Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

DANIEL 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Antonio Carlos da Silva 
 
 
 
2 
DUAS VISÕES APOCALÍPTICAS DE DANIEL (CAPÍTULOS 7 E 8) 
CONVERSA INICIAL 
A 1ª parte do livro, capítulos 1 ao 6, é reconhecida por muitos como 
histórica. Agora passamos a estudar as visões dos capítulos 7 e 8 de Daniel que 
estão inseridas na parte apocalíptica do livro. O assunto do capítulo 7 relaciona-
se com o do capítulo 2, que narra o sonho de Nabucodonosor envolvendo quatro 
reinos. 
No capítulo 2, por meio de Nabucodonosor, a revelação estaria voltada 
para uma perspectiva política dos impérios; já no capítulo 7, a revelação estaria 
voltada para uma perspectiva moral e espiritual, sendo representada por quatro 
animais apontando para cumprimentos apocalípticos envolvendo toda a 
humanidade. 
Pensando na cronologia do livro, há base histórica para se pensar que os 
fatos relatados no capítulo 5 aconteceram antes do que está escrito nos capítulos 
7 e 8. 
Até aqui, Daniel interpretou sonhos do rei, mas a partir daqui ele vai 
passar pela experiência de ter sonhos e os deixará registrados para que o povo 
de Israel tenha sempre à disposição um referencial histórico de como ocorreram 
as principais intervenções de Deus durante o período do exílio babilônico e em 
parte medo-persa. 
No capítulo 7, além de ter uma visão sobre as quatro feras, ele também 
contempla a aparição de um ser celestial que lhe explica o que haverá de ocorrer 
com a humanidade nos tempos futuros. Mas é certo que ele não entende 
exatamente o sentido daquilo que viu. 
No capítulo 8, Daniel vê um carneiro e um bode com detalhes que serão 
vistos a seguir. Pode ser que as visões destes dois capítulos estivessem voltadas 
histórica e politicamente para o fim do governo de Belsazar, mas, tanto no 
capítulo 7 como no capítulo 8, o conteúdo também é profético e precisa ser 
interpretado com cuidado. 
TEMA 1 – A VISÃO DAS QUATRO FERAS (CAP. 7: 1-8) 
Daniel escreveu o sonho e relatou, provavelmente, o resumo daquilo que 
viu. Ele relata que quatro ventos se chocavam sobre o mar e, então, quatro 
 
 
3 
animais grandes emergiram. Ele apresenta em sequência cada um dos animais 
e o que cada um fez. Literalmente, o texto não aparenta nenhum sentido real. 
Entretanto, é possível observar em detalhes o que pode ser extraído deste trecho 
da Bíblia. De Nabucodonosor a Rômulo Augusto, este seria o período 
inicialmente previsto pela visão. 
1.1 O sonho de Daniel 
O sonho ocorre no primeiro ano do rei Belsazar. Todos os elementos e 
aspectos que fazem parte do sonho vêm sendo interpretados histórica e 
metaforicamente. Por essa razão, há a necessidade de analisar detalhadamente 
o conteúdo deste trecho bíblico. 
Quatro ventos do céu agitavam o mar grande: 
a. Os “quatro ventos” representariam os quatro pontos cardeais; 
b. O “mar grande” representaria a humanidade que se agita e se movimenta. 
1.2 As quatro feras 
No sonho, Daniel vê quatro animais grandes e diferentes. Cada um dos 
animais simbolizando a atuação de uma nação e/ou de um reino na história da 
humanidade, principalmente no mundo oriental. Quanto à interpretação sobre o 
significado destas quatro feras comentaremos mais à frente, mas, neste 
momento, é possível mencionar o texto do capítulo 2, versículo 17: “Estes quatro 
grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra”. 
Pensemos, primeiramente, sobre os animais: 
 Um como leão com asas de águia (Babilônia); 
 Um como urso (medo-persa); 
 Um como leopardo (grego); 
 Um com uma aparência impressionante (romano). 
Podemos estudar algumas peculiaridades a respeito deles para 
averiguarmos a relevância histórica e teológica desta visão no livro de Daniel. 
1.3 Características – Babilônia 
Leão – Douglas (1995, p. 913) comenta que o leão era símbolo de realeza 
no antigo Oriente. Russell Shedd (1997, p. 1238) escreve que o símbolo nacional 
 
 
4 
da Babilônia era uma figura com a cabeça humana, o corpo de um leão, com 
asas de águia, conforme certos artefatos arqueológicos que ainda existem. 
Douglas (1995, p. 187) menciona que, no cenário babilônico, os mitos ilustram 
um caráter antropomórfico e dão ideia de qualquer objeto (exemplo: uma 
estátua) era imbuído de vida. 
No cenário religioso babilônico, um leão alado seria um símbolo adequado 
para representar a Babilônia. No cenário artístico, a representação do leão era 
frequente nas obras de arte babilônicas. O leão alado é uma das formas desse 
animal-símbolo que, com frequência, é representado combatendo junto a 
Marduque, o deus patrono de Babilônia (Douglas, 1995, p. 186). O profeta 
Jeremias faz uso da figura de um leão para descrever, em sua profecia, as ações 
que a Babilônia realizaria (Bíblia. Jeremias, 4: 7). 
1.4 Características – medo-Persa 
Urso – Pensando sobre as características dos animais em termos de sua 
natureza, Douglas (1995, p. 1643) escreve que o urso era mais temido do que o 
leão, visto que sua força era maior e suas ações menos previsíveis. O fato de o 
urso se levantar, conforme descreve o autor bíblico, denotaria uma ação muito 
rude e hostil. 
Quando lemos o início da descrição da visão, percebemos que Daniel 
pouco interpreta e nem mesmo identifica os primeiros três reinos representados 
pelos três animais. No entanto, pensando de modo histórico-político, o urso 
corresponde ao segundo metal da estátua do capítulo 2 e estaria indicando a 
ascensão do Império Medo-Persa. Na estátua do capítulo 2, a prata indicada 
seria inferior ao ouro. Para alguns estudiosos, isto se daria entendendo que a 
representatividade do urso em termos naturais é inferior à do leão, mas não há 
consenso sobre esta interpretação. 
1.5 Características – grego 
Leopardo – Douglas (1995, p. 922) comenta que, quando se menciona o 
animal leopardo nos textos bíblicos, as referências são proverbiais e figuradas. 
Pensando sobre a história das conquistas gregas, Russell Shedd (1997, p.1238) 
escreve que as quatro asas nas costas do leopardo, conforme descreve o autor, 
estariam representando os quatro generais de Alexandre, o grande conquistador 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Medo-Persa
 
 
5 
grego, e eles dominaram rapidamente o mundo na faixa que incluía a região da 
Grécia até a Índia. Há quem associe a figura do leopardo com ferocidade e 
rapidez para atacar e derrotar sua presa. 
Ryrie (1994, p. 1085) menciona que após a morte de Alexandre, o Grande, 
o império grego teve quatro cabeças, mas ele não associa com a figura dos 
generais gregos e sim com as nações/regiões conquistadas. Elas seriam a Síria, 
o Egito, a Macedônia e a Ásia Menor. Há quem interprete que este terceiro 
animal é a Grécia, identificada no capítulo 8, versículo 21, do livro de Daniel. 
Além dessas características, também se pode mencionar que o período 
conhecido como Helenístico tem início nesta ocasião de conquistas gregas. 
1.6 Características – romano 
Animal aterrorizante (terrível e espantoso) – O autor bíblico escreve que 
o quarto animal era diferente de todos os animais anteriores e tinha a 
peculiaridade de ter dez chifres. Davidson (1997, p. 825) comenta que, no 
aramaico, o termo “diferente” pode ser traduzido por "agia diferentemente". Para 
o estudioso Ryrie (1994, p. 1085), este animal representa o Império Romano. 
Pensando sobre o poderio do Império Romano, Russell Shedd (1997, p. 1238) 
comenta que suas conquistas se davam por meio de armas de ferro e não 
poupava nada à sua frente. 
A descrição das características tem sido explorada por muitos estudiosos 
quando se pensa em escatologia. Davidson (1997, p. 825) destaca que há três 
aspectos que merecem atenção especial sobre este quarto animal. Primeiro, é 
sobre o próprio animal; segundo, a informação da existência dos dez chifres; e, 
terceiro, a aparição de um pequeno chifre. 
Quanto aos dentes de ferro, a expressão pode ter o sentidofigurado, 
representando crueldade e força. Bem como o animal rasgava e devorava suas 
presas, assim Roma conquistava nações e povos por meio de práticas cruéis. 
Algumas vezes destruía cidades inteiras, como no caso de Corinto em 146 a.C. 
Outras vezes, reinos, tais como Macedônia e os domínios selêucidas, os que 
eram divididos e convertidos em províncias. 
Pensando sobre os dez chifres, existem algumas opiniões sobre esta 
expressão. H.H. Halley (2002, p. 350) entende que eles podem corresponder aos 
dez dedos dos pés da estátua com que Nabucodonosor sonha no capítulo 2, nos 
versículos 41 e 42. Para ele, trata-se de dez reis ou reinados nos quais o Império 
 
 
6 
Romano foi dividido. Ele chega a pensar que os dez chifres podem referir-se a 
um grupo organizado composto por dez nações contemporâneas. 
Ao estudarmos sobre o pequeno chifre, vemos que ainda mesmo pequeno 
no começo, ele é descrito posteriormente como "maior que os anteriores". 
Douglas (1995, p. 390) comenta que, associando este texto ao texto do capítulo 
8, versículos de 17 a 26, pensando profeticamente, ele pode representar um rei 
escatológico do Norte que se oporá ao anticristo. Para Halley (2002, p. 351), 
esse chifre é entendido como uma referência histórica a Antíoco Epifânio. A 
interpretação historicista afirma que o pequeno chifre simboliza a continuação do 
poder do Império Romano mediante a Igreja Romana. 
Quando lemos a expressão no capítulo 7, versículo 8, "três dos primeiros 
dez chifres são arrancados diante do pequeno chifre", segundo alguns 
estudiosos, o "chifre pequeno" pode ser visto como um símbolo da Roma Papal. 
Já os três chifres arrancados representariam a destruição de três das nações 
bárbaras (os hérulos, os vândalos e os ostrogodos). 
Há ainda uma interpretação alegórica aplicada ao início do século XX. 
Segundo ela, o chifre pequeno refere-se ao Reino Unido, os três chifres foram 
derrotados durante a Primeira Guerra Mundial, quando a Tríplice Entente, 
liderada pelo Reino Unido, derrotou a Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-
Hungria e Itália). 
Outras possibilidades de interpretação estão relacionadas à relevância 
das características desses animais, mas, quando tratarmos da interpretação 
desta visão, investigaremos mais alguns detalhes. 
TEMA 2 – A CENA CELESTIAL DA VISÃO (CAP. 7: 9-14) 
Uma vez realizada a descrição da visão, Daniel, a partir do versículo 9, 
vai contar que continuou olhando e algo especial aconteceu. A linguagem 
utilizada pelo autor e os elementos apresentados são encontrados em literaturas 
apocalípticas que normalmente descrevem cenas envolvendo seres celestiais e 
suas ações para explicar e esclarecer o que há de acontecer na esfera natural, 
em um futuro próximo ou distante. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%A1rbaros
https://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%A1rbaros
https://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%A9rulos
https://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%A2ndalos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ostrogodos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%ADplice_Entente
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%ADplice_Alian%C3%A7a_(1882)
 
 
7 
2.1 O ancião de dias 
O ser descrito no versículo é apresentado em algumas versões como o 
ancião de dias, que literalmente seria avançado em dias. A cena descrita aponta 
para a realização de um julgamento justo. Vejamos algumas das expressões 
literais que o texto apresenta: 
 “Foram postos uns tronos e o Ancião de dias se assentou.” Indicação de 
um lugar para julgar; 
 “Sua veste era branca como a neve”. Indicação da pureza e justiça do 
Juiz; 
 “cabelos da cabeça como pura lã”. Indicação da respeitabilidade e 
idoneidade de um magistrado; 
 “o seu trono eram chamas de fogo [...] suas rodas eram fogo ardente [...] 
um rio de fogo manava e saía de diante dele”. A palavra “fogo” é um 
simbolismo usado para representar a presença gloriosa do Deus de Israel; 
 “milhares de milhares o serviam [...] miríades de miríades estavam diante 
dele”. Numa perspectiva história, pode indicar um grande reino, no qual o 
juiz contava com o serviço de multidões súditas de seu reino. Em uma 
perspectiva escatológica, as multidões de anjos que se mantêm servindo 
ao Deus de Israel; 
 “Assentou-se o tribunal”. Em um tribunal convencional, o silêncio que se 
estabelece para que o julgamento comece (Supremo Juiz); 
 “Abriram-se os livros”. Os registros das realizações da humanidade; 
 “um chifre ousado sem temor [...] A quarta fera foi morta e o corpo 
entregue para ser queimado”; 
 “dos outros animais foi tirado o domínio". 
Surge, por fim, o Filho do Homem (Daniel 7: 13), um título frequentemente 
aplicado a Cristo. 
 “[...] O Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de dias". Indicação da 
presença de duas figuras divinas. Aparentemente uma submissa à outra. 
 “[...] foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e 
homens de todas as línguas o servissem” (Daniel 7: 14). Indicação de um 
reinado global. Há quem interprete que este texto refere-se ao Milênio de 
 
 
8 
Cristo (o Ungido do Senhor), previsto no capítulo 20 do livro de 
Apocalipse. 
TEMA 3 – A INTERPRETAÇÃO DA VISÃO (CAP. 7: 15-28) 
Em termos literais, Daniel confessa que se sente abatido e pede para 
alguém que está perto lhe explicar o significado daquela visão. No versículo 17, 
ele recebe a explicação: os quatro animais serão quatro reis que se levantarão 
da terra. Talvez por serem símbolos comuns na época de Daniel, os três 
primeiros animais não lhe geraram curiosidade, mas a aparência do quarto 
animal o intrigou e ele, em seguida, recebeu a interpretação. 
3.1 Interpretações 
Este sonho/visão (Daniel 7: 1) tem tido interpretações diferentes. As que 
mais se destacam são as históricas e as doutrinárias relacionadas, em especial, 
com o livro do Apocalipse. 
Em geral, os quatro animais representam quatro grandes impérios, sendo 
que, historicamente, há evidências de que tudo o que foi previsto no capítulo 7 
de Daniel já se cumpriu. 
1. Leão – Babilônico (Neobabilônico 605-539 a.C.); 
2. Urso – medo-persa (538-331 a.C.); 
3. Leopardo – grego (331-168 a.C.); 
4. Terrível e espantoso – Romano (168 a.C. a 476 d.C.). 
Quanto ao Império Romano, alguns fatos podem ser observados com 
peculiar atenção. Próximo ao ano 200 a.C., quando Cartago não era mais rival à 
altura, Roma já havia dominado a região do Mediterrâneo ocidental e havia 
começado a se relacionar com o Oriente, o qual dominaria em 197 a.C. Roma 
derrotou a Macedônia e colocou os Estados Gregos sob sua proteção. Em 190 
a.C., Roma derrotou Antíoco III e tomou o território selêucida pelo Leste até os 
montes do Tauro. 
Em 168 a.C., na Batalha de Pidna, Roma acabou com a monarquia da 
Macedônia, dividindo-a em quatro confederações. Em 146 a.C., Roma anexou a 
Macedônia como província e colocou a maior parte das cidades gregas sob o 
governador da Macedônia. 
 
 
9 
Se no capítulo 2 a estátua tinha 10 dedos nos pés, o animal espantoso do 
sonho tinha 10 chifres. Isso pode indicar força e rudeza diante de eventuais 
inimigos/adversários. 
Embora historicamente os romanos tenham agido com muita crueldade 
para avançar em suas conquistas, eles não seriam o quarto animal. Aqui surge 
o espaço para se fazerem interpretações doutrinárias escatológico-
apocalípticas. O quarto animal, por suas características de difícil compreensão, 
vem sendo interpretado por alguns estudiosos como o Império Romano 
restaurado nos séculos XX e XXI, tendo como figura central o anticristo, sempre 
vinculado à história da Igreja Católica. Alguns aspectos como alianças políticas 
e religiosas vêm sendo identificadas como sinais do cumprimento desta parte da 
profecia do capítulo 7 de Daniel. 
TEMA 4 – A VISÃO DE UM CARNEIRO E UM BODE (CAP. 8: 1-14) 
Esta visão acontece ainda sob o reinado de Belsazar em meio ao Império 
Babilônico. Daniel se vê na cidade de Susã, na província de Elão (Daniel 8: 2). 
Essa cidade émencionada no livro de Neemias (1: 1) e no de Ester (1: 2) e ficava 
a cerca de 400 quilômetros a leste da cidade Babilônia (Ryrie, 1994, p. 1086). 
Na época destes relatos bíblicos, ela sediava um exuberante palácio 
construído por Dario e, mais tarde, ampliado por Xerxes (486-462 a.C.). 
Documentos encontrados em Susã evidenciam que Xerxes viveu nela ao menos 
durante parte de seu reinado (Thompson, 2007, p. 250). Tratando-se de uma 
visão, como foi essa experiência de Daniel ao se ver em uma cidade tão 
importante no reinado Medo-Persa, sendo que o reino ainda pertencia aos 
babilônicos? 
Susã, no sudoeste da Pérsia, foi ocupada, praticamente, desde os tempos 
pré-históricos até o tempo em que foi abandonada pelos selêucidas. O 
arqueólogo William Loftus escavou essa região pela primeira vez em 1851, e 
operações extensas subsequentes têm sido realizadas por arqueólogos 
franceses (Douglas, 1995, p. 1551). 
A seguir, abordaremos alguns aspectos que podem ajudar a esclarecer o 
alcance da visão observando alguns detalhes sobre os animais. 
 
 
10 
4.1 O carneiro 
Daniel viu diante de um rio um carneiro que tinha dois chifres, um maior 
do que o outro, sendo que o mais alto subiu por último. 
 A simbologia profética aqui é a mesma do capítulo 2, em que os braços 
da estátua representariam Dario e Ciro (Daniel 8: 20). Indicando o reino 
medo-persa; 
 Marradas para o norte e o sul. Indicando as guerras em que os persas se 
envolveriam. 
4.2 O bode peludo 
Gabriel conta a Daniel (Daniel 8: 21) que o bode peludo é o rei da Grécia. 
 Vinha do Ocidente. Indicando o líder do exército grego, Alexandre, o 
Grande; 
 Alexandre foi discípulo de Aristóteles, de quem teria recebido instruções 
filosóficas e estratégias de guerra. 
O império de Alexandre era composto por quatro generais. 
4.3 A divisão do Império Grego 
Depois de muitas lutas, o Império Grego foi dividido em quatro: 
 Macedônia, Trácia, Síria e Egito. Essas nações que fazem parte dos 
relatos bíblicos do início da Era Cristã; 
 Na Síria, surge o monarca selêucida, Antioco Epifâneo (215-162 a.C.), 
época dos macabeus. 
4.4 Antíoco (figura do anticristo) 
Quais foram os feitos deste rei sírio: 
 Destituiu o sumo sacerdote; 
 Proibiu o sacrifício diário no templo; 
 Erigiu um altar a Zeus; 
 Vendeu milhares de famílias judias como escravas; 
 Foi enfrentado pelos asmonianos (movimento apelidado de macabeu). 
 
 
11 
TEMA 5 – A INTERPRETAÇÃO DA VISÃO (CAP. 8: 15-27) 
Daniel tentou entender a visão e, de repente, surgiu à sua frente “um 
semelhante a homem” pedindo que Gabriel explicasse o significado da visão. 
Então foi dito a Daniel o seguinte: “Entende, filho do homem, pois esta visão se 
refere ao tempo do fim” (Daniel 8: 17). Esta expressão “tempo do fim” poderia 
ser entendida em relação ao fim do exílio, ou seja, o povo judeu voltaria para sua 
terra natal; ou ainda ao fim do reino da Babilônia. Essas duas possibilidades, 
historicamente, ocorreram não muito distantes da época de Daniel. 
5.1 Retorno dos judeus para Jerusalém 
Observando as conquistas dos persas a partir de 539 a.C., por meio de 
Ciro, nota-se que há uma inversão na política de deportação em relação aos 
assírios e babilônicos. 
Os judeus ganham permissão para retornar à Palestina e reconstruir a 
cidade de Jerusalém, os muros e o templo. 
Após Ciro, surge Dario, rei da Pérsia que teria reinado de 521 a 486 a.C. 
Contemporâneo a Esdras, Neemias, Ageu, Zacarias, Zorobabel e Josué. 
Nesta recapitulação da história, observamos, após Dario, o surgimento e 
as conquistas dos gregos interpretados como sendo o carneiro na visão de 
Daniel. 
5.2 O surgimento dos macabeus 
Do ramo sírio do Império Grego, surge o monarca selêucida Antíoco 
(figura do anticristo, príncipe destruidor em Daniel 8: 24). A expressão “tardes e 
manhãs”, em Daniel 8: 14, indica que o período total das abominações deste rei 
se estenderia de 171 a.C. a 165 a.C. (Davidson, 1997, p. 828). 
Flavio Josefo (1999, livro VII, p. 158) escreve que Antíoco cometeu 
diversas atrocidades contra os judeus. Dos versículos 23 a 25, são fornecidos 
detalhes a respeito de Antíoco e da perseguição feita por ele contra os judeus. 
No versículo 25, a atitude de blasfêmia de Antíoco é contra o Deus de Israel 
(Shedd, 1997, p. 1241). 
Surge aqui a resistência do movimento macabeu por meio de Matatias e 
seus filhos (vide livro apócrifo de 1 Macabeus 1-6). 
 
 
12 
5.3 A resistência dos macabeus 
Macabeus foi um grupo de judeus (asmonianos) que resistiu à ocupação 
da Palestina. O livro apócrifo de 1 Macabeus cobre os acontecimentos entre os 
anos 175 a 134 a.C., período em que estes judeus guerrearam contra as tropas 
de Antíoco Epifânio (Douglas, 1995, p. 94). 
 Matatias, o libertador, em 167 a.C.; 
 Judas, Simão e Eleazar retomam a cidade de Jerusalém; 
 Em 106 a.C., Jerusalém passa a ser administrada pelos romanos. 
5.4 Interpretação alegórica do capítulo 8: atentado terrorista em 
11/09/2001 
O atentado que chocou o mundo no dia 11 de setembro de 2001 foi uma 
ação inesperada para quase todos no Ocidente. Tratou-se de um dos maiores 
atos de intolerância religiosa até aquele momento. O ataque às Torres Gêmeas 
do World Trade Center (WTC), em Manhattan, Nova Iorque, causou a morte de 
ao menos três mil pessoas. 
No dia 11 de setembro de 2010, vários documentários foram exibidos no 
History Channel revelando os momentos mais marcantes da tragédia: “Hotel 
Ground Zero”, “102 Minutos que Mudaram o Mundo”, “O Homem que Previu o 
11 de Setembro” e “O Milagre da Escadaria B”. 
Rick Rescorla, vice-presidente de segurança da Morgan Stanley/Dean 
Witter, a maior instituição financeira do WTC naquela ocasião, sabendo dos 
riscos que o prédio corria, por seu simbolismo e pela sua fama, preparou-se para 
um possível desastre. Ele treinava simulações de incêndio, evacuações e 
procedimentos de emergência, mantendo-se sempre atento. E, na tragédia, 
colocou em prática tudo o que aprendeu. 
Ele não teve uma profecia, mas uma forte intuição dos riscos que as torres 
corriam diante do terrorismo, já que, em 26 de fevereiro de 1996, o WTC havia 
sofrido um ataque a bomba. 
Pensando neste relato, torna-se pertinente mencionar algumas 
semelhanças do ocorrido com a descrição de alguns elementos do texto bíblico 
de Daniel, capítulo 8. 
 “[...] Junto ao rio Ulai” – junto ao rio Hudson; 
 
 
13 
 Carneiro – Estados Unidos; 
 Duas pontas/chifres – Torres Gêmeas: torre norte mais alta que a torre 
sul; 
 O bode não toca no chão – Rebeldes do Islã sequestram os aviões; 
 O carneiro é ferido – Queda das duas torres. 
Essa interpretação mostra que há pessoas que, ao lerem os textos 
bíblicos, conseguem encontrar na história da humanidade fatos previstos pelos 
autores bíblicos, pois há quem entenda que a Bíblia pode ser um livro de relatos 
do passado, mas de advertências e orientações para o futuro. 
NA PRÁTICA 
As visões de Daniel são complexas de se compreender. 
Em relação ao cenário apocalíptico que o livro apresenta, existem os que 
acreditam se tratar de um conteúdo histórico, isto é, já aconteceu e pode apenas 
ter influência didática para a atualidade. E existem os que classificam o livro de 
Daniel como um mito e sua narrativa, um arranjo literário. 
Entretanto, em relação aos capítulos 7 e 8, o historiador Flavio Josefo (75 
d.C.) escreveu que Alexandre, o Grande, foi anunciado por Daniel (8: 21) antes 
de acontecer. 
O profeta Ezequiel reconhece Daniel como personagem histórico 
(Ezequiel14: 14, 20; 28: 3). Eles foram contemporâneos no exílio babilônico. 
Comunicações de Deus a fim de revelar o futuro. 
FINALIZANDO 
Nesta aula vimos que Daniel, em pleno exílio e em pleno exercício de 
influência neste exílio, teve visões sobre o futuro do reino do qual fazia parte e 
dos que surgiriam após este. 
A interligação do capítulo 7 com o 2 deixa transparecer que existemgovernantes terrenos com seus anseios e comportamentos, mas que nada 
passa desapercebido aos olhos do Deus de Israel. 
A ascensão e a queda são reais em todos os reinos terrenos. Como 
confirmação dessa realidade, surge a promessa de que há um reino eterno e 
que “o domínio e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao 
povo santo do Altíssimo” (7: 27). 
 
 
14 
A literatura apocalíptica precisa ser estudada com muita responsabilidade 
e respeito. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
A MULTIPLICAÇÃO da ciência. WGospel.com. Disponível em: 
<https://www.wgospel.com/a-multiplicacao-da-ciencia/>. Acesso em: 9 set. 
2019. 
A REVOLTA dos macabeus. Cronologia da Bíblia, 13 jul. 2011. Disponível em: 
<https://cronologiadabiblia.wordpress.com/2011/06/13/a-revolta-dos-
macabeus/>. Acesso em: 9 set. 2019. 
AGUIAR, H. H. Palestina: antes e depois de Cristo – Parte II. Revista de 
Informação Legislativa, Brasília a. 41 n. 164 out./dez. 2004. Disponível em: 
<http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/22182-22183-1-
PB.pdf>. Acesso em: 9 set. 2019. 
AGUIAR, H. H. Palestina: antes e depois de Cristo: parte II. Brasília: Revista de 
Informação Legislativa, 2004. 
BEAULIEU, P. A. (Trad.). O reinado de Nabonido, rei da Babilônia. Turquia: 
Turkish Edition,1990. 
BUCKLAND, A. R. Dicionário bíblico universal. São Paulo: Vida, 1999. 
CALVINO, J. Daniel 1 – 6. v. 1. (Tradução de Eni Dell Mullins Fonseca). São 
Paulo: Parakletos, 2000. 
COELHO FILHO, I. G. Um estudo no Profeta Daniel. 27 set. 2007. Disponível 
em: <http://www.isaltino.com.br/2007/09/um-estudo-no-profeta-daniel/>. Acesso 
em: 9 set. 2019. 
CRONOLOGIA dos capítulos de Daniel. Galeria de profecias, 26 set. 2011. 
Disponível em: <http://estudoprofecias.blogspot.com/2011/09/cronologia-dos-
capitulos-de-daniel-9.html>. Acesso em: 9 set. 2019. 
DANIEL 10-13. Bíblia comentada. Disponível em: 
<https://bibliacomentada.com.br/biblia/daniel-capitulo-10-versiculo-13-
comentado-por-versiculo.html>. Acesso em: 9 set. 2019. 
DANIEL. Bíblia.com.br. Disponível em: <http://pesquisa.biblia.com.br/pt-
BR/RA/dn/12>. Acesso em: 9 set. 2019. 
DARIO, o Grande. Só História. Disponível em: 
<https://www.sohistoria.com.br/biografias/dario/>. Acesso em: 9 set. 2019. 
https://bibliacomentada.com.br/biblia/daniel-capitulo-10-versiculo-13-comentado-por-versiculo.html
https://bibliacomentada.com.br/biblia/daniel-capitulo-10-versiculo-13-comentado-por-versiculo.html
 
 
16 
DAVIDSON, F. O novo comentário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1999. 
DOUGLAS, J. D. O novo dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1999. 
EDITORA INTERSABERES (Org.). História das religiões, Apocalipse e 
história de Israel. Curitiba: InterSaberes, 2016. 
HARRIS, R. L.; ARCHER JR., G. L.; WALTKE, B. K. Dicionário Internacional 
de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova,1998. 
IMPÉRIO persa. Portal São Francisco. Disponível em: 
<https://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-geral/imperio-persa>. Acesso 
em: 9 set. 2019. 
JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA. Disponível em: 
<https://www.bibliatodo.com/pt/a-biblia/versao/Joao-ferreira-de-almeida-
atualizada>. Acesso em: 10 set. 2019. 
JOSEFO, F. (Trad.) A guerra dos judeus. [S.l.]: Biblioteca Clássica Gredos. 
1999. 
KISTEMAKER, S. Apocalipse: comentário do Novo Testamento. São Paulo: 
Cultura Cristã, 2004. 
LASOR, W. S.; HUBBARD, D. A.; BUSH, F. W. Introdução ao Antigo 
Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1999. 
LOTZ, A. G. A oração de Daniel: a oração que move os céus e transforma 
nações. São Paulo: Vida, 2017. 
MARTIN-ACHARD, R. Da morte à ressurreição segundo o Antigo 
Testamento. Tradução de Wagner S. Cunha. 2. ed. Santo André: Academia 
Cristã: 2015. 
O ATENTADO terrorista de 11 de setembro (A Profecia de Daniel). Consciência 
e Vontade, 11 set. 2010.Disponível em: <https://georgelins.com/2010/09/11/o-
atentado-terrorista-de-11-de-setembro-a-profecia-de-daniel/>. Acesso em: 9 set. 
2019. 
PFEIFFER, C. F.; VOS, H. F.; REA, J. Dicionário bíblico Wycliffe. 2. ed. Rio de 
Janeiro: CPAD, 2007. 
RYRIE, C. C. A bíblia anotada. São Paulo: Mundo Cristão, 1994. 
 
 
17 
SHEA, W. H. Daniel 9:24-27 exegese do versículo 27. In: _____. Setenta 
semanas Levítico e a natureza da profecia. p. 64-67, Unaspress, 2010. 
Disponível em: <https://herancajudaica.wordpress.com/2014/12/30/daniel-924-
27-exegese-do-versiculo-27/>. Acesso em: 9 set. 2019. 
SHEDD, R. P. Bíblia Shedd. Tradução: revista e atualizada. 2. ed. São Paulo: 
Vida Nova, 1997. 
SIGNIFICADO de Belsazar. Bíblia Online. Disponível em: 
<https://biblia.gospelprime.com.br/significado-belsazar/>. Acesso em: 9 set. 
2019. 
SILVA, A. Belsazar e a escritura na parede. Infoescola. Disponível em: 
<https://www.infoescola.com/biblia/belsazar-e-a-escritura-na-parede/>. Acesso 
em: 9 set. 219. 
SOARES, D. O. Hesíodo e Daniel: as relações entre o mito das cinco raças e o 
sonho da estátua de Nabucodonosor. Revista Oracula, 5.9, 2009. Disponível 
em: <https://www.metodista.br/revistas/revistas-
metodista/index.php/oracula/article/view/5852/4728>. Acesso em: 9 set. 2019. 
THOMPSON, J. A. A Bíblia e a arqueologia: quando a ciência descobre a fé. 
São Paulo: Vida Cristã, 2007. 
 
https://www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/oracula/article/view/5852/4728
https://www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/oracula/article/view/5852/4728

Mais conteúdos dessa disciplina