Prévia do material em texto
Gestão de Pessoas Créditos Centro Universitário Senac São Paulo – Educação Superior a Distância Diretor Regional Luciana Marcheze Miguel Luiz Francisco de Assis Salgado Luciana Saito Mariana Valeria Gulin Melcon Superintendente Universitário Mônica Maria Penalber de Menezes e de Desenvolvimento Mônica Rodrigues dos Santos Luiz Carlos Dourado Nathália Barros de Souza Santos Reitor Paula Cristina Bataglia Buratini Sidney Zaganin Latorre Renata Jessica Galdino Sueli Brianezi Carvalho Diretor de Graduação Thiago Martins Navarro Eduardo Mazzaferro Ehlers Wallace Roberto Bernardo Diretor de Pós-Graduação e Extensão Equipe de Qualidade Daniel Garcia Correa Ana Paula Pigossi Papalia Gerentes de Desenvolvimento Aparecida Daniele Carvalho do Nascimento Claudio Luiz de Souza Silva Gabriela Souza da Silva Luciana Bon Duarte Vivian Martins Gonçalves Roland Anton Zottele Coordenador Multimídia e Audiovisual Sandra Regina Mattos Abreu de Freitas Adriano Tanganeli Coordenadora de Desenvolvimento Equipe de Design Audiovisual Tecnologias Aplicadas à Educação Adriana Matsuda Regina Helena Ribeiro Caio Souza Santos Coordenador de Operação Camila Lazaresko Madrid Educação a Distância Carlos Eduardo Toshiaki Kokubo Alcir Vilela Junior Christian Ratajczyk Puig Danilo Dos Santos Netto Professor Autor Hugo Naoto Márcia Wélita da Silva Inácio de Assis Bento Nehme Revisor Técnico Karina de Morais Vaz Bonna Keli Cristiane Vido Lucas Monachesi Rodrigues Marcela Corrente Técnico de Desenvolvimento Marcio Rodrigo dos Reis Elizabeth Ribeiro Renan Ferreira Alves Coordenadoras Pedagógicas Renata Mendes Ribeiro Ariádiny Carolina Brasileiro Silva Thalita de Cassia Mendasoli Gavetti Izabella Saadi Cerutti Leal Reis Thamires Lopes de Castro Nivia Pereira Maseri de Moraes Vandré Luiz dos Santos Victor Giriotas Marçon Equipe de Design Educacional William MordochAlexsandra Cristiane Santos da Silva Angélica Lúcia Kanô Equipe de Design Multimídia Cristina Yurie Takahashi Alexandre Lemes da Silva Diogo Maxwell Santos Felizardo Cláudia Antônia Guimarães Rett Elisangela Almeida de Souza Cristiane Marinho de Souza Flaviana Neri Eliane Katsumi Gushiken Francisco Shoiti Tanaka Elina Naomi Sakurabu Gizele Laranjeira de Oliveira Sepulvida Emília Correa Abreu João Francisco Correia de Souza Fernando Eduardo Castro da Silva Juliana Quitério Lopez Salvaia Jussara Cristina Cubbo Mayra Aoki Aniya Kamila Harumi Sakurai Simões Michel Iuiti Navarro Moreno Karen Helena Bueno Lanfranchi Renan Carlos Nunes De Souza Katya Martinez Almeida Rodrigo Benites Gonçalves da Silva Lilian Brito Santos Wagner Ferri Gestão de Pessoas Aula 01 Evolução do Processo de Gestão de Pessoas Objetivos Específicos • Entender os objetivos, a importância da evolução e transição do processo de (ARH) para Gestão de Pessoas. Temas Introdução 1 Um pouco de história 2 Evolução da administração de recursos humanos Considerações finais Referências Professora Marcia Welita da Silva Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 Introdução Ao longo dos últimos anos, a gestão de pessoas tem ganhado força e dimensão dentro das organizações. O principal fator para esta mudança são os indivíduos, que passaram a ocupar posição relevante no planejamento e na estrutura das empresas. O desenvolvimento tecnológico e econômico acarretou mudanças no sistema de produção e, como consequência, mudanças também na vida e nos hábitos dos cidadãos. Por exemplo, no passado, profissões como serralheiro, funileiro e algumas profissões da indústria como metalúrgico eram vistas com “status”, pois era necessário realizar um curso técnico e, logo após, o emprego era adquirido. Com o decorrer do tempo, estas profissões foram tomando outras formas de trabalhos e a tecnologia em alguns momentos do processo passou a substituir o homem que teoricamente deveria estar preparado para toda esta evolução, o que infelizmente não aconteceu. Com isso, algumas profissões se tornaram obsoletas e outras sofreram uma metamorfose natural se adaptando ao novo contexto. O objeto de estudo não se resume apenas em estudar a estrutura interna de uma empresa, mas também como estão delineados os processos de Gestão de Recursos Humanos. No entanto, analisaremos como atuar em relação ao ser humano e quais as ferramentas que podemos utilizar enquanto gestores de pessoas ou áreas de Recursos Humanos para criar, resgatar ou criar novos talentos, identificar os pontos fracos para aperfeiçoar e os pontos fortes, desenvolvê-los em prol do objetivo que a empresa busca sempre atentando à motivação do colaborador. Ao se formular as estratégias e a estrutura empresarial, é necessário considerar as características das pessoas que apresentam diversas formas de serem estimuladas e, em conjunto, adequar os métodos de trabalho à visão da empresa. As pessoas devem ser alinhadas ao objetivo da organização de acordo com seu desempenho e competência. O capital intelectual se tornou forte fator competitivo. O papel da gestão de pessoas é criar ferramentas que possibilitem a valorização de cada funcionário de forma eficiente. É fundamental para o sucesso de uma organização ter boas estratégias ligadas a sua equipe, atreladas principalmente à formação de competências. 1 Um pouco de história Vamos voltar no tempo para acompanhar a evolução do trabalho ao longo da história. As organizações passam continuamente por diversas mudanças, essas mudanças surgem por questões tecnológicas, culturais, de mercado e concorrência, podemos considerar essas mudanças inclusive para os processos internos existentes na empresa. Todas essas transformações acabam afetando a sociedade direta ou indiretamente, pois as pessoas que estão no mercado de trabalho buscam se manter e estar dentro do perfil atualmente requerido. No entanto, para chegarmos neste cenário o processo de gestão de pessoas Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 passou por vários momentos na história, como segue: • Pré-história: a principal atividade dos homens era a caça. Começa nesse período a noção de trabalho coletivo. A força do grupo de guerreiros obtinha mais sucesso em sua atividade do que o esforço individual para capturar um animal e levá-lo ao grupo. • Era mercantil: o desenvolvimento das navegações marcou esse período. Aqui, podemos acompanhar o início das trocas culturais e de informação. A expansão comercial proporcionou novos negócios entre regiões distantes. Este período também é marcado pelo desenvolvimento intelectual. O avanço das negociações comerciais criou uma classe burguesa em ascensão em constante busca de conhecimento. • Era industrial: os principais aspectos desse período são a introdução das máquinas e o conceito de empregado e empregador em um âmbito oficial. O surgimento das fábricas formou uma classe operária. Não apenas as máquinas industriais à vapor, mas também a impressão se desenvolveu. O acesso ao conhecimento e informação se tornaram facilitados com a circulação impressa. • Era tecnológica e de conhecimento: todas as mudanças e novidades inseridas no modo de produção e nas relações exigiram que as pessoas se adaptassem para saber lidar e utilizar da maneira mais eficiente. Surge então a necessidade de especialização. O conceito do período anterior que considerava o ser humano uma extensão das máquinas deu lugar à exigência de especialização. O capital intelectual começa a ser valorizado. As pessoas buscam se aprimorar constantemente e se diferenciar umas das outras. (CHIAVENATO, 2009) Quadro 1 – As três etapas das organizações no decorrer do século XX Industrialização Clássica Industrialização Neoclássica Era da Informação Período 1900 - 1950 1950-1990 1950-1990 Estrutura organizacionalpredominante Funcional, burocrática, pyramidal, centralizadora, rígida e inflexível. Ênfase nos órgãos. Matricial enfatizando partamentalização por produtos/serviços ou unidades estratégicas. Fluída e flexível, totalmente descentralizada, redes de equipes multifuncionais. Cultura organizacional Foco no passado, nas tradições e nos valores. Ênfase na maniutenção do status quo. Valor à experiência anterior. Transição. Foco no presente e no atual. Ênfase da adapatação ao ambiente. Teoria Y. Foco no futuro e no destino. Ênfase na mudança e na inovação. Valor ao conhecimento e à criatividade. Fonte: Chiavenato (2009, p. 22). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 1.1 Entendendo o desenvolvimento A revolução industrial foi o grande marco para o início das mudanças nas relações. Nesse período, houve a transição da forma como eram produzidos os bens, de artesanal para mecanizado, a inserção de novos processos e tecnologias influenciou o estilo de vida das pessoas que passaram a ter disponíveis novas experiências e um novo cotidiano. Estas mudanças aconteciam, ainda que de forma lenta. O ano de 1950 marcou o fortalecimento dos grupos trabalhistas, de organizações sindicais e também o aumento da velocidade das mudanças. A área de recursos humanos seguia um modelo burocrático que não permitia acompanhar os novos acontecimentos e administrar os conflitos. A tecnologia influenciou as pessoas em seu modo de vida pessoal e alterou suas atitudes e expectativas profissionais (CHIAVENATO, 2009). A partir de 1960, as pessoas passaram a ser vistas como agentes fundamentais no funcionamento das empresas. Assumiram grau de importância deixando para trás a comparação com um simples recurso de produção. Na década seguinte, surge a formação do conceito mais estruturado de administração de recursos humanos. Sendo as pessoas consideradas essenciais para o sucesso das organizações, os processos, métodos de trabalho e tratamento deveriam se adequar a esse novo patamar. Os objetivos pessoais de cada indivíduo teriam que ser alinhados ao objetivo da organização. A sociedade desenvolvida exigia organizações e sistemas mais complexos. Com a revolução industrial, mecanização e surgimento de novas tecnologias, além da mão-de-obra qualificada foram revistos também os processos internos. As mudanças não impactavam apenas nas organizações e partes integrantes, e sim na sociedade como um todo, necessidades e opiniões da sociedade também sofreram influências e mudanças. Surgiu assim uma estrutura de gestão padronizada com intuito de atender essa nova necessidade. Os processos operacionais evoluíram e as pessoas passaram a ser vistas como parceiras e não meras extensões das máquinas. Tornaram-se peça-chave para fazer com que as organizações alcançassem seus objetivos. Para o bom desempenho, seriam alinhados os interesses das pessoas e empresas. A satisfação tanto empresarial como do pessoal, se tornaram interdependentes (CHIAVENATO, 2009). A velha concepção de Relaçoes Industriais foi substituída por uma nova visão de Administração de Recursos Humanos. As pessoas como recursos vivos e não como fatores inermes de produção. A tecnologia passou por incrível e intenso desenvolvimento e começou a influenciar poderosamente a vida dentro das organizações e as pessoas que delas participavam. (CHIAVENATO, 2009, p. 20) A empresa precisa de pessoas qualificadas e motivadas desempenhando seu papel, e as pessoas precisam estar inseridas em um ambiente profissional para alcançar os seus objetivos pessoais. Na tabela abaixo, podemos ver as etapas pelas quais as organizações passaram ao Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 longo dos últimos anos, considerando principalmente a mudança de posição que o ser humano ocupa. O sistema de administração sofreu influências da tecnologia e globalização, sentindo a necessidade de valorizar as características pessoais dos funcionários e incentivando a busca de aprimoração, para que fosse possível manter uma posição favorável no mercado e diante de seus concorrentes. Criar métodos para reter o profissional ganhou foco. Quadro 2 – As três etapas das organizações no decorrer do século XX (continuação) Industrialização Clássica Industrialização Neoclássica Era da Informação Ambiente organizacional Estático, prevísivel, poucas e gradativas mudanças. Poucos desafios ambientais. Intensificação das mudanças e com maior velocidade. Mutável, imprevisível, turbulento, com grandes e intensas mudanças. Modo de lidar com as pessoas Pessoas como fatores de produção inertes e estáticos, sujeitos a regras e a regulamentos rígidos para serem controlados. Pessoas como recursos organizacionais que precisam ser administrados. Pessoas como seres humanos proativos dotados de inteligência e habilidades e que devem ser impulsionados. Denominação Relações Industriais. Administração de Recursos Humanos. Administração de Pessoas. Fonte: Chiavenato (2009, p. 23). Explicando com mais detalhes a tabela representa as três etapas das organizações. No início da Industrialização, na era Clássica, foram inseridas novas ferramentas de trabalho, substituindo muitas vezes o trabalho totalmente ativo do homem. As pessoas ocupavam uma posição por trás das máquinas que não lhes exigia grande nível técnico ou mesmo crítico. Com o passar dos anos, novas formas de tecnologia foram inseridas, modificando a forma de produção. As mudanças passaram a acontecer de forma mais rápida e frequente e não somente as ferramentas de trabalho, mas o modo de vida foi afetado. Houve uma mudança no pensamento de todos os cidadãos e foi na Industrialização Neoclássica que a denominação “homem ferramenta de trabalho” deu lugar ao início do sistema de administração de recursos humanos. As novas informações e necessidades do dia a dia fizeram necessária a criação de um modelo de gestão que valorizasse o homem como ser crítico, com seus próprios ideiais. Na era da informação, as mudanças ocorrem de forma muito mais constante que no período anterior, criando um ambiente imprevisível. O modelo sistemático dá lugar à habilidade de adaptação e reformulação com rapidez. A capacidade de aprender e desenvolver novas competências colocou o ser humano em um elevado grau de importância. Entender as Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 necessidades do pessoal, criar uma estrutura de incentivos e gestão se tornaram necessárias para manter uma equipe eficiente e em constante busca de aprendizado, possibilitando que as organizações alcancem seus objetivos através do capital intelectual de seu quadro. 2 Evolução da administração de recursos humanos A área de recursos humanos nas organizações vem sofrendo mudanças e adaptações ao longo dos anos. No princípio, as pessoas eram vistas apenas como mão-de-obra, a força braçal que desempenharia as atividades nas empresas. Dessa forma, não se fazia necessário ter uma área complexa dedicada à administração do pessoal e seus interesses. As questões eram basicamente trabalhistas. O desenvolvimento da tecnologia trouxe grandes avanços que impactaram em transformações nas organizações. As pessoas, bem como as organizações, possuem características diferentes entre si e faz parte da estratégia da administração criar recursos que adequem o sistema aos diferentes ambientes e experiências, acompanhando essa evolução (CHIAVENATO, 2009). A globalização possibilitou a integração de pessoas, países, tecnologia e conhecimentos, revisar o conceito de administração do pessoal foi uma necessidade. O modelo de administração pouco estruturado einflexível que antes existia deu lugar a uma reformulação interna que posicionou as empresas em um patamar competitivo diante de todas as novas oportunidades criadas a cada dia. A mão-de-obra vista como ferramenta para executar atividades e serviços passou a ser reconhecida como peça essencial para o alcance dos objetivos determinados pela organização. O que antes era oferta fácil e abundante deu lugar à necessidade de qualificação para ocupar as vagas oferecidas. A administração de recursos humanos passou então a rever a cultura interna das organizações a fim de criar medidas para estimular os funcionários ao desenvolvimento intelectual e pessoal, por meio de novas condições de trabalho e incentivos. Quando se fala em cultura interna, se engloba o sentimento e atitude individual atuando em nível da organização. A administração de recursos humanos é a responsável por acompanhar e entender as necessidades e características de cada indivíduo, para que consiga manter uma estrutura adequada de satisfação do grupo. Funcionários frustrados não oferecem um bom desempenho. A gestão de pessoas é definida como uma atividade que integra as pessoas com a atividade, estratégia e objetivos da empresa. A referência a esses objetivos, determinados pela diretora administrativa, é o que se faz necessário para que as pessoas se mantenham determinadas a oferecer todo o seu potencial, além de buscar aprimoramentos a fim de aumentar a contribuição. A retenção do profissional qualificado passou a ser fator competitivo. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 À medida que o pessoal passou a ser visto como peça-chave para o sucesso das organizações, toda a estrutura e tipo de gestão foi modificada. Passou a ser de suma importância criar um ambiente que transmitisse valores e oportunidades atraentes ao profissional. Surgiu então a necessidade de saber lidar com pessoas. O antigo modo operacional que tratava de aspectos da organização se expandiu para o todo, deixou de ser algo focado em um único departamento. Criar uma estratégia passou a ser importante não apenas para conseguir vantagem competitiva perante o mercado e demais empresas, mas também conquistar e reter talentos. O talento do ser humano se tornou a chave para o bom desempenho e sucesso. A evolução e importância do processo de administração de recursos humanos para a gestão de pessoas é mais bem entendida quando se conhece sua história. Os anos passaram e as mudanças no século hoje acontecem de forma muito rápida, estamos na era da informação que tem como prinicipais caraterísticas a questão de não existir mais uma notícia ou conhecimento regional. O mundo está interligado. A gestão de pessoas nos últimos anos passou a abranger principalmente parte da estratégia das empresas. O desenvolvimento dos últimos anos acompanhou a evolução dos acontecimentos de uma economia globalizada, tecnológica e competitiva. Conquistar a forma eficaz de acompanhar essa evolução é o grande desafio da área. O ambiente organizacional interage com os fatores externos e influencia os comportamentos individuais. O modelo de administração impacta o dia a dia de todos os elementos e pessoas envolvidas. A qualidade de vida das pessoas, o modo como desenvolvem suas funções, as oportunidades a que estão sujeitas proporcionam satisfação pessoal e alcance dos objetivos. Esse modelo de administração está interligado também ao objetivo da organização. O propósito da empresa e o papel que pretende desempenhar na sociedade necessitam de um plano motivacional e estímulo da aprendizagem aos funcionários para o posicionamento bem sucedido. Definir a estrutura da administração de pessoas, porém, exige mais que a orientação ao estímulo pessoal. É preciso considerar que em um mundo globalizado as influências são diversas e constantes, sendo de extrema importância considerar a diferença entre as pessoas, a maneira como recebem e percebem as oportunidades e informações, bem como diferenças entre organizações. Cada instituição estabelece suas normas, valores, cultura e clima organizacionais, e deve existir uma estrutura que estimule os integrantes para que o trabalho funcione em harmonia. O método de trabalho deve estar organizado para funcionar em um ambiente de mudanças constantes e novas informações. O modelo engessado e sem flexibilidade que antes era aplicado não se adequa a mudanças tão rápidas, tanto para a estrutura interna, como para atender a necessidade do cliente que dispõe de opções diversas no grande universo competitivo. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 9 O desenvolvimento de tecnologia trouxe grandes avanços que impactaram em transformações nas organizações. As pessoas, bem como as organizações, possuem características diferentes entre si e faz parte da estratégia da administração criar recursos que adequem o sistema aos diferentes ambientes e experiências, acompanhando essa evolução. Neste contexto da busca por adequação e atendimento das mudanças do mercado, a área de recursos humanos é responsável por criar incentivos que motivem seus colaboradores a alavancar resultados. Estes incentivos podem ser novos componentes na remuneração que engloba salários e benefícios, assim como políticas atrativas de retenção como plano de carreira. A percepção de benefícios para os colaboradores é relativa, pois alguns deles entendem que o benefício pode ser em relação aos incentivos, tais como: vale-transporte, vale- alimentação, aumento de salário e promoção, já para para outros colaboradores o benefício pode vir por uma equipe estruturada que atua em conjunto, ou quando são reconhecidos pelo bom trabalho executado ou uma melhor qualidade de vida. Neste caso, o benefício não é vinculado diretamente à questão financeira, pois o colaborador já incorporou estes itens. Os aspectos de criatividade, inteligência, competências e iniciativa são levados em consideração. E não apenas isso. Deve ser considerado também que todas essas características são diferentes de pessoa para pessoa. O esforço coletivo vai formar a força produtiva e intelectual para concluir os objetivos propostos pela empresa, porém, a personalidade é uma variável importante, uma vez que cada um dos integrantes do grupo deve estar estimulado individualmente e disposto a contribuir para uma ação. 2.1 Objetivos da administração de recursos humanos O estudo da administração de recursos humanos busca oferecer estratégias e ferramentas para estímulo e interação entre pessoas e empresa, considerando as diferentes formas com que percebem os aspectos disponíveis. Manter uma equipe satisfeita é um dos pontos importantes para tal, o departamento de recursos humanos deve ter visão sistêmica de toda a empresa e suas variáveis. Todos os insumos recebidos pela organização são transformados em serviços e produtos finais e recompensas para seus membros. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 10 O segundo ponto importante é se certificar de que esses membros se mantêm em constante atualização. A dinâmica dos relacionamentos e ambientes, as trocas de informações em esfera global necessitam de uma estrutura flexível que se adapte ao ambiente e se devolva. As pessoas têm a capacidade de influenciar e utilizar a informação direcionando ao sucesso e sua personalidade, habilidade, desejo pelo desenvolvimento pessoal vão conduzir ao sucesso a organização. O processo de gestão evolui à medida que permite que as pessoas da equipe possam satisfazer suas necessidades, tanto pessoais, econômicas, emocionais e intelectuais, e através do conjunto de suas atividades entregue ao mercadodivertimento, informação, bens e serviços. A administração de recursos humanos passou a ter uma visão moderna e democrática, revendo as políticas ultrapassadas e criando estruturas que tratam de forma diferente a visão das pessoas e organizações. O objetivo definido pela empresa vai se encaminhar para o sucesso quando a estratégia ocupar lugar de importância. O ser humano passa a fazer parte dessa estratégia, trazendo vantagem competitiva e dinâmica, com vigor e inteligência. Devemos considerar que o planejamento da carreira tem sido visto de forma diferente também por parte do profissional. De um lado, as suas competências são fundamentais nas análises para contratações, de outro, as possibilidades e vantagens apresentadas pela organização devem suprir as ambições do candidato. Em um processo seletivo não vemos apenas uma pessoa buscando atender todos os requisitos da vaga. Trata-se de uma troca. O profissional escolhe a empresa da qual quer fazer parte levando em consideração tanto o setor de atuação e benefícios, como ética e valores, plano de carreira e oportunidades. Empresa e candidato criam novos parâmetros de avalição, é interessante para ambos que a identificação pessoal, atributos e competências sejam semelhantes. As empresas buscam fortalecer o vínculo das pessoas com seus objetivos organizacionais. Essas recentes mudanças criaram uma lacuna a ser explorada. A administração de recursos humanos se relaciona hoje com o planejamento financeiro, por exemplo. Para que as pessoas ajam com motivação e empenho elas devem acreditar no propósito que seguem. Este, por sua vez, deve ser bem claro e divulgado a toda equipe. As etapas do plano de ação, sistemas de avaliação, métodos de trabalho e resultado final esperado têm que fazer parte do conhecimento de cada integrante do time. Relacionado ao financeiro, a gestão de pessoas deve inserir no orçamento os benefícios que serão oferecidos aos funcionários. Uma equipe só trabalha bem quando cada indivíduo está satisfeito com seu papel na organização e com as recompensas que recebe. Quando se fala em recompensas, não se resume apenas a bônus salariais e mudanças de cargo. Um estímulo aos estudos, sendo cursos relacionados a área de atuação, línguas estrangeiras, oportunidades de conhecer novas atividades, previdência privada em parceria, assistência médica, familiar, carro para se locomover ao trabalho, entre outros, são opções que devem ser avaliadas pela diretoria administrativa. O departamento de recursos humanos abrange a visão de toda a organização. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 11 Conquistar profissionais qualificados não é uma tarefa simples. O mundo globalizado é muito dinâmico. À medida que novas tecnologias surgem, novos métodos de trabalho são criados, novos produtos e serviços oferecidos, e tanto a empresa como o profissional devem ser flexíveis e tão dinâmicos quanto às mudanças para não se tornarem obsoletos. A concorrência exige que as adaptações sejam rápidas. Todo o processo evolutivo de gestão de pessoas busca acompanhar esse novo mundo. Uma organização que mantém sua equipe em constante treinamento apresenta maiores vantagens diante de seus concorrentes. Surge então um novo desafio. O quanto uma empresa abrir espaço e investimento para a qualificação de seu profissional, criará na mesma medida, o risco de perder esse funcionário treinado para uma oportunidade em uma nova instituição. O planejamento de benefícios, carreira, cargos e salários devem ser cuidadosamente elaborados. É importante valorizar a equipe e abrir espaço para que aumentem seu conhecimento e qualidade e, junto a isso, manter sempre ativa a estima desse profissional. Antigamente, era bem visto quem permanecia anos na mesma organização. Hoje, é frequente o número de profissionais que passam por diversas empresas em um período não muito longo, desenvolvendo suas atividades e assumindo novos cargos em novas oportunidades à medida que criam experiência. Quando o plano de carreira não é estruturado, a empresa aumenta sua chance de perder seus talentos para um ambiente onde ele veja possibilidade de desenvolver seu projeto profissional. A questão da qualificação é tão valorizada e, em alguns casos, escassa, que existem profissionais que atuam captando talentos em empresas e oferecendo oportunidades melhores. Dessa forma, administrar o pessoal para que se sintam motivados dentro da organização exige também um acompanhamento e revisão constantes dos métodos de trabalho. O investimento na qualificação de um profissional é muito alto para que ele não permaneça exercendo seu conhecimento, criatividade e aptidões onde recebeu a oportunidade de desenvolvê-los. O objetivo é criar e manter uma equipe engajada e qualificada individualmente, que tenha expectativas positivas de trilhar sua carreira profissional e que lute junto com os demais pelos mesmo objetivos, levando a organização à excelência em sua atividade. Considerações finais A maneira de realizar a gestão de pessoas passa por mudanças positivas e ganha força, isto se dá pelo fato da valorização do ser humano, alguns profissionais se transformaram e tiveram que se adaptar às novas tendências do mercado e tiveram que buscar capacitação. Em paralelo a esta mudança, a área de recursos humanos também teve que adaptar e tratar das novas demandas do mercado de trabalho, a capacitação dos colaboradores, pois criar o vínculo com a empresa através de cultura interna passa a ser papel da área de recursos humanos. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 12 Como observamos, inúmeras e significativas mudanças aconteceram nos últimos anos. A adaptação do homem a essas mudanças também se modificou de acordo com o tempo. O conhecimento torna mais rápida a adequação e o entendimento. A globalização possibilitou o contato com inúmeras oportunidades que antes não existiam, o que tornou as pessoas mais exigentes e cautelosas. O cidadão de hoje recebe com mais facilidade a informação. Vamos comparar com o início das grandes revoluções e o desenvolvimento da tecnologia, quando todos os aspectos relacionados ao dia a dia da população sofreram impacto e houve também uma revolução nos hábitos e pensamentos. Podemos observar a influência dessas mudanças de maneira muito forte nos dias de hoje. O comportamento dos cidadãos exige que as empresas tenham uma área bem formulada que trate de gestão de pessoas, pois estão em busca de ofertas de emprego que atendam suas necessidades financeiras, mas também querem estar inseridas em um grupo com quem compartilhem os mesmos valores. A massa profissional se tornou exigente e, de certa forma, impaciente para permanecer em empresas engessadas e arcaicas. As organizações que não estão dispostas a rever sua estrutura estão fadadas a baixo desempenho no mercado de trabalho e perda de mão-de-obra qualificada para concorrentes. Hoje, as pessoas buscam satisfação intelectual. Elas querem fazer parte de organizações que acreditem, impulsionem e agreguem a seu potencial. Referências CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009. KOPS, L.M. Gestão de pessoas: conceitos e estratégias. Curitiba: Intersaberes, 2013. MASCARENHAS, A.O. Gestão estratégica de pessoas: evolução, teoria e crítica. São Paulo: Cengage Learning, 2008. Gestão de Pessoas Aula 02 Subsistemas de RH e as diferentes organizações. Objetivos Específicos • Compreender os subsistemas de recursos humanos e avaliar e conhecer ferramentas de gestão nas diferentes organizações. Temas Introdução 1 Sistemas de administração 2 Subsistemas Considerações finais Referências Professora Marcia Welita da SilvaGestão de Pessoas 2 Introdução Nos últimos anos, a questão “fator humano nas organizações” vem ganhando força e importância. A cada dia, a vida das pessoas recebe diferentes informações que as afetam no sentido pessoal, profissional e intelectual. São novas tecnologias, descobertas científicas e trocas culturais que influenciam seu comportamento. As informações atingem diretamente as características individuais da população e a frequência com que acontecem exige uma reação inteligente e assertiva por parte das organizações. Estar apto para se adaptar a mudanças se refere a identificar pontos de melhoria e desenvolvimento, para que se mantenham bem posicionadas no mercado e fortes em relação aos seus concorrentes (CHIAVENATO, 2009). Devemos considerar que a mudança a ser observada e analisada acontece tanto no ambiente externo das organizações, como no interno. Como fatores externos, consideramos a economia, a política, a tecnologia, aspectos culturais, legais e ambientais, e também alterações sociais. Já os fatores internos se referem a tudo que estiver relacionado ao ambiente de trabalho dentro de uma organização, sendo todos os colaboradores, equipamentos, capacidade produtiva e forma de produção. O ambiente representa todo o universo que envolve externamente uma organização, é tudo aquilo que está situado fora da organização. O ambiente é a própria sociedade maior, constituída de outras empresas, organizações, grupos sociais etc. As organizações não vivem no vácuo, isoladas e totalmente auto-suficientes, mas funcionam dentro de um contexto, do qual dependem para sobreviver e crescer. [...] A medida que o ambiente sofre mudanças, todo o quadro habitual das operações das organizações é tremendamente influenciado por essas mudanças, pois as condições ambientais externas às organizações contribuem fortemente para o que sucede dentro delas. (CHIAVENATO, 2009, p. 68) A necessidade de determinado público-alvo pode mudar de acordo com uma novidade ou tecnologia inserida, fazendo com que algum produto ou serviço se torne obsoleto no mercado, ou então outro produto ou serviço perca lugar para o método de trabalho e apresentação que é oferecido por outra empresa, que segue a mesma visão e princípios adotados por seus clientes. Os clientes a que nos referimos acima como consumidores assumem a posição de funcionários de organizações em algum momento de suas vidas, e as mudanças a que foram submetidos também irão interferir em seu modo de atuar profissionalmente. A posição que um funcionário ocupa é uma troca de interesses nos dias de hoje. Uma pessoa pode aceitar ou negar trabalhar em uma organização de acordo com os objetivos e planos de desenvolvimento que lhe são apresentados. A empresa deve, então, captar os desejos e ambições de seu quadro, para que o ambiente organizacional seja sempre positivo e satisfatório. Tem sido desenvolvida uma estrutura que possibilite visão e conhecimento geral Gestão de Pessoas 3 da organização, analisando as atividades e seus funcionários em conjunto, mas também individualmente. Quanto mais felizes em sua escolha profissional os funcionários estiverem, de forma mais eficiente irão explorar seu potencial e buscar aprimorar o conhecimento (CHIAVENATO, 2009). A estrutura de gestão de pessoas será diferenciada de organização para organização. Ao se constituir uma empresa, um dos primeiros passos é definir objetivos e metas, valores e diretrizes. O profissional de recursos humanos utiliza ferramentas e teorias que são comuns a todas as instituições, no entanto, a maneira como esse conhecimento será aplicado depende do estilo de gestão e princípios definidos (KOPS, 2013). As políticas de gestão de pessoas são formulações com base no pensamento estratégico e na cultura da organização e têm como objetivo guiar a função GP dentro das organizações. As políticas ajudam na gestão das atividades dos colaboradores, guiando as ações e buscando alcançar os objetivos da organização. (KOPS, 2013, p. 39) Para entender melhor as possibilidades de estrutura de administração, Chiavenato (2009) dividiu a gestão de recursos humanos em quatro sistemas, como podemos observar no quadro abaixo, e detalharemos em seguida. Quadro 1 – Os quatro sistemas administrativos Variáveis comparativas Sistema 1 Autoritário - coercitivo Sistema 2 Autoritário - benevolente Sistema 3 Consultivo Sistema 4 Participativo Processo decisório Totalmente centralizado na cúpula da organização que monopoliza as decisões. Centralização na cúpula permitindo pequena delegação e participação das pessoas. Consulta aos níveis inferiores, permitindo delegação e participação das pessoas. Totalmente delegado e descentralizado. Cúpula define políticas e controla resultados. Sistema de comunicações Bastante precário. Somente comunicações verticais, descendentes carregando ordens. Relativamente precário, prevalecendo as comunicações verticais descendentes sobre as ascendentes. O fluxo de comunicações verticais (ascendentes/ descendentes) e horizontais é facilitado. As comunicações são vitais para o sucesso da empresa. A informação é totalmente compartilhada. Revelações interpessoais Contatos entre pessoas provocam desconfiança. A organização informal é vedada e considerada prejudicial. Cargos e tarefas confinam as pessoas. São toleradas com alguma condescendência. A organização informal é incipiente e considerada como ameaça à empresa. Relativa confiança é depositada nas pessoas. A empresa incentiva uma organização informal eficaz. Trabalho de equipe ou em grupos esporádicos. O trabalho é realizado em equipes. Formação de grupos informais torna-se importante. Confiança mútua, participação e envolvimento grupal internos. Sistemas de recompensas Ênfase nas punições e nas medidas disciplinares. Obediência estrita aos regulamentos internos. Raras recompensas (de cunho meramente salarial). Ênfase nas punições e medidas disciplinares, mas com menor arbitrariedade. Recompensas salariais mais frequentes. Recompensas sociais raras. Ênfase nas recompensas materiais (principalmente salários). Recompensas sociais ocasionais. Raras punições ou castigos. Ênfase nas recompensas sociais. Recompensas materiais e salariais frequentes. Punições são raras e, quando ocorrem, são definidas pelos grupos. Fonte: Chiavenato (2009, p. 240). Gestão de Pessoas 4 1 Sistemas de administração As organizações, desde o princípio, se preocupavam em realizar uma atividade, produzir um bem ou fornecer um serviço com foco na forma de produção, buscando sempre o menor custo. Podemos observar que este cenário mudou e os processos de trabalho deixaram de ser o foco das atividades. A produção recebeu novo formato e modo de funcionamento com o advento de novas tecnologias, porém, o conhecimento passou a ser o recurso que faz todo e qualquer processo obter bom desempenho. A administração vem se transformando à medida que novas informações e cenários surgem. É um desafio para a gestão de pessoas definir estratégias que coordenem, além do trabalho dos colaboradores, as formas de atuação, comunicação, liderança e posicionamento. Essas estratégias formam os sistemas de administração que veremos com detalhes, que tipo de mudanças sofreram durante este período e de que forma o modelo adotado pela empresa influencia o resultado final do trabalho. 1.1 Sistema 1: autoritário-coercitivo Neste modelo de administração, o poder de decisão está centralizado nas mãos de um grupo fixo e seleto. A estrutura hierárquica é bem definida e não apresenta mobilidade. Conforme Chiavenato (2009, p. 236), “É um sistema administrativo autocrático e forte,centralizador, coercitivo, arbitrário e que controla rigidamente tudo o que ocorre dentro da empresa. É o sistema mais duro e fechado”. O planejamento é feito sem participação da força de trabalho, e nem mesmo os funcionários em cargos gerenciais tem abertura para expor novas idéias e sugestões de estratégias. Esse sistema é considerado fechado, pois um pequeno número de funcionários, ou mesmo apenas um funcionário detém a palavra de ordem. A comunicação é feita verticalmente e a forma de exposição não é bem definida e clara. Não existe preocupação com a maneira como a informação será recebida e interpretada por todo o quadro (CHIAVENATO, 2009). É fundamental que uma pessoa saiba seu papel dentro da organização e quais parâmetros deve seguir ao realizar sua tarefa. Este sistema autoritário e impositivo é considerado simples e precário e cria um grupo sem motivação que está realizando apenas o que deve ser feito, mas não agrega de forma positiva para a organização. A gestão que segue este modelo rudimentar não proporciona espaço para o profissional questionar seus desejos, avaliar seu desempenho e se aprimorar. Quando não existe preocupação com o ponto psicológico do pessoal, é aberta uma lacuna para a criação de uma equipe mecânica e mal instruída. Gestão de Pessoas 5 A falta de cuidado com a exposição de normas, procedimentos e informação, ou mesmo a imposição delas, cria também a possibilidade de haver desentendimento entre as partes. O que não é bem explicado abre um leque de opções de interpretação, o que leva a formação de uma equipe insegura e que pode se desviar do foco principal das atividades e objetivos da organização. A gestão centralizada, em geral, possui controle e supervisão de todas as áreas e atividades. Todos os procedimentos são bem definidos e padronizados. Quando mencionamos gestão de pessoas para explicar esse sistema, na verdade, devemos considerar a falta de preocupação com a devida gestão. Toda a estrutura de organização leva a ênfase ao objetivo final. O foco não é o capital humano e as relações. Considerando todas essas características, podemos concluir que o ambiente de trabalho se torna prático e frio, sendo formado por pessoas que exercem sua profissão sem visualizar avanços significativos e pressionadas a se enquadrar em uma forma de produção metódica. É valorizada a mão-de-obra e não o potencial intelectual que cada um pode atingir e desenvolver para melhorar sua participação. 1.2 Sistema 2: autoritário-benevolente Aqui, a hierarquia se mantém bem definida, de forma vertical, com o poder centralizado nas mãos de uma diretoria restrita. Mas, diferente da primeira, na qual as decisões eram tomadas sem a participação de membros exteriores a cúpula, as escolhas passam a ser delegadas aos demais. Neste modelo de administração, a menor rigidez é marcada pela abertura na participação. Segundo Chiavenato (2009, p. 237), “É um sistema administrativo autoritário, porém menos duro e menos fechado do que o sistema 1. Na verdade, é uma variação do sistema 1, mais condenscendente e menos rígido”. Delegar as decisões representa um grande avanço na gestão de pessoas, pois à medida que a responsabilidade sai do controle de poucos funcionários, a confiança no trabalho da equipe aumenta. A tomada de decisão envolve pesquisa, levantamento de dados, análises, projeções de resultados, definição de um objetivo e etapas para alcançá-lo e repassar essas atividades a outro nível hierárquico, demonstra valorização do ser humano e criação de uma relação de parceria. Normalmente, empresas que necessitam de mão-de-obra mais qualificada e especializada adotam esse sistema de gestão. O pessoal não é visto apenas como extensão das máquinas e é necessário que tenham competências específicas, visto que dessa maneira adquirem maior autonomia e controle de suas atividades. Gestão de Pessoas 6 A visão do trabalho coletivo, organização do quadro geral como um grupo, ainda não é colocada como fator essencial para o bom desempenho. O controle é exercido com firmeza, evitando ao máximo que haja movimentações operárias questionando melhores condições de trabalho. 1.3 Sistema 3: consultivo Neste subsistema já existe uma estrutura de administração que visualiza a empresa de forma geral e em conjunto. Não existem mais as decisões exclusivas da diretoria administrativa sendo impostas aos que ocupam posições menores hierarquicamente. “É um sistema administrativo que balança mais para o lado participativo do que para o lado autocrático e impositivo. Representa um gradativo abrandamento da arbitrariedade organizacional” (CHIAVENATO, 2009, p 238). À medida que a empresa se informatiza, é maior a necessidade de profissionais que detenham conhecimentos para realizar suas atividades de forma específica e seguindo um modelo que não necessariamente se mantém permanente ao longo de seu ciclo. Todos os funcionários têm participação ativa dentro da organização e são estimulados a fazerem parte dela por dividirem um mesmo objetivo e seguirem os mesmos valores. Todos são estimulados para que explorem ao máximo suas capacidades e desenvolvam competências. Cada um recebe o voto de confiança necessário para que sinta o poder e o peso da responsabilidade de seus atos. O relacionamento humano passa a ser fortemente incentivado, tanto dentro das diversas áreas da empresa como também nas relações internas, na ligação entre elas. A visão do poder coletivo é transmitida para que todos tenham a consciência de que apesar do talento individual, o esforço do grupo irá possibilitar que sejam realizados os objetivos pessoais e, consequentemente, empresariais. A comunicação é bem estabelecida e alcança todos os níveis dentro da organização. A diretoria administrativa continua detendo a posição mais alta hierarquicamente, porém, sua tomada de decisão é baseada em relatórios e pareceres dos gerentes administrativos das áreas. O conhecimento que a cúpula tem é transmitido diretamente por quem atua na atividade e possui argumentos e fatores que justifiquem uma mudança ou revisão de procedimentos. 1.4 Sistema 4: participativo Chiavenato define como quarto modelo de gestão o sistema participativo. Vimos no sistema 3 que a empresa deixa de assumir um estilo rigoroso e fechado de administração e passa a valorizar o pessoal. No sistema 4, a descentralização do poder pode ser observada de forma mais acentuada. Gestão de Pessoas 7 Seguindo o formato anterior, este modelo é adotado por empresas que possuem um alto nível tecnológico e realizam processos mais rigorosos de seleção e contratação. Existe estreita ligação entre a tecnologia utilizada pela empresa e as características das pessoas envolvidas e os sistemas administrativos apresentados. Quanto mais desenvolvida a tecnologia, tanto maior o preparo humano e maior a necessidade de utilizar o sistema 4. (CHIAVENATO, 2009, p. 240) Quando o rigor na contratação passa a ser mais forte, a equipe de trabalho em todos os níveis dentro da organização ocupa um lugar de estima perante os membros mais altos. Para cada área é definido um gestor, que se torna responsável por um grupo. Torna-se papel desse gestor a tomada de decisão pertinente a área que ocupa. Todos os funcionários seguem as diretrizes e políticas definidas pela diretoria da empresa, que continua supervisionando e controlando os resultados, porém, dentro de sua alçada o gestor de área tem autonomia para fazer escolhas e transmitir aos demais. A empresa que adota este modelo de gestão também investe fortemente em comunicação. A informação é vista como um importante recurso de administração. As áreas estão interligadas e os processos que antes tinham a necessidade de passarpor várias etapas são otimizados a fim de obter ganhos de tempo e acerto nos resultados. O relacionamento entre as pessoas, que no primeiro sistema de administração era evitado, muda completamente neste último modelo. Existe abertura para que sejam apresentados pontos positivos, negativos, novas informações e idéias, e através de um consenso, a posição final. O trabalho em equipe é enfatizado e recebe incentivos para que possibilite que cada um desenvolva seu potencial sem desviar o foco do objetivo coletivo. A preocupação para que seja mantido um ambiente interno positivo ocupa grande parte da tarefa dos gestores de recursos humanos. É fundamental que cada um tenha conhecimento de seu papel e importância dentro da organização, e sinta que recebe incentivo para desenvolver seu potencial e buscar capacitação. 2 Subsistemas Chiavenato (2009) subdivide os sistemas de administração de recursos humanos apresentados a fim de propor um melhor planejamento e controle da estrutura das empresas. Cada organização irá adotar um modelo de administração e, para que o processo de gestão de pessoas atenda seu fundamento base, que é gerir o capital humano obtendo os melhores resultados, é necessário que hajam processos estrategicamente definidos. Não existe um modelo padrão para se definir esses sistemas, porém, todos seguem as mesmas diretrizes. A tabela abaixo demonstra como foram classificados por três autores diferentes. Gestão de Pessoas 8 Tabela 1 – Diretrizes para o modelo de administração Chiavenato (2004) Gil (1996) Milkovich e Boudreau (2000) 1. Agregar 2. Aplicar 3. Recompensar 4. Desenvolver 5. Manter 6. Monitorar 1. Suprimento 2. Aplicação 3. Manutenção 4. Capacitação e Desenvolvimeto 5. Manutenção 6. Avaliação e Controle 1. Recrutamento e Seleção 2. Treinamento e Desenvolvimento 3. Remuneração 4. Relações de Trabalho 5. Estrutura de Trabalho Fonte: Kops (2013, p. 50) Iremos tomar como base para melhor compreender os subsistemas de administração os processos descritos por Chiavenato, como vemos em detalhes no quadro abaixo. Quadro 2 – Descrição dos subsistemas Fonte: Chiavenato (2009, p.264) 2.1 Agregar pessoas Representa todas as formas de inserção de novos colaboradores nas organizações. Este processo pode acontecer através de recrutamento interno, quando há movimentação de funcionários que já fazem parte do quadro atual, ou externo, quando a organização busca no mercado de trabalho um profissional que atenda suas necessidades. Gestão de Pessoas 9 O ideal para que a empresa alcance os resultados esperados é que todos que façam parte de suas atividades tenham o mesmo interesse ou a mesma essência em seus objetivos. É importante salientar que a contratação não deve ser feita apenas mediante a análise de currículo, experiências e competências. As organizações são diferentes entre si e sua cultura deve ser semelhante a de seus funcionários. Se o colaborador somente executa sua tarefa, ele pode se sentir fora do projeto e desviar o foco de seus resultados. O processo seletivo deve estar planejado de maneira que seja capaz de identificar pontos semelhantes entre profissional em potencial e organização. 2.2 Aplicar pessoas Considerando a realização eficiente do processo anterior, é extremamente importante que a área de gestão seja capaz de alinhar três fatores: identificar as competências individuais de cada um de sua organização; identificar seus objetivos em relação ao cargo, empresa, desenvolvimento e plano de carreira; conhecer as habilidades e competências necessárias para a execução de cada tarefa. O processo de recrutamento e seleção irá escolher quem está apto para ocupar determinado cargo, porém, a administração de recursos humanos deve garantir que esses profissionais sejam bem aproveitados e colocados, para que explorem e desenvolvam ao máximo sua capacidade. As organizações, mais especificamente as áreas de recursos humanos, devem ter de forma bem definida como as oportunidades serão administradas e concedidas. Deve existir um plano de carreira com critérios estipulados, como reconhecimento por resultados, promoção por tempo de serviço, avaliações de desempenho e outras medidas de acompanhamento do profissional. A análise de cargos irá orientar os processos decisórios referentes a quem irá ocupar determinada posição e quais os resultados esperados. Faz parte da boa gestão de pessoas não apenas direcionar o funcionário, mas acompanhar seu desenvolvimento e satisfação, para que possa ser identificado até mesmo um erro na escolha ou processo, sendo assim corrigido e possibilitando harmonia entre empresa e colaborador. 2.3 Desenvolver pessoas A realização pessoal está ligada à realização profissional e atender os objetivos de um funcionário faz com que seu trabalho seja agradável e busque novos desafios. “Os processos de treinamento e desenvolvimento de pessoas representam investimentos efetuados no capital intelectual, pois envolvem atividades que visam ao desenvolvimento organizacional” (KOPS, 2013, p. 80). Investir no profissional, proporcionando treinamentos, planos de carreira que permitam Gestão de Pessoas 10 a troca de conhecimento e recolocações, implica fortemente no bem estar pessoal de quem usufrui e também implica diretamente no resultado que a organização obtém. O capital intelectual se tornou fator competitivo. As empresas devem criar medidas que visem manter este profissional valorizado e explorando suas habilidades. Vale ressaltar que o ambiente de trabalho também tem grande influência no nível de satisfação de cada indivíduo. Treinamentos são custosos e investir em alguém que não está em harmonia com as pessoas de seu grupo e os métodos de funcionamento da organização cria a possibilidade de que este profissional avalie a possibilidade de migrar para outras empresas. O profissional deve se identificar com a organização da qual faz parte e estar feliz com a atividade que exerce e as oportunidades que tem. 2.4 Manter pessoas Conforme foi finalizada a definição do subsistema anterior, o ambiente de trabalho é um fator de influência com peso importante ao se medir a satisfação do profissional. A administração de pessoas deve zelar e criar medidas para que existam boas relações entre todos os membros, principalmente focando na boa comunicação. O clima organizacional positivo tem como resposta a cooperação mútua, e quando todos estão dispostos a mudar e criar um ambiente de apoio, as metas comuns são alcançadas. Também se inclui em comunicação divulgar a estrutura que a empresa oferece para que os funcionários se desenvolvam. Os resultados obtidos devem ser acompanhados e, junto a isso, uma preocupação com a parte psicológica e pessoal de cada um deve avaliar se o posicionamento que a empresa ocupa garante motivação do grupo. A estrutura de cargos e salários, benefícios em geral, como previdência, auxílios transporte, alimentação, maternidade e condições de trabalho devem receber atenção da gestão de pessoas. As formas de recompensa que a empresa está disposta a oferecer garantem afinidades, bem estar e recebem aprovação da equipe. Outro fator a ser considerado é a higiene no ambiente de trabalho e segurança. A empresa deve assegurar que o funcionário não seja expostos a riscos em sua atividade e que ele disponha de ferramentas necessárias para realizar suas tarefas. A higiene do trabalho está relacionada com as condições ambientais de trabalho que assegurem a saúde física e mental e com as condições de saúde e bem-estar das pessoas. [Por outro lado,] [...] a segurança do trabalho esta relacionada com a prevenção de acidentes e com a administração de riscos ocupacionais. (Chiavenato, 2004, p. 430) Gestão dePessoas 11 2.5 Monitorar pessoas Representa a capacidade que a organização possui de mapear todos os processos e resultados. A integração das áreas de uma empresa faz parte da preocupação do modelo recente de gestão. Hoje em dia, as empresas que seguiam uma estrutura inflexível estão se adaptando e criando medidas para que haja visão sistêmica da organização. A ligação entre as divisões é cada vez mais forte, criando uma relação de interdependência, tanto de informação como base, como nos resultados. Para que esse processo de monitoramento seja bem sucedido, a tecnologia tem participação essencial. Sistemas de informações e bancos de dados possibilitam que os indivíduos tenham acesso ao que lhe for pertinente de qualquer área da empresa. O acompanhamento nos sistemas de informação geram além de conteúdo para ser usado como base nas tomadas de decisões, relatórios específicos e possibilidade de cruzar dados para realizar pesquisas e fazer provisões. As informações obtidas através de monitoramento e análise orientam o responsável pelos recursos humanos a tomar decisões. O remanejamento de um funcionário, promoção, troca de função, incremento em sua atividade e até mesmo demissão podem ser melhor determinados quando fatos reais norteiam a escolha. Considerações finais Após entender as características principais dos sistemas de administração, subsistemas e modelos de gestão apresentados, podemos interpretar as mudanças como uma evolução nos processos. O ambiente em que a empresa está inserida, o público que atende, o nível de mecanização e mão-de-obra necessários, formam estruturas com diferentes necessidades. Outros fatores que influenciam e diferem de empresa para empresa são os estilos de liderança, visão, planejamento, mercado atuante e as características da própria organização. Como menciona Chiavenato (2009) em seu livro: É no ambiente que se pode localizar as explicações causais das características das organizações. Não há uma única maneira melhor (the best way)1 de se organizar ou 1 The best way, do inglês, significa “A melhor maneira”. Gestão de Pessoas de se administrar uma organização. Tudo depende (it depends)2 das características ambientais relevantes para a organização. Os sistemas culturais, políticos, econômicos, etc. afetam intensa e continuamente as organizações, ao mesmo tempo em que se encontram em dinâmica interação, influenciando-se reciprocamente. As características organizacionais somente podem ser entendidas pela análise das características ambientais às quais elas procuram corresponder. (CHIAVENATO, 2009, p. 245) A complexidade das organizações mudou bastante desde o seu primeiro formato. A quantidade de novas informações e tecnologias acarretaram mudanças no estilo de vida e, como consequência, mudanças internas nas empresas para que continuassem a atender seu público de forma a suprir suas necessidades. A forma de trabalhar também passou por mudanças. Sistemas rudimentares deram lugar a tecnologia de ponta, que exigiu um profissional mais competente e especializado. Com todos esses fatores, os proprietários de empresas tiveram que repensar sua maneira de atuação. A administração de recursos humanos acompanhou essas mudanças e novas necessidades, não de forma tão rápida. A área de gestão de pessoas passou por reformulações complexas. E o que podemos observar é que os primeiros modelos de gestão, exercidos por empresas tradicionais e fechadas, tiveram que ser revistos e tornar principalmente humano, o que era impessoal. O estilo de administração foi se tornando mais dinâmico e participativo. No sistema 4 podemos observar a criação de uma estrutura forte, flexível, responsável, onde o indíviduo é valorizado e o espirito de equipe também. Conforme o nível de tecnologia utilizado, maior é a necessidade de pessoas mais preparadas e empenhadas. É cada vez maior o número de empresas que estruturam suas áreas baseadas no cuidado com o fator humano. Formar um grupo motivado, empenhado, e que busque com frequência aprimorar suas competências técnicas, leva a rentabilidade e eficiência na produção. A comunicação também se torna cada vez mais uma importante ferramenta de gestão. Exercitar a capacidade de informar e, sobretudo, ouvir proporciona uma união e força que se ligam diretamente ao sucesso. Ter um papel definido, normas de trabalho, metas a serem atingidas e sentir reciprocidade do gestor, alavanca as atividades e resultados. A estrutura interna se modificou, e em conjunto, o pensamento de quem detinha o poder também foi reformulado. A organização que tem um líder que se dispõe a aprender, muda e desenvolve a capacidade de lidar com mudanças, se adapta a situações diferentes a medida que forem apresentadas, tem conhecimento e equipe capacitada para se manter atuantes e fortes. Mudar é a chave para que seja alcançado o diferencial competitivo. Não deve ser 2 It depends, do inglês, significa “Depende de algo”. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 12 Gestão de Pessoas 13 feito maneira drástica e sem organização, e sim de forma gradativa e natural conforme Chiavenato (2009, p. 240), “[...] desenvolver uma espécie de revolução silenciosa: a mudança no tratamento das pessoas, transmitindo-lhes ampla liberdade de ação, de pensamento, de relacionamento humano e de escolha dos métodos e procedimentos de trabalho”. Referências CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009. KOPS, L. Gestão de pessoas: conceitos e estratégias. Curitiba: Intersaberes, 2013. Gestão de Pessoas Aula 03 Recrutamento interno e externo; seleção e o processo de integração de pessoal. Objetivos Específicos • Identificar os processos para o provimento de pessoal e o mercado de trabalho. Temas Introdução 1 Provisão de recursos humanos 2 Integração de pessoal Considerações finais Referências Professora Marcia Welita da Silva Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução As organizações passaram por diversas etapas de transformação ao longo dos últimos anos. Mudanças continuam acontecendo e impactam na vida da sociedade em cenário global. As organizações, por sua vez, vêm sentindo a necessidade de adaptação e reestruturação de seus processos, áreas e serviços para poder sobreviver. As primeiras atividades comerciais não exigiam grande qualificação profissional das pessoas, pois eram, em sua maioria, realizadas por viajantes por meio de trocas. Com o surgimento das fábricas foi formada uma classe operária, da qual se exigia um conhecimento mínimo para atuar junto às máquinas. No entanto, esse conhecimento não era considerado primordial. As pessoas não recebiam dos proprietários de empresa o reconhecimento necessário. Para uma empresa fabricar sua mercadoria, bastava alguém se colocar na linha de produção e fazer parte do que era mecânico. Apesar de surgirem movimentos sindicais com o fortalecimento das fábricas, esses exigiam que as empresas oferecessem uma estrutura salarial, carga horária e condições mínimas de trabalho. A gestão de pessoas orientava seu planejamento de modo a criar um ambiente que respeitasse essas exigências. Esses critérios de gestão não mudaram a posição dos empresários em relação à mão de obra, que era considerada abundante e facilmente disponível no mercado. Para fazer parte do quadro de funcionários das organizações, bastava estar disposto a trabalhar e ter um conhecimento mínimo, que também seria ensinado. O quanto uma pessoa poderia oferecer não era de fato avaliado, não havia rigor. A inserção de novas tecnologias, as trocas de informação de forma rápida e constante e a influência da globalização fizeram com que a estrutura vigente até o momento passassepor uma forte transformação. Quando falamos em estrutura, nos referimos tanto ao modo de produção, o relacionamento com o cliente externo e interno (funcionários) quanto aos parâmetros de gestão de todas as áreas, financeira, contábil, planejamento e estratégia, comercial, e claro, gestão de pessoas. À medida que a forma de produção avançava em tecnologia e conhecimento, criava a necessidade de critérios mais rígidos para a seleção de funcionários. O conhecimento técnico era necessário, pois as pessoas não eram mais colocadas apenas diante das máquinas em linha de produção. Sua capacidade crítica e de aprendizado passou a ser valorizada. A mão de obra abundante de antes se tornou mais escassa em razão da necessidade de qualificação. Junto a novas exigências de seleção, surgiu o desenvolvimento de uma área de gestão de pessoas mais cuidadosa com o bem-estar, a qualidade de vida e a satisfação dos funcionários. “Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligências, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes a vida será de violência e tudo estará perdido” (CHAPLIN, 1940). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 A citação acima se refere à importância dessa transição mencionada no texto. É necessário unir o essencial para a empresa ao essencial para o contentamento de quem fará parte de sua equipe de trabalho, sua força de ação. Os novos processos de recrutamento e seleção consideram os conhecimentos técnicos necessários para a execução de uma tarefa e também consideram a questão de humanidade citada por Chaplin. O funcionário, acima de tudo, deve estar feliz por fazer parte da organização e assegurar que seus interesses pessoais e profissionais possam ser desenvolvidos e alcançados. Na figura abaixo, vemos uma comparação entre as necessidades e visões do candidato versus as necessidades e visões do empregador. É de extrema importância que essas perguntas sejam feitas e as respostas cruzadas. Os ideais e objetivos devem convergir, isso quer dizer, alinhar o que a vaga em aberto requer com as habilidades, conhecimentos e atitudes dos candidatos em potencial. Figura 1 – Necessidade do cargo versus características do candidato Fonte: Chiavenato (2009, p. 108). 1 Provisão de recursos humanos A provisão de recursos humanos envolve todos os processos necessários para a alocação de novos funcionários nas organizações. A área de recursos humanos, reformulada, se preocupa em criar uma estrutura bem definida para que seja possível alcançar, com minimização de erros, os melhores profissionais no mercado, atendendo às necessidades dos cargos disponíveis. Essa estrutura define como serão os processos de recrutamento e seleção com base no estilo de gestão aplicado pela empresa, valores, características e aptidões necessárias para execução dos cargos em questão. O crescimento econômico influenciou o mercado de trabalho e o modelo de recrutamento e seleção. Entre o período da Era Industrial e a atual Era da Informação, o emprego deixou Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 de ter a característica de estabilidade e passou a exigir cada vez mais capacitação dos profissionais. À medida que a globalização exige modernização e aumenta a competitividade entre empresas e profissionais, demanda também que esses indivíduos se aprimorem constantemente para não se tornarem obsoletos. Há alguns anos, era possível contratar com facilidade tendo disponível mão de obra abundante. Essa característica deixa de existir à proporção que se tornam fundamentais conhecimentos e aptidões específicas. O mercado de recursos humanos é composto basicamente pelas ofertas de emprego que as empresas disponibilizam e pela mão de obra oferecida por profissionais e potenciais candidatos. Quanto maior e mais desenvolvida a região, maiores as oportunidades e também maiores as exigências referentes a competências. Em regiões menos desenvolvidas e afastadas dos grandes centros, em geral, são oferecidos cargos que necessitam de mão de obra menos qualificada e os processos de trabalho são menos estruturados. (CHIAVENATO, 2009). 1.1 Recrutamento O recrutamento é definido como o processo que atrai os profissionais em potencial que serão avaliados de forma mais criteriosa para possível contratação. Esses profissionais devem possuir características essenciais relacionadas ao cargo e competências-chave para desenvolver um trabalho eficiente e de qualidade. Essa etapa deve também recrutar pessoas que se identifiquem com o trabalho, valores da empresa e possuam as expertises necessárias. (CHIAVENATO, 2009). As competências ou expertises para o cargo são definidas conforme o estudo de cada função isolada, o conhecimento necessário, habilidades e atitudes que farão do profissional um realizador eficiente da tarefa. A tarefa do recrutamento é a de atrair com seletividade, mediante várias técnicas de divulgação para candidatos que possuam os requisitos mínimos do cargo a ser preenchido [...] Assim, o objetivo básico do recrutamento é abastecer o processo seletivo de sua matéria-prima básica: os candidatos a serem processados. O objetivo básico da seleção é o de escolher e classificar os candidatos adequados às necessidades da organização. (CHIAVENATO, 2009, p. 105). 1.1.1 Recrutamento interno O recrutamento interno, de acordo com Chiavenato (2009), ocorre quando a empresa procura preencher determinada vaga ou oportunidade por meio do remanejamento de seus próprios funcionários que são promovidos (movimentação vertical) ou transferidos (movimentação horizontal) ou ainda transferidos com promoção (movimento diagonal). Conforme Vido (2012) apud Chiavenato (2011) apesar de nem sempre a área de recursos humanos ser responsável pelo planejamento das contratações de pessoal, é essencial Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 antecipar a quantidade e a qualidade do engajamento de novos colaboradores. Nesse aspecto, a empresa deverá analisar qual a modalidade de recrutamento é mais viável, se interno ou externo, e, para isso, precisa estabelecer diretrizes que conduzam a um planejamento de carreira, tanto por meio de condições de incentivo e motivação aos funcionários quanto gerando um ambiente dinâmico e aberto para que o próprio profissional estabeleça um projeto de vida e identifique se é possível desenvolvê-lo na organização da qual faz parte. Quando se escolhe investir no profissional e permitir que ele desenvolva sua capacidade e potencial, são necessárias medidas pré-estabelecidas de plano de carreira. É preciso apresentar de forma clara quais valores a empresa irá seguir como base para suas decisões e de que forma deseja se posicionar no mercado. Além disso, deve estar bem definido o modo como será desenvolvida a carreira do profissional, como recompensas e promoções por alcance de resultados, tempo de empresa e posição hierárquica, como demonstrado na figura 2. Na figura abaixo, Chiavenato (2009) representa a movimentação interna de um funcionário quando a empresa realiza o recrutamento interno. Como vemos, pode ocorrer a promoção vertical, que é considerada a mudança de nível, pois o funcionário agrega novo valor a sua posição. Ocorrem também transferências entre áreas, com mudança de cargo ou não, e a movimentação horizontal, em que os funcionários permanecem com as mesmas funções, basicamente, mas atuam em outras áreas da empresa. Figura 2 – Mobilidade do candidato no recrutamento interno Fonte: CHIAVENATO (2009, p. 79). As transferências com promoção ou promoções diretas vistas na imagem merecem uma observação. Como lemos no início desse tópico, é necessário que a empresa tenha um plano de carreira bem definido.Algumas empresas utilizam apenas alguns pontos para avaliar o remanejamento de seu pessoal, mas trocar uma pessoa de posição requer a análise de diversos fatores, como desempenho, grau de evolução nas tarefas e motivação. (VIDO et al., 2013). Há alguns anos, era valorizado quem tinha muito tempo na organização. As empresas eram vistas como fortes e duradouras e era possível que um profissional ingressasse nela bem jovem, e permanecesse até sua aposentadoria. Hoje, as novas gerações apresentam outras características. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 O mundo globalizado e o ambiente dinâmico exigem que muitas empresas revejam seus conceitos e mudem sua estrutura aos poucos, a fim de se alinharem às novas exigências do mercado e dos consumidores. No entanto, muitas delas continuam com sua essência tradicional. Não é necessário mudar os valores, pois eles orientam as atitudes; contudo, é necessário que o cenário em que a organização esteja inserida seja analisado de modo a possibilitar a formação de um grupo de funcionários com as competências necessárias para conduzir a empresa à excelência nas atividades e ao posicionamento estratégico em relação aos concorrentes. Antigamente, quando o funcionário iniciava sua vida profissional na empresa, ia se qualificando e assumindo novas posições. Era comum ver um mensageiro se tornar gerente de alguma área alguns anos depois. Hoje, não enxergamos com a mesma frequência e facilidade essa mobilidade tão grande, porém, algumas pessoas ainda consideram que o tempo no cargo ou na função se torna motivo para assumir novas posições. Ainda encontramos organizações com essa visão e perfil, assumindo o risco de tornar o profissional obsoleto por não haver a preparação adequada para novas funções, e risco também para a empresa que não exercita a capacidade de se adaptar a novas situações de mercado. A gestão de pessoas deve acompanhar as mudanças e, mesmo em estruturas mais arcaicas de liderança, respeitar as necessidades que cada posição exige, tomando como base a meritocracia ao deslocar funcionários e dar-lhes oportunidades. O recrutamento deve realizado de maneira responsável e visando a ocupar os cargos disponíveis com profissionais que tenham conhecimento de área e habilidades e aptidões específicas. O recrutamento interno apresenta como vantagem um menor custo de captação de pessoal, pois a área de recursos humanos pode acompanhar e mapear o histórico de seus profissionais, bem como podem ser apontados os pontos fortes e as lacunas a ser desenvolvidas por meio de indicações. Conhecer os profissionais e o trabalho que desenvolvem garante mais sucesso na escolha do profissional para o novo cargo. Além disso, quando se usa fonte interna para o recrutamento, o processo de escolha é feito de forma mais rápida e segura; a chance de erros diminui, pois a empresa conhece os processos de treinamento e qualificação pelos quais os candidatos em potencial passaram. Recrutar internamente também é um estímulo para que todos os profissionais do grupo busquem constante aprimoramento técnico e comportamental. Quando a equipe tem ciência de que seu trabalho e potencial serão reconhecidos, os resultados se apresentam de forma a superar as expectativas. Apresenta maior índice de validade e de segurança: pois o candidato já é conhecido, avaliado durante certo período de tempo e submetido à apreciação dos chefes envolvidos; não necessita, na maior parte das vezes, de período experimental, de integração e indução à organização ou de informações cadastrais a respeito. (CHIAVENATO, 2009, p. 82). Como desvantagem, se, de um lado, a promoção e a recolocação de funcionários que já atuam na organização tornam o processo facilitado e mais rápido, de outro, coloca mais peso Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 e responsabilidade para os processos de recrutamento iniciais e para posteriores medidas que visem manter esse profissional satisfeito com as oportunidades que recebe e com o ambiente de trabalho. Quando estimulada a buscar conhecimento, parte da equipe pode se desmotivar por acreditar que não possui condições de desenvolvimento e aprendizado perante os demais, ou, desmotivar também aqueles que confiam na oportunidade de crescimento e se frustram conforme as novas vagas demoram a aparecer, gerando um sentimento de esforço em vão. A administração de recursos humanos deve criar medidas e utilizar ferramentas que possibilitem a formação de um quadro de funcionários com os mesmos valores e objetivos da organização e que seja capaz de receber novas informações e se adaptar bem a mudanças. Essa forma de gestão pode também ser utilizada como alavanca para o contentamento do profissional. Uma forma de motivação é tornar de conhecimento de todos a política de valorização do capital humano. Assim, é trabalhada a auto-estima dos funcionários, possibilitando que enxerguem promoções e valorizem seu trabalho e potencial. 1.1.2 Recrutamento externo O recrutamento externo se refere a buscar funcionários que estão fora da organização. É uma opção mais custosa, pois envolve grande investimento em pesquisa de mercado, contratação de serviços de agências de recrutamento e headhunters (prestador de serviço que seleciona profissional com conhecimento técnico e características que atenda ao cargo em aberto), anúncios, busca em bancos de dados, escolas e instituições de ensino, recebimento de indicações e também a busca dentro de outras organizações. (CHIAVENATO, 2009). Na figura a seguir, uma representação de Chiavenato (2009, p. 84) para as formas de recrutamento externo adotadas pelas organizações. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 Figura 3 – Maneiras de recrutar profissionais externos à organização Fonte: CHIAVENATO (2009, p. 84). Como observado na figura 3, o recrutamento externo utiliza meios específicos para buscar e atrair potenciais candidatos. Muitas organizações contratam o serviço de agências de recrutamento, que irão disponibilizar a vaga e ao mesmo tempo buscar em seus arquivos os indivíduos que estejam aptos para assumir o cargo em questão. Uma forma de estabelecer filtros em relação à qualificação do profissional e experiências é utilizar a universidade como fonte de recrutamento, realizando palestras e feiras abertas aos alunos. As associações de classe e os sindicatos também são uma boa fonte de recrutamento, pois se tratam de agrupamento específicos de profissionais. É possível observar que a tecnologia também influencia e facilita quando o objetivo é atrair candidatos, pois grande parte das organizações permite que candidatos se inscrevam para o processo de recrutamento no próprio site da empresa. Ao contratar um funcionário que atua em outra organização, é injetado na empresa um novo ânimo. O profissional escolhido certamente possui as habilidades necessárias e o entendimento pertinentes ao cargo, no entanto, possui outras vivências relacionadas ao ambiente de trabalho, ao estilo de gestão, ao mercado de atuação e à forma de planejar e produzir. Kops e Costa e Silva (2013) explicam que o recrutamento externo “Incentiva a interação da organização com o mercado e é indicado para enriquecer mais intensa e rapidamente o capital intelectual” (2013, p. 54). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 9 Além de agregar novos valores e ideias, quem vem do mercado de trabalho consegue apresentar uma visão diferente daquela do grupo, já habituado ao modelo seguido por todos. Algumas vezes, as pessoas, acostumadas ao mesmo ritmo de atividades e à cultura da organização,executando cotidianamente o trabalho, não percebem as falhas nem os pontos que precisam de melhoria. O recrutamento externo, ao contratar novos talentos, permite renovação da empresa. Como ponto negativo, o processo pode criar um ambiente desmotivador para quem já faz parte do quadro de funcionários. O que motiva a boa execução de uma tarefa, além de recompensas financeiras, é a possibilidade de ocupar novos cargos e se desenvolver. Quando um funcionário sente que seu trabalho não é reconhecido nem há a percepção de crescimento dentro da organização – pois acredita que não há um plano de carreira interno e as novas vagas são ocupadas somente por profissionais do mercado via seleção externa –, ele deixa de se preocupar com a qualidade de seu trabalho. Um profissional desanimado realiza suas obrigações com a empresa, mas não acrescenta nada além do esperado. Esse ambiente de descontentamento também pode causar constrangimento e más situações entre os funcionários novos e antigos. Em vez de criar uma equipe unida, é aberta uma lacuna para que haja desconfiança e não sejam compartilhadas as informações de forma a fazer fluir os relacionamentos e o trabalho. Além de ser mais caro e criar a possibilidade de frustração dos funcionários que já fazem parte da organização, os processos de recrutamento externo, em geral, são mais longos, pois devem ser decididas as técnicas a serem aplicadas e são realizadas todas as etapas de um processo de provisão de funcionários, desde a identificação de potenciais candidatos, triagens, encaminhamento para a seleção e exames médicos. O processo fica ainda mais longo quando o profissional tem vínculo com alguma organização e necessita de prazo para honrar seus compromissos antes de ingressar em uma nova empresa. Vale mencionar também que, apesar de todo o processo de recrutamento e seleção e da utilização de técnicas válidas e confiáveis, como não se conhece a fundo o histórico do profissional e como suas características pessoais influenciam no trabalho, o recrutamento externo é menos seguro que o interno, em que existe o mapeamento dos profissionais e seus resultados. 1.2 Seleção de pessoal Na etapa de seleção é escolhido o candidato que melhor preencha os requisitos da vaga e atenda aos critérios para o exercício da função que está em aberto. O profissional que irá realizar essa escolha deve possuir formação em gestão de pessoas e conhecer bem os critérios e necessidades da organização para a qual presta serviço. Os candidatos são avaliados por meio de análise de seus conhecimento, habilidade e competências. Para tal, existem as técnicas de seleção que, de acordo com Chiavenato Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 10 (2009, p. 126), devem representar o melhor preditor para um bom desempenho futuro do cargo. Dá-se o nome de preditor à característica da técnica de seleção capaz de predizer o comportamento do candidato em função dos resultados alcançados quando submetido a essa técnica. Na figura abaixo veremos cada uma dessas técnicas. Figura 4 – Técnicas de seleção de pessoal Fonte: Chiavenato, (2009, p. 126). Normalmente, a entrevista é a última etapa do processo de seleção, em que são convocados apenas os que alcançaram maior proximidade com o profissional esperado pela empresa. Para que seja proveitosa, deve ser bem planejada. Seu condutor deve ter em mente a estrutura de análise que irá seguir, a fim de esclarecer informações que não ficaram claras nas etapas anteriores. As perguntas devem ser formuladas a fim de estimular a interação entre candidato e selecionador e proporcionar uma análise comportamental. A análise do currículo transmite informação referente à formação acadêmica, cursos, aptidões e experiências anteriores, no entanto, por meio de perguntas que especifiquem o passado do candidato, será possível estabelecer como de fato são aplicadas suas habilidades, qualidades e qual sua capacidade de adaptação e reação a acontecimentos diversos do dia a dia. Aqui, deve se abrir um espaço para que o candidato fale sobre suas expectativas em relação ao cargo e à empresa. Lembramos que é fundamental aos candidatos estarem alinhados aos funcionários e à e organização os interesses. Os projetos pessoais de cada profissional devem ser avaliados para que não haja um problema futuro referente a frustração e descontentamento. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 11 As pessoas e as organizações estão engajadas em um contínuo e interativo processo de atrair uns aos outros. Da mesma forma como os indivíduos atraem e selecionam as organizações, informando-se e formando opiniões a respeito delas, as organizações procuram atrair indivíduos e obter informações a respeito deles para decidir sobre o interesse de admiti-los ou não. (CHIAVENATO, 2009, p. 67) 2 Integração de pessoal É importante que haja um processo de integração de novos colaboradores, tanto com os colegas de trabalho, como com a organização . Durante o processo de seleção, os principais pontos referentes à empresa foram expostos, mas na etapa de integração o novo funcionário deve receber informações sobre a cultura da organização, o seu posicionamento no mercado de trabalho e quais são os valores que embasam as tomadas de decisão, como política e princípios definidos pela administração. Um ambiente agradável e harmônico é imprescindível para que a troca de informações e de conhecimento e o auxílio mútuo ocorram de forma natural entre todos os funcionários. Como afirmam Kops e Costa e Silva, são fundamentais [...] a comunicação (manutenção de canais abertos e comunicação transparente), a cooperação (processo de decisão participativa), a proteção (manutenção de locais de trabalho seguros e ambientes físicos e psicológicos agradáveis) e a assistência (apoio e suporte em situações difíceis). (2013, p. 87). Quando a empresa opta pela contratação externa, essa atitude deve ser comunicada de forma transparente para toda a equipe, evitando que sejam criadas desavenças. Deve haver apresentações pessoais a seus pares, principalmente, e a todos que fazem parte da organização. Mesmo se tratando de uma questão de política da empresa, algumas vezes a organização que realiza o recrutamento e a seleção de colaboradores, ou seja, seguindo a contratação interna como modelo, não encontra em seu grupo o profissional que atenda às particularidades necessárias para algumas funções ou até mesmo pode ser que a empresa não tenha tempo hábil para capacitar um profissional em potencial para o cargo. O novo colaborador que ingressa deve receber todas as informações pertinentes ao cargo que irá exercer e quais as suas diretrizes. Além desse processo, dependendo da posição e das necessidades específicas da vaga ocupada, podem ocorrer treinamentos, que também devem ser informados. A total integração ocorre com o tempo e a experiência. Faz-se importante que seja aberto um espaço para a comunicação. Muitas vezes, a novidade traz questionamentos, e se sentir à vontade em um ambiente possibilita que todas as dúvidas sejam esclarecidas e que o modo de trabalhar seja alinhado da maneira esperada. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 12 Mais do que proporcionar um bom relacionamento entre o novo funcionário e o grupo em que é inserido, a integração permite alinhar propósitos e objetivos. O recrutamento e a seleção vão auxiliar a administração de recursos humanos a escolher o profissional mais apto para o cargo, no entanto, deve haver uma preocupação com a manutenção desse indivíduo. Cada um é responsável por seu próprio desempenho, porém, criar ferramentas de auxílio e gestão é papel da gestão de pessoas. Integrar, então, significatambém garantir a aplicação dos padrões e objetivos da organização ao modo de trabalho do recém-chegado. A eficácia é alcançada quando se identifica o que há de melhor e também as falhas. Os pontos positivos serão mantidos, os negativos eliminados, e aqueles abaixo dos padrões exigidos, mas dentro do planejamento, são mais bem trabalhados (CHIAVENATO, 2009). Considerações finais O recrutamento é o processo cujo objetivo é atrair potenciais candidatos que atendam ao perfil das vagas em aberto para fazer parte do quadro de funcionários de uma empresa, viabilizando assim o processo de seleção. (FRANÇA, 2010). Esses candidatos devem atender às necessidades específicas dos cargos que estiverem em disposição, como conhecimentos técnicos e aptidões, e também serão analisados alguns aspectos psicológicos. No século 21, após inúmeras adaptações e mudanças, esse processo não visa apenas a selecionar mão de obra para realizar suas atividades. O conceito de organização como detentora das ferramentas de trabalho e o conceito de pessoal como atuante junto às ferramentas são considerados ultrapassados. A sociedade atual passou por reformulação em seu sistema de gestão, criando de fato uma área preocupada em gerir pessoas. A análise de aspectos psicológicos do candidato é importante em razão do novo modelo de administração de pessoas. O ser humano que irá fazer parte do quadro de funcionários de uma empresa será reconhecido como um ser humano, com vontades, defeitos, qualidades, capacidade intelectual e opinião. Administrar recursos humanos é garantir que a posição ocupada por um profissional seja condizente com sua capacidade, seus objetivos pessoais e as exigências do cargo. O sucesso de qualquer organização depende de seus métodos de trabalho e processos instituídos para se alcançar o objetivo final, mas isso só será possível com a força de uma equipe motivada e qualificada. Proporcionar condições de trabalho favoráveis, ambiente agradável, sinergia entre todas as áreas e pessoas, alinhados a forte transmissão de valores, cria um grupo forte, que reconhece suas responsabilidades profissionais e acredita que ao realizar bem sua tarefa, será valorizado e possivelmente terá oportunidades de desenvolvimento. Empresa nenhuma tem como meta ter um grupo de profissionais que fique alienado às funções do dia a dia, sem novos desafios, sem nada que os impulsione. Cada vez mais são Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 13 usadas ferramentas e estruturas que possibilitem acompanhar e identificar a satisfação e possíveis problemas, para que o comprometimento da equipe seja constante. O investimento em treinamento e capacitação passou a ocupar espaço no orçamento das organizações. A satisfação e o comprometimento citados acima tornam a motivação um tópico constantemente abordado, pois o descontentamento de um funcionário, independentemente do motivo, pode se tornar algo de proporções maiores e incontrolável. Uma pessoa infeliz é capaz de “contaminar” as outras a seu redor e um grupo descontente tem o poder de derrubar a organização de sua trilha de sucesso. Quando não há uma área de gestão de pessoas eficiente, é certo que a empresa terá problemas com sua equipe. Algumas organizações apresentam grande rotatividade de funcionários e faltas. Fatos imprevistos como acidentes de trânsito, greve nos transportes, problemas familiares, podem ser os responsáveis por atrasos ou até mesmo faltas, mas quando se tornam constantes, é reflexo de uma política sem estrutura. A constante busca por profissionais, desencadeada pelo alto número de pedidos de demissão, além de gerar custos frequentes com recrutamento e treinamento, repassa para o mercado, investidores e clientes uma imagem negativa. Dessa forma, o recrutamento, a seleção, a integração de pessoal e a instituição de metodologia para o plano de carreira devem fazer parte da preocupação da administração de pessoas. O posicionamento competitivo e as oportunidades para que as organizações alcancem seus mercados estão diretamente relacionados a quem executa os serviços. E o propósito sempre deve ser criar um grupo coeso, em que todos trabalhem em harmonia e façam esforços para atingir os objetivos da empresa. Referências CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009. _____________. Planejamento, recrutamento e seleção de pessoal: como agregar talentos à empresa. São Paulo: Manole, 2009. KOPS, L. M.; SILVA, S. F. da C. Gestão de pessoas: conceitos e estratégias. Curitiba: InterSaberes, 2013. GRANDE ditador, O. Direção: Charles Chaplin. Título original: The great dictator. EUA: 1940 (120 min). Canal Libre. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ePW-lBbJ4l8>. Acesso em: mar. 2014. VIDO, K. C. OLIVEIRA, S. A. S. G. de. FOTUNATO, S. M. R. ROSSI, E. O Processo de Recrutamento e Seleção para Ingresso de Docentes nas Instituições Educacionais de Ensino Superior. Revista Delfos. Carapicuíba, ano I, Nº 1, p. 43-58, 1º semestre de 2012. https://www.youtube.com/watch?v=ePW-lBbJ4l8 Gestão de Pessoas Aula 04 Modelagem de cargos Objetivos Específicos • Compreender os conceitos de análise de cargos e resultados. Temas Introdução 1 Análise de cargos 2 Requisitos da análise de cargos e a descrição de cargos 3 Levantamento de dados Considerações finais Referências Marcia Welita da Silva Professora Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução As relações no mundo têm passado por grandes mudanças. Diversos são os fatores que influenciaram e continuam fazendo surgir novidades a cada dia. A facilidade de relacionamento entre todos os países do mundo, a troca de informações, as tecnologias, as descobertas científicas, os hábitos culturais e as mudanças ambientais tiveram como consequência a reestruturação de antigas formas de vida e trabalho. Antigamente, povos viviam isolados praticando seus hábitos sem interferência externa. Hoje, dividimos o espaço com diversas culturas. O conceito de nação como agrupamento de indivíduos de mesma nacionalidade não pode ser seguido estritamente. O intercâmbio mundial possibilitou uma mistura de culturas e comportamentos. Os seres humanos mudaram seus hábitos e estão inseridos em uma economia globalizada. Os métodos de trabalho aplicados no início das trocas comerciais passaram por revisões e hoje apresentam uma estrutura totalmente diferente de anos atrás. O capitalismo se fortaleceu criando em sua volta um ambiente organizado. A implantação da tecnologia nos processos de trabalho, em grande parte das organizações, exige que a mão de obra seja especializada em determinado segmento ou tarefa. O indivíduo que passava a vida atrás de uma máquina, fazendo a mesma atividade que não lhe exigia grande destreza nem conhecimento, deu lugar ao indivíduo que faz o trabalho se desenvolver. Hoje, o homem é quem realiza o trabalho e as máquinas e a tecnologia o auxiliam em suas atividades. A pessoa que antes era mera ferramenta de trabalho, se torna peça fundamental para obtenção de sucesso nas transações. Dessa forma, para que as atividades sejam executadas da maneira correta, a pessoa responsável por ela deve possuir características e conhecimento específicos. A análise de cargos se refere à descrição de como ele funciona. Quais passos devem ser seguidos, quais as tarefas envolvidas, qual o custo da atividade, a necessidade ou não de equipamentos específicos e o quanto esse cargo e seus resultados têm de responsabilidade para o alcance do objetivo final. Junto a essa definição, devem ser elaborados os requisitos mínimos que o funcionário a exercer a atividade deve possuir, de modo a obter um bom desempenho. Esses requisitos englobam tanto o conhecimento específico de alguma área, a tecnologia, a ferramenta e a experiência detrabalho, quanto suas características pessoais, a determinação, a capacidade de se relacionar, tomar decisões e assumir responsabilidades. É importante que haja a preocupação com uma análise psicológica. Muitas vezes o indivíduo que domina um assunto não está preparado para assumir determinado cargo ou posição. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 A administração de recursos humanos tem como papel desmembrar os cargos em tópicos- chave para conhecer, entender e, assim, planejar melhor seus processos de recrutamento e seleção. Podemos resumir, então, que a modelagem de cargos visa a obter o conhecimento referente às tarefas e aplicá-lo aos colaboradores da organização em prol de resultados. A descrição de cargos é o processo que consiste em enumerar as tarefas ou atribuições que compõem um cargo e que o torna distinto de todos os outros cargos existentes na organização. A descrição de cargos é o detalhamento das atribuições ou tarefas do cargo (o que o ocupante faz), a periodicidade da execução (quando faz), os métodos empregados para a execução dessas atribuições ou tarefas (como faz) os objetivos do cargo (por que faz). (CHIAVENATO, 2009, p. 69). 1 Análise de cargos “A análise de cargos é o processo de obtenção de informações sobre cargos, determinando deveres, tarefas ou atividades que eles envolvem. [...] o objetivo principal da análise de cargos é aperfeiçoar o desempenho da empresa e sua produtividade.” (BOHLANDER, 2010, p. 128). As tarefas e deveres são definidos como o conjunto do que deve ser feito para realizar uma atividade ou trabalho e, por sua vez, os cargos englobam todas as tarefas do profissional. Todos os processos que façam parte das etapas até a obtenção de um objetivo definido formam as especificidades do cargo. Para que a organização conheça e estruture as necessidades em relação às tarefas, que englobam as atividades do cargo e responsabilidades, o primeiro passo é descrever as atribuições e especificidades do cargo, o que definimos como modelagem de cargo. O segundo passo é analisar essas informações, o que engloba verificar quais são as aptidões necessárias, as habilidades e as características da atividade. Para isso, é importante dispor de ferramentas. (CHIAVENATO, 2009). Chiavenato (2009) divide essa análise em fatores intrínsecos, que são definidos pelo conteúdo do cargo, as tarefas a ser realizadas e necessidades específicas, como o grau de escolaridade, e extrínsecos, sendo os requisitos que o cargo exige de seu ocupante e características da empresa como segmento, porte e grau de competitividade. Abaixo, uma tabela que descreve com detalhes esses dois aspectos. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 Figura 1 – Descrição e análise de cargos Descrição do cargo = Aspectos intrínsecos 1) Título do cargo 3) Conteúdo do cargo: Tarefas ou atribuições 2) Posição do grupo no organograma Diárias Semanais Mensais Anuais Esporádicas a) Nível do cargo b) Subordinação c) Supervisão d) Comunicações colaterais Análise do cargo = Aspectos intrínsecos 1) Requisitos mentais Fatores de especificações: 3) Responsabilidades envolvidas 4) Condições de trabalho 2) Requisitos físicos a) Esforço �sico b) Concentração c) Compleição �sica a) Ambiente de trabalho b) Riscos envolvidos. a) Por supervisão pessoal b) Por materiais e equipamentos c) Por métodos e processos d) Por dinheiro, �tulos e documentos e) Por informações confidenciais f) Por segurança de terceiros. a) Instrução essencial b) Experiência anterior c) Inicia�va d) Ap�dões necessárias Fonte: CHIAVENATO (2009, p. 72). A análise de cargos é importante para a sobrevivência de uma organização, de acordo com Bohlander (2010, p. 128), essa reflexão é tida como a pedra fundamental da gestão de recursos humanos, uma vez que as informações coletadas servem a inúmeras funções. A empresa que visa a se manter competitiva no mercado e em posição de destaque entre seus concorrentes, busca constantemente a eficiência em suas atividades. Essa eficiência é alcançada por meio de monitoramento do mercado, das pessoas e do mundo. Quando se tem o cuidado de observar os acontecimentos, é possível que sejam identificadas pequenas oportunidades, que, se estudadas, podem representar um diferencial para quem as explora. Após o início da Era Industrial e mais fortemente durante o século 21 com a alta mecanização, uma das buscas desse monitoramento é por novas tecnologias. Acompanhar o dia a dia das pessoas, entender suas necessidades e ter conhecimento técnico possibilitam que de um momento para o outro seja criada uma nova forma de produzir. Não existe uma fórmula que seja garantia de estabilidade para se manter ativo. As mudanças acontecem rapidamente e mesmo os planejamentos que foram bem pesquisados e embasados devem estar aptos a captar qualquer alteração e mudar sua estrutura a fim de se adaptar, se reinventar e manter a eficiência. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 Estamos falando de identificar oportunidades, estar sempre aberto a novas ideias e possibilidades, e devemos lembrar que o responsável por colocar em ação toda e qualquer mudança é o homem. Apesar de vivermos em um ambiente altamente tecnológico, em que em determinados serviços e áreas as máquinas fazem completamente todo o necessário, ainda é fundamental que exista um capital intelectual por trás de toda essa inovação. O homem observa, analisa, critica, cria e acompanha. Mais do que se equipar com tecnologia de ponta, as empresas que querem sobreviver devem obter a diferença em seu quadro de funcionários. O investimento ou não no fator humano faz com que duas empresas diferentes, que sigam o mesmo padrão, tenham os mesmos processos aplicados e a mesma estrutura, apresentem resultados diferentes. É possível que haja retorno para uma e não para a outra. Isso acontece porque, apesar de seguirem a mesma linha de trabalho, as pessoas que foram colocadas para realizar as tarefas são diferentes. Como exemplo, podemos pensar em uma história, interpretada de maneiras diferentes pelas pessoas. Algumas podem analisar mais profundamente o que foi dito e desdobrar de alguma maneira a informação. Outras, apenas ouvem; não têm interesse ou mesmo capacidade crítica para absorver os aspectos importantes e desenvolver uma aplicação positiva. 2 Requisitos da análise de cargos e a descrição de cargos A administração de recursos humanos tem como base de suas tarefas criar ferramentas que possibilitem maior clareza no processo de recrutamento e seleção, a atribuição correta das responsabilidades do cargo e faixa salarial, além de dados para mensuração do alcance de metas. Selecionar profissionais cujas competências se alinhem com a posição de atuação, explorando-as e valorizando-as da melhor forma, garante que todas as habilidades sejam colocadas em prática e desenvolvidas e o instrumento de trabalho seja mais bem utilizado. Abaixo, mais um modelo de estrutura de análise descrito por Chiavenato. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 Figura 2 – Fatores para realizar a análise de cargo Fonte: CHIAVENATO (2009, p. 73). Chiavenato (2009) separa a análise de cargos em quatro áreas de estudo específicas: mental, física, responsabilidade envolvida e condições de trabalho, e acredita que por meio delas é possível levantar as informações necessárias para assegurar que os erros serão minimizados nas tomadas de decisão. 2.1 Requisitos mentais É determinado qual o nível de instrução mínimo que o candidato deve possuir para atuar no cargo. Algumas tarefas exigem conhecimentos adquiridos no ensino fundamental e ensino médio, em geral, não são posições específicas e de alta responsabilidade. Outras exigem o conhecimento particular obtido em uma graduação. Também se inclui a necessidade ou não de pós-graduação, mestrado, doutorado, MBA e do conhecimento de línguas estrangeiras(CHIAVENATO, 2009). Algumas empresas não exigem que seus funcionários tenham atuado na mesma área anteriormente, pois oferecem treinamento em que todos os conhecimentos necessários serão transmitidos, aplicados e monitorados. Porém, algumas posições, necessitam de um profissional que tenha conhecimento de mercado, o que chamamos de “ter bagagem”. Conhecer os detalhes da atividade e ter vivência em diferentes situações possibilita que os processos decisórios sejam feitos de maneira mais rápida e que os pontos específicos de estudo e desenvolvimento sejam mais facilmente identificados. A necessidade ou não de experiência também é definida nesse requisito. Tais requisitos podem ter importância maior ou menor de acordo com a organização, o cargo e o momento em que as oportunidades são abertas aos candidatos. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 A capacidade de se adaptar, por exemplo, é uma questão que difere de empresa para empresa. Em algumas situações, a colocação de um novo profissional em determinado cargo ocorre como medida emergencial, que necessita de mudanças e atitudes rápidas. Esse profissional deverá ter a capacidade de receber as novas informações e reagir sem demora. Em outras situações, existe um prazo maior para adaptação à nova tarefa. Por fim, as aptidões. Devem ser definidas as capacidades que o indivíduo deve ter para realizar suas tarefas no cargo. Essas aptidões podem ser diversas e não necessariamente uma característica que a pessoa tenha desde que nasceu. A pré-disposição pode ser desenvolvida por meio de treinamentos e atividades específicas. 2.2 Requisitos físicos São definidos os esforços necessários para desempenhar a atividade e a frequência desses esforços. Aqui deve ser questionado se existe força braçal ou muscular, se a atividade exige concentração visual e habilidades específicas, como por exemplo, para cargos de construção civil, limpeza e linhas de montagem. A estrutura corpórea para o desenvolvimento do trabalho também deve ser estipulada. Os requisitos físicos devem ser definidos, pois algumas tarefas exigem esforço físico e concentração visual, por exemplo, e, para que sejam bem desenvolvidas, o profissional deverá possuir características corporais – compleição física – específicas. Além disso, todos os esforços envolvidos devem ser listados e informados ao candidato. A destreza se refere à forma como o indivíduo exerce suas aptidões, como rapidez, agilidade, se é hábil ou não para determinada atividade. 2.3 Responsabilidade envolvida Todas as responsabilidades do cargo são consideradas nesse fator, tanto as pessoais, que envolvem o trabalho do funcionário, quanto as responsabilidades definidas por cargos de chefia, em que o profissional será responsável por uma equipe. Como dissemos no começo dessa aula, os valores do profissional devem estar alinhados aos valores da empresa da qual fará parte. Uma relação de confiança deve existir, principalmente, pelo fato de que alguns cargos são diretamente ligados a informações confidenciais, dinheiro e equipamentos de alto custo de investimento. Quando a responsabilidade é relacionada à supervisão de uma equipe, devem ser definidos que tipos de pessoas irão ocupar os cargos de subordinação, quais atividades irão realizar, qual o nível hierárquico entre o ocupante do cargo e sua equipe e a fequênca com que essa equipe deve se reportar a ele. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 Algumas empresas dispõem de alto nível de mecanização e tecnologia, e esse é um investimento alto feito por seus administradores. Deve ser definido se o cargo necessita de algum equipamento, como ele será utilizado, tempo de uso e de que forma é realizada a atividade. Enquanto algumas atividades centralizam suas operações vinculadas à tecnologia, outras têm como responsabilidade o contato com informações sigilosas e/ou dinheiro. A maneira como esses dados são expostos ao funcionário devem ser descritas, bem como as normas e os padrões que deverão ser seguidos a fim de manter a confidencialidade. 2.4 Condições de trabalho Como condições de trabalho são considerados o ambiente em que as tarefas são executadas e os riscos aos quais os funcionários estão sujeitos. A localização do posto de trabalho, sua organização, limpeza, higiene, condições favoráveis para a atuação e também o material básico para execução da tarefa são listados. É importante que exista um ambiente agradável, em que o funcionário se sinta respeitado e tenha as ferramentas necessárias para desenvolver seu tarefa. Um ambiente que não apresente condições mínimas de espaço e higiene, por exemplo, cria no profissional desânimo para o trabalho. Os descontentamentos influenciam no desempenho das tarefas, tornando-as improdutivas. Considerar os riscos envolvidos, além de se relacionar ao fator anterior, a localização do local de trabalho, que pode estar em região perigosa, de difícil acesso ou locomoção, também levanta tópicos como possíveis acidentes de trabalho. As organizações que identifiquem riscos em suas atividades devem criar uma estrutura de funcionamento que minimize tais riscos, por meio de equipamentos de proteção e normas de segurança. 3 Levantamento de dados Para levantar os dados a fim de descrever cargos, a gestão de pessoas irá se basear nos cargos já existentes e nas pessoas que estão os ocupando. Geralmente, as maneiras mais utilizadas para obter essas respostas são observação, questionários e entrevistas. Na observação, o profissional do RH acompanha as atividades do funcionário que ocupa o cargo a ser estudado e faz anotações referentes aos tópicos que devem ser abordados na pesquisa. Por meio desse método, é possível captar respostas não diretas como o comportamento do funcionário enquanto executa sua tarefa, se ela gera stress, se o ambiente é descontraído, se cria inquietação ou ansiedade etc. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 9 O segundo método consiste em colher dados por meio de questionários, possibilitando aos profissionais descreverem suas atividades e responderem às questões levantadas de forma mais abrangente. Devem ser escolhidos profissionais que tenham conhecimento concreto de suas atividades e possam dar respostas completas sem interferência externa. As entrevistas também são uma ótima maneira de conseguir informações sobre os cargos. Funcionam basicamente como o método de utilização de funcionários, pois existem perguntas formuladas. No entanto, seu nível de alcance pode ser maior. No questionário, não existe a possibilidade de aprofundar as respostas do funcionário, pois não há controle do que será escrito. Quando a entrevista é bem formulada e aplicada por profissional que conheça técnicas de abordagem, ela pode fluir como uma conversa sem o peso de pesquisa organizacional. Aspectos mais específicos do cargo, a maneira como o profissional se sente atuando, frustrações e pontos de motivação se tornam conhecidos. A administração de pessoas irá utilizar toda essa informação como ferramenta de análise para contratações, recolocações e mudanças. Não é possível definir respostas padrão dentro de uma mesma organização, pois o preenchimento das questões levantadas em aula se difere de acordo com o cargo e nível de atuação do profissional. Também cabe à área de pessoas levantar e cruzar esses dados, avaliando e revendo as posições e tarefas já existentes. Quando nos referimos à recolocação, significa que por meio da análise de cargos foi detectado que determinado profissional não se enquadra na atividade que exerce ou mesmo que a atividade necessita de competências não solicitadas antes. A tendência de gestão de pessoas no século 21 é agregar qualidade às organizações por meio da seleção por competências e do conhecimento intrínseco das necessidades e características dos cargos. Descrever cargos é um processo de sintetização das informações recebidas e prospectadasno levantamento de dados, ou seja, na análise da função, padronizando o registro de dados de maneira a permitir rápido acesso aos contornos de cada cargo. O estudo dos fatores de análise de atividades atrelado à busca do profissional que possua aptidões e capacidades específicas, desencadeia a descentralização do poder nas empresas, à medida que buscam e desenvolvem colaboradores que dominam sua área de atuação. A autonomia dos funcionários e a diminuição da hierarquia recebem o nome de ‘empowerment’ na administração de empresas. Do inglês, ‘empowerment’ significa empoderamento, que nada mais é que o aumento da participação social, nesse caso, ascensão do homem dentro das organizações. Ao se aplicar os processos de análise de cargos, modelagem e escolha do profissional por meio desse conhecimento, as empresas aumentam os acertos e enriquecem em capital intelectual. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 10 Considerações finais Ao fazer o levantamento dos requisitos da vaga e das especificidades do cargo, que são as habilidades técnicas, conhecimento, aptidões e descrição das tarefas, o responsável pela gestão de pessoas consegue cruzar características físicas e comportamentais do candidato em potencial. Os atributos técnicos são de grande importância e são eles que garantirão que a ferramenta de trabalho seja bem utilizada; porém, questões como as responsabilidades envolvidas e confiabilidade devem ser confrontadas para garantir que esse cargo realmente esteja em boas mãos. O quanto a pessoa está disposta a oferecer também é ponto para estudo e questionamento. Algumas atividades exigem desgaste físico e a execução do trabalho oferece algum nível de risco. Ou então pode existir a possibilidade de o candidato possuir a experiência requerida, no entanto, mudar completamente sua área de atuação. As hipóteses devem ser levantadas seguindo todos os pontos apresentados na tabela de fatores. O interesse de quem será escolhido é fundamental. Quando a gestão de pessoas possui dados concretos e confiáveis e tem uma relação de transparência com o quadro de funcionários e com os candidatos em potencial, o tão importante capital humano é mais bem aproveitado. Devem ser transmitidas as características do cargo, pois quem irá ocupá-lo deve ter conhecimento das atividades que irá desenvolver, por o que será cobrado e o que se espera da posição ocupada. Essa comunicação deixa implícita a ideia de ação e entrega, à medida que se sabe o que fazer e como fazer. Para resumir o que vimos na aula de hoje, podemos considerar que a análise de cargos e resultados permite que a área de recursos humanos conheça as características de cada cargo que sua empresa oferece e tenha também o conhecimento das habilidades e aptidões que o cargo analisado exige. Essas informações possibilitam que a empresa busque no mercado um profissional que se enquadre de forma positiva na posição e agregue valor à organização. Todo o treinamento e pontos a serem desenvolvidos também serão mais bem explorados, pois a empresa consegue detectar as falhas no processo e as lacunas que precisam ser trabalhadas. Por meio da melhor definição dos cargos e a identificação de suas necessidades e carências, é possível remodelar algumas estruturas. O plano de carreira da organização bem como a remuneração podem ser definidos de forma harmoniosa, pois se adéquam aos processos, às responsabilidades dos cargos e ao desempenho. A administração de recursos humanos atual busca valorizar o profissional e investir em sua capacitação. Uma das formas de mobilizar a equipe para que ela trabalhe em prol de seus objetivos pessoais, sem deixar de lado a responsabilidade para com o grupo nem o alcance de Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 11 resultados, é aprender a se comunicar, a se relacionar de forma estratégica e transparente, é entender a necessidade de cada um, como suas características mais desenvolvidas e em qual posição elas são mais valorizadas. Referências CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009. _____________. Desempenho humano nas empresas: como desenhar cargos e avaliar o desempenho para alcançar resultados. São Paulo: Manole, 2009. BOHLANDER, G. Administração de recursos humanos. São Paulo: Cengage Learning, 2010. Gestão de Pessoas Aula 05 Remuneração (salários e benefícios), Remuneração Variável, Políticas e Planos de Salários. Objetivos Específicos • Identificar os conceitos que norteiam a administração de salários. Temas Introdução 1 Conceito 2 Remuneração 3 Planos de salários 4 Benefícios Considerações finais Referências Professora Marcia Welita da Silva Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução As organizações devem planejar suas ações e isso é possível por meio do estabelecimento de um plano de objetivos e metas a serem alcançados. Para que sejam atingidos, alguns fatores externos e internos devem ser considerados, como a posição da empresa no mercado, a tecnologia envolvida, o investimento, as políticas econômicas e o nosso objeto de estudo dessa aula, o capital humano. Chiavenato (2009b) separa esses fatores em três grupos: natureza, capital e trabalho: Esse processo de conversão envolve uma combinação ótima de entradas – como capital, tecnologia, matérias-primas, esforço humano, competências etc. – em um conjunto de atividades integradas para produzir um resultado desejado. O elemento humano é parte integrante e fundamental dessa atividade, pois entre vários recursos utilizados é o único que dispõe de vida, inteligência e dinamismo. (CHIAVENATO, 2009b, p. 27-28). O bom desempenho das organizações tem relação direta à maneira como esses fatores são coordenados pela administração. É necessário considerar a conjunção política e econômica em que a empresa atua, as políticas cambiais, a matéria-prima, o quanto se tem de capital e o quanto deve ser investido, o público-alvo e, por fim, a mão de obra necessária para realizar as tarefas. Alinhados esses fatores, podemos considerar que a empresa possui o conhecimento necessário para planejar seu plano de desenvolvimento. Existe uma relação de interdependência entre os fatores internos e externos levantados anteriormente e a maneira como a organização planeja suas atividades. A matéria-prima, os serviços e as tecnologias inseridas nos processos dependem da relação com os fornecedores e serão a base para o funcionamento das atividades. O capital e os créditos se referem a quanto é investido para que a estrutura da organização seja montada, sendo direta sua relação com o fatores anteriores – matéria-prima, serviços e tecnologias –, uma vez que o capital disponível determina o quanto será comprado de subsídios e maquinário, por exemplo. Aos funcionários cabe a responsabilidade de executar as atividades quer permitem o adequado funcionamento da empresa. Seu conhecimento e habilidade são fundamentais para que exista um bom desempenho e como reconhecimento estão os salários, os benefícios e as retribuições. Por último, a aquisição de bens e serviços feita pelos consumidores em geral. Esses têm como expectativa obter produtos e serviços que atendam às suas necessidades, que ofereçam qualidade e tenham preço competitivo. Existe sempre uma relação de troca. A empresa se utiliza de alguns fatores e, por sua vez, os clientes esperam algo como retorno de sua colaboração. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 Figura 1 – Fatores de contribuição e retorno esperado pela empresa Fonte: CHIAVENATO (2009b, p. 29). Em nossa aula, iremos explorar de forma mais profunda os conceitos de remuneração e como é estabelecida a política de salários por parte da organização. A relação entreos funcionários e os empregadores é uma troca que engloba o quanto um funcionário aplica de seu conhecimento, disposição e habilidades e de que forma a organização se estrutura e reconhece os resultados satisfatórios alcançados pela equipe e os resultados operacionais da organização. 1 Conceito O modelo de administração de empresas que era seguido há alguns anos vem passando por mudanças e se reestruturando conforme são identificadas novas oportunidades de desenvolvimento e falhas operacionais e administrativas. Antigamente, as empresas eram comandadas por acionistas e tinham como foco principal os resultados e lucros obtidos. As atividades e seus processos eram definidos de maneira que a organização obtivesse retorno significativo e suficiente para realizar os pagamentos de material, de maquinário, aluguel, possíveis juros de empréstimos, salário dos funcionários e, principalmente, a remuneração de seus acionistas e investidores. Hoje, com a flexibilização da administração e a descentralização do poder, outras áreas ganham importância e é cada vez mais forte o investimento na área de gestão de pessoas. A força de trabalho é considerada o principal investimento para se criar capital e obter posição competitiva no mercado. É por meio de uma equipe qualificada e estimulada que as organizações conseguem explorar ao máximo todo o investimento que fazem em tecnologia, máquinas e relações comerciais. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 Depois de muitos anos considerando o homem como força de trabalho que completava a atividade das máquinas, a administração, enfim, passou a valorizar todo o potencial que só o indivíduo consegue alcançar e desenvolver. A remuneração é uma forma de recompensar o funcionário pela atividade que exerce dentro da organização e os resultados que alcança. Quando uma empresa deseja preencher suas vagas, os profissionais são buscados no mercado de trabalho ou também pode ser aberto um processo de recrutamento interno, possibilitando a recolocação dentro da própria organização. Nesse processo, existe a troca de informações e a união de interesses, pois as empresas possuem necessidades específicas para a vaga em questão e criam métodos eficazes que possibilitem a escolha do profissional que possua tais características; em troca devem oferecer benefícios de interesse aos candidatos de modo a garantir que estejam dispostos a desenvolver com entusiasmo as atividades. Todo profissional é escolhido mediante diversos fatores de seleção, mas o profissional também escolhe o tipo de empresa da qual fará parte. Quando uma pessoa aceita determinada vaga e passa a fazer parte de uma instituição, a integração de pessoal é mais fácil quando seus valores seguem os mesmos que orientam as atividades da empresa. Além disso, é importante que, sabendo das condições de trabalho, das ferramentas disponíveis, da tarefa a ser realizada, o funcionário tenha uma percepção positiva de o quanto seu desempenho e dedicação serão valorizados e estimulados e, consideramos aqui, a avaliação do retorno financeiro obtido. O salário é a compensação financeira que uma pessoa recebe em troca de seu trabalho. Existem diversas maneiras de recompensa, mas consideramos o pagamento financeiro como o que faculta os desejos pessoais. O dinheiro, entre outras coisas, irá possibilitar que sejam alcançadas algumas das metas dos colaboradores. Para Chiavenato (2009b, p. 30) “Salário é a retribuição em dinheiro ou equivalente paga pelo empregador ao funcionário em função do cargo que exerce e dos serviços que presta durante determinado período de tempo.” O dinheiro não é fator primordial para que uma pessoa opte por uma organização ou mesmo se mantenha nela, também são avaliados outros tipos de compensação, como reconhecimento e estima, porém, posiciona o profissional, mede seus esforços e resultados, e estimula um comportamento favorável para o sucesso das organizações. O salário, de forma conceitual, pode ser definido de diversas maneiras que se diferem em relação à forma como é disposto ao colaborador. A tabela de Marras (2012) exemplifica os tipos de salários existentes. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 Tabela 1 – Definições de salário Tipo de salário Definição 1. Salário nominal É aquele que consta na ficha de registro, na carteira profissional e em todos os documentos legais. Pode ser expresso em hora, dia, semana, mês etc. 2. Salário efetivo É o valor efetivamente recebido pelo empregado, já descontadas as obrigações legais (INSS, IR etc.). 3. Salário complessivo É o que tem inserido no seu bojo toda e qualquer parcela adicional (hora extra etc.) 4. Salário profissional É aquele cujo valor está expresso na lei e se destina especificamente a algumas profissões (por exemplo, médicos, engenheiros). 5. Salário relativo É a figura de comparação entre um salário e outro na mesma empresa. 6. Salário absoluto É o montante que o funcionário recebe, líquido de todos os descontos, e que determina o seu orçamento. Fonte: Marras (2012, p. 92). 2 Remuneração A remuneração compreende o salário direto mais o indireto, vale ressaltar que esta compensação pode ser financeira ou não. A remuneração financeira será estudada nessa aula, mas também vale mencionar como funciona a não financeira, que incentiva o funcionário no quesito psicológico. A compensação financeira pode ser direta, composta pelo salário em si, e indireta, que engloba todos os benefícios que a empresa pode considerar em seu plano de salário visando a incrementar os ganhos de sua equipe. Além do pagamento pelo descanso semanal remunerado (descrito pela sigla DSR), férias, gratificações, adicionais (noturno, periculosidade, insalubridade etc.) também podem fazer parte dessa remuneração ganhos com vale-refeição, alimentação, investimento em previdência e outros adicionais. A seguir, veremos as formas de compensação que podem ser estabelecidas pela empresa. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 Figura 2 – Formas de compensação ao funcionário Fonte: Chiavenato (2009b, p. 31). Por parte do funcionário, é fundamental saber os padrões utilizados pela empresa para basear suas atividades, saber quais tarefas ficarão sob sua responsabilidade, como são tais tarefas, bem como saber quais são os resultados esperados. Ter ciência desses fatores possibilita que a pessoa saiba quais benefícios ela oferece para a organização quando seu trabalho – a aplicação de esforço e o conhecimento em alguma tarefa – e empenho forem satisfatórios e alcancem os níveis desejados. A relação de troca existente entre funcionário e empregador estabelece o que o funcionário espera receber ao aplicar seu potencial em determinada atividade e a maneira que a empresa estrutura sua política salarial. Estabelecer os salários não é tarefa simples feita por intermédio de deduções. Quando nos referimos à política salarial, falamos de um plano geral e detalhado de como a empresa irá recompensar seus funcionários. Para determinar quanto será pago pela execução de um trabalho, a definição de seu valor relativo é um dos fatores mais importantes. Esse valor baseia-se na habilidade, no esforço e na responsabilidade que o trabalho exige de um funcionário, bem como nas condições e riscos em que o trabalho é realizado. (BOHLANDER, 2010, p. 127). Para que sejam identificadas as atividades relacionadas a um cargo, o grau de responsabilidade que o profissional recebe e as condições a que é exposto, é necessário que a administração de recursos humanos estruture e implante uma análise de cargos e salários. Analisar um cargo é discriminar quais os requisitos e aptidões necessárias para que seja executado de maneira eficiente, quais as ferramentas e/ou sistemas de trabalho utilizados, se exige características físicasespecíficas e esforços a ser realizados e devem ser considerados também aspectos psicológicos do profissional. Esse levantamento de informações deve ser feito em todas as áreas da organização e, posteriormente, deve-se cruzar essas respostas Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 com uma análise de perfil e competências dos profissionais que ocupam essas posições. Como base para a determinação de salários, é comum que as organizações também utilizem a comparação da média de remuneração aplicada por outras empresas. Devem ser considerados como remuneração tanto os fatores financeiros quanto os não financeiros. Aqui, falaremos principalmente dos financeiros. A administração da empresa é que define como serão realizados os pagamentos de salários, com base na área de atuação, porte, faturamento, localização e normas sindicais. Existe um padrão utilizado para que seja criada uma estrutura de recompensas, no entanto, a organização também deve decidir quais benefícios farão parte de sua política. Ao se estabelecer um salário, é tomado como base o retorno financeiro que o mesmo cargo recebe em diferentes organizações o nível de responsabilidade, as tarefas, os riscos e o desenvolvimento intelectual envolvido também deve ser avaliado. Existe uma pesquisa externa para que seja mantida coerência ao se delegar funções, a ARH - Adminsitração de Recursos Humanos levanta dados sobre remuneração dos cargos em diferentes organizações e considera também normas sindicais de acordo com cada atividade. A análise dos cargos determina tudo o que estiver envolvido no trabalho e, em geral, essas características devem ser as mesmas em todas as áreas e organizações semelhantes. (CHIAVENATO, 2009a). Cabe a cada organização definir sua política salarial com base nas análises de cargo, nos resultados e nas comparações internas e externas; além do valor básico de remuneração relacionado a cada atividade, também devem ser avaliadas outras formas de recompensa, como por exemplo, definir se a área de administração de pessoas irá utilizar o sistema de avaliação de resultados como base para implantar premiações e um salário variável, por meio de bônus, de acordo com o mérito aos funcionários. Visando ao aumento de empenho dos colaboradores e melhora dos resultados, algumas empresas lançam programas de remuneração por competências, o mérito de cada um fará com que seu salário seja composto de créditos financeiros maiores e diferentes dos demais. De acordo com Chiavenato (2009b, p. 97), “a produtividade das pessoas somente aumenta e mantêm-se quando elas também têm interesse em produzir mais e [...]” o objetivo é sempre o mesmo: fazer do funcionário um aliado e um parceiro nos negócios da empresa. Todo tipo de remuneração que não fizer parte do acordado como salário-base, entra como composição da política salarial das empresas. Alguns fatores externos ao ambiente corporativo também devem ser explorados quando se definem remunerações, como as normas estabelecidas por organizações sindicais e o cenário econômico e político. Hoje em dia, muitas áreas profissionais possuem sindicato, cooperativas ou órgãos de classe que agrupam indivíduos que atuam no mesmo segmento, representando-os perante as organizações. Um sindicato nada mais é que um agrupamento de profissionais do mesmo setor, que, juntos, lutam por direitos trabalhistas. As empresas devem consultar os acordos coletivos definidos nos seus sindicatos, pois devem respeitar o que estiver estabelecido, que Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 em muitos casos vai além dos benefícios básicos como salário-base, vale-transporte e vale- refeição. Acrescentando auxílios como bolsas para estudos, previdência privada, assistência odontológica, médica, jurídica, seguro de vida e até mesmo planos para empréstimos pessoais A remuneração nesses casos é definida como financeira indireta. O ambiente e momento econômico que se vive também devem ser avaliados. Fatores que interferem no custo de vida da população, bem como no custo de produção das empresas, devem ser estudados para que os salários definidos garantam seu valor de negociação e assegurem que funcionário e empregador mantenham suas atividades financeiras. Na figura a seguir veremos os fatores que compõem os salários, separados por fatores internos – aspectos referentes à organização e sua administração – e externos – ambiente em que a empresa está inserida, concorrentes, legislação e economia. Figura 3 – Fatores que compõem o salário Fonte: Chiavenato (2009, p. 38). 2.1 Remuneração variável Como vimos, por meio da análise dos cargos são definidas quais as competências necessárias relacionadas ao conhecimento, às habilidades e às atitudes para os profissionais que integram o time de uma empresa e quais atividades esses profissionais irão realizar. As organizações cada vez mais necessitam de profissionais qualificados e estão dispostas a oferecer planos estruturados de salários e benefícios visando ao retorno (bom desempenho) que esse investimento em capital humano trará a suas atividades. Investir em capital humano permite que seja criada e mantida uma equipe especializada e capaz de assumir novos desafios, responsabilidades e atuar em cenários de constantes mudanças. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 9 Todos os gastos relacionados à remuneração devem ser contabilizados pela administração, independentemente de ela ser exercida por uma área de recursos humanos, integrando também outros departamentos, como operacional e comercial. Como qualquer outro investimento que uma empresa faça, os valores de custo são embutidos no preço final dos produtos ou serviços e também se espera que, por meio dos resultados, os rendimentos ultrapassem o que foi aplicado e possibilitem novos ganhos. De maneira geral, as organizações e o sistema de administração de recursos humanos vêm criando medidas que incentivam seus colaboradores a alcançar os melhores resultados possíveis seja investindo em conhecimento, seja investindo em remuneração estratégica. Além do salário estipulado de acordo com a análise de cargos e com a comparação de mercado, podemos definir como remuneração financeira direta a remuneração variável, que é uma forma de impulsionar o funcionário a apresentar resultados que ultrapassem as expectativas planejadas. Além do bônus recebido, que pode ou não ser financeiro, esta busca por aumentar suas competências e conquistas provoca um efeito crescente na medida em que agrega satisfação pessoal. A motivação e a vontade de se superar farão com que os colaboradores explorem ao máximo sua capacidade. O funcionário sente a valorização como status pessoal e diferenciação perante os demais, o que estimula a produtividade da equipe. De acordo com Marras (2012, p. 122) “Denomina-se remuneração estratégica aquela que representa um modelo de compensação que permite premiar aqueles funcionários da empresa que, por uma razão ou outra, se destacaram dos demais em um determinado período.” Quando falamos em remuneração variável, nos referimos a esse modelo de remuneração estratégica adotado por muitas empresas. Normalmente, as organizações que possuem valores inovadores utilizam diferentes formas de recompensar seus funcionários, além do pagamento mensal já esperado. Podemos considerar como remuneração variável os bônus e comissões, a participação nos lucros e resultados e a remuneração por desempenho. A gestão de pessoas que nos orienta nos últimos anos, com estrutura reformulada e orientação voltada ao fator humano, acredita que as competências desenvolvidas pelos funcionários têm relação direta com o diferencial obtido nos resultadosoperacionais. As estruturas flexíveis, menos hierárquicas e menos rígidas de administração acreditam que o funcionário que é impulsionado e tem atitude alavanca o retorno financeiro das atividades e nesse contexto entra a remuneração variável que pode ser aplicada de diferentes formas. Empresas que possuem bem definidas suas políticas de cargos, responsabilidades, competências e salários, adotam o modelo de remuneração variável por resultados e desempenho. (BOHLANDER, 2010). Nesse modelo, a administração e o funcionário conhecem bem as atividades que a ele são delegadas e, por meio da descrição de cargos, de que maneira é esperado o retorno. O profissional obterá reconhecimento por meio de acréscimo financeiro à medida que alcance, Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 10 e até mesmo ultrapasse, os resultados propostos no planejamento. Dessa forma, o que a gestão de pessoas espera é que o funcionário se sinta estimulado a buscar conhecimento e concentrar seus esforços de forma a trazer resultados positivos para a organização. É importante ressaltar que mesmo que não haja política de remuneração variável de acordo com as atividades e desempenho, todos os funcionários devem conhecer seu papel dentro da empresa e suas responsabilidades para com os resultados e colegas de trabalho. Quando um membro não atinge as expectativas e não se demonstra entusiasmado por fazer parte daquele time, certamente será notificado pela administração, que irá buscar formas de entender as causas da baixa produtividade. Resumindo, quando é aberta a possibilidade de incrementar o ganho salarial por intermédio de esforço próprio, os funcionários sentem credibilidade por parte da empresa. Acreditar no quanto uma pessoa é capaz e possibilitar que ela explore esse conhecimento é forma de fazer com que todos caminhem na mesma direção, em busca de grandes resultados, além daqueles previstos. Comissão e bônus também são formas de remuneração financeira variável e direta e, de maneira semelhante à classificação por mérito e competência, visam a alavancar os ganhos financeiros do profissional na medida em que estabelece um salário-base, com valor respeitando as práticas do mercado, e chances de ampliar bastante esse retorno por meio do alcance de metas. Como exemplo, empresas de cobrança pagam a seus colaboradores um percentual do valor dos contratos negociados com sucesso; é possível observar esse comportamento também em cargos relacionados à venda de produtos e serviços, em que é estimulada a oferta do consumo, visando a obter grandes resultados. Outra forma de remunerar de forma variável é implantar a participação nos lucros e resultados da organização. Aqui, não de forma tão direta quanto a anterior, o desempenho dos funcionários também irá influenciar o quanto será recebido. Independentemente da área de atuação, todas as organizações se mantêm em posição ativa e competitiva no mercado mediante os resultados operacionais e financeiros que apresenta. A esses resultados gerais estão atrelados os resultados individuais de cada membro ou mesmo de cada área e equipe. Muitas instituições transmitem aos seus colaboradores que a importância do comprometimento deles será reconhecida de forma financeira ao fim de cada ciclo, possibilitando que todos os envolvidos façam parte das conquistas, por meio da distribuição dos lucros obtidos, definindo assim a participação nos lucros e resultados. Por meio do comprometimento, assim como ocorre n a remuneração por resultados, que mede a produção de cada colaborador, todos são estimulados a se dedicar de forma ativa, entregando suas metas e sempre explorando novos meios de potencializar seus resultados. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 11 3 Planos de salários Ao estruturar o plano de salário, as organizações se baseiam em fatores relevantes para que sejam mantidos resultados positivos e inovadores e que proporcionem satisfação aos seus colaboradores. Os planos de salários são considerados fatores estratégicos na remuneração. Para Bohlander (2010, p. 340) “[...] é a remuneração dos funcionários visando a aumentar sua motivação e estimular seu crescimento, ao mesmo tempo em que alinha seus esforços aos objetivos, às filosofias e à cultura da empresa.” Podemos identificar três principais sistemas para os planos de salários, como veremos a seguir. Todos eles são de grande utilidade para os profissionais, pois permitem que cada um tenha conhecimento exato sobre o que precisa fazer para se desenvolver, tanto assumindo novas oportunidades de cargo, quanto sentindo esse aumento de responsabilidade e reconhecimento por meio de remuneração maior. 3.1 Sistema de pontos Marras (2012, p. 273) afirma que “A empresa estabelece parâmetros mensuráveis de metas a serem atingidas e os funcionários recebem uma gratificação periódica, em função do atingimento dessas metas, proporcionalmente.” Todos os fatores que são fundamentais para a realização das atividades recebem uma pontuação de acordo com seu grau de relevância e, por fim, são cruzados esses dados aos resultados da avaliação de desempenho dos colaboradores. O sistema de pontos funciona como a remuneração por resultados atingidos. 3.2 Sistema de habilidades Seguindo a definição de Marras (2012, p. 272) “É um sistema que recompensa fundamentalmente avanços no setor cognitivo dos trabalhadores, avaliando o desenvolvimento de conhecimentos adquiridos e das respectivas habilidades previamente fixadas como metas em cada etapa do sistema.” Em geral, as organizações que investem em treinamentos e incentivam seus profissionais a constantemente aprimorar suas capacidades e aptidões utilizam o sistema de habilidades para determinar seus salários. É fundamental que o colaborador saiba quais são suas limitações de modo a buscar informações que possibilitem minimizar essa lacuna e alavancar seus resultados valorizando o que tem de melhor. Os funcionários são mais recompensados à medida que desenvolvem suas habilidades. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 12 3.3 Sistema de competências Competências são definidas por Bohlander (2010, p. 53) como “[...] conjuntos de conhecimentos integrados, em uma organização, que a distinguem de seus concorrentes e agregam valor para os clientes.” Estabelecer um plano de salário baseado em competências significa considerar o conhecimento dos colaboradores e definir seus salários de acordo com comparações entre o mesmo cargo em outras organizações e influência e importância dos resultados na conquista do objetivo final. 4 Benefícios Os benefícios fazem parte da remuneração do colaborador, somando-se ao recebimento financeiro, e são utilizados por grande parte das organizações, pois refletem diretamente na satisfação do pessoal, melhorando os resultados e índices de aproveitamento. O atendimento das necessidades dos indivíduos parte do pressuposto que a empresa sabe o que é melhor para seus funcionários, ao mesmo tempo que carrega um forte tom de paternalismo, ao fixar, de forma unilateral, o que um trabalhador necessita para garantir o nível mínimo de qualidade de vida, como alimentação e assistência médica, oferecidas como parte integrante de remuneração. (MARRAS, 2012, p. 138). Podem ser mais bem definidos por meio da divisão em três tipos, legal, espontâneo e assistencial. Os benefícios legais são determinados por meio de leis e acordos trabalhistas e fazem parte da remuneração de forma compulsória, são eles o pagamento de férias, o auxílio-doença, auxílio-família, auxílio-maternidade etc. Já o benefício espontâneo é definido pela empresa, que, objetivando se destacar perante as demais e tornar-se mais interessante para o profissional, oferecediferencial, como convênios médico e odontológico, cesta básica e confraternizações, que comemoram as datas especiais proporcionando união entre colaboradores e superiores, além de comemorar conquistas do grupo. Existem também os benefícios assistenciais, que visam a atender ao colaborador em necessidades esporádicas e específicas, como auxílio financeiro e jurídico. Considerações finais A administração de salários faz parte do conceito de avanço nos modelos de gestão de pessoas e valorização do homem como força de trabalho inteligente. Quando um cargo é avaliado por um candidato em potencial, são analisadas características que não oferecem compensação financeira, como especificidades do cargo, histórico da organização e segurança, mas não podemos deixar de afirmar que a remuneração financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 13 tem parcela importante na escolha da profissão. É por meio dos ganhos financeiros que os cidadãos se mantêm. Comprando alimentação, vestuário, pagando transporte, criando filhos e ajudando familiares, pagando aluguel ou investindo na casa própria. O quanto se remunera por uma atividade influência a posição social que o cidadão ocupa e seu padrão de vida. A posição desse cidadão não é somente determinada em seu ambiente social, mas também dentro da organização. Quando o colaborador se destaca por seus resultados e alcance de superação em objetivos e metas estabelecidos, é visto de forma exemplar pelos demais funcionários, que utilizam seu desempenho como exemplo para aprimorar os próprios resultados. Criar uma estrutura e política de salários permite que a organização defina bem suas atividades e reconheça as atribuições de cada cargo ocupado e operante. As empresas que se preocupam em acompanhar as tendências do mercado e seus concorrentes demonstram interesse e respeito pelos seus funcionários. Além disso, a política de salários orienta a empresa a compreender quais os seus objetivos e de que maneira serão projetadas suas ações. Se, ao investir no capital humano, de que forma o potencial de sua equipe será explorado e, se incentivado, como serão as recompensas e estímulos. A palavra-chave é valorizar. Entender o ambiente em que a empresa está inserida, planejar seus objetivos e metas, estabelecer as diretrizes e etapas para o desenvolvimento e compreender que por trás de toda a estrutura de uma organização existem muitas pessoas e seus esforços envolvidos. Valorizar o ser humano, valorizar o profissional, valorizar suas aptidões e competências e, por último, valorizar e criar medidas que possibilitem alcançar seus desejos. Referências CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009a. ____________. Remuneração, benefícios e relações de trabalho: como reter talentos na organização. São Paulo: Manole, 2009b. MARRAS, J. P. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2003. __________. Administração de remuneração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. BOHLANDER, G. Administração de recursos humanos. São Paulo: Cengage Learning, 2010. Gestão de Pessoas Aula 06 Planos de Carreira e Sucessão Objetivos Específicos • Entender as ferramentas de apoio para o desenvolvimento dos planos de carreira e sucessão nas organizações. Temas Introdução 1 Plano de carreira 2 Ferramentas de apoio para o desenvolvimento do plano de carreira Considerações finais Referências Professora Marcia Welita da Silva Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução A administração de recursos humanos desenvolveu uma nova estrutura nos últimos anos. De acordo com Chiavenato (2009, p. 1) “Quanto mais desenvolvida é a sociedade tanto mais numerosas e complexas se tornam as organizações”. A vida das pessoas e o cenário em que estão inseridas vêm se desenvolvendo por meio através da implantação de novas tecnologias e da possibilidade cada vez mais rápida de troca de informação e conhecimento. Podemos identificar em um curto período de tempo grandes mudanças influenciando a sociedade, de maneira geral e as formas de produção, de comunicação e de integração. Ao período marcado pelas transformações ocorridas após o início da Revolução Industrial é dado o nome de Era da Informação. Há alguns anos, o mundo era dividido em continentes, com seus países e características culturais. Era nítida a diferença de costumes entre os povos, tanto em seu cotidiano, quanto em relação à sua produção e comércio. Se voltarmos mais no tempo, verificamos a fraca existência de relações entre as distantes regiões do planeta. Com a explosão das grandes descobertas tecnológicas, muito rapidamente o que era distante se tornou próximo; a informatização cada vez mais avançada proporcionou novidades que inserem informações e exigem adaptações a todo o momento na vida das pessoas. Para que possamos entender a gestão de pessoas, é necessário repensar conceitos e quebrar paradigmas, entender a maneira como os cidadãos da Era da Informação sentem e processam todo o conhecimento e adéquam isso a suas vidas, podendo assim reformular as bases de planejamento e decisão para que as necessidades sejam atendidas e os resultados conquistados. A estrutura organizacional em matriz tornou-se insuficiente para dotar as organizações da agilidade, mobilidade, inovação e mudança necessárias para suportar as novas ameaças e oportunidades dentro de um ambiente de intensa mudança e turbulência. [...] os produtos e serviços passaram a ser continuamente ajustados às demandas e necessidades do cliente, agora dotado de hábitos mutáveis e exigentes. (CHIAVENATO, 2009a, p. 21). A implantação de novas formas de produzir foi inserida nas organizações de forma gradativa e, podemos dizer, obrigatória. A introdução de maquinário e tecnologia se fez necessária em um ambiente em que tudo se tornava mais dinâmico e melhorava em qualidade. Com novas ofertas, e influenciadas por um mundo cada vez mais global e multicultural, as pessoas e suas necessidades também passaram por transformações. (CHIAVENATO, 2009a). A reestruturação pela qual as empresas passaram colocou o indivíduo em um patamar de maior reconhecimento. As oportunidades de trabalho e de desenvolvimento de carreira surgiram junto à exigência de capacitação e de desenvolvimento de habilidades específicas para acompanhar as mudanças e participar de forma ativa. Atrelado a isso, esse mesmo Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 indivíduo que passou a vivenciar em seu cotidiano um novo estilo de vida, se tornou mais exigente e consciente de seu papel dentro da sociedade como consumidor, o que fez com que as organizações revessem seu modo de produção e a qualidade de entrega para se manter em destaque em relação à enorme quantidade de concorrentes e competidores. De acordo com Chiavenato (2009a, p. 72), A opinião pública sofre alterações e sua influência sobre as atividades organizacionais é evidente, seja facilitando ou dificultando a aceitação de determinado produto ou serviço, seja criando uma imagem favorável ou desfavorável às atividades da organização etc. Um indivíduo que busca aprimorar seu conhecimento nas áreas de atuação profissional, como consequência também desenvolve outros níveis de sabedoria. A facilidade de receber informações de todo o mundo proporcionadas pela globalização, pelas influências culturais e pela tecnologia, impacta em sua capacidade crítica perante todos os fatores que envolvem sua vida, tanto em relações pessoais e desejos profissionais quanto em relações de convivência. Os hábitos foram influenciados e passaram por mudanças, que impactam diretamente no indivíduo como integrantede um grupo em sua área profissional, como Bohlander (2010, p. 28) afirma: Atitudes, crenças, valores e costumes das pessoas em uma sociedade fazem parte integral de sua cultura. Naturalmente, essa cultura afeta seu comportamento no emprego e no ambiente interno da organização, influenciando suas reações às atribuições de trabalho, estilos de liderança e sistemas de recompensa. Sendo assim, podemos compreender que as mudanças ocorridas em um contexto econômico, político e tecnológico em geral influenciaram a vida da sociedade, ocasionando mudança em sua forma de visão e, mais profundamente, em hábitos culturais. A necessidade de buscar capacitação e desenvolver habilidades, além de tornar o profissional uma peça atuante de forma crítica e responsável, e não somente como extensão de uma máquina, faz com que ele visualize e necessite de novas formas de gestão e reconhecimento (BOHLANDER, 2010). Se observarmos o histórico das organizações, vemos pessoas que integraram a equipe desde muito novas e foram alcançando novas posições com o passar do tempo, sem sair da empresa. Hoje, não é comum identificar um profissional que tenha como objetivo integrar um grupo e se desenvolver e aprimorar visando a terminar seu ciclo profissional no mesmo local. A pessoa que busca conhecimento tende a não se satisfazer em ambientes que não incentivem e invistam em sua capacitação, e, para elas, a satisfação está muito mais priorizada do que um histórico profissional sem grandes desafios. Vale ressaltar que não é comum, mas não deixou de fazer parte da cultura e do ideal profissional de muitos cidadãos, como, por exemplo, pessoas que estudam e se preparam Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 para prestar concursos públicos, visando à estabilidade de permanecer em uma mesma organização e nela se desenvolver. Para Chiavenato (2009a), o aprimoramento das formas de produção com tecnologia de ponta e necessidade de mão de obra mais especializada e detida de conhecimento influenciou as últimas gerações que passam a ocupar uma posição de intensa movimentação. A partir do momento que deixaram de ser vistas como um recurso de produção e passaram a ser valorizadas como pessoas, seres críticos e possuidores de competências, sabem o que querem, planejam suas vidas e planos de carreira, e se não estiverem em um grupo que possibilite avanços, passam a explorar novas chances. A figura abaixo demonstra a diferença entre o tratamento antigo e atual. Figura 1 – Pessoas vistas como pessoas versus recursos Fonte: CHIAVENATO (200a9, p. 108). A gestão do conhecimento é definida como a capacidade de identificar o potencial de cada indivíduo e utilizá-lo da forma mais eficiente. Gerir conhecimento é respeitar e investir nas expectativas individuais, proporcionando as condições ideais para que o desempenho do profissional seja alto. O estudo do plano de carreira e sucessão nas organizações demonstra o interesse que a administração de recursos humanos tem em cativar os profissionais e demonstrar que existe a preocupação e o cuidado para com o capital humano e, ao mesmo tempo, utilizar o capital intelectual presente no grupo de funcionários de forma a agregar resultados positivos para a empresa. (CHIAVENATO, 2009b). Agregar conhecimento aos resultados depende da criação de uma equipe que possua as características necessárias para desenvolver suas respectivas atividades e determinação para alcançar resultados; agregar conhecimentos ainda requer investimento, além de treinamento e capacitação. No treinamento, o profissional recebe a orientação e a informação necessárias para ocupar um cargo determinado; a maneira como é estruturado o treinamento parte do princípio que a empresa tem conhecimento das características e necessidades básicas do cargo, como as competências e habilidades de cada tarefa. Além dessa questão, é fundamental manter essa equipe motivada e integrando de fato a organização. Reter um profissional, em tempos de disputa pelas competências humanas, é tarefa Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 da gestão de pessoas e do estabelecimento de um plano de carreira. Considerando que os profissionais buscam acima de tudo satisfação, se torna um desafio para as organizações entender as necessidades específicas de cada um e estabelecer etapas e oportunidades que conquistem êxito em suas relações. “A ARH significa conquistar e manter pessoas na organização, trabalhando e dando o máximo de si, com uma atitude positiva e favorável” (CHIAVENATO, 2009, p. 275). 1 Plano de carreira Todas as organizações iniciam suas atividades a partir de um planejamento, em que deve ser definidos a posição de atuação no mercado, o público-alvo, o plano de marketing, os estudos referentes às atividades desenvolvidas e às características dos consumidores, a situação do mercado, a política etc.; diversos tópicos devem ser levantados. A partir do estudo e do levantamento de dados necessários, as demais definições e ações serão baseadas nas diretrizes definidas pela administração. Os valores que uma empresa irá refletir em todas as suas ações, bem como suas metas e objetivos deverão seguir as etapas necessárias, sendo sempre fiéis a princípios éticos. O plano de carreira integra esse grupo de definições que deve ser feito pela empresa e pela área de administração de pessoas. Nesse momento, deve ser estabelecida uma política que vise ao desenvolvimento e às oportunidades aos profissionais envolvidos. Políticas são regras estabelecidas para governar funções e assegurar que elas sejam desempenhadas de acordo com os objetivos desejados. Constituem orientação administrativa para impedir que empregados desempenhem funções indesejáveis ou ponham em risco o sucesso de funções específicas. Assim, políticas são guias para a ação. (CHIAVENATO, 2009a, p. 268). Ainda conforme Bohlander (2010, p. 176) a gestão de carreira é: [...] um processo dinâmico que associa as necessidades da empresa com as dos funcionários. O autor afirma ainda que a filosofia de RH deve fornecer aos funcionários um conjunto mais claro de expectativas e direções para o desenvolvimento das próprias carreiras. (BOHLANDER, 2010, p. 176). Gerir carreiras se refere à criação de uma estrutura e padrões que visem a manter o capital intelectual e os talentos de modo ativo na organização. Os profissionais são vistos como responsáveis pelos resultados e pela imagem que a empresa passa para fornecedores e clientes, e quando se considera disseminar satisfação, essa imagem também alcança os demais colaboradores. Dessa forma, é importante criar uma base que oriente em relação ao desenvolvimento dentro do grupo. (CHIAVENATO, 2009b). A implantação do plano de carreira é feita por meio de informação específica aos funcionários. Vamos considerar que o funcionário faça parte da equipe e já conheça dados Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 referentes ao funcionamento da empresa e políticas internas, bem como procedimentos de trabalho. Quando se elabora o desenvolvimento de um profissional, os dados referentes à necessidade dos cargos e competências que o indivíduo possui são atrelados ao planejamento estratégico e plano de metas definido pela diretoria e administração. É importante que o funcionário tenha conhecimento das previsões de resultados estabelecidas e assuma as responsabilidades a fim de honrar as oportunidades. As regras gerais para a sucessão dentro da organização, apesar de serem baseadas em ações e princípios da administração, têm as mesmas características de monitoramento. Implantar não será somente tornar cientes os envolvidos, mas,sim, realizar um acompanhamento frequente a fim de garantir que as exigências específicas, dos cargos e atividades que surgem ao longo da carreira do profissional, sejam cumpridas por meio de capacitação constante. O papel da gestão de carreira pode ser definido como a ferramenta para orientar a administração com relação à necessidade da empresa, à capacitação de seus funcionários e ao posicionamento estratégico em relação a seus concorrentes, conquistado por meio da diferenciação que o capital intelectual, estimulado e desenvolvido, proporciona. Além disso, permite aos colaboradores ter uma percepção clara sobre a maneira que a administração os vê, se são satisfatórios ou não seus resultados, e quais as possibilidades de crescimento e investimento existentes. Ao planejar carreiras, por exemplo, os funcionários precisam de informações da empresa – informações que o planejamento estratégico, as previsões, os planos de sucessão e os levantamentos de habilidades podem fornecer. Do mesmo modo, à medida que obtêm informações sobre si mesmos e usam-nas no planejamento de carreira, os funcionários precisam saber as possibilidades de fazer carreira dentro da empresa, e como a gerência vê o desempenho deles. (BOHLANDER, 2010, p. 175). 2 Ferramentas de apoio para o desenvolvimento do plano de carreira A preocupação com o profissional está além de oferecer mudanças de cargos e salários. A gestão de pessoas deve possuir ferramentas e planejamento que identifiquem todas as formas de atuação e resultados apresentados por seus colaboradores, demonstrando assim respeito e interesse em desenvolver o profissional na área em que apresente melhor resultado e satisfação. A administração de pessoas precisa se basear em fatores pré-estabelecidos no plano de carreira quando coloca como prioridade a valorização do conhecimento humano e seu desenvolvimento. Dificilmente uma pessoa que mude de cargo e posição hierárquica sem quaisquer critérios ou de acordo com fatores irrelevantes, como o tempo que possui na empresa, irá atender de forma satisfatória às expectativas nela depositadas. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 O plano de carreira pode ser estruturado de três maneiras: plano de carreira em linha, plano de carreira em rede e plano de carreira paralelo. Na carreira em linha o indivíduo vai se especializando, assumindo novas responsabilidades e não possui grande mobilidade, pois o esperado é que o colaborador desenvolva suas aptidões com um cargo final já definido; normalmente, é o tipo de plano de carreira para profissionais em cargos de gestão. No plano de carreira em rede pode ser observada a mobilidade que não existia no anterior, e a expressão rede é utilizada porque esse modelo considera a importância das relações humanas entre todos os envolvidos na organização e da interdependência entre eles. Por fim, existe o plano de carreira paralelo, em que se faz necessário um incentivo maior ao desenvolvimento e à capacitação por parte da empresa. Paralelo significa que o colaborador não segue uma linha pré-estabelecida de desenvolvimento, mas, sim, ele é feito por meio de atuação em áreas diferentes, sempre utilizando como base a satisfação do profissional com relação à atividade e sua remuneração. Além disso, é necessário conhecer bem as pessoas e fazer parte da equipe. A fim de compreender as características pessoais dos colaboradores e suas ambições, a administração de recursos humanos traçou alguns métodos, como veremos a seguir. 2.1 Análise de cargos Estabelecer um plano de carreira para os funcionários só é possível a partir do momento que a empresa compreende as necessidades e exigências inerentes às atividades que desenvolve. Do ponto de vista do profissional, ele também pode estabelecer metas para o seu desenvolvimento, verificando por meio da análise de seus resultados e conhecimento as lacunas que devem ser preenchidas com novos cursos, mudanças de atitude e preparos específicos. Essas necessidades, consideradas como exigências mínimas para a realização das tarefas e posicionamento do mercado, como o nível de profissionais, equipamentos e tecnologias, devem ser tratadas de forma específica, incluindo a formalização de uma estrutura de departamentos, áreas, cargos, tarefas a serem desempenhadas, bem como a formalização das características e competências que os profissionais devem possuir para alcançar os resultados estabelecidos. A competência de uma pessoa envolve a capacidade de agir em diversas situações, tanto para criar ativos tangíveis quanto intangíveis. Não basta ter pessoas. É necessária uma plataforma que sirva de base e um clima que impulsione as pessoas e utilize os talentos existentes. (CHIAVENATO, 2009a, p. 279). A competência dos profissionais é composta por três pontos, resumidos na sigla CHA, sendo C: conhecimento, H: habilidades e A: atitude. O conhecimento engloba todas as informações que o indivíduo recebe e retém ao longo da vida, as habilidades são representadas pela forma como essa pessoa age, de que forma usa seu conhecimento, e por último, as atitudes, que Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 serão determinadas por valores e cultura aprendidos e desenvolvidos ao longo da vida. O planejamento de carreira deve existir em qualquer tipo de organização, desde a menor e menos estruturada até a transnacional com milhares de funcionários. Quando se planeja, além de projetar os resultados esperados e estabelecer etapas, existe também um estudo do ambiente. Mesmo que um imprevisto aconteça, provavelmente a reação e a adaptação serão feitas de forma mais rápida e eficiente, pois mesmo diante de um fato desconhecido, ele não é totalmente novo, a organização e seus administradores já o conhecem pelo menos de forma básica mediante estudos anteriores. Segundo Bohlander (2010, p. 128), a análise de cargos é o processo de obtenção de informações sobre cargos, determinando os deveres, as tarefas ou as atividades que eles envolvem. A análise de cargos irá definir as atribuições de cada atividade e quais competências específicas seus profissionais deverão possuir. Essas atribuições envolvem desde aspectos físicos, como força muscular, esforços visuais e motores, até habilidades e capacidades específicas. A empresa irá determinar características gerais, que irão formar os requisitos básicos para que um profissional se candidate, porém, algumas aptidões são diferentes de acordo com cada atividade, e é fundamental que sejam desenvolvidas com excelência. Utilizar a análise de cargos como ferramenta para o plano de carreira e sucessão significa ter responsabilidade na contratação e se preocupar com a satisfação que o profissional irá sentir ao realizar tarefas ligadas às áreas em que se capacitou e pelas quais teve interesse ao longo da vida. Só é possível oferecer um plano de desenvolvimento quando se coloca um profissional em sua área de formação e interesse e quando há o conhecimento de quais habilidades devem receber investimento e oportunidades para melhoria. Como definição para o plano de sucessão, Bohlander (2010, p. 179) utiliza o exemplo de um novo funcionário sem experiência que costuma ser incumbido de um “cargo inicial”. Depois de um período de tempo naquele cargo, o funcionário pode ser promovido a outro que exija mais conhecimento e/ou habilidade. A melhor forma de estabelecer um plano de carreira e sucessão é estabelecer as responsabilidades e os conhecimentos exigidos por cada cargo e oferecer aos profissionais a oportunidade de se desenvolver, bem como incentivar esse desenvolvimento deixando claros os benefícios da organização. Nos dias de hoje, é cada vez mais perceptível nos ambientes de trabalho pessoas que sesentem acomoadadas com a tarefa que realizam e acabam diminuindo seu aproveitamento e resultados simplesmente porque não enxergam caminhos que a façam progredir. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 9 Os modelos de administração de recursos humanos modernos visam a identificar essas zonas de conforto antes que tais atitudes prejudiquem o profissional e a organização. O capital intelectual deve sempre ser estimulado por meio de novas responsabilidades, tarefas, treinamentos e experiências. O acerto ao proporcionar esse constante estímulo ao funcionário vem de uma base de conhecimento a respeito do que é específico de cada cargo e quais os passos para que seja alcançado o próximo nível. 2.2 Avaliação de desempenho e feedback Independentemente de qualquer política adotada pelas organizações, é papel do colaborador traçar suas próprias metas e estabelecer como deseja desenvolver sua carreira. Atrelado a isso, a área de recursos humanos irá de maneira técnica auxiliar o funcionário a avaliar seu plano de desenvolvimento e a identificar pontos em que é necessário melhorar ou mesmo orientá-lo em relação à necessidade de mudança de atividade. De acordo com Chiavenato (2009b, p. 113), a avaliação do desempenho é uma apreciação sistemática do desempenho de cada ocupante no cargo, bem como de seu potencial de desenvolvimento. Toda avaliação é um processo para julgar ou estimular o valor, a excelência e as qualidades de uma pessoa. Na figura a seguir veremos os fatores que influenciam os resultados desse tipo de análise. Figura 2 – Fatores que afetam o desempenho no cargo Fonte: CHIAVENATO (2009b, p. 112). É muito importante que o indivíduo tenha entendimento sobre qual é seu papel dentro da organização e quais as atitudes e resultados são esperados. Após avaliar o desempenho e cruzar esses dados será possível fazer uma análise exata da produtividade e das falhas ou lacunas que devem ser mais bem desenvolvidas. É tarefa da gestão de pessoas saber se os funcionários estão conseguindo resultados dentro das expectativas criadas ou mesmo se alguma etapa deve ser reformulada e se as áreas, tarefas ou colaboradores devem passar por mudanças. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 10 A avaliação de desempenho pode ser feita de diversas maneiras e, em geral, é comandada pelo gestor da área, ou funcionário de recursos humanos, junto ao gestor. Em alguns casos, a gestão de pessoas se utiliza de ferramentas mais complexas, que possibilitam uma visão mais ampla dos resultados, a análise feita por meio dela se chama “visão 360°”. Cada pessoa é avaliada pelos diversos elementos que compõem seu entorno. (CHIAVENATO, 2009b). As organizações têm mudado muitos conceitos relacionados à administração de pessoas conforme informações e necessidades exigidas para se manter bem posicionadas. A estrutura hierárquica e sem incentivo à criação de relacionamentos tem perdido espaço e tem se tornado cada vez mais comum à equipe avaliar um membro de seu grupo. O objetivo dessa forma de avaliação é enxergar as visões de diferentes ângulos ou, nesse caso, diferentes graus de relação e interdependência. Permite que o avaliado compreenda de que forma suas atitudes, competências e resultados impactam colegas de trabalho, superiores e clientes externos. A avaliação de desempenho permite que tanto a empresa quanto o colaborador identifiquem como estão os resultados de suas responsabilidades. Para a empresa, é possível assinalar se o estudo feito no tópico anterior – análise de cargos – está servindo de maneira positiva para a delegação de cargos e funções. Já para o colaborador, são apontadas respostas sobre seus acertos e em quais aspectos pode melhorar. A eficiência da área de recrutamento, seleção e direcionamento para cargos será medida aqui, em que são levantados números e informações que permitem conclusões a respeito de sua qualidade. A seguir, uma figura que caracteriza a análise dos resultados como integrador das atividades da área de recursos humanos, desde a seleção de profissionais, manutenção, feedback e plano de ação que visa a melhoria. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 11 Figura 3 – Avaliação do desempenho como integrador de práticas da ARH Fonte: CHIAVENATO (2009b, p. 166). O feedback é uma técnica muito utilizada ao longo da carreira da profissional, pois enfatiza a questão de identidade com a empresa e semelhança de valores e desejos tratados no momento em que o colaborador ingressa na organização. Para Bohlander (2010, p. 257), os gestores têm de se sentar com os funcionários para conversar com eles sobre áreas a serem melhoradas, de modo que eles possam determinar conjuntamente quais abordagens de desenvolvimento terão o máximo benefício. Do inglês, “feedback” quer dizer comentário ou opinião. Muitas empresas têm essa ferramenta bem instituída e um cronograma fixo para que seja realizado junto à avaliação de desempenho de tempo em tempos, visando a acompanhar a maneira que as tarefas são realizas e a identificar falhas. Levantar o que não está dando certo e refazer o plano tende a ter como consequência mudança dos resultados obtidos e ganho por meio de melhor desenvolvimento e aplicação do capital humano. (MARRAS, 2003). Ao ingressar e estar engajado em uma nova área, atividade ou organização, o indivíduo recebe uma série de informações em relação a comportamento, regras, maneira de produzir, prazos, equipe, funcionamento de sistemas etc., e depois disso, é comum esperar que sua adaptação ocorra de forma natural. O acompanhamento é fundamental e erra o gestor que espera apenas colher os resultados de atividades e projetos. Como vimos, esses resultados dependem de motivação, e criar medidas para que a equipe esteja unida e trabalhando a Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 12 favor da organização propicia melhora e evolução. O momento do feedback é individual, em que cada funcionário e seu gestor, ou profissional qualificado da gestão de pessoas, abrem um espaço para que sejam discutidas as opiniões e sentimentos em relação a qualquer característica e influência do dia a dia. Uma boa área de administração de recursos humanos não somente orienta e aconselha, mas também escuta. Quando a necessidade é levantar pontos de acerto e erro dentro de áreas da organização ou mesmo projetos, o feedback pode ser feito de forma coletiva. Entender o comportamento de um colaborador e ser consciente de que não existe uma fórmula exata para lidar com todos da equipe, já que cada um apresenta necessidades e atributos distintos, está diretamente relacionado à questão motivacional. Se existe um problema no resultado, é papel do gestor se dispor a entender e por meio do feedback criar uma oportunidade de relação transparente e de parceria e oferecer condições para mudar. Existem diferentes métodos para a avaliação de desempenho, os mais importantes são: escalas gráficas, incidentes críticos, comparativo, escolha forçada e 360 graus. Todos eles se baseiam no levantamento de dados e necessidades do cargo em questão, bem como nas características específicas exigidas no profissional e expectativas em relação aos resultados. O que os diferencia é a forma como o profissional envolvido na aplicação da avaliação determinará suas respostas. A maioria deles estabelece pontos principais do cargo, como características negativas e positivas, e possibilita a escolha. Alguns são aplicados de maneira mais flexível e aberta, em que é possível observar um grau de subjetividade interferindo nas respostas. Considerações finais A implantação de uma estrutura de plano de carreira, desenvolvimento e sucessão nas organizaçõespermite que as pessoas, de forma individual, e a empresa, como um todo, alcancem níveis de satisfação e resultados maiores que os vistos em organizações que não valorizam o capital intelectual humano. Isso acontece simplesmente porque faz parte da essência das pessoas a necessidade de se sentir útil e admirado. O desempenho do profissional está diretamente ligado à forma que ele recebe incentivos e sente que seu trabalho tanto interfere de forma positiva nos resultados do grupo do qual faz parte, quanto agrega valor ao próprio conhecimento e habilidades. Estabelecer um plano de carreira é um exercício que deve ser feito em conjunto. Cada indivíduo deve questionar a si mesmo qual seu papel dentro da organização, o quanto pode e deseja se desenvolver dentro dela, e qual seu nível de satisfação com as condições de trabalho e oportunidades que recebe, bem como sua satisfação em exercer as atividades. Por parte da organização e da área de gestão de pessoas, cabe estabelecer ferramentas e diretrizes que auxiliem a avaliação dos resultados operacionais e pessoais de sua equipe. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 13 Para avaliar como os funcionários estão no momento atual e fazer projeções para seu desenvolvimento é necessário conhecimento. Ao se oferecer chances de ocupar novos cargos e assumir novas responsabilidades, devem ser avaliados os méritos de cada um. Isso é estabelecer plano de carreira. Conhecer cada um da equipe, suas competências, seu senso crítico, nível de confiança e, conforme dissemos acima, sua vontade de agarrar novas oportunidades e utilizá-la para agregar cada vez mais conhecimento e resultados à empresa. Transformar e converter a informação em conhecimento, utilizando suas próprias competências e tornar o conhecimento rentável por meio de sua conversão em novos produtos, novos serviços, novos processos internos, novas soluções e, principalmente, em criatividade e inovação. (CHIAVENATO, 2009a, p. 280). Para finalizar, vale a pena mencionar que o plano de carreira estabelece um padrão de qualidade. Ao avaliar uma pessoa e orientá-la sobre em que pode melhorar, por meio da avaliação de desempenho, é criada uma relação positiva entre funcionário e empresa. Sentindo o estímulo e respeito, a tendência é que ele busque cada vez mais melhorar e sempre apresentar bons resultados como resposta ao investimento que recebe. As oportunidades acrescem pontos positivos em relação ao sentimento do funcionário com a empresa. E quando se quer manter uma equipe qualificada e competitiva, a fim de manter a organização bem posicionada no mercado, ela deve ser frequentemente estimulada. Da mesma maneira, o inverso é verdadeiro. Quando existe uma estrutura de plano de carreira, a organização sabe que tipo de profissional quer e não quer em seu quadro. Ao utilizar as ferramentas de análise, é possível identificar quem precisa passar por processos de reciclagem ou mesmo deixar de fazer parte do grupo. A área de recursos humanos quando bem estruturada, passa a ser dinâmica e reflete diretamente nos resultados operacionais. (CHIAVENATO, 2009a). Referências BOHLANDER, G. Administração de recursos humanos. São Paulo: Cengage Learning, 2010. CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009a. _____________. Desempenho humano nas empresas: como desenhar cargos e avaliar o desempenho para alcançar resultados. São Paulo: Manole, 2009b. DUTRA, J. S. Gestão de carreira na empresa contemporânea. São Paulo: Altas, 2010. MASCARENHAS, A. O. Gestão estratégica de pessoas: evolução, teoria e crítica. São Paulo: Cengage Learning, 2008. MARRAS, J. P. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2003. Marcia Welita da Silva Gestão de Pessoas Aula 07 Aprendizagem, Treinamento e Desenvolvimento das Pessoas Objetivos Específicos • Conhecer a importância da aprendizagem e do treinamento organizacionais. Temas Introdução 1 Aprendizagem Considerações finais Referências Professora Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução Lidar com pessoas é uma tarefa complexa que se vem desenvolvendo principalmente desde o início da era industrial até os dias de hoje. À medida que a tecnologia foi sendo introduzida aos meios de produção, a necessidade de um profissional com habilidades técnicas específicas foi-se fazendo necessária. A introdução das máquinas causou uma revolução principalmente nos resultados, que eram o foco dos proprietários de empresas e, para realizarem a administração da produção em larga escala passaram a necessitar de mão de obra especializada. Apesar da dificuldade em encontrar pessoas para ocupar os novos cargos, operar com as máquinas não era tarefa difícil, embora fosse uma novidade. Um treinamento básico sobre como manusear, programar, que cuidados ter em relação à segurança e qual a qualidade do resultado, bem como a forma de administrar o tempo, por exemplo, eram suficientes para garantir que a nova classe operária atendesse a demanda. Deste momento em diante, o processo de evolução, não somente das tecnologias, mas também do conhecimento e das formas de se relacionar aconteceu muito rapidamente. O século 21 é definido como a era da informação e do conhecimento. Informações alcançam com rapidez todos os povos ao redor do mundo e essa velocidade resulta em mudanças frequentes no cenário mundial, englobando formas de produção, economia e estilo de vida. A comunicação integra e possibilita o desenvolvimento geral. À medida que as fronteiras deixam de ser barreiras e a informação é dissipada, os processos se desenvolvem e a ordem natural, tomando como base as organizações, é que as estruturas sejam revistas a fim de se manter em posição competitiva, revendo conceitos que deixaram de ser usuais, adquirindo novas técnicas de produção, investimento no conhecimento dos profissionais em todas as áreas. De acordo com Chiavenato (2009b, p. 38) “educação profissional é a educação institucionalizada ou não, que visa o preparo do homem para a vida profissional”. Possuir uma equipe bem preparada, que possui ferramentas para executar suas atividades e saber explorá-las ao máximo, da mesma forma que fazem com o conhecimento e as habilidades, faz parte do perfil das empresas que identificaram que “quem faz” e “como se faz” determinam se todas as possibilidades estão sendo desenvolvidas da forma mais eficiente e se apresentam diferencial em relação às demais. Nesta aula, o objeto de estudo será a importância da administração do capital intelectual por parte da gestão de pessoas e, dessa forma, abordar uma análise sobre aprendizagem e treinamento nas organizações e como estas se estruturam para desenvolver o conhecimento humano atrelando-o aos objetivos e resultados operacionais. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 1 Aprendizagem Na era do conhecimento, para manter-se rentável e trilhar um caminho que vise o sucesso da organização, os administradores de recursos humanos têm estruturado a área de forma a valorizar o capital humano que integra as equipes por meio de investimento em conhecimento, desenvolvimento e formação do profissional. Para Chiavenato (2009a, p. 119) “[...] a aprendizagem pode ser visualizada como um processo de condicionamento da conduta.” Deve-se enfatizar que a estrutura de aprendizagem não pode ser definida apenas em que tipo de investimento será feito, como treinamentos, workshops, estágio por diversas áreas e cursos específicos. A forma como será aplicada deve levar em consideração características pessoais do ser humano. As pessoas têm aspectos diferentes umas das outras, não somente considerandoaptidões e habilidades, mas formas de perceber uma informação, de ter facilidade ou não de entendimento, e de se diferenciam também na maneira como recebem um estímulo (CHIAVENATO , 2009a). Algumas pessoas são mais visuais e necessitam de exemplos reais, apostilas teóricas, anotações; outras, conseguem colocar em prática ensinamentos feitos a partir de uma orientação ou feedback. Considerando que o objetivo da gestão de pessoas é transmitir informação e conhecimento-base para que seja formada uma equipe qualificada, ter a habilidade de alcançar os diferentes tipos de pessoas é requisito fundamental. Em aprendizagem também podemos englobar as exigências mínimas de um cargo dentro da organização tanto para definir que tipo de treinamento um cargo ou seu ocupante necessitam, quanto para recrutar e selecionar profissionais que possam agregar valor e conhecimento,, de forma positiva, à organização, a área de recursos humanos deve conhecer as necessidades de cada tarefa, como afirma Bohlander (2010, p. 128) “[...] um dos importantes objetivos da moderna análise do trabalho é ajudar a organização a estabelecer as características do cargo e os requisitos para a seleção e o desempenho.” A formação profissional e as experiências anteriores no cargo devem ser consideradas por uma organização que tem o incentivo à aprendizagem como alicerce. O desenvolvimento do profissional até o momento em que integrou um novo time não pode ser ignorado, até mesmo porque conhecer seu histórico vai possibilitar prever como será sua progressão e como reage com assuntos da área. Estruturar os cargos é uma forma de relacionar as necessidades esperadas com as qualidades e habilidades presentes nos candidatos em potencial. Somente por meio do entendimento do que é preciso para determinada tarefa ou em determinado momento, é possível definir o aprendizado necessário e como será desenvolvido. No quadro 1, podemos compreender melhor as características das diferentes formas de aprendizado na vida do profissional. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 Quadro 1 – Formação, desenvolvimento e treinamento como formas de educação profissional Tipo de educação profissional Escopo Objetivos Extensão de tempo Características Formação Prepara e forma a pessoa para o exercício de uma profissão no mercado de trabalho. Amplos e mediatos. Longo prazo. Qualifica para uma futura profissão. Dada nas escolas e nas organizações. Desenvolvimento Amplia e aperfeiçoa a pessoa para o crescimento profissional na carreira e na organização. Menos amplo. Médio prazo. Proporciona conhecimentos e prepara para funções complexas. Dado em organizações. Treinamento Prepara a pessoa para ocupar determinado cargo na organização. Restritos e imediatos. Curto prazo. Fornece o essencial para o cargo atual. Dado em organizações ou em empresas especializadas. Fonte: Chiavenato (2009b, p. 40). 1.1 Treinamento organizacional Treinamento é um processo de assimilação cultural a curto prazo, que objetiva repassar ou reciclar conhecimentos, habilidades ou atitudes relacionados diretamente à execução de tarefas ou à sua otimização no trabalho. (MARRAS, 2003, p. 145). Como aprendemos, o treinamento prepara a pessoa para ocupar determinado cargo na organização. Em tempos de era do conhecimento e valorização do capital intelectual, a informação bem transmitida e bem compreendida impulsiona as formas de produzir, relacionar e, no caso das organizações, lucrar. A globalização permite que informações sejam trocadas entre lugares distantes e entre vários lugares ao mesmo tempo. Da mesma forma, possibilita conhecimento em um prazo muito abaixo do que era possível no século passado e cria a necessidade de interpretá-la de forma a conseguir aplicar positivamente no dia a dia toda a informação e influências geradas por ela, tanto, no planejamento da vida pessoal como profissional. Dependendo de emissor – que é quem transmite a informação – e do receptor – que é a pessoa a quem se pretende atingir –, o alvo da comunicação – a informação – pode tornar-se útil e agregar valor ou ter seu fim de transmissão ao chegar a indivíduos que não estão preparados para administrá-la. É importante a capacidade de criar sobre o que já Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 existe ou sobre o conhecimento novo. No ambiente competitivo em que estamos inseridos, surpreendidos por novidades a cada instante, conhecer as próprias habilidades e limitações e desenvolver de forma competente, cria diferencial. As consequências da globalização e a influência da competitividade podem ser melhor compreendidas pela afirmação de Bohlander (2010, p. 285): As habilidades básicas estão-se tornando qualificações essenciais para as ocupações, causando profundas implicações na qualidade dos produtos, no atendimento aos clientes, na eficiência interna e na segurança ambiental e no local de trabalho. Os treinamentos possibilitam que os cargos sejam melhor executados e as pessoas utilizem seu potencial de forma direcionada. A análise de cargos – levantamento de necessidades e características específicas de cada cargo na organização – e a avaliação dos resultados permitem a identificação de competências que devem ser desenvolvidas, melhoradas, ou mesmo a necessidade de mudanças de profissional (CHIAVENATO, 2009b). Identificar as competências de cargos que englobam as suas necessidades técnicas, experimentais, conhecimentos e profissionais é o primeiro passo para estabelecer uma estrutura de treinamento. Com base no histórico da atividade e nos resultados apresentados, é possível discriminar quais as falhas ou deficiências que devem ser melhor trabalhadas, da mesma forma que identifica competências que necessitam de desenvolvimento. Os treinamentos envolvem o conhecimento técnico e prático de um cargo, as habilidades e sua atitude, que formam o CHA (conhecimento, habilidade e atitutude). Gerentes e equipes de RH devem ficar atentos aos tipos de treinamento necessários, aos setores onde são necessários, a quem precisa deles e aos métodos que proporcionarão melhor os CHA de que os funcionários precisam. (BOHLANDER, 2010, p. 252). A necessidade de investir em treinamento é tarefa essencial e qualificada como importante para as organizações pós-modernas, tanto que chega a ser fator determinante ao ser feita a análise de resultados operacionais de empresas em geral. O avanço da tecnologia exige que as equipes de trabalho sejam formadas por profissionais com mais qualificação do que era necessário nos séculos passados e o perfil dessas pessoas também deve ser diferente. Uma pessoa não nasce e morre exercitando somente uma habilidade, mas, sim, é preciso que seja um profissional do conhecimento para que seja valorizado e conquiste tanto posição de destaque quanto de sucesso na área de atuação. O objetivo é alcançar os mais altos níveis de produção. As organizações buscam formar equipes com capital intelectual, de profissionais ativos que busquem constantemente desenvolver suas habilidades e aumentar o conhecimento. Para Chiavenato (2009a, p. 173) “esse capital pode valer mais ou valer menos na medida em que contenha talentos e competências capazes de agregar valor para a organização e torná-la mais ágil e competitiva.” Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 A administração de recursos humanos deve, então, conhecer bem a empresa, as políticas seguidas pelos diretores, o mercado e suas influências, os cargos e suas necessidades, e, se tratando de capacidade intelectual, conhecer as pessoas. Estabelecer diferentes formas detreinamento e acompanhamento dos resultados, permite que todas as pessoas sejam avaliadas respeitando suas características pessoais e, assim, garantindo melhor entendimento e absorvição. O objetivo é que o aprendizado seja aplicado no dia a dia prático e também de forma intelectual. Treinar pode ensinar a manusear ferramentas e sistemas, mas quando se pensa em profissional do século 21, a principal vantagem é agregar aptidões, influir no comportamento impulsionando as atitudes para que sejam tomadas decisões de maneira diferente (CHIAVENATO, 2009a). Quando uma equipe recebe informação e aumenta seu nível de conhecimento, o grupo inteiro e a organização alcança novos patamares. Treinar é uma estratégia de multiplicar conhecimento. Quem está bem instruído executa melhor e com mais confiança sua atividade, e serve de espelho e motivação para quem está ao seu redor. Bohlander (2010) descreve o planejamento do treinamento como tarefa do administrador e profissionais em cargos de liderança, que devem aliar a necessidade de instrução da equipe com as metas e objetivos estratégicos da organização. Para ter certeza de que os investimentos em treinamento e desenvolvimento causem impacto máximo no desempenho individual e organizacional, deve-se recorrer à abordagem sistêmica de treinamento. Essa abordagem envolve quatro fases: (1) levantamento de necessidades, (2) projeto do programa, (3) implementação e (4) avaliação. (BOHLANDER, 2010, p. 251) Existem vários métodos de treinamento, podendo ser presenciais ou a distância. Muitas organizações utilizam o próprio local de trabalho para instruir seus profissionais, considerando que ter como ambiente o dia a dia proporciona melhor desempenho, apesar de nem sempre ter uma estrutura adequada. O ideal é que exista uma área destinada especialmente à formação e à capacitação dos colaboradores, equipada com computador e vídeo, a fim de oferecer um preparo e um cuidado melhores na elaboração das instruções que serão dadas. Devemos considerar que, com a cada vez mais rápida necessidade de habilitação e desenvolvimento das habilidades, acrescidas da falta de tempo para o deslocamento de muitas pessoas de diferentes áreas, aliados como a tecnologia são cada vez mais frequentes em técnicas a distância, como o e-learning, no qual o colaborador possui acesso a materiais que podem ser disponibilizados por meio de cds, vídeos, internet e transmissões via satélite. Podem ser aplicados, ainda, treinamentos cognitivos e comportamentais nos quais são realizados testes a atividades que visam melhorar e desenvolver aspectos determinados do profissional (BOHLANDER, 2010). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 1.2 Desenvolvimento de pessoas O desenvolvimento das pessoas em uma organização deve ter acompanhamento e intervenção de gestores caso os resultados não apresentem um bom desempenho. Junto a uma política orientada pelo aprendizado, a gestão de pessoas deve preocupar-se com a capacitação dos funcionários em geral e também com a formação das pessoas em cargos de gestão capazes de lidar com o grupo e, acima de tudo, orientar. Chiavenato (2009b, p. 158) afirma que o desenvolvimento “baseia-se nos conceitos e métodos das ciências do comportamento, visualiza a organização como um sistema total e compromete-se a melhorar a eficácia da organização no longo prazo mediante intervenções construtivas em processos e em estruturas organizacionais”. Quando um profissional está no momento de integração com grupo e empresa, junto a todas as informações que recebe, está uma grande preocupação em orientá-lo a como fazer e quais sistemas e ferramentas utilizar. Apesar de provavelmente existir o zelo com o tratamento humano, informar as regras, os procedimentos e como serão esperados e avaliados seus resultados, faz parte do primeiro momento de adaptação. O tempo de trabalho e relacionamento vão proporcionar uma avaliação da competência do profissional. As aptidões e habilidades identificadas no momento da contratação serão verificadas de fato. O treino diário e adequação à cultura da empresa possibilitam que a etapa anterior avance para um outro nível. Ainda existe muita orientação a respeito de como devem ser realizadas as tarefas. Os resultados continuam sendo acompanhados e é, no momento de avaliação, que são identificados falhas e méritos. Ao se criar estrutura de desenvolvimento, as políticas de aprendizagem e treinamento, as pessoas passam a receber apoio e suporte para alinhar seus resultados com o que a organização espera. As possíveis falhas serão identificadas pelo diagnóstico da tarefa e o treino também proporciona que o talento seja melhor desenvolvido. Conforme afirma Bohlander (2010, p. 253) “[...] a análise da empresa é um exame do ambiente, das estratégias, e dos recursos da empresa para determinar onde a ênfase do treinamento deve ser colocada.” Conhecer o comportamento das pessoas e suas características individuais também é importante para ser eficiente ao orientar por meio de treinamentos. Os métodos de aprendizado cognitivo e behaviorista se espelham nesse entendimento do ser humano para estabelecer seus princípios. O estudo cognitivo engloba aspectos psicológicos do indivíduo, como a maneira que interpreta e recebe informações e estímulos, e como sua percepção determinará seu comportamento. Behavior, do inglês, significa “comportamento”, o aprendizado behaviorista visa compreender o comportamento de cada pessoa e, por meio de treinos práticos e instrução, moldá-las para que atinjam o comportamento desejável. A maturidade do profissional, definida como capacidade de assumir responsabilidades, ter interesse em aprender e iniciativa para explorar o que não é esperado ou colaborar com ideias e sugestões, assumindo compromisso com a organização e o cargo, demonstrando Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 confiança e motivação, tem relação direta a quanto é necessário de acompanhamento e apoio por parte de superiores, bem como a determinação de tarefas (CHIAVENATO, 2009b). A ordem de evolução é que, à medida que o trabalho é desenvolvido, sejam cada vez menores as orientações e ordens e maior a autonomia. A proporção que o profissional se desenvolve, aumenta a relação de parceria e igualdade entre o grupo. O gestor passa a delegar funções e o funcionário a assumir compromissos que, no início de sua carreira, não lhe seriam confiados. É importante lembrar que a chave para qualquer relacionamento ter sucesso é, além de estabelecer bases de confiança, trabalhar de forma transparente. O desenvolvimento de um profissional tem participação efetiva no resultado do grupo e da organização em questões operacionais e financeiras. A responsabilidade quando se cria medidas de valorização do capital humano e aprendizado é grande para a administração de recursos humanos. O investimento no desenvolvimento de pessoas tem, como resultado, a aprendizagem organizacional. Oferecer condições para os profissionais se aprimorarem e incentivar por meio de acompanhamento e presença ativa essa busca por eficiência e maior capacitação, cria relacionamentos assertivos que vão desencadear um constante processo de evolução. Ter um quadro de colaboradores talentosos e saber como aplicar suas competências de maneira a ser um diferencial nas etapas do planejamento estratégico e busca pelos objetivos, faz com que a organização trilhe um caminho de sucesso. Quando uma pessoa aprende, ela repassa essa informação a outra pessoa e, assim, constrói-se uma equipe eficiente, produtiva e ativa para a realização das tarefas. Considerações finais O século 21 tem sido marcado por constantes mudanças e, apesar deexistirem estudos, padrões e planejamento para as tomadas de decisão, o ambiente dinâmico em que estamos inseridos exige uma rápida reação e adaptação às novas informações e alterações no cenário. As regras são estabelecidas mas também é de consciência dos gestores que elas não devem ser seguidas estritamente e que modificações podem ser necessárias. Para que as organizações se mantenham em destaque e com resultados favoráveis, conhecer o negócio e o mercado em que estão inseridas é fundamental. No decorrer dos últimos anos, com o avanço da era da tecnologia e informação, conhecer as pessoas que formam as equipes também ganhou importância na briga por uma posição competitiva no mercado. As pessoas, trabalhando em grupo, reúnem esforços e conhecimentos gerando força e podendo alcançar altos patamares em sua vida profissional, por meio de reconhecimento de seu mérito e valorizado com promoções e/ou delegação de mais responsabilidade em novos desafios. O grande desafio para a gestão de pessoas, é estimular cada colaborador Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 9 individualmente, além de proporcionar condições para que ele se desenvolva e possa aplicar seu conhecimento de forma a agregá-lo ao conjunto. Além de conhecer o negócio e conhecer quem faz parte dele, cabe à administração de recursos humanos traçar estratégias para alinhar os objetivos da organização ao planejamento que será colocado em prática e repassado para os colaboradores, além de lidar com questões pessoais. O ambiente de trabalho e a maneira como as pessoas se sentem nele tem grande influência nos resultados e na maneira de realizar as tarefas. Um trabalho bom e eficaz é resultado de um grupo bem informado e disposto a alcançar metas que sejam comuns a todos. Quando a gestão de pessoas se preocupa em proporcionar um ambiente de apoio, transparência e estímulo ao conhecimento e reconhecimento, passa a lidar não somente com o dia a dia, mas adquire habilidade para se organizar de forma estratégica (CHIAVENATO, 2009a). Faz parte do papel do gestor e dos cuidados com as pessoas, manter os funcionários inspirados e interligados, sempre se orientando pelos valores, objetivos e planejamento estabelecidos pela administração. A aderência do colaborador ao grupo reflete o quanto ele está integrado, conhecendo os padrões da organização, de suas tarefas, como desenvolver o trabalho, quais as responsabilidades a ele confiadas e quais as expectativas esperadas pela organização. Inspirar as pessoas é uma questão a ser trabalhada todos os dias. Por mais que o funcionário tenha autonomia em sua tarefa e detenha conhecimento dela, ele deve ter a consciência de que sempre existe espaço para se desenvolver e, principalmente, deve ter o conhecimento de que a empresa valoriza seu empenho. Para que se aplique de forma verdadeira, a organização deve possuir estrutura de treinamentos e de avaliação de aprendizagem. O capital intelectual, como ferramenta estratégica, não possui limite para se desenvolver. Mais eficazes são os profissionais que não detêm conhecimento específico somente em uma tarefa ou mesmo em uma área. Estratégia é ter base para planejar e desenvolver em situações diversas. No mercado, tanto na concorrência entre profissionais quanto entre organizações, sobrevive quem não enxerga barreiras para o conhecimento, progride e se adapta. O profissional que sente prazer pelo que faz é incentivado por uma vontade pessoal que o torna eficaz. Ser bem-sucedido ou não tem parcela de responsabilidade da empresa, que pode tanto incentivá-lo a não se estagnar e proporcionar chances de desenvolvimento, quanto engessar esse indivíduo de forma que seu trabalho passe a não ter valor, até que ele perca a motivação e seus bons resultados passem a cair. É fundamental, em uma organização que visa sucesso e posição de destaque, a preocupação com o desenvolvimento de seus profissionais e liderança orientada para a motivação e para o reconhecimento. A maneira como o colaborar se sente, entende sua função, sabe executar Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 10 suas tarefas e são estimulados a não se contentar com o que, de certa maneira é cômodo, e sim buscar frequentemente informações e conhecimento, é consequência das políticas de aprendizado e desenvolvimento aplicadas pela administração de recursos humanos. Para que se extraia o máximo de um profissional, é necessário conhecê-lo e identificar quais as reais necessidades de cada um, de acordo com a atividade que desepenham, com as características do cargo e as responsabilidades da função. Motivação e reconhecimento estão ligados ao respeito pelo potencial de cada um e valorização daquilo que se tem de melhor e do que se é capaz de atingir. Para quem busca aprender, não existem limites para o crescimento, fazendo com que, por sua vez, organizações lucrem formando equipes bem preparadas e dispostas a surpreender positivamente por meio de suas constantes novas habilidades e competências. Referências BOHLANDER, G. Administração de recursos humanos. São Paulo: Cengage Learning, 2010. CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009a. ____________. Treinamento e desenvolvimento de recursos humanos: como incrementar talentos na empresa. São Paulo: Manole, 2009b. KOPS, L.M. Gestão de pessoas: conceitos e estratégias. Curitiba: Intersaberes, 2013. MARRAS, J. P. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2003. VERGARA, S.C. Gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 2012. Gestão de Pessoas Aula 08 Clima e Desenvolvimento Organizacional Objetivos Específicos • Compreender os conceitos e objetivos do desenvolvimento organizacional. Temas Introdução 1 Cultura e clima organizacional 2 Comunicação e desenvolvimento organizacional Considerações finais Referências Professora Marcia Welita da Silva Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução O ideal que um indivíduo busca é o que o impulsiona a realizar suas tarefas e buscar novas formas de informação e desenvolvimento. Para executar bem uma atividade, é fundamental estar motivado e crente de que tal tarefa vai conduzi-lo a seu objetivo final, sendo ele financeiro, pessoal ou profissional. Da mesma forma que encontramos organizações com diferentes tipos de visão, valores, objetivos, e perfis de administradores, diferentes também são todos os seres humanos, e considerar que eles possuem características e aptidões distintas ajuda no momento de orientar uma equipe e estabelecer padrões de comunicação e relacionamento. De acordo com Chiavenato (2009, p. 117): As atitudes são determinantes do comportamento, pois estão relacionadas com percepção, personalidade, aprendizagem e motivação. Uma atitude é um estado mental de prontidão, organizado pela experiência, que exerce influência específica sobre a resposta às pessoas, aos objetos, e às situações com as quais uma pessoa se relaciona. O comportamento na organização será baseado nas relações humanas existentes e na forma como os administradores incentivam e priorizam o contato entre empregados, empregadores, clientes e fornecedores. As diferentes influências durante a vida, histórico e habilidades farão com que exista a necessidade de uma orientação e padronização de conduta. É fundamental para a organização manter uma equipe engajada, pois o equilíbrio e a satisfação pessoal de cada um em um trabalho conjunto, conduzirão ao alcance de objetivos e metas estabelecidos. Deve-se observar que os ideiais não se mantêm constantes e iguais ao longo da vida do indivíduo. Mudanças no cenário global, em algum aspecto do cotidiano, em aptidõese anseios de cada um fazem com que haja também uma modificação do que essa pessoa planejou para sua vida em longo prazo ou até dado momento. O ser humano tem grande capacidade de adaptação a mudanças, criando com elas novas necessidades (BOHLANDER, 2010). Chiavenato (2009) sugere que uma maneira de entender o comportamento e a necessidade das pessoas é considerar sua capacidade de ajustamento ou desajustamento em relação a situações variadas e necessárias para ser mantida sua satisfação. Quando o indivíduo possui a capacidade de se adaptar sem traumas a mudanças, se manter em equilíbrio e satisfazer suas necessidades, o autor define sua característica como boa “saúde mental”. As pessoas consideradas sadias servem de parâmetro para se entender comportamentos e determinar ações. Quando existe clima positivo e motivado dentro da organização, esta alcança níveis altos e positivos de desempenho. Os funcionários motivados agem com interesse e colaboram de forma satisfatória. Quando o grupo está composto por pessoas que não se ajustam a novas situações, que se sentem deslocadas, sem planos definidos, ou mesmo que enxergam Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 barreiras para seu desenvolvimento, o resultado não alcança seu melhor nível. A insatisfação do grupo pode direcionar o andamento de um projeto ou serviço e até mesmo da organização em geral, ao fracasso. Além da insatisfação, quando existe falha na comunicação e transmissão de valores e orientações, assume-se o risco de a força de trabalho e empenho serem direcionadas a objetivos distintos. A falta de um sentido para a atividade desempenhada cria a possibilidade de erros durante o processo e perda de foco. O clima organizacional será definido de forma positiva ou negativa de acordo com o ambiente que as pessoas que fazem parte do quadro da organização percebem e o grau que as situações que vivenciam impactam sobre seu comportamento. 1 Cultura e clima organizacional Ao falar sobre clima organizacional, é importante citar a cultura da organização. Sempre que existe a união de pessoas com os mesmos objetivos, implícitos ou explícitos, existe a cultura do grupo, composta principalmente por seus valores. Para Marras (2003, p. 291) esses “valores são crenças e conceitos que moldam o contorno cultural de um grupo, estabelecendo padrões de comportamento, de avaliação e de imagem.” A cultura organizacional, bem como as diferentes culturas dos povos, permite a identificação de uma identidade própria, com seus hábitos, modo de viver e determina também a hierarquia existente. Cultura organizacional é o modelo de pressupostos básicos que um grupo assimilou na medida em que resolveu os seus problemas de adaptação externa e integração interna e que, por ter sido suficientemente eficaz, foi considerado válido e repassado (ensinado) aos demais (novos) membros como a maneira correta de perceber, pensar e sentir em relação àqueles problemas. (MARRAS, 2003, p. 290). Além de manter coeso o funcionamento das atividades, a cultura proporciona um padrão que atinge todos os membros da organização. Esse padrão interfere nas condições de relacionamento e cria sintonia entre os colaboradores e a orientação que a empresa estabelece. Entender em que ambiente está inserido, possibilita aos funcionários o acerto tanto nas ações quanto na necessidade de recuo perante alguma situação. O estilo de liderança, bem como as escolhas feitas pelos administradores das empresas e suas políticas, refletem na cultura que, por sua vez, terá influência sobre o clima da organização. É importante estudar o clima organizacional, pois ele demonstra como a motivação individual interfere no relacionamento entre todos os colaboradores e, consequentemente, nos resultados alcançados pela empresa. Pode-se observar, na figura 1, os fatores que determinam o clima na organização e suas variantes. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 Figura 1 - Determinantes do clima organizacional e suas variáveis Fonte: Chiavenato (2009, p. 145). Faz parte do ser humano a ânsia por satisfazer suas necessidades e, no caso do ambiente de trabalho, é papel da gestão de pessoas possibilitar que sejam atendidas. A administração de recursos humanos deve entender e reconhecer as características das pessoas para que criem relacionamentos assertivos. A questão interpessoal é fundamental para a formação de um clima agradável e produtivo. Quando se refere a clima organizacional, se engloba o sentimento e a atitude individual que atuam em nível de organização. A administração de recursos humanos (ARH) é a responsável por acompanhar e entender as necessidades e características de cada indivíduo para que consiga manter uma estrutura adequada de satisfação do grupo. Funcionários frustrados não oferecem um bom desempenho. 1.1 Dimensões que interferem no clima organizacional A maneira como os membros de uma organização percebem o ambiente de trabalho e como essa percepção reflete na atmosfera profissional, segundo Chiavenato (2009), é determinada por seis dimensões: estrutura da organização, responsabilidade, riscos, recompensas, calor e apoio, e conflito. A estrutura da organização pode ser entendida como o conjunto dos valores e política da empresa, bem como a maneira de regular e administrar o trabalho da equipe tem forte peso em qual será o sentimento de cada um. Empresas muito autoritárias que estabelecem regras estritas para os funcionários, em geral, geram um clima de trabalho pesado e engessado em que todos se policiam para que não saiam do padrão esperado. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 Deve-se destacar que é muito importante estabelecer disciplinas, elas possibilitam que exista controle da situação e os princípios sejam respeitados. Porém, a maneira como isso é informado e a flexibilidade em sua aplicação determinarão como as pessoas se sentem ao fazer parte da organização, o quanto se identificam com os seus valores e a capacidade e interesse em seguir suas normas. Ambientes com a estrutura informal tendem a influenciar o comportamento das pessoas de forma que ele seja mais descontraído. Todos têm conhecimento dos padrões que norteiam a organização, no entanto, se sentem à vontade para executar suas atividades. Quando a estrutura hierárquica é horizontalizada, a participação de todos os membros aumenta e cada um passa a ter mais controle sobre o que faz (CHIAVENATO, 2009). Encontramos empresas que seguem um padrão mais rígido e outras que priorizam ambientes com estrutura definida, no entanto, não tão autoritários. Não existe uma regra que estabelece o que é melhor ou pior. Da mesma forma que as organizações apresentam essa diferença, as pessoas também divergem umas das outras. Há quem se sinta melhor e desenvolva resultados positivos seguindo regras e padrões. Como também há pessoas que alcançam seu melhor quando não recebe pressão constante e têm mais flexibilidade para organizar tarefas (CHIAVENATO, 2009). 1.2 Responsabilidade Em uma organização é necessário haver hierarquia e essa ser respeitada. A impressão de que não se deve satisfação a um superior ou de que o trabalho não é supervisionado pode acarretar perda da qualidade do trabalho. O que determina se os colaboradores terão ou não liberdade para desenvolver suas atividades é a forma como percebem o ambiente e a cultura interna da empresa. Quando a estrutura é mais hierárquica, burocrática e autoritária, dificilmente os funcionários terão a mobilidade para sair do modelo padrão imposto, da mesma forma que quando o poder for mais descentralizado e houver maior delegação, a responsabilidade das pessoas individualmente aumenta. Por outrolado, à medida que os funcionários recebem novas tarefas, de maior importância, aumenta o grau de autonomia e responsabilidade pelas atividades e seus resultados. Essa autonomia gera sensação de confiança e respeito pelo trabalho, o que geralmente implica em maior satisfação e melhor ambiente organizacional. Tem relação direta com o sentimento de capacidade. O novo profissional se encaixa em estruturas menos rigorosas e que proporcionam menor dependência de regras e supervisão de um superior. Quando um indivíduo aceita fazer parte de uma organização, ele espera que todo seu conhecimento e capacidade possam ser direcionados às atividades e, apesar de saber que deve se encaixar em um padrão e uma Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 cultura, o que vai impulsionar seu empenho e gerar resultados será o quanto suas ideias recebem de suporte e o quanto é investido em seu capital intelectual. Os riscos envolvem as necessidades específicas do cargo em ousar e tomar atitudes, tendo relação direta com o grau de autonomia que o funcionário recebe. De acordo com o nível hierárquico do cargo e necessidades específicas das atividades envolvidas, é necessário que seja seguido um padrão predeterminado nas ações. Quando é possível sair do roteiro estabelecido e criar novas formas de atuar e desenvolver para alcançar os resultados, o funcionário se sente impulsionado a encarar novos desafios. Recompensas não englobam somente remuneração financeira e, sim, toda e qualquer forma de reconhecimento pelo trabalho bem executado. Um ambiente que tende a valorizar os esforços pessoais em vez de punir e rebaixar quando algum funcionário foge do padrão ou mesmo apresenta pouco resultado, tende a incentivar a busca por novos conhecimentos e a aprimorar sua capacidade produtiva. Conforme Chiavenato (2009, p. 162) “As pessoas podem tanto resistir como colaborar com as políticas e os procedimentos da organização, dependendo das estratégias de liderança adotadas por algum supervisor.” Uma equipe unida e aberta para ouvir ideias e sugestões do grupo aumenta a satisfação, pois proporciona o sentimento de que se é colaborativo e possui um grupo trabalhando para alcançar os mesmos interesses. Em equipes de trabalho, entendemos o agrupamento de pessoas que estão interligadas por algum motivo específico e que possuem aptidões e habilidades semelhantes, reunidas para o desenvolvimento de uma atividade ou projeto que as envolvam em busca de um mesmo objetivo. Para um clima organizacional agradável, é importante que seja estimulado na organização o trabalho em equipe e a delegação das atividades. O profissional sente-se estimulado a realizar suas tarefas quando percebe que, além de agregar resultados positivos à organização, vai somar crescimento pessoal e desenvolver de forma satisfatória suas aptidões e conhecimentos. Um ambiente participativo incentiva a busca constante por informação. A capacidade de administrar diferenças, desavenças e conflitos está entre um dos determinantes do clima organizacional. Os gestores devem estar atentos a tudo que envolver relações de trabalho, pois é esperado que em grupos formados por pessoas de diferentes opinões, sentimentos e atitudes haja, em algum momento, a necessidade de debater referente a algum aspecto da tarefa ou mesmo aspectos relacionados a normas e procedimentos da organização. É papel do líder desenvolver a habilidade de lidar com situações adversas a fim de neutralizar os desentendimentos e criar um ambiente harmônico. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 Deve haver uma política de disciplina estabelecida, formalizando que as diferenças serão respeitadas, analisadas e trabalhadas com o grupo para que exista um consenso e para que a harmonia seja mantida (CHIAVENATO, 2009). Considerando todos esses fatores, a organização também possui um nível hierárquico que vai definir a posição de cada um. O método de trabalho do superior hierárquico de cada área também vai influenciar o atendimento ou não da satisfação das pessoas. Assim, o estilo da liderança também tem impacto e responsabilidade sob a forma com que as pessoas recebem as informações e percepções do sistema organizacional. De acordo com Marras (2003, p. 38), depois que a organização traça suas linhas básicas do contorno do líder ideal, deve implementar programas de desenvolvimento gerencial que permitam alcançar os objetivos propostos e até complementá-los através de características individuais de cada líder. Por meio de um líder que mostre o caminho para os demais colaboradores, a organização consegue, de forma mais eficiente, atrair seu grupo para que sigam os mesmos padrões e assumam similaridade no comportamento. É fundamental que a cultura da organização e seus valores sejam de fato o que orienta todos os profissionais, desde o cargo mais baixo até o mais alto nível hierárquico. Ser o exemplo torna confiável a atitude, a tarefa, o costume e as condutas desejadas pelos administradores (MARRAS, 2003). 2 Comunicação e desenvolvimento organizacional A forma como os colaboradores enxergam e entendem normas, comportamentos, padrões de trabalho e informações refere-se a suas percepções e é importante destacar que os gestores devem ser preparados não somente para administrar áreas, mas também pessoas. É essa a maior preocupação da área de recursos humanos. O conhecimento técnico é fundamental para qualificar um gestor e, considerando que este terá uma equipe subordinada, torna-se tão fundamental quanto a experiência no setor, a capacidade de lidar com uma equipe. A comunicação eficiente deve ocorrer para que se obtenha total retorno do que é transmitido. A administração de recursos humanos se preocupa em criar estruturas que possibilitem entender os aspectos individuais e coletivos, porém, a aplicação e o resultado positivo, como vimos, depende também de como as pessoas recebem novas informações e de como o clima na organização incentiva ou não para que as trocas entre pessoas sejam feitas. Para que uma informação alcance seu objetivo a informação deve ser passada e entendida. O conceito de comunicação está sujeito a algumas complicações adicionais quando se trata de comunicação humana. Cada pessoa tem seu próprio sistema cognitivo, suas percepções, seus valores pessoais e suas motivações, constituído um padrão pessoal de referência que torna bastante pessoal e singular sua interpretação das coisas. (CHIAVENATO, 2009, p. 150). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 Quando há troca de informação apenas, ela acaba ali. Quando há entendimento, é criado um efeito multiplicador. A comunicação eficiente tem o poder de envolver todas as pessoas que alcança. De acordo com o estilo de vida, valores, hábitos, sociedade em que está inserida, as pessoas têm diferentes tipos de percepções das informações que as atingem dia a dia. Da mesma maneira que o entendimento pode ser diferente de acordo com a experiência e a disponibilidade para receber a informação de cada um, a forma como ela é transmitida também sofre influências desses fatores, dessa vez, do emitente (SCHEIN, 2007). Na figura 2, podemos ver a relação entre o planejamento de uma organização versus o que de fato acontece no dia a dia, ilustrados na forma de um iceberg. Figura 2 - Planejamento formal × ambiente informal Fonte: elaborado pelo autor. O que a imagem do iceberg simboliza é a importância do alinhamento de valores e uma comunicação eficaz. O desenvolvimento da organização vai se basear em preceitos preestabelecidos e deve existir a preocupação com a forma como a equipeos entende e aplica. Na figura 2, podemos entender que o que acontece na realidade é o que permeia o mar. A forma como todos os colaboradores se relacionam, realizam suas tarefas e como se comportam não pode ser divergente dos princípios da organização. O ambiente de trabalho será determinado pela maneira como as pessoas se identificam ao “modo de agir” adotado pela organização. O comportamento das pessoas, a forma como se posicionam, lidam com problemas, incertezas e novidades, e a forma como pensam, são influenciados pela cultura do grupo e como ela é aplicada ao trabalho. O clima organizacional será o reflexo das relações entre o grupo (SCHEIN, 2007). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 9 Considerações finais Uma organização, como um grupo, tem suas crenças, valores, soluções, e estes devem ter aderência de toda a equipe. A sinergia entre o grupo é muito importante para que haja compatibilidade, para que todos tenham como foco e base os mesmos objetivos e modo de fazer. Pensando na estrutura das empresas, sempre que um grupo de pessoas está reunido pelo mesmo propósito, existe uma cultura. A cultura expressa os valores que os administradores acreditam ser importantes para nortear as atividades como um todo. Segundo Schein (2007, p. 29), “a cultura organizacional em particular importa porque os elementos culturais determinam a estratégia, os objetivos e o modo de operação da empresa.” O ambiente de trabalho e clima da organização serão determinados pela forma que os administradores estruturarem suas atividades. A posição escolhida pela empresa em relação a objetivos e crenças vai influenciar não somente os métodos de trabalho, como os valores seguidos pelos colaboradores. Visando o desenvolvimento da empresa, é importante ressaltar que a existência de respeito entre todos do grupo, transparência nas relações, incentivo ao aprimoramento pessoal, coragem para encarar desafios, coletividade e determinação dos colaboradores serão o espelho da cultura e o estilo de gestão implantados. Um clima organizacional eficiente, feliz, produtivo e colaborativo será ocasionado sempre que a administração de recursos humanos orientar os métodos de trabalho e regras considerando o fator humano como peça priomordial para o sucesso (CHIAVENATO, 2009). Para finalizar, as inúmeras mudanças fazem com que a gestão de pessoas e os administradores de empresas tenham desafios novos constantemente. Os cenários mudam com frequência, a interligação cultural influencia as relações e a capacidade de entender e se adaptar determina quais empresas vão-se manter ativas e com resultados positivos e quais serão excluídas. [...] nas empresas antigas, se os elementos culturais não evoluem, se adaptam e se modificam, eles se tornam cada vez mais inadequados, e a cultura constitui um sério empecilho ao aprendizado e à mudança (SCHEIN, 2007, p. 28). É importante acompanhar as mudanças e estar disposto a rever políticas. Quando se esta observando o mercado, é possível se antecipar e se preparar para enfrentar as modificações do ambiente. Proporcionar climas positivos e relacionamentos em grupo é tarefa que deve ser trabalhada todos os dias, desestruturando o que se tornou obsoleto e apostando em novas condições e formas de agir. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 10 Referências BOHLANDER, G. Administração de recursos humanos. São Paulo: Cengage Learning, 2010. CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009. MARRAS, J.P. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2003. SCHEIN, E. H. Guia de sobrevivência da cultura corporativa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007. Gestão de Pessoas Aula 09 Avaliação de Desempenho Objetivos Específicos • Apresentar mecanismos de avaliação de desempenho e a formulação de políticas de gestão de pessoas. Temas Introdução 1 Avaliação de desempenho 2 Mecanismos de avaliação de desempenho 3 Formulação de políticas de gestão de pessoas Considerações finais Referências Professora Marcia Welita da Silva Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução Durante o começo das relações comerciais, na era mercantil, onde se iniciaram as trocas culturais e a expansão comercial com as navegações, passando pela era industrial com a introdução das máquinas, tecnologia e surgimento das fábricas, o homem não era considerado fator essencial para a conquista de resultados. O objetivo das organizações era o lucro, e a orientação do trabalho era alcançar resultados por meio da eficiência das máquinas. De acordo com Chiavenato (2009b, p. 110), “o homem – então configurado como um aperta botões – era visualizado como um objeto moldável aos interesses da organização e facilmente manipulável, uma vez que se acreditava que fosse motivado exclusivamente por objetos salariais e econômicos. A falta de preocupação com os indivíduos deixava de lado, além de suas necessidades, a consideração por seu potencial. Essa forma de pensar e agir foi mudando com o passar dos anos. A inserção de novas tecnologias, informações e a globalização, com sua forte capacidade de influenciar a vida das pessoas e métodos de trabalho por meio de trocas culturais e de conhecimento, fizeram ser reconhecida a necessidade de olhar de forma diferente para os modelos estruturais das organizações. Diante de uma quantidade imensa de informações, concorrentes qualificados, um mercado consumidor exigente e um cenário econômico e político em processo de mudança, os administradores passaram a se questionar como suas empresas alcançariam vantagem competitiva, bom posicionamento no mercado e melhorariam a eficiência de sua produção. O surgimento de um mercado consumidor mais crítico afetou também a vida desses indivíduos como trabalhadores nas organizações, e a qualidade de vida e o desenvolvimento profissional assumiram lugar de destaque. Além disso, a inserção cada vez mais rápida e frequente de novas tecnologias fez a mão de obra pouco qualificada ser substituída por profissionais com conhecimentos específicos e detentores de habilidades e técnicas. Podemos considerar que a era tecnológica e do conhecimento marcou o início da reestruturação da administração de recursos humanos, orientando os processos para valorizar o indivíduo e inseri-lo em uma verdadeira política de recursos humanos, de cuidado com as pessoas. Assim, o foco que antes era orientado para a produção e o lucro, passou a se direcionar para quem faz com que a produção se concretize e gere resultados financeiros. Atribuir o sucesso das organizações às pessoas que dela fazem parte exige que sejam formadas equipes engajadas com conhecimento de sua área de atuação. A avaliação de desempenho surge mediante essa necessidade. Para que os resultados do trabalho de todos os colaboradores possam ser melhorados, é fundamental conhecer as atividades envolvidas, as necessidades específicas e mapear as principais características do profissional que realiza com eficiência sua função. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 Por meio do cruzamento de informações referentes a metas da organização e resultados operacionais dos colaboradores, é possível elaborar um plano de ação que vise a beneficiar tanto a empresa como quem faz parte dela. Avaliar o desempenho dos funcionários demonstra se as necessidades da empresa estão sendo atingidas e, em caso negativo, possibilita que as falhas sejam identificadas para melhorar o processo. Permite que seja identificado o que funciona de forma positiva e seja ampliada a produtividade com base em fatos reais e característicos de cada cargoe funcionário (BOHLANDER, 2010). 1 Avaliação de desempenho A avaliação de desempenho permite que os administradores analisem os processos internos, etapas do planejamento estratégico, profissionais e suas competências necessárias e, por sua vez, verifiquem se há necessidade de mudança (CHIAVENATO, 2009b). Para que o desempenho seja avaliado, o primeiro passo é levantar os requisitos básicos desses cargos, como características dos profissionais que atuarão na área e suas habilidades técncas e intelectuais. É fundamental conhecer com clareza e exatidão o objeto a ser estudado, nesse caso, os profissionais. Não é possível avaliar o desempenho de um indíviduo quando não se têm estabelecidos as expectativas nem os resultados desejados. Além da avaliação de desempenho servir como base para que a administração de recursos humanos baseie suas decisões e políticas, como remuneração e promoções, e avaliar como os funcionários progridem ou não, também permite que eles tenham consciência de seu papel na organização, o que se espera deles, o quanto estão atingindo esses objetivos, destacando hábitos e atitudes que devem ser descartados ou mais bem trabalhados. Essa é a melhor maneira de desenvolver um crescimento favorável tanto para eles quanto para a empresa. Dessa forma, de acordo com Bohlander: A avaliação de desempenho pode ser definida como um processo que geralmente é fornecido anualmente por um supervisor para um subordinado, projetado para ajudar os funcionários a compreenderem suas funções, seus objetivos, suas expectativas e o sucesso em seu desempenho. A gestão de desempenho é o processo de criar um ambiente de trabalho no qual as pessoas podem realizar o melhor de suas habilidades (BOHLANDER, 2010, p. 298). A estrutura da avaliação de desempenho deve ser definida com base nos preceitos da organização, seus valores, ética e compromissos assumidos, seguindo o modelo implantado por seus administradores e diretores. Também é fundamental ter uma visão ampla do negócio, reconhecendo em que mercado a organização está inserida e quais fatores se tornam relevantes ou irrelevantes em uma análise. Da mesma forma que as pessoas têm características diferentes e formas distintas de desenvolver uma mesma aptidão ou tarefa, as organizações se diferem em relação a necessidades e formas de atuação. O que é fundamental em um cargo pode ser dispensável se considerado em outro ramo de atuação, por exemplo. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 À medida que o fator humano passou a ser considerado essencial para o sucesso das organizações, os procedimentos relacionados a bem-estar do profissional, desenvolvimento e qualificação intensificaram-se. A avaliação de desempenho auxilia o gestor a coordenar as atividades do planejamento estratégico com base no que espera de seu colaborador e o que de fato recebe como resposta. O desenvolvimento pessoal é considerado destaque quando o assunto é lucratividade e diferenciação perante os concorrentes. Considerando a importância de uma equipe unida e engajada, possibilitar um diagnóstico real dos resultados permite que o profissional que lidera uma equipe consiga identificar questões a serem melhoradas, pontos positivos ou negativos, e embasar sua opinião em circustâncias reais. A comunicação entre todos os membros da organização deve ocorrer de forma clara e esse momento de avaliação deve ser tratado como uma conversa que visa a aprimorar o conhecimento e as habilidades do profissional, por meio de um plano de ação feito em conjunto. Conforme Chiavenato, o objetivo da avaliação de desempenho é: Transformar e converter a informação em conhecimento, utilizando suas próprias competências e tornar o conhecimento rentável por meio de sua conversão em novos produtos, novos serviços, novos processos internos, novas soluções e, principalmente, em criatividade e inovação (2009a, p. 280). A informação e a maneira como esta é usada permitem tanto que a organização alcance resultados extraordinários como também que se mantenha estagnada por não ponderar de forma correta as referências obtidas. Valorizar o capital intelectual dos profissionais engloba entender as necessidades e, por meio de conversa e análise, planejar sua atitude em novos processos de forma a minimizar os erros e acertar onde possui diferencial competitivo. A seguir, veremos uma figura exposta por Chiavenato (2009a) em seu livro que demonstra a relação que o capital intectual tem com a organização. Tomando como base o cenário mundial globalizado em que vivemos e a constante troca de informações que influencia a vida de todos, adquirir a habilidade de se adaptar ao novo e fazer de forma diferente para satisfazer os clientes e manter uma relação de credibilidade, qualidade e confiança possibilita que as organizações saiam do roteiro normal e burocrático e desafiem os processos com criatividade e inovação, posicionando melhor no mercado. A tecnologia e a mecanização permitiram grandes avanços em termos de produção, porém a demanda de profissionais talentosos e com características diferentes em relação àqueles habituados a “apertar botões” faz que seu conhecimento, ou capital intelectual, seja disputado pelos administradores, deixando a preocupação com operação de máquinas e lucro em segundo plano. A tarefa principal é administrar pessoas para alcançar resultados. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 Figura 1 - Desdobramentos do capital intelectual Fonte: Chiavenato (2009a, p. 279). O capital intelectual compreende o conhecimento que a organização tem e sua influência em todas as áreas e tipos de relacionamento. Pode-se dividir em conhecimento interno, que engloba a noção de como funciona a organização e seus sistemas de trabalho, capital externo, que diz respeito a relações com clientes e fornecedores, e capital humano, que faz referência aos talentos de todos os indivíduos e a forma como aplicam suas competências, se organizam no ambiente e nas tarefas, e como conduzem essas atividades. Chiavenato sugere que o “capital humano significa talentos que precisam ser mantidos e desenvolvidos. Mais do que isso, capital humano significa capital intelectual” (CHIAVENATO, 2009a, p. 281). Avaliar o desempenho dos funcionários permite identificar como as pessoas se sentem em relação ao cargo, uma vez que os resultados são influenciados pela satisfação do colaborador, responsabilidade e comprimisso assumido, entre outros. Na era do conhecimento, é fundamental criar estruturas de desenvolvimento e treinamento das equipes, para que alavanquem sua satisfação pessoal, seus resultados operacionais e sejam estimuladas a buscar constantemente novos desafios. Manter e desenvolver talentos só é possível quando se sabe o que se espera do profissional e identifica-se onde está a falha que compromete seus resultados, superando esse problema por meio de determinadas habilidades, esforços e dedicação. A maneira como é realizada a atitividade servirá como base para que a administração de recursos humanos forme uma equipe com características predefinidas de acordo com os princípios da organização e a necessidade das tarefas. Devemos ressaltar que nem sempre a aplicação de um método de avaliação de desempenho tem um resultado positivo para o organização. O efeito halo é considerado um dos mais críticos em relação às consequências que um processo mal formulado e conduzido pode acarretar. Esse efeito é utilizado para denominar a influência que a impressão pessoal Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 pode causar na avaliação de cacterísticas profissionais do avaliado. Quando não exercido por um profissional competente e conhecedor dos métodos, ofoco pode ser desviado e as respostas levantadas podem representar uma opinião fora de contexto por parte do avaliador. Da mesma forma, preconceito pessoal e complacência se apresentam como erros nos processos de avaliação à medida que fazem com que a credibilidade seja perdida. 2 Mecanismos de avaliação de desempenho A avaliação de desempenho deve se basear em fatores predefinidos pela organização, considerando-se também seus valores. O objetivo dessa ferramenta é obter informações para elaborar um planejamento e comunicação assertivos. Portanto, a estratégia deve ser considerada. De acordo com Bohlander (2010, p. 302): “Padrões de desempenho estabelecidos adequadamente traduzem as metas e objetivos organizacionais em requisitos de cargo que indicam aos funcionários os níveis aceitáveis e inaceitáveis de desempenho.” Assim, os resultados obtidos devem ser comunicados de forma clara aos profissionais avaliados, pois o objetivo principal é alavancar o desempenho da organização por meio de resultados melhores no desempenho de cada colaborador. Cabe ao gestor envolvido no processo ter a habilidade de se comunicar e destreza para lidar com os diferentes tipos de pessoas, de maneira a atingi-las de forma eficaz. Consideramos, então, que uma habilidade necessária para avaliar o desempenho é possuir profissionais treinados e capacitados a lidar com pessoas, envolver e engajar o grupo, e não somente listar defeitos e novos procedimentos sem que sejam explicados as razões e os objetivos. Há diversos mecanimos e métodos para avaliar os funcionários. De forma geral, todos envolvem o levantamento das características dos avaliados, seus pontos positivos e negativos, lacunas a serem melhoradas, comportamento e seu impacto nas atividades e potenciais que podem ser desenvolvidos e explorados. Entre os mais tradicionais estão pesquisa de campo, relatórios de performance e autoavaliação. Na pesquisa de campo, o dia a dia dos funcionários é utilizado como parâmetro, bem como a explicação de determinadas atitudes e resultados. Os relatórios de performance são uma forma menos estruturada e mais livre de avaliação, não são complexos, sendo descritas condutas e formas de atuação dos avaliados alinhadas em um documento formal. Por último, a autoavaliação permite que cada um seja supervisor das próprias tarefas e descreva como enxerga suas atitudes em relação ao que foi proposto, à sua dedicação e ao que é esperado como retorno. Quanto aos mecanismos de avaliação, Marras (2003) estabelece cinco métodos para avaliar o desempenho do profissional nas organizações, sendo eles: escalas gráficas, incidentes críticos, comparativo, escolha forçada e 360 graus. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 2.1 Escalas gráficas Este método é muito simples e sua aplicação não apresenta alto grau de dificuldade. Segundo Marras (2003, p. 176), trata-se de avaliação de um grupo de fatores determinantes naquilo que a organização define como “desempenho”. Esses fatores podem mensurar tanto quantidade quanto qualidade do trabalho, conhecimentos, cooperação, assiduidade, iniciativa, criatividade etc. Ao estabelecer os requisitos básicos e fundamentais para os cargos, as qualidades, habilidades, características de personalidade e compromisso, a administração de recursos humanos vincula a cada um desses fatores um grau de importância em números. Por exemplo, o cargo exige que o funcionário assuma um grande nível de responsabilidade e assiduidade, portanto, em uma pontuação de um a cinco, cinco é o número máximo. Quando todos os fatores forem pontuados, de acordo com sua relevância para a atividade, o cruzamento desses dados com a análise da atuação do funcionário permitirá identificar o quanto ele se alinha ao que é esperado pelos gestores e quais fatores deve se preocupar mais em desenvolver. 2.2 Incidentes críticos O método de incidentes críticos, como o próprio nome indica, considera o que é mais grave ou, no caso de desempenho nas organizações, o que afeta, de maneira mais decisiva, o resultado final das atividades no cargo. São considerados apenas os resultados extremos para obter um ótimo desempenho ou aquilo que contribuiu para um resultado catastrófico. Situações comuns não fazem parte desse método. Por exemplo, uma mudança nos processos que possibilitou incremento nas vendas ou a falta de atenção a detalhes de outro que provocou perda de grande parte da produção. Em geral, são apontadas pelo avaliador duas características relevantes, uma positiva e outra negativa, sem considerar profundamente aspectos psicológicos do profissional avaliado, como definir que um indivíduo sempre apresenta resultados bem estruturados e que atendem aos padrões e necessidades. Por outro lado, reluta em assumir novas responsabilidades e procedimentos. 2.3 Comparativo O método comparativo avalia o desempenho dos profissionais, levando em consideração o resultado de outro indivíduo de um mesmo grupo ou mesmo o do grupo inteiro. A maneira como se desenvolve a atividade e o que se obtém como consequência de suas ações são confrontados com as mesmas questões avaliadas em outro profissional. Sendo assim, é feita uma comparação para mensurar o desempenho. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 Por meio desse método, é possível definir se o profissional apresenta um resultado mediano perante os demais, superior ou inferior. O objetivo é, além de avaliar, realizar confrontações individuais com o objetivo de hierarquizar cada um (MARRAS, 2003). 2.4 Escolha forçada Este método é assim denominado porque o avaliador considera somente aspectos relacionados ao desempenho nas tarefas, fazendo que, de forma prática, os resultados operacionais sejam medidos em relação às expectativas do cargo. O subjetivismo é eliminado, bem como a possibilidade de que a opinião do avaliador seja influenciada por alguma questão pessoal ou de relacionamento. São estabelecidas frases que expõem características de desempenho e tais frases são agrupadas em blocos, que recebem notas preestabelecidas. Segundo Marras (2003, p. 177), “como o avaliador desconhece os valores dados a cada frase e a cada bloco de questões, não poderá “manipular” os “conduzir” o resultado final.” Para exemplificar, podem fazer parte de um mesmo bloco apontamentos como autonomia para realizar as tarefas, comunicativo, motivado e responsável. Cabe ao avaliador escolher a característica que mais se adapta ao profissional avaliado. Dessa forma, o resultado real das atividades e a forma como impacta na organização são considerados, em vez se efetuar uma análise baseada em aspectos comportamentais, levando em consideração traços de personalidade. 2.5 360 graus O método de avalição de 360 graus possibilita que o avaliado compreenda de que forma seus resultados e atitudes são percebidos por diferentes ângulos na organização e como sua maneira de agir e aplicar competências impacta todos os envolvidos no processo. O termo 360 graus é utilizado porque a avaliação engloba não somente o parecer de um superior imediato ao avaliado ou gestor, mas sim sua equipe de subordinados, pares, superior, fornecedores e até mesmo clientes. Essa visão possibilita que o profissional avalie melhor seus resultados, os processos e trace uma ação considerando todas as opiniões recebidas. O acerto e a eficiência consistem em atender a todos os requisitos de forma positiva. 2.6 Avaliação de desempenho por objetivo (APO) Este método de avaliação é baseado no que foi acordado entre gestores e empregados com relação a suas atividades e resultados dela esperados. Quando qualquer profissional assume Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 9 uma nova posição ou cargo, são descritas suas tarefas,de que maneira seu desempenho contribuirá para os objetivos da organização e quais são suas responsabilidades. O planejamento é um critério para a APO, pois, por meio dele, o funcionário será avaliado. Deve ter um acompanhamento que verifique de tempos em tempos como está seu progesso e se está atingindo de maneira satisfatória os desafios propostos. 3 Formulação de políticas de gestão de pessoas A avaliação de desempenho é utilizada pelas organizações como ferramenta para estruturar as políticas de gestão de pessoas, baseadas em fatos reais e importantes para o dia a dia da organização e alcance dos resultados planejados (CHIAVENATO, 2009a). A importância em basear as etapas para o desenvolvimento em resultados obtidos por meio de análises – que consideram o que, de fato, influencia a organização e é requisito básico – transmite confiança a todos os envolvidos e permite que os profissionais direcionem esforços para um mesmo objetivo. Cada um deve compreender seu papel na organização e conhecer seus pontos fortes, como desenvolvê-los e utilizá-los de forma favorável às necessidades e às responsabilidades do cargo. Apoiar a política de gestão em fatores consistentes possibilita que haja um padrão e que todo e qualquer planejamento tenha como respaldo dados valiosos e relevantes. A gestão de pessoas também é responsável por acompanhar o desenvolvimento de todos os colaboradores. Quando se utilizam os dados da avaliação de desempenho para formular uma política de gestão, permite-se que os gestores e administradores definam necessidade e características dos treinamentos, estruturem o plano de carreira, como transferências e promoções, e desenvolvam o profissional por meio de reconhecimento individual. A política de gestão não se refere somente ao que a organização oferece para seus colaboradores, e sim de que maneira possibilita ou não que o indivíduo se desenvolva, aprimore suas competências e se mantenha motivado e comprometido. Conhecer o desempenho dos profissionais permite que o CHA seja acompanhado. CHA é definido como o conjunto de competências de um indivíduo, formado por seus conhecimentos, habilidades e atitudes. A avaliação de desempenho oferece dados que servem para analisar e compreender se o colaborador está ativamente participando da organização se ou atua como mero coadjuvante. Em um mundo globalizado e dinâmico, é importante que os profissionais sejam valorizados, tenham conhecimento de seu papel na organização, sejam comprometidos com as tarefas que desenvolvem e com a própria carreira. Avaliar o CHA possibilita que a administração de recursos humanos, de acordo com Marras (2003, p. 174), “defina a importância de cada um, identifique quem precisa de treino, planeje treinamentos, desenvolva talentos e permita o autodesenvolvimento.” Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 10 A maneira como a avaliação de desempenho é estruturada, como os métodos serão aplicados, bem como seus resultados, deve ser comunicada aos funcionários para que eles também analisem seu papel. A gestão de pessoas deve estar aberta para criar uma relação de confiança e respeito com todos os colaboradores, servindo como apoio para o desenvolvimento pessoal e estabelecimento de planos para a vida profissional. Como apoio para formular uma política de gestão de pessoas, a avaliação de desempenho também é usada como base para o conhecimento e desenvolvimento de futuros funcionários, envolvendo quem faz parte da organização e está no início de sua carreira, como quem irá ingressar. De acordo com Chiavenato (2009a), o aprendizado é formado pelo conhecimento e maneira como são desenvolvidas as competências do ser humano, devendo ser tratado com responsabilidade, sendo transmitido de um para o outro, de gerações para gerações. A palavra aprendizagem quer dizer foco sobre o conhecimento e competência. Isso significa que na organização de aprendizagem são as pessoas que aprendem individualmente. Mas, embora a aprendizagem individual seja importante como base para aprendizagem coletiva, ela tem valor limitado para a empresa a longo prazo. O que é aprendido deve também estar acessível a outras pessoas na empresa e, preferivelmente, ficar vinculado a ela de maneira mais duradoura. Se a aprendizagem individual aumenta o capital humano, sua acessibilidade organizacional aumenta o capital estrutural (CHIAVENATO, 2009a, p. 247) O que é válido e agrega de forma positiva não deve ser esquecido, deve ser adaptado e passar por renovações. Considerações finais A avaliação de desempenho é utilizada pelas organizações porque caracteriza uma das tarefas do administrador de empresas, que é acompanhar os processos. As organizações têm seus valores, objetivos e planos de metas estabelecidos, sendo dever do administrador verificar se os processos determinados estão se desenvolvendo de maneira favorável em busca do alvo final. A gestão de pessoas deve ter conhecimento de como lidar com o capital intelectual e humano que integra suas equipes, a fim de criar medidas que possibilitem que o profissional esteja alinhado com os objetivos da organização, atue satisfeito e motivado, e não fique preso a atitudes e procedimentos que não trazem resultados, pelo contrário, que os encontre sempre pontos para desenvolver e tenha a administração de recursos como aliada nessa busca por constante capacitação. Marras (2003, p. 173) descreve a importância da avaliação de desempenho para os administradores de pessoas. Trata-se de um instrumento extremamente valioso e importante na administração de RH, na medida em que reporta o resultado de um investimento realizado numa trajetória profissional por meio do retorno recebido pela organização. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 11 Quando se criam ferramentas para medir os resultados dos profissionais, seus conhecimentos, habilidades, atitudes e, por fim, conhecem-se sua postura e comportamento, é possível que as políticas e normas de trabalho sejam revistas, caso sejam identificadas lacunas para melhorias, alinhando, assim, as expectativas com o que é entregue por cada um. Referências BOHLANDER, G. Administração de recursos humanos. São Paulo: Cengage Learning, 2010. CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009a. CHIAVENATO, I. Desempenho humano nas empresas: como desenhar cargos e avaliar o desempenho para alcançar resultados. São Paulo: Manole, 2009b. MARRAS, J. P. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2003. Gestão de Pessoas Aula 10 Aprendizagem Organizacional Objetivos Específicos • Demonstrar o constante desenvolvimento de pessoas visando a agregar melhor qualificação e vantagens competitivas. Temas Introdução 1 Treinamento 2 Desenvolvimento de pessoas Considerações finais Referências Professora Marcia Welita da Silva Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução O século XXI é marcado pela valorização do capital intelectual e do ser humano, englobando todas as suas competências e força para realizar tarefas e conquistar resultados por meio de uma atuação hábil e eficaz. O cenário mundial pós-era da informação é muito dinâmico e à medida que surge uma nova tecnologia da informação, que pode se referir a cultura, padrões de comportamento, economia, política etc., as organizações se adaptam a ela, surgindo, rapidamente, uma alternativa melhor e mais eficaz para substituí-la. Conviver e sobreviver em um ambiente de constantes mudanças é um grande desafio para os administradores, pois, em um curto período de tempo,o que era considerado fundamental para as atividades e alcance dos objetivos se tornou dispensável e obsoleto, fazendo as organizações buscarem se reestruturar e desenvolver capacidades para se adaptar rapidamente ao novo. Entender e acompanhar as mudanças, desenvolver habilidades e técnicas para compreender e implantar, de forma eficiente, uma nova informação e aprender também sobre a influência que o novo ambiente exercia sobre as pessoas, como mercado consumidor e força de trabalho, foi obrigatório e fundamental. Deter informação, conhecimento e ter pessoas com atitudes e competências para desenvolver as atividades seguindo o plano estabelecido para o objetivo organizacional possibilita que as empresas se posicionem de maneira diferenciada em relação às demais. As antigas estruturas organizacionais que seguiam linhas autoritárias de gestão e burocráticas nos processos passaram a ter duas opções: compreender o novo ambiente e se dispor a reinventar ou observar sua história perder posição e desaparecer perante os novos modelos de gestão e organização empresarial que surgiam com força total. Os colaboradores de uma organização espelham seus valores, missão e objetivos, e a maneira como a cultura é vivenciada por cada um deles reflete em seu comportamento e na forma de executar as tarefas. Quando se afirma que as organizações reformularam seus processos e surgem com força total, é importante frisar que todas as etapas e atitudes determinadas pela gestão só serão válidas e funcionarão se as pessoas que as executam estiverem conscientes dessa postura e alinhadas com as atividades e formas de desenvolvê- las. À medida que os anos passaram e as influências do século XX foram ficando para trás, o reconhecimento do aprendizado como fator-chave para o sucesso das organizações foi sendo evidenciado. A administração de recursos humanos passou a estabelecer formas de gestão e políticas que visassem à valorização do profissional. Um fato importante a ser considerado é que o capital intelectual passou a ocupar posição de destaque e, à medida que isso acontecia, o ser humano passou a ter consciência Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 de seu papel dentro das organizações e a questionar sua satisfação pessoal, profissional e um aspecto que, no início das relações comerciais, não existia com força: o interesse em estabelecer um plano de carreira. O profissional é impulsionado por fatores financeiros e econômicos, compromissos e responsabilidades assumidos e, acima de tudo, motivação e satisfação. Conforme passou a entender seu papel e buscar conhecimento e aprimorar suas aptidões, o indivíduo (normalmente em cargos que exigem mais competências, mas também observado em pessoas em geral) passou a questionar esse papel e suas vantagens. De acordo com Gramigna (2007, p. 21), “o domínio de determinadas competências leva profissionais e organizações a fazerem a diferença no mercado”. O capital intelectual que cada indivíduo detém representa suas competências e potencial, determinando o quanto é capaz de se desenvolver e melhorar suas aptidões. Alinhando esse conhecimento com suas atividades nas organizações, é importante que os profissionais conheçam as necessidades de seu cargo e a forma como contribuem com os resultados gerais da empresa. Explorar o próprio capital intelectual e identificar qual treinamento agregará valor às suas ações permite que se tornem gestores da própria carreira e ofereçam com assertividade o que é preciso e esperado por seus empregadores. Para administradores e diretores, a aprendizagem organizacional é importante, visto que forma equipes altamente capazes de realizar suas tarefas, retendo-as e mantendo-as motivadas a buscar novos desafios e reconhecimento. Para Marras (2003), busca demonstrar o constante desenvolvimento de pessoas visando a agregar melhor qualificação e vantagens competitivas. 1 Treinamento A preocupação em treinar a equipe demonstra a percepção de que administrar pessoas e suas competências é importante. O processo de recrutamento atrairá candidatos em potencial que possuem as aptidões necessárias, conhecimento e habilidades para realizar determinada tarefa. Por meio de ferramentas específicas, a seleção definirá quem melhor atende aos requisitos e deve conquistar o cargo. De acordo com Chiavenato (2009b, p. 48): Treinamento é um ato intencional de fornecer os meios para possibilitar a aprendizagem. Aprendizagem é um fenômeno que surge dentro do indivíduo como resultado de seus esforços pessoais. A aprendizagem é uma mudança no comportamento e ocorre no dia a dia e em todos os indivíduos. O treinamento deve simplesmente orientar essas experiências de aprendizagem em sentido positivo e benéfico e suplementá-las com atividade planejada, a fim de que as pessoas em todos os níveis da empresa possam desenvolver mais rapidamente seus conhecimentos, atitudes e habilidades que beneficiarão a elas mesmas e à empresa. Após o processo de recrutamento e seleção, que visa a atrair potenciais candidatos e finaliza com a escolha de quem mais se adapta à vaga oferecida, o profissional assume sua posição na organização, recebe orientação referente a empresa, valores, métodos de Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 trabalho, sistemas e conhece a equipe. Esse processo é conhecido como integração e visa a proporcionar a quem chega um ambiente confiável e acolhedor. Todas as etapas descritas até o momento têm o objetivo de alinhar o profissional com a organização e, por meio de informações, minimizar as chances de erros e aumentar acertos. De fato, em parte, o objetivo é alcançado, pois quando é possível demonstrar ao profissional como funciona o ambiente de trabalho e quais são as tarefas que deve realizar, ele consegue planejar e autoavaliar seu desempenho. Porém, é necessário acompanhar a evolução desse indivíduo e monitorar também o desempenho de todos os colaboradores, incluindo os antigos. Por meio de acompanhamento, análises de desempenho e resultados obtidos, é possível identificar onde há carências e utilizar os dados levantados para criar uma estrutura orientada ao treinamento e desenvolvimento desses profissionais. Para Marras (2003, p. 145), “o treinamento produz um estado de mudança no conjunto de Conhecimentos, Habilidades e Atitudes (CHA) de cada trabalhador, uma vez que implementa ou modifica a bagagem particular de cada um”. O treinamento deve ser instituído em uma organização que objetive formar e capacitar profissionais para que exerçam melhor suas atividades e conheçam também seu potencial e possam explorá-lo de forma eficiente e estratégica, considerando o objetivo final e as metas estabelecidas. Ter capacidade para apontar a causa da falta de eficiência e conseguir aumentar a produtividade é interesse da Administração de Recursos Humanos (ARH). Em geral, treinar é custoso para a empresa, pois envolve metodologia específica, além de estudo para o levantamento inicial de quem deve receber treinamento e o que é preciso desenvolver, aprender ou melhorar. O estímulo à aprendizagem deve ocorrer tanto para formar um profissional como para reciclar colaboradores que precisem rever conceitos, se adaptar a mudanças ou mesmo ser motivados (MARRAS, 2003). 1.1 Etapas do treinamento O treinamento funciona como se fosse um processo interligado. Segundo Chiavenato (2009b), pode ser interpretado como um sistema aberto com seus componentes. Veja a figura 1. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 Figura 1 - O treinamento como um sistema Fonte: Chiavenato (2009b, p. 49). A decisão de estabelecer treinamentosurge a partir da identificação de uma necessidade a ser implantada, falha no processo, existência de problemas, transmissão de objetivos da organização e da lacuna apresentada na avaliação de desempenho. O levantamento de necessidades de treinamento mensura a necessidade de capacitação pelos resultados da avaliação de desempenho dos funcionários, entrevista de desligamento, resultados organizacionais, erros de processos, índice de turnover etc. A segunda etapa é definir quem necessita do treinamento, de que maneira serão expostos os pontos a ser tratados e características como local onde será realizado, horário e profissional que realizará o treino. O terceiro passo é colocar em prática o plano estabelecido e realizar o treinamento. Por último, é importante que os profissionais que realizaram o treinamento sejam acompanhados e avaliados. A gestão de pessoas deve ter conhecimento sobre a eficácia ou não dos métodos de treino implantados. Nessa etapa, os dados referentes a resultados são levantados e comparados aos anteriores. Na implantação, os funcionários são reunidos conforme a necessidade a ser desenvolvida e o treinamento é realizado por meio de atividades dinâmicas, recursos audiovisuais ou por um palestrante que repasse com exemplos e teorias as informações necessárias. De acordo com Chiavenato (2009b), a avaliação de eficácia do treinamento deve se basear em três critérios: relevância, transferibilidade e alinhamento sistêmico. A relevância do treinamento diferencia-se de acordo com o cargo e a necessidade de aplicação. Por exemplo, desenvolver o conhecimento em uma ferramenta técnica é mais importante para a área de produção do que para o funcionário que atua na área de compras. A transferibilidade determina o quanto um aprendizado em determinado momento para uma razão específica será útil para diferentes situações na vida do profissional. Por último, o alinhamento sistêmico funciona em base como a transferibilidade, mas sua aplicação abrange novas áreas do sistema (CHIAVENATO, 2009b). Além dos três critérios apresentados, o aprendizado dos colaboradores também pode ser feito por meio da análise e acompanhamento de gestores e analistas, que verificam o progresso das ações e resultados apresentados antes e após os treinamentos. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 2 Desenvolvimento de pessoas Desenvolver pessoas está diretamente ligado a sobreviver em um mercado competitivo e em um mundo globalizado. As pessoas são responsáveis pela forma como as informaçãoes são transformadas em ações, os processos são realizados e a tecnologia usada de forma a agregar rapidez, qualidade e diferencial (MARRAS, 2003). O alinhamento entre profissional e empresa é definido como aprendizagem organizacional. O comportamento da equipe é influenciado pela cultura vivenciada dentro do ambiente de trabalho e por políticas de gestão. Para Marras (2003, p. 155), “é o elo de ligação entre as políticas, diretrizes e ações formais e informais que regem as relações organizacionais enquanto indicadores da cultura empresarial e seus agentes multiplicadores e os indivíduos que compõem essa ‘sociedade’”. De acordo com Chiavenato (2009b, p. 151), “ter pessoas não significa necessariamente ter talentos. Há uma diferença incrível. Para transformar pessoas em talentos, torna-se necessário dotá-las de competências que as tornam mais valiosas”. A forma como uma organização valoriza seu capital intelectual será demonstrada por meio dos resultados proporcionados. Se não houver orientação para o aprendizado e desenvolvimento de pessoas, é possível que uma empresa possua muitos profissionais competentes em seu quadro e, por diversos motivos, como estrutura hierárquica, gestão autoritária e processos engessados, não permita que eles encontrem espaço e abertura para sugerir novas formas de atuação, exponham sua visão do negócio, tracem novos caminhos e busquem aprimorar suas qualidades. O que deve fazer parte da consciência da administração de recursos humanos e diretores de empresas é que a organização só se desenvolve a partir do desenvolvimento de seus colaboradores (CHIAVENATO, 2009b). Valorizar as pessoas e incentivar seu desenvolvimento possibilita ainda criar um efeito multiplicador. Pessoas motivadas, estimuladas a incrementar os resultados por meio de sua opinião e conhecimento, que percebem por parte da organização confiança, possibilidade de crescimento e conquistas de novos desafios, espalham esse sentimento positivo para o grupo e criam um ambiente encorajado a não se limitar ao que é convencional e cômodo, acreditando no próprio potencial e na força em conjunto para buscar assimilar novas informações e capacitações. Rever conceitos e estar disposto a mudar, correr riscos e apostar em uma vitória satisfatória faz parte do perfil dos novos modelos de administração do século XXI. A figura 2 exemplifica as características que essas empresas devem possuir se desejam inserir aprendizado como o impulsionador de seus resultados e para fortalecer o grupo. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 Figura 2 - Cinco disciplinas de uma organização que aprende Domínio pessoal É uma disciplina de aspiração. Consiste em aprender a gerar e manter tensão criativa para que as pessoas tenham visão pessoal (o que desejam alcançar) e sua realidade atual (o que estão fazendo). Isso aumenta a capacidade de fazer melhores escolhas e alcançar melhor os resultados escolhidos. Modelos mentais É uma disciplina de reflexão e questionamento. Os modelos mentais condicionam nossas percepções. As pessoas precisam asjustar suas imagens internas do mundo para melhorar suas decisões. Visão compartilhada É uma disciplina coletiva que visa a estabelecer objetivos comuns. As pessoas devem ter senso de compromisso em grupo ou organização. Além disso, precisam criar imagens do futuro que pretendem criar. Aprendizado em equipe É uma disciplina de interação grupal para aprendizagem em grupo. A aprendizagem é feita por meio de equipes e utiliza técnicas como diálogo e discussão para desenvolver o pensamento coletivo, alcançar objetivos comuns e desenvolver inteligência e maior capacidade do que a soma dos talentos individuais. Raciocínio sistêmico É uma disciplina de aprendizagem que busca a visão da globalidade. A atividade organizacional é sistêmica, interligada por relações que relacionam ações interdependentes. As pessoas precisam ter visão global do sistema e de suas partes para poderem mudar os sistemas em sua totalidade e não apenas detalhes deles. Fonte: Chiavenato (2009a, p. 246). Considerações finais Segundo Chiavenato (2009a, p. 247), “a organização que aprende é uma metáfora, cujas raízes estão na visão e na busca de uma estratégia para promover o autodesenvolvimento individual dentro de uma organização em contínua transformação”. O aprendizado não pode ser nunca deixado de lado; a atualização é uma necessidade constante tanto para o empregado como para o empregador. O ser humano é capaz de realizar coisas inimagináveis, pois detém conhecimento, habilidades e características que funcionam como força para impulsionar a busca constante por novos e melhores resultados, desenvolvimento de novas tecnologias, exploração e implantação da imensa quantidade de informações recebidas diariamente. Para se diferenciar perante os demais, deve-se manter certa inquietação que vai contra o comodismo. Para as organizações, as pessoas são condutoras para o resultado final, tanto para os sucessos obtidos como para os fracassos. Considerando que nenhuma empresa abre as portas e inicia sua operação pensando em não se desenvolver, é interesse de todos suscitar um ambiente de desenvolvimento, que estimule, impulsionee alavanque resultados, da mesma forma que provoque sensação de satisfação, reconhecimento e vitórias para os profissionais que fazem parte da equipe. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 Determinar a necessidade de treinamento e como ele será realizado é tarefa que exige estudo e planejamento por parte da administração de recursos humanos. De acordo com Bohlander (2010, p. 253), a análise da empresa é um exame do ambiente, das estratégias e dos recursos dela para determinar onde a ênfase de treinamento deve ser colocada. Identificar pontos que devem ser melhorados, elaborar como serão aplicados os treinamentos, quem fará parte deles e saber quais competências posicionarão a organização em posição mais bem vista que as demais necessita de estudo e reflexão. A gestão de pessoas deve ter cuidados relacionados a criar um ambiente onde não exista pressão ou medo para desenvolver o trabalho, onde haja harmonia e respeito com as pessoas e reconhecimento. Quando se escolhe a posição de incentivar o aprendizado e o desenvolvimento, deve-se considerar cada ideia, participação e atitude como componentes de uma estratégia inteligente do grupo. Formar uma equipe alinhada aos princípios da organização, que possua confiança nas suas qualidades e performance, que saiba seu papel e importância, que considere seu o objetivo da empresa, como se fosse uma conquista pessoal, determina a posição de vantagem competitiva em relação às demais. Muitas organizações determinam seus critérios de selação em formação e aptidões específicas para o cargo, o que é correto, mas depois se esquecem de acompanhar o profissional e a trajetória dele. A qualificação de um indivíduo só agrega valor à medida que é reconhecida e bem utilizada. O conhecimento que preenche somente currículo e não é exercitado nem explorado não surpreenderá uma tomada de decisão nem fará mudanças incorporando novas informações. A aprendizagem organizacional deve priorizar a capacitação humana, intelectual, pessoal e profissional. Aprender possibilita expandir a visão, fazer e enxergar de forma nova, ousar e descobrir competências que só o desenvolvimento aliado à experiência conquistam. Referências BOHLANDER, G. Administração de recursos humanos. São Paulo: Cengage Learning, 2010. CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009a. CHIAVENATO, I. Treinamento e desenvolvimento de recursos humanos: como incrementar talentos na empresa. São Paulo: Manole, 2009b. MARRAS, J. P. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2003. Marcia Welita da Silva Gestão de Pessoas Aula 11 Gestão de competências e aplicação nas organizações Objetivos Específicos • Entender a gestão por competências e sua influência na gestão de pessoas. Temas Introdução 1 Gestão de competências 2 Influências na gestão de pessoas Considerações finais Referências Professora Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução A tendência do mundo atual e o modelo de administração adotado pelas organizações é passar por constantes mudanças, migrando da gestão burocrática e autoritária, pouco flexível, para, aos poucos, se tornar mais preocupada com o indivíduo, suas competências e mais aberta à participação coletiva, não sendo somente um grupo que recebe ordens do superior. Com o avanço das tecnologias de forma rápida, a globalização, a necessidade de conhecimento do cenário político-econômico e a visão generalizada de como esse ambiente influencia a vida das pessoas, a administração de recursos humanos se reformulou ao longo dos anos, principalmente da era industrial até os dias de hoje, no século XXI. Houve um aumento das exigências do mercado consumidor, disposto a procurar e pagar por produtos e/ou serviços que atendam a suas necessidades com qualidade e de forma satisfatória, e também das organizações, que se viram em busca de mão de obra qualificada não somente em conhecimentos técnicos, mas também em relação a capital intelectual desenvolvido para atuar em uma sociedade dinâmica. Observamos o fim da gestão autoritária, em que o poder de decisão estava nas mãos de poucos profissionais em alta posição hierárquica. Com a maior abertura à participação e à delegação de responsabilidades e tarefas, esse poder foi sendo descentralizado e passado a profissionais com competências para atuar com sabedoria, rapidez e inteligência. O mundo globalizado exige um profissional que saiba lidar com diferentes situações e possua competências específicas para o desenvolvimento de suas tarefas, considerando como tais o conjunto de conhecimento, habilidade e atitude (CHA). O foco passou do lucro para a pessoa, buscando formar uma equipe de colaboradores que tenham, além de qualificação para realizar os processos operacionais de seu cargo, vontade de melhorar seu conhecimento e habilidades, o que reflete a importância da gestão de competências nas organizações. A hierarquia exercida de cima para baixo, considerando o grau de subordinação e poder, com frequência, tem sido fragmentada em relacionamentos laterais, em que o relacionamento entre as pessoas, a troca de informações e a colaboração podem ser vistos de todos os ângulos. Identificar as competências dos indivíduos particularmente, alinhá-las às necessidades dos cargos e estruturar treinamentos e capacitações que visem a desenvolver o que cada um necessita de fato fortalece esse ponto de formação de uma estrutura lateral. As carreiras passam a ser desenvolvidas baseando-se em qualificar e assumir novos desafios e responsabilidades. A propensão de utilizar o sistema de seleção interna para a ocupação de novos cargos aumenta, pois o indivíduo e seu capital intelectual têm se tornado a base para formular políticas de recursos humanos e, por meio dessa opção de seleção, as organizações podem criar um banco de dados relacionado às competências de todo o seu quadro de funcionários. Estimular a formação e o desenvolvimento de talentos é a chave do sucesso para conquistar Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 os objetivos organizacionais. Dessa forma, identificar candidatos em potencial de acordo com seu CHA e seu cargo tem sido uma medida amplamente adotada, sendo necessário entender as competências e maneiras para melhor administrá-las. 1 Gestão de competências Gestão de competências se refere ao conjunto de conhecimento sobre a organização, incluindo seus valores, crenças e objetivos, conhecimento de mercado e suas influências, conhecimento de suas atividades e necessidades e, por último, conhecimento dos profissionais que fazem com que o planejamento ocorra de forma real, trazendo resultados. Gerir competências é saber identificar o que é importante para quem e em qual situação (GRAMIGNA, 2007). Estimular o profissional a se desenvolver e ter a capacidade de dar instruções e supervisionar de acordo com o que é relevante para si e para a organização proporciona um diferencial competitivo por tratar as pessoas como seres pensantes e fundamentais para realizar os processos. De acordo com Gramigna (2007, p. 14), “um dos indicadores de desempenho empresarial, talvez o mais importante no atual contexto de mercado, é sua capacidade de atrair, desenvolver e reter pessoas talentosas”. Para aplicar com êxito a gestão de competências, é necessário compreender que as organizações, de acordo com diversos fatores externos e internos, além do mercado, são diferentes entre si e o modelo de negócio de cada uma necessitará de perfis específicos em seus colaboradores. Esse entendimento também deve ser estendido aos cargos, que, mesmo sendo orientadospelos mesmos princípios, possuem atributos distintos e caracterísitcas próprias. Por último, empresas que assumem como fator primordial a preocupação da gestão de competências devem considerar que não existe espaço que limite o conhecimento, devendo sempre buscá-lo (GRAMIGNA, 2007). Tendo esses três tópicos em mente, o segundo passo é estabelecer que tipo de atuação a organização pretende exercer, qual seu mercado de atuação, público-alvo, valores e missão e em que princípios serão baseadas essas decisões. Para instituir qualquer método de trabalho com sucesso, deve-se conhecer como este funciona e estabelecer objetivos e etapas para os processos. Determinar como a organização pretende estar em um plano futuro também é importante, pois isso cria metas e orienta que os objetivos não sejam desviados ao longo do percurso. Após definir área de atuação, características, valores orientadores de atitude e necessidades da organização e dos cargos, a administração de recursos humanos possui condições de identificar quais as competências necessárias para que suas atividades sejam eficientemente realizadas e quais profissionais buscar no mercado a fim de que atuem agregando valor e atendam à demanda de suas responsabilidades. Gramigna (2007, p. 21) considera que “o domínio de determinadas competências leva profissionais e organizações Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 a fazerem a diferença no mercado”. Com base nessa afirmação, podemos compreender que para atuar com diferencial competitivo e conquistar espaço e sucesso perante o mercado consumidor e as demais organizações, é necessário ser assertivo. Um ambiente dinâmico não permite que muito tempo seja destinado a tentativas sem êxito. Passou a ser fundamental para a organização saber quais CHAs são essenciais ao cargo, para selecionar melhor seus colaboradores e estruturar planos de desenvolvimento a eles, e para os profissionais, identificar pontos específicos e necessidades para seu aprimoramento constante Para Gramigna (2007), a gestão de competências funciona como um ciclo em que as tarefas são interligadas e dependentes umas das outras, sendo englobadas em cinco etapas: 1. Sensibilização: a comunicação eficiente é ferramenta eficaz em todos os relacionamentos, inclusive os profissionais. Projetos e processos são muito melhor desenvolvidos quando existe aderência por parte do grupo. Sensibilizar significa envolver todos os colaboradores de maneira que conheceçam o modelo de gestão, suas características, como será aplicado, como os colaboradores podem fazer parte e como podem ajudar. Além disso, transmitir os novos processos a todas as áreas da organização possibilita que seja visto de diferentes ângulos e analisado por personalidades e capacidades distintas, dessa forma, é criada abertura para discussão de idéias, levantamento de falhas e melhorias. 2. Definição de perfis: a gestão de competências só é possível quando são considerados os CHAs necessárias aos cargos e às funções. Ao definir os perfis, a gestão de pessoas estabelece quais as competências fundamentais para cada atividade e também analisa seu quadro de funcionários, identificando suas características psicológicas, comportamentais e aptidões. 3. Avaliação do potencial e banco de talentos: utilizando como base a etapa 2, é possível traçar uma expectativa de desempenho com base no potencial de cada colaborador. As empresas que valorizam o capital humano sabem quem compõe seu quadro, considerando suas características gerais, e de que maneira suas competências devem ser exploradas, a fim de trazer melhores resultados operacionais, financeiros e motivacionais. 4. Capacitação: de acordo com Gramigna (2007), o potencial do ser humano é ilimitado ao desenvolvimento. É necessário haver interesse do indivíduo em aprimorar seu conhecimento e desafiar sua inteligência e capacidade. A capacitação na gestão de competências alinha esse empenho do colaborador ao investimento da organização, por meio de condições favoráveis de trabalho, ambiente agradável, estímulo ao treinamento e delegação de responsabilidades e desafios. Essa etapa deve ser percebida pelo profissional como uma relação de respeito da empresa e investimento dela. 5. Gestão do desempenho: quando qualquer tipo de projeto ou processo é estruturado, Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 deve-se acompanhar seus resultados para avaliar se suas etapas foram bem organizadas e antever, ao máximo, falhas e desgastes desnecessários. Da mesma forma, na gestão de competências, o processo deve ser conduzido com cuidado e ser supervisionado e o efeito das ações deve ser medido para garantir que está ocorrendo uma alteração positiva na organização como um todo. Gestão de desempenho identifica se o foco na pessoa e em suas capacidades está sendo desenvolvido com sucesso. Na figura 1, podemos observar essas cinco etapas da gestão por competências formando um ciclo. Figura 1 - Ciclo da gestão de competências Fonte: Gramigna (2007, p. 33). 2 Influências na gestão de pessoas No início das relações comerciais, dissipação das fábricas, organizações prestadoras de serviços e atividades que dependiam das atividades e empenho do ser humano em geral, cabia a gestão de pessoas assegurar que as normas básicas determinadas legalmente, os acordos sindicais e a segurança no ambiente de trabalho fossem implantados e seguidos. Ao longo dos anos, foi se identificando a necessidade de ampliar o conceito de gestão de pessoas, bem como suas tarefas e responsabilidades. As mudanças ocorridas em âmbito geral impactaram mudanças na maneira de as empresas atuarem e no comportamento do mercado consumidor. Atender a uma nova sociedade influenciada por culturas globais e informações constantes fez o indivíduo ser considerado base para a organização alcançar seus resultados, criando uma estrutura para valorizar seu potencial. De acordo com Marras (2003), Na década de 90 esse cenário sofreu alterações profundas. Mudanças radicais nos cenários mundiais, como a abertura dos mercados, a globalização da economia e a prática crescente das fusões entre corporações, entre outras, projetaram uma inversão de papéis na questão do desenvolvimento gerencial interno das organizações na medida em que provocaram alterações profundas no mercado de trabalho (p. 266). Muitas organizações desenvolveram sua área de gestão de pessoas e reformularam seus modelos de administração. Em um ambiente onde a tecnologia e a informatização Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 estão facilmente ao alcance de todos, onde a velocidade das mudanças é rápida e tão ágil quanto deve ser a capacidade de reação de quem opera as atividades e estabelece planos, o diferencial competitivo está no modo de fazer. Desde a era industrial, sempre foram necessários profissionais qualificados e com conhecimentos específicos, porém, durante a era da informação e do conhecimento até hoje, essa qualificação não diz respeito apenas ao conjunto de colaboradores detentores de força para o trabalho e aptidões para o cargo. O entendimento e a administração das competências humanas passaram a ser importantes para que os profissionais estejam aptos a lidar com as frequentes mudanças observadas no cenário mundial. Marras (2003) afirma que a administração de recursos humanos ganhou adicional estratégico ao identificar como interdependentes competências do pessoal e posicionamento da organização: [...] a administração estratégica de recursos humanos tem como objetivo participar e assessorar na formação das macrodiretrizes da empresa, de modo a alterar o perfil dos resultadose, portanto, dos lucros da empresa, agregando valor através do capital humano existente na organização (p. 254). O principal motivo para a contratação de uma pessoa ou mesmo para mantê-la no quadro de funcionários e incentivar que seu potencial seja aprimorado é sua capacidade de resolver problemas, sua inteligência. Como todos diferem entre si em relação à capacidade de entendimento, percepção e atitudes, o profissional adequado passa a ser o que transforma, da melhor maneira, todo o seu conhecimento e suas habilidades em resultados. A gestão de competências cria uma relação de confiança entre empregadores e empregador. Para que a empresa se posicione de forma diferenciada em relação a concorrentes que se destacam, necessita de profissionais altamente qualificados e especializados, os quais devem direcionar seus esforços nos projetos do empregador, pois se veem em um ambiente que incentivará e criará condições para desenvolver e valorizar seus melhores atributos. Prahlad e Hammel afirmam que há competências essenciais para que a organização alcance sucesso, diferencie-se e mantenha-se atraente tanto para o mercado consumidor como para seus funcionários, incluindo tecnologia, habilidades e capacidades do trabalhador. De acordo com a área de atuação e definição das necessidades relacionadas à competência dos cargos, o que compõe os atributos essenciais será diferente, mas será administrado com base nos mesmos preceitos. Essa questão deve ser priorizada por todos os administradores e gestores de pessoas, pois é a partir do levantamento das competências essenciais para a organização que todo o planejamento estratégico e a identificação de melhorias serão baseados. De acordo com os autores, para serem consideradas essenciais, as competências devem proporcionar novos mercados de atuação, ser percebidas de maneira diferenciada pelos clientes e, por último, esse diferencial deve proporcionar uma imagem singular da empresa em relação a seus concorrentes. À medida que se tornam claras as necessidades específicas de cada cargo e as organizações Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 expõem suas exigências em relação às competências dos profissionais e administram esse conjunto de qualidades na gestão de carreira e desenvolvimento, a gestão de pessoas também sofre influência no sentido de facilitar o processo de seleção e recolocação. A necessidade de ser gestor de competências, uma tarefa antes exercida somente pela empresa, passa a ser realizada pela maior parte dos profissionais, que busca constante atualização e desenvolvimento de habilidades a fim de se enquadrar aos padrões exigidos pelo mercado empregador. A competição torna-se acirrada e grandes oportunidades são disputadas por muitos candidatos que almejam fazer parte dessas organizações que priorizam o CHA dos profissionais (GRAMIGNA, 2007). Quando os perfis de vagas e padrões de contratação e promoção são divulgados, a atividade da administração de recursos humanos elimina as chances de erro, pois sabe quem e o que deve procurar nas pessoas. Além disso, a recolocação e substituição dos colaboradores se tornam mais eficientes, pois na gestão de competências o gestor sabe quais os conhecimentos, habilidades e atitudes de cada componente do grupo. O que passa a orientar a área de recursos humanos é atrelar as necessidades do cargo, as atividades e o objetivo da empresa ao projeto de vida que o profissional estipulou para si. Quando se trata de gestão de talentos, a relação humana e a valorização se tornam fundamentais, pois não se pode simplesmente abrir espaço para o profissional questionar se a empresa da qual faz parte acredita ou não em seu desenvolvimento. Profissionais competentes tornam os processos mais eficientes e eficazes, sendo considerado cada vez mais um fator competitivo a capacidade de redesenhar processos, tornando-os dinâmicos e certeiros. A área de gestão de pessoas se torna mais abrangente ao compreender a necessidade de adaptação que só ocorre quando se abre espaço para a renovação. A eliminação da burocracia e de métodos que engessavam os processos ocorre de forma rápida. As tomadas de decisão passam a identificar o objetivo do negócio e as condições do mercado, o que é necessário para realizar o planejamento, como as etapas se sucederãor, com que competências e executadas por quem. Considerações finais O período pós-expansão da mecanização e da industrialização e a inserção de tecnologias são conhecidos como era da informação e era do conhecimento respectivamente. Conforme os processo de produção se modificam, tornam-se mais complexos e maior é a necessidade de profissionais que saibam lidar com as novas ferramentas de trabalho e compreendam também a nova situação do mercado. A globalização integra todas as partes do mundo, diferentes culturas e informações de maneira rápida: em um momento, o que é atual e diferente, pouco tempo depois se torna comum perante as ofertas disponibilizadas pelos concorrentes. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 Nas organizações, os ciclos de vida de produtos e serviços passam a ser mais curtos caso não sejam reformulados nem reiventados. Todas as empresas visam a satisfazer seu cliente e o foco no consumidor final cria a necessidade de estabelecer relacionamentos de confiança para que, em meio a tantas ofertas, o consumidor se torne fiel a um determinado produto. Essa nova dinâmica faz que as organizações identifiquem as melhores oportunidades, tecnologias, o retorno dos clientes e reúna todos os seus esforços para se manter em posição competitiva e sempre com um diferencial a oferecer. Conforme Chiavenato (2009), O retrato do sucesso organizacional era representado pelo tamanho da organização e de suas instalações físicas, por seu patrimônio contábil e, sobretudo, pela riqueza financeira. As organizações procuravam acumular ativos tangíveis, físicos e concretos como base de seu sucesso e de sua força e poder no mercado. A acumulação de recursos – financeiros e materiais – era um dos objetivos organizacionais mais importantes. Isso já se foi. Hoje, as organizações bem-sucedidas são extremamente ágeis e inovadoras e, por essa razão, independem de seu porte ou tamanho (p. 278). A gestão de competências tem início a partir do momento em que o potencial e as qualificações do ser humano são identificados como propulsores dos negócios da empresa. Deter um melhor maquinário não é suficiente se não houver um profissional que entenda de forma geral o cenário em que a empresa está inserida, as necessidades do cliente e, claro, como operar de forma eficiente e eficaz as ferramentas que tem disponível. A necessidade de mudanças ocorre principalmente nos processos e a maneira como a administração da empresa toma decisões permite obter sucesso ou não. Lidar com sabedoria e inovação perante novas informações, necessidades e mudanças no ambiente e nas pessoas é essencial para que os projetos sejam desenvolvidos com qualidade e acurácia. O conjunto dos conhecimentos, habilidades e atitudes determina a forma como as atividades serão desenvolvidas. A esse conjunto dá-se o nome de competências, sendo inteligente e estratégico por parte das organizações identificar os requisitos de cada cargo e área, bem como o CHA de cada indivíduo que faz parte do quadro de funcionários. A gestão das competências possibilita que a gestão de pessoas determine melhor quem é o melhor para realizar cada tarefa e a maneira correta de orientar treinamentos e capacitação profissional. A forma como cada profissional desenvolve suas tarefas, sua atitude nas tomadas de decisão, interpretação das informações ecapacidade de utilizar sua competência para adaptar o que não acontece de forma eficiente, inserindo novos processos, tira esse indivíduo da posição focada em uma tarefa e o coloca como alguém que tem a percepção do todo. Entendamos como todo a responsabilidade de seu cargo, ambiente da organização e seus objetivos, a forma como os processos ocorrem e se funcionam ou não. Quando há gestão de competências, o profissional se torna mais responsável pelo que executa e sabe que o investimento que terá da organização será baseado nos seus resultados. A gestão da própria carreira, por meio da definição de que posição se deseja alcançar, status e retorno financeiro, vincula-se às necessidades da organização com relação aos talentos. O Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 9 profissional passa, então, a ter capacidade de perceber quais são seus melhores atributos, de que forma deve desenvolvê-los e como investirá em suas competências ao longo da vida. Quanto à gestão de pessoas, cada vez mais estruturados são seus processos e responsabilidades. A gestão de competências relaciona-se a identificar quem são os talentos da organização e adotar medidas para que se sintam valorizados e motivados, garantindo que todo o seu potencial não seja desperdiçado em tarefas que não agreguem valor, mantendo- os estagnados em uma função sem incentivo para novos treinamentos e incremento de conhecimentos, habilidades e atitudes. Cabe a administração de recursos humanos assumir uma visão estratégica geral da empresa ao tomar decisões. Posicionar seus colaboradores em cargos nos quais se sintam satisfeitos, detenham conhecimentos necessários e possam contribuir com o resultado final de cada projeto e objetivos deve ser a meta da gestão de competências. O sucesso é conquistado pela maneira de fazer bem-feito e diferente dos demais. Referências CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009. GRAMIGNA, M. R. Modelo de competências e gestão dos talentos. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. MARRAS, J. P. Administração de recuros humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2003. Gestão de Pessoas Aula 12 Teorias Motivacionais, Motivação e Gestão de Pessoas Objetivos Específicos • Compreender as teorias motivacionais e identificar os mecanismos para motivação nas organizações. Temas Introdução 1 Teorias motivacionais 2 Motivação e gestão de pessoas Considerações finais Referências Professora Marcia Welita da Silva Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução A administração de recursos humanos se torna cada vez mais complexa e abrangente nas organizações. Antes, tratava apenas de aspectos relacionados a leis trabalhistas, pagamento e condições de trabalho. Com o tempo, tornou-se cada vez mais necessária uma área que cuidasse não somente da administração pessoal, mas também que possuísse uma visão abrangente da organização. A gestão de pessoas se tornou uma área de ligação entre as diferentes áreas da empresa, pois independentemente das necessidades de cada cargo, a cultura implantada é uma só, os valores e a missão definidos orientarão todas as atividades e as ferramentas aplicadas para identificar os melhores profissionais, assegurar seu desenvolvimento e acerto nos resultados serão determinadas pela administração de recursos humanos. Em tempos de globalização, com informações recebidas de diferentes partes do mundo, tecnologias a cada instante sendo inseridas e tornando indiferentes produtos ou serviços anteriores, essa área dentro da organização tem se tornado muito mais estratégica. Alinhar os interesses da empresa e dos acionistas às mudanças no cenário e selecionar e manter uma equipe aliada aos mesmos objetivos garante vantagem competitiva e posicionamento diferenciado. Ter a equipe como aliada não é uma tarefa simples, porém muitos estudos apontam que o sentimento que o profissional sente em relação à empresa, e também a forma como se sente atuando nela, determina se seus esforços trarão resultados positivos ou se não agregarão nada além do esperado, ou mesmo menos que as expectativas do empregador (MARRAS, 2003). Os profissionais qualificados são os mais requisitados no mercado de trabalho, principalmente porque possuem sabedoria para lidar com informações e maquinário e capacidade de se adaptar ao cenário em constantes mudanças. A forma como a gestão de pessoas lida com seus colaboradores e incentiva-os a se sentirem satisfeitos com o que têm de retorno da organização, quanto a aspectos financeiros, benefícios e valorização do trabalho e potencial, determinará o comportamento deles. De acordo com Gramigna (2007, p. 221), “acreditar e investir no próprio potencial e no talento dos colaboradores, colocar novas ideias em ação e ser o primeiro a oferecer produtos e serviços diferenciados são as novas exigências de mercado”. A administração de recursos humanos deve criar estruturas e processos que possibilitem o desenvolvimento dos funcionários e, principalmente, condições para que alcancem seus objetivos, tanto profissionais como pessoais, sentindo-se motivados a trabalhar com afinco, explorando, da melhor forma suas competências e aptidões. A motivação determina como as tarefas serão desenvolvidas e identificar as melhores maneiras para estimular os profissionais será o objeto de estudo desta aula. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 1 Teorias motivacionais Segundo Marras (2003, p. 33), estudos realizados afirmaram que a “[...] atenção dada ao trabalhador conseguia influir na sua produtividade”. As teorias motivacionais surgem da necessidade de garantir que a equipe de colaboradores direcione esforços com qualidade e eficiência para que os objetivos da organização sejam alcançados. Apesar de o foco das empresas ter mudado da produção e lucro para as pessoas e suas relações, essa transformação só ocorreu porque foi identificado que estava nas mãos do ser humano a responsabilidade sobre a produção. O interesse principal de qualquer empresa ou prestador de serviço, independentemente de seu tamanho, capitais financeiro e intelectual e mercado, é atender seus clientes de maneira satisfatória. Formar uma equipe de trabalhadores que detém capacidades e habilidades específicas e desenvolve suas tarefas com máxima eficiência permite que as falhas diminuam e os resultados sejam garantidos. Cabe a administração de recursos humanos definir uma estrutura que valorize seus profissionais e possibilite que realizem suas atividades com motivação e consciência de qual é seu papel e como seus resultados e conquistas afetarão o planejamento da organização. Entre empregado e empregador, a relação é de dependência, pois o interesse na produção, qualidade e lucro por parte da empresa está relacionado a como o funcionário perceberá os benefícios existentes ao realizar suas tarefas, como remuneração, segurança, estabilidade e satisfação pessoal. É importante ressaltar que os indivíduos possuem características distintas uns dos outros, o que implica no tipo de relacionamento que deve existir e no estímulo que devem receber para que os objetivos sejam alcançados (MARRAS, 2003). Por meio de estudos, foram identificados os diferentes perfis do ser humano, necessidades e, a partir daí, estabelecidas teorias que servem como base para criar estruturas de motivação. É essencial identificar qual teoria seguir de acordo com o perfil da organização e dos profissionais, além do modelo de gestão e dos valores da empresa. A gestão de pessoas deve ser clara ao comunicar ao funcionário quais suas expectativas em relação a ele e o que será oferecido ao longo de sua permanência, incluindodesenvolvimento da carreira e benefícios. A motivação alavanca as pessoas a buscarem satisfação. 1.1 Teoria Maslow Abraham Maslow, psicólogo, estruturou sua teoria motivacional no levantamento das necessidades do ser humano e hierarquização delas. De acordo com o professor de psicologia, todos têm necessidades que podem ser definidas em grupos, desde as mais simples até as mais complexas. Veja a seguir um quadro que exemplifica tais necessidades. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 Quadro 1 - Fatores motivadores segundo Maslow Tipos de necessidades O que ela representa Fisiológica São necessidades físicas como sexo, bebida, comida, sono etc. Segurança A contrapartida da insegurança natural das pessoas: proteção, livre do perigo; um abrigo, uma estrutura, estabilidade, uma ordem etc. Social A necessidade endógena de familiares, intimidades etc. amar e ser amado, ter amizades, vínculos Estima Os sentimentos das pessoas as rodeiam; sua autoestima; competentes e valorizadas. de sentirem-se valorizadas pelos que o desejo de sentirem-se importantes, Autorrealização O desejo cada vez dos índividuos de renovar e reciclar seu mais o que cada um seria capaz de ser. potencial; tornar-se Fonte: Marras (2003, p. 34). Deve-se considerar que todas as pessoas têm necessidades, mesmo que distintas, e o ambiente em que vivem, a forma como se relacionam, entre diversas variáveis, influenciarão o que faz cada um ser motivado e o que falta para que haja essa satisfação. Duas pessoas que convivem em um mesmo ambiente sob as mesmas condições podem apresentar carências diferentes, isso porque a característica psicológica de cada uma interfere na percepção e na importância que dão aos fatores a que estão expostas. Maslow considera dois pontos relevantes em seus estudos: a afirmação que todas as pessoas têm algum tipo de necessidade e que essa falta pode ser completada por algo advindo do ambiente externo. A hierarquização delas refere-se ao valor que o indivíduo atribui a cada uma e sua relação e influência na determinação da motivação. As necessidades são inúmeras ao longo da vida do ser humano e, para satisfazê-las, é preciso estipular uma ordem, vindo as mais urgentes e fundamentais em primeiro lugar e, assim que forem satisfeitas, as seguintes (MARRAS, 2003). 1.2 Teoria McGregor McGregor foi um psicólogo que acreditava que as “necessidades encontram satisfação no trabalho” (MARRAS, 2003, p. 35). Sua teoria se baseia na descrição de dois perfils, nomeados pelo psicólogos por X e Y, que podem descrever aspectos tanto de um colaborador da equipe como de um funcionário em cargo gerencial. O colaborador com visão X é aquele que trabalha muitas vezes porque precisa da remuneração, não sente felicidade e satisfação ao realizar suas atividades e não sente a necessidade de novos desafios. O fundamental para esse perfil é ter um emprego e conseguir honrar seus compromissos por meio do que recebe. Já o colaborador com visão Y tem o perfil desbravador, assume as responsabilidades que lhe são dadas e atinge os objetivos que foram propostos. Esse tipo de indivíduo sente prazer a cada conquista e é ele quem deve receber investimentos relacionados a capacitação Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 e treinamentos. Independentemente de suas competências, é motivado e sente prazer em suas atividades, não sendo o trabalho apenas um meio de remuneração (MARRAS, 2003). Por sua vez, os gestores com visão X ou Y enxergam seus subordinados como se tivessem essas características. O gerente com visão X define seus funcionários como desinteressados e desestimulados, e o gerente com visão Y acredita no potencial de desenvolvimento de sua equipe. A forma como irão estimular seus funcionários é influenciada pela maneira como os percebem. Sendo assim, em geral, quando a percepção espelha um profissional que busca conhecimento e novos desafios e responsabilidades, a tendência é que seja mais incentivado do que um indivíduo que é visto pelo seu gestor como alguém que apenas executa sem vontade suas tarefas. Na teoria de McGregor, a percepção dos profissionais envolvidos com a gestão e a própria visão de pessoas interfere na orientação com relação à motivação aplicada nos colaboradores. É importante haver preocupação em entender os atributos de cada um para que não ocorram enganos de perfil e falta de crença em pessoas que, na verdade, foram mal-interpretadas. O conflito entre compreensão do que é e do que se acha que é interfere nas ações e no tipo de relacionamento (MARRAS, 2003). O psicólogo ainda afirma que é importante a administração de recursos humanos ser orientada pela valorização do capital humano e convívio estimulado, baseado na confiança e não somente no foco em lucros. Compreender que cada indivíduo possui singularidades, não o somando à massa do grupo como simplesmente mais um, permite que haja estímulos positivos. 1.3 Teoria Herzberg A teoria de Herzberg, psicólogo americano, determina que o “maior fator motivacional para o homem encontra-se no interior de seu próprio trabalho” (MARRAS, 2003, p. 35). Essa teoria é composta pelo princípio de que há fatores que causam satisfação e fatores que causam insatisfação do indivíduo, podendo ser extrínsecos ou intrínsecos à organização, ou seja, fatores relacionados a mercado de trabalho, política e economia, relacionamento interno, ambiente, chefia, cargos e salários etc. Os fatores que motivam satisfação não necessariamente provocam a sensação contrária em caso de falta, ou seja, sua existência provoca uma percepção e influência positiva na execução das atividades e nos resultados, porém, caso não façam parte do ambientem as consequências não serão negativas. Podemos citar como exemplo o ambiente de trabalho, benefícios na remuneração e higiene. Já no caso dos fatores que causam insatisfação, estão envolvidos os que não provocam Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 motivação quando estão presentes no ambiente, mas sua falta desmotiva o grupo. Marras (2003) sugere como exemplo ser um bom supervisor. Quando um bom gestor lidera um grupo, ele não necessariamente motivará seu pessoal, mas quando o perfil se inverte e trata- se de uma equipe mal supervisionada, a tendência é haver enfraquecimento das relações e desmotivação. Em suma, um chefe pode motivar sua equipe ou apenas garantir que as atividades não saiam do controle e sigam um padrão, porém, se esse chefe não souber lidar com as pessoas e orientá-las, a consequência será um grupo que não trabalha com foco nem vontade. A seguir, veja exemplos de fatores que interferem na percepção do colaborador de forma positiva. Quadro 2 - Fatores motivadores Fatores motivadores Determinantes Realização O término com sucesso de um trabalho ou tarefa; os resultados do próprio trabalho. Reconhecimento pela realização O recebimento de um reconhecimento público, ou não, por um trabalho bem-feito ou um resultado conseguido. O trabalho em si Tarefas consideradas agradáveis e que provocam satisfação. Responsabilidade Proveniente da realização do próprio trabalho ou do trabalho dos outros. Desenvolvimento pessoal Possibilidade de aumento de status, perfil cognitivo ou mesmo posição social. Possibilidade de crescimento Uma alavancagem dentro da estrutura organizacional, em termos de cargo ou responsabilidade Fonte: Marras (2003, p. 36). 1.4 Teoria Skinner Skinner foi um cientista comportamental cuja teoria entende que o “comportamento recompensado tende a ser repetido” (MARRAS, 2003, p.37). Sua teoria destaca a responsabilidade do profissional com posição de liderença e gestão, pois suas práticas motivacionais terão como resultado a conquista de uma equipe satisfeita e esse sentimentoserá mantido. Por meio de uma orientação que permita que os colaboradores se desenvolvam, obtenham resultados satisfatórios e comemorem cada bom desempenho, a tendência é que um número significativo de pessoas se sinta estimulado e empenhado a fazer com que esse reconhecimento permaneça com frequência. O sentimento de realização provoca uma incessante busca por novos desafios, responsabilidades e, como consequência, melhores resultados. O grupo segue os procedimentos da organização, entende e apoia seus valores e acredita que seu trabalho tem um importante significado. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 1.5 Teoria Vromm e Rotter Vromm e Rotter foram psicólogos e com suas pesquisas acreditavam que o “comportamento humano é sempre orientado para resultados: as pessoas fazem coisas esperando sempre outras em troca” (MARRAS, 2003, p. 37). Sua teoria é baseada em duas variáveis: o valor da recompensa e o que se espera como recompensa. Dessa forma, fica claro que as pessoas se sentem motivadas de acordo com o retorno que recebem tanto da organização como do ambiente em que vivem e das pessoas com que se relacionam. Mesmo que haja vontade e interesse por parte do indivíduo, a maneira como se dispõe a realizar uma tarefa será determinada pelo impacto da valorização recebida. Para a gestão de pessoas, essa teoria orienta com relação à importância de compreender o ser humano como detentor de capacidades e habilidades fundamentais para que a organização desempenhe suas tarefas com sucesso, mas também como indivíduo que tem sonhos, ambições, expectativas e espera que sua opção profissional permite que tais necessidades sejam atendidas e realizadas. A administração de recursos humanos deve saber o que é importante para o profissional e investir em uma estrutura que provoque essa sensação de compreensão e valorização. 1.6 Teoria McClelland McClelland determina que a motivação é apoiada em três principais necessidades: de poder, de associação e de realização. Sua teoria preconiza que a maneira como o indivíduo se relaciona com as pessoas ao seu redor recebe as informações do ambiente e seu histórico de vida as influência. A necessidade de poder está relacionada a uma posição superior aos demais, em que a pessoa exerce certa influência no grupo e tem controle das situações e decisões. A necessidade de associação é medida por quanto o indivíduo precisa ou não da aprovação das pessoas com quem convive, a sensação de pertencer a um grupo e ser aceito por ele. Por último, a necessidade de realização está vinculada aos objetivos pessoais e aos projetos de vida, exemplificados por meio de conquistas, superação de barreiras e desafios. Tais necessidades e sua dimensão serão definidas pela experiência de vida das pessoas e sua motivação nas atividades profissionais será o resultado de como cada um balenceia essas três características. 1.7 Teoria Adams Cabe a J. Stacey Adams, político e filósofo, a teoria da equidade, desenvolvida na década de 1960. Como o próprio nome sugere, afirma que a motivação dos indivíduos é influenciada por comparações feitas por eles. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 Para o autor, o ser humano confronta constantemente suas características, posses, qualidades, defeitos etc. com os dos demais em sua volta. Quando se trata de relações profissionais, esse hábito permanece e tem o poder de influenciar o comportamento de cada um. A teoria da equidade determina que os profissionais comparam seu desempenho e recompensas com os mesmos fatores em seus pares e demais colaboradores. Adam acredita que quando o resultado da análise é semelhante, não causa modificações relevantes no modo de agir, produzir nem trabalhar, no entanto, quando o indivíduo percebe que seu desempenho e reconhecimenho são divergentes, surge nele a necessidade de adequar-se, que pode incluir tanto motivação como desmotivação. A comparação também é feita no ambiente da organização, considerando a percepção de justiça nas relações, o que implica o quanto o colaborador se sentirá ou não estimulado a desenvolver suas tarefas. Ao comparar seus resultados e valorização e se deparar com uma média mais baixa em relação a outro membro do grupo, a tendência é que o profissional utilize esse resultado como impulsionador para atingir o mesmo nível de eficiência e eficácia e alcançar o padrão apresentado pelo outro funcionário. 2 Motivação e gestão de pessoas A gestão de pessoas é a área responsável por criar uma estrutura que identifique os perfis de seus colaboradores e determine um modelo de gestão que atenda às necessidades do grupo, individualmente e de forma coletiva, sem deixar de lado os objetivos organizacionais. Para Chiavenato (2009, p. 121), “a motivação constitui um importante campo do conhecimento da natureza humana e da explicação do comportamento humano. Para compreender-se o comportamento das pessoas, torna-se necessário conhecer sua motivação”. Dessa forma, para que a empresa saiba as características e necessidades de seus profissionais, investir em relacionamentos abertos, de parceria e confiança deve fazer parte dos princípios orientadores dessa gestão. A figura 1 exemplifica como o comportamento humano ocorre. Figura 1 - Modelo de comportamento Fonte: Chiavenato (2009, p. 123). O papel da administração de recursos humanos é considerar a diferença entre as pessoas e criar maneiras de se relacionar com cada uma delas. Quando há um padrão predeterminado que simplesmente trata todos da mesma forma, este pode obter sucesso com um indivíduo Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 9 e não fazer diferença para outro. Considerando que as necessidades são diferentes, tanto de planos profissionais como o que uma pessoa necessita para se sentir estimulada, o profissional que lida com gestão deve possuir inúmeras habilidades. A organização tem princípios, crenças e premissas em que se basear e, com segundo elas, devem ser oferecidas condições diferentes para cada perfil de colaborador. Os profissionais passam por um processo de recrutamento e seleção e são escolhidos por possuírem as aptidões necessárias e porque foi identificada capacidade de desenvolvimento e talento. Não é interessante para o empregado, nem para empregador, ter sabedoria e esta não ser explorada nem compartilhada. De acordo com Gramigna (2007, p. 226), o “conhecimento sem uso é um patrimônio pessoal. Podemos colocá-lo ao alcance de todos com o auxílio da criatividade. Ela agrega valor a esse patrimônio”. O patrimônio aqui descrito se refere ao conjunto de competências do profissional, que deve ter uma atividade para exercitar-se, desenvolver-se e estimular-se ao constante aprimoramento, e também ao patrimônio da empresa, como capital intelectual que fará diferença nos objetivos propostos e resultados. A figura 2 demonstra o ciclo motivacional do ser humano, uma vez que entender como ocorre o encorajamento do indivíduo permite tomar decisões acuradas. Figura 2 - Ciclo motivacional Fonte: Chiavenato (2009, p. 123). Uma vez que o objetivo é envolver pessoas na busca por um mesmo propósito, deve haver acerto e comunicação clara entre os envolvidos. Considerações finais Fundalmentalmente, todas as teorias de motivação determinam a importância do ser humano como base para suas estruturas. O comportamento das pessoas depende das características de cada uma delas e a maneira como interpretam e respondem a estímulos recebidos. A administração de recursos humanos que adquire uma posição estratégica alinha uma visão sistêmica da organização e do ambiente, provisiona uma visão de futuro, utiliza como base os valores da organização e identifica o perfilde cada indivíduo de seu grupo para que saiba como lidar com as necessidades de cada um. Mesmo que o objetivo final seja o mesmo para todos, já que a intenção é juntar esforços Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 10 para que a organização siga seus planos e tenha resultados lucrativos e satisfatórios, a parceria entre colaboradores e empregador deve existir porque das atitudes dos funcionários depende a maneira como os processos serão conduzidos. As teorias motivacionais visam a orientar a forma como as organizações lidarão com seus funcionários e proporcionarão satisfação a seus interesses e anseios. A capacidade de aprender com as características e qualidades de cada um permite que se desenvolvam processos eficientes e flexíveis, de acordo com o perfil de cada profissional. Referências CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009. GRAMIGNA, M. R. Modelo de competências e gestão dos talentos. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. MARRAS, J. P. Administração de recuros humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2003. Gestão de Pessoas Aula 13 Higiene e Segurança do Trabalho e Qualidade de Vida no Trabalho. Objetivos Específicos • Compreender a importância da higiene e segurança no trabalho. Temas Introdução 1 Higiene e medicina 2 Segurança no trabalho 3 Normas Regulamentadoras 4 Qualidade de vida no trabalho Considerações finais Referências Professora Marcia Welita da Silva Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução A administração de recursos humanos expandiu sua área de atuação, no momento em que o ser humano passou a ser considerado fator de sucesso para as organizações. Sua tarefa primordial sempre foi assegurar que os funcionários estivessem em um local de trabalho adequado e que as diretrizes da empresa fossem baseadas em normas e leis vigentes, no entanto, com o passar dos anos, desde o período industrial até os dias de hoje, podemos observar que a preocupação com esses aspectos ganhou uma nova dimensão. O bem-estar do profissional e a forma como está amparado pela organização do qual faz parte, considerando o suporte que lhe é disponibilizado e as condições do ambiente, está diretamente ligado a seus resultados, motivação e produtividade. E também quando se criam condições favoráveis, tanto higiênicas, quanto de equipamentos adequados e informação clara em relação às atividades e processos. A administração direcionada à gestão da saúde e segurança do trabalhador diminui consideravelmente a exposição de seus funcionários a riscos e acidentes e, como consequência, diminui o absenteísmo e custos relacionados a afastamentos para tratamento e substituição de colaborador, as empresas: Devem assegurar um ambiente de trabalho que proteja os funcionários de danos físicos, condições insalubres e atos provenientes de outras pessoas que afetem a segurança. Por meio de programas efetivos de segurança e de saúde, o bem-estar físico e emocional dos funcionários pode ser preservado e até mesmo melhorado. (BOHLANDER, 2010, p. 440) Todas as atividades da gestão de pessoas estão orientadas à valorização do fator humano e seu capital intelectual, desde o recrutamento e seleção, que buscam atrair e contratar profissionais que atendam os perfis de vagas oferecidos, padrões de comportamento e valores da organização, passando pela integração dos novos colaboradores, acompanhamento de desempenho, modelos de gestão, estrutura de cargos e salários, e estrutura de planos de carreira. A inserção de programas de higiene e segurança no local de trabalho funcionam como base para que as demais funções da administração de recursos humanos aconteçam. A interação psicológica entre empregado e organização é basicamente um processo de reciprocidade: a organização realiza certas coisas para e pelo participante e inibi-se de fazer outras, remunera-o, dá-lhe segurança e status; reciprocamente, o participante responde trabalhando e desempenhando suas tarefas e oferecendo resultados. (CHIAVENATO, 2009, p. 194) A maneira como os indivíduos percebem o interesse em qualidade e cuidado com sua saúde, por meio de circustâncias benéficas de trabalho, sensibiliza no sentido de garantir empenho nas atividades, à medida que suas necessidades são atendidas. Os relacionamentos e composição do ambiente interferem na motivação que o grupo de colaborares sentirá para orientar seus esforços em busca de seus interesses pessoais e estratégicos da organização (BOHLANDER, 2010). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 1 Higiene e medicina A higiene se refere à preocupação com a limpeza tanto do local, evitando insalubridade, que pode ser entendida como aspectos que sejam danosos e nocivos a saúde do pessoal, quanto de condições favoráveis para o uso de todos os colaboradores no ambiente de trabalho. No entanto, considerando que seu objetivo é evitar doenças ocupacionais, principalmente, está ligada também à medicina (MARRAS, 2003). A higiene pode ser entendida como a ciência que se preocupa com a avaliação, administração e controle dos aspectos ambientais, ou seja, do ambiente de trabalho e os fatores que o cercam e possam gerar doenças ou danos no exercício do trabalho. Além disso, ela tem como responsabilidade zelar pelo bem-estar do colaborador e de todos os envolvidos no processo produtivo (SEMEST, 2011). Com a finalidade de preservar a saúde, assegurar que os funcionários estão aptos para permanecer em suas funções ou assumir novas posições, identificar possíveis causadores de doenças e encaminhar para tratamento adequado quando necessário, em 30/12/1994 foi estabelecida a portaria 24/92, que submete todas as organizações à obrigatoriedade de criação de um programa de controle médico e de saúde ocupacional, definido pela norma regulamentadora nº 7 e conhecido como PCMSO, este estabelece que a empresa tem a obrigatoriedade de realizar exames que assegurem a aptidão do colaborador para o trabalho, nos casos: • Periódico: sazonalmente, conforme necessidade de cada ocupação; • Mudança de cargo: sempre que a rotina for alterada, bem como a área de atuação, ambiente, processos, equipamentos e tarefas, avaliar as condições possibilita que sejam identificadas possíveis limitações e contraindicações ao novo cargo; • Retorno de afastamentos: para garantir que o funcionário está apto para voltar às suas atividades e, durante o período afastado, não desenvolveu nenhuma característica que possa se agravar ou afetar o desenvolvimento; • Desligamento: é importante para formalizar que a tarefa dentro da organização não afetou nenhuma habilidade motora, psicológica e física do profissional, evitando, assim, possíveis manifestações, exigindo indenização por danos ou pagamento de tratamentos. Da mesma forma que em caso positivo, a empresa deve arcar com a recuperação do indivíduo e prestar todos os auxílios necessários. Com uma legislação complementar também foram criadas as Normas Regulamentadoras, ou NRs, que totalizam 36 e são orientações quanto a procedimentos que devem ser seguidos para garantir a medicina no trabalho e a segurança (MARRAS, 2003). Existem leis que estabelecem que a organização deve cumprir com um pagamento extra aos funcionários expostos a algum tipo de risco, de maneira a recompensar essa exposição e cobrir eventuais custos com tratamento médico, por exemplo. De qualquer forma, mesmo Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 que ofereçam esse benefício devem priorizar a minimização dos graus de risco. O artigo 192 determina que seja pago adicional de insalubridade que varia entre 40%, 20% ou 10% do salário mínimo, sendoclassificado por grau de exposição máximo, médio ou mínimo, respectivamente. Quanto a periculosidade, o artigo 193 determina adicional de 30% sobre o salário. E existem também as normas regulamentadoras nº 15 e 16, que norteiam as atividades insalubres (NR 15) e perigosas (NR 16). Como exemplo, podemos considerar um trabalhador da construção civil que convive diariamente com o barulho das máquinas de perfuração, enquadrando-se no caso de insalubridade. O uso de equipamento de proteção individual reduz o impacto do barulho, mas não isola o funcionário das consequências que o som alto pode causar. É considerada insalubre toda condição física que interfere no bem- estar do indivíduo, como temperatura muito quente, fria, ruídos etc. Já sobre periculosidade, podemos utilizar como exemplo seguranças de agências bancárias, que portam arma de fogo e estão sujeitos a risco de vida em sua atividade. Toda atividade que esteja relacionada a explosivos ou inflamáveis em risco acentuado é considerada perigosa. Em relação a medicina do trabalho, a principal área de cuidado é a ergonomia, que trata de doenças ocasionadas em função de exercícios repetitivos. Como exemplo vamos utilizar a lesão por esforço repetitivo (sigla LER), que é uma das principais queixas de funcionários e causa de afastamento de trabalho, sendo apresentada principalmente por colaboradores cujas atividades estejam relacionadas a repetição do mesmo movimento constantemente (MARRAS, 2003). Além disso, é responsabilidade da administração de recursos humanos garantir que a saúde de seus colaboradores tenha acompanhamento, essencialmente no que se refere a possíveis consequências das atividades exercidas dentro da organização. Wachowicz (2012, p. 108) utiliza uma citação de Wisner (1987, p. 12) para definir ergonomia como “[...] o conjunto dos conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários para a concepção de ferramentas, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto, de segurança e de eficácia.” Para manter o controle da higiene e saúde dos profissionais, a administração de recursos humanos estabelece medidas para planejamento e controle, visando ter conhecimento das necessidades e da realidade de seus estabelecimentos, atrelando ao que seus trabalhadores precisam. É necessário implantar padrões de comportamento e estabelecer uma comunicação coletiva e eficiente. Toda e qualquer medida só será valorizada a partir do momento que as pessoas a quem se visa beneficiar realmente identificam essa preocupação e sentem satisfeitas suas necessidades. De acordo com Chiavenato (2009, p. 195) “as pessoas nem sempre dizem aberta e explicitamente o que querem e do que precisam”, portanto, deve existir uma área focada na interpretação dos hábitos e comportamentos, e interesse em conhecer o que é importante para cada um, para que sejam criadas medidas que acertem. A divulgação das normas e procedimentos, além de deixar cientes todos os envolvidos, também impacta no comportamento e desenvolve uma cultura organizacional, que faz com que se tornem eficientes as medidas tomadas, uma vez que são seguidas pelo grupo. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 As medidas de controle e prevenção têm início na contratação dos colaboradores, por meio de exames médicos, que aprovam ou não um potencial candidato para assumir uma posição dentro da empresa. O exame clínico verifica além das funções vitais, possíveis deficiências e alerta os empregadores quanto aos cuidados necessários e limitações. Esse processo se repete no momento demissional e muitas organizações o utilizam com frequência, para avaliar seus funcionários de tempos em tempos, garantindo o conhecimento de necessários tratamentos ou afastamentos. A lei n 24/94 se refere a esse controle por meio da implantação do PCMSO ou Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, que exigem que sejam realizados tanto exames no momento da admissão, como ao longo de sua carreira, e em casos de afastamento e demissão (MARRAS, 2003). É importante salientar que todas as atividades devem receber atenção da gestão de pessoas, pois sua execução mal feita, mal orientada ou mesmo repetida diversas vezes sem o correto controle, pode acarretar consequências graves ao profissional envolvido. O acompanhamento é fundamental para que possa existir prevenção e ser antecipados os diagnósticos, assim a gravidade afeta menos a organização e seus colaborares. Além do cuidado médico, também são cada vez mais utilizados canais alternativos de tratamento e prevenção, como controle da carga horária de trabalho, intervalos para descanso, incentivo a atividade física e intelectual, rotatividade de tarefas e, até mesmo, programas específicos de massagem e relaxamento. Essas medidas visam interromper um ciclo de atividade e proporcionar aos profissionais um repouso para que aliviem as tensões e sintam, dessa forma, maior satisfação. 2 Segurança no trabalho A segurança no trabalho também é regulamentada em lei e é regida pela CLT, de acordo com o artigo 163: Art. 163. Será obrigatória a constituição da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - (CIPA) – de conformidade com instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho, nos estabelecimentos ou locais de obra nelas especificadas. Paragrafo único. O Ministério do Trabalho regulamentara as atribuições, a composição e o funcionamento das CIPAs (MARRAS, 2003, p. 200). Além disso, existe uma legislação complementar, que estabelece normas regulamentadoras (NR), a fim de orientar quanto a procedimentos e necessidades de segurança, no caso da CIPA a NRº 5 é a que faz referência. As organizações devem se enquadrar nos padrões estabelecidos pela legislação tanto pela intenção de criar a consciência de prevenção e orientação de acidentes, como para minimizar seus gastos com eventuais afastamentos de funcionários e cuidados. Uma das principais normas regulamentadoras é a nº 17 que fala sobre ergonomia, tratando sobre a adaptação do ambiente de trabalho desde os móveis até a postura e Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 movimentos que estão envolvidos na atividade do colaborador. O conforto e a facilidade em acessar objetos e materiais, se locomover, condições do espaço de trabalho também interferem na produtividade e qualidade do resultado, além de garantirem que os esforços físicos e necessidades psicológicas sejam atendidas, e que não haja riscos de doenças ocupacionais se desenvolverem, como problemas posturais, dormências nos membros, dores nas articulações etc. (MARRAS, 2003). A aderência a esses padrões e normas não acontece somente por serem estabelecidos por lei e sujeitar a multas e punições as organizações que não as acatam, mas sim porque prezar pela vida dos colaboradores faz parte do respeito e valorização do indivíduo, que faz parte das atividades da gestão de pessoas, uma vez que são colocados na posição de parceiros e não meros instrumentos de trabalho. Da mesma forma que a higiene se torna importante na organização, para que seja oferecido aos colaboradores um ambiente satisfatório, com a segurança acontece o mesmo. Na realidade, é importante que existam as duas orientações e o conjunto das medidas de prevenção e normas estabelecidas irão garantir o bem-estar dos funcionários. Quando se fala em prevenir acidentes, refere-se a eliminar todos os seus possíveis causadores e, para isso, é necessário conhecer as necessidades das tarefas, os riscos envolvidos, materiais, exposição do profissional e esforços físicos. Não é possível determinar uma forma correta de trabalhar quando as tarefas não são avaliadas e quando não são traçadasas medidas adequadas. A prevenção de acidentes no trabalho é um programa de longo prazo que objetiva, antes de tudo, conscientizar o trabalhador a proteger sua própria vida e a dos companheiros por meio de ações mais seguras e de uma reflexão constante sobre a descoberta a priori de condições inseguras que possam provocar eventuais acidentes no trabalho. Portanto, é mais um programa educativo, de constância e de fixação de valores do que um programa técnico. (MARRAS, 2003, p. 208) A noção de preservação da vida deve fazer parte da cultura da empresa, adotada desde os profissionais de mais alto nível hierárquico, que se tornam orientadores, até principalmente quem executa as tarefas. O mais adequado é que sejam constantemente divulgados os regulamentos e diretrizes da empresa, bem como sejam de fácil entendimento e estejam à disposição de qualquer membro da equipe. Quando os diretores e administradores de organizações definem seus planos de ação, valores e política, o cuidado com a vida deve fazer parte desse conjunto, pois demonstra, perante os colaboradores, que a empresa prioriza acima do lucro o aspecto humano, o que além disso reflete em uma imagem positiva perante consumidores e sociedade. Podemos definir acidente como o resultado negativo de algum ato, que acontece ou que seja previsto e pode afetar ou não o físico e mental do indivíduo. Para realizar o controle dos acidentes em ambiente organizacional foi criado o CAT, que significa Comunicação de Acidente de Trabalho. Quando qualquer ato negativo e inesperado acontece, o CAT serve Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 para registrar e formalizar tal acidente e suas consequências (MARRAS, 2003). Muitas organizações têm disponível e treinada uma brigada de incêndio, cujo objetivo é instruir seus profissionais sobre medidas a serem tomadas em situações de perigo e emergência, como posições adequadas, atitudes, rotas de fuga e também auxilia a orientação de todo o pessoal em caso de retirada de pessoas do edifício, por exemplo, atendendo os padrões da CIPA. A NRº 23 define exigências relacionadas a proteção contra incêndios. A globalização e a inserção de novas tecnologias proporcionaram um grande avanço nas formas de produção e nos resultados, e com isso, gerou também, aumento da demanda e a necessidade de acompanhamento, por parte das organizações. Para atender às necessidades do mercado consumidor, a estratégia foi alavancar a produção, por meio de novos métodos e maquinário, e com isso, de forma indireta ou direta, aumentou a exposição dos funcionários a riscos de trabalho. A maioria dos acidentes são causados por atos inseguros – “considera- se ato inseguro aquele provocado pelo trabalhador (um movimento errado, uma atitude impensada, irrefletida, etc., causando um acidente).” (MARRAS, p. 211), que foram ou não bem planejados, ou não tiveram uma explicação e treinamento corretos a quem está envolvido. Devemos frisar que a definição de ato inseguro como causador de acidentes não pode repassar aos profissionais a responsabilidade completa por qualquer mal que sejam afetados, e sim, a administração da empresa e sua política de gestão tem total participação. De acordo com Bohlander (2010, p. 448) “[...] deve-se assegurar que os funcionários entendam todas essas considerações durante as sessões de treinamento, e estimulá-los a tomar certas iniciativas para manter a preocupação com a segurança”. De acordo com sua gravidade, os acidentes diferem seu impacto na organização e na rotina de trabalho, podendo ocasionar afastamento ou não do trabalhador de suas atividades diárias. Quando não há necessidade de afastamento, o colaborador é atendido, se for o caso medicado, mas pode no mesmo instante assumir suas tarefas. A necessidade de afastamento é ocasionada quando o acidente afeta de forma mais séria e é preciso tratamento específico e repouso para que se recupere. Os motivos de afastamento ainda podem ser desmembrados em quatro: • quando a incapacidade é temporária e o funcionário perde totalmente a capacidade para trabalhar, podendo o funcionário se afastar no dia do acidente ou durante um período de até um ano; • quando a incapacidade é permanente e parcial, ocorre uma redução na capacidade para o trabalho e, da mesma forma, pode necessitar de um dia até um ano de paralisação; • existe a incapacidade total permanente, como o próprio nome define, não é possível que o profissional retome suas atividades e de forma definitiva é afastado; Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 • e por último, o afastamento por morte ocorrida em razão direta do acidente. (MARRAS, 2003) Acidentes além de causar gastos financeiros para a organização, não afetam somente a ela. Considerando o aspecto humano como base para que sejam implantadas medidas de prevenção, instrução, local e equipamentos seguros, deve-se considerar que o impacto de um acidente, com afastamento ou não, alcança também a família do profissional envolvido, a sociedade, o país, além da própria empresa. A não preservação de uma vida interfere em faltas e custos para o empregador, desgasta a imagem da empresa e também atinge sua família, muitas vezes ficando desamparada, além de sofrer e precisar se adaptar. Para a sociedade, a interferência é no aumento do custo de vida, imposto e seguros sociais. Falando em segurança, devemos também ressaltar a implantação de equipamentos de proteção individual (sigla EPI), cuja disponibilização e uso são obrigatórios segundo a NR 6, e que proporciona aos profissionais segurança ao realizar suas atividades e diminui o impacto de riscos em situações perigosas. Esse equipamento deve ser disponibilizado pela organização sem que haja custo para o trabalhador, e seu uso deve ser ensinado, estimulado e monitorado, como exemplo temos capacete, avental, máscara com filtro, botas, capa, protetor auricular, óculos e luvas. A fim de “[...] preservar a vida humana e possibilitar a continuidade do processo de produção com índices de produtividade adequados” (MARRAS, 2003, p. 207) são estabelecidas e divulgadas formas de prevenção, cuidado e respeito com a própria vida e a do próximo. 3 Normas Regulamentadoras NR 1 Disposições gerais. NR 2 Inspeção prévia. NR 3 Embargo ou interdição. NR 4 Serviços especializados em engenharia de segurança e em medicina do trabalho (SESMT). NR 5 Comissão interna de prevenção de acidentes (CIPA). NR 6 Equipamento de proteção individual. NR 7 Programa de controle médico de saúde ocupacional. NR 8 Edificações. NR 9 Programa de prevenção de riscos ambientais. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 9 NR 10 Instalações e serviços em eletricidade. NR 11 Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais. NR 12 Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos. NR 13 Caldeiras e vasos de pressão. NR 14 Fornos industriais. NR 15 Atividades e operações insalubres. NR 16 Atividades e operações perigosas. NR 18 Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. NR 19 Explosivos. NR 20 Líquidos combustíveis e inflamáveis. NR 21 Trabalhos a céu aberto. NR 22 Segurança e saúde ocupacional na mineração. NR 23 Proteção contra incêndios. NR 24 Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho. NR 25 Resíduos industriais. NR 26 Sinalização de segurança. NR 27 Registro profissional do técnico de segurança do trabalho no Ministério do Trabalho. NR 28 Fiscalização e penalidades. NR 29 Norma regulamentadora de segurança e saúde no trabalho portuário. NR 30 Segurança e saúde no trabalho aquaviário. NR 31 Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura. NR 32 Segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos desaúde. NR 33 Segurança e saúde no trabalho em espaços confinados. NR 34 Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção e reparação naval. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 10 NR 35 Trabalho em altura. NR 36 Norma regulamentadora sobre abate e processamento de carnes e derivados. Para saber mais sobre as normas regulamentadoras acesse o site do Ministério do Trabalho, em Legislação estão disponíveis todas as normas. 4 Qualidade de vida no trabalho O dia a dia da população economicante ativa é cada vez mais cheio de atividades, e, podemos afirmar que os profissionais passam grande parte de seu dia no local de trabalho. A maneira como as pessoas se relacionam, tanto entre colaboradores do mesmo nível como entre todos os níveis hierárquicos, o ambiente de trabalho limpo, organizado e com as ferramentas e equipamentos necessários, são muito importantes para que o equilíbrio seja mantido e a produção garantida. De acordo com Bohlander (2010, p. 462) “A compreensão do relacionamento íntimo entre saúde física e emocional e o desempenho no trabalho tem tornado os programas de melhora da saúde atraentes tanto para empresas quanto para os funcionários”. As pessoas têm que sentir prazer ao realizar suas atividades e ao sair de casa, todos os dias rumo a seus locais de trabalho, e as organizações devem proporcionar a seu quadro de funcionários todos os atributos necessários para tornar o ambiente interessante. Manter um estilo de vida saudável é condição necessária a uma alta qualidade de vida pessoal e profissional. Abster-se de hábitos nocivos e modificar atitudes requer grande comprometimento psicológico e as organizações podem influenciar de forma positiva nesse contexto. Outro aspecto importante é o reconhecimento da influência positiva das atividades físicas na vida das pessoas, relacionadas com a prevenção de várias doenças, como as ocupacionais. (KOPS, 2013, p. 148) Podemos considerar que qualidade de vida pode ser definida como o conjunto de sentimentos dos indivíduos em relação a todos os aspectos de sua vida, desde pessoais até os profissionais, considerando nesta aula, principalmente, a satisfação que sente ao realizar suas atividades e ao se comunicar e relacionar com os colegas e ambiente de trabalho. Por parte do empregador, a qualidade de vida no trabalho será representada por quanto a organização é interessada e preocupada com o assunto, englobando higiene e segurança, além de outros fatores como remuneração, liderança, gestão, estrutura etc. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 11 A existência de uma cultura ligada a padrões de segurança e respeito pela vida, repassa para a equipe a importância de ter responsabilidade com os próprios atos, avaliar a situação, riscos envolvidos e melhor maneira para execução. “Provavelmente, o papel mais importante de um programa de segurança seja motivar gerentes, supervisores e subordinados a terem ciência das considerações de segurança” (BOHLANDER, 2010, p. 448). Apesar de muitas atividades serem pressionadas a produzir em larga escala e atender uma grande demanda, não podem ser tomadas decisões sem avaliação das consequências. A prevenção e minimização dos acidentes e riscos deve fazer parte do comportamento de todos e o que se ganha por meio dessa atitude é aumento de desempenho com qualidade. A administração de recursos humanos é responsabilizada pela criação, implantação e divulgação de programas de segurança, e a implantação em todas as organizações tem ganhado importância e maior dimensão, desde as menores e menos estruturadas até as grandes multinacionais. Antigamente, era visto como perigosa apenas a atividade industrial, porém, esses programas devem existir para verificar todos os processos, materiais, equipamentos de segurança e implantar medidas de prevenção que englobem tanto atividades simples como abrir e fechar gavetas, subir escadas, até manusear máquinas complexas. A prestação de serviços relacionados à saúde também ganha destaque nas organizações. “Além de sanar as condições de trabalho prejudiciais à saúde dos funcionários, muitas empresas mantêm serviços de assistência médica e têm programas que incentivam a melhoria dos hábitos de saúde dos funcionários” (BOHLANDER, 2010, p. 462). Tanto o estado emocional dos indivíduos como seu bem-estar físico e energia interferem nas relações e empenho nas tarefas, consequentemente nos resultados. Considerações finais Segundo Chiavenato (2009, p. 162) O comportamento das pessoas é orientado para a satisfação de suas necessidades pessoais e para o alcance de seus objetivos e aspirações. Por isso, reagem e respondem a seu ambiente, seja no trabalho seja fora da organização. As pessoas podem tanto resistir como colaborar com as políticas e os procedimentos da organização, dependendo das estratégias de liderança adotadas por algum supervisor. E, quando os profissionais se tornam chave para as organizações alcançarem ou não bom desempenho e sucesso nos resultados, todos os fatores que envolvem seu dia a dia e suas atividades devem ser bem pensados e elaborados, visando criar um ambiente favorável. A higiene, a saúde no trabalho e a prevenção de acidentes demostra a preocupação das organizações em não somente focar na sua produção e produtividade, mas também na maneira como conquistam uma boa posição no mercado e como seus funcionários se sentem fazendo parte dela. Além de oferecer um produto ou serviço de qualidade e diferencial Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 12 competitivo, o mercado consumidor nos dias de hoje também avalia a ética e os princípios da empresa, desde como utiliza matéria-prima, recicla seu lixo, agride ou não o ambiente, até a qualidade de vida dos trabalhadores. Por outro lado, vale considerar que a motivação do profissional não está somente na remuneração e na posição que ocupa, mas também nas condições a que é submetido e se aquela atividade se torna prazerosa ou desgastante e sofrida. O cuidado com o fator humano deve ser repassado a todos os membros da equipe e da mesma forma seguido. Transmite mais confiança e credibilidade a organização que tem em seus membros de mais alto nível a mesma cultura e comportamento, pois se tornam espelho para os demais. Os gestores e os administradores, não somente a gestão de pessoas, devem demonstrar interesse e disposição para acolher e escutar queixas, dúvidas e preocupações com relação a algum método de trabalho, erro no processo ou mesmo dano de equipamento e exposição a risco. Quando faz parte da cultura zelar pela vida, se torna natural que todos sigam os mesmos padrões de segurança estabelecidos e não tomem atitudes sem antes avaliar a situação. Da mesma forma se torna parte da rotina aderir a equipamentos de segurança e procedimentos (BOHLANDER, 2010). As principais causas de acidente no trabalho ocorrem quando os profissionais não são bem preparados, ou seja, não conhecem bem sua rotina, seus equipamentos, e a finalidade de sua função. Para sanar essa lacuna, é frisada a importância de treinamentos aos funcionários novos e manter uma estrutura de reciclagem que renove as informações e mais comumente são oferecidos por meio de palestras e vídeos informativos, além de exemplos dados no próprio ambiente de trabalho. Como causa também podemos citar o excesso de confiança em realizar determinada tarefa, que pode ocasionar o que chamamos de “trabalhar em modo automático”. O funcionário está tão habituado a realizar uma atividade, que não se preocupa com nenhum fator de risco por achar que domina sua função, nesse caso, qualquer imprevisto pode sair do controle e ocasionar lesão ou acidente. Por último, trabalhar incessantemente faz com que o profissional perca a agilidade e a faltade atenção se torne alta. Muitos acidentes acontecem por fadiga e preocupação, tanto com pressão recebida pelo gestor, como por algum problema pessoal que possa afetar sua atuação. A preocupação com higiene e acidentes não visa apenas garantir limpeza do local e investigar causas de acidentes, faz parte da inserção de uma política que tenha abrangência do que se faz necessário para manter um profissional saudável e em condições de aplicar seu potencial e conhecimento com disposição. Estabelecer programas de capacitação, momentos para descanso, atividades de descontração e balancear cobranças com relação a metas e produção são medidas que beneficiam tanto o colaborador com a boa saúde, e a organização com a maior eficiência de seus subordinados e menor índice de faltas e gastos com afastamentos. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 13 Referências BOHLANDER, G. Administração de recursos humanos. São Paulo: Cengage Learning, 2010. BRASIL. Normas Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho. Disponível em: <http:// portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-1.htm>. Acesso em: 05/2014. CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009. JUNIOR, M. P. C. Registro do SESMT. CPSOL, [s.d.]. Disponível em: <http://www.cpsol.com.br/ upload/arquivo_download/1872/REGISTRO%20DO%20SESMT.pdf>. Acesso em: Mai. 2014. KOPS, L. Gestão de pessoas: conceitos e estratégias. Curitiba: Intersaberes, 2013. MARRAS, J. P. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2003. WACHOWICZ, M. Segurança, saúde & ergonomia. Curitiba: IBPEX, 2012. WISNER, A. Por dentro do trabalho. São Paulo: FTD; Oboré, 1987. http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-1.htm http://www.cpsol.com.br/ Marcia Welita da Silva Gestão de Pessoas Aula 14 Relações Trabalhistas Objetivos Específicos • Entender as políticas de relação trabalhista entre os empregados e as organizações. Temas Introdução 1 Normas disciplinares 2 Relações trabalhistas Considerações finais Referências Professora Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução As organizações têm mudado sua estrutura operacional e de gestão à medida que as influências de um mundo globalizado e em constante atualização interferem no mercado consumidor, no indivíduo e nas formas de produzir. De acordo com Gramigna (2007, p. 5) “O fato de estarmos vivendo numa economia globalizada vem instigando dirigentes brasileiros a demandar esforços para o realinhamento de suas práticas de gestão.” Além de orientar sua política para a valorização do ser humano, as organizações devem respeitar e acompanhar as normas e diretrizes trabalhistas, que ganham mais espaço e força a fim de garantir direitos aos profissionais. As relações trabalhistas dizem respeito não somente a maneira como o empregador convive com seu empregado, mas também envolve as normas e acordos legais, motivação e satisfação dos funcionários e estratégias de administração de recursos humanos. Chiavenato (2009, p. 245) afirma que “Para enfrentar o mundo de negócios em constante mudança e ebulição, a organização precisa desenvolver a capacidade de migrar e mudar, de criar e alavancar novas habilidades e atitudes, de inovar incessantemente”. Junto a isso, deve basear sua política em preceitos legais, acordos sindicais, encontrando sempre formas novas de atender seu público interno, ou seja, seus colaboradores. O avanço que observamos desde a Era Industrial até o atual momento no século XXI não influenciaram somente as formas de produzir, com tecnologia e informação, além da influência de culturas do mundo inteiro, mas também influíram nas leis do trabalho. O período que antes era marcado pela fabricação em massa, foco na produtividade e força humana como extensão das máquinas, dá lugar a visão de que a diferenciação entre as organizações e vantagens competitivas está no capital humano de que dispõem e a forma como o empregam, para administrar as tecnologias e informações. Consideramos a valorização do homem como fator-chave para explicar grande parte das mudanças dentro das políticas empresarias, mas a consolidação trabalhista e das leis da previdência social tem influência nas diretrizes estabelecidas. Existem normas que garantem benefícios aos colaboradores tanto em remuneração, como em qualidade de vida. Gramigna (2007, p. 8) afirma que “é necessário discutir e refletir sobre os fatores que atraem um profissional em seu ambiente de trabalho. Percebemos que, hoje, a lealdade de um colaborador está atrelada a um conjunto de condições diferentes das que eram de valor anteriormente.” Em um momento de diferencial intelectual como fator competitivo, a grande tarefa da gestão de pessoas é compreender e aplicar o que atrai um profissional e o que o mantém dedicado e em busca constante de conhecimento e aprimoração de suas competências. É grande a quantidade de áreas a serem estudadas para entender comportamento e motivação, nesta aula o tema abordado será a forma como são orientadas as relações dentro de uma organização, desde as exigências legais até as habilidades necessárias para compreender e lidar com diferentes necessidades. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 1 Normas disciplinares Normas se referem a regras estabelecidas e impostas a determinados grupos, ou mesmo, a toda a sociedade. Em todos os tipos de relacionamentos sociais e convívio existem preceitos que orientam o comportamento, como o que é aceitável e bem-visto e o que é passível de julgamento e punição. Há a conduta a ser seguida dentro de casa com os familiares, nas escolas, no trabalho, nos ambientes públicos etc., e ela existe simplesmente porque mantém o controle das situações. Não podemos agir sem critérios e por impulso, pois seguimos costumes que norteiam nossas ações (MARRAS, 2003). Da mesma forma acontece nas organizações, que estabelecem normas disciplinares a fim de reger o comportamento de todos que dela fazem parte, sem discriminação com relação a cargos, salários e níveis hierárquicos. Uma norma só é válida se imposta e seguida por todos de forma igualitária, do contrário, perde a eficácia pois não irá garantir que existam padrões nos relacionamentos e tomadas de decisão (MARRAS, 2003). Denomina-se relações trabalhistas a área que responde pelo planejamento e execução de programas relacionados a área trabalhista-sindical, bem como pela prestação de assessoria a todas as áreas da empresa, situadas em linha ou em staff, em questões referentes às politicas e diretrizes no campo das relações entre capital e trabalho e no correto cumprimento e interpretação de normas legais ligadas a esses cenários (CLT, leis complementares, acórdãos, convenções coletivas de trabalho, acordos coletivos de trabalho e outros) (MARRAS, 2003, p. 239). As diretrizes definidas pela administração da organização irão coordenar o grupo com relação a horários de entrada, saída, procedimentos tomados no caso de haver faltas, atrasos, e necessidade de horas extras, bem como a maneira como os funcionários devem atuar em seus locais de trabalho, cuidado com matérias, responsabilidade com equipamentos, qualidade de vida, tratamento com os profissionais ao seu redor e reporte a gestores. O modelo de administração adotado e divulgado a todos do grupo permitirá que, possivelmente, sejam aplicadas medidas de correção visando manter o respeito e padrão de comportamento. Cada profissional possui sua tarefa e ela incidirá de maneira diferente nos processos da organização e alcance dos objetivos, e se torna mais fácil o controle quando existe um cronograma e não diversas possibilidadesà escolha de cada um. As formas de entendimento e interpretação se diferem de um indivíduo para o outro, por isso, a comunicação deve ser clara para ser eficiente, além de assertiva (MARRAS, 2003). Com base nos preceitos estabelecidos cabe à gestão de pessoas e profissionais em cargo de autoridade manter a ordem e em caso de necessidade punir falhas e indisciplina, por exemplo, atrasos, mal uso de equipamentos, faltas sem justificativa e preconceitos com algum membro da equipe. Existem diversas formas de desobedecer as normas e os procedimentos de uma organização, e elas irão depender do que cada empresa valoriza e considera relevante ou não. Da mesma maneira que encontramos organizações que exigem Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 pontualidade, existem outras que são mais flexíveis com relação à carga horária e permitem a utilização de banco de horas extras, para folgar em determinado dia da semana, ou atuar em home office, honrando seus compromissos de dentro da própria casa. 2 Relações trabalhistas As relações trabalhistas são definidas pela forma como os líderes das organizações organizam sua política de recursos humanos alinhadas a determinações de sindicatos patronais e leis vigentes. O objetivo é tornar o ambiente de trabalho um lugar adequado para a existência de boas relações e favorável para que as atividades sejam realizadas em ordem e com qualidade (MARRAS, 2003). Os objetivos definidos pela empresa têm suas etapas de planejamento baseadas em seus valores e cultura, bem como em determinações legais, que beneficiem todos os que atuem como colaboradores da instituição. É importante que exista um plano de tarefas e ações, que envolvam necessidades e atitudes a serem tomadas desde um curto prazo até prazos mais longos. A orientação é fundamental para que todos os envolvidos sintam segurança e tenham conhecimento necessário, para que sigam em direção aos mesmos objetivos e possam ter alicerce, que oriente em relação a decisões. Quando não se sabe o que deseja ou mesmo não se averigua todos os aspectos envolvidos, os riscos de erros são maiores. Gramigna (2007, p. 5 e 6) determina que “a revisão da estratégia empresarial levou dirigentes e equipes a um trabalho compartilhado para estabelecer a missão organizacional, definir o negócio, divulgar a visão empresarial, discutir valores e crenças percebidos, bem como elaborar planos setoriais e estabelecer objetivos e metas.” Quando o foco a ser tratado são as relações trabalhistas inseridas nos objetivos e metas, o que deve ser considerado são diversos fatores do cenário externo e interno das organizações, para que as políticas de gestão acompanhem tanto as exigências de mercado, legais, como a realidade do dia a dia, que afeta a vida de todos os cidadãos. Para manter o controle e garantir a satisfação dos funcionários, muitas organizações se baseiam em acordos coletivos de trabalho, para ter certeza de que estão atendendo o que realmente é valorizado por seus colaboradores e do que pode ou não fazer diferença e influenciar sua produtividade e compromisso com as atividades exercidas. Essa negociação pode envolver empregador e empregados, e também se dar entre comissão de funcionários e representantes de sindicatos. A CCT é um instrumento normativo que registra uma série de cláusulas acordadas entre sindicatos patronais e sindicatos dos trabalhadores (capital e trabalho) atingindo, em amplitude, toda uma categoria profissional (CCT dos metalúrgicos, CCT dos químicos, etc.), com frequência anual e em sua respectiva data-base (data previamente estabelecida na CLT para acontecer a negociação em pauta), conhecida erroneamente como ‘data do dissidio. (MARRAS, 2003, p. 241) Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 Entenda-se CCT como sigla para Convenção coletiva de trabalho, que ,da mesma forma que os acordos coletivos, tem como objetivo estabelecer um consenso que discrime obrigações, deveres e responsabilidades assumidos por todos os envolvidos em uma organização, amparados por leis e sindicatos. Essa relação ganha importância porque transmite a imagem de confiança e respeito tanto da empresa para os potencias candidatos e profissionais atuantes, como perante mercado consumidor. Além disso, a abertura para a participação de todos os indivíduos que exercem qualquer tipo de tarefa dentro da instituição possibilita que a gestão de pessoas entenda melhor suas necessidades, faça a previsão de situações e saiba dos problemas que afetam sua atuação. O que difere a convenção coletiva de trabalho do acordo coletivo, é que a primeira é firmada entre sindicatos dos empregados e sindicatos patronais, e o segundo é realizado entre sindicato dos empregados e as organizações. 2.1 Negociação trabalhista Levantar as necessidades dos trabalhadores e determinações legais fazem parte das relações trabalhistas, porém, existem importantes competências que o profissional envolvido na gestão de pessoas deve possuir para aplicar com sabedoria e eficiência esses conhecimentos. Marras (2003) sugere que as práticas de negociação são um grande diferencial para determinar acerto e êxito ou ocasionar desmotivação e manifestações dos funcionários. Detendo as informações condizentes a aspectos do dia a dia dos trabalhadores, suas necessidades, queixas, e sugestões, o profissional de administração de recursos humanos deve traçar estratégia para lidar com um grupo de colaboradores, visando obter o melhor resultado, oferecendo condições que atendam às exigências, porém sem permitir desvio do foco dos objetivos e diretrizes adotados pela organização. Como toda negociação, o sucesso é conquistado quando os dois lados saem satisfeitos. Por exemplo, uma queixa dos colaboradores pode ser a exaustiva e longa jornada de trabalho, como consequência a queda da qualidade dos resultados, uma forma de negociar com sucesso é estabelecer intervalos para descanso ou, mesmo, alternar equipes de trabalho, para que todos se mantenham dispostos e possam se comprometer a entregar sua tarefa com eficiência e eficácia. Planejar a negociação envolve três etapas: a operacional, a tática e a estratégica. A operacional é a escolha de quem fará parte da mesa de discussão e negociação, de ambos os lados, empregadores e empregados, e o estabelecimento de local, dia e horário. A tática planeja a negociação, contém um roteiro de argumentos, previsão de caminhos que a conversa pode tomar, assuntos a serem abordados para concluir todos os possíveis caminhos, estilo de argumentação, posicionamento e postura adotada pelo negociador. Por último, o estratégico engloba o processo até seu resultado final, como custos disponibilizados, imagem da organização, conhecimento de direitos e limites dispostos pelas leis e sindicatos. O passo seguinte é chamado de reconhecimento, no qual os dois lados tem espaço para expor suas necessidades e explicar seus motivos. É importante que haja respeito para Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 ouvir argumentação tanto de empregados como empregadores, pois não é o momento de interrupções contrariando as necessidades ou levantando ideias contrárias. Após conhecimento do que deve ser sanado e quais as condições impostas por cada um, a negociação expõe as opiniões sobre as reinvindicações apresentadas. Essa etapa visa apresentar alegações a respeito do que foi falado e entrar em um consenso. Por exemplo, o empregador levanta informações que possam contrariar ou explicar determinado fato apresentado pelo empregado. O fim da negociação é atingido quando, por meio de uma conversa controlada e civilizada,um acordo é firmado. Não é obrigatório que todos os argumentos dos empregados sejam atendidos da maneira como solicitados, bem como não é fundamental que o empregador tenha fielmente seguidas suas disposições. Ter sucesso em um acordo tem muito mais satisfação envolvida do que atendimento total. É necessário que ambos cedam de alguma maneira para ter seus principais objetivos atendidos e discutidos. A formalização da reunião é feita por meio de formulação de cláusulas contendo os itens acordados e assinatura dos representantes (MARRAS, 2003). Com relação às cláusulas do acordo, podem ser diferenciadas em três áreas: econômicas, que estão ligadas ao caixa da empresa, como exigências de acordo no salário; sociais, que envolvem garantias ao empregado, podendo fazer referência a funcionários que se acidentam ou se afastam por gravidez; e político-sindicais, que representam diretamente interesses dos representantes de sindicatos, como as contribuições assistenciais (MARRAS, 2003). A finalidade de ter sucesso nas negociações trabalhistas é evitar que o descontentamento isolado de um funcionário ou pequeno grupo se desenvolva e atinja um número maior, podendo interferir no bom funcionamento das atividades e possível manifestação de greve, paralisando a empresa e afetando compromissos assumidos e lucro. Não somente evitar protestos, mas também se torna objetivo dos acordos transmitir a imagem de que a cultura de valorização e respeito é realmente assumida. 2.2 Greves A forma como se relacionam empregados e empregadores pode ser exemplificada como a temperatura do ambiente, e acompanhar essa temperatura garante que a ordem seja mantida e, como consequência, o bom desempenho. Quando a gestão de pessoas e administradores das organizações não apenas delegam funções e ordens, mas orientam sua visão a cada colaborador, podem ser identificadas alterações negativas no ambiente de trabalho, e quanto mais rapidamente detectada evita que a insatisfação seja repassada de um a vários membros da equipe, além de permitir que uma solução e atitude corretiva sejam tomadas. Greve é definida pela paralização do trabalho com objetivo de requerer benefícios e mudanças nos aspectos atuais, possui amparo legal, mas como qualquer outra manifestação Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 de comportamento também possui limites e regras para acontecer (MARRAS, 2003). A greve é direito de todos os trabalhadores, independentemente de existência ou não de sindicato controlando e fazendo a supervisão, todo cidadão prestador de serviço tem o direito de organizar paralização a fim de lutar por ideais e objetivos. A constituição determina que os serviços considerados essenciais, sendo eles: tratamento e abastecimento de água, assistência médica e hospitalar, distribuição de medicamentos, funerárias, transporte coletivo, captação e tratamento de esgoto, telecomunicações, guarda e controle de substâncias radioativas, controle de tráfego aéreo, compensação bancária e processamento de dados ligados a serviços essenciais, devem garantir o seu funcionamento mesmo durante a greve (Constituição Federal, art. 9; Lei n 7783/1989, art. 1º e 2º). A forma como as relações trabalhistas estão inseridas em cada organização irão determinar se os gestores são capazes de identificar que algo não vai bem, detectando e diagnosticando o problema, ou perderão o controle da situação e serão atingidos pela manifestação de um grupo de trabalhadores, impactando em sua produção e imagem. Quando não existe uma boa relação, provavelmente, não serão tomadas medidas para contenção e reversão do descontentamento, e a consequência será a paralização do trabalho. A comunicação se torna habilidade fundamental para a administração de recursos humanos, pois políticas bem estruturadas não terão influência positiva e sua finalidade não será satisfatoriamente alcançada se não forem transmitidas com clareza e bem entendidas pelo alvo da informação. No caso de greves, é necessário que os funcionários sintam liberdade e abertura para comunicar qualquer tipo de aflição e problema, e que encontrem profissionais dispostos a ouvir com atenção e considerar o que lhe for dito, e claro, devem perceber confiança e garantia de que receberão propostas de melhoria e que atitudes serão tomadas. O grande desafio da gestão de pessoas é saber lidar com os diferentes tipos de pessoas, suas exigências, e gerenciar o planejamento de forma estratégica, a fim de atender todos os objetivos, tanto os de produção da organização, como os de satisfação que mantém a equipe unida e focada em participar, agregando valor as suas atividades e ao resultado final. Considerações finais A cultura disseminada pelos administradores de uma organização e seguida por todos os profissionais nela envolvidos, determinará a importância de cada membro não somente para a somatória final de resultados e produtividade, como valorização de seu capital intelectual, necessidades individuais e garantia de sua satisfação. Políticas são regras estabelecidas para governar funções e assegurar que elas sejam desempenhadas de acordo com os objetivos esperados. Constituem orientação administrativa para impedir que empregados desempenhem funções indesejáveis ou ponham em risco o sucesso de funções específicas. (CHIAVENATO, 2009, p. 268) Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 A política adotada também faz parte da cultura e contém os valores e princípios adotados pela empresa, e são responsáveis pela forma como ela se posicionará tanto no mercado consumidor, como para seus colaboradores e fornecedores. Garantir que os profissionais estejam posicionados em tarefas de acordo com seu conhecimento e potencial, bem como sejam amparados por regras que garantam seu bem-estar, satisfação e um ambiente favorável para a realização das tarefas é função da gestão de pessoas e será orientado pela política. O conhecimento de leis trabalhistas, participar de reuniões sindicais de acordo com o sindicato relacionado a sua área de atuação, acompanhar processos judiciais e suas reclamações, é fundamental para que a organização adote medidas que sane insatisfações e atenda às exigências legais e de seus empregados. A constante atualização é tarefa dada a todos os profissionais, incluindo os que atuam na gestão de pessoas, pois a informação é nova com uma velocidade muito rápida, e estes devem ser treinados e reciclados, para não ficarem com o conhecimento obsoleto e basear suas ações e tomadas de decisão em argumentos e fatores que não são mais valorizados pelo mercado ou que não sejam mais orientados pelas normas e padrões da sociedade. De acordo com Marras (2003, p. 192), a administração de recursos humanos “baseia toda sua prática trabalhista nos preceitos legais estabelecidos nas legislações trabalhista e previdenciária”. O comportamento e a decisão não podem ser realizados de forma aleatória e sempre existem padrões que determinam ações quando se vive em sociedade, e para garantir confiabilidade devem ser consultadas normas vigentes. A participação e atuação em acordos coletivos, interesse em se informar sobre resultados e conhecer as tendências de mercado, garantem que os profissionais envolvidos na gestão de pessoas tenham não somente conhecimento técnico, mas experiência real para estabelecer medidas e procedimentos. Cada vez mais o homem se torna parceiro da organização da qual faz parte, e a medida que oferece seu capital intelectual, competências e esforço para contribuir com os objetivos, espera em troca condições favoráveis a seu desenvolvimento e benefícios, que respeitem todas as normas. As estratégias são determinadas por meiode análise do ambiente e do fator humano, que também é parte estratégica das empresas, e os programas e diretrizes são implantados visando atender a todos. Referências CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Manole, 2009. GRAMIGNA, M. R. Modelo de Competências e Gestão dos Talentos. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. MARRAS, J.P. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2003. Gestão de Pessoas Aula 15 Liderança Objetivos Específicos • Estudar os papéis e os tipos de liderança no ambiente de trabalho, bem como a repercussão no relacionamento indivíduo/organização. Temas Introdução 1 Liderança 2 Liderança e o relacionamento Considerações finais Referências Professora Marcia Welita da Silva Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 2 Introdução As relações comerciais tiveram início desde os primórdios da história do homem, porém, o período marcado pela revolução industrial ocasionou uma grande mudança, que modificou o que antes era feito, essencialmente, a base de troca, para garantir a sobrevivência dos grupos. Com inserção de cada vez mais tecnologia, troca de influências culturais, descobertas cientificas e informatização, a produção se amparou em um sistema complexo, para atender um mercado consumidor que vivencia a globalização e fez com que as organizações buscassem a diferenciação perante as demais e o melhor uso de todo o conhecimento a cada dia adquirido. O principal objetivo das empresas é atender satisfatoriamente seu cliente e, como consequência disso, obter lucros financeiros. Com o passar dos anos, esse objetivo não se alterou, e não se pode afirmar que os resultados financeiros passaram a ocupar posição menos importante, porém, a visão inicial de produção e lucro deu lugar a preocupação com o indivíduo. O cenário da era industrial era de fácil mão-de-obra e as pessoas eram tidas como parte da linha de produção, como extensão das máquinas. A era do conhecimento e o avanço tecnológico fizeram com que fosse criada a consciência de que um profissional qualificado e detentor de capacidades e competências específicas é o grande agente de mudanças e de sucesso das organizações. A administração de recursos humanos e a gestão de pessoas passaram a questionar a maneira como lidam com seus colaboradores, e começaram a incentivar cada um deles, para que sejam os responsáveis pela própria mudança e pelo avanço, em busca das metas e objetivos, tanto pessoais como da organização. Compreender que o capital intelectual tem o poder de colocar a empresa em uma posição de destaque entre seus concorrentes foi o que fez com que a preocupação em criar líderes que cuidem de todo o pessoal se tornasse relevante. Ter lucro é fundamental, mas o antigo pensamento e modelo capitalista perde espaço, quando a questão é a maneira como se lida com a informação e com as pessoas. O vertiginoso processo de transformações, característico de nossos tempos, exige das organizações prontidão para se antecipar e se adaptar aos novos desafios. Um dos indicadores de competitividade e, talvez, aquele que se constitui no alvo das preocupações dos gestores de pessoas, é sua capacidade de formar e manter capital intelectual, evitando a dança das cadeiras. (GRAMIGNA, 2007, p. 8) Quando se fala em dança das cadeiras, se refere principalmente a não perder um profissional qualificado para outra organização, e isso acontece não somente por ofertas financeiras mais atraentes, mas também por quanto o colaborador se sente ou deixou de se sentir motivado e valorizado por seu empregador. Em um momento onde cada vez é mais importante criar um grupo de profissionais competentes e detentores de habilidades específicas, se torna estratégico saber lidar com as diferentes personalidades e interesses, dentro de uma mesma equipe, e incentivar para que se empenhem e juntem os esforços para um bem comum. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 3 O estilo de liderança irá determinar o tipo de relação que o indivíduo tem com a organização, e por sua vez, como será seu comportamento, de que forma irá aplicar seu potencial, sua disposição para somar seus esforços ao do grupo, e não podemos deixar de citar, o modo como um líder age, com seus colaboradores impacta na maneira como se sentirão em relação à satisfação pessoal, profissional, e realização de sonhos e projetos. 1 Liderança O primeiro passo para entender a liderança é diferenciá-la do cargo de chefia. Normalmente, quando falamos em chefe estamos nos referindo a alguém que se diferencia dos demais devido seu nível hierárquico, sendo assim, essa pessoa exerce poder e autoridade sobre uma equipe em posição mais baixa. Dessa forma, a relação funciona muito mais por cargo do que por influência. Um líder também tem poder, mas junto a ele possui uma série de outras habilidades e características pessoais que envolvem seus subordinados. E devemos também considerar a existência de pessoas em cargo de chefia, que seguem normas e padrões formais para coordenar sua equipe, porém, possuem carisma e influenciam os colaboradores. Quando falamos de poder estamos nos referindo àquela força interior que todos nós usamos para persuadir, convencer e direcionar o comportamento de outras pessoas para algo que almejamos e queremos. Essa força interior, esse poder de influência é o recurso interno que possuímos e que nos permite conseguir aquilo que desejamos. (GRAMIGNA, 2007, p. 36) É tarefa do líder identificar as oportunidades para o crescimento da organização e das pessoas responsáveis pelas tarefas que representam o sucesso. Além dos pontos a serem desenvolvidos e trabalhados, visando melhoria, ele deve identificar também as possíveis falhas e irregularidades. Essa tarefa, além de não ser simples e fácil de fazer, também necessita de engajamento das pessoas envolvidas, para que as sinalizações sejam executadas com eficiência e eficácia. De acordo com Calegari (2010, p. 4) “Classicamente, líder é uma pessoa que chefia, comanda ou orienta, em qualquer tipo de ação, empreendimento ou linha de ideias”. Orientar os demais é diferente de simplesmente mandar, envolve conhecimento tanto de mercado, como da organização e, o essencial, saber como lidar com pessoas e quais suas características e necessidades. O líder de sucesso é aquele que tem a habilidade de persuasão e envolvimento, que conhece as pessoas com que se relaciona e tem a capacidade de criar relacionamentos fortes, que ultrapassam o resultado esperado. Kouzes (2008, p. 23) afirma que “o sucesso na liderança dependerá inteiramente da capacidade de construir e manter relacionamentos humanos, que permitem que as pessoas realizem seguidamente coisas extraordinárias”. O mesmo autor também levanta cinco práticas fundamentais ao líder de sucesso, sendo elas: traçar o caminho, inspirar visão compartilhada, desafiar o processo, capacitar os outros a agir e encorajar o ânimo. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 4 As duas primeiras práticas envolvem os objetivos, modelos comportamentais e tarefas a serem desenvolvidas pelos colaboradores, incluindo o líder. Traçar o caminho significa que a pessoa em posição hierárquica mais alta deve ser o exemplo para as demais, servindo como um espelho que demonstra crença e confiança, no que diz e no que pede, de maneira tão forte e convicta, que aplica no seu dia a dia e jeito de ser as teorias e orientações que repassa ao grupo. Da mesma forma, a visão compartilhada também transmite confiança na organização e nas etapas planejadas. Inspirá-la é mostrar a todos os profissionais envolvidos que as suas tarefas têmimportância, para que a empresa alcance as metas estabelecidas e um objetivo maior e comum é o foco de todas as atividades. Uma visão constrói confiança, cooperação, interdependência, motivação e responsabilidade mútua pelo sucesso. Uma visão permite que as pessoas façam as escolhas certas, porque suas decisões estão sendo tomadas com um resultado final em mente. (BLANCHARD, 2007, p. 42) A terceira prática é desafiar o processo, o que caracteriza a criatividade e ousadia do líder. É certo que um padrão de valores, ética e diretrizes deve ser seguido por todos, porém, o acerto é maior quando se abre oportunidade para inovação. É fundamental que a liderança seja exercida por quem tenha uma visão holística da organização, ou seja, do conjunto todo e não apenas de partes isoladas, e isso engloba conhecimento de mercado e tendências. Desafiar é o mesmo que propor novos métodos, que antecipem os resultados e saiam da burocracia convencional, quando necessário. Identificar que um processo perdeu sua eficiência e aplicar novas formas de utilizar uma informação permite maior êxito do que insistir, no que se tornou ultrapassado por simples medo de arriscar. Por fim, capacitar os outros a agir e encorajar o ânimo envolvem tanto habilidades de persuasão, influência e convencimento, como proporciona um trabalho em equipe de fato. Inspirar uma visão compartilhada e traçar o caminho perdem seu sentido se não for dado aos colaboradores o impulso necessário, para que assumam responsabilidades e desenvolvam suas competências aliando-os a atitude profissional. De acordo com Gramigna (2007, p. 15) “se estamos na era dos talentos, as empresas que se anteciparem, implantando estratégias que atraiam, desenvolvam e retenham profissionais em potencial, terão maiores chances de enfrentar a concorrência e ganhar mercado.” Não podemos esquecer que a gestão de pessoas começou a ganhar destaque, quando foi percebido que está no indivíduo a resposta para o sucesso ou fracasso das organizações, na maneira como interpreta uma informação, e a desenvolve com seu conhecimento. Assim, a base de todas as práticas de um bom líder e de suas habilidades é exaltar, nos colaboradores, o que eles tem de melhor, criar diretrizes que alinhem o objetivo da empresa e a necessidade do indivíduo. Delegar funções e se desfazer de práticas autoritárias e sem abertura permite que o clima seja agradável e que as pessoas trabalhem sem medo. Importante frisar que o receio de errar é capaz de impedir que grandes ideias sejam discutidas e se desenvolvam em casos de sucesso. Capacitar a agir é mais do que ensinar e acompanhar a execução de uma tarefa, e sim acreditar no potencial dos profissionais com que trabalha e permitir que explorem todo seu potencial sem cobranças excessivas e negativas constantes. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 5 2 Liderança e o relacionamento Para falar sobre a liderança e o relacionamento devemos começar pela forma como é escolhido o profissional que será o líder. A administração de recursos humanos passou por mudanças ao longo dos anos, porém, o estilo de gestão ainda transita em um momento de adaptação e resistência. Da mesma forma que podemos estudar casos de empresas que utilizam a hierarquia horizontalizada, mais participativa e menos autoritária, vemos também as mais tradicionais, em que a hierarquia é vertical e as ordens são direcionadas de cima para baixo, com pouca participação dos funcionários que não fazem parte da diretoria e altos cargos. A repercussão que o relacionamento terá, tanto para organização como para funcionários, será em grande parte orientada pela forma como são estabelecidas as normas internas, modelo de gestão adotada, valores e princípios. Essa influência ocorre tanto na forma como o líder irá se envolver com seus subordinados, como em sua escolha. Organizações com estilo tradicional, com pouca tendência para abertura e mudanças, provavelmente, terão pessoas mais velhas em posição de liderança, e muitas vezes, não necessariamente possuem as características necessárias para estar a frente de uma equipe. Quando a administração de recursos humanos não utiliza a gestão de competências, como ferramenta, para planejar a carreira de seus profissionais, o resultado é a promoção, por tempo de serviço, conhecimento da função e relacionamento com o gestor. Nesses casos, podemos ver a diferença real entre um líder e um gestor de tarefas, em que o segundo utiliza sua posição hierárquica, para comandar e não detém conhecimento de como é a melhor forma de influenciar pessoas. [...] habilidade de alterar o comportamento dos outros. A influência pessoal pode ser derivada da posição social, do poder econômico, do poder político ou da personalidade do indivíduo. A distribuição do poder determina tanto os objetivos da organização como o peso e a consideração dados a cada membro. (CHIAVENATO, 2009, p. 49) A liderança é exercida por meio de, entre outros, a habilidade de negociar. A eficiência e sucesso das formas de influenciar se dão pela maneira como são realizadas. Influenciar simplesmente por poder não transpassa o sentimento de importância que o indivíduo espera sentir de seu líder, para que se empenhe, sendo colaborativo a ele. Seguindo a linha oposta às organizações tradicionais, temos as que já possuem a visão do ser humano, como realizador de desempenho e detentor de potencial. Nelas o mais comum é encontrar a valorização dos relacionamentos como parceria, baseados sempre em transparência e flexibilidade. De acordo com Chiavenato (2009, p. 49) “a organização precisa de alguns membros que utilizem conceitos como ferramentas de trabalho, que planejem, organizem e controlem o trabalho dos outros, abastecendo-os de motivação e comunicação necessárias”. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 6 Podemos afirmar que existe uma troca de interesses do empregador e do empregado, o primeiro deseja manter uma equipe de profissionais altamente qualificados e empenhados a obter conquistas constantes, e o segundo, além de realizar ideais pessoais, por meio da remuneração e benefícios disponibilizados pela empresa, também quer fazer parte de um grupo que o valorize e incentive a ultrapassar as próprias barreiras. Quando consideramos a atual era do conhecimento, em que vivemos, em que o diferencial é o potencial do indivíduo, que pode ser desenvolvido e utilizado, com a finalidade de interpretar e aplicar uma informação por meio da tecnologia, os profissionais que detém competências e desempenham com diferenciação suas tarefas, buscam por desafios e atividades que não o deixem situados em uma zona de conforto. Por parte das organizações, é importante que tenham em seu quadro líderes que tenham capacidade e habilidade para atrair, reter e desenvolver constantemente esses colaboradores. Compreender as necessidades e ter conhecimento do que é importante e valorizado pelo profissional, além do estímulo ao aprendizado e oportunidade de novos desafios permite que não haja paralização do desenvolvimento. Segundo Chiavenato (2009, p. 110), “as diferenças individuais fazem com que cada pessoa tenha suas próprias características de personalidade, suas aspirações, valores, atitudes, motivações, aptidões etc.”. Assim, é fundamental que hajam líderes não para estar presentes, controlar o que seus subordinados fazem e determinar como deve ser feito, e sim para identificar o que faz com que cada um se sinta estimulado e ao mesmo tempo que orienta e acompanha, permite que aplique seu conhecimento, contribuindo com os acertos e conduzindo a organização para o alcance de suas metas. No ambiente de trabalho, a liderança tem que exercer o papel de ouvir,aprender com os outros e identificar como aplicar e desenvolver esse conhecimento de maneira que contribua com a satisfação das pessoas e se enquadre nos padrões e estratégia da organização. É importante que a resposta para liderar não seja mandar em uma equipe. Essa definição não pode ser dada isolada, pois é certo que é necessário que exista uma pessoa a quem seja delegada a tarefa de manter em ordem o local de trabalho e a responsabilidade pelos membros da equipe. A mudança rápida e constante, que vivemos, lança como desafio a mudança de práticas e processos antigos, e o conhecimento novo é capaz de atender a essas necessidades. As pessoas têm que saber porque fazem o que fazem, pois, se não existir um significado para elas também, não existirá significado eficiente para a empresa. Agregar valor a uma tarefa e, como consequência, ao profissional que a executa garante comprometimento com as ações. O papel do líder é garantir que esse comprometimento esteja ligado às tarefas, aos princípios e à cultura da organização. Lidar com pessoas envolve treinar habilidades e competências diversas. É necessária a sensibilidade para aprender com cada um e a sabedoria para identificar, como valorizar e incentivar os resultados individuais, em um ambiente onde existem características que Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 7 se divergem e, dessa forma, proporcionar satisfação para todos, pois o ganho não pode ser individual somente. Possibilitar que o aprendizado de cada um seja aplicado por meio de delegação de tarefas, além de responsabilidade e confiança, gera um conhecimento imensurável. Segundo Blanchard (2007, p. 24), “lucro é o aplauso que se recebe por cuidar bem de seus clientes e por criar um ambiente motivador para o seu pessoal”. De maneira resumida, liderar é valorizar a equipe, pois o esforço de seu trabalho, em conjunto, irá conquistar o mercado consumidor e posicionar a organização de forma diferenciada em relação as demais. O bom relacionamento e a boa liderança são essenciais, para todos os projetos e processos de uma empresa que visa o sucesso. 2.1 Teoria de traços de personalidade Essa teoria considera que para que um profissional seja um líder de sucesso, ele deve possuir características determinadas, ou seja, traços de personalidade específicos, que irão orientar suas tomadas de decisão e relacionamento com as pessoas, de maneira eficiente e assertiva. Os traços de personalidade se referem a qualidades interiores do indivíduo, como a simpatia, ser dinâmico, saber ouvir, inspirar e influenciar pessoas. A teoria acredita que a liderança é exercida por pessoas que já nascem com esses aspectos e não se pode desenvolvê- las simplesmente, assim, fazer com que as pessoas sigam sua orientação e trabalhem juntando seus esforços e conhecimento a seu favor, não é uma habilidade que possa ser criada, e sim, aprimorada por quem detém traços facilitadores. 2.2 Estilos de liderança Independentemente do conjunto de características, que o líder possua, a maneira como exerce suas atividades e as aplica no dia a dia serão determinadas pelo estilo de liderança adotado, pelo profissional em tal posição, sendo os principais: liberal, autocrático e democrático. A autonomia é grande dentro de um grupo que é liderado por um líder liberal. Todos são incentivados, para que desenvolvam o senso crítico e a visão sistêmica do ambiente, a fim de serem capazes de avaliar todas as alternativas e eleger a melhor opção em uma tomada de decisão. O estilo autocrático é vinculado a líderes que se colocam em um patamar elevado e isolado dos demais colaboradores. A participação do grupo não existe, pois as ordens são transmitidas de cima para baixo, devendo ser seguida sem contestação ou argumentação dos subordinados. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 8 Uma maior abertura e participação dos envolvidos é vista no estilo democrático de liderança. Como o próprio nome sugere, apesar de existir um responsável pelas decisões e delegação de tarefas, existe espaço para que as ideias e processos sejam discutidas, por todos e cabe ao líder a decisão final, que não será somente imposta, já que existe liberdade dentro do grupo. 2.3 Teoria contigencial A palavra contingência é utilizada para se referir ao que não possui uma classificação específica ou mesmo resposta determinada. Essa teoria, na liderança determina que não existem características e atributos, que são melhores e fundamentais em um profissional, atuando na posição de líder, e sim, que essas competências variam de acordo com o ambiente, pessoas evolvidas e área de atuação da organização. O incentivo ao desenvolvimento do profissional é alto, na teoria contingencial, pois o líder acredita que é importante que os colaboradores aprimorem seus conhecimentos e adquiram mais responsabilidade e autonomia, em suas tarefas. Aqui, enfatiza-se o fato de que o líder não deve tomar todas as decisões e assumir uma posição hierárquica isolada dos demais, ao contrário, o exercício diário é aumentar a participação de todos e fazer do líder alguém que confia em seus funcionários e valoriza seu potencial. Considerações finais Apesar da importância de se ter um profissional que guie todos os membros da equipe, a liderança vem se tornando muito mais que orientar pessoas. A capacidade de identificar oportunidades de crescimento e desenvolver novas formas de explorá-las, aliando ao capital humano e intelectual existentes, ganha cada vez mais espaço no ambiente da gestão de pessoas. Uma pessoa em posição de liderança deve possuir inúmeras habilidades, principalmente de relacionamento interpessoal, pois a maneira como se relaciona com os demais será o termômetro, para avaliar se seu trabalho de unir as forças individuais, em torno de um objetivo comum, e ao mesmo tempo proporcionar aos profissionais o sentimento de valorização e respeito está sendo bem-feito. A diferença entre um indivíduo em alta posição hierárquica e um líder é que o primeiro comanda uma equipe, delega tarefas e funções, e não necessariamente tem aquelas pessoas empenhadas nas tarefas. Já o líder inspira confiança do grupo, por meio da demonstração da importância que cada um tem para a organização, e transparência nas relações. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Gestão de Pessoas 9 Liderança significa reconhecer os potenciais individuais de cada um, orientar para que exerçam a função mais adequada ao seu conhecimento, comemorar as conquistas tanto isoladas, como do grupo, mesmo que pequenas, incentivar novas qualificações e ser autêntico. Para que os colaboradores não trabalhem apenas como comandados, e sim se empenhem com dedicação em busca de vitórias, valorizar a equipe é fundamental, principalmente porque será por meio de seu esforço que os clientes serão conquistados (BLANCHARD, 2007). Por mais que existam compromissos financeiros exigindo que o profissional tenha recursos para honrá-los e interesse na remuneração, esse não deve ser o principal motivo para ligar uma pessoa a uma empresa. A forma como o relacionamento entre o empregado e o empregador acontece pode interferir positiva ou negativamente, nessa ligação. Quando os indivíduos sentem que seu trabalho é valorizado, que não são meros números diante de um quadro de funcionários, e são inspirados a cada dia a fazer melhor, demonstra-se que o líder está atuando de forma eficaz. Liderar é um grande desafio e exige que o profissional, nesta posição, seja dinâmico, flexível, criativo e saiba alinhar valores e princípios estabelecidos, que muitas vezes servirão como base e regras, a novas formas de atuação e inovação, para