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POLÍCIA MILITAR DA BAHIA INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA CENTRO DE FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS ESTABELECIMENTO DE ENSINO CEL PM JOSÉ IZIDRO DE SOUZA DIVISÃO DE ENSINO CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS DIREITOS HUMANOS Atualização: 1ª Sgt PM Karina da Hora Farias Baseada na Ementa de Abril de 2018 ANO 2018 CFSD 2 INTRODUÇÃO Os Direitos Humanos são considerados títulos e garantias dos quais todos os seres humanos devem dispor naturalmente, simplesmente pela sua qualidade e status de ser “humano”, tanto homens, mulheres, idosos, crianças, independentemente de sua etnia, orientação sexual, situação econômica, social, cor e credo, todos sem exceção, devem contar desde o nascimento, com a garantia de ter todos os meios para sobreviver de forma digna. Nesse contexto, em tese, qualquer pessoa tem personalidade jurídica ou possibilidade de dispor civil e juridicamente desses direitos que devem ser concebidos de forma eficaz pelo Estado (governo) e pelos indivíduos em suas relações sociais, não fosse, a ineficácia das relações entre instituições, organismos internacionais, Estados e indivíduos, que acabam por mitigar o exercício dos direitos humanos, fragilizando-os no meio social, prejudicando seu exercício comum. O entendimento EQUIVOCADO de que direitos humanos existem apenas para criminosos ou pessoas vítimas de conflitos armados, leva a crer, distorcidamente, que as violações ocorridas internamente em um país, não necessita a devida atenção por parte dos servidores do Estado, contudo, de modo diametralmente contrário a essa concepção, o respeito aos direitos humanos deve ser defendido, preservado ao máximo pelos agentes estatais, como pressuposto e base para a sua função de agente servidor da sociedade. Questões como democracia, soberania, pena de morte, embargos econômicos e violência policial, são discutidas constantemente pelos grupos defensores dos direitos humanos, buscando reduzir as ações que prejudicam seu exercício e de modo a fomentar sua prática por todos os cidadãos, no âmbito de suas realidades visando o estímulo a igualdade, a liberdade, o acesso aos direitos sociais, ao meio ambiente saudável, ao desenvolvimento nacional (que se refere ao direito ao progresso e à qualidade de vida), bem como, o direito a paz, entre tantos outros. Fato dominante quando envolve a discussão sobre a atividade policial é a necessidade das instituições criarem controles, planos e diretrizes que permitam o respeito à dignidade da pessoa humana e aos direitos humanos pelos seus profissionais. Surge, nesse contexto, o enorme desafio de evitar que policiais militares sejam conduzidos por filosofias nocivas existentes ao interior da tropa, que os levam ao uso indiscriminado da força e do poder de polícia, fora dos limites da legalidade e dos códigos éticos da PMBA, ultrapassando as limitações funcionais, dando margem à mitigação dos direitos humanos que, ao contrário, devem ser ampliados pelos profissionais de segurança pública. Entre algumas ações que vão de encontro à legalidade e aos ditames dos direitos humanos, é possível observar policiais militares respondendo judicialmente pelo cometimento de homicídios e execuções inquisitoriais (sem os princípios judiciais), nos quais, agem como “juízes” decidindo entre a vida e a morte das pessoas, de modo totalmente destoante dos princípios institucionais; outro exemplo são policiais excluídos após processos administrativos, por fazerem parte de grupos de extermínio, agindo sem a chancela estatal ou da instituição, assassinando pessoas conforme suas próprias concepções (ilegais) de justiça, se prejudicando irreversivelmente na carreira policial. Em ambos os casos, os policiais violam princípios dos direitos humanos frente a terceiros, o direito a vida e o direito de ser legalmente processado sob os aspectos do contraditório e da ampla defesa, ainda que esteja no pólo de acusação, possíveis cometedores de crimes; cabe ao policial militar atuar dentro do previsto na Constituição Federal de 1988 (carta maior ou carta magna), logo, fortalecendo e defendendo os direitos humanos, ao contrário de, fragilizá-los. CFSD 3 1. DIREITOS HUMANOS E A NECESSIDADE DE CONVÍVIO PACÍFICO Os direitos humanos estão diretamente subordinados ao entendimento de homem enquanto ser humano sendo este o seu destinatário, por conseguinte, o raciocínio jurídico que fundamenta a noção de ser humano ou homem (visão biológica: homem ou mulher em igualdade de condições), é a perspectiva na qual se assentarão a elaboração das normas jurídicas positivadas (expressas em leis), bem como, as normas baseadas nos costumes ou cultura (direito consuetudinário), que sustentarão os regimes de justiça para todos. O homem, nesse contexto, deve ser observado sob várias dimensões: social, política, jurídica, filosófica, espiritual, biológica, religiosa, psicológica, entre outras; essa multiplicidade de aspectos tem como ponto comum o fato de que para exercitar os direitos humanos, é necessária a valorização da vida, o respeito à liberdade, à igualdade, à propriedade, ao trabalho, à segurança, à dignidade, dentre outros direitos fundamentais, necessários ao exercício dessas dimensões. Logo, o conjunto de condições adquiridas e associadas ao direito natural que cada indivíduo possui com o nascimento e no processo histórico, determinado pelas diversas gerações da convivência coletiva é o que fundamenta os DIREITOS HUMANOS. Não obstante, em alguns casos, o direito surge mesmo antes do nascimento (durante a gestação), quando está em discussão o direito do nascituro, que é protegido pela jurisprudência pátria em decisões do Supremo Tribunal Federal. No que se refere ao convívio social, desde os primórdios, motivado por questões de sobrevivência e manutenção da espécie, o homem sempre viveu reunido em grupo, contudo, a individualidade dos integrantes possibilitava a ocorrência de conflitos internos, visto que, cada qual tentava impor seus interesses individuais sobre a coletividade. A lógica de manter vantagens frente aos demais passou a ser reproduzido por um grupo em relação ao outro, e nos dias atuais, por uma nação em relação à outra, como modo de manutenção de suas respectivas etnias, ideologia política ou religiosa, na busca do desenvolvimento econômico ou mesmo geopolítico, originando guerras, chamadas de conflitos armados internacionais. Esse processo de luta pela satisfação dos interesses das nações mais fortes pelas que possuem menor capacidade de reação, tem por conseqüência a adoção de medidas subjugadoras de um grupo forte sobre aquele por ora dominado, prejudicando a aplicação dos direitos humanos que culminam com o exercício do convívio pacífico entre os pares, quiçá, dificultando a manutenção dos bens comuns, a exemplo da paz social. 2. APLICAÇÃO DA LEI NO ESTADO DEMOCRÁTICO A aplicação da lei no Estado democrático e dos princípios exarados pela Constituição/88, encontram-se em muito, comprometidos com o crescimento da violência no país, a exemplo do grande índice de homicídios de pessoas civis e profissionais de segurança pública, do trabalho escravo ou subtrabalho que ainda persiste nos centros urbanos, prostituição infantil, excesso de população carcerária, tráfico de drogas, tráfico de pessoas, violência doméstica, corrupção de agentes políticos, entre tantas outras mazelas, que dificultam o exercício e acesso aos direitos humanos de modo igualitário para todos e levam as instituições a atuaram de modo mais coercitivo. CFSD4 O Estado diante de tantas demandas acaba por acentuar o uso da sua força coercitiva tentando equilibrar as tenções da sociedade, que pela falta de acesso igualitário aos bens sociais, geram castas e classes diferenciadas, nas quais algumas possuem ótima condição e acesso a esses bens, enquanto outros cidadãos, sobreviverem de modo miserável, catando lixo, pedindo esmolas, sem acesso a educação de qualidade e desenvolvimento político ideológico que lhes permitam ascender socialmente e progredir, além dos jovens que se tornam vulneráveis, direcionando e motivando o aumento de muitos na vivência da criminalidade. Apesar da tensão existente, segundo Bobbio (1986a), o Estado de direito democrático considera que o governo deve equilibrar o uso da lei, evitando utilizá-la como instrumento principal de dominação (prerrogativa máxima do poder soberano), estabelecendo um governo que seja capaz de exercer o poder, segundo leis preestabelecidas ou através de normas gerais e abstratas que evitem o excesso dos seus agentes frente as demandas populares, logo, designando os Estados e suas instituições por todos os mecanismos constitucionais que impeçam ou obstaculizam o exercício arbitrário e ilegítimo do poder. Nessa concepção, deve ser possível distinguir a força legítima da ilegítima e a legal da ilegal nos Estados de direito, constatando que a força (tradicionalmente utilizada como meio mais eficaz) para a resolução dos conflitos sociais, é nociva ao desenvolvimento da democracia, logo, não basta regular o seu uso, é necessário eliminá-la (BOBBIO, 1988, p. 18); Exatamente por este fator a atuação das instituições e seus agentes (do Estado de direito e Estado democrático) são comumente questionadas, visto que, a natureza da relação Estado de direito e democracia (que emprega a força da persuasão) é, na atualidade, tão íntima, que o primeiro “celebra” o triunfo da democracia, porém, a única maneira de se compreender a democracia enquanto contraposta a outras formas autoritárias de governo, é aquela que a considera como “um conjunto de regras (primárias ou fundamentais) que estabelecem quem está autorizado a tomar as decisões coletivas e com quais procedimentos.” (BOBBIO, 1986b, p. 18-9), previamente e democraticamente definidos. Para que a decisão legal que fundamentará a ação do Estado e de seus agentes, seja considerada decisão coletiva, é preciso que seja tomada com base em regras que estabelecem quais os indivíduos estão autorizados a tomar as decisões que irão vincular todos os membros do grupo e, quais os procedimentos, serão utilizados para garantir o direito a CIDADANIA das pessoas, assim, consagrando o princípio democrático como forma de se garantir o melhor à sociedade, no qual o agente obedece e acata as normas que lhes foram apresentadas sob a égide da construção democrática para resguardar continuamente o Estado de Direito. Na visão do sociólogo Francisco de Oliveira CIDADANIA, é uma espécie de estado de espírito em que o cidadão fosse alguém dentro da sociedade, alguém que estivesse em pleno gozo de sua autonomia, e esse gozo não fosse um gozo passivo, mas sim ativo, de plena capacidade de intervir nos negócios da sociedade. Seria o exercício pleno de autonomia, de poder escolher e efetivar as suas escolhas, sem a qual, estaria tolhido de seus direitos fundamentais. É importante conceber que a verdadeira democracia é aquela que permite aos seres humanos, com autonomia, buscarem a paz, segurança, saúde, moradia, trabalho, segurança, educação, logo, condições dignas suficientes para conviver em sociedade. Portanto, o Estado e seus agentes (entre eles, os policiais militares), devem buscar conjuntamente, a concretização dos objetivos dos direitos humanos em seus espaços de convivência, com limitação do uso da força policial, exercitando efetivamente o exercício da cidadania e das premissas de igualdade consolidadas no Estado democrático de direito que é o fundamento da República Federativa do Brasil e das quais todos estão vinculados. CFSD 5 3. PRESSUPOSTOS CONSTITUCIONAIS 3.1. FUNDAMENTAÇÃO CONSTITUCIONAL A Constituição de 1988 surgiu como um divisor de águas, na defesa dos Direitos Humanos e da dignidade da pessoa humana, sendo considerada a mais CIDADÃ de todas as constituições já promulgadas, visto que enfatiza a necessidade do respeito ao ser humano em sua máxima expressão, especialmente, após a experiência da ditadura no Brasil e a consolidação do processo de redemocratização das instituições brasileiras, na qual impõem também à Polícia Militar, limitações no uso da força junto à sociedade. No Brasil os Direitos Humanos aparecem como fundamento da República Federativa, sendo também reproduzida nos textos das Constituições dos Estados Federados do país, este é o principal ponto característico distintivo das demais constituições anteriores a 1988, esta, traz esses direitos no seu caráter formal e material. Apesar da existência de dispositivos legais internacionais e outros específicos nacionais, a Constituição Federal apresenta um conjunto de garantias e direitos gerais que devem ser protegidos por todos, visto que possibilita o exercício da cidadania pelas pessoas sem qualquer discriminação. Os Direitos humanos possuem importante caráter CONSTITUCIONAL, estão expressos do art.1º ao 8º e também ao longo de toda a carta magna em dispositivos dispersos, para além, contudo, também são consideradas constitucionais, as normas internacionais aprovadas de forma rígida com status de Emenda Constitucional, formando então, um bloco de constitucionalidade, ou seja, formado pela Constituição em si e pelas normas aprovadas com status de Emenda constitucional, a exemplo do Decreto 6.949/2009, que ratificou a Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência. 3.2. LEGISLAÇÃO SUPRALEGAL São normas que estão no plano legal hierarquicamente abaixo da Constituição Federal, contudo, se encontram hierarquicamente acima das normas infraconstitucionais. Normas de caráter INTERNACIONAL que foram aprovadas pelo Brasil (ratificadas), ou seja, o Brasil assumiu o compromisso de aplicar no espaço interno da nação, a recomendação contida na norma específica de direitos humanos; são eles os tratados, os pactos e as convenções internacionais assinadas pelo governo brasileiro e ratificadas pelo Congresso Nacional, essas normas passaram a compor o ordenamento jurídico brasileiro, conforme a previsão do § 2º do artigo 5º da Constituição Federal, entretanto, não possuem o status de emenda constitucional. Exemplo: Convenção Internacional sobre eliminação de todas as formas de discriminação racial (Decreto 65.810/69). 3.3. LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL Apesar da proteção genérica constante na Constituição existem instrumentos específicos, especializados de proteção aos direitos humanos, sendo normas hierarquicamente inferiores a Constituição Federal e às Todo PM deve conhecer os art. 1º ao 5º da Constituição Federal CFSD normas supralegais.Também chamadas de possuem poder normativo, porém, não pode Supraconstitucionais (que se encontram infraconstitucionais, servem para detalhar a forma de implementação da norma genérica inclusive, atribuir penas e sanções execuções penais, lei estadual 13.182/2014 religiosa). 3.4. O SUPRAPRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Essa expressão ganhou enorme relevância após afirmar que a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA existência humana e o seu respeito é fundamental para a manutenção de toda a espécie humana A Constituição Federal de 1988 instituiu que o diversos princípios fundamentais que devem ser acatados e ampliados historicamente SUPRAPRINCÍPIO (com relevância maior que os demais)que interfere no exercício dos demais direitos fundamentais estabelecidos pela carta magna em seu 1°, inciso III. (Constituição Federal de 1988). Pirâmide de Hierarquia das Normas Também chamadas de leis ordinárias ou leis INFRACONSTITUCIONAIS , porém, não podem contrariar a norma maior Constitucional, nem as normas upraconstitucionais (que se encontram hierarquicamente acima de suas disposições infraconstitucionais, servem para detalhar a forma de implementação da norma genérica penas e sanções. (ex: lei de abuso de autoridade; lei de combate a tortura; , lei estadual 13.182/2014 - Estatuto da igualdade racial e de combate a intolerância O SUPRAPRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Essa expressão ganhou enorme relevância após o advento da segunda guerra mundial (1945), p DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA é constituída de elementos indispensáveis à e o seu respeito é fundamental para a manutenção de toda a espécie humana A Constituição Federal de 1988 instituiu que o Brasil é um Estado Democrático de que devem ser acatados e ampliados historicamente (com relevância maior que os demais), aparece a dignidade da pessoa humana, visto cício dos demais direitos fundamentais estabelecidos pela carta magna em seu Constituição Federal de 1988). Pirâmide de Hierarquia das Normas 6 INFRACONSTITUCIONAIS, estas contrariar a norma maior Constitucional, nem as normas acima de suas disposições); as normas infraconstitucionais, servem para detalhar a forma de implementação da norma genérica, podendo lei de combate a tortura; lei de Estatuto da igualdade racial e de combate a intolerância segunda guerra mundial (1945), pode-se é constituída de elementos indispensáveis à e o seu respeito é fundamental para a manutenção de toda a espécie humana. ocrático de Direito, logo, possuindo que devem ser acatados e ampliados historicamente, entre eles, como aparece a dignidade da pessoa humana, visto cício dos demais direitos fundamentais estabelecidos pela carta magna em seu artigo CFSD 7 Para Ingo Wolfgang Sarlet (2009), a DIGNIDADE é uma qualidade inerente ao ser humano que lhe cria expectativa de direitos fundamentais, como por exemplo, de não receber tratamento degradante de sua condição humana, de ter uma vida saudável, ou seja, de ter a colaboração de todos para poder usufruir de um completo bem-estar físico, mental e social, conforme os parâmetros de vida saudável da Organização Mundial de Saúde e, ainda, de participar da construção de seu destino e do destino dos demais seres humanos com autonomia e cidadania. A definição da dignidade da pessoa humana atinge a esfera moral, cultural, religiosa e filosófica, e segundo Ridola (2014), permite ao homem realizar o próprio projeto de vida, o qual a comunidade política deve proteger, pois é na vida de cada humano que está o núcleo originário de sua liberdade. Deste modo, no plano interno do Brasil quando a dignidade da pessoa humana não é respeitada, a conseqüência principal é a afronta aos princípios fundamentais que regem o país, dificultando o alcance dos objetivos de desenvolvimento e progresso da nação constitucionalmente definidos. Reforça-se a dificuldade em gestar o país sob os pressupostos da igualdade, ao contrário, se estimula a desigualdade, aumentando o processo de violência e de miséria social, permitindo um contexto de corrupção generalizada em todas as esferas sociais, justamente ocasionadas pelos indivíduos que deveriam defender e estimular o exercício dos princípios fundamentais, na nação. No âmbito internacional, quando as medidas subjugadoras de uma nação ferem a dignidade e os direitos humanos de outra sociedade vencida, ou com menor poder de reação econômica ou política, existe uma tendência da população subjugada ter violada toda a sorte de direitos humanos; a dignidade da pessoa humana é totalmente desrespeitada, nesses casos, levando estas nações a perdas muitas vezes irreparáveis, a exemplo do genocídio (extermínio total de uma raça ou etnia). Em outras situações, é comum a imposição de trabalhos forçados, privações dos meios de subsistência (em especial, alimentos), abuso sexual, torturas, sequestro de jovens meninas, aliciamento de meninos para o confronto armado, comércio de crianças e tráfico de órgãos humanos, julgamentos em tribunais de exceção, entre tantos outros processos nefastos de violência. Atualmente, é possível observar a influência das guerras em algumas nações, que estimulam populares a saírem de seus países de origem e pedirem refúgio em outras nações, a partir da impossibilidade de exercício da sua dignidade ou mesmo sobrevivência, com o mínimo condições sociais, fator que tem desencadeado preocupação mundial e forte desequilíbrio social, fragilizando os direitos humanos em um plano global. 4. CONCEITO DE DIREITO E DIREITOS HUMANOS, PRECEITOS HISTÓRICOS E CARACTERÍSTICAS. 4.1. O CONCEITO DE DIREITO A expressão DIREITO possui diversos significados que são utilizados pelo homem, mas, o sentido que nos interessa é o do significado jurídico, porquanto, Direito é a ciência que estuda os fenômenos e as relações jurídicas decorrentes das ações humanas, ou ainda, o conjunto de regras que regem a vida em sociedade. Enquanto regras da convivência humana coletiva, tem por objetivo impor limites e atribuições (direitos e deveres), aos membros da coletividade, visando PACIFICAR E HAMONIZAR a convivência social diante da amplitude e complexidade das relações humanas. CFSD 8 Não obstante, o Direito foi repartido na esfera da ciência, em pequenas fatias de conhecimento especializado, para que pudesse ser bem estudado e compreendido, se dividindo em diversas áreas, tais como: Direito Público (Direito Constitucional, Direito Penal, Direito Previdenciário etc.) e o Direito Privado (Direito Comercial, Direito Industrial, Direito Agrário etc.) 4.2. O CONCEITO DE DIREITOS HUMANOS Na esfera do Direito Constitucional os DIREITOS HUMANOS aparecem como PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS da República Federativa do Brasil, logo, é fundamento de todas as instituições da nação podendo se manifestar sob diversas formas por atenderem a diversas esferas sociais, podem ser ligados à sobrevivência e manutenção da espécie humana (vida, segurança, etc), podem surgir como direitos civis individuais e coletivos (liberdade), direitos sociais (greve, associação sindical), direito a fraternidade (meio ambiente saudável), direito a paz, entre tantos outros. Um conceito interessante é apresentado pelo Prof. Almir de Oliveira quando diz que “são aqueles direitos fundamentais, ao qual todo homem deve ter acesso em virtude puramente da sua qualidade de ser humano e, portanto, toda sociedade, que pretenda ser uma sociedade autenticamente humana, deve assegurar aos seus membros”. Segundo Morris Abraham, deve-se proteger uns aos direitos dos outros enquanto integrantes de uma mesma sociedade, devendo, entretanto, o Estado chamar para si essa responsabilidade, diante da incerteza de que haverá a proteção de modo solidário, utilizando-se, inclusive, da sua competência normativa (poder legislativo) para regular, por meio de lei, tal proteção fundamental. Historicamente, diversos documentos tentaram normatizar os direitos humanosem diversas nações, como é possível ver na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, no Pacto Internacional Sobre Direitos Civis e Políticos, no Pacto São José da Costa Rica e outros instrumentos normativos internacionais, muitos deles, ratificados (assumidos) pelo Brasil. Por algumas vezes encontramos na história da humanidade, registros de discriminações acerca da concessão ou fruição dos direitos humanos, ainda que diante da tentativa de evolução, por exemplo, é possível ver na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, editada na França no século XVIII, que esta apresentava traços discriminatórios propositais, ligados a questão de gênero, visto que a terminologia “homem” era usada de modo estrito (no sentido masculino), porém hoje, esclareceu-se que a interpretação correta é abrangente a toda a espécie humana, homem ou mulher, indistintamente. 4.3. PRECEDENTES HISTÓRICOS DOS DIREITOS HUMANOS Para Alexandre de Moraes a discussão sobre “a origem dos direitos individuais do homem pode ser apontada no antigo Egito e Mesopotâmia, no terceiro milênio antes de Cristo (a.C), onde já eram previstos alguns mecanismos de proteção individual em relação ao Estado”. A Lei do Talião, também abordava um senso de justiça ao impor uma sanção aos criminosos que se baseava no direito de vingança, destinando o condenado a cumprir a pena idêntica ao crime praticado (ex: olho por olho, dente por dente) sendo que a lei posta fundamentava tal ação. O “Código de Hamurabi” (Mesopotâmia/Babilônia, 2067- 2025 a.C), também confiava ao imperador a garantia do toque divino ao ordenamento jurídico então imposto; há um reconhecimento de que esta norma foi a primeira codificação escrita do Ocidente a consagrar um rol de direitos comuns a todos os homens, CFSD 9 tais como a vida, a propriedade, a honra, a dignidade, a família, prevendo, igualmente, a supremacia das leis em relação aos governantes. Com 282 artigos gravados em um único bloco de pedra, continham inclusive, jurisprudências (decisões dos tribunais) a serem consultadas ao arbítrio do rei. A Lei das XII Tábuas (Roma, 451 a.C), considerada como a origem dos textos escritos sobre a liberdade, propriedade e proteção dos direitos dos cidadãos, deixava de possuir condição essencialmente sagrada, mas que apesar de sucinto era excessivamente autoritário e invocado a todos (do mundo romano), no qual tinha caráter universal. Dentre alguns princípios cabe ressaltar, medidas de valores emprestados a racionalidade da época: [...] (VI) Aquele que matar o pai ou a mães, terá a cabeça cortada; [...] (IX) Não se deve dizer coisas desonestas na presença das senhoras; [...] (XI) É lícito matar os que nascem monstruosos; [...] (XVII) Se a mulher se embriaga em sua casa, será punida como se tivesse sido encontrada em adultério; XVIII Seja lícito ao pai e mãe banir, vender e matar os próprios filhos (Lei das XII Tábuas) Com influência filosófico-religiosa, Buda (500 a.C.),considerado uma santidade pelos orientais, se manifestou de modo idêntico ao expor a mensagem de igualdade entre os homens, preocupava-se com esta questão no mesmo foco dos valores de fraternidade introduzidos pelo Cristianismo no Ocidente. Na Grécia antiga a literatura trouxe na obra “Antígona” a discussão a respeito da prevalência do direito natural sobre a lei posta. Os Sofistas, seguidores de Sócrates (470 a.C – 399 a.C), o primeiro grande filósofo grego, questionaram essa concepção de lei natural, fruto da vontade dos cidadãos e variável no tempo e no espaço, pois não acreditavam em um direito imutável. Aristóteles, também filósofo grego, argumentou que a lei universal é a lei da natureza e a lei particular é aquela que cada comunidade determina a e aplica a seus próprios membros, podendo ser escrita ou não escrita (costume), existindo ainda o senso de justiça natural e uma injustiça que está presente em todos os homens com alguma medida do divino. Com o surgimento do Estoicismo, doutrina que trouxe ideias ligadas a unidade moral do ser humano e a dignidade do homem, passou-se a discutir sobre os direitos inatos, porém, iguais em todas as partes do mundo independente das diferenças individuais e grupais. Cícero (106 a.C – 43 a.C) no período da jovem república romana, também influenciado pelo Estoicismo, defendeu a existência de uma lei natura imutável, que deveria prescrever o bem afastando e proibindo o mal, lei que não poderia ser contestada, nem derrogada em parte, nem anulada. Com a queda do Império Romano e início da era medieval Cristã, vê-se que as fortes concepções religiosas introduzidas pelas igrejas nas culturas ocidentais através do processo de evangelização geraram uma noção de cristandade aos governantes, logo, o direito através da religião foi projetado para impor princípios e condutas morais a serem assimiladas e seguidas, contudo, sob ainda sob a égide do caráter divino do governador. Deste modo, a produção dos primeiros códigos de conduta os governantes exerciam seu poder despoticamente, sem qualquer limite e variando suas decisões de acordo coma vontade e humor dos mandatários; ao imperador era garantida a capacidade “divina” de dispor sobre ordenamento jurídico CFSD 10 conforme sua vontade, logo, gerando todo tipo de excesso, ao passo em que obrigava seus súditos, à obediência absoluta e sem qualquer hesitação das normas impostas. Surge então em 1215 (d.C.), a “Magna Carta” (Magna Charta Libertatum), redigida em latim para dificultar o acesso aos letrados e a massa da população, foi traduzida para o inglês somente no séc. XVI e firmava 67 cláusulas que pela primeira vez, limitava o poder do soberano e beneficiava o povo: Art48-Ninguém poderá ser detido, preso ou despojado dos seus bens, costumes e liberdades, senão em virtude de julgamento de seus pares segundo as leis do país; Art49-Não venderemos, nem recusaremos, nem dilataremos a quem quer que seja, a administração da justiça. (Magna Carta, 1215) A Carta Magna além de estabelecer limitação ao ato do soberano ao impor a norma, instituiu a proporcionalidade entre delito e sanção, a previsão do devido processo legal, o livre acesso a justiça, a liberdade de locomoção, princípio da “reserva legal”, princípio da “legalidade” e princípio da “anterioridade da lei” (todo crime só é punível se houver lei anterior que defina o ato como crime), por este motivo, esta lei é considerada como de grande relevância, uma vez que, o Estado é tido como um dos maiores violadores dos Direitos Humanos ao longo da história. Santo Tomás de Aquino (1225), por sua vez, argumentou que o universo é regido pela razão divina e Deus fundamentava a lei natural, e essa deveria fundamentar o agir virtuoso. Nesse momento histórico medieval iniciou-se o processo de elaboração do princípio da igualdade com proximidade ao que conhecemos nos dias atuais, independente de diferenças existentes entre as pessoas, seja na ordem biológica, seja na ordem cultural, estendendo o conceito de Direitos Humanos a um caráter universal, no qual todos deveriam ser destinatários. Após a Revolução Gloriosa ocorre a aceitação do instituto do “Habeas Corpus” (visa libertar pessoas presas), bem como, da “Declaração de Direitos” (Bill of Rights) em 1689, dotada de 13 artigos que consolidavam os ideais políticos do povo, expressando restrições ao poder estatal, regulamentando o princípio da legalidade, criando o direito de petição, assim como imunidades parlamentares, entretanto, restringia a liberdade religiosa. Posteriormente surge a “Declaração da Virgínia” considerada a primeira declaração queera voltada aos DIREITOS FUNDAMENTAIS no sentido moderno, proclamava direito à vida, à liberdade e à propriedade, o Tribunal do Júri, o princípio do juiz natural imparcial, a liberdade religiosa e de imprensa, entre outros, momentos antes da declaração de independência dos Estados Unidos da América (EUA), redigida por Thomas Jefferson. DECLARAÇÃO DE DIREITOS DA VIRGÍNIA (EUA, 1776) Proclama o direito à vida, à liberdade e à propriedade. Outros direitos humanos fundamentais foram expressamente previstos, tais quais, o princípio da legalidade, o devido processo legal, o tribunal de júri, o princípio do juiz natural e imparcial, a liberdade de imprensa e a liberdade religiosa. CFSD 11 Em 1776 com a Revolução Americana é registrada a “Declaração de Direitos do Homem” e posteriormente na “Declaração de Independência” dos EUA registra-se no artigo I que é assegurada a igualdade de toso de maneira livre e independente, considerando esta como um direito inato, no artigo II que estabelece que o poder pertence ao povo e que o Estado é responsável perante ele, porém, este documento se voltava mais aos americanos e não era voltado a humanidade. Com a Revolução Francesa ocorrida em 1789, com ideais baseados no Iluminismo e voltados a defesa da IGUALDADE, LIBERDADE E FRATERNIDADE, derrubou-se privilégios das classes dominantes criando a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, prevendo a liberdade e igualdade entre os homens, a necessidade de conservação dos seus direitos naturais (liberdade, propriedade, segurança, resistência a opressão), princípio da inocência,limitação ao direito de liberdade somente por lei, manifestação do livre pensamento e necessária separação de poderes. Com a Revolução industrial na Inglaterra no mesmo século XVIII, o direito do trabalho tomou enorme relevância, fazendo surgir direitos ligados a essa esfera como, princípio da hipossuficiência do trabalhador, princípio da proteção , princípio da primazia, da irredutibilidade de vencimentos; criou-se a concepção de que não bastavam apenas os direitos econômicos, sociais e culturais, era necessário também, controlar o poder econômico do Estado. Foram criadas nesse contexto, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 1919 no Tratado de Versalhes que pôs fim a primeira guerra mundial e a Corte Permanente de Justiça Internacional (CPJI), em 1920. Mais recentemente, após as atrocidades das duas grandes guerras mundiais (1919 e 1945), ampliou-se o entendimento da necessidade de proteção aos direitos humanos, num caráter UNIVERSAL, culminando, inclusive, na aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 10 de dezembro de 1948, que marcou a era dos direitos humanos atual. A declaração que não possui força de lei foi expressa após um árduo trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU), órgão internacional que objetiva a paz para todos os povos, quando era composto por 58 países, dos quais, à época, 48 aprovaram a declaração. A Declaração Universal dos Direitos Humanos é sem dúvida, um verdadeiro MARCO HISTÓRICO NA PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS, pois representa um entendimento comum, universal, acerca da importância de tais direitos de modo global. A partir desse momento histórico, diversas outras normas internacionais foram aprovadas e os países signatários passaram a transcrevê-las em suas legislações internas, muitas tomando força de lei, inclusive, impondo sanções no descumprimento. Tais sanções por descumprimento ou negligência estatal na proteção dos direitos humanos, resultam não necessariamente em sanções penais, mas principalmente, em sanções de caráter político-econômico, como bloqueios internacionais, restrição de comércio, isolamento de fronteiras, etc. Foi redigida sob o impacto das atrocidades cometidas durante a 2ª Guerra Mundial, deixando as seguintes contribuições: DEFENDEU A IGUALDADE PARA TODOS, UNIVERSALIZOU OS DIREITOS FUNDAMENTAIS E RETOMOU OS IDEAIS DA REVOLUÇÃO FRANCESA (liberdade, igualdade e, fraternidade). CFSD 12 DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS (1948) Proclamava três princípios axiológicos fundamentais em matéria de direitos humanos: a liberdade, a igualdade e a fraternidade. O princípio da igualdade essencial do ser humano, não obstante as múltiplas diferenças de ordem biológica e cultural que os distinguem entre si, é afirmado no artigo II. O pecado capital contra a dignidade humana consiste, justamente, emconsiderar e tratar o outro: um indivíduo, uma classe social, um povo, como um ser inferior sob pretexto da diferença de etnia, gênero, costumes ou fortuna patrimonial. Algumas diferenças humanas, aliás, não são deficiências, mas bem ao contrário, fontes de valores positivos e, como tal, devem ser protegidas e estimuladas. O princípio da liberdade compreende tanto a dimensão política, quanto a individual. Reconhece-se, com isto, que ambas essas dimensões da liberdade são complementares e independentes; a liberdade política, sem as liberdades individuais, não passa de engodo demagógico de Estados autoritários ou totalitários. E o reconhecimento das liberdades individuais, sem efetiva participação política do povo no governo, mal esconde a dominação oligárquica dos mais ricos. O princípio da solidariedade está na base dos direitos econômicos e sociais. Trata-se de exigências elementares de proteção às classes ou grupos sociais mais fracos ou necessitados. Em 1966, foram criados dois pactos de grande importância que foram ratificados pelo Brasil somente no ano de 1992, são eles, o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais que estabelecia o direito a auto determinação dos povos (soberania), dispor de suas riquezas livremente e de seus recursos naturais, medidas de cooperação internacional, criação de leis para ampliar os direitos civis e políticos, igualdade de condições de homens e mulheres no gozo dos direitos econômicos, sociais e culturais, direito a bem-estar geral e sociedade democrática. E o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que positivava entre outros, garantia de que toda pessoa que tenha um direito violado possa fazer uso de um recurso efetivo, analisado por autoridade competente judicial, administrativa ou legislativa, mesmo contra pessoas que agiram no exercício de funções oficiais; inadmissão de restrições ou suspensão de direitos humanos fundamentais reconhecidos ou já vigentes, inadmissão de autorização para o crime de genocídio, negativa da servidão e da escravidão,direito de recurso judicial. CFSD 13 A Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, juntos são chamados de CARTA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS, atividade legislativa das Nações Unidas que buscou reafirmar os Direitos Humanos para toda a humanidade. Em 1969, o Brasil ratificou (Decreto 65.810/69), a Convenção Internacional sobre Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial que havia sido criada em 1966 e que visou promover e encorajar o respeito universal e observância dos direitos humanos e liberdades fundamentais para a humanidade. Estabeleceu repudia a todas as práticas coloniais de segregação e discriminação e tem como objetivo eliminar rapidamente a discriminação racial no mundo; condena a doutrina de superioridade racial e estabelece-acomo falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa visto que interfere na paz entre as pessoas e nações. Estabelece esta norma ainda, o conceito de DISCRIMINAÇÃO RACIAL a seguir: significará qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseadas em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tem por objetivo ou efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo plano (em igualdade de condição), de direitos humanos e liberdades fundamentais no domínio político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio de vida pública. (BRASIL, 1969) O Sistema Interamericano De Proteção dos Direitos Humanos foi reforçado pelo Pacto São José da costa Rica em 1969, ratificado pelo Brasil, ele não visou apenas a liberdade pessoal e de justiça social como a Declaração Universal, trouxe normas relacionadas ao cumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados-parte, criado a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos Humanos, sem vinculação com governos, cabendo a fiscalização e recepção de denúncias de abusos ocorridos ao interior das nações que aderiram aos seus ditames legais, ou seja, estabeleceu um sistema para denúncia de abuso dos direitos humanos. Em 2000, o Brasil ratificou (Decreto 4.377/02), a Convenção sobre Eliminação de todas as formas de Discriminação contra a Mulher, que havia sido criada em 1984, o documento reafirma o princípio da não- discriminação e busca garantir o igual gozo dos direitos humanos às mulheres; reconhece que a discriminação viola o princípio da dignidade humana e tem como reflexos a dificuldade da participação da mulher na vida política, social, econômica e cultural do país, sendo obstáculo ao aumento do bem-estar da sociedade e da família, além de dificultar o pleno desenvolvimento das potencialidades da mulher para prestar o serviço a seu país e à humanidade; Esta norma reconhece a grande contribuição da mulher ao bem-estar social, a importância social da maternidade que deve ser protegida e a função dos pais na família e na educação dos filhos, enquanto responsabilidade que deve ser compartilhada, revelando a necessidade de modificar o papel tradicional do homem e da mulher nesta esfera; estabelece que a procriação não deve ser discriminada; e que condena a exclusão e restrição baseada no sexo, além de derrogar (tornar sem efeito) “TODAS” as disposições penais nacionais que constituam discriminação contra a mulher. Na perspectiva evolutiva, pode-se ver normas de Direitos Humanos em diversas leis estaduais, como no Estado da Bahia, cuja Lei Estadual nº 13.182/14, instituiu o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate a Intolerância Religiosa, com grande carga histórica essa lei trata do estímulo ao desenvolvimento da população negra em o contexto histórico ocasionado pela escravidão no Brasil. CFSD 14 As normas conceituam o que são ações afirmativas e políticas públicas e visam buscar igualdade social, além de combater o racismo institucional (ocasionado pelos agentes do Estado na sua atividade discricionária); O estatuto define que o Estado deve divulgar os dados oficiais e públicos da desigualdade racial e de gênero, produzindo pesquisas e estudos para essa finalidade; reconhece os “mestres e mestras” dos saberes e fazeres das culturas tradicionais e matrizes africanas, ademais, a necessidade de estímulo a diversidade criativa, bem como, a criação de ações nas dimensões: reparatória e compensatória para os descendentes das vítimas da escravidão, do racismo e das demais práticas institucionais e históricas que contribuíram para as profundas desigualdades raciais e as persistentes práticas de discriminação racial na sociedade baiana, inclusive, em face dos povos de terreiros de religiões afro-brasileiras. (BAHIA, 2014) Esta norma reforça o dever do Estado de garantir igualdade de oportunidades para todo cidadão brasileiro, além da defesa da dignidade humana, dos valores religiosos e culturais, vez que com políticas diferenciadas aos negros, tenta-se minimizar os obstáculos históricos, sócio-culturais e institucionais que os impediram de exercer a representação da sua diversidade racial nas esferas públicas e privadas ao longo da história. 4.4. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS São características inerentes aos Direitos Humanos, a saber: a) INATOS: por que os indivíduos já nascem com eles, como atributos inerentes a todos os seres humanos, não sendo adquiridos por via de concessão ou outorga do Estado, ao longo da sua existência, não necessita ter autorização para ter direitos humanos; b) UNIVERSAIS: seu direcionamento e respeito devem ser globais, direcionado a todos, em todo o planeta, de modo universal; c) INALIENÁVEIS: não pode ser repassado, vendido, doado ou cedido; não são transferíveis como os demais bens comuns; d) IMPRESCRITÍVEIS: não tem prazo para término, não tem prazo certo, não tem prazo definido para a sua utilização, podendo ser gozados a qualquer tempo, não prescreve com o advento do tempo; e) ABSOLUTOS: são oponíveis; seu respeito se opõe a todas as pessoas físicas (ex: policial em relação ao criminoso), ou pessoas jurídicas (exemplo: empresa não poluir o meio ambiente), sendo ainda, públicas ou privadas. Podem ser reclamados contra qualquer um que tente mitigá-los ou exterminá-los, inclusive, judicialmente; f) INVIOLÁVEIS: não podem ser violados por qualquer pessoa, mesmo diante do poder de polícia, ou por autoridade pública; nem a legislação infraconstitucional pode ignorá-los, cabendo aos que contrariem suas premissas, a responsabilização civil, administrativa e criminal; g) IRRENUNCIÁVEIS: nenhum ser humano pode renunciá-los, pois não se pode exigir de alguém que renuncie à vida ou à liberdade ou aos demais direitos de sobrevivência CFSD 15 h) EFETIVIDADE: O poder público e as pessoas comuns devem atuar para garantir a sua efetividade, aplicação real, sendo este compromisso estatal, dos seus agentes e dos demais do povo. i) PRINCÍPIO DO NÃO-RETROCESSO SOCIAL1 - é princípio ‘não explícito’ que infere que uma norma com mandamento constitucional, ao ser incorporado ao mandamento ao patrimônio jurídico da cidadania não pode ser suprimido posteriormente, causando retrocesso em conquistas humanitárias. j) INTERDEPENDÊNCIA - Os direitos fundamentais interagem entre si, em uma relação de mútua dependência, logo se vinculam e necessitam ser complementado outros direitos fundamentais. Ex: o direito de liberdade de locomoção depende da garantia do devido processo legal, que culmina no habeas corpus, se complementando mutuamente. k) HISTORICIDADE – Nasceu com o Cristianismo, e faz parte de uma conjuntura histórica, logo, são os direitos humanos conquistados em função das revoluções da história. Segundo Norberto Bobbio (1992), nasceram de circunstâncias, caracterizadas por lutas em defesa de novas liberdades contra velhos poderes, de modo gradual. 4.5. GERAÇÕES / DIMENSÕES DOS DIREITOS HUMANOS Karel Vasak nascido na Tchecoslováquia, quando na divisão dos Direitos do Homem e da Paz da UNESCO em 1979, foi responsável pela palestra inaugural no Instituto Internacional dos Direitos Humanos na França, baseado no lema da Revolução Francesa de 1789 (Liberdade, Igualdade e Fraternidade), dividiu academicamente as conquistas dos direitos individuais em três gerações, ou ainda, na visão de Robert Alexy, em dimensões de Direitos Humanos (DH), visto que nesse caso elas não se sobrepõe em um processo de exclusão e sim, se agregam formando umconjunto de normas históricas, conforme se segue: DH de 1ª geração/Dimensão referem-se ao princípio da bandeira francesa “Liberté” - são os que tratam da Liberdade de cada cidadão, referem-se a autonomia de agir e tomar decisões (DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS); dos direitos negativos, que negam a atuação do Estado (desejo de ausência do Estado), ou seja, impõem uma abstenção ou limitação do Estado. As principais conquistas ao direito de liberdade foram o direito à liberdade, à vida, à propriedade, à manifestação, à expressão, ao voto, entre outros. CF - Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei [...] DH de 2ª geração/Dimensão referem-se ao princípio da Igualdade, “Egalité” (DIREITOS SOCIAIS, ECONÔMICOS E CULTURAIS), ou seja, os direitos nos quais o Estado deveria agir a favor do homem (e mulher - visão lato sensu), garantindo-lhe saúde, trabalho, educação, dentre outras necessidades básicas. São direitos positivos, prestacionais, que exigem do Estado intervenção no domínio econômico e prestação de políticas públicas. CF - Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. 1 BARROSO, Luís Roberto. O direito constitucional e a efetividade de suas normas. 5. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2001. https://jus.com.br/tudo/cidadania CFSD 16 DH de 3ª geração/Dimensão referem-se ao princípio da Fraternidade (DIFUSOS, DA HUMANIDADE, DOS POVOS), da proteção do público em geral, de solidariedade, do meio ambiente, direito a comunicação social, conservação do patrimônio histórico, defesa do consumidor e desenvolvimento. Afirmam a necessidade da proteção universal do homem de modo coletivo, difuso (não é possível individualizar). Código Defesa Consumidor - Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Diversos doutrinadores permanecem discutindo o aumento dessas dimensões, como o Professor Paulo Bonavides (2008), que informa a existência da quarta e quinta geração, argumentando que os: DH de 4ª geração/Dimensão referem-se ao BIODIREITO (MANIPULAÇÃO GENÉTICA) e ao AVANÇO TECNOLÓGICO*, decorrente da globalização dos direitos fundamentais, logo, se ligam ao direito à democracia, como também, à informação, ao comércio eletrônico a biologia molecular, a manipulação genética (evitar mal uso), bioética, pesquisas de células tronco, mudança de sexo e reprodução humana assistida. Entretanto, existem ainda, doutrinadores que defendem que a evolução da cibernética e de tecnologias (realidade virtual e Internet), faria parte da 5ª geração. CF - Art. 225, II Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético.” DH de 5ª geração/Dimensão referem-se ao DIREITO À PAZ (diferentemente de Vasak (1979) que defendia ser de terceira geração), neste aspecto, Bonavides (2008), alega que “o direito à paz é concebido ao pé da letra qual direito imanente à vida, sendo condição indispensável ao progresso de todas as nações”. Estudiosos, na mesma linha, afirmam tratar-se a felicidade um direito fundamental de quinta geração. Devido à relevância do Direito à Paz, entende-se que esse direito deve ser tratado em dimensão autônoma, desvinculada da terceira geração de direitos. Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: VI - defesa da paz; 5. PROTEÇÃO INTERNACIONAL E VIOLAÇÕES DE DIREITOS 5.1. PROTEÇÃO INTERNACIONAL No plano internacional os direitos humanos são formados por um conjunto de normas previstas em tratados, declarações ou convenções de direitos humanos adotados pelas comunidades não nacionais, seja em caráter universal ou regional, estas normas internacionais visam proteger todos os indivíduos de violações de direitos, qualquer que seja sua nacionalidade, cor, gênero, raça ou religião. CFSD 17 Surgiu essencialmente após as atrocidades da Segunda Guerra Mundial em decorrência das violações de direitos cometidos pelos nazistas contra os judeus durante o holocausto, na tentativa de exterminar toda uma raça, fato que preocupou todo o mundo. A partir desse momento histórico, a sociedade internacional viu-se obrigada a iniciar a construção de normas e princípios destinados a assegurar o respeito e a dignidade humana de modo global, para combater possíveis possibilidades de genocídio ou ainda de violações dos direitos humanos que pudessem por em risco determinada nação. O surgimento das Nações Unidas (ONU) em 1945 e a aprovação da Declaração Universal de Direitos Humanos em 1948, elevou o Direito Internacional dos direitos humanos a outro nível, começando a ensejar na produção de inúmeros tratados internacionais destinados a proteger os direitos dos indivíduos, bem como, versando inclusive, sobre direitos específicos como os das pessoas com deficiência, das comunidades indígenas, das crianças, das mulheres, dos idosos, do combate ao racismo, dos refugiados, do meio ambiente coletivo, entre outros. Tratou-se de um verdadeiro marco divisório no processo de internacionalização dos direitos humanos que jamais houvera antes. A proteção desses direitos passou a ser um dos grandes temas da atualidade, surgindo a partir de então sistemas globais de proteção dos Direitos Humanos. 5.2. ONU: PROPÓSITOS E PRINCÍPIOS BÁSICOS A Organização das Nações Unidas (ONU) é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundial; é regida por uma série de propósitos e princípios básicos aceitos por todos os Países-Membros que aderiram às suas premissas, visando: Manter a paz e a segurança internacionais; Desenvolver relações amistosas entre as nações; Realizar a cooperação internacional para resolver os problemas mundiais de caráter econômico, social, cultural e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais; Ser um centro destinado a harmonizar a ação dos povos para a consecução desses objetivos comum. Quando a ONU foi fundada, em 24 de outubro de 1945, ficou definido, na Carta da ONU que para seu melhor funcionamento seus membros, vindos de todos os cantos do planeta se comunicariam em seis idiomas oficiais: inglês, francês, espanhol, árabe, chinês e russo. Para que pudesse atender seus múltiplos mandatos, a ONU teria seis órgãos principais: a Assembléia Geral, o Conselho de Segurança, o Conselho Econômico e Social, o Conselho de Tutela, a Corte Internacional de Justiça e o Secretariado. Conheça mais:www.https://nacoesunidas.org/conheça/ https://nacoesunidas.org/carta CFSD 18 O CONSELHO DE SEGURANÇA DAS NAÇÕES UNIDAS é um dos órgãos mais importantes do mundo, é órgão das Nações Unidas com responsabilidades sobre a SEGURANÇA MUNDIAL e tem poder de autorizar uma intervenção militar em algum país. Todos os conflitos e crises políticas do mundo são tratados pelo Conselho, para que haja intervenções militares ou missões depaz. O Conselho de Segurança é composto por 15 membros, sendo 5 membros permanentes: os Estados Unidos, a França, o Reino Unido, a Rússia e a República Popular da China, sendo que cada um destes membros tem direito de veto. Os outros 10 membros são rotativos e têm mandatos de 2 anos. Também é importante ressaltar o trabalho da CRUZ VERMELHA INTERNACIONAL, atuando na assistência internacional diante de conflitos mundiais. A Cruz Vermelha é uma organização internacional, sem fins lucrativos, cujo objetivo principal é prestar SOCORRO E ASSISTÊNCIA ÀS PESSOAS VÍTIMAS DE GUERRAS E CATÁSTROFES NATURAIS (terremotos, tornados, enchentes, etc). Foi fundada, em 1863, pelo suíço Jean Henri Dunant e conta com o trabalho de voluntários (médicos, enfermeiros, dentistas,assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais), em todo o mundo. A sede da Cruz Vermelha fica na cidade de Genebra (Suíça) e é desta central que parte toda a organização e elaboração de planos, com a colaboração de governos, para colocar em prática as metas assistenciais em diversos países, inclusive, no Brasil. A data criada para homenagear a Cruz Vermelha Internacional é o dia 8 de maio. 5.3. O SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS2 O Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos foi desenvolvido no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA) no curso dos últimos 50 anos. Tal sistema baseia-se, fundamentalmente, no trabalho de dois órgãos: A COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS A CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS Cada um deles está composto por sete membros, no qual ambos, atuam de acordo com distintos instrumentos legais, porém, supervisionam o cumprimento por parte dos Estados, dos tratados interamericanos de direitos humanos e têm competência para receber denúncias individuais de violação desses tratados, ou seja, os órgãos do sistema têm competência para atuar quando um Estado-Parte for acusado da violação de alguma cláusula contida em um tratado ou convenção, mediante alguns requisitos para que tal intervenção seja viável. A Comissão é o primeiro órgão a tomar conhecimento de uma denúncia individual, e só em uma segunda etapa a Comissão poderá levar a denúncia perante a Corte. 2 Artigo elaborado pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), primeira organização não-governamental especializada no litígio e assessoramento de casos perante a Comissão e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. CFSD 19 O reconhecimento da jurisdição contenciosa da Corte pelo Brasil só ocorreu em 10 de dezembro de 1998, fato pelo qual, só podem ser apresentadas a ela denúncias de violações ocorridas após essa data. Entretanto a Comissão pode receber denúncias de violações anteriores, a exemplo da Convenção Americana (Pacto São José da Costa Rica) de 1969, que somente foi promulgada pelo Brasil em 1992. 5.4. A QUEM RECLAMAR A VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS? Apesar da proteção estatal por meio de leis, as violações aos direitos humanos insistem em ocorrer no meio social, momento em que a rede de proteção deve atuar de modo responsável de modo a coibir essas violações em todas as esferas das relações entre os pares, para esse fim existe um sistema de proteção de direitos humanos tanto no plano nacional quanto internacional no qual qualquer cidadão pode fazer uso de seus serviços. As violações de direitos humanos podem ser reclamadas aos agentes dos poderes públicos formalmente constituídos, sendo instrumento de defesa dos direitos humanos os órgãos Policiais (que devem também defender essas premissas diante do conflito entre pessoas civis), o Ministério Público, os órgão do Poder Judiciário, as comissões de defesa dos Direitos Humanos das entidades legislativas (Assembléias Legislativas, Câmara de Vereadores, Câmara dos Deputados e Senado Federal), as Ouvidorias Federal, Estadual e Municipal. As queixas também podem ocorrer junto às comissões de defesa dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entidade civil independente e sui generis, bem como, outras entidades civis constituídas, organizações não-governamentais, além de organizações internacionais, a exemplo da Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH), órgão que recebe denúncias de violações cometidas pelos Estados membros do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. 6. POLÍCIA E DIREITOS HUMANOS Em sentido restrito, POLÍCIA significa o conjunto de instituições mantidas pelo Estado, para que, com base nas prescrições legais e regulamentares, preservem a ordem pública , a moralidade e se assegure o bem estar da coletividade, garantindo-se os direitos coletivos e individuais. O trabalho de polícia é de grande responsabilidade social, e tem por função principal a defesa dos direitos humanos e da SOCIEDADE, não importando a condição social do seu destinatário, se revestindo de enorme importância vez que lida com a liberdade das pessoas; O uso legítimo da força não se confunde com truculência. A fronteira entre a força e a violência é delimitada, no campo formal pela lei, no campo racional pela necessidade técnica e, no campo moral, pelo antagonismo entre a metodologia de policiais e criminosos, usando o princípio da proporcionalidade e da RIGOR NÃO É SINÔNIMO DE VIOLÊNCIA CFSD 20 razoabilidade. É inadmissível o uso excessivo da força pelo Policial Militar técnico, profissional e bem formado sob a égide dos princípios constitucionais. O policial militar deve atentar para que a sua ação seja técnica e legal, de forma a ter legitimidade nas ordens que propõe a sociedade, visto que, a aplicação de leis, regulamentos, normas e costumes são latentes a qualquer desvio de conduta, levando todos os envolvidos a sérios prejuízos de ordem pessoal, econômica e funcional, muitas vezes, com perdas funcionais de modo irreparável, por terem ferido a legalidade. LEMBRE-SE: toda vez que um policial atuar será para defender a coletividade, por isso, deve ser legitimada por ela. 6.1. LIMITAÇÕES AO PODER DE ATUAR DOS POLICIAIS MILITARES As polícias existem para promover segurança aos indivíduos quer seja no aspecto pessoal, quer no aspecto patrimonial, o Estado lhe concede uma parcela especial de poder, os quais devem utilizá-los apenas conforme a determinação da lei e, não ao seu bel prazer. OS AGENTES DE SEGURANÇA PÚBLICA PODEM UTILIZAR UM DOS PODERES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA QUE É O PODER DE POLÍCIA, CONTUDO, RESPONDERÁ PELO EXCESSO SEMPRE QUE ULTRAPASSAR SUAS LIMITAÇÕES. O PODER DE POLÍCIA está expresso no Código Tributário Nacional de 1996, no seu artigo 78: a atividade da Administração Pública que limitando ou disciplinando o direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público, concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina de produção e do mercado, ao exercício das atividades econômicas, dependentes de concessão ou autorização do poder público, a tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais e coletivos. (CTN, 1996). LIMITAÇÕES DO PODER DE POLÍCIA - Existem três limitações às quais os policiais devem observar durante o serviço e quando do uso da força e das armas de fogo, estes no seu ato discricionário, devem se submeter às limitações da LEGALIDADE, NECESSIDADE, PROPORCIONALIDADE e CONVENIÊNCIA cabendo-lhes as responsabilizações penais, civis e administrativas por eventuais violações, quer pela ordem, pela execução ou pela omissãoimpeditiva de atos que violem os direitos humanos. No plano da legalidade, o agente do estado só pode usar a força ou as armas de fogo, estritamente quando as leis lhes autorizem e uma vez autorizado pela lei, os encarregados de aplicação devem observar se a situação realmente exige o uso da força ou das armas de fogo, se realmente é necessária a sua utilização; Por conseguinte, amparados pela legalidade e diante de uma real necessidade, os encarregados de aplicação da lei farão o uso da força ou das armas de fogo de forma proporcionalmente à resistência que lhe é oferecida. Isto posto, compreendemos que os poderes da polícia não são absolutos, mas sim relativos, pois devem estreita obediência aos princípios elencados acima. CFSD 21 SÃO FUNÇÕES E DEVERES DAS ORGANIZAÇÕES DE APLICAÇÃO DA LEI MANUTENÇÃO DA ORDEM PÚBLICA; PRESTAÇÃO DE AUXÍLIO E ASSISTÊNCIA EM TODOS OS TIPOS DE EMERGÊNCIA; PREVENÇÃO E DETECÇÃO DO CRIME. A educação e a formação do policial militar se apresentam relevantes quando este é designado para trabalhar junto à comunidade, os treinamentos, cursos de formação ou aperfeiçoamento, lhes oferecem condições de estar preparado para tal função, assim, o processo educativo abarca os aspectos que vão desde a formação da personalidade do servidor, com princípios e valores éticos sociais até a parte técnico- profissional, justamente para fornecer instrumentos ao servidor para que atue dentro das normas legais estabelecidas nas diversas legislações, logo, cabe ao policial militar manter-se em constante estado de aprimoramento de seus conhecimentos. 6.2. CONTROLE INTERNO E EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL MILITAR O Estado eminentemente coercitivo impõe sua vontade ao público em geral, contudo, suas ações possuem limitação constitucional, logo, o agente policial militar quando atua deve restringir suas ações a legalidade e preceitos determinados pela instituição e quando ultrapassa esse limites funcionais, estará sujeito a sanções que podem se dar na esfera administrativa, penal e civil, respondendo subjetivamente pelo excesso de suas ações. As limitações ao poder de polícia dos servidores devem ser levadas a sério, visto que, as irregularidades ocorridas em atuações policiais contrariam definitivamente a política e valores da Polícia Militar do Estado da Bahia (PMBA), fugindo às premissas institucionais que são imediatamente apuradas pelas Corregedorias Setoriais (Corset’s) existentes em cada Unidade da Corporação, bem como, pela Corregedoria Geral que é o órgão geral responsável pelo controle interno da conduta e comportamento dos policiais militares na instituição, àquelas setoriais estão subordinadas na estrutura funcional da Corporação. Não obstante haver o controle interno, que pode submeter o policial militar a processos e procedimentos administrativo ou jurídico-militar, a conduta dos servidores policiais também é fiscalizada pelo Ministério Público Estadual (MPBA), que é responsável pelo acompanhamento e controle externo da atividade policial militar além de ter o papel de fiscalizador das instituições públicas estaduais, nesse contexto, a Polícia Militar do Estado da Bahia deve total obediência e observância às respectivas requisições daquele órgão fiscalizador, visto que, possui status de recomendação. No caso de violações perpetradas por policiais militares existe ainda a Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e a Ouvidoria da PMBA, às quais qualquer cidadão pode fazer uma denúncia ou reclamação, cujas denúncias, são encaminhadas às respectivas Corregedorias Corregedoria Geral e Setorial das Unidades da Polícia Militar, nos locais mais equidistantes do Estado, logo, quando da queixa de abuso de autoridade por parte dos policiais, procede-se a apuração das infrações, sob a esfera administrativa, penal e civil. Não obstante, para garantir a proteção aos denunciantes, existe no Brasil um Programa de Proteção de Testemunhas que assegura o sigilo de localização e dados da pessoa denunciante, em caso de risco à sua vida ou família; este programa é chamado de PROVITA. CFSD 22 6.3. RELAÇÃO: DIREITOS HUMANOS E O ESTADO É equivocado, o discurso que afirma que os “direitos humanos só servem para defender marginal”, ou que “é balela”, “onda da mídia”, dentre outras tantas definições do senso comum. Se fizermos uma breve análise da história da humanidade, perceberemos que eles existem, estão evoluindo e estão a proteger os homens do arbítrio ou tirania de seus governantes, inclusive, os próprios agentes estatais, quando buscam melhoria para suas condições de trabalho, por este motivo cabe ao Estado a proteção dos Direitos Humanos, logo, cabe ao policial militar preservar e estimular sua aplicação: Queira ou não, a polícia é uma instituição do Estado, encarregada da manutenção da ordem e da paz social. As violações praticadas por seus agentes são atribuída a ele e as cobranças decorrentes de tais abusos, também.[...] Reacende-se a luta histórica dos Direitos Humanos na defesa dos mais fracos contra o poder absolutista do Estado[...]. No enfoque político ideológico não se sustenta o argumento de que Direitos Humanos protege delinqüentes, mas sim, os cidadãos, sem discriminação, contra o nepotismo estatal. (DA SILVA,2004) Numa democracia, a polícia militar não pode ser seletiva e trabalhar com estratégias diferentes em função do público com o qual lida não se pode admitir atuar de forma mais favorável com pessoas de classes mais abastadas e com maior rigor com pessoas de classes com menor potencial econômico, as polícias devem ser reconhecidas como garantidoras dos direitos humanos e não o contrário, a PM tem um papel estratégico e principal na garantida do Estado de Direito, pois é através da força, inclusive bélica, que poderão cessar os conflitos que geram instabilidade na ordem social. A tomada de decisão do policial militar representa o Estado atuando, por este motivo, deve ser autônoma de valores arcaicos tradicionalmente enraizados no seio da tropa, que não refletem a postura correta frente à norma vigente atual, logo, cabe ao policial militar não se deixar contaminar pela forma de atuar seletiva, visto que desestabiliza a democracia e gera distorções na aplicação da justiça. O policial militar é a primeira linha de defesa dos direitos humanos e da segurança da comunidade na qual trabalha, materializando a ação do Estado, na defesa dos Direitos Humanos As decisões dos policiais militares devem se fundamentar na impessoalidade e na imparcialidade, sendo independentes, assim, torna-se eivada de vício a decisão que se fundamenta na posição hierarquia ou socioeconômica do outro indivíduo e, não, pelo princípio da igualdade; deste modo, a influência das prerrogativas de terceiros não pode interferir na autonomia do policial militar, que deve ter vigilância constante nas suas ações e atuar com legalidade. CFSD 23 Segundo Adriano Oliveira (2001), versando sobre polícia e direitos humanos, ele informa que estes fazem parte do Estado de Direito e deve ser defendido pelos agentes estatais; que os atores policiais podem usar a força em situação de conflito, contudo, dentro dos limites da lei, apesar de que, nem sempre os policiais atuam em conformidade com a igualdade dos direitos por que atuam de modo seletivo, beneficiando a uns e sendo rigoroso com outros; não obstante, o autor informaque os policiais militares possuem seus próprios direitos humanos violados, quando são levados por uma dependência institucional ou a valores contraditórios que os levam a atuarem fora da perspectiva da igualdade e da autonomia que deve existir no processo decisório frente a atividade policial. Nesse contexto, é importante ressaltar que o policial militar que deixa de estimular o exercício dos direitos humanos na sociedade, também deixa de usufruir dos benefícios do estado democrático de direito igualmente como os demais destinatários do povo, pois, o acesso aos direitos humanos é mitigado no plano geral, levando o agente estatal policial ao prejuízo do reconhecimento de melhores condições de trabalho e vida também na sua esfera pessoal e profissional, interferindo na aplicação dos direitos humanos, inclusive, para o próprio policial militar que em algum momento sofrerá a força nociva da seletividade instaurada. COMPORTAMENTOS GERADOS PELA SELETIVIDADE dependência na tomada de decisões; falta de iniciativa para coibir corrupção de outros agentes; agir mediante ameaça com uns e mediante cessão de benefícios com outros; tomada de decisões mediante prerrogativas e não fundamentada na imparcialidade; fortalecimento da dependência institucional, nociva; acolhimento das vítimas de alta densidade econômica e desprezo às vítimas de nível baixo ou moderado; uso da força para reprimir grupos menos favorecidos, sem garantir o Estado de Direito; maior apoio a pessoas de classes com acesso ao poder político e menor apoio aos que não possuem; autonomia mitigada ou prejudicada, falta de liberdade para tomar decisões; maior sanção e rigor nos crimes cometidos por pobre e menor aos ricos; favorecimento do lucro ilícito na atividade funcional; prioridade na investigação dos crimes de ricos e não nos que envolvem vítimas de pobres; violação de direitos humanos, inclusive, dos próprios policiais; julgamentos inquisitoriais ilícitos cometidos por agentes; fragilização da evolução do regime democrático de direito; baixa eficiência e eficácia na aplicação, estímulo e ampliação dos direitos humanos pelos policiais CFSD 24 7. DIRETRIZES DA ONU QUE DEVEM SER SEGUIDAS PELOS POLICIAIS MILITARES Para a ONU o trabalho policial somente é eficaz quando segue princípios éticos, técnicos e legais, este órgão possui um código de conduta para os funcionários responsáveis pela aplicação da lei, seus principais pontos são: 7.1. PARA A ONU COMO DEVE SER O TRABALHO DO POLICIAL? Cumprir sempre o dever que a lei lhes impõe, servindo a comunidade e protegendo todas as pessoas contra atos ilegais; Respeitar e proteger a dignidade humana, manter e apoiar os direitos fundamentais de todas as pessoas; Só empregar a força quando isso seja estritamente necessário e na medida exigida para o cumprimento do seu dever; Manter em segredo as informações de natureza confidencial, a não ser que o cumprimento do dever ou as necessidades da justiça exijam outro comportamento; Não infringir, instigar ou tolerar qualquer ato de tortura ou qualquer outra pena ou tratamento cruel, desumano ou degradante; Assegurar a proteção da saúde das pessoas sob sua guarda. Não cometer qualquer ato de corrupção e opondo-se vigorosamente. 7 . 2 . ASPECTOS QUE O POLICIAL DEVE OBSERVAR NO USO DA FORÇA E DE ARMAS DE FOGO: 1) Usar meios não-violentos, antes de recorrer ao uso da força e armas de fogo; 2) Só é aceitável o uso da força e armas de fogo quando os outros meios se revelarem ineficazes ou incapazes de produzirem o resultado legal pretendido (razoabilidade); 3) Caso o uso legítimo da força e de armas de fogo seja inevitável, o policial deve: (a) Exercê-las com moderação e agir na proporção da gravidade da infração e do objetivo legítimo a ser alcançado (proporcionalidade); (b) Minimizar danos e ferimentos, respeitar e preservar a vida humana; (c) Assegurar que qualquer indivíduo ferido ou afetado receba assistência e cuidados médicos o mais rápido possível; (d) Garantir que os familiares ou amigos íntimos da pessoa ferida sejam informados, bem como, os atores legais estabelecidos. CFSD 25 ANTES DE EMPREGAR A FORÇA OU ARMA DE FOGO FAÇA SEMPRE, AS TRÊS PERGUNTAS: 1) O poder ou a autoridade que estou utilizando têm fundamento na legislação? (LEGALIDADE) 2) O exercício deste poder ou autoridade é necessário ou existem alternativas? (NECESSIDADE) 3) O poder ou a autoridade utilizados são proporcionais à seriedade do delito e do que deve ser alcançado? (PROPORCIONALIDADE) É preciso ter LEGALIDADE E RESPONSABILIDADE na atividade policial e, quando você se deparar com infratores da lei somente utilize procedimentos e táticas legais, pois a função policial é levar os infratores à justiça e não “fazer justiça”. Não improvise, seja técnico e profissional, pois o policial cidadão tem suas ações fundamentadas em princípios éticos, técnicos e legais. O bom policial é aquele que é cidadão, que entende as diferenças, não discrimina e promove a tolerância e o respeito. 7.3. ATENDIMENTO ESPECIAL A ALGUNS GRUPOS DE PESSOAS O policial militar deve estar atento a abordagem a pessoas que pela maior vulnerabilidade necessitam de atenção especial dos agentes de segurança pública, segundo a ONU, são eles: a) Idosos: considera-se idosa a pessoa com idade igual ou superior a 60 anos; As pessoas idosas demandam especial atenção dos agentes e autoridades policiais e devem ser tratadas com respeito e conforto; ao abordar uma pessoa idosa deve-se levar em consideração suas especificidades físicas e sensoriais decorrentes de sua condição etária, de modo que a ação policial não represente risco à sua integridade física. b) Pessoas com deficiências: são todas as pessoas que têm algum tipo de limitação física, mental ou sensorial, que reduza a sua capacidade de exercer as atividades da vida diária. A cadeira de rodas é um equipamento complementar ao corpo da pessoa com deficiência, não se apóie ou segure nela e permaneça no mesmo nível dos olhos da pessoa com deficiência. Não estacione a viatura nas vagas reservadas a veículos que conduzam pessoas com deficiência física, lembre-se que a descida em uma inclinação deve ser feita de ré para evitar que a pessoa caia para frente e, quando se tratar de pessoa suspeita, o cadeirante deve sofrer BUSCA PESSOAL, bem com sua cadeira ou outros materiais de apoio. Na Deficiência auditiva, para se comunicar com uma pessoa surda fale sempre de frente para ela, para que ela possa ver seus lábios (muitos surdos fazem leitura labial), fale com o surdo clara e pausadamente e não grite, pois ele não o ouvirá e sua expressão parecerá agressiva. Realize gestos que facilitem a comunicação e se não entender o que o surdo estiver falando, solicite que repita ou, em último caso, que escreva a mensagem. Na Deficiência Visual, ao falar com uma pessoa cega ou com baixa visão, se faça anunciar, para que ela saiba que você está se dirigindo a ela, identifique-se como policial logo no início da comunicação e utilize o tom normal da voz, pois o cego não tem deficiência auditiva. Na Deficiência intelectual, não use termos pejorativos e trate a pessoa com deficiência intelectual de acordo com sua idade, a linguagem deve ser clara para facilitar a sua compreensão, cuidado com possíveis rompante de violência, lembre-se que muitas vezes a pessoa não tem noção do que faz. CFSD26 c) Mulheres As revistas pessoais e das vestimentas de mulheres serão sempre feitas por uma policial feminina; mulheres detidas ou presas devem ser mantidas, em todas as circunstâncias, separadas dos homens detidos; Mulheres e meninas vítimas de crime sexual devem receber atendimento, sempre que possível, de policiais femininas e na impossibilidade, o homem policial deve ter a sensibilidade e trato adequado a sua condição de vítima; quando envolver violência e brigas entre marido e mulher, estes são sim, assuntos de Polícia; os policiais não devem hesitar em interferir sempre que houver caracterização de crime sexual, constrangimento ilegal, ameaça, crimes contra a honra ou lesão corporal, os policiais devem adotar providências legais de imediato. d) Crianças e Adolescentes Criança: é toda pessoa de até doze anos de idade incompletos; adolescente é toda pessoa entre doze e dezoito anos de idade incompletos. A forma segura de saber a idade de uma pessoa é conferindo seu documento de identidade; conforme Constituição Federal, crianças e adolescentes são pessoas em peculiar fase de desenvolvimento e, portanto, não devem ser tratados como adultos, não podem ser tratados de modo atentatório à sua dignidade ou com risco à sua integridade física ou mental. A proibição do uso de algemas e do transporte em compartimento fechado de veículos deve ser tratada como regra e em caso de apreensão, o adolescente não poderá ser colocado com presos adultos. Quando a apreensão se der em virtude de ordem judicial, deverá ser imediatamente informado ao juiz sobre a sua apreensão. Violar as regras especiais de tratamento a crianças e adolescentes pode se constituir crime. 8. PRINCIPAIS DIREITOS EXPRESSOS NO ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL/88 Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país (também aos que estão em trânsito), a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. As principais discussões do artigo 5º da Constituição Federal Brasileira são: Liberdade de ação (Inciso II); Direito a tratamento humano (Inciso III); Liberdade de manifestação de pensamento (Incisos IV e V); Liberdade de crença e culto (Incisos VI a VIII); Direito a inviolabilidade da vida particular (Incisos X a XII); Direito ao trabalho (Inciso XIII); Liberdade de locomoção (Inciso XV); Igualdade perante a justiça (Inciso XXXVII); Proibição de discriminação e punição do racismo (Inciso XLI e XLII); Crimes inafiançáveis (Inciso XLII a XLIV); Direito ao devido processo legal (Inciso LIII e LIV); Direitos referentes à defesa e ao processo (Inciso LV e LVI); Direito à presunção de inocência (Inciso LVII); Identificação criminal (Inciso LVIII); Direitos referentes à prisão (Inciso LXI e LXII); Além dos direitos de informação, de petição, inafastabilidade do poder judiciário, presunção de inocência, anterioridade da lei penal,irretroatividade da lei penal, ao contraditório e ampla defesa, não culpabilidade, inadmissibilidade da prova ilícita, a coisa julgada e vedação ao juízo ou tribunal de exceção. CFSD 27 9. LEGISLAÇÕES (ADAPTADAS) MINISTÉRIO DA JUSTIÇA PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº 4.226, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2010 ESTABELECE DIRETRIZES SOBRE O USO DA FORÇA E ARMAS DE FOGO PELOS AGENTES DE SEGURANÇA PÚBLICA O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA e o MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhes conferem os incisos I e II, do parágrafo único, do art. 87, da Constituição Federal e, CONSIDERANDO que a concepção do direito à segurança pública com cidadania demanda a sedimentação de políticas públicas de segurança pautadas no respeito aos direitos humanos; CONSIDERANDO o disposto no Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas na sua Resolução 34/169, de 17 de dezembro de 1979, nos Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotados pelo Oitavo Congresso das Nações Unidas para a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes, realizado em Havana, Cuba, de 27 de Agosto a 7 de setembro de 1999, nos Princípios orientadores para a Aplicação Efetiva do Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotados pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas na sua resolução 1989/61, de 24 de maio de 1989 e na Convenção Contra a Tortura e outros Tratamentos ou penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em sua XL Sessão, realizada em Nova York em 10 de dezembro de 1984 e promulgada pelo Decreto n.º 40, de 15 de fevereiro de 1991; CONSIDERANDO a necessidade de orientação e padronização dos procedimentos da atuação dos agentes de segurança pública aos princípios internacionais sobre o uso da força; CONSIDERANDO o objetivo de reduzir paulatinamente os índices de letalidade resultantes de ações envolvendo agentes de segurança pública; e, CONSIDERANDO as conclusões do Grupo de Trabalho, criado para elaborar proposta de Diretrizes sobre Uso da Força, composto por representantes das Polícias Federais, Estaduais e Guardas Municipais, bem como com representantes da sociedade civil, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e do Ministério da Justiça, resolvem: Art. 1o Ficam estabelecidas Diretrizes sobre o Uso da Força pelos Agentes de Segurança Pública, na forma do Anexo I desta Portaria. Parágrafo único. Aplicam-se às Diretrizes estabelecidas no Anexo I, as definições constantes no Anexo II desta Portaria. Art. 2º A observância das diretrizes mencionadas no artigo anterior PASSA A SER OBRIGATÓRIA pelo Departamento de Polícia Federal, pelo Departamento de Polícia Rodoviária Federal, pelo Departamento Penitenciário Nacional e pela Força Nacional de Segurança Pública. [...] Art. 3º A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e o Ministério da Justiça estabelecerão mecanismos para estimular e monitorar iniciativas que visem à implementação de ações para efetivação das diretrizes tratadas nesta portaria pelos entes federados, respeitada a repartição de competências prevista no art. 144 da Constituição Federal. Art. 4º A Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça levará em consideração a observância das diretrizes tratadas nesta portaria no repasse de recursos aos entes federados. Art. 5º Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação. LUIZ PAULO BARRETO Ministro de Estado da Justiça PAULO DE TARSO VANNUCHI Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. ANEXO I DIRETRIZES SOBRE O USO DA FORÇA E ARMAS DE FOGO PELOS AGENTES DE SEGURANÇA PÚBLICA 1. O uso da força pelos agentes de segurança pública deverá se pautar nos documentos internacionais de proteção aos direitos humanos e deverá considerar, primordialmente: a. ao Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas na sua Resolução 34/169, de 17 de dezembro de 1979; b. os Princípios orientadores para a Aplicação Efetiva do Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotados pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas na sua resolução 1989/61, de 24 de maio de 1989; c. os Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotados pelo Oitavo Congresso das Nações Unidas para a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes,realizado em Havana, Cuba, de 27 de Agosto a 7 de setembro de 1999; d. a Convenção Contra a Tortura e outros Tratamentos ou penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em sua XL Sessão, realizada em Nova York em 10 de dezembro de 1984 e promulgada pelo Decreto n.º 40, de 15 de fevereiro de 1991. 2. O uso da força por agentes de segurança pública deverá obedecer aos princípios da legalidade, necessidade, proporcionalidade, moderação e conveniência. 3. Os agentes de segurança pública não deverão disparar armas de fogo contra pessoas, exceto em casos de legítima defesa própria ou de terceiro contra perigo iminente de morte ou lesão grave. 4. Não é legítimo o uso de armas de fogo contra pessoa em fuga que esteja desarmada ou que, mesmo na posse de algum tipo de arma, não represente risco imediato de morte ou de lesão grave aos agentes de segurança pública ou terceiros. 5. Não é legítimo o uso de armas de fogo contra veículo que desrespeite bloqueio policial em via pública, a não ser que o ato represente um risco imediato de morte ou lesão grave aos agentes de segurança pública ou terceiros. 6. Os chamados "disparos de advertência" não são considerados prática aceitável, por não atenderem aos princípios elencados na Diretriz n.º 2 e em razão da imprevisibilidade de seus efeitos. https://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=4824884760297821339&postID=4694350601082746963&from=pencil CFSD 28 7. O ato de apontar arma de fogo contra pessoas durante os procedimentos de abordagem não deverá ser uma prática rotineira e indiscriminada. 8. Todo agente de segurança pública que, em razão da sua função, possa vir a se envolver em situações de uso da força, deverá portar no mínimo 2 (dois) instrumentos de menor potencial ofensivo e equipamentos de proteção necessários à atuação específica, independentemente de portar ou não arma de fogo. 9. Os órgãos de segurança pública deverão editar atos normativos disciplinando o uso da força por seus agentes, definindo objetivamente: a. os tipos de instrumentos e técnicas autorizadas; b. as circunstâncias técnicas adequadas à sua utilização, ao ambiente/entorno e ao risco potencial a terceiros não envolvidos no evento; c. o conteúdo e a carga horária mínima para habilitação e atualização periódica ao uso de cada tipo de instrumento; d. a proibição de uso de armas de fogo e munições que provoquem lesões desnecessárias e risco injustificado; e e. o controle sobre a guarda e utilização de armas e munições pelo agente de segurança pública. 10. Quando o uso da força causar lesão ou morte de pessoa(s), o agente de segurança pública envolvido deverá realizar as seguintes ações: a. facilitar a prestação de socorro ou assistência médica aos feridos; b. promover a correta preservação do local da ocorrência; c. comunicar o fato ao seu superior imediato e à autoridade competente; e d. preencher o relatório individual correspondente sobre o uso da força, disciplinado na Diretriz n.º 22. 11. Quando o uso da força causar lesão ou morte de pessoa(s), o órgão de segurança pública deverá realizar as seguintes ações: a.facilitar a assistência e/ou auxílio médico dos feridos; b.recolher e identificar as armas e munições de todos os envolvidos, vinculando-as aos seus respectivos portadores no momento da ocorrência; c.solicitar perícia criminalística para o exame de local e objetos bem como exames médico-legais; d.comunicar os fatos aos familiares ou amigos da(s) pessoa(s) ferida(s) ou morta(s); e.iniciar, por meio da Corregedoria da instituição, ou órgão equivalente, investigação imediata dos fatos e circunstâncias do emprego da força; f.promover a assistência médica às pessoas feridas em decorrência da intervenção, incluindo atenção às possíveis seqüelas; g.promover o devido acompanhamento psicológico aos agentes de segurança pública envolvidos, permitindo-lhes superar ou minimizar os efeitos decorrentes do fato ocorrido; e h.afastar temporariamente do serviço operacional, para avaliação psicológica e redução do estresse, os agentes de segurança pública envolvidos diretamente em ocorrências com resultado letal. 12. Os critérios de recrutamento e seleção para os agentes de segurança pública deverão levar em consideração o perfil psicológico necessário para lidar com situações de estresse e uso da força e arma de fogo. 13. Os processos seletivos para ingresso nas instituições de segurança pública e os cursos de formação e especialização dos agentes de segurança pública devem incluir conteúdos relativos a direitos humanos. 14. As atividades de treinamento fazem parte do trabalho rotineiro do agente de segurança pública e não deverão ser realizadas em seu horário de folga, de maneira a serem preservados os períodos de descanso, lazer e convivência sócio-familiar. 15. A seleção de instrutores para ministrarem aula em qualquer assunto que englobe o uso da força deverá levar em conta análise rigorosa de seu currículo formal e tempo de serviço, áreas de atuação, experiências anteriores em atividades fim, registros funcionais, formação em direitos humanos e nivelamento em ensino. Os instrutores deverão ser submetidos à aferição de conhecimentos teóricos e práticos e sua atuação deve ser avaliada. 16. Deverão ser elaborados procedimentos de habilitação para o uso de cada tipo de arma de fogo e instrumento de menor potencial ofensivo que incluam avaliação técnica, psicológica, física e treinamento específico, com previsão de revisão periódica mínima. 17. Nenhum agente de segurança pública deverá portar armas de fogo ou instrumento de menor potencial ofensivo para o qual não esteja devidamente habilitado e sempre que um novo tipo de arma ou instrumento de menor potencial ofensivo for introduzido na instituição deverá ser estabelecido um módulo de treinamento específico com vistas à habilitação do agente. 18. A renovação da habilitação para uso de armas de fogo em serviço deve ser feita com periodicidade mínima de 1 (um) ano. 19. Deverá ser estimulado e priorizado, sempre que possível, o uso de técnicas e instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de segurança pública, de acordo com a especificidade da função operacional e sem se restringir às unidades especializadas. 20. Deverão ser incluídos nos currículos dos cursos de formação e programas de educação continuada conteúdos sobre técnicas e instrumentos de menor potencial ofensivo. 21. As armas de menor potencial ofensivo deverão ser separadas e identificadas de forma diferenciada, conforme a necessidade operacional. 22. O uso de técnicas de menor potencial ofensivo deve ser constantemente avaliado. 23. Os órgãos de segurança pública deverão criar comissões internas de controle e acompanhamento da letalidade, com o objetivo de monitorar o uso efetivo da força pelos seus agentes. 24. Os agentes de segurança pública deverão preencher um relatório individual todas as vezes que dispararem arma de fogo e/ou fizerem uso de instrumentos de menor potencial ofensivo, ocasionando lesões ou mortes. O relatório deverá ser encaminhado à comissão interna mencionada na Diretriz n.º 23 e deverá conter no mínimo as seguintes informações: a.circunstâncias e justificativa que levaram o uso da força ou de arma de fogo por parte do agente de segurança pública; b.medidas adotadas antes de efetuar os disparos/usar instrumentos de menor potencial ofensivo, ou as razões pelas quais elas não puderam ser contempladas; c.tipo de arma e de munição, quantidade de disparos efetuados, distância e pessoa contra a qual foi disparada a arma; d. instrumento(s) de menor potencial ofensivo utilizado(s), especificando a freqüência, a distância e a pessoa contra a qual foi utilizado oinstrumento; e. quantidade de agentes de segurança pública feridos ou mortos na ocorrência, meio e natureza da lesão; CFSD 29 f. quantidade de feridos e/ou mortos atingidos pelos disparos efetuados pelo(s) agente(s) de segurança pública; g. número de feridos e/ou mortos atingidos pelos instrumentos de menor potencial ofensivo utilizados pelo(s) agente(s) de segurança pública; h. número total de feridos e/ou mortos durante a missão; i. quantidade de projéteis disparados que atingiram pessoas e as respectivas regiões corporais atingidas; j. quantidade de pessoas atingidas pelos instrumentos de menor potencial ofensivo e as respectivas regiões corporais atingidas; k. ações realizadas para facilitar a assistência e/ou auxílio médico, quando for o caso; e l. se houve preservação do local e, em caso negativo, apresentar justificativa. 25. Os órgãos de segurança pública deverão, observada a legislação pertinente, oferecer possibilidades de reabilitação e reintegração ao trabalho aos agentes de segurança pública que adquirirem deficiência física em decorrência do desempenho de suas atividades. ANEXO II – GLOSSÁRIO Armas de menor potencial ofensivo: Armas projetadas e/ou empregadas, especificamente, com a finalidade de conter, debilitar ou incapacitar temporariamente pessoas, preservando vidas e minimizando danos à sua integridade. Equipamentos de menor potencial ofensivo: Todos os artefatos, excluindo armas e munições, desenvolvidos e empregados com a finalidade de conter, debilitar ou incapacitar temporariamente pessoas, para preservar vidas e minimizar danos à sua integridade. Equipamentos de proteção: Todo dispositivo ou produto, de uso individual (EPI) ou coletivo (EPC) destinado a redução de riscos à integridade física ou à vida dos agentes de segurança pública. Força: Intervenção coercitiva imposta à pessoa ou grupo de pessoas por parte do agente de segurança pública com a finalidade de preservar a ordem pública e a lei. Força: Intervenção coercitiva imposta à pessoa ou grupo de pessoas por parte do agente de segurança pública com a finalidade de preservar a ordem pública e a lei. Instrumentos de menor potencial ofensivo: Conjunto de armas, munições e equipamentos desenvolvidos com a finalidade de preservar vidas e minimizar danos à integridade das pessoas. Munições de menor potencial ofensivo: Munições projetadas e empregadas, especificamente, para conter, debilitar ou incapacitar temporariamente pessoas, preservando vidas e minimizando danos a integridade das pessoas envolvidas. Nível do Uso da Força: Intensidade da força escolhida pelo agente de segurança pública em resposta a uma ameaça real ou potencial. Princípio da Conveniência: A força não poderá ser empregada quando, em função do contexto, possa ocasionar danos de maior relevância do que os objetivos legais pretendidos. Princípio da Legalidade: Os agentes de segurança pública só poderão utilizar a força para a consecução de um objetivo legal e nos estritos limites da lei. Princípio da Moderação: O emprego da força pelos agentes de segurança pública deve sempre que possível, além de proporcional, ser moderado, visando sempre reduzir o emprego da força. Princípio da Necessidade: Determinado nível de força só pode ser empregado quando níveis de menor intensidade não forem suficientes para atingir os objetivos legais pretendidos. Princípio da Proporcionalidade: O nível da força utilizado deve sempre ser compatível com a gravidade da ameaça representada pela ação do opositor e com os objetivos pretendidos pelo agente de segurança pública. Técnicas de menor potencial ofensivo: Conjunto de procedimentos empregados em intervenções que demandem o uso da força, através do uso de instrumentos de menor potencial ofensivo, com intenção de preservar vidas e minimizar danos à integridade das pessoas. Uso Diferenciado da Força: Seleção apropriada do nível de uso da força em resposta a uma ameaça real ou potencial visando limitar o recurso a meios que possam causar ferimentos ou mortes CÓDIGO DE CONDUTA PARA OS FUNCIONÁRIOS RESPONSÁVEIS PELA APLICAÇÃO DA LEI Adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas, no dia 17 de Dezembro de 1979, através da Resolução nº 34/169 Artigo 1º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem sempre cumprir o dever que a lei lhes impõe, servindo a comunidade e protegendo todas as pessoas contra atos ilegais, em conformidade com o elevado grau de responsabilidade que a sua profissão requer. Artigo 2º No cumprimento do dever, os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem respeitar e proteger a dignidade humana, manter e apoiar os direitos humanos de todas as pessoas. Artigo 3º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei só podem empregar a força quando estritamente necessária e na medida exigida para o cumprimento do seu dever. Comentário O emprego da força por parte dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei deve ser excepcional. Embora se admita que estes funcionários, de acordo com as circunstâncias, possam empregar uma força razoável, de nenhuma maneira ela poderá ser utilizada de forma desproporcional ao legítimo objetivo a ser atingido. O emprego de armas de fogo é considerado uma medida extrema; devem-se fazer todos os esforços no sentido de restringir seu uso, especialmente contra crianças. Em geral, armas de fogo só deveriam ser utilizadas quando um suspeito oferece resistência armada ou, de algum outro modo, põe em risco vidas alheias e medidas menos drásticas são insuficientes para dominá-lo. Toda vez que uma arma de fogo for disparada, deve-se fazer imediatamente um relatório às autoridades competentes. Artigo 4º Os assuntos de natureza confidencial em poder dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem ser mantidos confidenciais, a não ser que o cumprimento do dever ou necessidade de justiça estritamente exijam outro comportamento. CFSD 30 Artigo 5º Nenhum funcionário responsável pela aplicação da lei pode infligir, instigar ou tolerar qualquer ato de tortura ou qualquer outro tratamento ou pena cruel, desumano ou degradante, nem nenhum destes funcionários pode invocar ordens superiores ou circunstâncias excepcionais, tais como o estado de guerra ou uma ameaça de guerra, ameaça à segurança nacional, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública, como justificativa para torturas ou outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes. Comentário A Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes define tortura como: "...qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de uma terceira pessoa, informações ou confissões; de castigá-la por ato que ela ou uma terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu consentimento ou aquiescência. Não se considerará como tortura as dores ou sofrimentos que sejam conseqüência unicamente de sanções legítimas, ou que sejam inerentes a tais sanções ou dela decorram." Artigo 6º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem garantir a proteção da saúde de todas as pessoas sob sua guarda e, em especial, devem adotar medidas imediataspara assegurar-lhes cuidados médicos, sempre que necessário. Artigo 7º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei não devem cometer quaisquer atos de corrupção. Também devem opor-se vigorosamente e combater todos estes atos. Comentário Qualquer ato de corrupção, tal como qualquer outro abuso de autoridade, é incompatível com a profissão dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei. A lei deve ser aplicada com rigor a qualquer funcionário que cometa um ato de corrupção. Os governos não podem esperar que os cidadãos respeitem as leis se estas também não foram aplicadas contra os próprios agentes do Estado e dentro dos seus próprios organismos. Artigo 8º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem respeitar a lei e este Código. Devem, também, na medida das suas possibilidades, evitar e opor-se com rigor a quaisquer violações da lei e deste Código. os funcionários responsáveis pela aplicação da lei que tiverem motivos para acreditar que houve ou que está para haver uma violação deste Código, devem comunicar o fato aos seus superiores e, se necessário, a outras autoridades competentes ou órgãos com poderes de revisão e reparação. CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS OU DEGRADANTES DECRETO Nº 40, DE 15 DE FEVEREIRO DE 1991 Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VIII, da Constituição, e. Considerando que a Assembléia Geral das Nações Unidas, em sua XL Sessão, realizada em Nova York, adotou a 10 de dezembro de 1984, a Convenção Contra a tortura e outros Tratamentos ou penas Cruéis, Desumanas ou Degradantes; Considerando que o Congresso Nacional aprovou a referida Convenção por meio do Decreto Legislativo nº 04, de 23 de maio de 1989; Considerando que a carta de Ratificação da Convenção foi depositada em 28 de setembro de 1989; Considerando que a Convenção entrou em vigor para o Brasil em 28 de outubro de 1989, na forma de seu artigo 27, inciso 2; DECRETA: Art. 1° A Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, apenas por cópia ao presente Decreto, será executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém. Art. 2° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, em 15 de fevereiro de 1991; 170º da Independência e 103° da República. FERNANDO COLLOR Francisco Rezek O conhecimento desta norma deverá ser complementado com o Estudo da norma nacional de combate a tortura. Comentário Subentende-se que os funcionários responsáveis pela aplicação da lei não devem sofrer sanções administrativas ou de qualquer outra natureza pelo fato de terem comunicado que houve, ou que está prestes a haver, uma violação deste Código; Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei que cumpram as disposições deste Código merecem o respeito, o total apoio e a colaboração da sociedade, do organismo de aplicação da lei no qual servem e da comunidade policial. CFSD 31 ANEXO CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS OU DEGRADANTES Os estados partes da presente Convenção, Considerando que, de acordo com os princípios proclamados pela Carta das Nações unidas, e reconhecimento dos direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo, Reconhecendo que estes direitos emanam da dignidade inerente à pessoa humana, considerando a obrigação que incumbe aos Estados, em virtude da carta, em particular do artigo 55, de promover o respeito universal e a observância dos direitos humanos e liberdade fundamentais, Levando em conta o Artigo 5º, da declaração universal dos Direitos do homem e o Artigo 7° do Pacto Internacional sobre a tortura ou a pena ou tratamento cruel, desumano ou degradante, Levando também em conta a Declaração sobre a Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura e outros Tratamentos ou penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, aprovada pela Assembléia Geral m 9 de dezembro de 1975, Desejosos de tornar mais eficaz a luta contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes em todo o mundo, Acordam o seguinte: PARTE ARTIGO 1º 1. Para os fins da presente Convenção, o termo "tortura" designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de uma terceira pessoa, informações ou confissões; de castigá-la por ato cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimento são infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu consentimento ou aquiescência. Não se considerará como tortura as dores ou sofrimentos conseqüência unicamente de sanções legítimas, ou que sejam inerentes a tais sanções ou delas decorram. 2. O presente Artigo não será interpretado de maneira a restringir qualquer instrumento internacional ou legislação nacional que contenha ou possa conter dispositivos de alcance mais amplo. ARTIGO 2° 1. Cada Estado Parte tomará medidas eficazes de caráter legislativo, administrativo, judicial ou de outra natureza, a fim de impedir a prática de atos de tortura em qualquer território sob sua jurisdição. 2. Em nenhum caso poderão invocar-se circunstâncias excepcionais tais como ameaça ou estado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência como justificação para tortura. 3. A ordem de um funcionário superior ou de uma autoridade pública não poderá ser invocada como justificação para a tortura 4.A ordem de um funcionário superior ou de uma autoridade pública não poderá ser invocada como justificação para a tortura. PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE O USO DA FORÇA E ARMAS DE FOGO PELOS FUNCIONÁRIOS RESPONSÁVEIS PELA APLICAÇÃO DA LEI Adotados por consenso em 7 de setembro de 1990, por ocasião do Oitavo Congresso das Nações Unidas sobre a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes. Considerando o Plano de Ação de Milão, adotado pelo Sétimo Congresso das Nações unidas sobre a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes e aprovado pela Assembléia Geral através da Resolução 40/32 de 29 de novembro de 1985; Considerando também a Resolução do Sétimo Congresso pela qual o Comitê de Prevenção e Controle do Crime foi solicitado a considerar medidas visando tornar mais efetivo o Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei; Tendo em conta, com o devido reconhecimento, o trabalho realizado em conformidade com a Resolução 14 do Sétimo Congresso, pelo Comitê, pela reunião interregional preparatória do Oitavo Congresso das Nações Unidas sobre a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes, relativamente às normas e diretrizes das Nações Unidas sobre prevenção do crime, justiça e execução penal e às prioridades referentes ao posterior estabelecimento de padrões, e pelas reuniões regionais preparatórias do Oitavo Congresso; 1. ADOTA os Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei contidos no anexo à presente resolução; 2. RECOMENDA os Princípios Básicos para adoção e execução nacional, regional e inter-regional, levando em consideração as circunstâncias e as tradições políticas, econômicas, sociais e culturais de cada país; 3. CONVIDA os Estados membros a ter em conta e respeitar os Princípios Básicos no contexto da legislação e das práticas nacionais;4. CONVIDA TAMBÉM os Estados membros a levar os Princípios Básicos ao conhecimento dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei e de outros agentes do Executivo, magistrados, advogados, legisladores e público em geral; 5. CONVIDA AINDA os Estados membros a informar o Secretário- Geral, de cinco em cinco anos, a partir de 1992, sobre o progresso alcançado na implementação dos Princípios Básicos, incluindo sua disseminação, sua incorporação à legislação, à prática, aos procedimentos e às políticas internas; sobre os problemas encontrados na aplicação dos mesmos à nível nacional, e sobre a possível necessidade de assistência da comunidade internacional, solicitando ao Secretário-Geral que transmita tais informações ao Nono Congresso das Nações Unidas sobre a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes; 6. APELA a todos os governos para que promovam seminários e cursos de formação, a nível nacional e regional, sobre a função da aplicação das leis e sobre a necessidade de restrições ao uso da força e de armas de fogo pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei; CFSD 32 UNITED NATIONS NATIONS UNIES 7. EXORTA as comissões regionais, as instituições regionais e inter- regionais encarregadas da prevenção do crime e da justiça penal, as agências especializadas e outras entidades no âmbito do sistema das Nações Unidas, outras organizações intergovernamentais interessadas e organizações não-governamentais com estatuto consultivo junto ao Conselho Econômico e Social, para que participem ativamente da implementação dos Princípios Básicos e informem o Secretário-Geral sobre os esforços feitos para disseminar e implementar tais LEGISLAÇÃO CITADA ANEXADA PELA COORDENAÇÃO DE ESTUDOS LEGISLATIVOS - CEDI Princípios e sobre o grau em que se concretizou tal implementação, solicitando ao SecretárioGeral que inclua essas informações no seu relatório ao Nono Congresso; 8. APELA à Comissão de Prevenção e Controle do Crime para que considere, como questão prioritária, meios e formas de assegurar a implementação efetiva da presente resolução; 9. SOLICITA ao Secretário-Geral: (a) Que tome medidas, conforme for adequado, para levar a presente resolução à atenção dos governos e de todos os órgão pertinentes das Nações Unidas, e que se encarregue de dar aos Princípios Básicos a máxima divulgação possível; (b) Que inclua os Princípios Básicos na próxima edição da publicação das Nações Unidas intitulada Direitos Humanos: Uma Compilação de Normas Internacionais (publicação das Nações Unidas, número de venda E.88.XIV.1); (c) Que forneça aos governos, mediante pedido dos mesmos, serviços de especialistas e consultores regionais e inter-regionais para prestação de assistência na implementação dos Princípios Básicos, e que apresente relatório ao Nono Congresso sobre a assistência e a formação técnicas prestadas; (d) Que relate à Comissão, quando da realização da sua décima- segunda sessão, as providências tomadas visando implementar os Princípios Básicos. 10. SOLICITA ao Nono Congresso e respectivas reuniões preparatórias que examinem o progresso obtido na implementação dos Princípios Básicos. ANEXO PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE O USO DA FORÇA E ARMAS DE FOGO PELOS FUNCIONÁRIOS RESPONSÁVEIS PELA APLICAÇÃO DA LEI Considerando que o trabalho dos funcionários encarregados da aplicação da lei (*) é de alta relevância e que, por conseguinte, é preciso manter e, sempre que necessário, melhorar as condições de trabalho e estatutárias desses funcionários; (*) De acordo com as observações relativas ao artigo 10 do Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, a expressão encarregados da aplicação da lei" refere-se a todos os executores da lei, nomeados ou eleitos, que exerçam poderes de natureza policial, especialmente o poder de efetuar detenções ou prisões. Nos países em que os poderes policiais são exercidos por autoridades militares, uniformizadas ou não, ou por forças de segurança do Estado, a definição de encarregados da aplicação da lei" deverá incluir os agentes desses serviços. Considerando que qualquer ameaça à vida e à segurança dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei deve ser encarada como uma ameaça à estabilidade da sociedade em geral; Considerando que as Regras Mínimas para o Tratamento de Prisioneiros prevêem as circunstâncias nas quais é aceitável o uso da força pelos funcionários das prisões, no cumprimento das suas obrigações; Considerando que o artigo 30 do Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei prevê que os funcionários encarregados da aplicação da lei somente podem fazer uso da força quando estritamente necessário e no grau em que for essencial ao desempenho das suas funções; Considerando que a reunião preparatória para o Sétimo Congresso das Nações Unidas sobre a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes, realizada em Varena, Itália, chegou a um acordo sobre os elementos a serem considerados nos trabalhos posteriores sobre as limitações ao uso da força e de armas de fogo pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei; Considerando que o Sétimo Congresso, através da 14ª Resolução, salientou, entre outras coisas, que o uso da força e de armas de fogo pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei deve ser aferido pelo devido respeito aos direitos humanos; Considerando que o Conselho Econômico e Social, na sua Resolução 1986/10, seção IX, de 21 de maio de 1986, recomendou aos Estados membros darem uma especial atenção, por ocasião da implementação do Código, ao uso da força e de armas de fogo pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei, e que a Assembléia Geral, na sua Resolução 41/149, de 4 de dezembro de 1986, dentre outras coisas corroborou aquela recomendação do Conselho; Considerando ser justo que, com a devida consideração pela segurança pessoal desses funcionários, seja levado em conta o papel dos responsáveis pela aplicação da lei em relação à administração da justiça, à proteção do direito à vida, à liberdade e à segurança da pessoa humana, à responsabilidade desses funcionários por velar pela segurança pública e pela paz social e à importância das habilitações, da formação e da conduta dos mesmos, Os Princípios Básicos enunciados a seguir, que foram formulados com o propósito de assistir os Estados membros na tarefa de assegurar e promover a adequada missão dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei, devem ser tomados em consideração e respeitados pelos governos no âmbito da legislação e da prática nacionais, e levados ao conhecimento dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei e de outras pessoas, tais como juízes, agentes do Ministério Público, advogados, membros do Executivo e do Legislativo, bem como do público em geral. Disposições gerais 1. Os governos e entidades responsáveis pela aplicação da lei deverão adotar e implementar normas e regulamentos sobre o uso da força e de armas de fogo pelos responsáveis pela aplicação da lei. Na elaboração de tais normas e regulamentos, os governos e entidades responsáveis pela aplicação da lei devem examinar constante e minuciosamente as questões de natureza ética associadas ao uso da força e de armas de fogo. 2. Os governos e entidades responsáveis pela aplicação da lei deverão preparar uma série tão ampla quanto possível de meios e equipar os responsáveis pela aplicação da lei com uma variedade de tipos de armas e munições que permitam o uso diferenciado da força e de armas de fogo. Tais providências deverão incluir o aperfeiçoamento de armas incapacitantes não-letais, para uso nas situações adequadas, com o propósito de limitar cada vez mais a aplicação de meios capazesde causar morte ou ferimentos às pessoas. Com idêntica finalidade, deverão equipar os encarregados da aplicação da lei com CFSD 33 equipamento de legítima defesa, como escudos, capacetes, coletes à prova de bala e veículos à prova de bala, a fim de se reduzir a necessidade do emprego de armas de qualquer espécie. CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS HUMANOS (PACTO DE SÃO JOSÉ DA COSTA RICA) DECRETO No 678, DE 6 DE NOVEMBRO DE 1992 O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VIII, da Constituição, e Considerando que a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), adotada no âmbito da Organização dos Estados Americanos, em São José da Costa Rica, em 22 de novembro de 1969, entrou em vigor internacional em 18 de julho de 1978, na forma do segundo parágrafo de seu art. 74; Considerando que o Governo brasileiro depositou a carta de adesão a essa convenção em 25 de setembro de 1992; Considerando que a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica) entrou em vigor, para o Brasil, em 25 de setembro de 1992 , de conformidade com o disposto no segundo parágrafo de seu art. 74; DECRETA: Art. 1° A Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), celebrada em São José da Costa Rica, em 22 de novembro de 1969, apensa por cópia ao presente decreto, deverá ser cumprida tão inteiramente como nela se contém. Art. 2° Ao depositar a carta de adesão a esse ato internacional, em 25 de setembro de 1992, o Governo brasileiro fez a seguinte declaração interpretativa: "O Governo do Brasil entende que os arts. 43 e 48, alínea d , não incluem o direito automático de visitas e inspeções in loco da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, as quais dependerão da anuência expressa do Estado". Art. 3° O presente decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 6 de novembro de 1992; 171° da Independência e 104° da República. ITAMAR FRANCO Fernando Henrique Cardoso CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS HUMANOS Assinada na Conferência Especializada Interamericana sobre Direitos Humanos, San José, Costa Rica, em 22 de novembro de 1969 PREÂMBULO Os Estados americanos signatários da presente Convenção, Reafirmando seu propósito de consolidar neste Continente, dentro do quadro das instituições democráticas, um regime de liberdade pessoal e de justiça social, fundado no respeito dos direitos essenciais do homem; Reconhecendo que os direitos essenciais do homem não derivam do fato de ser ele nacional de determinado Estado, mas sim do fato de ter como fundamento os atributos da pessoa humana, razão por que justificam uma proteção internacional, de natureza convencional, coadjuvante ou complementar da que oferece o direito interno dos Estados americanos; Considerando que esses princípios foram consagrados na Carta da Organização dos Estados Americanos, na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e na Declaração Universal dos Direitos do Homem e que foram reafirmados e desenvolvidos em outros instrumentos internacionais, tanto de âmbito mundial como regional; Reiterando que, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, só pode ser realizado o ideal do ser humano livre, isento do temor e da miséria, se forem criadas condições que permitam a cada pessoa gozar dos seus direitos econômicos, sociais e culturais, bem como dos seus direitos civis e políticos; e Considerando que a Terceira Conferência Interamericana Extraordinária (Buenos Aires, 1967) aprovou a incorporação à própria Carta da Organização de normas mais amplas sobre direitos econômicos, sociais e educacionais e resolveu que uma convenção interamericana sobre direitos humanos determinasse a estrutura, competência e processo dos órgãos encarregados dessa matéria, Convieram no seguinte: PARTE I DEVERES DOS ESTADOS E DIREITOS PROTEGIDOS CAPÍTULO I ENUMERAÇÃO DE DEVERES Artigo 1. Obrigação de respeitar os direitos 1. Os Estados Partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição social. 2. Para os efeitos desta Convenção, pessoa é todo ser humano. Artigo 2. Dever de adotar disposições de direito interno Se o exercício dos direitos e liberdades mencionados no artigo 1 ainda não estiver garantido por disposições legislativas ou de outra natureza, os Estados Partes comprometem-se a adotar, de acordo com as suas normas constitucionais e com as disposições desta Convenção, as medidas legislativas ou de outra natureza que forem necessárias para tornar efetivos tais direitos e liberdades. CAPÍTULO II DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS Artigo 3. Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica Toda pessoa tem direito ao reconhecimento de sua personalidade jurídica. Artigo 4. Direito à vida 1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente. 2. Nos países que não houverem abolido a pena de morte, esta só poderá ser imposta pelos delitos mais graves, em cumprimento de sentença final de tribunal competente e em conformidade com lei que http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEC 678-1992?OpenDocument CFSD 34 estabeleça tal pena, promulgada antes de haver o delito sido cometido. Tampouco se estenderá sua aplicação a delitos aos quais não se aplique atualmente. 3. Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam abolido. 4. Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada por delitos políticos, nem por delitos comuns conexos com delitos políticos. 5. Não se deve impor a pena de morte a pessoa que, no momento da perpetração do delito, for menor de dezoito anos, ou maior de setenta, nem aplicá-la a mulher em estado de gravidez. 6. Toda pessoa condenada à morte tem direito a solicitar anistia, indulto ou comutação da pena, os quais podem ser concedidos em todos os casos. Não se pode executar a pena de morte enquanto o pedido estiver pendente de decisão ante a autoridade competente. Artigo 5. Direito à integridade pessoal 1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua integridade física, psíquica e moral. 2. Ninguém deve ser submetido a torturas, nem a penas ou tratos cruéis, desumanos ou degradantes. Toda pessoa privada da liberdade deve ser tratada com o respeito devido à dignidade inerente ao ser humano. 3. A pena não pode passar da pessoa do delinqüente. 4. Os processados devem ficar separados dos condenados, salvo em circunstâncias excepcionais, e ser submetidos a tratamento adequado à sua condição de pessoas não condenadas. 5. Os menores, quando puderemser processados, devem ser separados dos adultos e conduzidos a tribunal especializado, com a maior rapidez possível, para seu tratamento. 6. As penas privativas da liberdade devem ter por finalidade essencial a reforma e a readaptação social dos condenados. Artigo 6. Proibição da escravidão e da servidão 1. Ninguém pode ser submetido a escravidão ou a servidão, e tanto estas como o tráfico de escravos e o tráfico de mulheres são proibidos em todas as suas formas. 2. Ninguém deve ser constrangido a executar trabalho forçado ou obrigatório. Nos países em que se prescreve, para certos delitos, pena privativa da liberdade acompanhada de trabalhos forçados, esta disposição não pode ser interpretada no sentido de que proíbe o cumprimento da dita pena, imposta por juiz ou tribunal competente. O trabalho forçado não deve afetar a dignidade nem a capacidade física e intelectual do recluso. 3. Não constituem trabalhos forçados ou obrigatórios para os efeitos deste artigo: a. os trabalhos ou serviços normalmente exigidos de pessoa reclusa em cumprimento de sentença ou resolução formal expedida pela autoridade judiciária competente. Tais trabalhos ou serviços devem ser executados sob a vigilância e controle das autoridades públicas, e os indivíduos que os executarem não devem ser postos à disposição de particulares, companhias ou pessoas jurídicas de caráter privado; b. o serviço militar e, nos países onde se admite a isenção por motivos de consciência, o serviço nacional que a lei estabelecer em lugar daquele; c. o serviço imposto em casos de perigo ou calamidade que ameace a existência ou o bem-estar da comunidade; e d. o trabalho ou serviço que faça parte das obrigações cívicas normais. Artigo 7. Direito à liberdade pessoal 1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais. 2. Ninguém pode ser privado de sua liberdade física, salvo pelas causas e nas condições previamente fixadas pelas constituições políticas dos Estados Partes ou pelas leis de acordo com elas promulgadas. 3. Ninguém pode ser submetido a detenção ou encarceramento arbitrários. 4. Toda pessoa detida ou retida deve ser informada das razões da sua detenção e notificada, sem demora, da acusação ou acusações formuladas contra ela. 5. Toda pessoa detida ou retida deve ser conduzida, sem demora, à presença de um juiz ou outra autoridade autorizada pela lei a exercer funções judiciais e tem direito a ser julgada dentro de um prazo razoável ou a ser posta em liberdade, sem prejuízo de que prossiga o processo. Sua liberdade pode ser condicionada a garantias que assegurem o seu comparecimento em juízo. 6. Toda pessoa privada da liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou tribunal competente, a fim de que este decida, sem demora, sobre a legalidade de sua prisão ou detenção e ordene sua soltura se a prisão ou a detenção forem ilegais. Nos Estados Partes cujas leis prevêem que toda pessoa que se vir ameaçada de ser privada de sua liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou tribunal competente a fim de que este decida sobre a legalidade de tal ameaça, tal recurso não pode ser restringido nem abolido. O recurso pode ser interposto pela própria pessoa ou por outra pessoa. 7. Ninguém deve ser detido por dívidas. Este princípio não limita os mandados de autoridade judiciária competente expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar. Artigo 8. Garantias judiciais 1. Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou para que se determinem seus direitos ou obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza. 2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas: CFSD 35 a. direito do acusado de ser assistido gratuitamente por tradutor ou intérprete, se não compreender ou não falar o idioma do juízo ou tribunal; b. comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação formulada; c. concessão ao acusado do tempo e dos meios adequados para a preparação de sua defesa; d. direito do acusado de defender-se pessoalmente ou de ser assistido por um defensor de sua escolha e de comunicar-se, livremente e em particular, com seu defensor; e. direito irrenunciável de ser assistido por um defensor proporcionado pelo Estado, remunerado ou não, segundo a legislação interna, se o acusado não se defender ele próprio nem nomear defensor dentro do prazo estabelecido pela lei; f. direito da defesa de inquirir as testemunhas presentes no tribunal e de obter o comparecimento, como testemunhas ou peritos, de outras pessoas que possam lançar luz sobre os fatos; g. direito de não ser obrigado a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada; h. direito de recorrer da sentença para juiz ou tribunal superior. 3. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação de nenhuma natureza. 4. O acusado absolvido por sentença passada em julgado não poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos. 5. O processo penal deve ser público, salvo no que for necessário para preservar os interesses da justiça. Artigo 9. Princípio da legalidade e da retroatividade Ninguém pode ser condenado por ações ou omissões que, no momento em que forem cometidas, não sejam delituosas, de acordo com o direito aplicável. Tampouco se pode impor pena mais grave que a aplicável no momento da perpetração do delito. Se depois da perpetração do delito a lei dispuser a imposição de pena mais leve, o delinqüente será por isso beneficiado. Artigo 10. Direito a indenização Toda pessoa tem direito de ser indenizada conforme a lei, no caso de haver sido condenada em sentença passada em julgado, por erro judiciário. Artigo 11. Proteção da honra e da dignidade 1. Toda pessoa tem direito ao respeito de sua honra e ao reconhecimento de sua dignidade. 2. Ninguém pode ser objeto de ingerências arbitrárias ou abusivas em sua vida privada, na de sua família, em seu domicílio ou em sua correspondência, nem de ofensas ilegais à sua honra ou reputação. 3. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais ingerências ou tais ofensas. Artigo 12. Liberdade de consciência e de religião 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião. Esse direito implica a liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças, bem como a liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto em público como em privado. 2. Ninguém pode ser objeto de medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças. 3. A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças está sujeita unicamente às limitações prescritas pela lei e que sejam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral públicas ou os direitosou liberdades das demais pessoas. 4. Os pais, e quando for o caso os tutores, têm direito a que seus filhos ou pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja acorde com suas próprias convicções. Artigo 13. Liberdade de pensamento e de expressão 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito compreende a liberdade de buscar, receber e difundir informações e idéias de toda natureza, sem consideração de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer outro processo de sua escolha. 2. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeito a censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser expressamente fixadas pela lei e ser necessárias para assegurar: a. o respeito aos direitos ou à reputação das demais pessoas; ou b. a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da moral públicas. 3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias ou meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de freqüências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e opiniões. 4. A lei pode submeter os espetáculos públicos a censura prévia, com o objetivo exclusivo de regular o acesso a eles, para proteção moral da infância e da adolescência, sem prejuízo do disposto no inciso 2. 5. A lei deve proibir toda propaganda a favor da guerra, bem como toda apologia ao ódio nacional, racial ou religioso que constitua incitação à discriminação, à hostilidade, ao crime ou à violência. Artigo 14. Direito de retificação ou resposta 1. Toda pessoa atingida por informações inexatas ou ofensivas emitidas em seu prejuízo por meios de difusão legalmente regulamentados e que se dirijam ao público em geral, tem direito a fazer, pelo mesmo órgão de difusão, sua retificação ou resposta, nas condições que estabeleça a lei. CFSD 36 2. Em nenhum caso a retificação ou a resposta eximirão das outras responsabilidades legais em que se houver incorrido. 3. Para a efetiva proteção da honra e da reputação, toda publicação ou empresa jornalística, cinematográfica, de rádio ou televisão, deve ter uma pessoa responsável que não seja protegida por imunidades nem goze de foro especial. Artigo 15. Direito de reunião É reconhecido o direito de reunião pacífica e sem armas. O exercício de tal direito só pode estar sujeito às restrições previstas pela lei e que sejam necessárias, numa sociedade democrática, no interesse da segurança nacional, da segurança ou da ordem públicas, ou para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e liberdades das demais pessoas. Artigo 16. Liberdade de associação 1. Todas as pessoas têm o direito de associar-se livremente com fins ideológicos, religiosos, políticos, econômicos, trabalhistas, sociais, culturais, desportivos ou de qualquer outra natureza. 2. O exercício de tal direito só pode estar sujeito às restrições previstas pela lei que sejam necessárias, numa sociedade democrática, no interesse da segurança nacional, da segurança ou da ordem públicas, ou para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e liberdades das demais pessoas. 3. O disposto neste artigo não impede a imposição de restrições legais, e mesmo a privação do exercício do direito de associação, aos membros das forças armadas e da polícia. Artigo 17. Proteção da família 1. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e deve ser protegida pela sociedade e pelo Estado. 2. É reconhecido o direito do homem e da mulher de contraírem casamento e de fundarem uma família, se tiverem a idade e as condições para isso exigidas pelas leis internas, na medida em que não afetem estas o princípio da não-discriminação estabelecido nesta Convenção. 3. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos contraentes. 4. Os Estados Partes devem tomar medidas apropriadas no sentido de assegurar a igualdade de direitos e a adequada equivalência de responsabilidades dos cônjuges quanto ao casamento, durante o casamento e em caso de dissolução do mesmo. Em caso de dissolução, serão adotadas disposições que assegurem a proteção necessária aos filhos, com base unicamente no interesse e conveniência dos mesmos. 5. A lei deve reconhecer iguais direitos tanto aos filhos nascidos fora do casamento como aos nascidos dentro do casamento. Artigo 18. Direito ao nome Toda pessoa tem direito a um prenome e aos nomes de seus pais ou ao de um destes. A lei deve regular a forma de assegurar a todos esse direito, mediante nomes fictícios, se for necessário. Artigo 19. Direitos da criança Toda criança tem direito às medidas de proteção que a sua condição de menor requer por parte da sua família, da sociedade e do Estado. Artigo 20. Direito à nacionalidade 1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. 2. Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território houver nascido, se não tiver direito a outra. 3. A ninguém se deve privar arbitrariamente de sua nacionalidade nem do direito de mudá-la. Artigo 21. Direito à propriedade privada 1. Toda pessoa tem direito ao uso e gozo dos seus bens. A lei pode subordinar esse uso e gozo ao interesse social. 2. Nenhuma pessoa pode ser privada de seus bens, salvo mediante o pagamento de indenização justa, por motivo de utilidade pública ou de interesse social e nos casos e na forma estabelecidos pela lei. 3. Tanto a usura como qualquer outra forma de exploração do homem pelo homem devem ser reprimidas pela lei. Artigo 22. Direito de circulação e de residência 1. Toda pessoa que se ache legalmente no território de um Estado tem direito de circular nele e de nele residir em conformidade com as disposições legais. 2. Toda pessoa tem o direito de sair livremente de qualquer país, inclusive do próprio. 3. O exercício dos direitos acima mencionados não pode ser restringido senão em virtude de lei, na medida indispensável, numa sociedade democrática, para prevenir infrações penais ou para proteger a segurança nacional, a segurança ou a ordem públicas, a moral ou a saúde públicas, ou os direitos e liberdades das demais pessoas. 4. O exercício dos direitos reconhecidos no inciso 1 pode também ser restringido pela lei, em zonas determinadas, por motivo de interesse público. 5. Ninguém pode ser expulso do território do Estado do qual for nacional, nem ser privado do direito de nele entrar. 6. O estrangeiro que se ache legalmente no território de um Estado Parte nesta Convenção só poderá dele ser expulso em cumprimento de decisão adotada de acordo com a lei. 7. Toda pessoa tem o direito de buscar e receber asilo em território estrangeiro, em caso de perseguição por delitos políticos ou comuns conexos com delitos políticos e de acordo com a legislação de cada Estado e com os convênios internacionais. 8. Em nenhum caso o estrangeiropode ser expulso ou entregue a outro país, seja ou não de origem, onde seu direito à vida ou à liberdade pessoal esteja em risco de violação por causa da sua raça, nacionalidade, religião, condição social ou de suas opiniões políticas. 9. É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros. Artigo 23. Direitos políticos 1. Todos os cidadãos devem gozar dos seguintes direitos e oportunidades: CFSD 37 a. de participar na direção dos assuntos públicos, diretamente ou por meio de representantes livremente eleitos; b. de votar e ser eleitos em eleições periódicas autênticas, realizadas por sufrágio universal e igual e por voto secreto que garanta a livre expressão da vontade dos eleitores; e c. de ter acesso, em condições gerais de igualdade, às funções públicas de seu país. 2. A lei pode regular o exercício dos direitos e oportunidades a que se refere o inciso anterior, exclusivamente por motivos de idade, nacionalidade, residência, idioma, instrução, capacidade civil ou mental, ou condenação, por juiz competente, em processo penal. Artigo 24. Igualdade perante a lei Todas as pessoas são iguais perante a lei. Por conseguinte, têm direito, sem discriminação, a igual proteção da lei. Artigo 25. Proteção judicial 1. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido ou a qualquer outro recurso efetivo, perante os juízes ou tribunais competentes, que a proteja contra atos que violem seus direitos fundamentais reconhecidos pela constituição, pela lei ou pela presente Convenção, mesmo quando tal violação seja cometida por pessoas que estejam atuando no exercício de suas funções oficiais. 2. Os Estados Partes comprometem-se: a. a assegurar que a autoridade competente prevista pelo sistema legal do Estado decida sobre os direitos de toda pessoa que interpuser tal recurso; b. a desenvolver as possibilidades de recurso judicial; e c. a assegurar o cumprimento, pelas autoridades competentes, de toda decisão em que se tenha considerado procedente o recurso. CAPÍTULO III DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS Artigo 26. Desenvolvimento progressivo Os Estados Partes comprometem-se a adotar providências, tanto no âmbito interno como mediante cooperação internacional, especialmente econômica e técnica, a fim de conseguir progressivamente a plena efetividade dos direitos que decorrem das normas econômicas, sociais e sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires, na medida dos recursos disponíveis, por via legislativa ou por outros meios apropriados. CAPÍTULO IV SUSPENSÃO DE GARANTIAS, INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO Artigo 27. Suspensão de garantias 1. Em caso de guerra, de perigo público, ou de outra emergência que ameace a independência ou segurança do Estado Parte, este poderá adotar disposições que, na medida e pelo tempo estritamente limitados às exigências da situação, suspendam as obrigações contraídas em virtude desta Convenção, desde que tais disposições não sejam incompatíveis com as demais obrigações que lhe impõe o Direito Internacional e não encerrem discriminação alguma fundada em motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião ou origem social. 2. A disposição precedente não autoriza a suspensão dos direitos determinados seguintes artigos: 3 (Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica); 4 (Direito à vida); 5 (Direito à integridade pessoal); 6 (Proibição da escravidão e servidão); 9 (Princípio da legalidade e da retroatividade); 12 (Liberdade de consciência e de religião); 17 (Proteção da família); 18 (Direito ao nome); 19 (Direitos da criança); 20 (Direito à nacionalidade) e 23 (Direitos políticos), nem das garantias indispensáveis para a proteção de tais direitos. 3. Todo Estado Parte que fizer uso do direito de suspensão deverá informar imediatamente os outros Estados Partes na presente Convenção, por intermédio do Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos, das disposições cuja aplicação haja suspendido, dos motivos determinantes da suspensão e da data em que haja dado por terminada tal suspensão. Artigo 28. Cláusula federal 1. Quando se tratar de um Estado Parte constituído como Estado federal, o governo nacional do aludido Estado Parte cumprirá todas as disposições da presente Convenção, relacionadas com as matérias sobre as quais exerce competência legislativa e judicial. 2. No tocante às disposições relativas às matérias que correspondem à competência das entidades componentes da federação, o governo nacional deve tomar imediatamente as medidas pertinente, em conformidade com sua constituição e suas leis, a fim de que as autoridades competentes das referidas entidades possam adotar as disposições cabíveis para o cumprimento desta Convenção. 3. Quando dois ou mais Estados Partes decidirem constituir entre eles uma federação ou outro tipo de associação, diligenciarão no sentido de que o pacto comunitário respectivo contenha as disposições necessárias para que continuem sendo efetivas no novo Estado assim organizado as normas da presente Convenção. Artigo 29. Normas de interpretação Nenhuma disposição desta Convenção pode ser interpretada no sentido de: a. permitir a qualquer dos Estados Partes, grupo ou pessoa, suprimir o gozo e exercício dos direitos e liberdades reconhecidos na Convenção ou limitá-los em maior medida do que a nela prevista; b. limitar o gozo e exercício de qualquer direito ou liberdade que possam ser reconhecidos de acordo com as leis de qualquer dos Estados Partes ou de acordo com outra convenção em que seja parte um dos referidos Estados; c. excluir outros direitos e garantias que são inerentes ao ser humano ou que decorrem da forma democrática representativa de governo; e d. excluir ou limitar o efeito que possam produzir a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e outros atos internacionais da mesma natureza. Artigo 30. Alcance das restrições As restrições permitidas, de acordo com esta Convenção, ao gozo e exercício dos direitos e liberdades nela reconhecidos, não podem ser aplicadas senão de acordo com leis que forem promulgadas por motivo CFSD 38 de interesse geral e com o propósito para o qual houverem sido estabelecidas. Artigo 31. Reconhecimento de outros direitos Poderão ser incluídos no regime de proteção desta Convenção outros direitos e liberdades que forem reconhecidos de acordo com os processos estabelecidos nos artigos 76 e 77. CAPÍTULO V DEVERES DAS PESSOAS Artigo 32. Correlação entre deveres e direitos 1. Toda pessoa tem deveres para com a família, a comunidade e a humanidade. 2. Os direitos de cada pessoa são limitados pelos direitos dos demais, pela segurança de todos e pelas justas exigências do bem comum, numa sociedade democrática. PARTE II MEIOS DA PROTEÇÃO CAPÍTULO VI ÓRGÃOS COMPETENTES Artigo 33 São competentes para conhecer dos assuntos relacionados com o cumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados Partes nesta Convenção: a. a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, doravante denominada a Comissão; e b. a Corte Interamericana de DireitosHumanos, doravante denominada a Corte. CAPÍTULO VII COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS Seção 1 — Organização Artigo 34 A Comissão Interamericana de Direitos Humanos compor-se-á de sete membros, que deverão ser pessoas de alta autoridade moral e de reconhecido saber em matéria de direitos humanos. Artigo 35 A Comissão representa todos os membros da Organização dos Estados Americanos. Artigo 36 1. Os membros da Comissão serão eleitos a título pessoal, pela Assembléia Geral da Organização, de uma lista de candidatos propostos pelos governos dos Estados membros. 2. Cada um dos referidos governos pode propor até três candidatos, nacionais do Estado que os propuser ou de qualquer outro Estado membro da Organização dos Estados Americanos. Quando for proposta uma lista de três candidatos, pelo menos um deles deverá ser nacional de Estado diferente do proponente. Artigo 37 1. Os membros da Comissão serão eleitos por quatro anos e só poderão ser reeleitos uma vez, porém o mandato de três dos membros designados na primeira eleição expirará ao cabo de dois anos. Logo depois da referida eleição, serão determinados por sorteio, na Assembléia Geral, os nomes desses três membros. 2. Não pode fazer parte da Comissão mais de um nacional de um mesmo Estado. Artigo 38 As vagas que ocorrerem na Comissão, que não se devam à expiração normal do mandato, serão preenchidas pelo Conselho Permanente da Organização, de acordo com o que dispuser o Estatuto da Comissão. Artigo 39 A Comissão elaborará seu estatuto e submetê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral e expedirá seu próprio regulamento. Artigo 40 Os serviços de secretaria da Comissão devem ser desempenhados pela unidade funcional especializada que faz parte da Secretaria-Geral da Organização e devem dispor dos recursos necessários para cumprir as tarefas que lhe forem confiadas pela Comissão. Artigo 41 A Comissão tem a função principal de promover a observância e a defesa dos direitos humanos e, no exercício do seu mandato, tem as seguintes funções e atribuições: a. estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América; b. formular recomendações aos governos dos Estados membros, quando o considerar conveniente, no sentido de que adotem medidas progressivas em prol dos direitos humanos no âmbito de suas leis internas e seus preceitos constitucionais, bem como disposições apropriadas para promover o devido respeito a esses direitos; c. preparar os estudos ou relatórios que considerar convenientes para o desempenho de suas funções; d. solicitar aos governos dos Estados membros que lhe proporcionem informações sobre as medidas que adotarem em matéria de direitos humanos; e. atender às consultas que, por meio da Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos, lhe formularem os Estados membros sobre questões relacionadas com os direitos humanos e, dentro de suas possibilidades, prestar-lhes o assessoramento que eles lhe solicitarem; f. atuar com respeito às petições e outras comunicações, no exercício de sua autoridade, de conformidade com o disposto nos artigos 44 a 51 desta Convenção; e g. apresentar um relatório anual à Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos. Artigo 42 Os Estados Partes devem remeter à Comissão cópia dos relatórios e estudos que, em seus respectivos campos, submetem anualmente às Comissões Executivas do Conselho Interamericano Econômico e Social e do Conselho Interamericano de Educação, CFSD 39 Ciência e Cultura, a fim de que aquela vele por que se promovam os direitos decorrentes das normas econômicas, sociais e sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires. Artigo 43 Os Estados Partes obrigam-se a proporcionar à Comissão as informações que esta lhes solicitar sobre a maneira pela qual o seu direito interno assegura a aplicação efetiva de quaisquer disposições desta Convenção. Artigo 44 Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não- governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados membros da Organização, pode apresentar à Comissão petições que contenham denúncias ou queixas de violação desta Convenção por um Estado Parte. Artigo 45 1. Todo Estado Parte pode, no momento do depósito do seu instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, ou em qualquer momento posterior, declarar que reconhece a competência da Comissão para receber e examinar as comunicações em que um Estado Parte alegue haver outro Estado Parte incorrido em violações dos direitos humanos estabelecidos nesta Convenção. 2. As comunicações feitas em virtude deste artigo só podem ser admitidas e examinadas se forem apresentadas por um Estado Parte que haja feito uma declaração pela qual reconheça a referida competência da Comissão. A Comissão não admitirá nenhuma comunicação contra um Estado Parte que não haja feito tal declaração. 3. As declarações sobre reconhecimento de competência podem ser feitas para que esta vigore por tempo indefinido, por período determinado ou para casos específicos. 4. As declarações serão depositadas na Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos, a qual encaminhará cópia das mesmas aos Estados membros da referida Organização. Artigo 46 1. Para que uma petição ou comunicação apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 seja admitida pela Comissão, será necessário: a. que hajam sido interpostos e esgotados os recursos da jurisdição interna, de acordo com os princípios de direito internacional geralmente reconhecidos; b. que seja apresentada dentro do prazo de seis meses, a partir da data em que o presumido prejudicado em seus direitos tenha sido notificado da decisão definitiva; c. que a matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de outro processo de solução internacional; e d. que, no caso do artigo 44, a petição contenha o nome, a nacionalidade, a profissão, o domicílio e a assinatura da pessoa ou pessoas ou do representante legal da entidade que submeter a petição. 2. As disposições das alíneas a e b do inciso 1 deste artigo não se aplicarão quando: a. não existir, na legislação interna do Estado de que se tratar, o devido processo legal para a proteção do direito ou direitos que se alegue tenham sido violados; b. não se houver permitido ao presumido prejudicado em seus direitos o acesso aos recursos da jurisdição interna, ou houver sido ele impedido de esgotá-los; e c. houver demora injustificada na decisão sobre os mencionados recursos. Artigo 47 A Comissão declarará inadmissível toda petição ou comunicação apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 quando: a. não preencher algum dos requisitos estabelecidos no artigo 46; b. não expuser fatos que caracterizem violação dos direitos garantidos por esta Convenção; c. pela exposição do próprio peticionário ou do Estado, for manifestamente infundada a petição ou comunicação ou for evidente sua total improcedência; ou d. for substancialmente reprodução de petição ou comunicação anterior, já examinada pela Comissão ou por outro organismo internacional. Seção 4 — Processo Artigo 48 1. A Comissão, ao receber uma petição ou comunicaçãona qual se alegue violação de qualquer dos direitos consagrados nesta Convenção, procederá da seguinte maneira: a. se reconhecer a admissibilidade da petição ou comunicação, solicitará informações ao Governo do Estado ao qual pertença a autoridade apontada como responsável pela violação alegada e transcreverá as partes pertinentes da petição ou comunicação. As referidas informações devem ser enviadas dentro de um prazo razoável, fixado pela Comissão ao considerar as circunstâncias de cada caso; b. recebidas as informações, ou transcorrido o prazo fixado sem que sejam elas recebidas, verificará se existem ou subsistem os motivos da petição ou comunicação. No caso de não existirem ou não subsistirem, mandará arquivar o expediente; c. poderá também declarar a inadmissibilidade ou a improcedência da petição ou comunicação, com base em informação ou prova supervenientes; d. se o expediente não houver sido arquivado, e com o fim de comprovar os fatos, a Comissão procederá, com conhecimento das partes, a um exame do assunto exposto na petição ou comunicação. Se for necessário e conveniente, a Comissão procederá a uma investigação para cuja eficaz realização solicitará, e os Estados interessados lhes proporcionarão todas as facilidades necessárias; e. poderá pedir aos Estados interessados qualquer informação pertinente e receberá, se isso lhe for solicitado, as exposições verbais ou escritas que apresentarem os interessados; e f. pôr-se-á à disposição das partes interessadas, a fim de chegar a uma solução amistosa do assunto, fundada no respeito aos direitos humanos reconhecidos nesta Convenção. 2. Entretanto, em casos graves e urgentes, pode ser realizada uma investigação, mediante prévio consentimento do Estado em cujo território se alegue haver sido cometida a violação, tão somente com a CFSD 40 apresentação de uma petição ou comunicação que reúna todos os requisitos formais de admissibilidade. Artigo 49 Se se houver chegado a uma solução amistosa de acordo com as disposições do inciso 1, f, do artigo 48, a Comissão redigirá um relatório que será encaminhado ao peticionário e aos Estados Partes nesta Convenção e, posteriormente, transmitido, para sua publicação, ao Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos. O referido relatório conterá uma breve exposição dos fatos e da solução alcançada. Se qualquer das partes no caso o solicitar, ser-lhe-á proporcionada a mais ampla informação possível. Artigo 50 1. Se não se chegar a uma solução, e dentro do prazo que for fixado pelo Estatuto da Comissão, esta redigirá um relatório no qual exporá os fatos e suas conclusões. Se o relatório não representar, no todo ou em parte, o acordo unânime dos membros da Comissão, qualquer deles poderá agregar ao referido relatório seu voto em separado. Também se agregarão ao relatório as exposições verbais ou escritas que houverem sido feitas pelos interessados em virtude do inciso 1, e, do artigo 48. 2. O relatório será encaminhado aos Estados interessados, aos quais não será facultado publicá-lo. 3. Ao encaminhar o relatório, a Comissão pode formular as proposições e recomendações que julgar adequadas. Artigo 51 1. Se no prazo de três meses, a partir da remessa aos Estados interessados do relatório da Comissão, o assunto não houver sido solucionado ou submetido à decisão da Corte pela Comissão ou pelo Estado interessado, aceitando sua competência, a Comissão poderá emitir, pelo voto da maioria absoluta dos seus membros, sua opinião e conclusões sobre a questão submetida à sua consideração. 2. A Comissão fará as recomendações pertinentes e fixará um prazo dentro do qual o Estado deve tomar as medidas que lhe competirem para remediar a situação examinada. 3. Tr anscorrido o prazo fixado, a Comissão decidirá, pelo voto da maioria absoluta dos seus membros, se o Estado tomou ou não medidas adequadas e se publica ou não seu relatório. CAPÍTULO VIII CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS Artigo 52 1. A Corte compor-se-á de sete juízes, nacionais dos Estados membros da Organização, eleitos a título pessoal dentre juristas da mais alta autoridade moral, de reconhecida competência em matéria de direitos humanos, que reúnam as condições requeridas para o exercício das mais elevadas funções judiciais, de acordo com a lei do Estado do qual sejam nacionais, ou do Estado que os propuser como candidatos. 2. Não deve haver dois juízes da mesma nacionalidade. Artigo 53 1. Os juízes da Corte serão eleitos, em votação secreta e pelo voto da maioria absoluta dos Estados Partes na Convenção, na Assembléia Geral da Organização, de uma lista de candidatos propostos pelos mesmos Estados. 2. Cada um dos Estados Partes pode propor até três candidatos, nacionais do Estado que os propuser ou de qualquer outro Estado membro da Organização dos Estados Americanos. Quando se propuser uma lista de três candidatos, pelo menos um deles deverá ser nacional de Estado diferente do proponente. Artigo 54 1. Os juízes da Corte serão eleitos por um período de seis anos e só poderão ser reeleitos uma vez. O mandato de três dos juízes designados na primeira eleição expirará ao cabo de três anos. Imediatamente depois da referida eleição, determinar-se-ão por sorteio, na Assembléia Geral, os nomes desses três juízes. 2. O juiz eleito para substituir outro cujo mandato não haja expirado, completará o período deste. 3. Os juízes permanecerão em funções até o término dos seus mandatos. Entretanto, continuarão funcionando nos casos de que já houverem tomado conhecimento e que se encontrem em fase de sentença e, para tais efeitos, não serão substituídos pelos novos juízes eleitos. Artigo 55 1. O juiz que for nacional de algum dos Estados Partes no caso submetido à Corte, conservará o seu direito de conhecer do mesmo. 2. Se um dos juízes chamados a conhecer do caso for de nacionalidade de um dos Estados Partes, outro Estado Parte no caso poderá designar uma pessoa de sua escolha para fazer parte da Corte na qualidade de juiz ad hoc. 3. Se, dentre os juízes chamados a conhecer do caso, nenhum for da nacionalidade dos Estados Partes, cada um destes poderá designar um juiz ad hoc. 4. O juiz ad hoc deve reunir os requisitos indicados no artigo 52. 5. Se vários Estados Partes na Convenção tiverem o mesmo interesse no caso, serão considerados como uma só Parte, para os fins das disposições anteriores. Em caso de dúvida, a Corte decidirá. Artigo 56 O quorum para as deliberações da Corte é constituído por cinco juízes. Artigo 57 A Comissão comparecerá em todos os casos perante a Corte. Artigo 58 1. A Corte terá sua sede no lugar que for determinado, na Assembléia Geral da Organização, pelos Estados Partes na Convenção, mas poderá realizar reuniões no território de qualquer Estado membro da Organização dos Estados Americanos em que o considerar conveniente pela maioria dos seus membros e mediante prévia aquiescência do Estado respectivo. Os Estados Partes na Convenção podem, na Assembléia Geral, por dois terços dos seus votos, mudar a sede da Corte. 2. A Corte designará seu Secretário. 3. O Secretário residirá na sede da Corte e deverá assistir às reuniões que ela realizar fora da mesma.Artigo 59 A Secretaria da Corte será por esta estabelecida e funcionará sob a direção do Secretário da Corte, de acordo com as normas administrativas da Secretaria-Geral da Organização em tudo o que não CFSD 41 for incompatível com a independência da Corte. Seus funcionários serão nomeados pelo Secretário-Geral da Organização, em consulta com o Secretário da Corte. Artigo 60 A Corte elaborará seu estatuto e submetê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral e expedirá seu regimento. Artigo 61 1. Somente os Estados Partes e a Comissão têm direito de submeter caso à decisão da Corte. 2. Para que a Corte possa conhecer de qualquer caso, é necessário que sejam esgotados os processos previstos nos artigos 48 a 50. Artigo 62 1. Todo Estado Parte pode, no momento do depósito do seu instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, ou em qualquer momento posterior, declarar que reconhece como obrigatória, de pleno direito e sem convenção especial, a competência da Corte em todos os casos relativos à interpretação ou aplicação desta Convenção. 2. A declaração pode ser feita incondicionalmente, ou sob condição de reciprocidade, por prazo determinado ou para casos específicos. Deverá ser apresentada ao Secretário-Geral da Organização, que encaminhará cópias da mesma aos outros Estados membros da Organização e ao Secretário da Corte. 3. A Corte tem competência para conhecer de qualquer caso relativo à interpretação e aplicação das disposições desta Convenção que lhe seja submetido, desde que os Estados Partes no caso tenham reconhecido ou reconheçam a referida competência, seja por declaração especial, como prevêem os incisos anteriores, seja por convenção especial. Artigo 63 1. Quando decidir que houve violação de um direito ou liberdade protegidos nesta Convenção, a Corte determinará que se assegure ao prejudicado o gozo do seu direito ou liberdade violados. Determinará também, se isso for procedente, que sejam reparadas as conseqüências da medida ou situação que haja configurado a violação desses direitos, bem como o pagamento de indenização justa à parte lesada. 2. Em casos de extrema gravidade e urgência, e quando se fizer necessário evitar danos irreparáveis às pessoas, a Corte, nos assuntos de que estiver conhecendo, poderá tomar as medidas provisórias que considerar pertinentes. Se se tratar de assuntos que ainda não estiverem submetidos ao seu conhecimento, poderá atuar a pedido da Comissão. Artigo 64 1. Os Estados membros da Organização poderão consultar a Corte sobre a interpretação desta Convenção ou de outros tratados concernentes à proteção dos direitos humanos nos Estados americanos. Também poderão consultá-la, no que lhes compete, os órgãos enumerados no capítulo X da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires. 2. A Corte, a pedido de um Estado membro da Organização, poderá emitir pareceres sobre a compatibilidade entre qualquer de suas leis internas e os mencionados instrumentos internacionais. Artigo 65 A Corte submeterá à consideração da Assembléia Geral da Organização, em cada período ordinário de sessões, um relatório sobre suas atividades no ano anterior. De maneira especial, e com as recomendações pertinentes, indicará os casos em que um Estado não tenha dado cumprimento a suas sentenças. Seção 3 — Procedimento Artigo 66 1. A sentença da Corte deve ser fundamentada. 2. Se a sentença não expressar no todo ou em parte a opinião unânime dos juízes, qualquer deles terá direito a que se agregue à sentença o seu voto dissidente ou individual. Artigo 67 A sentença da Corte será definitiva e inapelável. Em caso de divergência sobre o sentido ou alcance da sentença, a Corte interpretá- la-á, a pedido de qualquer das partes, desde que o pedido seja apresentado dentro de noventa dias a partir da data da notificação da sentença. Artigo 68 1. Os Estados Partes na Convenção comprometem-se a cumprir a decisão da Corte em todo caso em que forem partes. 2. A parte da sentença que determinar indenização compensatória poderá ser executada no país respectivo pelo processo interno vigente para a execução de sentenças contra o Estado. Artigo 69 A sentença da Corte deve ser notificada às partes no caso e transmitida aos Estados Partes na Convenção. CAPÍTULO IV DISPOSIÇÕES COMUNS Artigo 70 1. Os juízes da Corte e os membros da Comissão gozam, desde o momento de sua eleição e enquanto durar o seu mandato, das imunidades reconhecidas aos agentes diplomáticos pelo Direito Internacional. Durante o exercício dos seus cargos gozam, além disso, dos privilégios diplomáticos necessários para o desempenho de suas funções. 2. Não se poderá exigir responsabilidade em tempo algum dos juízes da Corte, nem dos membros da Comissão, por votos e opiniões emitidos no exercício de suas funções. Artigo 71 Os cargos de juiz da Corte ou de membro da Comissão são incompatíveis com outras atividades que possam afetar sua independência ou imparcialidade conforme o que for determinado nos respectivos estatutos. Artigo 72 Os juízes da Corte e os membros da Comissão perceberão honorários e despesas de viagem na forma e nas condições que determinarem os seus estatutos, levando em conta a importância e independência de suas funções. Tais honorários e despesas de viagem serão fixados no orçamento-programa da Organização dos Estados CFSD 42 Americanos, no qual devem ser incluídas, além disso, as despesas da Corte e da sua Secretaria. Para tais efeitos, a Corte elaborará o seu próprio projeto de orçamento e submetê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral, por intermédio da Secretaria-Geral. Esta última não poderá nele introduzir modificações. Artigo 73 Somente por solicitação da Comissão ou da Corte, conforme o caso, cabe à Assembléia Geral da Organização resolver sobre as sanções aplicáveis aos membros da Comissão ou aos juízes da Corte que incorrerem nos casos previstos nos respectivos estatutos. Para expedir uma resolução, será necessária maioria de dois terços dos votos dos Estados Membros da Organização, no caso dos membros da Comissão; e, além disso, de dois terços dos votos dos Estados Partes na Convenção, se se tratar dos juízes da Corte. PARTE III DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS [...] Artigo 77 1. De acordo com a faculdade estabelecida no artigo 31, qualquer Estado Parte e a Comissão podem submeter à consideração dos Estados Partes reunidos por ocasião da Assembléia Geral, projetos de protocolos adicionais a esta Convenção, com a finalidade de incluir progressivamente no regime de proteção da mesma outros direitos e liberdades. 2.[;...] Artigo 78 1. Os Estados Partes poderão denunciar esta Convenção depois de expirado um prazo de cinco anos, a partir da data da entrada em vigor da mesma e mediante aviso prévio de um ano, notificando o Secretário-Geral da Organização, o qual deve informar as outras Partes. 2. Tal denúncia não terá o efeito de desligar o Estado Parte interessado das obrigações contidas nesta Convenção, noque diz respeito a qualquer ato que, podendo constituir violação dessas obrigações, houver sido cometido por ele anteriormente à data na qual a denúncia produzir efeito. CONVENÇÃO INTERAMERICANA PARA PREVENIR, PUNIR E ERRADICAR A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER, “CONVENÇÃO DE BELÉM DO PARÁ” Adotada em Belém do Pará, Brasil, em 9 de junho de 1994,no Vigésimo Quarto Período Ordinário de Sessões da Assembléia Geral OS ESTADOS PARTES NESTA CONVENÇÃO, RECONHECENDO que o respeito irrestrito aos direitos humanos foi consagrado na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e na Declaração Universal dos Direitos Humanos e reafirmado em outros instrumentos internacionais e regionais; AFIRMANDO que a violência contra a mulher constitui violação dos direitos humanos e liberdades fundamentais e limita total ou parcialmente a observância, gozo e exercício de tais direitos e liberdades; PREOCUPADOS por que a violência contra a mulher constitui ofensa contra a dignidade humana e é manifestação das relações de poder historicamente desiguais entre mulheres e homens; RECORDANDO a Declaração para a Erradicação da Violência contra a Mulher, aprovada na Vigésima Quinta Assembléia de Delegadas da Comissão Interamericana de Mulheres, e afirmando que a violência contra a mulher permeia todos os setores da sociedade, independentemente de classe, raça ou grupo étnico, renda, cultura, nível educacional, idade ou religião, e afeta negativamente suas próprias bases; CONVENCIDOS de que a eliminação da violência contra a mulher é condição indispensável para seu desenvolvimento individual e social e sua plena e igualitária participação em todas as esferas de vida; e CONVENCIDOS de que a adoção de uma convenção para prevenir, punir e erradicar todas as formas de violência contra a mulher, no âmbito da Organização dos Estados Americanos, constitui positiva contribuição no sentido de proteger os direitos da mulher e eliminar as situações de violência contra ela, CONVIERAM no seguinte: CAPÍTULO I DEFINIÇÃO E ÂMBITO DE APLICAÇÃO Artigo 1 Para os efeitos desta Convenção, entender-se-á por violência contra a mulher qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada. Artigo 2 Entende-se que a violência contra a mulher abrange a violência física, sexual e psicológica: a. ocorrida no âmbito da família ou unidade doméstica ou em qualquer relação interpessoal, quer o agressor compartilhe, tenha compartilhado ou não a sua residência, incluindo-se, entre outras formas, o estupro, maus-tratos e abuso sexual; b. ocorrida na comunidade e cometida por qualquer pessoa, incluindo, entre outras formas, o estupro, abuso sexual, tortura, tráfico de mulheres, prostituição forçada, seqüestro e assédio sexual no local de trabalho, bem como em instituições educacionais, serviços de saúde ou qualquer outro local; e c. perpetrada ou tolerada pelo Estado ou seus agentes, onde quer que ocorra. CAPÍTULO II DIREITOS PROTEGIDOS Artigo 3 Toda mulher tem direito a ser livre de violência, tanto na esfera pública como na esfera privada. Artigo 4 Toda mulher tem direito ao reconhecimento, desfrute, exercício e proteção de todos os direitos humanos e liberdades consagrados em todos os instrumentos regionais e internacionais relativos aos direitos humanos. Estes direitos abrangem, entre outros: a. direito a que se respeite sua vida; b. direito a que se respeite sua integridade física, mental e moral; c. direito à liberdade e à segurança pessoais; d. direito a não ser submetida a tortura; e. direito a que se respeite a dignidade inerente à sua pessoa e a que se proteja sua família; f. direito a igual proteção perante a lei e da lei; CFSD 43 g. direito a recurso simples e rápido perante tribunal competente que a proteja contra atos que violem seus direitos; h. direito de livre associação; i. direito à liberdade de professar a própria religião e as próprias crenças, de acordo com a lei; e j. direito a ter igualdade de acesso às funções públicas de seu país e a participar nos assuntos públicos, inclusive na tomada de decisões. Artigo 5 Toda mulher poderá exercer livre e plenamente seus direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais e contará com a total proteção desses direitos consagrados nos instrumentos regionais e internacionais sobre direitos humanos. Os Estados Partes reconhecem que a violência contra a mulher impede e anula o exercício desses direitos. Artigo 6 O direito de toda mulher a ser livre de violência abrange, entre outros: a. o direito da mulher a ser livre de todas as formas de discriminação; e b. o direito da mulher a ser valorizada e educada livre de padrões estereotipados de comportamento e costumes sociais e culturais baseados em conceitos de inferioridade ou subordinação. CAPÍTULO III DEVERES DOS ESTADOS Artigo 7 Os Estados Partes condenam todas as formas de violência contra a mulher e convêm em adotar, por todos os meios apropriados e sem demora, políticas destinadas a prevenir, punir e erradicar tal violência e a empenhar-se em: a. abster-se de qualquer ato ou prática de violência contra a mulher e velar por que as autoridades, seus funcionários e pessoal, bem como agentes e instituições públicos ajam de conformidade com essa obrigação; b. agir com o devido zelo para prevenir, investigar e punir a violência contra a mulher; c. incorporar na sua legislação interna normas penais, civis, administrativas e de outra natureza, que sejam necessárias para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher, bem como adotar as medidas administrativas adequadas que forem aplicáveis; d. adotar medidas jurídicas que exijam do agressor que se abstenha de perseguir, intimidar e ameaçar a mulher ou de fazer uso de qualquer método que danifique ou ponha em perigo sua vida ou integridade ou danifique sua propriedade; e. tomar todas as medidas adequadas, inclusive legislativas, para modificar ou abolir leis e regulamentos vigentes ou modificar práticas jurídicas ou consuetudinárias que respaldem a persistência e a tolerância da violência contra a mulher; f estabelecer procedimentos jurídicos justos e eficazes para a mulher sujeitada a violência, inclusive, entre outros, medidas de proteção, juízo oportuno e efetivo acesso a tais processos; g. estabelecer mecanismos judiciais e administrativos necessários para assegurar que a mulher sujeitada a violência tenha efetivo acesso a restituição, reparação do dano e outros meios de compensação justos e eficazes; h. adotar as medidas legislativas ou de outra natureza necessárias à vigência desta Convenção. Artigo 8 Os Estados Partes convêm em adotar, progressivamente, medidas específicas, inclusive programas destinados a: a. promover o conhecimento e a observância do direito da mulher a uma vida livre de violência e o direito da mulher a que se respeitem e protejam seus direitos humanos; b. modificar os padrões sociais e culturais de conduta de homens e mulheres, inclusive a formulação de programas formais e não formais adequados a todos os níveis do processo educacional, a fim de combater preconceitos e costumes e todas as outras práticas baseadas na premissa da inferioridade ou superioridade de qualquer dos gêneros ou nos papéis estereotipados parao homem e a mulher, que legitimem ou exacerbem a violência contra a mulher; c. promover a educação e treinamento de todo o pessoal judiciário e policial e demais funcionários responsáveis pela aplicação da lei, bem como do pessoal encarregado da implementação de políticas de prevenção, punição e erradicação da violência contra a mulher; d. prestar serviços especializados apropriados à mulher sujeitada a violência, por intermédio de entidades dos setores público e privado, inclusive abrigos, serviços de orientação familiar, quando for o caso, e atendimento e custódia dos menores afetados; e. promover e apoiar programas de educação governamentais e privados, destinados a conscientizar o público para os problemas da violência contra a mulher, recursos jurídicos e reparação relacionados com essa violência; f. proporcionar à mulher sujeitada a violência acesso a programas eficazes de reabilitação e treinamento que lhe permitam participar plenamente da vida pública, privada e social; g. incentivar os meios de comunicação a que formulem diretrizes adequadas de divulgação, que contribuam para a erradicação da violência contra a mulher em todas as suas formas e enalteçam o respeito pela dignidade da mulher; h. assegurar a pesquisa e coleta de estatísticas e outras informações relevantes concernentes às causas, conseqüências e freqüência da violência contra a mulher, a fim de avaliar a eficiência das medidas tomadas para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher, bem como formular e implementar as mudanças necessárias; e i. promover a cooperação internacional para o intercâmbio de idéias e experiências, bem como a execução de programas destinados à proteção da mulher sujeitada a violência. Artigo 9 Para a adoção das medidas a que se refere este capítulo, os Estados Partes levarão especialmente em conta a situação da mulher vulnerável a violência por sua raça, origem étnica ou condição de migrante, de refugiada ou de deslocada, entre outros motivos. Também será considerada sujeitada a violência a gestante, deficiente, menor, idosa ou em situação sócio-econômica desfavorável, afetada por situações de conflito armado ou de privação da liberdade. CAPÍTULO IV MECANISMOS INTERAMERICANOS DE PROTEÇÃO CFSD 44 Artigo 10 A fim de proteger o direito de toda mulher a uma vida livre de violência, os Estados Partes deverão incluir nos relatórios nacionais à Comissão Interamericana de Mulheres informações sobre as medidas adotadas para prevenir e erradicar a violência contra a mulher, para prestar assistência à mulher afetada pela violência, bem como sobre as dificuldades que observarem na aplicação das mesmas e os fatores que contribuam para a violência contra a mulher. Artigo 11 Os Estados Partes nesta Convenção e a Comissão Interamericana de Mulheres poderão solicitar à Corte Interamericana de Direitos Humanos parecer sobre a interpretação desta Convenção. Artigo 12 Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou qualquer entidade não-governamental juridicamente reconhecida em um ou mais Estados membros da Organização, poderá apresentar à Comissão Interamericana de Direitos Humanos petições referentes a denúncias ou queixas de violação do artigo 7 desta Convenção por um Estado Parte, devendo a Comissão considerar tais petições de acordo com as normas e procedimentos estabelecidos na Convenção Americana sobre Direitos Humanos e no Estatuto e Regulamento da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, para a apresentação e consideração de petições. CAPÍTULO V DISPOSIÇÕES GERAIS Artigo 13 Nenhuma das disposições desta Convenção poderá ser interpretada no sentido de restringir ou limitar a legislação interna dos Estados Partes que ofereça proteções e garantias iguais ou maiores para os direitos da mulher, bem como salvaguardas para prevenir e erradicar a violência contra a mulher. Artigo 14 Nenhuma das disposições desta Convenção poderá ser interpretada no sentido de restringir ou limitar as da Convenção Americana sobre Direitos Humanos ou de qualquer outra convenção internacional que ofereça proteção igual ou maior nesta matéria. Artigo 15 Esta Convenção fica aberta à assinatura de todos os Estados membros da Organização dos Estados Americanos. Artigo 16 Esta Convenção está sujeita a ratificação. Os instrumentos de ratificação serão depositados na Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos. Artigo 17 Esta Convenção fica aberta à adesão de qualquer outro Estado. Os instrumentos de adesão serão depositados na Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos. Artigo 18 Os Estados poderão formular reservas a esta Convenção no momento de aprová-la, assiná-la, ratificá-la ou a ela aderir, desde que tais reservas: a. não sejam incompatíveis com o objetivo e propósito da Convenção; b. não sejam de caráter geral e se refiram especificamente a uma ou mais de suas disposições. Artigo 19 Qualquer Estado Parte poderá apresentar à Assembléia Geral, por intermédio da Comissão Interamericana de Mulheres, propostas de emenda a esta Convenção. As emendas entrarão em vigor para os Estados ratificantes das mesmas na data em que dois terços dos Estados Partes tenham depositado seus respectivos instrumentos de ratificação. Para os demais Estados Partes, entrarão em vigor na data em que depositarem seus respectivos instrumentos de ratificação. Artigo 20 Os Estados Partes que tenham duas ou mais unidades territoriais em que vigorem sistemas jurídicos diferentes relacionados com as questões de que trata esta Convenção poderão declarar, no momento de assiná-la, de ratificá-la ou de a ela aderir, que a Convenção se aplicará a todas as suas unidades territoriais ou somente a uma ou mais delas. Tal declaração poderá ser modificada, em qualquer momento, mediante declarações ulteriores, que indicarão expressamente a unidade ou as unidades territoriais a que se aplicará esta Convenção. Essas declarações ulteriores serão transmitidas à Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos e entrarão em vigor trinta dias depois de recebidas. Artigo 21 Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a partir da data em que for depositado o segundo instrumento de ratificação. Para cada Estado que ratificar a Convenção ou a ela aderir após haver sido depositado o segundo instrumento de ratificação, entrará em vigor no trigésimo dia a partir da data em que esse Estado houver depositado seu instrumento de ratificação ou adesão. Artigo 22 O Secretário-Geral informará a todos os Estados membros da Organização dos Estados Americanos a entrada em vigor da Convenção. Artigo 23 O Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos apresentará um relatório anual aos Estados membros da Organização sobre a situação desta Convenção, inclusive sobre as assinaturas e depósitos de instrumentos de ratificação, adesão e declaração, bem como sobre as reservas que os Estados Partes tiverem apresentado e, conforme o caso, um relatório sobre as mesmas. Artigo 24 Esta Convenção vigorará por prazo indefinido, mas qualquer Estado Parte poderá denunciá-la mediante o depósito na Secretaria- Geral da Organização dos Estados Americanos de instrumento que tenha essa finalidade. Um ano após a data do depósito do instrumento de denúncia, cessarão os efeitos da Convenção para o Estado denunciante, mas subsistirão para os demais Estados Partes. Artigo 25 O instrumento original desta Convenção, cujostextos em português, espanhol, francês e inglês são igualmente autênticos, será depositado na Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos, que enviará cópia autenticada de seu texto ao Secretariado das Nações Unidas para registro e publicação, de acordo com o artigo 102 da Carta das Nações Unidas. EM FÉ DO QUE os plenipotenciários infra-assinados, devidamente autorizados por seus respectivos governos, assinam esta Convenção, que se denominará Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, “Convenção de Belém do Pará”. CFSD 45 EXPEDIDA NA CIDADE DE BELÉM DO PARÁ, BRASIL, no dia nove de junho de mil novecentos e noventa e quatro. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Adotada e proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro 1948. PREÂMBULO Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo, Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da humanidade e que o advento de um mundo em que mulheres e homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do ser humano comum, Considerando ser essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo império da lei, para que o ser humano não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão, Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações, Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos fundamentais do ser humano, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos do homem e da mulher e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, Considerando que os Países-Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do ser humano e a observância desses direitos e liberdades, Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso, Agora portanto a Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade tendo sempre em mente esta Declaração, esforce-se, por meio do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Países-Membros quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. Artigo1 Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Artigo2 1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. 2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. Artigo 3 Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Artigo 4 Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas. Artigo 5 Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. Artigo6 Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei. Artigo7 Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Artigo8 Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei. Artigo9 Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado. Artigo10 Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir seus direitos e deveres ou fundamento de qualquer acusação criminal contra ele. Artigo11 1.Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa. 2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte de que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso. Artigo12 Ninguém será sujeito à interferência na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques. Artigo13 1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. 2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio e a esse regressar. CFSD 46 Artigo14 1. Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países. 2. Esse direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas. Artigo15 1. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade. 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade. Artigo16 1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução. 2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes. 3. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado. Artigo17 1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros. 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade. Artigo18 Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto em público ou em particular. Artigo19 Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentementede fronteiras. Artigo20 1. Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica. 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. Artigo21 1. Todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. 2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país. 3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; essa vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto. Artigo22 Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade. Artigo23 1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. 2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho. 3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social. 4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses. Artigo24 Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas. Artigo25 1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis e direito à segurança em caso de desemprego, doença invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. 2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social. Artigo26 1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito. 2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do ser humano e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. 3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos. Artigo27 1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios. 2. Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística da qual seja autor. Artigo28 Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados. Artigo29 1. Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. 2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática. 3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser CFSD 47 exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas. Artigo30 Nenhuma disposição da presente Declaração poder ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 PREÂMBULO Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. TÍTULO I Dos Princípios Fundamentais Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. [...] Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I - independência nacional; II - prevalência dos direitos humanos; III - autodeterminação dos povos; IV - não-intervenção; V - igualdade entre os Estados; VI - defesa da paz; VII - solução pacífica dos conflitos; VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X - concessão de asilo político. Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino- americana de nações. TÍTULO II Dos Direitos e Garantias Fundamentais CAPÍTULO I DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestaçãoalternativa, fixada em lei; IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; https://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/viwTodos/509f2321d97cd2d203256b280052245a?OpenDocument&Highlight=1,constitui%C3%A7%C3%A3o&AutoFramed https://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/viwTodos/509f2321d97cd2d203256b280052245a?OpenDocument&Highlight=1,constitui%C3%A7%C3%A3o&AutoFramed CFSD 48 XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano; XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento; XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas; XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País; XXX - é garantido o direito de herança; XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus"; XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor; XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião; LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; LIV - ninguém será privado da liberdadeou de seus bens sem o devido processo legal; LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei; LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal; LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; CFSD 49 LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial; LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária; LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança; LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel; LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; LXXII - conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos; LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença; LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: (Vide Lei nº 7.844, de 1989) a) o registro civil de nascimento; b) a certidão de óbito; LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. § 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. CAPÍTULO II DOS DIREITOS SOCIAIS Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social [...] Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: [...] VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei. [CONHEÇA MAIS ARTIGOS DA CONSTITUIÇÃO!] TODAS AS LEIS FEDERAIS PODEM SER CONSULTADAS NO SITE: http://www.planalto.gov.br/ccivil http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7844.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil CFSD 50 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALEXY, Robert. Teoria de los Derechos Fundamentales. Madrid. Centro de Estudios Políticos y Constitucionales, 2001. BALESTRERI Ricardo Brisola. Direitos Humanos: Coisa de Polícia, 1998. BARROSO, Luís Roberto. O direito constitucional e a efetividade de suas normas. 5. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2001. BOBBIO, Norberto. A Era dos Direitos. 10 ed., Rio de Janeiro: Campus, 1992. _____. Governo dos homens ou governo das leis. In: _____. O Futuro da democracia: uma defesa das regras do jogo. Tradução M. A. Nogueira. São Paulo: Paz e Terra, 1986a. p. 151-171. Título original: Il futuro della democrazia. Una difesa delle regole del gioco. _____. O Futuro da democracia in _____. O Futuro da democracia/ uma defesa das regras do jogo Tradução de M. A. Nogueira. São Paulo: Paz e Terra, 1986b. p. 17- 40. Título original: Il futuro della democrazia. Una difesa delle regole del gioco. _____. Liberalismo e democracia. Tradução de M. A. Nogueira. São Paulo: Brasiliense, 1988. 100p. Título original: Liberalismo e democrazia. BONAVIDES, Paulo. Direito à Paz: 5ª Geração. Jornal O Povo. Publicado em 01 abr 2008. BRASIL. Código de conduta para os funcionários responsáveis pela aplicação da lei; princípios básicos sobre o uso da força e armas de fogo pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei; convenção contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes. Disponível em http://www.camara.gov.br consulta em: 07/04/2018 _____. Guia de direitos humanos: conduta ética, técnica e legal para instituições policiais militares (cartilha). Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Programa de apoio institucional às ouvidorias de polícia e policiamento comunitário, 2008. _____. Constituição Federalde 1988. CURSO nacional de promotor de polícia comunitária. Grupo de trabalho Portaria Senasp n°002/2007- Brasília/DF, 2007. LAFER, Celso. 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VASAK, Karel. As Dimensões Internacionais dos Direitos do Homem. Lisboa: Editora Portuguesa de Livros Técnicos e Científicos, Unesco, 1983. VERMELHA, Comitê Internacional da Cruz. Direitos Humanos e direito internacional, humanitário para forças policiais e de segurança. Genebra, 1998. http://www.camara.gov.br/sileg/integras/931761.pdf http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:rede.virtual.bibliotecas:livro:2009;000843735 http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:rede.virtual.bibliotecas:livro:2009;000843735 INTRODUÇÃO 6.1. LIMITAÇÕES AO PODER DE ATUAR DOS POLICIAIS MILITARES 6.2. CONTROLE INTERNO E EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL MILITAR 6.3. RELAÇÃO: DIREITOS HUMANOS E O ESTADO PREÂMBULO Artigo 1. Obrigação de respeitar os direitos CAPÍTULO II Artigo 4. Direito à vida Artigo 5. Direito à integridade pessoal Artigo 6. Proibição da escravidão e da servidão Artigo 7. Direito à liberdade pessoal Artigo 8. Garantias judiciais Artigo 9. Princípio da legalidade e da retroatividade Artigo 10. Direito a indenização Artigo 11. Proteção da honra e da dignidade Artigo 12. Liberdade de consciência e de religião Artigo 13. Liberdade de pensamento e de expressão Artigo 14. Direito de retificação ou resposta Artigo 15. Direito de reunião Artigo 16. Liberdade de associação Artigo 17. Proteção da família Artigo 18. Direito ao nome Artigo 19. Direitos da criança Artigo 20. Direito à nacionalidade Artigo 21. Direito à propriedade privada Artigo 22. Direito de circulação e de residência Artigo 23. Direitos políticos Artigo 24. Igualdade perante a lei Artigo 25. Proteção judicial DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS Artigo 26. Desenvolvimento progressivo Artigo 27. Suspensão de garantias Artigo 28. Cláusula federal Artigo 29. Normas de interpretação Artigo 30. Alcance das restrições Artigo 31. Reconhecimento de outros direitos Artigo 32. Correlação entre deveres e direitos ÓRGÃOS COMPETENTES Artigo 33 Artigo 34 Artigo 35 Artigo 36 Artigo 40 Artigo 42 Artigo 43 Artigo 45 Artigo 47 Seção 4 — Processo Artigo 49 Artigo 50 Artigo 51 Artigo 53 Artigo 54 Artigo 57 Artigo 58 Artigo 61 Artigo 62 Artigo 63 Artigo 64 Artigo 65 Artigo 68 Artigo 72 Artigo 73 Artigo 78 Artigo 2 Artigo 6 Artigo 7 Artigo 8 Artigo 9 Artigo 10 Artigo 11 Artigo 12 Artigo 13 Artigo 14 Artigo 15 Artigo 16 Artigo 17 Artigo 22 Artigo 23 Artigo 24 DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Marcadores do Word 4 4VI art4i 4i art4vi