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1 
 
 
 
 
 
 
2021.2 
2 
 
DISCIPLINAS E LEIS 
PARTE 💀 
D. Constitucional 
- Constituição Federal (arts. 1º-144; 193-232; 243) 
- Lei nº 4.717/1965 - Ação Popular 
- Lei nº 7.347/1985 - Ação Civil Pública 
- Lei nº 9.507/1997 - HD 
- Lei nº 9.868/1990 - ADI/ADC 
- Lei nº 9.882/1990 - ADPF 
- Lei nº 11.417/2006 - Súmula Vinculante 
- Lei nº 12.016/2009 - MS 
- Lei nº 13.300/2016 - MI 
D. Penal - Código Penal 
D. Processual Penal - Código de Processo Penal 
PARTE 💀💀 
D. Civil 
- LINDB 
- CC (arts. 1º-232; 927-954; 1.196-1.224; 1.228-1.276) 
D. Empresarial - Empresarial no CC (arts. 887-926; 966-1.195) 
D. Tributário 
- Tributário na CF (arts. 145-162) 
- Lei nº 5.172/1966 - CTN 
D. Administrativo 
- Lei 8.112/1990 - Regime Jurídico dos Servidores Civis da União 
- Lei 8.429/1992 - Improbidade Administrativa 
- Lei 8.987/1995 - Serviços Públicos 
- Lei 9.637-98 - OS 
- Lei 9.784/1999 - Processo Administrativo 
- Lei 9.790-99 - OSCIP 
- Lei 11.079/2004 - PPP’s 
- Lei 11.107/2005 - Consórcios Públicos 
- Lei 12.527/2011 - Lei de Acesso à Informação 
D. Humanos 
- Declaração Universal de Direitos Humanos 
- Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica) 
- Convenção contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou 
degradantes 
- Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos 
- Pacto internacional sobre direitos Econômicos, Sociais e Culturais 
- Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional 
D. Ambiental 
- Resolução do CONAMA nº 237/1997 - Licenciamento Ambiental 
- LC 140/2011 
- Lei 6.938/1981 - Política Nacional do Meio Ambiente 
- Lei 9.433/1997 - Política Nacional dos Recursos Hídricos 
- Lei 9.985/2000 - Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC 
- Lei 11.105/2005 - Lei de Biossegurança 
- Lei 11.284/2006 - Florestas Públicas 
- Lei 11.428/2006 - Mata Atlântica 
- Lei 11.516/2007 - Instituto Chico Mendes 
- Lei 12.305/2010 - Resíduos Sólidos 
- Lei 12.651/2012 - Código Florestal 
Legislação Especial 
- Decreto-Lei 201/1967 - Lei de Crimes de Responsabilidade dos Prefeitos e Vereadores 
- Decreto-Lei 3.688/1941 - Contravenções Penais 
- Lei 1.521/1951 - Crimes contra a Economia Popular 
- Lei 2.889/1956 - Crime de Genocídio 
- Lei 4.737/1965 - Crimes Eleitorais 
3 
 
- Lei 7.210/1984 - LEP 
- Lei 7.492/1986 - Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional 
- Lei 7.716/1989 - Crimes de Preconceito 
- Lei 7.960/1989 - Prisão Temporária 
- Lei 8.069/1990 - Crimes do Eca 
- Lei 8.072/1990 - Crimes Hediondos 
- Lei 8.078/1990 - Crimes contra o Consumidor 
- Lei 8.137/1990 - Crimes contra a Ordem Tributária 
- Lei 9.099/1995 - Juizados Especiais Criminais 
- Lei 9.296/1996 - Interceptações Telefônicas 
- Lei 9.455/1997 - Crime de Tortura 
- Lei 9.503/1997 - Crimes de Trânsito 
- Lei 9.605/1998 - Crimes Ambientais 
- Lei 9.613/1998 - Lavagem de Dinheiro 
- Lei 9.807/1999 - Lei de Proteção a Vítimas e Testemunhas 
- Lei 10.446/2002 - Lei de Atribuições da Polícia Federal 
- Lei 10.671/2003 - Crimes do Estatuto do Torcedor 
- Lei 10.741/2003 - Crimes contra o Idoso 
- Lei 10.826/2003 - Estatuto do Desarmamento 
- Lei 11.101/2005 - Crimes Falimentares 
- Lei 11.340/2006 - Lei Maria da Penha 
- Lei 11.343/2006 - Lei de Drogas 
- Lei 12.037/2009 - Identificação Criminal 
- Lei 12.830/2013 - Investigação Criminal Conduzida pelo Delegado de Polícia 
- Lei 12.850/2013 - Organizações Criminosas 
- Lei 13.260/2016 - Lei Antiterrorismo 
- Lei 13.869/2019 - Abuso de Autoridade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
💣 ATUALIZADO: INFORMATIVOS: 1015 STF e 694 STJ – SÚMULAS: 648 STJ 
4 
 
SUMÁRIO 
 
1. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO (LINDB) – DECRETO-LEI Nº 4.657/1942 ........................... 6 
2. CÓDIGO CIVIL .................................................................................................................................................................................................... 15 
3. EMPRESARIAL NO CC ................................................................................................................................................................................... 110 
4. TRIBUTÁRIO NA CF/88 ................................................................................................................................................................................. 174 
5. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL ........................................................................................................................................................... 205 
6. REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES CIVIS DA UNIÃO – LEI Nº 8.112/1990 ........................................................................ 259 
7. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – LEI Nº 8.429/1992 .................................................................................................................. 329 
8. SERVIÇOS PÚBLICOS – LEI Nº 8.987/1995 ........................................................................................................................................... 360 
9. LEI DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS – LEI Nº 9.637/1998 ................................................................................................................. 378 
10. PROCESSO ADMINISTRATIVO – LEI Nº 9.784/1999....................................................................................................................... 385 
11. LEI DAS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO – LEI Nº 9.790/1999 .................................. 407 
12. PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS (PPP’S) – LEI Nº 11.079/2004 ................................................................................................ 414 
13. CONSÓRCIOS PÚBLICOS – LEI Nº 11.107/2005 .............................................................................................................................. 427 
14. LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO – LEI Nº 12.527/2011 ............................................................................................................... 434 
15. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DE DIREITOS HUMANOS.................................................................................................................... 451 
16. CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS HUMANOS – DECRETO Nº 678/1992 (PACTO DE SÃO JOSÉ DA 
COSTA RICA) ......................................................................................................................................................................................................... 456 
17. CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS OU 
DEGRADANTES – DECRETO Nº 40/1991 ................................................................................................................................................... 476 
18. PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS – DECRETO Nº 592/1992 ............................................ 487 
19. PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS – DECRETO Nº 591/1992 ..... 500 
20. ESTATUTO DE ROMA DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL – DECRETO 4.388/2002 ................................................ 508 
21. LICENCIAMENTO AMBIENTAL – RESOLUÇÃO Nº 237/1997 DO CONAMA ......................................................................... 563 
22. LC Nº 140/2011 ............................................................................................................................................................................................ 568 
23. POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE – LEI Nº 6.938/1981 ............................................................................................. 575 
24. POLÍTICA NACIONAL DOS RECURSOS HÍDRICOS – LEI Nº 9.433/1997 ................................................................................ 589 
25. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO – LEI Nº 9.985/2000.................................................................. 599 
26. LEI DE BIOSSEGURANÇA – LEI Nº 11.105/2005 ............................................................................................................................... 619 
27. FLORESTAS PÚBLICAS – LEI Nº 11.284/2006 .................................................................................................................................... 631 
28. MATA ATLÂNTICA – LEI Nº 11.428/2006 ........................................................................................................................................... 652 
29. INSTITUTO CHICO MENDES – LEI Nº 11.516/2007 ........................................................................................................................ 660 
30. POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS – LEI Nº 12.305/2010 ..................................................................................... 663 
31. NOVO CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO – LEI Nº 12.651/2012 ............................................................................................... 679 
32. CRIMES DE RESPONSABILIDADE DE PREFEITOS E VEREADORES – DECRETO-LEI Nº 201/1967 ................................. 716 
33. CONTRAVENÇÕES PENAIS – DECRETO-LEI Nº 3.688/1941 ........................................................................................................ 724 
34. CRIMES CONTRA A ECONOMIA POPULAR – LEI Nº 1.521/1951.............................................................................................. 735 
35. LEI DE GENOCÍDIO – LEI Nº 2.889/1956 ............................................................................................................................................. 739 
5 
 
36. CRIMES ELEITORAIS – LEI Nº 4.737/1965 ........................................................................................................................................... 740 
37. LEI DE EXECUÇÃO PENAL – LEI Nº 7.210/1984 ................................................................................................................................ 752 
38. CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL – LEI Nº 7.492/1986 ..................................................................... 834 
39. CRIMES DE PRECONCEITO – LEI Nº 7.716/1989 ............................................................................................................................. 845 
40. LEI DE PRISÃO TEMPORÁRIA – LEI Nº 7.960/1989 ......................................................................................................................... 852 
41. CRIMES DO ECA – LEI Nº 8.069/1990 .................................................................................................................................................. 857 
42. LEI DE CRIMES HEDIONDOS – LEI Nº 8.072/1990 .......................................................................................................................... 882 
43. CRIMES CONTRA O CONSUMIDOR – LEI Nº 8.078/1990 ............................................................................................................ 891 
44. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA – LEI Nº 8.137/1990 ................................................................................................. 896 
45. JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS – LEI Nº 9.099/1995 ................................................................................................................. 912 
46. LEI DE INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS – LEI Nº 9.296/1996 ................................................................................................... 931 
47. LEI DE TORTURA – LEI Nº 9.455/1997 ................................................................................................................................................. 944 
48. CRIMES DE TRÂNSITO – LEI Nº 9.503/1997 ...................................................................................................................................... 950 
49. CRIMES AMBIENTAIS – LEI Nº 9.605/1998 ........................................................................................................................................ 964 
50. LEI DE LAVAGEM DE DINHEIRO – LEI Nº 9.613/1998.................................................................................................................... 989 
51. LEI DE PROTEÇÃO À VÍTIMAS E À TESTEMUNHAS – LEI Nº 9.807/1999 ............................................................................ 1010 
52. ATRIBUIÇÕES DA POLÍCIA FEDERAL – LEI Nº 10.446/2002 ..................................................................................................... 1016 
53. ESTATUTO DO TORCEDOR – LEI Nº 10.671/2003 ....................................................................................................................... 1018 
54. CRIMES DO ESTATUTO DO IDOSO – LEI Nº 10.741/2003 ........................................................................................................ 1020 
55. ESTATUTO DO DESARMAMENTO – LEI Nº 10.826/2003 .......................................................................................................... 1024 
56. CRIMES FALIMENTARES – LEI Nº 11.101/2005 ............................................................................................................................. 1049 
57. LEI MARIA DA PENHA – LEI Nº 11.340/2006 ................................................................................................................................. 1055 
58. LEI DE DROGAS – LEI Nº 11.343/2006 .............................................................................................................................................. 1075 
59. LEI DE IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL – LEI Nº 12.037/2009 ......................................................................................................... 1119 
60. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL CONDUZIDA PELO DELEGADO DE POLÍCIA – LEI Nº 12.830/2013 ................................ 1124 
61. LEI DE ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS – LEI Nº 12.850/2013.................................................................................................. 1126 
62. LEI ANTITERRORISMO – LEI Nº 13.260/2016 ................................................................................................................................. 1152 
63. ABUSO DE AUTORIDADE – LEI Nº 13.869/2019 ........................................................................................................................... 1156 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
1. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO 
(LINDB) – DECRETO-LEI Nº 4.657/1942 
 
Obs.: A LINDB é um conjunto de normas sobre normas, ou uma norma de sobredireito (lex legum), consistente 
no conjunto de regras cujo objetivo é disciplinar as próprias normas jurídicas, isto é, disciplina a emissão e aplicação 
de outras normas jurídicas. 
 
Art. 1o Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de 
oficialmente publicada. 
 
§ 1o Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de 
oficialmente publicada. (#CUIDADO: 3 meses não é o mesmo que 90 dias) 
- Vacatio Legis: É o lapso temporal entre a publicação e o começo da vigência da lei, de sorte que o legislador 
apenas estabeleceu em seu art. 1º que, salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta 
e cinco dias depois de oficialmente publicada, independentemente de ser norma de direito material ou norma 
de direito processual. 
Obs.: A contagem do prazo para entrada em vigor de leis que estabelecem período de vacância far-se-á com a 
inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente à sua 
consumação integral. Não interessa se a data final seja feriado ou final de semana, entrando em vigor mesmo 
assim, logo a data não é prorrogada para o dia útil seguinte.ENTRADA EM VIGOR 
Brasil Estados Estrangeiros 
45 dias, salvo disposição contrária 3 meses 
 
§ 3o Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo deste 
artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação. 
 
§ 4o As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. 
 
 
Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou 
revogue. (PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DAS NORMAS) 
 
§ 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare (revogação expressa), quando seja com 
ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior (revogação tácita). 
 
§ 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a 
lei anterior. 
 
REVOGAÇÃO 
Quanto à 
Extensão 
Revogação Total ou 
Ab-rogação 
- Ocorre quando uma lei nova torna sem efeito uma lei 
anterior de forma integral. 
Revogação Parcial ou 
Derrogação 
- Ocorre quando uma lei nova torna sem efeito parte de uma 
lei anterior. 
 Quanto ao 
Modo 
Revogação Expressa ou por 
Via Direta 
- A lei nova expressamente exclui lei anterior do 
ordenamento jurídico. 
Revogação Tácita ou por Via 
Oblíqua 
- A lei nova é absolutamente incompatível com a anterior. 
 
 
 
7 
 
ANTINOMIAS 
CONCEITO 
É a presença de duas normas conflitantes, válidas e emanadas de autoridade competente, 
sem que se possa dizer qual delas merecerá aplicação em determinado caso concreto. 
CRITÉRIOS 
Três critérios (ou para alguns, metacritérios clássicos) construídos por Norberto Bobbio 
devem ser levados em conta para a solução dos conflitos: 
1) Hierárquico: norma superior prevalece sobre norma inferior; 
2) Especialidade: norma especial prevalece sobre norma geral; 
3) Cronológico: norma posterior prevalece sobre norma anterior. 
Dos três critérios acima, o cronológico, constante do art. 2º da Lei de Introdução, é o mais 
fraco de todos, sucumbindo diante dos demais. O critério da especialidade é o 
intermediário e o da hierarquia o mais forte de todos, tendo em vista a importância do 
Texto Constitucional. 
CLASSIFICAÇÕES 
- Quanto ao metacritérios envolvidos: 
a) Antinomia de 1º grau: conflito de normas que envolve apenas um critério; 
b) Antinomia de 2º grau: conflito de normas que envolve dois critérios. 
- Quanto à possibilidade ou não de solução: 
a) Antinomia aparente: situação que pode ser resolvida de acordo com os metacritérios 
antes expostos. 
b) Antinomia real: situação que não pode ser resolvida de acordo com os metacritérios 
antes expostos. 
 
De acordo com essas classificações, devem ser analisados os casos práticos em que estão 
presentes os conflitos: 
Antinomia de 1º Grau: 
- Norma posterior x Norma anterior: 
Prevalece a primeira (critério cronológico) 
- Norma especial x Norma geral: 
Prevalece a primeira (critério da especialidade) 
- Norma superior x Norma inferior 
Prevalece a primeira (critério hierárquico) 
Esses são os casos de antinomia de primeiro grau, todos de antinomia aparente, eis que 
presente a solução de acordo com os metacritérios antes analisados. 
Antinomia de 2º Grau: 
- Norma especial anterior x norma geral posterior: 
Prevalece o critério da especialidade 
- Norma superior anterior x norma inferior posterior: 
Prevalece o critério hierárquico 
- Norma geral superior x norma especial inferior: 
O critério da especialidade também é de suma importância, constando a sua previsão na 
CF de 1988. O art. 5.º do Texto Maior consagra o princípio da isonomia ou igualdade lato 
sensu, pelo qual a lei deve tratar de maneira igual os iguais. E é por isso que ele até pode 
fazer frente ao critério hierárquico. 
Desse modo, em havendo choque entre os critérios hierárquico e da especialidade, dois 
caminhos de solução podem ser dados no caso de antinomia real, um pelo Poder 
Legislativo e outro pelo Poder Judiciário: 
Solução do Poder Legislativo - cabe a edição de uma terceira norma, dizendo qual das 
duas normas em conflito deve ser aplicada. 
Solução do Poder Judiciário - o caminho é a adoção do princípio máximo de justiça, 
podendo o magistrado, o juiz da causa, de acordo com a sua convicção e aplicando os 
arts. 4º e 5º da Lei de Introdução, adotar uma das duas normas, para solucionar o 
problema. Também pode ser utilizado o art. 8º do Novo CPC, segundo o qual, “ao aplicar 
o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, 
resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a 
proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência”. 
8 
 
§ 3o Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. 
(REPRISTINAÇÃO) 
 
#NÃOCONFUNDA: 
REPRISTINAÇÃO EFEITO REPRISTINATÓRIO 
Fenômeno do processo legislativo Fenômeno do controle de constitucionalidade 
É a restauração da lei revogada pela revogação da 
lei revogadora. 
É a restauração da lei revogada pela declaração de 
inconstitucionalidade da lei revogadora, e desde que 
não haja modulação de efeitos temporais. 
É vedada, salvo expressa previsão legal (art. 2º, § 3º, 
da LINDB). 
É permitido - Medida cautelar em ADI (art. 11, § 2º, da Lei 
nº 9.868/99); e ADI com efeitos “ex tunc”. 
Existe uma terceira lei revogando a lei revogadora. 
Não existe uma terceira lei revogando a lei revogadora, 
mas sim uma decisão judicial que declara a 
inconstitucionalidade da lei revogadora. 
 
 
Art. 3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. (PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE 
DAS NORMAS) 
 
 
Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a Analogia, os Costumes e os Princípios 
gerais de direito. 
 
Formas de INTEGRAÇÃO do 
ordenamento jurídico 
 
Obs.: A doutrina civilista 
tradicional entende que a 
ordem das formas de 
integração previstas no 
dispositivo deve ser seguida 
pelo magistrado: primeiro 
deve ele se valer da analogia, 
depois dos costumes e 
depois dos princípios gerais 
do direito. 
 
BIZU: Ordem alfabética: A, 
C, P 
Analogia 
É a utilização de uma norma próxima ou semelhante para 
regular uma situação que não foi regulamentada pelo direito. 
 
Pode ser dividida em: 
a) Analogia Legal ou Legis: a relação da semelhança toma 
por base somente uma norma próxima; 
b) Analogia Jurídica ou Iuris: a relação de semelhança é 
estabelecida com base em um conjunto de normas próximas. 
Costumes 
É o uso reiterado, constante, notório e uniforme de uma 
conduta, na convicção de ser a mesma obrigatória. Ou seja, 
é uma prática que se estabelece por força do hábito, com 
convicção. 
 
Possui dois elementos: 
- Objetivo: uso reiterado e uniforme de um comportamento; 
- Subjetivo: convicção de que o mesmo é obrigatório. 
 
Pode ser dividido em: 
a) Costume segundo a lei (secundum legem): Incide 
quando há referência expressa ao costume no texto legal; 
b) Costume na falta da lei (praeter legem): É aplicado 
quando a lei for omissa, sendo denominado de costume 
integrativo; e 
c) Costume contra a lei (contra legem): É a aplicação do 
costume contraria a lei (é o desuetudo). Nesse caso, há abuso 
de direito (art. 187, CC). 
Princípios gerais 
de direito 
São as ideias centrais do sistema, estabelecendo suas 
diretrizes e dando um conteúdo harmonioso, lógico e 
racional. 
 
 
9 
 
Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. 
 
 
Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a 
coisa julgada. 
 
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. 
 
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possaexercer, como aquêles 
cujo comêço do exercício tenha têrmo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. 
 
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. 
 
ATO JURÍDICO PERFEITO O já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. 
DIREITO ADQUIRIDO 
Que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo comêço 
do exercício tenha têrmo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a 
arbítrio de outrem. 
COISA JULGADA A decisão judicial de que já não caiba recurso. 
 
 
Art. 7o A lei do país em que DOMICILIADA A PESSOA determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, 
o nome, a capacidade e os direitos de família. 
 
Lei do DOMICÍLIO 
 
BIZU: FACA NO PE 
Família 
 
Capacidade 
 
Nome 
 
Personalidade 
 
CASAMENTO 
§ 1o Realizando-se o casamento no brasil, será aplicada a LEI BRASILEIRA quanto aos impedimentos dirimentes e 
às formalidades da celebração. 
 
§ 2o O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de 
ambos os nubentes. 
 
§ 3o Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do PRIMEIRO 
DOMICÍLIO CONJUGAL. 
 
§ 4o O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes DOMICÍLIO, e, se 
este for diverso, a do PRIMEIRO DOMICÍLIO CONJUGAL. 
 
Invalidade do matrimônio Domicílio diverso - PRIMEIRO DOMICÍLIO CONJUGAL 
Regime de bens 
Domicílio igual - DOMICÍLIO DOS NUBENTES 
Domicílio diversos - PRIMEIRO DOMICÍLIO CONJUGAL 
 
§ 5º - O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode, mediante expressa anuência de seu cônjuge, requerer 
ao juiz, no ato de entrega do decreto de naturalização, se apostile ao mesmo a adoção do regime de comunhão 
parcial de bens, respeitados os direitos de terceiros e dada esta adoção ao competente registro. 
 
10 
 
§ 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros, só será reconhecido no Brasil 
depois de 1 (um) ano da data da sentença, salvo se houver sido antecedida de separação judicial por igual prazo, 
caso em que a homologação produzirá efeito imediato, obedecidas as condições estabelecidas para a eficácia das 
sentenças estrangeiras no país. O Superior Tribunal de Justiça, na forma de seu regimento interno, poderá reexaminar, 
a requerimento do interessado, decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças estrangeiras de 
divórcio de brasileiros, a fim de que passem a produzir todos os efeitos legais. 
 
§ 7o Salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família estende-se ao outro cônjuge e aos filhos não 
emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua guarda. 
 
§ 8o Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou naquele em que 
se encontre. 
 
 
BENS 
Art. 8o Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país em que ESTIVEREM 
SITUADOS. 
 
§ 1o Aplicar-se-á a lei do país em que for DOMICILIADO O PROPRIETÁRIO, quanto aos bens moveis que ele trouxer 
ou se destinarem a transporte para outros lugares. 
 
§ 2o O penhor regula-se pela lei do DOMICÍLIO QUE TIVER A PESSOA, em cuja posse se encontre a coisa apenhada. 
 
 
OBRIGAÇÕES 
Art. 9o Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que SE CONSTITUIREM. 
 
§ 1o Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial, será esta observada, 
admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos do ato. 
 
§ 2o A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no LUGAR EM QUE RESIDIR O PROPONENTE. 
 
 
SUCESSÃO POR MORTE 
Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que DOMICILIADO O DEFUNTO OU O 
DESAPARECIDO, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens. 
 
§ 1º A sucessão de bens de estrangeiros, situados no país, será regulada pela LEI BRASILEIRA em benefício do 
cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal 
do de cujus. 
 
§ 2o A lei do DOMICÍLIO DO HERDEIRO OU LEGATÁRIO regula a capacidade para suceder. 
 
#EMRESUMO: 
Começo e fim da personalidade, nome, capacidade, direitos de 
família e penhor 
(art. 7º e art. 8º, § 2º) 
DOMICÍLIO DA PESSOA 
Qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes 
(art. 8º) 
SITUAÇÃO DOS BENS 
Bens móveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte para 
outros lugares 
(art. 8º, § 1º) 
DOMICÍLIO DO PROPRIETÁRIO 
Qualificar e reger as obrigações 
(art. 9º) 
CONSTITUIÇÃO 
11 
 
Sucessão por morte ou por ausência 
(art. 10) 
DOMICÍLIO DO DEFUNTO OU 
DESAPARECIDO 
Sucessão de bens estrangeiros localizados no Brasil 
(art. 10, § 1º) 
LEI BRASILEIRA 
Capacidade para suceder 
(art. 10, § 2º) 
DOMICÍLIO DO HERDEIRO OU 
LEGATÁRIO 
 
 
Art. 11. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as sociedades e as fundações, obedecem à lei 
do ESTADO EM QUE SE CONSTITUÍREM. 
 
§ 1o Não poderão, entretanto ter no Brasil filiais, agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos 
aprovados pelo Governo brasileiro, ficando sujeitas à lei brasileira. 
 
§ 2o Os Governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer natureza, que eles tenham constituido, 
dirijam ou hajam investido de funções públicas, não poderão adquirir no Brasil bens imóveis ou susceptiveis de 
desapropriação. 
 
§ 3o Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos representantes 
diplomáticos ou dos agentes consulares. 
 
GOVERNOS 
ESTRANGEIROS 
Não podem adquirir no Brasil 
- bens imóveis ou 
- bens susceptiveis de desapropriação 
Podem adquirir no Brasil 
- propriedade dos prédios necessários à sede dos 
representantes diplomáticos ou dos agentes consulares. 
 
 
Art. 12. É competente a AUTORIDADE JUDICIÁRIA BRASILEIRA, quando for o RÉU domiciliado no Brasil ou aqui 
tiver de ser cumprida a obrigação. 
 
§ 1o SÓ À AUTORIDADE JUDICIÁRIA BRASILEIRA compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no 
Brasil. (COMPETÊNCIA EXCLUSIVA) 
 
§ 2o A autoridade judiciária brasileira cumprirá, concedido o exequatur e segundo a forma estabelecida pele lei 
brasileira, as diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente, observando a lei desta, quanto ao objeto 
das diligências. 
 
 
Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela LEI QUE NELE VIGORAR, quanto ao ônus 
e aos meios de produzir-se, NÃO ADMITINDO os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça. 
 
 
Art. 14. Não conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da vigência. 
 
 
Art. 15. Será EXECUTADA NO BRASIL a sentença proferida no estrangeiro, que reuna os seguintes requisitos: 
a) haver sido proferida por juiz competente; 
b) terem sido as partes citadas ou haver-se legalmente verificado à revelia; 
c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a execução no lugar em que foi 
proferida; 
d) estar traduzida por intérprete autorizado; 
e) ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal. (Vide art.105, I, i da Constituição Federal) Leia-se: SUPERIOR 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art105
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art105
12 
 
#INFO 
- É possível que o cassino cobre no Brasil por dívidas de jogo contraídas no exterior. #IMPORTANTE 
A cobrança de dívida de jogo contraída por brasileiro em cassino que funciona legalmente no exterior é 
juridicamente possível e não ofende a ordem pública, os bons costumes e a soberania nacional. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.628.974-SP,Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 13/6/2017 (Info 610). 
 
 
Art. 16. Quando, nos termos dos artigos precedentes, se houver de aplicar a lei estrangeira, ter-se-á em vista a 
disposição desta, sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei. 
 
 
Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não terão eficácia no 
Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes. 
 
 
Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades consulares brasileiras para lhes celebrar o 
casamento e os mais atos de Registro Civil e de tabelionato, inclusive o registro de nascimento e de óbito dos filhos 
de brasileiro ou brasileira nascido no país da sede do Consulado. 
 
§ 1º As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar a separação consensual e o divórcio consensual 
de brasileiros, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, 
devendo constar da respectiva escritura pública as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e 
à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção 
do nome adotado quando se deu o casamento. 
 
§ 2o É indispensável a assistência de advogado, devidamente constituído, que se dará mediante a subscrição de 
petição, juntamente com ambas as partes, ou com apenas uma delas, caso a outra constitua advogado próprio, não 
se fazendo necessário que a assinatura do advogado conste da escritura pública. 
 
 
Art. 19. Reputam-se válidos todos os atos indicados no artigo anterior e celebrados pelos cônsules brasileiros na 
vigência do Decreto-lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, desde que satisfaçam todos os requisitos legais. 
Parágrafo único. No caso em que a celebração dêsses atos tiver sido recusada pelas autoridades consulares, com 
fundamento no artigo 18 do mesmo Decreto-lei, ao interessado é facultado renovar o pedido dentro em 90 (noventa) 
dias contados da data da publicação desta lei. 
 
 
Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, NÃO SE DECIDIRÁ com base em valores jurídicos 
ABSTRATOS sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. 
Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de 
ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas. 
 
 
Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação de ato, contrato, 
ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências jurídicas e 
administrativas. 
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as condições para 
que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, NÃO SE 
PODENDO IMPOR aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam 
anormais ou excessivos. 
 
 
Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os obstáculos e as dificuldades 
reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos administrados. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del4657.htm
13 
 
§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma 
administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado a 
ação do agente. 
 
§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela 
provierem para a administração pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes do agente. 
 
CRITÉRIOS A SERES CONSIDERADOS NA 
APLICAÇÃO DAS SANÇÕES 
- Natureza e gravidade da infração cometida; 
- Danos causados à Administração Pública; 
- Agravantes; 
- Atenuantes; 
- Antecedentes. 
 
§ 3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria das demais sanções de mesma 
natureza e relativas ao mesmo fato. 
 
 
Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação NOVA sobre 
norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá prever 
regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de direito seja cumprido de 
modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais. 
 
 
Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, 
processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais 
da época, sendo VEDADO que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas 
situações plenamente constituídas. 
Parágrafo único. Consideram-se ORIENTAÇÕES GERAIS as interpretações e especificações contidas em atos 
públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática 
administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. 
 
 
Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito público, 
inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva do órgão jurídico e, quando 
for o caso, após realização de consulta pública, e presentes razões de relevante interesse geral, celebrar 
COMPROMISSO com os interessados, observada a legislação aplicável, o qual só produzirá efeitos a partir de sua 
publicação oficial. 
 
§ 1º O compromisso referido no caput deste artigo: 
I - buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os interesses gerais; 
III - não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de direito reconhecidos por 
orientação geral; 
IV - deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento e as sanções aplicáveis em 
caso de descumprimento. 
 
 
Art. 27. A decisão do processo, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, poderá impor COMPENSAÇÃO 
por benefícios indevidos ou prejuízos anormais ou injustos resultantes do processo ou da conduta dos envolvidos. 
 
§ 1º A decisão sobre a compensação será motivada, ouvidas previamente as partes sobre seu cabimento, sua forma 
e, se for o caso, seu valor. 
 
§ 2º Para prevenir ou regular a compensação, poderá ser celebrado compromisso processual entre os envolvidos. 
 
14 
 
Art. 28. O agente público responderá PESSOALMENTE por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de dolo 
ou erro grosseiro. 
 
 
Art. 29. Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade administrativa, salvo os de mera 
organização interna, poderá ser precedida de CONSULTA PÚBLICA para manifestação de interessados, 
PREFERENCIALMENTE por meio eletrônico, a qual será considerada na decisão. 
 
§ 1º A convocação conterá a minuta do ato normativo e fixará o prazo e demais condições da consulta pública, 
observadas as normas legais e regulamentares específicas, se houver. 
 
 
Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas, inclusive 
por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas. 
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter VINCULANTE em relação ao 
órgão ou entidade a que se destinam, ATÉ ULTERIOR REVISÃO. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
2. CÓDIGO CIVIL 
 
P A R T E G E R A L 
 
LIVRO I 
DAS PESSOAS 
 
TÍTULO I 
DAS PESSOAS NATURAIS 
 
CAPÍTULO I 
DA PERSONALIDADEE DA CAPACIDADE 
 
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CC/02 
PRINCÍPIO DA 
ETICIDADE 
Deve haver ética nas relações. Valoriza a boa-fé, na lealdade da conduta entre as partes. 
É a boa-fé objetiva, a qual tem função de interpretação dos negócios jurídicos, mas 
também a função de controle das condutas humanas, além de possuir a função de 
integração. 
Ex.: se o contrato foi omisso em determinado ponto, e não há norma contratual que 
regule este ponto, deverá integrar a lacuna por meio da boa-fé objetiva, por meio do 
comportamento esperado de alguém que se encontre naquela situação. 
PRINCÍPIO DA 
SOCIALIDADE 
A ideia é deixar de ser um código egoísta e passar a ser um código com preocupação 
da função social. Todas as categorias civis têm função social, como propriedade, 
empresa, posse, família, responsabilidade civil, contratos, etc. 
PRINCÍPIO DA 
OPERABILIDADE 
Há dois sentidos: simplicidade (permite operá-lo de forma mais fácil) e a efetividade 
(permite que seja aplicado facilmente, tornando-o efetivo). 
 
 
Art. 1o TODA PESSOA é capaz de direitos e deveres na ordem civil. 
 
DICAS INICIAIS IMPORTANTES 
- Todas as pessoas têm a capacidade de direito, o que pressupõe a capacidade de fato, em regra, pois a 
incapacidade é a exceção; 
- No direito brasileiro não existe incapacidade de direito ou de gozo, porque todos se tornam, ao nascer, capazes 
de adquirir direitos (art. 1°). Há, portanto, somente incapacidade de fato ou de exercício. Incapacidade, assim, é 
a restrição legal ao exercício dos atos da vida civil, imposta por lei, somente ao que, por exceção, necessitam de 
proteção, pois a capacidade é a regra; 
- Quem tem personalidade, também tem capacidade, mas a recíproca não é verdadeira, pois, existem aqueles que 
têm capacidade, mas não possuem personalidade. É o caso dos entes despersonalizados, que possuem capacidade, 
podendo praticar atos, contratar, ser proprietários, muito embora não possuam personalidade; 
- Sujeito de direito: é o titular de interesses juridicamente protegidos, qualificado como tal por uma norma 
jurídica. 
- Personalidade jurídica: autorização prévia e genérica do ordenamento jurídico para a prática de qualquer ato 
jurídico que não seja proibido pelo Direito. 
Obs.: Prevalece o entendimento de que pessoa jurídica possui direitos da personalidade: 
- Súmula nº 227, STJ: “A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.” 
- Capacidade: aptidão jurídica (de gozo) ou de fato (exercício). 
- Legitimação: aptidão especial exigida para a prática de determinados atos (exs.: arts. 496, 1749, I, 1.687). 
- Súmula nº 525, STJ: “A Câmara de vereadores não possui personalidade jurídica, apenas personalidade 
judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais.” 
 
 
 
16 
 
CAPACIDADE DE DIREITO OU DE GOZO CAPACIDADE DE FATO OU DE EXERCÍCIO 
Toda pessoa possui Aqueles que tem 18 anos completos e emancipados 
Aptidão para contrair direitos e deveres na ordem civil Aptidão para exercer, por si só, atos da vida civil 
Equipara-se à noção de personalidade, não pode ser 
recusada. Até recém-nascidos e pessoas sem 
discernimento possuem 
Não subsistem sem a capacidade de direito 
Capacidade de Direito (Gozo) + Capacidade de Fato (Exercício) = Capacidade Plena 
BIZU: DIGO FE 
 
 
Art. 2o A personalidade civil da pessoa COMEÇA DO NASCIMENTO COM VIDA; mas a lei põe a salvo, desde a 
concepção, os direitos do nascituro. 
 
TEORIAS SOBRE O INÍCIO DA PERSONALIDADE 
TEORIA NATALISTA OU NEGATIVISTA 
ADOTADA PELO CC/02 
A personalidade só é adquirida do nascimento com vida, de 
maneira que aquele já concebido, mas ainda não nascido, não teria 
personalidade. Trata-se de uma teoria negativista para os 
nascituros, que tem apenas expectativa de direitos. 
TEORIA CONCEPCIONISTA 
ADOTADA PELO STJ E DOUTRINA 
MAJORITÁRIA 
A personalidade jurídica é adquirida desde a concepção, de 
maneira que o nascituro já seria titular deste atributo. 
TEORIA DA PERSONALIDADE 
CONDICIONAL OU CONDICIONALISTA 
O nascituro, ao ser concebido, já pode titularizar alguns direitos, em 
regra, de caráter extrapatrimonial. Seriam os nascituros dotados, 
desde a concepção, de Personalidade Formal. Entretanto, apenas 
com o nascimento com vida (condição suspensiva) é que o atributo 
da personalidade se completaria, sendo possível a conferência de 
direitos patrimoniais ao nascituro (Personalidade Material). 
 
#INFO 
- Grávida que sofre aborto por causa de acidente de trânsito tem direito de receber do DPVAT indenização 
pela morte do nascituro. 
O DPVAT é um seguro obrigatório de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, ou por 
sua carga, a pessoas, transportadas ou não. Em outras palavras, qualquer pessoa que sofrer danos pessoais 
causados por um veículo automotor, ou por sua carga, em vias terrestres, tem direito a receber a indenização do 
DPVAT. Isso abrange os motoristas, os passageiros, os pedestres ou, em caso de morte, os seus respectivos 
herdeiros. 
O art. 3º, I, da Lei 6.194/74 afirma que deverá ser paga indenização do DPVAT aos herdeiros do falecido no caso 
de morte no trânsito. 
O STJ decidiu que, se uma gestante envolve-se em acidente de carro e, em virtude disso, sofre um aborto, ela terá 
direito de receber a indenização por morte do DPVAT, nos termos do art. 3º, I, da Lei 6.194/74. 
O Ministro Relator afirmou expressamente que, em sua opinião, “o ordenamento jurídico como um todo – e não 
apenas o Código Civil de 2002 – alinhou-se mais à teoria concepcionista para a construção da situação jurídica do 
nascituro, conclusão enfaticamente sufragada pela majoritária doutrina contemporânea”. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.415.727-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 4/9/2014 (Info 547). 
 
 
Art. 3o São ABSOLUTAMENTE INCAPAZES de exercer pessoalmente os atos da vida civil os MENORES de 16 
(dezesseis) anos. 
 
 
 
 
 
 
17 
 
#INFO 
- Não se admite a declaração de incapacidade absoluta às pessoas com enfermidade ou deficiência mental. 
#IMPORTANTE 
Depois do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que alterou os arts. 3º e 4º do Código Civil, 
não é mais possível declarar como absolutamente incapaz o maior de 16 anos que, em razão de enfermidade 
permanente, encontra-se inapto para gerir sua pessoa e administrar seus bens de modo voluntário e consciente. 
A Lei nº 13.146/2015 teve por objetivo assegurar e promover a inclusão social das pessoas com deficiência física 
ou psíquica e garantir o exercício de sua capacidade em igualdade de condições com as demais pessoas. 
A partir da entrada em vigor da referida lei, só podem ser considerados absolutamente incapazes os menores de 
16 anos, ou seja, o critério passou a ser apenas etário, tendo sido eliminadas as hipóteses de deficiência mental 
ou intelectual anteriormente previstas no Código Civil. 
O instituto da curatela pode ser excepcionalmente aplicado às pessoas com deficiência, ainda que agora sejam 
consideradas relativamente capazes, devendo, contudo, ser proporcional às necessidades e às circunstâncias de 
cada caso concreto (art. 84, § 3º, da Lei nº 13.146/2015). 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.927.423/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 27/04/2021 (Info 694). 
 
 
Art. 4o São INCAPAZES, RELATIVAMENTE a certos atos ou à maneira de os exercer: 
I - os MAIORES de dezesseis e MENORES de dezoito anos; 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; 
IV - os pródigos. 
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial. 
 
ABSOLUTAMENTE INCAPAZES (art 3º, CC) RELATIVAMENTE INCAPAZES (art 4º, CC) 
- Menores de 16 anos. 
- Maiores de 16 e menores de 18 anos; 
- ébrios habituais; 
- viciados em tóxico; 
- aqueles que, por causa transitória ou permanente, 
não puderem exprimir sua vontade;- pródigos. 
Representado Assistido 
BIZU: RA (representa o absolutamente); AR (assiste o relativamente) 
 
 
Art. 5o A menoridade CESSA aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de TODOS 
os atos da vida civil. 
Parágrafo único. CESSARÁ, para os menores, a incapacidade: 
 
Menoridade Incapacidade 
Cessa aos 18 anos completos Cessa com a emancipação 
 
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, 
INDEPENDENTEMENTE de homologação judicial (VOLUNTÁRIA), ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o 
menor tiver dezesseis anos completos (JUDICIAL); 
 
II - pelo casamento; (LEGAL) 
Obs.: Não abrange união estável. 
 
III - pelo exercício de emprego público efetivo; (LEGAL) 
 
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; (LEGAL) 
 
18 
 
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função 
deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. (LEGAL) 
 
EMANCIPAÇÃO 
VOLUNTÁRIA 
(art. 5°, p. u., I, 1ª parte) 
JUDICIAL 
(art. 5°, p. u., I, 2ª parte) 
LEGAL 
(art. 5°, p. u., II, III, IV e V) 
Conceito e 
Hipóteses 
É aquela que se dá pela 
concessão de ambos os 
responsáveis, ou de um deles 
na falta do outro, mediante 
instrumento público, 
independentemente da 
homologação judicial, a 
menos que tenha, no mínimo, 
16 (dezesseis) anos 
completos. 
É aquela concedida pelo 
tutor ao pupilo - que 
tenha, ao menos, 16 
(dezesseis) anos 
completos -, mediante 
decisão judicial. 
É aquela que decorre da prática de 
ato jurídico, previsto em lei, 
incompatível com a condição de 
incapaz. Dar-se-á por: 
a) Casamento; 
b) Exercício de emprego público 
efetivo; 
c) Colação de grau de ensino 
superior; 
d) Estabelecimento civil ou 
comercial, ou a existência de 
relação de emprego, desde que, 
em função deles, o menor com 
dezesseis anos completos tenha 
economia própria. 
Obs.: A simples prática de 
qualquer destes atos gera a 
emancipação automaticamente. 
Registro 
Público 
SIM 
(art. 9°, II, 1ª parte) 
SIM 
(art. 9°, II, 2ª parte) 
Não 
Resp. Civil dos 
Responsáveis 
SIM 
(Solidária – única hipótese) 
Não Não 
Obs.1: A emancipação não é um instituto intermitente. Portanto, aquele que foi emancipado, não retorna a 
situação de incapacidade, pois é definitiva, irretratável e irrevogável, em regra. 
Obs.2: No tocante à nulidade/anulabilidade do casamento, surge divergência sobre o efeito quanto à 
emancipação: 
- Havendo emancipação por conta de um casamento reconhecido como anulado, o efeito da emancipação 
permanecerá, vez que a anulação do casamento não retira seus efeitos pretéritos. 
- Se o casamento foi declarado nulo, ele não produziu efeitos e, portanto, a situação de incapacidade será 
retornada. Essa hipótese é ressalvada para os casos de casamento putativo, quando o cônjuge que estava de boa-
fé poderá permanecer emancipado em razão da putatividade. 
 
 
Art. 6o A existência da pessoa natural TERMINA COM A MORTE; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos 
casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. 
 
 
Art. 7o PODE SER declarada a MORTE PRESUMIDA, sem decretação de ausência: (ROL TAXATIVO) 
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; 
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da 
guerra. 
Parágrafo único. A DECLARAÇÃO DA MORTE PRESUMIDA, nesses casos, SOMENTE PODERÁ SER REQUERIDA 
depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. 
 
 
 
 
 
19 
 
MORTE PRESUMIDA 
COM DECRETAÇÃO DE AUSÊNCIA SEM DECRETAÇÃO DE AUSÊNCIA 
- nos casos em que a lei autoriza a abertura de 
sucessão definitiva. 
- extremamente provável a morte de quem estava em 
perigo de vida; 
- desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não 
for encontrado até dois anos após o término da 
guerra. 
 
 
Art. 8o Se dois ou mais indivíduos falecerem na MESMA OCASIÃO, não se podendo averiguar se algum dos 
comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão SIMULTANEAMENTE MORTOS. (COMORIÊNCIA) 
Obs.: Para configurar a comoriência, a morte não tem que ocorrer no mesmo lugar, mas apenas na mesma 
ocasião (tempo). 
 
 
Art. 9o Serão REGISTRADOS em registro público: 
I - os nascimentos, casamentos e óbitos; 
II - a emancipação por outorga dos pais (voluntária) ou por sentença do juiz (judicial); 
 III - a interdição por incapacidade absoluta ou relativa; 
IV - a sentença declaratória de ausência e de morte presumida. 
BIZU: Dica para ajudar a lembrar dos casos de registro: 
NASCEU (nascimento) - CRESCEU (emancipação) - CASOU (casamento) - FICOU DOIDO (interdição) - FUGIU 
(ausência) e MORREU (óbito e morte presumida). 
 
 
Art. 10. Far-se-á AVERBAÇÃO em registro público: 
I - das sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do casamento, o divórcio, a separação judicial e o 
restabelecimento da sociedade conjugal; 
II - dos atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação; 
 
REGISTRADOS em registro público AVERBADOS em registro público 
- nascimentos; 
- casamentos; 
- óbitos; 
- emancipação por outorga dos pais; 
- emancipação por sentença do juiz; 
- interdição por incapacidade absoluta; 
- interdição por incapacidade relativa; 
- sentença declaratória de ausência; e 
- sentença declaratória de morte presumida. 
- sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do 
casamento; 
- divórcio; 
- separação judicial; 
- restabelecimento da sociedade conjugal; e 
- atos judiciais ou extrajudiciais que declarem ou 
reconheçam a filiação. 
 
CAPÍTULO II 
DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
Art. 11. Com EXCEÇÃO dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade SÃO INTRANSMISSÍVEIS e 
IRRENUNCIÁVEIS, NÃO PODENDO o seu exercício sofrer limitação voluntária. 
CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS DE 
PERSONALIDADE 
- Intransmissíveis 
- Irrenunciáveis 
- Extrapatrimoniais 
- Vitalícios 
- Inatos 
- Absolutos 
- Indisponíveis 
- Imprescritíveis 
- Impenhoráveis 
20 
 
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a AMEAÇA, ou a LESÃO, a DIREITO DA PERSONALIDADE, e reclamar PERDAS 
E DANOS, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. 
Parágrafo único. Em se tratando de MORTO, terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o 
cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau. (DANOS EM 
RICOCHETE) 
 
#NÃOCONFUNDA: 
ART. 12, PARÁGRAFO ÚNICO, CC ART. 20, PARÁGRAFO ÚNICO, CC 
Lesão ou ameaça de lesão a DIREITOS DA 
PERSONALIDADE do morto 
Lesão à IMAGEM do morto/ausente 
Legitimados: cônjuge ou qualquer parente em linha 
reta, ou colateral até o 4º grau 
Legitimados: cônjuge, ascendentes ou descendentes 
BIZU: CAD 
 
 
Art. 13. SALVO POR EXIGÊNCIA MÉDICA, É DEFESO o ato de disposição do próprio corpo, quando IMPORTAR 
diminuição permanente da integridade física, ou CONTRARIAR os bons costumes. 
Parágrafo único. O ato previsto neste artigo será ADMITIDO para fins de TRANSPLANTE, na forma estabelecida 
em lei especial. 
 
 
Art. 14. É VÁLIDA, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição GRATUITA do próprio corpo, no todo ou 
em parte, para depois da morte. (PRINCÍPIO DO CONSENSO AFIRMATIVO) 
Parágrafo único. O ato de disposição PODE SER livremente revogado a qualquer tempo. 
 
 
Art. 15. Ninguém PODE SER CONSTRANGIDO a submeter-se, com risco de vida, a TRATAMENTO MÉDICO ou 
a INTERVENÇÃO CIRÚRGICA. 
 
#INFO 
- Os direitos da personalidade podem ser objeto de disposição voluntária, desde que não permanente nem 
geral. 
O exercício dos direitos da personalidade pode ser objeto de disposição voluntária, desde que não permanente 
nem geral, estando condicionado à prévia autorização do titular e devendo sua utilização estar de acordo com ocontrato estabelecido entre as partes. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.630.851/SP, Rel. Min. Paulo de Torso Sonseverino. Julgado em 27/04/2017 (Info 606). 
 
- A inobservância do dever de informar e de obter o consentimento informado do paciente viola o direito 
à autodeterminação e caracteriza responsabilidade extracontratual. 
O médico deverá ser condenado a pagar indenização por danos morais ao paciente que teve sequelas em virtude 
de complicações ocorridas durante a cirurgia caso ele não tenha explicado ao paciente os riscos do procedimento. 
O dever de informar é dever de conduta decorrente da boa-fé objetiva e sua simples inobservância caracteriza 
inadimplemento contratual, fonte de responsabilidade civil per se. A indenização, nesses casos, é devida pela 
privação sofrida pelo paciente em sua autodeterminação, por lhe ter sido retirada a oportunidade de ponderar os 
riscos e vantagens de determinado tratamento que, ao final, lhe causou danos que poderiam não ter sido causados 
caso não fosse realizado o procedimento, por opção do paciente. 
O dever de informação é a obrigação que possui o médico de esclarecer o paciente sobre os riscos do tratamento, 
suas vantagens e desvantagens, as possíveis técnicas a serem empregadas, bem como a revelação quanto aos 
prognósticos e aos quadros clínico e cirúrgico, salvo quando tal informação possa afetá-lo psicologicamente, 
ocasião em que a comunicação será feita a seu representante legal. 
Para que seja cumprido o dever de informação, os esclarecimentos deverão ser prestados de forma individualizada 
em relação ao caso do paciente, não se mostrando suficiente a informação genérica (blanket consent). 
21 
 
O ônus da prova quanto ao cumprimento do dever de informar e obter o consentimento informado do paciente 
é do médico ou do hospital, orientado pelo princípio da colaboração processual, em que cada parte deve contribuir 
com os elementos probatórios que mais facilmente lhe possam ser exigidos. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.540.580-DF, Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador Convocado do TRF 5ª 
Região), Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/08/2018 (Info 632). 
 
 
Art. 16. Toda pessoa tem direito ao NOME, nele compreendidos o prenome e o sobrenome. 
 
Direito ao nome: É o direito à individualização da pessoa. Subdivide-se em: 
Prenome 
Identifica a pessoa e pode ser simples ou composto. 
Ex.: Eduardo ou Carlos Eduardo. 
Sobrenome ou Patronímico 
Identifica a origem ancestral, familiar e também pode ser simples ou 
composto. 
Ex.: Maia. 
Agnome 
Partícula diferenciadora que serve para distinguir pessoas pertencentes à 
mesma família e com o mesmo nome. 
Ex.: Júnior, Filho, Neto, Sobrinho, Segundo, Terceiro. 
Hipocorístico 
É um apelido, uma alcunha que designa alguém pessoal e profissionalmente. 
Ex.: Xuxa. 
Não é elemento do nome, embora mereça proteção. 
Pseudônimo, Codinome ou 
Heterônimo 
É o nome que identifica alguém tão-somente em sua esfera profissional. 
Ex.: Bruna Surfistinha, embora seu nome verdadeiro seja Raquel Pacheco. 
Pelo art. 19 do CC, o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da 
proteção que se dá ao nome. 
Não é elemento do nome, embora mereça proteção. 
 
 
Art. 17. O nome da pessoa NÃO PODE SER empregado por outrem em publicações ou representações que a 
exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória. 
 
 
Art. 18. SEM AUTORIZAÇÃO, NÃO SE PODE USAR o nome alheio em propaganda comercial. 
 
 
Art. 19. O PSEUDÔNIMO adotado para atividades lícitas GOZA da proteção que se dá ao nome. 
 
#INFO 
JURISPRUDÊNCIA SOBRE DIREITO AO NOME 
- Imutabilidade relativa do nome. 
Em regra, o nome é imutável. É o chamado princípio da imutabilidade relativa do nome civil. 
A regra da inalterabilidade relativa do nome civil preconiza que o nome (prenome e sobrenome), estabelecido por 
ocasião do nascimento, reveste-se de definitividade, admitindo-se sua modificação, excepcionalmente, nas 
hipóteses expressamente previstas em lei ou reconhecidas como excepcionais por decisão judicial (art. 57 da Lei 
no 6.015/75), exigindo-se, para tanto, justo motivo e ausência de prejuízo a terceiros. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1138103/PR. Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma. Julgado em 06/09/2011. 
 
- Transgênero pode alterar seu prenome e gênero no registro civil mesmo sem fazer cirurgia de 
transgenitalização e mesmo sem autorização judicial. #IMPORTANTE 
O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua classificação de gênero no 
registro civil, não se exigindo, para tanto, nada além da manifestação de vontade do indivíduo, o qual poderá 
exercer tal faculdade tanto pela via judicial como diretamente pela via administrativa. 
Essa alteração deve ser averbada à margem do assento de nascimento, vedada a inclusão do termo 
“transgênero”. 
22 
 
Nas certidões do registro não constará nenhuma observação sobre a origem do ato, vedada a expedição de 
certidão de inteiro teor, salvo a requerimento do próprio interessado ou por determinação judicial. 
Efetuando-se o procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar de ofício ou a requerimento do 
interessado a expedição de mandados específicos para a alteração dos demais registros nos órgãos públicos ou 
privados pertinentes, os quais deverão preservar o sigilo sobre a origem dos atos. 
STF. Plenário. RE 670422/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/8/2018 (repercussão geral) (Info 911). 
Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da realização 
de tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito à alteração do prenome e do gênero (sexo) 
diretamente no registro civil. 
STF. Plenário. ADI 4275/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 
28/2 e 1º/3/2018 (Info 892). 
 
- Transexual pode alterar seu prenome e gênero no registro civil mesmo sem fazer a cirurgia de 
transgenitalização. 
O direito dos transexuais à retificação do prenome e do sexo/gênero no registro civil não é condicionado à 
exigência de realização da cirurgia de transgenitalização. 
Trata-se de novidade porque, anteriormente, a jurisprudência exigia a realização da cirurgia de transgenitalização. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.626.739-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 9/5/2017 (Info 608). 
 
- É admissível o retorno ao nome de solteiro do cônjuge ainda na constância do vínculo conjugal. 
#IMPORTANTE 
É admissível o retorno ao nome de solteiro do cônjuge ainda na constância do vínculo conjugal. 
Exemplo hipotético: Regina Andrade Medina casou-se com João da Costa Teixeira. Com o casamento, ela passou 
a ser chamada de Regina Medina Teixeira. Ocorre que, após anos de casada, Regina arrependeu-se da troca e 
deseja retornar ao nome de solteira. Ela apresentou justas razões de ordem sentimental e existencial. 
O pedido deve ser acolhido a fim de ser preservada a intimidade, a autonomia da vontade, a vida privada, os 
valores e as crenças das pessoas, bem como a manutenção e perpetuação da herança familiar. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.873.918-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/03/2021 (Info 687). 
 
- É possível a retificação do registro civil para acréscimo do segundo patronímico do marido ao nome da 
mulher durante a convivência matrimonial. 
O cônjuge pode acrescentar sobrenome do outro (§ 1º do art. 1.565, do Código Civil). 
Em regra, o sobrenome do marido/esposa é acrescido no momento do matrimônio, sendo essa providência 
requerida no processo de habilitação do casamento. 
A despeito disso, não existe uma vedação legal expressa para que, posteriormente, no curso do relacionamento, 
um dos cônjuges requeira o acréscimo do outro patronímico do seu cônjuge por meio de ação de retificação de 
registro civil, especialmente se o cônjuge apresenta uma justificativa. 
Vale ressaltar que o art. 1.565, §1º do CCnão estabelece prazo para que o cônjuge adote o apelido de família do 
outro, em se tratando, no caso, de mera complementação, e não alteração do nome. 
Assim, é possível a retificação do registro civil para acréscimo do segundo patronímico do marido ao nome da 
mulher durante a convivência matrimonial. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.648.858-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 20/08/2019 (Info 655). 
 
- Alteração do nome posterior ao casamento. 
Imagine a seguinte situação: marido e mulher se casaram e, no momento da habilitação do casamento, não 
requereram a alteração do nome. É possível que, posteriormente, um possa acrescentar o sobrenome do outro? 
SIM. É permitido incluir ao seu nome o sobrenome do outro, ainda que após a data da celebração do casamento. 
Vale ressaltar, no entanto, que esse acréscimo terá que ser feito por intermédio da ação de retificação de registros 
públicos, nos termos dos arts. 57 e 109 da Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015/1973). Assim, não será possível 
a alteração pela via administrativa, mas somente em juízo. 
STJ. 4ª Turma. REsp 910.094/SC. Min. Rel. Raul Aratijo. Julgado em 04/09/2011. 
 
 
 
23 
 
- Possibilidade de voltar o nome de solteira após a morte do marido. 
É admissível o restabelecimento do nome de solteiro na hipótese de dissolução do vínculo conjugal pelo 
falecimento do cônjuge. 
Ex.: Maria Pimentel da Costa casou-se com João Ferreira. Com o casamento, ela incorporou o patronímico do 
marido e passou a chamar-se Maria da Costa Ferreira. Alguns anos mais tarde, João faleceu. Maria poderá voltar a 
usar o nome de solteira (Maria Pimentel da Costa), excluindo o patronímico do falecido marido? Sim. Vale ressaltar 
que não há previsão legal para a retomada do nome de solteira em caso de morte do marido. A lei somente prevê 
a possibilidade de o homem ou a mulher voltarem a usar o nome de solteiro (a) em caso de divórcio (art. 1.571, § 
2º, do CC). Apesar disso, o STJ entende que isso deve ser permitido. A viuvez e o divórcio são hipóteses muito 
parecidas e envolvem uma mesma razão de ser: a dissolução do vínculo conjugal. Logo, não há justificativa 
plausível para que se trate de modo diferenciado as referidas situações. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.724.718-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/05/2018 (Info 627). 
 
- Direito de a pessoa retificar seu patronímico no registro de nascimento de seu filho após divórcio. 
Se a genitora, ao se divorciar, volta a usar seu nome de solteira, é possível que o registro de nascimento dos filhos 
seja retificado para constar na filiação o nome atual da mãe. 
É direito subjetivo da pessoa retificar seu patronímico no registro de nascimento de seus filhos após divórcio. 
A averbação do patronímico no registro de nascimento do filho em decorrência do casamento atrai, à luz do 
princípio da simetria, a aplicação da mesma norma à hipótese inversa, qual seja, em decorrência do divórcio, um 
dos genitores deixa de utilizar o nome de casado (art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 8.560/1992). 
Em razão do princípio da segurança jurídica e da necessidade de preservação dos atos jurídicos até então 
praticados, o nome de casada não deve ser suprimido dos assentamentos, procedendo-se, tão somente, a 
averbação da alteração requerida após o divórcio. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.279.952-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 3/2/2015 (Info 555). 
 
- É possível a exclusão dos sobrenomes paternos em razão do abandono pelo genitor. 
Imagine que determinado indivíduo foi abandonado pelo pai quando era ainda criança, tendo sido criado apenas 
pela mãe. Quando completou 18 anos, esse rapaz decidiu que desejava que fosse excluído o nome de seu pai de 
seu assento de nascimento e que o patronímico de seu pai fosse retirado de seu nome, incluindo-se o outro 
sobrenome da mãe. 
O STJ decidiu que esse pedido pode ser deferido e que pode ser excluído completamente do nome civil do 
interessado os sobrenomes de seu pai, que o abandonou em tenra idade. 
A jurisprudência tem adotado posicionamento mais flexível acerca da imutabilidade ou definitividade do nome 
civil. 
O princípio da imutabilidade do nome não é absoluto no sistema jurídico brasileiro. Além disso, a referida 
flexibilização se justifica pelo próprio papel que o nome desempenha na formação e consolidação da 
personalidade de uma pessoa. 
Desse modo, o direito da pessoa de portar um nome que não lhe remeta às angústias decorrentes do abandono 
paterno e, especialmente, corresponda à sua realidade familiar, sobrepõe-se ao interesse público de imutabilidade 
do nome, já excepcionado pela própria Lei de Registros Públicos. 
Sendo assim, nos moldes preconizados pelo STJ, considerando que o nome é elemento da personalidade, 
identificador e individualizador da pessoa na sociedade e no âmbito familiar, conclui-se que o abandono pelo 
genitor caracteriza o justo motivo de o interessado requerer a alteração de seu nome civil, com a respectiva 
exclusão completa dos sobrenomes paternos. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.304.718-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 18/12/2014 (Info 555). 
 
- É possível a exclusão do patronímico do ex-padrasto. 
É possível alterar o registro de nascimento para nele fazer constar o nome de solteira da genitora, excluindo o 
patronímico do ex-padrasto. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.072.402/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão. Julgada em 04/12/2012. 
 
- Alteração de registro civil após aquisição de dupla cidadania. 
O brasileiro que adquiriu dupla cidadania pode ter seu nome retificado no registro civil do Brasil, desde que isso 
não cause prejuízo a terceiros, quando vier a sofrer transtornos no exercício da cidadania por força da apresentação 
24 
 
de documentos estrangeiros com sobrenome imposto por lei estrangeira e diferente do que consta em seus 
documentos brasileiros. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.310.088-MG, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. para acórdão Min. Paulo de 
Tarso Sanseverino, julgado em 17/5/2016 (Info 588). 
 
 
Art. 20. SALVO se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, 
a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da IMAGEM de uma 
pessoa poderão ser proibidas, A SEU REQUERIMENTO e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe 
atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais. 
Parágrafo único. Em se tratando de MORTO ou de AUSENTE, são partes legítimas para requerer essa proteção 
o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes. 
 
#NÃOCONFUNDA: 
ART. 12, PARÁGRAFO ÚNICO, CC ART. 20, PARÁGRAFO ÚNICO, CC 
Lesão ou ameaça de lesão a DIREITOS DA 
PERSONALIDADE do morto 
Lesão à IMAGEM do morto/ausente 
Legitimados: cônjuge ou qualquer parente em linha 
reta, ou colateral até o 4º grau 
Legitimados: cônjuge, ascendentes ou descendentes 
BIZU: CAD 
 
#INFO 
- Inexistência do direito à indenização em razão da divulgação, no jornal, de imagem do cadáver morto em 
via pública. 
Jornal divulgou a foto do cadáver de um indivíduo morto em tiroteio ocorrido em via pública. 
Os familiares do morto ajuizaram ação de indenização por danos morais contra o jornal alegando que houve 
violação aos direitos de imagem. 
O STF julgou a ação improcedente argumentando que condenar o jornal seria uma forma de censura, o que afronta 
a liberdade de informação jornalística. 
STF. 2ª Turma. ARE 892127 AgR/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/10/2018 (Info 921). 
 
 
Art. 21. A VIDA PRIVADA da pessoa natural é INVIOLÁVEL, e o juiz, a requerimento do interessado, ADOTARÁ 
as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma. 
- Súmula nº 403, STJ: “Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem 
de pessoa com fins econômicos ou comerciais.” 
 
- A Súmula 403 do STJ é inaplicável para representaçãoda imagem de pessoa como coadjuvante em 
documentário que tem por objeto a história profissional de terceiro. 
Ação de indenização proposta por ex-goleiro do Santos em virtude da veiculação indireta de sua imagem (por 
ator profissional contratado), sem prévia autorização, em cenas do documentário “Pelé Eterno”. O autor alegou 
que a simples utilização não autorizada de sua imagem, ainda que de forma indireta, geraria direito a indenização 
por danos morais, independentemente de efetivo prejuízo. 
O STJ não concordou. 
A representação cênica de episódio histórico em obra audiovisual biográfica não depende da concessão de prévia 
autorização de terceiros ali representados como coadjuvantes. 
O STF, no julgamento da ADI 4.815/DF, afirmou que é inexigível a autorização de pessoa biografada relativamente 
a obras biográficas literárias ou audiovisuais bem como desnecessária a autorização de pessoas nelas retratadas 
como coadjuvantes. 
A Súmula 403/STJ é inaplicável às hipóteses de representação da imagem de pessoa como coadjuvante em obra 
biográfica audiovisual que tem por objeto a história profissional de terceiro. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.454.016-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 
julgado em 12/12/2017 (Info 621). 
 
25 
 
- A Súmula 403 do STJ não se aplica para divulgação de imagem vinculada a fato histórico de repercussão 
social. 
A Súmula 403 do STJ é inaplicável às hipóteses de divulgação de imagem vinculada a fato histórico de repercussão 
social. 
 
#INFO 
JURISPRUDÊNCIA SOBRE DIREITO DE PERSONALIDADE 
- O ordenamento jurídico brasileiro não consagra o denominado direito ao esquecimento. #IMPORTANTE 
É incompatível com a Constituição a ideia de um direito ao esquecimento, assim entendido como o poder de 
obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos e 
publicados em meios de comunicação social analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos no exercício da 
liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a caso, a partir dos parâmetros constitucionais 
– especialmente os relativos à proteção da honra, da imagem, da privacidade e da personalidade em geral – e as 
expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e cível. 
STF. Plenário. RE 1010606/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2021 (Repercussão Geral – Tema 786) 
(Info 1005). 
 
- O termo inicial da prescrição da pretensão de obter o ressarcimento pela perda de uma chance decorrente 
da ausência de apresentação de agravo de instrumento é a data do conhecimento do dano. 
Exemplo hipotético: João contratou Marcelo para ajuizar uma ação ordinária contra o plano de saúde. Foi ajuizada 
a ação, mas o juiz negou o pedido de tutela provisória de urgência. 
Marcelo, sem uma razão justificável, deixou de interpor agravo de instrumento. Em 06/06/2016, transcorreu in albis 
o prazo recursal. O processo continuou tramitando, no entanto, Marcelo sempre se mostrava negligente e sem 
compromisso para com seu cliente. 
Assim, em 07/07/2017, João revogou os poderes conferidos a Marcelo e contratou outro advogado para 
acompanhar o processo. O termo inicial do prazo prescricional para a ação de indenização pela perda de uma 
chance é 07/07/2017. 
No caso, não é razoável considerar como marco inicial da prescrição a data limite para a interposição do agravo 
de instrumento, haja vista inexistirem elementos nos autos - ou a comprovação por parte do causídico - de que o 
cliente tenha sido cientificado da perda de prazo para apresentar o recurso cabível. Portanto, o prazo prescricional 
não pode ter início no momento da lesão ao direito da parte (dia em que o advogado perdeu o prazo), mas sim 
na data do conhecimento do dano, aplicando-se excepcionalmente a actio nata em sua vertente subjetiva. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.622.450/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 16/03/2021 (Info 689). 
 
- Os hotéis são obrigados a pagar direitos autorais pelo fato de terem, em seus quartos, televisores, mesmo 
que a transmissão seja de TV por assinatura. 
a) A disponibilização de equipamentos em quarto de hotel, motel ou afins para a transmissão de obras musicais, 
literomusicais e audiovisuais permite a cobrança de direitos autorais pelo Escritório Central de Arrecadação e 
Distribuição - ECAD. 
b) A contratação por empreendimento hoteleiro de serviços de TV por assinatura não impede a cobrança de 
direitos autorais pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição - ECAD, inexistindo bis in idem. 
STJ. 2ª Seção. REsp 1.870.771/SP, Rel. Min. Antônio Carlos Ferreira, julgado em 24/03/2021 (Recurso 
Repetitivo – Tema 1066) (Info 692). 
 
- Se, no interior do ônibus, ficam sendo tocadas músicas na rádio, a empresa proprietária deverá pagar 
direitos autorais, recolhendo tais valores ao ECAD. 
Os ônibus de transporte de passageiros são considerados locais de frequência coletiva para fins de proteção de 
direitos autorais, o que gera dever de repasse ao ECAD. 
A execução, via rádio, de obras intelectuais (músicas) no interior dos transportes coletivos (ônibus) pressupõe 
intuito de lucro, fomentando a atividade empresarial, mesmo que indiretamente, não estando albergada por 
qualquer das exceções contidas no art. 46 da Lei nº 9.610/98. Logo, a empresa deverá pagar os direitos autorais. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.735.931/CE, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 09/03/2021 (Info 688). 
 
26 
 
- O uso da imagem de torcedor inserido no contexto de uma torcida não induz a reparação por danos 
morais quando não configurada a projeção, a identificação e a individualização da pessoa nela 
representada. 
Em regra, a autorização para uso da imagem deve ser expressa; no entanto, a depender das circunstâncias, 
especialmente quando se trata de imagem de multidão, de pessoa famosa ou ocupante de cargo público, há 
julgados do STJ em que se admite o consentimento presumível, o qual deve ser analisado com extrema cautela e 
interpretado de forma restrita e excepcional. 
De um lado, o uso da imagem da torcida - em que aparecem vários dos seus integrantes - associada à partida de 
futebol, é ato plenamente esperado pelos torcedores, porque costumeiro nesse tipo de evento; de outro lado, 
quem comparece a um jogo esportivo não tem a expectativa de que sua imagem seja explorada comercialmente, 
associada à propaganda de um produto ou serviço, porque, nesse caso, o uso não decorre diretamente da 
existência do espetáculo. 
A imagem é a emanação de uma pessoa, a forma com a qual ela se projeta, se identifica e se individualiza no meio 
social. Não há violação ao direito à imagem se a divulgação ocorrida não configura projeção, identificação e 
individualização da pessoa nela representada. 
No caso concreto, o autor não autorizou ainda que tacitamente a divulgação de sua imagem em campanha 
publicitária de automóvel. Ocorre que, pelas circunstâncias, não há que se falar em utilização abusiva da imagem, 
tampouco em dano moral porque o vídeo divulgado não destaca a sua imagem, mostrando o autor durante 
poucos segundos inserido na torcida, juntamente com vários outros torcedores. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.772.593-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/06/2020 (Info 674). 
 
- Na exposição pornográfica não consentida, o fato de o rosto da vítima não estar evidenciado de maneira 
flagrante é irrelevante para a configuração dos danos morais. 
Caso concreto: Paulo e Letícia eram namorados. Paulo tirou fotografias de Letícia em que ela aparece de biquini, 
em poses sensuais, mas sem aparecer seu rosto. Após o fim do relacionamento, Paulo, como forma de vingança, 
publicou tais imagens em um perfil criado no Facebook. Letícia denunciou as publicações por meio dos canais 
disponibilizados pelo Facebook, no entanto, a plataforma não aceitou retirar as fotografias alegando que não são 
fotografias pornográficas (considerando que nãohá nudez), além do fato de não estar sendo exposto de forma 
evidente. 
O STJ não concordou com os argumentos do Facebook e o condenou a pagar indenização por danos morais em 
favor da autora. 
A “exposição pornográfica não consentida”, da qual a “pornografia de vingança” é uma espécie, constituiu uma 
grave lesão aos direitos de personalidade da pessoa exposta indevidamente, além de configurar uma grave forma 
de violência de gênero que deve ser combatida de forma contundente pelos meios jurídicos disponíveis. 
Não há como descaracterizar um material pornográfico apenas pela ausência de nudez total. Neste caso concreto, 
a autora encontra-se sumariamente vestida, em posições com forte apelo sexual. 
O fato de o rosto da vítima não estar evidenciado nas fotos de maneira flagrante é irrelevante para a configuração 
dos danos morais na hipótese, uma vez que a mulher vítima da pornografia de vingança sabe que sua intimidade 
foi indevidamente desrespeitada e, igualmente, sua exposição não autorizada lhe é humilhante e viola 
flagrantemente seus direitos de personalidade. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.735.712-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/05/2020 (Info 672). 
 
- É desnecessária a autorização do titular da obra parodiada que não for verdadeira reprodução da obra 
originária nem lhe implicar descrédito, ainda que a paródia tenha finalidade eleitoral. 
A paródia é uma das limitações do direito de autor, com previsão no art. 47 da Lei 9.610/98, que prevê serem livres 
as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra originária nem lhe implicarem descrédito. 
Respeitadas essas condições, é desnecessária a autorização do titular da obra parodiada. 
A finalidade da paródia, se comercial, eleitoral, educativa, puramente artística ou qualquer outra, é indiferente para 
a caracterização de sua licitude e liberdade assegurada pela Lei nº 9.610/98. 
Caso concreto: durante sua campanha de reeleição para Deputado Federal em 2014, o humorista Tiririca fez uma 
paródia da música “O Portão”, de autoria de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, na qual pedia votos. O STJ entendeu 
que não era devida indenização para o titular dos direitos autorais porque, em regra, não é necessária prévia 
autorização para a realização de paródias. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.810.440-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/11/2019 (Info 661). 
27 
 
- Ainda que a intérprete tenha autorizado a gravação e produção de um fonograma, a reprodução e 
comercialização do material obtido, em CD, precisa de sua nova anuência, não se podendo dizer que estava 
abrangida pela primeira autorização. 
A fixação de uma interpretação em fonograma não é suficiente para absorver o direito prévio do intérprete, 
tampouco deriva em anuência para sua reprodução sucessiva ou em cessão definitiva de todos os direitos 
titularizados pelo intérprete e demais titulares de direitos de autor ou conexos. 
Os direitos do artista intérprete estão elencados nos incisos do art. 90 da Lei nº 9.610/98, e a disposição de cada 
um deles não presume a cessão dos demais, devendo-se interpretar restritivamente os contratos de cessão de 
direitos autorais. 
Caso concreto: Juliana, cantora, foi contratada pela “VAM Ltda” (empresa produtora de mídias) para gravar a 
canção “La vem Emília”. Ao ser contratada, Juliana foi informada de que a música seria utilizada como tema da 
personagem Emília, no programa de TV “Sítio do Pica Pau Amarelo”. Posteriormente, esse fonograma foi incluído 
em um CD intitulado Sítio do Pica-Pau Amarelo produzido pela “VAM Ltda”. Ocorre que Juliana não foi comunicada 
de que a música seria inserida no CD, além de a produtora não ter inserido o nome da intérprete nos créditos. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.400.463-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/11/2019 (Info 661). 
 
- A utilização do trecho de maior sucesso de uma música como título de programa televisivo, em conjunto 
com o fonograma, sem autorização do titular do direito, viola os direitos do autor. 
Caso concreto: a música de maior sucesso do cantor de funk MC Leozinho é intitulada “Ela só pensa em beijar”. 
No refrão da música existe a seguinte frase: “Se ela dança, eu danço”. 
Alguns anos depois da música ser lançada, a produtora do cantor recebeu um e-mail no qual o SBT pediu para 
usar a obra na abertura de um programa, mas, em virtude do baixo valor oferecido e dos interesses comerciais 
que mantinha com outra emissora, o cantor não concedeu a autorização. A despeito disso, alguns meses depois, 
o programa estreou, tendo se apropriado do refrão, como nome, e do fonograma, como fundo musical. 
Em sua defesa, o SBT sustentou que o envio do e-mail para a produtora do cantor, no qual solicitou autorização 
para utilizar a música, foi feito nos termos previstos em ajuste existente entre as partes, e que a falta de resposta 
significaria autorização tácita. 
O STJ não concordou com o argumento porque considera que o uso de obra literária, artística ou científica 
depende de autorização expressa e prévia do autor, nos termos do art. 29 da Lei de Direitos Autorais (Lei nº 
9.618/98). 
A escolha do trecho de maior sucesso da obra musical como título de programa televisivo e seu uso em conjunto 
com o fonograma, gerou uma associação inadequada do autor da obra musical com a emissora, que utilizou o 
sucesso da música como título em sua programação semanal também como forma de atrair audiência. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.704.189-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 13/10/2020 (Info 681). 
 
- Biografias: autorização prévia e liberdade de expressão. 
Para que seja publicada uma biografia NÃO é necessária autorização prévia do indivíduo biografado, das demais 
pessoas retratadas, nem de seus familiares. Essa autorização prévia seria uma forma de censura, não sendo 
compatível com a liberdade de expressão consagrada pela CF/88. As exatas palavras do STF foram as seguintes: 
“É inexigível o consentimento de pessoa biografada relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais, 
sendo por igual desnecessária a autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes ou de familiares, em caso 
de pessoas falecidas ou ausentes”. 
Caso o biografado ou qualquer outra pessoa retratada na biografia entenda que seus direitos foram violados pela 
publicação, terá direito à reparação, que poderá ser feita não apenas por meio de indenização pecuniária, como 
também por outras formas, tais como a publicação de ressalva, de nova edição com correção, de direito de 
resposta etc. 
STF. Plenário. ADI 4815/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/6/2015 (Info 789). 
 
- Utilização indevida da imagem da pessoa em propaganda político-eleitoral. 
Configura dano moral indenizável a divulgação não autorizada da imagem de alguém em material impresso de 
propaganda político-eleitoral, independentemente da comprovação de prejuízo. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.217.422-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 23/9/2014 (Info 549). 
 
 
28 
 
- Divulgação não autorizada de foto de pessoa física em campanha publicitária. 
Configura dano moral a divulgação não autorizada de foto de pessoa física em campanha publicitária promovida 
por sociedade empresária com o fim de, mediante incentivo à manutenção da limpeza urbana, incrementar a sua 
imagem empresarial perante a população, ainda que a fotografia tenha sido capturada em local público e sem 
nenhuma conotação ofensiva ou vexaminosa. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.307.366-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 3/6/2014 (Info 546). 
 
- Existe ofensa mesmo que a veiculação não tenha caráter vexatório. 
A ofensa ao direito à imagem materializa-se com a mera utilização da imagem sem autorização, ainda que não 
tenha carâter vexatório ou que não viole a honra ou a intimidade da pessoa, e desde que o conteúdo exibido seja 
capaz de individualizar o ofendido. 
A obrigação de reparação decorre do próprio uso indevido do direitopersonalíssimo, não sendo devido exigir-se 
a prova da existência de prejuízo ou dano. O dano é a própria utilização indevida da imagem. 
STJ. 4ª Turma. REsp 794.586/RJ. Rel. Min. Raul Araújo. Julgado em 15/03/2012. 
 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 137 DO STJ - DOS DIREITOS DE PERSONALIDADE I 
1) O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que não seja permanente 
nem geral. (Enunciado n. 4 da I Jornada de Direito Civil do CJF) 
 
2) A pretensão de reconhecimento de ofensa a direito da personalidade é imprescritível. 
 
3) A ampla liberdade de informação, opinião e crítica jornalística reconhecida constitucionalmente à imprensa não 
é um direito absoluto, encontrando limitações, tais como a preservação dos direitos da personalidade. 
 
4) No tocante às pessoas públicas, apesar de o grau de resguardo e de tutela da imagem não ter a mesma 
extensão daquela conferida aos particulares, já que comprometidos com a publicidade, restará configurado o 
abuso do direito de uso da imagem quando se constatar a vulneração da intimidade ou da vida privada. 
 
5) Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com 
fins econômicos ou comerciais. (Súmula n. 403/STJ) 
 
6) A divulgação de fotografia em periódico (impresso ou digital) para ilustrar matéria acerca de manifestação 
popular de cunho político-ideológico ocorrida em local público não tem intuito econômico ou comercial, mas 
tão-somente informativo, ainda que se trate de sociedade empresária, não sendo o caso de aplicação da 
Súmula n. 403/STJ. 
 
7) A publicidade que divulgar, sem autorização, qualidades inerentes a determinada pessoa, ainda que sem 
mencionar seu nome, mas sendo capaz de identificá-la, constitui violação a direito da personalidade. 
(Enunciado n. 278 da IV Jornada de Direito Civil do CJF) 
 
8) O uso e a divulgação, por sociedade empresária, de imagem de pessoa física fotografada isoladamente em 
local público, em meio a cenário destacado, sem nenhuma conotação ofensiva ou vexaminosa, configura dano 
moral decorrente de violação do direito à imagem por ausência de autorização do titular. 
 
9) O uso não autorizado da imagem de menores de idade gera dano moral in re ipsa. 
 
10) A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento, ou 
seja, o direito de não ser lembrado contra sua vontade, especificamente no tocante a fatos desabonadores à honra. 
(Vide Enunciado n. 531 da IV Jornada de Direito Civil do CJF) 
SUPERADA! 
Isso porque o STF decidiu que o ordenamento jurídico brasileiro não consagra o denominado direito ao 
esquecimento: 
É incompatível com a Constituição a ideia de um direito ao esquecimento, assim entendido como o poder 
de obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos 
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29 
 
e publicados em meios de comunicação social analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos no 
exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a caso, a partir dos 
parâmetros constitucionais – especialmente os relativos à proteção da honra, da imagem, da privacidade e 
da personalidade em geral – e as expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e cível. STF. 
Plenário. RE 1010606/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2021 (Repercussão Geral – Tema 786) (Info 
1005). 
 
11) Quando os registros da folha de antecedentes do réu são muito antigos, admite-se o afastamento de sua 
análise desfavorável, em aplicação à teoria do direito ao esquecimento. 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 138 DO STJ - DOS DIREITOS DE PERSONALIDADE II 
1) O dano moral extrapatrimonial atinge direitos de personalidade do grupo ou da coletividade como realidade 
massificada, não sendo necessária a demonstração de da dor, da repulsa, da indignação, tal qual fosse um 
indivíduo isolado. 
 
2) A imunidade conferida ao advogado para o pleno exercício de suas funções não possui caráter absoluto, 
devendo observar os parâmetros da legalidade e da razoabilidade, não abarcando violações de direitos da 
personalidade, notadamente da honra e da imagem de outras partes ou de profissionais que atuem no 
processo. 
 
3) A voz humana encontra proteção nos direitos da personalidade, seja como direito autônomo ou como parte 
integrante do direito à imagem ou do direito à identidade pessoal. 
 
4) O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível, assentado 
no princípio da dignidade da pessoa humana. 
 
5) A regra no ordenamento jurídico é a imutabilidade do prenome, um direito da personalidade que designa o 
indivíduo e o identifica perante a sociedade, cuja modificação revela-se possível, no entanto, nas hipóteses 
previstas em lei, bem como em determinados casos admitidos pela jurisprudência. 
 
6) O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua classificação de 
gênero no registro civil, exigindo-se, para tanto, nada além da manifestação de vontade do indivíduo, em 
respeito aos princípios da identidade e da dignidade da pessoa humana, inerentes à personalidade. 
 
7) É possível a modificação do nome civil em decorrência do direito à dupla cidadania, de forma a unificar os 
registros à luz dos princípios da verdade real e da simetria. 
 
8) A continuidade do uso do sobrenome do ex-cônjuge, à exceção dos impedimentos elencados pela legislação 
civil, afirma-se como direito inerente à personalidade, integrando-se à identidade civil da pessoa e identificando-
a em seu entorno social e familiar. 
 
9) O direito ao nome, enquanto atributo dos direitos da personalidade, torna possível o restabelecimento do 
nome de solteiro após a dissolução do vínculo conjugal em decorrência da morte. 
 
10) Em caso de uso indevido do nome da pessoa com intuito comercial, o dano moral é in re ipsa. 
 
11) Não se exige a prova inequívoca da má-fé da publicação (actual malice), para ensejar a indenização pela 
ofensa ao nome ou à imagem de alguém. 
 
12) Os pedidos de remoção de conteúdo de natureza ofensiva a direitos da personalidade das páginas 
de internet, seja por meio de notificação do particular ou de ordem judicial, dependem da localização 
inequívoca da publicação (Universal Resource Locator - URL), correspondente ao material que se pretende 
remover. 
 
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30 
 
CAPÍTULO III 
DA AUSÊNCIA 
 
Seção I 
Da Curadoria dos Bens do Ausente 
Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado 
representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer 
interessado ou do Ministério Público, declarará a AUSÊNCIA, e nomear-lhe-á CURADOR. 
 
 
Art. 23. Também se declarará a AUSÊNCIA, e se nomeará CURADOR, quando o ausente deixar mandatário que 
não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato, ou se os seus poderes forem insuficientes. 
 
 
Art. 24. O juiz, que nomear o curador, fixar-lhe-á os poderes e obrigações, conforme as circunstâncias, 
observando, no que for aplicável, o disposto a respeito dos tutores e curadores. 
 
 
Art. 25. O CÔNJUGE DO AUSENTE, sempre que NÃO ESTEJA separado judicialmente, ou de fato por mais de 
dois anos antes da declaração da ausência, será o seu legítimo curador. 
 
§ 1o Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente incumbe aos PAIS ou aos DESCENDENTES, NESTA 
ORDEM, não havendo impedimento que os iniba de exercer o cargo. 
 
§ 2o Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos. 
 
§ 3o Na falta das pessoas mencionadas, compete ao JUIZ A ESCOLHA DO CURADOR. 
 
CURADORIA DOS BENS DO AUSENTE 
Hipóteses 
- Pessoa desaparece do seu domicílio sem dela haver notícias, se não houver 
deixado representante ou procurador; 
- Mandatário que não queira exercer ou continuar o mantado; 
- Mandatário que não possa exercer ou continuar o mantado; 
- Mandatário com poderes insuficientes. 
Legitimados p/ Requerer 
- Qualquer interessado; ou 
- Ministério Público. 
Curador 
- Regra  cônjuge, salvo se estiver separado judicialmente (qualquer tempo) ou 
de fato (mais de 2 anos). 
- Na falta do cônjuge (ordem obrigatória): pais ou descendentes (os mais 
próximos precedem os mais remotos). 
- Na falta de todos: compete ao juiz escolher o curador. 
 
Seção II 
Da Sucessão Provisória 
Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou representante ou procurador, 
em se passando três anos, PODERÃO os interessados requerer que se declare a ausência e se abra 
PROVISORIAMENTE A SUCESSÃO. 
 
1 ano Da arrecadação dos bens do ausente 
3 anos Ausente deixou representante ou procurador 
 
 
 
 
31 
 
Art. 27. Para o efeito previsto no artigo anterior, somente se consideram INTERESSADOS: 
I - o cônjuge não separado judicialmente; [INCLUI-SE O(A) COMPANHEIRO(A)] 
II - os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários; 
III - os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte; 
IV - os credores de obrigações vencidas e não pagas. 
 
 
Art. 28. A sentença que determinar a ABERTURA DA SUCESSÃO PROVISÓRIA só produzirá efeito cento e oitenta 
dias DEPOIS de publicada pela imprensa; mas, logo que passe em julgado, proceder-se-á à abertura do 
testamento, se houver, e ao inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido. 
 
Abertura do testamento (se houver), inventário e partilha: - logo após o trânsito em julgado 
Efeitos da sentença de abertura da sucessão provisória: 
- somente após 180 dias depois da publicação 
da sentença pela imprensa 
 
§ 1o Findo o prazo a que se refere o art. 26, e não havendo interessados na sucessão provisória, cumpre ao 
Ministério Público requerê-la ao juízo competente. 
 
§ 2o Não comparecendo herdeiro ou interessado para requerer o inventário até trinta dias depois de passar 
em julgado a sentença que mandar abrir a sucessão provisória, proceder-se-á à arrecadação dos bens do 
ausente pela forma estabelecida nos arts. 1.819 a 1.823. 
 
 
Art. 29. Antes da partilha, o juiz, quando julgar conveniente, ordenará a conversão dos bens MÓVEIS, sujeitos a 
deterioração ou a extravio, em IMÓVEIS ou em TÍTULOS GARANTIDOS PELA UNIÃO. 
 
 
Art. 30. Os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão GARANTIAS da restituição deles, 
mediante penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões respectivos. 
 
§ 1o Aquele que tiver direito à posse provisória, mas não puder prestar a garantia exigida neste artigo, será 
EXCLUÍDO, mantendo-se os bens que lhe deviam caber sob a administração do curador, ou de outro herdeiro 
designado pelo juiz, e que preste essa garantia. 
 
§ 2o Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua qualidade de herdeiros, poderão, 
INDEPENDENTEMENTE DE GARANTIA, entrar na posse dos bens do ausente. 
 
DISPENSADOS DA GARANTIA: 
- ascendentes 
- descendentes 
- cônjuge 
 
 
Art. 31. Os IMÓVEIS do ausente só se poderão alienar, NÃO SENDO POR DESAPROPRIAÇÃO, ou hipotecar, 
quando o ordene o juiz, para lhes evitar a ruína. 
 
 
Art. 32. Empossados nos bens, os sucessores provisórios ficarão representando ativa e passivamente o ausente, 
de modo que contra eles correrão as ações pendentes e as que de futuro àquele forem movidas. 
 
 
Art. 33. O DESCENDENTE, ASCENDENTE ou CÔNJUGE que for sucessor provisório do ausente, fará seus todos os 
frutos e rendimentos dos bens que a este couberem; os OUTROS SUCESSORES, porém, deverão capitalizar 
metade desses frutos e rendimentos, segundo o disposto no art. 29, de acordo com o representante do Ministério 
Público, e prestar anualmente contas ao juiz competente. 
32 
 
Parágrafo único. Se o ausente aparecer, e ficar provado que a ausência foi voluntária e injustificada, perderá ele, 
em favor do sucessor, sua parte nos frutos e rendimentos. 
 
Cônjuge, Ascendente e Descendente Todos os frutos e rendimentos 
Outros sucessores Metade dos frutos e rendimentos 
 
 
Art. 34. O EXCLUÍDO, segundo o art. 30, da posse provisória poderá, justificando falta de meios, requerer lhe 
seja entregue METADE dos rendimentos do quinhão que lhe tocaria. 
 
 
Art. 35. Se DURANTE a posse provisória se provar a época exata do falecimento do ausente, considerar-se-á, 
nessa data, aberta a sucessão em favor dos herdeiros, que o eram àquele tempo. 
 
 
Art. 36. Se o ausente aparecer, ou se lhe provar a existência, depois de estabelecida a posse provisória, CESSARÃO 
para logo as vantagens dos sucessores nela imitidos, ficando, todavia, obrigados a tomar as medidas 
assecuratórias precisas, até a entrega dos bens a seu dono. 
 
Seção III 
Da Sucessão Definitiva 
Art. 37. Dez anos DEPOIS de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória, 
poderão os interessados requerer a SUCESSÃO DEFINITIVA e o levantamento das cauções prestadas. 
 
 
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta oitenta anos de idade, 
e que de cinco datam as últimas notícias dele. 
 
 
Art. 39. REGRESSANDO o ausente nos dez anos SEGUINTES à abertura da sucessão definitiva, ou algum de seus 
descendentes ou ascendentes, aquele ou estes haverão só os bens existentes no estado em que se acharem, os 
sub-rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens 
alienados depois daquele tempo. 
Parágrafoúnico. Se, nos dez anos a que se refere este artigo, o ausente não regressar, e nenhum interessado 
promover a sucessão definitiva, os bens arrecadados passarão ao domínio do MUNICÍPIO ou do DISTRITO 
FEDERAL, se localizados nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da UNIÃO, quando situados 
em território federal. 
 
 
TÍTULO II 
DAS PESSOAS JURÍDICAS 
 
CAPÍTULO I 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
TEORIAS SOBRE A EXISTÊNCIA DA PESSOA JURÍDICA 
TEORIA DA FICÇÃO 
(SAVIGNY) 
Sustentava que a pessoa jurídica seria um sujeito com existência ideal, ou seja, 
fruto da técnica jurídica. As pessoas jurídicas seriam pessoas por ficção legal, 
uma vez que somente os sujeitos dotados de vontade poderiam por si mesmos 
titularizar direitos subjetivos. A pessoa jurídica não teria uma função social, teria 
uma existência abstrata, ideal. 
Crítica: recai no fato de negar a atuação social da pessoa jurídica, ela participa 
de relações sociais, esta teoria é extremamente abstrata, demais. A pessoa 
jurídica integra as relações sociais. Como reconhecer à ficção, mero artifício, a 
33 
 
natureza de um ente que tem indiscutível existência real? Se a PJ é uma criação 
de lei, mera abstração, quem haveria criado o Estado, PJ de direito público por 
excelência? 
TEORIA DA REALIDADE 
OBJETIVA OU ORGANICISTA 
(CLÓVIS BEVILÁQUA) 
É o contraponto da teoria da ficção. Para ela, a pessoa jurídica não seria fruto da 
técnica jurídica, mas sim um organismo social vivo. Para este pensamento a 
pessoa jurídica teria uma atuação social, sendo um organismo social vivo. 
Crítica: recai no fato de o erro não reconhecer a atuação social. O erro é dizer 
que a PJ é criada pela sociologia e não pelo direito. 
TEORIA DA REALIDADE 
TÉCNICA 
(FERRARA) 
ADOTADA 
Aproveitando elementos das duas correntes anteriores, é mais equilibrada. 
Afirma que a pessoa jurídica teria existência real, não obstante a sua 
personalidade ser conferida pelo direito. Posto a pessoa jurídica seja 
personificada pelo direito, tem a atuação social na condição de sujeito de 
direito. Sem olvidar que a personalidade jurídica é concedida pelo direito, ela 
tem função social. 
 
Art. 40. As pessoas jurídicas são de direito PÚBLICO, INTERNO OU EXTERNO, e de direito PRIVADO. 
 
 
Art. 41. São pessoas jurídicas de direito PÚBLICO INTERNO: 
I - a União; 
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; 
III - os Municípios; 
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; 
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei. 
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado 
estrutura de direito privado, regem-se, NO QUE COUBER, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste 
Código. 
 
 
Art. 42. São pessoas jurídicas de direito PÚBLICO EXTERNO os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem 
regidas pelo direito internacional público. 
 
 
Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que 
nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se 
houver, por parte destes, culpa ou dolo. 
 
 
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito PRIVADO: 
I - as associações; 
II - as sociedades; 
III - as fundações. 
IV - as organizações religiosas; 
V - os partidos políticos. 
VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada. 
 
§ 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS, 
sendo VEDADO ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários 
ao seu funcionamento. 
 
§ 2o As disposições concernentes às ASSOCIAÇÕES aplicam-se SUBSIDIARIAMENTE às SOCIEDADES que são 
objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. 
 
§ 3o Os PARTIDOS POLÍTICOS serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. 
34 
 
PESSOAS JURÍDICAS 
DIREITO PÚBLICO 
(Art. 41, CC) 
- INTERNO (Art. 41, I a V, CC) 
• União 
• Estados, o Distrito Federal e os Territórios 
• Municípios 
• Autarquias, inclusive as associações públicas 
• Demais entidades de caráter público criadas por lei 
- EXTERNO (Art. 41, p.ú., CC) 
• Estados estrangeiros 
• Todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional 
público 
DIREITO PRIVADO 
(Art. 44, CC) 
• Associações 
• Sociedades 
• Fundações 
• Organizações Religiosas 
• Partidos Políticos 
• Empresas Individuais de Responsabilidade Limitada - EIRELI 
 
 
Art. 45. Começa a EXISTÊNCIA LEGAL das pessoas jurídicas de direito PRIVADO com a inscrição do ato 
constitutivo no respectivo registro (CRPJ: cartório de registro de pessoa jurídica), PRECEDIDA, quando 
necessário, de autorização ou aprovação do poder executivo, AVERBANDO-SE no registro todas as alterações 
por que passar o ato constitutivo. 
 
INÍCIO DA PERSONALIDADE CIVIL 
Pessoas físicas Pessoas jurídicas de direito privado 
Com o nascimento com vida. 
Com a inscrição do ato constitutivo no respectivo 
registro, precedida de autorização ou aprovação do 
Poder Executivo, quando necessária. 
 
Parágrafo único. DECAI em três anos o direito de ANULAR a constituição das pessoas jurídicas de direito 
privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. 
 
ANULAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO 
DAS PESSOAS JURÍDICAS DE 
DIREITO PRIVADO 
Motivo Defeito do ato respectivo 
Prazo 3 anos (decadencial) 
Contagem Publicação de sua incrição no registro 
 
 
Art. 46. O registro declarará: 
 
I - a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver; 
 
II - o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores; 
 
III - o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; 
 
IV - se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo; 
 
Registro da Pessoa Natural Registro da Pessoa Física 
Eficácia declaratória Eficácia constitutiva 
Ex tunc Ex nunc 
 
V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais; 
 
35 
 
VI - as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso. 
 
 
Art. 47. OBRIGAM a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos 
no ato constitutivo. 
 
 
Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração COLETIVA, as decisões se tomarão pela MAIORIA DE VOTOS DOS 
PRESENTES, SALVO se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. 
Parágrafo único. DECAI em três anos o direito de ANULAR as decisões a que se refere este artigo, quando 
violarem a LEI ou ESTATUTO, ou forem eivadas de ERRO, DOLO, SIMULAÇÃO ou FRAUDE. 
BIZU: Falou em pessoa jurídica, o prazo decadencial é de 3 anos (arts. 45 e 48)! 
 
 
Art. 49. Se a administração da pessoa jurídica vier a faltar, o juiz, a requerimento de qualquer interessado, 
nomear-lhe-á ADMINISTRADOR PROVISÓRIO. 
 
 
Art. 49-A. A pessoa jurídica NÃO SE CONFUNDE com os seus sócios, associados, instituidores ou 
administradores. 
Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação 
de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, 
renda e inovação em benefício de todos. 
 
 
Art. 50. Em caso de ABUSO DA PERSONALIDADE JURÍDICA, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela 
confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir 
no processo, DESCONSIDERÁ-LA para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam 
estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou 
indiretamente pelo abuso. 
 
§ 1º Para os fins do disposto neste artigo, DESVIODE FINALIDADE é a utilização da pessoa jurídica com o propósito 
de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. 
 
§ 2º Entende-se por CONFUSÃO PATRIMONIAL a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada 
por: 
I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; 
II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente 
insignificante; e 
III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. 
 
§ 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo TAMBÉM SE APLICA à extensão das obrigações de sócios 
ou de administradores à pessoa jurídica. (DESCONSIDERAÇÃO INVERSA) 
 
§ 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo NÃO 
AUTORIZA a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. 
 
§ 5º NÃO CONSTITUI desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade 
econômica específica da pessoa jurídica. 
 
 
 
 
 
36 
 
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA (DISREGARD DOCTRINE) NO CC 
Hipóteses de Cabimento 
Abuso da personalidade jurídica: 
- desvio de finalidade 
- confusão patrimonial 
Legitimidade p/ 
Requerer 
- Parte ou 
- MP, quando lhe couber intervir no processo 
Teoria Adotada 
Teoria Maior 
- Requisitos: 
• abuso da personalidade jurídica (desvido de finalidade ou confusão patrimonial) e 
• prejuízo ao credor 
Desconsideração 
x 
 Despersonalização 
- Desconsideração (art. 50) 
A pessoa jurídica não é extinta, havendo apenas uma ampliação de 
responsabilidades, com a desconsideração da regra segundo a qual a pessoa jurídica 
não se confunde com os seus membros. 
 
- Despersonalização (art. 51) 
A pessoa jurídica é extinta (dissolvida), com a apuração do ativo e do passivo. 
Conforme a lei, nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização 
para seu funcionamento, ela subsistirá para os funs de liquidação, até que esta se 
conclua. 
Espécies 
- Ordinária: Permite o atingimento do patrimônio pessoal dos sócios e/ou 
administradores por dívida da PJ. 
 
- Inversa: Permite o atingimento do patrimônio da PJ por dívidas de seus sócios. 
 
- Indireta: Permite o atingimento do patrimônio da sociedade controladora por atos 
abusivos e fraudulentos praticados por meio da controlada. 
 
- Expansiva: Permite o atingimento do patrimônio oculto através de interpostas 
pessoas. 
 
#INFO 
JURISPRUDÊNCIA SOBRE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 
- Requisitos para a desconsideração da personalidade jurídica no Código Civil. 
O encerramento das atividades ou dissolução da sociedade, ainda que irregulares, não é causa, por si só, para a 
desconsideração da personalidade jurídica prevista no Código Civil. 
STJ. 2ª Seção. EREsp 1.306.553-SC, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 10/12/2014 (Info 554). 
 
- A instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica não exige prova de inexistência 
de bens do devedor. 
Nas causas em que a relação jurídica for cível-empresarial, a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica 
será regulada pelo art. 50 do Código Civil. 
A inexistência ou não localização de bens da pessoa jurídica não é condição para a desconsideração da 
personalidade jurídica. 
O que se exige é a demonstração da prática de desvio de finalidade ou de confusão patrimonial (art. 50 do CC). 
Assim, o incidente de desconsideração da personalidade jurídica pode ser instaurado mesmo nos casos em que 
não for comprovada a inexistência de bens do devedor. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1729554/SP, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 08/05/2018. 
 
- Não há condenação em honorários advocatícios em incidente de desconsideração da personalidade 
jurídica. 
Em regra, não é cabível a condenação em honorários advocatícios em qualquer incidente processual, ressalvados 
os casos excepcionais. 
37 
 
Tratando-se de incidente de desconsideração da personalidade jurídica, não cabe a condenação nos ônus 
sucumbenciais em razão da ausência de previsão legal. Logo, é irrelevante apurar quem deu causa ou foi 
sucumbente no julgamento final do incidente. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.845.536-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado 
em 26/05/2020 (Info 673). 
 
- Desconsideração inversa da personalidade jurídica. 
Se o sócio controlador de sociedade empresária transferir parte de seus bens à pessoa jurídica controlada com o 
intuito de fraudar partilha em dissolução de união estável, a companheira prejudicada, ainda que integre a 
sociedade empresária na condição de sócia minoritária, terá legitimidade para requerer a desconsideração inversa 
da personalidade jurídica de modo a resguardar sua meação. 
É possível a desconsideração inversa da personalidade jurídica sempre que o cônjuge ou companheiro empresário 
valer-se de pessoa jurídica por ele controlada, ou de interposta pessoa física, a fim de subtrair do outro cônjuge 
ou companheiro direitos oriundos da sociedade afetiva. A legitimidade para requerer essa desconsideração é 
daquele que foi lesado por essas manobras, ou seja, do outro cônjuge ou companheiro, sendo irrelevante o fato 
deste ser sócio da empresa. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.236.916-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/10/2013 (Info 533). 
 
- Desconsideração incidental da personalidade jurídica. 
O juiz pode determinar, de forma incidental, nos autos da execução singular ou coletiva, a desconsideração da 
personalidade jurídica. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.326.201-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi. Julgado em 07/05/2013 (Info 524). 
 
- (I)legitimidade da pessoa jurídica para recorrer contra a decisão que determina a desconsideração. 
À pessoa jurídica interessa a preservação de sua boa fama, assim como a punição de condutas ilícitas que venham 
a deslustrá-la. Dessa forma, quando o anúncio de medida excepcional e extrema que desconsidera a personalidade 
jurídica tiver potencial bastante para atingir o patrimônio moral da sociedade, à pessoa jurídica será conferida a 
legitimidade para recorrer daquela decisão. 
A lesão injusta ao patrimônio moral, que é valor agregado à pessoa jurídica, é fundamento bastante a legitimá-la 
à interposição do recurso com vistas à recomposição do estado normal das coisas alterado pelo anúncio da 
desconsideração, sempre com vistas à defesa de sua autonomia e regular administração. 
STJ. 4° Turma. REsp 1208852/SP, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 12/05/2015. 
(...) Se a pessoa jurídica, diante do decreto da desconsideração de sua personalidade, defende sua própria 
autonomia, sem pretender livrar o patrimônio de outros que venham a ser atingido pela medida, há interesse de 
agir. (...) 
STJ. 4° Turma. Aglnt no REsp 1417440/SP, Rei. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 04/08/2016. 
 
- Membros do conselho fiscal de uma cooperativa não podem ser atingidos pela desconsideração da 
personalidade jurídica se não praticaram nenhum ato de administração. 
A desconsideração da personalidade jurídica, ainda que com fundamento na Teoria Menor, não pode atingir o 
patrimônio pessoal de membros do Conselho Fiscal sem que haja a mínima presença de indícios de que estes 
contribuíram, ao menos culposamente e com desvio de função, para a prática de atos de administração. 
Caso concreto: consumidor comprou um imóvel de um cooperativa habitacional, mas este nunca foi entregue; o 
consumidor ajuizou ação de cobrança contra a cooperativa, tendo o pedido sido julgado procedente para devolver 
os valores pagos; durante o cumprimento de sentença, o juiz, com base na teoria menor, fez a desconsideração 
da personalidade jurídica para atingir o patrimônio pessoal dos membros do Conselho Fiscal da cooperativa; o STJ 
afirmou que eles não poderiam ter sido atingidos. 
A despeito de não se exigir prova de abusoou fraude para fins de aplicação da Teoria Menor da desconsideração 
da personalidade jurídica, tampouco de confusão patrimonial, o § 5º do art. 28 do CDC não dá margem para 
admitir a responsabilização pessoal de quem jamais atuou como gestor da empresa. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.766.093-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 
julgado em 12/11/2019 (Info 661). 
 
 
38 
 
Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela 
SUBSISTIRÁ para os FINS DE LIQUIDAÇÃO, até que esta se conclua. (DESPERSONALIZAÇÃO DA PESSOA 
JURÍDICA) 
 
§ 1o Far-se-á, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a AVERBAÇÃO de sua dissolução. 
 
§ 2o As disposições para a liquidação das SOCIEDADES APLICAM-SE, no que couber, às demais pessoas jurídicas 
de direito privado. 
 
§ 3o Encerrada a liquidação, promover-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. 
Obs.: Somente após a liquidação haverá o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. 
 
 
Art. 52. APLICA-SE às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da PERSONALIDADE. 
- Súmula nº 227, STJ: “A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.” 
 
CAPÍTULO II 
DAS ASSOCIAÇÕES 
Art. 53. Constituem-se as ASSOCIAÇÕES pela união de pessoas (2 ou mais) que se organizem para fins não 
econômicos. 
 
ASSOCIAÇÕES SOCIEDADES 
Não tem fins lucrativos Tem fins lucrativos 
 
Parágrafo único. NÃO HÁ, entre os associados, direitos e obrigações RECÍPROCOS. 
 
 
Art. 54. Sob pena de nulidade, o ESTATUTO das associações conterá: 
I - a denominação, os fins e a sede da associação; 
II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; 
III - os direitos e deveres dos associados; 
IV - as fontes de recursos para sua manutenção; 
V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; 
VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. 
VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. 
 
 
Art. 55. Os ASSOCIADOS devem ter iguais direitos, mas o ESTATUTO poderá instituir categorias com vantagens 
especiais. 
 
 
Art. 56. A qualidade de associado é INTRANSMISSÍVEL, se o estatuto NÃO DISPUSER o contrário. 
Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência 
daquela NÃO IMPORTARÁ, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, 
SALVO disposição diversa do estatuto. 
 
 
Art. 57. A EXCLUSÃO DO ASSOCIADO só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento 
que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. 
 
 
Art. 58. NENHUM associado poderá ser IMPEDIDO de exercer direito ou função que lhe tenha sido 
legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou no estatuto. 
 
39 
 
Art. 59. Compete PRIVATIVAMENTE à ASSEMBLÉIA GERAL: 
I – destituir os administradores; 
II – alterar o estatuto. 
Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é EXIGIDO deliberação da 
assembléia especialmente convocada para esse fim, cujo quorum será o estabelecido no estatuto, bem como os 
critérios de eleição dos administradores. 
 
#INFO 
- O art. 59 do CC é compatível com a autonomia conferida aos clubes pelo art. 217, I, da CF/88. 
A autonomia das entidades desportivas não é absoluta. 
O art. 59 do CC é compatível com a autonomia constitucional conferida aos clubes pelo art. 217, I, da CF/88. 
STF. 1ª Turma. ARE 935482/SP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 07/02/2017 (Info 853). 
 
 
Art. 60. A convocação dos órgãos deliberativos far-se-á na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos 
associados o direito de PROMOVÊ-LA. 
 
 
Art. 61. Dissolvida a associação, o REMANESCENTE do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, 
as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não 
econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, 
estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. 
 
§ 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação 
do remanescente referida neste artigo, RECEBER EM RESTITUIÇÃO, atualizado o respectivo valor, as contribuições 
que tiverem prestado ao patrimônio da associação. 
 
§ 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, 
instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se DEVOLVERÁ à Fazenda do 
Estado, do Distrito Federal ou da União. 
 
 
ASSOCIAÇÕES 
1. fins não econômicos; 
 
2. não há direitos e obrigações recíprocos; 
 
3. iguais direitos + o estatuto pode instituir categorias especiais; 
 
4. qualidade de associado não transmissível + o estatuto pode prever trasmissão; 
 
5. Exclusão = só em justa causa (tem direito a defesa e recurso); 
 
6. as disposições aplicam-se subsidiariamente as sociedades; 
 
7. competência da assembléia geral: 
a) destituir adm; 
b) alterar estatuto. 
 
#INFO 
- O art. 1.023 do CC, que trata da responsabilidade subsidiária dos sócios da sociedade simples, não se aplica 
às associações civis. 
O Código Civil, ao tratar sobre a responsabilidade das sociedades simples, estabelece o seguinte: 
Art. 1.023. Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas, respondem os sócios pelo saldo, na proporção 
em que participem das perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária. 
40 
 
Esse dispositivo NÃO se aplica às associações civis. 
As associações civis são caracterizadas pela união de pessoas que se organizam para a execução de atividades sem 
fins lucrativos. 
Sociedades simples são formas de execução de atividade empresária, com finalidade lucrativa. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.398.438-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 4/4/2017 (Info 602). 
 
CAPÍTULO III 
DAS FUNDAÇÕES 
Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, DOTAÇÃO ESPECIAL 
DE BENS LIVRES, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. 
 
ASSOCIAÇÕES FUNDAÇÕES 
Têm seu elemento principal nas pessoas. Têm seu elemento essencial no patrimônio. 
São caracterizadas pela união de pessoas que se 
organizam para fins não econômicos (comunhão de 
esforços para um fim comum). 
São universalidades de bens (resultam da afetação de 
um patrimônio e não da união de indivíduos). 
 
Parágrafo único. A fundação SOMENTE PODERÁ CONSTITUIR-SE para fins de: 
I – assistência social; 
II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; 
III – educação; 
IV – saúde; 
V – segurança alimentar e nutricional; 
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; 
VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção 
e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; 
VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos; 
IX – atividades religiosas; e 
 
 
Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro modo não 
dispuser o instituidor, INCORPORADOS EM OUTRA FUNDAÇÃO que se proponha a fim igual ou semelhante. 
 
 
Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é OBRIGADO a transferir-lhe a 
propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, SE NÃO O FIZER, serão registrados, em nome 
dela, por mandado judicial. 
 
 
Art. 65. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo ciência do encargo, formularão 
logo, de acordo comas suas bases (art. 62), o estatuto da fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à 
aprovação da autoridade competente, com recurso ao juiz. 
Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo, em 
cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao MINISTÉRIO PÚBLICO. 
 
 
Art. 66. Velará pelas fundações o ministério público do estado ONDE SITUADAS. 
 
§ 1º Se funcionarem no Distrito Federal ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Público do DISTRITO 
FEDERAL e TERRITÓRIOS. 
#CUIDADO: Não é o MPF. É o MPDFT! 
 
41 
 
§ 2o Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao respectivo 
Ministério Público. 
 
 
Art. 67. Para que se possa ALTERAR o estatuto da fundação é mister que a reforma: 
I - seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação; 
II - não contrarie ou desvirtue o fim desta; 
III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo MÁXIMO de 45 (quarenta e cinco) dias, findo o 
qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado. 
 
 
Art. 68. Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime, os administradores da fundação, ao 
submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público, requererão que se dê ciência à MINORIA VENCIDA para 
impugná-la, se quiser, em dez dias. 
 
 
Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de sua 
existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se 
o seu patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em OUTRA FUNDAÇÃO, 
designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante. 
 
 
TÍTULO III 
Do Domicílio 
 
ESPÉCIES DE DOMICÍLIO 
Domicílio VOLUNTÁRIO 
É aquele fixado pela vontade da pessoa, como exercício da autonomia da 
vontade. 
Domicílio LEGAL OU 
NECESSÁRIO 
É aquele imposto pela lei (art. 76). Não exclui o domicílio voluntário. Ex.: 
domicílio do incapaz. 
Domicílio CONTRATUAL, 
CONVENCIONAL, ESPECIAL 
OU DE ELEIÇÃO 
É aquele previsto no art. 78 do CC, pelo qual, “nos contratos escritos, poderão 
os contratantes especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos 
e obrigações deles resultantes”. Nos contratos é possível eleger um domicílio. 
O foro competente para divergir sobre eventual divergência será aquele eleito. 
Denomina-se cláusula de eleição de foro. 
 
Art. 70. O domicílio da PESSOA NATURAL é o lugar onde ela estabelece a SUA RESIDÊNCIA com ÂNIMO 
DEFINITIVO. 
 
ELEMENTOS O DOMICÍLIO 
Objeto - residência 
Subjetivo - ânimo definitivo 
 
 
Art. 71. Se, porém, a PESSOA NATURAL tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se-á 
domicílio seu QUALQUER DELAS. (DOMICÍLIO PLÚRIMO) 
 
 
Art. 72. É também domicílio da PESSOA NATURAL, quanto às relações concernentes à PROFISSÃO, o lugar onde 
esta é EXERCIDA. 
Parágrafo único. Se a pessoa EXERCITAR PROFISSÃO em lugares diversos, CADA UM DELES constituirá domicílio 
para as relações que lhe corresponderem. 
 
 
42 
 
Art. 73. Ter-se-á por domicílio da PESSOA NATURAL, que NÃO TENHA RESIDÊNCIA HABITUAL, o lugar onde 
for ENCONTRADA. 
 
#EMRESUMO: 
Pessoa Natural - lugar onde estabelece sua residência com ânimo definitivo 
Diversas Residências - qualquer delas 
Relações concernentes à profissão - lugar onde esta é exercida 
Profissão em lugares diversos - cada um deles constituirá domicílio 
Pessoa que não tenha residência habitual - lugar onde for encontrada 
 
 
Art. 74. Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a INTENÇÃO MANIFESTA DE O MUDAR. 
Parágrafo único. A PROVA DA INTENÇÃO resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares, 
que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer, da própria mudança, com as circunstâncias que a 
acompanharem. 
 
 
Art. 75. Quanto às PESSOAS JURÍDICAS, o domicílio é: 
I - da União, o Distrito Federal; 
II - dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; 
III - do Município, o lugar onde funcione a administração municipal; 
IV - das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde 
elegerem domicílio ESPECIAL no seu estatuto ou atos constitutivos. 
 
§ 1o Tendo a pessoa jurídica DIVERSOS ESTABELECIMENTOS em lugares diferentes, CADA UM DELES será 
considerado domicílio para os atos nele praticados. 
 
§ 2o Se a administração, ou diretoria, tiver a SEDE NO ESTRANGEIRO, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, 
no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, 
a que ela corresponder. 
 
DOMICÍLIO DA PESSOA JURÍDICA 
União - Distrito Federal 
Estados e Territórios - Respectivas Capitais 
Município - Lugar onde funciona a administração municipal 
Demais Pessoas Jurídicas 
- Lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações ou 
- Lugar onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos 
 
 
Art. 76. Têm DOMICÍLIO NECESSÁRIO o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso. 
BIZU: MANCHETE DE JORNAL: "SERVIDOR MARÍTIMO E MILITAR É PRESO POR INCAPAZ". 
 
Parágrafo único. O domicílio do INCAPAZ é o do seu representante ou assistente; o do SERVIDOR PÚBLICO, o 
lugar em que exercer permanentemente suas funções; o do MILITAR, onde servir, e, sendo DA MARINHA OU DA 
AERONÁUTICA, a sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado; o do MARÍTIMO, onde o navio 
estiver matriculado; e o do PRESO, o lugar em que cumprir a sentença. 
 
 
 
 
 
43 
 
DOMICÍLIO NECESSÁRIO/LEGAL 
Incapaz - O do seu representante ou assistente 
Servidor Púbico - O lugar em que exerce permanentemente as suas funções 
Militar - O lugar onde serve 
Militar da 
Marinha/Aeronáutica 
- A sede do comando a que se encontra imediatamente subordinado 
Marítimo - O lugar onde o navio estiver maticulado 
Preso - O lugar em que cumpre a sentença 
 
 
Art. 77. O AGENTE DIPLOMÁTICO DO BRASIL, que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem 
designar onde tem, no país, o seu domicílio, poderá ser demandado no DISTRITO FEDERAL ou no ÚLTIMO 
PONTO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO ONDE O TEVE. 
 
 
Art. 78. Nos contratos ESCRITOS, poderão os contratantes ESPECIFICAR DOMICÍLIO onde se exercitem e 
cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. (DOMICÍLIO DE ELEIÇÃO, ESPECIAL, CONTRATUAL OU 
CONVENCIONAL) 
 
 
LIVRO II 
DOS BENS 
 
TÍTULO ÚNICO 
Das Diferentes Classes de Bens 
 
CAPÍTULO I 
Dos Bens Considerados em Si Mesmos 
 
Seção I 
Dos Bens Imóveis 
Art. 79. São BENS IMÓVEIS o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. 
 
 
Art. 80. Consideram-se IMÓVEIS para os efeitos legais: 
I - os direitos REAIS sobre imóveis e as ações que os asseguram; 
II - o direito à sucessão ABERTA. 
 
 
Art. 81. NÃO PERDEM o caráter de IMÓVEIS: 
I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, FOREM REMOVIDAS para outro local; 
II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. 
 
Seção II 
Dos Bens Móveis 
Art. 82. São MÓVEIS os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração 
da substância ou da destinação econômico-social. 
 
 
 
 
44 
 
Art. 83. Consideram-se MÓVEIS para os efeitos legais: 
I - as energias que tenham valor econômico; 
II - os direitos REAIS sobre objetos móveis e as ações correspondentes; 
III - os direitos PESSOAIS de caráter patrimonial e respectivas ações. 
 
 
Art. 84. Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua 
qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio.BENS IMÓVEIS BENS MÓVEIS 
- solo; e 
- tudo quanto for incorporado ao solo natural ou 
artificialmente. 
- bens suscetíveis de movimento próprio; ou 
- bens de remoção por força alheia, sem alteração da 
substância ou da destinação econômico-social. 
BENS IMÓVEIS PARA EFEITOS LEGAIS BENS MÓVEIS PARA EFEITOS LEGAIS 
- direitos reais sobre imóveis e as ações que os 
asseguram; 
- direito à sucessão aberta. 
- energias que tenham valor econômico; 
- direitos reais sobre objetos móveis e as ações 
correspondentes; 
- direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas 
ações. 
 
Seção III 
Dos Bens Fungíveis e Consumíveis 
Art. 85. São FUNGÍVEIS os móveis que podem SUBSTITUIR-SE por outros da mesma espécie, qualidade e 
quantidade. 
Obs.: Pode acontecer de um bem, que por sua natureza seja fungível, tornar-se infungível por vontade das 
partes. Ex.: uma moeda, que é um bem fungível, mas que para um colecionador pode tornar-se infungível. 
 
 
Art. 86. São CONSUMÍVEIS os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância 
(consuntibilidade física), sendo também considerados tais os destinados à alienação (consuntibilidade jurídica 
ou de direito). 
 
Seção IV 
Dos Bens Divisíveis 
Art. 87. Bens DIVISÍVEIS são os que se podem FRACIONAR sem alteração na sua substância, diminuição 
considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam. 
 
 
Art. 88. Os BENS NATURALMENTE DIVISÍVEIS podem tornar-se INDIVISÍVEIS por determinação da lei ou por 
vontade das partes. 
 
Seção V 
Dos Bens Singulares e Coletivos 
Art. 89. São SINGULARES os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente dos 
demais. 
 
 
Art. 90. Constitui UNIVERSALIDADE DE FATO a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, 
tenham destinação unitária. 
Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade PODEM SER objeto de relações jurídicas PRÓPRIAS. 
 
 
Art. 91. Constitui UNIVERSALIDADE DE DIREITO o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de 
valor ECONÔMICO. 
45 
 
UNIVERSALIDADE DE FATO UNIVERSALIDADE DE DIREITO 
Pluralidade de bens singulares que, pertinentes à 
mesma pessoa, tenham destinação unitária. 
Complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, 
dotadas de valor econômico. 
Ex.: biblioteca, coleção, rebanho. Ex.: patrimônio, espólio, massa falida. 
 
CAPÍTULO II 
Dos Bens Reciprocamente Considerados 
Art. 92. PRINCIPAL (ou independente) é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; ACESSÓRIO (ou 
dependente), aquele cuja existência supõe a do principal. 
Princípio da gravitação jurídica: Os bens acessórios seguem a sorte do bem principal, podendo, entretanto, haver 
disposição em contrário pela vontade da lei ou das partes. 
 
 
Art. 93. São PERTENÇAS os bens que, NÃO CONSTITUINDO PARTES INTEGRANTES, se destinam, de modo 
DURADOURO, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. 
 
PERTENÇAS BENFEITORIAS 
Não são partes integrantes do bem 
(não seguem o bem principal). 
São partes integrantes do bem 
(seguem o bem principal). 
Se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço 
ou ao aformoseamento de outro. 
São obras feitas na coisa ou despesas que se teve com 
ela, com o fim de conservá-la, melhorá-la ou 
embelezá-la. 
 
 
Art. 94. Os NEGÓCIOS JURÍDICOS que dizem respeito ao bem principal NÃO ABRANGEM as pertenças, SALVO 
se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso. 
Obs.: Pertença é um bem acessório sobre o qual não incide o princípio da gravitação jurídica, em regra. 
 
#INFO 
- Devedor que perdeu o veículo tem direito de retirar aparelhos instalados no carro para permitir a direção 
por deficiente físico. 
Havendo adaptação de veículo, em momento posterior à celebração do pacto fiduciário, com aparelhos para 
direção por deficiente físico, o devedor fiduciante tem direito a retirá-los quando houver o descumprimento do 
pacto e a consequente busca e apreensão do bem. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.305.183-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/10/2016 (Info 594). 
 
- Equipamento de monitoramento do veículo acoplado no caminhão é considerado pertença e, por isso, 
como regra, não segue a sorte do principal. 
O equipamento de monitoramento acoplado em caminhão é qualificado como pertença e pode ser retirado pelo 
devedor fiduciante que o colocou. 
CC/Art. 94. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, salvo se o 
contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.667.227-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/06/2018 (Info 629). 
 
 
Art. 95. Apesar de ainda NÃO separados do bem principal, os FRUTOS e PRODUTOS podem ser OBJETO de 
negócio jurídico. 
 
 
 
 
46 
 
Art. 96. As BENFEITORIAS podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias. 
 
§ 1o São VOLUPTUÁRIAS as de mero deleite ou recreio, que NÃO AUMENTAM o uso habitual do bem, ainda 
que o TORNEM mais agradável ou SEJAM de elevado valor. 
 
§ 2o São ÚTEIS as que AUMENTAM ou FACILITAM o uso do bem. 
 
§ 3o São NECESSÁRIAS as que têm por fim CONSERVAR o bem ou evitar que SE DETERIORE. 
 
 
Art. 97. NÃO SE CONSIDERAM BENFEITORIAS os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem SEM A 
INTERVENÇÃO do proprietário, possuidor ou detentor. 
 
 
BENS ACESSÓRIOS 
FRUTOS 
- São utilidades que uma coisa periodicamente produz. Nascem e renascem da coisa, 
sem acarretar-lhe a destruição no todo ou em parte, como o café, os cereais, os frutos 
das árvores. 
• Não diminuem o bem principal! 
 
Classificações: 
- Quanto à origem: 
• naturais: são aqueles decorrentes da essência da coisa principal, como as frutas 
produzidas por uma árvore. 
 • industriais: são aqueles decorrentes de uma atividade humana, caso de um material 
produzido por uma fábrica. 
• civis: são aqueles decorrentes de uma relação jurídica ou econômica, de natureza 
privada, também denominados rendimentos. É o caso dos valores decorrentes do aluguel 
de um imóvel, de juros de capital, de dividendos de ações. 
 
- Quanto ao estado em que se encontram: 
• pendentes: são aqueles que estão ligados à coisa principal, e que não foram colhidos. 
Ex.: maçãs que ainda estão presas à macieira. 
• percebidos: são os já colhidos do principal e separados. Ex.: maçãs que foram colhidas 
pelo produtor. 
• estantes: são aqueles frutos que foram colhidos e encontram-se armazenados. Ex.: 
maçãs colhidas e colocadas em caixas em um armazém. 
• percepiendos: são os frutos que deveriam ter sido colhidos, mas não foram. Ex.: maçãs 
maduras que já deveriam ter sido colhidas e que estão apodrecendo. 
• consumidos: são os frutos que já foram colhidos e já não existem mais. Ex.: maçãs que 
foram colhidas pelo produtor e já vendidas a terceiros. 
PRODUTOS 
- São utilidades que se retiram da coisa, diminuindo-lhe a quantidade, porque não se 
reproduzem periodicamente, como as pedras e os metais, que se extraem das pedreiras 
e das minas. 
• Diminuem o bem principal! 
PARTE INTEGRANTE - Acessório unido ao bem principal formando com este um todo indivisível. 
PERTENÇAS 
- São os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo 
duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. 
• Não aplica-se o princípio da gravitação jurídica! 
BENFEITORIAS 
- Voluptuárias: As de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do 
bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor; 
- Úteis: As que aumentam ou facilitam o uso do bem; 
- Necessárias: As que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. 
 
47 
 
CAPÍTULO III 
Dos Bens Públicos 
Art. 98. São PÚBLICOS os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público 
INTERNO; todos os outros são PARTICULARES, seja qual for a pessoa a que pertencerem. 
 
 
Art. 99.São BENS PÚBLICOS: 
 
I - os de uso COMUM DO POVO, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; 
 
II - os de uso ESPECIAL, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da 
administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; 
 
III - os DOMINICAIS, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de 
direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. 
 
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se DOMINICAIS os bens pertencentes às 
pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado. 
 
 
Art. 100. Os bens públicos de USO COMUM DO POVO e os de USO ESPECIAL são INALIENÁVEIS, enquanto 
conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. 
 
 
Art. 101. Os bens públicos DOMINICAIS podem ser ALIENADOS, observadas as exigências da lei. 
 
 
Art. 102. Os bens públicos NÃO ESTÃO sujeitos a USUCAPIÃO. 
 
BENS PÚBLICOS 
USO COMUM DO POVO rios, mares, estradas, ruas e praças 
INALIENÁVEIS 
(enquanto conservarem 
a sua qualificação, na 
forma que a lei 
determinar) 
Não estão 
sujeitos a 
USUCAPIÃO 
USO ESPECIAL 
edifícios ou terrenos destinados a 
serviço ou estabelecimento da 
administração federal, estadual, 
territorial ou municipal, inclusive os de 
suas autarquias 
DOMINICAIS 
constituem o patrimônio das pessoas 
jurídicas de direito público, como 
objeto de direito pessoal, ou real, de 
cada uma dessas entidades 
Podem ser ALIENADOS 
(observadas as 
exigências da lei) 
 
 
Art. 103. O USO COMUM dos bens públicos PODE SER gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido 
legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
 
#EMRESUMO: 
BENS – CLASSIFICAÇÃO 
Considerados em si mesmos Reciprocamente considerados 
Quanto à titularidade de seu 
domínio 
1) Móveis e Imóveis 
 
2) Divisíveis e Indivisíveis 
 
3) Fungíveis e Infugíveis 
 
4) Consumíveis e Inconsumíveis 
 
5) Singulares e Coletivos 
1) Principais 
 
2) Acessórios: 
a) Frutos: pendentes, percebidos, 
estantes, percepiendos e consumidos 
b) Produtos 
c) Partes integrantes 
d) Pertenças 
e) Benfeitorias: voluptuárias, úteis e 
necessárias 
1) Públicos: 
a) de uso comum do povo 
b) de uso especial 
c) de uso dominical ou dominiais 
 
2) Privados 
 
 
LIVRO III 
Dos Fatos Jurídicos 
 
TÍTULO I 
Do Negócio Jurídico 
 
CAPÍTULO I 
Disposições Gerais 
 
ELEMENTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO (ESCADA PONTEANA) 
EXISTÊNCIA VALIDADE EFICÁCIA 
Agente 
 
Objeto 
 
Vontade e 
 
Forma 
Agente capaz 
 
Objeto lícito, possível, determinado 
ou determinável 
 
Vontade livre e 
 
Forma prescrita ou não defesa em 
lei 
Condição 
 
Termo e 
 
Encargo 
Elementos essenciais Elementos acidentais 
 
Art. 104. A VALIDADE do negócio jurídico requer: 
I - agente CAPAZ; 
II - objeto LÍCITO, POSSÍVEL, DETERMINADO ou DETERMINÁVEL; 
III - forma PRESCRITA ou NÃO DEFESA em lei. 
 
 
Art. 105. A incapacidade RELATIVA de uma das partes NÃO PODE SER INVOCADA pela outra em benefício 
próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, SALVO se, neste caso, for INDIVISÍVEL O OBJETO do 
direito ou da obrigação comum. 
 
 
Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto NÃO INVALIDA o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes 
de realizada a condição a que ele estiver subordinado. 
 
 
49 
 
Art. 107. A validade da declaração de vontade NÃO DEPENDERÁ de forma especial, senão quando a lei 
expressamente a exigir. (PRINCÍPIO DA LIBERDADE DAS FORMAS) 
 
 
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a ESCRITURA PÚBLICA é essencial à validade dos negócios jurídicos 
que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre IMÓVEIS de valor 
superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. 
 
#INFO 
- Prevalência do valor atribuído pelo fisco para aplicação do art. 108 do CC. 
A compra e venda de bens IMÓVEIS pode ser feita por meio de contrato particular ou é necessário escritura 
pública? 
• Em regra: é necessário escritura pública (art. 108 do CC). 
• Exceção: a compra e venda pode ser feita por contrato particular (ou seja, sem escritura pública) se o valor do 
bem imóvel alienado for inferior a 30 salários-mínimos. 
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que 
visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a 
trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. 
Para fins do art. 108, deve-se adotar o preço dado pelas partes ou o valor calculado pelo Fisco? 
O valor calculado pelo Fisco. O art. 108 do CC fala em valor do imóvel (e não em preço do negócio). Assim, havendo 
disparidade entre ambos, é o valor do imóvel calculado pelo Fisco que deve ser levado em conta para verificar se 
será necessária ou não a elaboração da escritura pública. A avaliação feita pela Fazenda Pública para fins de 
apuração do valor venal do imóvel é baseada em critérios objetivos, previstos em lei, os quais admitem aos 
interessados o conhecimento das circunstâncias consideradas na formação do quantum atribuído ao bem. Logo, 
trata-se de um critério objetivo e público que evita a ocorrência de fraudes. 
Obs.: Está superado o Enunciado 289 das Jornadas de Direito Civil do CJF. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.099.480-MG, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 2/12/2014 (Info 562). 
 
 
Art. 109. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é da 
SUBSTÂNCIA DO ATO. 
 
 
Art. 110. A manifestação de vontade SUBSISTE ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer 
o que manifestou, SALVO se dela o destinatário tinha conhecimento. (RESERVA MENTAL OU RETICÊNCIA 
ESSENCIAL) 
 
 
Art. 111. O SILÊNCIO importa ANUÊNCIA, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for 
necessária a declaração de vontade expressa. 
 
 
Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido 
literal da linguagem. 
 
 
Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser INTERPRETADOS conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua 
celebração. 
 
§ 1º A interpretação do negócio jurídico deve lhe atribuir o sentido que: 
I - for confirmado pelo comportamento das partes posterior à celebração do negócio; 
II - corresponder aos usos, costumes e práticas do mercado relativas ao tipo de negócio; 
III - corresponder à boa-fé; 
IV - for mais benéfico à parte que não redigiu o dispositivo, se identificável; e 
50 
 
V - corresponder a qual seria a razoável negociação das partes sobre a questão discutida, inferida das demais 
disposições do negócio e da racionalidade econômica das partes, consideradas as informações disponíveis no 
momento de sua celebração. 
 
§ 2º As partes poderão LIVREMENTE PACTUAR regras de interpretação, de preenchimento de lacunas e de 
integração dos negócios jurídicos diversas daquelas previstas em lei. 
 
 
Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia INTERPRETAM-SE ESTRITAMENTE. 
 
INTERPRETAM-SE ESTRITAMENTE 
- Negócios jurídicos benéficos 
 
- Renúncia 
 
CAPÍTULO II 
Da Representação 
Art. 115. Os PODERES de representação conferem-se por lei ou pelo interessado. 
 
 
Art. 116. A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes, produz efeitos em relação 
ao representado. 
 
 
Art. 117. SALVO se o permitir a lei ou o representado, é ANULÁVEL o negócio jurídico que o representante, no 
seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. 
Parágrafo único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em 
quem os poderes houverem sido subestabelecidos. 
 
 
Art. 118. O representante é OBRIGADO a provar àspessoas, com quem tratar em nome do representado, a sua 
qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o fazendo, responder pelos atos que a estes 
excederem. 
 
 
Art. 119. É ANULÁVEL o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com o representado, 
se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou. 
Parágrafo único. É de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade, 
o PRAZO DE DECADÊNCIA para pleitear-se a anulação prevista neste artigo. 
 
 
Art. 120. Os requisitos e os efeitos da representação legal são os estabelecidos nas normas respectivas; os da 
representação voluntária são os da Parte Especial deste Código. 
 
REQUISITOS E EFEITOS 
Representação LEGAL - Os estabelecidos nas normas respectivas 
Representação VOLUNTÁRIA - Os da Parte Especial deste Código 
 
CAPÍTULO III 
Da Condição, do Termo e do Encargo 
 
ELEMENTOS ACIDENTAIS DO NEGÓCIO JURÍDICO 
(PLANO DE EFICÁCIA) 
- Condição 
- Termo 
- Encargo 
 
51 
 
Art. 121. CONSIDERA-SE CONDIÇÃO a cláusula que, derivando EXCLUSIVAMENTE da vontade das partes, 
subordina o efeito do negócio jurídico a evento FUTURO e INCERTO. 
 
CONDIÇÃO Evento: 
- Futuro e 
- Incerto 
 
CONDIÇÕES SUSPENSIVAS CONDIÇÕES RESOLUTIVAS 
O evento futuro e incerto subordina o INÍCIO DA 
EFICÁCIA do negócio jurídico, ou seja, ele somente 
começa a ter eficácia quando ocorrer a condição; até a 
ocorrência da condição suspensiva, o negócio jurídico 
ficará impedido de começar a produzir efeitos. 
O evento futuro e incerto CONDICIONA A 
PERSISTÊNCIA DA EFICÁCIA do negócio jurídico, ou 
seja, o negócio jurídico já produz efeitos quando é 
celebrado com condição resolutiva, mas será resolvido 
caso ocorra a condição. Assim, quando acontece a 
condição, o negócio jurídico cessa, resolve-se. 
Identificada pela conjunção “SE”. Identificada pela conjunção “ENQUANTO”. 
Marca o início dos efeitos do negócio jurídico. Marca o término dos efeitos do negócio jurídico. 
Ex.: SE você passar no concurso te darei um carro. 
Passou = ganhou. 
Ex.: ENQUANTO você não passar no concurso, te darei 
uma mesada. Passou = termina. 
 
 
Art. 122. São LÍCITAS, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; 
entre as condições DEFESAS se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao 
puro arbítrio de uma das partes. 
 
CONDIÇÕES LÍCITAS CONDIÇÕES DEFESAS 
- Não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons 
costumes. 
- Que privarem de todo efeito o negócio jurídico; 
- Que sujeitarem o negócio jurídico ao puro arbítrio de 
uma das partes. 
 
 
Art. 123. INVALIDAM os negócios jurídicos que lhes são subordinados: 
I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando SUSPENSIVAS; 
II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; 
III - as condições incompreensíveis ou contraditórias. 
 
INVALIDAM O NEGÓCIO 
JURÍDICO 
- Condições Suspensivas: 
• físicamente impossível ou 
• juridicamente impossível 
 
- Condições ilícitas 
 
- Condições de fazer coisa ilícita 
 
- Condições incompreensíveis ou 
 
- Condições contraditórias 
 
 
Art. 124. Têm-se por INEXISTENTES as condições impossíveis, quando RESOLUTIVAS, e as de não fazer coisa 
impossível. 
 
 
CONDIÇÕES INEXISTENTES 
- Condições Resolutivas: impossíveis 
- Condições de não fazer coisa impossível 
52 
 
Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à CONDIÇÃO SUSPENSIVA, enquanto esta se não 
verificar, NÃO SE TERÁ ADQUIRIDO O DIREITO, a que ele visa. 
 
Condição Suspensiva - Enquanto não verificada, impede a aquisição e o exercício do direito 
Termo Inicial - Suspende o exercício, mas não a aquisição do direito 
Encargo 
- Não suspende a aquisição, nem o exercício do direito, salvo se imposto no 
negócio jurídico pelo disponente, como condição suspensiva 
 
 
Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob CONDIÇÃO SUSPENSIVA, e, pendente esta, fizer quanto àquela 
novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. 
 
 
Art. 127. Se for RESOLUTIVA a condição, enquanto esta se não realizar, VIGORARÁ O NEGÓCIO JURÍDICO, 
PODENDO EXERCER-SE desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. 
 
Condição SUSPENSIVA Condição RESOLUTIVA 
Suspende a aquisição e o exercício do direito. Não há 
direito adquirido. 
Gera a extinção do negócio jurídico (é resolvido). Há 
direito adquirido. Pode ser expressa (decorre da 
convenção das partes) ou tácita (decorre da lei – ex.: 
exceção de contrato não cumprido). 
 
 
Art. 128. Sobrevindo a CONDIÇÃO RESOLUTIVA, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; 
mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, SALVO disposição em 
contrário, NÃO TEM EFICÁCIA quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da 
condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé. 
 
 
Art. 129. Reputa-se VERIFICADA, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for maliciosamente 
obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário, NÃO VERIFICADA a condição 
maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento. 
 
VERIFICADA - Cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer 
NÃO VERIFICA - Maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento. 
 
 
Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de CONDIÇÃO SUSPENSIVA OU RESOLUTIVA, é permitido 
praticar os atos destinados a conservá-lo. 
 
 
Art. 131. O TERMO INICIAL suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. 
 
TERMO Evento: 
- Futuro e 
- Certo 
 
TERMO INICIAL 
Suspende Não Suspende 
Exercício do direito Aquisição do direito 
 
 
Art. 132. SALVO disposição legal ou convencional em contrário, COMPUTAM-SE os prazos, EXCLUÍDO o dia do 
começo, e INCLUÍDO o do vencimento. 
 
53 
 
§ 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, CONSIDERAR-SE-Á prorrogado o prazo ATÉ O SEGUINTE DIA ÚTIL. 
 
§ 2o MEADO CONSIDERA-SE, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. 
 
§ 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata 
correspondência. 
 
§ 4o Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto. 
 
 
Art. 133. Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos contratos, em proveito do devedor, 
SALVO, quanto a esses, se do teor do instrumento, ou das circunstâncias, resultar que se estabeleceu a benefício 
do credor, ou de ambos os contratantes. 
 
 
Art. 134. Os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são exeqüíveis desde logo, SALVO se a execução tiver 
de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo. 
 
 
Art. 135. Ao TERMO INICIAL E FINAL aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à CONDIÇÃO 
SUSPENSIVA E RESOLUTIVA. 
 
 
Art. 136. O ENCARGO não suspende a aquisição nem o exercício do direito, SALVO quando expressamente 
imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição SUSPENSIVA. 
 
Condição Suspensiva - Enquanto não verificada, impede a aquisição e o exercício do direito 
Termo Inicial - Suspende o exercício, mas não a aquisição do direito 
Encargo 
- Não suspende a aquisição, nem o exercício do direito, salvo se imposto no 
negócio jurídico pelo disponente, como condição suspensiva 
 
 
Art. 137. Considera-se NÃO ESCRITO o encargo ilícito ou impossível, SALVO se constituir o motivo determinante 
da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico. 
 
ELEMENTOS ACIDENTAIS/FACULTATIVOS DO NEGÓCIO JURÍDICO 
CONDIÇÃO TERMO ENCARGO 
Conceito 
Evento futuro e incerto, por 
meio do qual se subordinam 
ou resolvem-se os efeitos 
jurídicos de um negócio 
jurídico. 
Evento futuro e certo, que 
subordina o início ou término 
dos efeitos jurídicosde 
determinado negócio 
jurídico. 
Acessório acidental do 
negócio jurídico que impõe ao 
beneficiário ônus a ser 
cumprido, em prol de uma 
liberdade maior. 
Requisitos 
Futuridade; 
Incerteza; e 
Voluntariedade. 
Futuridade; e 
Certeza 
Liberdade; e 
Ônus. 
Espécies 
Suspensiva; e 
Resolutiva. 
Inicial; e 
Final. 
– 
Identificada 
Pelas conjunções “se” 
(suspensiva) e “enquanto” 
(resolutiva). 
Pelas conjunção “quando”. 
Pelas conjunções “para que” e 
“com o fim de”. 
Aquisição e 
Exercício do 
Direito 
Suspende a aquisição e o 
exercício do direito. 
NÂO suspende a aquisição, 
mas suspende o exercício do 
direito. 
NÂO suspende a aquisição 
nem o exercício do direito. 
 
54 
 
CAPÍTULO IV 
Dos Defeitos do Negócio Jurídico 
 
VÍCIOS DE CONSENTIMENTO/VONTADE VÍCIOS SOCIAL 
O defeito está na formação da vontade (vontade 
interna) e o prejudicado é um dos contratantes. 
O defeito está na manifestação da vontade (vontade 
externa) e o prejudicado é sempre um terceiro. 
Erro 
Dolo 
Coação 
Estado de Perigo e 
Lesão 
Fraude contra Credores e 
Simulação 
 
Seção I 
Do Erro ou Ignorância 
Art. 138. São ANULÁVEIS os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro 
substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. 
 
 
Art. 139. O erro é SUBSTANCIAL quando: 
I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais; 
II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que 
tenha influído nesta de modo relevante; 
III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico. 
 
 
Art. 140. O FALSO MOTIVO só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante. 
 
 
Art. 141. A transmissão errônea da vontade por meios interpostos é ANULÁVEL nos mesmos casos em que o é 
a declaração direta. 
 
 
Art. 142. O erro de indicação da PESSOA ou da COISA, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o 
negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada. 
 
 
Art. 143. O erro de cálculo apenas autoriza a RETIFICAÇÃO da declaração de vontade. 
 
 
Art. 144. O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação de vontade 
se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da VONTADE REAL do manifestante. 
 
Seção II 
Do Dolo 
Art. 145. São os negócios jurídicos ANULÁVEIS por dolo, quando este for a sua causa. 
 
ERRO DOLO 
O agente percebeu sozinho mal os fatos. 
A percepção errônea dos fatos foi induzida por 
outrem. 
 
 
Art. 146. O DOLO ACIDENTAL só obriga à satisfação das PERDAS E DANOS, e é acidental quando, a seu despeito, 
o negócio seria realizado, embora por outro modo. (DOLO ACIDENTAL) 
 
55 
 
DOLO ESSENCIAL DOLO ACIDENTAL 
Anulação do negócio jurídico. Perdas e danos. 
 
 
Art. 147. Nos negócios jurídicos BILATERAIS, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou 
qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui OMISSÃO DOLOSA, provando-se que sem ela o negócio 
não se teria celebrado. (DOLO NEGATIVO OU OMISSÃO DOLOSA) 
 
 
Art. 148. Pode também ser anulado o negócio jurídico por DOLO DE TERCEIRO, se a parte a quem aproveite dele 
tivesse ou devesse ter conhecimento; em caso contrário, ainda que subsista o negócio jurídico, o terceiro 
responderá por todas as PERDAS E DANOS da parte a quem ludibriou. (DOLO DE TERCEIRO) 
 
DOLO DE TERCEIRO 
Se é de conhecimento de quem está tirando 
proveito (houve conluio) 
Responsabilidade para os dois e será caso de nulidade relativa. 
Se quem vai tirar proveito não souber do 
dolo do terceiro 
O negócio subsistirá, sendo que o terceiro deve arcar com 
perdas e danos. 
 
 
Art. 149. O dolo do REPRESENTANTE LEGAL de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente 
até a importância do proveito que teve; se, porém, o dolo for do REPRESENTANTE CONVENCIONAL, o 
representado RESPONDERÁ SOLIDARIAMENTE com ele por perdas e danos. 
 
Dolo do Representante LEGAL Dolo do Representante CONVENCIONAL 
Representado responde civilmente até a importância 
do proveito que teve. 
Representado responde solidariamente com o 
representante por perdas e danos. 
 
 
Art. 150. Se ambas as partes procederem com dolo, NENHUMA PODE ALEGÁ-LO para anular o negócio, ou 
reclamar indenização. (DOLO RECÍPROCO, BILATERAL, COMPENSADO OU ENANTIOMÓRFICO) 
 
DOLO RECÍPROCO OU BILATERAL 
- dolo de ambas as partes 
- ninguém pode alegá-lo 
 
Seção III 
Da Coação 
Art. 151. A COAÇÃO, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de 
dano IMINENTE e CONSIDERÁVEL à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. 
Parágrafo único. Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas 
circunstâncias, decidirá se houve coação. 
 
 
Art. 152. No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, o temperamento do 
paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela. 
 
 
Art. 153. NÃO SE CONSIDERA COAÇÃO a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor 
reverencial. 
 
NÃO SE CONSIDERA COAÇÃO 
- ameaça do exercício normal de um direito 
Ex.: ameaçar protestar o título em cartório 
- simples temor reverencial 
Ex.: receio de desagradar o padre da cidade 
56 
 
Art. 154. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por TERCEIRO, se dela tivesse ou devesse ter conhecimento 
a parte a que aproveite, e esta RESPONDERÁ SOLIDARIAMENTE com aquele por PERDAS E DANOS. 
 
 
Art. 155. Subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de TERCEIRO, sem que a parte a que aproveite dela 
tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da coação responderá por todas as PERDAS E DANOS que 
houver causado ao coacto. 
 
COAÇÃO DE TERCEIRO 
Se o beneficiário sabia ou devesse saber 
O negócio será anulado e o beneficiário em tal caso, responderá 
solidariamente com o terceiro pelas perdas e danos. 
Se o beneficiário não sabia ou não tivesse 
como saber 
O negócio é mantido e o terceiro responde sozinho perante o 
prejudicado. 
 
Seção IV 
Do Estado de Perigo 
Art. 156. Configura-se o ESTADO DE PERIGO quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa 
de sua família, de grave dano CONHECIDO PELA OUTRA PARTE, assume obrigação EXCESSIVAMENTE 
ONEROSA. 
Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as 
circunstâncias. 
 
Seção V 
Da Lesão 
Art. 157. Ocorre a LESÃO quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a 
prestação MANIFESTAMENTE DESPROPORCIONAL ao valor da prestação oposta. 
 
§ 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o 
negócio jurídico. 
 
§ 2o NÃO SE DECRETARÁ a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida 
concordar com a redução do proveito. 
 
 
#TABELACOMPARATIVA: 
LESÃO ESTADO DE PERIGO 
Não exige dolo de aproveitamento. Exige dolo de aproveitamento. 
A outra parte não conhece o grave dano. A outra parte conhece o grave dano. 
Premente necessidade ou inexperiência. 
Perigo que acomete o próprio negociante, pessoa de 
sua família ou amigo íntimo, sendo esse perigo de 
conhecimento de outro negociante. 
Prestação manifestamente desproporcional. Obrigação excessivamente onerosa. 
Aplica-se revisão negocial (art. 157, § 2º) 
Há entendimento de aplicação analógica do art. 157, 
§2º, visando a conservação negocial. 
Aplica-se exclusivamente aos contratos sinalagmáticos. 
Aplica-se aos negócios jurídicos em geral (também aos 
unilaterais, ex.: promessade recompensa). 
 
 
 
 
 
57 
 
Seção VI 
Da Fraude Contra Credores 
Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já 
insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores 
quirografários, como lesivos dos seus direitos. 
 
§ 1o Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. 
 
§ 2o SÓ OS CREDORES que já o eram ao tempo daqueles atos PODEM PLEITEAR a anulação deles. 
 
 
Art. 159. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, 
ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante. 
 
 
Art. 160. Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço e este for, aproximadamente, 
o corrente, desobrigar-se-á depositando-o em juízo, com a citação de todos os interessados. 
Parágrafo único. Se inferior, o adquirente, para conservar os bens, poderá depositar o preço que lhes corresponda 
ao valor real. 
 
 
Art. 161. A ação, nos casos dos arts. 158 e 159, poderá ser intentada contra o devedor insolvente, a pessoa que com 
ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta, ou terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé. 
 
 
Art. 162. O credor quirografário, que receber do devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida, ficará 
obrigado a repor, em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo que recebeu. 
 
 
Art. 163. Presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente 
tiver dado a algum credor. 
 
 
Art. 164. Presumem-se, porém, de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de 
estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência do devedor e de sua família. 
 
 
Art. 165. Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em proveito do acervo sobre que se 
tenha de efetuar o concurso de credores. 
Parágrafo único. Se esses negócios tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais, mediante hipoteca, 
penhor ou anticrese, sua invalidade importará somente na anulação da preferência ajustada. 
 
SÚMULA SOBRE FRAUDE CONTRA CREDORES 
- Súmula nº 195, STJ: “Em embargos de terceiros não se anula ato jurídico, por fraude contra credores.“ 
 
#INFO 
- Fraude contra credores. 
Não é suficiente para afastar a anterioridade do crédito que se busca garantir (requisito exigido para a 
caracterização de fraude contra credores) a assinatura de contrato particular de promessa de compra e venda de 
imóvel não registrado e desacompanhado de qualquer outro elemento que possa evidenciar, perante terceiros, a 
realização prévia desse negócio jurídico. 
Em outras palavras, para que haja a fraude contra credores, a dívida deve ser anterior à alienação realizada pelo 
devedor. Caso esta alienação tenha sido feita por meio de instrumento particular, a data que será considerada 
como sendo a da alienação não é aquela constante do contrato (porque seria muito fácil de falsificar), mas sim a 
58 
 
data na qual este negócio jurídico foi registrado no Cartório. Isso porque é com o registro da promessa de compra 
e venda no Cartório de Registro de Imóveis que o direito do promissário comprador alcança terceiros estranhos à 
relação contratual originária. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.217.593-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/3/2013 (Info 518). 
 
CAPÍTULO V 
Da Invalidade do Negócio Jurídico 
Art. 166. É NULO o negócio jurídico quando: 
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; 
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; 
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; 
IV - não revestir a forma prescrita em lei; 
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; 
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; 
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. 
 
 
Art. 167. É NULO o negócio jurídico SIMULADO, mas SUBSISTIRÁ o que se dissimulou, se válido for na 
substância e na forma. 
 
§ 1o HAVERÁ SIMULAÇÃO nos negócios jurídicos quando: (ROL EXEMPLIFICATIVO) 
I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou 
transmitem; 
II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; 
III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. 
 
§ 2o RESSALVAM-SE os DIREITOS DE TERCEIROS DE BOA-FÉ em face dos contraentes do negócio jurídico 
simulado. 
 
#INFO 
- A nulidade de negócio jurídico simulado pode ser reconhecida no julgamento de embargos de terceiro. 
#IMPORTANTE 
A simulação provoca a nulidade absoluta do negócio jurídico. É o que prevê o caput do art. 167 do CC. 
Diante disso, como se trata de matéria de ordem pública, a simulação pode ser declarada até mesmo de ofício 
pelo juiz da causa (art. 168, parágrafo único, do CC). 
Como negócio jurídico simulado é nulo, o reconhecimento dessa nulidade pode ocorrer de ofício, até mesmo 
incidentalmente em qualquer processo em que for ventilada a questão. 
Logo, é desnecessário o ajuizamento de ação específica para se declarar a nulidade de negócio jurídico simulado. 
Dessa forma, não há como se restringir o seu reconhecimento em embargos de terceiro. 
Para casos posteriores ao Código Civil de 2002, não é mais possível aplicar o entendimento da Súmula 195 do STJ 
às hipóteses de simulação. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.927.496/SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 27/04/2021 (Info 694). 
 
- Simulação alegada pelo réu em sede de contestação. 
É nulo o compromisso de compra e venda que, em realidade, traduz-se como instrumento para o credor ficar com 
o bem dado em garantia em relação a obrigações decorrentes de contrato de mútuo usurário, se estas não forem 
adimplidas. Trata-se de simulação. 
Essa simulação poderá ser alegada pelo contratante/réu como matéria de defesa, em contestação, por se tratar de 
nulidade absoluta. 
A alegação dessa simulação em contestação vale mesmo que o negócio jurídico tenha sido celebrado sob a égide 
do Código Civil de 1916. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.076.571-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 11/3/2014 (Info 538). 
 
 
59 
 
Art. 168. As NULIDADES dos artigos antecedentes podem ser alegadas por QUALQUER INTERESSADO, ou pelo 
MINISTÉRIO PÚBLICO, quando lhe couber intervir. 
Parágrafo único. As NULIDADES devem ser pronunciadas pelo JUIZ, quando conhecer do negócio jurídico ou 
dos seus efeitos e as encontrar provadas, NÃO LHE SENDO PERMITIDO SUPRI-LAS, ainda que a requerimento 
das partes. 
 
 
Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo. 
 
 
Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, SUBSISTIRÁ este quando o fim a 
que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade. (CONVERSÃO) 
 
 
Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é ANULÁVEL o negócio jurídico: 
I - por incapacidade relativa do agente; 
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. 
 
 
NEGÓCIO JURÍDICO NULO (arts. 166 e 167) NEGÓCIO JURÍDICO ANULÁVEL (art. 171) 
- Agente absolutamente incapaz 
 
- Objeto ilícito, impossível ou indeterminável 
 
- Motivo determinante, comum a ambas as partes, for 
ilícito 
 
- Forma não revestir a prescrita em lei 
 
- Preterição de alguma solenidade que a lei considere 
essencial para a sua validade 
 
- Objetivo for fraudar lei imperativa 
 
- A lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a 
prática, sem cominar sanção 
 
- Simulação 
- Casos expressamente previstos em lei 
 
- Agente relativamente incapaz 
 
- Vício resultante de erro, dolo, coação, estadode 
perigo, lesão ou fraude contra credores 
 
 
Art. 172. O negócio anulável pode ser CONFIRMADO (convalidado) pelas partes, SALVO direito de terceiro. 
 
 
Art. 173. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de mantê-lo. 
 
 
Art. 174. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor, ciente do 
vício que o inquinava. 
 
 
Art. 175. A confirmação expressa, ou a execução voluntária de negócio anulável, nos termos dos arts. 172 a 174, 
importa a EXTINÇÃO de todas as ações, ou exceções, de que contra ele dispusesse o devedor. 
 
 
60 
 
Art. 176. Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro, será validado se este a der 
posteriormente. 
 
 
Art. 177. A ANULABILIDADE não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia de ofício; só os 
interessados a PODEM ALEGAR, e APROVEITA EXCLUSIVAMENTE aos que a alegarem, SALVO o caso de 
SOLIDARIEDADE ou INDIVISIBILIDADE. 
 
 
Art. 178. É de quatro anos o PRAZO DE DECADÊNCIA para pleitear-se a ANULAÇÃO do negócio jurídico, 
contado: 
I - no caso de coação, do dia em que ela cessar; 
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio 
jurídico; 
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade. 
 
 
Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é ANULÁVEL, sem estabelecer prazo para pleitear-se a 
anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato. 
 
 
PRAZOS DECADENCIAIS PARA AÇÃO ANULATÓRIA (Arts. 178 e 179) 
PRAZO DECADENCIAL HIPÓTESE TERMO INICIAL 
4 anos 
Coação Dia em que cessar a coação 
Erro, dolo, fraude contra credores, estado de 
perigo ou lesão 
Dia em que se realizou o negócio 
jurídico 
Atos de incapazes Dia em que cessar a incapacidade 
2 anos 
Quando a lei dispuser que determinado ato 
é anulável, sem estabelecer prazo para 
pleitear a anulação 
Data da conclusão do ato 
 
 
Art. 180. O menor, entre dezesseis e dezoito anos, NÃO PODE, para eximir-se de uma obrigação, invocar a sua 
idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se 
maior. 
 
 
Art. 181. Ninguém pode reclamar o que, por uma obrigação anulada, pagou a um incapaz, se não provar que 
reverteu em proveito dele a importância paga. 
 
 
Art. 182. Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam, e, não 
sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente. 
 
 
Art. 183. A invalidade do instrumento NÃO INDUZ a do negócio jurídico sempre que este puder provar-se por 
outro meio. 
 
 
Art. 184. Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico NÃO O PREJUDICARÁ na 
parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal IMPLICA a das obrigações acessórias, 
mas a destas NÃO INDUZ a da obrigação principal. 
 
 
61 
 
INVALIDADE 
- instrumento 
• não induz a do negócio jurídico 
• sempre que este puder provar-se por outro meio 
- parcial de um negócio jurídico 
• não o prejudicará na parte válida 
• se esta for separável 
- obrigação principal • implica a das obrigações acessórias 
- obrigação acessória • não induz a da obrigação principal 
 
 
#TABELACOMPARATIVA: 
NEGÓCIO NULO (NULIDADE ABSOLUTA) NEGÓCIO ANULÁVEL (NULIDADE RELATIVA) 
Atinge interesse público Atinge interesse privado 
Arguída por qualquer interessado, ou pelo Ministério 
Público, quando lhe couber intervir 
Arguída pela pessoa prejudicada, somente 
Devem ser pronunciada de ofício pelo juiz Não pode ser pronunciada de ofício pelo juiz 
Não admite confirmação 
(admite conversão substancial) 
Admite confirmação, salvo direito de terceiro 
Ação é declaratória Ação é constitutiva 
Efeitos ex tunc (retroage) Efeitos ex nunc (não retroage) 
Nulidade por força de lei 
(ope legis) 
Nulidade por força de decisão judicial 
(ope judicis) 
Imprescritível 
(a qualquer tempo) 
Prazo decadencial 
(podendo ser de 4 ou 2 anos, a depender) 
Hipóteses (arts. 166 e 167): 
- Agente absolutamente incapaz 
- Objeto ilícito, impossível ou indeterminável 
- Motivo determinante, comum a ambas as partes, for 
ilícito 
- Forma não revestir a prescrita em lei 
- Preterição de alguma solenidade que a lei considere 
essencial para a sua validade 
- Objetivo for fraudar lei imperativa 
- A lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a 
prática, sem cominar sanção 
- Simulação 
Hipóteses (art. 171): 
- Casos expressamente previstos em lei 
- Agente relativamente incapaz 
- Vício resultante de erro, dolo, coação, estado de 
perigo, lesão ou fraude contra credores 
 
 
TÍTULO II 
Dos Atos Jurídicos Lícitos 
Art. 185. Aos atos jurídicos LÍCITOS, que NÃO SEJAM negócios jurídicos, aplicam-se, no que couber, as 
disposições do Título anterior. 
 
TÍTULO III 
Dos Atos Ilícitos 
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano 
a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ILÍCITO. 
 
 
Art. 187. Também comete ato ILÍCITO o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os 
limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. (ABUSO DE DIREITO) 
 
 
Art. 188. NÃO CONSTITUEM ATOS ILÍCITOS: 
I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido; 
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. 
62 
 
Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem 
absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. 
 
#INFO 
- A prática de sham litigation (litigância simulada) configura ato ilícito de abuso do direito de ação, 
podendo gerar indenização por danos morais e materiais. 
O ajuizamento de sucessivas ações judiciais, desprovidas de fundamentação idônea e intentadas com propósito 
doloso, pode configurar ato ilícito de abuso do direito de ação ou de defesa, o denominado assédio processual. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.817.845-MS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, 
julgado em 10/10/2019 (Info 658). 
Trata-se daquilo que, nos Estados Unidos, ficou conhecido como “sham litigation” (litigância simulada), ou seja, a 
“ação ou conjunto de ações promovidas junto ao Poder Judiciário, que não possuem embasamento sólido, 
fundamentado e potencialidade de sucesso, com o objetivo central e disfarçado de prejudicar algum concorrente 
direto do impetrante, causando-lhe danos e dificuldades de ordem financeira, estrutural e reputacional.” 
 
 
TÍTULO IV 
Da Prescrição e da Decadência 
 
CAPÍTULO I 
Da Prescrição 
 
Seção I 
Disposições Gerais 
Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela PRESCRIÇÃO, nos prazos a 
que aludem os arts. 205 e 206. 
 
 
Art. 190. A EXCEÇÃO prescreve no mesmo prazo em que a PRETENSÃO. 
 
 
Art. 191. A RENÚNCIA da prescrição pode ser EXPRESSA ou TÁCITA, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de 
terceiro, depois que a prescrição se consumar; TÁCITA é a renúncia quando se presume de fatos do 
interessado, incompatíveis com a prescrição. 
 
 
Art. 192. Os PRAZOS de prescrição NÃO PODEM SER ALTERADOS por acordo das partes. 
 
 
Art. 193. A prescrição pode ser ALEGADA em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita. 
 
 
Art. 195. Os RELATIVAMENTE INCAPAZES e as PESSOAS JURÍDICAS têm ação contra os seus assistentes ou 
representantes legais, que derem causa à prescrição, ou não a alegarem oportunamente. 
 
 
Art. 196. A prescrição iniciada contra uma pessoa CONTINUA A CORRER contra o SEU SUCESSOR. 
 
Seção II 
Das Causas que Impedem ou Suspendem a Prescrição 
Art.197. NÃO CORRE a prescrição: (CAUSAS IMPEDITIVAS) 
 
I - entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal; 
 
63 
 
#INFO 
- A separação de fato por longo período afasta a regra de impedimento da fluência da prescrição entre 
cônjuges prevista no art. 197, I, CC e viabiliza a efetivação da prescrição aquisitiva por usucapião. 
O art. 197, I, do Código Civil prevê que não corre a prescrição entre os cônjuges, na constância da sociedade 
conjugal. 
Essa causa impeditiva de fluência do prazo prescricional prevista no art. 197, I, do CC, embora esteja 
topologicamente inserida no capítulo da prescrição extintiva, também se aplica às prescrições aquisitivas, ou seja, 
à usucapião. 
Assim, em regra, um cônjuge não poderia adquirir por meio de usucapião um bem do outro cônjuge enquanto 
não houvesse a separação judicial ou divórcio. Isso porque, na vigência da sociedade conjugal, não estaria sendo 
computado o prazo para fins de usucapião (prescrição aquisitiva) por força do art. 197, I. 
Ocorre que, para o STJ, a separação de fato de um casal é suficiente para cessar a causa impeditiva da fluência do 
prazo prescricional prevista no art. 197, I, do CC. Logo, estando o casal separado de fato, é possível iniciar a 
contagem do prazo para a prescrição aquisitiva do imóvel (usucapião). 
Desse modo, a constância da sociedade conjugal, exigida para a incidência da causa impeditiva da prescrição 
extintiva ou aquisitiva (art. 197, I, do CC/2002), cessará não apenas nas hipóteses de divórcio ou de separação 
judicial, mas também na hipótese de separação de fato por longo período, tendo em vista que igualmente não 
subsistem, nessa hipótese, as razões de ordem moral que justificam a existência da referida norma. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.693.732-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/05/2020 (Info 671). 
 
- A separação de fato por tempo razoável mitiga a regra do art. 197, I, do Código Civil. 
O art. 197, I, do Código Civil prevê que “não corre a prescrição entre os cônjuges, na constância da sociedade 
conjugal”. 
Se os cônjuges estão separados há muitos anos, não se deve aplicar a regra do art. 197, I, do CC. 
Mesmo não estando prevista no rol do art. 1.571 do CC, a separação de fato muito prolongada, ou por tempo 
razoável, também pode ser considerada como causa de dissolução da sociedade conjugal e, em assim sendo, tem 
o condão de impedir a fluência do prazo prescricional da pretensão de partilha de bens de ex-cônjuges. 
Caso concreto: a pretensão de partilha de bem comum após mais de 30 anos da separação de fato e da partilha 
amigável dos bens comuns do ex-casal está fulminada pela prescrição. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.660.947-TO, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 05/11/2019 (Info 660). 
 
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar; 
 
III - entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou curatela. 
 
 
Art. 198. TAMBÉM NÃO CORRE a prescrição: (CAUSAS DE SUSPENSÃO) 
I - contra os incapazes de que trata o art. 3o (absolutamente incapazes); 
II - contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou dos Municípios; 
III - contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra. 
 
 
Art. 199. NÃO CORRE IGUALMENTE a prescrição: (CAUSAS DE SUSPENSÃO) 
I - pendendo condição suspensiva; 
II - não estando vencido o prazo; 
III - pendendo ação de evicção. 
 
 
Art. 200. Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, NÃO CORRERÁ a prescrição 
antes da respectiva sentença definitiva. 
 
 
 
 
64 
 
#INFO 
- Só se aplica o art. 200 do CC se houver IP ou ação penal. 
Se um fato constitui, ao mesmo tempo, um ilícito civil e penal, poderá ser proposta uma ação civil de reparação 
de danos e uma ação penal, que tramitarão em instâncias diferentes e relativamente independentes. 
O prazo prescricional para a ação de reparação de danos é de 3 anos. 
O art. 200 do CC afirma que não correrá o prazo de prescrição para essa ação cível antes que a decisão sobre o 
fato na esfera penal transite em julgado. 
No entanto, o prazo prescricional da ação cível somente ficará suspenso, nos termos do art. 200, do CC, se existir 
processo penal em curso ou, pelo menos, a tramitação de um inquérito policial apurando o fato sob a ótica 
criminal. 
Se não existir ação penal nem inquérito policial sobre o fato, o prazo da ação cível está correndo normalmente. 
Se o fato não será apurado no juízo criminal, não há sentido do prazo prescricional da ação cível ficar suspenso, 
até mesmo porque ficaria para sempre suspenso, já que, se não há ação penal, não haverá nunca sentença penal. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.180.237/MT, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino. J. em 19/06/2012 (Info 500). 
 
- Aplicação do art. 200 do CC para ação contra terceiro responsável. 
Esse art. 200 do CC aplica-se também para os casos de ação de indenização proposta contra o terceiro responsável 
(art. 932 do CC)? 
SIM. Segundo decidiu o STJ, é possível a extensão do art. 200 do CC para além do suposto infrator, isto é, para as 
hipóteses de responsabilização de terceiro por fato de outrem (na espécie, a responsabilização do empregador 
pelos atos do preposto). 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.135.988/SP. Rel. Min. Luis Felipe Salomão. Julgado em 08/10/2013 (lnfo 530). 
 
 
Art. 201. SUSPENSA a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam os outros se a obrigação 
for INDIVISÍVEL. 
 
Seção III 
Das Causas que Interrompem a Prescrição 
Art. 202. A INTERRUPÇÃO da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, DAR-SE-Á: 
Obs.: A interrupção da prescrição importa o recomeço do prazo por inteiro. 
I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e 
na forma da lei processual; 
Obs.: A citação NÃO precisa ser válida, basta que haja despacho que ordene citação. 
II - por protesto, nas condições do inciso antecedente; 
III - por protesto cambial; 
IV - pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores; 
V - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; 
VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo 
devedor. 
Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último 
ato do processo para a interromper. 
- Súmula nº 154, STF: “Simples vistoria não interrompe a prescrição” 
 
 
Art. 203. A prescrição pode ser interrompida por QUALQUER INTERESSADO. 
 
 
Art. 204. A interrupção da prescrição por um credor NÃO APROVEITA aos outros; semelhantemente, a interrupção 
operada contra o co-devedor, ou seu herdeiro, NÃO PREJUDICA aos demais coobrigados. 
 
§ 1o A interrupção por um dos credores solidários APROVEITA aos outros; assim como a interrupção efetuada 
contra o devedor solidário ENVOLVE os demais e seus herdeiros. 
 
65 
 
§ 2o A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário NÃO PREJUDICA os outros herdeiros 
ou devedores, senão quando se trate de obrigações e direitos INDIVISÍVEIS. 
 
§ 3o A interrupção produzida contra o principal devedor PREJUDICA o fiador. (PRINCÍPIO DA GRAVITAÇÃO 
JURÍDICA) 
 
EM FAVOR/CONTRA APROVEITA/PREJUDICA OS DEMAIS 
SUSPENSÃO DA 
PRESCRIÇÃO 
Em favor de um dos credores solidários 
quando a obrigação for DIVISÍVEL 
Não aproveita os demais 
 
Em favor de um dos credores solidários 
quando a obrigação for INDIVISÍVEL 
Aproveita os demais 
INTERRUPÇÃO DA 
PRESCRIÇÃO 
Em favor de um credor Não aproveita os demais 
Contra o co-devedor Não prejudica os demais 
Contra o herdeiro do co-devedor Não prejudica os demais 
Em favor de um credor solidário Aproveita os demais credores solidários 
Contra um devedor solidário 
Prejudica os demais devedores solidários e 
seus herdeiros 
Contra um dos herdeiros do devedor solidárioquando a obrigação for DIVISÍVEL 
Não prejudica os demais herdeiros ou 
devedores 
Contra um dos herdeiros do devedor solidário 
quando a obrigação for INDIVISÍVEL 
Prejudica os demais herdeiros ou 
devedores 
Contra o principal devedor Prejudica o fiador 
 
Seção IV 
Dos Prazos da Prescrição 
Art. 205. A prescrição ocorre em DEZ ANOS, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. 
 
#INFO 
- Prazo prescricional da pretensão de cobrança de serviço de conserto de veículo por mecânico. 
Prescreve em 10 anos (art. 205 do CC) a pretensão de cobrar dívida decorrente de conserto de automóvel por 
mecânico que não tenha conhecimento técnico e formação intelectual suficiente para ser qualificado como 
profissional liberal. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.546.114-ES,Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 17/11/2015 (Info 574). 
 
 
Art. 206. PRESCREVE: 
 
§ 1o Em UM ANO: 
I - a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no próprio estabelecimento, para 
o pagamento da hospedagem ou dos alimentos; 
II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, CONTADO o prazo: 
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de 
indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador; 
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão; 
III - a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários judiciais, árbitros e peritos, pela percepção de 
emolumentos, custas e honorários; 
IV - a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que entraram para a formação do capital de sociedade 
anônima, contado da publicação da ata da assembléia que aprovar o laudo; 
V - a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes, contado o prazo da publicação 
da ata de encerramento da liquidação da sociedade. 
 
§ 2o Em DOIS ANOS, a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem. 
 
 
66 
 
§ 3o Em TRÊS ANOS: 
I - a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos; 
II - a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias; 
III - a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações acessórias, pagáveis, em períodos não maiores 
de um ano, com capitalização ou sem ela; 
IV - a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa; 
#INFO 
- Prazo de 3 anos para pretensão de entidade de previdência privada complementar de reaver verbas 
relativas a benefício indevidamente apropriadas por terceiro. 
É de 3 anos o prazo prescricional de ação proposta por entidade de previdência privada complementar contra 
terceiro que se apropriou indevidamente de verbas relativas a benefício previdenciário. 
Não há previsão específica para este caso na LC 109/2001, razão pela qual se aplica o art. 206, § 3º, IV, do Código 
Civil (pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa). 
Ex: o segurado morreu e, como a entidade de previdência não foi informada, continuou a depositar, todos os 
meses, o valor da aposentadoria; tais quantias foram sacadas indevidamente da conta bancária por uma sobrinha 
do falecido; a entidade terá o prazo de 3 anos para reaver os valores. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.334.442-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. para acórdão Min. Raul Araújo, julgado 
em 7/6/2016 (Info 588). 
V - a pretensão de reparação civil; 
VI - a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, correndo o prazo da data em que foi 
deliberada a distribuição; 
VII - a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do estatuto, contado o prazo: 
a) para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da sociedade anônima; 
b) para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do balanço referente ao exercício em que a 
violação tenha sido praticada, ou da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar conhecimento; 
c) para os liquidantes, da primeira assembléia semestral posterior à violação; 
VIII - a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar do vencimento, ressalvadas as disposições 
de lei especial; 
IX - a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do terceiro prejudicado, no caso de seguro de 
responsabilidade civil obrigatório. 
 
§ 4o Em QUATRO ANOS, a pretensão relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas. 
 
§ 5o Em CINCO ANOS: 
I - a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular; 
II - a pretensão dos profissionais liberais em geral, procuradores judiciais, curadores e professores pelos seus 
honorários, contado o prazo da conclusão dos serviços, da cessação dos respectivos contratos ou mandato; 
III - a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo. 
 
 
Art. 206-A. A prescrição intercorrente observará o mesmo prazo de prescrição da pretensão. (MP nº 1.040/2021) 
 
 
PRAZOS PRESCRICIONAIS 
1 ANO 
- dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no próprio 
estabelecimento, para o pagamento da hospedagem ou dos alimentos 
 
- do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, CONTADO o prazo: 
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado 
para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que 
a este indeniza, com a anuência do segurador; 
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão; 
 
67 
 
- dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários judiciais, árbitros e peritos, pela 
percepção de emolumentos, custas e honorários; 
 
- contra os peritos, pela avaliação dos bens que entraram para a formação do capital de 
sociedade anônima, contado da publicação da ata da assembléia que aprovar o laudo; 
 
- dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes, contado o prazo 
da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade. 
2 ANOS - prestações alimentares 
3 ANOS 
- aluguéis de prédios urbanos ou rústicos; 
 
- receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias; 
 
- haver juros, dividendos ou quaisquer prestações acessórias, pagáveis, em períodos não 
maiores de um ano, com capitalização ou sem ela; 
 
- ressarcimento de enriquecimento sem causa; 
 
- reparação civil; 
 
- restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, correndo o prazo da data em 
que foi deliberada a distribuição; 
 
- contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do estatuto, contado o 
prazo: 
a) para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da sociedade anônima; 
b) para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do balanço referente 
ao exercício em que a violação tenha sido praticada, ou da reunião ou assembléia geral 
que dela deva tomar conhecimento; 
c) para os liquidantes, da primeira assembléia semestral posterior à violação; 
 
- haver o pagamento de título de crédito, a contar do vencimento, ressalvadas as 
disposições de lei especial; 
 
- do beneficiário contra o segurador, e a do terceiro prejudicado, no caso de seguro de 
responsabilidade civil obrigatório. 
4 ANOS - tutela 
5 ANOS 
- cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular; 
 
- dos profissionais liberais em geral, procuradores judiciais, curadores e professores pelos 
seus honorários, contado o prazo da conclusão dos serviços, da cessação dos respectivos 
contratos ou mandato; 
 
- do vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo. 
10 ANOS - quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. 
 
#INFO 
- Qual é o prazo prescricional para a restituição de contribuições descontadas indevidamente dos 
beneficiários de contrato de previdência complementar? 
Qual é o prazo prescricionalpara que o beneficiário de plano de previdência complementar requeira a devolução 
de valores que foram descontados indevidamente? 
1ª corrente: 3 anos. 
Fundamento: art. 206, § 3º, IV, do Código Civil (enriquecimento sem causa). 
68 
 
A prescrição da pretensão de devolução de parcelas descontadas indevidamente dos vencimentos dos 
beneficiários de contrato de previdência privada é de 3 anos, estabelecida no art. 206, § 3º, IV, do Código Civil, por 
se tratar de ressarcimento de enriquecimento sem causa. 
STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1763228/SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 22/06/2020. 
2ª corrente: 10 anos. 
Fundamento: art. 205 do Código Civil (prazo geral pela ausência de prazo específico). 
O prazo prescricional aplicável à pretensão de restituição de contribuições descontadas indevidamente dos 
beneficiários de contrato de previdência complementar é de 10 anos. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.803.627-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 23/06/2020 (Info 675). 
 
- Prazo prescricional na responsabilidade contratual é de 10 anos e na responsabilidade extracontratual 3 
anos. 
É adequada a distinção dos prazos prescricionais da pretensão de reparação civil advinda de responsabilidades 
contratual e extracontratual. 
Nas controvérsias relacionadas à responsabilidade CONTRATUAL, aplica-se a regra geral (art. 205 CC/2002) que 
prevê 10 anos de prazo prescricional e, quando se tratar de responsabilidade extracontratual, aplica-se o disposto 
no art. 206, § 3º, V, do CC/2002, com prazo de 3 anos. 
Para fins de prazo prescricional, o termo “reparação civil” deve ser interpretado de forma restritiva, abrangendo 
apenas os casos de indenização decorrente de responsabilidade civil extracontratual. 
STJ. 2ª Seção. EREsp 1.280.825-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/06/2018 (Info 632). 
A pretensão indenizatória decorrente do inadimplemento contratual sujeita-se ao prazo prescricional decenal (art. 
205 do Código Civil), se não houver previsão legal de prazo diferenciado. 
STJ. Corte Especial. EREsp 1.281.594-SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Rel. Acd. Min. Felix Fischer, julgado 
em 15/05/2019 (Info 649). 
 
#EMRESUMO: 
• Responsabilidade civil extracontratual (reparação civil): 3 anos (art. 206, § 3º, V, CC) 
• Responsabilidade contratual (inadimplemento contratual): 10 anos (art. 205, CC) 
 
CAPÍTULO II 
Da Decadência 
Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, NÃO SE APLICAM à DECADÊNCIA as normas que impedem, 
suspendem ou interrompem a PRESCRIÇÃO. 
Obs.: A instituição por lei de prazo decadencial para o exercício de determinado direito, anteriormente não sujeito 
a decadência poderá incidir sobre os direitos adquiridos antes da sua vigência, sem com isso implicar em 
retroatividade ou ofensa a direito adquirido. 
 
 
Art. 208. APLICA-SE à DECADÊNCIA o disposto nos arts. 195 e 198, inciso I. 
Art. 195. Os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou representantes 
legais, que derem causa à prescrição, ou não a alegarem oportunamente. 
Art. 198. Também não corre a prescrição: 
I - contra os incapazes de que trata o art. 3o (absolutamente incapazes); 
 
 
Art. 209. É NULA A RENÚNCIA à decadência fixada em lei. (DECADÊNCIA LEGAL) 
 
 
Art. 210. Deve o juiz, DE OFÍCIO, conhecer da decadência, quando estabelecida por lei. (DECADÊNCIA LEGAL) 
 
 
Art. 211. Se a DECADÊNCIA FOR CONVENCIONAL, a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau 
de jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação. (DECADÊNCIA CONVENCIONAL) 
 
69 
 
#NÃOCONFUNDA: 
Ação ANULATÓRIA Decai 
Ação CONDENATÓRIA Prescreve 
Ação DECLARATÓRIA Imprescritível 
 
#TABELACOMPARATIVA: 
PRESCRIÇÃO DECADÊNCIA 
Extingue a pretensão 
BIZU: PP = prescrição  pretensão 
Extingue o direito 
BIZU: DD = decadência  direito 
Prazos estabelecidos pela lei 
(arts. 205 e 206, do CC) 
Prazos estabelecidos: 
- pela lei: decadência legal e 
- pelas partes: decadência convencional 
Prazo geral: 10 anos Prazo geral: não há 
Juiz deve reconhecer de ofício 
Decadência legal: juiz reconhece de ofício 
Decadência convencional: juiz não reconhece de ofício, 
as partes que alegam 
Pode ser renunciada (expressa ou tácita), mas 
somente após a consumação do prazo e desde que 
não prejudique a terceiro 
Decadência legal: não pode ser renunciada, nem mesmo 
após a consumação 
Decadência convencional: pode ser renunciada, após a 
consumação 
Não corre contra determinadas pessoas Não corre apenas contras os absolutamente incapazes 
Há casos de impedimento, suspensão e interrupção 
Regra: não há casos de impedimento, suspensão e 
interrupção 
Execeção: Absolutamente incapazes (art. 208 c/c art, 198, 
I, do CC) 
 
PRAZOS DECADENCIAIS DA PARTE GERAL 
PRAZO ATO CONTAGEM DO PRAZO 
3 anos 
(art. 45, p. único) 
Anular a constituição das pessoas jurídicas de 
direito privado, por defeito do ato respectivo 
Publicação da inscrição da 
PJ no registro 
3 anos 
(art. 48, p. único) 
Anular as decisões de pessoa jurídica que tiver 
administração coletiva, quando violarem a lei 
ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, 
simulação ou fraude 
– 
180 dias 
(art. 119, p. único) 
Anulação do negócio concluído pelo 
representante em conflito de interesses com o 
representado, se tal fato era ou devia ser do 
conhecimento de quem com aquele tratou 
Conclusão do negócio 
ou 
Cessação da incapacidade 
Anulação do 
negócio 
jurídico 
 
REGRA: 4 anos 
(art. 178) 
Coação Dia em que ela cessar 
Erro, dolo, fraude contra credores, estado de 
perigo ou lesão 
Dia em que se realizou o 
negócio jurídico 
Atos de incapazes 
Dia em que cessar a 
incapacidade 
EXCEÇÃO: 2 anos 
(art. 179) 
Quando a lei dispuser que determinado ato é 
anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-
se a anulação 
Conclusão do ato 
 
SÚMULAS SOBRE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 
STF STJ 
- Súmula nº 150, STF: “Prescreve a execução no 
mesmo prazo de prescrição da ação.” 
 
- Súmula nº 106, STJ: “Proposta a ação no prazo fixado 
para o seu exercício, a demora na citação, por motivos 
inerentes ao mecanismo da justiça, não justifica o 
acolhimento da arguição de prescrição ou decadência.” 
70 
 
- Súmula nº 154, STF: “Simples vistoria não 
interrompe a Prescrição” 
- Súmula nº 412, STJ: “A ação de repetição de indébito 
de tarifas de água e esgoto sujeita-se ao prazo 
prescricional estabelecido no Código Civil.” 
 
- Súmula nº 647, STJ: “São imprescritíveis as ações 
indenizatórias por danos morais e materiais decorrentes 
de atos de perseguição política com violação de direitos 
fundamentais ocorridos durante o regime militar.” 
 
TÍTULO V 
Da Prova 
Art. 212. SALVO o negócio a que se impõe forma especial, o FATO JURÍDICO pode ser provado mediante: 
I - confissão; 
II - documento; 
III - testemunha; 
IV - presunção; 
V - perícia. 
 
 
CONFISSÃO 
Art. 213. NÃO TEM EFICÁCIA a confissão se provém de quem não é capaz de dispor do direito a que se referem 
os fatos confessados. 
Parágrafo único. Se feita a confissão por um representante, SOMENTE É EFICAZ nos limites em que este pode 
vincular o representado. 
 
 
Art. 214. A confissão é IRREVOGÁVEL, mas pode ser ANULADA se decorreu de erro de fato ou de coação. 
 
 
#CUIDADO: 
Se provém de quem não é capaz de dispor do direito: INEFICAZ 
Se decorreu de erro de fato ou coação: ANULÁVEL 
 
 
DOCUMENTOS 
Art. 215. A ESCRITURA PÚBLICA, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo 
PROVA PLENA. 
 
§ 1o SALVO quando exigidos por lei outros requisitos, a escritura pública DEVE CONTER: 
I - data e local de sua realização; 
II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam comparecido ao ato, por si, como 
representantes, intervenientes ou testemunhas; 
III - nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partese demais comparecentes, com a 
indicação, quando necessário, do regime de bens do casamento, nome do outro cônjuge e filiação; 
IV - manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes; 
V - referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do ato; 
VI - declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de que todos a leram; 
VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou seu substituto legal, encerrando 
o ato. 
 
§ 2o Se algum comparecente não puder ou não souber escrever, outra pessoa capaz assinará por ele, a seu rogo. 
 
§ 3o A escritura será redigida na língua nacional. 
 
71 
 
§ 4o Se qualquer dos comparecentes não souber a língua nacional e o tabelião não entender o idioma em que se 
expressa, deverá comparecer tradutor público para servir de intérprete, ou, não o havendo na localidade, outra 
pessoa capaz que, a juízo do tabelião, tenha idoneidade e conhecimento bastantes. 
 
§ 5o Se algum dos comparecentes não for conhecido do tabelião, nem puder identificar-se por documento, deverão 
participar do ato pelo menos duas testemunhas que o conheçam e atestem sua identidade. 
 
 
Art. 216. Farão a mesma prova que os originais as certidões textuais de qualquer peça judicial, do protocolo das 
audiências, ou de outro qualquer livro a cargo do escrivão, sendo extraídas por ele, ou sob a sua vigilância, e por 
ele subscritas, assim como os traslados de autos, quando por outro escrivão consertados. 
 
 
Art. 217. Terão a mesma força probante os traslados e as certidões, extraídos por tabelião ou oficial de registro, de 
instrumentos ou documentos lançados em suas notas. 
 
 
Art. 218. Os traslados e as certidões considerar-se-ão instrumentos públicos, se os originais se houverem produzido 
em juízo como prova de algum ato. 
 
 
Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados PRESUMEM-SE VERDADEIRAS em relação aos 
signatários. 
Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, 
as declarações enunciativas NÃO EXIMEM os interessados em sua veracidade do ônus de prová-las. 
 
 
Art. 220. A anuência ou a autorização de outrem, necessária à validade de um ato, provar-se-á do mesmo modo 
que este, e constará, sempre que se possa, do próprio instrumento. 
 
 
Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e 
administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como 
os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. 
Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprir-se pelas outras de caráter legal. 
 
 
Art. 222. O telegrama, quando lhe for contestada a autenticidade, faz prova mediante conferência com o original 
assinado. 
 
 
Art. 223. A cópia fotográfica de documento, conferida por tabelião de notas, valerá como prova de declaração 
da vontade, mas, impugnada sua autenticidade, deverá ser exibido o original. 
Parágrafo único. A prova não supre a ausência do título de crédito, ou do original, nos casos em que a lei ou as 
circunstâncias condicionarem o exercício do direito à sua exibição. 
 
 
Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão TRADUZIDOS para o português para ter efeitos 
legais no País. 
 
 
Art. 225. As reproduções fotográficas, cinematográficas, os registros fonográficos e, em geral, quaisquer outras 
reproduções mecânicas ou eletrônicas de fatos ou de coisas fazem prova plena destes, se a parte, contra quem forem 
exibidos, não lhes impugnar a exatidão. 
72 
 
Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, 
quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. 
Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, 
ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão 
dos lançamentos. 
 
 
TESTEMUNHA 
Art. 227. (revogado) 
Parágrafo único. Qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a PROVA TESTEMUNHAL é admissível como 
subsidiária ou complementar da prova por escrito. 
 
 
Art. 228. NÃO PODEM ser admitidos como testemunhas: 
I - os menores de dezesseis anos; 
IV - o interessado no litígio, o amigo íntimo ou o inimigo capital das partes; 
V - os cônjuges, os ascendentes, os descendentes e os colaterais, até o terceiro grau de alguma das partes, por 
consangüinidade, ou afinidade. 
 
§ 1o Para a prova de fatos que só elas conheçam, pode o juiz admitir o depoimento das pessoas a que se refere 
este artigo. 
 
§ 2o A PESSOA COM DEFICIÊNCIA poderá testemunhar em igualdade de condições com as demais pessoas, 
sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia assistiva. 
 
 
PERÍCIA 
Art. 231. Aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário NÃO PODERÁ aproveitar-se de sua 
recusa. 
 
 
Art. 232. A recusa à perícia médica ordenada pelo juiz PODERÁ SUPRIR a prova que se pretendia obter com o 
exame. 
 
 
TÍTULO IX 
Da Responsabilidade Civil 
 
CAPÍTULO I 
Da Obrigação de Indenizar 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica OBRIGADO A REPARÁ-LO. 
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, INDEPENDENTEMENTE DE CULPA, nos casos especificados 
em lei, OU quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco 
para os direitos de outrem. 
 
RESPONSABILIDADE CIVIL 
Regra: SUBJETIVA - baseada na CULPA 
Exceção: OBJETIVA 
- casos especificados em lei; 
OU 
- quando a atividade normalmente desenvolvida pelo 
autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os 
direitos de outrem. (CLÁUSULA GERAL) 
 
 
 
73 
 
#INFO 
- O art. 927, parágrafo único, do Código Civil pode ser aplicado para a responsabilidade civil do Estado. 
Aplica-se igualmente ao estado o que previsto no art. 927, parágrafo único, do Código Civil, relativo à 
responsabilidade civil objetiva por atividade naturalmente perigosa, irrelevante o fato de a conduta ser comissiva 
ou omissiva. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.869.046-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 09/06/2020 (Info 674). 
 
- O art. 927, parágrafo único, do CC pode ser aplicado para permitir a responsabilização objetiva do 
empregador por danos causados ao empregado decorrentes de acidentes de trabalho, não sendo 
incompatível com o art. 7º, XXVIII, da CF/88, que prevê responsabilidade subjetiva. 
O art. 927, parágrafo único, do Código Civil é compatível com o art. 7º, XXVIII, da Constituição Federal, sendo 
constitucional a responsabilização objetiva do empregador por danos decorrentes de acidentes de trabalho nos 
casos especificados em lei ou quando a atividade normalmente desenvolvida, por sua natureza, apresentar 
exposição habitual a risco especial, com potencialidade lesiva, e implicar ao trabalhador ônus maior do que aos 
demais membros da coletividade. 
STF. Plenário. RE 828040/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 12/3/2020 (repercussão geral – 
Tema 932) (Info 969). 
 
 
Art. 928. O INCAPAZ responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis NÃO TIVEREM 
obrigação de fazê-lo ou NÃO DISPUSEREM de meios suficientes. 
 
#NÃOCONFUNDA: 
Se os pais TÊM condições de arcar com os 
prejuízos: 
Os PAIS responderão diretamente e objetivamente. 
Se os pais NÃO TÊM condições de arcar com os 
prejuízos: 
O FILHO responderá pelos 
prejuízos subsidiariamente e equitativamente. 
Se o filho foi emancipado voluntariamente pelos 
pais: 
PAIS e FILHO 
responderão solidariamente pela totalidade dos 
prejuízos. 
 
Parágrafo único. A indenização previstaneste artigo, que deverá ser EQÜITATIVA, não terá lugar se privar do 
necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem. 
Obs.1: Essa responsabilidade possui duas características importantes: 
- Subsidiária: A responsabilidade só ocorre se os responsáveis não tiverem obrigação ou não dispuserem de meios 
suficientes. 
- Condicional: Não terá lugar se privar o incapaz ou as pessoas que dele dependam do necessário para a 
sobrevivência. 
Obs.2: Segundo entendimento do STJ, a emancipação voluntária, diversamente da operada por força de lei, NÃO 
EXCLUI a responsabilidade civil dos pais pelos atos praticados por seus filhos menores. Ou seja, para o STJ, a 
emancipação por outorga dos pais não exclui, por si só, a responsabilidade decorrente de atos ilícitos do filho 
(AgRg no Ag 1239557/RJ; RESP 122573/PR). 
 
 
Art. 929. Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art. 188 (estado de necessidade), não 
forem culpados do perigo, assistir-lhes-á DIREITO À INDENIZAÇÃO do prejuízo que sofreram. 
 
 
Art. 930. No caso do inciso II do art. 188 (estado de necessidade), se o perigo ocorrer por culpa de terceiro, 
contra este terá o autor do dano AÇÃO REGRESSIVA para haver a importância que tiver ressarcido ao lesado. 
Parágrafo único. A mesma ação competirá contra aquele em defesa de quem se causou o dano (art. 188, inciso I). 
 
 
74 
 
Art. 931. Ressalvados outros casos previstos em lei especial, os empresários individuais e as empresas respondem 
INDEPENDENTEMENTE DE CULPA pelos danos causados pelos produtos postos em circulação. 
 
 
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: (RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA INDIRETA OU 
COMPLEXA) 
I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; 
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; 
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes 
competir, ou em razão dele; 
IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins 
de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; 
V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. 
 
#INFO 
- A responsabilidade civil do incapaz pela reparação dos danos é subsidiária, condicional, mitigada e 
equitativa. 
Os incapazes (ex.: filhos menores), quando praticarem atos que causem prejuízos, terão responsabilidade 
subsidiária, condicional, mitigada e equitativa, nos termos do art. 928 do CC. 
Subsidiária: porque apenas ocorrerá quando os seus genitores não tiverem meios para ressarcir a vítima. 
Condicional e mitigada: porque não poderá ultrapassar o limite humanitário do patrimônio mínimo do infante. 
Equitativa: tendo em vista que a indenização deverá ser equânime, sem a privação do mínimo necessário para a 
sobrevivência digna do incapaz. 
A responsabilidade dos pais dos filhos menores será substitutiva, exclusiva e não solidária. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.436.401-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/02/2017 (Info 599). 
 
- Não há como afastar a responsabilização do pai do filho menor simplesmente pelo fato de que ele não 
estava fisicamente ao lado de seu filho no momento da conduta. 
O art. 932 do CC prevê que os pais são responsáveis pela reparação civil em relação aos atos praticados por seus 
filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. 
O art. 932, I do CC, ao se referir à autoridade e companhia dos pais em relação aos filhos, quis explicitar o poder 
familiar (a autoridade parental não se esgota na guarda), compreendendo um plexo de deveres, como proteção, 
cuidado, educação, informação, afeto, dentre outros, independentemente da vigilância investigativa e diária, sendo 
irrelevante a proximidade física no momento em que os menores venham a causar danos. 
Em outras palavras, não há como afastar a responsabilização do pai do filho menor simplesmente pelo fato de que 
ele não estava fisicamente ao lado de seu filho no momento da conduta. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.436.401-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/02/2017 (Info 599). 
 
- Os pais só respondem pelo filho incapaz que esteja sob sua autoridade e em sua companhia. 
A responsabilidade dos pais por filho menor (responsabilidade por ato ou fato de terceiro) é objetiva, nos termos 
do art. 932, I, do CC, devendo-se comprovar apenas a culpa na prática do ato ilícito daquele pelo qual são os pais 
responsáveis legalmente (ou seja, é necessário provar apenas a culpa do filho). 
Contudo, há uma exceção: os pais só respondem pelo filho incapaz que esteja sob sua autoridade e em sua 
companhia; assim, os pais, ou responsável, que não exercem autoridade de fato sobre o filho, embora ainda 
detenham o poder familiar, não respondem por ele. 
Desse modo, a mãe que, à época de acidente provocado por seu filho menor de idade, residia permanentemente 
em local distinto daquele no qual morava o menor - sobre quem apenas o pai exercia autoridade de fato - não 
pode ser responsabilizada pela reparação civil advinda do ato ilícito, mesmo considerando que ela não deixou de 
deter o poder familiar sobre o filho. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.232.011-SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 17/12/2015 (Info 575). 
 
Obs.: Fique atenta(o) que o REsp 1.436.401-MG tem uma conclusão ligeiramente diferente do REsp 
1.232.011-SC. Vale ressaltar, no entanto, que, no caso do REsp 1.232.011-SC, a mãe do menor que praticou 
75 
 
o ato ilícito residia em outro Município. Já na situação do REsp 1.436.401-MG o pai morava com o filho, 
mas não estava no momento junto com ele. 
 
- Pais de menor que causou acidente de trânsito possuem o dever de indenizar a vítima. 
Um menor, após ingerir bebida alcoólica, pegou o carro que pertencia à empresa de sua família e foi dirigir levando 
um amigo no carona. O menor conduzia o automóvel em alta velocidade e, após perder o controle em uma curva, 
colidiu com um poste, ocasionando graves lesões no amigo que resultaram, inclusive, na amputação parcial de um 
de seus braços. 
O STJ afirmou que os pais e a empresa proprietária do veículo são responsáveis solidariamente pelo pagamento 
da indenização à vítima (amigo que estava no banco do carona). Em regra, a responsabilidade civil é individual de 
quem, por sua própria conduta, causa dano a outrem. Porém, em determinadas situações, o ordenamento jurídico 
atribui a alguém a responsabilidade por ato de outra pessoa – como no caso em questão, em que cabe aos pais 
reparar os danos causados pelo filho menor, conforme prevê o art. 932 do Código Civil. Além disso, em matéria 
de acidente automobilístico, o proprietário do veículo responde objetiva e solidariamente pelos atos culposos de 
terceiro que o conduz e que provoca o acidente. Assim, a empresa proprietária do veículo também tem 
responsabilidade. A vítima terá que ser indenizada porque o menor agiu com culpa grave, nos termos da Súmula 
145 do STJ: “No transporte desinteressado, de simples cortesia, o transportador só será civilmente responsável por 
danos causados ao transportado quando incorrer em dolo ou culpa grave”. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1637884/SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/02/2018. 
 
- Responsabilidade civil por abandono material do pai em relação ao filho. 
A omissão voluntária e injustificada do pai quanto ao amparo MATERIAL do filho gera danos morais, passíveis de 
compensação pecuniária. 
O descumprimento da obrigação pelo pai, que, apesar de dispor de recursos, deixa de prestar assistência 
MATERIAL ao filho, não proporcionando a este condições dignas de sobrevivência e causando danos à sua 
integridade física, moral, intelectual e psicológica, configura ilícito civil, nos termos do art. 186 do Código Civil. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.087.561-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 13/6/2017(Info 609). 
 
- A vítima de um ato ilícito praticado por menor pode propor a ação somente contra o pai do garoto, não 
sendo necessário incluir o adolescente no polo passivo. 
Em ação indenizatória decorrente de ato ilícito, não há litisconsórcio necessário entre o genitor responsável pela 
reparação (art. 932, I, do CC) e o menor causador do dano. 
É possível, no entanto, que o autor, por sua opção e liberalidade, tendo em conta que os direitos ou obrigações 
derivem do mesmo fundamento de fato ou de direito, intente ação contra ambos – pai e filho –, formando-se um 
litisconsórcio facultativo e simples. 
Ex.: Lucas, 15 anos de idade, brincava com a arma de fogo de seu pai e, por imprudência, acabou acertando um 
tiro em Vítor, que ficou ferido, mas sobreviveu. Vítor ajuizou ação de indenização por danos morais e materiais 
contra João (pai de Lucas). Não era necessário que Vítor propusesse a ação contra João e Lucas, em litisconsórcio. 
Vale a pena esclarecer, no entanto, que seria plenamente possível que o autor (vítima) tivesse, por sua opção e 
liberalidade, ajuizado a ação contra ambos (pai e filho). Neste caso, teríamos uma hipótese de litisconsórcio: 
facultativo e simples. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.436.401-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/02/2017 (Info 599). 
 
 
Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, AINDA QUE NÃO HAJA CULPA DE SUA 
PARTE, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos. (RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA) 
 
 
Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem 
pagou, SALVO se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. 
 
 
76 
 
Art. 935. A responsabilidade civil é INDEPENDENTE DA CRIMINAL, NÃO SE PODENDO QUESTIONAR MAIS 
sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no 
juízo criminal. 
 
 
Art. 936. O dono, ou detentor, do ANIMAL ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou 
força maior. 
 
 
Art. 937. O dono de EDIFÍCIO OU CONSTRUÇÃO responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta 
provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta. 
 
 
Art. 938. Aquele que HABITAR PRÉDIO, ou PARTE DELE, responde pelo dano proveniente das coisas que dele 
caírem ou forem lançadas em lugar indevido. (DEFENESTRAÇÃO) 
 
 
Art. 939. O credor que demandar o devedor ANTES DE VENCIDA A DÍVIDA, fora dos casos em que a lei o 
permita, ficará obrigado a esperar o tempo que faltava para o vencimento, a descontar os juros correspondentes, 
embora estipulados, e a pagar as custas em dobro. 
 
Credor que demandar o devedor antes de 
vencida a dívida, fora dos casos em que a lei o 
permita, fica obrigado: 
- esperar o tempo que faltava para o vencimento; 
 
- descontar os juros correspondentes, embora estipulados; e 
 
- pagar as custas em dobro. 
 
 
Art. 940. Aquele que demandar por DÍVIDA JÁ PAGA, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas 
ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver 
cobrado e, no segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrição. 
 
#INFO 
- Via processual adequada para se requerer sanção por cobrança judicial de dívida já adimplida. 
A aplicação da sanção civil do pagamento em dobro por cobrança judicial de dívida já adimplida (art. 1.531 do CC 
1916 / art. 940 do CC 2002) pode ser postulada pelo réu na própria defesa, independendo da propositura de ação 
autônoma ou do manejo de reconvenção. 
 
- Necessidade de demonstração de má-fé do credor para condenação ao pagamento em dobro. 
Para que haja a aplicação da sanção civil do pagamento em dobro por cobrança judicial de dívida já adimplida 
(art. 1.531 do CC 1916 / art. 940 do CC 2002), é imprescindível a demonstração de má-fé do credor. Permanece 
válido o entendimento da Súmula 159-STF: Cobrança excessiva, mas de boa fé, não dá lugar às sanções do art. 
1.531 do Código Civil (atual art. 940 do CC 2002). 
STJ. 2ª Seção. REsp 1.111.270-PR, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 25/11/2015 (recurso repetitivo) (Info 
576). 
 
 
Art. 941. As penas previstas nos arts. 939 e 940 NÃO SE APLICARÃO quando o autor desistir da ação antes de 
contestada a lide, SALVO ao réu o direito de haver indenização por algum prejuízo que prove ter sofrido. 
 
 
Art. 942. Os BENS do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do 
dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão SOLIDARIAMENTE pela reparação. 
77 
 
Parágrafo único. São SOLIDARIAMENTE responsáveis com os autores os co-autores e as pessoas designadas 
no art. 932. 
 
 
Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la TRANSMITEM-SE COM A HERANÇA. 
 
TRANSMITEM-SE COM A HERANÇA 
- direito de exigir reparação; 
e 
- obrigação de prestar a reparação. 
 
CAPÍTULO II 
Da Indenização 
Art. 944. A indenização MEDE-SE pela extensão do dano. 
Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, PODERÁ o juiz 
REDUZIR, EQÜITATIVAMENTE, a indenização. 
 
 
Art. 945. Se a vítima tiver concorrido CULPOSAMENTE para o evento danoso, a sua indenização será fixada tendo-
se em conta a gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano. 
 
 
Art. 946. Se a obrigação for indeterminada, e não houver na lei ou no contrato disposição fixando a indenização 
devida pelo inadimplente, apurar-se-á o valor das perdas e danos na forma que a lei processual determinar. 
 
 
Art. 947. Se o devedor não puder cumprir a prestação na espécie ajustada, substituir-se-á pelo seu valor, em 
moeda corrente. 
 
 
Art. 948. No caso de HOMICÍDIO, a indenização consiste, sem excluir outras reparações: 
I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto da família; 
II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a duração provável da 
vida da vítima. 
 
 
Art. 949. No caso de LESÃO OU OUTRA OFENSA À SAÚDE, o ofensor indenizará o ofendido das despesas do 
tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove 
haver sofrido. 
 
 
Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se 
lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao 
fim da convalescença, incluirá PENSÃO correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da 
depreciação que ele sofreu. 
Parágrafo único. O prejudicado, SE PREFERIR, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de UMA 
SÓ VEZ. 
 
 
Art. 951. O disposto nos arts. 948, 949 e 950 APLICA-SE ainda no caso de indenização devida por aquele que, no 
exercício de atividade profissional, por negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, 
agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho. 
 
 
 
78 
 
#INFO 
- Não pode ser decretada a prisão civil do devedor de alimentos devidos em razão da prática de ato ilícito. 
#IMPORTANTE 
Os alimentos devidos em razão da prática de ato ilícito possuem natureza indenizatória (arts. 948, 950 e 951 do 
Código Civil) e, portanto, não se aplica o rito excepcional da prisão civil como meio coercitivo para o 
adimplemento. 
Ex.: João cometeu homicídio contra Pedro e foi condenado a pagar pensão mensal de 3 salários mínimos aos filhos 
da vítima. Caso ele se torne inadimplente, o juiz não poderá decretar prisão civil como meio coercitivo para o 
pagamento. 
STJ. 4ª Turma. HC 523.357-MG, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 01/09/2020 (Info 681). 
 
 
Art. 952. Havendo USURPAÇÃO OU ESBULHO DO ALHEIO, além da restituição da coisa, a indenizaçãoconsistirá 
em pagar o valor das suas deteriorações e o devido a título de lucros cessantes; faltando a coisa, dever-se-á 
reembolsar o seu equivalente ao prejudicado. 
Parágrafo único. Para se restituir o equivalente, quando não exista a própria coisa, estimar-se-á ela pelo seu 
preço ordinário e pelo de afeição, contanto que este não se avantaje àquele. 
 
 
Art. 953. A indenização por INJÚRIA, DIFAMAÇÃO ou CALÚNIA consistirá na reparação do dano que delas 
resulte ao ofendido. 
Parágrafo único. Se o ofendido não puder provar prejuízo material, caberá ao juiz fixar, EQÜITATIVAMENTE, o 
valor da indenização, na conformidade das circunstâncias do caso. 
 
 
Art. 954. A indenização por OFENSA À LIBERDADE PESSOAL consistirá no pagamento das perdas e danos que 
sobrevierem ao ofendido, e se este não puder provar prejuízo, tem aplicação o disposto no parágrafo único do 
artigo antecedente. 
Parágrafo único. Consideram-se OFENSIVOS da liberdade pessoal: 
I - o cárcere privado; 
II - a prisão por queixa ou denúncia falsa e de má-fé; 
III - a prisão ilegal. 
 
 
SÚMULAS SOBRE RESPONSABILIDADE CIVIL 
- Súmula nº 145, STJ: “No transporte desinteressado, de simples cortesia, o transportador só sera civilmente 
responsavel por danos causados ao transportado quando incorrer em dolo ou culpa grave.” 
 
- Súmula nº 221, STJ: “São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de dano, decorrente de publicação pela 
imprensa, tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação.” 
 
- Súmula nº 479, STJ: “As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito 
interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.” 
 
SÚMULAS SOBRE DANO MATERIAL 
- Súmula nº 562, STF: “Na indenização de danos materiais decorrentes de ato ilícito cabe a atualização de seu 
valor, utilizando-se, para esse fim, dentre outros critérios, dos índices de correção monetária.” 
 
- Súmula nº 37, STJ: “São cumulaveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato.” 
 
- Súmula nº 43, STJ: “Incide correção monetária sobre dívida por ato ilícito a partir da data do efetivo prejuízo.” 
 
- Súmula nº 647, STJ: “São imprescritíveis as ações indenizatórias por danos morais e materiais decorrentes de 
atos de perseguição política com violação de direitos fundamentais ocorridos durante o regime militar.” 
79 
 
SÚMULAS SOBRE DANO MORAL 
- Súmula nº 37, STJ: “São cumulaveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato.” 
 
- Súmula nº 227, STJ: “A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.” 
 
- Súmula nº 281, STJ: “A indenização por dano moral não está sujeita à tarifação prevista na Lei de Imprensa.” 
 
- Súmula nº 326, STJ: “Na ação de indenização por dano moral, a condenação em montante inferior ao postulado 
na inicial não implica sucumbência recíproca.” 
 
- Súmula nº 362, STJ: “A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde a data do 
arbitramento.” 
 
- Súmula nº 370, STJ: “Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado.” 
 
- Súmula nº 385, STJ: “Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano 
moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.” 
 
- Súmula nº 387, STJ: “É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.” 
 
- Súmula nº 388, STJ: “A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral.” 
 
- Súmula nº 402, STJ: “O contrato de seguro por danos pessoais compreende os danos morais, salvo cláusula 
expressa de exclusão.” 
 
- Súmula nº 403, STJ: “Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem 
de pessoa com fins econômicos ou comerciais.” 
 
- Súmula nº 420, STJ: “Incabível, em embargos de divergência, discutir o valor de indenização por danos morais.” 
 
- Súmula nº 498, STJ: “Não incide imposto de renda sobre a indenização por danos morais.” 
 
- Súmula nº 624, STJ: “É possível cumular a indenização do dano moral com a reparação econômica da Lei n. 
10.559/2002 (Lei da Anistia Política).” 
 
- Súmula nº 642, STJ: "O direito à indenização por danos morais transmite-se com o falecimento do titular, 
possuindo os herdeiros da vítima legitimidade para ajuizarem ou prosseguirem na ação indenizatória." 
 
- Súmula nº 647, STJ: “São imprescritíveis as ações indenizatórias por danos morais e materiais decorrentes de 
atos de perseguição política com violação de direitos fundamentais ocorridos durante o regime militar.” 
 
Termo inicial dos JUROS MORATÓRIOS 
(em caso de danos morais ou materiais) 
Responsabilidade EXTRACONTRATUAL Responsabilidade CONTRATUAL 
EVENTO DANOSO (art. 398 do CC e Súmula nº 54 
do STJ) 
- obrigação líquida: VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO 
(art. 397). É o caso das obrigações com mora ex re. 
- obrigação ilíquida: CITAÇÃO (art. 405 do CC). É o 
caso das obrigações com mora ex persona. 
Termo inicial da CORREÇÃO MONETÁRIA 
Danos MATERIAIS 
(responsabilidade contratual ou extracontratual) 
Danos MORAIS 
(responsabilidade contratual ou extracontratual) 
EFETIVO PREJUÍZO (Súmula nº 43, STJ) ARBITRAMENTO (Súmula nº 362, STF) 
*Fonte: site Dizer o Direito. 
 
80 
 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 125 DO STJ - RESPONSABILIDADE CIVIL - DANO MORAL 
1) A fixação do valor devido à título de indenização por danos morais deve considerar o método bifásico, que 
conjuga os critérios da valorização das circunstâncias do caso e do interesse jurídico lesado, e minimiza eventual 
arbitrariedade ao se adotar critérios unicamente subjetivos do julgador, além de afastar eventual tarifação do dano. 
 
2) O dano moral coletivo, aferível in re ipsa, é categoria autônoma de dano relacionado à violação injusta e 
intolerável de valores fundamentais da coletividade. 
 
3) É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. (Súmula n. 387/STJ) 
 
4) A legitimidade para pleitear a reparação por danos morais é, em regra, do próprio ofendido, no entanto, em 
certas situações, são colegitimadas também aquelas pessoas que, sendo muito próximas afetivamente à vítima, 
são atingidas indiretamente pelo evento danoso, reconhecendo-se, em tais casos, o chamado dano moral 
reflexo ou em ricochete. 
 
5) Embora a violação moral atinja apenas os direitos subjetivos do falecido, o espólio e os herdeiros têm 
legitimidade ativa ad causam para pleitear a reparação dos danos morais suportados pelo de cujus. 
 
6) Os sucessores possuem legitimidade para ajuizar ação de reparação de danos morais em decorrência de 
perseguição, tortura e prisão, sofridos durante a época do regime militar. 
 
7) O abandono afetivo de filho, em regra, não gera dano moral indenizável, podendo, em hipóteses excepcionais, 
se comprovada a ocorrência de ilícito civil que ultrapasse o mero dissabor, ser reconhecida a existência do dever 
de indenizar. 
O tema ainda é polêmico. 
O abandono afetivo decorrente da omissão do genitor no dever de cuidar da prole constitui elemento 
suficiente para caracterizar dano moral compensável? Há um dever jurídico de cuidar afetivamente? 
• 1ª corrente: SIM. Nos julgamentos da 3º Turma prevalece o entendimento de que, em hipóteses 
excepcionais, de gravíssimo descaso em relação ao filho, é cabível a indenização por abandono afetivo. Esta 
conclusão foi extraída da compreensão de que o ordenamento jurídico prevê o "dever de cuidado", o qual 
compreeende a obrigação de convivência e "um núcleo mínimo de cuidados parentais que, para além do 
mero cumprimento da lei, garantam aos filhos, ao menos quanto à afetividade, condições para uma 
adequada formação psicológica e inserção social." 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.557.978-DF, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 03/11/2015. 
• 2ª corrente: NÃO. Nas hipóteses julgadas pela 4ª Turma, entende-se que não cabe indenizar o abandono 
afetivo,por maior que tenha sido o sofrimento do filho. O Direito de Família é regido por princípios 
próprios, que afastam a responsabilidade civil extracontratual decorrente de ato ilícito. No plano material, 
a obrigação jurídica dos pais consiste na prestação de alimentos. No caso de descumprimento dos deveres 
de sustento, guarda e educação dos filhos, a legislação prevê como punição a perda do poder familiar, 
antigo pátrio-poder. 
STJ. 4ª Turma. REsp 492.243-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 12/06/2018. 
 
8) Não há responsabilidade por dano moral decorrente de abandono afetivo antes do reconhecimento da 
paternidade. 
Vale a mesma observação feita para a tese 7 acima. 
 
9) O prazo prescricional da pretensão reparatória de abandono afetivo começa a fluir a partir da maioridade do 
autor. 
 
10) A pessoa jurídica pode sofrer dano moral, desde que demonstrada ofensa à sua honra objetiva. 
 
11) A pessoa jurídica de direito público não é titular de direito à indenização por dano moral relacionado à 
ofensa de sua honra ou imagem, porquanto, tratando-se de direito fundamental, seu titular imediato é o particular 
e o reconhecimento desse direito ao Estado acarreta a subversão da ordem natural dos direitos fundamentais. 
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81 
 
 
#INFO 
JURISPRUDÊNCIA SOBRE RESPONSABILIDADE CIVIL 
- O ordenamento jurídico brasileiro não consagra o denominado direito ao esquecimento. #IMPORTANTE 
É incompatível com a Constituição a ideia de um direito ao esquecimento, assim entendido como o poder de 
obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos e 
publicados em meios de comunicação social analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos no exercício da 
liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a caso, a partir dos parâmetros constitucionais 
– especialmente os relativos à proteção da honra, da imagem, da privacidade e da personalidade em geral – e as 
expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e cível. 
STF. Plenário. RE 1010606/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2021 (Repercussão Geral – Tema 786) 
(Info 1005). 
 
- O termo inicial da prescrição da pretensão de obter o ressarcimento pela perda de uma chance decorrente 
da ausência de apresentação de agravo de instrumento é a data do conhecimento do dano. 
Exemplo hipotético: João contratou Marcelo para ajuizar uma ação ordinária contra o plano de saúde. Foi ajuizada 
a ação, mas o juiz negou o pedido de tutela provisória de urgência. 
Marcelo, sem uma razão justificável, deixou de interpor agravo de instrumento. Em 06/06/2016, transcorreu in albis 
o prazo recursal. O processo continuou tramitando, no entanto, Marcelo sempre se mostrava negligente e sem 
compromisso para com seu cliente. 
Assim, em 07/07/2017, João revogou os poderes conferidos a Marcelo e contratou outro advogado para 
acompanhar o processo. O termo inicial do prazo prescricional para a ação de indenização pela perda de uma 
chance é 07/07/2017. 
No caso, não é razoável considerar como marco inicial da prescrição a data limite para a interposição do agravo 
de instrumento, haja vista inexistirem elementos nos autos - ou a comprovação por parte do causídico - de que o 
cliente tenha sido cientificado da perda de prazo para apresentar o recurso cabível. Portanto, o prazo prescricional 
não pode ter início no momento da lesão ao direito da parte (dia em que o advogado perdeu o prazo), mas sim 
na data do conhecimento do dano, aplicando-se excepcionalmente a actio nata em sua vertente subjetiva. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.622.450/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 16/03/2021 (Info 689). 
 
- Pessoa jurídica de direito público tem direito à indenização por danos morais relacionados à violação da 
honra ou da imagem, quando a credibilidade institucional for fortemente agredida e o dano reflexo sobre 
os demais jurisdicionados em geral for evidente. #IMPORTANTE 
Imagine que um particular profere palavras ofensivas contra a administração pública. A pessoa jurídica de direito 
público terá direito à indenização por danos morais sob a alegação de que sofreu violação da sua honra ou 
imagem? 
NÃO. Em regra, pessoa jurídica de direito público não pode pleitear, contra particular, indenização por dano moral 
relacionado à violação da honra ou da imagem. Nesse sentido: 
REsp 1.258.389/PB, REsp 1.505.923/PR e AgInt no REsp 1.653.783/SP. 
Suponha, contudo, que uma autarquia foi vítima de grande esquema criminoso que desviou vultosa quantia e 
gerou grande repercussão na imprensa, acarretando descrédito em sua credibilidade institucional. Neste caso, os 
particulares envolvidos poderiam ser condenados a pagar indenização por danos morais à autarquia? 
SIM. Pessoa jurídica de direito público tem direito à indenização por danos morais relacionados à violação da 
honra ou da imagem, quando a credibilidade institucional for fortemente agredida e o dano reflexo sobre os 
demais jurisdicionados em geral for evidente. 
Nos três julgados acima mencionados nos quais o STJ negou direito à indenização, o que estava em jogo era a 
livre manifestação do pensamento, a liberdade de crítica dos cidadãos ou o uso indevido de bem imaterial do ente 
público. No caso concreto é diferente. A indenização está sendo pleiteada em razão da violação à credibilidade 
institucional da autarquia que foi fortemente agredida em razão de crimes praticados contra ela. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.722.423-RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 24/11/2020 (Info 684). 
 
 
 
82 
 
- Prazo prescricional na responsabilidade contratual é de 10 anos e na responsabilidade extracontratual 3 
anos. 
É adequada a distinção dos prazos prescricionais da pretensão de reparação civil advinda de responsabilidades 
contratual e extracontratual. 
Nas controvérsias relacionadas à responsabilidade CONTRATUAL, aplica-se a regra geral (art. 205 CC/2002) que 
prevê 10 anos de prazo prescricional e, quando se tratar de responsabilidade extracontratual, aplica-se o disposto 
no art. 206, § 3º, V, do CC/2002, com prazo de 3 anos. 
Para fins de prazo prescricional, o termo “reparação civil” deve ser interpretado de forma restritiva, abrangendo 
apenas os casos de indenização decorrente de responsabilidade civil extracontratual. 
STJ. 2ª Seção. EREsp 1.280.825-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/06/2018 (Info 632). 
A pretensão indenizatória decorrente do inadimplemento contratual sujeita-se ao prazo prescricional decenal (art. 
205 do Código Civil), se não houver previsão legal de prazo diferenciado. 
STJ. Corte Especial. EREsp 1.281.594-SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Rel. Acd. Min. Felix Fischer, julgado 
em 15/05/2019 (Info 649). 
 
#EMRESUMO: 
• Responsabilidade civil extracontratual (reparação civil): 3 anos (art. 206, § 3º, V, CC) 
• Responsabilidade contratual (inadimplemento contratual):10 anos (art. 205, CC) 
 
- Havendo pedido de indenização por perdas e danos em geral, pode o juiz reconhecer a aplicação da perda 
de uma chance sem que isso implique em julgamento fora da pretensão autoral. 
Caso concreto: determinada empresa ajuizou de ação de indenização por danos materiais contra Henrique 
postulando o pagamento de R$ 35 mil sob o argumento de que o réu, então advogado da empresa em um 
processo, perdeu o prazo para apresentar embargos monitórios. 
O juízo a quo condenou o requerido com base na perda de uma chance. Ocorre que a autora não requereu 
expressamente a aplicação dessa teoria. O julgamento foi extra petita? 
Não. O princípio da congruência ou da adstrição determina que o magistrado deve decidir a lide dentro dos limites 
fixados pelas partes. O pedido formulado deve ser examinado a partir de uma interpretação lógico-sistemática, 
não podendo o magistrado se esquivar da análise ampla e detida da relação jurídica posta, mesmo porque a 
obrigatória adstrição do julgador ao pedido expressamente formulado pelo autor pode ser mitigada em 
observância aos brocardos da mihi factum dabo tibi ius (dá-me os fatos que te darei o direito) e iura novit curia (o 
juiz é quem conhece o direito). 
Logo, não existe julgamento extra petita, pois o autor postulou indenização por danos materiais e o juízo a quo 
condenou o réu em conformidade com o pedido utilizando, contudo, como fundamento jurídico a teoria da perda 
de uma chance. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.637.375-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 17/11/2020 (Info 683). 
 
- Pessoa residente no Brasil foi ameaçada por e-mail enviado de conta hospedada no exterior; Justiça 
brasileira é competente para determinar que a empresa responsável pela conta identifique o titular do e-
mail. 
Caso concreto: Luís recebeu ameaças por mensagens eletrônicas enviadas por meio da conta de e-mail 
xxxxx@outlook.com. Diante disso, Luís ajuizou ação contra a Microsoft (proprietária do outlook) pedindo que ela 
fosse condenada a fornecer as informações necessárias (IP, data e horário de acesso) para a identificação do 
usuário da conta responsável pelas ameaças. 
A Microsoft alegou que a Justiça Brasileira não teria competência para apreciar a causa e para determinar o 
fornecimento dos dados. Isso porque o provedor de conexão se encontra localizado fora do Brasil, o endereço 
eletrônico foi acessado no exterior e as ameaças foram escritas em inglês. 
O STJ não concordou com a alegação de incompetência. 
Em caso de ofensa ao direito brasileiro em aplicação hospedada no estrangeiro (ex: uma ofensa veiculada contra 
residente no Brasil feita no Facebook por um estrangeira), é possível sim a determinação judicial, por autoridade 
brasileira, de que tal conteúdo seja retirado da internet e que os dados do autor da ofensa sejam apresentados à 
vítima. Não fosse assim, bastaria a qualquer pessoa armazenar informações lesivas em países longínquos para não 
responder por seus atos danosos. 
83 
 
Com base no art. 11 do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014), tem-se a aplicação da lei brasileira sempre 
que qualquer operação de coleta, armazenamento, guarda e tratamento de registros, de dados pessoais ou de 
comunicações por provedores de conexão e de aplicações de internet ocorra em território nacional, mesmo que 
apenas um dos dispositivos da comunicação esteja no Brasil e mesmo que as atividades sejam feitas por empresa 
com sede no estrangeiro. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.745.657-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 03/11/2020 (Info 683). 
 
- Facebook não é obrigado a fornecer os dados de todos os usuários que compartilharam post contendo 
fake news. #IMPORTANTE 
É vedado ao provedor de aplicações de internet fornecer dados de forma indiscriminada dos usuários que tenham 
compartilhado determinada postagem, em pedido genérico e coletivo, sem a especificação mínima de uma 
conduta ilícita realizada. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.859.665/SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 09/03/2021 (Info 688). 
 
- Os provedores de aplicações de internet não são obrigados a guardar e fornecer dados pessoais dos 
usuários, sendo suficiente a apresentação dos registros de número IP. 
Exemplo: João foi ofendido por meio de mensagens veiculadas em e-mail. O autor das mensagens utilizava um e-
mail com domínio do Hotmail (que pertence à Microsoft). João ajuizou ação contra a Microsoft pedindo que ela 
fosse condenada a fornecer os dados pessoais do titular do e-mail utilizado para as ofensas (nome, RG, CPF e 
endereço). O magistrado julgou o pedido procedente, sentença mantida pelo TJ. A empresa recorreu afirmando 
que só é obrigada a guardar o IP dos usuários. 
A tese da Microsoft é acolhida pelo STJ. 
O provedor tem o dever de propiciar meios para que se possa identificar cada um dos usuários, coibindo o 
anonimato e atribuindo a cada manifestação uma autoria certa e determinada. 
Para cumprir essa obrigação, é suficiente que o provedor guarde e forneça o número IP correspondente à 
publicação ofensiva indicada pela parte. 
Ainda que não exija os dados pessoais dos seus usuários, o provedor de conteúdo, que registra o número de 
protocolo na internet (IP) dos computadores utilizados para o cadastramento de cada conta, mantém um meio 
razoavelmente eficiente de rastreamento dos seus usuários, medida de segurança que corresponde à diligência 
média esperada dessa modalidade de provedor de serviço de internet. 
STJ. REsp 1.829.821-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25/08/2020 (Info 680). 
 
- Poder Judiciário pode obrigar empresa responsável pela rede social a fornecer os dados de todos os 
usuários que acessaram determinado perfil dessa rede social em determinado intervalo de tempo. 
Caso concreto: um casal publicou, de livre e espontânea vontade, fotos e vídeos em uma rede social adulta voltada 
para swing, chamada “Sexlog”. Esse material foi indevidamente capturado por algum usuário da rede e distribuído 
por WhatsApp. 
O casal ajuizou ação contra a empresa responsável pela rede pedindo para que ela fornecesse os dados de todos 
os usuários que acessaram o perfil dos requerentes no período compreendido entre janeiro e abril de 2017. 
O pedido do casal pode ser acolhido? A empresa responsável pela rede tem a obrigação de fornecer esses dados? 
SIM. O art. 15 da Lei nº 12.965/2014 (Marco Civil da Internet) prevê: 
Art. 15. O provedor de aplicações de internet constituído na forma de pessoa jurídica e que exerça essa atividade 
de forma organizada, profissionalmente e com fins econômicos deverá manter os respectivos registros de acesso 
a aplicações de internet, sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de 6 (seis) meses, nos 
termos do regulamento. 
Diante da obrigação legal de guarda de registros de acesso a aplicações de internet, não há como afastar a 
possibilidade jurídica de obrigar os provedores de aplicação ao fornecimento dessas informações (quais usuários 
acessaram um perfil na rede social num período), considerando que se trata de mero desdobramento dessas 
obrigações. 
Em suma: é juridicamente possível obrigar os provedores de aplicação ao fornecimento de IPs e de dados 
cadastrais de usuários que acessaram perfil de rede social em um determinado período de tempo. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.738.651-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25/08/2020 (Info 678). 
 
84 
 
- Acidente de trânsito, responsabilidade civil e possibilidade de ajuizamento de ação para complementação 
das verbas já recebidas por força de acordo extrajudicial. 
Em regra, a quitação ampla, geral e irrevogável efetivada em acordo extrajudicial deve ser presumida válida e 
eficaz, não se autorizando o ingresso na via judicial para ampliar verbas indenizatórias anteriormente aceitas e 
recebidas. 
Existem, contudo, exceções a essa regra. 
O curto espaço de tempo entre o acidente e a assinatura do acordo e desconhecimento da integralidade dos 
danosconstitui exceção à regra de que a quitação plena e geral desautoriza o ajuizamento de ação para ampliar 
a verba indenizatória aceita e recebida. 
Caso concreto: o acidente de trânsito foi em 20/04/2015; o acordo foi celebrado em 08/05/2015, ou seja, em data 
muito próxima à do sinistro; nessa época, a autora ainda não tinha conhecimento da integralidade do prejuízo que 
havia sofrido; após a assinatura do termo, a parte tomou ciência de que necessitaria de amplo tratamento dentário, 
razão pela qual ajuizou ação cobrando o custo disso e que não estava coberto pelo acordo. 
STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1.833.847-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 20/04/2020 (Info 
671). 
 
- O simples fato de o condutor responsável pelo acidente de trânsito ter fugido sem prestar socorro à vítima 
não configura dano moral in re ipsa; logo, o dano moral terá que ser demonstrado para que haja 
indenização. #IMPORTANTE 
A omissão de socorro à vítima de acidente de trânsito, por si, não configura hipótese de dano moral in re ipsa. 
A evasão do réu do local do acidente pode, a depender do caso concreto, causar ofensa à integridade física e 
psicológica da vítima, no entanto, para isso, deverão ser analisadas as particularidades envolvidas. 
Haverá circunstâncias em que a fuga do réu, sem previamente verificar se há necessidade de auxílio aos demais 
envolvidos no acidente, superará os limites do mero aborrecimento e, por consequência, importará na devida 
compensação pecuniária do sofrimento gerado. Por outro lado, é possível conceber situação hipotética em que a 
evasão do réu do local do sinistro não causará transtorno emocional ou psicológico à vítima. 
Logo, o simples fato de ter havido omissão de socorro não significa, por si só, que houve dano moral. Não se trata 
de hipótese de dano moral presumido. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.512.001-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 27/04/2021 (Info 694). 
 
- Acidente de carro sem vítimas: danos morais devem ser provados. 
Os danos decorrentes de acidentes de veículos automotores sem vítimas não caracterizam dano moral in re ipsa. 
Vale ressaltar que é possível a condenação de danos morais em casos de acidente de trânsito, no entanto, trata-
se de situação excepcional, sendo necessário que a parte demonstre circunstâncias peculiares que indiquem o 
extrapolamento da esfera exclusivamente patrimonial. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.653.413-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 05/06/2018 (Info 627). 
 
- O fato de ter havido prescrição da pretensão punitiva não impede o ajuizamento ou a continuidade da 
ação civil ex delicto. 
A decretação da prescrição da pretensão punitiva do Estado na ação penal não fulmina o interesse processual no 
exercício da pretensão indenizatória a ser deduzida no juízo cível pelo mesmo fato. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.802.170-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/02/2020 (Info 666). 
 
- O companheiro que, com seu comportamento, assume o risco de transmissão do vírus HIV à parceira, deve 
pagar indenização pelos danos morais e materiais a ela causados. 
O parceiro que suspeita de sua condição soropositiva, por ter adotado comportamento sabidamente temerário 
(vida promíscua, utilização de drogas injetáveis, entre outros), e mesmo assim continua normalmente tendo 
relações sexuais com sua companheira sem alertá-la para esse fato, assume os riscos de sua conduta e, se ela for 
contaminada, responde civilmente pelos danos causados. 
A negligência, incúria e imprudência mostram-se evidentes quando o cônjuge/companheiro, ciente de sua possível 
contaminação, não realiza o exame de HIV, não informa o parceiro sobre a probabilidade de estar infectado nem 
utiliza métodos de prevenção. 
• STJ. 4° Turma. REsp 1.760.943-MG, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 19/03/2019 (lnfo 647). 
 
85 
 
- Concessionária de rodovia não responde civilmente por roubo e sequestro. 
Concessionária de rodovia não responde por roubo e sequestro ocorridos nas dependências de estabelecimento 
por ela mantido para a utilização de usuários. 
A segurança que a concessionária deve fornecer aos usuários diz respeito ao bom estado de conservação e 
sinalização da rodovia. Não tem, contudo, como a concessionária garantir segurança privada ao longo da estrada, 
mesmo que seja em postos de pedágio ou de atendimento ao usuário. 
O roubo com emprego de arma de fogo é considerado um fato de terceiro equiparável a força maior, que exclui 
o dever de indenizar. Trata-se de fato inevitável e irresistível e, assim, gera uma impossibilidade absoluta de não 
ocorrência do dano. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.749.941-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 04/12/2018 (Info 640). 
 
- Responsabilidade civil da concessionária que administra a rodovia por furto ocorrido em seu pátio. 
A pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público possui responsabilidade civil em razão de dano 
decorrente de crime de furto praticado em suas dependências, nos termos do art. 37, § 6º, da CF/88. 
Caso concreto: o caminhão de uma empresa transportadora foi parado na balança de pesagem na Rodovia 
Anhanguera (SP), quando se constatou excesso de peso. Os agentes da concessionária determinaram que o 
condutor estacionasse o veículo no pátio da concessionária e, em seguida, conduziram-no até o escritório para ser 
autuado. 
Aproximadamente 10 minutos depois, ao retornar da autuação para o caminhão, o condutor observou que o 
veículo havia sido furtado. 
O STF condenou a Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A, empresa concessionária responsável pela rodovia a 
indenizar a transportadora. 
O Supremo reconheceu a responsabilidade civil da prestadora de serviço público, ao considerar que houve omissão 
no dever de vigilância e falha na prestação e organização do serviço. 
STF. 1ª Turma. RE 598356/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 901). 
 
- O ato de vandalismo que resulta no rompimento de cabos elétricos de vagão de trem não exclui 
necessariamente a responsabilidade da concessionária/transportadora. 
Caso concreto: houve uma explosão elétrica no vagão de trem durante o transporte, o que gerou tumulto e pânico 
entre os passageiros. Essa explosão decorreu de ato de vandalismo. 
Mesmo que o dano tenha sido decorrente de uma conduta de terceiro, persiste a responsabilidade da 
concessionária. Isso porque a conduta do terceiro, neste caso, está inserida no risco do transportador, 
relacionando-se com a sua atividade. Logo, configura o chamado fortuito interno, que não é capaz de excluir a 
responsabilidade. 
O contrato de transporte de passageiros envolve a chamada cláusula de incolumidade, segundo a qual o 
transportador deve empregar todos os expedientes que são próprios da atividade para preservar a integridade 
física do passageiro, contra os riscos inerentes ao negócio, durante todo o trajeto, até o destino final da viagem. 
Assim, o ato de vandalismo que resulta no rompimento de cabos elétricos de vagão de trem não exclui a 
responsabilidade da concessionária/transportadora, pois cabe a ela cumprir protocolos de atuação para evitar 
tumulto, pânico e submissão dos passageiros a mais situações de perigo. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.786.722-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/06/2020 (Info 673). 
 
- Pretensão de danos morais decorrentes de tortura no regime militar é imprescritível. 
As ações de indenização por danos morais decorrentes de atos de tortura ocorridos durante o Regime Militar de 
exceção são imprescritíveis. 
Não se aplica o prazo prescricional de 5 anos previsto no art. 1º do Decreto 20.910/1932. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.374.376-CE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/6/2013 (Info 523). 
 
- A exploração de jogo de azar ilegal configura, em si mesma, dano moral coletivo. 
Em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal contra os réus que desenvolviam ilegalmente 
atividade de bingo, foi determinada a suacondenação em danos morais coletivos. Considerou-se que há dano 
moral in re ipsa. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.567.123-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 14/06/2016 (Info 678). 
 
86 
 
- Agressões físicas ou verbais praticadas por adulto contra criança geram dano moral in re ipsa. 
A conduta de um adulto que pratica agressão verbal ou física contra criança ou adolescente configura elemento 
caracterizador da espécie do dano moral in re ipsa. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.642.318-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 7/2/2017 (Info 598). 
 
- Policial que, fora de suas funções, prende vizinho por conta de xingamentos sofridos, pratica ato ilícito 
que gera dano moral in re ipsa. 
A privação da liberdade por policial fora do exercício de suas funções e com reconhecido excesso na conduta 
caracteriza dano moral in re ipsa. 
Durante uma discussão no condomínio, um morador, que é policial, algemou e prendeu seu vizinho, após ser por 
ele ofendido verbalmente. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.675.015-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/9/2017 (Info 612). 
 
- Ofensas proferidas por Rita Lee contra policiais militares em show geraram dano moral in re ipsa. 
As ofensas generalizadas proferidas por cantora contra policias militares que realizavam a segurança do show 
atingem, de forma individualizada, cada um dos integrantes da corporação que estavam de serviço no evento e 
caracterizam dano moral in re ipsa, devendo a artista indenizar cada um dos policiais que trabalhavam no local. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.524-SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 3/8/2017 (Info 609). 
 
- Atraso de voo internacional não gera dano moral in re ipsa. 
Na hipótese de atraso de voo, não se admite a configuração do dano moral in re ipsa. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.584.465-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2018 (Info 638). 
 
 
LIVRO III 
Do Direito das Coisas 
 
TÍTULO I 
Da posse 
 
CAPÍTULO I 
Da Posse e sua Classificação 
Art. 1.196. Considera-se POSSUIDOR todo aquele que tem de fato o exercício, PLENO OU NÃO, de algum dos 
poderes inerentes à propriedade. 
 
#INFO 
- Ajuizamento de ação possessória por invasor de terra pública contra outros particulares. 
É cabível o ajuizamento de ações possessórias por parte de invasor de terra pública contra outros particulares. 
A ocupação de área pública, sem autorização expressa e legítima do titular do domínio, não pode ser confundida 
com a mera detenção. 
Aquele que invade terras e nela constrói sua moradia jamais exercerá a posse em nome alheio. Não há entre ele e 
o proprietário uma relação de dependência ou subordinação. 
Ainda que a posse não possa ser oposta ao ente público, senhor da propriedade do bem, ela pode ser oposta 
contra outros particulares, tornando admissíveis as ações possessórias entre invasores. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.484.304-DF, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 10/3/2016 (Info 579). 
 
- Particular que ocupa bem público dominical poderá ajuizar ações possessórias para defender a sua 
permanência no local? 
1) particular invade imóvel público e deseja proteção possessória em face do PODER PÚBLICO: não é 
possível. Não terá direito à proteção possessória. Não poderá exercer interditos possessórios porque, perante o 
Poder Público, ele exerce mera detenção. 
2) particular invade imóvel público e deseja proteção possessória em face de outro PARTICULAR: terá direito, 
em tese, à proteção possessória. É possível o manejo de interditos possessórios em litígio entre particulares sobre 
bem público dominical, pois entre ambos a disputa será relativa à posse. 
87 
 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.296.964-DF, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/10/2016 (lnfo 594). 
 
- Particular pode ajuizar ação possessória tendo como objeto bem público de uso comum do povo. 
Particulares podem ajuizar ação possessória para resguardar o livre exercício do uso de via municipal (bem público 
de uso comum do povo) instituída como servidão de passagem. 
Ex: a empresa começou a construir uma indústria e a obra está invadindo a via de acesso (rua) que liga a avenida 
principal à uma comunidade de moradores locais. Os moradores possuem legitimidade para ajuizar ação de 
reintegração de posse contra a empresa alegando que a rua que está sendo invadida representa uma servidão de 
passagem. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.582.176-MG, Rei. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/9/2016 (lnfo 590). 
 
- Ação possessória entre particulares e possibilidade de oposição do ente público. 
Em ação possessória entre particulares é cabível o oferecimento de oposição pelo ente público, alegando-se 
incidentalmente o domínio de bem imóvel como meio de demonstração da posse. 
STJ. Corte Especial. EREsp 1.134.446-MT, Rei. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 21/03/2018 (Info 623). 
 
 
Art. 1.197. A POSSE DIRETA, de pessoa que tem a coisa em seu poder, TEMPORARIAMENTE, em virtude de 
direito pessoal, ou real, NÃO ANULA a INDIRETA, de quem aquela foi havida, podendo o POSSUIDOR DIRETO 
defender a sua posse contra o INDIRETO. 
 
 
Art. 1.198. Considera-se DETENTOR aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, 
conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. 
Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este artigo, em relação ao bem 
e à outra pessoa, PRESUME-SE DETENTOR, até que prove o contrário. 
- Súmula nº 619, STJ: “A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária, 
insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias.” 
 
POSSUIDOR DETENTOR 
Aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de 
algum dos poderes inerentes à propriedade. 
Aquele que, achando-se em relação de dependência 
para com outro, conserva a posse em nome deste e 
em cumprimento de ordens ou instruções suas. 
 
 
Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas POSSUÍREM COISA INDIVISA, PODERÁ cada uma exercer sobre ela atos 
possessórios, contanto que NÃO EXCLUAM os dos outros compossuidores. (COMPOSSE) 
 
 
Art. 1.200. É JUSTA a posse que NÃO FOR violenta, clandestina ou precária. 
 
 
Art. 1.201. É DE BOA-FÉ a posse, se o possuidor IGNORA o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da 
coisa. 
Parágrafo único. O POSSUIDOR COM JUSTO TÍTULO tem por si a PRESUNÇÃO DE BOA-FÉ, SALVO prova em 
contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção. 
 
#NÃOCONFUNDA: 
POSSE JUSTA POSSE DE BOA-FÉ 
Que não for violenta, clandestina ou precária. 
Se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que 
impede a aquisição da coisa. 
 
 
88 
 
Art. 1.202. A POSSE DE BOA-FÉ só PERDE este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam 
presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente. 
 
 
Art. 1.203. SALVO prova em contrário, entende-se MANTER A POSSE o mesmo caráter com que foi adquirida. 
 
CAPÍTULO II 
Da Aquisição da Posse 
Art. 1.204. ADQUIRE-SE a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de 
qualquer dos poderes inerentes à propriedade. 
 
 
Art. 1.205. A posse pode ser ADQUIRIDA: 
I - pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante; 
II - por terceiro sem mandato, DEPENDENDO de ratificação. 
 
A POSSE PODE SER ADQUIRIDA 
- própria pessoa que a pretende; 
 
- por seu representante; 
 
- terceiro sem mandato (depende de ratificação). 
 
 
Art. 1.206. A posse TRANSMITE-SE aos herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos caracteres. 
 
 
Art. 1.207. O sucessor UNIVERSAL continua de direito a posse do seu antecessor; e ao sucessor SINGULAR é 
facultado unir sua posse à do antecessor, para os efeitos legais. 
 
SUCESSOR UNIVERSAL SUCESSOR SINGULAR 
Continua de direito a posse do seu antecessor. 
É facultado unir sua posse à do antecessor, para os 
efeitos legais. 
 
 
Art. 1.208. NÃO INDUZEM posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como NÃO AUTORIZAMA SUA 
AQUISIÇÃO os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade. 
 
NÃO INDUZEM POSSE NÃO AUTORIZAM A AQUISIÇÃO DA POSSE 
Atos de mera permissão ou tolerância. 
Atos violentos ou clandestinos. 
Autorizam a aquisição depois de cessar a violência ou 
a clandestinidade. 
 
 
Art. 1.209. A posse do imóvel faz PRESUMIR, até prova contrária, a das coisas móveis que nele estiverem. 
 
CAPÍTULO III 
Dos Efeitos da Posse 
Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser MANTIDO na posse em caso de TURBAÇÃO, RESTITUÍDO no de 
ESBULHO, e SEGURADO de VIOLÊNCIA IMINENTE, se tiver JUSTO RECEIO de ser molestado. 
 
§ 1o O possuidor TURBADO, ou ESBULHADO, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto 
que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do INDISPENSÁVEL à manutenção, ou 
restituição da posse. 
 
89 
 
§ 2o NÃO OBSTA à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre 
a coisa. 
 
 
Art. 1.211. Quando MAIS de uma pessoa se disser possuidora, manter-se-á PROVISORIAMENTE a que tiver a 
coisa, se não estiver manifesto que a obteve de alguma das outras por modo vicioso. 
 
 
Art. 1.212. O possuidor pode intentar a ação de ESBULHO, ou a de INDENIZAÇÃO, contra o terceiro, que recebeu 
a coisa esbulhada sabendo que o era. 
 
 
Art. 1.213. O disposto nos artigos antecedentes não se aplica às servidões não aparentes, salvo quando os 
respectivos títulos provierem do possuidor do prédio serviente, ou daqueles de quem este o houve. 
 
 
FRUTOS 
Art. 1.214. O possuidor DE BOA-FÉ tem direito, enquanto ela durar, aos frutos PERCEBIDOS. 
Parágrafo único. Os frutos PENDENTES ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser RESTITUÍDOS, depois de 
deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também RESTITUÍDOS os frutos COLHIDOS COM 
ANTECIPAÇÃO. 
 
 
Art. 1.215. Os frutos NATURAIS E INDUSTRIAIS reputam-se colhidos e percebidos, logo que são separados; os 
CIVIS reputam-se percebidos dia por dia. 
 
 
Art. 1.216. O possuidor DE MÁ-FÉ RESPONDE por TODOS os frutos COLHIDOS E PERCEBIDOS, bem como pelos 
que, por culpa sua, DEIXOU DE PERCEBER, desde o momento em que se constituiu de má-fé; TEM DIREITO às 
despesas da produção e custeio. 
 
FRUTOS 
POSSUIDOR DE BOA-FÉ POSSUIDOR DE MÁ-FÉ 
Direito – frutos percebidos, enquanto durar a boa-fé Direito – despesas da produção e custeio 
Deve Restituir: 
• frutos pendentes, ao tempo em que cessar a boa-fé 
(depois de deduzidas as despesas da produção e 
custeio); 
• frutos colhidos com antecipação. 
Responde: 
• todos os frutos colhidos e percebidos; e 
• pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde 
o momento em que se constituiu de má-fé. 
 
 
PERDA E DETERIORAÇÃO 
Art. 1.217. O possuidor DE BOA-FÉ NÃO RESPONDE pela perda ou deterioração da coisa, A QUE NÃO DER 
CAUSA. 
 
 
Art. 1.218. O possuidor DE MÁ-FÉ RESPONDE pela perda, ou deterioração da coisa, AINDA QUE ACIDENTAIS, 
SALVO se provar que de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante. 
 
PERDA OU DETERIORAÇÃO DA COISA 
POSSUIDOR DE BOA-FÉ POSSUIDOR DE MÁ-FÉ 
Não responder a que não der causa. 
Responde, ainda que acidentais. 
Salvo, se provar que de igual modo se teriam dado, 
estando ela na posse do reivindicante. 
90 
 
BENFEITORIAS 
Art. 1.219. O possuidor DE BOA-FÉ TEM DIREITO À INDENIZAÇÃO das benfeitorias NECESSÁRIAS E ÚTEIS, bem 
como, quanto às VOLUPTUÁRIAS, se não lhe forem pagas, a LEVANTÁ-LAS, quando o puder sem detrimento 
da coisa, e poderá exercer o DIREITO DE RETENÇÃO pelo valor das benfeitorias NECESSÁRIAS E ÚTEIS. 
 
Art. 1.220. Ao possuidor DE MÁ-FÉ SERÃO RESSARCIDAS somente as benfeitorias NECESSÁRIAS; NÃO LHE 
ASSISTE o DIREITO DE RETENÇÃO pela importância destas, NEM O DE LEVANTAR as VOLUPTUÁRIAS. 
 
#INFO 
- Não é possível o reconhecimento de ofício do direito ao recebimento de indenização por benfeitorias 
úteis ou necessárias em ação possessória. 
Caso concreto: a empresa imobiliária (promitente-vendedora), em razão da inadimplência do promitente-
comprador, ajuizou ação de resolução de contrato c/c reintegração de posse. O promitente-vendedor foi revel. O 
juiz julgou os pedidos da autora procedente, mas reconheceu, de ofício, o direito do réu ao recebimento de 
indenização pelas benfeitorias úteis ou necessárias realizadas no imóvel. 
O STJ afirmou que não era possível o reconhecimento de ofício desse direito. 
Os arts. 1.219 e 1.220 do CC/2002 dispõem que o possuidor de boa-fé tem direito à indenização e à retenção do 
valor das benfeitorias necessárias e úteis, bem como a faculdade de levantar as benfeitorias voluptuárias se não 
lhe forem pagas – desde que o faça sem deteriorar a coisa. 
Porém, no caso analisado, em que não houve apresentação de contestação pela parte a ser beneficiada com a 
indenização pelas benfeitorias, nem a formulação de pedido posterior nesse sentido, o juiz não poderia determinar 
de ofício o pagamento. Ao fazê-lo, houve julgamento extra petita. 
O deferimento do pleito de indenização por benfeitorias pressupõe a necessidade de comprovação da existência 
delas e da discriminação de forma correta. A fase de liquidação de sentença não é momento processual adequado 
para o reconhecimento da existência de benfeitorias a serem indenizadas, tendo o objetivo - apenas - de 
especificar o quantum debeatur (apuração do valor da indenização). 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.836.846-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/09/2020 (Info 680). 
 
- Inexistência de direito à indenização e retenção pelas acessões e benfeitorias em bem público 
irregularmente ocupado. #IMPORTANTE 
Se o indivíduo ocupou irregularmente um bem público, ele terá que ser retirado do local e não receberá 
indenização pelas acessões feitas nem terá direito à retenção pelas benfeitorias realizadas, mesmo que ele 
estivesse de boa-fé. Isso porque a ocupação irregular de bem público não pode ser classificada como posse. Trata-
se de mera detenção, possuindo, portanto, natureza precária, não sendo protegida juridicamente. 
Desse modo, quando irregularmente ocupado o bem público, não há que se falar em direito de retenção pelas 
benfeitorias realizadas, tampouco em direito a indenização pelas acessões, ainda que as benfeitorias tenham sido 
realizadas de boa-fé. Ex: pessoa que construiu um bar na beira da praia (bem da União). 
STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1.470.182-RN, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 4/11/2014 
(Info 551). 
 
BENFEITORIAS 
POSSUIDOR DE BOA-FÉ POSSUIDOR DE MÁ-FÉ 
Indenização Necessárias e Úteis Necessárias 
Levantar 
Voluptuárias, se não lhe forem pagar 
(quando o puder sem detrimento da coisa) 
Não 
Direito de Retenção Pelo valor das Necessárias e Úteis Não 
 
 
Art. 1.221. As benfeitorias COMPENSAM-SE com os danos, e só obrigam ao ressarcimento se ao tempo da evicção 
ainda existirem. 
 
 
91 
 
Art. 1.222. O REIVINDICANTE, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor DE MÁ-FÉ, tem o direito de 
OPTAR entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor DE BOA-FÉ indenizará pelo valor atual. 
 
REIVINDICANTE – DIREITO DE OPTAR A INDENIZAÇÃO DAS BENFEITORIAS 
POSSUIDOR DE BOA-FÉ POSSUIDOR DE MÁ-FÉ 
Valor atual Valor atual e Seu custo 
 
 
#TABELACOMPARATIVA: 
 
POSSE DE BOA-FÉ POSSE DE MÁ-FÉ 
Frutos 
Direito - frutos percebidos, enquanto durar a 
boa-fé 
 
Deve Restituir: 
• frutos pendentes, ao tempo em que cessar 
a boa-fé (depois de deduzidas as despesas 
da produção e custeio); 
• frutos colhidos com antecipação. 
Direito - despesas da produção e 
custeio 
 
Responde: 
• todos os frutos colhidos e percebidos; 
• pelos que, por culpa sua, deixou de 
perceber, desde o momento em que se 
constituiu de má-fé. 
Benfeitorias 
Indenização - Necessárias e Úteis (valor atual) 
 
Levantar - Voluptuárias, se não lhe forem 
pagar (quando o puder sem detrimento dacoisa) 
 
Direito de Retenção - Pelo valor das 
Necessárias e Úteis 
Indenização – Necessárias (valor atual e 
o seu custo) 
 
Não há direiro de levantar as 
voluptuárias e nem direito de retenção 
das necessárias e úteis 
Perda ou 
Deterioração da 
Coisa 
Não responde a que não der causa. 
Responde, ainda que acidentais. 
Salvo, se provar que de igual modo se 
teriam dado, estando ela na posse do 
reivindicante. 
 
CAPÍTULO IV 
Da Perda da Posse 
Art. 1.223. PERDE-SE a posse quando CESSA, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao 
qual se refere o art. 1.196. 
 
 
Art. 1.224. SÓ SE CONSIDERA PERDIDA a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia 
dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido. 
 
 
SÚMULAS SOBRE POSSE 
- Súmula nº 619, STJ: “A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária, 
insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias.” 
 
- Súmula nº 637, STJ: “O ente público detém legitimidade e interesse para intervir, incidentalmente, na ação 
possessória entre particulares, podendo deduzir qualquer matéria defensiva, inclusive, se for o caso, o domínio.” 
 
 
 
 
 
 
92 
 
#INFO 
JURISPRUDÊNCIA SOBRE POSSE (OUTROS JULGADOS) 
- Conversão da ação reintegratória em indenizatória. 
O terreno do proprietário foi invadido por inúmeras pessoas de baixa renda. 
O proprietário ingressou com ação de reintegração de posse, tendo sido concedida a medida liminar, mas nunca 
cumprida mesmo após vários anos. 
Vale ressaltar que o Município e o Estado fizeram toda a infraestrutura para a permanência das pessoas no local. 
Diante disso, o juiz, de ofício, converteu a ação reintegratória em indenizatória (desapropriação indireta), 
determinando a emenda da inicial, a fim de promover a citação do Município e do Estado para apresentar 
contestação e, em consequência, incluí-los no polo passivo da demanda. 
O STJ afirmou que isso estava correto e que a ação possessória pode ser convertida em indenizatória 
(desapropriação indireta) - ainda que ausente pedido explícito nesse sentido - a fim de assegurar tutela alternativa 
equivalente (indenização) ao particular que teve suas térreas invadidas. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1.442.440-AC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 07/12/2017 (Info 619). 
 
- Não se exige a prévia notificação extrajudicial dos invasores para que se proponha reintegração de posse. 
A notificação prévia dos ocupantes não é documento essencial à propositura da ação possessória. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.263.164-DF, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 22/11/2016 (Info 594). 
 
- Eficácia subjetiva da coisa julgada de ação reintegratória proferida em processo no qual o possuidor de 
boa-fé não participou. 
Fernando vendeu um imóvel para Pedro. Este, por sua vez, alienou o bem para João. 
Ocorre que Pedro não pagou Fernando, razão pela qual este propôs ação de rescisão contratual cumulada com 
reintegração de posse unicamente contra Pedro. 
A sentença foi procedente, determinado a rescisão da venda feita para Pedro e determinado que ele devolvesse a 
posse do imóvel para Fernando. 
Sucede que Pedro não mais reside no imóvel. Quem está na posse do imóvel é João, que assumiu o local antes de 
a ação de reintegração ser proposta. 
Os efeitos da sentença de reintegração de posse estendem-se a João (terceiro de boa-fé)? 
NÃO. Não está sujeito aos efeitos de decisão reintegratória de posse proferida em processo do qual não participou 
o terceiro de boa-fé que, antes da citação, adquirira do réu o imóvel objeto do litígio. 
Em regra, a sentença faz coisa julgada somente para as partes do processo, não beneficiando nem prejudicando 
terceiros (art. 472 do CPC 1973; art. 506 do CPC 2015). Também não é caso de aplicar o art. 42, § 3º do CPC 1973 
(art. 109, § 3º do CPC 2015) porque João (terceiro) adquiriu o imóvel ANTES da ação proposta pelo autor. No 
momento em que ele comprou a coisa, esta ainda não era litigiosa, ou se seja, ainda não havia nenhuma demanda 
judicial disputando este bem. O bem ou direito somente se torna litigioso com a litispendência, ou seja, com a lide 
pendente. A lide é considerada pendente, para o autor, com a propositura da ação, enquanto que, para o réu, com 
a citação válida (art. 219 do CPC 1973) (art. 240 do CPC 2015). Se o bem é adquirido por terceiro de boa-fé antes 
de configurada a litigiosidade, não há falar em extensão dos efeitos da coisa julgada ao adquirente. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.458.741-GO, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 14/4/2015 (Info 560). 
 
- Embargos de terceiro não servem para impugnar decisão se o fundamento invocado pelo autor não é a 
posse, mas sim, unicamente, a propriedade. 
O proprietário sem posse a qualquer título não tem legitimidade para ajuizar, com fundamento no direito de 
propriedade, embargos de terceiro contra decisão transitada em julgado proferida em ação de reintegração de 
posse, da qual não participou, e na qual nem sequer foi aventada discussão em torno da titularidade do domínio. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.417.620-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 2/12/2014 (Info 553). 
 
 
 
 
 
 
 
93 
 
#TABELARESUMO: 
POSSE 
Teorias 
Teoria Subjetiva 
(Savigny) 
 
Adotada em situações 
expcionais: usucapião - 
em que se exige a posse 
com animus dominis- na 
posse de boa-fé - sendo 
aquela em que o 
possuidor desconhece 
obstáculo ou vício que 
impeça a sua aquisição 
proprietária - e na 
detenção - quando o 
cidadão tem contato 
direito com a coisa 
(corpus), mas não é 
considerado possuidor. 
A posse traduziría um poder material sobre a coisa - domínio 
físico (corpus) - com a intenção de tê-la para si (animus). 
Justo por conta da exigência da intenção - o aspecto 
subjetivo, o animus - que a teoria em comento foi batizada 
como subjetiva. 
O corpus seria o elemento material, identificado no poder 
físico sobre a coisa, na apreensão física do bem, no poder de 
fato, segundo uma relação externa e visível. Já o animus 
traduz o desejo, a vontade de ter a coisa como própria, a 
relação interna, invisível. Caso não houvesse o aludido animus, 
para Savigny, posse não existiría; mas, sim, mera detenção. 
 
Em Síntese, para a Teoria Subjetiva: 
 
Corpus (Elemento Objetivo, Domínio Físico) 
+ 
Animus Rem Sibi Habendi (Elemento Subjetivo ou 
Espiritual, a intensão) 
= 
Posse 
Teoria Objetiva 
(Rudolf Von lhering) 
 
Adotada, como regra. 
Para esta construção teórica, possuidor é a pessoa que se 
comporta como se fosse proprietária da coisa, imprimindo 
destinação econômica a ela, independentemente da 
demonstração do animus. Objetivando um contraponto à 
teoria subjetiva, ressalta a teoria em comento o 
comportamento objetivo, enxergando a posse, em regra, 
como a exteriorização da propriedade ou o exercício de um 
dos seus poderes. É possuidor aquele que tem a conduta de 
dono. 
Dessa maneira, segundo a matriz em estudo, apenas o 
aspecto objetivo importa à configuração da posse, sendo 
esta igual ao corpus. Interessante, porém, que o corpus 
ganhou uma conotação diversa da de Savigny, pois não 
consistia em um mero contato físico, mas sim em uma função 
econômica, na forma que age o proprietário diante daquele 
bem, na conduta de dono. 
 
Em síntese, para a Teoria Objetiva: 
 
Corpus (conduta de dono) 
= 
Posse 
Teoria Sociológica 
A teoria sociologica da posse consagra a funcao social da 
posse. Se não houver função social, não há posse. 
Posse 
x 
Detenção 
A detenção também é chamada de fâmulo da posse, ou servidor da posse. 
 
O detentor tem a posse não em nome próprio, mas em nome daquele ao qual ele está 
subordinado, seguindo ordens e instruções (art. 1198). 
CC, Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência 
para com outro, conserva a posse em nome destee em cumprimento de ordens ou 
instruções suas. 
 
94 
 
O detentor exerce sobre o bem não uma posse própria, mas uma posse em nome de 
outrem. Como não tem posse, não lhe assiste o direito de invocar, em nome próprio, as 
ações possessórias. O art. 1.208, primeira parte, do CC acrescenta que não induzem posse 
os atos de mera permissão ou tolerância. 
Classificações 
Posse Direta/Imediata 
x 
Posse Indireta/Mediata 
- Posse direta ou imediata: Exercida por quem tem a coisa 
materialmente. Ex.: Locatário, depositário, comodatário. 
 
- Pode indireta ou mediata: Exercida por meio de outra 
pessoa. Ex.: Locador, depositante, nu-proprietario. 
 
CC, Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em 
seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou 
real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo 
o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. 
 
Assim: 
* A posse direta não anula a indireta; 
* O possuidor direto pode defender a sua posse contra o 
indireto. 
Posse Justa 
x 
Posse Injusta 
 
(vícios objetivos) 
Leva em consideração a presença de vícios exteriores, 
utilizando-se de critérios objetivos. Dependerá da forma de 
aquisição da posse. O fundamento da distinção, portanto, é 
fático. 
 
- Posse Justa: Não apresenta vícios da violencia, 
clandestinidade e precariedade, sendo uma posse “limpa”. 
CC, Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, 
clandestina ou precária. 
 
- Posse Injusta: Possui algum dos três vícios. 
 
O que é posse violenta, clandestina e precária? 
 
* Violência: esbulho, violência física ou moral, a exemplo do 
roubo; 
* Clandestina: é a posse obtida às escondidas, de forma oculta 
de quem exerce a posse atual, sem publicidade ou 
ostensividade, a exemplo do furto; 
* Precária: o possuidor recebe a coisa com a obrigação de 
restitui-la e, abusando da confiança, deixa de devolvê-la, a 
exemplo da apropriação indébita. 
Posse de Boa-fé 
x 
Posse de Má-fé 
 
(vícios subjetivos) 
- Posse de Boa-fé: é aquela em que o possuidor ignora o vício 
ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. 
CC, Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o 
vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. 
 
- Posse de Má-fé: é aquela em que o possuidor tem o 
conhecimento do vício ou obstáculo que atinge a sua posse. 
Posse Nova 
x 
Posse Velha 
- Posse Nova: Menos de 01 ano e dia. 
 
- Posse Velha: Mais de 01 ano e dia. 
Posse Natural 
x 
Posse Civil/Jurídica 
- Posse Natural: é aquela que se constitui pelo exercício de 
poderes de fato sobre a coisa, havendo efetiva apreensão 
material. 
95 
 
- Posse Civil: é aquela adquirida por força da lei, sem, 
necessariamente, haver uma apreensão material da coisa, a 
exemplo do constituto possessório. 
Posse ad Interdicta 
x 
Posse ad Usucapionem 
- Posse ad interdicta: Pode ser defendida pelas ações 
possessórias, mas que não leva à usucapião. Exemplifica-se 
com a posse do locatário. Este, em sendo possuidor direto, 
poderá lançar mão dos interditos; porém não poderá usucapir 
a coisa. 
 
- Posse ad usucapionem: Prolonga no tempo, sendo mansa, 
pacifica, ininterrupta, com intenção de dono. Remete à posse 
passível de ocasionar a aquisição proprietária, mediante a 
usucapião. 
Composse ou 
Compossessão 
Composse ou a compossessão é a situação pela qual duas ou 
mais pessoas exercem, simultaneamente, poderes 
possessórios sobre a mesma coisa. Há, portanto, um 
condomínio de posses. 
 
Neste cenário, dois são os requisitos necessários para a 
configuração da composse: 
a) Pluralidade de Sujeitos; e 
b) Coisa Indivisa ou em estado de indivisão. 
É isso o que diz a lei: 
CC, Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas possuírem coisa 
indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, 
contanto que não excluam os dos outros compossuidores. 
Efeitos 
Quanto aos frutos 
Posse de Boa-fé: 
Direito - frutos percebidos, enquanto durar a boa-fé 
Deve Restituir: 
* frutos pendentes, ao tempo em que cessar a boa-fé (depois 
de deduzidas as despesas da produção e custeio); 
* frutos colhidos com antecipação. 
 
Posse de Má-fé: 
Direito - despesas da produção e custeio 
Responde: 
* todos os frutos colhidos e percebidos; 
* pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o 
momento em que se constituiu de má-fé. 
Quanto à Perda ou 
Deterioração da Coisa 
Posse de Boa-fé: 
Não responde a que não der causa. 
 
Posse de Má-fé: 
Responde, ainda que acidentais. Salvo, se provar que de igual 
modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante. 
Quanto às Benfeitorias 
Posse de Boa-fé: 
Indenização - Necessárias e Úteis (valor atual) 
 
Levantar - Voluptuárias, se não lhe forem pagar (quando o 
puder sem detrimento da coisa) 
 
Direito de Retenção - Pelo valor das Necessárias e Úteis 
 
 
96 
 
Posse de Má-fé: 
Indenização – Necessárias (valor atual e o seu custo) 
 
Não há direiro de levantar as voluptuárias e nem direito de 
retenção das necessárias e úteis 
 
 
TÍTULO III 
Da Propriedade 
 
CAPÍTULO I 
Da Propriedade em Geral 
 
Seção I 
Disposições Preliminares 
Art. 1.228. O proprietário tem a FACULDADE de usar, gozar e dispor da coisa, e o DIREITO de reavê-la do poder 
de quem quer que injustamente a possua ou detenha. 
 
§ 1o O DIREITO DE PROPRIEDADE deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais 
e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas 
naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas. 
 
§ 2o SÃO DEFESOS os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados 
pela intenção de prejudicar outrem. 
 
§ 3o O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de desapropriação, por necessidade ou utilidade pública 
ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de perigo público iminente. 
 
§ 4o O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado CONSISTIR em extensa área, na 
posse ininterrupta e de boa-fé, por MAIS de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela 
houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social 
e econômico relevante. 
 
§ 5o No caso do parágrafo antecedente, o juiz FIXARÁ a JUSTA INDENIZAÇÃO devida ao proprietário; pago o 
preço, valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores. 
 
 
Art. 1.229. A PROPRIEDADE DO SOLO ABRANGE a do espaço aéreo e subsolo correspondentes, em altura e 
profundidade úteis ao seu exercício, não podendo o proprietário opor-se a atividades que sejam realizadas, por 
terceiros, a uma altura ou profundidade tais, que não tenha ele interesse legítimo em impedi-las. 
 
 
Art. 1.230. A PROPRIEDADE DO SOLO NÃO ABRANGE as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais 
de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. 
Parágrafo único. O proprietário do solo tem o direito de explorar os recursos minerais de emprego imediato na 
construção civil, desde que não submetidos a transformação industrial, obedecido o disposto em lei especial. 
 
 
Art. 1.231. A propriedade PRESUME-SE plena e exclusiva, até prova em contrário. 
 
 
Art. 1.232. Os FRUTOS e MAIS PRODUTOS da coisa pertencem, ainda quando separados, ao seu proprietário, 
SALVO se, por preceito jurídico especial, couberem a outrem. 
 
97 
 
Seção II 
Da Descoberta 
Art. 1.233. Quem quer que ache coisa alheia perdida há de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor. 
Parágrafo único. Não o conhecendo, o descobridor fará por encontrá-lo, e, se não o encontrar, entregará a coisa 
achada à autoridade competente. 
 
 
Art. 1.234. Aquele que restituir a coisa achada, nos termosdo artigo antecedente, terá direito a uma RECOMPENSA 
não inferior a cinco por cento do seu valor, e à INDENIZAÇÃO pelas despesas que houver feito com a 
conservação e transporte da coisa, SE O DONO NÃO PREFERIR ABANDONÁ-LA. 
Parágrafo único. Na determinação do montante da recompensa, considerar-se-á o esforço desenvolvido pelo 
descobridor para encontrar o dono, ou o legítimo possuidor, as possibilidades que teria este de encontrar a coisa e 
a situação econômica de ambos. 
 
 
Art. 1.235. O descobridor responde pelos prejuízos causados ao proprietário ou possuidor legítimo, quando tiver 
procedido com dolo. 
 
 
Art. 1.236. A autoridade competente dará conhecimento da descoberta através da imprensa e outros meios de 
informação, somente expedindo editais se o seu valor os comportar. 
 
 
Art. 1.237. Decorridos sessenta dias da divulgação da notícia pela imprensa, ou do edital, não se apresentando 
quem comprove a propriedade sobre a coisa, será esta vendida em hasta pública e, deduzidas do preço as despesas, 
mais a recompensa do descobridor, pertencerá o remanescente ao Município em cuja circunscrição se deparou o 
objeto perdido. 
Parágrafo único. Sendo de diminuto valor, poderá o Município abandonar a coisa em favor de quem a achou. 
 
CAPÍTULO II 
Da Aquisição da Propriedade Imóvel 
 
Seção I 
Da Usucapião 
USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA 
Art. 1.238. Aquele que, POR quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-
lhe a propriedade, INDEPENDENTEMENTE DE TÍTULO e BOA-FÉ; PODENDO requerer ao juiz que assim o declare 
por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. 
Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo REDUZIR-SE-Á a dez anos se o possuidor houver estabelecido 
no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. 
 
#INFO 
- O prazo prescricional no caso de ação de desapropriação indireta é, em regra, de 10 anos; 
excepcionalmente, será de 15 anos caso de comprove que não foram feitas obras ou serviços públicos no 
local. 
Qual é o prazo da ação de desapropriação indireta? 
Regra: 10 anos (art. 1.238, parágrafo único, do CC/2002). 
Exceção: O prazo será de 15 anos se ficar comprovada a inexistência de obras ou serviços públicos no local. 
Em regra, portanto, o prazo prescricional das ações indenizatórias por desapropriação indireta é de 10 anos porque 
existe uma presunção relativa de que o Poder Público realizou obras ou serviços públicos no local. Admite-se, 
excepcionalmente, o prazo prescricional de 15 anos, caso a parte interessada comprove, concreta e devidamente, 
que não foram feitas obras ou serviços no local, afastando a presunção legal. 
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.575.846-SC, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 26/06/2019 (Info 658). 
98 
 
O prazo prescricional aplicável à desapropriação indireta, na hipótese em que o Poder Público tenha realizado 
obras no local ou atribuído natureza de utilidade pública ou de interesse social ao imóvel, é de 10 anos, conforme 
parágrafo único do art. 1.238 do CC. 
STJ. 1ª Seção. REsp 1.757.352-SC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 12/02/2020 (Recurso Repetitivo 
– Tema 1109) (Info 671). 
Obs: A súmula 119 do STJ está superada (Súmula 119-STJ: A ação de desapropriação indireta prescreve em 
vinte anos). 
 
- Em ação de desapropriação indireta é cabível reparação decorrente de limitações administrativas. 
Imóvel do particular foi incluído em unidade de conservação. Houve, no caso, uma limitação administrativa. Ele 
ajuizou ação de desapropriação indireta pedindo indenização. 
Mesmo não tendo havido desapropriação indireta, mas sim mera limitação administrativa, o juiz deverá conhecer 
da ação e julgar seu mérito. 
Devem ser observados os princípios da instrumentalidade das formas e da primazia da solução integral do mérito. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1.653.169-RJ, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/11/2019 (Info 662). 
 
 
USUCAPIÃO ESPECIAL RURAL OU PRO LABORE 
Art. 1.239. Aquele que, NÃO SENDO proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos 
ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural NÃO SUPERIOR a cinqüenta hectares, tornando-a 
produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. 
 
#INFO 
- Usucapião especial rural e área do imóvel inferior ao módulo rural. 
Determinada pessoa preencheu os requisitos para obter o direito à usucapião especial rural, prevista no art. 191 
da CF/88. Ocorre que o juiz negou o pedido alegando que a área usucapienda era muito inferior ao mínimo legal 
permitido para desmembramento ou divisão de gleba rural. Em outras palavras, o magistrado argumentou, que 
apesar de o autor preencher os requisitos constitucionais, a legislação não permite que uma área tão pequena seja 
desmembrada e se torne um imóvel com matrícula própria. 
A decisão do magistrado está correta? O fato de haver essa limitação na legislação infraconstitucional impede que 
a pessoa ten ha direito à usucapião especial rural? 
NÃO. Presentes os requisitos exigidos no art. 191 da CF/88, o imóvel rural cuja área seja inferior ao "módulo rural" 
estabelecido para a região poderá ser adquirido por meio de usucapião especial rural. 
A CF/88, ao instituir a usucapião rural, prescreveu um limite máximo de área a ser usucapida, sem impor um 
tamanho mínimo. Assim, estando presentes todos os requisitos exigidos pelo texto constitucional, não se pode 
negar a usucapião alegando que o imóvel é inferior ao módulo rural previsto para a região. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1. 040.296-ES, Rei. originário Min. Marco Buzzi, Rei. para acórdão Min. Luis Felipe 
Salomão, julgado em 2/6/2015 (Info 566). 
 
 
USUCAPIÃO ESPECIAL URBANO OU PRO MISERO 
Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de ATÉ duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco 
anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o 
DOMÍNIO, desde que NÃO SEJA proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
 
§ 1o O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, 
INDEPENDENTEMENTE do estado civil. 
 
§ 2o O direito previsto no parágrafo antecedente NÃO SERÁ RECONHECIDO ao mesmo possuidor mais de uma 
vez. 
 
 
 
 
99 
 
#INFO 
- A destinação de parte do imóvel para fins comerciais não impede o reconhecimento da usucapião especial 
urbana sobre a totalidade da área. 
A usucapião especial urbana apresenta como requisitos a posse ininterrupta e pacífica, exercida como dono, o 
decurso do prazo de cinco anos, a dimensão da área (250 m² para a modalidade individual e área superior a esta, 
na forma coletiva), a moradia e o fato de não ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
O uso misto da área a ser adquirida por meio de usucapião especial urbana não impede seu reconhecimento 
judicial, se a porção utilizada comercialmente é destinada à obtenção do sustento do usucapiente e de sua família. 
É necessário que a área pleiteada seja utilizada para a moradia do requerente ou de sua família, mas a lei não 
proíbe que o autor a utilize também para seu sustento. 
Assim, o fato de o autor da ação de usucapião utilizar uma parte do imóvel para uma atividade comercial que 
serve ao sustento da família domiciliada no imóvel não inviabiliza a prescrição aquisitiva buscada. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.777.404-TO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/05/2020 (Info 671). 
 
- Usucapião especial urbana e possibilidade de a área do imóvel ser inferior ao "módulo urbano". 
Determinada pessoa preencheu os requisitos para obter o direito à usucapião especial urbana, prevista no art. 183 
da CF/88 Ocorre que o juiz negou o pedido alegando que o plano diretor da cidade proíbe a existência de imóveis 
urbanos registrados com metragem inferior a 100m2. Em outras palavras, fixou queo módulo mínimo dos lotes 
urbanos naquele Município seria de 100m2 e, como a área ocupada pela pessoa seria menor que isso, ela não 
poderia registrar o imóvel em seu nome. 
A decisão do magistrado está correta? O fato de haver essa limitação na lei municipal i mpede que a pessoa tenha 
direito à usucapião especial urbana? 
NÃO. Se forem preenchidos os requisitos do art. 183 da CF/88, a pessoa terá direito à usucapião especial urbana 
e o fato de o i móvel em questão não atender ao mínimo dos módulos urbanos exigidos pela legislação local para 
a respectiva área (dimensão do lote) não é motivo suficiente para se negar esse direito, que tem índole 
constitucional. 
Para que seja deferido o direito à usucapi ão especial urbana basta o preenchi mento dos requisitos exigidos pelo 
texto constitucional, de modo que não se pode impor obstáculos, de índole infraconstitucional, para impedir que 
se aperfeiçoe, em favor de parte interessada, o modo originário de aquisição de propriedade. 
STF. Plenário. RE 422349/RS, Rei. Min. Dias Toffoli, julgado em 29/4/2075 (repercussão geral) (Info 783). 
Não obsta o pedido declaratório de usucapião especial urbana o fato de a área do imóvel ser inferior à 
correspondente ao "módulo urbano" (a área mínima a ser observada no parcelamento de solo urbano por determ 
inação infraconstitucional). 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.360.017-RJ, Rei. Min. Ricardo Vil/as Bôas Cueva, julgado em 5/5/2016 (Info 584). 
 
 
USUCAPIÃO FAMILIAR 
Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, COM 
EXCLUSIVIDADE, sobre imóvel urbano de ATÉ 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja 
propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, UTILIZANDO-O para sua 
moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o DOMÍNIO INTEGRAL, desde que não seja proprietário de outro 
imóvel urbano ou rural. 
 
§ 1o O direito previsto no caput NÃO SERÁ RECONHECIDO ao mesmo possuidor mais de uma vez. 
 
 
Art. 1.241. Poderá o possuidor requerer ao juiz seja declarada adquirida, mediante usucapião, a propriedade imóvel. 
Parágrafo único. A declaração obtida na forma deste artigo constituirá título hábil para o registro no Cartório de 
Registro de Imóveis. 
 
 
USUCAPIÃO ORDINÁRIA 
Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, COM JUSTO 
TÍTULO e BOA-FÉ, o possuir por dez anos. 
100 
 
Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, 
ONEROSAMENTE, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que 
os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e 
econômico. 
 
 
Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes, ACRESCENTAR à 
sua posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto que TODAS SEJAM contínuas, pacíficas e, nos casos do 
art. 1.242 (USUCAPIÃO ORDINÁRIA), com justo título e de boa-fé. 
 
Art. 1.244. ESTENDE-SE ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem 
ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. 
 
 
SÚMULAS SOBRE USUCAPIÃO 
STF STJ 
- Súmula nº 237, STF: “O usucapião pode ser arguido 
em defesa.” 
 
- Súmula nº 263, STF: “O possuidor deve ser citado, 
pessoalmente, para a ação de usucapião.” 
 
- Súmula nº 340, STF: “Desde a vigência do Código 
Civil, os bens dominicais, como os demais bens 
públicos, não podem ser adquiridos por usucapião.” 
 
- Súmula nº 391, STF: “O confinante certo deve ser 
citado pessoalmente para a ação de usucapião.” 
- Súmula nº 11, STJ: “A presença da União ou de 
qualquer de seus entes, na ação de usucapião especial, 
não afasta a competência do foro da situação do 
imóvel.” 
 
- Súmula nº 193, STJ: “O direito de uso de linha 
telefônica pode ser adquirido por usucapião.” 
 
 
#TABELARESUMO: 
USUCAPIÃO DE BENS IMÓVEIS 
USUCAPIÃO ORDINÁRIA 
(art. 1.242, CC) 
Tempo mínimo de uso 
• 10 anos (regra) 
• 5 anos (imóvel houver sido adquirido, 
onerosamente, com base no registro constante 
do respectivo cartório, cancelada posteriormente, 
desde que os possuidores nele tiverem 
estabelecido a sua moradia, ou realizado 
investimentos de interesse social e econômico) 
Tamanho do imóvel Qualquer 
Outras Exigências 
• justo título; e 
• de boa-fé. 
USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA 
(art. 1.238, CC) 
Tempo mínimo de uso 
• 15 anos (regra) 
• 10 anos (possuidor houver estabelecido no 
imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado 
obras ou serviços de caráter produtivo) 
Tamanho do imóvel Qualquer 
Outras Exigências 
• sem interrupção; 
• sem oposição. 
Observação 
Independe de: 
• justo título; e 
• de boa-fé. 
USUCAPIÃO ESPECIAL RURAL 
OU PRO LABORE 
Tempo mínimo de uso 5 anos 
Tamanho do imóvel Até 50 há 
101 
 
(art; 191, CF; art. 1.239, CC) 
Outras Exigências 
• sem interrupção; 
• sem oposição; 
• morador não ser proprietário de outro imóvel 
urbano ou rural; 
• aréa produtiva por seu trabalho ou de sua 
família; 
• aréa como sua moradia. 
USUCAPIÃO ESPECIAL URBANO 
OU PRO MISERO 
(art. 183, CF; art. 1.240, CC; 
art; 9º, ESTATUTO DA CIDADE) 
Tempo mínimo de uso 5 anos 
Tamanho do imóvel Até 250 m² 
Outras Exigências 
• sem interrupção; 
• sem oposição; 
• morador não ser proprietário de outro imóvel 
urbano ou rural; 
• aréa como sua moradia ou de sua família. 
USUCAPIÃO FAMILIAR 
(art. 1.240-A, CC) 
Tempo mínimo de uso 2 anos 
Tamanho do imóvel Até 250 m² 
Outras Exigências 
• sem interrupção; 
• sem oposição; 
• morador não ser proprietário de outro imóvel 
urbano ou rural; 
• propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-
companheiro que abandonou o lar, utilizando-o 
para sua moradia ou de sua família. 
USUCAPIÃO ESPECIAL URBANA 
COLETIVA 
(art. 10, ESTATUTO DA CIDADE) 
Tempo mínimo de uso 5 anos 
Tamanho do imóvel Até 250 m² 
Outras Exigências 
• sem oposição; 
• possuidor não ser proprietário de outro imóvel 
urbano ou rural. 
 
 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 133 DO STJ - DO DIREITO DAS COISAS 
7) A inexistência de registro imobiliário de imóvel objeto de ação de usucapião não induz presunção de que o 
bem seja público (terras devolutas), cabendo ao Estado provar a titularidade do terreno como óbice ao 
reconhecimento da prescrição aquisitiva. 
 
8) A usucapião é forma de aquisição originária da propriedade, de modo que não permanecem os ônus reais 
que gravavam o imóvel antes da sua declaração. 
 
9) A citação na ação possessória julgada improcedente não interrompe o prazo para aquisição da propriedade 
por usucapião. 
 
 
#INFO 
JURISPRUDÊNCIA SOBRE USUCAPIÃO 
- Após a citação, é possível a mera juntada da planta e do memorial descritivo, sem a anuência do 
demandado, desde que não implique em alteração do pedido formulado na petição inicial da ação de 
usucapião. 
É admissível a determinação de emenda à petição inicial, mesmo após a citação do réu e a apresentação de defesa, 
quando não houver alteração no pedido ou na causa de pedir. 
Eventuais alterações no memorial descritivo do imóvel podem ser feitas unilateralmente antes da angularização 
da relação jurídico-processual ou, depois da citação, somente com a anuência explícita do réu. 
Não há como concluir que a mera juntada da planta e do memorial descritivo georreferenciado implicou alteração 
objetiva da demanda, ou seja, do pedido formulado na petição inicial da ação de usucapião. 
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102 
 
No caso concreto, não houve prejuízo aos litigantes, visto que, depois da apresentaçãodos documentos, o 
magistrado de primeiro grau determinou a intimação do demandado, dos confinantes e das Fazendas Públicas, 
em observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.685.140-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 25/08/2020 (Info 679). 
 
- A separação de fato por longo período afasta a regra de impedimento da fluência da prescrição entre 
cônjuges prevista no art. 197, I, CC e viabiliza a efetivação da prescrição aquisitiva por usucapião. 
O art. 197, I, do Código Civil prevê que não corre a prescrição entre os cônjuges, na constância da sociedade 
conjugal. 
Essa causa impeditiva de fluência do prazo prescricional prevista no art. 197, I, do CC, embora esteja 
topologicamente inserida no capítulo da prescrição extintiva, também se aplica às prescrições aquisitivas, ou seja, 
à usucapião. 
Assim, em regra, um cônjuge não poderia adquirir por meio de usucapião um bem do outro cônjuge enquanto 
não houvesse a separação judicial ou divórcio. Isso porque, na vigência da sociedade conjugal, não estaria sendo 
computado o prazo para fins de usucapião (prescrição aquisitiva) por força do art. 197, I. 
Ocorre que, para o STJ, a separação de fato de um casal é suficiente para cessar a causa impeditiva da fluência do 
prazo prescricional prevista no art. 197, I, do CC. Logo, estando o casal separado de fato, é possível iniciar a 
contagem do prazo para a prescrição aquisitiva do imóvel (usucapião). 
Desse modo, a constância da sociedade conjugal, exigida para a incidência da causa impeditiva da prescrição 
extintiva ou aquisitiva (art. 197, I, do CC/2002), cessará não apenas nas hipóteses de divórcio ou de separação 
judicial, mas também na hipótese de separação de fato 
por longo período, tendo em vista que igualmente não subsistem, nessa hipótese, as razões de ordem moral que 
justificam a existência da referida norma. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.693.732-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/05/2020 (Info 671). 
 
- A existência de contrato de arrendamento mercantil do bem móvel impede a aquisição de sua propriedade 
pela usucapião, contudo, verificada a prescrição da dívida, inexiste óbice legal para prescrição aquisitiva. 
A existência de contrato de arrendamento mercantil do bem móvel impede a aquisição de sua propriedade pela 
usucapião, contudo, verificada a prescrição da dívida, inexiste óbice legal para prescrição aquisitiva. 
Ex.: João celebrou contrato de arrendamento mercantil com o banco para aquisição de um automóvel; em 1998, 
o arrendatário deixou de pagar as prestações; o arrendador tinha o prazo de 5 anos para ajuizar ação de cobrança, 
ou seja, até 2003; até essa data (2003), não se podia falar em usucapião; a partir de 2003, como o arrendador já 
não mais poderia ajuizar a ação de cobrança, entende-se que cessaram os vícios que maculavam a posse do 
arrendatário; logo, a partir de 2003 começou a ser contado o prazo de usucapião; como o prazo de usucapião 
extraordinário de bem móvel é de 5 anos, o arrendatário adquiriu a propriedade por usucapião em 2008. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.528.626-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Raul Araújo, julgado em 
17/12/2019 (Info 667). 
 
- O interesse jurídico no ajuizamento direto de ação de usucapião independe de prévio pedido na via 
extrajudicial. 
A tentativa de usucapião extrajudicial não é condição indispensável para o ajuizamento da ação de usucapião. 
Mesmo que estejam preenchidos os requisitos para a usucapião extrajudicial, o interessado pode livremente optar 
pela propositura de ação judicial. 
O próprio legislador deixou claro, no art. 216-A da Lei de Registros Públicos, que a existência da possibilidade de 
usucapião extrajudicial não traz prejuízo à busca da usucapião na via jurisdicional: 
Art. 216-A. Sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de reconhecimento extrajudicial de usucapião 
(...) 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.824.133-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
- É possível o reconhecimento da usucapião de bem imóvel com a implementação do requisito temporal no 
curso da demanda. 
É possível o reconheci mento da usucapião quando o prazo exigido por lei se complete no curso do processo 
judicial, confor me a previsão do art. 493, do CPC/2015, ainda que o réu tenha apresentado contestação. 
103 
 
Em março de 201 7, João ajuizou ação pedindo o reconhecimento de usucapião especial urbana, nos termos do 
art. 1.240 do CC (que exige posse ininterrupta e sem oposição por 5 anos). Em abril de 2017, o proprietário 
apresentou contestação pedindo a i mprocedência da demanda. As testemunhas e as provas documentais 
atestaram que João reside no imóvel desde setembro de 2012, ou seja, quando o autor deu entrada na ação, ainda 
não havia mais de 5 anos de posse. 
Em novembro de 2017, os autos foram conclusos ao juiz para sentença. O magistrado deverá julgar o pedido 
procedente considerando que o prazo exigido por lei para a usucapião se completou no curso do processo. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.361.226-MG, Rei. Min. Ricardo Vil/as Bôas Cueva, julgado em 05/06/2018 (Info 630). 
 
- Não cabe oposição em ação de usucapião. 
Não cabe intervenção de terceiros na modalidade de oposição na ação de usucapião. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.726.292-CE, Rei. Min. Ricardo VilLas Bôas Cueva, julgado em 12/02/2019 (Info 642). 
 
- Impossibilidade de declaração de ofício da usucapião. 
Alguns autores afirmam que a USUCAPIÃO também pode ser chamada de prescrição aquisitiva. 
Assim, existiriam em nosso ordenamento jurídico, duas formas de prescrição: 
a) Prescrição extintiva (prescrição propriamente dita). 
b) Prescrição aquisitiva (usucapião). 
O § 5° do art. 219 do CPC 1973 prevê que "o juiz pronunciará, de ofício, a prescrição". 
Essa regra do a rt. 219, § 5° do CPC 1973 aplica-se apenas para a prescrição extintivo ou também para a prescrição 
aquisitiva (usucapião)? O juiz pode reconh ecer, de ofício, a usucapião? 
Ex: Pedro, mesmo sem ser proprietário, está morando em um imóvel há mais de 20 anos sem ser incomodado por 
ninguém; determinado dia, João (que figura no registro de imóveis como proprietário do bem) ajuíza ação de rein 
tegração de posse; o juiz, mesmo sem que Pedro alegue, poderá declarar que houve usucapião (prescrição 
aquisitiva)? 
NÃO. O § 5° do art. 219 do CPC 1973 não autoriza a declaração, de ofício, da usucapião. Em outras palavras, o juiz 
não pode reconhecer a usucapião a não ser que haja requerimento da parte. Não se aplica o § 5° do art. 219 do 
CPC 1973 à usucapião. 
O disposto no § 5° do art. 219 está intimamente ligado às causas extintivas, conforme expressamente dispõe o art. 
220. 
Além disso, a prescrição extintiva e a usucapião são institutos diferentes, sendo inadequada a aplicação da 
disciplina de um deles frente ao outro, uma vez que a expressão "prescrição aquisitiva" como sinônima de 
usucapião, tem razões mais ligadas a motivos fáticos/históricos. 
Essa conclusão acima exposta persiste com o CPC 2015? 
SIM. Mesmo com o novo CPC, o juiz continuará sem poder declarar de ofício a usucapião. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.106.809-RS, Rei. originário Min. Luis Felipe Salomão, Rei. para acórdão Min. Marco 
Buzzi, julgado em 3/3/2015 (lnfo 560). 
 
- A decretação da falência do proprietário do imóvel interrompe o prazo para que o possuidor possa 
adquirir este bem por usucapião. 
O curso da prescrição aquisitiva da propriedade de bem que compõe a massa falida é interrompido com a 
decretação da falência. 
Ex: João é possuidor, há 4 anos e 6 meses, de uma área urbana de 200m2, que utiliza para a sua própria moradia. 
Ele não tem o título de propriedade dessa área, mas lá mora há todos esses anos sem oposição de ninguém. 
Imagine que foi decretada a falência da empresa que é proprietária desse imóvel. Isso significa que, neste instante, 
o prazo para João adquirir o bem por usucapião vai ser interrompido,ou seja, vai recomeçar do zero. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.680.357-RJ, Rei. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/10/2017 (Info 613). 
 
- Se o juízo criminal decretou a perda do imóvel que está sendo pleiteado em ação de usucapião, esta 
decisão produzir a efeitos no juízo cível, devendo a ação ser extinta por perda do objeto. 
Há perda de objeto da ação de usucapião proposta em juízo cível na hipótese em que juízo criminal decreta a 
perda do imóvel usucapiendo em razão de ter sido adquirido com proventos de crime. 
João praticou um crime. Com o dinheiro obtido com o delito, ele comprou uma casa. No processo criminal, o juiz 
decretou, em março/2012, o sequestro da casa comprada. 
104 
 
João fugiu e abandonou o imóvel. Em abril/2012, Pedro invadiu a casa e passou a morar lá. Em maio/2017, após 
mais de 5 anos morando no imóvel, Pedro ajuizou ação de usucapião (art. 1.240 do CC). A ação de usucapião 
estava tramitando até que, em outubro/2017, transitou em julgado a sentença do juiz condenando João pela 
prática do crime. 
Como efeito da condenação, o magistrado determinou o confisco da casa (art. 91, lI, "b", do CP). A ação de 
usucapião perde o objeto, considerando que este tema foi definido no juízo criminal. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.471.563-AL, Rei. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 26/09/2017 (lnfo 613). 
 
 
- Ausência de citação dos confinantes gera nulidade relativa. 
Ao propor uma ação de usucapião, o autor deverá requerer a citação dos confinantes, ou seja, dos vizinhos que 
fazem fronteira com o imóvel que ele almeja. 
E o que acontece caso não haja a citação dos confinantes? Haverá nulidade absoluta do processo? 
Não. Apesar de amplamente recomendável, a falta de citação dos confinantes não acarretará, por si, ou seja, 
obrigatoriamente, a nulidade da sentença que declara a usucapião. Não há que se falar em nulidade absoluta, no 
caso. 
A ausência de citação dos confinantes e respectivos cônjuges na ação de usucapião é considerada hipótese de 
nulidade relativa, somente gerando a nulidade do processo caso se constate o efetivo prejuízo. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.432.579-MG, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/10/2017 (lnfo 616). 
 
- Imóveis vinculados ao SFH não são suscetíveis de usucapião. 
O imóvel da Caixa Econômica Federal vinculado ao Sistema Financeiro de Habitação, como está afetado à 
prestação de um serviço público, deve ser tratado como bem público, sendo, pois, imprescritível (insuscetível de 
usucapião). 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.448.026-PE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/11/2016 (Info 594). 
 
Seção II 
Da Aquisição pelo Registro do Título 
Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. 
 
§ 1o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. 
 
§ 2o Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo 
cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. 
 
 
Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro, e este o prenotar 
no protocolo. 
 
 
Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. 
Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boa-fé ou 
do título do terceiro adquirente. 
 
Seção III 
Da Aquisição por Acessão 
Art. 1.248. A ACESSÃO pode dar-se: 
I - por formação de ilhas; 
II - por aluvião; 
III - por avulsão; 
IV - por abandono de álveo; 
V - por plantações ou construções. 
 
105 
 
Subseção I 
Das Ilhas 
Art. 1.249. As ilhas que se formarem em correntes comuns ou particulares pertencem aos proprietários ribeirinhos 
fronteiros, observadas as regras seguintes: 
I - as que se formarem no meio do rio consideram-se acréscimos sobrevindos aos terrenos ribeirinhos fronteiros de 
ambas as margens, na proporção de suas testadas, até a linha que dividir o álveo em duas partes iguais; 
II - as que se formarem entre a referida linha e uma das margens consideram-se acréscimos aos terrenos ribeirinhos 
fronteiros desse mesmo lado; 
III - as que se formarem pelo desdobramento de um novo braço do rio continuam a pertencer aos proprietários dos 
terrenos à custa dos quais se constituíram. 
Subseção II 
Da Aluvião 
Art. 1.250. Os acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das 
margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem 
indenização. 
Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes, dividir-se-á entre 
eles, na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem. 
 
Subseção III 
Da Avulsão 
Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o 
dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um 
ano, ninguém houver reclamado. 
Parágrafo único. Recusando-se ao pagamento de indenização, o dono do prédio a que se juntou a porção de terra 
deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida. 
 
Subseção IV 
Do Álveo Abandonado 
Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que 
tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios 
marginais se estendem até o meio do álveo. 
 
Subseção V 
Das Construções e Plantações 
Art. 1.253. Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, 
até que se prove o contrário. 
 
 
Art. 1.254. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, 
adquire a propriedade destes; mas fica obrigado a pagar-lhes o valor, além de responder por perdas e danos, se agiu 
de má-fé. 
 
 
Art. 1.255. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, 
plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização. 
Parágrafo único. Se a construção ou a plantação exceder consideravelmente o valor do terreno, aquele que, de boa-
fé, plantou ou edificou, adquirirá a propriedade do solo, mediante pagamento da indenização fixada judicialmente, 
se não houver acordo. 
 
 
Art. 1.256. Se de ambas as partes houve má-fé, adquirirá o proprietário as sementes, plantas e construções, devendo 
ressarcir o valor das acessões. 
Parágrafo único. Presume-se má-fé no proprietário, quando o trabalho de construção, ou lavoura, se fez em sua 
presença e sem impugnação sua. 
106 
 
Art. 1.257. O disposto no artigo antecedente aplica-se ao caso de não pertencerem as sementes, plantas ou materiais 
a quem de boa-fé os empregou em solo alheio. 
Parágrafo único. O proprietário das sementes, plantas ou materiais poderá cobrar do proprietário do solo a 
indenização devida, quando não puder havê-la do plantador ou construtor. 
 
 
Art. 1.258. Se a construção, feita parcialmente em solo próprio, invade solo alheio em proporção não superior à 
vigésima parte deste, adquire o construtor de boa-fé a propriedade da parte do solo invadido, se o valor da 
construção exceder o dessa parte, e responde por indenização que represente, também, o valor da área perdida e a 
desvalorização da área remanescente. 
Parágrafo único. Pagando em décuplo as perdas e danos previstos neste artigo, o construtor de má-fé adquire a 
propriedade da parte do solo que invadiu, se em proporção à vigésima parte deste e o valor da construção exceder 
consideravelmente o dessa parte e não se puder demolir a porção invasora sem grave prejuízo para a construção. 
 
 
Art. 1.259. Se o construtor estiver de boa-fé, e a invasão do solo alheio excedera vigésima parte deste, adquire a 
propriedade da parte do solo invadido, e responde por perdas e danos que abranjam o valor que a invasão acrescer 
à construção, mais o da área perdida e o da desvalorização da área remanescente; se de má-fé, é obrigado a demolir 
o que nele construiu, pagando as perdas e danos apurados, que serão devidos em dobro. 
 
CAPÍTULO III 
Da Aquisição da Propriedade Móvel 
 
Seção I 
Da Usucapião 
USUCAPIÃO ORDINÁRIA 
Art. 1.260. Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente DURANTE três anos, com 
JUSTO TÍTULO e BOA-FÉ, adquirir-lhe-á a propriedade. 
 
 
USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA 
Art. 1.261. Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião, INDEPENDENTEMENTE 
de título ou boa-fé. 
 
 
USUCAPIÃO DE BEM MÓVEL 
USUCAPIÃO ORDINÁRIA 
(art. 1.260, CC) 
- Prazo: 3 anos; 
- Exige justo título e boa-fé. 
USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA 
(art. 1.261, CC) 
- Prazo: 5 anos; 
- Não Exige justo título e boa-fé. 
 
#INFO 
- Bem furtado pode ser objeto de usucapião, desde que tenha cessado a clandestinidade. 
É possível a usucapião de bem móvel proveniente de crime após cessada a clandestinidade ou a violência. 
Nos termos do art. 1.261 do CC/2002, aquele que exercer a posse de bem móvel, interrupta e incontestadamente, 
por 5 anos, adquire a propriedade originária do bem, fazendo sanar todo e qualquer vício anterior. 
A apreensão física da coisa por meio de clandestinidade (furto) ou violência (roubo) somente induz a posse após 
cessado o vício (art. 1.208 do CC/2002), de maneira que o exercício ostensivo do bem é suficiente para caracterizar 
a posse mesmo que o objeto tenha sido proveniente de crime. 
Caso concreto: indivíduo adquiriu caminhão por meio de financiamento bancário, com emissão de registro perante 
o órgão público competente, ao longo de mais de 20 anos. Depois se descobriu que o veículo havia sido furtado 
antes da aquisição. Pode-se reconhecer que houve a aquisição por usucapião, sendo irrelevante se analisar se 
houve a inércia do anterior proprietário (vítima do furto) ou se o usucapiente conhecia a ação criminosa anterior 
à sua posse. 
107 
 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.637.370-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/09/2019 (Info 656). 
 
- Indivíduo que comprou e tem a posse de veículo pode propor usucapião se o automóvel estiver registrado 
em nome de terceiro. 
O indivíduo que tem a propriedade de um veículo que, no entanto, está registrado em nome de um terceiro no 
DETRAN, possui interesse de agir para propor ação de usucapião extraordinária (art. 1.261 do CC) já que, com a 
sentença favorável, poderá regularizar o bem no órgão de trânsito. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.582.177-RJ, Rei. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25/10/2016 (lnfo 593). 
 
 
Art. 1.262. APLICA-SE à usucapião das coisas móveis o disposto nos arts. 1.243 e 1.244. 
Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes, acrescentar à sua 
posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto que todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos do art. 1.242, 
com justo título e de boa-fé. 
 
Art. 1.244. Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou 
interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. 
 
Seção II 
Da Ocupação 
Art. 1.263. Quem se assenhorear de coisa SEM DONO para logo lhe ADQUIRE A PROPRIEDADE, não sendo essa 
ocupação defesa por lei. 
 
Seção III 
Do Achado do Tesouro 
Art. 1.264. O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido por igual 
entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente. 
 
 
Art. 1.265. O tesouro pertencerá por inteiro ao proprietário do prédio, se for achado por ele, ou em pesquisa que 
ordenou, ou por terceiro não autorizado. 
 
 
Art. 1.266. Achando-se em terreno aforado, o tesouro será dividido por igual entre o descobridor e o enfiteuta, ou 
será deste por inteiro quando ele mesmo seja o descobridor. 
 
Seção IV 
Da Tradição 
Art. 1.267. A propriedade das coisas NÃO SE TRANSFERE pelos negócios jurídicos antes da tradição. 
Parágrafo único. SUBENTENDE-SE a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto 
possessório; quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa, que se encontra em poder de terceiro; ou 
quando o adquirente já está na posse da coisa, por ocasião do negócio jurídico. 
 
 
Art. 1.268. Feita por quem não seja proprietário, a tradição não aliena a propriedade, exceto se a coisa, oferecida ao 
público, em leilão ou estabelecimento comercial, for transferida em circunstâncias tais que, ao adquirente de boa-fé, 
como a qualquer pessoa, o alienante se afigurar dono. 
 
§ 1o Se o adquirente estiver de boa-fé e o alienante adquirir depois a propriedade, considera-se realizada a 
transferência desde o momento em que ocorreu a tradição. 
 
§ 2o NÃO TRANSFERE a propriedade a tradição, quando tiver por título um negócio jurídico NULO. 
 
108 
 
Seção V 
Da Especificação 
Art. 1.269. Aquele que, trabalhando em matéria-prima em parte alheia, obtiver espécie nova, desta será proprietário, 
se não se puder restituir à forma anterior. 
 
 
Art. 1.270. Se toda a matéria for alheia, e não se puder reduzir à forma precedente, será do especificador de boa-fé 
a espécie nova. 
 
§ 1o Sendo praticável a redução, ou quando impraticável, se a espécie nova se obteve de má-fé, pertencerá ao dono 
da matéria-prima. 
§ 2o Em qualquer caso, inclusive o da pintura em relação à tela, da escultura, escritura e outro qualquer trabalho 
gráfico em relação à matéria-prima, a espécie nova será do especificador, se o seu valor exceder consideravelmente 
o da matéria-prima. 
 
Art. 1.271. Aos prejudicados, nas hipóteses dos arts. 1.269 e 1.270, se ressarcirá o dano que sofrerem, menos ao 
especificador de má-fé, no caso do § 1o do artigo antecedente, quando irredutível a especificação. 
 
Seção VI 
Da Confusão, da Comissão e da Adjunção 
Art. 1.272. As coisas pertencentes a diversos donos, confundidas, misturadas ou adjuntadas sem o consentimento 
deles, continuam a pertencer-lhes, sendo possível separá-las sem deterioração. 
 
§ 1o Não sendo possível a separação das coisas, ou exigindo dispêndio excessivo, subsiste indiviso o todo, cabendo 
a cada um dos donos quinhão proporcional ao valor da coisa com que entrou para a mistura ou agregado. 
 
§ 2o Se uma das coisas puder considerar-se principal, o dono sê-lo-á do todo, indenizando os outros. 
 
 
Art. 1.273. Se a confusão, comissão ou adjunção se operou de má-fé, à outra parte caberá escolher entre adquirir a 
propriedade do todo, pagando o que não for seu, abatida a indenização que lhe for devida, ou renunciar ao que lhe 
pertencer, caso em que será indenizado. 
 
 
Art. 1.274. Se da união de matérias de natureza diversa se formar espécie nova, à confusão, comissão ou adjunção 
aplicam-se as normas dos arts. 1.272 e 1.273. 
 
CAPÍTULO IV 
Da Perda da Propriedade 
Art. 1.275. Além das causas consideradas neste Código, PERDE-SE a propriedade: 
I - por alienação; 
II - pela renúncia; 
III - por abandono; 
IV - por perecimento da coisa; 
V - por desapropriação. 
Parágrafo único. Nos casos dos incisos I (ALIENAÇÃO) e II (RENÚNCIA), os efeitos da perda da propriedade 
IMÓVEL serão SUBORDINADOS ao registro do título transmissivo ou do ato renunciativo no Registro de 
Imóveis. 
 
PERDA DA PROPRIEDADE 
 
BIZU: PRADA 
Perecimento da coisa 
Renúncia 
Alienação 
Desapropriação 
Abandono 
109 
 
Art. 1.276. O imóvel URBANO que o proprietário abandonar, com a intenção de não mais o conservar em seu 
patrimônio, e que se não encontrar na posse de outrem, poderá ser arrecadado, como bem vago, e PASSAR, três 
anos depois, à propriedade do Município ou à do Distrito Federal, se se achar nas respectivas circunscrições. 
 
§ 1o O imóvelsituado na ZONA RURAL, abandonado nas mesmas circunstâncias, poderá ser arrecadado, como 
bem vago, e PASSAR, três anos depois, à propriedade da União, onde quer que ele se localize. 
 
§ 2o PRESUMIR-SE-Á DE MODO ABSOLUTO a intenção a que se refere este artigo (abandono), quando, cessados 
os atos de posse, deixar o proprietário de satisfazer os ônus fiscais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
110 
 
3. EMPRESARIAL NO CC 
 
TÍTULO VIII 
Dos Títulos de Crédito 
 
#TABELARESUMO: 
TÍTULOS DE CRÉDITO 
CONCEITO 
O conceito de título de crédito unanimemente aceito pelos doutrinadores é o que foi dado 
por Cesare Vivante. O grande jurista italiano definiu título de crédito como o documento 
necessário ao exercício do direito, literal e autônomo, nele mencionado. 
LEGISLAÇÃO 
APLICÁVEL 
A primeira legislação que foi criada no Brasil e que tratou dos títulos de crédito foi o decreto 
nº 2.044/1908. Ele regulamentou apenas a letra de câmbio e a nota promissória, mas servia 
de base para todo e qualquer título. 
 
Porém, desde os seus primórdios, os títulos de crédito passaram a ser utilizados em 
negócios que envolviam entes que estavam em diferentes países. Sempre foram muito 
utilizados no comércio internacional. Em virtude disso, em meados do século XX os países 
começaram a ser preocupar em uniformizar suas legislações a respeito dos títulos. 
 
O Brasil participou de convenções e foi signatário da Convenção de Genebra que foi 
recepcionada no ordenamento brasileiro através da aprovação do decreto nº 57.663/66. 
Esta lei revogou quase por completo o decreto nº 2.044/1908 e ficou conhecida como lei 
Uniforme de Genebra (LUG). Ela também trata diretamente apenas da Letra de Câmbio e 
Nota Promissória, mas também serve de base para os demais títulos. 
 
Os outros dois títulos que tem lei própria são a duplicata que é tratada na lei nº 5.474/68 
e o cheque que é regulado pela lei nº 7.357/85. Tais legislações são pequenas, o que fez 
com que a LUG permanecesse servindo de aplicação subsidiária para esses títulos. 
 
Em 2002 o legislador optou por criar uma teoria geral dos títulos de crédito no Código 
Civil, nos artigos 887 a 926. O Código Civil não revogou as legislações anteriores, sendo 
que cada título específico permanece com seu regulamento especial. 
 
As disposições do Código Civil de 2002, portanto, em princípio não se aplicam aos títulos 
de crédito próprios/típicos/nominados, que possuem legislação especial (duplicata, da 
letra de câmbio, da nota promissória e do cheque). O Código Civil funciona, pois, na 
parte relativa aos títulos de crédito, como uma teoria geral para os chamados títulos 
atípicos ou inominados, que não possuam lei específica, não se aplicando, em regra, aos 
títulos nominados ou típicos, salvo em caso de lacuna ou omissão da legislação 
específica. Nesse sentido é a disposição do Enunciado 52 do CJF, com a redação dada pelo 
Enunciado 464, aprovado na V Jornada de Direito Civil: “As disposições relativas aos títulos 
de crédito do Código Civil aplicam-se àqueles regulados por leis especiais, no caso de omissão 
ou lacuna”. 
NASCIMENTO DA 
OBRIGAÇÃO 
CAMBIAL 
 teoria da criação: o título de crédito se constitui a partir da declaração unilateral de 
vontade de seu criador, ou seja, uma vez criado o título ele está apto a gerar direitos, 
respondendo o criador pela sua importância mesmo nos casos em que saiu de suas mãos 
por extravio, perda ou roubo. 
 
 teoria da emissão: o título de crédito só se constitui quando, após a declaração unilateral 
de vontade do seu criador, sai de suas mãos voluntariamente. 
111 
 
A grande importância da distinção entre os pontos de vista das duas correntes doutrinárias 
mencionadas – teoria da criação e teoria da emissão – se dá para a solução de casos em 
que o título seja extraviado ou posto em circulação contra a vontade do sacador. Para a 
teoria da criação, como a obrigação cambial já havia nascido desde a confecção do título, o 
sacador estará obrigado nessas situações. Por outro lado, para a teoria da emissão, a 
obrigação cambial ainda não teria se aperfeiçoado, e, portanto, o sacador não assumiria, 
nesses casos, obrigação cambial alguma. 
 
O Código Civil parece ter adotado a teoria da criação, uma vez que em seu art. 905, 
parágrafo único, determina que “a prestação é devida ainda que o título tenha entrado em 
circulação contra a vontade do emitente”. Por outro lado, em seu art. 896, o Código Civil 
previu que “o título de crédito não pode ser reivindicado do portador que o adquiriu de boa-
fé e na conformidade das normas que disciplinam a sua circulação”. 
CARACTERÍSTICAS 
- Natureza essencialmente comercial, daí por que o direito cambiário é sub-ramo 
específico do direito comercial, desenvolvido com a finalidade clara de conferir aos títulos 
de crédito as prerrogativas necessárias ao cumprimento de sua função primordial: circulação 
de riqueza com segurança; 
 
- Documentos formais, por precisarem observar os requisitos essenciais previstos na 
legislação cambiária; 
 
- Natureza de bens móveis, sujeitando-se aos princípios que norteiam a circulação desses 
bens, como o que prescreve que a posse de boa-fé vale como propriedade; 
 
- Títulos de apresentação, por serem documentos necessários ao exercício dos direitos 
neles contidos; 
 
- Constituem títulos executivos extrajudiciais, por configurarem uma obrigação líquida 
e certa; 
 
- Representam obrigações quesíveis (querable), cabendo ao credor dirigir-se ao devedor 
para receber a importância devida, e que a emissão do título e a sua entrega ao credor têm, 
em regra, natureza pro solvendo, isto é, não implica novação no que se refere à relação 
jurídica que deu origem ao título: a relação jurídica que originou o título, portanto, não irá 
se confundir com a relação cambiária representada pelo título emitido; 
 
- Títulos de resgate, porque sua emissão pressupõe futuro pagamento em dinheiro que 
extinguirá a relação cambiária; 
 
- Títulos de circulação, uma vez que sua principal função é, como já afirmamos reiteradas 
vezes, a circulabilidade do crédito. 
PRINCÍPIOS 
1. Cartularidade 
O direito de crédito mencionado na cártula não existe sem ela, não pode ser transmitido 
sem a sua tradição e não pode ser exigido sem a sua apresentação. 
Em obediência ao princípio da cartularidade, (i) a posse do título pelo devedor presume o 
pagamento do título, (ii) só é possível protestar o título apresentando-o, (iii) só é possível 
executar o título apresentando-o, não suprindo a sua ausência nem mesmo a apresentação 
de cópia autenticada. 
 
 
 
112 
 
💣 Desmaterialização ou Liquefação dos títulos de crédito: 
É a crescente criação de títulos de crédito magnéticos, ou seja, que não se materializam 
numa cártula. 
A desmaterialização dos títulos de crédito por permitir a criação de títulos não 
cartularizados, ou seja, não documentados em papel, cria situações em que, por exemplo, 
o credor pode executar um determinado título de crédito sem a necessidade de apresentá-
lo em juízo. É o que ocorre com as chamadas duplicatas virtuais, muito comuns na praxe 
mercantil, as quais podem ser executadas mediante a apresentação, apenas, do instrumento 
de protesto por indicações e do comprovante de entrega das mercadorias (art. 15, § 2º, da 
Lei nº 5.474/68). 
 
2. Literalidade 
Só terá validade para o direito cambiário, aquilo que está literalmente escrito no título. Nem 
mais, nem menos. Em outros termos, nas relações cambiais somente os atos que são 
devidamente lançados no próprio título produzem efeitos jurídicos perante o seu legítimo 
portador. 
 
3. Autonomia 
O terceiro e mais importante princípio relacionado aos títulos de crédito, considerado a 
pedra fundamental de todo o regime jurídico cambial, é o princípio da autonomia. Por esseprincípio, entende-se que o título de crédito configura documento constitutivo de direito 
novo, autônomo, originário e completamente desvinculado da relação que lhe deu origem. 
Assim, as relações jurídicas representadas num determinado título de crédito são 
autônomas e independentes entre si, razão pela qual o vício que atinge uma delas, por 
exemplo, não contamina a(s) outra(s). Melhor dizendo: o legítimo portador do título pode 
exercer seu direito de crédito sem depender das demais relações que o antecederam, 
estando completamente imune aos vícios ou defeitos que eventualmente as acometeram. 
Subprincípios: 
a) Abstração: com a circulação, o título se desvincula da relação que lhe deu origem; 
b) Inoponibilidade das exceções pessoais aos terceiros de boa-fé: para o credor 
primitivo é possível apresentar a exceção pessoal, mas não pode para o terceiro de boa-fé. 
CLASSIFICAÇÃO 
1. Quanto à FORMA DE TRANSFERÊNCIA OU CIRCULAÇÃO 
a) Título AO PORTADOR: é aquele que circula pela mera tradição (art. 904, CC), uma vez 
que neles a identificação do credor não é feita de forma expressa. Sendo assim, qualquer 
pessoa que esteja com a simples posse do título é considerada titular do crédito nele 
mencionado. A simples transferência do documento (cártula), portanto, opera a 
transferência da titularidade do crédito. 
 
b) Título NOMINAL: é aquele que identifica expressamente o seu titular, ou seja, o credor. 
A transferência da titularidade do crédito, pois, não depende apenas da mera entrega do 
documento (cártula) a outra pessoa: é preciso, além disso, praticar um ato formal que opere 
a transferência da titularidade do crédito. 
 títulos nominais com cláusula “À ORDEM”, esse ato formal é o endosso, típico do 
regime jurídico cambial (art. 910, CC). 
 títulos nominais com cláusula “NÃO À ORDEM” esse ato formal é a cessão civil de 
crédito, a qual, submete-se ao regime jurídico civil. 
 
c) Títulos NOMINATIVOS: segundo o art. 921 do CC, são aqueles emitidos em favor de 
pessoa determinada, cujo nome consta de registro específico mantido pelo emitente do 
título. Nesse caso, portanto, a transferência só se opera validamente por meio de termo no 
113 
 
referido registro, o qual deve ser assinado pelo emitente e pelo adquirente do título (art. 
922, CC). 
 
💣 Em regra, os títulos de crédito típicos, nominados ou próprios – letra de câmbio, nota 
promissória, cheque e duplicata, por exemplo – são títulos nominais à ordem, ou seja, 
devem ser emitidos com indicação expressa do beneficiário do crédito e podem circular via 
endosso. O único caso de título ao portador, quanto a estes títulos, é o do cheque até o 
limite de R$ 100,00 (cem reais). 
 
2. Quanto ao MODELO 
a) Título de modelo LIVRE: é aquele para o qual a lei não estabelece uma padronização 
obrigatória, ou seja, a sua emissão não se sujeita a uma forma específica preestabelecida. 
Ex.: letra de câmbio e nota promissória - títulos de crédito que podem ser criados em 
uma simples folha de papel, bastando para tanto que nela constem os requisitos essenciais 
desses Títulos 
 
a) Título de modelo VINCULADO: ao contrário, se submete a uma rígida padronização 
fixada pela legislação cambiária específica, só produzindo feitos legais quando preenchidas 
as formalidades legais exigidas. 
Ex.: cheque e duplicata - esta, por exemplo, em obediência ao disposto no art. 27 da Lei 
das Duplicatas (Lei nº 5.474/1968), deve ser emitida segundo as normas fixadas pelo 
Conselho Monetário Nacional 
 
3. Quanto à ESTRUTURA 
a) Títulos que se estruturam como ORDEM de pagamento: se caracterizam por 
estabelecerem três situações jurídicas distintas a partir da sua emissão: em primeiro lugar, 
tem-se a figura do sacador, que emite o título, ou seja, ordena o pagamento; em segundo 
lugar, tem-se a situação do sacado, contra quem o título é emitido, ou seja, trata-se da 
pessoa que recebe a ordem de pagamento; por fim, tem-se a figura do tomador (ou 
beneficiário), em favor de quem o título é emitido, isto é, pessoa a quem o sacado deve 
pagar, em obediência à ordem que lhe foi endereçada pelo sacador. 
Ex.: letra de câmbio, cheque e duplicata 
 
b) Títulos que se estruturam como PROMESSA de pagamento: existem apenas duas 
situações jurídicas distintas: de um lado tem-se a figura do sacador ou promitente, que 
promete pagar determinada quantia; de outro, tem-se a situação do tomador, beneficiário 
da promessa que receberá o valor prometido. 
Ex.: nota promissória 
 
4. Quanto às HIPÓTESES DE EMISSÃO 
a) Título CAUSAL: é aquele que somente pode ser emitido nas restritas hipóteses em que 
a lei autoriza a sua emissão. 
Ex.: duplicata - que só pode ser emitida para documentar a realização de uma compra e 
venda mercantil (duplicata mercantil) ou um contrato de prestação de serviços (duplicata 
de serviços) 
 
b) Título ABSTRATO: é aquele cuja emissão não está condicionada a nenhuma causa 
preestabelecida em lei. Em síntese: podem ser emitidos em qualquer hipótese. 
Ex.: cheque - que pode ser emitido para documentar qualquer relação negocial. 
 
 
114 
 
CAPÍTULO I 
Disposições Gerais 
Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito LITERAL E AUTÔNOMO nele contido, 
SOMENTE PRODUZ EFEITO quando preencha os requisitos da lei. 
 
 
Art. 888. A OMISSÃO de qualquer requisito legal, que tire ao escrito a sua validade como título de crédito, NÃO 
IMPLICA a invalidade do negócio jurídico que lhe deu origem. (PRINCÍPIO DA AUTONOMIA) 
 
 
Art. 889. Deve o título de crédito CONTER a data da emissão, a indicação precisa dos direitos que confere, e a 
assinatura do emitente. 
 
§ 1o É À VISTA o título de crédito que não contenha indicação de vencimento. 
 
§ 2o Considera-se LUGAR de emissão e de pagamento, quando não indicado no título, o DOMICÍLIO DO 
EMITENTE. 
 
REQUISITOS DOS TÍTULOS DE 
CRÉDITO 
- data da emissão; 
 
- indicação precisa dos direitos que confere; e 
 
- assinatura do emitente. 
 
§ 3o O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico equivalente e que 
constem da escrituração do emitente, observados os requisitos mínimos previstos neste artigo. 
(DESMATERIALIZAÇÃO OU LIQUEFAÇÃO DO TÍTULO DE CRÉDITO) 
 
 
Art. 890. Consideram-se NÃO ESCRITAS no título a CLÁUSULA de juros, a proibitiva de endosso, a excludente 
de responsabilidade pelo pagamento ou por despesas, a que dispense a observância de termos e formalidade 
prescritas, e a que, além dos limites fixados em lei, exclua ou restrinja direitos e obrigações. 
 
CLÁUSULAS PROIBIDAS NOS 
TÍTULOS DE CRÉDITO 
(NÃO ESCRITAS) 
- de juros; 
 
- a proibitiva de endosso; 
 
- a excludente de responsabilidade pelo pagamento ou por despesas; 
 
- a que dispense a observância de termos e formalidade prescritas; e 
 
- a que, além dos limites fixados em lei, exclua ou restrinja direitos e obrigações 
 
 
Art. 891. O título de crédito, incompleto ao tempo da emissão, deve ser preenchido de conformidade com os ajustes 
realizados. 
Parágrafo único. O descumprimento dos ajustes previstos neste artigo pelos que deles participaram, NÃO 
CONSTITUI motivo de oposição ao terceiro portador, SALVO se este, ao adquirir o título, tiver agido de má-fé. 
- Súmula nº 387, STF: “A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo 
credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.” 
 
 
115 
 
Art. 892. Aquele que, sem ter poderes, ou excedendo os que tem, lança a sua assinatura em título de crédito, como 
mandatário ou representante de outrem, fica pessoalmente obrigado, e, pagando o título, tem ele os mesmos direitos 
que teria o suposto mandante ou representado. 
 
 
Art. 893. A transferência do título de crédito IMPLICA a de todos os direitos que lhe são inerentes. 
 
 
Art. 894. O portador de título representativo de mercadoria tem o direito de transferi-lo, de conformidadecom as 
normas que regulam a sua circulação, ou de receber aquela independentemente de quaisquer formalidades, além da 
entrega do título devidamente quitado. 
 
 
Art. 895. Enquanto o título de crédito estiver em circulação, SÓ ELE poderá ser dado em garantia, ou ser objeto 
de medidas judiciais, e não, separadamente, os direitos ou mercadorias que representa. 
 
 
Art. 896. O título de crédito NÃO PODE ser reivindicado do portador que o adquiriu de boa-fé e na 
conformidade das normas que disciplinam a sua circulação. 
 
 
Art. 897. O pagamento de título de crédito, que contenha obrigação de pagar soma determinada, pode ser 
garantido por AVAL. 
Parágrafo único. É VEDADO o aval PARCIAL. 
 
Aval Parcial 
No CC (art. 897, p. ú.) – títulos atípicos/inominados 
Aplica-se a Duplicata, cuja lei de regência não trata do aval parcial (art. 903) 
VEDADO 
Cheque (art. 29 da Lei nº 7.357/85) 
Letra de câmbio e Nota promissória (art. 30 da LUG) 
PERMITIDO 
 
 
Art. 898. O aval deve ser dado no VERSO ou no ANVERSO do próprio título. 
 
§ 1o Para a validade do aval, dado no ANVERSO do título, é suficiente a simples assinatura do avalista. 
 
LOCAL P/ REALIZAÇÃO DO 
AVAL 
Anverso 
(é o mais comum) 
• simples assinatura do avalista 
Verso 
(pode ocorrer) 
• assinatura do avalista + expressa menção de que se 
trata de aval 
 
§ 2o Considera-se NÃO ESCRITO o aval CANCELADO. 
 
Aval Parcial Aval Cancelado 
VEDADO NÃO ESCRITO 
 
 
Art. 899. O avalista EQUIPARA-SE àquele cujo nome indicar; na falta de indicação, ao emitente ou devedor final. 
 
§ 1° Pagando o título, tem o avalista ação de regresso contra o seu avalizado e demais coobrigados anteriores. 
 
§ 2o SUBSISTE a responsabilidade do avalista, ainda que nula a obrigação daquele a quem se equipara, a menos 
que a nulidade decorra de vício de FORMA. 
116 
 
Art. 900. O aval POSTERIOR ao vencimento produz os mesmos efeitos do anteriormente dado. 
 
 
#NÃOCONFUNDA: 
AVAL FIANÇA 
É garantia cambial É garantia civil 
Obrigação autônoma em relação a dívida assumida 
pelo avalizado (princípio da autonomia) 
Obrigação acessória 
Não admite o benefício de ordem, podendo o avalista 
ser acionado juntamente com o avalizado 
Admite o benefício de ordem, podendo assegurar ao 
fiador a prerrogativa de somente ser acionado após o 
afiançado (subsidiária) 
Deve ser prestado no próprio título (princípio da 
literalidade) 
Pode ser prestada em instrumento à parte 
 
 
Art. 901. Fica validamente desonerado o devedor que paga título de crédito ao legítimo portador, no vencimento, 
sem oposição, salvo se agiu de má-fé. 
Parágrafo único. Pagando, pode o devedor exigir do credor, além da entrega do título, quitação regular. 
 
 
Art. 902. Não é o credor obrigado a receber o pagamento antes do vencimento do título, e aquele que o paga, antes 
do vencimento, fica responsável pela validade do pagamento. 
 
§ 1o No vencimento, não pode o credor recusar pagamento, ainda que parcial. 
 
§ 2o No caso de pagamento parcial, em que se não opera a tradição do título, além da quitação em separado, outra 
deverá ser firmada no próprio título. 
 
PAGAMENTO 
Antes do vencimento 
• credor não é obrigado a receber 
• aquele que o paga, fica responsável pela validade do pagamento 
No vencimento • credor não pode recusar pagamento, ainda que parcial 
 
 
Art. 903. SALVO disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código. 
 
CAPÍTULO II 
Do Título ao Portador 
Art. 904. A transferência de título ao portador se faz por simples tradição. 
 
 
Art. 905. O possuidor de título ao portador tem direito à prestação nele indicada, mediante a sua simples 
apresentação ao devedor. 
Parágrafo único. A prestação é devida ainda que o título tenha entrado em circulação contra a vontade do 
emitente. 
 
 
Art. 906. O devedor só poderá opor ao portador exceção fundada em direito pessoal, ou em nulidade de sua 
obrigação. 
 
 
Art. 907. É NULO o título ao portador emitido SEM autorização de lei especial. 
 
 
117 
 
Art. 908. O possuidor de título dilacerado, porém identificável, tem direito a obter do emitente a substituição do 
anterior, mediante a restituição do primeiro e o pagamento das despesas. 
 
 
Art. 909. O proprietário, que perder ou extraviar título, ou for injustamente desapossado dele, poderá obter novo 
título em juízo, bem como impedir sejam pagos a outrem capital e rendimentos. 
Parágrafo único. O pagamento, feito antes de ter ciência da ação referida neste artigo, exonera o devedor, SALVO 
se se provar que ele tinha conhecimento do fato. 
 
CAPÍTULO III 
Do Título À Ordem 
Art. 910. O endosso deve ser lançado pelo endossante no VERSO ou ANVERSO do próprio título. 
 
§ 1o Pode o endossante designar o endossatário, e para validade do endosso, dado no VERSO do título, é suficiente 
a simples assinatura do endossante. 
 
§ 2o A TRANSFERÊNCIA por endosso completa-se com a tradição do título. 
 
§ 3o Considera-se NÃO ESCRITO o endosso CANCELADO, total ou parcialmente. 
 
Endosso Parcial Endosso Cancelado (total ou parcial) 
NULO NÃO ESCRITO 
 
 
Art. 911. Considera-se legítimo possuidor o portador do título à ordem com série regular e ininterrupta de endossos, 
ainda que o último seja em branco. 
Parágrafo único. Aquele que paga o título está obrigado a verificar a regularidade da série de endossos, mas 
NÃO a autenticidade das assinaturas. 
 
 
Art. 912. Considera-se NÃO ESCRITA no endosso qualquer condição a que o subordine o endossante. 
Parágrafo único. É NULO o endosso PARCIAL. 
 
#NÃOCONFUNDA: 
Aval Parcial Endosso Parcial 
VEDADO NULO 
 
 
Art. 913. O endossatário de endosso em branco pode mudá-lo para endosso em preto, completando-o com o seu 
nome ou de terceiro; pode endossar novamente o título, em branco ou em preto; ou pode transferi-lo sem novo 
endosso. 
 
ENDOSSATÁRIO DE ENDOSSO 
EM BRANCO 
- mudá-lo para endosso em preto, completando-o com o seu nome ou de 
terceiro; 
 
- endossar novamente o título, em branco ou em preto; ou 
 
- transferi-lo sem novo endosso. 
 
 
Art. 914. Ressalvada cláusula expressa em contrário, constante do endosso, NÃO RESPONDE o endossante pelo 
cumprimento da prestação constante do título. 
 
118 
 
§ 1o Assumindo responsabilidade pelo pagamento, o endossante se torna devedor SOLIDÁRIO. 
 
§ 2o Pagando o título, tem o endossante ação de regresso contra os coobrigados anteriores. 
 
 
Art. 915. O devedor, além das exceções fundadas nas relações pessoais que tiver com o portador, só poderá opor a 
este as exceções relativas à forma do título e ao seu conteúdo literal, à falsidade da própria assinatura, a defeito de 
capacidade ou de representação no momento da subscrição, e à falta de requisito necessário ao exercício da ação. 
 
 
Art. 916. As exceções, fundadas em relação do devedor com os portadores precedentes, somente poderão ser por 
ele opostas ao portador, se este, ao adquirir o título, tiver agido de má-fé. 
 
 
Art. 917. A cláusula constitutiva de mandato, lançada no endosso, confere ao endossatário o exercício dos direitos 
inerentes ao título, salvo restrição expressamente estatuída. 
 
§ 1o O endossatário de endosso-mandato só pode endossar novamente o título na qualidade de procurador, com os 
mesmos poderes que recebeu. 
 
§ 2o Com a morte ou a superveniente incapacidade do endossante, não perde eficácia o endosso-mandato. 
 
§ 3o Pode o devedor opor ao endossatário de endosso-mandato somente as exceções que tiver contra o endossante. 
 
 
Art. 918. A cláusula constitutiva de penhor, lançada no endosso, confere ao endossatário o exercício dos direitos 
inerentes ao título. 
 
§ 1o O endossatário de endosso-penhor só pode endossar novamente o título na qualidade de procurador. 
 
§ 2o Não pode o devedor opor ao endossatário de endosso-penhor as exceções que tinha contra o endossante, salvo 
seaquele tiver agido de má-fé. 
 
 
Art. 919. A aquisição de título à ordem, por meio diverso do endosso, tem efeito de CESSÃO CIVIL. 
 
#NÃOCONFUNDA: 
ENDOSSO CESSÃO CIVIL 
Submetido ao regime jurídico cambial Submetida ao regime jurídico civil 
Ato formal que transfere os títulos à ordem Ato formal que transfere os títulos não à ordem 
Ato unilateral que deve ser feito no próprio título, 
em obediência ao princípio da literalidade 
Negócio bilateral formalizado por meio de contrato, 
ou seja, instrumento à parte 
O endossante responde pela existência do crédito e 
pela solvência do devedor 
O cedente responde apenas pela existência do 
crédito 
Para se defender, o devedor não poderá arguir 
matérias atinentes à sua relação jurídica com o 
endossatário 
Para se defender, o devedor poderá arguir matérias 
atinentes à sua relação jurídica com o cessionário 
 
 
Art. 920. O endosso POSTERIOR ao vencimento produz os mesmos efeitos do anterior. 
 
 
 
119 
 
CAPÍTULO IV 
Do Título Nominativo 
Art. 921. É título nominativo o emitido em favor de pessoa cujo nome conste no registro do emitente. 
 
 
Art. 922. Transfere-se o título nominativo mediante termo, em registro do emitente, assinado pelo proprietário 
e pelo adquirente. 
 
 
Art. 923. O título nominativo também pode ser transferido por endosso que contenha o nome do endossatário. 
 
§ 1o A transferência mediante endosso só tem eficácia perante o emitente, uma vez feita a competente averbação 
em seu registro, podendo o emitente exigir do endossatário que comprove a autenticidade da assinatura do 
endossante. 
 
§ 2o O endossatário, legitimado por série regular e ininterrupta de endossos, tem o direito de obter a averbação no 
registro do emitente, comprovada a autenticidade das assinaturas de todos os endossantes. 
 
§ 3o Caso o título original contenha o nome do primitivo proprietário, tem direito o adquirente a obter do emitente 
novo título, em seu nome, devendo a emissão do novo título constar no registro do emitente. 
 
 
Art. 924. Ressalvada proibição legal, pode o título nominativo ser transformado em à ordem ou ao portador, a 
pedido do proprietário e à sua custa. 
 
 
Art. 925. Fica desonerado de responsabilidade o emitente que de boa-fé fizer a transferência pelos modos indicados 
nos artigos antecedentes. 
 
 
Art. 926. Qualquer negócio ou medida judicial, que tenha por objeto o título, só produz efeito perante o emitente 
ou terceiros, uma vez feita a competente averbação no registro do emitente. 
 
SÚMULAS SOBRE TÍTULOS DE CRÉDITO 
STF STJ 
- Súmula nº 189, STF: “Avais em branco e superpostos 
consideram-se simultâneos e não sucessivos.” 
 
- Súmula nº 387, STF: “A cambial emitida ou aceita com 
omissões, ou em branco, pode ser completada pelo 
credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.” 
 
- Súmula nº 600, STF: “Cabe ação executiva contra o 
emitente e seus avalistas, ainda que não apresentado o 
cheque ao sacado no prazo legal, desde que não 
prescrita a ação cambiária.” 
- Súmula nº 16, STJ: “A legislação ordinária sobre 
credito rural não veda a incidência da correção 
monetária.” 
 
- Súmula nº 26, STJ: “O avalista do título de crédito 
vinculado a contrato de mútuo também responde 
pelas obrigações pactuadas, quando no contrato figurar 
como devedor solidário.” 
 
- Súmula nº 60, STJ: “É nula a obrigação cambial 
assumida por procurador do mutuário vinculado ao 
mutuante, no exclusivo interesse deste.” 
 
- Súmula nº 93, STJ: “A legislação sobre cédulas de 
crédito rural, comercial e industrial admite o pacto de 
capitalização de juros.” 
 
120 
 
- Súmula nº 258, STJ: “A nota promissória vinculada a 
contrato de abertura de crédito não goza de autonomia 
em razão da iliquidez do título que a originou.” 
 
- Súmula nº 299, STJ: “É admissível a ação monitória 
fundada em cheque prescrito.” 
 
- Súmula nº 370, STJ: “Caracteriza dano moral a 
apresentação antecipada de cheque pré-datado.” 
 
- Súmula nº 475, STJ: “Responde pelos danos 
decorrentes de protesto indevido o endossatário que 
recebe por endosso translativo título de crédito 
contendo vício formal extrínseco ou intrínseco, ficando 
ressalvado seu direito de regresso contra os 
endossantes e avalistas.” 
 
- Súmula nº 476, STJ: “O endossatário de título de 
crédito por endosso-mandato só responde por danos 
decorrentes de protesto indevido se extrapolar os 
poderes de mandatário.” 
 
- Súmula nº 503, STJ: “O prazo para ajuizamento de 
ação monitória em face do emitente de cheque sem 
força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte 
à data de emissão estampada na cártula.” 
 
- Súmula nº 504, STJ: “O prazo para ajuizamento de 
ação monitória em face do emitente de nota 
promissória sem força executiva é quinquenal, a contar 
do dia seguinte ao vencimento do título.” 
 
- Súmula nº 531, STJ: “Em ação monitória fundada em 
cheque prescrito ajuizada contra o emitente, é 
dispensável a menção ao negócio jurídico subjacente à 
emissão da cártula.” 
 
#INFO 
JURISPRUDÊNCIA SOBRE TÍTULOS DE CRÉDITO 
- A assinatura do sacador/emitente da duplicata é requisito que pode ser suprido por outro meio. 
Segundo o art. 2º, § 1º da Lei nº 5.474/68 um dos requisitos da duplicata é a assinatura do sacador. 
O requisito da assinatura do emitente deve ser considerado suprível nessa específica modalidade de título de 
crédito, sobretudo quando não ocorre sua circulação. 
Existem dois principais argumentos que permitem chegar a essa conclusão: 
a) com fundamento no art. 13, § 1º da Lei nº 5.474/68, é dispensável a apresentação física da duplicata, bastando 
para a constituição do título executivo extrajudicial: os boletos de cobrança bancária, os protestos por indicação e 
os comprovantes de entrega de mercadoria ou de prestação de serviços. 
b) a duplicata, por ser um título causal, permite a incidência da literalidade indireta, que autoriza a identificação 
de seus elementos no documento da compra e venda mercantil ou da prestação de serviços que lhe serve de 
ensejo, pois o devedor tem a ciência de que aquela obrigação também tem seus limites definidos em outro 
documento. 
121 
 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.790.004-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/10/2020 (Info 681). 
 
- Na letra de câmbio não aceita não há obrigação cambial que vincule o sacado e assim, o sacador somente 
tem ação extracambial contra o sacado não aceitante, cujo prazo prescricional não sofre as interferências 
do protesto do título de crédito. 
O aceite é o ato por meio do qual o sacado se vincula à ordem de pagamento emitida pelo sacador, tornando-se 
o responsável principal pela dívida inscrita na letra de câmbio. 
Se não houve aceite, não há responsável e a letra de câmbio deixa de ter natureza de título de crédito, consistindo 
em um mero documento, produzido unilateralmente pelo sacador. 
Assim, na letra de câmbio não aceita não há obrigação cambial que vincule o sacado. 
Nesse caso, o sacador somente tem ação extracambial contra esse sacado não aceitante. O prazo prescricional 
dessa pretensão não sofre as interferências do protesto do título de crédito. 
A prescrição interrompida pelo protesto cambial se refere única e exclusivamente à ação cambiária, sendo 
endereçada unicamente ao responsável principal e, eventualmente, aos devedores indiretos do título, entre os 
quais não se enquadra o sacado não aceitante. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.748.779-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/05/2020 (Info 672). 
 
- Em uma nota promissória constaram duas datas de vencimento; uma coincide com a data de emissão do 
título; a outra é posterior; neste caso, deve prevalecer a data posterior já que, por ser futura, admite ser 
presumida como a efetiva manifestação de vontade do emitente. 
Caso concreto: na nota promissória constaram duas informações diferentes sobre a data de vencimento do título: 
“cinco de fevereiro de dois mile oito” e “05 de julho de 2008”. Vale ressaltar que a nota promissória foi emitida 
em 05.02.2008 (data de emissão). 
Assim, a nota promissória contém duas datas de vencimento igualmente expressas por extenso quanto ao mês 
(“fevereiro” e “julho”), sendo a primeira delas coincidente com a data de emissão da cártula, aposta numericamente 
(05.02.2008). 
Qual delas deverá prevalecer? Deve prevalecer a data de 05 de julho. 
Diante da divergência entre as expressões numérica e por extenso da data de vencimento de nota promissória, 
deve-se presumir que a efetiva vontade do emitente da nota era a de que o vencimento se desse após a emissão, 
prevalecendo, assim, a segunda e mais futura data de vencimento. 
A nota promissória é um título de crédito próprio, e, como tal, se propõe à concessão de um prazo para o 
pagamento, distinto da data da emissão da cártula, de forma que não faz sentido a emissão de uma nota 
promissória com data de vencimento coincidente com a data de emissão. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.730.682-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/05/2020 (Info 671). 
 
- Não é possível a oposição de exceções pessoais à empresa de factoring que comprou duplicata mercantil 
com aceite. #MUDANÇADEENTENDIMENTO 
A duplicata mercantil, apesar de causal no momento da emissão, com o aceite e a circulação adquire abstração e 
autonomia, desvinculando-se do negócio jurídico subjacente, impedindo a oposição de exceções pessoais a 
terceiros endossatários de boa-fé, como a ausência ou a interrupção da prestação de serviços ou a entrega das 
mercadorias. 
STJ. 2ª Seção. EREsp 1.439.749-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 28/11/2018 (Info 640). 
 
- Termo inicial de correção monetária e de juros de mora em cobrança de cheque. 
Em qualquer ação utilizada pelo portador para cobrança de cheque, a correção monetária incide a partir da data 
de emissão estampada na cártula, e os juros de mora a contar da primeira apresentação à instituição financeira 
sacada ou câmara de compensação. 
STJ. 2ª Seção. REsp 1.556.834-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/6/2016 (recurso repetitivo) 
(Info 587). 
#EMRESUMO: 
Correção Monetária: data de emissão estampada na cártula 
Juros de mora: data da primeira apresentação 
 
122 
 
- Não cabem danos morais se houve protesto de cheque prescrito, mas cuja dívida ainda poderia ser cobrada 
por outros meios. 
O protesto irregular de cheque prescrito não caracteriza abalo de crédito apto a ensejar danos morais ao devedor, 
se ainda remanescer ao credor vias alternativas para a cobrança da dívida consubstanciada no título. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.772-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/11/2017 (Info 616). 
 
- É possível a oposição de exceção pessoal ao portador de cheque prescrito. 
O cheque é um título de crédito. Logo, submete-se aos princípios da literalidade, da abstração, da autonomia das 
obrigações cambiais. 
Uma das decorrências da autonomia é o princípio da inoponibilidade das exceções pessoais ao terceiro de boa-
fé, consagrado pelo art. 25 da Lei do Cheque (Lei nº 7.357/85): 
Art. 25. Quem for demandado por obrigação resultante de cheque não pode opor ao portador exceções fundadas 
em relações pessoais com o emitente, ou com os portadores anteriores, salvo se o portador o adquiriu 
conscientemente em detrimento do devedor. 
Assim, em regra, o emitente do cheque não pode invocar exceções pessoais contra o terceiro de boa-fé que 
recebeu o título. Ex: o emitente não pode deixar de pagar ao terceiro de boa-fé que recebeu o cheque por endosso 
alegando que o endossatário (destinatário original do cheque) não cumpriu sua obrigação contratual. 
Essa regra, contudo, não se aplica no caso de cheque prescrito. 
É possível a oposição de exceção pessoal ao portador de cheque prescrito. Isso porque se o cheque está prescrito, 
ele perde as suas características cambiárias, tais quais a autonomia, a independência e a abstração. Assim, como o 
cheque prescrito perde a autonomia, não se aplica mais o conhecido princípio da inoponibilidade das exceções 
pessoais ao terceiro de boa-fé previsto no art. 25 da Lei do Cheque (Lei nº 7.357/85). 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.669.968-RO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 08/10/2019 (Info 658). 
 
- A aposição de número incorreto da fatura na duplicata invalida o título de crédito, retirando-lhe a 
exigibilidade executiva extrajudicial. 
O § 1º do art. 2º da Lei nº 5.474/68 prevê as informações que deverão constar em uma duplicata. Uma das 
informações que deve obrigatoriamente constar na duplicata é o número da fatura (inciso II). 
Se na duplicata constou o número errado da fatura, isso invalida o título, tornando-o inexigível. Isso porque o 
número da fatura é requisito legal da duplicata. 
Assim, em observância ao princípio da literalidade, a aposição de número incorreto da fatura na duplicata invalida 
o título de crédito, retirando-lhe a exigibilidade executiva extrajudicial. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.601.552-PE, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 05/11/2019 (Info 660). 
 
- O terceiro de boa-fé, endossatário, em operação de endosso-caução, não perde seu crédito de natureza 
cambial em vista da quitação feita ao endossante (credor originário), sem resgate da cártula. 
Nas operações de endosso-caução – nas quais a parte endossante transmite um título ao endossatário como forma 
de garantia da dívida, mas sem a transferência da titularidade da cártula –, o endossatário de boa-fé não tem seu 
direito de crédito abalado no caso de eventual quitação realizada ao endossante (credor originário), sem resgate 
do título. 
STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1.635.968/PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 06/04/2021 (Info 
691). 
 
- Não é necessária prévia autorização do cônjuge para que a pessoa preste aval em títulos de créditos 
típicos. 
O art. 1.647, III, do Código Civil de 2002 previu que uma pessoa casada somente pode prestar aval se houver 
autorização do seu cônjuge (exceção: se o regime de bens for da separação absoluta). 
Essa norma exige uma interpretação razoável e restritiva, sob pena de descaracterizar o aval como instituto 
cambiário. 
Diante disso, o STJ afirmou que esse art. 1.647, III, do CC somente é aplicado para os títulos de créditos inominados, 
considerando que eles são regidos pelo Código Civil. 
Por outro lado, os títulos de créditos nominados (típicos), que são regidos por leis especiais, não precisam 
obedecer essa regra do art. 1.647, III, do CC. 
123 
 
Em suma, o aval dado aos títulos de créditos nominados (típicos) prescinde de outorga uxória ou marital. 
Exemplos de títulos de créditos nominados: letra de câmbio, nota promissória, cheque, duplicata, cédulas e notas 
de crédito. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.526.560-MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 16/3/2017 (Info 604). 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.633.399-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 10/11/2016. 
 
- Se a duplicata cumpre os requisitos do art. 2º, § 1º da Lei 5.474/68, ela é válida e eficaz mesmo que tenha 
tamanho diferente do que o padrão e ainda que contenha a descrição das mercadorias vendidas. 
A cártula, contendo todos os requisitos essenciais previstos no art. 2º, § 1º, da Lei das Duplicatas, tem validade e 
eficácia de duplicata, mesmo que não siga rigorosamente as medidas do modelo estabelecido na Resolução do 
Bacen nº 102/1968 e tenha, também, a descrição da mercadoria objeto da compra e venda e uma fatura da 
mercadoria objeto da negociação. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.518.203-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 27/04/2021 (Info 694). 
 
- O endosso de duplicata mercantil com aceite a terceiro de boa-fé dispensa a necessidade de 
demonstração, pela endossatária, da consumação de negócio de compra e venda de mercadorias 
subjacentes. 
Uma vez aceita, o sacado vincula-se ao título como devedor principal e a ausência de entrega da mercadoria ou 
deprestação de serviços, ou mesmo quitação referente à relação fundamental ao credor originário, somente pode 
ser oponível ao sacador, como exceção pessoal, mas não a endossatários de boa-fé. 
A duplicata é título de crédito causal. Isso significa que, para sua regular constituição, deve haver uma prestação 
de serviço. Essa causalidade, todavia, não lhe retira o caráter de abstração. Uma vez circulando o título, ao 
endossatário não podem ser opostas as exceções. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.518.203-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 27/04/2021 (Info 694). 
 
 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 56 DO STJ - TÍTULOS DE CRÉDITO 
1) Os títulos de crédito com força executiva podem ser cobrados por meio de processo de conhecimento, 
execução ou ação monitória. 
 
2) O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do devedor principal do título de crédito prescrito é 
quinquenal nos termos do art. 206, § 5º, I, do Código Civil, independetemente da relação jurídica fundamental. 
 
3) As duplicatas virtuais possuem força executiva, desde que acompanhadas dos instrumentos de protesto por 
indicação e dos comprovantes de entrega da mercadoria e da prestação do serviço. 
 
4) O devedor do título crédito não pode opor contra o endossatário as exceções pessoais que possuía em face do 
credor originário, limitando-se tal defesa aos aspectos formais e materiais do título, salvo na hipótese de má-fé. 
 
5) O devedor pode alegar contra a empresa de factoring as exceções pessoais originalmente oponíveis contra o 
emitente do título. 
SUPERADA! 
A 2ª Seção do STJ, no julgamento do EREsp n. 1.439.749/RS, Relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, DJe de 
6/12/2018, firmou o entendimento no sentido de que se a transmissão dos títulos de créditos em favor da 
empresa de factoring por endosso, sem questionamento a respeito da boa-fé da endossatária (factoring), 
ou quanto ao aceite voluntariamente aposto no título, aplicam-se as normas próprias do direito cambiário, 
sendo incabível a oposição de exceções pessoais à endossatária (STJ. 3ª Turma. AgInt no AREsp 1593148/SP, 
Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 30/03/2020). 
 
6) A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes 
da cobrança ou do protesto. (Súmula 387/STF) 
124 
 
7) O avalista do título de crédito vinculado a contrato de mútuo também responde pelas obrigações pactuadas, 
quando no contrato figurar como devedor solidário. (Súmula 26/STJ) 
 
8) O avalista não responde por dívida estabelecida em título de crédito prescrito, salvo se comprovado que auferiu 
benefício com a dívida. 
 
9) É válido o aval prestado por pessoa física nas cédulas de crédito rural, pois a vedação contida no § 3º do art. 60 
do Decreto-Lei n. 167/67 não alcança o referido título, sendo aplicável apenas às notas promissórias e duplicatas 
rurais. 
 
10) A autonomia do aval não se confunde com a abstração do título de crédito e, portanto, independe de sua 
circulação. 
 
11) É indevido o protesto de título de crédito prescrito. 
 
12) O endossatário de título de crédito por endosso-mandato só responde por danos decorrentes de protesto 
indevido se extrapolar os poderes de mandatário. (Súmula 476/STJ) (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do 
CPC/73 - Tema 463) 
 
13) Responde pelos danos decorrentes de protesto indevido o endossatário que recebe por endosso translativo 
título de crédito contendo vício formal extrínseco ou intrínseco, ficando ressalvado seu direito de regresso contra 
os endossantes e avalistas. (Súmula 475/STJ) (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/73 - Tema 465) 
 
14) O protesto indevido de título enseja indenização por dano moral que se configura in re ipsa. 
Atenção para esse julgado: protesto de cheque prescrito, mas que ainda podia ser cobrado por outros 
meios, não gera dano moral. 
(...) embora, no particular, tenha sido indevido o protesto, pois extemporâneo, a dívida consubstanciada 
no título permanecia hígida, não estando caracterizado, portanto, abalo de crédito apto a ensejar a 
caracterização do dano moral. (...) 
STJ. 3ª Turma. REsp 1713130/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/03/2020. 
 
15) A prescrição da pretensão executória de título cambial não enseja o cancelamento automático de anterior 
protesto regularmente lavrado e registrado. 
 
16) Incumbe ao devedor providenciar o cancelamento do protesto após a quitação da dívida, salvo pactuação 
expressa em contrário. (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC - Tema 725) 
 
17) A vinculação da nota promissória a um contrato retira-lhe a autonomia de título cambial, mas não a sua 
executoriedade, desde que a avença seja liquida, certa e exígivel. 
 
18) A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez 
do título que a originou. (Súmula 258/STJ) 
 
19) É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao mutuante, no exclusivo 
interesse deste. (Súmula 60/STJ) 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 62 DO STJ – CHEQUE 
1) Os prazos de apresentação e de prescrição (arts. 33 e 59 da Lei n. 7.357/85) nos cheques pós-datados possuem 
como termo inicial de contagem a data consignada no espaço reservado para a emissão da cártula. (Tese 
julgada sob o rito do art. 1.036 do CPC/2015 - Tema 945) 
 
125 
 
2) O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de cheque sem força executiva é quinquenal, 
a contar do dia seguinte à data de emissão estampada na cártula. (Súmula 503 do STJ) (Tese julgada sob o rito 
do art. 543-C do CPC/1973 - Tema 628) 
 
3) Em ação monitória fundada em cheque prescrito ajuizada contra o emitente, é dispensável a menção ao 
negócio jurídico subjacente à emissão da cártula. (Súmula 531/STJ) (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do 
CPC/1973 – Tema 564). 
 
4) A relação jurídica subjacente ao cheque (causa debendi) poderá ser discutida nos casos em que não houver a 
circulação do título. 
 
5) O negócio jurídico subjacente à emissão do cheque pode ser discutido em sede de embargos monitórios. 
 
6) A investigação da causa debendi é admitida nas hipóteses em que o cheque é dado como garantia, bem como 
nos casos em que o negócio jurídico subjacente for constituído em flagrante desrespeito à ordem jurídica. 
 
7) A ação de locupletamento ilícito (art. 61 da Lei n. 7.357/1985) não exige comprovação da causa debendi e 
deve ser proposta no prazo de até dois anos contados do fim do prazo prescricional da execução do cheque. 
 
8) A ação de cobrança prevista no artigo 62 da Lei n. 7357/85 está fundamentada na relação jurídica subjacente 
ao cheque, sendo imprescindível a comprovação da causa debendi. 
 
9) O foro competente para a execução do cheque é o local do pagamento – lugar onde se situa a agência bancária 
em que o emitente mantém sua conta corrente - sendo irrelevantes os locais de domicílio do autor e do réu. 
 
10) O banco sacado não responde pela emissão de cheques sem fundos que geram prejuízos a terceiros. 
 
11) É indevida a inscrição do nome do cotitular de conta bancária conjunta nos órgãos de proteção ao crédito se 
este não emitiu o cheque sem provisão de fundos. 
 
12) A instituição financeira é responsável pelos danos resultantes de extravio de talonários de cheques utilizados 
fraudulentamente por terceiros. 
 
13) O estabelecimento bancário não está obrigado a verificar a autenticidade das assinaturas dos endossantes, 
mas tem o dever de atestar a regularidade formal da cadeia de endossos. 
Nos termos do art. 39 da Lei do Cheque (Lei nº 7.357/85), a regularidade do endosso deve ser verificada 
não só pelo banco sacado, mas também pelo banco apresentante do título à câmara de compensação. Trata-
se de responsabilidade solidária pela regularidade da cadeia de endossos. 
STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1117151/SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 10/04/2018. 
 
14) O protestode cheque pode ser efetuado após o prazo de apresentação, desde que não escoado o lapso 
prescricional da pretensão executória dirigida contra o emitente (protesto facultativo). (Tese julgada sob o rito 
do art. 1036 do CPC/15 – Tema 945) 
 
15) A pretensão executiva do cheque dirigida contra os endossantes deve ser precedida de protesto realizado 
dentro do prazo de apresentação (protesto obrigatório). 
 
16) A diferenciação de preços para o pagamento em dinheiro, cheque ou cartão de crédito caracteriza prática 
abusiva no mercado de consumo. 
SUPERADA! 
A Lei nº 13.455/2017 passou a admitir expressamente essa prática. 
126 
 
17) A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral. (Súmula 388/ STJ) 
 
18) Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado. (Súmula 370/STJ) 
 
19) É razoável o valor da compensação por danos morais fixado em até 50 (cinquenta) salários mínimos para a 
hipótese de devolução indevida de cheque. 
 
20) Os juros moratórios decorrentes de dívidas representadas em cheque devem ser fixados a partir da data da 
primeira apresentação do título para pagamento, independentemente da cobrança ter sido buscada por meio 
de ação monitória. 
 
 
LIVRO II 
Do Direito de Empresa 
 
 
TÍTULO I 
Do Empresário 
 
CAPÍTULO I 
Da Caracterização e da Inscrição 
 
FASES DO DIREITO EMPRESARIAL 
1ª Fase 2ª Fase 3ª Fase 
Focava apenas na figura do 
Comerciante. É o período 
das corporações de ofício. 
É a fase subjetiva. 
Surgimento da Teoria dos Atos de 
Comércio, de índole Francesa, que passa 
a focar nos atos praticados pelo 
comerciante e não apenas na sua figura. É 
o período da codificação napoleônica. 
É a fase objetiva. 
 
É a Teoria adotada pelo Código 
Comercial de 1850 e perdurou até o 
Código Civil de 2002. 
Muda-se completamento o enfoque, 
surgindo a Teoria da Empresa, de 
índole Italiana, que passa a focar na 
Empresa e não no Comércio ou 
Comerciante. 
 
É a Teoria adotada pelo Código 
Civil de 2002. 
 
 
Art. 966. Considera-se EMPRESÁRIO quem exerce profissionalmente atividade econômica ORGANIZADA para 
a produção ou a circulação de bens ou de serviços. 
 
ELEMENTOS PARA 
CARACTERIZAÇÃO DO 
EMPRESÁRIO 
- Exerce profissionalmente = profissão habitual; 
 
- Atividade econômica = intuito lucrativo; 
 
- Organizada = articula os fatores de produção; 
 
- Para produção ou circulação de bens e serviços = a organização de 
pessoas e meios para o alcande da finalidade almejada. 
 
#NÃOCONFUNDA: 
Empresário - Pessoa que explora a atividade empresarial (sujeito de direito). 
Empresa - Atividade em sim. 
Estabelecimento Empresarial - Complexo de bens materiais e imateriais. 
127 
 
Parágrafo único. NÃO SE CONSIDERA EMPRESÁRIO quem exerce profissão INTELECTUAL, de natureza 
científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, SALVO se o exercício da 
profissão constituir ELEMENTO DE EMPRESA. 
 
NÃO SE SUJEITAM AO REGIME 
EMPRESARIAL 
- Profissionais intelectuais - natureza científica, literária ou artística; 
Exceção: quando o exercício da profissão constitui elemento de empresa. 
 
- Quem exerce atividade rural; 
Exceção: quando optar pelo registro na Junta Comercial. 
 
- Cooperativas; 
 
- Sociedades de Advogados (vedação do EOAB). 
 
 
Art. 967. É OBRIGATÓRIA a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva 
sede, ANTES do início de sua atividade. 
Obs.: A inscrição do empresário ou sociedade empresária é requisito delineador de sua regularidade, e não da 
sua caracterização. 
 
#NÃOCONFUNDA: 
REGISTRO OBRIGATÓRIO REGISTRO FACULTATIVO 
Empresários em geral Empresário Rural 
Natureza declaratória Natureza constitutiva 
Consequências da ausência de registro: 
 
- Não pode pedir a falência de outrem; 
 
- Não pode pleitear recuperação judicial própria; 
 
- Não pode participar de licitação; 
 
- Não vai obter certidão negativa de débito. 
Consequências da ausência de registro: 
 
- Faz com que o exercente de atividade rural não se 
sujeite ao regime empresarial. 
 
 
Art. 968. A inscrição do empresário far-se-á mediante REQUERIMENTO que contenha: 
I - o seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de bens; 
II - a firma, com a respectiva assinatura autógrafa; 
III - o capital; 
IV - o objeto e a sede da empresa. 
 
§ 1o Com as indicações estabelecidas neste artigo, a inscrição será tomada por termo no livro próprio do Registro 
Público de Empresas Mercantis, e obedecerá a número de ordem contínuo para todos os empresários inscritos. 
 
§ 2o À margem da inscrição, e com as mesmas formalidades, serão AVERBADAS quaisquer modificações nela 
ocorrentes. 
 
§ 3º Caso venha a admitir sócios, o empresário individual poderá solicitar ao Registro Público de Empresas 
Mercantis a TRANSFORMAÇÃO de seu registro de empresário para registro de sociedade empresária, 
observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. 
128 
 
Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos 
preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converter-se. 
Art. 1.114. A transformação depende do consentimento de todos os sócios, salvo se prevista no ato constitutivo, 
caso em que o dissidente poderá retirar-se da sociedade, aplicando-se, no silêncio do estatuto ou do contrato 
social, o disposto no art. 1.031. 
Art. 1.115. A transformação não modificará nem prejudicará, em qualquer caso, os direitos dos credores. 
Parágrafo único. A falência da sociedade transformada somente produzirá efeitos em relação aos sócios que, no 
tipo anterior, a eles estariam sujeitos, se o pedirem os titulares de créditos anteriores à transformação, e somente 
a estes beneficiará. 
 
§ 4o O processo de abertura, registro, alteração e baixa do microempreendedor individual de que trata o art. 
18-A da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, bem como qualquer exigência para o início de 
seu funcionamento DEVERÃO ter trâmite especial e simplificado, preferentemente eletrônico, opcional para o 
empreendedor, na forma a ser disciplinada pelo Comitê para Gestão da Rede Nacional para a Simplificação do 
Registro e da Legalização de Empresas e Negócios - CGSIM, de que trata o inciso III do art. 2o da mesma Lei. 
 
§ 5o Para fins do disposto no § 4o, poderão ser dispensados o uso da firma, com a respectiva assinatura autógrafa, 
o capital, requerimentos, demais assinaturas, informações relativas à nacionalidade, estado civil e regime de bens, 
bem como remessa de documentos, na forma estabelecida pelo CGSIM. 
 
 
Art. 969. O empresário que instituir SUCURSAL, FILIAL ou AGÊNCIA, em lugar sujeito à jurisdição de outro 
Registro Público de Empresas Mercantis, NESTE DEVERÁ TAMBÉM INSCREVÊ-LA, com a prova da inscrição 
originária. 
Parágrafo único. Em qualquer caso, a constituição do estabelecimento secundário deverá ser AVERBADA no 
Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. 
 
 
Art. 970. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao EMPRESÁRIO RURAL e ao 
PEQUENO EMPRESÁRIO, quanto à inscrição e aos efeitos daí decorrentes. 
 
TRATAMENTO FAVORECIDO, DIFERENCIADO E 
SIMPLIFICADO 
(inscrição e aos efeitos daí decorrentes) 
- empresário rural 
 
- pequeno empresário 
 
 
Art. 971. O empresário, cuja ATIVIDADE RURAL constitua sua principal profissão, PODE, observadas as 
formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas 
Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará EQUIPARADO, para todos os efeitos, ao 
EMPRESÁRIO SUJEITO A REGISTRO. 
#NOVIDADELEGISLATIVA 
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo à associação que desenvolva atividade futebolística 
em caráter habitual e profissional,caso em que, com a inscrição, será considerada empresária, para todos os 
efeitos. (Lei nº 14.193/2021) 
 
#INFO 
- O cômputo do período de dois anos de exercício da atividade econômica, para fins de recuperação judicial, 
nos termos do art. 48 da Lei 11.101/2005, aplicável ao produtor rural, inclui aquele anterior ao registro do 
empreendedor. 
O empresário rural que objetiva se valer dos benefícios do processo recuperacional, instituto próprio do regime 
jurídico empresarial, há de proceder à inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis, não porque o registro 
o transforma em empresário, mas sim porque, ao assim proceder, passou a voluntariamente se submeter ao 
aludido regime jurídico. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm#art18a
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm#art18a
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Assim, a inscrição, sob esta perspectiva, assume a condição de procedibilidade ao pedido de recuperação judicial. 
Ainda que relevante para viabilizar o pedido de recuperação judicial, como instituto próprio do regime empresarial, 
o registro é absolutamente desnecessário para que o empresário rural demonstre a regularidade (em 
conformidade com a lei) do exercício profissional de sua atividade agropecuária pelo biênio mínimo, podendo ser 
comprovado por outras formas admitidas em direito e, principalmente, levando-se em conta período anterior à 
inscrição. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.811.953-MT, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 06/10/2020 (Info 681). 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.800.032-MT, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. Acd. Min. Raul Araújo, julgado em 
05/11/2019 (Info 664). 
 
CAPÍTULO II 
Da Capacidade 
Art. 972. PODEM EXERCER a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não 
forem legalmente impedidos. 
 
 
Art. 973. A pessoa LEGALMENTE IMPEDIDA de exercer atividade própria de empresário, se a exercer, 
RESPONDERÁ pelas obrigações contraídas. 
 
VEDAÇÕES AO EXERCÍCIO DE 
EMPRESA 
 
- Os que não estão no pleno gozo da capacidade civil; 
Exceção: CONTINUAÇÃO do exercício de atividade empresarial por 
incapaz, mediante autorização – art. 974, CC. 
 
- Legalmente impedidos: 
* Condenados a certos crimes previstos na lei (art. 1.011, § 1º, CC); 
* Servidores públicos federais (art. 117, X, Lei nº 8.112/90); 
* Magistrados (art. 36, I, LC nº 35/79 – LOMAN); 
* Membros do Ministério Público (art. 44, III, Lei nº 8.625/93); 
* Militares (art. 29, Lei nº 6.880/80). 
Obs.: Estão legalmente impedidos para o exercício de empresa, mas 
podem ser sócios ou quotistas, desde que não exerçam funções de 
gerência ou administração. 
 
 
Art. 974. PODERÁ o INCAPAZ, por meio de representante ou devidamente assistido, CONTINUAR a empresa antes 
exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. 
Obs.: O incapaz não pode estabelecer, não pode iniciar a empresa. Ele somente poderá continuar nos dois casos 
específicos do art. 974, CC. O menor não poderá, em nenhuma hipótese, dar início à atividade empresária. O que 
se conclui da interpretação conjunta dos arts. 972 e 974 é que ele só poderá continuar a empresa, neste caso 
específico do menor, se receber por herança. 
 
§ 1o Nos casos deste artigo, precederá AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, após exame das circunstâncias e dos riscos da 
empresa, bem como da conveniência em continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os 
pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, SEM PREJUÍZO dos direitos adquiridos por 
terceiros. 
 
§ 2o NÃO FICAM SUJEITOS ao resultado da empresa os BENS que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão 
ou da interdição, desde que estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do alvará que conceder a 
autorização. 
 
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§ 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais DEVERÁ REGISTRAR contratos ou 
alterações contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os 
seguintes PRESSUPOSTOS: 
I – o sócio incapaz NÃO PODE exercer a administração da sociedade; 
II – o capital social deve ser totalmente integralizado; 
III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve ser representado por seus 
representantes legais. 
 
INCAPAZ 
- Não pode iniciar o exercício de empresa; 
 
- Somente pode continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais 
ou pelo autor de herança; 
 
- Não pode exercer a administração da sociedade; 
 
- O capital da sociedade deve ser totalmente integralizado; 
 
- Sócio relativamante incapaz: assistido; 
 
- Sócio absolutamente incapaz: representado. 
 
 
Art. 975. Se o representante ou assistente do incapaz for pessoa que, por disposição de lei, não puder exercer 
atividade de empresário, nomeará, com a aprovação do juiz, UM OU MAIS GERENTES. 
 
§ 1o Do mesmo modo será nomeado gerente em todos os casos em que o juiz entender ser conveniente. 
 
§ 2o A aprovação do juiz NÃO EXIME o representante ou assistente do menor ou do interdito da responsabilidade 
pelos atos dos gerentes nomeados. 
 
 
Art. 976. A prova da emancipação e da autorização do incapaz, nos casos do art. 974, e a de eventual revogação 
desta, serão INSCRITAS ou AVERBADAS no Registro Público de Empresas Mercantis. 
Parágrafo único. O uso da nova firma caberá, conforme o caso, ao gerente; ou ao representante do incapaz; ou 
a este, quando puder ser autorizado. 
 
 
Art. 977. FACULTA-SE aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que NÃO TENHAM 
CASADO no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. 
 
 
Art. 978. O empresário casado pode, SEM NECESSIDADE DE OUTORGA CONJUGAL, qualquer que seja o regime 
de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. 
 
 
Art. 979. Além de no Registro Civil, serão ARQUIVADOS e AVERBADOS, no Registro Público de Empresas 
Mercantis, os pactos e declarações antenupciais do empresário, o título de doação, herança, ou legado, de bens 
clausulados de incomunicabilidade ou inalienabilidade. 
 
 
Art. 980. A sentença que decretar ou homologar a separação judicial do empresário e o ato de reconciliação NÃO 
PODEM ser opostos a terceiros, ANTES de ARQUIVADOS e AVERBADOS no Registro Público de Empresas 
Mercantis. 
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TÍTULO I-A 
DA EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA 
 
#NÃOCONFUNDA: 
EMPRESÁRIO INDIVIDUAL EIRELI 
Não cria pessoa jurídica, sendo que a personalidade 
jurídica é única. 
Cria pessoa jurídica, que terá personalidade distinta 
daquele que a forma. 
Pode ter qualquer valor de investimento. 
Precisa de um valor de investimento mínimo de 100 
salários mínimos. 
Empresário assume os riscos do negócio e terá seu 
patrimônio particular penhorado em caso de dívida 
da atividade. 
Há separação das responsabilidades patrimoniais e 
o empresário, regra geral, não arrisca seu patrimônio 
particular. 
 
 
Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por UMA ÚNICA PESSOA titular 
da TOTALIDADE do capital social, DEVIDAMENTE INTEGRALIZADO, que não será INFERIOR a 100 (cem) vezes 
o maior salário-mínimo vigente no País. 
 
#INFO 
- É CONSTITUCIONAL a exigência de que o capital social da EIRELI não seja inferior a 100 vezes o maior 
salário-mínimo vigente no País (art. 980-A do Código Civ. 
A exigência de integralização do capital social por empresas individuais de responsabilidade limitada (EIRELI), no 
montante previsto no art. 980-A do Código Civil, com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 12.441/2011, não viola a 
regra constitucional que veda a vinculação do salário-mínimo para qualquer fim e também não configura 
impedimento ao livre exercício da atividade empresarial. 
O art. 980-A do Código Civil exige que o capital social da empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI)

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