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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ 
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
DIRETORIA DE PESQUISA 
PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA – 
PIBIC/UFPA, PIBIC/UFPA CAMPI DO INTERIOR, PIBIC/UFPA EBTT, PIBIC-
AF/UFPA, PIBIC-UFPA/PcD, PIBIC/CNPq, PIBIC-AF/CNPq, PIBITI/CNPq, PIBIC-
EM, PIVIC, PRODOUTOR e PRODOUTOR RENOVAÇÃO. 
PROGRAMA VOLUNTÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA - PIVIC 
 
RELATÓRIO TÉCNICO - CIENTÍFICO FINAL 
 
Período: De agosto de 2019 a julho de 2020 
IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO 
Título do Projeto de Pesquisa: Detecção molecular do Mycobacterium leprae 
Nome do Orientador: Moises Batista da Silva 
Titulação do Orientador: Doutor 
Faculdade: Faculdade de Biologia 
Instituto/Núcleo: Instituto de Ciências Biológicas 
Laboratório: Laboratório de Dermato-Imunologia 
Título do Plano de Trabalho: Avaliação sorológica e detecção molecular do Mycobacterium 
leprae. 
Nome do Bolsista: Yohan Lucas Gonçalves Corrêa 
Tipo de Bolsa: PIBIC/UFPA 
 
Avaliação sorológica e detecção molecular do Mycobacterium leprae 
 
 
Página 2 de 13 
AVALIAÇÃO SOROLÓGICA E DETECÇÃO MOLECULAR DO Mycobacterium leprae 
Yohan Lucas Gonçalves Corrêa (Bolsista PIBIC/CNPq) – yohanluks69@gmail.com 
Biomedicina, Instituto de Ciências Biológicas 
 
Prof. Dr. Moises Batista da Silva – moises@ufpa.br 
Instituto de Ciências Biológicas 
 
Palavras-chave: Hanseníase, Busca ativa, Epidemiologia. 
Título do projeto do orientador: O que tem sustentado a transmissão de hanseníase na ex-
colônia de Marituba, Pará? 
O Mycobacterium leprae um bacilo álcool-ácido resistente é o agente causador da hanseníase, 
uma infecção crônica que leva a desmielinização de nervos periféricos, lesões na pele e podendo 
causar incapacidades físicas. Atendendo ao preconizado pela Organização Mundial de Saúde, 
realizamos um estudo epidemiológico que avaliou a representatividade das notificações feitas 
pela URE-MC, de onde selecionamos 32 casos índices para a avaliação clínico-laboratorial de 
203 contatos de pacientes, tendo sido diagnosticados 31/203 (15,3%) casos novos. A positividade 
da titulação de IgM anti-PGL-I, no grupo de casos índices chegou a 81,3% (26/32), enquanto os 
casos novos presentaram positividade em 21/31 (67,7%) e de 73/172 (42,2%) dos contatos 
saudáveis. A detecção molecular da região RLEP, por qPCR entre os casos índices revelou 
positividade em 28/32 (87,5%), em 24/31 (77,4%) nos casos novos e 54/177 (32,3%) dos 
comunicantes que aceitaram realizar a coleta de raspado intradérmico dos lóbulos auriculares. A 
análise dos resultados de contatos clinicamente saudáveis que apresentaram positividade em 
ambos os testes laboratoriais foi de 19/172 (11%) e devem ser acompanhados durante alguns 
anos, pois além de apresentar marcador sorológico de exposição também foi positivo para a 
presença de DNA do bacilo M. leprae em seu organismo, entendendo que o teste de pPCR pode 
ser útil para detectar portadores assintomáticos. 
 
Classificação do trabalho na Tabela de Áreas do Conhecimento no CNPq. 
Grande-área: Ciências Biológicas 
Área: Microbiologia Aplicada 
Sub-área: Microbiologia Médica 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
A hanseníase é uma doença crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que pode ser 
transmitida de uma pessoa acometida pela hanseníase para uma pessoa suscetível à doença, 
levando a danos nos nervos periféricos, lesões na pele e podendo causar incapacidades físicas1. 
Devido a aspectos inerentes tanto ao patógeno, quanto ao hospedeiro que resultam em diversas 
Avaliação sorológica e detecção molecular do Mycobacterium leprae 
 
 
Página 3 de 13 
manifestações clínicas e complicações, um diagnóstico precoce da doença, bem como sua 
correta classificação, são requisitos essenciais para a garantia de um tratamento adequado 2. 
O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico, mas o diagnostico laboratorial 
pode auxiliar no diagnostico diferencial com outras doenças negligenciadas3. O teste 
considerado padrão ouro para o diagnostico dessa infecção é a baciloscopia, que tem como 
objetivo a visualização do bacilo com base na coloração da amostra de raspado subcutâneo dos 
lóbulos auriculares e cotovelos pelo método de Ziehl-Nielsen.4 
Se não tratada na forma inicial, a doença pode evoluir e torna-se transmissível, 
podendo atingir pessoas de qualquer sexo ou idade, inclusive crianças e idosos4. Essa 
evolução ocorre, em geral, de forma lenta e progressiva, podendo levar a incapacidades 
físicas. O curso da hanseníase, desde a exposição ao bacilo até o surgimento de lesões 
cutâneas e de nervo, ou cura espontânea, é determinado pela imunidade do hospedeiro. 
Frente a esta questão, Ridley e Jopling (1966) observaram a importância de classificar os 
pacientes em cinco grupos, os que apresentam pólos extremos e bem definidos: tuberculóides 
(TT) e virchowianos (VV); e pacientes que apresentam as formas intermediárias: dimorfo-
tuberculóides (DT), dimorfo-dimorfo (DD), dimorfo-virchowianos (DV). 
O principal avanço no diagnóstico laboratorial da hanseníase tem sido o 
desenvolvimento de ferramentas moleculares para a detecção do DNA do M. leprae em amostras 
clínicas, utilizando a técnica da reação em cadeia da polimerase (PCR)5,6. Os estudos 
imunológicos também são de grande importância para a compreensão das características 
epidemiológicas da hanseníase. A reatividade sorológica a antígenos do M. leprae foi 
demonstrada como uma ferramenta efetiva para avaliar a exposição ao agente infeccioso 7–11. 
Um importante antígeno do M. leprae é o Glicolipídeo Fenólico I (PGL-I)12, e por não 
se tratar de um antígeno proteico, o principal anticorpo na detecção da circulação do bacilo é a 
IgM e não uma IgG, já que os anticorpos não passam pela conversão (mudança) de cadeia de 
base pesada13. A técnica imunológica ELISA (enzime-linked immunosorbent assay) já 
demonstrou que a produção de anticorpos anti PGL-I tem relação com o espectro clínico da 
hanseníase, é um marcador imunológico para a carga bacilar e uma ferramenta auxiliar na 
classificação de pacientes14 e a presença dos anticorpos IgM anti-PGL-I em contatos e em 
população sadia indica a exposição aos antígenos bacilares e sugere a disseminação do bacilo 
em comunidades endêmicas 7,15–17. 
Seguindo o estabelecido pela OMS, a partir do diagnóstico de um caso de hanseníase, 
deve ser feita a investigação clínica de seus comunicantes intradomiciliares e socias, com o 
Avaliação sorológica e detecção molecular do Mycobacterium leprae 
 
 
Página 4 de 13 
objetivo de interromper a cadeia de transmissão da doença18,19. A avaliação de contatos é 
essencial na identificação de indivíduos oligossintomáticos, colaborando no diagnóstico e 
tratamento precoce evitando o estabelecimento de neuropatia da hanseníase e impedindo o 
estabelecimento de incapacidades físicas20. Contudo, de acordo com os dados oficiais do 
Sistema de Informação de Agravos de Notificação em 2017 apenas 48,6% dos contatos 
intradomiciliares dos casos de hanseníase entre brasileiros foram examinados21. A proporção de 
contatos examinados entre os contatos registrados é um indicador que pretende monitorar a 
efetividade das estratégias de atenção básica de saúde20. Para a devida avaliação de contatos são 
necessárias ações efetivas de saúde nas populações mais vulneráveis. 
 
2. OBJETIVOS 
2.1. Objetivo geral: Relacionar a titulação de anticorpos IgM anti-PGL-I com a progressão 
da hanseníase. 
 
2.2. Objetivos Específicos 
2.2.1. Titular IgM anti-PGL-I nas diferentes formas clínicas de casos novos de 
hanseníase e seus comunicantes. 
2.2.2. Titular IgM anti-PGL-I após o tratamento dos pacientes. 
2.2.3. Realizar a PCR em tempo real (qPCR) nos casos novos e comunicantes. 
2.2.4. Avaliar correlação entre a titulação de anticorpo circulante com aspectos clínico-
laboratoriais de comunicantes e casos novos de hanseníase. 
2.2.5. Avaliar a dispersão do bacilo relacionando a titulaçãoanti PGL-I e a positividade 
da qPCR. 
 
3. MATERIAIS E MÉTODOS 
 
3.1. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO: Para participar deste projeto foram selecionados 50 
casos índices e dentre esses escolhidos os que possuíam três ou mais contatos avaliados 
provenientes de 10 diferentes municípios do estado do Pará (Anapú, Belém, Breves, 
Cametá, Curralinho, Gurupá, Maracanã, Mocajuba, Nova Esperança do Piriá, 
Benevides). 
 
3.2. ELISA: Foi coletado 5ml de sangue periférico de cada indivíduo, retirado uma alíquota 
de plasma para a titulação de anticorpos anti-PGL-I, através de ELISA (Enzyme-Linked 
Avaliação sorológica e detecção molecular do Mycobacterium leprae 
 
 
Página 5 de 13 
Immunosorbent Assay), e leitura com filtro de 490nm. Após o processamento foi 
separado o plasma para a titulação de anticorpos IgM anti-PGL-1 com sensibilização por 
antígeno ND-O-BSA e a leitura será feita por espectrofotômetro em comprimento de 
onda de 490nm (GONÇALVES BARRETO et al., 2011). 
 
3.3. PCR QUANTITATIVA: Para a análise de qPCR é necessário extrair e armazenar em 
etanol 70% raspados intradermicos de ambos os indivíduos avaliados para extração total 
de DNA que é realizada seguindo as recomendações do fabricante (DNeasy Blood and 
Tissue Kit - Qiagen, Germantown, MD). Para a detecção de RLEP foi utilizada 10 ng de 
DNA total usando iniciadores 5'-GTGAGGGTAGTTGTT-3 ' (LP1) e 5' -
GGTGCGAATAGTT-3' (LP2), um corante de ligação fluorescente SYBR green e um 
sistema de diagnóstico específico (Applied Biosystems® 7500 Real-Time PCR 
Systems). Para determinar a positividade por amplificação de qPCR foi estabelecida uma 
curva padrão, preparada a partir do DNA purificado de M. leprae extraído após o 
processamento de pata de camundongo (seis meses após a inoculação). Foi feita uma 
suspensão (109 bacilos/mg) para 1 mg de extração de DNA. A curva padrão foi composta 
por cinco pontos e foi realizada por diluição seriada (1:100 a 1:5000). Os resultados 
foram obtidos de acordo com o primeiro limite de ciclo de detecção de sinal fluorescente 
(Ct), criando um limiar automático (ΔCt) de 0,2. Esta curva foi realizada em cada placa 
e duas amostras negativas são adicionadas em cada experimento. 
 
3.4. ASPECTOS ÉTICOS: Participaram da seleção apenas os indivíduos que concordaram 
em assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), excluindo os 
indivíduos que se recusaram a participar deste estudo 
 
3.5. ANÁLISE ESTATÍSTICA: Utilizamos a plataforma GraphPad 6 para realização da 
estatística descritiva das populações que compõe o estudo, bem como o teste de Mann-
Whitney para avaliação das titulações de IgM anti-PGL-I, por tratar-se de amostras não 
pareadas, e variável não paramétrica (que não apresentam distribuição Gaussiana), com 
nível de significância de p < 0,05. 
 
 
 
 
 
Avaliação sorológica e detecção molecular do Mycobacterium leprae 
 
 
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4. RESULTADOS 
 
Realizamos um estudo epidemiológico que avaliou a representatividade das 
notificações feitas pela URE-MC frente as notificações estaduais com os mais recentes dados 
disponibilizados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação - SINAN (2018), 
com dados de 2017.Naquele ano foram notificados 5.092 casos novos na região Norte do 
Brasil pelo SINAN, com 2.510 notificações somente no estado do Pará. Destas notificações 
20,5% (515/2.510) foram feitas pela URE Dr. Marcello Cândia, localizada na ex-colônia de 
hansenianos de Marituba-Pa. Os casos notificados pela URE-MC abrangem 47,9% (69/144) 
municípios do estado, sendo a maioria dos pacientes oriundos da região metropolitana de 
Belém 66% (340/515), esse percentual demostra a falta de efetividade da atenção básica em 
saúde mesmo na capital do estado em diagnosticar pessoas atingidas pela hanseníase, sendo a 
cobertura de atenção básica desse município de 38,8% (Figura 01). 
Trabalho publicado em 2015 confirma que 50% da população brasileira não é coberta 
pela estratégia saúde da família (ESF), que é responsável pela detecção dos casos da doença, 
dificultando ainda mais o diagnóstico dos casos nas formas iniciais da doença 22. As 
notificações de casos novos realizadas pela URE-MC neste mesmo período representaram 
377/515 (73,2%), destes 319/377 (84,6%) diagnosticados nas formas multibacilares (MB) e 
que apresentaram algum grau de incapacidade física em 144/377 (38,2%) desses casos. O que 
evidenciou o atraso diagnóstico, causando represamento de casos por falta de cobertura das 
estratégias públicas de saúde e isso reflete na permanência da elevada carga da doença nas 
áreas de situação econômica desfavorável 23. 
 
Figura 01 – Distribuições das populações segundo as notificações realizadas pela URE Dr. 
Marcello Cândia no ano de 2017 
Avaliação sorológica e detecção molecular do Mycobacterium leprae 
 
 
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Após o reconhecimento do padrão epidemiológico local, foi feita uma seleção de 
famílias atendidas para avaliar a importância de testes laboratoriais no auxílio do diagnóstico. 
Dentre indivíduos atendidos entre os anos de 2016 e 2019 na URE-MC foram selecionados 
casos índices que possuíam três ou mais contatos avaliados, gerando um total de 32 casos 
índices e 203 contatos, provenientes de 10 diferentes municípios do estado do Pará (Anapú, 
Belém, Breves, Cametá, Curralinho, Gurupá, Maracanã, Mocajuba, Nova Esperança do Piriá 
e Benevides). 
Os contatos intradomiciliares, assim como os casos índices, foram avaliados pelo 
hansenologista e, com apoio da equipe multiprofissional, foi feito coleta de material biológico 
de raspado intradérmico dos lóbulos auriculares e coleta de sangue periférico. Alguns desses 
indivíduos foram até a URE-MC, enquanto outros foram avaliados por busca ativa, devido à 
impossibilidade da vinda à unidade de saúde em ações de busca ativa. 
Os 32 casos índices e eram em sua maioria homens 18/32 (56,3%) que apresentavam 
idade média de 33 anos, todos multibacilares (Figura 02A), sendo a principal forma clínica a 
dimorfo-tuberculóide 21/32 (65,6%), 04/32 (12,5%) dimorfos-virchowianos, 04/32 (12,5%) 
com a forma neural pura e 03/32 (9,4%) com a forma dimorfa-dimorfa. A maior frequência 
de formas MB é relevante, pois a alta baciloscopia propicia a dispersão do bacilo, além de 
indicar o diagnóstico tardio desses pacientes 24–27. 
Os 203 contatos de pacientes eram predominantemente mulheres 55,7% (113/203), 
com idade média de 34 anos, tendo sido diagnosticados 31/203 (15,3%) como casos novos 
(Tabela 2), um percentual muito superior aos 9,9% de detecção de casos novos de hanseníase 
entre contatos descritos no Boletim Epidemiológico Especial da Secretaria de Vigilância em 
Saúde do Ministério da Saúde2. Ações como as realizadas nesse projeto atende a diretrizes 
da estratégia de detecção ativa para a descoberta de casos, realizando o diagnóstico da 
maneira mais precoce possível, contribuindo para a queda da cadeia de transmissão e 
reduzindo, consequentemente, as incapacidades físicas que surgem em decorrência do atraso 
no diagnóstico. 
Os casos novos diagnosticados entre os comunicantes intradomiciliares, 19/31 
(61,3%) classificados como dimorfo-tuberculóides, 11/31 (35,5%) com a forma neural pura 
e 01/31 (3,2%) com a forma Virchowiana da doença (Figura 02B). 
Avaliação sorológica e detecção molecular do Mycobacterium leprae 
 
 
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1 2 .5 0 % 4 /3 2 - N e u ra l p u ra
6 5 .6 3 % 2 1 /3 2 - d im o r fo - tu b e rc u ló id e
9 .3 8 % 3 /3 2 - d im o rfa -d im o ra
1 2 .5 0 % 0 4 /3 2 - d im o rfo s -V irc h o v ia n a
6 1 .2 9 % 1 9 /3 1 D im o rfo -T u b e rc u ló id e
3 5 .4 8 % 1 1 /31 N eu ra l p u ra
3 .2 3% 0 1 /3 1 V irch o v iana
A B
 
Figura 02: Distribuição dos casos índices (A) e casos novos entre comunicantes (B) de 
acordo com a classificação e Ridley & Joplin 
 
Os casos novos forampredominantemente mulheres 58,1% (18/31), mostrando assim 
que esse grupo populacional comparece mais em unidades de saúde para o controle de 
comunicantes, assim, nosso achados concordam com dados de hanseníase entre mulheres, 
incluindo prevalência, características clínicas, evidenciando que a triagem, tratamento e 
reabilitação de mulheres com hanseníase são aspectos que devem ser levados em 
consideração nos programas de controle da hanseníase em países com maior endemicidade, 
como Índia 28 e Brasil. 
A detecção das formas multibacilares (MB) apresentam maior frequência nos 
homens do que nas mulheres, essa intensidade é entendida pelo fato da existência da maior 
exposição ao bacilo e pelo baixo cuidado das pessoas do sexo masculino com a saúde, o que 
atrasa o diagnóstico e eleva o risco para o desenvolvimento de incapacidades físicas29. Porém 
é importante ressaltar o aumento do número de casos no sexo feminino, que pode ser 
decorrente do aumento de mulheres infectadas, ou devido a uma maior identificação dessas 
portadoras, pelo fato de terem mais acesso ao serviço de saúde e serem mais preocupadas 
com a autoimagem do que os homens30. Diante dessa situação e considerando as orientações 
da OMS, a investigação epidemiológica de acordo com o sexo é de suma importância para 
a formulação e implementação de políticas públicas para o combate a hanseníase. 
Dentre os indivíduos que realizaram o teste de titulação de IgM anti-PGL-I, no grupo 
de casos índices 81,3% (26/32) pessoas apresentaram resultado positivo em 26/32 (81,3%), 
Avaliação sorológica e detecção molecular do Mycobacterium leprae 
 
 
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com mediana de 0,9215, enquanto os casos novos presentaram positividade em 21/31 
(67,7%) com mediana de 0,4973 e 73/172 (42,2%) dos contatos saudáveis foram 
apresentaram titulação positiva, com mediana de 0,319 (figura 03). 
D
e
n
s
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 Ó
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c
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4
9
0
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C a s o s In d ic e C as o s n o v o s C o n ta to s s au d áv e is
0
1
2
3
C u t- o f f
0.0011p =
p < 0.0001
 
Figura 03. Titulação do Anti-corpo IgM anti-PGL-I nas populações avaliadas. 
 
A elevada positividade observada entre casos índices e casos novos é esperada, já 
que esses indivíduos estão infectados, contudo a positividade entre os comunicantes 
saudáveis reafirma achados sore a exposição ao bacilo de Hansen relatada em outros 
trabalhos e concordando com a hipótese de que ainda existem casos não diagnosticados de 
hanseníase na população31,32, evidenciando que o serviço de vigilância epidemiológica ainda 
não tem alcançado sucesso em atender as diretrizes do Ministério da Saúde definidas para o 
controle epidemiológico da doença1. 
A detecção molecular da região RLEP, por qPCR entre os casos índices revelou 
positividade em 28/32 (87,5%), em 24/31 (77,4%) nos casos novos e 54/177 (32,3%) dos 
comunicantes que aceitaram realizar a coleta de raspado intradérmico dos lóbulos auriculares 
(figura 04). 
 
Avaliação sorológica e detecção molecular do Mycobacterium leprae 
 
 
Página 10 de 13 
C
t
C a so s Ind ic e C a so s no vo s C o nta to s sa ud á ve is
2 0
2 5
3 0
3 5
4 0
4 5
5 0
0.0258p =
0.0063p =
 
Figura 04. Resultados do número de ciclos para detecção da região RLEP por PCR em 
Tempo Real (qPCR). As amostras dos raspados intradérmicos dos lóbulos auriculares 
 
O acompanhamento dos contatos com qPCR positivo é importante para avaliar o 
aparecimento de sintomas clínicos no decorrer dos anos, já que é uma doença de 
desenvolvimento lento e progressivo e foi atestado a existência do DNA do M. leprae em 
material biológico desses indivíduos, visto que a Reação em Cadeia Polimerase é importante 
ferramenta no diagnóstico precoce da hanseníase, por ser altamente sensível e específico, 
conseguindo detectar pequenas quantidades do DNA alvo nos tecidos dos pacientes33,34. 
A análise dos resultados de contatos clinicamente saudáveis que apresentaram 
positividade em ambos os testes laboratoriais foi de 19/172 (11%) e devem ser 
acompanhados durante alguns anos, pois além de apresentar marcador sorológico de 
exposição também foi positivo para a presença de DNA do bacilo M. leprae em seu 
organismo, entendendo que o teste de pPCR pode ser útil para detectar portadores 
assintomáticos. 
 
3. PERSPECTIVAS 
O referido aluno dará continuidade ao projeto, com a ampliação do tamanho 
amostral, bem como o acompanhamento – junto a equipe multiprofissional da Laboratório 
de Dermato-Imunologia e da URE Dr. Marcello Candia - dos contatos com dupla 
positividade. 
 
 
 
Avaliação sorológica e detecção molecular do Mycobacterium leprae 
 
 
Página 11 de 13 
4. DIFICULDADES 
Considerou-se como limitação deste estudo a pandemia de Coronavírus 2019-
2020, impedindo o retorno as cidades citadas no projeto para a coleta de dados. As demais 
dificuldades encontradas ao longo do processo de realização das técnicas e análises de 
dados são superadas com a ajuda dos professores e profissionais do laboratório e da URE 
Dr. Marcello Candia. 
 
5. CONCLUSÕES 
Identificamos então que esses testes podem ser metodologias validas como 
ferramentas auxiliares para a classificação dos pacientes e viável aplicação na 
identificação de portadores sadios e com infecção subclínica entre contatos domiciliares, 
além de indicar quando fazer um diagnóstico para hanseníase em ocasiões de suspeita e 
selecionar quais indivíduos clinicamente saudáveis necessitam de acompanhamento de 
saúde mais próximo, em especial aqueles que possuem positividade em ambos os testes. 
 
8. REFERENCIAS BILIOGRAFICAS 
1. Ministério da Saúde. Diretrizes para a vigilância, atenção e eliminação da Hanseníase como problema de 
saúde pública: manual técnico-operacional. Ministério da Saúde (2016). doi:978-85-334-2348-0. 
2. World Health Organization, Organização Pan-Americana de Saúde & Brasil, M. da S. Estratégia Global 
Aprimorada para Redução Adicional da Carga da Hanseníase (2011-2015). Organização Mundial de 
Saúde (2010) doi:10.1017/CBO9781107415324.004. 
3. Roset Bahmanyar, E. et al. Leprosy Diagnostic Test Development As a Prerequisite Towards Elimination: 
Requirements from the User’s Perspective. PLoS neglected tropical diseases 10, e0004331 (2016). 
4. Brasil, M. D. S. Guia prático sobre a hanseníase. Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de 
Vigilância e Doenças Transmissíveis (2017). 
5. Scollard, D. M., Gillis, T. P. & Williams, D. L. Polymerase chain reaction assay for the detection and 
identification of Mycobacterium leprae in patients in the United States. American journal of clinical 
pathology 109, 642–6 (1998). 
6. Braet, S. et al. The repetitive element RLEP is a highly specific target for detection of Mycobacterium 
leprae. Journal of Clinical Microbiology 56, e01924-17 (2018). 
7. Moura, R. S. de, Calado, K. L., Oliveira, M. L. W. & Bührer-Sékula, S. Leprosy serology using PGL-I: a 
systematic review. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 41 Suppl 2, 11–18 (2008). 
8. Richardus, R. A. et al. Longitudinal assessment of anti-PGL-I serology in contacts of leprosy patients in 
Bangladesh. 11, e0006083 (2017). 
9. Spencer, J. S. et al. Identification of serological biomarkers of infection, disease progression and treatment 
efficacy for leprosy. Memorias do Instituto Oswaldo Cruz 107, 79–89 (2012). 
10. Brasil, M. T. L. R. F. et al. Anti PGL-1 serology and the risk of leprosy in a highly endemic area in the 
State of São Paulo, Brazil: four-year follow-up. Revista Brasileira de Epidemiologia 6, 262–271 (2003). 
Avaliação sorológica e detecção molecular do Mycobacterium leprae 
 
 
Página 12 de 13 
11. Leturiondo, A. L. et al. Performance of serological tests PGL1 and NDO-LID in the diagnosis of leprosy 
in a reference Center in Brazil. BMC Infectious Diseases 19, 22 (2019).12. Spencer, J. S. & Rennan, &p A. B. The Role of Mycobacterium leprae Phenolic Glycolipid I(PGL-I) in 
Serodiagnosis and in the Pathogenesis of Leprosy. 
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PARECER DO ORIENTADOR: O bolsista apresentou desempenho condizente ao esperado e 
dedicou-se as atividades de seu projeto. 
 
Belém, 20 de julho de 2020 
 
_________________________________________ 
ASSINATURA DO ORIENTADOR 
 
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ASSINATURA DO ALUNO

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