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POLÍCIA MILITAR DA BAHIA 
INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA 
CENTRO DE FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS 
ESTABELECIMENTO DE ENSINO CEL PM JOSÉ IZIDRO DE SOUZA 
DIVISÃO DE ENSINO 
 
 
 
CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS 
 
 
DIREITOS HUMANOS 
 
 
 
 
Atualização: 
1ª Sgt PM Karina da Hora Farias 
Baseada na Ementa de Abril de 2018 
 
 
 
ANO 2018 
 
 
CFSD 2 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Os Direitos Humanos são considerados títulos e garantias dos quais todos os seres humanos devem dispor 
naturalmente, simplesmente pela sua qualidade e status de ser “humano”, tanto homens, mulheres, idosos, 
crianças, independentemente de sua etnia, orientação sexual, situação econômica, social, cor e credo, todos 
sem exceção, devem contar desde o nascimento, com a garantia de ter todos os meios para sobreviver de 
forma digna. 
 
Nesse contexto, em tese, qualquer pessoa tem personalidade jurídica ou possibilidade de dispor civil e 
juridicamente desses direitos que devem ser concebidos de forma eficaz pelo Estado (governo) e pelos 
indivíduos em suas relações sociais, não fosse, a ineficácia das relações entre instituições, organismos 
internacionais, Estados e indivíduos, que acabam por mitigar o exercício dos direitos humanos, 
fragilizando-os no meio social, prejudicando seu exercício comum. 
 
O entendimento EQUIVOCADO de que direitos humanos existem apenas para criminosos ou pessoas 
vítimas de conflitos armados, leva a crer, distorcidamente, que as violações ocorridas internamente em um 
país, não necessita a devida atenção por parte dos servidores do Estado, contudo, de modo diametralmente 
contrário a essa concepção, o respeito aos direitos humanos deve ser defendido, preservado ao máximo 
pelos agentes estatais, como pressuposto e base para a sua função de agente servidor da sociedade. 
 
Questões como democracia, soberania, pena de morte, embargos econômicos e violência policial, são 
discutidas constantemente pelos grupos defensores dos direitos humanos, buscando reduzir as ações que 
prejudicam seu exercício e de modo a fomentar sua prática por todos os cidadãos, no âmbito de suas 
realidades visando o estímulo a igualdade, a liberdade, o acesso aos direitos sociais, ao meio ambiente 
saudável, ao desenvolvimento nacional (que se refere ao direito ao progresso e à qualidade de vida), bem 
como, o direito a paz, entre tantos outros. 
 
Fato dominante quando envolve a discussão sobre a atividade policial é a necessidade das instituições 
criarem controles, planos e diretrizes que permitam o respeito à dignidade da pessoa humana e aos direitos 
humanos pelos seus profissionais. Surge, nesse contexto, o enorme desafio de evitar que policiais militares 
sejam conduzidos por filosofias nocivas existentes ao interior da tropa, que os levam ao uso indiscriminado 
da força e do poder de polícia, fora dos limites da legalidade e dos códigos éticos da PMBA, ultrapassando 
as limitações funcionais, dando margem à mitigação dos direitos humanos que, ao contrário, devem ser 
ampliados pelos profissionais de segurança pública. 
 
Entre algumas ações que vão de encontro à legalidade e aos ditames dos direitos humanos, é possível 
observar policiais militares respondendo judicialmente pelo cometimento de homicídios e execuções 
inquisitoriais (sem os princípios judiciais), nos quais, agem como “juízes” decidindo entre a vida e a morte 
das pessoas, de modo totalmente destoante dos princípios institucionais; outro exemplo são policiais 
excluídos após processos administrativos, por fazerem parte de grupos de extermínio, agindo sem a 
chancela estatal ou da instituição, assassinando pessoas conforme suas próprias concepções (ilegais) de 
justiça, se prejudicando irreversivelmente na carreira policial. 
 
Em ambos os casos, os policiais violam princípios dos direitos humanos frente a terceiros, o direito a vida e 
o direito de ser legalmente processado sob os aspectos do contraditório e da ampla defesa, ainda que esteja 
no pólo de acusação, possíveis cometedores de crimes; cabe ao policial militar atuar dentro do previsto na 
Constituição Federal de 1988 (carta maior ou carta magna), logo, fortalecendo e defendendo os direitos 
humanos, ao contrário de, fragilizá-los. 
CFSD 3 
 
 
1. DIREITOS HUMANOS E A NECESSIDADE DE CONVÍVIO PACÍFICO 
 
Os direitos humanos estão diretamente subordinados ao entendimento de homem enquanto ser humano 
sendo este o seu destinatário, por conseguinte, o raciocínio jurídico que fundamenta a noção de ser humano 
ou homem (visão biológica: homem ou mulher em igualdade de condições), é a perspectiva na qual se 
assentarão a elaboração das normas jurídicas positivadas (expressas em leis), bem como, as normas 
baseadas nos costumes ou cultura (direito consuetudinário), que sustentarão os regimes de justiça para 
todos. 
 
O homem, nesse contexto, deve ser observado sob várias dimensões: social, política, jurídica, filosófica, 
espiritual, biológica, religiosa, psicológica, entre outras; essa multiplicidade de aspectos tem como ponto 
comum o fato de que para exercitar os direitos humanos, é necessária a valorização da vida, o respeito à 
liberdade, à igualdade, à propriedade, ao trabalho, à segurança, à dignidade, dentre outros direitos 
fundamentais, necessários ao exercício dessas dimensões. 
 
Logo, o conjunto de condições adquiridas e associadas ao direito natural que cada indivíduo possui com o 
nascimento e no processo histórico, determinado pelas diversas gerações da convivência coletiva é o que 
fundamenta os DIREITOS HUMANOS. Não obstante, em alguns casos, o direito surge mesmo antes do 
nascimento (durante a gestação), quando está em discussão o direito do nascituro, que é protegido pela 
jurisprudência pátria em decisões do Supremo Tribunal Federal. 
 
No que se refere ao convívio social, desde os primórdios, motivado por questões de sobrevivência e 
manutenção da espécie, o homem sempre viveu reunido em grupo, contudo, a individualidade dos 
integrantes possibilitava a ocorrência de conflitos internos, visto que, cada qual tentava impor seus 
interesses individuais sobre a coletividade. 
 
A lógica de manter vantagens frente aos demais passou a ser reproduzido por um grupo em relação ao 
outro, e nos dias atuais, por uma nação em relação à outra, como modo de manutenção de suas respectivas 
etnias, ideologia política ou religiosa, na busca do desenvolvimento econômico ou mesmo geopolítico, 
originando guerras, chamadas de conflitos armados internacionais. 
 
Esse processo de luta pela satisfação dos interesses das nações mais fortes pelas que possuem menor 
capacidade de reação, tem por conseqüência a adoção de medidas subjugadoras de um grupo forte sobre 
aquele por ora dominado, prejudicando a aplicação dos direitos humanos que culminam com o exercício do 
convívio pacífico entre os pares, quiçá, dificultando a manutenção dos bens comuns, a exemplo da paz 
social. 
 
 
2. APLICAÇÃO DA LEI NO ESTADO DEMOCRÁTICO 
 
 
A aplicação da lei no Estado democrático e dos princípios exarados pela Constituição/88, encontram-se em 
muito, comprometidos com o crescimento da violência no país, a exemplo do grande índice de homicídios 
de pessoas civis e profissionais de segurança pública, do trabalho escravo ou subtrabalho que ainda persiste 
nos centros urbanos, prostituição infantil, excesso de população carcerária, tráfico de drogas, tráfico de 
pessoas, violência doméstica, corrupção de agentes políticos, entre tantas outras mazelas, que dificultam o 
exercício e acesso aos direitos humanos de modo igualitário para todos e levam as instituições a atuaram de 
modo mais coercitivo. 
 
CFSD4 
 
 
O Estado diante de tantas demandas acaba por acentuar o uso da sua força coercitiva tentando equilibrar as 
tenções da sociedade, que pela falta de acesso igualitário aos bens sociais, geram castas e classes 
diferenciadas, nas quais algumas possuem ótima condição e acesso a esses bens, enquanto outros cidadãos, 
sobreviverem de modo miserável, catando lixo, pedindo esmolas, sem acesso a educação de qualidade e 
desenvolvimento político ideológico que lhes permitam ascender socialmente e progredir, além dos jovens 
que se tornam vulneráveis, direcionando e motivando o aumento de muitos na vivência da criminalidade. 
 
Apesar da tensão existente, segundo Bobbio (1986a), o Estado de direito democrático considera que o 
governo deve equilibrar o uso da lei, evitando utilizá-la como instrumento principal de dominação 
(prerrogativa máxima do poder soberano), estabelecendo um governo que seja capaz de exercer o poder, 
segundo leis preestabelecidas ou através de normas gerais e abstratas que evitem o excesso dos seus 
agentes frente as demandas populares, logo, designando os Estados e suas instituições por todos os 
mecanismos constitucionais que impeçam ou obstaculizam o exercício arbitrário e ilegítimo do poder. 
 
Nessa concepção, deve ser possível distinguir a força legítima da ilegítima e a legal da ilegal nos Estados 
de direito, constatando que a força (tradicionalmente utilizada como meio mais eficaz) para a resolução dos 
conflitos sociais, é nociva ao desenvolvimento da democracia, logo, não basta regular o seu uso, é 
necessário eliminá-la (BOBBIO, 1988, p. 18); 
 
Exatamente por este fator a atuação das instituições e seus agentes (do Estado de direito e Estado 
democrático) são comumente questionadas, visto que, a natureza da relação Estado de direito e democracia 
(que emprega a força da persuasão) é, na atualidade, tão íntima, que o primeiro “celebra” o triunfo da 
democracia, porém, a única maneira de se compreender a democracia enquanto contraposta a outras formas 
autoritárias de governo, é aquela que a considera como “um conjunto de regras (primárias ou 
fundamentais) que estabelecem quem está autorizado a tomar as decisões coletivas e com quais 
procedimentos.” (BOBBIO, 1986b, p. 18-9), previamente e democraticamente definidos. 
 
Para que a decisão legal que fundamentará a ação do Estado e de seus agentes, seja considerada decisão 
coletiva, é preciso que seja tomada com base em regras que estabelecem quais os indivíduos estão 
autorizados a tomar as decisões que irão vincular todos os membros do grupo e, quais os procedimentos, 
serão utilizados para garantir o direito a CIDADANIA das pessoas, assim, consagrando o princípio 
democrático como forma de se garantir o melhor à sociedade, no qual o agente obedece e acata as normas 
que lhes foram apresentadas sob a égide da construção democrática para resguardar continuamente o 
Estado de Direito. 
 
Na visão do sociólogo Francisco de Oliveira CIDADANIA, é uma espécie de estado de espírito em que o 
cidadão fosse alguém dentro da sociedade, alguém que estivesse em pleno gozo de sua autonomia, e esse 
gozo não fosse um gozo passivo, mas sim ativo, de plena capacidade de intervir nos negócios da sociedade. 
Seria o exercício pleno de autonomia, de poder escolher e efetivar as suas escolhas, sem a qual, estaria 
tolhido de seus direitos fundamentais. 
 
É importante conceber que a verdadeira democracia é aquela que permite aos seres humanos, com 
autonomia, buscarem a paz, segurança, saúde, moradia, trabalho, segurança, educação, logo, condições 
dignas suficientes para conviver em sociedade. Portanto, o Estado e seus agentes (entre eles, os policiais 
militares), devem buscar conjuntamente, a concretização dos objetivos dos direitos humanos em seus 
espaços de convivência, com limitação do uso da força policial, exercitando efetivamente o exercício da 
cidadania e das premissas de igualdade consolidadas no Estado democrático de direito que é o fundamento 
da República Federativa do Brasil e das quais todos estão vinculados. 
 
CFSD 5 
 
 
 
3. PRESSUPOSTOS CONSTITUCIONAIS 
 
3.1. FUNDAMENTAÇÃO CONSTITUCIONAL 
 
A Constituição de 1988 surgiu como um divisor de águas, na defesa dos Direitos Humanos e da dignidade 
da pessoa humana, sendo considerada a mais CIDADÃ de todas as constituições já promulgadas, visto que 
enfatiza a necessidade do respeito ao ser humano em sua máxima expressão, especialmente, após a 
experiência da ditadura no Brasil e a consolidação do processo de redemocratização das instituições 
brasileiras, na qual impõem também à Polícia Militar, limitações no uso da força junto à sociedade. 
 
No Brasil os Direitos Humanos aparecem como fundamento da República Federativa, sendo também 
reproduzida nos textos das Constituições dos Estados Federados do país, este é o principal ponto 
característico distintivo das demais constituições anteriores a 1988, esta, traz esses direitos no seu caráter 
formal e material. 
 
 
 
 
 
Apesar da existência de dispositivos legais internacionais e outros específicos nacionais, a Constituição 
Federal apresenta um conjunto de garantias e direitos gerais que devem ser protegidos por todos, visto que 
possibilita o exercício da cidadania pelas pessoas sem qualquer discriminação. 
 
Os Direitos humanos possuem importante caráter CONSTITUCIONAL, estão expressos do art.1º ao 8º e 
também ao longo de toda a carta magna em dispositivos dispersos, para além, contudo, também são 
consideradas constitucionais, as normas internacionais aprovadas de forma rígida com status de Emenda 
Constitucional, formando então, um bloco de constitucionalidade, ou seja, formado pela Constituição em si 
e pelas normas aprovadas com status de Emenda constitucional, a exemplo do Decreto 6.949/2009, que 
ratificou a Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência. 
 
3.2. LEGISLAÇÃO SUPRALEGAL 
 
São normas que estão no plano legal hierarquicamente abaixo da Constituição Federal, contudo, se 
encontram hierarquicamente acima das normas infraconstitucionais. 
 
 
Normas de caráter INTERNACIONAL que foram aprovadas pelo Brasil (ratificadas), ou seja, o Brasil 
assumiu o compromisso de aplicar no espaço interno da nação, a recomendação contida na norma 
específica de direitos humanos; são eles os tratados, os pactos e as convenções internacionais assinadas 
pelo governo brasileiro e ratificadas pelo Congresso Nacional, essas normas passaram a compor o 
ordenamento jurídico brasileiro, conforme a previsão do § 2º do artigo 5º da Constituição Federal, 
entretanto, não possuem o status de emenda constitucional. Exemplo: Convenção Internacional sobre 
eliminação de todas as formas de discriminação racial (Decreto 65.810/69). 
 
3.3. LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL 
 
Apesar da proteção genérica constante na Constituição existem instrumentos específicos, especializados de 
proteção aos direitos humanos, sendo normas hierarquicamente inferiores a Constituição Federal e às 
Todo PM deve conhecer os art. 1º ao 5º da 
Constituição Federal 
CFSD 
 
 
normas supralegais.Também chamadas de 
possuem poder normativo, porém, não pode
Supraconstitucionais (que se encontram 
infraconstitucionais, servem para detalhar a forma de implementação da norma genérica
inclusive, atribuir penas e sanções
execuções penais, lei estadual 13.182/2014 
religiosa). 
 
 
 
 
 
 
3.4. O SUPRAPRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA 
 
Essa expressão ganhou enorme relevância após 
afirmar que a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
existência humana e o seu respeito é fundamental para a manutenção de toda a espécie humana
 
A Constituição Federal de 1988 instituiu que o 
diversos princípios fundamentais que devem ser acatados e ampliados historicamente
SUPRAPRINCÍPIO (com relevância maior que os demais)que interfere no exercício dos demais direitos fundamentais estabelecidos pela carta magna em seu 
1°, inciso III. (Constituição Federal de 1988).
 
Pirâmide de Hierarquia das Normas
 
Também chamadas de leis ordinárias ou leis INFRACONSTITUCIONAIS
, porém, não podem contrariar a norma maior Constitucional, nem as normas 
upraconstitucionais (que se encontram hierarquicamente acima de suas disposições
infraconstitucionais, servem para detalhar a forma de implementação da norma genérica
penas e sanções. (ex: lei de abuso de autoridade; lei de combate a tortura; 
, lei estadual 13.182/2014 - Estatuto da igualdade racial e de combate a intolerância 
O SUPRAPRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA 
Essa expressão ganhou enorme relevância após o advento da segunda guerra mundial (1945), p
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA é constituída de elementos indispensáveis à 
e o seu respeito é fundamental para a manutenção de toda a espécie humana
A Constituição Federal de 1988 instituiu que o Brasil é um Estado Democrático de 
que devem ser acatados e ampliados historicamente
(com relevância maior que os demais), aparece a dignidade da pessoa humana, visto 
cício dos demais direitos fundamentais estabelecidos pela carta magna em seu 
Constituição Federal de 1988). 
Pirâmide de Hierarquia das Normas 
 6 
INFRACONSTITUCIONAIS, estas 
contrariar a norma maior Constitucional, nem as normas 
acima de suas disposições); as normas 
infraconstitucionais, servem para detalhar a forma de implementação da norma genérica, podendo 
lei de combate a tortura; lei de 
Estatuto da igualdade racial e de combate a intolerância 
 
segunda guerra mundial (1945), pode-se 
é constituída de elementos indispensáveis à 
e o seu respeito é fundamental para a manutenção de toda a espécie humana. 
ocrático de Direito, logo, possuindo 
que devem ser acatados e ampliados historicamente, entre eles, como 
aparece a dignidade da pessoa humana, visto 
cício dos demais direitos fundamentais estabelecidos pela carta magna em seu artigo 
CFSD 7 
 
 
Para Ingo Wolfgang Sarlet (2009), a DIGNIDADE é uma qualidade inerente ao ser humano que 
lhe cria expectativa de direitos fundamentais, como por exemplo, de não receber tratamento 
degradante de sua condição humana, de ter uma vida saudável, ou seja, de ter a colaboração de 
todos para poder usufruir de um completo bem-estar físico, mental e social, conforme os 
parâmetros de vida saudável da Organização Mundial de Saúde e, ainda, de participar da 
construção de seu destino e do destino dos demais seres humanos com autonomia e cidadania. 
 
A definição da dignidade da pessoa humana atinge a esfera moral, cultural, religiosa e filosófica, e 
segundo Ridola (2014), permite ao homem realizar o próprio projeto de vida, o qual a comunidade 
política deve proteger, pois é na vida de cada humano que está o núcleo originário de sua liberdade. 
 
Deste modo, no plano interno do Brasil quando a dignidade da pessoa humana não é respeitada, a 
conseqüência principal é a afronta aos princípios fundamentais que regem o país, dificultando o alcance 
dos objetivos de desenvolvimento e progresso da nação constitucionalmente definidos. 
 
Reforça-se a dificuldade em gestar o país sob os pressupostos da igualdade, ao contrário, se estimula a 
desigualdade, aumentando o processo de violência e de miséria social, permitindo um contexto de 
corrupção generalizada em todas as esferas sociais, justamente ocasionadas pelos indivíduos que deveriam 
defender e estimular o exercício dos princípios fundamentais, na nação. 
 
No âmbito internacional, quando as medidas subjugadoras de uma nação ferem a dignidade e os direitos 
humanos de outra sociedade vencida, ou com menor poder de reação econômica ou política, existe uma 
tendência da população subjugada ter violada toda a sorte de direitos humanos; a dignidade da pessoa 
humana é totalmente desrespeitada, nesses casos, levando estas nações a perdas muitas vezes irreparáveis, 
a exemplo do genocídio (extermínio total de uma raça ou etnia). 
 
Em outras situações, é comum a imposição de trabalhos forçados, privações dos meios de subsistência (em 
especial, alimentos), abuso sexual, torturas, sequestro de jovens meninas, aliciamento de meninos para o 
confronto armado, comércio de crianças e tráfico de órgãos humanos, julgamentos em tribunais de 
exceção, entre tantos outros processos nefastos de violência. 
 
Atualmente, é possível observar a influência das guerras em algumas nações, que estimulam populares a 
saírem de seus países de origem e pedirem refúgio em outras nações, a partir da impossibilidade de 
exercício da sua dignidade ou mesmo sobrevivência, com o mínimo condições sociais, fator que tem 
desencadeado preocupação mundial e forte desequilíbrio social, fragilizando os direitos humanos em um 
plano global. 
 
4. CONCEITO DE DIREITO E DIREITOS HUMANOS, PRECEITOS HISTÓRICOS E 
CARACTERÍSTICAS. 
 
4.1. O CONCEITO DE DIREITO 
 
A expressão DIREITO possui diversos significados que são utilizados pelo homem, mas, o sentido que 
nos interessa é o do significado jurídico, porquanto, Direito é a ciência que estuda os fenômenos e as 
relações jurídicas decorrentes das ações humanas, ou ainda, o conjunto de regras que regem a vida em 
sociedade. Enquanto regras da convivência humana coletiva, tem por objetivo impor limites e atribuições 
(direitos e deveres), aos membros da coletividade, visando PACIFICAR E HAMONIZAR a convivência 
social diante da amplitude e complexidade das relações humanas. 
 
CFSD 8 
 
 
Não obstante, o Direito foi repartido na esfera da ciência, em pequenas fatias de conhecimento 
especializado, para que pudesse ser bem estudado e compreendido, se dividindo em diversas áreas, tais 
como: Direito Público (Direito Constitucional, Direito Penal, Direito Previdenciário etc.) e o Direito 
Privado (Direito Comercial, Direito Industrial, Direito Agrário etc.) 
 
4.2. O CONCEITO DE DIREITOS HUMANOS 
Na esfera do Direito Constitucional os DIREITOS HUMANOS aparecem como PRINCÍPIOS 
FUNDAMENTAIS da República Federativa do Brasil, logo, é fundamento de todas as instituições da 
nação podendo se manifestar sob diversas formas por atenderem a diversas esferas sociais, podem ser 
ligados à sobrevivência e manutenção da espécie humana (vida, segurança, etc), podem surgir como 
direitos civis individuais e coletivos (liberdade), direitos sociais (greve, associação sindical), direito a 
fraternidade (meio ambiente saudável), direito a paz, entre tantos outros. 
 
Um conceito interessante é apresentado pelo Prof. Almir de Oliveira quando diz que “são aqueles direitos 
fundamentais, ao qual todo homem deve ter acesso em virtude puramente da sua qualidade de ser 
humano e, portanto, toda sociedade, que pretenda ser uma sociedade autenticamente humana, deve 
assegurar aos seus membros”. 
 
Segundo Morris Abraham, deve-se proteger uns aos direitos dos outros enquanto integrantes de uma 
mesma sociedade, devendo, entretanto, o Estado chamar para si essa responsabilidade, diante da incerteza 
de que haverá a proteção de modo solidário, utilizando-se, inclusive, da sua competência normativa (poder 
legislativo) para regular, por meio de lei, tal proteção fundamental. 
 
Historicamente, diversos documentos tentaram normatizar os direitos humanosem diversas nações, como é 
possível ver na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, no Pacto Internacional Sobre Direitos 
Civis e Políticos, no Pacto São José da Costa Rica e outros instrumentos normativos internacionais, 
muitos deles, ratificados (assumidos) pelo Brasil. 
 
Por algumas vezes encontramos na história da humanidade, registros de discriminações acerca da 
concessão ou fruição dos direitos humanos, ainda que diante da tentativa de evolução, por exemplo, é 
possível ver na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, editada na França no século XVIII, que 
esta apresentava traços discriminatórios propositais, ligados a questão de gênero, visto que a terminologia 
“homem” era usada de modo estrito (no sentido masculino), porém hoje, esclareceu-se que a interpretação 
correta é abrangente a toda a espécie humana, homem ou mulher, indistintamente. 
 
4.3. PRECEDENTES HISTÓRICOS DOS DIREITOS HUMANOS 
 
Para Alexandre de Moraes a discussão sobre “a origem dos direitos individuais do homem pode ser 
apontada no antigo Egito e Mesopotâmia, no terceiro milênio antes de Cristo (a.C), onde já eram previstos 
alguns mecanismos de proteção individual em relação ao Estado”. 
 
A Lei do Talião, também abordava um senso de justiça ao impor uma sanção aos criminosos que se 
baseava no direito de vingança, destinando o condenado a cumprir a pena idêntica ao crime praticado (ex: 
olho por olho, dente por dente) sendo que a lei posta fundamentava tal ação. 
 
O “Código de Hamurabi” (Mesopotâmia/Babilônia, 2067- 2025 a.C), também confiava ao imperador a 
garantia do toque divino ao ordenamento jurídico então imposto; há um reconhecimento de que esta norma 
foi a primeira codificação escrita do Ocidente a consagrar um rol de direitos comuns a todos os homens, 
CFSD 9 
 
 
tais como a vida, a propriedade, a honra, a dignidade, a família, prevendo, igualmente, a supremacia das 
leis em relação aos governantes. Com 282 artigos gravados em um único bloco de pedra, continham 
inclusive, jurisprudências (decisões dos tribunais) a serem consultadas ao arbítrio do rei. 
 
A Lei das XII Tábuas (Roma, 451 a.C), considerada como a origem dos textos escritos sobre a liberdade, 
propriedade e proteção dos direitos dos cidadãos, deixava de possuir condição essencialmente sagrada, mas 
que apesar de sucinto era excessivamente autoritário e invocado a todos (do mundo romano), no qual tinha 
caráter universal. Dentre alguns princípios cabe ressaltar, medidas de valores emprestados a racionalidade 
da época: 
[...] (VI) Aquele que matar o pai ou a mães, terá a cabeça cortada; 
[...] (IX) Não se deve dizer coisas desonestas na presença das senhoras; 
[...] (XI) É lícito matar os que nascem monstruosos; 
[...] (XVII) Se a mulher se embriaga em sua casa, será punida como se tivesse 
sido encontrada em adultério; 
XVIII Seja lícito ao pai e mãe banir, vender e matar os próprios filhos 
(Lei das XII Tábuas) 
 
Com influência filosófico-religiosa, Buda (500 a.C.),considerado uma santidade pelos orientais, se 
manifestou de modo idêntico ao expor a mensagem de igualdade entre os homens, preocupava-se com esta 
questão no mesmo foco dos valores de fraternidade introduzidos pelo Cristianismo no Ocidente. 
 
Na Grécia antiga a literatura trouxe na obra “Antígona” a discussão a respeito da prevalência do direito 
natural sobre a lei posta. Os Sofistas, seguidores de Sócrates (470 a.C – 399 a.C), o primeiro grande 
filósofo grego, questionaram essa concepção de lei natural, fruto da vontade dos cidadãos e variável no 
tempo e no espaço, pois não acreditavam em um direito imutável. 
 
Aristóteles, também filósofo grego, argumentou que a lei universal é a lei da natureza e a lei particular é 
aquela que cada comunidade determina a e aplica a seus próprios membros, podendo ser escrita ou não 
escrita (costume), existindo ainda o senso de justiça natural e uma injustiça que está presente em todos os 
homens com alguma medida do divino. 
 
Com o surgimento do Estoicismo, doutrina que trouxe ideias ligadas a unidade moral do ser humano e a 
dignidade do homem, passou-se a discutir sobre os direitos inatos, porém, iguais em todas as partes do 
mundo independente das diferenças individuais e grupais. 
 
Cícero (106 a.C – 43 a.C) no período da jovem república romana, também influenciado pelo Estoicismo, 
defendeu a existência de uma lei natura imutável, que deveria prescrever o bem afastando e proibindo o 
mal, lei que não poderia ser contestada, nem derrogada em parte, nem anulada. 
 
Com a queda do Império Romano e início da era medieval Cristã, vê-se que as fortes concepções religiosas 
introduzidas pelas igrejas nas culturas ocidentais através do processo de evangelização geraram uma noção 
de cristandade aos governantes, logo, o direito através da religião foi projetado para impor princípios e 
condutas morais a serem assimiladas e seguidas, contudo, sob ainda sob a égide do caráter divino do 
governador. 
 
Deste modo, a produção dos primeiros códigos de conduta os governantes exerciam seu poder 
despoticamente, sem qualquer limite e variando suas decisões de acordo coma vontade e humor dos 
mandatários; ao imperador era garantida a capacidade “divina” de dispor sobre ordenamento jurídico 
CFSD 10 
 
 
conforme sua vontade, logo, gerando todo tipo de excesso, ao passo em que obrigava seus súditos, à 
obediência absoluta e sem qualquer hesitação das normas impostas. 
 
Surge então em 1215 (d.C.), a “Magna Carta” (Magna Charta Libertatum), redigida em latim para 
dificultar o acesso aos letrados e a massa da população, foi traduzida para o inglês somente no séc. XVI e 
firmava 67 cláusulas que pela primeira vez, limitava o poder do soberano e beneficiava o povo: 
 
Art48-Ninguém poderá ser detido, preso ou despojado dos seus bens, 
costumes e liberdades, senão em virtude de julgamento de seus pares segundo 
as leis do país; 
Art49-Não venderemos, nem recusaremos, nem dilataremos a quem quer que 
seja, a administração da justiça. (Magna Carta, 1215) 
 
A Carta Magna além de estabelecer limitação ao ato do soberano ao impor a norma, instituiu a 
proporcionalidade entre delito e sanção, a previsão do devido processo legal, o livre acesso a justiça, a 
liberdade de locomoção, princípio da “reserva legal”, princípio da “legalidade” e princípio da 
“anterioridade da lei” (todo crime só é punível se houver lei anterior que defina o ato como crime), por este 
motivo, esta lei é considerada como de grande relevância, uma vez que, o Estado é tido como um dos 
maiores violadores dos Direitos Humanos ao longo da história. 
 
Santo Tomás de Aquino (1225), por sua vez, argumentou que o universo é regido pela razão divina e Deus 
fundamentava a lei natural, e essa deveria fundamentar o agir virtuoso. Nesse momento histórico medieval 
iniciou-se o processo de elaboração do princípio da igualdade com proximidade ao que conhecemos nos 
dias atuais, independente de diferenças existentes entre as pessoas, seja na ordem biológica, seja na ordem 
cultural, estendendo o conceito de Direitos Humanos a um caráter universal, no qual todos deveriam ser 
destinatários. 
 
Após a Revolução Gloriosa ocorre a aceitação do instituto do “Habeas Corpus” (visa libertar pessoas 
presas), bem como, da “Declaração de Direitos” (Bill of Rights) em 1689, dotada de 13 artigos que 
consolidavam os ideais políticos do povo, expressando restrições ao poder estatal, regulamentando o 
princípio da legalidade, criando o direito de petição, assim como imunidades parlamentares, entretanto, 
restringia a liberdade religiosa. 
 
Posteriormente surge a “Declaração da Virgínia” considerada a primeira declaração queera voltada aos 
DIREITOS FUNDAMENTAIS no sentido moderno, proclamava direito à vida, à liberdade e à 
propriedade, o Tribunal do Júri, o princípio do juiz natural imparcial, a liberdade religiosa e de imprensa, 
entre outros, momentos antes da declaração de independência dos Estados Unidos da América (EUA), 
redigida por Thomas Jefferson. 
 
 
DECLARAÇÃO DE DIREITOS DA VIRGÍNIA (EUA, 1776) 
 
Proclama o direito à vida, à liberdade e à propriedade. Outros direitos humanos fundamentais 
foram expressamente previstos, tais quais, o princípio da legalidade, o devido processo legal, o 
tribunal de júri, o princípio do juiz natural e imparcial, a liberdade de imprensa e a 
liberdade religiosa. 
 
 
CFSD 11 
 
 
Em 1776 com a Revolução Americana é registrada a “Declaração de Direitos do Homem” e posteriormente 
na “Declaração de Independência” dos EUA registra-se no artigo I que é assegurada a igualdade de toso de 
maneira livre e independente, considerando esta como um direito inato, no artigo II que estabelece que o 
poder pertence ao povo e que o Estado é responsável perante ele, porém, este documento se voltava mais 
aos americanos e não era voltado a humanidade. 
 
Com a Revolução Francesa ocorrida em 1789, com ideais baseados no Iluminismo e voltados a defesa da 
IGUALDADE, LIBERDADE E FRATERNIDADE, derrubou-se privilégios das classes dominantes 
criando a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, prevendo a liberdade e igualdade entre os 
homens, a necessidade de conservação dos seus direitos naturais (liberdade, propriedade, segurança, 
resistência a opressão), princípio da inocência,limitação ao direito de liberdade somente por lei, 
manifestação do livre pensamento e necessária separação de poderes. 
 
Com a Revolução industrial na Inglaterra no mesmo século XVIII, o direito do trabalho tomou enorme 
relevância, fazendo surgir direitos ligados a essa esfera como, princípio da hipossuficiência do trabalhador, 
princípio da proteção , princípio da primazia, da irredutibilidade de vencimentos; criou-se a concepção de 
que não bastavam apenas os direitos econômicos, sociais e culturais, era necessário também, controlar o 
poder econômico do Estado. Foram criadas nesse contexto, a Organização Internacional do Trabalho 
(OIT), em 1919 no Tratado de Versalhes que pôs fim a primeira guerra mundial e a Corte Permanente de 
Justiça Internacional (CPJI), em 1920. 
 
Mais recentemente, após as atrocidades das duas grandes guerras mundiais (1919 e 1945), ampliou-se o 
entendimento da necessidade de proteção aos direitos humanos, num caráter UNIVERSAL, culminando, 
inclusive, na aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 10 de dezembro de 1948, que 
marcou a era dos direitos humanos atual. A declaração que não possui força de lei foi expressa após um 
árduo trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU), órgão internacional que objetiva a paz para 
todos os povos, quando era composto por 58 países, dos quais, à época, 48 aprovaram a declaração. 
 
 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos é sem dúvida, um verdadeiro MARCO 
HISTÓRICO NA PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS, pois representa um 
entendimento comum, universal, acerca da importância de tais direitos de modo global. A partir 
desse momento histórico, diversas outras normas internacionais foram aprovadas e os países 
signatários passaram a transcrevê-las em suas legislações internas, muitas tomando força de lei, 
inclusive, impondo sanções no descumprimento. 
 
 
Tais sanções por descumprimento ou negligência estatal na proteção dos direitos humanos, resultam não 
necessariamente em sanções penais, mas principalmente, em sanções de caráter político-econômico, como 
bloqueios internacionais, restrição de comércio, isolamento de fronteiras, etc. 
 
Foi redigida sob o impacto das atrocidades cometidas durante a 2ª Guerra Mundial, deixando as seguintes 
contribuições: DEFENDEU A IGUALDADE PARA TODOS, UNIVERSALIZOU OS DIREITOS 
FUNDAMENTAIS E RETOMOU OS IDEAIS DA REVOLUÇÃO FRANCESA (liberdade, igualdade e, 
fraternidade). 
 
 
 
CFSD 12 
 
 
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS (1948) 
 
Proclamava três princípios axiológicos fundamentais em matéria de direitos 
humanos: a liberdade, a igualdade e a fraternidade. 
 
O princípio da igualdade essencial do ser humano, não obstante as múltiplas 
diferenças de ordem biológica e cultural que os distinguem entre si, é afirmado 
no artigo II. 
 
O pecado capital contra a dignidade humana consiste, justamente, 
emconsiderar e tratar o outro: um indivíduo, uma classe social, um 
povo, como um ser inferior sob pretexto da diferença de etnia, 
gênero, costumes ou fortuna patrimonial. Algumas diferenças 
humanas, aliás, não são deficiências, mas bem ao contrário, fontes de 
valores positivos e, como tal, devem ser protegidas e estimuladas. 
 
O princípio da liberdade compreende tanto a dimensão política, quanto a 
individual. Reconhece-se, com isto, que ambas essas dimensões da liberdade são 
complementares e independentes; a liberdade política, sem as liberdades 
individuais, não passa de engodo demagógico de Estados autoritários ou 
totalitários. 
 
E o reconhecimento das liberdades individuais, sem efetiva 
participação política do povo no governo, mal esconde a dominação 
oligárquica dos mais ricos. 
 
O princípio da solidariedade está na base dos direitos econômicos e sociais. 
Trata-se de exigências elementares de proteção às classes ou grupos sociais 
mais fracos ou necessitados. 
 
 
Em 1966, foram criados dois pactos de grande importância que foram ratificados pelo Brasil somente no 
ano de 1992, são eles, o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais que estabelecia 
o direito a auto determinação dos povos (soberania), dispor de suas riquezas livremente e de seus recursos 
naturais, medidas de cooperação internacional, criação de leis para ampliar os direitos civis e políticos, 
igualdade de condições de homens e mulheres no gozo dos direitos econômicos, sociais e culturais, direito 
a bem-estar geral e sociedade democrática. 
 
 
E o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que positivava entre outros, garantia de que toda 
pessoa que tenha um direito violado possa fazer uso de um recurso efetivo, analisado por autoridade 
competente judicial, administrativa ou legislativa, mesmo contra pessoas que agiram no exercício de 
funções oficiais; inadmissão de restrições ou suspensão de direitos humanos fundamentais reconhecidos ou 
já vigentes, inadmissão de autorização para o crime de genocídio, negativa da servidão e da 
escravidão,direito de recurso judicial. 
 
 
CFSD 13 
 
 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e 
Culturais e, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, juntos são chamados de CARTA 
INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS, atividade legislativa das Nações Unidas que buscou 
reafirmar os Direitos Humanos para toda a humanidade. 
 
Em 1969, o Brasil ratificou (Decreto 65.810/69), a Convenção Internacional sobre Eliminação de todas 
as formas de Discriminação Racial que havia sido criada em 1966 e que visou promover e encorajar o 
respeito universal e observância dos direitos humanos e liberdades fundamentais para a humanidade. 
Estabeleceu repudia a todas as práticas coloniais de segregação e discriminação e tem como objetivo 
eliminar rapidamente a discriminação racial no mundo; condena a doutrina de superioridade racial e 
estabelece-acomo falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa visto que interfere na paz 
entre as pessoas e nações. Estabelece esta norma ainda, o conceito de DISCRIMINAÇÃO RACIAL a 
seguir: 
significará qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseadas em 
raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tem por objetivo ou 
efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo 
plano (em igualdade de condição), de direitos humanos e liberdades 
fundamentais no domínio político, econômico, social, cultural ou em qualquer 
outro domínio de vida pública. (BRASIL, 1969) 
 
O Sistema Interamericano De Proteção dos Direitos Humanos foi reforçado pelo Pacto São José da costa 
Rica em 1969, ratificado pelo Brasil, ele não visou apenas a liberdade pessoal e de justiça social como a 
Declaração Universal, trouxe normas relacionadas ao cumprimento dos compromissos assumidos pelos 
Estados-parte, criado a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos 
Humanos, sem vinculação com governos, cabendo a fiscalização e recepção de denúncias de abusos 
ocorridos ao interior das nações que aderiram aos seus ditames legais, ou seja, estabeleceu um sistema para 
denúncia de abuso dos direitos humanos. 
 
Em 2000, o Brasil ratificou (Decreto 4.377/02), a Convenção sobre Eliminação de todas as formas de 
Discriminação contra a Mulher, que havia sido criada em 1984, o documento reafirma o princípio da não-
discriminação e busca garantir o igual gozo dos direitos humanos às mulheres; reconhece que a 
discriminação viola o princípio da dignidade humana e tem como reflexos a dificuldade da participação da 
mulher na vida política, social, econômica e cultural do país, sendo obstáculo ao aumento do bem-estar da 
sociedade e da família, além de dificultar o pleno desenvolvimento das potencialidades da mulher para 
prestar o serviço a seu país e à humanidade; 
 
Esta norma reconhece a grande contribuição da mulher ao bem-estar social, a importância social da 
maternidade que deve ser protegida e a função dos pais na família e na educação dos filhos, enquanto 
responsabilidade que deve ser compartilhada, revelando a necessidade de modificar o papel tradicional do 
homem e da mulher nesta esfera; estabelece que a procriação não deve ser discriminada; e que condena a 
exclusão e restrição baseada no sexo, além de derrogar (tornar sem efeito) “TODAS” as disposições penais 
nacionais que constituam discriminação contra a mulher. 
 
Na perspectiva evolutiva, pode-se ver normas de Direitos Humanos em diversas leis estaduais, como no 
Estado da Bahia, cuja Lei Estadual nº 13.182/14, instituiu o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate a 
Intolerância Religiosa, com grande carga histórica essa lei trata do estímulo ao desenvolvimento da 
população negra em o contexto histórico ocasionado pela escravidão no Brasil. 
 
CFSD 14 
 
 
As normas conceituam o que são ações afirmativas e políticas públicas e visam buscar igualdade social, 
além de combater o racismo institucional (ocasionado pelos agentes do Estado na sua atividade 
discricionária); O estatuto define que o Estado deve divulgar os dados oficiais e públicos da desigualdade 
racial e de gênero, produzindo pesquisas e estudos para essa finalidade; reconhece os “mestres e mestras” 
dos saberes e fazeres das culturas tradicionais e matrizes africanas, ademais, a necessidade de estímulo a 
diversidade criativa, bem como, a criação de ações nas dimensões: 
 
reparatória e compensatória para os descendentes das vítimas da escravidão, do 
racismo e das demais práticas institucionais e históricas que contribuíram para 
as profundas desigualdades raciais e as persistentes práticas de discriminação 
racial na sociedade baiana, inclusive, em face dos povos de terreiros de religiões 
afro-brasileiras. (BAHIA, 2014) 
 
Esta norma reforça o dever do Estado de garantir igualdade de oportunidades para todo cidadão brasileiro, 
além da defesa da dignidade humana, dos valores religiosos e culturais, vez que com políticas diferenciadas 
aos negros, tenta-se minimizar os obstáculos históricos, sócio-culturais e institucionais que os impediram 
de exercer a representação da sua diversidade racial nas esferas públicas e privadas ao longo da história. 
 
4.4. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS 
São características inerentes aos Direitos Humanos, a saber: 
 
a) INATOS: por que os indivíduos já nascem com eles, como atributos inerentes a todos os 
seres humanos, não sendo adquiridos por via de concessão ou outorga do Estado, ao longo da sua 
existência, não necessita ter autorização para ter direitos humanos; 
 
b) UNIVERSAIS: seu direcionamento e respeito devem ser globais, direcionado a todos, em 
todo o planeta, de modo universal; 
 
c) INALIENÁVEIS: não pode ser repassado, vendido, doado ou cedido; não são transferíveis 
como os demais bens comuns; 
 
d) IMPRESCRITÍVEIS: não tem prazo para término, não tem prazo certo, não tem prazo 
definido para a sua utilização, podendo ser gozados a qualquer tempo, não prescreve com o 
advento do tempo; 
 
e) ABSOLUTOS: são oponíveis; seu respeito se opõe a todas as pessoas físicas (ex: policial em 
relação ao criminoso), ou pessoas jurídicas (exemplo: empresa não poluir o meio ambiente), sendo 
ainda, públicas ou privadas. Podem ser reclamados contra qualquer um que tente mitigá-los ou 
exterminá-los, inclusive, judicialmente; 
 
f) INVIOLÁVEIS: não podem ser violados por qualquer pessoa, mesmo diante do poder de 
polícia, ou por autoridade pública; nem a legislação infraconstitucional pode ignorá-los, cabendo 
aos que contrariem suas premissas, a responsabilização civil, administrativa e criminal; 
 
g) IRRENUNCIÁVEIS: nenhum ser humano pode renunciá-los, pois não se pode exigir de 
alguém que renuncie à vida ou à liberdade ou aos demais direitos de sobrevivência 
 
CFSD 15 
 
 
h) EFETIVIDADE: O poder público e as pessoas comuns devem atuar para garantir a sua 
efetividade, aplicação real, sendo este compromisso estatal, dos seus agentes e dos demais do 
povo. 
 
i) PRINCÍPIO DO NÃO-RETROCESSO SOCIAL1 - é princípio ‘não explícito’ que infere 
que uma norma com mandamento constitucional, ao ser incorporado ao mandamento ao 
patrimônio jurídico da cidadania não pode ser suprimido posteriormente, causando retrocesso em 
conquistas humanitárias. 
 
j) INTERDEPENDÊNCIA - Os direitos fundamentais interagem entre si, em uma relação de 
mútua dependência, logo se vinculam e necessitam ser complementado outros direitos 
fundamentais. Ex: o direito de liberdade de locomoção depende da garantia do devido processo 
legal, que culmina no habeas corpus, se complementando mutuamente. 
 
k) HISTORICIDADE – Nasceu com o Cristianismo, e faz parte de uma conjuntura histórica, 
logo, são os direitos humanos conquistados em função das revoluções da história. Segundo 
Norberto Bobbio (1992), nasceram de circunstâncias, caracterizadas por lutas em defesa de novas 
liberdades contra velhos poderes, de modo gradual. 
4.5. GERAÇÕES / DIMENSÕES DOS DIREITOS HUMANOS 
 
Karel Vasak nascido na Tchecoslováquia, quando na divisão dos Direitos do Homem e da Paz da 
UNESCO em 1979, foi responsável pela palestra inaugural no Instituto Internacional dos Direitos 
Humanos na França, baseado no lema da Revolução Francesa de 1789 (Liberdade, Igualdade e 
Fraternidade), dividiu academicamente as conquistas dos direitos individuais em três gerações, ou ainda, na 
visão de Robert Alexy, em dimensões de Direitos Humanos (DH), visto que nesse caso elas não se 
sobrepõe em um processo de exclusão e sim, se agregam formando umconjunto de normas históricas, 
conforme se segue: 
 
 DH de 1ª geração/Dimensão referem-se ao princípio da bandeira francesa “Liberté” - são os que 
tratam da Liberdade de cada cidadão, referem-se a autonomia de agir e tomar decisões (DIREITOS CIVIS 
E POLÍTICOS); dos direitos negativos, que negam a atuação do Estado (desejo de ausência do Estado), ou 
seja, impõem uma abstenção ou limitação do Estado. As principais conquistas ao direito de liberdade 
foram o direito à liberdade, à vida, à propriedade, à manifestação, à expressão, ao voto, entre outros. 
 
CF - Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor 
igual para todos, e, nos termos da lei [...] 
 
 DH de 2ª geração/Dimensão referem-se ao princípio da Igualdade, “Egalité” (DIREITOS 
SOCIAIS, ECONÔMICOS E CULTURAIS), ou seja, os direitos nos quais o Estado deveria agir a favor do 
homem (e mulher - visão lato sensu), garantindo-lhe saúde, trabalho, educação, dentre outras necessidades 
básicas. São direitos positivos, prestacionais, que exigem do Estado intervenção no domínio econômico e 
prestação de políticas públicas. 
 
CF - Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o 
lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos 
desamparados, na forma desta Constituição. 
 
1 BARROSO, Luís Roberto. O direito constitucional e a efetividade de suas normas. 5. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2001. 
https://jus.com.br/tudo/cidadania
CFSD 16 
 
 
 DH de 3ª geração/Dimensão referem-se ao princípio da Fraternidade (DIFUSOS, DA 
HUMANIDADE, DOS POVOS), da proteção do público em geral, de solidariedade, do meio ambiente, 
direito a comunicação social, conservação do patrimônio histórico, defesa do consumidor e 
desenvolvimento. Afirmam a necessidade da proteção universal do homem de modo coletivo, difuso 
(não é possível individualizar). 
 
Código Defesa Consumidor - Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das 
vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. 
 
Diversos doutrinadores permanecem discutindo o aumento dessas dimensões, como o Professor Paulo 
Bonavides (2008), que informa a existência da quarta e quinta geração, argumentando que os: 
 
 
 DH de 4ª geração/Dimensão referem-se ao BIODIREITO (MANIPULAÇÃO GENÉTICA) e ao 
AVANÇO TECNOLÓGICO*, decorrente da globalização dos direitos fundamentais, logo, se ligam ao 
direito à democracia, como também, à informação, ao comércio eletrônico a biologia molecular, a 
manipulação genética (evitar mal uso), bioética, pesquisas de células tronco, mudança de sexo e 
reprodução humana assistida. Entretanto, existem ainda, doutrinadores que defendem que a evolução 
da cibernética e de tecnologias (realidade virtual e Internet), faria parte da 5ª geração. 
 
CF - Art. 225, II 
Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades 
dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético.” 
 
 
 DH de 5ª geração/Dimensão referem-se ao DIREITO À PAZ (diferentemente de Vasak (1979) que 
defendia ser de terceira geração), neste aspecto, Bonavides (2008), alega que “o direito à paz é concebido 
ao pé da letra qual direito imanente à vida, sendo condição indispensável ao progresso de todas as 
nações”. Estudiosos, na mesma linha, afirmam tratar-se a felicidade um direito fundamental de quinta 
geração. Devido à relevância do Direito à Paz, entende-se que esse direito deve ser tratado em dimensão 
autônoma, desvinculada da terceira geração de direitos. 
 
 Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes 
princípios: 
 VI - defesa da paz; 
 
 
5. PROTEÇÃO INTERNACIONAL E VIOLAÇÕES DE DIREITOS 
5.1. PROTEÇÃO INTERNACIONAL 
No plano internacional os direitos humanos são formados por um conjunto de normas previstas em 
tratados, declarações ou convenções de direitos humanos adotados pelas comunidades não nacionais, seja 
em caráter universal ou regional, estas normas internacionais visam proteger todos os indivíduos de 
violações de direitos, qualquer que seja sua nacionalidade, cor, gênero, raça ou religião. 
CFSD 17 
 
 
Surgiu essencialmente após as atrocidades da Segunda Guerra Mundial em decorrência das violações de 
direitos cometidos pelos nazistas contra os judeus durante o holocausto, na tentativa de exterminar toda 
uma raça, fato que preocupou todo o mundo. 
 A partir desse momento histórico, a sociedade internacional viu-se obrigada a iniciar a construção de 
normas e princípios destinados a assegurar o respeito e a dignidade humana de modo global, para 
combater possíveis possibilidades de genocídio ou ainda de violações dos direitos humanos que pudessem 
por em risco determinada nação. 
O surgimento das Nações Unidas (ONU) em 1945 e a aprovação da Declaração Universal de Direitos 
Humanos em 1948, elevou o Direito Internacional dos direitos humanos a outro nível, começando a 
ensejar na produção de inúmeros tratados internacionais destinados a proteger os direitos dos indivíduos, 
bem como, versando inclusive, sobre direitos específicos como os das pessoas com deficiência, das 
comunidades indígenas, das crianças, das mulheres, dos idosos, do combate ao racismo, dos refugiados, 
do meio ambiente coletivo, entre outros. 
Tratou-se de um verdadeiro marco divisório no processo de internacionalização dos direitos humanos que 
jamais houvera antes. A proteção desses direitos passou a ser um dos grandes temas da atualidade, 
surgindo a partir de então sistemas globais de proteção dos Direitos Humanos. 
5.2. ONU: PROPÓSITOS E PRINCÍPIOS BÁSICOS 
A Organização das Nações Unidas (ONU) é uma organização internacional formada por países que se 
reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundial; é regida por uma série de 
propósitos e princípios básicos aceitos por todos os Países-Membros que aderiram às suas premissas, 
visando: 
 Manter a paz e a segurança internacionais; 
 Desenvolver relações amistosas entre as nações; 
 Realizar a cooperação internacional para resolver os problemas mundiais de caráter 
econômico, social, cultural e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos e às 
liberdades fundamentais; 
 Ser um centro destinado a harmonizar a ação dos povos para a consecução desses objetivos 
comum. 
Quando a ONU foi fundada, em 24 de outubro de 1945, ficou definido, na Carta da ONU que para seu melhor 
funcionamento seus membros, vindos de todos os cantos do planeta se comunicariam em seis idiomas oficiais: 
inglês, francês, espanhol, árabe, chinês e russo. 
 
Para que pudesse atender seus múltiplos mandatos, a ONU teria seis órgãos principais: 
 
 a Assembléia Geral, o Conselho de Segurança, o Conselho Econômico e Social, o Conselho de Tutela, a Corte 
Internacional de Justiça e o Secretariado. 
 
 
Conheça mais:www.https://nacoesunidas.org/conheça/ 
https://nacoesunidas.org/carta
CFSD 18 
 
 
 
O CONSELHO DE SEGURANÇA DAS NAÇÕES UNIDAS é um dos órgãos mais importantes do 
mundo, é órgão das Nações Unidas com responsabilidades sobre a SEGURANÇA MUNDIAL e tem 
poder de autorizar uma intervenção militar em algum país. Todos os conflitos e crises políticas do mundo 
são tratados pelo Conselho, para que haja intervenções militares ou missões depaz. O Conselho de 
Segurança é composto por 15 membros, sendo 5 membros permanentes: os Estados Unidos, a França, o 
Reino Unido, a Rússia e a República Popular da China, sendo que cada um destes membros tem direito 
de veto. Os outros 10 membros são rotativos e têm mandatos de 2 anos. 
 
Também é importante ressaltar o trabalho da CRUZ VERMELHA INTERNACIONAL, atuando na 
assistência internacional diante de conflitos mundiais. 
 
A Cruz Vermelha é uma organização internacional, sem fins lucrativos, cujo objetivo principal é prestar 
SOCORRO E ASSISTÊNCIA ÀS PESSOAS VÍTIMAS DE GUERRAS E CATÁSTROFES 
NATURAIS (terremotos, tornados, enchentes, etc). Foi fundada, em 1863, pelo suíço Jean Henri Dunant e 
conta com o trabalho de voluntários (médicos, enfermeiros, dentistas,assistentes sociais, psicólogos e 
outros profissionais), em todo o mundo. 
 
A sede da Cruz Vermelha fica na cidade de Genebra (Suíça) e é desta central que parte toda a organização 
e elaboração de planos, com a colaboração de governos, para colocar em prática as metas assistenciais em 
diversos países, inclusive, no Brasil. A data criada para homenagear a Cruz Vermelha Internacional é o dia 
8 de maio. 
5.3. O SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS2 
O Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos foi desenvolvido no âmbito da Organização 
dos Estados Americanos (OEA) no curso dos últimos 50 anos. Tal sistema baseia-se, fundamentalmente, 
no trabalho de dois órgãos: 
 
 
A COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS 
 
A CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS 
Cada um deles está composto por sete membros, no qual ambos, atuam de acordo com distintos 
instrumentos legais, porém, supervisionam o cumprimento por parte dos Estados, dos tratados 
interamericanos de direitos humanos e têm competência para receber denúncias individuais de violação 
desses tratados, ou seja, os órgãos do sistema têm competência para atuar quando um Estado-Parte for 
acusado da violação de alguma cláusula contida em um tratado ou convenção, mediante alguns requisitos 
para que tal intervenção seja viável. 
 
A Comissão é o primeiro órgão a tomar conhecimento de uma denúncia individual, e só em uma segunda 
etapa a Comissão poderá levar a denúncia perante a Corte. 
 
 
2 Artigo elaborado pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), primeira organização não-governamental especializada no 
litígio e assessoramento de casos perante a Comissão e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. 
CFSD 19 
 
 
O reconhecimento da jurisdição contenciosa da Corte pelo Brasil só ocorreu em 10 de dezembro de 1998, 
fato pelo qual, só podem ser apresentadas a ela denúncias de violações ocorridas após essa data. Entretanto 
a Comissão pode receber denúncias de violações anteriores, a exemplo da Convenção Americana (Pacto 
São José da Costa Rica) de 1969, que somente foi promulgada pelo Brasil em 1992. 
 
 
5.4. A QUEM RECLAMAR A VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS? 
 
 
Apesar da proteção estatal por meio de leis, as violações aos direitos humanos insistem em ocorrer no meio 
social, momento em que a rede de proteção deve atuar de modo responsável de modo a coibir essas 
violações em todas as esferas das relações entre os pares, para esse fim existe um sistema de proteção de 
direitos humanos tanto no plano nacional quanto internacional no qual qualquer cidadão pode fazer uso de 
seus serviços. 
 
As violações de direitos humanos podem ser reclamadas aos agentes dos poderes públicos formalmente 
constituídos, sendo instrumento de defesa dos direitos humanos os órgãos Policiais (que devem também 
defender essas premissas diante do conflito entre pessoas civis), o Ministério Público, os órgão do Poder 
Judiciário, as comissões de defesa dos Direitos Humanos das entidades legislativas (Assembléias 
Legislativas, Câmara de Vereadores, Câmara dos Deputados e Senado Federal), as Ouvidorias Federal, 
Estadual e Municipal. 
 
As queixas também podem ocorrer junto às comissões de defesa dos Direitos Humanos da Ordem dos 
Advogados do Brasil (OAB), entidade civil independente e sui generis, bem como, outras entidades civis 
constituídas, organizações não-governamentais, além de organizações internacionais, a exemplo da 
Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH), órgão que recebe denúncias de violações cometidas 
pelos Estados membros do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. 
 
6. POLÍCIA E DIREITOS HUMANOS 
 
Em sentido restrito, POLÍCIA significa o conjunto de instituições mantidas pelo Estado, para que, com 
base nas prescrições legais e regulamentares, preservem a ordem pública , a moralidade e se assegure o 
bem estar da coletividade, garantindo-se os direitos coletivos e individuais. 
 
O trabalho de polícia é de grande responsabilidade social, e tem por função principal a defesa dos direitos 
humanos e da SOCIEDADE, não importando a condição social do seu destinatário, se revestindo de 
enorme importância vez que lida com a liberdade das pessoas; 
 
 
 
 
 
 
 
O uso legítimo da força não se confunde com truculência. A fronteira entre a força e a violência é 
delimitada, no campo formal pela lei, no campo racional pela necessidade técnica e, no campo moral, pelo 
antagonismo entre a metodologia de policiais e criminosos, usando o princípio da proporcionalidade e da 
RIGOR NÃO É SINÔNIMO DE VIOLÊNCIA 
 
CFSD 20 
 
 
razoabilidade. É inadmissível o uso excessivo da força pelo Policial Militar técnico, profissional e bem 
formado sob a égide dos princípios constitucionais. 
 
O policial militar deve atentar para que a sua ação seja técnica e legal, de forma a ter legitimidade nas 
ordens que propõe a sociedade, visto que, a aplicação de leis, regulamentos, normas e costumes são latentes 
a qualquer desvio de conduta, levando todos os envolvidos a sérios prejuízos de ordem pessoal, econômica 
e funcional, muitas vezes, com perdas funcionais de modo irreparável, por terem ferido a legalidade. 
 
LEMBRE-SE: toda vez que um policial atuar será para defender a coletividade, por isso, deve ser 
legitimada por ela. 
 
6.1. LIMITAÇÕES AO PODER DE ATUAR DOS POLICIAIS MILITARES 
 
As polícias existem para promover segurança aos indivíduos quer seja no aspecto pessoal, quer no aspecto 
patrimonial, o Estado lhe concede uma parcela especial de poder, os quais devem utilizá-los apenas 
conforme a determinação da lei e, não ao seu bel prazer. 
 
 
OS AGENTES DE SEGURANÇA PÚBLICA PODEM UTILIZAR UM DOS PODERES DA 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA QUE É O PODER DE POLÍCIA, CONTUDO, RESPONDERÁ 
PELO EXCESSO SEMPRE QUE ULTRAPASSAR SUAS LIMITAÇÕES. 
 
 
O PODER DE POLÍCIA está expresso no Código Tributário Nacional de 1996, no seu artigo 78: 
 
a atividade da Administração Pública que limitando ou disciplinando o direito, 
interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão 
de interesse público, concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos 
costumes, à disciplina de produção e do mercado, ao exercício das atividades 
econômicas, dependentes de concessão ou autorização do poder público, a 
tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais e 
coletivos. (CTN, 1996). 
 
LIMITAÇÕES DO PODER DE POLÍCIA - Existem três limitações às quais os policiais devem 
observar durante o serviço e quando do uso da força e das armas de fogo, estes no seu ato discricionário, 
devem se submeter às limitações da LEGALIDADE, NECESSIDADE, PROPORCIONALIDADE e 
CONVENIÊNCIA cabendo-lhes as responsabilizações penais, civis e administrativas por eventuais 
violações, quer pela ordem, pela execução ou pela omissãoimpeditiva de atos que violem os direitos 
humanos. 
 
No plano da legalidade, o agente do estado só pode usar a força ou as armas de fogo, estritamente quando 
as leis lhes autorizem e uma vez autorizado pela lei, os encarregados de aplicação devem observar se a 
situação realmente exige o uso da força ou das armas de fogo, se realmente é necessária a sua utilização; 
 
Por conseguinte, amparados pela legalidade e diante de uma real necessidade, os encarregados de aplicação 
da lei farão o uso da força ou das armas de fogo de forma proporcionalmente à resistência que lhe é 
oferecida. Isto posto, compreendemos que os poderes da polícia não são absolutos, mas sim relativos, pois 
devem estreita obediência aos princípios elencados acima. 
 
CFSD 21 
 
 
 
SÃO FUNÇÕES E DEVERES DAS ORGANIZAÇÕES DE 
APLICAÇÃO DA LEI 
 
MANUTENÇÃO DA ORDEM PÚBLICA; 
PRESTAÇÃO DE AUXÍLIO E ASSISTÊNCIA EM TODOS 
OS TIPOS DE EMERGÊNCIA; 
PREVENÇÃO E DETECÇÃO DO CRIME. 
 
A educação e a formação do policial militar se apresentam relevantes quando este é designado para 
trabalhar junto à comunidade, os treinamentos, cursos de formação ou aperfeiçoamento, lhes oferecem 
condições de estar preparado para tal função, assim, o processo educativo abarca os aspectos que vão desde 
a formação da personalidade do servidor, com princípios e valores éticos sociais até a parte técnico-
profissional, justamente para fornecer instrumentos ao servidor para que atue dentro das normas legais 
estabelecidas nas diversas legislações, logo, cabe ao policial militar manter-se em constante estado de 
aprimoramento de seus conhecimentos. 
 
6.2. CONTROLE INTERNO E EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL MILITAR 
 
O Estado eminentemente coercitivo impõe sua vontade ao público em geral, contudo, suas ações possuem 
limitação constitucional, logo, o agente policial militar quando atua deve restringir suas ações a legalidade 
e preceitos determinados pela instituição e quando ultrapassa esse limites funcionais, estará sujeito a 
sanções que podem se dar na esfera administrativa, penal e civil, respondendo subjetivamente pelo excesso 
de suas ações. 
 
As limitações ao poder de polícia dos servidores devem ser levadas a sério, visto que, as irregularidades 
ocorridas em atuações policiais contrariam definitivamente a política e valores da Polícia Militar do Estado 
da Bahia (PMBA), fugindo às premissas institucionais que são imediatamente apuradas pelas 
Corregedorias Setoriais (Corset’s) existentes em cada Unidade da Corporação, bem como, pela 
Corregedoria Geral que é o órgão geral responsável pelo controle interno da conduta e comportamento dos 
policiais militares na instituição, àquelas setoriais estão subordinadas na estrutura funcional da Corporação. 
 
Não obstante haver o controle interno, que pode submeter o policial militar a processos e procedimentos 
administrativo ou jurídico-militar, a conduta dos servidores policiais também é fiscalizada pelo Ministério 
Público Estadual (MPBA), que é responsável pelo acompanhamento e controle externo da atividade 
policial militar além de ter o papel de fiscalizador das instituições públicas estaduais, nesse contexto, a 
Polícia Militar do Estado da Bahia deve total obediência e observância às respectivas requisições daquele 
órgão fiscalizador, visto que, possui status de recomendação. 
 
No caso de violações perpetradas por policiais militares existe ainda a Corregedoria da Secretaria de 
Segurança Pública (SSP) e a Ouvidoria da PMBA, às quais qualquer cidadão pode fazer uma denúncia ou 
reclamação, cujas denúncias, são encaminhadas às respectivas Corregedorias Corregedoria Geral e Setorial 
das Unidades da Polícia Militar, nos locais mais equidistantes do Estado, logo, quando da queixa de abuso 
de autoridade por parte dos policiais, procede-se a apuração das infrações, sob a esfera administrativa, 
penal e civil. 
 
Não obstante, para garantir a proteção aos denunciantes, existe no Brasil um Programa de Proteção de 
Testemunhas que assegura o sigilo de localização e dados da pessoa denunciante, em caso de risco à sua 
vida ou família; este programa é chamado de PROVITA. 
CFSD 22 
 
 
 
6.3. RELAÇÃO: DIREITOS HUMANOS E O ESTADO 
 
É equivocado, o discurso que afirma que os “direitos humanos só servem para defender marginal”, ou que 
“é balela”, “onda da mídia”, dentre outras tantas definições do senso comum. Se fizermos uma breve 
análise da história da humanidade, perceberemos que eles existem, estão evoluindo e estão a proteger os 
homens do arbítrio ou tirania de seus governantes, inclusive, os próprios agentes estatais, quando buscam 
melhoria para suas condições de trabalho, por este motivo cabe ao Estado a proteção dos Direitos 
Humanos, logo, cabe ao policial militar preservar e estimular sua aplicação: 
 
 
Queira ou não, a polícia é uma instituição do Estado, encarregada da 
manutenção da ordem e da paz social. As violações praticadas por seus 
agentes são atribuída a ele e as cobranças decorrentes de tais abusos, 
também.[...] Reacende-se a luta histórica dos Direitos Humanos na defesa dos 
mais fracos contra o poder absolutista do Estado[...]. No enfoque político 
ideológico não se sustenta o argumento de que Direitos Humanos protege 
delinqüentes, mas sim, os cidadãos, sem discriminação, contra o nepotismo 
estatal. (DA SILVA,2004) 
 
 
Numa democracia, a polícia militar não pode ser seletiva e trabalhar com estratégias diferentes em função 
do público com o qual lida não se pode admitir atuar de forma mais favorável com pessoas de classes mais 
abastadas e com maior rigor com pessoas de classes com menor potencial econômico, as polícias devem 
ser reconhecidas como garantidoras dos direitos humanos e não o contrário, a PM tem um papel estratégico 
e principal na garantida do Estado de Direito, pois é através da força, inclusive bélica, que poderão cessar 
os conflitos que geram instabilidade na ordem social. 
 
 
A tomada de decisão do policial militar representa o Estado atuando, por este motivo, deve ser autônoma 
de valores arcaicos tradicionalmente enraizados no seio da tropa, que não refletem a postura correta frente 
à norma vigente atual, logo, cabe ao policial militar não se deixar contaminar pela forma de atuar seletiva, 
visto que desestabiliza a democracia e gera distorções na aplicação da justiça. 
 
 
O policial militar é a primeira linha de defesa dos direitos humanos e da segurança da 
comunidade na qual trabalha, materializando a ação do Estado, na defesa dos 
Direitos Humanos 
 
 
As decisões dos policiais militares devem se fundamentar na impessoalidade e na imparcialidade, sendo 
independentes, assim, torna-se eivada de vício a decisão que se fundamenta na posição hierarquia ou 
socioeconômica do outro indivíduo e, não, pelo princípio da igualdade; deste modo, a influência das 
prerrogativas de terceiros não pode interferir na autonomia do policial militar, que deve ter vigilância 
constante nas suas ações e atuar com legalidade. 
 
CFSD 23 
 
 
Segundo Adriano Oliveira (2001), versando sobre polícia e direitos humanos, ele informa que estes fazem 
parte do Estado de Direito e deve ser defendido pelos agentes estatais; que os atores policiais podem usar a 
força em situação de conflito, contudo, dentro dos limites da lei, apesar de que, nem sempre os policiais 
atuam em conformidade com a igualdade dos direitos por que atuam de modo seletivo, beneficiando a uns 
e sendo rigoroso com outros; não obstante, o autor informaque os policiais militares possuem seus 
próprios direitos humanos violados, quando são levados por uma dependência institucional ou a valores 
contraditórios que os levam a atuarem fora da perspectiva da igualdade e da autonomia que deve existir no 
processo decisório frente a atividade policial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesse contexto, é importante ressaltar que o policial militar que deixa de estimular o exercício dos direitos 
humanos na sociedade, também deixa de usufruir dos benefícios do estado democrático de direito 
igualmente como os demais destinatários do povo, pois, o acesso aos direitos humanos é mitigado no plano 
geral, levando o agente estatal policial ao prejuízo do reconhecimento de melhores condições de trabalho e 
vida também na sua esfera pessoal e profissional, interferindo na aplicação dos direitos humanos, inclusive, 
para o próprio policial militar que em algum momento sofrerá a força nociva da seletividade instaurada. 
 
 
COMPORTAMENTOS GERADOS PELA SELETIVIDADE 
dependência na tomada de decisões; 
falta de iniciativa para coibir corrupção de outros agentes; 
agir mediante ameaça com uns e mediante cessão de benefícios com 
outros; 
tomada de decisões mediante prerrogativas e não fundamentada na 
imparcialidade; 
fortalecimento da dependência institucional, nociva; 
acolhimento das vítimas de alta densidade econômica e desprezo às 
vítimas de nível baixo ou moderado; 
uso da força para reprimir grupos menos favorecidos, sem garantir o 
Estado de Direito; 
maior apoio a pessoas de classes com acesso ao poder político e menor 
apoio aos que não possuem; 
autonomia mitigada ou prejudicada, falta de liberdade para tomar 
decisões; 
maior sanção e rigor nos crimes cometidos por pobre e menor aos ricos; 
favorecimento do lucro ilícito na atividade funcional; 
prioridade na investigação dos crimes de ricos e não nos que envolvem 
vítimas de pobres; 
violação de direitos humanos, inclusive, dos próprios policiais; 
julgamentos inquisitoriais ilícitos cometidos por agentes; 
fragilização da evolução do regime democrático de direito; 
baixa eficiência e eficácia na aplicação, estímulo e ampliação dos 
direitos humanos pelos policiais 
CFSD 24 
 
 
7. DIRETRIZES DA ONU QUE DEVEM SER SEGUIDAS PELOS POLICIAIS MILITARES 
 
Para a ONU o trabalho policial somente é eficaz quando segue princípios éticos, técnicos e 
legais, este órgão possui um código de conduta para os funcionários responsáveis pela aplicação da 
lei, seus principais pontos são: 
 
7.1. PARA A ONU COMO DEVE SER O TRABALHO DO POLICIAL? 
 
 Cumprir sempre o dever que a lei lhes impõe, servindo a comunidade e protegendo todas 
as pessoas contra atos ilegais; 
 
 Respeitar e proteger a dignidade humana, manter e apoiar os direitos fundamentais de 
todas as pessoas; 
 
 Só empregar a força quando isso seja estritamente necessário e na medida exigida 
para o cumprimento do seu dever; 
 
 Manter em segredo as informações de natureza confidencial, a não ser que o 
cumprimento do dever ou as necessidades da justiça exijam outro comportamento; 
 
 Não infringir, instigar ou tolerar qualquer ato de tortura ou qualquer outra pena ou 
tratamento cruel, desumano ou degradante; 
 
 Assegurar a proteção da saúde das pessoas sob sua guarda. 
 
 Não cometer qualquer ato de corrupção e opondo-se vigorosamente. 
 
7 . 2 . ASPECTOS QUE O POLICIAL DEVE OBSERVAR NO USO DA FORÇA E DE 
ARMAS DE FOGO: 
 
1) Usar meios não-violentos, antes de recorrer ao uso da força e armas de fogo; 
2) Só é aceitável o uso da força e armas de fogo quando os outros meios se revelarem ineficazes ou incapazes 
de produzirem o resultado legal pretendido (razoabilidade); 
3) Caso o uso legítimo da força e de armas de fogo seja inevitável, o policial deve: 
 
(a) Exercê-las com moderação e agir na proporção da gravidade da infração e do objetivo legítimo a ser 
alcançado (proporcionalidade); 
 
(b) Minimizar danos e ferimentos, respeitar e preservar a vida humana; 
 
(c) Assegurar que qualquer indivíduo ferido ou afetado receba assistência e cuidados médicos o mais rápido 
possível; 
 
(d) Garantir que os familiares ou amigos íntimos da pessoa ferida sejam informados, bem como, os atores 
legais estabelecidos. 
 
CFSD 25 
 
 
ANTES DE EMPREGAR A FORÇA OU ARMA DE FOGO FAÇA SEMPRE, AS TRÊS PERGUNTAS: 
 
1) O poder ou a autoridade que estou utilizando têm fundamento na legislação? (LEGALIDADE) 
2) O exercício deste poder ou autoridade é necessário ou existem alternativas? (NECESSIDADE) 
3) O poder ou a autoridade utilizados são proporcionais à seriedade do delito e do que deve ser alcançado? 
(PROPORCIONALIDADE) 
 
É preciso ter LEGALIDADE E RESPONSABILIDADE na atividade policial e, quando você se deparar 
com infratores da lei somente utilize procedimentos e táticas legais, pois a função policial é levar os 
infratores à justiça e não “fazer justiça”. Não improvise, seja técnico e profissional, pois o policial cidadão 
tem suas ações fundamentadas em princípios éticos, técnicos e legais. O bom policial é aquele que é 
cidadão, que entende as diferenças, não discrimina e promove a tolerância e o respeito. 
 
 
7.3. ATENDIMENTO ESPECIAL A ALGUNS GRUPOS DE PESSOAS 
 
O policial militar deve estar atento a abordagem a pessoas que pela maior vulnerabilidade necessitam de 
atenção especial dos agentes de segurança pública, segundo a ONU, são eles: 
 
a) Idosos: considera-se idosa a pessoa com idade igual ou superior a 60 anos; 
 
As pessoas idosas demandam especial atenção dos agentes e autoridades policiais e devem ser tratadas com 
respeito e conforto; ao abordar uma pessoa idosa deve-se levar em consideração suas especificidades 
físicas e sensoriais decorrentes de sua condição etária, de modo que a ação policial não represente risco à 
sua integridade física. 
 
b) Pessoas com deficiências: são todas as pessoas que têm algum tipo de limitação física, mental ou 
sensorial, que reduza a sua capacidade de exercer as atividades da vida diária. 
 
A cadeira de rodas é um equipamento complementar ao corpo da pessoa com deficiência, não se apóie ou 
segure nela e permaneça no mesmo nível dos olhos da pessoa com deficiência. Não estacione a viatura nas 
vagas reservadas a veículos que conduzam pessoas com deficiência física, lembre-se que a descida em uma 
inclinação deve ser feita de ré para evitar que a pessoa caia para frente e, quando se tratar de pessoa 
suspeita, o cadeirante deve sofrer BUSCA PESSOAL, bem com sua cadeira ou outros materiais de apoio. 
 
Na Deficiência auditiva, para se comunicar com uma pessoa surda fale sempre de frente para ela, para 
que ela possa ver seus lábios (muitos surdos fazem leitura labial), fale com o surdo clara e pausadamente e 
não grite, pois ele não o ouvirá e sua expressão parecerá agressiva. Realize gestos que facilitem a 
comunicação e se não entender o que o surdo estiver falando, solicite que repita ou, em último caso, que 
escreva a mensagem. 
 
Na Deficiência Visual, ao falar com uma pessoa cega ou com baixa visão, se faça anunciar, para que ela 
saiba que você está se dirigindo a ela, identifique-se como policial logo no início da comunicação e utilize 
o tom normal da voz, pois o cego não tem deficiência auditiva. 
 
Na Deficiência intelectual, não use termos pejorativos e trate a pessoa com deficiência intelectual de 
acordo com sua idade, a linguagem deve ser clara para facilitar a sua compreensão, cuidado com possíveis 
rompante de violência, lembre-se que muitas vezes a pessoa não tem noção do que faz. 
 
 
CFSD26 
 
 
c) Mulheres 
As revistas pessoais e das vestimentas de mulheres serão sempre feitas por uma policial feminina; mulheres 
detidas ou presas devem ser mantidas, em todas as circunstâncias, separadas dos homens detidos; 
 
Mulheres e meninas vítimas de crime sexual devem receber atendimento, sempre que possível, de policiais 
femininas e na impossibilidade, o homem policial deve ter a sensibilidade e trato adequado a sua condição 
de vítima; quando envolver violência e brigas entre marido e mulher, estes são sim, assuntos de Polícia; os 
policiais não devem hesitar em interferir sempre que houver caracterização de crime sexual, 
constrangimento ilegal, ameaça, crimes contra a honra ou lesão corporal, os policiais devem adotar 
providências legais de imediato. 
 
d) Crianças e Adolescentes 
 
Criança: é toda pessoa de até doze anos de idade incompletos; adolescente é toda pessoa entre doze e 
dezoito anos de idade incompletos. 
 
A forma segura de saber a idade de uma pessoa é conferindo seu documento de identidade; conforme 
Constituição Federal, crianças e adolescentes são pessoas em peculiar fase de desenvolvimento e, portanto, 
não devem ser tratados como adultos, não podem ser tratados de modo atentatório à sua dignidade ou com 
risco à sua integridade física ou mental. A proibição do uso de algemas e do transporte em compartimento 
fechado de veículos deve ser tratada como regra e em caso de apreensão, o adolescente não poderá ser 
colocado com presos adultos. Quando a apreensão se der em virtude de ordem judicial, deverá ser 
imediatamente informado ao juiz sobre a sua apreensão. 
 
Violar as regras especiais de tratamento a crianças e adolescentes pode se constituir crime. 
 
 
8. PRINCIPAIS DIREITOS EXPRESSOS NO ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL/88 
 
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no país (também aos que estão em trânsito), a inviolabilidade do direito à vida, à 
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. 
 
As principais discussões do artigo 5º da Constituição Federal Brasileira são: 
 Liberdade de ação (Inciso II); 
 Direito a tratamento humano (Inciso III); 
 Liberdade de manifestação de pensamento (Incisos IV e V); 
 Liberdade de crença e culto (Incisos VI a VIII); 
 Direito a inviolabilidade da vida particular (Incisos X a XII); 
 Direito ao trabalho (Inciso XIII); 
 Liberdade de locomoção (Inciso XV); 
 Igualdade perante a justiça (Inciso XXXVII); 
 Proibição de discriminação e punição do racismo (Inciso XLI e XLII); 
 Crimes inafiançáveis (Inciso XLII a XLIV); 
 Direito ao devido processo legal (Inciso LIII e LIV); 
 Direitos referentes à defesa e ao processo (Inciso LV e LVI); 
 Direito à presunção de inocência (Inciso LVII); 
 Identificação criminal (Inciso LVIII); 
 Direitos referentes à prisão (Inciso LXI e LXII); 
 Além dos direitos de informação, de petição, inafastabilidade do poder judiciário, presunção de 
inocência, anterioridade da lei penal,irretroatividade da lei penal, ao contraditório e ampla defesa, 
não culpabilidade, inadmissibilidade da prova ilícita, a coisa julgada e vedação ao juízo ou tribunal 
de exceção. 
 
CFSD 27 
 
 
9. LEGISLAÇÕES (ADAPTADAS)
 
 
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA 
PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº 4.226, DE 31 DE 
DEZEMBRO DE 2010 
 
ESTABELECE DIRETRIZES SOBRE O USO DA 
FORÇA E ARMAS DE FOGO PELOS AGENTES DE 
SEGURANÇA PÚBLICA 
 
O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA e o MINISTRO DE 
ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA 
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, 
 
no uso das atribuições que lhes conferem os incisos I e II, do parágrafo 
único, do art. 87, da Constituição Federal e, CONSIDERANDO que a 
concepção do direito à segurança pública com cidadania demanda a 
sedimentação de políticas públicas de segurança pautadas no respeito 
aos direitos humanos; 
 
CONSIDERANDO o disposto no Código de Conduta para os 
Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotado pela 
Assembléia Geral das Nações Unidas na sua Resolução 34/169, de 17 
de dezembro de 1979, nos Princípios Básicos sobre o Uso da Força e 
Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da 
Lei, adotados pelo Oitavo Congresso das Nações Unidas para a 
Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes, realizado em 
Havana, Cuba, de 27 de Agosto a 7 de setembro de 1999, nos Princípios 
orientadores para a Aplicação Efetiva do Código de Conduta para os 
Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotados pelo 
Conselho Econômico e Social das Nações Unidas na sua resolução 
1989/61, de 24 de maio de 1989 e na Convenção Contra a Tortura e 
outros Tratamentos ou penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, 
adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em sua XL Sessão, 
realizada em Nova York em 10 de dezembro de 1984 e promulgada 
pelo Decreto n.º 40, de 15 de fevereiro de 1991; 
 
CONSIDERANDO a necessidade de orientação e padronização dos 
procedimentos da atuação dos agentes de segurança pública aos 
princípios internacionais sobre o uso da força; 
 
CONSIDERANDO o objetivo de reduzir paulatinamente os índices 
de letalidade resultantes de ações envolvendo agentes de segurança 
pública; e, 
 
CONSIDERANDO as conclusões do Grupo de Trabalho, criado para 
elaborar proposta de Diretrizes sobre Uso da Força, composto por 
representantes das Polícias Federais, Estaduais e Guardas Municipais, 
bem como com representantes da sociedade civil, da Secretaria de 
Direitos Humanos da Presidência da República e do Ministério da 
Justiça, resolvem: 
 
Art. 1o Ficam estabelecidas Diretrizes sobre o Uso da Força pelos 
Agentes de Segurança Pública, na forma do Anexo I desta Portaria. 
Parágrafo único. Aplicam-se às Diretrizes estabelecidas no Anexo I, as 
definições constantes no Anexo II desta Portaria. 
 
Art. 2º A observância das diretrizes mencionadas no artigo anterior 
PASSA A SER OBRIGATÓRIA pelo Departamento de Polícia 
Federal, pelo Departamento de Polícia Rodoviária Federal, pelo 
Departamento Penitenciário Nacional e pela Força Nacional de 
Segurança Pública. 
[...] 
Art. 3º A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e 
o Ministério da Justiça estabelecerão mecanismos para estimular e 
monitorar iniciativas que visem à implementação de ações para 
efetivação das diretrizes tratadas nesta portaria pelos entes federados, 
respeitada a repartição de competências prevista no art. 144 da 
Constituição Federal. 
 
Art. 4º A Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da 
Justiça levará em consideração a observância das diretrizes tratadas 
nesta portaria no repasse de recursos aos entes federados. 
 
Art. 5º Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação. 
LUIZ PAULO BARRETO 
Ministro de Estado da Justiça 
PAULO DE TARSO VANNUCHI 
Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da 
Presidência da República. 
 
ANEXO I 
DIRETRIZES SOBRE O USO DA FORÇA E ARMAS DE FOGO 
PELOS AGENTES DE SEGURANÇA PÚBLICA 
 
1. O uso da força pelos agentes de segurança pública deverá se pautar 
nos documentos internacionais de proteção aos direitos humanos e 
deverá considerar, primordialmente: 
a. ao Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela 
Aplicação da Lei, adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas na 
sua Resolução 34/169, de 17 de dezembro de 1979; 
b. os Princípios orientadores para a Aplicação Efetiva do Código de 
Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, 
adotados pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas na sua 
resolução 1989/61, de 24 de maio de 1989; 
c. os Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos 
Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotados pelo 
Oitavo Congresso das Nações Unidas para a Prevenção do Crime e o 
Tratamento dos Delinqüentes,realizado em Havana, Cuba, de 27 de 
Agosto a 7 de setembro de 1999; d. a Convenção Contra a Tortura e 
outros Tratamentos ou penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, 
adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em sua XL Sessão, 
realizada em Nova York em 10 de dezembro de 1984 e promulgada 
pelo Decreto n.º 40, de 15 de fevereiro de 1991. 
 
2. O uso da força por agentes de segurança pública deverá obedecer aos 
princípios da legalidade, necessidade, proporcionalidade, moderação e 
conveniência. 
 
3. Os agentes de segurança pública não deverão disparar armas de fogo 
contra pessoas, exceto em casos de legítima defesa própria ou de 
terceiro contra perigo iminente de morte ou lesão grave. 
 
4. Não é legítimo o uso de armas de fogo contra pessoa em fuga que 
esteja desarmada ou que, mesmo na posse de algum tipo de arma, não 
represente risco imediato de morte ou de lesão grave aos agentes de 
segurança pública ou terceiros. 
 
5. Não é legítimo o uso de armas de fogo contra veículo que desrespeite 
bloqueio policial em via pública, a não ser que o ato represente um 
risco imediato de morte ou lesão grave aos agentes de segurança 
pública ou terceiros. 
 
6. Os chamados "disparos de advertência" não são considerados prática 
aceitável, por não atenderem aos princípios elencados na Diretriz n.º 2 e 
em razão da imprevisibilidade de seus efeitos. 
https://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=4824884760297821339&postID=4694350601082746963&from=pencil
CFSD 28 
 
 
 
7. O ato de apontar arma de fogo contra pessoas durante os 
procedimentos de abordagem não deverá ser uma prática rotineira e 
indiscriminada. 
 
8. Todo agente de segurança pública que, em razão da sua função, possa 
vir a se envolver em situações de uso da força, deverá portar no mínimo 
2 (dois) instrumentos de menor potencial ofensivo e equipamentos de 
proteção necessários à atuação específica, independentemente de portar 
ou não arma de fogo. 
 
9. Os órgãos de segurança pública deverão editar atos normativos 
disciplinando o uso da força por seus agentes, definindo objetivamente: 
a. os tipos de instrumentos e técnicas autorizadas; 
b. as circunstâncias técnicas adequadas à sua utilização, ao 
ambiente/entorno e ao risco potencial a terceiros não envolvidos no 
evento; 
c. o conteúdo e a carga horária mínima para habilitação e atualização 
periódica ao uso de cada tipo de instrumento; 
d. a proibição de uso de armas de fogo e munições que provoquem 
lesões desnecessárias e risco injustificado; e 
e. o controle sobre a guarda e utilização de armas e munições pelo 
agente de segurança pública. 
 
10. Quando o uso da força causar lesão ou morte de pessoa(s), o agente 
de segurança pública envolvido deverá realizar as seguintes ações: 
a. facilitar a prestação de socorro ou assistência médica aos feridos; 
b. promover a correta preservação do local da ocorrência; 
c. comunicar o fato ao seu superior imediato e à autoridade competente; 
e 
d. preencher o relatório individual correspondente sobre o uso da força, 
disciplinado na Diretriz n.º 22. 
 
11. Quando o uso da força causar lesão ou morte de pessoa(s), o órgão 
de segurança pública deverá realizar as seguintes ações: 
a.facilitar a assistência e/ou auxílio médico dos feridos; 
b.recolher e identificar as armas e munições de todos os envolvidos, 
vinculando-as aos seus respectivos portadores no momento da 
ocorrência; 
c.solicitar perícia criminalística para o exame de local e objetos bem 
como exames médico-legais; 
d.comunicar os fatos aos familiares ou amigos da(s) pessoa(s) ferida(s) 
ou morta(s); 
e.iniciar, por meio da Corregedoria da instituição, ou órgão equivalente, 
investigação imediata dos fatos e circunstâncias do emprego da força; 
f.promover a assistência médica às pessoas feridas em decorrência da 
intervenção, incluindo atenção às possíveis seqüelas; 
g.promover o devido acompanhamento psicológico aos agentes de 
segurança pública envolvidos, permitindo-lhes superar ou minimizar os 
efeitos decorrentes do fato ocorrido; e 
h.afastar temporariamente do serviço operacional, para avaliação 
psicológica e redução do estresse, os agentes de segurança pública 
envolvidos diretamente em ocorrências com resultado letal. 
 
12. Os critérios de recrutamento e seleção para os agentes de segurança 
pública deverão levar em consideração o perfil psicológico necessário 
para lidar com situações de estresse e uso da força e arma de fogo. 
 
13. Os processos seletivos para ingresso nas instituições de segurança 
pública e os cursos de formação e especialização dos agentes de 
segurança pública devem incluir conteúdos relativos a direitos 
humanos. 
 
14. As atividades de treinamento fazem parte do trabalho rotineiro do 
agente de segurança pública e não deverão ser realizadas em seu horário 
de folga, de maneira a serem preservados os períodos de descanso, lazer 
e convivência sócio-familiar. 
 
15. A seleção de instrutores para ministrarem aula em qualquer assunto 
que englobe o uso da força deverá levar em conta análise rigorosa de 
seu currículo formal e tempo de serviço, áreas de atuação, experiências 
anteriores em atividades fim, registros funcionais, formação em direitos 
humanos e nivelamento em ensino. Os instrutores deverão ser 
submetidos à aferição de conhecimentos teóricos e práticos e sua 
atuação deve ser avaliada. 
 
16. Deverão ser elaborados procedimentos de habilitação para o uso de 
cada tipo de arma de fogo e instrumento de menor potencial ofensivo 
que incluam avaliação técnica, psicológica, física e treinamento 
específico, com previsão de revisão periódica mínima. 
 
17. Nenhum agente de segurança pública deverá portar armas de fogo 
ou instrumento de menor potencial ofensivo para o qual não esteja 
devidamente habilitado e sempre que um novo tipo de arma ou 
instrumento de menor potencial ofensivo for introduzido na instituição 
deverá ser estabelecido um módulo de treinamento específico com 
vistas à habilitação do agente. 
 
18. A renovação da habilitação para uso de armas de fogo em serviço 
deve ser feita com periodicidade mínima de 1 (um) ano. 
 
19. Deverá ser estimulado e priorizado, sempre que possível, o uso de 
técnicas e instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de 
segurança pública, de acordo com a especificidade da função 
operacional e sem se restringir às unidades especializadas. 
 
20. Deverão ser incluídos nos currículos dos cursos de formação e 
programas de educação continuada conteúdos sobre técnicas e 
instrumentos de menor potencial ofensivo. 
 
21. As armas de menor potencial ofensivo deverão ser separadas e 
identificadas de forma diferenciada, conforme a necessidade 
operacional. 
 
22. O uso de técnicas de menor potencial ofensivo deve ser 
constantemente avaliado. 
 
23. Os órgãos de segurança pública deverão criar comissões internas de 
controle e acompanhamento da letalidade, com o objetivo de monitorar 
o uso efetivo da força pelos seus agentes. 
 
24. Os agentes de segurança pública deverão preencher um relatório 
individual todas as vezes que dispararem arma de fogo e/ou fizerem uso 
de instrumentos de menor potencial ofensivo, ocasionando lesões ou 
mortes. O relatório deverá ser encaminhado à comissão interna 
mencionada na Diretriz n.º 23 e deverá conter no mínimo as seguintes 
informações: 
 
a.circunstâncias e justificativa que levaram o uso da força ou de arma 
de fogo por parte do agente de segurança pública; 
b.medidas adotadas antes de efetuar os disparos/usar instrumentos de 
menor potencial ofensivo, ou as razões pelas quais elas não puderam ser 
contempladas; 
c.tipo de arma e de munição, quantidade de disparos efetuados, 
distância e pessoa contra a qual foi disparada a arma; 
d. instrumento(s) de menor potencial ofensivo utilizado(s), 
especificando a freqüência, a distância e a pessoa contra a qual foi 
utilizado oinstrumento; 
e. quantidade de agentes de segurança pública feridos ou mortos na 
ocorrência, meio e natureza da lesão; 
CFSD 29 
 
 
f. quantidade de feridos e/ou mortos atingidos pelos disparos efetuados 
pelo(s) agente(s) de segurança pública; 
g. número de feridos e/ou mortos atingidos pelos instrumentos de 
menor potencial ofensivo utilizados pelo(s) agente(s) de segurança 
pública; 
h. número total de feridos e/ou mortos durante a missão; 
i. quantidade de projéteis disparados que atingiram pessoas e as 
respectivas regiões corporais atingidas; 
j. quantidade de pessoas atingidas pelos instrumentos de menor 
potencial ofensivo e as respectivas regiões corporais atingidas; 
k. ações realizadas para facilitar a assistência e/ou auxílio médico, 
quando for o caso; e 
l. se houve preservação do local e, em caso negativo, apresentar 
justificativa. 
 
25. Os órgãos de segurança pública deverão, observada a legislação 
pertinente, oferecer possibilidades de reabilitação e reintegração ao 
trabalho aos agentes de segurança pública que adquirirem deficiência 
física em decorrência do desempenho de suas atividades. 
 
ANEXO II – GLOSSÁRIO 
 
Armas de menor potencial ofensivo: Armas projetadas e/ou 
empregadas, especificamente, com a finalidade de conter, debilitar ou 
incapacitar temporariamente pessoas, preservando vidas e minimizando 
danos à sua integridade. 
 
Equipamentos de menor potencial ofensivo: Todos os artefatos, 
excluindo armas e munições, desenvolvidos e empregados com a 
finalidade de conter, debilitar ou incapacitar temporariamente pessoas, 
para preservar vidas e minimizar danos à sua integridade. 
 
Equipamentos de proteção: Todo dispositivo ou produto, de uso 
individual (EPI) ou coletivo (EPC) destinado a redução de riscos à 
integridade física ou à vida dos agentes de segurança pública. 
 
Força: Intervenção coercitiva imposta à pessoa ou grupo de pessoas por 
parte do agente de segurança pública com a finalidade de preservar a 
ordem pública e a lei. 
 
Força: Intervenção coercitiva imposta à pessoa ou grupo de pessoas por 
parte do agente de segurança pública com a finalidade de preservar a 
ordem pública e a lei. 
 
Instrumentos de menor potencial ofensivo: Conjunto de armas, 
munições e equipamentos desenvolvidos com a finalidade de preservar 
vidas e minimizar danos à integridade das pessoas. 
 
Munições de menor potencial ofensivo: Munições projetadas e 
empregadas, especificamente, para conter, debilitar ou incapacitar 
temporariamente pessoas, preservando vidas e minimizando danos a 
integridade das pessoas envolvidas. 
 
Nível do Uso da Força: Intensidade da força escolhida pelo agente de 
segurança pública em resposta a uma ameaça real ou potencial. 
 
Princípio da Conveniência: A força não poderá ser empregada quando, 
em função do contexto, possa ocasionar danos de maior relevância do 
que os objetivos legais pretendidos. 
 
Princípio da Legalidade: Os agentes de segurança pública só poderão 
utilizar a força para a consecução de um objetivo legal e nos estritos 
limites da lei. 
 
Princípio da Moderação: O emprego da força pelos agentes de 
segurança pública deve sempre que possível, além de proporcional, ser 
moderado, visando sempre reduzir o emprego da força. 
 
Princípio da Necessidade: Determinado nível de força só pode ser 
empregado quando níveis de menor intensidade não forem suficientes 
para atingir os objetivos legais pretendidos. 
 
Princípio da Proporcionalidade: O nível da força utilizado deve sempre 
ser compatível com a gravidade da ameaça representada pela ação do 
opositor e com os objetivos pretendidos pelo agente de segurança 
pública. 
 
Técnicas de menor potencial ofensivo: Conjunto de procedimentos 
empregados em intervenções que demandem o uso da força, através do 
uso de instrumentos de menor potencial ofensivo, com intenção de 
preservar vidas e minimizar danos à integridade das pessoas. 
 
Uso Diferenciado da Força: Seleção apropriada do nível de uso da força 
em resposta a uma ameaça real ou potencial visando limitar o recurso a 
meios que possam causar ferimentos ou mortes 
 
CÓDIGO DE CONDUTA PARA OS FUNCIONÁRIOS 
RESPONSÁVEIS PELA APLICAÇÃO DA LEI 
 
Adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas, no dia 17 
de Dezembro de 1979, através da Resolução nº 34/169 
Artigo 1º 
 Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem sempre 
cumprir o dever que a lei lhes impõe, servindo a comunidade e 
protegendo todas as pessoas contra atos ilegais, em conformidade com 
o elevado grau de responsabilidade que a sua profissão requer. 
Artigo 2º 
No cumprimento do dever, os funcionários responsáveis pela 
aplicação da lei devem respeitar e proteger a dignidade humana, 
manter e apoiar os direitos humanos de todas as pessoas. 
Artigo 3º 
Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei só podem 
empregar a força quando estritamente necessária e na medida 
exigida para o cumprimento do seu dever. Comentário O 
emprego da força por parte dos funcionários responsáveis pela 
aplicação da lei deve ser excepcional. Embora se admita que estes 
funcionários, de acordo com as circunstâncias, possam empregar 
uma força razoável, de nenhuma maneira ela poderá ser utilizada 
de forma desproporcional ao legítimo objetivo a ser atingido. O 
emprego de armas de fogo é considerado uma medida extrema; 
devem-se fazer todos os esforços no sentido de restringir seu uso, 
especialmente contra crianças. Em geral, armas de fogo só 
deveriam ser utilizadas quando um suspeito oferece resistência 
armada ou, de algum outro modo, põe em risco vidas alheias e 
medidas menos drásticas são insuficientes para dominá-lo. Toda 
vez que uma arma de fogo for disparada, deve-se fazer 
imediatamente um relatório às autoridades competentes. 
Artigo 4º Os assuntos de natureza confidencial em poder dos 
funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem ser 
mantidos confidenciais, a não ser que o cumprimento do dever ou 
necessidade de justiça estritamente exijam outro comportamento. 
CFSD 30 
 
 
Artigo 5º 
Nenhum funcionário responsável pela aplicação da lei pode infligir, 
instigar ou tolerar qualquer ato de tortura ou qualquer outro 
tratamento ou pena cruel, desumano ou degradante, nem nenhum 
destes funcionários pode invocar ordens superiores ou circunstâncias 
excepcionais, tais como o estado de guerra ou uma ameaça de guerra, 
ameaça à segurança nacional, instabilidade política interna ou 
qualquer outra emergência pública, como justificativa para torturas 
ou outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes. 
Comentário A Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou 
Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes define tortura como: 
"...qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou 
mentais são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, 
dela ou de uma terceira pessoa, informações ou confissões; de 
castigá-la por ato que ela ou uma terceira pessoa tenha cometido ou 
seja suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou 
outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de 
qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimentos são infligidos 
por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções 
públicas, ou por sua instigação, ou com o seu consentimento ou 
aquiescência. Não se considerará como tortura as dores ou 
sofrimentos que sejam conseqüência unicamente de sanções 
legítimas, ou que sejam inerentes a tais sanções ou dela decorram." 
Artigo 6º 
Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem garantir a 
proteção da saúde de todas as pessoas sob sua guarda e, em especial, 
devem adotar medidas imediataspara assegurar-lhes cuidados 
médicos, sempre que necessário. 
Artigo 7º 
 Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei não devem 
cometer quaisquer atos de corrupção. Também devem opor-se 
vigorosamente e combater todos estes atos. Comentário Qualquer ato 
de corrupção, tal como qualquer outro abuso de autoridade, é 
incompatível com a profissão dos funcionários responsáveis pela 
aplicação da lei. A lei deve ser aplicada com rigor a qualquer 
funcionário que cometa um ato de corrupção. Os governos não 
podem esperar que os cidadãos respeitem as leis se estas também não 
foram aplicadas contra os próprios agentes do Estado e dentro dos 
seus próprios organismos. 
Artigo 8º 
Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem respeitar a 
lei e este Código. Devem, também, na medida das suas 
possibilidades, evitar e opor-se com rigor a quaisquer violações da lei 
e deste Código. os funcionários responsáveis 
pela aplicação da lei que tiverem motivos para acreditar que houve ou 
que está para haver uma violação deste Código, devem comunicar o 
fato aos seus superiores e, se necessário, a outras autoridades 
competentes ou órgãos com poderes de revisão e reparação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS 
TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS 
OU DEGRADANTES 
 
DECRETO Nº 40, DE 15 DE FEVEREIRO DE 1991 
Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 
84, inciso VIII, da Constituição, e. 
Considerando que a Assembléia Geral das Nações Unidas, em sua 
XL Sessão, realizada em Nova York, adotou a 10 de dezembro de 
1984, a Convenção Contra a tortura e outros Tratamentos ou penas 
Cruéis, Desumanas ou Degradantes; 
Considerando que o Congresso Nacional aprovou a referida 
Convenção por meio do Decreto Legislativo nº 04, de 23 de maio de 
1989; Considerando que a carta de Ratificação da Convenção foi 
depositada em 28 de setembro de 1989; 
Considerando que a Convenção entrou em vigor para o Brasil em 28 
de outubro de 1989, na forma de seu artigo 27, inciso 2; 
DECRETA: 
Art. 1° A Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou 
penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, apenas por cópia ao 
presente Decreto, será executada e cumprida tão inteiramente como 
nela se contém. 
Art. 2° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação. 
 Brasília, em 15 de fevereiro de 1991; 
170º da Independência e 103° da República. 
FERNANDO COLLOR Francisco Rezek 
 
 
O conhecimento desta norma deverá ser 
complementado com o Estudo da norma 
nacional de combate a tortura. 
Comentário 
Subentende-se que os funcionários responsáveis pela 
aplicação da lei não devem sofrer sanções 
administrativas ou de qualquer outra natureza pelo 
fato de terem comunicado que houve, ou que está 
prestes a haver, uma violação deste Código; 
 
Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei 
que cumpram as disposições deste Código merecem 
o respeito, o total apoio e a colaboração da sociedade, 
do organismo de aplicação da lei no qual servem e da 
comunidade policial. 
 
 
CFSD 31 
 
 
 
ANEXO 
CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS 
TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS 
OU DEGRADANTES 
 
Os estados partes da presente Convenção, 
Considerando que, de acordo com os princípios proclamados 
pela Carta das Nações unidas, e reconhecimento dos direitos iguais e 
inalienáveis de todos os membros da família humana é o fundamento 
da liberdade, da justiça e da paz no mundo, 
Reconhecendo que estes direitos emanam da dignidade 
inerente à pessoa humana, 
considerando a obrigação que incumbe aos Estados, em 
virtude da carta, em particular do artigo 55, de promover o respeito 
universal e a observância dos direitos humanos e liberdade 
fundamentais, Levando em conta o Artigo 5º, da declaração universal 
dos Direitos do homem e o Artigo 7° do Pacto Internacional sobre a 
tortura ou a pena ou tratamento cruel, desumano ou degradante, 
Levando também em conta a Declaração sobre a Proteção de 
Todas as Pessoas contra a Tortura e outros Tratamentos ou penas 
Cruéis, Desumanos ou Degradantes, aprovada pela Assembléia Geral 
m 9 de dezembro de 1975, 
 
Desejosos de tornar mais eficaz a luta contra a tortura e 
outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes 
em todo o mundo, Acordam o seguinte: 
 
PARTE 
ARTIGO 1º 
1. Para os fins da presente Convenção, o termo "tortura" designa 
qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou 
mentais, são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, 
dela ou de uma terceira pessoa, informações ou confissões; de 
castigá-la por ato cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou 
outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de 
qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimento são infligidos por 
um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções 
públicas, ou por sua instigação, ou com o seu consentimento ou 
aquiescência. 
Não se considerará como tortura as dores ou sofrimentos 
conseqüência unicamente de sanções legítimas, ou que sejam 
inerentes a tais sanções ou delas decorram. 
 
2. O presente Artigo não será interpretado de maneira a restringir 
qualquer instrumento internacional ou legislação nacional que 
contenha ou possa conter dispositivos de alcance mais amplo. 
 
ARTIGO 2° 
 
1. Cada Estado Parte tomará medidas eficazes de caráter legislativo, 
administrativo, judicial ou de outra natureza, a fim de impedir a 
prática de atos de tortura em qualquer território sob sua jurisdição. 
 
2. Em nenhum caso poderão invocar-se circunstâncias excepcionais tais 
como ameaça ou estado de guerra, instabilidade política interna ou 
qualquer outra emergência como justificação para tortura. 
 
3. A ordem de um funcionário superior ou de uma autoridade pública 
não poderá ser invocada como justificação para a tortura 
4.A ordem de um funcionário superior ou de uma autoridade pública 
não poderá ser invocada como justificação para a tortura. 
 
 
PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE O USO DA FORÇA E 
ARMAS DE FOGO PELOS FUNCIONÁRIOS 
RESPONSÁVEIS PELA APLICAÇÃO DA LEI 
 
Adotados por consenso em 7 de setembro de 1990, por 
ocasião do Oitavo Congresso das Nações Unidas sobre a 
Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes. 
 
Considerando o Plano de Ação de Milão, adotado pelo Sétimo 
Congresso das Nações unidas sobre a Prevenção do Crime e o 
Tratamento dos Delinqüentes e aprovado pela Assembléia Geral 
através da Resolução 40/32 de 29 de novembro de 1985; 
 
Considerando também a Resolução do Sétimo Congresso pela qual o 
Comitê de Prevenção e Controle do Crime foi solicitado a considerar 
medidas visando tornar mais efetivo o Código de Conduta para os 
Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei; 
 
Tendo em conta, com o devido reconhecimento, o trabalho realizado 
em conformidade com a Resolução 14 do Sétimo Congresso, pelo 
Comitê, pela reunião interregional preparatória do Oitavo Congresso 
das Nações Unidas sobre a Prevenção do Crime e o Tratamento dos 
Delinqüentes, relativamente às normas e diretrizes das Nações 
Unidas sobre prevenção do crime, justiça e execução penal e às 
prioridades referentes ao posterior estabelecimento de padrões, e 
pelas reuniões regionais preparatórias do Oitavo Congresso; 
1. ADOTA os Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de 
Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei 
contidos no anexo à presente resolução; 
2. RECOMENDA os Princípios Básicos para adoção e execução 
nacional, regional e inter-regional, levando em consideração as 
circunstâncias e as tradições políticas, econômicas, sociais e culturais 
de cada país; 
 3. CONVIDA os Estados membros a ter em conta e respeitar os 
Princípios Básicos no contexto da legislação e das práticas nacionais;4. CONVIDA TAMBÉM os Estados membros a levar os Princípios 
Básicos ao conhecimento dos funcionários responsáveis pela 
aplicação da lei e de outros agentes do Executivo, magistrados, 
advogados, legisladores e público em geral; 
5. CONVIDA AINDA os Estados membros a informar o Secretário-
Geral, de cinco em cinco anos, a partir de 1992, sobre o progresso 
alcançado na implementação dos Princípios Básicos, incluindo sua 
disseminação, sua incorporação à legislação, à prática, aos 
procedimentos e às políticas internas; sobre os problemas 
encontrados na aplicação dos mesmos à nível nacional, e sobre a 
possível necessidade de assistência da comunidade internacional, 
solicitando ao Secretário-Geral que transmita tais informações ao 
Nono Congresso das Nações Unidas sobre a Prevenção do Crime e o 
Tratamento dos Delinqüentes; 
6. APELA a todos os governos para que promovam seminários e 
cursos de formação, a nível nacional e regional, sobre a função da 
aplicação das leis e sobre a necessidade de restrições ao uso da força 
e de armas de fogo pelos funcionários responsáveis pela aplicação da 
lei; 
CFSD 32 
 
 
UNITED NATIONS NATIONS UNIES 
7. EXORTA as comissões regionais, as instituições regionais e inter-
regionais encarregadas da prevenção do crime e da justiça penal, as 
agências especializadas e outras entidades no âmbito do sistema das 
Nações Unidas, outras organizações intergovernamentais interessadas 
e organizações não-governamentais com estatuto consultivo junto ao 
Conselho Econômico e Social, para que participem ativamente da 
implementação dos Princípios Básicos e informem o Secretário-Geral 
sobre os esforços feitos para disseminar e implementar tais 
LEGISLAÇÃO CITADA ANEXADA PELA COORDENAÇÃO DE 
ESTUDOS LEGISLATIVOS - CEDI Princípios e sobre o grau em 
que se concretizou tal implementação, solicitando ao SecretárioGeral 
que inclua essas informações no seu relatório ao Nono Congresso; 
 
8. APELA à Comissão de Prevenção e Controle do Crime para que 
considere, como questão prioritária, meios e formas de assegurar a 
implementação efetiva da presente resolução; 
 
9. SOLICITA ao Secretário-Geral: (a) Que tome medidas, conforme 
for adequado, para levar a presente resolução à atenção dos governos 
e de todos os órgão pertinentes das Nações Unidas, e que se 
encarregue de dar aos Princípios Básicos a máxima divulgação 
possível; (b) Que inclua os Princípios Básicos na próxima edição da 
publicação das Nações Unidas intitulada Direitos Humanos: Uma 
Compilação de Normas Internacionais (publicação das Nações 
Unidas, número de venda E.88.XIV.1); (c) Que forneça aos governos, 
mediante pedido dos mesmos, serviços de especialistas e consultores 
regionais e inter-regionais para prestação de assistência na 
implementação dos Princípios Básicos, e que apresente relatório ao 
Nono Congresso sobre a assistência e a formação técnicas prestadas; 
(d) Que relate à Comissão, quando da realização da sua décima-
segunda sessão, as providências tomadas visando implementar os 
Princípios Básicos. 
 
 10. SOLICITA ao Nono Congresso e respectivas reuniões 
preparatórias que examinem o progresso obtido na implementação 
dos Princípios Básicos. 
 
ANEXO 
 
PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE O USO DA FORÇA E 
ARMAS DE FOGO PELOS FUNCIONÁRIOS 
RESPONSÁVEIS PELA APLICAÇÃO DA LEI 
 
 Considerando que o trabalho dos funcionários encarregados da 
aplicação da lei (*) é de alta relevância e que, por conseguinte, é 
preciso manter e, sempre que necessário, melhorar as condições de 
trabalho e estatutárias desses funcionários; 
 
(*) De acordo com as observações relativas ao artigo 10 do Código 
de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da 
Lei, a expressão encarregados da aplicação da lei" refere-se a todos 
os executores da lei, nomeados ou eleitos, que exerçam poderes de 
natureza policial, especialmente o poder de efetuar detenções ou 
prisões. Nos países em que os poderes policiais são exercidos por 
autoridades militares, uniformizadas ou não, ou por forças de 
segurança do Estado, a definição de encarregados da aplicação da lei" 
deverá incluir os agentes desses serviços. 
 
Considerando que qualquer ameaça à vida e à segurança dos 
funcionários responsáveis pela aplicação da lei deve ser encarada 
como uma ameaça à estabilidade da sociedade em geral; 
Considerando que as Regras Mínimas para o Tratamento de 
Prisioneiros prevêem as circunstâncias nas quais é aceitável o uso da 
força pelos funcionários das prisões, no cumprimento das suas 
obrigações; 
 
Considerando que o artigo 30 do Código de Conduta para os 
Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei prevê que os 
funcionários encarregados da aplicação da lei somente podem fazer 
uso da força quando estritamente necessário e no grau em que for 
essencial ao desempenho das suas funções; 
 
Considerando que a reunião preparatória para o Sétimo Congresso 
das Nações Unidas sobre a Prevenção do Crime e o Tratamento dos 
Delinqüentes, realizada em Varena, Itália, chegou a um acordo sobre 
os elementos a serem considerados nos trabalhos posteriores sobre as 
limitações ao uso da força e de armas de fogo pelos funcionários 
responsáveis pela aplicação da lei; 
 
Considerando que o Sétimo Congresso, através da 14ª Resolução, 
salientou, entre outras coisas, que o uso da força e de armas de fogo 
pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei deve ser aferido 
pelo devido respeito aos direitos humanos; 
 
Considerando que o Conselho Econômico e Social, na sua Resolução 
1986/10, seção IX, de 21 de maio de 1986, recomendou aos Estados 
membros darem uma especial atenção, por ocasião da implementação 
do Código, ao uso da força e de armas de fogo pelos funcionários 
responsáveis pela aplicação da lei, e que a Assembléia Geral, na sua 
Resolução 41/149, de 4 de dezembro de 1986, dentre outras coisas 
corroborou aquela recomendação do Conselho; 
 
Considerando ser justo que, com a devida consideração pela 
segurança pessoal desses funcionários, seja levado em conta o papel 
dos responsáveis pela aplicação da lei em relação à administração da 
justiça, à proteção do direito à vida, à liberdade e à segurança da 
pessoa humana, à responsabilidade desses funcionários por velar pela 
segurança pública e pela paz social e à importância das habilitações, 
da formação e da conduta dos mesmos, Os Princípios Básicos 
enunciados a seguir, que foram formulados com o propósito de 
assistir os Estados membros na tarefa de assegurar e promover a 
adequada missão dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei, 
devem ser tomados em consideração e respeitados pelos governos no 
âmbito da legislação e da prática nacionais, e levados ao 
conhecimento dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei e 
de outras pessoas, tais como juízes, agentes do Ministério Público, 
advogados, membros do Executivo e do Legislativo, bem como do 
público em geral. 
 
Disposições gerais 
 
1. Os governos e entidades responsáveis pela aplicação da lei deverão 
adotar e implementar normas e regulamentos sobre o uso da força e 
de armas de fogo pelos responsáveis pela aplicação da lei. Na 
elaboração de tais normas e regulamentos, os governos e entidades 
responsáveis pela aplicação da lei devem examinar constante e 
minuciosamente as questões de natureza ética associadas ao uso da 
força e de armas de fogo. 
 
2. Os governos e entidades responsáveis pela aplicação da lei deverão 
preparar uma série tão ampla quanto possível de meios e equipar os 
responsáveis pela aplicação da lei com uma variedade de tipos de 
armas e munições que permitam o uso diferenciado da força e de 
armas de fogo. Tais providências deverão incluir o aperfeiçoamento 
de armas incapacitantes não-letais, para uso nas situações adequadas, 
com o propósito de limitar cada vez mais a aplicação de meios 
capazesde causar morte ou ferimentos às pessoas. Com idêntica 
finalidade, deverão equipar os encarregados da aplicação da lei com 
CFSD 33 
 
 
equipamento de legítima defesa, como escudos, capacetes, coletes à 
prova de bala e veículos à prova de bala, a fim de se reduzir a 
necessidade do emprego de armas de qualquer espécie. 
 
 
CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS 
HUMANOS 
(PACTO DE SÃO JOSÉ DA COSTA RICA) 
DECRETO No 678, DE 6 DE NOVEMBRO DE 1992 
 O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no exercício do cargo 
de PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe 
confere o art. 84, inciso VIII, da Constituição, e Considerando que a 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José 
da Costa Rica), adotada no âmbito da Organização dos Estados 
Americanos, em São José da Costa Rica, em 22 de novembro de 
1969, entrou em vigor internacional em 18 de julho de 1978, na 
forma do segundo parágrafo de seu art. 74; 
 Considerando que o Governo brasileiro depositou a carta de adesão 
a essa convenção em 25 de setembro de 1992; Considerando que a 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José 
da Costa Rica) entrou em vigor, para o Brasil, em 25 de setembro de 
1992 , de conformidade com o disposto no segundo parágrafo de seu 
art. 74; DECRETA: 
 Art. 1° A Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de 
São José da Costa Rica), celebrada em São José da Costa Rica, em 22 
de novembro de 1969, apensa por cópia ao presente decreto, deverá 
ser cumprida tão inteiramente como nela se contém. 
 Art. 2° Ao depositar a carta de adesão a esse ato internacional, em 
25 de setembro de 1992, o Governo brasileiro fez a seguinte 
declaração interpretativa: "O Governo do Brasil entende que os arts. 
43 e 48, alínea d , não incluem o direito automático de visitas e 
inspeções in loco da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, 
as quais dependerão da anuência expressa do Estado". 
 Art. 3° O presente decreto entra em vigor na data de sua publicação. 
Brasília, 6 de novembro de 1992; 171° da Independência e 104° da 
República. 
ITAMAR FRANCO 
Fernando Henrique Cardoso 
 
CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS 
HUMANOS 
 
Assinada na Conferência Especializada Interamericana sobre 
Direitos Humanos, 
San José, Costa Rica, em 22 de novembro de 1969 
 
PREÂMBULO 
 
 Os Estados americanos signatários da presente Convenção, 
 
 Reafirmando seu propósito de consolidar neste Continente, 
dentro do quadro das instituições democráticas, um regime de liberdade 
pessoal e de justiça social, fundado no respeito dos direitos essenciais do 
homem; 
 
 Reconhecendo que os direitos essenciais do homem não 
derivam do fato de ser ele nacional de determinado Estado, mas sim do 
fato de ter como fundamento os atributos da pessoa humana, razão por 
que justificam uma proteção internacional, de natureza convencional, 
coadjuvante ou complementar da que oferece o direito interno dos 
Estados americanos; 
 
 Considerando que esses princípios foram consagrados na Carta 
da Organização dos Estados Americanos, na Declaração Americana dos 
Direitos e Deveres do Homem e na Declaração Universal dos Direitos 
do Homem e que foram reafirmados e desenvolvidos em outros 
instrumentos internacionais, tanto de âmbito mundial como regional; 
 
 Reiterando que, de acordo com a Declaração Universal dos 
Direitos do Homem, só pode ser realizado o ideal do ser humano livre, 
isento do temor e da miséria, se forem criadas condições que permitam a 
cada pessoa gozar dos seus direitos econômicos, sociais e culturais, bem 
como dos seus direitos civis e políticos; e 
 
 Considerando que a Terceira Conferência Interamericana 
Extraordinária (Buenos Aires, 1967) aprovou a incorporação à própria 
Carta da Organização de normas mais amplas sobre direitos 
econômicos, sociais e educacionais e resolveu que uma convenção 
interamericana sobre direitos humanos determinasse a estrutura, 
competência e processo dos órgãos encarregados dessa matéria, 
 Convieram no seguinte: 
 
PARTE I 
DEVERES DOS ESTADOS E DIREITOS PROTEGIDOS 
CAPÍTULO I 
ENUMERAÇÃO DE DEVERES 
 
Artigo 1. Obrigação de respeitar os direitos 
 
 1. Os Estados Partes nesta Convenção comprometem-se a 
respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre 
e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição, sem 
discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião, 
opiniões políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou 
social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição 
social. 
 2. Para os efeitos desta Convenção, pessoa é todo ser 
humano. 
Artigo 2. Dever de adotar disposições de direito interno 
 Se o exercício dos direitos e liberdades mencionados no artigo 1 
ainda não estiver garantido por disposições legislativas ou de outra 
natureza, os Estados Partes comprometem-se a adotar, de acordo com as 
suas normas constitucionais e com as disposições desta Convenção, as 
medidas legislativas ou de outra natureza que forem necessárias para 
tornar efetivos tais direitos e liberdades. 
 
CAPÍTULO II 
DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS 
Artigo 3. Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica 
 Toda pessoa tem direito ao reconhecimento de sua personalidade 
jurídica. 
 
Artigo 4. Direito à vida 
 
 1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. 
Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da 
concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente. 
 
 2. Nos países que não houverem abolido a pena de morte, 
esta só poderá ser imposta pelos delitos mais graves, em cumprimento 
de sentença final de tribunal competente e em conformidade com lei que 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEC 678-1992?OpenDocument
CFSD 34 
 
 
estabeleça tal pena, promulgada antes de haver o delito sido cometido. 
Tampouco se estenderá sua aplicação a delitos aos quais não se aplique 
atualmente. 
 
 3. Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que 
a hajam abolido. 
 
 4. Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada por 
delitos políticos, nem por delitos comuns conexos com delitos políticos. 
 
 5. Não se deve impor a pena de morte a pessoa que, no 
momento da perpetração do delito, for menor de dezoito anos, ou maior 
de setenta, nem aplicá-la a mulher em estado de gravidez. 
 
 6. Toda pessoa condenada à morte tem direito a solicitar 
anistia, indulto ou comutação da pena, os quais podem ser concedidos 
em todos os casos. Não se pode executar a pena de morte enquanto o 
pedido estiver pendente de decisão ante a autoridade competente. 
 
Artigo 5. Direito à integridade pessoal 
 
 1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua 
integridade física, psíquica e moral. 
 
 2. Ninguém deve ser submetido a torturas, nem a penas ou 
tratos cruéis, desumanos ou degradantes. Toda pessoa privada da 
liberdade deve ser tratada com o respeito devido à dignidade inerente ao 
ser humano. 
 
 3. A pena não pode passar da pessoa do delinqüente. 
 
 4. Os processados devem ficar separados dos condenados, 
salvo em circunstâncias excepcionais, e ser submetidos a tratamento 
adequado à sua condição de pessoas não condenadas. 
 
 5. Os menores, quando puderemser processados, devem ser 
separados dos adultos e conduzidos a tribunal especializado, com a 
maior rapidez possível, para seu tratamento. 
 
 6. As penas privativas da liberdade devem ter por finalidade 
essencial a reforma e a readaptação social dos condenados. 
 
Artigo 6. Proibição da escravidão e da servidão 
 
 1. Ninguém pode ser submetido a escravidão ou a servidão, 
e tanto estas como o tráfico de escravos e o tráfico de mulheres são 
proibidos em todas as suas formas. 
 
 2. Ninguém deve ser constrangido a executar trabalho 
forçado ou obrigatório. Nos países em que se prescreve, para certos 
delitos, pena privativa da liberdade acompanhada de trabalhos forçados, 
esta disposição não pode ser interpretada no sentido de que proíbe o 
cumprimento da dita pena, imposta por juiz ou tribunal competente. O 
trabalho forçado não deve afetar a dignidade nem a capacidade física e 
intelectual do recluso. 
 
 3. Não constituem trabalhos forçados ou obrigatórios para os 
efeitos deste artigo: 
 
a. os trabalhos ou serviços normalmente exigidos de pessoa 
reclusa em cumprimento de sentença ou resolução formal expedida 
pela autoridade judiciária competente. Tais trabalhos ou serviços 
devem ser executados sob a vigilância e controle das autoridades 
públicas, e os indivíduos que os executarem não devem ser postos à 
disposição de particulares, companhias ou pessoas jurídicas de 
caráter privado; 
 
b. o serviço militar e, nos países onde se admite a isenção por 
motivos de consciência, o serviço nacional que a lei estabelecer em lugar 
daquele; 
 
c. o serviço imposto em casos de perigo ou calamidade que ameace a 
existência ou o bem-estar da comunidade; e 
 
d. o trabalho ou serviço que faça parte das obrigações cívicas 
normais. 
 
Artigo 7. Direito à liberdade pessoal 
 
 1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais. 
 
 2. Ninguém pode ser privado de sua liberdade física, salvo 
pelas causas e nas condições previamente fixadas pelas constituições 
políticas dos Estados Partes ou pelas leis de acordo com elas 
promulgadas. 
 
 3. Ninguém pode ser submetido a detenção ou encarceramento 
arbitrários. 
 
 4. Toda pessoa detida ou retida deve ser informada das razões 
da sua detenção e notificada, sem demora, da acusação ou acusações 
formuladas contra ela. 
 
 5. Toda pessoa detida ou retida deve ser conduzida, sem 
demora, à presença de um juiz ou outra autoridade autorizada pela lei a 
exercer funções judiciais e tem direito a ser julgada dentro de um prazo 
razoável ou a ser posta em liberdade, sem prejuízo de que prossiga o 
processo. Sua liberdade pode ser condicionada a garantias que 
assegurem o seu comparecimento em juízo. 
 
 6. Toda pessoa privada da liberdade tem direito a recorrer a 
um juiz ou tribunal competente, a fim de que este decida, sem demora, 
sobre a legalidade de sua prisão ou detenção e ordene sua soltura se a 
prisão ou a detenção forem ilegais. Nos Estados Partes cujas leis 
prevêem que toda pessoa que se vir ameaçada de ser privada de sua 
liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou tribunal competente a fim 
de que este decida sobre a legalidade de tal ameaça, tal recurso não pode 
ser restringido nem abolido. O recurso pode ser interposto pela própria 
pessoa ou por outra pessoa. 
 
 7. Ninguém deve ser detido por dívidas. Este princípio não limita os 
mandados de autoridade judiciária competente expedidos em virtude de 
inadimplemento de obrigação alimentar. 
 
Artigo 8. Garantias judiciais 
 
 1. Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas 
garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou tribunal 
competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por 
lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou 
para que se determinem seus direitos ou obrigações de natureza civil, 
trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza. 
 
 2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma 
sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa. Durante 
o processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes 
garantias mínimas: 
 
CFSD 35 
 
 
a. direito do acusado de ser assistido gratuitamente por tradutor 
ou intérprete, se não compreender ou não falar o idioma do juízo ou 
tribunal; 
 
b. comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação 
formulada; 
 
c. concessão ao acusado do tempo e dos meios adequados para a 
preparação de sua defesa; 
 
d. direito do acusado de defender-se pessoalmente ou de ser assistido 
por um defensor de sua escolha e de comunicar-se, livremente e em 
particular, com seu defensor; 
 
e. direito irrenunciável de ser assistido por um defensor 
proporcionado pelo Estado, remunerado ou não, segundo a legislação 
interna, se o acusado não se defender ele próprio nem nomear 
defensor dentro do prazo estabelecido pela lei; 
 
f. direito da defesa de inquirir as testemunhas presentes no tribunal e 
de obter o comparecimento, como testemunhas ou peritos, de outras 
pessoas que possam lançar luz sobre os fatos; 
 
g. direito de não ser obrigado a depor contra si mesma, nem a 
declarar-se culpada; 
 
h. direito de recorrer da sentença para juiz ou tribunal superior. 
 
 3. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação de 
nenhuma natureza. 
 
 4. O acusado absolvido por sentença passada em julgado não 
poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos. 
 
 5. O processo penal deve ser público, salvo no que for 
necessário para preservar os interesses da justiça. 
 
Artigo 9. Princípio da legalidade e da retroatividade 
 
 Ninguém pode ser condenado por ações ou omissões que, no 
momento em que forem cometidas, não sejam delituosas, de acordo com 
o direito aplicável. Tampouco se pode impor pena mais grave que a 
aplicável no momento da perpetração do delito. Se depois da 
perpetração do delito a lei dispuser a imposição de pena mais leve, o 
delinqüente será por isso beneficiado. 
 
Artigo 10. Direito a indenização 
 
 Toda pessoa tem direito de ser indenizada conforme a lei, no 
caso de haver sido condenada em sentença passada em julgado, por erro 
judiciário. 
 
Artigo 11. Proteção da honra e da dignidade 
 
 1. Toda pessoa tem direito ao respeito de sua honra e ao 
reconhecimento de sua dignidade. 
 
 2. Ninguém pode ser objeto de ingerências arbitrárias ou 
abusivas em sua vida privada, na de sua família, em seu domicílio ou em 
sua correspondência, nem de ofensas ilegais à sua honra ou reputação. 
 
 3. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais 
ingerências ou tais ofensas. 
 
Artigo 12. Liberdade de consciência e de religião 
 
 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de 
religião. Esse direito implica a liberdade de conservar sua religião ou 
suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças, bem como a 
liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual 
ou coletivamente, tanto em público como em privado. 
 
 2. Ninguém pode ser objeto de medidas restritivas que possam 
limitar sua liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de 
mudar de religião ou de crenças. 
 
 3. A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias 
crenças está sujeita unicamente às limitações prescritas pela lei e que 
sejam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a 
moral públicas ou os direitosou liberdades das demais pessoas. 
 
 4. Os pais, e quando for o caso os tutores, têm direito a que 
seus filhos ou pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja 
acorde com suas próprias convicções. 
 
Artigo 13. Liberdade de pensamento e de expressão 
 
 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e de 
expressão. Esse direito compreende a liberdade de buscar, receber e 
difundir informações e idéias de toda natureza, sem consideração de 
fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou 
artística, ou por qualquer outro processo de sua escolha. 
 
 2. O exercício do direito previsto no inciso precedente não 
pode estar sujeito a censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores, 
que devem ser expressamente fixadas pela lei e ser necessárias para 
assegurar: 
 
 a. o respeito aos direitos ou à reputação das demais pessoas; ou 
 
 b. a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde 
ou da moral 
 públicas. 
 
 3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias ou 
meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares 
de papel de imprensa, de freqüências radioelétricas ou de equipamentos 
e aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros 
meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e 
opiniões. 
 
 4. A lei pode submeter os espetáculos públicos a censura 
prévia, com o objetivo exclusivo de regular o acesso a eles, para 
proteção moral da infância e da adolescência, sem prejuízo do disposto 
no inciso 2. 
 
 5. A lei deve proibir toda propaganda a favor da guerra, bem 
como toda apologia ao ódio nacional, racial ou religioso que constitua 
incitação à discriminação, à hostilidade, ao crime ou à violência. 
 
Artigo 14. Direito de retificação ou resposta 
 
 1. Toda pessoa atingida por informações inexatas ou 
ofensivas emitidas em seu prejuízo por meios de difusão legalmente 
regulamentados e que se dirijam ao público em geral, tem direito a fazer, 
pelo mesmo órgão de difusão, sua retificação ou resposta, nas condições 
que estabeleça a lei. 
 
CFSD 36 
 
 
 2. Em nenhum caso a retificação ou a resposta eximirão das 
outras responsabilidades legais em que se houver incorrido. 
 
 3. Para a efetiva proteção da honra e da reputação, toda 
publicação ou empresa jornalística, cinematográfica, de rádio ou 
televisão, deve ter uma pessoa responsável que não seja protegida por 
imunidades nem goze de foro especial. 
 
Artigo 15. Direito de reunião 
 
 É reconhecido o direito de reunião pacífica e sem armas. O 
exercício de tal direito só pode estar sujeito às restrições previstas pela 
lei e que sejam necessárias, numa sociedade democrática, no interesse 
da segurança nacional, da segurança ou da ordem públicas, ou para 
proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e liberdades das 
demais pessoas. 
 
Artigo 16. Liberdade de associação 
 
 1. Todas as pessoas têm o direito de associar-se livremente 
com fins ideológicos, religiosos, políticos, econômicos, trabalhistas, 
sociais, culturais, desportivos ou de qualquer outra natureza. 
 
 2. O exercício de tal direito só pode estar sujeito às restrições 
previstas pela lei que sejam necessárias, numa sociedade democrática, 
no interesse da segurança nacional, da segurança ou da ordem públicas, 
ou para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e liberdades 
das demais pessoas. 
 
 3. O disposto neste artigo não impede a imposição de 
restrições legais, e mesmo a privação do exercício do direito de 
associação, aos membros das forças armadas e da polícia. 
 
Artigo 17. Proteção da família 
 
 1. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade 
e deve ser protegida pela sociedade e pelo Estado. 
 
 2. É reconhecido o direito do homem e da mulher de 
contraírem casamento e de fundarem uma família, se tiverem a idade e 
as condições para isso exigidas pelas leis internas, na medida em que 
não afetem estas o princípio da não-discriminação estabelecido nesta 
Convenção. 
 
 3. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno 
consentimento dos contraentes. 
 
 4. Os Estados Partes devem tomar medidas apropriadas no 
sentido de assegurar a igualdade de direitos e a adequada equivalência 
de responsabilidades dos cônjuges quanto ao casamento, durante o 
casamento e em caso de dissolução do mesmo. Em caso de dissolução, 
serão adotadas disposições que assegurem a proteção necessária aos 
filhos, com base unicamente no interesse e conveniência dos mesmos. 
 
 5. A lei deve reconhecer iguais direitos tanto aos filhos 
nascidos fora do casamento como aos nascidos dentro do casamento. 
 
Artigo 18. Direito ao nome 
 
 Toda pessoa tem direito a um prenome e aos nomes de seus pais 
ou ao de um destes. A lei deve regular a forma de assegurar a todos esse 
direito, mediante nomes fictícios, se for necessário. 
 
Artigo 19. Direitos da criança 
 
 Toda criança tem direito às medidas de proteção que a sua 
condição de menor requer por parte da sua família, da sociedade e do 
Estado. 
 
Artigo 20. Direito à nacionalidade 
 
 1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. 
 2. Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em 
cujo território houver nascido, se não tiver direito a outra. 
 3. A ninguém se deve privar arbitrariamente de sua 
nacionalidade nem do direito de mudá-la. 
 
Artigo 21. Direito à propriedade privada 
 
 1. Toda pessoa tem direito ao uso e gozo dos seus bens. A 
lei pode subordinar esse uso e gozo ao interesse social. 
 2. Nenhuma pessoa pode ser privada de seus bens, salvo 
mediante o pagamento de indenização justa, por motivo de utilidade 
pública ou de interesse social e nos casos e na forma estabelecidos pela 
lei. 
 3. Tanto a usura como qualquer outra forma de exploração 
do homem pelo homem devem ser reprimidas pela lei. 
 
Artigo 22. Direito de circulação e de residência 
 
 1. Toda pessoa que se ache legalmente no território de um 
Estado tem direito de circular nele e de nele residir em conformidade 
com as disposições legais. 
 2. Toda pessoa tem o direito de sair livremente de qualquer 
país, inclusive do próprio. 
 3. O exercício dos direitos acima mencionados não pode ser 
restringido senão em virtude de lei, na medida indispensável, numa 
sociedade democrática, para prevenir infrações penais ou para proteger a 
segurança nacional, a segurança ou a ordem públicas, a moral ou a saúde 
públicas, ou os direitos e liberdades das demais pessoas. 
 
 4. O exercício dos direitos reconhecidos no inciso 1 pode 
também ser restringido pela lei, em zonas determinadas, por motivo de 
interesse público. 
 
 5. Ninguém pode ser expulso do território do Estado do qual 
for nacional, nem ser privado do direito de nele entrar. 
 
 6. O estrangeiro que se ache legalmente no território de um 
Estado Parte nesta Convenção só poderá dele ser expulso em 
cumprimento de decisão adotada de acordo com a lei. 
 
 7. Toda pessoa tem o direito de buscar e receber asilo em 
território estrangeiro, em caso de perseguição por delitos políticos ou 
comuns conexos com delitos políticos e de acordo com a legislação de 
cada Estado e com os convênios internacionais. 
 
 8. Em nenhum caso o estrangeiropode ser expulso ou 
entregue a outro país, seja ou não de origem, onde seu direito à vida ou à 
liberdade pessoal esteja em risco de violação por causa da sua raça, 
nacionalidade, religião, condição social ou de suas opiniões políticas. 
 
 9. É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros. 
 
Artigo 23. Direitos políticos 
 
 1. Todos os cidadãos devem gozar dos seguintes direitos e 
oportunidades: 
 
CFSD 37 
 
 
 a. de participar na direção dos assuntos públicos, diretamente ou por 
meio de representantes livremente eleitos; 
 
 b. de votar e ser eleitos em eleições periódicas autênticas, realizadas 
por sufrágio universal e igual e por voto secreto que garanta a livre 
expressão da vontade dos eleitores; e 
 
 c. de ter acesso, em condições gerais de igualdade, às funções 
públicas de seu país. 
 
 2. A lei pode regular o exercício dos direitos e oportunidades a 
que se refere o inciso anterior, exclusivamente por motivos de idade, 
nacionalidade, residência, idioma, instrução, capacidade civil ou mental, 
ou condenação, por juiz competente, em processo penal. 
 
Artigo 24. Igualdade perante a lei 
 
 Todas as pessoas são iguais perante a lei. Por conseguinte, têm 
direito, sem discriminação, a igual proteção da lei. 
 
Artigo 25. Proteção judicial 
 
 1. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido ou 
a qualquer outro recurso efetivo, perante os juízes ou tribunais 
competentes, que a proteja contra atos que violem seus direitos 
fundamentais reconhecidos pela constituição, pela lei ou pela presente 
Convenção, mesmo quando tal violação seja cometida por pessoas que 
estejam atuando no exercício de suas funções oficiais. 
 
 2. Os Estados Partes comprometem-se: 
 
 a. a assegurar que a autoridade competente prevista pelo sistema 
legal do Estado decida sobre os direitos de toda pessoa que interpuser tal 
recurso; 
 b. a desenvolver as possibilidades de recurso judicial; e 
 c. a assegurar o cumprimento, pelas autoridades competentes, de 
toda decisão em que se tenha considerado procedente o recurso. 
 
CAPÍTULO III 
DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS 
 
Artigo 26. Desenvolvimento progressivo 
 
 Os Estados Partes comprometem-se a adotar providências, tanto 
no âmbito interno como mediante cooperação internacional, 
especialmente econômica e técnica, a fim de conseguir 
progressivamente a plena efetividade dos direitos que decorrem das 
normas econômicas, sociais e sobre educação, ciência e cultura, 
constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada 
pelo Protocolo de Buenos Aires, na medida dos recursos disponíveis, 
por via legislativa ou por outros meios apropriados. 
 
CAPÍTULO IV 
SUSPENSÃO DE GARANTIAS, INTERPRETAÇÃO E 
APLICAÇÃO 
 
Artigo 27. Suspensão de garantias 
 
 1. Em caso de guerra, de perigo público, ou de outra 
emergência que ameace a independência ou segurança do Estado Parte, 
este poderá adotar disposições que, na medida e pelo tempo estritamente 
limitados às exigências da situação, suspendam as obrigações contraídas 
em virtude desta Convenção, desde que tais disposições não sejam 
incompatíveis com as demais obrigações que lhe impõe o Direito 
Internacional e não encerrem discriminação alguma fundada em motivos 
de raça, cor, sexo, idioma, religião ou origem social. 
 
 2. A disposição precedente não autoriza a suspensão dos 
direitos determinados seguintes artigos: 3 (Direito ao reconhecimento 
da personalidade jurídica); 4 (Direito à vida); 5 (Direito à integridade 
pessoal); 6 (Proibição da escravidão e servidão); 9 (Princípio da 
legalidade e da retroatividade); 12 (Liberdade de consciência e de 
religião); 17 (Proteção da família); 18 (Direito ao nome); 19 (Direitos da 
criança); 20 (Direito à nacionalidade) e 23 (Direitos políticos), nem das 
garantias indispensáveis para a proteção de tais direitos. 
 
 3. Todo Estado Parte que fizer uso do direito de suspensão 
deverá informar imediatamente os outros Estados Partes na presente 
Convenção, por intermédio do Secretário-Geral da Organização dos 
Estados Americanos, das disposições cuja aplicação haja suspendido, 
dos motivos determinantes da suspensão e da data em que haja dado por 
terminada tal suspensão. 
 
Artigo 28. Cláusula federal 
 
 1. Quando se tratar de um Estado Parte constituído como 
Estado federal, o governo nacional do aludido Estado Parte cumprirá 
todas as disposições da presente Convenção, relacionadas com as 
matérias sobre as quais exerce competência legislativa e judicial. 
 
 2. No tocante às disposições relativas às matérias que 
correspondem à competência das entidades componentes da federação, o 
governo nacional deve tomar imediatamente as medidas pertinente, em 
conformidade com sua constituição e suas leis, a fim de que as 
autoridades competentes das referidas entidades possam adotar as 
disposições cabíveis para o cumprimento desta Convenção. 
 
 3. Quando dois ou mais Estados Partes decidirem constituir 
entre eles uma federação ou outro tipo de associação, diligenciarão no 
sentido de que o pacto comunitário respectivo contenha as disposições 
necessárias para que continuem sendo efetivas no novo Estado assim 
organizado as normas da presente Convenção. 
 
Artigo 29. Normas de interpretação 
 
 Nenhuma disposição desta Convenção pode ser interpretada no 
sentido de: 
 
a. permitir a qualquer dos Estados Partes, grupo ou pessoa, suprimir 
o gozo e exercício dos direitos e liberdades reconhecidos na Convenção 
ou limitá-los em maior medida do que a nela prevista; 
 
b. limitar o gozo e exercício de qualquer direito ou liberdade que 
possam ser reconhecidos de acordo com as leis de qualquer dos Estados 
Partes ou de acordo com outra convenção em que seja parte um dos 
referidos Estados; 
 
c. excluir outros direitos e garantias que são inerentes ao ser humano 
ou que decorrem da forma democrática representativa de governo; e 
 
d. excluir ou limitar o efeito que possam produzir a Declaração 
Americana dos Direitos e Deveres do Homem e outros atos 
internacionais da mesma natureza. 
 
Artigo 30. Alcance das restrições 
 
 As restrições permitidas, de acordo com esta Convenção, ao gozo 
e exercício dos direitos e liberdades nela reconhecidos, não podem ser 
aplicadas senão de acordo com leis que forem promulgadas por motivo 
CFSD 38 
 
 
de interesse geral e com o propósito para o qual houverem sido 
estabelecidas. 
 
Artigo 31. Reconhecimento de outros direitos 
 
 Poderão ser incluídos no regime de proteção desta Convenção 
outros direitos e liberdades que forem reconhecidos de acordo com os 
processos estabelecidos nos artigos 76 e 77. 
 
CAPÍTULO V 
DEVERES DAS PESSOAS 
 
Artigo 32. Correlação entre deveres e direitos 
 
1. Toda pessoa tem deveres para com a família, a comunidade e a 
humanidade. 
2. Os direitos de cada pessoa são limitados pelos direitos dos demais, 
pela segurança de todos e pelas justas exigências do bem comum, numa 
sociedade democrática. 
PARTE II 
MEIOS DA PROTEÇÃO 
 
CAPÍTULO VI 
ÓRGÃOS COMPETENTES 
 
Artigo 33 
 
 São competentes para conhecer dos assuntos relacionados com o 
cumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados Partes nesta 
Convenção: 
 
a. a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, doravante 
denominada a Comissão; e 
 b. a Corte Interamericana de DireitosHumanos, doravante 
denominada a Corte. 
 
CAPÍTULO VII 
COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS 
 
Seção 1 — Organização 
 
Artigo 34 
 
 A Comissão Interamericana de Direitos Humanos compor-se-á 
de sete membros, que deverão ser pessoas de alta autoridade moral e de 
reconhecido saber em matéria de direitos humanos. 
 
Artigo 35 
 
 A Comissão representa todos os membros da Organização dos 
Estados Americanos. 
 
Artigo 36 
 
 1. Os membros da Comissão serão eleitos a título pessoal, 
pela Assembléia Geral da Organização, de uma lista de candidatos 
propostos pelos governos dos Estados membros. 
 
 2. Cada um dos referidos governos pode propor até três 
candidatos, nacionais do Estado que os propuser ou de qualquer outro 
Estado membro da Organização dos Estados Americanos. Quando for 
proposta uma lista de três candidatos, pelo menos um deles deverá ser 
nacional de Estado diferente do proponente. 
Artigo 37 
 
 1. Os membros da Comissão serão eleitos por quatro anos e 
só poderão ser reeleitos uma vez, porém o mandato de três dos membros 
designados na primeira eleição expirará ao cabo de dois anos. Logo 
depois da referida eleição, serão determinados por sorteio, na 
Assembléia Geral, os nomes desses três membros. 
 
 2. Não pode fazer parte da Comissão mais de um nacional 
de um mesmo Estado. 
Artigo 38 
 
 As vagas que ocorrerem na Comissão, que não se devam à 
expiração normal do mandato, serão preenchidas pelo Conselho 
Permanente da Organização, de acordo com o que dispuser o Estatuto da 
Comissão. 
Artigo 39 
 
 A Comissão elaborará seu estatuto e submetê-lo-á à aprovação da 
Assembléia Geral e expedirá seu próprio regulamento. 
Artigo 40 
 
 Os serviços de secretaria da Comissão devem ser 
desempenhados pela unidade funcional especializada que faz parte da 
Secretaria-Geral da Organização e devem dispor dos recursos 
necessários para cumprir as tarefas que lhe forem confiadas pela 
Comissão. 
Artigo 41 
 
 A Comissão tem a função principal de promover a observância e 
a defesa dos direitos humanos e, no exercício do seu mandato, tem as 
seguintes funções e atribuições: 
 a. estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da 
América; 
 
b. formular recomendações aos governos dos Estados membros, 
quando o considerar conveniente, no sentido de que adotem medidas 
progressivas em prol dos direitos humanos no âmbito de suas leis 
internas e seus preceitos constitucionais, bem como disposições 
apropriadas para promover o devido respeito a esses direitos; 
 
c. preparar os estudos ou relatórios que considerar convenientes para 
o desempenho de suas funções; 
 
d. solicitar aos governos dos Estados membros que lhe 
proporcionem informações sobre as medidas que adotarem em matéria 
de direitos humanos; 
 
e. atender às consultas que, por meio da Secretaria-Geral da 
Organização dos Estados Americanos, lhe formularem os Estados 
membros sobre questões relacionadas com os direitos humanos e, dentro 
de suas possibilidades, prestar-lhes o assessoramento que eles lhe 
solicitarem; 
 
f. atuar com respeito às petições e outras comunicações, no 
exercício de sua autoridade, de conformidade com o disposto nos artigos 
44 a 51 desta Convenção; e 
 
g. apresentar um relatório anual à Assembléia Geral da Organização 
dos Estados Americanos. 
 
Artigo 42 
 
 Os Estados Partes devem remeter à Comissão cópia dos 
relatórios e estudos que, em seus respectivos campos, submetem 
anualmente às Comissões Executivas do Conselho Interamericano 
Econômico e Social e do Conselho Interamericano de Educação, 
CFSD 39 
 
 
Ciência e Cultura, a fim de que aquela vele por que se promovam os 
direitos decorrentes das normas econômicas, sociais e sobre educação, 
ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados 
Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires. 
 
Artigo 43 
 
 Os Estados Partes obrigam-se a proporcionar à Comissão as 
informações que esta lhes solicitar sobre a maneira pela qual o seu 
direito interno assegura a aplicação efetiva de quaisquer disposições 
desta Convenção. 
Artigo 44 
 
 Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não-
governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados 
membros da Organização, pode apresentar à Comissão petições que 
contenham denúncias ou queixas de violação desta Convenção por um 
Estado Parte. 
 
Artigo 45 
 
 1. Todo Estado Parte pode, no momento do depósito do seu 
instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, ou em 
qualquer momento posterior, declarar que reconhece a competência da 
Comissão para receber e examinar as comunicações em que um Estado 
Parte alegue haver outro Estado Parte incorrido em violações dos 
direitos humanos estabelecidos nesta Convenção. 
 
 2. As comunicações feitas em virtude deste artigo só podem 
ser admitidas e examinadas se forem apresentadas por um Estado Parte 
que haja feito uma declaração pela qual reconheça a referida 
competência da Comissão. A Comissão não admitirá nenhuma 
comunicação contra um Estado Parte que não haja feito tal declaração. 
 
 3. As declarações sobre reconhecimento de competência 
podem ser feitas para que esta vigore por tempo indefinido, por período 
determinado ou para casos específicos. 
 
 4. As declarações serão depositadas na Secretaria-Geral da 
Organização dos Estados Americanos, a qual encaminhará cópia das 
mesmas aos Estados membros da referida Organização. 
Artigo 46 
 
 1. Para que uma petição ou comunicação apresentada de 
acordo com os artigos 44 ou 45 seja admitida pela Comissão, será 
necessário: 
 
a. que hajam sido interpostos e esgotados os recursos da jurisdição 
interna, de acordo com os princípios de direito internacional geralmente 
reconhecidos; 
 b. que seja apresentada dentro do prazo de seis meses, a partir da 
data em que o presumido prejudicado em seus direitos tenha sido 
notificado da decisão definitiva; 
 c. que a matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de 
outro processo de solução internacional; e 
 d. que, no caso do artigo 44, a petição contenha o nome, a 
nacionalidade, a profissão, o domicílio e a assinatura da pessoa ou 
pessoas ou do representante legal da entidade que submeter a petição. 
 
 2. As disposições das alíneas a e b do inciso 1 deste artigo não 
se aplicarão quando: 
 
a. não existir, na legislação interna do Estado de que se tratar, o 
devido processo legal para a proteção do direito ou direitos que se 
alegue tenham sido violados; 
 b. não se houver permitido ao presumido prejudicado em seus 
direitos o acesso aos recursos da jurisdição interna, ou houver sido ele 
impedido de esgotá-los; e 
 c. houver demora injustificada na decisão sobre os mencionados 
recursos. 
 
Artigo 47 
 
 A Comissão declarará inadmissível toda petição ou comunicação 
apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 quando: 
 
 a. não preencher algum dos requisitos estabelecidos no artigo 46; 
 b. não expuser fatos que caracterizem violação dos direitos 
garantidos por esta 
 Convenção; 
 c. pela exposição do próprio peticionário ou do Estado, for 
manifestamente infundada a petição ou comunicação ou for evidente sua 
total improcedência; ou 
 d. for substancialmente reprodução de petição ou comunicação 
anterior, já examinada pela Comissão ou por outro organismo 
internacional. 
 
Seção 4 — Processo 
 
Artigo 48 
 
 1. A Comissão, ao receber uma petição ou comunicaçãona 
qual se alegue violação de qualquer dos direitos consagrados nesta 
Convenção, procederá da seguinte maneira: 
 
a. se reconhecer a admissibilidade da petição ou comunicação, 
solicitará informações ao Governo do Estado ao qual pertença a 
autoridade apontada como responsável pela violação alegada e 
transcreverá as partes pertinentes da petição ou comunicação. As 
referidas informações devem ser enviadas dentro de um prazo razoável, 
fixado pela Comissão ao considerar as circunstâncias de cada caso; 
 
b. recebidas as informações, ou transcorrido o prazo fixado sem que 
sejam elas recebidas, verificará se existem ou subsistem os motivos da 
petição ou comunicação. No caso de não existirem ou não subsistirem, 
mandará arquivar o expediente; 
 
c. poderá também declarar a inadmissibilidade ou a improcedência 
da petição ou comunicação, com base em informação ou prova 
supervenientes; 
 
d. se o expediente não houver sido arquivado, e com o fim de 
comprovar os fatos, a Comissão procederá, com conhecimento das 
partes, a um exame do assunto exposto na petição ou comunicação. Se 
for necessário e conveniente, a Comissão procederá a uma investigação 
para cuja eficaz realização solicitará, e os Estados interessados lhes 
proporcionarão todas as facilidades necessárias; 
 
e. poderá pedir aos Estados interessados qualquer informação 
pertinente e receberá, se isso lhe for solicitado, as exposições verbais ou 
escritas que apresentarem os interessados; e 
 
f. pôr-se-á à disposição das partes interessadas, a fim de chegar a 
uma solução amistosa do assunto, fundada no respeito aos direitos 
humanos reconhecidos nesta Convenção. 
 
 2. Entretanto, em casos graves e urgentes, pode ser realizada 
uma investigação, mediante prévio consentimento do Estado em cujo 
território se alegue haver sido cometida a violação, tão somente com a 
CFSD 40 
 
 
apresentação de uma petição ou comunicação que reúna todos os 
requisitos formais de admissibilidade. 
 
Artigo 49 
 
 Se se houver chegado a uma solução amistosa de acordo com as 
disposições do inciso 1, f, do artigo 48, a Comissão redigirá um relatório 
que será encaminhado ao peticionário e aos Estados Partes nesta 
Convenção e, posteriormente, transmitido, para sua publicação, ao 
Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos. O referido 
relatório conterá uma breve exposição dos fatos e da solução alcançada. 
Se qualquer das partes no caso o solicitar, ser-lhe-á proporcionada a 
mais ampla informação possível. 
 
Artigo 50 
 
 
 1. Se não se chegar a uma solução, e dentro do prazo que for 
fixado pelo Estatuto da Comissão, esta redigirá um relatório no qual 
exporá os fatos e suas conclusões. Se o relatório não representar, no 
todo ou em parte, o acordo unânime dos membros da Comissão, 
qualquer deles poderá agregar ao referido relatório seu voto em 
separado. Também se agregarão ao relatório as exposições verbais ou 
escritas que houverem sido feitas pelos interessados em virtude do 
inciso 1, e, do artigo 48. 
 2. O relatório será encaminhado aos Estados interessados, 
aos quais não será facultado publicá-lo. 
 3. Ao encaminhar o relatório, a Comissão pode formular as 
proposições e recomendações que julgar adequadas. 
 
Artigo 51 
 1. Se no prazo de três meses, a partir da remessa aos 
Estados interessados do relatório da Comissão, o assunto não houver 
sido solucionado ou submetido à decisão da Corte pela Comissão ou 
pelo Estado interessado, aceitando sua competência, a Comissão poderá 
emitir, pelo voto da maioria absoluta dos seus membros, sua opinião e 
conclusões sobre a questão submetida à sua consideração. 
 2. A Comissão fará as recomendações pertinentes e fixará 
um prazo dentro do qual o Estado deve tomar as medidas que lhe 
competirem para remediar a situação examinada. 
3. Tr
anscorrido o prazo fixado, a Comissão decidirá, pelo voto da maioria 
absoluta dos seus membros, se o Estado tomou ou não medidas 
adequadas e se publica ou não seu relatório. 
 
 
CAPÍTULO VIII 
CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS 
 
Artigo 52 
 
 1. A Corte compor-se-á de sete juízes, nacionais dos Estados 
membros da Organização, eleitos a título pessoal dentre juristas da mais 
alta autoridade moral, de reconhecida competência em matéria de 
direitos humanos, que reúnam as condições requeridas para o exercício 
das mais elevadas funções judiciais, de acordo com a lei do Estado do 
qual sejam nacionais, ou do Estado que os propuser como candidatos. 
 2. Não deve haver dois juízes da mesma nacionalidade. 
 
Artigo 53 
 
 1. Os juízes da Corte serão eleitos, em votação secreta e pelo 
voto da maioria absoluta dos Estados Partes na Convenção, na 
Assembléia Geral da Organização, de uma lista de candidatos propostos 
pelos mesmos Estados. 
 2. Cada um dos Estados Partes pode propor até três 
candidatos, nacionais do Estado que os propuser ou de qualquer outro 
Estado membro da Organização dos Estados Americanos. Quando se 
propuser uma lista de três candidatos, pelo menos um deles deverá ser 
nacional de Estado diferente do proponente. 
 
Artigo 54 
 
 1. Os juízes da Corte serão eleitos por um período de seis 
anos e só poderão ser reeleitos uma vez. O mandato de três dos juízes 
designados na primeira eleição expirará ao cabo de três anos. 
Imediatamente depois da referida eleição, determinar-se-ão por sorteio, 
na Assembléia Geral, os nomes desses três juízes. 
 2. O juiz eleito para substituir outro cujo mandato não haja 
expirado, completará o período deste. 
 3. Os juízes permanecerão em funções até o término dos 
seus mandatos. Entretanto, continuarão funcionando nos casos de que já 
houverem tomado conhecimento e que se encontrem em fase de 
sentença e, para tais efeitos, não serão substituídos pelos novos juízes 
eleitos. 
Artigo 55 
 
 1. O juiz que for nacional de algum dos Estados Partes no 
caso submetido à Corte, conservará o seu direito de conhecer do 
mesmo. 
 2. Se um dos juízes chamados a conhecer do caso for de 
nacionalidade de um dos Estados Partes, outro Estado Parte no caso 
poderá designar uma pessoa de sua escolha para fazer parte da Corte na 
qualidade de juiz ad hoc. 
 
 3. Se, dentre os juízes chamados a conhecer do caso, 
nenhum for da nacionalidade dos Estados Partes, cada um destes poderá 
designar um juiz ad hoc. 
 4. O juiz ad hoc deve reunir os requisitos indicados no 
artigo 52. 
 5. Se vários Estados Partes na Convenção tiverem o mesmo 
interesse no caso, serão considerados como uma só Parte, para os fins 
das disposições anteriores. Em caso de dúvida, a Corte decidirá. 
Artigo 56 
 
 O quorum para as deliberações da Corte é constituído por cinco 
juízes. 
 
Artigo 57 
 
 A Comissão comparecerá em todos os casos perante a Corte. 
 
Artigo 58 
 
 1. A Corte terá sua sede no lugar que for determinado, na 
Assembléia Geral da Organização, pelos Estados Partes na Convenção, 
mas poderá realizar reuniões no território de qualquer Estado membro 
da Organização dos Estados Americanos em que o considerar 
conveniente pela maioria dos seus membros e mediante prévia 
aquiescência do Estado respectivo. Os Estados Partes na Convenção 
podem, na Assembléia Geral, por dois terços dos seus votos, mudar a 
sede da Corte. 
 2. A Corte designará seu Secretário. 
 3. O Secretário residirá na sede da Corte e deverá assistir às 
reuniões que ela realizar fora da mesma.Artigo 59 
 
 A Secretaria da Corte será por esta estabelecida e funcionará sob 
a direção do Secretário da Corte, de acordo com as normas 
administrativas da Secretaria-Geral da Organização em tudo o que não 
CFSD 41 
 
 
for incompatível com a independência da Corte. Seus funcionários 
serão nomeados pelo Secretário-Geral da Organização, em consulta com 
o Secretário da Corte. 
Artigo 60 
 
 A Corte elaborará seu estatuto e submetê-lo-á à aprovação da 
Assembléia Geral e expedirá seu regimento. 
 
Artigo 61 
 
 1. Somente os Estados Partes e a Comissão têm direito de 
submeter caso à decisão da Corte. 
 2. Para que a Corte possa conhecer de qualquer caso, é 
necessário que sejam esgotados os processos previstos nos artigos 48 a 
50. 
Artigo 62 
 
 1. Todo Estado Parte pode, no momento do depósito do seu 
instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, ou em 
qualquer momento posterior, declarar que reconhece como obrigatória, 
de pleno direito e sem convenção especial, a competência da Corte em 
todos os casos relativos à interpretação ou aplicação desta Convenção. 
 
 2. A declaração pode ser feita incondicionalmente, ou sob 
condição de reciprocidade, por prazo determinado ou para casos 
específicos. Deverá ser apresentada ao Secretário-Geral da 
Organização, que encaminhará cópias da mesma aos outros Estados 
membros da Organização e ao Secretário da Corte. 
 
 3. A Corte tem competência para conhecer de qualquer caso 
relativo à interpretação e aplicação das disposições desta Convenção que 
lhe seja submetido, desde que os Estados Partes no caso tenham 
reconhecido ou reconheçam a referida competência, seja por declaração 
especial, como prevêem os incisos anteriores, seja por convenção 
especial. 
 
Artigo 63 
 
 1. Quando decidir que houve violação de um direito ou 
liberdade protegidos nesta Convenção, a Corte determinará que se 
assegure ao prejudicado o gozo do seu direito ou liberdade violados. 
Determinará também, se isso for procedente, que sejam reparadas as 
conseqüências da medida ou situação que haja configurado a violação 
desses direitos, bem como o pagamento de indenização justa à parte 
lesada. 
 
 2. Em casos de extrema gravidade e urgência, e quando se 
fizer necessário evitar danos irreparáveis às pessoas, a Corte, nos 
assuntos de que estiver conhecendo, poderá tomar as medidas 
provisórias que considerar pertinentes. Se se tratar de assuntos que 
ainda não estiverem submetidos ao seu conhecimento, poderá atuar a 
pedido da Comissão. 
 
Artigo 64 
 
 1. Os Estados membros da Organização poderão consultar a 
Corte sobre a interpretação desta Convenção ou de outros tratados 
concernentes à proteção dos direitos humanos nos Estados americanos. 
Também poderão consultá-la, no que lhes compete, os órgãos 
enumerados no capítulo X da Carta da Organização dos Estados 
Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires. 
 2. A Corte, a pedido de um Estado membro da Organização, 
poderá emitir pareceres sobre a compatibilidade entre qualquer de suas 
leis internas e os mencionados instrumentos internacionais. 
 Artigo 65 
 
 A Corte submeterá à consideração da Assembléia Geral da 
Organização, em cada período ordinário de sessões, um relatório sobre 
suas atividades no ano anterior. De maneira especial, e com as 
recomendações pertinentes, indicará os casos em que um Estado não 
tenha dado cumprimento a suas sentenças. 
Seção 3 — Procedimento 
 
Artigo 66 
 1. A sentença da Corte deve ser fundamentada. 
 
 2. Se a sentença não expressar no todo ou em parte a opinião 
unânime dos juízes, qualquer deles terá direito a que se agregue à 
sentença o seu voto dissidente ou individual. 
Artigo 67 
 
 A sentença da Corte será definitiva e inapelável. Em caso de 
divergência sobre o sentido ou alcance da sentença, a Corte interpretá-
la-á, a pedido de qualquer das partes, desde que o pedido seja 
apresentado dentro de noventa dias a partir da data da notificação da 
sentença. 
 
Artigo 68 
 
 1. Os Estados Partes na Convenção comprometem-se a 
cumprir a decisão da Corte em todo caso em que forem partes. 
 
 2. A parte da sentença que determinar indenização 
compensatória poderá ser executada no país respectivo pelo processo 
interno vigente para a execução de sentenças contra o Estado. 
Artigo 69 
 
 A sentença da Corte deve ser notificada às partes no caso e 
transmitida aos Estados Partes na Convenção. 
 
CAPÍTULO IV 
DISPOSIÇÕES COMUNS 
 
Artigo 70 
 
 1. Os juízes da Corte e os membros da Comissão gozam, 
desde o momento de sua eleição e enquanto durar o seu mandato, das 
imunidades reconhecidas aos agentes diplomáticos pelo Direito 
Internacional. Durante o exercício dos seus cargos gozam, além disso, 
dos privilégios diplomáticos necessários para o desempenho de suas 
funções. 
 
 2. Não se poderá exigir responsabilidade em tempo algum 
dos juízes da Corte, nem dos membros da Comissão, por votos e 
opiniões emitidos no exercício de suas funções. 
Artigo 71 
 
 Os cargos de juiz da Corte ou de membro da Comissão são 
incompatíveis com outras atividades que possam afetar sua 
independência ou imparcialidade conforme o que for determinado nos 
respectivos estatutos. 
 
Artigo 72 
 
 Os juízes da Corte e os membros da Comissão perceberão 
honorários e despesas de viagem na forma e nas condições que 
determinarem os seus estatutos, levando em conta a importância e 
independência de suas funções. Tais honorários e despesas de viagem 
serão fixados no orçamento-programa da Organização dos Estados 
CFSD 42 
 
 
Americanos, no qual devem ser incluídas, além disso, as despesas da 
Corte e da sua Secretaria. Para tais efeitos, a Corte elaborará o seu 
próprio projeto de orçamento e submetê-lo-á à aprovação da 
Assembléia Geral, por intermédio da Secretaria-Geral. Esta última não 
poderá nele introduzir modificações. 
 
Artigo 73 
 
 Somente por solicitação da Comissão ou da Corte, conforme o 
caso, cabe à Assembléia Geral da Organização resolver sobre as sanções 
aplicáveis aos membros da Comissão ou aos juízes da Corte que 
incorrerem nos casos previstos nos respectivos estatutos. Para expedir 
uma resolução, será necessária maioria de dois terços dos votos dos 
Estados Membros da Organização, no caso dos membros da Comissão; 
e, além disso, de dois terços dos votos dos Estados Partes na Convenção, 
se se tratar dos juízes da Corte. 
 
PARTE III 
DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS [...] 
 Artigo 77 
 
 1. De acordo com a faculdade estabelecida no artigo 31, 
qualquer Estado Parte e a Comissão podem submeter à consideração dos 
Estados Partes reunidos por ocasião da Assembléia Geral, projetos de 
protocolos adicionais a esta Convenção, com a finalidade de incluir 
progressivamente no regime de proteção da mesma outros direitos e 
liberdades. 
 2.[;...] 
Artigo 78 
 
 1. Os Estados Partes poderão denunciar esta Convenção 
depois de expirado um prazo de cinco anos, a partir da data da entrada 
em vigor da mesma e mediante aviso prévio de um ano, notificando o 
Secretário-Geral da Organização, o qual deve informar as outras Partes. 
 
 2. Tal denúncia não terá o efeito de desligar o Estado Parte 
interessado das obrigações contidas nesta Convenção, noque diz 
respeito a qualquer ato que, podendo constituir violação dessas 
obrigações, houver sido cometido por ele anteriormente à data na qual a 
denúncia produzir efeito. 
 
CONVENÇÃO INTERAMERICANA PARA PREVENIR, 
PUNIR E ERRADICAR A VIOLÊNCIA CONTRA A 
MULHER, 
 
“CONVENÇÃO DE BELÉM DO PARÁ” 
 
Adotada em Belém do Pará, Brasil, em 9 de junho de 1994,no 
Vigésimo Quarto Período Ordinário de Sessões da Assembléia 
Geral 
 
 
 OS ESTADOS PARTES NESTA CONVENÇÃO, 
 
 RECONHECENDO que o respeito irrestrito aos direitos 
humanos foi consagrado na Declaração Americana dos Direitos e 
Deveres do Homem e na Declaração Universal dos Direitos Humanos e 
reafirmado em outros instrumentos internacionais e regionais; 
 AFIRMANDO que a violência contra a mulher constitui 
violação dos direitos humanos e liberdades fundamentais e limita total 
ou parcialmente a observância, gozo e exercício de tais direitos e 
liberdades; 
 PREOCUPADOS por que a violência contra a mulher 
constitui ofensa contra a dignidade humana e é manifestação das 
relações de poder historicamente desiguais entre mulheres e homens; 
 RECORDANDO a Declaração para a Erradicação da 
Violência contra a Mulher, aprovada na Vigésima Quinta Assembléia 
de Delegadas da Comissão Interamericana de Mulheres, e afirmando 
que a violência contra a mulher permeia todos os setores da sociedade, 
independentemente de classe, raça ou grupo étnico, renda, cultura, nível 
educacional, idade ou religião, e afeta negativamente suas próprias 
bases; 
 CONVENCIDOS de que a eliminação da violência contra a 
mulher é condição indispensável para seu desenvolvimento individual e 
social e sua plena e igualitária participação em todas as esferas de vida; 
e 
 CONVENCIDOS de que a adoção de uma convenção para 
prevenir, punir e erradicar todas as formas de violência contra a mulher, 
no âmbito da Organização dos Estados Americanos, constitui positiva 
contribuição no sentido de proteger os direitos da mulher e eliminar as 
situações de violência contra ela, 
 CONVIERAM no seguinte: 
 
CAPÍTULO I 
DEFINIÇÃO E ÂMBITO DE APLICAÇÃO 
 
Artigo 1 
 Para os efeitos desta Convenção, entender-se-á por violência 
contra a mulher qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause 
morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto 
na esfera pública como na esfera privada. 
 
Artigo 2 
 Entende-se que a violência contra a mulher abrange a violência 
física, sexual e psicológica: 
 a. ocorrida no âmbito da família ou unidade doméstica ou em 
qualquer relação interpessoal, quer o agressor compartilhe, tenha 
compartilhado ou não a sua residência, incluindo-se, entre outras 
formas, o estupro, maus-tratos e abuso sexual; 
 b. ocorrida na comunidade e cometida por qualquer pessoa, 
incluindo, entre outras formas, o estupro, abuso sexual, tortura, 
tráfico de mulheres, prostituição forçada, seqüestro e assédio sexual 
no local de trabalho, bem como em instituições educacionais, 
serviços de saúde ou qualquer outro local; e 
 c. perpetrada ou tolerada pelo Estado ou seus agentes, onde quer 
que ocorra. 
 
CAPÍTULO II 
DIREITOS PROTEGIDOS 
 
Artigo 3 
 Toda mulher tem direito a ser livre de violência, tanto na esfera 
pública como na esfera privada. 
 
Artigo 4 
 Toda mulher tem direito ao reconhecimento, desfrute, exercício 
e proteção de todos os direitos humanos e liberdades consagrados em 
todos os instrumentos regionais e internacionais relativos aos direitos 
humanos. Estes direitos abrangem, entre outros: 
 
a. direito a que se respeite sua vida; 
 b. direito a que se respeite sua integridade física, mental e moral; 
 c. direito à liberdade e à segurança pessoais; 
 d. direito a não ser submetida a tortura; 
 e. direito a que se respeite a dignidade inerente à sua pessoa e a que 
se proteja sua família; 
 f. direito a igual proteção perante a lei e da lei; 
CFSD 43 
 
 
 g. direito a recurso simples e rápido perante tribunal competente 
que a proteja contra atos que violem seus direitos; 
 h. direito de livre associação; 
 i. direito à liberdade de professar a própria religião e as próprias 
crenças, de acordo com a lei; e 
 j. direito a ter igualdade de acesso às funções públicas de seu país e 
a participar nos assuntos públicos, inclusive na tomada de decisões. 
 
Artigo 5 
 Toda mulher poderá exercer livre e plenamente seus direitos civis, 
políticos, econômicos, sociais e culturais e contará com a total proteção 
desses direitos consagrados nos instrumentos regionais e internacionais 
sobre direitos humanos. Os Estados Partes reconhecem que a violência 
contra a mulher impede e anula o exercício desses direitos. 
 
Artigo 6 
O direito de toda mulher a ser livre de violência abrange, entre outros: 
 
 a. o direito da mulher a ser livre de todas as formas de 
discriminação; e 
 b. o direito da mulher a ser valorizada e educada livre de padrões 
estereotipados de comportamento e costumes sociais e culturais 
baseados em conceitos de inferioridade ou subordinação. 
 
CAPÍTULO III 
DEVERES DOS ESTADOS 
 
Artigo 7 
 Os Estados Partes condenam todas as formas de violência 
contra a mulher e convêm em adotar, por todos os meios apropriados e 
sem demora, políticas destinadas a prevenir, punir e erradicar tal 
violência e a empenhar-se em: 
 
a. abster-se de qualquer ato ou prática de violência contra a 
mulher e velar por que as autoridades, seus funcionários e pessoal, 
bem como agentes e instituições públicos ajam de conformidade com 
essa obrigação; 
 b. agir com o devido zelo para prevenir, investigar e punir a 
violência contra a mulher; 
 
c. incorporar na sua legislação interna normas penais, civis, 
administrativas e de outra natureza, que sejam necessárias para 
prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher, bem como 
adotar as medidas administrativas adequadas que forem aplicáveis; 
 
d. adotar medidas jurídicas que exijam do agressor que se 
abstenha de perseguir, intimidar e ameaçar a mulher ou de fazer uso 
de qualquer método que danifique ou ponha em perigo sua vida ou 
integridade ou danifique sua propriedade; 
 
e. tomar todas as medidas adequadas, inclusive legislativas, para 
modificar ou abolir leis e regulamentos vigentes ou modificar práticas 
jurídicas ou consuetudinárias que respaldem a persistência e a 
tolerância da violência contra a mulher; 
 
f estabelecer procedimentos jurídicos justos e eficazes para a 
mulher sujeitada a violência, inclusive, entre outros, medidas de 
proteção, juízo oportuno e efetivo acesso a tais processos; 
 
g. estabelecer mecanismos judiciais e administrativos necessários 
para assegurar que a mulher sujeitada a violência tenha efetivo acesso a 
restituição, reparação do dano e outros meios de compensação justos e 
eficazes; 
 
h. adotar as medidas legislativas ou de outra natureza necessárias à 
vigência desta Convenção. 
 
Artigo 8 
 Os Estados Partes convêm em adotar, progressivamente, medidas 
específicas, inclusive programas destinados a: 
 
a. promover o conhecimento e a observância do direito da mulher a 
uma vida livre de violência e o direito da mulher a que se respeitem e 
protejam seus direitos humanos; 
 
b. modificar os padrões sociais e culturais de conduta de homens e 
mulheres, inclusive a formulação de programas formais e não formais 
adequados a todos os níveis do processo educacional, a fim de 
combater preconceitos e costumes e todas as outras práticas baseadas 
na premissa da inferioridade ou superioridade de qualquer dos gêneros 
ou nos papéis estereotipados parao homem e a mulher, que legitimem 
ou exacerbem a violência contra a mulher; 
 
c. promover a educação e treinamento de todo o pessoal judiciário e 
policial e demais funcionários responsáveis pela aplicação da lei, bem 
como do pessoal encarregado da implementação de políticas de 
prevenção, punição e erradicação da violência contra a mulher; 
 
d. prestar serviços especializados apropriados à mulher sujeitada a 
violência, por intermédio de entidades dos setores público e privado, 
inclusive abrigos, serviços de orientação familiar, quando for o caso, e 
atendimento e custódia dos menores afetados; 
 
e. promover e apoiar programas de educação governamentais e 
privados, destinados a conscientizar o público para os problemas da 
violência contra a mulher, recursos jurídicos e reparação relacionados 
com essa violência; 
 
f. proporcionar à mulher sujeitada a violência acesso a programas 
eficazes de reabilitação e treinamento que lhe permitam participar 
plenamente da vida pública, privada e social; 
 
g. incentivar os meios de comunicação a que formulem diretrizes 
adequadas de divulgação, que contribuam para a erradicação da 
violência contra a mulher em todas as suas formas e enalteçam o 
respeito pela dignidade da mulher; 
 
h. assegurar a pesquisa e coleta de estatísticas e outras informações 
relevantes concernentes às causas, conseqüências e freqüência da 
violência contra a mulher, a fim de avaliar a eficiência das medidas 
tomadas para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher, 
bem como formular e implementar as mudanças necessárias; e 
 
i. promover a cooperação internacional para o intercâmbio de 
idéias e experiências, bem como a execução de programas destinados à 
proteção da mulher sujeitada a violência. 
 
Artigo 9 
Para a adoção das medidas a que se refere este capítulo, os Estados 
Partes levarão especialmente em conta a situação da mulher vulnerável 
a violência por sua raça, origem étnica ou condição de migrante, de 
refugiada ou de deslocada, entre outros motivos. Também será 
considerada sujeitada a violência a gestante, deficiente, menor, idosa ou 
em situação sócio-econômica desfavorável, afetada por situações de 
conflito armado ou de privação da liberdade. 
 
 
CAPÍTULO IV 
MECANISMOS INTERAMERICANOS DE PROTEÇÃO 
CFSD 44 
 
 
 
Artigo 10 
 A fim de proteger o direito de toda mulher a uma vida livre de 
violência, os Estados Partes deverão incluir nos relatórios nacionais à 
Comissão Interamericana de Mulheres informações sobre as medidas 
adotadas para prevenir e erradicar a violência contra a mulher, para 
prestar assistência à mulher afetada pela violência, bem como sobre as 
dificuldades que observarem na aplicação das mesmas e os fatores que 
contribuam para a violência contra a mulher. 
 
Artigo 11 
 Os Estados Partes nesta Convenção e a Comissão 
Interamericana de Mulheres poderão solicitar à Corte Interamericana de 
Direitos Humanos parecer sobre a interpretação desta Convenção. 
 
Artigo 12 
 Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou qualquer entidade 
não-governamental juridicamente reconhecida em um ou mais Estados 
membros da Organização, poderá apresentar à Comissão 
Interamericana de Direitos Humanos petições referentes a denúncias ou 
queixas de violação do artigo 7 desta Convenção por um Estado Parte, 
devendo a Comissão considerar tais petições de acordo com as normas 
e procedimentos estabelecidos na Convenção Americana sobre Direitos 
Humanos e no Estatuto e Regulamento da Comissão Interamericana de 
Direitos Humanos, para a apresentação e consideração de petições. 
 
CAPÍTULO V 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Artigo 13 
 Nenhuma das disposições desta Convenção poderá ser 
interpretada no sentido de restringir ou limitar a legislação interna dos 
Estados Partes que ofereça proteções e garantias iguais ou maiores para 
os direitos da mulher, bem como salvaguardas para prevenir e erradicar 
a violência contra a mulher. 
 
Artigo 14 
 Nenhuma das disposições desta Convenção poderá ser 
interpretada no sentido de restringir ou limitar as da Convenção 
Americana sobre Direitos Humanos ou de qualquer outra convenção 
internacional que ofereça proteção igual ou maior nesta matéria. 
 
Artigo 15 
 Esta Convenção fica aberta à assinatura de todos os Estados 
membros da Organização dos Estados Americanos. 
 
Artigo 16 
 Esta Convenção está sujeita a ratificação. Os instrumentos de 
ratificação serão depositados na Secretaria-Geral da Organização dos 
Estados Americanos. 
 
Artigo 17 
 Esta Convenção fica aberta à adesão de qualquer outro Estado. 
Os instrumentos de adesão serão depositados na Secretaria-Geral da 
Organização dos Estados Americanos. 
Artigo 18 
 Os Estados poderão formular reservas a esta Convenção no 
momento de aprová-la, assiná-la, ratificá-la ou a ela aderir, desde que 
tais reservas: 
 
a. não sejam incompatíveis com o objetivo e propósito da 
Convenção; 
 b. não sejam de caráter geral e se refiram especificamente a uma 
ou mais de suas disposições. 
 
Artigo 19 
Qualquer Estado Parte poderá apresentar à Assembléia Geral, por 
intermédio da Comissão Interamericana de Mulheres, propostas de 
emenda a esta Convenção. 
 As emendas entrarão em vigor para os Estados ratificantes das 
mesmas na data em que dois terços dos Estados Partes tenham 
depositado seus respectivos instrumentos de ratificação. Para os 
demais Estados Partes, entrarão em vigor na data em que depositarem 
seus respectivos instrumentos de ratificação. 
Artigo 20 
 Os Estados Partes que tenham duas ou mais unidades 
territoriais em que vigorem sistemas jurídicos diferentes relacionados 
com as questões de que trata esta Convenção poderão declarar, no 
momento de assiná-la, de ratificá-la ou de a ela aderir, que a 
Convenção se aplicará a todas as suas unidades territoriais ou somente 
a uma ou mais delas. 
 
 Tal declaração poderá ser modificada, em qualquer momento, 
mediante declarações ulteriores, que indicarão expressamente a unidade 
ou as unidades territoriais a que se aplicará esta Convenção. Essas 
declarações ulteriores serão transmitidas à Secretaria-Geral da 
Organização dos Estados Americanos e entrarão em vigor trinta dias 
depois de recebidas. 
Artigo 21 
 Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a partir da 
data em que for depositado o segundo instrumento de ratificação. Para 
cada Estado que ratificar a Convenção ou a ela aderir após haver sido 
depositado o segundo instrumento de ratificação, entrará em vigor no 
trigésimo dia a partir da data em que esse Estado houver depositado seu 
instrumento de ratificação ou adesão. 
 
Artigo 22 
 O Secretário-Geral informará a todos os Estados membros da 
Organização dos Estados Americanos a entrada em vigor da 
Convenção. 
 
Artigo 23 
 O Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos 
apresentará um relatório anual aos Estados membros da Organização 
sobre a situação desta Convenção, inclusive sobre as assinaturas e 
depósitos de instrumentos de ratificação, adesão e declaração, bem 
como sobre as reservas que os Estados Partes tiverem apresentado e, 
conforme o caso, um relatório sobre as mesmas. 
 
Artigo 24 
 Esta Convenção vigorará por prazo indefinido, mas qualquer 
Estado Parte poderá denunciá-la mediante o depósito na Secretaria-
Geral da Organização dos Estados Americanos de instrumento que 
tenha essa finalidade. Um ano após a data do depósito do instrumento 
de denúncia, cessarão os efeitos da Convenção para o Estado 
denunciante, mas subsistirão para os demais Estados Partes. 
 
Artigo 25 
 O instrumento original desta Convenção, cujostextos em 
português, espanhol, francês e inglês são igualmente autênticos, será 
depositado na Secretaria-Geral da Organização dos Estados 
Americanos, que enviará cópia autenticada de seu texto ao Secretariado 
das Nações Unidas para registro e publicação, de acordo com o artigo 
102 da Carta das Nações Unidas. 
 
 EM FÉ DO QUE os plenipotenciários infra-assinados, devidamente 
autorizados por seus respectivos governos, assinam esta Convenção, 
que se denominará Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e 
Erradicar a Violência contra a Mulher, “Convenção de Belém do Pará”. 
 
CFSD 45 
 
 
EXPEDIDA NA CIDADE DE BELÉM DO PARÁ, BRASIL, no dia 
nove de junho de mil novecentos e noventa e quatro. 
 
 
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS 
HUMANOS 
 
Adotada e proclamada pela Assembléia Geral das Nações 
Unidas em 10 de dezembro 1948. 
PREÂMBULO 
 
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os 
membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é 
o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo, 
 
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos 
resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da 
humanidade e que o advento de um mundo em que mulheres e 
homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de 
viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a 
mais alta aspiração do ser humano comum, 
 
Considerando ser essencial que os direitos humanos sejam protegidos 
pelo império da lei, para que o ser humano não seja compelido, como 
último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão, 
 
Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações 
amistosas entre as nações, 
 
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na 
Carta, sua fé nos direitos fundamentais do ser humano, na dignidade 
e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos do homem e 
da mulher e que decidiram promover o progresso social e melhores 
condições de vida em uma liberdade mais ampla, 
 
Considerando que os Países-Membros se comprometeram a 
promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito 
universal aos direitos e liberdades fundamentais do ser humano e a 
observância desses direitos e liberdades, 
 
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e 
liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento 
desse compromisso, 
Agora portanto a Assembléia Geral proclama a presente Declaração 
Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido 
por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada 
indivíduo e cada órgão da sociedade tendo sempre em mente esta 
Declaração, esforce-se, por meio do ensino e da educação, por 
promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de 
medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por 
assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e 
efetivos, tanto entre os povos dos próprios Países-Membros quanto 
entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. 
 
Artigo1 
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e 
direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação 
uns aos outros com espírito de fraternidade. 
 
Artigo2 
1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as 
liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer 
espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de 
outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou 
qualquer outra condição. 
2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição 
política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença 
uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, 
sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de 
soberania. 
 
Artigo 3 
Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança 
pessoal. 
 
Artigo 4 
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o 
tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas. 
 
Artigo 5 
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, 
desumano ou degradante. 
 
Artigo6 
Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, 
reconhecido como pessoa perante a lei. 
 
Artigo7 
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a 
igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra 
qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra 
qualquer incitamento a tal discriminação. 
 
Artigo8 
Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais 
competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos 
fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela 
lei. 
 
Artigo9 
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado. 
 
Artigo10 
Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e 
pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, 
para decidir seus direitos e deveres ou fundamento de qualquer 
acusação criminal contra ele. 
 
Artigo11 
1.Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser 
presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de 
acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido 
asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa. 
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no 
momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou 
internacional. Também não será imposta pena mais forte de que 
aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso. 
 
Artigo12 
Ninguém será sujeito à interferência na sua vida privada, na sua 
família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataque à sua 
honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei 
contra tais interferências ou ataques. 
 
Artigo13 
1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e 
residência dentro das fronteiras de cada Estado. 
2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o 
próprio e a esse regressar. 
CFSD 46 
 
 
 
Artigo14 
1. Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar 
e de gozar asilo em outros países. 
2. Esse direito não pode ser invocado em caso de perseguição 
legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos 
contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas. 
 
Artigo15 
1. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade. 
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem 
do direito de mudar de nacionalidade. 
 
Artigo16 
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de 
raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio 
e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao 
casamento, sua duração e sua dissolução. 
2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno 
consentimento dos nubentes. 
3. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem 
direito à proteção da sociedade e do Estado. 
 
Artigo17 
1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade 
com outros. 
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade. 
 
Artigo18 
Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência 
e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou 
crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo 
ensino, pela prática, pelo culto em público ou em particular. 
 
Artigo19 
Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse 
direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de 
procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer 
meios e independentementede fronteiras. 
 
Artigo20 
1. Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação 
pacífica. 
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. 
 
Artigo21 
1. Todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu 
país diretamente ou por intermédio de representantes livremente 
escolhidos. 
2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do 
seu país. 
3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; essa 
vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio 
universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a 
liberdade de voto. 
 
Artigo22 
Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à 
segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação 
internacional e de acordo com a organização e recursos de cada 
Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à 
sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade. 
 
Artigo23 
1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de 
emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção 
contra o desemprego. 
2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual 
remuneração por igual trabalho. 
3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa 
e satisfatória que lhe assegure, assim como à sua família, uma 
existência compatível com a dignidade humana e a que se 
acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social. 
4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles 
ingressar para proteção de seus interesses. 
 
Artigo24 
Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação 
razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas. 
 
Artigo25 
1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de 
assegurar a si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, 
vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais 
indispensáveis e direito à segurança em caso de desemprego, doença 
invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de 
subsistência em circunstâncias fora de seu controle. 
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência 
especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, 
gozarão da mesma proteção social. 
 
Artigo26 
1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, 
pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução 
elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será 
acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no 
mérito. 
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da 
personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos 
do ser humano e pelas liberdades fundamentais. A instrução 
promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as 
nações e grupos raciais ou religiosos e coadjuvará as atividades das 
Nações Unidas em prol da manutenção da paz. 
3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução 
que será ministrada a seus filhos. 
 
Artigo27 
1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida 
cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso 
científico e de seus benefícios. 
2. Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e 
materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou 
artística da qual seja autor. 
 
Artigo28 
Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em 
que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração 
possam ser plenamente realizados. 
 
Artigo29 
1. Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o 
livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. 
2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará 
sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente 
com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos 
direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da 
moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade 
democrática. 
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser 
CFSD 47 
 
 
exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações 
Unidas. 
 
Artigo30 
Nenhuma disposição da presente Declaração poder ser interpretada 
como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do 
direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato 
destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui 
estabelecidos. 
 
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO 
BRASIL DE 1988 
 
PREÂMBULO 
 
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia 
Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, 
destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a 
liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e 
a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista 
e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na 
ordem interna e internacional, com a solução pacífica das 
controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte 
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. 
 
TÍTULO I 
Dos Princípios Fundamentais 
 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união 
indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, 
constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como 
fundamentos: 
I - a soberania; 
II - a cidadania 
III - a dignidade da pessoa humana; 
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; 
V - o pluralismo político. 
 
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce 
por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos 
desta Constituição. 
 
[...] 
 
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas 
relações internacionais pelos seguintes princípios: 
I - independência nacional; 
II - prevalência dos direitos humanos; 
III - autodeterminação dos povos; 
IV - não-intervenção; 
V - igualdade entre os Estados; 
VI - defesa da paz; 
VII - solução pacífica dos conflitos; 
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; 
IX - cooperação entre os povos para o progresso da 
humanidade; 
X - concessão de asilo político. 
 
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a 
integração econômica, política, social e cultural dos povos da 
América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-
americana de nações. 
 
TÍTULO II 
Dos Direitos e Garantias Fundamentais 
 
CAPÍTULO I 
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes 
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
 
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos 
desta Constituição; 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa 
senão em virtude de lei; 
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou 
degradante; 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o 
anonimato; 
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além 
da indenização por dano material, moral ou à imagem; 
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo 
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na 
forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; 
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência 
religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; 
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença 
religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar 
para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a 
cumprir prestaçãoalternativa, fixada em lei; 
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e 
de comunicação, independentemente de censura ou licença; 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem 
das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou 
moral decorrente de sua violação; 
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo 
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante 
delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por 
determinação judicial; 
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações 
telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no 
último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei 
estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual 
penal; 
 XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, 
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; 
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o 
sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; 
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, 
podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer 
ou dele sair com seus bens; 
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais 
abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não 
frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, 
sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; 
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de 
caráter paramilitar; 
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas 
independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em 
seu funcionamento; 
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou 
ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no 
primeiro caso, o trânsito em julgado; 
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer 
associado; 
https://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/viwTodos/509f2321d97cd2d203256b280052245a?OpenDocument&Highlight=1,constitui%C3%A7%C3%A3o&AutoFramed
https://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/viwTodos/509f2321d97cd2d203256b280052245a?OpenDocument&Highlight=1,constitui%C3%A7%C3%A3o&AutoFramed
CFSD 48 
 
 
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, 
têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou 
extrajudicialmente; 
XXII - é garantido o direito de propriedade; 
 XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; 
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por 
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante 
justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos 
nesta Constituição; 
 XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente 
poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário 
indenização ulterior, se houver dano; 
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde 
que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para 
pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, 
dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento; 
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, 
publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros 
pelo tempo que a lei fixar; 
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: 
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à 
reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades 
desportivas; 
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras 
que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às 
respectivas representações sindicais e associativas; 
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio 
temporário para sua utilização, bem como proteção às criações 
industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a 
outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o 
desenvolvimento tecnológico e econômico do País; 
XXX - é garantido o direito de herança; 
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será 
regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos 
brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do 
"de cujus"; 
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do 
consumidor; 
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos 
informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou 
geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de 
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível 
à segurança da sociedade e do Estado; 
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento 
de taxas: 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou 
contra ilegalidade ou abuso de poder; 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de 
direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; 
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou 
ameaça a direito; 
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico 
perfeito e a coisa julgada; 
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que 
lhe der a lei, assegurados: 
a) a plenitude de defesa; 
b) o sigilo das votações; 
c) a soberania dos veredictos; 
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; 
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem 
prévia cominação legal; 
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; 
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e 
liberdades fundamentais; 
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e 
imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; 
 XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de 
graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes 
e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, 
por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo 
evitá-los, se omitirem; 
 XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de 
grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o 
Estado Democrático; 
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a 
obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens 
ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles 
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; 
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre 
outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos; 
XLVII - não haverá penas: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, 
XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de 
acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; 
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e 
moral; 
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam 
permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; 
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso 
de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado 
envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na 
forma da lei; 
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político 
ou de opinião; 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela 
autoridade competente; 
LIV - ninguém será privado da liberdadeou de seus bens sem o 
devido processo legal; 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos 
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, 
com os meios e recursos a ela inerentes; 
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios 
ilícitos; 
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado 
de sentença penal condenatória; 
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação 
criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei; 
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta 
não for intentada no prazo legal; 
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais 
quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; 
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem 
escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo 
nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, 
definidos em lei; 
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão 
comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso 
ou à pessoa por ele indicada; 
CFSD 49 
 
 
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de 
permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de 
advogado; 
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua 
prisão ou por seu interrogatório policial; 
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade 
judiciária; 
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei 
admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança; 
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável 
pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação 
alimentícia e a do depositário infiel; 
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou 
se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de 
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; 
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito 
líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, 
quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for 
autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de 
atribuições do Poder Público; 
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: 
a) partido político com representação no Congresso Nacional; 
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente 
constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa 
dos interesses de seus membros ou associados; 
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de 
norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e 
liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à 
nacionalidade, à soberania e à cidadania; 
LXXII - conceder-se-á habeas data: 
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa 
do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de 
entidades governamentais ou de caráter público; 
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por 
processo sigiloso, judicial ou administrativo; 
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular 
que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de 
que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio 
ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo 
comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da 
sucumbência; 
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos 
que comprovarem insuficiência de recursos; 
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim 
como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença; 
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da 
lei: (Vide Lei nº 7.844, de 1989) 
a) o registro civil de nascimento; 
b) a certidão de óbito; 
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, 
na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. 
LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são 
assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam 
a celeridade de sua tramitação. 
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm 
aplicação imediata. 
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem 
outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou 
dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil 
seja parte. 
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos 
humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso 
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos 
respectivos membros, serão equivalentes às emendas 
constitucionais. 
 
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional 
a cuja criação tenha manifestado adesão. 
 
CAPÍTULO II 
DOS DIREITOS SOCIAIS 
 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o 
trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência 
social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos 
desamparados, na forma desta Constituição. 
 
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros 
que visem à melhoria de sua condição social [...] 
 
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o 
seguinte: [...] 
 
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do 
registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical 
e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, 
salvo se cometer falta grave nos termos da lei. 
 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7844.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil
CFSD 50 
 
 
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
ALEXY, Robert. Teoria de los Derechos Fundamentales. Madrid. Centro de Estudios Políticos y Constitucionales, 2001. 
 
BALESTRERI Ricardo Brisola. Direitos Humanos: Coisa de Polícia, 1998. 
 
BARROSO, Luís Roberto. O direito constitucional e a efetividade de suas normas. 5. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2001. 
 
BOBBIO, Norberto. A Era dos Direitos. 10 ed., Rio de Janeiro: Campus, 1992. 
 
 _____. Governo dos homens ou governo das leis. In: _____. O Futuro da democracia: uma defesa das regras do jogo. Tradução 
M. A. Nogueira. São Paulo: Paz e Terra, 1986a. p. 151-171. Título original: Il futuro della democrazia. Una difesa delle regole del 
gioco. 
_____. O Futuro da democracia in _____. O Futuro da democracia/ uma defesa das regras do jogo Tradução de M. A. Nogueira. 
São Paulo: Paz e Terra, 1986b. p. 17- 40. Título original: Il futuro della democrazia. Una difesa delle regole del gioco. 
 
_____. Liberalismo e democracia. Tradução de M. A. Nogueira. São Paulo: Brasiliense, 1988. 100p. Título original: Liberalismo 
e democrazia. 
 
BONAVIDES, Paulo. Direito à Paz: 5ª Geração. Jornal O Povo. Publicado em 01 abr 2008. 
 
BRASIL. Código de conduta para os funcionários responsáveis pela aplicação da lei; princípios básicos sobre o uso da força e 
armas de fogo pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei; convenção contra a tortura e outros tratamentos ou penas 
cruéis, desumanos ou degradantes. Disponível em http://www.camara.gov.br consulta em: 07/04/2018 
 
_____. Guia de direitos humanos: conduta ética, técnica e legal para instituições policiais militares (cartilha). Secretaria Especial 
dos Direitos Humanos da Presidência da República. Programa de apoio institucional às ouvidorias de polícia e policiamento 
comunitário, 2008. 
 
_____. Constituição Federalde 1988. 
 
CURSO nacional de promotor de polícia comunitária. Grupo de trabalho Portaria Senasp n°002/2007- Brasília/DF, 2007. 
 
LAFER, Celso. A Reconstrução dos Direitos Humanos: um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. São Paulo: Companhia 
das Letras, 2006. 
 
MARCHI, William Ricardo de Almeida. Uma reflexão sobre a classificação dos direitos fundamentais mestre em direito. 
Professor do UNAR – centro universitário de araras “Dr Edmundo Ulson”. 
 
MANUAL do Instrutor do curso de gestão da qualidade em Segurança Pública. PMBA, 2004. 
 
NUNES, Rizzatto. O princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. doutrina e jurisprudência. São Paulo: Saraiva, 
2006. 
 
RIDOLA, Paolo. A dignidade humana e o “princípio liberdade” na cultura constitucional europeia /Paolo Ridola; coordenação e 
revisão técnica Ingo Wolfgang Sarlet; tradução Carlos Luiz Strapazzon, Tula Wesendonck. Porto Alegre: Livraria do Advogado 
Editora, 2014. 
 
SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais: uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva 
constitucional. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 10. ed., rev., atual e ampl.,2009. 
 
VASAK, Karel. As Dimensões Internacionais dos Direitos do Homem. Lisboa: Editora Portuguesa de Livros Técnicos e 
Científicos, Unesco, 1983. 
 
VERMELHA, Comitê Internacional da Cruz. Direitos Humanos e direito internacional, humanitário para forças policiais e de 
segurança. Genebra, 1998. 
http://www.camara.gov.br/sileg/integras/931761.pdf
http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:rede.virtual.bibliotecas:livro:2009;000843735
http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:rede.virtual.bibliotecas:livro:2009;000843735
	INTRODUÇÃO 
	6.1. LIMITAÇÕES AO PODER DE ATUAR DOS POLICIAIS MILITARES 
	6.2. CONTROLE INTERNO E EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL MILITAR 
	6.3. RELAÇÃO: DIREITOS HUMANOS E O ESTADO 
	PREÂMBULO 
	Artigo 1.  Obrigação de respeitar os direitos 
	  
	CAPÍTULO II 
	Artigo 4.  Direito à vida 
	Artigo 5.  Direito à integridade pessoal 
	Artigo 6.  Proibição da escravidão e da servidão 
	Artigo 7.  Direito à liberdade pessoal 
	Artigo 8.  Garantias judiciais 
	Artigo 9.  Princípio da legalidade e da retroatividade 
	Artigo 10.  Direito a indenização 
	Artigo 11.  Proteção da honra e da dignidade 
	Artigo 12.  Liberdade de consciência e de religião 
	  
	Artigo 13.  Liberdade de pensamento e de expressão 
	Artigo 14.  Direito de retificação ou resposta 
	Artigo 15.  Direito de reunião 
	Artigo 16.  Liberdade de associação 
	Artigo 17.  Proteção da família 
	Artigo 18.  Direito ao nome 
	Artigo 19.  Direitos da criança 
	Artigo 20.  Direito à nacionalidade 
	Artigo 21.  Direito à propriedade privada 
	Artigo 22.  Direito de circulação e de residência 
	Artigo 23.  Direitos políticos 
	Artigo 24.  Igualdade perante a lei 
	Artigo 25.  Proteção judicial 
	DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS 
	Artigo 26.  Desenvolvimento progressivo 
	Artigo 27.  Suspensão de garantias 
	Artigo 28.  Cláusula federal 
	Artigo 29.  Normas de interpretação 
	Artigo 30.  Alcance das restrições 
	Artigo 31.  Reconhecimento de outros direitos 
	Artigo 32.  Correlação entre deveres e direitos 
	ÓRGÃOS COMPETENTES 
	Artigo 33 
	Artigo 34 
	Artigo 35 
	Artigo 36 
	Artigo 40 
	Artigo 42 
	Artigo 43 
	Artigo 45 
	Artigo 47 
	Seção 4 — Processo 
	Artigo 49 
	Artigo 50 
	Artigo 51 
	Artigo 53 
	Artigo 54 
	Artigo 57 
	Artigo 58 
	Artigo 61 
	Artigo 62 
	Artigo 63 
	Artigo 64 
	 Artigo 65 
	Artigo 68 
	Artigo 72 
	Artigo 73 
	Artigo 78 
	Artigo 2 
	Artigo 6 
	Artigo 7 
	Artigo 8 
	Artigo 9 
	Artigo 10 
	Artigo 11 
	Artigo 12 
	Artigo 13 
	Artigo 14 
	Artigo 15 
	Artigo 16 
	Artigo 17 
	  
	Artigo 22 
	Artigo 23 
	Artigo 24 
	DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS 
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