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REGRAS DO FUTEBOL Regra 1 - O terreno do jogo O campo de jogo deve ser retangular, com um máximo de 120 m e um mínimo de 90 m de comprimento, por uma largura máxima de 90 m e mínima de 45 m. Em partidas internacionais, essas medidas mudam para 110/100 m de comprimento e 75/64 m de largura. Deve ser marcado com linhas visíveis de no máximo 12 cm de largura, sendo chamadas laterais as mais longas e de fundo as mais curtas. Em cada canto do retângulo deve haver uma bandeirola de no máximo 1,50 m de altura. O centro do campo será marcado com um ponto, em torno do qual se traçará uma circunferência com 9,15 m de raio. A pequena área será delimitada por duas linhas perpendiculares à linha de fundo, traçadas a 5,50 m de cada trave e avançando 5,50 m para dentro do campo, unidas então por outra linha. A grande área terá linhas semelhantes, colocadas a 16,50 m de cada trave a avançando outros 16,50 m campo adentro. Essa também é a área de pênalti, penalidade a ser cobrada de um ponto situado a 11 m do centro do gol. Desse ponto serão traçados, no exterior de cada grande área, arcos com 9,15 m de raio. Em cada canto, a partir da bandeirola, devem ser traçados arcos com 1 m de raio. Na parte central de cada linha de fundo serão colocadas traves, separadas entre si, interiormente, por 7,32 m, unidas em cima por um travessão colocado a 2,44 m do solo. A largura ou diâmetro das traves não pode exceder 12 cm, e do lado de fora do campo elas podem ser guarnecidas por redes. Regra 2 - A Bola A bola dever ser esférica, recoberta de couro ou outro material aprovado, que não represente perigo à integridade dos atletas. Sua circunferência máxima será de 69,5 cm, e a mínima 68,5 cm; o peso dever estar entre 420 e 445 g no início da partida, e depois de cheia ela deve ter a pressão de 0,8 bar. Sem autorização do árbitro, não pode ser trocada no transcorrer do jogo. Regra 3 - Número de Jogadores O jogo será disputado por dois times, cada um deles formado por no máximo 11 jogadores, um dos quais atuará como goleiro. Permite-se até cinco substituições por equipe, empartidas amistosas, e duas mais o goleiro nas oficiais. Antes do início da partida, o juiz deve ser informado dos nomes dos eventuais reservas. Qualquer atleta poderádesempenhar a função de goleiro, desde que o árbitro seja antecipadamente informado. Caso, no intervalo ou durante o jogo, um atleta troque de posição com o goleiro sem notificar o juiz, será marcado pênalti assim que ele tocar a bola com a mão dentro da grande área. Regra 4 - Equipamento dos jogadores Nenhum jogador pode portar objeto perigoso para os demais. E suas chuteiras terão de obedece às seguintes exigências: 1. as barras serão transversais e planas, com no mínimo 12,7 mm de largura, arredondadas nas extremidades da sola; 2. os cravos substituíveis, montados diretamente nas solas, podem ser de couro, borracha, alumínio, plástico ou material similar, planos e com diâmetro mínimo de 12,7 mm. A parte que forma sua base não pode sobressair mais que 6 a 6,35 mm da sola. Não se permitem cravos rosqueáveis em porcas pregadas à sola, nem os que tenham bordas salientes, relevos ou adornos; 3. cravos fundidos à sola e não substituíveis devem ser de plástico, borracha, poliuretano ou material macio, devendo haver no mínimo dez por sola, com diâmetro não inferior a 10 mm; podem ser empregadas combinações de barras e cravos, desde que o conjunto respeite as demais regras, e o comprimento não deve nunca exceder 19 mm. O goleiro deve usar cores que o distingam dos demais. Regra 5 - Árbitros Serádesignado um juiz para dirigir cada partida, com as seguintes atribuições: cuidar da aplicação das regras e resolver todos os casos duvidosos, com decisões inapeláveis, masevitando punições que beneficiem o infrator; anotar as ocorrências, cumprindo funções de cronometrista; interromper o jogo quando houver motivo válido; cuidar da disciplinados atletas em campo; impedir a entrada de quaisquer elementos estranhos; expulsar definitivamente, sem advertência prévia, todo jogador culpado de falta violenta; decidir se abola corresponde às exigências da regra II. Regra 6 - Árbitros Assistentes Serão designados dois juizes de linha, com a missão de indicar quando a bola estiver fora de jogo e a que equipe caberá o arremesso lateral, o tiro de meta e o escanteio - sempresujeitos à decisão do árbitro. Em caso de intervenção indevida ou conduta incorreta, serão substituídos. Os juizes de linha usarão bandeirinhas fornecidas pelo dono do campo. Regra 7 - Duração da partida As partidas terão dois tempos iguais de 45 minutos, exceto acordo em contrário, e o árbitro poderá acrescentar o tempo que tenha sido perdido em conseqüência de acidente ou outro motivo. A duração de cada período será prolongada para a execução de um pênalti, e o descanso no intervalo - a menos que assim o autorize o árbitro - não poderá exceder15 minutos. Regra 8 - O início do jogo Antes do início de cada partida se escolherá, com o auxílio de uma moeda, o lado do campo ou o chute inicial, cabendo a opção à equipe vencedora do sorteio. A um sinal do juiz, o jogo começará com um chute na bola parada e colocada no centro do gramado, em direção ao campo contrário. Todos os jogadores deverão estar em seu próprio campo, e os adversários não deverão ficar a menos de 9,15 m da bola no momento do chute inicial. O jogador que dá a saída não poderá tocar novamente na bola antes que outro o faça. Depois de marcado um gol, a partida será reiniciada da mesma forma, por um jogador adversário daquele que assinalou o tento. Após o intervalo, as equipes trocarão de lado, e o chute inicial será dado pela adversária daquela que o fez no primeiro tempo. Em caso de infração a esta regra, se repetirá a saída - exceto se o jogador que deu o pontapé inicial atoque novamente antes de outro, caso em que se marcará tiro livre indireto. Não se pode marcar um gol, diretamente de um chute inicial. Para reiniciar uma partida interrompida por causas que não as acima, e sempre que a bola não tenha ultrapassado as linhas laterais ou de fundo, o árbitro deixará a bola cair ao chão no local em que esta se encontrava no momento da interrupção, e ela será considerada em jogo assim que tocar o solo. Regra 9 - Bola em jogo A bola está fora de jogo quando: 1. tiver atravessado inteiramente uma linha lateral ou de fundo, seja por terra ou pelo ar; 2. quando a partida tiver sido interrompida pelo árbitro. A bola estar á em jogo: 1. se permanecer em campo depois de chocar-se com as traves, ou as bandeirinhas de córner, o juiz ou os fiscais de linha; 2. enquanto não se toma uma decisão sobre uma suposta infração às regras. Regra 10 - O gol Ressalvadas as exceções previstas nas regras, se considerará gol quando a bola ultrapassar totalmente a linha de fundo, entre as traves e por baixo do travessão, sem que tenha sido lançada, levada ou golpeada com a mão ou o braço de um jogador da equipe atacante - exceto o goleiro, quando dentro de sua própria área de pênalti. A equipe que marcar maior número de gols ganhará o jogo. Se não houver gols, a partida terminará empatada. Regra 11 - Impedimento Todo jogador é considerado impedido se estiver mais perto da linha de fundo adversária do que a bola - exceto se: 1. estiver em seu próprio campo; 2. houver pelo menos dois adversários entre ele e a linha de fundo, mesmo que estejam na mesma linha; 3. estiver recebendo a bola de um tiro de meta, um escanteio, um arremesso lateral ou bola ao chão. Por toda infração a esta regra se concederá um tiro livre indireto à equipe adversária, no local onde se cometeu a falta. Nenhum jogador impedido, porém, será punido se o juiz considerar que ele não influiu no jogo, perturbou um adversário ou tentou obter vantagem da posição. Regra 12 - Faltas e incorreções Um jogador que cometa intencionalmente uma das nove faltas seguintes será punido com tiro livre direto, cobrado do local onde ocorreu: 1. chutar ou tentar chutar um adversário; 2. derrubar ou tentar derrubá-lo, usandoa perna ou agachando-se atrás ou à sua frente; 3. saltar sobre um adversário; 4. atacar violenta ou perigosamente um adversário; 5. atacar por trás um adversário que não lhe fez obstrução; 6. atingir ou tentar atingir um adversário; 7. segurá-lo com a mão ou o braço; 8. empurrá-lo; 9. carregar, golpear ou arremessar a bola com a mão ou o braço. Se qualquer dessas faltas for cometida por um defensor dentro de sua grande área, será punido com um pênalti. O jogador responsável por uma das seis faltas seguintes, será punido com um tiro livre indireto: 1. jogar de forma perigosa (chutar a bola quando ela estiver com o goleiro, por exemplo); 2. investir lealmente - isto é, com o ombro - sobre um adversário, quando a bola não estiver à distância de jogo dos envolvidos e estes não tenham a intenção de participar da jogada; 3. sem tocar na bola, obstruir intencionalmente um adversário, colocando-se como obstáculo entre ele e a bola; 4. atacar o goleiro, a menos que ele detenha a bola,obstrua um adversário ou esteja fora da grande área; 5. sendo goleiro, dar mais de quatro passos com a bola nas mãos, tocá la antes de outro jogador depois de tê-la colocado em jogo, ou retardar a partida; 6. sendo goleiro, receber a bola atrasada por um companheiro com o pé. Será passível de repreensão o jogador que entrar em campo, sair dele ou a ele retornar semautorização do juiz. Nesse caso, se o jogo tiver sido interrompido para a aplicação da reprimenda, será reiniciado por meio de um tiro livre indireto por parte do adversário, do lugar onde estava a bola no momento da paralisação. Também com um tiro livre indireto serão punidas as seguintes faltas: 1. infração constantes às regras de jogo; 2. reclamação, com palavras ou gestos, a qualquer decisão do árbitro; 3. conduta incorreta. Serão passíveis de expulsão os jogadores que: 1. se mostrarem, segundo a opinião do árbitro, violentos; 2. usarem de linguagem injuriosa ou grosseira; 3. persistirem nas infrações após terem sido advertidos; 4. derrubaram por trás os adversários que estiverem correndo com a bola na direção do gol; 5. evitarem gols eminentes desviando a bola com a mão. Partidas interrompidas para uma expulsão, sem que outra falta tenha sido assinalada, serão reiniciadas com um tirolivre indireto contra a equipe do jogador punido. Regra 13 - Tiros livres Os tiros livres podem ser diretos (nos quais é permitido chutar diretamente a bola para o gol adversário) ou indiretos (nestes, um gol só será válido se a bola for tocada também por outro atleta, além daquele que cobrou o tiro). Num tiro livre cobrado dentro da própria área de jogo do atleta, todos os adversários devem estar fora da área de pênalti e no mínimo a 9,15 m da bola, que entrará em jogoassim que percorrer uma distância igual à sua circunferência e tiver saído da grande área. O goleiro não poderá receber a bola em suas mãos com o objetivo de colocá-la em jogo; se ela não for atirada diretamente para fora da grande área a cobrança deverá ser repetida. Se um jogador cobra um tiro livre fora de sua área de pênalti, os adversários também devem estar a 9,15 m da bola, salvo se encontrarem entre as traves do gol. O jogador quecobra o tiro não poderá tocar na bola antes que outro o faça - e, se isso acontecer, um tiro indireto será concedido à equipe adversária. Regra 14 - O pênalti O pênalti será cobrado de seu ponto pré-assinalado, com todos os jogadores - à exceção do que vai batê-lo - colocados fora da grande área e no mínimo a 9,15 m da bola. Ogoleiro adversário deverá permanecer sobre sua própria linha de meta, sem mover os pés, até que a bola seja chutada. O cobrador da penalidade deverá bater diretamente para frente, e não poderá tocar novamente a bola antes que outro o faça. A bola será considerada em jogo assim que percorreruma distância igual à sua circunferência, e o gol valerá mesmo que o goleiro a toque antes de ultrapassar a linha de meta. Para toda infração a estas regras haverá uma penalidade, Se for cometida pela equipe defensora, será repetida a cobrança do pênalti, caso este não resulte em gol; cometida por um atacante, que não o mesmo que cobra o pênalti, resultará em anulação de um eventual gol e na repetição da cobrança; se o infrator for o mesmo que cobrou o pênalti, e o fizer depois que a bola estiver em jogo, será marcado um tiro livre indireto a favor da equipe adversária. Regra 15 - Arremesso lateral Quando a bola ultrapassar a linha lateral, por terra ou pelo ar, será posta em jogo por um adversário daquele que a tocou por último, fazendo-o do ponto onde ela saiu. O cobrador de arremesso lateral deverá estar de frente para o campo, com os dois pés sobre a linha lateral ou fora de campo, lançando a bola sobre a cabeça com as duas mãos. A bola entrará em jogo assim que penetrar em campo, devendo ser tocada primeiro por outro jogador que não aquele que a arremessou. Não se pode marcar um gol diretamente de um lateral, e se este for executado irregularmente reverterá em lateral para a equipe adversária. Regra 16 - Chute a gol Quando a bola sair pela linha de fundo (excluída a parte entre as traves), tendo sido tocada por um jogador da equipe atacante, será colocada num ponto qualquer da pequenaárea e lançada com o pé para fora da grande área, por um jogador defensor - o qual não deverá tocá-la novamente antes que outro o tenha feito. O goleiro não pode receber nas mãos a bola de um tiro de meta. Se a bola não sair fora da grande área, será repetida a cobrança. Não se pode marcar um gol diretamente dela, e os jogadores adversários devem estar fora da grande área até queo chute tenha sido desferido. Punição: se o jogador que cobra o tiro de meta tocar a bola fora da grande área, antes que outro o faça, será marcado um tiro livre indiretamente contra sua equipe. Regra 17 - Escanteio Quando a bola transpuser totalmente a linha de fundo, excluída a parte entre as traves, tendo sido tocada por um jogador da equipe defensora, será cobrado um tiro de canto. A bola será colocada no interior do quarto de círculo, no canto correspondente à metade do campo por onde saiu a bola. A bandeirinha não poderá ser afastada, e é possível assinalar um gol diretamente de uma cobrança de escanteio - na qual os adversários não deverão estar a menos de 9,15 m da bola a menos que ela entre em jogo. O jogador que cobrar o escanteio só poderá tocar novamente na bola depois que outro o fizer. A infração a esta regra será punida com tiro livre indireto favorável à equipe contrária, cobrado do local onde se cometeu a irregularidade. Métodos de ensino-aprendizado-treinamento no futebol e no futsal Carlos Eduardo Arissa Vargas, Ivanildo Alves, Renato Souza Santos, Milton da Silva Borges e Renê Drezner A aprendizagem consiste na alteração de um comportamento. No contexto das modalidades esportivas coletivas, isso implica tanto em mudanças nos aspectos motores quanto em aspectos cognitivos do desempenho. Nessas modalidades esportivas, o processo de aprendizagem (treinamento) se torna um pouco mais complexo em razão da interação da resposta motora com a tomada de decisão (cognitiva). Além disso, o desempenho esportivo, nessas modalidades, é executado em um ambiente aberto sob várias condições de oposição e cooperação, que aumentam bastante a imprevisibilidade do gesto esportivo. Esta característica do jogo tem de ser considerada no processo de ensino-aprendizagem e no desenvolvimento dos métodos de treinamento. A aprendizagem do futebol é um tema que tem gerado muita polêmica entre estudiosos e treinadores, principalmente devido à existência de diversos métodos. Algumas indagações que envolvem esses métodos são: qual será o método que propicia melhor aprendizagem da técnica? A inteligência e a criatividade dos jogadores são aprimoradas da mesma forma por todos os métodos? Qual método provoca maior rapidez na aprendizagem de jogar o jogo? Pensando nestas indagações, buscaremos abordar neste artigo, por revisão de literatura,os métodos utilizados no treinamento técnico e tático do futebol dividindo-os em três grandes classes: analítico, global e integrado. Além de caracterizá-los, vamos também apontar suas vantagens e desvantagens. Dentro da literatura e da prática surgem diversos tipos de treinamento, com diferentes nomenclaturas, escolhemos dividir em três grandes classes para tentar facilitar a comparação entre os tipos de metodologia. Método Analítico O método analítico vem sendo muito utilizado desde a década de 60. A também chamada “série de exercícios” e “das partes” é caracterizada pela aprendizagem do jogo através das técnicas básicas e formas analíticas executadas sem a presença de adversário ou oposição, ou seja, as técnicas são fragmentadas e o processo de ensino-aprendizado se desenvolve em sequência, do simples para o complexo, buscando alcançar a técnica ideal (MATTA; GRECO, 1996; CORRÊA; SILVA; PAROLI, 2004; TONROLLER, 2004). Vale destacar que a técnica ideal é aquela que possui um modelo, padrão aceitável, onde o técnico não pode negligenciar o princípio da individualidade, o estilo, no qual a execução de uma técnica sofre influência do padrão individual de realização do gesto (BOMPA, 2002). Dentre escolinhas, categorias de base e o futebol profissional, o método analítico foi o método mais utilizado nos primórdios do treinamento técnico (LEITÃO, 2010). Nos dias de hoje ele é também muito difundido, como exemplo, Pinto e Santana (2005) encontraram esse método como o mais utilizado nas aulas de futsal. O modelo analítico mostra-se eficiente em movimentos com alto nível de complexidade técnica (dificuldade) e baixo nível de organização (sequência das ações) (CORRÊA; SILVA; PAROLI, 2004). Pois a repetição sistemática dos movimentos sem oposição faz o aprendiz focar toda a sua atenção para o aprimoramento do gesto técnico. Alves e Souto (2009), e Armbrust, Silva e Navarro (2010) reportaram encontrar melhoras nos gestos técnicos do futebol com a aplicação do método. Em contrapartida a falta de oposição na execução dos exercícios não estimula o desenvolvimento da capacidade cognitiva do jogador (tomada de decisão) e o nível de compreensão das relações/interações envolvidas num jogo (Graça e Mesquita, 2007) e (Leitão, 2010). Apesar disto, Corrêa, Silva e Paroli (2004), e Silva e Greco (2009) encontraram efeitos semelhantes no desenvolvimento dos aspectos cognitivos dos jogadores de futsal do método predominantemente analítico em comparação a outros métodos (lembrando que o método predominantemente analítico também tinha grande carga de jogo). Vantagens: Costa (2003): • Os fundamentos são aprendidos e treinados detalhadamente, sempre dentro do padrão técnico; • As avaliações e correções são facilmente aplicadas; • Permite individualizar o ensino das habilidades, respeitando o ritmo de aprendizado de cada aluno. Canfield e Reis (1998): • Possibilidade do domínio da técnica; • Facilidade de organização da sessão de treino (aula). Desvantagens: Costa (2003): • Desmotivante; • Não há criatividade por parte dos alunos; • Proporciona um ambiente monótono e pouco atraente; • Não cria situações próprias do jogo (descontextualização). Método Global O método global ou “do todo” consiste na utilização de toda complexidade e dinâmica do conteúdo a ser aprendido (CORRÊA; SILVA; PAROLI, 2004; TONROLLER, 2004). Sua aplicação se dá através do jogo propriamente dito (TONROLLER, 2004). O ponto de partida é a equipe, que aprende a jogar através do deixar jogar (OLIVEIRA; NOGUEIRA; GONZÁLEZ, 2010). A estrutura de ensino proposta pelo modelo global ao invés de enfatizar a aprendizagem de determinados fundamentos investe no desenvolvimento do jogo como um todo através da capacidade de descoberta pela prática. O aprendiz aprende diretamente a partir da própria experiência, com o auxílio indireto do professor, mantendo, a rigor, o processo de aprendizagem por tentativa e erro. (RESENDE, 2007). Tarefas com baixo nível de complexidade e alto nível de organização, o ensino-aprendizagem realizado pela prática do todo demonstra ser eficiente (CORRÊA; SILVA; PAROLI, 2004). A utilização desse método, assim como os demais, demonstrou melhora na capacidade cognitiva do atleta, ou seja, no conhecimento tático (CORRÊA; SILVA; PAROLI, 2004). Já Andrade (2010) sugere que o método global não proporciona melhoras. Vantagens: Costa (2003): • Desde cedo se pratica o jogo; • A técnica e a tática estão sempre juntas; • Permite a participação de todos os elementos envolvidos, como o movimento, a reação, percepção, ritmo e outros; • Motivação. Desvantagens: Costa (2003): • O aluno demora a ver seu progresso técnico, o que pode provocar desmotivação; • Não proporciona uma avaliação eficaz sobre o desempenho do atleta; • Não permite o atendimento das limitações individuais; • Dificulta direcionar objetivos específicos para ser aprimorados com o treinamento. No futebol, tradicionalmente, se utiliza a combinação dos métodos analítico e global, com a utilização de exercícios analíticos no começo da sessão de treinamento e jogo coletivo (método global) no final. Esta combinação ainda é muito utilizada nos dias de hoje. Nessa visão, o método analítico e o método global são vistos como complementares. Isto é, o treinamento do jogo formal complementaria o trabalho feito analiticamente sobre o gesto técnico. Porém, sem uma integração dos tipos de exercício. Método Integrado O método integrado de treinamento no futebol tem como base uma concepção de método de ensino de jogos desportivos, o Teaching Games for Understanding. A capacidade cognitiva é o principal objetivo deste método (GRAÇA; MESQUITA, 2007). A utilização deste método busca possibilitar que o atleta reconheça comportamentos táticos individuais, em grupo e coletivo de ataque e defesa, com a situação de jogo, distinga situações táticas corretas das inadequadas e crie uma solução da tarefa com o grupo, através da tomada de decisão (TIEGEL; GRECO, 1998). Este método pode ser compreendido como aquele capaz de aproximar o treinamento a realidade do jogo por meio de jogos educativos. Pois os exercícios são organizados com propósitos didáticos e executados com objetivos previamente definidos e nele centralizado as aprendizagens pretendidas (GRAÇA; MESQUITA, 2007). Ele também é chamado de estruturalista, pois a principal característica reside em criar modificações na estrutura do jogo, onde se reduz sua complexidade (número de jogadores, regras, tamanho do campo), porém sem alterar os componentes essenciais do jogo. O método situacional, onde certas situações de jogo são treinadas com um dado enfoque, também pode ser compreendido como parte do método integrado, pois o mesmo tem como objetivo desenvolver as capacidades cognitivas de percepção, antecipação e tomada de decisão do jogador (MATTA; GRECO, 1996). Em alguns trabalhos, como de Oliveira, Nogueira e González (2010) e Tenroller (2004), podemos encontrar outras denominações para este método como jogos condicionados e método em série de jogos. O treinador ao utilizar o método integrado deve ter atenção quanto à escolha de jogos adequados ao nível de aprendizado dos praticantes. Alunos com baixa capacidade técnica podem apresentar grande dificuldade na participação de alguns jogos reduzidos, portanto, cabe ao treinador selecionar jogos de maneira consciente. Respeitando a individualidade do aluno, o método integrado pode ser aplicado em uma sequência de fases, com uma sequência crescente de complexidade (LOPES, 2006). Vantagens: Canfield e Reis (1998): • Técnica e tática são assimiladas e desenvolvidas desde o início do processo; • As atividades estimulam a resolução de problemas e desenvolvem e incentivam sua participação ativa no jogo. Greco (2007): • O método situacional reúne, indiretamente, as vantagens dos métodos analítico e global em uma forma simples, deixando de lado as desvantagens que os mesmos apresentam. Desvantagens: Canfield e Reis (1998): • Processo ensino-aprendizagem mais lento; • Construção de atividades depende da experiência do profissional.Método Analítico x Global x Integrado Muitos estudos estão sendo conduzidos com o intuito de verificar se existem vantagens da aplicação de um método em relação ao outro. Ainda não foi comprovada a eficiência de um método sobre o outro. Na sequência será mostrado um resumo de alguns estudos que tentaram realizar uma comparação entre os métodos. Corrêa, Silva e Paroli (2004) avaliaram os métodos (analíticos, global, integrado e situacional) em adolescentes com média de 12,6 anos, durante 12 semanas, para verificar a capacidade cognitiva dos jogadores. Os adolescentes foram divididos em quatro grupos e receberam o enfoque de treinamento de acordo com o método designado. Não foram encontradas diferenças após o período de treinamento em cada grupo e entre os grupos, sugerindo um efeito de treinamento semelhante entre os métodos empregados. Silva e Greco (2009) encontraram em adolescentes entre 12-13 anos, que o método analítico apresentou melhoras em relação à inteligência de jogo, mas não em relação à criatividade tática. Já os grupos que utilizaram os métodos misto e situacional apresentaram melhoras significativas tanto para o desenvolvimento da criatividade tática como da inteligência de jogo. Em um estudo descritivo, Pires (2002) verificou, em oito semanas, diferenças entre os métodos analítico e situacional. Os resultados mostraram que o método analítico foi melhor do que o método situacional para aprimorar a precisão na execução do passe, durante uma atividade fechada; a maior precisão no passe, em uma atividade fechada, não contribuiu para o mesmo êxito em uma situação real de jogo, apesar do grupo analítico também apresentar melhora na situação real de jogo. O método situacional foi melhor para aprimorar a capacidade de tomada de decisão e execução em situação real de jogo, do atacante em posse de bola. E extremamente melhor no que diz respeito ao jogador atacante sem a posse de bola; durante uma situação real de jogo foi possível melhorar a precisão do passe, isto demonstrado em uma atividade fechada. Conclusão No processo de ensino-aprendizagem do futebol existem vários métodos com diferentes objetivos de trabalho. Quando você gasta todo o seu esforço tentando provar que um determinado tipo de método de ensino é melhor do que outro, você limita o que você pode aprender sobre o vasto e complexo processo de ensino-aprendizagem. Não necessariamente a correta decisão vai corresponder a uma correta ação e saber executar um gesto técnico em uma situação descontextualizada nem sempre vai ser transferido para situação real de jogo. Além disso, cada grupo de jogadores pode reagir de maneira diferente à aplicação de um exercício de treinamento. Assim a combinação dos diversos métodos parece ser a forma mais apropriada, tendo como ponto crucial o momento que deve ser introduzido um determinado tipo de exercício à sequência do treinamento. Fundamentos do futebol Podemos dividir os fundamentos técnicos em dois tipos de ações: A) movimentos sem bola (corrida com mudança, saltos, giros, etc.); B) movimentos com bola (recepção, passe, chute, etc.). De acordo com essa divisão, pretendemos desenvolver aqui somente as técnicas básicas do futebol pertencentes ao grupo b (movimentos com bola), executando as ações específicas desenvolvidas pelos jogadores que ocupam a posição de goleiro. Para uma melhor prática do futebol, faz-se necessário o conhecimento e domínio de algumas técnicas básicas, tais como: condução, passe, chute, drible ou finta, recepção, cabeceio e arremesso lateral. O cabeceio e o arremesso lateral serão abordados como elementos pertencentes a outros fundamentos técnicos, ou seja, o arremesso lateral seria considerado uma forma de passe, e o cabeceio, dentro dos demais fundamentos. As técnicas serão abordadas na seguinte seqüência: definição e conceituação do termo, descrição da técnica e as possíveis variações e formas. Condução. É o ato de deslocar-se pelos espaços possíveis do jogo, tendo consigo o passe de bola. Técnica de condução de bola: a) posicionar o corpo e movimentá-lo de maneira a facilitar o tipo de condução desejada; b) manter a bola numa distancia que facilite a seqüência da condução, bem como as variações necessárias de acordo com exigência da situação; c) utilizar o tipo de toque adequado à situação; d) postura adequada à movimentação, com o centro de gravidade um pouco mais baixo, quando necessário um melhor domínio e mais alto, quando conduzir em alta velocidade; e) distribuir a atenção na bola, no espaço e nos demais jogadores. Passe. É um elemento técnico inerente ao fundamento chute, que se caracteriza pelo ato de impulsionar a bola para um companheiro. Técnica do passe: a) posicionamento do corpo de maneira favorável a sua execução; b) pé de apoio ao lado (atrás ou à frente) da bola; c) projeção da perna (membro inferior direito ou esquerdo) a ser utilizada em direção à bola; d) toque propriamente dito (durante a execução do movimento, o braço ajuda no coordenação e equilíbrio). Chute. É o ato de golpear a bola, desviando ou dando trajetória à mesma, estando ela parada ou em movimento. Técnica do chute: É semelhante à técnica do passe, sendo o objetivo das ações sua grande diferença. O chute tem como objetivo finalizar uma ação para o gol ou impedir o prosseguimento das ações do adversário. Drible ou finta. É o ato que o jogador, estando ou não em posse da bola, tenta ludibriar o seu adversário. O drible, de acordo com a sua origem inglesa (dribbling), seria a progressão com a bola. Entretanto, no cotidiano do futebol, o drible é entendido como a forma de ludibriar o adversário. O termo correto para a ação de desvencilhar-se de um adversário seria finta, mas, como a palavra drible tornou-se muito utilizada neste sentido, consideraremos os dois como sinônimos. Técnica do drible ou finta: a) posicionar o corpo de maneira favorável ao drible (ou finta) desejado; b) manter a bola próxima ao corpo e o centro de gravidade baixo, permitindo assim um melhor domínio sobre a mesma; c) utilizar o tipo de toque e movimentação adequados ao drible desejado, de acordo com a situação; d) na execução do drible, a atenção é dirigida para a movimentação do adversário para o espaço e para a bola. Recepção. Se o aluno não consegue Ter a posse da bola quando tenta interromper a trajetória da mesma, dizemos que houve uma má recepção. Este mesmo fundamento aparece na literatura como os seguintes sinônimos: abafamento, amortecimento, travar ou dominar a bola. Lembre-se que, cotidianamente, o domínio de bola é entendido como recepção. Entretanto, consideramos que o domínio ou controle da bola expressam um nível de referencia quanto ao “desenvolvimento” das capacidades coordenativas de condução e adaptação do movimento, sendo que o domínio pode manifestar-se com mais evidencia na técnicas de condução, recepção e drible. Técnicas da recepção: a) posicionamento do corpo de maneira favorável a recepção, com a parte do corpo a realizar o contato voltada par a bola; b) ao aproximar-se da bola, amortecê-la, tentando inicialmente, diminuir a sua velocidade; c) manter a bola próxima ao corpo, favorecendo assim, o seu domínio. Cabeceio. É o ato de impulsionar a bola utilizando a cabeça. Esse gesto técnico é bastante utilizado durante o jogo e pode ser aplicado, tanto para ações ofensivas como defensivas. O cabeceio apresenta-se como uma das alternativas para a realização de outros fundamentos, tais como: passe, chute, recepção, etc. O cabeceio poderá ser executado parado ou em movimento, estando ou não em suspensão. Aconselha-se principalmente, o uso da testa como a região da cabeça que irá realizar o contato com a bola. Existem duas posições básicas do tronco em relação à bola, no momento da execução do gesto técnico: frontal ou lateral.