Prévia do material em texto
Mapa mental 2.2 Critérios internos Os critérios internos decorrem da própria obra científica. São divididos em dois grupos: quanto à forma e quanto ao conteúdo. • Quanto à forma – Coerência A coerência é composta de um raciocínio lógico, que apresenta um começo, um meio e um fim. Deve ser formada de argumentos bem ajustados, de maneira clara e sem entrar em contradições. O estudo científico por si só não pode ser incoerente, desconexo, pois a coerência é a apresentação da lógica, por isso é o critério de forma imprescindível à ciência. O começo do projeto deve introduzir o objeto a ser estudado, com suas características e informações principais para que, ao que tiver acesso futuro a este trabalho, possa entender do que se trata a pesquisa, sem ter que recorrer ao pesquisador. – Consistência A consistência é a lógica e a argumentação aliadas ao conteúdo do texto. Ela garante que, tendo um texto consistente, ele é suficiente para resistir às argumentações que são contrárias, pois seu conteúdo o justifica. A consistência, em sua definição, é a capacidade de um elemento ser homogêneo, firme, resistente. Isto se aplica à obra científica quando é profunda, apoiada em argumentos científicos sólidos, não é superficial, tem sua comprovação na experimentação. Uma de suas características mais marcantes é quando ela é atual, atemporal, mesmo em discussões futuras, pois foi enraizada em argumentos estáveis. Segundo Demo (1985, p. 36) “conhecer bem um tema significa dominar com a necessária profundidade as explicações existentes sobre ele, no passado e no presente, e sobretudo saber explicá-lo com meios próprios melhor que outras explicações. ” • Quanto ao conteúdo – Originalidade A originalidade diz respeito ao conteúdo que a obra científica deve apresentar. Afinal, o cientista deve buscar trazer ao mundo da ciência uma resposta que está encoberta, algo que ainda não foi totalmente respondido. 22 Esse critério produz na ciência uma renovação constante, modifica os rumos que antes pareciam certos em amplos e novos horizontes para a pesquisa. Ela gera maior produtividade, pois novos campos de exploração surgem, e um progresso no que diz respeito ao avanço da ciência. Assim, todo pesquisador busca a originalidade por meio de sua criatividade, de forma que sua obra possa surpreender e trazer uma nova alternativa antes não imaginada. – Objetivação A objetivação, que também diz respeito ao conteúdo, é a tentativa que a obra científica tem de ser objetiva. Essa objetivação nunca é completa, pois é um processo inacabado, uma busca de que a ciência se torne totalmente suficiente sobre tal assunto a ponto de se esgotar. Sabemos que esse processo nunca termina, mas se torna mais depurável com a busca de compreender cada vez mais sobre algo. Ao mesmo tempo, mostra a tamanha pequenez da visão e capacidade humana de conhecer algo tão profundamente. A busca desse objetivo é interminável, mas não decepcionante, pois é a forma de compreender um pouco de uma realidade que não podemos entender por inteiro. Em verdade, ela é o objeto de desejo e o motivador do cientista. Critérios externos Os critérios externos são aqueles que se modificam, pois é fruto da avaliação da comunidade científica, sendo dependente de uma determinada época e lugar. Tipos de conhecimento: senso comum, filosófico e científico 1. Conhecimento de senso comum O senso comum é aquele adquirido por uma educação informal, sensitivo, isto é, baseado muitas vezes na visão pessoal daquele que a transmite, pois a sua experiência é parte deste conhecimento. Ele pode ser transferido de geração a geração, espontaneamente, caracterizado por um conhecimento que recebe tais informações sem as criticar, sem as questionar. Vem para suprir uma necessidade diária, imediatista, não analisando o objeto por meio de métodos pela lógica, porque olha a superfície e não o que está por baixo. Características do conhecimento científico • Real: o conhecimento científico é real pois o objeto de estudo se manifesta de algum modo. • Verificável: a verificação do conhecimento científico é sempre colocada como a premissa para que seja aceita como ciência. • Contingente: suas hipóteses podem ser testadas e verificadas experimentalmente. • Sistemático: o estudo científico requer uma organização sistemática das ideias, construindo o conhecimento em etapas parciais e ampliando-as até a etapas mais abrangentes. • Falível: a falibilidade do conhecimento científico demonstra que, sendo elaborado pelo homem, é passível de erros. • Aproximadamente exato: é considerado aproximadamente exato pois a evolução da ciência pode trazer novas proposições e técnicas que permitem afinar a teoria. • Objetivo: o conhecimento científico é objetivo pois descreve o que está sendo observado, sem interferências emocionais ou subjetivas do pesquisador. • Generalizador: o conhecimento científico busca encontrar as leis e normas que possam descrever o fenômeno de forma mais geral possível. • Racional: utiliza-se da razão para análise do objeto de estudo e não do lado emotivo do pesquisador. • Previsível: como os estudos são baseados em leis e normas conhecidas, eles têm seu resultado previsível. • Ordenado: o conhecimento científico precisa seguir etapas, conhecidas como métodos científicos, para que se obtenha o resultado esperado. • Contínuo: o conhecimento científico é considerado contínuo pois ele não é um fim em si mesmo. Critérios da cientificidade na construção do conhecimento Segundo Demo (1985), existem critérios específicos que, ao serem adotados, criam condições para que se obtenha um certo resultado, a saber, a ciência. Esses cuidados são categorizados em critérios internos e externos de cientificidade.