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Toxoplasma gondii Toxoplasmose HISTÓRICO 1909: descrição do parasita e criação do gênero Toxoplasma (Nicole e Manceaux) • A partir da década de 1960: – Desenvolvimento e aplicação de testes sorológicos revelaram a ubiqüidade do parasita – ampla distribuição geográfica e de hospedeiros. - Descrição do ciclo e identificação dos felinos como hospedeiros definitivos Toxoplasma gondii • É o único agente etiológico da Toxoplasmose IMPORTÂNCIA • Altamente prevalente no mundo (37-58%:Europa Central; 51-72% na América Latina) • Pode provocar doença congênita grave • Importante causa de doença oportunista em pacientes infectados pelo HIV • Causa comum de uveíte podendo levar à perda da visão Íris = anel colorido que circunda a pupila Membrana coróide = revestimento interno do olho Processos ciliares = conjunto de músculos (cristalino espesso) Toxoplasma gondii : características • Parasita intracelular obrigatório, eurixeno • Classificação: Filo Apicomplexa (complexo apical: fixação e penetração). • Zoonose de felinos, porém infecta inúmeros vertebrados, inclusive o Homem Todos os mamíferos e aves são suscetíveis • Morfologia múltipla (habitat e estágio evolutivo): formas infectantes: taquizoítos, bradizoítos e esporozoítos forma de resistência: oocisto formas do ciclo sexuado – gametócitos , zigoto (no felino) Morfologia- forma infectante Organelas citoplasmáticas características do filo apicomplexa 1- Anéis polares – são dois, permitem a passagem do conteúdo parasitário 2- Conóides – concavidade revestida por proteínas: adesão 3- Micronemas – organelas secretoras, auxiliam na adesão e invasão celular 4- Roptrias – organelas secretoras, auxiliam na invasão 5- Grânulos densos – organelas secretoras, necessárias para multiplicação 1 2 3 45 COMPLEXO APICAL MORFOLOGIA DAS FORMAS INFECTANTES Taquizoítos - Fase aguda da infecção - Pouco resistente ao suco gástrico Localizações: vacúolo parasitóforo, excreções, células SMF, células hepáticas, pulmonares, nervosas, submucosas e musculares. - Forma proliferativa, livre ou trofozoíto - Forma grosseira de “banana” - Extremidade afilada, outra arredondada Taquizoítos MORFOLOGIA DAS FORMAS INFECTANTES Bradizoítos - Fase crônica da infecção - Podem ser encontrados na fase aguda - Multiplicam-se dentro de cistos Localizações: vários tecidos (musculares esqueléticos e cardíacos, nervoso, retina), vacúolo parasitóforo de uma célula. Isolamento imunológico - Semelhante aos taquizoítos - Maior acúmulo de glicogênio - Síntese de proteínas distintas Bradizoítos MORFOLOGIA DA FORMA DE RESISTÊNCIA Oocistos Forma de resistência: parede dupla Esféricos (12,5 x 11,0µm) Produzidos nas células intestinais Meio ambiente: esporulação 2 esporocistos: 4 esporozoítos cada Imaturo Maduro Oocistos Transmissão Vias de infecção para o homem Ingestão de oocistos: alimentos, água contaminada, jardins, lata de lixo, disseminação mecânica por moscas, baratas, minhocas, etc - Viáveis no solo úmido sombreado: 12 a 18 meses 54 meses à 4°C, 106 dias à -10°C, 55-60°C (1min): morte! Ingestão de cistos: carne crua/mal cozida (boi, porco e carneiro) Viáveis por mais de três meses quando a 4°C Mais de uma semana no congelador de -1 a -8°C Aquecimento acima de 67°C – MORTE! Transplacentária: risco de transmissão por taquizoítos Sorologia positiva antes da gravidez – menos chance de infecção do feto Outros: ingestão de taquizoítos em leite contaminado ou saliva, acidente de laboratório, transplante de órgãos infectados etc. Ciclo vital do Toxoplasma gondii Desenvolve-se em duas fases: Assexuada – nos linfonodos e tecidos de todos os hospedeiros Sexuada – no epitélio intestinal dos felídeos não-imunes CICLO HETEROXENO Gatos (Hospedeiros definitivos) Fase sexuada Fase assexuada Homem e outros mamíferos (Hospedeiros intermediários) Fase assexuada: outros tecidos Ciclo Biológico HOSPEDEIROS INTERMEDIÁRIOS Ingestão pelo hospedeiro (homem) Água/alimentos (oocisto: esporozoítos) Carne crua (cistos: bradizoítos) Leite, líquidos somáticos (taquizoítos) – Raro! esporozoítas taquizoítas bradizoítas Taquizoítos no estômago: destruídos Penetração pela mucosa oral ou inaladas: evolução do ciclo Ciclo Biológico HOSPEDEIROS INTERMEDIÁRIOS esporozoítas taquizoítas bradizoítas FASE ASSEXUADA: linfonodos e tecidos de vários hospedeiros FASE SEXUADA ou Coccidiana: epitélio intestinal de gatos jovens não-imunes. INGESTÃO EPITÉLIO INTESTINAL Penetração em diversos tipos de células Formação de vacúolos parasitóforos Multiplicação sucessiva intravacuolar – PSEUDOCISTO Rompimento da célula com liberação de TAQUIZOÍTOS esporozoítas taquizoítas bradizoítas Disseminação linfática e hematogênica FASE AGUDA DA DOENÇA Desenvolvimento de imunidade Morte do hospedeiro Desaparecimento dos parasitas circulantes Formação de CISTOS teciduais compostos de BRADIZOÍTAS HOMEM FELINO FASE CRÔNICA DA DOENÇA Taquizoítos invadem novas células Quadro polissintomático Quantidade das formas infectantes adquiridas Cepas virulentas ou avirulentas Suscetibilidade do hospedeiro Evolução até morte do hospedeiro FASE AGUDA DA DOENÇA (Fase proliferativa) IMUNIDADE: redução do parasitismo Humoral: IgM (inicial), IgG (após 8-12 dias), IgA Celular: T CD8+, TCD4+, NK Podem evoluir para formação de cistos teciduais (BRADIZOÍTOS) Fase crônica Longos períodos de fase crônica: assintomático Pode haver reagudização PatogeniaFATORES RELACIONADOS 1. Tipo de cepa Cepa do tipo I – associada com infecção congênita Cepa do tipo II – isolada em 65% dos pacientes com AIDS e reativação de infecção crônica Cepa do tipo III – infectam muito mais animais e pouco o HOMEM 2. Susceptibilidade do hospedeiro Idade – a infecção é mais comum em crianças e jovens Imunidade – a doença é mais grave nos imunodeprimidos (quimio, HIV) Idade gestacional – a infecção é mais grave no 1o trimestre da gravidez Reprodução do T.gondii ENDOPOLIGENIA Dá-se por endodiogenia (1 célula gera duas) e endopoligenia (1 célula gera várias) INGESTÃO (FELINOS) EPITÉLIO INTESTINAL esporozoítas taquizoítas bradizoítas 1.Penetração nas células epiteliais do intestino Formação dos vacúolos parasitóforos 2.Multiplicação (fase assexuada) Formação de MEROZOÍTOS 3.Rompimento da célula parasitada: libera merozoítos 4.Invasão de novas células epiteliais: Fase sexuada Transformação em GAMETÓCITOS masculinos (móveis) e femininos (fixos) Ciclo Biológico HOSPEDEIRO DEFINITIVO 1 2 3 4 Microgametas masculinos móveis e Macrogametas femininos fixos (cel epitelial) Fecundação Zigoto 5.Oocisto imaturo ELIMINAÇÃO COM AS FEZES Oocisto maduro - Evolui na cel epitelial Parede externa dupla - Rompimento da cel epitelial 4 dias 2 esporocistos 4 esporozoítos Infectante = 12 a 18 meses FASE SEXUADA Ciclo Biológico 5 FORMAS CLÍNICAS 1. Toxoplasmose CONGÊNITA - Mãe na fase aguda ou reagudização durante a gravidez - A infecção fetal se dá pela invasão placentária de TAQUIZOÍTAS - Fatores relacionados: grau de exposição do feto, virulência da cepa, proteção dos anticorpos da mãe. Quadro clínico Infecção materna no primeiro trimestre: - Quadro agudo: Mais grave! - Pode resultar em aborto, natimorto, prematuridade - Pode provocar encefalite, convulsões, miocardite - Hidrocefalia, calcificações cerebrais, coriorretinite, retardo mental: TÉTRADE DE SABIN. Infecção materna no segundo e terceiro trimestres - Pode ser assintomática para o feto com manifestação tardia de doença - Geralmente causa micropoliadenopatia, hepatoesplenomegalia, lesões oculares (cegueira) Toxoplasmose congênita: Toxoplasmose congênita: Lesões generalizadas na pele QUADRO CLÍNICO 2. Toxoplasmose ADQUIRIDA Febril aguda – crianças e adultos. Forma mais frequente. Ocular – resulta da infecção da retina por taquizoítas ou cistos de bradizoítos. Foco coagulativo e necrótico na retina que pode evoluir à cegueira Encefalite – raramente produzidapela infecção aguda, mas por reativação - Pouco frequente se indivíduo imunocompetente - AIDS: reativação das formas císticas (25% de risco) - Ataque de céls nervosas, lesões focais múltiplas - Cefaléia, febre, incoordenação muscular, convulsões - Delírios, alucinações visuais, progressão à coma. Generalizada- Raro, evolução mortal Comprometimento meningoencefálico, miocárdico, pulmonar, ocular, digestivo Cutânea – raro! Lesões generalizadas na pele Toxoplasmose oftálmica: – Lesão recente e em cicatrização ABSCESSO CEREBRAL CAUSADO POR T. GONDII. Fonte: www.md.huji.ac.il/mirror/webpath/AIDS/html Diagnóstico laboratorial Demonstração do parasita 1. Encontro de taquizoítos durante a fase aguda: líquido amniótico, sangue. Pesquisa do DNA do parasito por PCR. 2. Encontro de cistos na fase crônica: biópsia de tecidos Testes Sorológicos ou Imunológicos Uso mais rotineiro no diagnóstico da Toxoplasmose Imunofluorescência indireta: pesquisa de IgM (fase aguda), IgG (fase crônica); ELISA para IgM, IgG e IgA – teste mais usado (mais sensível). PROFILAXIA Evitar o consumo de carnes cruas ou mal cozidas Evitar manipular terra ou fazer serviços de jardinagem sem proteção Evitar comer alimentos crus ou mal lavados Evitar o contato com gatos filhotes de procedência ignorada Tratar a gestante que apresentar conversão sorológica Incinerar fezes de gatos Tratamento Indicado apenas nas seguintes situações: Infecção aguda na gravidez (conversão sorológica) Uveítes Doença congênita Doença no imunodeprimido • Ainda não existe um medicamento eficaz na fase crônica • Drogas utilizadas atuam contra Taquizoítos, mas não contra cistos • Drogas utilizadas apresentam toxicidade. Tratamento Drogas utilizadas Pirimetamina + Sulfadiazina por 4 meses – Tóxico Inibem a dihidrofolato-redutase impedindo a síntese de folato e do DNA parasitário Na gravidez – Lincosaminas: clindamicina; Macrolídeo: espiramicina Inibem a síntese protéica parasitária OBRIGADA!