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Alienação parental: filhos e a separação dos pais, uma perigosa combinação das mentalidades Maria Claudinete Santos Farias[footnoteRef:1] [1: Concluinte do Curso de Pós-Graduação de Especialização em Terapia de Casal, Sexualidade e Família do Centro de Desenvolvimento Educacional- Recife/PE. E-mail] Resumo Este artigo trata sobre um tema de grande relevância que estar presente em várias situações familiares, mas que infelizmente ainda é pouco discutido, que o deixa de certa forma meio que na invisibilidade. A Alienação Parental, em que os filhos por vezes são usados como massa de manobra para encobrirem a decepção de um relacionamento frustrado. Os sonhos são formados em torno de amores perfeitos, o eu e você tornam-se um só, assim sobre juramentos apaixonados, vem o casamento e com eles os filhos, entretanto, nada os livram de os problemas acontecerem com o decorrer da convivência. Depois de uma relação conflituosa entre as partes, há um rompimento conjugal e com o divórcio os filhos ficam com um dos genitores, começa-se assim uma nova fase, e por vezes uma fase de conflitos, no qual o guardião detentor da guarda pode aliciar o filho com mentiras para afastar o genitor que não detém a guarda, situações que podem comprometer para sempre o psicológico da criança. Citarei grandes estudiosos do tema, a importância dos profissionais referente a temática e sobre depoimentos de pessoas que foram vítimas de alienação. Minha pesquisa está embasada na Lei Nº 12,318/2010, em teses e dissertações de mestrados, artigos científicos, periódicos de jornais, atas, certidões, processos civis e fontes orais. Percebe-se que o tema é extenso, complexo que deve ser observado com atenção, partir de fora para dentro para que a subjetividade seja reduzida ao máximo, prevalecendo a objetividade sobre o objeto de estudo. Introdução Mãe, eu quero ver o papai, não minha filha, seu pai é um homem mau, não gosta de você, ele trocou a gente por causa da namorada. A filhinha insiste que está com saudades do pai, a mãe alterando a voz diz, eu já disse que ele não quer saber de você, aquele homem não presta. Infelizmente, conversas assim entre o guardião da guarda e a criança é algo bem comum na sociedade, depois de um relacionamento tumultuoso e separações mal resolvida, pai, mãe, avós e tios começam a persuadir a criança e, ou adolescente, criar histórias mirabolantes de depreciação do outro que não detém a guarda, a assimilar na mente da criança uma imagem negativa, situações que podem deixar marcas profundas no desenvolvimento físico/mental dos filhos. Estas atitudes têm um nome, alienação parental. O que seria alienação parental? Conforme a Lei Nº 12,318/2010 no seu Art. 2º, Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este. Parágrafo único. São formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com auxílio de terceiros: I - Realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade; II - Dificultar o exercício da autoridade parental; III - Dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; IV - Dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; V - Omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço; VI - Apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente; VII - Mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós. Consoante Figueiredo 2013, a alienação trata de uma alteração das disputas pela custódia de um filho, das mentiras criadas para deturpar a mente da criança em relação ao outro genitor, geralmente essa deturpação parte do genitor que tem a guarda contra o outro. Todavia, o não guardião tem o direito de conviver com o filho, de visita-lo, de passear e de passar um tempo com os filhos. De acordo com Duarte: O guardião inicia sua estratégia de cumplicidade para obter uma aliança com o filho. Este se transforma em objeto de manipulação, mecanismo muitas vezes desencadeado já no âmbito familiar quando se avizinha a inevitável separação. As causas aparentes são apresentadas como pleito de aumento da verba alimentar ou desprezo quando o ex-companheiro inicia um novo relacionamento amoroso com sinais de solidez e formação de outro núcleo familiar. (Duarte, 2011, p.100). Existem vários fatores que leva o guardião da criança promover a alienação parental[footnoteRef:2], de uma separação litigiosa, receio de perder a guarda para o outro genitor, assim também, como vingança, por ter em mente a esperança de reconciliação e quando ver a impossibilidade da concretização, inicia a maldade de implantar na mente da criança falsas memórias, com a finalidade do filho não querer estar com o alienado. [2: A alienação parental ainda é pouco discutida, logo é desconhecido para muitos, entretanto, mesmo que inconscientemente ou não, estar sendo praticada por muitos. Tem que se perguntar como uma temática importante igual a essa ainda não é tão aparente?] Este tipo de conduta entre os genitores é de uma violência psicológica tão maldosa que podem deixar marcas profundas para toda vida de uma criança. Desejos que destroem mentes O ser humano é como um barco em meio ao rio, no qual precisa de remos para guiar o seu caminho. Quando nascemos somos um espaço vazio e sem forma que será preenchido e moldado conforme o contato com outras pessoas, acontecendo assim um processo de socialização. Este contato pode ser bom ou ruim dependendo da linguagem utilizada. Então a formação psíquica da criança vai ser estruturada pelo meio social que ela convive, e os pais têm um papel de fundamental importância neste processo. Assim, quando um dos genitores começam a criar símbolos distorcidos que venham a confundir a mente da criança, podem ocasionar sequelas e fobias que podem levar a este pequeno ser em desenvolvimento a um trauma difícil de solução. A síndrome da alienação parental. Termo Síndrome de Alienação Parental foi introduzido por Gardner em 1985. Gardner nas suas pesquisas dissertou que existia um embate familiar que a criança era programada por um pai ou uma mãe para falar coisas ruins sobre o outro, ações que Ele denominou como S.A.P, Síndrome de Alienação Parental. Abaixo trechos de sua publicação. Associado ao incremento dos litígios de custódia de crianças, temos testemunhado um aumento acentuado na frequência de um transtorno raramente visto anteriormente, ao qual me refiro como Síndrome de Alienação Parental (SAP). Nesse distúrbio vemos não somente a programação (“lavagem cerebral”) da criança por um genitor para denegrir o outro, mas também contribuições criadas pela própria criança em apoio à campanha denegritória do genitor alienador contra o genitor alienado. Por causa da contribuição da criança, não considerei que os termos lavagem cerebrais, programação ou outra palavra equivalente pudessem ser suficientes. Além disso, observei um conjunto de sintomas que aparecem tipicamente juntos, um conjunto que garantiria a designação de síndrome. De acordo com isso, introduzi o termo Síndrome de Alienação Parental para abranger a combinação desses dois fatores, os quais contribuem para o desenvolvimento da síndrome (Gardner, 1985a). De acordo com o uso desse termo, sugiro a seguinte definição da Síndrome de Alienação Parental: A Síndrome de Alienação Parental(SAP) é um distúrbio da infância que aparece quase exclusivamente no contexto de disputas de custódia de crianças. Sua manifestação preliminar é a campanha denegritória contra um dos genitores, uma campanha feita pela própria criança e que não tenha nenhuma justificação. Resulta da combinação das instruções de um genitor (o que faz a “lavagem cerebral, programação, doutrinação”) e contribuições da própria criança para caluniar o genitor-alvo. Quando o abuso e/ou a negligência parentais verdadeiros estão presentes, a animosidade da criança pode ser justificada, e assim a explicação de Síndrome de Alienação Parental para a hostilidade da criança não é aplicável. A síndrome ocorre quando os atos são praticados de tal forma, com tanta intensidade a ponto de criar prejuízo psicológico naquele menor, criança ou adolescente, torna-se assim algo patológico, doença que se instala. Gardner tenta inserir no código internacional de doença, a síndrome de alienação parental, práticas reiteradas de ações que foram pervertendo o desenvolvimento psicológico da criança, ou seja, a formação do ser humano. De acordo Madaleno, 2017, com relação aos estágios a síndrome pode ser, leve, moderada e grave. Quando leve, aquela criança ou adolescente que sofreu alienação, de uma certa forma ainda consegue conviver com o alienado. Moderado já complica um pouco mais, a criança começar a rejeitar o alienado, porque já está tendo a sua mente contaminada de tal maneira que gera incomodo, medo, na conduta da pessoa da criança em ficar próxima do aliciado. Grave é muito difícil o tratamento, pois já chegou a um grau que a criança ou o adolescente mesmo não querendo fazer, já assimilou de uma tão forma as mentiras, que acaba dando a sua contribuição para o alienador e o alienante, por razão de proximidade acredita no alienante, o vinculo com o alienado acaba sendo destruído. Gardner, 1985: Similarmente, a SAP é caracterizada por um conjunto de sintomas que aparecem na criança geralmente juntos, especialmente nos tipos moderado e severo. Esses incluem: 1. Uma campanha denegritória contra o genitor alienado. 2. Racionalizações fracas, absurdas ou frívolas para a depreciação. 3. Falta de ambivalência. 4. O fenômeno do “pensador independente”. 5. Apoio automático ao genitor alienador no conflito parental. 6. Ausência de culpa sobre a crueldade a e/ou a exploração contra o genitor alienado. 7. A presença de encenações ‘encomendadas’. 8. Propagação da animosidade aos amigos e/ou à família extensa do genitor alienado. Conforme Gardner, Tipicamente, as crianças que sofrem com SAP exibirão a maioria desses sintomas (se não todos). Entretanto, nos casos leves, pode-se não se ver todos os oito sintomas. Quando os casos leves progridem para moderado ou severo, é altamente provável que a maioria (se não todos) os sintomas estejam presentes. Essa consistência resulta em que as crianças com SAP se assemelham umas às outras. É por causa dessas considerações que a SAP é um diagnóstico relativamente claro, que pode facilmente ser feito. Por causa dessa clareza, a SAP presta-se bem aos estudos de pesquisa, porque a população a ser estudada, em geral, pode ser facilmente identificada. Além disso, tenho confiança em que essa clareza será comprovada pela confiabilidade dos estudos futuros inter-relacionados. Em contraste, as crianças submetidas à AP provavelmente não se prestam aos estudos de pesquisa por causa da grande variedade de distúrbios a que pode se referir - por exemplo: a abusos físicos, abusos sexuais, negligência e parentalidade disfuncional. Existe uma complexidade em relação aos estágios que deve ser observado de perto por profissionais especialmente aqueles da área da saúde. Pois de acordo com Freitas: Em todas as fases do processo alienante, temos vários fatores que podem predispor à Síndrome de Alienação Parental, como é o caso da relação que o genitor tem com a criança. O alienador trata de fazer com que ela seja seu psicólogo particular, desabafando e lamentando as decepções da sua vida, cujas consequências são trágicas para a criança, que começa desde ir mal na escola até a agredir outras pessoas sem motivos aparentes. (Freitas, 2012. p. 25). Apesar de pensamentos de estudiosos que contraria a ideia de GARDNER, para ele, atos de alienação se pratica, se diz respeito ao afastamento da criança de um dos genitores. Por outro lado, a síndrome se instala através da prática reiterada com mentiras e injurias com prejuízos na formação do ser humano em desenvolvimento, vítima do condicionamento do ato de alienação. Gardner era um médico reconhecido por ser tendencioso em defender os pais em casos de litígios contras as mães. As ideias dele mesmo sendo considerada fracas por muitos especialistas, foram aceitas no ordenamento jurídico[footnoteRef:3], agora muitos pais usam o S.A.P alegrando que os abusos são falsos para ter a certeza de calar a boca de quem denuncia. [3: Alguns juízes têm como ponto de vista que os pais têm direitos não importam o que façam, só porque o pai molestou um filho(a) não pode perder o direito de visitas. Isso é terrível, e um contra ponto da Lei, pois se você molestar um filho do vizinho será amplamente condenado, mas se você cria a sua própria vítima, então isso é aceitável. ] Alienação parental, o papel dos profissionais que atuam neste cenário Casais são formados e com eles juras de amor para uma eternidade, contudo, com a convivência percebem-se que não é tão simples uma união a dois, pensamentos diferentes por vezes geram impasses nos relacionamentos, neste caminho vêm os filhos e os conflitos não cessam, com tanta turbulência chega o fim do relacionamento. No entanto, pessoas perdidas numa mentalidade pré-formada não aceitam que casamentos são defeitos, porém filhos são para sempre e numa maldade começam a implantar mentiras na cabeça das crianças sobre o genitor que não tem a posse da guarda. Geralmente estes relacionamentos complicados quando chegam ao fim acabam transferindo a frustração para os filhos, internalizando problemas psicológicos que vêm alterar o comportamento do ser. Entra-se aqui a importância dos profissionais especialistas em alienação parental. Madaleno a respeito dos especialistas cita a Lei Nº 12,318/2010: O § 2.º do art. 5.º da Lei da Alienação Parental estabelece que seja a perícia psicológica ou biopsicossocial realizada por profissional, ou uma equipe multidisciplinar, especializados em determinados ramos da ciência e que demonstrem ter aptidão comprovada por histórico profissional ou acadêmico para diagnosticarem atos de alienação parental. Portanto, o psicólogo, o médico, o médico psiquiatra ou o assistente social, quando convocados para periciarem atos de alienação parental em laudos individuais, ou em trabalho de equipe multidisciplinar, estarão prestando inestimável serviço técnico ao juiz e às partes, cujo laudo pericial estará certamente voltado para a prospecção da maior verossimilhança possível com a verdade para determinar a existência ou não de atos de alienação dos filhos. Todo este trabalho tem que ser minucioso, sempre respeitando o interesse e a integridade física e psicológica da criança, ouvi-la quantas vezes for preciso, também ouvindo as partes envolvidas, a tirar o máximo de informações, para só assim dar um diagnóstico final com assertividade. Praticamente em todos os casos em que se alega a Lei de Alienação Parental é realizado uma perícia técnica para apuração. O que se pretende com a perícia é responder aquela pergunta se o pai ou a mãe praticou atos que podem ser classificados como de AP segundo o regramento que nós temos, conforme a nossa lei define. Em caso positivo é preciso tentar desvendar em que circunstâncias, o que ocorreu, o que está ocorrendo, qual é a influência sobre a criança (J2). O jurídico para fazer uma boa audiência, precisa que os demais profissionais façamum laudo perfeito, detalhado, seguro, tem que tecer quantas entrevistas sejam necessárias, para conhecer o ponto de partida daquela família e ver a causa desse conflito. O profissional tem o dever de se colocar no lugar da criança, tentar enxergar pelos seus olhos, pois o interesse da criança que deve prevalecer. Elas têm que se sentir protegidas. Freitas (2012, p.78). “O psicólogo jurídico faz a escuta do não dito. Seu trabalho pericial adentra no subjetivismo humano, nas questões que fogem da competência de outros profissionais e sobre seu laudo apresentado residirá, provavelmente, o fundamento da decisão judicial.” Algumas observações relatadas por profissionais em casos de Alienação Parental, a) Exclusão do genitor que não detém a guarda da criança de diversas formas b) Interferência nas visitas por uma das partes c) Ataques relacionais entre filhos e genitores d) Abusos sexuais fictícios e) Conduta de agressividade entre os alienados f) Desqualificação do alienante sobre o alienado Essa desqualificação que faz com que os filhos acabem desprezando o que não é detentor guardião da criança, insere na mente da criança que o pai ou mãe é um fracassado, desprezível, este é tipo de alienação terrível, pois quando a criança chega a adolescência pensa, como vou viver com alguém que não vai me dar condições nenhuma de conforto. O especialista e até mesmo as pessoas próximas da criança devem observar se ela estar agressiva, se ela estar isolando socialmente, com conduta desinteressada, sonolência, falta de apetite, com dificuldade de aprendizagem na escola. Todos podem observar este comportamento, todavia, tem que ser comprovada por um especialista. Alienação parental conforme o código civil Artigo 1589 da Lei nº 10.406 de 10 de janeiro de 2002 Art. 1.589. O pai ou a mãe, em cuja guarda não estejam os filhos, poderá visitá-los e tê-los em sua companhia, segundo o que acordar com o outro cônjuge, ou for fixado pelo juiz, bem como fiscalizar sua manutenção e educação. Parágrafo único. O direito de visita estende-se a qualquer dos avós, a critério do juiz, observados os interesses da criança ou do adolescente Aquele que não é o guardião têm o direito de fiscalizar o guardião, se por acaso perceber que algo estar errado, tem que buscar uma ação do judiciário, pode ser referente a pensão, a comportamento da criança, pois o guardião tem o dever de prestar conta da finança da criança e de sua saúde física e mental. Muitas vezes a genitor que detém a custódia da criança, pega a sua pensão e gasta para si deixando de usar para o interesse da criança, outra vezes inventam mentiras sobre o genitor que não tem a guarda, criando traumas nos filhos. Dessa forma, tem que haver uma fiscalização seria pela outra parte, sempre lembrando que quem tem que prestar conta é o guardião e não a criança, a criança tem que ser protegida e assistida por ambas as partes. Da Guarda Compartilhada Em uma forma de amenizar a distancia dos filhos entre os genitores, a guarda compartilhada assegura a criança conviver um determinado tempo com o pai e período com a mãe, sendo de fundamental importância a preservação dos laços emocionais entre a criança e seus pais. De acordo Rodrigues (1995, p. 344): A guarda é tanto um dever como um direito dos pais: dever pois cabe aos pais criarem e guardarem o filho, sob pena de abandono; direito no sentido de ser indispensável a guarda para que possa ser exercida a vigilância, eis que o genitor é civilmente responsável pelos atos do filho. Art. 1.584. A guarda, unilateral ou compartilhada, poderá ser: I – Requerida, por consenso, pelo pai e pela mãe, ou por qualquer deles, em ação autônoma de separação, de divórcio, de dissolução de união estável ou em medida cautelar; II – Decretada pelo juiz, em atenção a necessidades específicas do filho, ou em razão da distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe § 3o Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob guarda compartilhada, o juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, poderá basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar. § 4o A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda, unilateral ou compartilhada, poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu detentor, inclusive quanto ao número de horas de convivência com o filho. A Lei existe para apaziguar os conflitos e sobretudo beneficiar a pessoa da criança como cidadão que precisa de cuidados, todavia, os genitores têm que estar consciente que esta convivência deve ser a melhor possível, pois pairando a harmonia, a aplicação coerente dos artigos propostos, os filhos desfrutarão de gozo nas estruturas mentais, que os levarão a uma saúde mental e paz no espírito. A Lei também dita que pode os dois perderem a guarda e a criança ir morar com terceiros, quando existir um conflito de alienação entre as partes. Art. 1.637. Se o pai, ou a mãe, abusar de sua autoridade, faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos filhos, cabe ao juiz, requerendo algum parente, ou o Ministério Público, adotar a medida que lhe pareça reclamada pela segurança do menor e seus haveres, até suspendendo o poder familiar, quando convenha. Gonçalves (2011, p. 427) elucida que: A perda ou destituição constitui espécie de extinção do poder familiar, decretada por decisão judicial (art. 1.635, V, e 1.638). Assim como a suspensão, constitui sanção aplicada aos pais pela infração ao dever genérico de exercer a pátria potestas em consonância com as normas regulamentares, que visam atender ao melhor interesse do menor. A criança tem que ser preservada em todas as circunstâncias, pois é preciso privilegiar o seu desenvolvimento com sujeito em formação. Assim os pais não estão imunes a perder a guarda dos filhos caso se usar de violência simbólica, física e psíquica. A família tem que privilegiar as necessidades dos seus pequenos, proporcionar cuidados especiais para o bom desenvolvimento dos mesmos, dando atenção, carinho e protegendo-as. Depoimentos de vítimas de Alienação Parental Algumas vítimas de alienação parental deram seus depoimentos no documentário A Morte Inventada dirigida por Ivan Minas (2009), que retrata o drama de pessoas que quando criança ou adolescentes foram alienadas a construir falsas memórias por um dos genitores, a fim de se vingar do outro genitor. Cria-se assim uma antipatia sobre o alienado, uma sensação de ódio que leva ao distanciamento, um sentimento que morreu por dentro, os deixando órfãos de pai ou mãe vivos. Nele também tem a participação de profissionais que atuam neste contexto, pessoal do Direito, da Assistência Social, da Psicologia que disserta causas, consequências e possíveis soluções. Em um dos casos, a vítima que vou chamar de Y, diz que cresceu ouvindo da mãe que o pai não prestava, que tinha abandonado a família, e assim vou se isolando do pai. Ela diz que em um certo momento começou a fazer uma busca pela verdade, foi atrás para saber o que realmente aconteceu, se aquelas histórias que a mãe contava a respeito do pai era verdadeiras, assim foi a procura de provas, em direção a outras verdades, queria entender o porque daquelas falas depreciativas sobre o seu genitor. Porem para a surpresa dela, tudo que ela tinha escutado da mãe era mentira, que tudo que sabia do pai, aquela imagem construída por ela era tudo inventada. Que os abraços que ela negou ao seu pai, os momentos de carinhos, os passeios que não aconteceram foram pela maldade de alguém que não se realizou. Segundo Fonseca (2007, P.6). [...] geralmente o detentor da custódia – que intenta afastar o filho do relacionamento com o outro genitor promove aquilo que se denomina de alienação parental. Essa situação pode dar ensejo ao aparecimento de uma síndrome, a qual exsurgedo apego excessivo e exclusivo da criança com relação a um dos genitores e do afastamento total do outro. Apresenta-se como resultado da conjugação de técnicas e/ou processos, que, consciente ou inconscientemente são utilizados pelo genitor que pretende alienar a criança, aos quais se faz aliar a pouca vontade da criança em estar com o genitor não-titular da guarda. Em um outro depoimento diz que a mãe só falava mal do pai, a certo ponto de as filhas não saber o nome do próprio pai, tinha foto, não existia nada para se criar uma lembrança afetiva do genitor. O documentário também fala de jovem que passou 11 anos sem conviver com o pai, dos quinze aos vinte e seis anos. Só entrava em contato para pedir dinheiro. Ela lembra da obrigação que sentia de se aliar à genitora para agredir o pai, se por acaso saísse com o pai e achasse legal o passeio, sentia mal pois na sua cabeça estava traindo a confiança da mãe, e ao fim do filme fica claro o impacto psicológico sofrido. Esses sentimentos demonstrados pela depoente foram debatidos Costa (2011, apud SILVA, 2010), que aponta que é comum a criança estabelecer um pacto de lealdade com o guardião, em função da dependência emocional e material. Um genitor fazer altera a percepção de uma criança ao outro genitor, de tal ponto que faça ela a odiá-lo. Isso é de uma violência psicológica muito grande, lembranças implantadas em uma criança, memorias que são sofridas, que faz chorar, sentir medo, gera a infelicidade na vítima. Fonseca explica que: [...] se por um lado, logra o genitor alienante, prejudicar o alienado, por outro, torna vítima dessa situação a criança. A partir daí, as consequências para os filhos, ainda que a ruptura da convivência com o outro progenitor não seja absoluta, são as mais graves possíveis. (Fonseca, 2007, p. 9). A criança exposta a este tipo de violência estar sujeita a uma serie de consequências que pode começar na infância com agressividade, isolamento, déficit de atenção, tristeza profunda e pode caminhar para uma fase adulta, pessoas depressivas, ansiosas, que faz uso de drogas, alcoólatras, predestinadas ao fracasso. O documentário tece também o relato de um pai que fala da dor de não passar um final de semana junto com os filhos, de não poder passear, abraçar, até mesmo não poder dá um simples telefonema é algo angustiante. Existe até dois casos de abusos sexuais inventadas, no qual mostra a parte mais crítica de uma alienação afastando de vez os envolvidos, os filhos passam a ter a imagem do pai associado a um monstro, criar-se assim marcas terríveis no psicológico da criança. Segundo Madaleno: No caso da falsa alegação de abuso sexual, o genitor alienante programa falsas memórias na criança e a faz repetir como se realmente tivesse sido vítima do incesto, e dificilmente a criança percebe a manipulação que sofre, e acredita piamente serem verdadeiras as alegações forjadas pelo alienador, sendo que, com o tempo, até mesmo o alienador confunde a verdade da história fictícia. (Madaleno, 2017, P.58). Uma profissional especializada em Alienação Parental comenta no documentário, que uma criança ter um pai morto, vivo, matar um pai em vida, enterrar a imagem de um pai ou de uma mãe dentro de si, é muito complicado para criança sobreviver a isso. Porque na hora que você retira um ser querido de uma família, sem nada, sem prova, você causou, já está causando uma penalidade, das mais cruéis e desumana naquele genitor, naquela família, principalmente àquela criança que não tem condições de se defender, de defender o seu pai ou sua mãe dependendo do caso. Lavra-se a importância do profissional do Direito, de compreender esta sistemática e com isso é fundamental o apoio técnico, o laudo do psicólogo, assistente social, deve estar bem estruturado, atender as necessidades reais da criança ou adolescente para o juiz possa dar o melhor parecer possível. O juiz pode ordenar a) Terapia familiar; b) O cumprimento do regime de visita; c) Condenar o genitor a pagamento de multa diárias se desobedecer a um ordenamento jurídico; d) Alterar a guarda; e) Determinar visita supervisionada; f) Reparação de danos morais Se houver resistência pode haver até prisão; com fundamento no art 230 do CP, por descumprimento de ordem judicial. O documentário A Morte Inventada é muito rico de informações, logo ele é conteúdo obrigatório para profissionais que trabalha com situações envolvendo Alienação parental, e a importância de uma boa abordagem sobre a temática, para que ao final possa atender os anseios da criança e das vítimas da crueldade do alienante. Princípios que regem a vida familiar Os pais têm o dever de proporcionar segurança aos filhos, como sujeitos em fase de desenvolvimento estas ações estão previstas em lei, tais como na Constituição Federal e no ECA. Respectivamente. Art. 227 É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. A criança deve ser protegida por todos, e o seio familiar é a instituição mais importante para que isso aconteça, sem esquecer que as crianças são mediadas pelo meio que vivem, o que elas se tornaram amanhã tem muito do ambiente, das trocas que terão com os adultos que permeiam e orbitam entre si. Deve haver isonomia, respeito, os filhos devem ser tratados iguais, mesmos aqueles que foram constituídos através de um novo relacionamento, pois eles também serão base familiar, se assim não for porque casou novamente sabendo que o parceiro ou parceira já tinha filhos? Considerações finais Com base os itens pesquisados, pode-se perceber que a Alienação Parental é quando um adulto causa violência psicológica a uma criança, geralmente isso acontece pelo o responsável que é o detentor de sua guarda, que inventa ideias fictícias sobre o genitor que não detém a posse da guarda. A forma de como se dar uma separação pode influenciar muito nas decisões tomadas pelo alienante, porque quando conflituosa o termino, maior a possibilidade de acometimento de alienação. Estes abusos podem ser violentíssimos para o desenvolvimento psíquico da criança, o leva a ter comportamentos de rejeição ao genitor alienado, cria-se um muro mentalizado que distancia a afetividade entre as partes, é um sentimento de angustia que deixam sequelas incorrigíveis na criança ou no adolescente vitima de alienação. Disserta sobre Leis de proteção à criança e do adolescente como pessoa em desenvolvimento e do cuidado que devem ser submetidos a elas. Decorre um pouco mais na Lei 12,318/2010, como direcionamento deste trabalho. Versa também da importância dos profissionais da área do direito, da assistência social e da psicologia para a proteção a vitima de alienação, da significação de um trabalho bem feito, minucioso, de se colocar no lugar do alienado e poder dar um parecer assertivo para o caso, afim de prevenir danos mais sérios na vida emocional dessas vítimas de alienação parental. Referências A MORTE INVENTADA – Alienação Parental. Documentário. http://www.amorteinventada.com.br BRASIL. Constituição, 1988. Constituição da República Federativa do Brasil. 35. Ed. São Paulo. Atlas, 2012. BRASIL, Lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010. Site da Presidência da República Federativa do Brasil. Disponívelem: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12318.htm.>; Acesso em: 29/08/2020 BROCKHAUSEN, T. Síndrome de Alienação Parental e psicanálise no campo psicojurídico: de um amor exaltado ao dom do amor. 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