, 
o índice foi de 32,2%. Percebe-se que ainda 1/3 dos trabalhadores brasileiros vive na informalidade, o 
que não é bom para a sociedade e para o país.
De forma geral, com relação ao pedaço da informalidade dentro do PIB, o Instituto Brasileiro de Ética 
Concorrencial (ETCO), em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas 
(FGV/IBRE), calculam e divulgam o Índice de Economia Subterrânea (IES), conforme o gráfico a seguir 
(ETCO; FGV, 2014, p. 12):
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2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014
21 20,9 20,4 20,1 19,4
18,7 18,5 17,7
16,9 16,7
16,3 16,2
Figura 27 – Índice de Economia Subterrânea (IES)
Como podemos observar, há uma tendência de queda da informalidade por meio da economia 
subterrânea dentro do PIB. No ano de 2003, o índice apresentava 21% do PIB e passou a ser 
16,2% do PIB em 2014. Ainda assim, podemos concluir que mais de 10% do PIB não é declarado e, 
portando, não entra no computo das contas nacionais brasileiras, o que prejudica a contabilidade 
social do país.
Há muito para fazer e um dos grandes avanços tem se dado nas Contas Econômicas Integradas 
Institucionais (CEI Institucionais), que estudaremos mais adiante, que incorporam a produção formal e 
informal das famílias e que passam a ser uma fonte de análise para acompanhar a parte de produção e 
consumo não declarados.
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CONTABILIDADE SOCIAL
4.3 Dificuldades conceituais
4.3.1 As atividades não monetizadas
Os problemas conceituais são os problemas teóricos, como a questão das atividades não 
monetizadas, isto é, atividades que não se integram ao fluxo circular da renda no mercado de 
bens e serviços, como a economia de subsistência ou produção para consumo próprio, que não 
é valorada e monetizada. Pode não parecer um problema de forma individual, mas ao agregar 
todos os indivíduos e pequenos produtores agrícolas, entre outros, o valor a computar pode ser 
relevante.
Paulani e Braga (2012, p. 160) afirmam que há tanto um problema teórico como prático. Teórico 
devido a essa economia de subsistência ser uma atividade produtiva de bens e serviços que atende às 
necessidades humanas, portanto, deveriam entrar nas contas nacionais. No entanto, na questão prática, 
essas atividades não geram renda monetária.
Tal solução tem se dado por imputação de valores, ou seja, estima-se o valor dessas atividades com 
base no valor de mercado e soma-se ao PIB. Essa operação é puramente convencional e arbitrária de 
cada país, que seleciona o que deve ser computado ou não.
4.3.2 Meio ambiente e desenvolvimento sustentável
O Produto Interno Bruto de um país tem como base seus recursos naturais, que são os insumos ou 
matérias-primas necessários para a produção dos bens e serviços, ou seja, a relação insumo-produto de 
uma economia.
Entretanto, observou-se nas últimas décadas uma aceleração da degradação do meio ambiente, por 
meio da emissão de gás carbônico na atmosfera, o uso irracional e contaminação dos recursos hídricos, 
devastação das florestas, poluição de rios e do ar e a exaustão dos recursos naturais, em que alguns 
desses recursos são exauríveis, como a fonte de energia conhecida como petróleo.
Todos esses pontos geram o que é chamado de externalidadesnegativas. Uma externalidade é 
algo que não faz parte do mecanismo ou sistema de mercado, mas tem impacto na vida dos agentes 
econômicos que compõem esse sistema. Como os apontamentos são todos negativos, podemos 
considerá-los como externalidades negativas, porque reduzem o bem-estar social e econômico de todos 
os agentes econômicos.
Essas agressões ao meio ambiente são resultado da acelerada e desordenada industrialização e 
urbanização, que substituíram os produtos in natura por produtos industrializados.
Diante dessa problemática, surgiu um novo campo de estudo chamado de economia do meio 
ambiente, em que o objeto de estudo é o crescimento sustentável, ou seja, a atividade de produção que 
possibilite o bem-estar social e econômico e preserve os recursos naturais.
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Unidade I
A contabilidade social vem fazendo um grande esforço para valorar os custos ambientais e 
considerá-los nas contas nacionais, bem como estimar a depreciação ou reposição do capital in natura 
dos países e do planeta como forma de melhorar o bem-estar social e econômico.
Muitas pesquisas e propostas para as contas nacionais estão em discussão, como a ideia de valorar 
as externalidades negativas por meio da mensuração das despesas necessárias para a restauração do 
meio ambiente e evitar a sua degradação acelerada. 
 Saiba mais
Uma das iniciativas para melhorar a questão do meio ambiente é a 
criação dos chamados empregos verdes. Veja mais em:
MUÇOUÇAH, P. S. Empregos verdes no Brasil: quantos são, onde estão e 
como evoluirão nos próximos anos. Brasília: Organização Internacional do 
Trabalho, 2009. Disponível em: <http://www.oitbrasil.org.br/sites/default/
files/topic/green_job/pub/empregos_verdes_brasil_256.pdf>. Acesso em: 
29 jun. 2015.
Outro ponto em discussão é a possibilidade da utilização do conceito de disposição a pagar. Por 
exemplo: comparar bairros, cidades, estados e países com elevada e baixa poluição, comparar o preço 
dos imóveis em ambos os locais e medir a disposição a pagar dos moradores dos locais com elevada 
poluição para a redução dessa externalidade negativa, criando o indicador de custos de (des)poluição 
do ar. 
E, por fim, a inserção no sistema de contas nacionais de duas rubricas, uma como degradação do 
meio ambiente do lado de usos (débito) e uma de investimentos em antipoluentes do lado de recursos 
(crédito). Esse tipo de decisão seria bem interessante do ponto de vista econômico, pois o país que mais 
degradar o seu meio ambiente estará, ao mesmo tempo, reduzindo seu valor do PIB, caso não faça 
investimentos eficazes em antipoluentes e elevação do bem-estar social e econômico.
 Resumo
A contabilidade social representa atualmente uma evolução da ciência 
econômica ao final do século XX, de forma mais específica, da teoria 
macroeconômica, no sentido de passar a mensurar não apenas a parte 
quantitativa da economia ou o crescimento econômico, mas também a 
parte qualitativa ou desenvolvimento econômico.
Seu objetivo é medir o produto, a renda e a despesa agregadas, isto é, 
medir a variável mais importante de um país, que é o Produto Interno Bruto 
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CONTABILIDADE SOCIAL
(PIB), que revela se uma economia cresceu ou não, mas também medir a 
qualidade desse crescimento econômico.
Esse avanço foi possível devido à publicação do livro de John Maynard 
Keynes, Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, em 1936, que 
possibilitou entender algumas variáveis e criar identidades entre diferentes 
agregados macroeconômicos.
A identidade produto ≡ despesa ≡ renda não implica nenhuma relação 
de causa e efeito da variável produto para despesa e da variável despesa 
sobre a renda, mas que podemos chegar ao resultado do PIB por meio 
de três óticas diferentes ao somarmos a produção de todos os bens finais 
produzidos (ótica da despesa), somar todos os valores adicionados em 
cada etapa de produção (ótica do produto) ou ao somarmos todas as 
remunerações dos fatores de produção (ótica da renda).
A partir dessas identidades, as contas nacionais passaram a ter um 
melhor equilíbrio interno e externo a partir do princípio das partidas 
dobradas, em que para um crédito, há um débito e vice-versa.
Todo esse movimento de produto, despesa e renda é visualizado, de 
forma simples, no fluxo circular da renda entre empresas e famílias em que 
temos a oferta de bens e serviços por pagamentos, a oferta de fatores de 
produção por remunerações.
Com a entrada de mais dois agentes econômicos, além de empresas e 
famílias, governo e setor externo, a demanda agregada passa a ter mais 
variáveis, como gastos do governo, exportação e importação. Do lado 
externo, ainda teremos a renda líquida enviada e recebida do exterior, o 
que permitirá trabalhar com uma ótica interna e nacional, isto é, produto e 
renda internos e nacionais.
A mensuração das contas nacionais não é algo tão simples. Há três 
tipos de problemas que são enfrentados para podermos mensurar, 
valorar, comparar e analisar a riqueza de dados dessas contas. Os 
problemas técnicos estão relacionados à variação de preços de um ano 
para o outro devido à inflação. Para não cometermos erros, passa a 
ser necessário calcular, além do PIB nominal, o PIB real, por meio da 
criação de um número-índice que permite deflacionar os dados de um 
ano para o outro.
Ainda nessa mesma categoria de problema, temos sempre o objetivo 
de fazer comparações internacionais, em que a taxa de câmbio comercial 
apresenta variações de mercado, sendo necessário o cálculo da taxa de 
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câmbio com base no conceito de paridade do poder de compra (PPC ou 
PPP), calculado sobre os bens e serviços tradables, que são mercadorias ou 
cestas de bens idênticas entre todos os países.
O segundo problema está relacionado às questões operacionais, 
como as atividades econômicas informais, que, dentro da economia 
subterrânea, utilizam recursos, como matéria-prima e fatores de 
produção, além da venda dessa produção, mas geram assimetria de 
informação ao não seguir a lei, pagar impostos e informar os recursos e 
usos utilizados. Ainda se constitui um desafio identificar e localizar esse 
tipo de atividade para inserir seus dados no PIB. E, por fim, o terceiro 
problema está relacionado às atividades não monetizadas ligadas às 
economias de subsistência em que o IBGE procura estimar o valor desse 
tipo de produção e imputar o mesmo valor no PIB, e a degradação do 
meio ambiente, considerada uma externalidade negativa e que segue 
em discussão sobre a possibilidade de se completar as contas nacionais 
com uma conta que considere essa degradação.
As contas nacionais no Brasil são realizadas pelo IBGE, que segue 
recomendações internacionais com base no manual System of National 
Accounts 1993. A metodologia recente segue a revisão de conceitos 
apresentada no novo manual System of National Accounts 2008. As 
atualizações são realizadas em períodos específicos como forma de se 
evitar que os anos da série percam comparabilidade.
As informações das contas nacionaispassaram a ser apresentadas 
por Tabelas de Recursos e Usos (TRU), que mostram os fluxos de 
oferta e demanda dos bens e serviços e a renda gerada no processo 
produtivo por cada atividade econômica, e pelas Contas Econômicas 
Integradas (CEI), que dão uma visão de conjunto da economia, por 
setor institucional, e descrevem a produção, consumo e acumulação e 
suas identidades.
 Exercícios
Questão 1. Seja a função de produção da economia dada por Yt = Akt, onde Y é o produto, A é a 
tecnologia (constante) e K é uma medida ampla do estoque de capital (inclui capital físico e humano). 
Nesta economia, a taxa de poupança é igual a 20% ao ano, a população é constante e o nível de 
tecnologia é A = 0,4. A esse respeito, qual afirmativa é verdadeira?
A) As taxas de crescimento do capital e do produto são iguais a 8% a.a.
B) As taxas de crescimento do capital e do produto são iguais a 6% e 8% a.a., respectivamente.
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C) A produtividade é crescente.
D) O modelo prevê a convergência da renda per capita entre países com parâmetros idênticos e 
diferentes níveis iniciais de renda per capita.
E) Um aumento da taxa de poupança elevaria, temporariamente, a taxa de crescimento do produto.
Resposta correta: alternativa A.
Análise das alternativas
A) Alternativa correta.
Justificativa: o crescimento do estoque de capital é dado pela taxa de poupança aplicada à taxa de 
crescimento da renda, ou seja, Kt = sYt (0 < s< 1). A taxa de poupança dada no enunciado é de 20%; 
assim, Kt = 0,20Yt. Portanto, como sabemos que a razão de crescimento da renda pelo crescimento do 
capital nessa questão é de 0,4, teremos 0,20 x 0,40 = 0,08. Ou seja, a taxa de crescimento do capital é 
de 8% a.a., conforme indica a alternativa. Essa taxa de crescimento do capital produto (Kt/K) em 8% a.a. 
implica crescimento do produto (Yt/Y), pois 
K
K
Y
Y
K
K
Y
Y
t t t t
= Þ =
0 2
0 2
,
,
. Ou seja, as taxas de crescimento 
do produto e do capital são as mesmas.
B) Alternativa incorreta.
Justificativa: conforme demonstrado na análise da alternativa A, que está correta, ambas as taxas de 
crescimento, do produto e de capital, são iguais, sendo de 8% a.a.
C) Alternativa incorreta.
Justificativa: nada há nesse enunciado que indique essa possibilidade, ainda mais que o nível de 
tecnologia mantém-se constante.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: esse modelo não prevê convergência, pois apresenta razão de crescimento econômico 
dada pelos parâmetros. Assim, o estoque inicial é relevante, pois diferenciará os resultados.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: esse modelo não prevê que a alteração do nível de poupança alteraria a dinâmica do 
crescimento econômico de forma permanente.
Questão 2. A década de 1980 foi dominada pela inflação e pelo desequilíbrio externo, para os quais 
concorreu (concorreram):
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Unidade I
A) O elevado nível da atividade econômica em todo o período.
B) O serviço da dívida externa e a inflação, herdados da década anterior.
C) O saldo positivo da balança comercial.
D) Os projetos de investimento do período, visando a completar a estrutura industrial brasileira.
E) Os juros reduzidos no mercado internacional.
Resolução desta questão na plataforma.