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RESUMO CAPÍTULO 49
ÉTICA E PSICOTERAPIA
Codutas éticas e morais são condutas a serem seguidas em todas as esferas sociais, inclusiva na Psicokogia. Espera- -se que os psicólogos venham a agir segundo princípios éticos e normas morais no desempenho de todos os papéis profissionais que lhes são legalmente atribuídos, visando o bem de pessoas, casais, organizações e grupos atendidos. Condutas assim orientadas contribuem no sentido do reconhecimento da Psicologia como ciência e como profissão, aumentando, dessa forma, a probabilidade de sua eficácia social. A legislação é um dos fundamentos da Ética Profissional, mas esta não se reduz inteiramente às leis, pois de sua composição também participam conceitos e teorias filosóficas, bem como normas de conduta estabelecidas por costumes profissionais. Porém, em princípio, deve haver plena coerência entre a legislação e a Ética Profissional. Em situações objetivas, os atos de psicólogos são avaliados tanto sob o ponto de vista da competência e dos resultados obtidos no exercício profissional quanto na perspectiva da adequação das condutas por eles praticadas às leis e às prescrições do Código de Ética Profissional.
Na psicoterapia, os efeitos da intervenção psicológica são perceptíveis. Assim, a atribuição subjetiva de competência especializada concede ao psicoterapeuta um elevado poder social sobre o paciente, cujo exercício só se justifica eticamente se esse poder for colocado a serviço das necessidades do paciente. De outro lado, psicólogos devem se mobilizar com o propósito de reduzir ao máximo a probabilidade de que a relação terapêutica venha a ser malsucedida, gerando consequências clínicas e financeiras negativas ao paciente. Erros diagnósticos, intervenções mal planejadas e deficientemente conduzidas, além de avaliações sem rigor, prejudicam o paciente e trazem descrédito à Psicologia. Nesse sentido, é essencial que a atividade dos psicólogos sejam orientadas por princípios morais e éticos, sendo estes objeto de análise escrupulosa, fundamentada racionalmente.
A questão central na Ética e na moral pode ser formulada mediante uma pergunta: “Como devo agir?”. As respostas para esta pergunta podem ser variáveis. As mais comuns, entretanto, podem ser classificadas em dois grupos: há aquelas que, baseadas na análise etimológica, estabelecem uma equivalência semântica entre elas, por conseguinte considerando-as intercambiáveis; e, outras, cujo pressuposto é o de que estes termos referem objetos distintos. Esta última posição é a que orienta a argumentação ora apresentada. 
À “ética” atribui-se uma conotação técnica, sendo este termo designativo de um ramo da Filosofia no qual se encontram dois problemas substantivos: em primeiro lugar, oferecer uma resposta à necessidade humana de obter uma orientação para a conduta a adotar em diversas situações de vida, sob a perspectiva do Bem; e, em segundo lugar, submeter sistemas morais, bem como conceitos e argumentos éticos, à crítica filosoficamente fundamentada e conduzida. Sobre ela, há duas vertentes: a que tem seu fundamento nas ideias de dever e de obrigação e a que se baseia na responsabilidade social. A primeira é a da deontologia, ao passo que a segunda visão é referida como teleológica. A linguagem própria da Ética deontológica assemelha-se à das leis: em ambas, a linguagem se caracteriza pela natureza normativa, baseada no postulado de que o mérito da conduta depende de sua coerência com o que é prescrito como correto, ou seja, justo e ético.
O Código de Ética Profissional observado por psicólogos foi formulado segundo uma perspectiva deontológica. Esta é uma tendência internacional adotada no processo de elaboração de códigos éticos de conduta profissional. A responsabilidade social relativamente à obrigatoriedade de contribuir no atendimento aos interesses e às necessidades de pessoas, grupos e organizações atendidas, respeitando seus direitos, são contemplados no Código de Ética Profissional dos Psicólogos, sem que estes aspectos venham a conferir ao Código uma dimensão teleológica.
Na perspectiva psicológica, teorias éticas e prescrições morais habitam a cognição, nela sendo configuradas como crenças ou sistemas de crenças, conforme o pensamento de cada um. Quanto mais elaborado ou sofisticado for o pensamento, mais consistente tende a ser o conjunto de crenças sobre nossos deveres e nossas obrigações. Crenças dessa natureza são prescritivas ou normativas, sendo influentes em processos cognitivos, notadamente na percepção de pessoas e em inferências sociais, na afetividade, sobretudo na formação de sentimentos, na ativação de motivações sociais e no processo de aprendizagem. Nesse desencadeamento, essas crenças são levadas em conta em tomadas de decisão e na direção a ser concedida às condutas sociais. Por outro lado, a intensidade da influência dessas crenças guarda uma correlação com o grau de sua aceitação subjetiva.
O ponto de partida de qualquer conduta ética ou comportamento moral é a percepção do fato. É a consciência que temos acerca dos diversos aspectos relacionados a pessoas que experimentam alguma dificuldade, assim como de nosso compromisso relativamente a elas no contexto em que nos encontramos. Essa percepção constitui um importante fator em tomadas de decisão quanto à melhor forma de agir ou intervir, do ponto de vista de nossa responsabilidade ética ou moral.
A atenção eticamente orientada do psicoterapeuta, aplicada em todos os momentos compreendidos pelo processo clínico, contribui para o êxito da intervenção pela qual ele é o principal responsável, pois esse cuidado lhe possibilita exercer algum controle sobre comportamentos que podem interferir negativamente na terapia.
Sobre o tema, importa ainda discorrermos sobre os valores. Estes integram a nossa personalidade e, devido a isso, influenciam nossas cognição, afetividade e conduta. Na Filosofia, os valores constituem o tema central da Axiologia; nas ciências empíricas, a pesquisa dos valores é realizada segundo as características próprias de cada ciência. Em particular, na Psicologia, notadamente sob a visão cognitivista, valores são definidos como estruturas tridimensionais, dotadas de componentes afetivos, que são considerados os mais importantes, cognitivos e motivacionais, estabelecendo condições psicológicas orientadoras favoráveis à manifestação de condutas específicas em face de pessoas, aspectos da cultura, da sociedade e até mesmo da realidade objetiva, que tenham sido identificados como objetos sociais dotados de significados relevantes e, por essa razão, valorizados.
A Psicologia é uma das ciências e das profissões da Saúde que tem como objeto de estudo e meta profissional o bem-estar de pessoas, grupos e coletividades humanas. Considerando essa definição, conclui-se que ela instala, desde logo, a necessidade de se incluir no processo de avaliação clínica as diferentes dimensões de bem-estar inseridas na definição, assim como suas inter-relações, as quais estão longe de ser completamente explicadas. As psicoterapias, notadamente as de orientação cognitiva, fundamentam-se em modelos explicativos desse tipo, podendo-se, portanto, atribuir a eficácia das intervenções clínicas ao fato de elas terem sido orientadas segundo teorias psicológicas corroboradas. Deste argumento decorre a recomendação de que os psicoterapeutas insistam na busca de conhecimento e da melhoria de si próprios, como pessoas, visando o aprimoramento da qualidade de seu trabalho profissional. É um dever ético de qualquer psicoterapeuta manter-se atualizado em matéria de conhecimento científico a respeito de nossos processos, conteúdos e estados psicológicos, preservando sua posição de crítica intelectual, dado que o que é sabido é menos do que o necessário para intervenções que pudessem ser precedidas por previsões mais acertadas quanto aos resultados a alcançar. Nas relações terapêuticas, a dignidade humana é um valor que assume a forma de um pressuposto que não pode ser negligenciado, sob pena de comprometer a qualidade e o objetivo dessas relaçõesprofissionais.
Proposições éticas abstratas e abrangentes são princípios. A conhecida prescrição kantiana que proíbe o controle de um ser humano por um outro para fins de atendimento a interesses pessoais, é um exemplo de princípio ético derivado da lei fundamental da razão prática pura por ele mesmo formulada: “Aja de tal modo que a máxima de tua vontade possa valer sempre ao mesmo tempo como princípio de uma legislação universal”. Os Códigos de Ética Profissional também podem ser entendidos segundo este prisma. Eles constituem sistemas normativos relativamente consistentes, baseados em conceitos, normas morais e em alguns princípios éticos.
As formas objetivas assumidas por condutas expressivas de respeito ao próximo são configuradas segundo normas sociais e padrões culturais próprios da coletividade na qual tais condutas venham a ocorrer. No ambiente psicoterapêutico, o respeito ao paciente é concretamente manifestado pelo terapeuta mediante atos que têm sua origem e justificativa na honestidade profissional, na estrita observância dos direitos do paciente e na correção moral de suas relações interpessoais com ele. No exercício da psicoterapia, é vedado ao terapeuta intervir em valores e em convicções filosóficas e religiosas, bem como nas opções básicas de conduta de seu paciente. Trata-se de uma norma restritiva geral, mas que não deve impedir o terapeuta de ouvir e orientar seu paciente, se este apresentar a necessidade de expor suas dificuldades nesse plano. Porém, se essa for a conduta profissional a adotar, então será eticamente correto agir sempre em consonância com o respeito à autonomia de seu paciente na tomada de decisões sobre matéria de seu exclusivo interesse pessoal. Deve-se observar ainda que esta norma proibitiva tem como pressuposto a intencionalidade, quer dizer, é vedado ao terapeuta intervir deliberadamente em crenças e sentimentos situados em posições superiores na hierarquia dos valores do paciente, simplesmente por estar em desacordo com eles. Entretanto, ainda que o terapeuta venha a exercer o necessário autocontrole visando a impedir uma influência indevida sobre o seu paciente, há que considerar o fato muito conhecido e de ocorrência bem provável, de que a conduta e as características de personalidade de terapeutas, sobretudo no caso de terapeutas estimados e profissionalmente respeitados, e que tenham sido observadas pelo paciente, possam induzi-lo à crítica de seus valores e de suas crenças centrais. Daí a conveniência de o terapeuta manter-se atento a essa possibilidade e agir com a devida prudência, a fim de prevenir a ocorrência de influências não controladas, que poderão acarretar prejuízos ao bem-estar de seu paciente.
Do ponto de vista prático, quanto à orientação ético-profissional a adotar na psicoterapia, particularmente em situações para as quais pareça ao terapeuta faltar uma prescrição ética apropriada, sugere-se observar a seguinte sequência de iniciativas: reflexão pessoal, consulta ao Código de Ética Profissional, busca de orientação junto a colegas mais experientes e, por fim, submeter ao escrutínio da Comissão de Ética do Conselho Regional de Psicologia a dificuldade ética que se deseja solucionar.

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