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Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital Autores: Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 12 de Janeiro de 2021 . Sumário 1 – Noções de asfixiologia .................................................................................................................................. 5 1.1 – Asfixiologia em geral ............................................................................................................................. 5 1.2 – Fisiopatologia e sintomatologia do processo asfíxico ........................................................................... 6 1.3 – Asfixias mecânicas em geral ................................................................................................................. 8 1.3.1 – Sinais externos ..................................................................................................................................................... 8 1.3.1.1. Cianose da face (cor arroxeada ou azulada) ........................................................................................................ 9 1.3.1.2. Espuma (cogumelo de espuma) .......................................................................................................................... 9 1.3.1.3. Projeção da língua para fora da boca .................................................................................................................. 9 1.3.1.4. Equimoses externas na pele e mucosas (especialmente nas pálpebras e olhos) ............................................... 9 1.3.1.5. Livor cadavérico (escuro e precoce) .................................................................................................................. 10 1.3.2 – Sinais internos ..................................................................................................................................................... 10 1.3.2.1. Caracteres do sangue (sangue fluído, não coagula e é escuro)......................................................................... 10 1.3.2.2. Equimoses viscerais ........................................................................................................................................... 10 1.3.2.3. Congestão polivisceral ....................................................................................................................................... 11 2 – Classificação das asfixias ............................................................................................................................ 11 2.1 – Classificação de Thoinot ..................................................................................................................... 11 2.2 – Classificação de Afrânio Peixoto ......................................................................................................... 12 2.3 – Classificação de Oscar Freire ............................................................................................................... 12 3 – Asfixia por constrição cervical .................................................................................................................... 13 3.1 – Enforcamento ...................................................................................................................................... 14 3.1.1. Fenômenos ocorridos no enforcamento .............................................................................................................. 15 Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 2 3.1.2. Aspecto do cadáver ........................................................................................................................................... 16 3.1.3. Sinais externos .................................................................................................................................................. 17 3.1.4. Sinais internos ................................................................................................................................................... 19 3.1.5. A morte no enforcamento ................................................................................................................................ 20 3.2 – Estrangulamento ................................................................................................................................. 20 3.2.1 – Fenômenos ocorridos no estrangulamento....................................................................................................... 20 3.2.3 – Sinais externos do estrangulamento .................................................................................................................. 21 3.2.4 – Sinais internos do estrangulamento ................................................................................................................... 22 3.2.4.1. - Lesões nos planos profundos do pescoço ....................................................................................................... 22 3.3 – O estrangulamento e a medicina legal ............................................................................................... 22 3.4 – Esganadura .......................................................................................................................................... 23 3.4.1 – Sinais externos à distância .................................................................................................................................. 23 3.4.2 – Sinais externos locais .......................................................................................................................................... 24 3.4.3 – Sinais locais profundos ....................................................................................................................................... 24 4 – Asfixia por sufocação .................................................................................................................................. 25 4.1 – Sufocação direta .................................................................................................................................. 25 4.2 – Sufocação indireta (compressão torácica) .......................................................................................... 27 4.2.1. Fraturas múltiplas de costela (respiração paradoxal) .......................................................................................... 27 4.2.2. Paralisia dos músculos respiratórios .................................................................................................................... 27 5 – Influência do líquido e gasoso .................................................................................................................... 28 6 – Afogamento ............................................................................................................................................... 29 6.1 – Fases do afogamento .......................................................................................................................... 30 6.2 – Sinais da asfixia por afogamento ........................................................................................................ 30 6.2.1. Sinais Externos ...................................................................................................................................................... 31 Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 3 6.2.2. Sinais Internos ...................................................................................................................................................... 32 6.3 – Tempo de submersão .........................................................................................................................33 6.4 – Mecanismos de morte por afogamento .............................................................................................. 34 6.4.1. Em água doce........................................................................................................................................................ 34 6.4.2. Em água salgada ................................................................................................................................................... 34 7 – Asfixia por gases ......................................................................................................................................... 35 7.1 – Asfixia por gases de combate .............................................................................................................. 36 A. Gases lacrimogênios .............................................................................................................................................. 36 B. Gases esternutatórios ........................................................................................................................................... 37 C. Gases vesicantes .................................................................................................................................................... 37 D. Gases sufocantes ................................................................................................................................................... 37 7.2 – Asfixia por gases tóxicos ..................................................................................................................... 38 A) Ácido cianídrico .......................................................................................................................................................... 38 B) Monóxido de carbono ................................................................................................................................................ 38 7.3 – Asfixia por gases industriais ................................................................................................................ 41 7.4 – Asfixia por gases anestésicos .............................................................................................................. 41 Resumo ............................................................................................................................................................. 43 Destaque a legislação ....................................................................................................................................... 57 Considerações finais ......................................................................................................................................... 62 Questões Comentadas ..................................................................................................................................... 63 Lista de questões ............................................................................................................................................ 107 Gabarito ..................................................................................................................................................... 130 Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 4 Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 5 1 – NOÇÕES DE ASFIXIOLOGIA A Asfixiologia é o ramo da Medicina Forense que se preocupa com o estudo das asfixias. Em termos médicos asfixia é a supressão da respiração, assim, podemos concluir que a morte, seja qual for sua modalidade, sempre será uma asfixia. Do ponto de vista fisiopatológico, uma vez cessadas as trocas orgânicas por influência patológica ou por impedimento mecânico de causa fortuita, violenta e externa, ocorrerá a morte por parada respiratória, antecedendo, na maioria das vezes, a parada cardíaca. Curiosidade! Embora utilizada com frequência, a palavra asfixia mostra-se inadequada já que significa “não pulsar” (a + sphyxis). 1.1 – ASFIXIOLOGIA EM GERAL Sabemos que todos os seres vivos respiram. Para tanto é necessário que a respiração se processe. Em condições normais o ambiente externo precisa ser gasoso, com um teor de oxigênio de aproximadamente 21%, nitrogênio 78% e gás carbônico 0,03%, ou seja, praticamente livre de gases tóxicos. Além disso, é necessário que haja permeabilidade das vias respiratórias, movimentação toracodiafragmática, expansibilidade pulmonar, circulação sanguínea e volemia em condições suficientes para o transporte de oxigênio aos tecidos garantindo-se a regularidade da hematose (transformação do sangue venoso em arterial, por meio de oxigenação nos pulmões). Temos que ter em mente que nem todo o oxigênio do ar inspirado alcançará os alvéolos pulmonares. Cerca de 4% (quatro por cento) do oxigênio fica retido pelas vias aéreas superiores; assim, a proporção de oxigênio do ar alveolar é de 17% e não 21%. O homem precisa dessa taxa de oxigênio para viver e, em razão disso, o percentual de 7% de oxigênio no ar atmosférico ocasiona perturbações orgânicas relativamente graves, e o percentual de 3%, provoca exitus por exaustão de oxigênio pulmonar e hipercapneia (aumento do gás carbônico no sangue arterial). É por meio dos alvéolos pulmonares que ocorre a hematose, ou seja, a transformação, por osmose, do sangue venoso em arterial, pela perda de gás carbônico e entrada de oxigênio. A tensão do gás carbônico é mais elevada no sangue do que no ar alveolar. Já a tensão do oxigênio é maior nos alvéolos pulmonares do que nos capilares pulmonares. É essa diferença de pressão entre os gases do ar alveolar e os do sangue que permite as trocas de gás carbônico por oxigênio na hematose pulmonar. Dá se o nome de ar circulante ou respiratório à quantidade de ar que entra e sai dos pulmões, em respiração calma. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 6 Ar complementar é o nome que se dá ao maior volume de ar introduzido nos pulmões, numa inspiração forçada. Chama-se de ar de reserva a quantidade de ar eliminado numa expiração profunda. Já ar residual é nome dado ao volume de ar que sempre permanece nos pulmões, por mais forçada que seja a expiração. A frequência respiratória normal é, em média: Recém-nascido 40-45 movimentos respiratórios por minuto Lactente 25-30 movimentos respiratórios por minuto Pré-escolar 20-25 movimentos respiratórios por minuto Escolar 18-20 movimentos respiratórios por minuto Adolescente 18 movimentos respiratórios por minuto A frequência dos movimentos respiratórios, em geral, é de 16 por minuto, no adulto normal, em repouso. Nas mulheres, em repouso, admite-se 18-22 movimentos por minuto. A cada movimento respiratório, no indivíduo normal, em condições de repouso físico e mental, correspondem 4 pulsações cardíacas. Eupneia: é a respiração normal. Bradipneia (espaniopneia e oligopneia): é a diminuição dos movimentos respiratórios. Taquipneia (polipneia e hiperpneia): é o aumento da frequência respiratória. Dispneia: é a respiração forçada e difícil. Ortopneia: é uma dispneia muito intensa que obriga o indivíduo a parar qualquer atividade para dar inteira liberdade de ação aos músculos auxiliares da respiração. Apneia: é a pausa ou suspensão temporária da respiração. 1.2 – FISIOPATOLOGIA E SINTOMATOLOGIA DO PROCESSO ASFÍXICO Um processo asfíxico típico dura cerca de 7 (sete) minutos. Obviamente existem exceções; na submersão leva cerca de 4 (quatro) a 5 (cinco) minutos; no enforcamento, quando a morte não ocorre por inibição dos centros nervosos e dependeda intensidade de constrição leva cerca de 10 (dez) minutos. O processo asfíxico divide-se em duas fases e cada fase divide-se em dois períodos: Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 7 1. Fase de irritação. 2. Fase de esgotamento. A) Fase de irritação Na fase de irritação estão abrangidos os períodos de dispneia inspiratória (de cerca de um minuto de duração), em que a pessoa, sem perder a consciência, absorve desordenadamente em grandes inspirações o ar; e o período de dispneia expiratória (de cerca de 3 minutos de duração), em que há inconsciência e, algumas vezes, convulsões tônico-clônicas devidas à ação excitadora do gás carbônico. Obs.: Convulsões tônico-clônicas envolvem duas fases: na fase tônica há perda de consciência, o paciente cai e o corpo se contrai e enrijece enquanto que na fase clônica o paciente contrai e contorce as extremidades do corpo, perdendo a consciência que é recobrada gradativamente após a crise. B) Fase de esgotamento Na fase de esgotamento teremos o período inicial, de pausa ou de morte aparente, em que há parada da respiração durante algum tempo, e o período terminal, em que os últimos movimentos respiratórios que Fase de Irritação Dispneia respiratória Dispneia expiratória Período de Fase de esgotamento Inicial, apneico, ou de morte aparente Terminal Período Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 8 precedem a morte ocorrem. O tempo de duração da fase de esgotamento é de aproximadamente 3 (três) minutos. Vale destacar que a depender da modalidade de processo asfíxico, da idade da vítima, da higidez e dos hábitos respiratórios, as fases de irritação e de esgotamento podem não obedecer à sequência acima descrita, assim como seus períodos; sendo certo que em alguns não será possível identificar um limite de separação entre as fases que poderão se interpor ou se mesclar. Lembre-se! Nas asfixias a parada respiratória antecede a parada cardíaca. Atenção! Caso não haja morte após o estado asfíxico avançado, poderão ocorrer perturbações psíquicas (amnésia) ou neurológicas (convulsões). 1.3 – ASFIXIAS MECÂNICAS EM GERAL Nas asfixias mecânicas em geral não há sinais patognomônicos (sintoma específico). Os que se tem são sinais característicos, inconstantes, de valor relativo que, quando associados a outros elementos, permitem o diagnóstico. Podemos dividir esses sinais característicos em sinais externos e sinais internos. 1.3.1 – Sinais externos Fases da asfixia Dispnéia inspiratória (dificuldade de puxar o ar) Dispnéia expiratória (dificuladade para expelir o ar) Parada respiratória Últimos movimentos respiratórios e morte Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 9 1.3.1.1. Cianose da face (cor arroxeada ou azulada) A cianose é uma tonalidade azulada da pele e mucosas devido ao aumento da carboxiemoglobina no sangue capilar. Presente em certos tipos especiais de asfixia, como na esganadura, na estrangulação e na compressão torácica em que a estase da veia cava superior origina raramente a máscara equimótica da face, pode não estar presente em alguns casos de enforcamento. Quando, presente nos tecidos orgânicos, através dos capilares e líquidos intersticiais, a oxiemoglobina perde parte de seu oxigênio e o sangue recebe ácido carbônico proveniente das combustões intracelulares, formando carboxiemoglobina, e esta atinge o limiar da cianose (5g%), acima do qual surge a cor azul ou, se intensa, a cor violeta, como borra de vinho. 1.3.1.2. Espuma (cogumelo de espuma) Com um aspecto semelhante a um cogumelo podem surgir na boca e/ou no nariz uma espuma. Com frequência ocorre nos casos de submersão, podendo não estar presente em outros tipos de asfixia. O cogumelo de espuma somente se forma se houver entrada de líquido nas vias aéreas e em razão da expulsão de ar e muco nos indivíduos que tentaram evitar a morte e tiveram os corpos retirados precocemente da água. 1.3.1.3. Projeção da língua para fora da boca Presente tanto no enforcamento como no estrangulamento. A língua escurecida é projetada além das arcadas dentárias (para fora). Pode ser vista, raramente nos casos de afogamento no início da putrefação. 1.3.1.4. Equimoses externas na pele e mucosas (especialmente nas pálpebras e olhos) Decorrentes do extravasamento e infiltração do sangue que se coagula nas malhas dos tecidos, em razão da ruptura dos capilares. Arredondadas e pequenas, localizam-se na pele das pálpebras, pescoço, face e tórax, e nas mucosas exteriores das conjuntivas, dos lábios e, menos comumente, das asas do nariz, formando, muitas vezes, verdadeiras sufusões sanguíneas. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 10 1.3.1.5. Livor cadavérico (escuro e precoce) Aparece precocemente. É rosado na submersão, devido às modificações do sangue, vermelho vivo quando o agente é o óxido de carbono, e escuro nas asfixias mecânicas em geral. 1.3.2 – Sinais internos 1.3.2.1. Caracteres do sangue (sangue fluído, não coagula e é escuro) Leva-se em consideração o aspecto, a cor e a fluidez. Nas mortes por asfixia, em regra, o sangue é fluido e de cor negra; porém nos casos de asfixia por monóxido de carbono, o sangue se apresentará vermelho vivo e nos afogados que ingeriram grande quantidade de líquido, terá cor do sangue rosada. É possível a presença de alguns coágulos esparsos e pouco consistentes. Obs.: No coração estarão ausentes os coágulos fibrinosos (brancos) e cruóricos (negros). Atenção! A fluidez e a cor negra do sangue não são sinais patognomônicos das asfixias, pois podem estar presentes em outras modalidades de morte súbita em que, não tenha ocorrido agonia. 1.3.2.2. Equimoses viscerais São as chamadas petéquias, também chamadas manchas de Tardieu. São encontradas em quase todos os tipos de asfixia, aparecem geralmente na região subpleural e supepicárdica (abaixo das membranas que recobrem o pulmão e o coração). Possuem forma arredondada, puntiforme ou em forma de lentilha ou de sufusões sanguíneas. Ocorrem como decorrência da fluidez do sangue nas vítimas de asfixia e especialmente em razão da ruptura dos capilares pelo aumento da pressão arterial advinda da excitação dos centros nervosos bulbares pelo gás carbônico. As manchas de Tardieu são petéquias violáceas, em pequeno número — três ou quatro —, ou aglomeradas em grande quantidade, que recobrem a superfície pleural, interlobares e basilares dos pulmões, do pericrânio e, nos recém-nascidos, do timo. Também, podem ser encontradas nas vísceras ocas e maciças, na mucosa gastroduodenal e nas vias respiratórias e no tecido celular profundo periaórtico e mediastínico. Por isso alguns autores as denominam equimoses viscerais superficiais, equimoses das mucosas e equimoses do tecido celular profundo. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 11 Obs.: As manchas de Paltauf são equimoses viscerais nos pulmões dos afogados. 1.3.2.3. Congestão polivisceral Quase todos os órgãos são passíveis de congestão (aumento do volume de sangue) nos diferentes tipos de asfixia. O mesentério, o fígado e os rins, notadamente no afogamento, são os que se mostram com maior aumento de sangue, sendo por isso chamados de “fígado e rins asfíxicos” de Etienne Martin. Já o baço, devido ao fato de contrair-se intensamente durante as fases da asfixia, mostra-se com o sangueesvaído (sinal de Etienne Martin). 2 – CLASSIFICAÇÃO DAS ASFIXIAS Existem diversas classificações das asfixias. Aqui destacaremos as classificações de Thoinot, de Afrânio Peixoto e de Oscar Freire. 2.1 – CLASSIFICAÇÃO DE THOINOT 1. Asfixias mecânicas por constrição do pescoço: enforcamento; estrangulamento por mão; estrangulamento por laço. 2. Asfixias mecânicas por oclusão dos orifícios respiratórios externos. 3. Asfixias mecânicas por respiração num meio líquido (submersão), ou num meio pulverulento (soterramento). 4. Asfixias mecânicas resultantes da oclusão das vias respiratórias por corpos estranhos. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 12 2.2 – CLASSIFICAÇÃO DE AFRÂNIO PEIXOTO 1. Asfixias puras — são manifestadas pela anoxemia (falta de oxigênio no sangue) e hipercapneia (aumento do gás carbônico no sangue): A) Asfixias em ambiente por gases irrespiráveis: Confinamento; Asfixia por monóxido de carbono; Asfixias por outros vícios de ambiente. B) Obstaculação à penetração do ar nas vias respiratórias: Sufocação direta (obstrução da boca e das narinas pelas mãos ou das vias aéreas mais inferiores); Sufocação indireta (compressão do tórax); Transformação do meio gasoso em meio líquido (afogamento); Transformação do meio gasoso em meio sólido (soterramento). 2. Asfixias complexas — interrupção primária da circulação cerebral, anoxemia, hipercapneia; inibição por compressão dos elementos nervosos do pescoço: -Constrição ativa do pescoço exercida pelo peso do corpo (enforcamento). -Constrição ativa do pescoço exercida pela força muscular (estrangulamento). 3. Asfixias mistas — graus variados dos fenômenos respiratórios, circulatórios e nervosos (esganadura). 2.3 – CLASSIFICAÇÃO DE OSCAR FREIRE 1. Modificações físicas do ambiente: Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 13 -Modificações quantitativas dos componentes do ar (diminuição de oxigênio, aumento de gás carbônico, aumento de temperatura, excesso de umidade): confinamento. -Modificações qualitativas: 1) ambiente líquido em lugar de gasoso: afogamento; 2) ambiente sólido em lugar de gasoso: soterramento. 2. Obstáculos mecânicos no aparelho respiratório: -Nas aberturas aéreas (narina e boca, glote): sufocação direta. -Nas vias aéreas, por constrição externa, devido ao laço acionado pelo peso da própria vítima: enforcamento. -Nas vias aéreas, por constrição externa, devida a laço acionado pela força muscular ou equivalente: estrangulamento. -Nas vias aéreas, por constrição externa, devida à ação da mão: esganadura. 3. Obstáculo na oxigenação das hemácias: asfixia pelo monóxido de carbono. 4. Supressão da expansão torácica por contenção externa: sufocação indireta. 3 – ASFIXIA POR CONSTRIÇÃO CERVICAL A Asfixia por constrição cervical também é chamada de asfixia por constrição do pescoço e ocorre nas hipóteses de: a. Enforcamento b. Estrangulamento c. Esganadura Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 14 3.1 – ENFORCAMENTO O enforcamento é a modalidade de asfixia mecânica determinada pela constrição do pescoço por um laço cuja extremidade se acha fixa a um ponto dado, agindo o próprio peso do indivíduo como força ativa. Só há enforcamento quando a força atuante é o peso do corpo. Geralmente em suicídio, o enforcamento poderá ser homicida ou acidental. Podemos classificar o laço que constringe o pescoço em três tipos: 1. Laços duros (cordões e correntes, fios elétricos, arames, cordas, etc.); 2. Laços moles (lençóis, cortinas, gravatas, etc.); e 3. Laços semirrígidos (cintos de couro). O laço em regra é constituído pelo nó (mas pode acontecer de ele não existir) e pela alça. Esse nó poderá ser fixo ou não (corredio). A alça que promoverá a constrição mecânica do pescoço fazendo com que se interrompa a livre circulação do ar atmosférico nas vias respiratórias por compressão da traqueia e pelo rechaço da base da língua contra a parede posterior da faringe. O nó comumente aparece na região posterior (nuca), algumas vezes na lateral (mastoide) e, raramente, na frente do pescoço. Já o laço é colocado em torno do pescoço, normalmente uma única volta, mas há casos de várias voltas. O ponto de suspensão resistente serve para fixar o laço e é variável: galhos de árvores, bandeira de portas, traves de futebol, espaldar de camas, armadores de rede, maçanetas de portas, cravo de dormentes, grades de prisões, cano de chuveiro, etc. A suspensão poderá ser: Típica ou completa: o corpo permanece completamente suspenso, apoiado apenas pelo laço; e Atípica ou incompleta: alguma parte do corpo (geralmente, pés, joelhos, braços ou abdome) toca o solo. A morte por enforcamento se dá entre cinco (5) e dez (10) minutos, a depender da intensidade da constrição. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 15 Os livores cadavéricos: começam a surgir a partir da 3ª hora do enforcamento. Após 6 horas já são intensos e fixam-se. Obs.: Há casos em que a morte é instantânea em razão da parada cardíaca por reflexo nervoso e não em razão da asfixia, é a chamada morte por inibição. Curiosidade! Antigamente considerava-se, por lei, o enforcamento atípico, por suspensão incompleta, uma simulação. Após 1830, com o suicídio do príncipe de Condé, passou-se a dar-lhe validade jurídica. 3.1.1. Fenômenos ocorridos no enforcamento Como dissemos acima a morte por enforcamento pode ser rápida em razão da inibição reflexa devido ao choque laríngeo e à irritação dos seios corotídeos, ou em até 10 (dez) minutos, dependendo da intensidade da constrição ou das lesões locais ou à distância (danos medulobulbares). Ao realizar o estudo fisiopatológico consideramos os fenômenos ocorridos durante o enforcamento e os fenômenos de sobrevivência. A) Fenômenos ocorridos durante o enforcamento Esses fenômenos ocorrem em três períodos: a. Período inicial — sensação de calor, zumbidos e perda rápida da consciência em razão da constrição do feixe vásculo-nervoso do pescoço o qual compromete a vascularização cerebral; b. Segundo período (Respiratório) — hipoxemia seguida de hipercapneia, com convulsões e fenômenos ligados à paralisia do pneumogástrico decorrentes da impossibilidade do livre trânsito do ar atmosférico determinada pela obstrução das vias aéreas ao nível do osso hioide, pelo laço, e pelo rechaço da base da língua contra a parede posterior da faringe; e c. Terceiro período — apneia, parada cardíaca e morte. B) Fenômenos de sobrevivência Há situações em que o indivíduo sobrevive ao enforcamento e, após retirado do laço, vem a falecer, sem ter recobrado a consciência, em razão da lesão degenerativa das células cerebrais, pela anoxia. Há quem venha a óbito alguns dias depois, inclusive após ter recobrado a consciência. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 16 Frustrado o enforcamento, conforme a fase em que a vítima é socorrida, podem advir perturbações locais ou gerais. a. Perturbações locais – decorrentes da ação traumática do laço sobre os órgãos da fonação e da deglutição, congestão dos pulmões e broncopneumonia favorecidas pela introdução de corpos estranhos nas vias respiratórias: O sulco, em geral único, é descontínuo e desigual em profundidade, oblíquo ascendente, tumefeito e violáceo, situado comumente por cima da laringe, escoriando ou lesandoa pele. Dor. Afonia. Disfagia. b. Perturbações gerais — de origem asfíxica e circulatória: Confusão mental. Depressão. Amnésia. Estado comatoso. Paralisia do reto e uretrovesical. 3.1.2. Aspecto do cadáver Primeiramente, com base na coloração da face distinguem-se os enforcados azuis e os enforcados brancos. Essa diferença se deve ao fato de existirem graus variáveis de obstrução da circulação dos vasos do pescoço. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 17 Nos enforcados brancos a face é pálida e lívida em razão do completo impedimento da circulação por oclusão total das carótidas e das veias jugulares, interrompendo o fluxo sanguíneo para a cabeça. Já nos enforcados azuis temos uma constrição que compromete intensamente as artérias do pescoço e mais completamente as jugulares, estabelecendo-se a estase venosa (comprime a circulação e impede a eliminação do gás carbônico), que confere ao rosto tonalidade azulada e aspecto vultoso (aumentado) e, raramente, pequenas equimoses palpebrais e conjuntivais. Obs.: O oxigênio deixa o sangue com cor vermelha viva e o gás carbônico deixa o sangue com cor arroxeada, azulada. A cabeça do enforcado pende para o lado oposto ao nó, fletida para diante, como se o queixo tocasse o tórax. A depender da altura e da colocação do laço poderá ocorrer projeção da língua cianosada para o exterior e espuma sanguinolenta na boca e narinas. Pode ocorrer a exoftalmia (projeção do globo ocular para fora de sua órbita), mas este não é um sinal constante. O pavilhão auditivo é violáceo, podendo manifestar otorragia por ruptura do tímpano. No enforcamento típico ou completo, os membros superiores pendem paralelamente ao corpo, com os punhos semicerrados. No enforcamento atípico ou incompleto, os membros superiores assumem posições diversas, podendo, inclusive, os dedos ficarem presos entre o laço e o pescoço. Os membros inferiores podem apresentar contusões e feridas incisas por projeção violenta dos mesmos contra paredes e objetos próximos. A rigidez cadavérica instala-se mais tardiamente no enforcamento. Pela ação da gravidade, as hipóstases e as equimoses post mortem se localizam na metade inferior do corpo e, mais intensamente, na extremidade dos membros inferiores. No enforcamento ocorre putrefação seca na metade superior do corpo e úmida na parte restante. Na suspensão completa, devido à perda de tonicidade e eventual repleção das vesículas seminais, poderá ocorrer ejaculação post mortem e engurgitamento hipostático dos corpos cavernosos penianos. 3.1.3. Sinais externos Diz respeito ao sulco deixado pelo laço. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 18 No enforcamento completo o sulco é na parte mais alta do pescoço, entre o hioide e a laringe. Geralmente é único, mas pode ser duplo, triplo ou múltiplo, de acordo com o número de voltas em torno do pescoço. A direção é oblíqua ascendente bilateral anteroposterior e, o sulco normalmente é descontínuo, interrompendo-se nos pontos correspondentes à interposição de corpos moles e especialmente nas proximidades do nó. Será contínuo, quando produzido por laço muito apertado. Pode não haver sulco se forem empregados laços moles, ou quando é interposto um corpo mole entre o laço e o pescoço; ou ainda se a constrição não foi muito demorada. A largura e a profundidade do sulco vão depender da espessura do laço, da sua consistência e do tempo de constrição. Os sulcos produzidos por laços moles são de tonalidade clara ou azulada, e os determinados por laços duros são pergaminhados, firmes e pardo-escuros (linha argêntica), devido à desidratação do tecido conjuntivo subcutâneo. No enforcamento incompleto o sulco pode não estar entre o hioide e a laringe e pode se apresentar horizontalizado ou oblíquo descendente. No sulco de enforcamento podem ser notados os seguintes sinais: a) Sinal de Ponsold: localizado nas bordas dos sulcos, são livores cadavéricos que se apresentam em placas, interna e externamente. b) Sinal de Azevedo Neves: localizados por baixo e por cima das margens do sulco, são livores puntiformes. c) Sinal de Thoinot: localiza-se nas margens do sulco formando uma zona violácea. d) Sinal de Neyding: encontrado no leito do sulco, são infiltrações hemorrágicas puntiformes. e) Sinal de Ambroise Paré: é a pele enrugada e escoriada no leito do sulco. f) Sinal de Lesser: são vesículas sanguinolentas encontradas no fundo do sulco. g) Sinal de Bonnet: marcas da textura do laço. Ao se realizar o exame histológico do sulco poderão ser observadas estas sufusões hemorrágicas que são um indício para se diferenciar o enforcamento verdadeiro da simulação de enforcamento. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 19 3.1.4. Sinais internos São os sinais locais, os sinais dos planos profundos do pescoço e os sinais à distância. 1) Sinais locais — São as sufusões hemorrágicas da derme e da tela subcutânea. 2) Sinais dos planos profundos do pescoço — Existem muitos, mas esses são os mais importantes para a Medicina Legal: a) Sinal de Hoffmann-Haberda: infiltrações sanguíneas dos músculos cervicais; b) Sinal de Morgagni-Valsalva-Orfila-Roëmmer: fratura do osso hioide; c) Sinal de Hoffmann: fraturas das apófises superiores da cartilagem tireoide; d) Sinal de Helwig: fratura do corpo da cartilagem tireoide; e) Sinal de Morgagni-Valsalva-Deprez: fratura do corpo da cartilagem cricoide; f) Sinal de Amussat-Divergie-Hoffmann: seção transversal da túnica íntima da carótida comum, próxima à sua bifurcação; g) Sinal de Friedberg: sufusão hemorrágica da túnica adventícia; h) Sinal de Dotto: ruptura da bainha mielínica do vago; i) Sinal de Ambroise Paré: luxação da segunda vértebra cervical; j) Sinal de Brouardel-Vibert-Descourt: equimoses retrofaringeanas. l) Lesão de Orsòs: gotas de gordura emulsionadas pelo líquido tissular na tela adiposa subcutânea. Obs.: os sinais à distância já foram descritos quando falamos das asfixias em geral. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 20 3.1.5. A morte no enforcamento A morte por enforcamento pode se dar de três formas: a. Morte por asfixia mecânica O rechaço da base da língua contra a parede posterior da faringe, contra a qual se associa a ação do laço, obstrui as vias respiratórias, comprometendo a oxigenação e favorecendo a hipercapneia e consequentemente a morte. b. Morte por obstrução mecânica circulatória A obstrução das artérias carótidas comuns e vertebrais ocasiona perturbações cerebrais e a morte. c. Morte por inibição A constrição exercida pelo laço lesa os nervos vagos e os seios carotídeos, ocasionando a morte. 3.2 – ESTRANGULAMENTO É a asfixia mecânica por constrição do pescoço por laço tracionado por qualquer força que não seja o peso da própria vítima. No passado dividia-se o estrangulamento em duas modalidades: estrangulamento por laço e estrangulamento pela mão. Atualmente, o estrangulamento pela mão é chamado de esganadura. 3.2.1 – Fenômenos ocorridos no estrangulamento a) Asfixia: em razão do laço, é mais decisiva que no enforcamento. Ocorre em razão da obliteração da traqueia e fechamento da fenda glótica, pela aplicação de uma força (aproximadamente 25 quilos) que impede a passagem de ar para os pulmões, que, assim como no enforcamento, desencadeia rápida perda da consciência. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br. . 21 b) Obliteração dos vasos do pescoço: em razão da compressão do feixe vásculo-nervoso do pescoço, a circulação cerebral, representada especialmente pelas artérias vertebrais e carótidas comuns e, em grau menor, pelas veias jugulares, ocasiona graves comprometimentos encefálicos e morte. c) Compressão dos nervos do pescoço: atinge os nervos vagos (confirmado pelo sinal de Dotto) promove a morte por inibição do sistema nervoso central. 3.2.2 – Sintomas que ocorrem no estrangulamento Esses sintomas dependem do modo que se deu o estrangulamento, se lento, violento ou contínuo, mas em regra a vítima passa por três períodos: a) Resistência; b) Inconsciência e convulsões; e c) Asfixia e morte aparente seguida por morte real. Se não houver sucesso no estrangulamento é possível que a vítima apresente: amnésia, confusão mental, agitação, angústia, convulsões, dificuldade na fala, rouquidão, edema e equimose de coloração vermelho-violácea na região periorbitária direita e esquerda, hemorragia conjuntival e petéquias na pálpebra inferior de ambos os olhos; escoriação linear, horizontal, uniforme, de coloração avermelhada, localizada abaixo da tireoide, dor cervical, dispneia e disfagia, espuma sanguinolenta bucal e relaxamento dos esfíncteres. 3.2.3 – Sinais externos do estrangulamento Face, em geral, tumefeita (inchada) e violácea; Hemorragias puntiformes nas conjuntivas, na face, no pescoço e na região torácica anterior produzidas a distância do ponto de aplicação da força, pela asfixia; Projeção externa da língua, intensamente cianosada; Possível otorragia (hemorragia no canal auditivo), com ou sem ruptura do tímpano; Pavilhão auricular e lábios arroxeados; Ocorrência de espuma sanguinolenta recobrindo a boca e as narinas (é provável mas não está sempre presente); e O sulco está localizado geralmente sobre a laringe; único, duplo, triplo ou múltiplo, contínuo e de profundidade uniforme, de margens elevadas e cianosadas e leito deprimido pergaminhado, é tipicamente horizontalizado, podendo, porém excepcionalmente, ser ascendente quando o laço foi tracionado pelo agente por detrás e para cima. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 22 3.2.4 – Sinais internos do estrangulamento Teremos as lesões nos planos profundos do pescoço e as lesões à distância. 3.2.4.1. - Lesões nos planos profundos do pescoço a. Infiltração hemorrágica do tecido celular subcutâneo e dos músculos longos do pescoço. b. Lesões do osso hioide e das cartilagens tireoide e cricoide (excepcionalmente). c. Infiltrações hemorrágicas da adventícia das artérias carótidas (sinal de Friedberg). d. As rupturas transversais das carótidas, imediatamente abaixo da bifurcação (sinal de Amussat); excepcionalmente. Curiosidade! Bonnet e Pedace entendem que, no estrangulamento e no enforcamento, mesmo quando ausentes os sinais de Amussat e de Friedberg, é possível provar a existência de lesões das artérias carótidas comuns, próximas a sua bifurcação, especialmente representadas por achatamento, deformidade e rupturas. Obs.: Os sinais à distância já foram descritos quando falamos das asfixias em geral. 3.3 – O ESTRANGULAMENTO E A MEDICINA LEGAL O estrangulamento pode ser homicida, suicida ou acidental. 1. O estrangulamento homicida é a modalidade mais comum. Não raramente o elemento surpresa facilita a prática criminosa, como no chamado “golpe do pai Francisco”, que consiste na aplicação traiçoeira da alça em volta do pescoço da vítima e, num movimento rápido, o autor sai encurvado com a vítima carregada nas costas, presa pelo laço. 2. O suicídio é possível, porém raro, e se dá, preferentemente, pelo emprego de torniquete. 3. O estrangulamento acidental é pouquíssimo visto mas pode ocorrer, por exemplo, em razão do deslizamento de pesado fardo sobre as costas, apoiado ao pescoço por uma corda. Tenham em mente as diferenças entre os sulcos do estrangulamento e do enforcamento: Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 23 a) No estrangulamento o sulco é horizontal e, nos raros casos de suicídio, descendente ou ascendente, múltiplo, contínuo e uniforme, em toda a periferia do pescoço, e pergaminhado; b) No estrangulamento é único, oblíquo ascendente, de situação alta, por cima da cartilagem tireóidea, mais profundo na parte central da alça, descontínuo por interrupção ao nível do nó, e pergaminhado. Estrangulamento Enforcamento Sulco é horizontal e, nos raros casos de suicídio, descendente ou ascendente, múltiplo, contínuo e uniforme, em toda a periferia do pescoço, e pergaminhado; Sulco é único, oblíquo ascendente, de situação alta, por cima da cartilagem tireóidea, mais profundo na parte central da alça, descontínuo por interrupção ao nível do nó, e pergaminhado. 3.4 – ESGANADURA Consiste na asfixia mecânica por constrição anterolateral do pescoço, impeditiva da passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas, promovida diretamente pela mão do agente ou outra parte do corpo. Forma homicida de asfixia, exige, para sua execução, superioridade de forças, ou que a vítima não possa, por qualquer motivo, opor resistência. A morte ocorre em razão da ocorrência de fenômenos inibitórios resultantes da compressão nervosa do pescoço, atribuindo-se à obliteração vascular pequena importância. Caso a esganadura não leve à morte, pode causar disfagia (dificuldade para engolir), disfonia, tumefação cervical e miocontratura do pescoço. 3.4.1 – Sinais externos à distância São sinais externos à distância, da esganadura: Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 24 a. Cianose ou palidez da face (varia de acordo com o grau de constrição do pescoço e da desproporção das forças de modo a interromper totalmente ou não a circulação de sangue para a cabeça); b. Pontilhado escarlatiniforme de Lacassagne, disseminado por área extensa da face e do pescoço (petéquias na face – sinal de Lacassagne); c. Congestão conjuntival; d. Exorbitismo (saliência dos olhos), é raro mas pode ocorrer; e. Otorragia, principalmente se houver ruptura do tímpano (é possível, mas pode não ocorrer); f. Ocorrência de procidência da língua e de espuma sanguinolenta nas narinas (é possível, mas pode não ocorrer); g. Fratura do osso hioide (gogó). Nos casos de infanticídio, além destes sinais haverá fratura da coluna cervical. 3.4.2 – Sinais externos locais São sinais externos locais: a. Equimoses elípticas ou arredondadas, situadas bilateral e irregularmente no pescoço, produzidas pela ação compressiva dos dedos do agressor; b. Estigmas ou marcas ungueais (escoriações produzidas pelas unhas do agressor), comumente pergaminhadas, variáveis em número e encontradas à esquerda da linha mediana do pescoço quando o agente for destro, ou em forma de rastros escoriativos, de diferentes tamanhos e direções, devido às reações da vítima ao defender-se. Por óbvio, esses sinais escoriativos pericervicais podem não estar presentes se entre a mão e o pescoço for colocado corpo mole, ou se o agressor usava luvas. 3.4.3 – Sinais locais profundos Nos casos de esganadura também podemos notar os sinais locais profundos, quais sejam: a) Infiltrações hemorrágicas difusas nas partes moles do pescoço (constantes e mais acentuadas que no estrangulamento); b) Fraturas dos pequenos e grandes cornos do osso hioide e das cartilagens tireoide e cricóide (mais frequentes que no estrangulamento); c) Lesões dos vasos do pescoço, tanto das carótidas como das jugulares (raras). Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado)2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 25 Obs.: Marcas de França são soluções de continuidade ou infiltrações hemorrágicas dispostas longitudinalmente, semilunares ou atípicas, e de concavidade voltada para a linha medial do pescoço, na túnica íntima da artéria carótida comum, próximas à bifurcação. São comumente encontradas nos casos de esganadura. d) Lesões da coluna vertebral (ocorrem nos casos de infanticídio por esganadura). e) Equimoses do pericrânio, congestão das meninges e do encéfalo. Os sinais locais profundos podem não ocorrer se a morte se der por inibição reflexa dos seios carotídeos. 4 – ASFIXIA POR SUFOCAÇÃO A sufocação ou constrição das vias respiratórias consiste na asfixia mecânica provocada pelo impedimento direto ou indireto à entrada do ar atmosférico nas vias respiratórias ou por permanência forçada em espaço fechado. a) Direta ou ativa Oclusão dos orifícios externos das vias aéreas; Oclusão das vias aéreas Soterramento Confinamento b) Indireta ou passiva Compressão do tórax 4.1 – SUFOCAÇÃO DIRETA Consiste na asfixia causada pelo impedimento da entrada de ar por obstáculo nos orifícios externos (nariz e boca) ou nas vias aéreas superiores (antes de chegar ao pulmão). Existem quatro modalidades de sufocação direta: Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 26 a) Oclusão dos orifícios externos respiratórios (narinas e boca) Por meio do emprego da mão ou de corpos moles, pressupõe acentuada desproporção de forças entre o agressor e a vítima. Pode ser acidental, como, por exemplo, nos recém-nascidos, em pessoas em crise de epilepsia, pessoas embriagadas, que podem apoiar a face em travesseiros ou algo que se assemelhe obstruindo narinas e boca. b) Oclusão das vias respiratórias Geralmente acidental. Ocorre por aspiração brusca de corpos estranhos (dentaduras, porções de alimentos, bolinhas de gude, etc.), na árvore respiratória, impedindo a passagem do oxigênio até os pulmões e desencadeando a morte por asfixia. O cadáver pode apresentar alguns sinais como equimoses nos lábios, sinais de dentes na mucosa labial interna e marcas ungueais nas proximidades da boca e das fossas nasais, nos casos de sufocação manual, sendo estas ausentes quando o agente emprega corpos moles (travesseiros, panos), e provável fratura de dentes e hemorragias puntiformes oriundas da introdução forçada do corpo estranho dentro da boca. c) Soterramento Resulta da obstrução direta das vias respiratórias quando a vítima se encontra mergulhada num meio sólido ou empoeirado. Comumente acidental, especialmente nos desabamentos. Ao se analisar o cadáver é possível notar cianose e equimoses na face e no pescoço e substâncias inerentes ao meio pulverulento (empoeirado), como terra, cinzas, farinhas, cal e gesso na boca, na árvore respiratória, no esôfago e estômago, além de lesões traumáticas (fratura, contusões, feridas incisas) e dos sinais gerais de asfixia. A presença de corpos pulverulentos na traqueia, brônquios, esôfago e estômago é de grande importância para se dizer se a lesão se deu em vida, já que indica que a vítima respirou e viveu durante algum tempo após o soterramento. d) Confinamento Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 27 A asfixia se dá em razão do enclausuramento do indivíduo em espaço restrito ou fechado, sem renovação do ar atmosférico, o que implica no esgotamento do oxigênio e aumento gradativo do gás carbônico, aumento da temperatura, alterações químicas e saturação do ambiente por vapores de água causando intermação (impede a perda de calor pelo organismo). 4.2 – SUFOCAÇÃO INDIRETA (COMPRESSÃO TORÁCICA) A sufocação indireta se dá pela compressão do tórax ou eventualmente do tórax e abdome, em grau suficiente para impedir os movimentos respiratórios e ocasionar a morte por asfixia. Pode ser homicida ou acidental. Obs.: To Burk processo em que os criminosos sentavam sobre o tórax da vítima até matá-la. É possível que em caso de sufocação indireta não se tenham sinais de asfixia, porém quando presentes, geralmente podemos notar a máscara equimótica de Morestin ou cianose cérvico-facial,de Le Dentut, ocasionada pela estase venosa da veia cava superior consequente à compressão torácica. Ao se analisar o cadáver poderão ser encontradas fraturas do gradil torácico, distensão e congestão dos pulmões (sinal de Valentin), com sufusões sanguíneas subpleurais, além dos sinais inerentes às asfixias em geral. 4.2.1. Fraturas múltiplas de costela (respiração paradoxal) Entre os pulmões e o tórax há um espaço de pressão negativa, que os mantém aderidos, permitindo que os movimentos das costelas expandindo ou reduzindo o tórax, puxem ou comprimam os pulmões possibilitando a entrada e a saída do ar. Quando há fratura das costelas, o tórax não se expande quando o indivíduo puxa o ar o que impede a entrada de ar, causando um assincronismo entre os movimentos respiratórios e os movimentos do tórax (respiração paradoxal). 4.2.2. Paralisia dos músculos respiratórios Paralisia espástica (músculos para em contração, uma espécie de cãimbra). Comum nos casos de eletroplessão e de drogas que causem contração muscular. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 28 Paralisia flácida (músculos sem contração). Comum quando a vítima faz uso de drogas relaxantes musculares. Fadiga muscular (exaustão). 5 – INFLUÊNCIA DO LÍQUIDO E GASOSO A Asfixia poderá ainda ocorrer em ambientes líquidos ou gasosos. Nesse caso, são as consequências de cada ambiente: a. Líquido: afogamento b. De gases irrespiráveis: asfixia por gases Dito isso vamos analisar as diferentes modalidades de asfixia. Ano: 2014 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: MÉDICO LEGISTA Assinale a alternativa que contém sinais mais comumente encontrados nas vítimas de afogamento. a) Manchas de Tardieu, cogumelo de espuma e máscara equimótica. b) Manchas de Paltauf, maceração da pele e cogumelo de espuma. c) Máscara equimótica, manchas de Paltauf, pele anserina. d) Hipóstases claras, manchas de Tardieu e cianose ungueal. e ) Lesões por animais aquáticos, cianose ungueal e hipóstases escuras. Gabarito: B Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 29 6 – AFOGAMENTO Modalidade de asfixia mecânica que ocorre em decorrência da penetração de líquidos nas vias respiratórias, por permanência da vítima imersa (totalmente ou não) em meio líquido. O indivíduo pode vir a afogar-se no próprio sangue (afogamento interno), como no esgorjamento; ou pelo conteúdo estomacal regurgitado. O afogamento poderá ser acidental, suicida ou homicida. Nos meses mais quentes há um considerável aumento na frequência dos afogamentos acidentais de pessoas imprudentes que se afastam da praia ou entram em lagos, rios e represas, muitas vezes em estado de embriaguez. O afogamento suicida e o afogamento homicida são menos frequente, mas são possíveis. É possível que o examinador traga o conceito de Vibert, que diferencia duas modalidades de asfixia por afogamento: submersão-inibição e submersão-asfixia. Há quem entenda que a submersão-inibição não pode ser considerada afogamento, já que o indivíduo embora imerso, não ingere grande quantidade de líquido, ou seja, não se afoga, sucumbindo rapidamente, por inibição do sistema nervoso central. Nesses casos não há no cadáver (chamado afogado branco de Parrot) sinais característicos das asfixias. Na submersão-asfixia ou afogamento verdadeiro,a morte geralmente ocorre de forma lenta quando o indivíduo por sucessivas vezes tenta absorver o ar em grandes inspirações e, acaba por engolir o líquido, engasga e tosse, e, após grande resistência, perde a consciência e, sucumbe em aproximadamente cinco minutos. Pode acontecer de a morte ser rápida se, após cair na água, o indivíduo não consegue mais vir à superfície. Assim, temos dois tipos de afogados: - Afogados branco: quando não há líquido nos pulmões, uma vez que a morte se deu por parada cardíaca reflexa (morte por inibição). - Afogados azul: a morte se deu pela entrada de líquido nos pulmões, ou seja por asfixia. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 30 6.1 – FASES DO AFOGAMENTO A morte por afogamento desenvolve-se em quatro fases: 1ª Fase - De luta: a vítima tenta não se afogar, sobe e afunda várias vezes, tenta se agarrar em pedras, plantas, engole muita água e geralmente se machuca. 2ª Fase - De resistência: caracterizada pela apneia voluntária, durante a qual, a vítima conserva-se lúcida e com os movimentos reflexos. 3ª Fase - De exaustão ou da inspiração: caracterizada por dispneia com inspirações profundas e expirações curtas, desencadeada pelo estímulo dos centros nervosos bulbares pela hipercapneia. 4ª Fase - De asfixia: caracterizada pela parada respiratória, perda da consciência, insensibilidade, algumas vezes com convulsões e morte. É durante a fase de dispneia que, em razão dos movimentos inspiratórios reflexos, a água penetra no sistema respiratório (bronquíolos e alvéolos) originando enfisema hidroaéreo pulmonar e espuma sanguinolenta intrabrônquica pela agitação em borbulhas do ar e pelo refluxo do sangue da cavidade aurículo-ventricular direita e do sistema porta. O líquido ingerido no afogamento invade o aparelho gastrintestinal. 6.2 – SINAIS DA ASFIXIA POR AFOGAMENTO De forma básica, os sinais de asfixia por afogamento produzem dois tipos básicos de sinais, os Externos (geralmente de fácil visualização) e Internos. Veremos agora cada um deles. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 31 6.2.1. Sinais Externos Dividem-se em sinais atípicos (variam de acordo com o tempo de permanência do cadáver no meio líquido) e sinais típicos (fenômenos vitais ocorridos durante o afogamento, indicadores de que a vítima estava viva dentro da água). 6.2.1.1. Sinais externos atípicos São aqueles que se manifestam em outras formas de morte que não o afogamento, em que o cadáver permanece por qualquer motivo submerso por algum período de tempo. São eles: a. Pele anserina ou “pele de galinha”: ocorre como decorrência da saliência dos folículos pilosos pela contração dos músculos eretores cutâneos. São frequentemente encontradas nos ombros, na região lateral das coxas e dos antebraços, constituindo o sinal de Bernt. b. Retração dos mamilos: ocorre pelo mesmo motivo da pele anserina. c. Retração dos testículos e do pênis: decorre do desequilíbrio térmico inicial entre o corpo e a massa líquida, por estímulo cremastérico. d. Temperatura baixa da pele. e. Maceração epidérmica: decorre da embebição da pele, se apresenta mais acentuada nas mãos e nos pés, destacando-se por grandes retalhos, ou quando nas mãos, em dedos de luva junto com as unhas. f. Rigidez cadavérica precoce. g. Cor da face: lívida ou azulada nos afogados brancos de Parrot e cianosada nos mortos por submersão-asfixia. h. Queda fácil dos pelos (daqueles que permaneceram durante algum tempo submersos). i. Destruição por animais da fauna aquática, como peixes, siris e outros crustáceos das partes moles e cartilaginosas: como boca, supercílios, pálpebras, globos oculares, nariz e pavilhões auditivos. j. Projeção da língua além das arcadas dentárias (ocorre no início da putrefação). k. Presença de erosões das polpas digitais e entre os dedos; sob as unhas presença de lama ou grãos de areia e, nos lábios presença de corpos estranhos inerentes à massa líquida onde ocorreu a submersão. l. Lesões de arrasto (Simonin): decorrem do roçar da fronte, mãos, joelhos e pododáctilos, nos afogados que permanecem submersos em decúbito ventral em movimentos de vaivém, pelo impulso das águas. Nas vítimas que permanecem submersas na posição de decúbito dorsal em opistótono, as lesões de arrasto serão encontradas na região occipital e nos calcanhares. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 32 6.2.1.2. Sinais externos típicos (Caracterizam a asfixia-submersão): a. “Cabeça de negro”: característica dos afogados por submersão em estado de putrefação; a pele da cabeça adquire cor verde e bronzeada. b. Tonalidade vermelho-clara dos livores cadavéricos: em razão das alterações do sangue na asfixia- submersão (fluidez, falta de coagulação), localiza-se comumente nas regiões mais declives do corpo (cabeça, pescoço, metade superior do tronco, mãos e pés), podendo, ser generalizada. c. Cogumelo de espumas: é consequência do arejamento do muco misturado à água na traqueia e nos brônquios, somente se forma nos indivíduos que reagiram energicamente dentro d’água e aparecem sobre a boca e narinas dos que foram retirados da água cedo. d. Putrefação: enquanto a vítima está submersa é lenta, porém se desenvolve rapidamente se o corpo é posto em contato com o meio exterior. Inicia-se pela parte superior do tórax, face e depois cabeça e progride em direção descendente comprometendo todo o corpo, que assume forma gigantesca, lembrando balão inflado. Há distensão exagerada do aparelho genital masculino fazendo com que o pênis e as bolsas escrotais tenham dimensões descomunais. Obs.: a mancha verde que marca o início da putrefação nos afogados aparece no tórax. 6.2.2. Sinais Internos Trazem as lesões provocadas pelo líquido no interior da árvore respiratória, no aparelho digestivo e no ouvido médio, e os sinais gerais de asfixia. Lesões internas provocadas pelo líquido no interior da árvore respiratória: a) Presença de líquido na árvore respiratória: encontrado em forma de espuma branca, rósea ou sanguinolenta, na traqueia e brônquios. Tem importância para tipificar o meio líquido (pântanos, águas doces ou salinas) em que se deu o afogamento. b) Presença de líquido dentro das cavidades subpleurais: será encontrado apenas nos casos de submersões prolongadas. Explica-se seu aparecimento em razão da passagem do sangue diluído em água dos pulmões para os espaços subpleurais, dificilmente dará origem às manchas de Tardieu ou equimoses subpleurais. c) Obs.: As manchas de Paltauf são equimoses subpleurais maiores que as de Tardieu (2cm ou mais), de forma irregular e de coloração vermelho-clara, cujo surgimento se deve à ruptura das paredes dos alvéolos e dos capilares sanguíneos. d) Presença de corpos estranhos no interior da árvore respiratória: que podem ser fragmentos de folhas, de madeira, de restos alimentares, ou mesmo de lodo, areia ou plâncton, partículas microscópicas formadas no meio líquido por animais, minerais e carapaças das algas diatomáceas. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 33 Como a constituição do plâncton varia de local para local, num mesmo meio líquido, ele terá valor para indicar o ponto onde ocorreu o afogamento. Obs.: É possível que ocorra penetração de líquido e de plâncton em cadáveres lançados no meio líquido, porém será em quantidade bem menor em relação à submersão-asfixia. e) Lesões dos pulmões: caracterizadas pelo aumento de volume, menor elasticidade e distensão acentuada dos pulmões (sinal deValentin), e pela presença de enfisema aquoso, de rupturas dos órgãos e das paredes alveolares e dos capilares sanguíneos, originando as equimoses subpleurais (e até sufusões) ou manchas de Paltauf. Obs.: O enfisema aquoso subpleural é explicado por Paltauf como sendo provocado pela penetração do líquido aspirado nos alvéolos e tecidos intersticiais, através da via linfática. f) Diluição do sangue: a fluidez do sangue é mais acentuada no hemicórdio esquerdo do que no direito. Na submersão-asfixia o sangue mostra tonalidade vermelho-clara, fluidez acentuada e incoagulabilidade. g) Presença de líquido no aparelho digestivo: encontrada no estômago e duodeno e, excepcionalmente, é encontrada no resto do intestino delgado se aí for encontrado faz prova de asfixia-submersão. h) Presença de líquido no ouvido médio. Sinais gerais de asfixia a) Congestão polivisceral dos rins e especialmente do fígado (fígado asfíxico de Etienne Martin): provocada pela hipertensão da pequena circulação e da veia cava superior. b) Equimoses nos músculos do pescoço e do tórax: originadas pelo esforço violento do indivíduo evitando se afogar ou pelas convulsões manifestadas na fase final do afogamento. 6.3 – TEMPO DE SUBMERSÃO É muito difícil dizer ao certo quanto tempo a vítima permaneceu dentro d’água. Esse tempo é variável conforme as estações e o tipo do meio líquido. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 34 Assim sendo, é praticamente impossível dizer, com precisão, a data da morte no afogamento. Essa será feita por aproximação considerando os antecedentes e uma série de observações médico-legais, como a maceração da pele, a queda das unhas, a fase de putrefação e de adipocera etc. Na água doce, o cadáver flutua habitualmente após 24 horas da morte e por até 5 dias, graças aos gases de putrefação. No mar flutua mais cedo devido ao maior peso específico da água salina. Assim, por exemplo, no verão, a maceração destaca a pele das mãos e dos pés em dedos de luva, a putrefação é acentuada e confere ao cadáver o aspecto gigantesco, no terceiro dia. Isso sem falar na rapidez com que a putrefação se desenvolve no afogado retirado da água no verão. A “cabeça de negro”, no verão, se forma comumente no segundo dia. 6.4 – MECANISMOS DE MORTE POR AFOGAMENTO 6.4.1. Em água doce A água que chegará aos alvéolos pulmonares estará livre de eletrólitos. Por ser menos concentrada que o sangue ela passa dos alvéolos para os vasos e dilui o sangue, causando aumento de volume do sangue e falência cardíaca já que o coração não consegue bombear esse grande volume. Além disso a água penetra nos glóbulos vermelhos fazendo com que estourem e liberem potássio o que causa arritmia cardíaca. Assim a morte se dá por parada cardíaca e não por asfixia. 6.4.2. Em água salgada A água do mar é mais concentrada que o sangue. Essa água desloca a água do sangue para o interior dos alvéolos que ficam encharcados tanto pela água aspirada como pela água do sangue, levando à asfixia. Esse é o verdadeiro afogamento. A pressão da água rompe os alvéolos e os vasos e o sangue extravasa formando equimoses dentro dos pulmões, as chamadas manchas de Paltauf, as quais são típicas de afogamento. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 35 7 – ASFIXIA POR GASES Essa modalidade de asfixia é classificada da seguinte forma: Asfixia por gases de combate a) Lacrimogêneos Bromureto de benzila Iodureto de benzila Bromacetona Metil-etil-acetona b) Estemutatórios Etil-dicloroarsina Difenil-cloroarsina Cianureto de difenil-arsina c) Vesicantes Sulforeto de etila diclorado ou iperita ou gás mostarda d) Sufocantes Oxicloreto de carbono Cloro Cloropiarsina Cloroformiato de metila Asfixia por gases tóxicos a) Vegetais Ácido cianídrico b) Das habitações Monóxido de carbono Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 36 Asfixia por gases industriais a) Vapores nitrosos b) Formeno, metano, grisu ou gás dos pântanos Asfixia por gases anestésicos a) Clorofórmio b) Éter c) Cloreto de etila d) Protóxido de nitrogênio 7.1 – ASFIXIA POR GASES DE COMBATE A. Gases lacrimogênios Em contato com os olhos, não se diluem nas secreções que banham o globo ocular, porém penetram rapidamente no epitélio corneano e conjuntival, causando, inicialmente, leve sensação de formigamento reflexo nas pálpebras e, dentro do primeiro minuto após a explosão, intenso lacrimejamento acompanhado de cefaleia, fadiga, vertigens e irritação das vias aéreas superiores e da pele. O gás lacrimejante mais importante é o cloro-acetofenona. Na concentração de 0,0045mg por litro de ar torna o ambiente intolerável e na concentração de 0,86mg por litro produz a morte após 10 minutos de exposição. Eram usados pela polícia para dispersar multidões ou para desabrigar marginais homiziados dentro das casas. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 37 B. Gases esternutatórios Constituídos de agentes que contêm arsênico; causam irritação das vias aéreas superiores, efeitos sobre as terminações nervosas e sintomas de intoxicação arsenical. Causam tosse violenta, espirros, rinite, fotofobia, conjuntivite, náuseas, vômitos, dores torácicas e abdominais, cefaleia, irritação da pele, astenia, sudorese, poliúria, dilatação capilar e destruição epitelial na traqueia e nos brônquios. O mais letal gás esternutatório é o etildicloroarsina, poderoso irritante tóxico dos pulmões, que gera vesicação da pele após uma exposição de cerca de 5 minutos e leva à morte quando inalado na concentração de 0,5mg por litro de ar durante 10 minutos. C. Gases vesicantes O mais famoso gás vesicante é a iperita ou gás mostarda. Chamado “rei dos gases de batalha”, é o vapor do sulfureto de etila biclorado; altamente tóxico, é o elemento mais destruidor da guerra química. O gás mostarda atua sobre a pele, olhos e aparelho respiratório. Na pele exposta duas a dez horas ao gás mostarda surge eritema, às vezes acompanhado de erupção puntiforme, e, posteriormente, flictenas contendo líquido seroso claro que, rompendo-se, deixam entrever tecido subjacente vermelho e hemorrágico. As lesões dérmicas, assentam-se na face, no ânus e nas bolsas escrotais, onde o epitélio é mais espesso. Os olhos lacrimejam, as pálpebras edemaciam, as conjuntivas inflamam e o corpo ciliar e a íris hiperemiam. A córnea opacifica-se e a superfície do globo ocular adquire aparência rugosa. A orofaringe e a laringe tornam-se edemaciadas e granulosas. Além disso provoca cefaleia, sede intensa, mal- estar, vertigens, tonturas, vômitos e diarreias, arritmia cardíaca, podendo a morte sobrevir por broncopneumonia. A exposição a uma concentração de 0,15mg por litro de ar, durante 10 minutos leva à morte. A Convenção de Genebra condenou seu uso. Foram utilizados, pela primeira vez, em julho de 1917, na Primeira Grande Guerra Mundial, causando quatrocentas mil mortes. D. Gases sufocantes O mais importante é o cloro. A intoxicação por cloro causa dor intensa, espasmo laríngeo e da musculatura brônquica, dispneia, hipotensão arterial, hepatização dos pulmões, engurgitamento venoso geral, grave acidose, cianose, náuseas, vômitos, síncope, inconsciência, falência do ventrículo esquerdo e morte por edema agudo do pulmão. No cadáver observa-se: Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br. . 38 I. Presença de exsudato consequente à inflamação dos brônquios; II. Pulmões hepatizados, com extensas áreas edematosas; III. Focos de enfisema e de atelectasia; IV. Dilatação aguda, especialmente do ventrículo esquerdo; V. Líquido serossanguinolento, às vezes abundante, nas vias respiratórias. Uma parte de cloro por mil partes de ar leva à morte após cinco minutos de exposição. 7.2 – ASFIXIA POR GASES TÓXICOS Os mais importantes são o ácido cianídrico e o monóxido de carbono. A) Ácido cianídrico A inalação de vapores de ácido cianídrico ou ácido prússico acarreta a morte dentro de poucos minutos até 3 horas. A vítima sente vertigens, hiperpneia, cefaleia, taquicardia, cianose, inconsciência, convulsões e morte por asfixia. B) Monóxido de carbono O monóxido de carbono quando inalado é absorvido pelos alvéolos e reage quimicamente com a hemoglobina do sangue formando a carboxiemoglobina (HbCO), que impede o processamento normal da hematose, causando anoxia e não envenenamento, pois esse gás não é, em si mesmo, tóxico para as células. A vítima apresenta edema cerebral, cefaleia intensa, vasodilatação cutânea, zumbidos, tosse, batimentos dolorosos nas têmporas, escotomas, náuseas, vômitos, síncope, taquisfigmia, taquipneia, debilidade muscular e paralisia dos membros inferiores que impede a vítima de deixar o local, respiração de Cheyne- Stokes, convulsões intermitentes, coma, podendo chegar à morte. Os sintomas citados dependerão da concentração desse gás no ar inspirado, da tensão de CO e O2 no ar alveolar, e da duração da exposição sanguínea. Supondo que a vítima seja retirada com vida, a concentração sanguínea de carboxiemoglobina, por ser dissociável, diminui rapidamente e, se as trocas respiratórias forem satisfatórias, em algumas horas ela será eliminada por completo do sangue da vítima. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 39 O oxigênio puro expele todo o monóxido de carbono do organismo entre 30 e 90 minutos; ao ar livre são necessárias cerca de 2 ou mais horas, com as trocas respiratórias processando-se normalmente. Existe uma forma super aguda de asfixia pelo monóxido de carbono, pela inalação brusca e violenta desse gás, nesse caso imediatamente surgem tremores, vertigens, perda da consciência, às vezes, convulsões intermitentes, síncope respiratória e morte por parada respiratória. Caso a vítima sobreviva, apresentará sequelas psíquicas e neurológicas, amaurose, xantopsia, pneumonia de regurgitamento, sintomas cardiovasculares, edema cerebral, entre outros. Curiosidade! Há uma forma crônica de asfixia oxicarbonada, que decorre dos efeitos cumulativos de uma agressão repetida aos tecidos, causada pela exposição intermitente ao monóxido de carbono, que se manifesta por sintomatologia psíquica proteiforme e neurológica, hemática e cardiocirculatória, especialmente, nos foguistas, nos cozinheiros e churrasqueiros profissionais, nos que trabalham em usinas de álcool ou de pinga. O tratamento do indivíduo intoxicado pelo monóxido de carbono consiste em retirar a vítima imediatamente do local e colocá-la ao ar livre; oxigenoterapia; cuidados gerais; exanguíneo-transfusão, se necessário; respiração artificial com trações da língua, se o ofendido estiver apneico. O cadáver do intoxicado por monóxido de carbono apresentará: a) Rigidez precoce; b) Face carminada; c) “Cianose vermelho-clara” das unhas, das mucosas e da pele; d) Sangue fluido e rosado; e) Manchas de hipóstase claras; f) Pulmões rosados e, eventualmente, trombosados; g) Edema cerebral; h) Trombose das artérias coronárias; i) Petéquias e infiltração perivascular, com necrose focal, no coração, no cérebro e em outros órgãos; e j) Putrefação tardia. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 40 Obs.: Utiliza-se a espectroscopia e outras reações químicas para pesquisa da presença de monóxido de carbono no sangue, colhido no interior das cavidades cardíacas, dos grandes vasos ou de vísceras maciças, para evitar possíveis erros por invasão hemática post mortem do monóxido de carbono. Espectroscopia, de acordo com Dalton Croce, é o método que permite analisar determinadas substâncias (hemoglobina, oxiemoglobina, carboxiemoglobina, metemoglobina, hemocromogênio, hematoporfirina), caracterizando-as, de acordo com o seu espectro de emissão ou de absorção. Esse exame é feito com espectroscópios, que evidenciam, no espectro solar visível, riscas escuras, verticais e fixas, na seguinte posição: A e B no vermelho, C no alaranjado, D no alaranjado e no amarelo, E no amarelo e no verde, F no verde, G no anil, H e K no violeta, chamadas raias de Fraunhofer. Essas raias indicam que certas irradiações sofrem absorção quando atravessam a lente e o prisma dos aparelhos. O exame espectroscópico do monóxido de carbono se faz diluindo-se algumas gotas de sangue em água destilada, as quais, observadas no aparelho, mostram duas faixas no espectro de absorção, entre as estrias “D” e “E” de Fraunhofer, correspondendo, respectivamente, à carboxiemoglobina (mais escura e estreita no amarelo) e à oxiemoglobina (mais larga e mais clara no verde), quando o título da solução desta última oscila de 1 a 6 por mil. Se o seu grau de diluição for superior a 1 para 10 mil, visualiza-se uma terceira faixa entre as estrias “H” e “K”. Adicionando-se, a seguir, sulfidrato de amônia, sulfureto de amônia ou hidrossulfito de sódio, que são agentes redutores, ao líquido examinando, supondo exista carboxiemoglobina, as duas faixas não se unem, permanecem isoladas, não formando, pois, a faixa única de Stokes inerente à presença de oxiemoglobina. Vale deixar consignado que toda a oxiemoglobina é reduzida a hemoglobina, no máximo duas horas após o óbito. O espectro de absorção da carboxiemoglobina está formado por duas faixas entre as raias D e E, sendo, desse modo, muito assemelhado ao espectro de absorção da oxiemoglobina. É o modo de comportar-se da carboxiemoglobina e da oxiemoglobina com os agentes redutores que permite diferenciar facilmente estas duas substâncias. As reações químicas mais importantes são: a) Reação de Solkowski: o sangue normal tratado por uma solução aquosa de hidrogênio sulfurado torna-se esverdeado pela formação de sulfemetemoglobina; em contrapartida, o sangue oxicarbonado não se altera. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 41 b) Reação de Katayama: o sangue oxicarbonado, diluído a 1/50, adicionado de algumas gotas de sulfeto de amônio e de ácido acético a 30%, toma coloração vermelho-clara; o sangue normal, por essa forma tratado, adquire tonalidade vermelho-esverdeada, suja. c) Reação de Stockis: uma solução aquosa de cloreto de zinco a 25% gera um precipitado de cor achocolatada, no sangue normal, e de tonalidade vermelho-cereja clara, com ou sem precipitação, conforme seja o número de gotas empregado no sangue oxicarbonado. d) Reação de Kunkel e Weltzel: o sangue suspeito, diluído em partes iguais com solução de tanino a 1,5% ou com o ácido acético, forma coágulo rosado, se houver monóxido de carbono, e, nos casos negativos, anegrado, que, por seu peso, irá se depositar no fundo do tubo de ensaio. Além destes métodos há ainda um método bastante simples para distinguir as soluções de oxiemoglobina e de carboxiemoglobina. Mencionado método consiste na diluição separada de ambas, com água, até debilitar ao máximo as suas cores: o líquido que contém oxiemoglobina, nestas condições, mostra tonalidade amarela esmaecida, enquanto o de carboxiemoglobina, vermelho-azulada. 7.3 – ASFIXIA POR GASESINDUSTRIAIS É causada pelos vapores nitrosos, formeno, metano, grisu ou gás dos pântanos, que interessa à Infortunística Acidentária, já que é o responsável pelas explosões e sufocação dos obreiros que trabalham no interior das minas. Provocam dispneia, irritação intensa da laringe, da traqueia, dos brônquios e dos pulmões. 7.4 – ASFIXIA POR GASES ANESTÉSICOS São gases usados pelos anestesistas. Existem situações imprevisíveis de acidentes anestésicos, chamados erroneamente de choques anafiláticos, que podem levar o paciente à morte, independentemente da competência do profissional. Cumpre esclarecer que o acidente respiratório, durante uma anestesia geral, não é fato imprevisível, pelo contrário, deve sempre ser cogitado pelos cirurgiões. Assim, não se pode alegar caso fortuito ou força maior. Por fim, não custa lembrar que a morte de paciente em razão da anestesia, ocorrida em centro médico desprovido da aparelhagem indicada, ou de qualquer forma eficaz de segurança para os pacientes, é Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 42 considerada, do ponto de vista penal, circunstância agravante, vez que configura inobservância de regra de ofício, arte ou profissão. Assim, estabelece o artigo 61 do Código Penal Pátrio: Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - a reincidência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) a) por motivo fútil ou torpe; b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime; c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido; d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que poda resultar perigo comum; e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge; f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica; (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006) g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão; (grifo nosso) h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida; (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade; j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do ofendido; l) em estado de embriaguez preordenada. Assim, caberá ao perito, após realizar perícia, esclarecer se a causa da morte foi acidental ou decorrente de negligência do profissional. A questão é tão importante que em 2018 O Conselho Federal de Medicina revogou a antiga resolução sobre anestésicos e editou novas regras, elaborando o texto da Resolução 2.174 de 2017, publicada em fevereiro de 2018. Finalizamos o estudo dos traumas e energias hoje, Guerreiros. Após essa aula tão rica, é importante fixarmos todo o conteúdo estudado hoje e a melhor forma é através da resolução de questões. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 43 Então, vamos lá. RESUMO Energia físico-química Trauma é a atuação de uma energia externa sobre o indivíduo, com intensidade suficiente para causar desvio suficiente da normalidade ou alterar o funcionamento do organismo. Quanto à lesão, dissemos que é uma alteração estrutural oriunda de uma agressão ao organismo. Assim, uma lesão será considerada violenta quando causada por traumatismo. Dissemos que as energias vulnerantes podem ser divididas em três: Física: mecânica, barométrica, térmica, elétrica e radiante; Química: cáusticos e venenos; Físico-Química: asfixias. Analisamos as energias físicas e químicas e na aula de hoje analisamos as energias físico-químicas. As energias chamadas de físico-químicas dizem respeito às ações físicas (mecânicas) que ocasionam alterações da química do organismo. Assim, podemos dizer que se enquadram como energias físico-químicas as asfixias mecânicas já que a ação física que obstrui a respiração causa no sangue arterial: - Hipoxia (redução do oxigênio) - Hipercarpnia (aumento do gás carbônico) Asfixiologia forense Asfixia é a supressão da respiração. Do ponto de vista fisiopatológico, uma vez cessadas as trocas orgânicas por influência patológica ou por impedimento mecânico de causa fortuita, violenta e externa, ocorre a morte. Asfixiologia em geral Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 44 Sabemos que todos os seres vivos respiram. É por meio dos alvéolos pulmonares que ocorre a hematose, ou seja, a transformação, por osmose, do sangue venoso em arterial, pela perda de gás carbônico e entrada de oxigênio. Eupneia: é a respiração normal; Bradipneia (espaniopneia e oligopneia): é a diminuição dos movimentos respiratórios; Taquipneia (polipneia e hiperpneia): é o aumento da frequência respiratória; Dispneia: é a respiração forçada e difícil; Ortopneia: é uma dispneia muito intensa que obriga o indivíduo a parar qualquer atividade para dar inteira liberdade de ação aos músculos auxiliares da respiração; e Apneia: é a pausa ou suspensão temporária da respiração. O processo asfíxico Um processo asfíxico típico dura cerca de 7 (sete) minutos. Obviamente existem exceções; na submersão leva cerca de 4 (quatro) a 5 (cinco) minutos; no enforcamento, quando a morte não ocorre por inibição dos centros nervosos e depende da intensidade de constrição leva cerca de 10 (dez) minutos. O processo asfíxico divide-se em duas fases e cada fase divide-se em dois períodos: Fase da irritação Na fase de irritação estão abrangidos os períodos de dispneia inspiratória (de cerca de um minuto de duração), em que a pessoa, sem perder a consciência, absorve desordenadamente em grandes inspirações o ar; e o período de dispneia expiratória (de cerca de 3 minutos de duração), em que há inconsciência e, algumas vezes, convulsões tônico-clônicas devidas à ação excitadora do gás carbônico. Fase de esgotamento Fase de Irritação Dispneia respiratória Dispneia expiratória Período de Fase de esgotamento Inicial, apneico, ou de morte aparente Terminal Período Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 45 Na fase de esgotamento teremos o período inicial, de pausa ou de morte aparente, em que há parada da respiração durante algum tempo, e o período terminal, em que os últimos movimentos respiratórios que precedem a morte ocorrem. O tempo de duração da fase de esgotamento é de aproximadamente 3 (três) minutos. Lembre-se! Nas asfixias a parada respiratória antecede a parada cardíaca. Asfixia mecânica em geral Nas asfixias mecânicas em geral não há sinais patognomônicos (sintoma específico). Os que se tem são sinais característicos, inconstantes, de valor relativo, que, quando associados a outros elementos, permitem o diagnóstico. Podemos dividir esses sinais característicos em sinais externos e sinais internos. Sinais externos: Cianose da face (cor arroxeada ou azulada) Cogumelo de espuma Projeção da língua para fora da boca Equimoses externas na pele e mucosas Livor cadavérico escuro e precoce Sinais internos Sangue fluído (não coagula) e escuro. Equimoses viscerais (manchas de Tardieu – petéquias na regiãosubpleural e supepicárdica) Obs.: As manchas de Paltauf são equimoses viscerais nos pulmões dos afogados. Congestão polivisceral Classificação das asfixias Asfixia por constrição do pescoço (constrição cervical) Enforcamento Estrangulamento Esganadura Fases da asfixia Dispnéia inspiratória (dificuldade de puxar o ar) Dispnéia expiratória (dificuladade para expelir o ar) Parada respiratória Últimos movimentos respiratórios e morte Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 46 Asfixia por sufocação (obstrução das vias respiratórias) Direta ou ativa Oclusão dos orifícios externos das vias aéreas; Oclusão das vias aéreas Soterramento Confinamento Indireta ou passiva Compressão do tórax Indivíduo em ambiente Líquido: afogamento De gases irrespiráveis: asfixia por gases Enforcamento O enforcamento é a modalidade de asfixia mecânica determinada pela constrição do pescoço por um laço cuja extremidade se acha fixa a um ponto dado, agindo o próprio peso do indivíduo como força viva. Só há enforcamento quando a força atuante é o peso do corpo. Podemos classificar o laço que constringe o pescoço em três tipos: Laços duros (cordões e correntes, fios elétricos, arames, cordas, etc.); Laços moles (lençóis, cortinas, gravatas, etc.); e Laços semirrígidos (cintos de couro). O laço em regra é constituído pelo nó e pela alça. Esse nó poderá ser fixo ou não (corredio). A alça promoverá a constrição mecânica do pescoço fazendo com que se interrompa a livre circulação do ar atmosférico nas vias respiratórias por compressão da traqueia e pelo rechaço da base da língua contra a parede posterior da faringe. A suspensão poderá ser: Típica ou completa: o corpo permanece completamente suspenso, apoiado apenas pelo laço; e Atípica ou incompleta: alguma parte do corpo (geralmente, pés, joelhos, braços ou abdome) toca o solo. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 47 Fenômenos de sobrevivência Frustrado o enforcamento, conforme a fase em que a vítima é socorrida, podem advir perturbações locais ou gerais. a) Perturbações locais – decorrentes da ação traumática do laço sobre os órgãos da fonação e da deglutição, congestão dos pulmões e broncopneumonia favorecidas pela introdução de corpos estranhos nas vias respiratórias: O sulco, em geral único, é descontínuo e desigual em profundidade, oblíquo ascendente, tumefeito e violáceo, situado comumente por cima da laringe, escoriando ou lesando a pele. Dor. Afonia. Disfagia. b) Perturbações gerais — de origem asfíxica e circulatória: Confusão mental. Depressão. Amnésia. Estado comatoso. Paralisia do reto e uretrovesical. Aspecto do cadáver Enforcados brancos a face é pálida e lívida em razão do completo impedimento da circulação por oclusão total das carótidas e das veias jugulares, interrompendo o fluxo sanguíneo para a cabeça. Enforcados azuis temos uma constrição que compromete intensamente as artérias do pescoço e mais completamente as jugulares, estabelecendo-se a estase venosa (comprime a circulação e impede a eliminação do gás carbônico), que confere ao rosto tonalidade azulada e aspecto vultoso (aumentado) e, raramente, pequenas equimoses palpebrais e conjuntivais. A cabeça do enforcado pende para o lado oposto ao nó, fletida para diante, como se o queixo tocasse o tórax. A rigidez cadavérica instala-se mais tardiamente no enforcamento. Pela ação da gravidade, as hipóstases e as equimoses post mortem se localizam na metade inferior do corpo e, mais intensamente, na extremidade dos membros inferiores. No enforcamento ocorre putrefação seca na metade superior do corpo e úmida na parte restante. Sinais externos Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 48 No enforcamento completo o sulco é na parte mais alta do pescoço, entre o hioide e a laringe. Geralmente é único, mas pode ser duplo, triplo ou múltiplo, de acordo com o número de voltas em torno do pescoço. A direção é oblíqua ascendente bilateral anteroposterior e, o sulco normalmente é descontínuo, interrompendo-se nos pontos correspondentes à interposição de corpos moles e especialmente nas proximidades do nó. Será contínuo, quando produzido por laço muito apertado. Pode não haver sulco se forem empregados laços moles, ou quando é interposto um corpo mole entre o laço e o pescoço; ou ainda se a constrição não foi muito demorada. No enforcamento incompleto o sulco pode não estar entre o hioide e a laringe e pode se apresentar horizontalizado ou oblíquo descendente. Sinais internos São os sinais locais, os sinais dos planos profundos do pescoço e os sinais a distância. 1) Sinais locais — São as sufusões hemorrágicas da derme e da tela subcutânea. 2) Sinais dos planos profundos do pescoço — Existem muitos mas esses são os mais importantes para a medicina legal: a) Sinal de Hoffmann-Haberda: infiltrações sanguíneas dos músculos cervicais; b) Sinal de Morgagni-Valsalva-Orfila-Roëmmer: fratura do osso hioide; c) Sinal de Hoffmann: fraturas das apófises superiores da cartilagem tireoide; d) Sinal de Helwig: fratura do corpo da cartilagem tireoide; e) Sinal de Morgagni-Valsalva-Deprez: fratura do corpo da cartilagem cricoide; f) Sinal de Amussat-Divergie-Hoffmann: seção transversal da túnica íntima da carótida comum, próxima à sua bifurcação; g) Sinal de Friedberg: sufusão hemorrágica da túnica adventícia; h) Sinal de Dotto: ruptura da bainha mielínica do vago; i) Sinal de Ambroise Paré: luxação da segunda vértebra cervical; j) Sinal de Brouardel-Vibert-Descourt: equimoses retrofaringeanas. l) Lesão de Orsòs: gotas de gordura emulsionadas pelo líquido tissular na tela adiposa subcutânea. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 49 A morte por enforcamento pode se dar de três formas: a) Morte por asfixia mecânica b) Morte por obstrução mecânica circulatória c) Morte por inibição Estrangulamento É a asfixia mecânica por constrição do pescoço por laço tracionado por qualquer força que não seja o peso da própria vítima. Fenômenos ocorridos no estrangulamento a) Asfixia b) Obliteração dos vasos do pescoço c) Compressão dos nervos do pescoço Sintomas ocorridos no estrangulamento Esses sintomas dependem do modo que se deu o estrangulamento, se lento, violento ou contínuo, mas em regra a vítima passa por três períodos: Resistência; Inconsciência e convulsões; e Asfixia e morte aparente seguida por morte real. Se não houver sucesso no estrangulamento é possível que a vítima apresente: amnésia, confusão mental, agitação, angústia, convulsões, dificuldade na fala, rouquidão, edema e equimose de coloração vermelho-violácea na região periorbitária direita e esquerda, hemorragia conjuntival e petéquias na pálpebra inferior de ambos os olhos; escoriação linear, horizontal, uniforme, de coloração avermelhada, localizada abaixo da tireoide, dor cervical, dispneia e disfagia, espuma sanguinolenta bucal e relaxamento dos esfíncteres. Sinais externos do estrangulamento Face, em geral, tumefeita (inchada) e violácea; Hemorragias puntiformes nas conjuntivas, na face, no pescoço e na região torácica anterior produzidas a distância do ponto de aplicação da força, pela asfixia; Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 50 Projeção externa da língua, intensamentecianosada; Possível otorragia (hemorragia no canal auditivo), com ou sem ruptura do tímpano; Pavilhão auricular e lábios arroxeados; Ocorrência de espuma sanguinolenta recobrindo a boca e as narinas (é provável mas não está sempre presente); e O sulco está localizado geralmente sobre a laringe; único, duplo, triplo ou múltiplo, contínuo e de profundidade uniforme, de margens elevadas e cianosadas e leito deprimido pergaminhado, é tipicamente horizontalizado, podendo, porém, excepcionalmente, ser ascendente quando o laço foi tracionado pelo agente por detrás e para cima. Sinais internos do estrangulamento Lesões nos planos profundos do pescoço: a) Infiltração hemorrágica do tecido celular subcutâneo e dos músculos longos do pescoço. b) Lesões do osso hioide e das cartilagens tireoide e cricoide (excepcionalmente). c) Infiltrações hemorrágicas da adventícia das artérias carótidas (sinal de Friedberg). d) As rupturas transversais das carótidas, imediatamente abaixo da bifurcação (sinal de Amussat); excepcionalmente. Diferenças entre os sulcos do estrangulamento e do enforcamento: Estrangulamento Enforcamento Sulco é horizontal e, nos raros casos de suicídio, descendente ou ascendente, múltiplo, contínuo e uniforme, em toda a periferia do pescoço, e pergaminhado; Sulco é único, oblíquo ascendente, de situação alta, por cima da cartilagem tireóidea, mais profundo na parte central da alça, descontínuo por interrupção ao nível do nó, e pergaminhado. Esganadura Consiste na asfixia mecânica por constrição anterolateral do pescoço, impeditiva da passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas, promovida diretamente pela mão do agente ou outra parte do corpo. Caso a esganadura não leve à morte, pode causar disfagia (dificuldade para engolir), disfonia, tumefação cervical e miocontratura do pescoço. Sinais externos à distância São sinais externos a distância, da esganadura: Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br ==1928da== . . 51 a) Cianose ou palidez da face (varia de acordo com o grau de constrição do pescoço e da desproporção das forças de modo a interromper totalmente ou não a circulação de sangue para a cabeça); b) Pontilhado escarlatiniforme de Lacassagne, disseminado por área extensa da face e do pescoço (petéquias na face – sinal de Lacassagne); c) Congestão conjuntival; d) Exorbitismo (saliência dos olhos), é raro mas pode ocorrer; e) Otorragia, principalmente se houver ruptura do tímpano (é possível, mas pode não ocorrer); f) Ocorrência de procidência da língua e de espuma sanguinolenta nas narinas (é possível, mas pode não ocorrer); g) Fratura do osso hióide (gogó). Sinais externos locais São sinais externos locais: a) Equimoses elípticas ou arredondadas, situadas bilateral e irregularmente no pescoço, produzidas pela ação compressiva dos dedos do agressor; b) Estigmas ou marcas ungueais (escoriações produzidas pelas unhas do agressor), comumente pergaminhadas, variáveis em número e encontradas à esquerda da linha mediana do pescoço quando o agente for destro, ou em forma de rastros escoriativos, de diferentes tamanhos e direções, devido às reações da vítima ao defender-se. Sinais locais profundos Nos casos de esganadura também podemos notar os sinais locais profundos, quais sejam: a) Infiltrações hemorrágicas difusas nas partes moles do pescoço (constantes e mais acentuadas que no estrangulamento); b) Fraturas dos pequenos e grandes cornos do osso hioide e das cartilagens tireoide e cricoide (mais frequentes que no estrangulamento); c) Lesões dos vasos do pescoço, tanto das carótidas como das jugulares (raras). d) Lesões da coluna vertebral (ocorrem nos casos de infanticídio por esganadura). Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 52 e) Equimoses do pericrânio, congestão das meninges e do encéfalo. Os sinais locais profundos podem não ocorrer se a morte se der por inibição reflexa dos seios carotídeos. Sufocação Consiste na asfixia mecânica provocada pelo impedimento direto ou indireto à entrada do ar atmosférico nas vias respiratórias ou por permanência forçada em espaço fechado. 1. Sufocação direta Consiste na asfixia causada pelo impedimento da entrada de ar por obstáculo nos orifícios externos (nariz e boca) ou nas vias aéreas superiores (antes de chegar ao pulmão). Existem quatro modalidades de sufocação direta: a) Oclusão dos orifícios externos respiratórios (narinas e boca) b) Oclusão das vias respiratórias c) Soterramento d) Confinamento 2. Sufocação indireta A sufocação indireta se dá pela compressão do tórax ou eventualmente do tórax e abdome, em grau suficiente para impedir os movimentos respiratórios e ocasionar a morte por asfixia. Fratura múltipla de costela (respiração paradoxal) Quando há fratura das costelas, o tórax não se expande quando o indivíduo puxa o ar o que impede a entrada de ar, causando um assincronismo entre os movimentos respiratórios e os movimentos do tórax (respiração paradoxal). Paralisia dos músculos respiratórios Paralisia espástica (músculos para em contração, uma espécie de cãimbra). Comum nos casos de eletroplessão e de drogas que causem contração muscular. Paralisia flácida (músculos sem contração). Comum quando a vítima faz uso de drogas relaxantes musculares. Fadiga muscular (exaustão). Afogamento Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 53 Modalidade de asfixia mecânica que ocorre em decorrência da penetração de líquidos nas vias respiratórias, por permanência da vítima imersa (totalmente ou não) em meio líquido. Dois tipos de afogados: Afogados branco: quando não há líquido nos pulmões, uma vez que a morte se deu por parada cardíaca reflexa (morte por inibição). Afogados azul: a morte se deu pela entrada de líquido nos pulmões, ou seja por asfixia. Fases do afogamento: A morte por afogamento desenvolve-se em quatro fases: 1ª Fase: De luta: a vítima tenta não se afogar, sobre e afunda várias vezes, tenta se agarrar em pedras, plantas, engole muita água e geralmente se machuca. 2ª Fase - De resistência: caracterizada pela apneia voluntária, durante a qual, a vítima conserva-se lúcida e com os movimentos reflexos. 3ª Fase - De exaustão ou da inspiração: caracterizada por dispneia com inspirações profundas e expirações curtas, desencadeada pelo estímulo dos centros nervosos bulbares pela hipercapneia. 4ª Fase - De asfixia: caracterizada pela parada respiratória, perda da consciência, insensibilidade, algumas vezes com convulsões e morte. Sinais da asfixia por afogamento Sinais externos atípicos São aqueles que se manifestam em outras formas de morte que não o afogamento, em que o cadáver permanece por qualquer motivo submerso por algum período de tempo. São eles: a) Pele anserina ou “pele de galinha”. b) Retração dos mamilos. c) Retração dos testículos e do pênis. d) Temperatura baixa da pele. e) Maceração epidérmica. f) Rigidez cadavérica precoce. g) Cor da face: lívida ou azulada nos afogados brancos de Parrot e cianosada nos mortos por submersão-asfixia. h) Queda fácil dos pelos. i) Destruição por animais da fauna aquática, como peixes, siris e outros crustáceos das partes moles e cartilaginosas. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 54 j) Projeção da língua além das arcadas dentárias. l) Presença de erosões das polpas digitais e entre os dedos; sob as unhas presença de lama ou grãos de areia e, nos lábios presença de corpos estranhos inerentes à massalíquida onde ocorreu a submersão. m) Lesões de arrasto (Simonin). Sinais externos típicos (Caracterizam a asfixia-submersão): a) “Cabeça de negro”: característica dos afogados por submersão em estado de putrefação; a pele da cabeça adquire cor verde e bronzeada. b) Tonalidade vermelho-clara dos livores cadavéricos: em razão das alterações do sangue na asfixia- submersão (fluidez, falta de coagulação), localiza-se comumente nas regiões mais declives do corpo (cabeça, pescoço, metade superior do tronco, mãos e pés), podendo, ser generalizada. c) Cogumelo de espumas: é consequência do arejamento do muco misturado à água na traqueia e nos brônquios, somente se forma nos indivíduos que reagiram energicamente dentro d’água e aparecem sobre a boca e narinas dos que foram retirados da água cedo. d) Putrefação: enquanto a vítima está submersa é lenta, porém se desenvolve rapidamente se o corpo é posto em contato com o meio exterior. Inicia-se pela parte superior do tórax, face e depois cabeça e progride em direção descendente comprometendo todo o corpo, que assume forma gigantesca, lembrando balão inflado. Há distensão exagerada do aparelho genital masculino fazendo com que o pênis e as bolsas escrotais tenham dimensões descomunais. Obs.: a mancha verde que marca o início da putrfação nos afogados aparece no tórax. Sinais internos Lesões provocadas pelo líquido no interior da árvore respiratória, no aparelho digestivo e no ouvido médio, e os sinais gerais de asfixia. a) Presença de líquido na árvore respiratória. b) Presença de líquido dentro das cavidades subpleurais. Obs.: As manchas de Paltauf são equimoses subpleurais maiores que as de Tardieu (2cm ou mais), de forma irregular e de coloração vermelho-clara, cujo surgimento se deve à ruptura das paredes dos alvéolos e dos capilares sanguíneos. c) Presença de corpos estranhos no interior da árvore respiratória. d) Lesões dos pulmões. e) Diluição do sangue. f) Presença de líquido no aparelho digestivo. g) Presença de líquido no ouvido médio. Sinais gerais de asfixia Congestão polivisceral dos rins e especialmente do fígado (fígado asfíxico de Etienne Martin): provocada pela hipertensão da pequena circulação e da veia cava superior Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 55 Equimoses nos músculos do pescoço e do tórax: originadas pelo esforço violento do indivíduo evitando se afogar ou pelas convulsões manifestadas na fase final do afogamento. Asfixia por gases Essa modalidade de asfixia é classificada da seguinte forma: 1) Asfixia por gases de combate a) Lacrimogêneos Bromureto de benzila Iodureto de benzila Bromacetona Metil-etil-acetona b) Estemutatórios Etil-dicloroarsina Difenil-cloroarsina Cianureto de difenil-arsina c) Vesicantes Sulforeto de etila diclorado ou iperita ou gás mostarda d) Sufocantes Oxicloreto de carbono Cloro Cloropiarsina Cloroformiato de metila 2) Asfixia por gases tóxicos a) Vegetais Ácido cianídrico b) Das habitações Monóxido de carbono Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 56 3) Asfixia por gases industriais a) Vapores nitrosos b) Formeno, metano, grisu ou gás dos pântanos 4) Asfixia por gases anestésicos a) Clorofórmio b) Éter c) Cloreto de etila d) Protóxido de nitrogênio Os mais importantes gases TÓXICOS são o ácido cianídrico e o monóxido de carbono. ÁCIDO CIANÍDRICO MONÓXIDO DE CARBONO O cadáver do intoxicado por monóxido de carbono apresentará: Rigidez precoce; Face carminada; “Cianose vermelho-clara” das unhas, das mucosas e da pele; Sangue fluido e rosado; Manchas de hipóstase claras; Pulmões rosados e, eventualmente, trombosados; Edema cerebral; Trombose das artérias coronárias; Petéquias e infiltração perivascular, com necrose focal, no coração, no cérebro e em outros órgãos; e Putrefação tardia. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 57 DESTAQUE A LEGISLAÇÃO ↳ Art. 61, do Código Penal: Circunstâncias agravantes São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - a reincidência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) a) por motivo fútil ou torpe; b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime; c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido; d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum; e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge; f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica; (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006) g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão; h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida; (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade; j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do ofendido; l) em estado de embriaguez preordenada. ↳ Resolução CFM 2174/17 dispõe sobre os anestésicos Dispõe sobre a prática do ato anestésico e revoga a Resolução CFM nº 1.802/2006 . O Conselho Federal de Medicina, no uso das atribuições conferidas pela Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957 , regulamentada pelo Decreto nº 44.045, de 19 de julho de 1958 , e pela Lei nº 11.000, de 15 de dezembro de 2004 , e Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 58 Considerando que é dever do médico guardar absoluto respeito pela vida humana, não podendo, em nenhuma circunstância, praticar atos que a afetem ou concorram para prejudicá-la; Considerando que o alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional; Considerando que o médico deve aprimorar e atualizar continuamente seus conhecimentos e usar o melhor do progresso científico em benefício do paciente; Considerando que não é permitido ao médico deixar de ministrar tratamento ou assistência ao paciente, salvo nas condições previstas pelo Código de Ética Médica; Considerando a Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa nº 50, de 21 de fevereiro de 2002 , que dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, em especial, salas de indução e recuperação pós-anestésica; Considerando a Portaria GM/MS nº 529/2013 , que instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), que tem o objetivo de contribuir para a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do território nacional; Considerando a RDC nº 36/2013, da Anvisa, que institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde, regulamenta e coloca pontos básicos para a segurança do paciente, como Núcleos de Segurança do Paciente, a obrigatoriedade da Notificação dos eventos adversos e a elaboração do Plano de Segurança do Paciente; Considerando a Resolução CFM nº 2.147/2016 , que determina que a responsabilidade pelascondições mínimas de segurança e pelo cumprimento das disposições legais e regulamentares em vigor é do diretor técnico; Considerando a necessidade de observância dos critérios definidos no Parecer CFM nº 30/2016, que trata da monitorização da atividade elétrica do sistema nervoso central; Considerando a necessidade de atualização e modernização da prática do ato anestésico; e Considerando, finalmente, o decidido em sessão plenária de 14 de dezembro de 2017; Resolve: Art. 1º Determinar aos médicos anestesistas que: I - Antes da realização de qualquer anestesia, exceto nas situações de urgência e emergência, é indispensável conhecer, com a devida antecedência, as condições clínicas do paciente, cabendo ao médico anestesista decidir sobre a realização ou não do ato anestésico. a) Para os procedimentos eletivos, recomenda-se que a consulta pré-anestésica do paciente seja realizada em consultório médico, antes da admissão na unidade hospitalar, sendo que nesta ocasião o médico anestesista poderá solicitar exames complementares e/ou avaliação por outros especialistas, desde que baseado na condição clínica do paciente e no procedimento proposto. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 59 b) Não sendo possível a realização da consulta préanestésica, o médico anestesista deve proceder à avaliação préanestésica do paciente, antes da sua admissão no centro cirúrgico, podendo nesta ocasião solicitar exames complementares e/ou avaliação por outros especialistas, desde que baseado na condição clínica do paciente e no procedimento proposto. c) O médico anestesista que realizar a consulta préanestésica ou a avaliação pré-anestésica poderá não ser o mesmo que administrará a anestesia. II - Para conduzir as anestesias gerais ou regionais com segurança, o médico anestesista deve permanecer dentro da sala do procedimento, mantendo vigilância permanente, assistindo o paciente até o término do ato anestésico. III - A documentação mínima dos procedimentos anestésicos deverá incluir obrigatoriamente informações relativas à avaliação e prescrição pré-anestésicas, evolução clínica e tratamento intra e pósanestésico (ANEXOS I, II, III e IV). IV - É vedada a realização de anestesias simultâneas em pacientes distintos, pelo mesmo profissional ao mesmo tempo. V - Para a prática da anestesia, deve o médico anestesista responsável avaliar e definir previamente, na forma prevista no artigo 2º, o risco do procedimento cirúrgico, o risco do paciente e as condições de segurança do ambiente cirúrgico e da sala de recuperação pós-anestésica, sendo sua incumbência certificar-se da existência das condições mínimas de segurança antes da realização do ato anestésico, comunicando qualquer irregularidade ao diretor técnico da instituição e, quando necessário, à Comissão de Ética Médica ou ao Conselho Regional de Medicina (CRM). VI - Caso o médico anestesista responsável verifique não existirem as condições mínimas de segurança para a prática do ato anestésico, pode ele suspender a realização do procedimento até que tais inconformidades sejam sanadas, salvo em casos de urgência ou emergência nos quais o atraso no procedimento acarretará em maiores riscos ao paciente do que a realização do ato anestésico em condições não satisfatórias. Em qualquer uma destas situações, deverá o médico anestesista responsável registrar no prontuário médico e informar o ocorrido por escrito ao diretor técnico da instituição e, se necessário, à Comissão de Ética Médica ou ao Conselho Regional de Medicina (CRM). Art. 2º É responsabilidade do diretor técnico da instituição, nos termos da Resolução CFM nº 2.147/2016 , assegurar as condições mínimas para a realização da anestesia com segurança, as quais devem ser definidas previamente entre: o médico anestesista responsável, o serviço de anestesia e o diretor técnico da instituição hospitalar, com observância das exigências previstas no artigo 3º da presente Resolução Art. 3º Entende-se por condições mínimas de segurança para a prática da anestesia a disponibilidade de: I - Monitorização do paciente, incluindo: a) Determinação da pressão arterial e dos batimentos cardíacos; b) Determinação contínua do ritmo cardíaco por meio de cardioscopia; e c) Determinação da temperatura e dos meios para assegurar a normotermia, em procedimentos com duração superior a 60 (sessenta) minutos e, nas condições de alto risco, independentemente do tempo do procedimento (prematuros, recém-nascidos, história anterior ou risco de hipertermia maligna e síndromes neurolépticas). Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 60 II - Monitorização contínua da saturação da hemoglobina por meio de oximetria de pulso; III - Monitorização contínua da ventilação, incluindo os teores de gás carbônico exalados, monitorados por capnógrafo, nas seguintes situações: anestesia sob via aérea artificial (como intubação traqueal, brônquica ou dispositivo supraglótico) e/ou ventilação artificial e/ou exposição a agentes capazes de desencadear hipertermia maligna; e IV - Equipamentos obrigatórios (ANEXO VI), instrumental e materiais (ANEXO VIII) e fármacos (ANEXO IX) que permitam a realização de qualquer ato anestésico com segurança, assim como a realização de procedimentos técnicos da equipe voltados à reanimação cardiorrespiratória. Art. 4º Diante da necessidade de implementação de medidas preventivas voltadas à redução de riscos e ao aumento da segurança do ato anestésico, recomenda-se aos médicos anestesistas observar os critérios clínicos de gravidade: a) da monitorização do bloqueio neuromuscular, para pacientes submetidos a anestesia geral, com uso de bloqueadores neuromusculares; b) da monitorização da profundidade da anestesia, com o uso de monitores da atividade elétrica do sistema nervoso central, em pacientes definidos no Parecer CFM nº 30/2016; c) da monitorização hemodinâmica avançada (pressão arterial invasiva, pressão venosa central e/ou monitorização do débito cardíaco) para pacientes de alto risco em procedimentos cirúrgicos de grande porte, e para pacientes de risco intermediário (conforme definido no ANEXO V) em procedimentos cirúrgicos e/ou intervencionistas de grande e médio porte; d) do uso de monitores dos gases anestésicos (ar comprimido, óxido nitroso e agentes halogenados); e) da utilização da ecocardiografia no período intraoperatório com o objetivo terapêutico hemodinâmico; e f) dos equipamentos previstos no ANEXO VII. Art. 5º Considerando a necessidade de implementação de medidas preventivas voltadas à redução de riscos e ao aumento da segurança sobre a prática do ato anestésico, recomenda-se que: a) a sedação/analgesia seja realizada por médicos, preferencialmente anestesistas, ficando o acompanhamento do paciente a cargo do médico que não esteja realizando o procedimento que exige sedação/analgesia; b) os hospitais garantam aos médicos anestesistas carga horária compatível com as exigências legais vigentes, bem como profissionais anestesistas suficientes para o atendimento da integralidade dos pacientes dos centros cirúrgicos e áreas remotas ao centro cirúrgico; c) os hospitais mantenham um médico anestesista nas salas de recuperação pós-anestésica para cuidado e supervisão dos pacientes; d) o Registro dos Eventos Adversos em Anestesia, alinhado com o Programa Nacional de Segurança do Paciente, estruturado nos Comitês de Segurança institucionais, seja implementado junto com a Análise Periódica dos Eventos Adversos, na forma determinada pela RDC nº 36/2013, da Anvisa; Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 61 e) nas instituições hospitalares, os serviços ou departamentosde anestesia estruturem um Protocolo de Cuidado voltado tanto à prevenção quanto ao atendimento dos Eventos Adversos em Anestesia; f) nas instituições de saúde onde se realizem procedimentos sob cuidados anestésicos, a implementação de um sistema de checagem de situações de risco para a anestesia; e g) a organização e treinamento de situações críticas em anestesia, com ênfase na via aérea difícil e em eventos graves e de alto risco. Art. 6º Após a anestesia, o paciente deverá ser removido para a sala de recuperação pós-anestésica (SRPA) ou para o Centro de Terapia Intensiva (CTI), conforme o caso, sendo necessário um médico responsável para cada um dos setores (a presença de médico anestesista na SRPA). Art. 7º Nos casos em que o paciente for encaminhado para a SRPA, o médico anestesista responsável pelo procedimento anestésico deverá acompanhar o transporte. § 1º Existindo médico plantonista responsável pelo atendimento dos pacientes em recuperação na SRPA, o médico anestesista responsável pelo procedimento anestésico transferirá ao plantonista a responsabilidade pelo atendimento e continuidade dos cuidados até a plena recuperação anestésica do paciente. § 2º Não existindo médico plantonista na SRPA, caberá ao médico anestesista responsável pelo procedimento anestésico o pronto atendimento ao paciente. § 3º Enquanto aguarda a remoção, o paciente deverá permanecer no local onde foi realizado o procedimento anestésico, sob a atenção do médico anestesista responsável pelo procedimento. § 4º É incumbência do médico anestesista responsável pelo procedimento anestésico registrar na ficha anestésica todas as informações relevantes para a continuidade do atendimento do paciente na SRPA (ANEXOS III) pela equipe de cuidados, composta por enfermagem e médico plantonista alocados em número adequado. § 5º A alta da SRPA é de responsabilidade exclusiva de um médico anestesista ou do plantonista da SRPA. § 6º Na SRPA, desde a admissão até o momento da alta, os pacientes permanecerão monitorizados e avaliados clinicamente, na forma do ANEXO IV, quanto: a) à circulação, incluindo aferição da pressão arterial e dos batimentos cardíacos e determinação contínua do ritmo cardíaco por meio da cardioscopia; b) à respiração, incluindo determinação contínua da saturação periférica da hemoglobina; c) ao estado de consciência; d) à intensidade da dor; e) ao movimento de membros inferiores e superiores pósanestesia regional; f) ao controle da temperatura corporal e dos meios para assegurar a normotermia; e Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 62 g) ao controle de náuseas e vômitos. Art. 8º Nos casos em que o paciente for removido para o Centro de Terapia Intensiva (CTI), o médico anestesista responsável pelo procedimento anestésico deverá acompanhar o transporte do paciente até o CTI, transferindo-o aos cuidados do médico plantonista. § 1º É responsabilidade do médico anestesista responsável pelo procedimento anestésico registrar na ficha anestésica todas as informações relevantes para a continuidade do atendimento do paciente pelo médico plantonista do CTI (ANEXO III). § 2º Enquanto aguarda a remoção, o paciente deverá permanecer no local onde foi realizado o procedimento anestésico, sob a atenção do médico anestesista responsável. Art. 9º Os anexos e as listas de equipamentos, instrumentais, materiais e fármacos que obrigatoriamente devem estar disponíveis no ambiente onde se realiza qualquer anestesia e que integram esta resolução serão periodicamente revisados, podendo ser incluídos itens adicionais indicados para situações específicas. Art. 10. Revogam-se todas as disposições em contrário, em especial a Resolução CFM nº 1.802 publicada em 1º de novembro de 2006 . Art. 11. Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação. MAURO LUIZ DE BRITTO RIBEIRO Presidente do Conselho Em exercício HENRIQUE BATISTA E SILVA Secretário-Geral ↳ Art. 51 do Código de Ética Médica Art. - Alimentar compulsoriamente qualquer pessoa em greve de fome que for considerada capaz, física e mentalmente, de fazer juízo perfeito das possíveis conseq ncias de sua atitude. Em tais casos, deve o médico faz - la ciente das prováveis complicaç es do jejum prolongado e, na hip tese de perigo de vida iminente, tratá-la. CONSIDERAÇÕES FINAIS Guerreiros, Chegamos ao fim do conteúdo de hoje. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 63 Espero que você esteja se situando na disciplina de Medicina Legal. A assimilação de conteúdo e familiarização com os temas são de grande relevância para o seu concurso, por isso, não deixe de revisão e resolver as questões sempre que puder. Quaisquer dúvidas, sugestões ou críticas entrem em contato conosco. Estou disponível no fórum no Curso, por e-mail e, inclusive, pelo Instagram. Aguardo vocês na próxima aula. Até lá! Paulo Bilynskyj E-mail: pbilynskyj@gmail.com Instagram: @paulobilynskyj Youtube: Projeto Policial Facebook: Paulo Bilynskyj QUESTÕES COMENTADAS 1. ( VUNESP – MÉDICO LEGISTA – PC/SP – 2014) São características do sulco cervical nas asfixias por enforcamento e estrangulamento, respectivamente: a) Geralmente único / frequentemente múltiplo. b) Raramente apergaminhado / frequentemente apergaminhado. c) Horizontal / oblíquo. d) Contínuo / descontínuo. e) Abaixo da cartilagem tireoide / acima da cartilagem tireoide. Comentários Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 64 No enforcamento o sulco em geral é único, descontínuo e desigual em profundidade, oblíquo ascendente, tumefeito (inchado) e violáceo, situado comumente por cima da laringe, escoriando ou lesando a pele. No estrangulamento o sulco está localizado geralmente sobre a laringe; único, duplo, triplo e, mais frequentemente, múltiplo, contínuo e de profundidade uniforme, de margens elevadas e cianosadas e leito deprimido pergaminhado, é tipicamente horizontalizado, podendo, porém, excepcionalmente, ser ascendente quando o laço foi tracionado pelo agente por detrás e para cima. Gabarito: Alternativa A 2. (VUNESP – MÉDICO LEGISTA – PC/SP – 2014) Além do osso hioide, outras estruturas comumente passíveis de lesão nas asfixias por constrição do pescoço são: a. Cartilagem cricoide, artérias carótidas, veias jugulares, artérias vertebrais e mandíbula. b. Cartilagem tireoide, cartilagem cricoide, vértebras cervicais e traqueia. c. Cartilagem tireoide, artérias carótidas, veias jugulares, artérias vertebrais e vértebras cervicais. d. Artérias carótidas, veias jugulares, cartilagem tireoide e mastoide. e. Arartérias carótidas, veias jugulares, mandíbula e fúrcula esternal. Comentários Existem muitas lesões, mas as mais comuns são: infiltrações sanguíneas dos músculos cervicais; fratura do osso hioide; fraturas das apófises superiores da cartilagem tireoide; fratura do corpo da cartilagem tireoide; fratura do corpo da cartilagem cricoide; seção transversal da túnica íntima da carótida comum, próxima à sua bifurcação; sufusão hemorrágica da túnica adventícia; ruptura da bainha mielínica do vago; luxação da segunda vértebra cervical; equimoses retrofaringeanas e gotas de gordura emulsionadas pelo líquido tissular na tela adiposa subcutânea comprometimento intenso das artérias do pescoço e mais completamente as jugulares. Gabarito: Alternativa C 3. (FUNCAB – DELEGADO DE POLÍCIA – PC/RO – 2014) Um indivíduo civil pulou o muro de um quartel do Exército por volta das 2h00min razão por que foi detido para averiguações. Durante a troca matutina da guarda, às 7h00min do mesmo dia, ele foi encontrado morto, no interiorda cela, parcialmente suspenso pelo pescoço, na grade da porta, por uma tira de lona retirada do colchão, amarrada com nó fixo em volta única. Instaurou-se, então, um inquérito Policial Militar para apurar a causa e as circunstâncias dessa morte. A necropsia constatou livores de hipóstase da cintura para baixo, sulco único cervical, de disposição oblíqua e ascendente, com fundo pergaminhado, de profundidade Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 65 desigual e interrupção ao nível da nuca, associado à ausência de lesões internas no pescoço e sinais gerais de asfixia. Com base na prova técnica elaborada pelo perito legista, assinale a opção que apresenta a melhor hipótese para o caso acima descrito. a. Estrangulamento típico. b. Enforcamento completo atípico. c. Enforcamento incompleto típico. d. Sufocação por esganadura. e. Estrangulamento atípico. Comentários A asfixia por enforcamento com suspensão atípica ou incompleta caracteriza-se por uma constrição no pescoço por um laço que tem a extremidade fixa em um ponto que é acionado pelo peso do corpo. Nesses casos o corpo fica parcialmente suspenso, tocando o chão com alguma de suas partes. Gabarito: Alternativa C 4. (FUNCAB – PERITO MÉDICO LEGAL – POLITEC/MT – 2013) Assinale a opção que apresenta uma característica típica do sulco no pescoço em casos de estrangulamento. a. Interrompido ao nível do nó. b. Fundo pergaminhado. c. Geralmente único. d. Profundidade uniforme. e. Disposição oblíqua e ascendente. Comentários No estrangulamento o sulco está localizado geralmente sobre a laringe; único, duplo, triplo e, mais frequentemente, múltiplo, contínuo e de profundidade uniforme, de margens elevadas e cianosadas e leito deprimido pergaminhado, é tipicamente horizontalizado, podendo, porém, excepcionalmente, ser ascendente quando o laço foi tracionado pelo agente por detrás e para cima. Gabarito: Alternativa D Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 66 5. (VUNESP – DELEGADO DE POLÍCIA – PC/CE – 2015) Adolescente de 15 anos é avaliado em uma perícia. Ele apresentava: (a) dificuldade na fala, rouquidão e relatava dor na região cervical e na face; (b) edema e equimose de coloração vermelho-violácea na região periorbitária direita e esquerda; (c) hemorragia conjuntival e petéquias na pálpebra inferior de ambos os olhos; (d) escoriação linear, horizontal, uniforme, de coloração avermelhada, medindo 0,4 cm de largura, localizada abaixo da tireoide, estendendo-se pela circunferência do pescoço e interrompendo-se em sua região lateral esquerda. A perícia descrita mais provavelmente sugere a. Estrangulamento por tentativa de homicídio. b. Edema e equimose observados na região periorbitária, como consequências da asfixia. c. Enforcamento por tentativa de suicídio. d. Que o evento ou dano ocorreu muito recentemente, provavelmente, em menos de 2 horas. e. Graves consequências clínicas secundárias à asfixia por inalante, por exemplo, monóxido de carbono ou cianeto. Comentários Se não houver sucesso no estrangulamento é possível que a vítima apresente amnésia, confusão mental, agitação, angústia, convulsões, dificuldade na fala, rouquidão, edema e equimose de coloração vermelho-violácea na região periorbitária direita e esquerda, hemorragia conjuntival e petéquias na pálpebra inferior de ambos os olhos; escoriação linear, horizontal, uniforme, de coloração avermelhada, localizada abaixo da tireoide, dor cervical, dispneia e disfagia, espuma sanguinolenta bucal e relaxamento dos esfíncteres. Gabarito: Alternativa A 6. (UEG – DELEGADO DE POLÍCIA – PC/GO – 2013) Com relação às asfixias, tem-se o seguinte: a. Esganadura tem origem homicida, sendo rara sua forma acidental. b. O sulco comumente encontrado nos enforcados e estrangulados é produzido por um instrumento corto- contundente. c. Soterramento é um tipo de asfixia em que ocorre a substituição do meio aéreo por terra. d. Estrangulamento braquial é forma comum de asfixia em suicídios e requer desproporção de forças. Comentários Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 67 Consiste na asfixia mecânica por constrição anterolateral do pescoço, impeditiva da passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas, promovida diretamente pela mão do agente. Forma homicida de asfixia, exige, para sua execução, superioridade de forças, ou que a vítima não possa, por qualquer motivo, opor resistência. Gabarito: Alternativa A 7. (FDRH – AUXILIAR DE PERÍCIA – IGP/RS – 2008) Analise o seguinte caso: Cadáver encontrado no interior de uma cela de um presídio, suspenso em uma corda, apresentando no pescoço um sulco de profundidade desigual, interrompido na região occipital, oblíquo e ascendente. A inspeção interna demonstra lesões internas em artérias carótidas, com infiltrado sangüíneo em planos musculares do pescoço, sem outros sinais significativos no exame das cavidades, afora os achados de asfixia mecânica A causa provável da morte foi a. estrangulamento. b. Esganadura. c. Sufocação. d. Enforcamento. e. Asfixia por monóxido de carbono. Comentários No enforcamento o sulco é único, oblíquo ascendente, de situação alta, por cima da cartilagem tireóidea, mais profundo na parte central da alça, descontínuo por interrupção ao nível do nó, e pergaminhado. Gabarito: Alternativa D 8. (FUNCAB – DELEGADO DE POLÍCIA – PC/RO – 2009) Assinale a afirmativa INCORRETA com respeito às asfixias. a. Por constrição do pescoço pelas mãos: estrangulamento. b. Em ambientes por gases irrespiráveis: confinamento, asfixia por monóxido de carbono e asfixia por outros vícios de ambiente. c. Por constrição passiva do pescoço, exercida pelo peso do corpo: enforcamento. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 68 d. Por obstrução dos orifícios ou condutos respiratórios: sufocações diretas ou indiretas. e. Por transformação do meio gasoso em meio líquido: afogamento. Comentários Constrição do pescoço pelas mãos: esganadura. Gabarito: Alternativa A 9. (FGV – DELEGADO DE POLÍCIA – PC/MA – 2012) Na sufocação indireta por compressão torácica, a vítima asfixia-se pela restrição aos movimentos de inspiração e expiração. O achado de necropsia típico desta modalidade de asfixia caracteriza-se por a. Rotura das camadas interna e externa das artérias carótidas. b. Fratura do osso hioide. c. Petéquias subpleurais e subepicárdicas. d. Máscara equimótica ou equimose cérvico-facial. e. Cogumelo de espuma eliminado pelos orifícios da face. Comentários É possível que em caso de sufocação indireta não se tenham sinais de asfixia, porém quando presentes, podemos notar a máscara equimótica de Morestin ou cianose cérvico-facial de Le Dentut, ocasionada pela estase venosa da veia cava superior consequente à compressão torácica. Gabarito: Alternativa D 10. CESPE – PERITO MÉDICO LEGAL – SEGESP/AL – 2013) A respeito de morte por afogamento e por asfixia, julgue os itens subsecutivos. Considerando-se que, durante uma perícia médico-legal, tenha sido verificado, no corpo de uma mulher morta, sulco único com profundidade variável e direção oblíqua ao eixo do pescoço, é correto afirmar que a vítima sofreu asfixia por estrangulamento. a. Certo b. Errado Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 69 Comentários Para responder à essa questão temos que ter em mente as diferenças entre os sulcosdo estrangulamento e do enforcamento: a) no estrangulamento o sulco é horizontal e, nos raros casos de suicídio, descendente ou ascendente, múltiplo, contínuo e uniforme, em toda a periferia do pescoço, e pergaminhado; b) no enforcamento é único, oblíquo ascendente, de situação alta, por cima da cartilagem tireoidea, mais profundo na parte central da alça, descontínuo por interrupção ao nível do nó, e pergaminhado. Assim no presente caso a alternativa está errada já que a descrição refere-se a uma vítima de enforcamento. Gabarito: ERRADO 11. (INSTITUTO ACESSO/ES MÉDICO LEGISTA – 2019) Considerando a fisiopatologia das asfixias, é possível determinar um cronograma estabelecendo suas diversas fases com o aparecimento das manifestações clínicas. Referente ao exposto, assinale a alternativa correta. a. A 1ª fase é conhecida como fase de excitação cortical e medular. b. Na 2ª fase, aparecem enjôos, lipotimias e vertigens. c. A 3ª fase se caracteriza pela lentidão e superficialidade dos movimentos respiratórios. d. A 4ª fase é conhecida como fase respiratória. e. Na 3ª fase, os batimentos do coração são lentos e arrítmicos. Comentários Segundo Genival Veloso, o cronograma das manifestações clínicas que surgem das asfixias mecânicas é: 1ª FASE -" Cerebral"; enjoos, vertigens, sensação de angústia e lipotimias, dura de 1 a 2 minutos. 2ª FASE- "Excitação cortical e medular"; Convulsões generalizadas e contrações dos músculos respiratórios e face, relaxamento dos esfincteres com emissão de fezes e urina, duração 1 a 2 minutos. 3ª FASE- "Respiratória"; Lentisão dos movimentos respiratórios, insuficiência ventricular, aceleração da morte! 1 a 2 minutos. 4ª FASE- Cardíaca"; Sofrimento do miocárdio, batimentos lentos dura de 3 a 5 minutos. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 70 Gabarito: Alternativa C 12. (INSTITUTO AOCP/ES MÉDICO LEGISTA – 2019) Em relação às asfixias, é correto afirmar que a. são causadas por energias de ordem mecânica. b. o enforcamento é causado por força constritiva ativa. c. o estrangulamento é causado por força constritiva passiva. d. a esganadura é causada por sufocação. e. a sufocação indireta é causada pela compressão do tórax. Comentários A sufocação indireta se dá pela compressão do tórax ou eventualmente do tórax e abdome, em grau suficiente para impedir os movimentos respiratórios e ocasionar a morte por asfixia. Gabarito: Alternativa E 13. (MPE/PR PROMOTOR SUBSTITUTO – 2019) Relativamente à morte causada por asfixia, suas modalidades e sinais cadavéricos, analise as assertivas abaixo e assinale a correta: a. São sinais internos observados em todas as necropsias: sangue fluído de cor escura, congestão polivisceral, equimoses viscerais com forma de petéquias, mais frequentes nas regiões subpleural, subcárdica e subepicárdia. b. Estrangulamento é a contrição cervical realizada diretamente por qualquer parte do corpo do agressor, como mãos, pernas, braços. c. Esganadura caracteriza-se pela constrição do pescoço por laço acionado por força mecânica ativa, como o garrote. d. A presença de sulco horizontalizado, contínuo, com profundidade uniforme pode indicar enforcamento. e. A presença de sulco único, oblíquo e ascendente, com profundidade desigual pode indicar enforcamento. Comentários Características do sulco no enforcamento: em geral único, é descontínuo e desigual em profundidade, oblíquo ascendente, tumefeito e violáceo, situado comumente por cima da laringe, escoriando ou lesando a pele. Gabarito: Alternativa E Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 71 14. (FUMARC/MG ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL – 2018) Em relação à máscara equimótica de Morestin, NÃO é correto afirmar que: a. aparece frequente na compressão torácica. b. é conhecida por cianose cervicofacial de Le Dentut. c. ocorre na asfixia por monóxido de carbono, a qual é tipicamente azulada. d. pode ser encontrada na asfixia mecânica. Comentários O cadáver do intoxicado por monóxido de carbono apresentará: a) Rigidez precoce; b) Face carminada; (portanto não azulada) c) “Cianose vermelho-clara” das unhas, das mucosas e da pele; d) Sangue fluido e rosado; e) Manchas de hipóstase claras; f) Pulmões rosados e, eventualmente, trombosados; g) Edema cerebral; h) Trombose das artérias coronárias; i) Petéquias e infiltração perivascular, com necrose focal, no coração, no cérebro e em outros órgãos; e j) Putrefação tardia. Gabarito: Alternativa C 15. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL- PERITO CRIMINAL FEDERAL – 2018) No que se refere à medicina legal, julgue o item que segue. Caso uma pessoa seja encontrada morta, pendurada por uma corda envolta em seu pescoço, mas com os joelhos semifletidos e os pés tocando o chão, deve-se excluir a hipótese de suicídio por enforcamento. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 72 a. Certo b. Errado Comentários No enforcamento, a suspensão poderá ser: Típica ou completa: o corpo permanece completamente suspenso, apoiado apenas pelo laço; e Atípica ou incompleta: alguma parte do corpo (geralmente, pés, joelhos, braços ou abdome) toca o solo. Portanto, não é possível excluir a hipótese de enforcamento. Gabarito: ERRADO 16. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL- PERITO CRIMINAL FEDERAL – 2018) No que se refere à medicina legal, julgue o item que segue. O sinal de Amussat, que corresponde a lesão na túnica íntima da artéria carótida, é mais comum no enforcamento do que na esganadura. a. Certo b. Errado Comentários Sinal de Amussat-Divergie-Hoffmann: seção transversal da túnica íntima da carótida comum, próxima à sua bifurcação; Gabarito: CERTO 17. (FCC/MPE-PB PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO – 2018) A asfixia mecânica que se caracteriza pela interrupção do ar atmosférico até as vias respiratórias, em decorrência da constrição do pescoço por um laço fixo, agindo o peso do próprio corpo da vítima como força ativa, deve ser classificada como a. esganadura. b. estrangulamento. c. enforcamento. d. confinamento. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 73 e. soterramento. Comentários O enforcamento é a modalidade de asfixia mecânica determinada pela constrição do pescoço por um laço cuja extremidade se acha fixa a um ponto dado, agindo o próprio peso do indivíduo como força ativa. Gabarito: Alternativa C 18. (UEG/GO DELEGADO DE POLÍCIA – 2018) As asfixias mecânicas se enquadram na categoria dos traumas de natureza fisicoquímica. Nos casos das constrições cervicais – enforcamento, estrangulamento e esganadura – as asfixias demonstram sinais característicos que as diferenciam entre si. Nesse sentido, verifica-se o seguinte: a. num enforcamento, diferentemente de um estrangulamento, é possível reconhecer o material empregado no laço, a partir da marca deixada na pele. b. a esganadura só ocorre na forma dolosa, uma vez que as formas acidental e culposa são afastadas pelo mecanismo de ação empregado. c. nos estrangulamentos, os sinais são constituídos de equimose facial associada a marcas ungueais, os quais permitem a identificação do agressor. d. uma suspensão incompleta, num caso de enforcamento, aponta, direta e inquestionavelmente, para um homicídio por execução da vítima. e. dentre as asfixias por constrição cervical, a mais rápida delas em termos de ocorrência da morte é representada pelo estrangulamento. Comentários A esganadura consiste na asfixia mecânica por constrição anterolateral do pescoço, impeditivada passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas, promovida diretamente pela mão do agente ou outra parte do corpo. Forma homicida de asfixia, exige, para sua execução, superioridade de forças, ou que a vítima não possa, por qualquer motivo, opor resistência. Gabarito: Alternativa B 19. (FUNDATEC/RS DELEGADO DE POLÍCIA – 2018) Em relação às asfixias por constrição cervical, analise as afirmações abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 74 ( ) O enforcamento, de acordo com sua definição médico-legal, quando diagnosticado indica a ocorrência de suicídio. ( ) O enforcamento, de acordo com sua definição médico-legal, necessita que o peso do corpo da vítima acione o laço. Desta forma, os casos descritos como enforcamento, mas nos quais a vítima não estava completamente suspensa (pés não tocando o solo) devem ser classificados como “montagem” (tentativa de ocultação de homicídio). ( ) O enforcamento, de acordo com sua definição médico-legal, não necessita do peso do corpo da vítima para ocorrer. ( ) A esganadura pode ser consequência de suicídio ou de homicídio. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: a. V – V – F – F. b. V – F – V – V. c. F – V – F – F. d. F – F – V – V. e. F – F – F – F. Comentários F - O enforcamento não necessariamente indicia suicídio, pode ocorrer por homicídio e raramente por acidente. F - De fato, o enforcamento necessita que o peso do corpo da vítima acione o laço, mas a suspensão poderá ser: Típica ou completa: o corpo permanece completamente suspenso, apoiado apenas pelo laço; e Atípica ou incompleta: alguma parte do corpo (geralmente, pés, joelhos, braços ou abdome) toca o solo. F - O enforcamento caracteriza-se pela necessidade do peso do corpo da vítima para ocorrer. F – Devido à necessidade de haver superioridade de forças entre agressor e vítima a esganadura não pode ser consequência de suicídio. Gabarito: Alternativa E 20. (INSTITUTO AOCP/ITEP-RN AGENTE DE NECRÓPSIA – 2018) Com base na seguinte situação hipotética, responda a questão. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 75 Durante um levantamento de local de homicídio, o cadáver de uma mulher foi encontrado em uma varanda ao lado de uma mesa. A morte, aparentemente, ocorreu por asfixia por constrição do pescoço na modalidade esganadura. Sobre a mesa havia uma garrafa de vinho parcialmente consumida e duas taças, uma das quais estava com manchas de batom. Considerando a modalidade de asfixia apresentada, o responsável pelo levantamento do local deve buscar: a. a corda ou o objeto que pudesse ter sido utilizado como laço na constrição do pescoço da vítima. b. a região em que a corda ou instrumento constritor foi amarrada para que o peso da própria vítima tracionasse o laço. c. marcas ungueais ao redor do pescoço da vítima, corroborando a hipótese de esganadura. d. sulco oblíquo, ascendente e interrompido ao nível do nó, ao redor do pescoço da vítima. e. vultosas manchas de sangue no local, uma vez que esganaduras tendem a se caracterizar pela intensa hemorragia pelas vias aéreas superiores. Comentários São sinais externos locais da ESGANADURA: a. Equimoses elípticas ou arredondadas, situadas bilateral e irregularmente no pescoço, produzidas pela ação compressiva dos dedos do agressor; b. Estigmas ou marcas ungueais (escoriações produzidas pelas unhas do agressor), comumente pergaminhadas, variáveis em número e encontradas à esquerda da linha mediana do pescoço quando o agente for destro, ou em forma de rastros escoriativos, de diferentes tamanhos e direções, devido às reações da vítima ao defender-se. Gabarito: Alternativa C 21. (INSTITUTO AOCP/ITEP-RN PERITO CRIMINAL – 2018) Sulco cervical oblíquo, de profundidade desigual e com área de interrupção, com fundo escoriado, comumente está presente em morte por: a. estrangulamento. b. enforcamento. c. sufocação direta. d. sufocação indireta. e. esganadura. Comentários Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 76 No enforcamento, o sulco é na parte mais alta do pescoço, entre o hioide e a laringe. Geralmente é único, mas pode ser duplo, triplo ou múltiplo, de acordo com o número de voltas em torno do pescoço. A direção é oblíqua ascendente bilateral anteroposterior e, o sulco normalmente é descontínuo, interrompendo-se nos pontos correspondentes à interposição de corpos moles e especialmente nas proximidades do nó. Será contínuo, quando produzido por laço muito apertado. Pode não haver sulco se forem empregados laços moles, ou quando é interposto um corpo mole entre o laço e o pescoço; ou ainda se a constrição não foi muito demorada. Gabarito: Alternativa B 22. (NUCEPE/PI PERITO MÉDICO LEGAL – 2012) No exame do corpo de uma criança foram encontradas as seguintes lesões: escoriações crostosas, equimoses esverdeadas, luxação do ombro direito, fratura de elementos dentários e marcas ungueais em torno da boca e do nariz. Neste caso, o tipo de instrumento utilizado na agressão do menor e a causa da sua morte foram, respectivamente: a. perfurante e estrangulamento. b. contundente e sufocação direta. c. cortante e enforcamento. d. contundente e sufocação indireta. e. cortocontundente e esganadura. Comentários Escoriações crostosas, equimoses esverdeadas, luxação do ombro direito, fratura de elementos dentários = LESÕES CONTUSAS (feitas por instrumento contundente). Marcas ungueais em torno da boca e do nariz = são características presentes da esganadura (tipo de sufocação DIRETA) Gabarito: Alternativa B 23. (CESPE/MA ODONTOLEGISTA – 2018) Em relação às asfixias por obstrução das vias aéreas por constrição cervical, julgue os itens seguintes. I Em casos de enforcamento, a cabeça fica voltada para o lado do nó, e formam-se manchas hipostáticas na parte superior do corpo. II Nas situações de estrangulamento, o sulco no pescoço é horizontal e fica situado abaixo da cartilagem tireoide, podendo haver vários sulcos. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 77 III Em casos de esganadura, ficam marcas ungueais do agressor. Assinale a opção correta. a. Apenas o item I está certo. b. Apenas o item III está certo. c. Apenas os itens I e II estão certos. d. Apenas os itens II e III estão certos. e. Todos os itens estão certos. Comentários I – ERRADO. Em casos de enforcamento, a cabeça fica voltada para o lado OPOSTO ao nó, e formam-se manchas hipostáticas na parte INFERIOR do corpo. II – CERTO. Nas situações de estrangulamento, o sulco no pescoço é horizontal e fica situado abaixo da cartilagem tireoide, podendo haver vários sulcos. III – CERTO. Em casos de esganadura, ficam marcas ungueais do agressor. Gabarito: Alternativa D 24. (CESPE/MA MÉDICO LEGISTA – 2018) Existem casos em que a morte ocorre pela constrição do pescoço por um laço que exerce força ativa, ao passo que o corpo da vítima atua de forma passiva. Nesses casos, também é possível que haja obstrução da passagem do ar para os pulmões, compressão dos nervos cervicais e interrupção sanguínea para o encéfalo. Essas informações estão relacionadas à asfixia por: a. estrangulamento b. enforcamento com suspensão típica ou completa. c. enforcamento com suspensão atípica ou incompleta. d. sufocação indireta. e. esganadura. Comentários O estrangulamento é a asfixia mecânica por constrição do pescoço por laço tracionado por qualquer força que não seja o pesoda própria vítima. Assim o corpo da vítima atua de forma passiva, enquanto o laço exerce força ativa. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 78 Gabarito: Alternativa A 25. (IESES/IGP-SC PERITO MÉDICO LEGISTA – 2017) Um trabalhador de 39 anos cai acidentalmente dentro de um silo de açúcar sendo encoberto por grande quantidade do produto. É encontrado morto duas horas depois, apresentando externamente sinais gerais de asfixia. No exame interno, são reiterados os sinais gerais de asfixia, além da presença de grande quantidade de açúcar em vias aéreas superiores, traqueia, brônquios e esôfago. Qual o tipo específico de asfixia mecânica ocorreu nesse caso? a. Sufocação direta. b. Confinamento. c. Sufocação indireta. d. Soterramento. Comentários O soterramento resulta da obstrução direta das vias respiratórias quando a vítima se encontra mergulhada num meio sólido ou empoeirado. Gabarito: Alternativa D 26. (IESES/IGP-SC PERITO CRIMINAL GERAL – 2017) Assinale a alternativa em que todas as características estão presentes nos sulcos dos enforcados, segundo a classificação de Bonnet: a. Sulco oblíquo ascendente, interrompido ao nível do nó, por baixo da cartilagem tireoide e profundidade desigual. b. Sulco horizontal, contínuo, profundidade uniforme e por baixo da cartilagem tireoide. c. Sulco oblíquo ascendente, interrompido ao nível do nó, por cima da cartilagem tireoide e com profundidade desigual. d. Sulco horizontal, interrompido ao nível do nó, por baixo da cartilagem tireoide e profundidade desigual. Comentários Estrangulamento Enforcamento Sulco é horizontal e, nos raros casos de suicídio, descendente ou ascendente, múltiplo, contínuo e uniforme, em toda a periferia do pescoço, e pergaminhado. Sulco é único, oblíquo ascendente, de situação alta, por cima da cartilagem tireóidea, mais profundo na parte central da alça, descontínuo por interrupção ao nível do nó, e pergaminhado. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 79 Gabarito: Alternativa C 27. (FCC/POLITEC-AP PERITO MÉDICO LEGISTA – 2017) Durante reforma de um estabelecimento de dois andares, uma das vigas de sustentação do segundo andar se quebrou e caiu sobre um dos funcionários. Ao realizar o exame necroscópico, o Perito Médico Legista constata que o cadáver apresenta sujidade esbranquiçada em pele do tórax, congestão intensa da face, petéquias em conjuntiva ocular, escoriação em região temporal direita, fratura de seis arcos costais à esquerda e cinco arcos costais à direita, sangue escuro e fluido, manchas de Tardieu nos pulmões e no coração, tendo sido medidos 70 mL de sangue em cavidade torácica esquerda e 20 mL em cavidade torácica direita. O peso do cadáver era 80 kg. A causa final de morte da vítima foi: a. hemorragia aguda interna traumática. b. sufocação indireta. c. sufocação direta. d. confinamento. e. soterramento. Comentários A sufocação indireta se dá pela compressão do tórax ou eventualmente do tórax e abdome, em grau suficiente para impedir os movimentos respiratórios e ocasionar a morte por asfixia. Ao se analisar o cadáver poderão ser encontradas fraturas do gradil torácico, distensão e congestão dos pulmões (sinal de Valentin), com sufusões sanguíneas subpleurais, além dos sinais inerentes às asfixias em geral. Gabarito: Alternativa B 28. (FUNDATEC/IGP-RS PERITO MÉDICO LEGISTA – 2017) A respeito de asfixias por constrição cervical, assinale a alternativa correta. a. O sulco pode estar ausente em certas modalidades de estrangulamento. b. A causa jurídica do enforcamento é homicida na maioria das vezes. c. Fratura do osso hioide deve estar presente para caracterização do enforcamento. d. A esganadura é a forma de constrição cervical que menos apresenta fraturas da laringe e do osso hioide. e. O sulco oblíquo descendente em região cervical é incompatível com enforcamento. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 80 Comentários O sulco pode faltar em alguns casos de estrangulamento, por exemplo, quando o material que constituir o laço for largo e liso, e a duração e intensidade da constrição forem pequenas, como nos casos de infanticídio. Mas é mais comum que falte nos estrangulamentos feitos com técnicas de luta livre – “ estrangulamento ante braquial", vulgo mata-leão. Gabarito: Alternativa A 29. (FUNDATEC/IGP-RS PERITO MÉDICO LEGISTA – 2017) Em locais de suicídio por enforcamento, é comum que, em tentativas de socorro, familiares e/ou equipes de assistência médica removam a vítima do objeto usado como elemento constritor. Notando que houve alteração anterior a sua chegada, o Perito Criminal deve: a. Realizar o exame do local, registrar no Laudo a alteração notada e fazer considerações pertinentes quanto às consequências dela na dinâmica dos fatos. b. Informar à polícia que o exame pericial não será realizado uma vez que o local foi alterado. c. Realizar apenas o registro fotográfico do local e encaminhar as fotos via ofício à polícia sem constatações técnicas. d. Determinar apenas a remoção imediata do cadáver. e. Coletar o provável instrumento utilizado pela vítima e encaminhar via ofício à polícia, apenas. Comentários De acordo com o CPP: Art. 169. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos. Parágrafo único. Os peritos registrarão, no laudo, as alterações do estado das coisas e discutirão, no relatório, as conseqüências dessas alterações na dinâmica dos fatos. Gabarito: Alternativa A 30. (FUNDATEC/IGP-RS TÉCNICO EM PERÍCIAS – 2017) São exemplos de morte por asfixia: a. Soterramento e hanseníase. b. Afogamento e enforcamento. c. Eletroplessão e esganadura. d. Choque hipovolêmico e sufocamento. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 81 e. Estrangulamento e litíase de vias biliares. Comentários O afogamento é modalidade de asfixia mecânica que ocorre em decorrência da penetração de líquidos nas vias respiratórias, por permanência da vítima imersa (totalmente ou não) em meio líquido. O enforcamento é a modalidade de asfixia mecânica determinada pela constrição do pescoço por um laço cuja extremidade se acha fixa a um ponto dado, agindo o próprio peso do indivíduo como força ativa. Gabarito: Alternativa B 31. (FUNDATEC/IGP-RS TÉCNICO EM PERÍCIAS – 2017) Em enforcamentos, a suspensão do cadáver pode ser completa ou incompleta. Suspensão incompleta ocorre quando: a. O laço é acionado pelo próprio peso da vítima. b. O sulco produzido pelo laço no pescoço da vítima é interrompido ao nível do nó. c. O sulco produzido pelo laço no pescoço da vítima é oblíquo. d. O nó do laço fica na porção anterior do pescoço da vítima. e. Parte do corpo da vítima toca o solo ou encosta em algum ponto de apoio. Comentários O enforcamento necessita que o peso do corpo da vítima acione o laço, a suspensão poderá ser: Típica ou completa: o corpo permanece completamente suspenso, apoiado apenas pelo laço; e Atípica ou incompleta: alguma parte do corpo (geralmente, pés, joelhos, braços ou abdome) toca o solo. Gabarito: Alternativa E 32. (FUNDATEC/IGP-RS TÉCNICO EM PERÍCIAS – 2017) Existem diversas modalidades de mortes por asfixia. Associe os vestígios extrínsecos descritos em cadáveres com a modalidade correta de morte por asfixia. Coluna 11. Face cianótica, pele macerada, mãos e pés atados. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 82 2. Equimose e escoriações ao redor do pescoço produzidas por dedos e unhas. 3. Sulco horizontal ao redor do pescoço sem interrupção ao nível do nó. 4. Sulco oblíquo ao redor do pescoço com interrupção ao nível do nó. Coluna 2 ( ) Enforcamento. ( ) Esganadura. ( ) Estrangulamento. ( ) Afogamento. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: a. 4 – 2 – 3 – 1. b. 3 – 1 – 2 – 4. c. 4 – 3 – 2 – 1. d. 3 – 2 – 4 – 1. e. 1 – 3 – 4 – 2. Comentários 1. Face cianótica, pele macerada, mãos e pés atados. AFOGAMENTO 2. Equimose e escoriações ao redor do pescoço produzidas por dedos e unhas. ESGANADURA 3. Sulco horizontal ao redor do pescoço sem interrupção ao nível do nó. ESTRANGULAMENTO 4. Sulco oblíquo ao redor do pescoço com interrupção ao nível do nó. ENFORCAMENTO Gabarito: Alternativa A 33. (IBADE/AC DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – 2017) Diante de notícia sobre a ocorrência de crime de homicídio, policiais civis foram ao local para investigar o fato. Ao chegarem, foi possível observar que a vítima estava com o corpo totalmente em contato com o solo, em decúbito ventral, com as mãos amarradas para trás. Na região do pescoço, foi possível observar que havia um fio que circulava a região por três vezes. A perícia no material revelou que nas duas pontas do fio havia um pedaço de Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 83 madeira amarrado, o que possibilitava o tracionamento para lados opostos. O sulco provocado pelo fio era contínuo, com profundidade uniforme e em sentido horizontal, tendo lesionado a região inferior ao osso hioide. Diante das informações apresentadas acima, pode-se afirmar que houve: a. soterramento. b. enforcamento. c. esganadura. d. estrangulamento. e. Afogamento Comentários No estrangulamento, o sulco está localizado geralmente sobre a laringe; único, duplo, triplo ou múltiplo, contínuo e de profundidade uniforme, de margens elevadas e cianosadas e leito deprimido pergaminhado, é tipicamente horizontalizado, podendo, porém excepcionalmente, ser ascendente quando o laço foi tracionado pelo agente por detrás e para cima. Gabarito: Alternativa D 34. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL- PERITO CRIMINAL FEDERAL – 2013) O conceito de asfixia é bastante amplo e controverso, porém, de forma genérica, pode-se conceituar asfixia como um estado de hipoxia e hipercapnia no sangue arterial. A respeito desse assunto, julgue o item subsecutivo. A participação do mecanismo nervoso de morte é mais importante no enforcamento que na esganadura. a. Certo b. Errado Comentários A participação do mecanismo nervoso de morte é mais importante no enforcamento que na esganadura. Na esganadura o mecanismo nervoso é mais importante especialmente relacionado à compressão do seio carotídeo. Gabarito: ERRADO Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 84 35. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL- PERITO CRIMINAL FEDERAL – 2013) O conceito de asfixia é bastante amplo e controverso, porém, de forma genérica, pode-se conceituar asfixia como um estado de hipoxia e hipercapnia no sangue arterial. A respeito desse assunto, julgue o item subsecutivo. Cianose, petéquias, congestão polivisceral, fluidez do sangue e espuma no sistema respiratório são sinais de alta sensibilidade e alta especificidade para asfixias criminosas. a. Certo b. Errado Comentários O erro da questão está na “alta sensibilidade e alta especificidade” uma questão que são indícios que não estão presentes em todas as asfixias. Gabarito: ERRADO 36. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL- PERITO CRIMINAL FEDERAL – 2013) O conceito de asfixia é bastante amplo e controverso, porém, de forma genérica, pode-se conceituar asfixia como um estado de hipoxia e hipercapnia no sangue arterial. A respeito desse assunto, julgue o item subsecutivo. O soterramento pode ser definido de modo estrito ou genérico. De modo genérico, soterramento corresponde à ocorrência de asfixia por mecanismos como compressão torácica, sufocação direta, confinamento em locais de escombros, sem renovação aérea, onde pode haver lesões por material desmoronado. A asfixia por penetração de substância pulverulenta como terra e areia nas vias respiratórias corresponde a um mecanismo de soterramento estrito. a. Certo b. Errado Comentários Soterramento é a asfixia no meio terroso. É a asfixia provocada pela substituição do meio gasoso por um meio sólido pulverulento, geralmente areia, talco, cimento, farinha, etc. O soterramento pode ter dois sentidos: o estrito que se refere a substituição o meio aéreo, por um meio pulverulento. E no sentido amplo, nos casos em que há desmoronamento ou desabamento, e o indivíduo é coberto por terra e outros materiais. Gabarito: CERTO Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 85 37. (IBFC/POLÍCIA CIENTÍFICA-PR MÉDICO LEGISTA – 2017) Uma das modalidades de asfixia mecânica é o estrangulamento. Marque a alternativa em que todas as características do sulco se referem ao estrangulamento: a. Oblíquo ascendente; por cima da cartilagem tireóidea; interrompido ao nível do nó, de profundidade desigual. b. Horizontal; variável segundo a zona do pescoço; por cima da cartilagem tireóidea, de profundidade uniforme. c. Horizontal; uniforme em toda a periferia do pescoço; contínuo, de profundidade uniforme. d. Horizontal; variável segundo a zona do pescoço; por cima da cartilagem tireóidea, de profundidade uniforme e. Oblíquo ascendente; por baixo da cartilagem tireóidea; contínuo, de profundidade desigual. Comentários No estrangulamento, o sulco está localizado geralmente sobre a laringe; único, duplo, triplo ou múltiplo, contínuo e de profundidade uniforme, de margens elevadas e cianosadas e leito deprimido pergaminhado, é tipicamente horizontalizado, podendo, porém excepcionalmente, ser ascendente quando o laço foi tracionado pelo agente por detrás e para cima. Gabarito: Alternativa C 38. (IBFC/POLÍCIA CIENTÍFICA-PR MÉDICO LEGISTA – 2017) Na medicina legal, segundo a classificação de asfixias de Afrânio Peixoto, temos os grupos das asfixias puras, asfixias complexas e asfixias mistas. A respeito do assunto, analise as afirmativas abaixo. I. No enforcamento, sempre há a suspensão completa do indivíduo, sendo que o corpo fica totalmente sem tocar em qualquer ponto de apoio. II. O período inicial da evolução do enforcamento caracteriza-se por convulsões e excitação do corpo proveniente dos fenômenos respiratórios. III. O sulco do enforcamento é proporcional à consistência do laço, mas, mesmo sendo um laço mole, o sulco permanece, não desaparecendo posteriormente. Está/estão incorreta(s) a(s) afirmativa(s). a. I, apenas b. I e II, apenas Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 86 c. I e III, apenas d. II e III, apenas e. I, II e III Comentários I. No enforcamento, sempre há a suspensão completa do indivíduo (pode haver a suspensão incompleta), sendo que o corpo fica totalmente sem tocar em qualquer ponto de apoio. Enforcamento incompleto: parte do corpo pode tocar o chão. II. O período inicial (segundo período) a segunda fase da evolução do enforcamento caracteriza-se por convulsões e excitação do corpo proveniente dos fenômenos respiratórios. III. O sulco do enforcamento é proporcional à consistênciado laço, mas, mesmo sendo um laço mole, o sulco permanece, não desaparecendo posteriormente. (Pode sim desaparecer). Gabarito: Alternativa E 39. (IBFC/POLÍCIA CIENTÍFICA-PR ONTOLEGISTA – 2017) Assinale a alternativa que corresponde à definição abaixo. Constrição do pescoço pelas mãos obstruindo a passagem de ar atmosférico pelas vias respiratórias até os pulmões. a. Esganadura b. Estrangulamento indireto c. Asfxia pura d. Sufocação indireta e. Estrangulamento direto Comentários Esganadura consiste na asfixia mecânica por constrição anterolateral do pescoço, impeditiva da passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas, promovida diretamente pela mão do agente ou outra parte do corpo. Gabarito: Alternativa A Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 87 40. (IBFC/POLÍCIA CIENTÍFICA-PR ODONTOLEGISTA – 2017) Considerando a modalidade de asfixia mecânica de enforcamento, assinale a alternativa que apresenta a característica correta referente ao sulco produzido no pescoço da vítima. a. Uniforme em toda a periferia do pescoço b. Horizontal c. De profundidade uniforme d. Por baixo da cartilagem tireóidea e. Oblíquo ascendente Comentários No enforcamento, o sulco é na parte mais alta do pescoço, entre o hioide e a laringe. Geralmente é único, mas pode ser duplo, triplo ou múltiplo, de acordo com o número de voltas em torno do pescoço. A direção é oblíqua ascendente bilateral anteroposterior e, o sulco normalmente é descontínuo, interrompendo-se nos pontos correspondentes à interposição de corpos moles e especialmente nas proximidades do nó. Será contínuo, quando produzido por laço muito apertado. Pode não haver sulco se forem empregados laços moles, ou quando é interposto um corpo mole entre o laço e o pescoço; ou ainda se a constrição não foi muito demorada. Gabarito: Alternativa E 41. (CESPE/GO DELEGADO DE POLÍCIA – 2017) Em relação às asfixias, assinale a opção correta. a. A projeção da língua e a exoftalmia são achados suficientes para concluir que houve morte não natural. b. As equimoses das conjuntivas somente são encontradas nos casos de afogamento. c. Nas asfixias, as ocorrências de manchas de hipóstase são raras. d. Na sufocação por compressão do tórax, observam-se pulmões congestos e com hemorragias. e. O cogumelo de espuma é uma característica exclusiva do afogamento. Comentários Sufocação indireta: a compressão, em grau suficiente, do tórax e abdomen impede os movimentos respiratórios, levando, em consequência, à asfixia. É sempre acidental ou criminosa. Conhecida também como "congestão compressiva de PERTHES". Os pulmões se mostram distendidos (sinal de valentim), congestos, com sufusões hemorrágicas subpleurais. O fígado é congesto e o sangue do coração, escuro e fluído. Gabarito: Alternativa D Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 88 42. (FUNCAB/PA DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – 2016) De acordo com a classificação de Afrânio Peixoto, as asfixias podem ser definidas como puras, complexas e mistas. Acerca desta classificação, é um exemplo de asfixia pura a(o): a. esganadura. b. enforcamento. c. confinamento. d. empalamento. e. estrangulamento. Comentários Asfixias puras — são manifestadas pela anoxemia (falta de oxigênio no sangue) e hipercapneia (aumento do gás carbônico no sangue): A) Asfixias em ambiente por gases irrespiráveis: Confinamento; Asfixia por monóxido de carbono; Asfixias por outros vícios de ambiente. Gabarito: Alternativa C 43. (MPE/PB PROMOTOR DE JUSTIÇA – 2011) É errado afirmar: a. O confinamento se manifesta pela anoxemia e pela hipercapneia. b. A sufocação poderá ser provocada por compressão do tórax. c. A fulminação e a fulguração, fenômenos decorrentes da ação de eletricidade natural, diferenciam- se pelos efeitos das lesões sofridas pela vítima. d. Os estigmas são lesões próprias do sulco do pescoço da vítima de enforcamento, distinguindo-a da vítima de esganadura ou de estrangulamento. e. (Abstenção de resposta - Seção VIII, item 11, do Edital do Concurso). Comentários As "estigmas" são as marcas dos dedos e das unhas do agressor localizados no pescoço, boca e narinas das vítimas de esganadura. Gabarito: Alternativa D Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 89 44. (FUNCAB/PA INVESTIGADOR DE POLÍCIA CIVIL – 2016) De acordo com os conceitos médico-legais, enforcamento incompleto é aquele no qual: a. mãos e pés da vítima estão amarrados com a mesma corda. b. o nó do laço está localizado na parte da frente do corpo da vítima. c. o nó do laço está localizado na parte de trás do corpo da vítima. d. parte do corpo da vitima toca em algum ponto de apoio ou encosta no solo. e. o corpo da vítima não encosta no solo. nem toca em qualquer ponto de apoio. Comentários O enforcamento necessita que o peso do corpo da vítima acione o laço, mas a suspensão poderá ser: Típica ou completa: o corpo permanece completamente suspenso, apoiado apenas pelo laço; e Atípica ou incompleta: alguma parte do corpo (geralmente, pés, joelhos, braços ou abdome) toca o solo. Gabarito: Alternativa D 45. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE MÉDICO LEGISTA – 2016) A respeito das causas jurídicas de morte, assinale a opção correta. a. A esganadura é comumente identificada nos casos de suicídio. b. O afogamento por submersão é uma forma de homicídio rara, porém frequente nos acidentes. c. Os enforcamentos constituem uma forma comum de prática de homicídio e suicídio. d. O estrangulamento é frequente nos homicídios e suicídios, mas de baixa ocorrência em acidentes. e. Os acidentes de trânsito são frequentes como forma de homicídio; no entanto, ocorrem raramente em casos de suicídios. Comentários O afogamento poderá ser acidental, suicida ou homicida. Nos meses mais quentes há um considerável aumento na frequência dos afogamentos acidentais de pessoas imprudentes que se afastam da praia ou entram em lagos, rios e represas, muitas vezes em estado de embriaguez. O afogamento suicida e o afogamento homicida são menos frequentes, mas são possíveis. Gabarito: Alternativa B Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 90 46. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE MÉDICO LEGISTA – 2016) Com referência ao estrangulamento, assinale a opção correta: a. Equimoses de pequenas dimensões na face, nas conjuntivas, no pescoço e na face anterior do tórax são patognomônicas do estrangulamento, o que o diferencia de outras modalidades de asfixias mecânicas. b. Na morte por estrangulamento, resultante da constrição do pescoço com um laço acionado por uma força estranha, o corpo da vítima, que exerce resistência, e a força constritiva do laço agem de forma ativa. c. Assim como em outras asfixias mecânicas, a projeção da língua, que adquire aspecto escurecido, é um achado comum em estrangulamentos. d. O sulco do estrangulamento é tipicamente oblíquo, ascendente, semelhante ao enforcamento. e. O sulco do estrangulamento geralmente está situado acima da cartilagem tireoide. Comentários Segundo Genival Veloso, algumas características das asfixias mecânicas em geral: Têm valor desigual e alguns deles de valor relativo, como as manchas de hipóstase, congestão da face, as equimoses externas e alguns fenômenos cadavéricos atípicos. Outros de valor mais considerável, como o cogumelo de espuma, projeção da língua e exoftalmia Gabarito: Alternativa C 47. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE MÉDICO LEGISTA – 2016) No que tange à sufocação, assinale a opção correta.a. A congestão cefalocervical é rara na sufocação por compressão torácica, sendo encontrada tipicamente nos afogamentos. b. A sufocação direta ocorre quando a asfixia é intencional; a indireta, quando acidental. c. Na sufocação por impedimento à penetração do ar nas vias respiratórias, o obstáculo é situado invariavelmente nos orifícios naturais — boca e narinas. d. Nas compressões do tórax, suficientes para causar sufocação, há impedimento também da movimentação abdominal, podendo ser encontradas lesões no esqueleto torácico e nas vísceras torácicas e abdominais. e. A sufocação difere da asfixia por aspiração: nesta última, o impedimento à penetração do ar nas vias respiratórias é causado por objetos ou pelo vômito. Comentários Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 91 Sufocação indireta: a compressão, em grau suficiente, do tórax e abdômen impede os movimentos respiratórios, levando, em consequência, à asfixia. É sempre acidental ou criminosa. Conhecida também como "congestão compressiva de PERTHES". Gabarito: Alternativa D 48. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE MÉDICO LEGISTA – 2016) Nas asfixias mecânicas, é comum: a. a tonalidade rósea da face. b. o aparecimento de manchas de hipóstase de surgimento tardio. c. surgirem petéquias disseminadas pelo corpo, sobretudo nos membros inferiores. d. o aumento da viscosidade sanguínea. e. a congestão polivisceral. Comentários Dentre os sinais internos das asfixias mecânicas em geral, estão Caracteres do sangue (sangue fluído, não coagula e é escuro) Equimoses viscerais Congestão polivisceral Quase todos os órgãos são passíveis de congestão (aumento do volume de sangue) nos diferentes tipos de asfixia. O mesentério, o fígado e os rins, notadamente no afogamento, são os que se mostram com maior aumento de sangue, sendo por isso chamados de “fígado e rins asfíxicos” de Etienne Martin. Já o baço, devido ao fato de contrair-se intensamente durante as fases da asfixia, mostra-se com o sangue esvaído (sinal de Etienne Martin). Gabarito: Alternativa E 49. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE MÉDICO LEGISTA – 2016) Acerca do enforcamento, assinale a opção correta. a. O enforcamento caracteriza-se pela interrupção do ar atmosférico até as vias respiratórias, decorrendo essa suspensão de ar da constrição do pescoço por um laço fixo ou móvel. Atua nessa situação o peso da vítima como uma força passiva. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 92 b. O fenômeno da rigidez cadavérica é observado mais precocemente no enforcamento do que nas mortes naturais. c. O sulco do enforcamento está sempre presente no cadáver, até mesmo nas suspensões de curta duração e nos laços de consistência amolecida. d. A presença de nó no laço é imprescindível para caracterizar o enforcamento, podendo situar-se em qualquer posição no pescoço. e. O leito do sulco produzido por laços duros é de consistência apergaminhada, endurecida e de tonalidade pardo-escura, devido à desidratação da pele escoriada nos fenômenos post mortem. Comentários Os sulcos produzidos por laços moles são de tonalidade clara ou azulada, e os determinados por laços duros são pergaminhados, firmes e pardo-escuros (linha argêntica), devido à desidratação do tecido conjuntivo subcutâneo. Gabarito: Alternativa E 50. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE AUXILIAR DE LEGISTA – 2016) O tipo de asfixia mecânica que ocorre devido à constrição do pescoço por laço e na qual a força atuante é o próprio peso da vítima denomina-se: a. estrangulamento. b. sufocação direta. c. enforcamento. d. sufocação indireta. e. esganadura. Comentários O enforcamento é a modalidade de asfixia mecânica determinada pela constrição do pescoço por um laço cuja extremidade se acha fixa a um ponto dado, agindo o próprio peso do indivíduo como força ativa. Gabarito: Alternativa C 51. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE AUXILIAR DE PERITO – 2016) O principal sinal observado em vítimas de soterramento é a presença de a. bolhas de espuma, denominadas cogumelo de espuma, nas vias aéreas superiores da vítima. b. sinais de maceração da epiderme. c. sinais de embebição cadavérica. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 93 d. sinais de rotura de vísceras ocas. e. substâncias pulverulentas no interior das vias respiratórias da vítima. Comentários Ao se analisar o cadáver que sofreu soterramento é possível notar cianose e equimoses na face e no pescoço e substâncias inerentes ao meio pulverulento (empoeirado), como terra, cinzas, farinhas, cal e gesso na boca, na árvore respiratória, no esôfago e estômago, além de lesões traumáticas (fratura, contusões, feridas incisas) e dos sinais gerais de asfixia. Gabarito: Alternativa E 52. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE AUXILIAR DE PERITO – 2016) A modalidade de asfixia mecânica que impede a passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas, devido à constrição anterolateral do pescoço, promovida diretamente pela mão de um agente, denomina-se: a. estrangulamento. b. sufocação direta. c. sufocação indireta. d. esganadura. e. enforcamento. Comentários Esganadura consiste na asfixia mecânica por constrição anterolateral do pescoço, impeditiva da passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas, promovida diretamente pela mão do agente ou outra parte do corpo. Gabarito: Alternativa D 53. (FUNIVERSA/POLÍCIA CIENTÍFICA-GO MÉDICO LEGISTA – 2015) No soterramento, pode-se encontrar a associação de outro tipo de asfixia denominado a. confinamento. b. sufocação direta. c. sufocação indireta. d. síndrome de imersão. e. edema agudo de pulmão. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 94 Comentários Considerando que o soterramento resulta da obstrução direta das vias respiratórias quando a vítima se encontra mergulhada num meio sólido ou empoeirado. Sendo comumente acidental, especialmente nos desabamentos. Assim, em casos de desabamentos estrutura muito pesadas podem cair em cima da vítima, especificamente sobre seu abdômen/diafragma, impedindo a respiração e resultando em sufocação indireta. Gabarito: Alternativa C 54. (FUNIVERSA/POLÍCIA CIENTÍFICA-GO MÉDICO LEGISTA – 2015) A asfixia realizada pela constrição cervical com o uso das mãos é denominada a. esganadura. b. sufocação direta c. sufocação indireta. d. estrangulamento. e. enforcamento. Comentários Esganadura consiste na asfixia mecânica por constrição anterolateral do pescoço, impeditiva da passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas, promovida diretamente pela mão do agente ou outra parte do corpo. Gabarito: Alternativa A 55. (FUNIVERSA/POLÍCIA CIENTÍFICA-GO MÉDICO LEGISTA – 2015) Ao exame pericial, a presença de um sulco horizontal, de profundidade uniforme, completo na maioria das vezes e localizado externamente na região cervical, associado à presença de sinais externos de asfixia, sugere: a. sufocação indireta. b. estrangulamento. c. esganadura. d. sufocação direta. e. enforcamento. Comentários No estrangulamento, o sulco está localizado geralmente sobre a laringe; único, duplo, triplo ou múltiplo, contínuo e de profundidade uniforme, de margens elevadas e cianosadas e leito deprimido pergaminhado, Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 95 é tipicamente horizontalizado, podendo, porém excepcionalmente, ser ascendente quando o laço foi tracionado pelo agente por detrás e para cima.Gabarito: Alternativa B 56. (FUNCAB/AC PERITO MÉDICO LEGISTA – 2015) O mecanismo de morte mais importante nos casos de esganadura é: a. excitação dos seios carotídeos. b. compressão das artérias carótidas. c. compressão da glote. d. compressão da traqueia. e. excitação do nervo laríngeo superior. Comentários O seio carotídeo consiste em uma estrutura situada na região cervical, que tem como função o controle dos batimentos cardíacos e da pressão arterial. Havendo sua compressão ocorre a diminuição dos batimentos cardíacos e da pressão arterial. Gabarito: Alternativa A 57. (FUNIVERSA/DF PERITO MÉDICO LEGISTA – 2015) A asfixia causada por uma constrição cervical que se valha de um laço com nó atípico e deslizante é chamada de: a. esganadura. b. estrangulamento. c. sufocação direta. d. sufocação indireta. e. enforcamento. Comentários Levando-se em consideração que o enforcamento ocorre por ação do próprio peso da vítima, o laço irá apertar e esteirar o laço (deslizante) cada vez mais. Gabarito: Alternativa E Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 96 58. (FUNIVERSA/DF PERITO MÉDICO LEGISTA – 2015) Quanto às asfixias de causa violenta, assinale a alternativa que apresenta uma síndrome de imersão ou hidrocussão que se relaciona a um tipo de asfixia causado por modificação do meio ambiente. a. afogamento incompleto. b. afogamento branco. c. afogamento úmido. d. afogamento secundário. e. confinamento. Comentários Há quem entenda que a submersão-inibição não pode ser considerada afogamento, já que o indivíduo embora imerso, não ingere grande quantidade de líquido, ou seja, não se afoga, sucumbindo rapidamente, por inibição do sistema nervoso central. Nesses casos não há no cadáver (chamado afogado branco de Parrot) sinais característicos das asfixias. Gabarito: Alternativa B 59. (COPS-UEL/PR DELEGADO DE POLÍCIA – 2013) As asfixias são modalidades de morte derivadas de energias físico-químicas. Entre elas são frequentes as modalidades de constrição do pescoço. Em relação às diferenças entre enforcamento, esganadura e estrangulamento, considere as afirmativas a seguir. I. A esganadura ocorre por laço tracionado ou por parte do corpo que atua de forma similar a um laço (gravata, chave de braço, golpes de jiu jitsu), desde que a força empregada não seja o peso da vítima. II. O estrangulamento ocorre através da interrupção da passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas e é causado diretamente pela mão do agente, não havendo forma homicida ou incidental da mesma. III. É possível do ponto de vista pericial em medicina legal a distinção entre estrangulamento e enforcamento, através da análise das características dos sulcos imprimidos no pescoço da vítima. IV. O enforcamento ocorre por um laço cuja extremidade se acha fixa a um ponto dado, agindo o próprio peso do indivíduo como força viva. Assinale a alternativa correta. a. Somente as afirmativas I e II são corretas. b. Somente as afirmativas I e IV são corretas. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 97 c. Somente as afirmativas III e IV são corretas. d. Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e. Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. Comentários I. ERRADA. A esganadura ocorre por laço tracionado ou por parte do corpo que atua de forma similar a um laço (gravata, chave de braço, golpes de jiu jitsu), desde que a força empregada não seja o peso da vítima. II. ERRADA. O estrangulamento (ESGANADURA) ocorre através da interrupção da passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas e é causado diretamente pela mão do agente, não havendo forma homicida ou incidental da mesma. III. CORRETA. É possível do ponto de vista pericial em medicina legal a distinção entre estrangulamento e enforcamento, através da análise das características dos sulcos imprimidos no pescoço da vítima. IV. CORRETA. O enforcamento ocorre por um laço cuja extremidade se acha fixa a um ponto dado, agindo o próprio peso do indivíduo como força viva. Gabarito: Alternativa C 60. (FUNCAB/RJ DELEGADO DE POLÍCIA – 2012) Nas necropsias, em casos de morte por asfixias em geral, na ausência de lesões externas específicas, o perito deverá basear o seu diagnóstico no achado de um conjunto de sinais internos, que estarão descritos no corpo do laudo cadavérico. A autoridade policial, ao ler o laudo pericial, irá observar a presença constante de: a. edema cerebral, petéquias pulmonares e sangue coagulado. b. fluidez do sangue, congestão e equimoses viscerais. c. desidratação corporal e hemorragia visceral. d. edema pulmonar, distensão intestinal e congestão vascular. e. encontro de espuma e de corpos estranhos nas vias respiratórias. Comentários Novamente, apontamos como sinais internos gerais de asfixias = TRÍADE ASFÍXICA: Caracteres do sangue (sangue fluído, não coagula e é escuro) Leva-se em consideração o aspecto, a cor e a fluidez. Nas mortes por asfixia, em regra, o sangue é fluido e de cor negra; porém nos casos de asfixia por monóxido de carbono, o sangue se apresentará vermelho vivo e nos afogados que ingeriram grande quantidade de líquido, terá cor do sangue rosada. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 98 É possível a presença de alguns coágulos esparsos e pouco consistentes. Equimoses viscerais São as chamadas petéquias, também chamadas manchas de Tardieu. São encontradas em quase todos os tipos de asfixia, aparecem geralmente na região subpleural e supepicárdica (abaixo das membranas que recobrem o pulmão e o coração). Possuem forma arredondada, puntiforme ou em forma de lentilha ou de sufusões sanguíneas. Ocorrem como decorrência da fluidez do sangue nas vítimas de asfixia e especialmente em razão da ruptura dos capilares pelo aumento da pressão arterial advinda da excitação dos centros nervosos bulbares pelo gás carbônico. As manchas de Tardieu são petéquias violáceas, em pequeno número — três ou quatro —, ou aglomeradas em grande quantidade, que recobrem a superfície pleural, interlobares e basilares dos pulmões, do pericrânio e, nos recém-nascidos, do timo. Também, podem ser encontradas nas vísceras ocas e maciças, na mucosa gastroduodenal e nas vias respiratórias e no tecido celular profundo periaórtico e mediastínico. Por isso alguns autores as denominam equimoses viscerais superficiais, equimoses das mucosas e equimoses do tecido celular profundo. Obs.: As manchas de Paltauf são equimoses viscerais nos pulmões dos afogados. Congestão polivisceral Quase todos os órgãos são passíveis de congestão (aumento do volume de sangue) nos diferentes tipos de asfixia. O mesentério, o fígado e os rins, notadamente no afogamento, são os que se mostram com maior aumento de sangue, sendo por isso chamados de “fígado e rins asfíxicos” de Etienne Martin. Já o baço, devido ao fato de contrair-se intensamente durante as fases da asfixia, mostra-se com o sangue esvaído (sinal de Etienne Martin). Gabarito: Alternativa B 61. (UEG/GO DELEGADO DE POLÍCIA – 2012) É impossível que a morte tenha ocorrido em virtude de suicídio ou acidente, na hipótese de a. estrangulamento. b. enforcamento. c. afogamento. d. esganadura. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 99 Comentários A esganadura consiste na asfixia mecânica por constrição anterolateral do pescoço, impeditiva da passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas, promovida diretamente pela mão do agente ou outra parte do corpo. Essa forma de asfixia, exige, parasua execução, superioridade de forças, ou que a vítima não possa, por qualquer motivo, opor resistência, por isso impossível de se imaginar uma esganadura por suicídio ou acidente. Gabarito: Alternativa D 62. (FUMARC/MG DELEGADO DE POLÍCIA – 2011) Constitui um exemplo de asfixia mecânica pura de interesse médico-legal: a. Sufocação direta. b. Estrangulamento típico. c. Enforcamento completo. d. Esganadura antebraquial. Comentários Asfixias puras — são manifestadas pela anoxemia (falta de oxigênio no sangue) e hipercapneia (aumento do gás carbônico no sangue): A) Asfixias em ambiente por gases irrespiráveis: Confinamento; Asfixia por monóxido de carbono; Asfixias por outros vícios de ambiente. B) Obstaculação à penetração do ar nas vias respiratórias: Sufocação direta (obstrução da boca e das narinas pelas mãos ou das vias aéreas mais inferiores); Sufocação indireta (compressão do tórax); Transformação do meio gasoso em meio líquido (afogamento); Transformação do meio gasoso em meio sólido (soterramento). Gabarito: Alternativa A Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 100 63. (FUNIVERSA/SECTEC-GO PERITO CRIMINAL – 2010) Morte violenta produzida por asfixia, em que o laço é acionado pelo próprio peso da vítima; o sulco produzido pelo laço se apresenta oblíquo, de baixo para cima, interrompido ao nível do nó e com bordos desiguais, sendo o bordo superior saliente; a suspensão pode ser completa ou incompleta, e apresenta a vítima cianose facial, com protusão de língua, trata-se de: a. estrangulamento. b. esganadura. c. sufocação. d. fulminação. e. enforcamento. Comentários O enforcamento é a modalidade de asfixia mecânica determinada pela constrição do pescoço por um laço cuja extremidade se acha fixa a um ponto dado, agindo o próprio peso do indivíduo como força ativa. No enforcamento, o sulco é na parte mais alta do pescoço, entre o hioide e a laringe. Geralmente é único, mas pode ser duplo, triplo ou múltiplo, de acordo com o número de voltas em torno do pescoço. A direção é oblíqua ascendente bilateral anteroposterior e, o sulco normalmente é descontínuo, interrompendo-se nos pontos correspondentes à interposição de corpos moles e especialmente nas proximidades do nó. Será contínuo, quando produzido por laço muito apertado. Pode não haver sulco se forem empregados laços moles, ou quando é interposto um corpo mole entre o laço e o pescoço; ou ainda se a constrição não foi muito demorada. Gabarito: Alternativa E 64. (MPE/PB PROMOTOR DE JUSTIÇA – 2010) Considere as proposições abaixo e, em seguida, indique a alternativa que contenha o julgamento devido sobre elas: I - A esganadura é classificada como forma de asfixia mecânica-mista uma vez que se confundem e se superpõem, em graus variados, os fenômenos circulatórios, respiratórios e nervosos. II - A falta de uniformidade nas lesões produzidas no sulco do pescoço da vítima é uma das características do estrangulamento. III - Nos denominados afogados brancos de Parrot não se encontra fenomenologia imanente às asfixias. a. Apenas a proposição I está incorreta. b. Apenas a proposição III está incorreta. c. Apenas a proposição II está incorreta. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 101 d. Todas as proposições estão incorretas. e. Todas as proposições estão corretas. Comentários I – CORRETA. A esganadura é classificada como forma de asfixia mecânica-mista uma vez que se confundem e se superpõem, em graus variados, os fenômenos circulatórios, respiratórios e nervosos. II – INCORRETA. A falta de uniformidade nas lesões produzidas no sulco do pescoço da vítima é uma das características do estrangulamento. (No estrangulamento as lesões produzidas no sulco são uniformes, completas e na direção horizontal) III – CORRETA. Nos denominados afogados brancos de Parrot não se encontra fenomenologia imanente às asfixias. Gabarito: Alternativa C 65. (MPE/PB PROMOTOR DE JUSTIÇA – 2010) O exame no sulco do pescoço da vítima é de capital valor no diagnóstico do enforcamento, apresentando as características abaixo, exceto: a. Livores cadavéricos, em placas, por cima e por baixo das suas bordas. b. Infiltrações hemorrágicas punctiformes no fundo do sulco. c. Pele enrugada e escoriada no fundo do sulco. d. Ser necessariamente apergaminhado. e. Vesículas sanguinolentas no fundo do sulco. Comentários O sulco produzido no enforcamento será “quase sempre” apergaminhado e não necessariamente como aponta a alternativa. Gabarito: Alternativa D 66. (CESPE/PB DELEGADO DE POLÍCIA – 2009) Um médico legista, ao chegar à sala de necropsia, deparou- se com três cadáveres cuja causa da morte foi asfixia. O primeiro apresentava elementos sinaléticos que constavam de sulco único, com profundidade variável e direção oblíqua ao eixo do pescoço; no segundo, os sulcos eram duplos, de profundidade constante e transversais ao eixo do pescoço; no terceiro, em vez de sulcos, havia equimoses e escoriações nos dois lados do pescoço. Na situação acima descrita, os tipos de morte mais prováveis são, respectivamente, Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 102 a. enforcamento, estrangulamento e esganadura. b. esganadura, enforcamento e estrangulamento. c. estrangulamento, esganadura e enforcamento. d. esganadura, estrangulamento e enforcamento. e. enforcamento, esganadura e estrangulamento. Comentários Primeiro: apresentava elementos sinaléticos que constavam de sulco único, com profundidade variável e direção oblíqua ao eixo do pescoço. ENFORCAMENTO Segundo: os sulcos eram duplos, de profundidade constante e transversais ao eixo do pescoço. ESTRANGULAMENTO Terceiro: em vez de sulcos, havia equimoses e escoriações nos dois lados do pescoço. ESGANADURA Gabarito: Alternativa A 67. (CESPE/ES MÉDICO LEGISTA – 2011) O cadáver de uma pessoa do sexo feminino submetida à necropsia no IML apresentou erupção de segundos molares, e ausência de erupção dos terceiros molares. A rigidez cadavérica apresentava-se desfeita e havia mancha verde abdominal e circulação póstuma. Os livores concentravam-se no ventre. No pescoço, havia sulco horizontal completo abaixo da cartilagem tireoide. Apresentava equimoses subconjuntivais e retrofaringianas, com pulmões congestos, escuros e com manchas de Tardieu, principalmente em pleuras visceral e interlobares. O exame cardíaco referiu ventrículo esquerdo esvaziado e direito repleto. Exame da genitália mostrou integridade himenal e positividade para PSA em líquido sanguinolento colhido da cavidade retal; e havia laceração de mucosa anal. Com base no caso hipotético acima, julgue os itens subsequentes, relacionados a exame em cadáveres. Em face do caso acima, é correto afirmar que existe evidência de enforcamento. a. Certo b. Errado Comentários No pescoço, havia sulco horizontal completo abaixo da cartilagem tireoide essas são características típicas do sulco produzido no estrangulamento. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 103 Gabarito: ERRADO 68. (FUNCAB/RO MÉDICO LEGISTA – 2012) Em relação à morte por afogamento, assinale a alternativa correta. a. O exame histológico do pulmão do afogado revela sinais de infarto do tecido pulmonar por tromboembolismo. b. O estudo geológico e do plâncton permite determinar a cronologia do afogamento. c. São sinais cadavéricos encontrados: temperatura da pele baixa, pele anserina, maceração da epiderme, cogumelo de espuma. d. Equimosessubpleurais conhecidas como manchas de Tardieu são comumente encontradas no afogamento. e. A tonalidade e a densidade do sangue são similares às encontradas nos outros tipos de asfixia, com sangue escurecido e denso. Comentários Sinais externos atípicos do afogamento a. Pele anserina ou “pele de galinha b. Retração dos mamilos c. Retração dos testículos e do pênis d. Temperatura baixa da pele e. Maceração epidérmica f. Rigidez cadavérica precoce g. Cor da face h. Queda fácil dos pelos i. Destruição por animais da fauna aquática j. Projeção da língua além das arcadas dentárias k. Presença de erosões das polpas digitais e entre os dedos l. Lesões de arrasto (Simonin) E como sinal típico temos o COGUMELO DE ESPUMA. Gabarito: Alternativa C 69. (CESPE/SEGESP-AL PERITO MÉDICO LEGAL – 2013) A respeito de morte por afogamento e por asfixia, julgue os itens subsecutivos. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 104 Os sinais de Ponsold, Azevedo Neves e Thoinot são comumente encontrados em vítimas de afogamento. a. Certo b. Errado Comentários No sulco de enforcamento podem ser notados os seguintes sinais: a) Sinal de Ponsold: localizado nas bordas dos sulcos, são livores cadavéricos que se apresentam em placas, interna e externamente. b) Sinal de Azevedo Neves: localizados por baixo e por cima das margens do sulco, são livores puntiformes. c) Sinal de Thoinot: localiza-se nas margens do sulco formando uma zona violácea. d) Sinal de Neyding: encontrado no leito do sulco, são infiltrações hemorrágicas puntiformes. e) Sinal de Ambroise Paré: é a pele enrugada e escoriada no leito do sulco. f) Sinal de Lesser: são vesículas sanguinolentas encontradas no fundo do sulco. g) Sinal de Bonnet: marcas da textura do laço. Gabarito: ERRADO 70. (CESPE/SEGESP-AL PERITO MÉDICO LEGAL – 2013) A respeito de morte por afogamento e por asfixia, julgue os itens subsecutivos. O quadro de asfixia mecânica pela ação de meio físico-químico pode ser provocado por acidentes com soterramento. a. Certo b. Errado Comentários Classificação de Thoinot: Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 105 1. Asfixias mecânicas por constrição do pescoço: enforcamento; estrangulamento por mão; estrangulamento por laço. 2. Asfixias mecânicas por oclusão dos orifícios respiratórios externos. 3. Asfixias mecânicas por respiração num meio líquido (submersão), ou num meio pulverulento (soterramento) MEIO FÍSICO-QUÍMICO 4. Asfixias mecânicas resultantes da oclusão das vias respiratórias por corpos estranhos. Gabarito: CERTO 71. (CESPE/SEGESP-AL PERITO MÉDICO LEGAL – 2013) A respeito de morte por afogamento e por asfixia, julgue os itens subsecutivos. Considere que, a uma temperatura ambiente de 38 ºC, um jovem tenha mergulhado, de forma súbita, em uma piscina de água fria que havia sido coberta durante a noite e que, apesar de saber nadar, tenha- se afogado. Considere, ainda, que, durante a necropsia, tenha sido verificada a presença de líquido nas vias respiratórias da vítima. Nessa situação, configura-se o quadro do afogado branco de Parrot. a. Certo b. Errado Comentários A asfixia por introdução do indivíduo em meio líquido possui duas formas: submersão-inibição e submersão-asfixia. A submersão-inibição geralmente não considerada afogamento, pois o indivíduo predisposto constitucionalmente ou portador de moléstias cardiovasculares, embora imerso, não ingere grande quantidade de líquido, ou seja, não se afoga, sucumbindo rapidamente, o que não é raro, por inibição do sistema nervoso central, tanto assim que no cadáver (chamado afogado branco de Parrot) não se encontra fenomenologia imanente às asfixias. Na submersão-asfixia ou afogamento verdadeiro, a morte pode ocorrer de forma lenta quando o indivíduo aflora à tona sucessivas vezes sorvendo o ar em grandes haustos, engole água, engasga e tosse, e, após opor grande resistência, perde a consciência, e, segundo Taylor, sucumbe em aproximadamente cinco minutos; ou de forma rápida se, após cair na água, por qualquer motivo, não consegue mais vir à superfície. Gabarito: ERRADO 72. (VUNESP/SP MÉDICO LEGISTA 2014) Assinale a alternativa que contém sinais mais comumente encontrados nas vítimas de afogamento. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 106 a. Manchas de Tardieu, cogumelo de espuma e máscara equimótica. b. Manchas de Paltauf, maceração da pele e cogumelo de espuma. c. Máscara equimótica, manchas de Paltauf, pele anserina. d. Hipóstases claras, manchas de Tardieu e cianose ungueal. e. Lesões por animais aquáticos, cianose ungueal e hipóstases escuras. Comentários Sinal interno de asfixia por afogamento: manchas de Paltauf são equimoses subpleurais maiores que as de Tardieu (2cm ou mais), de forma irregular e de coloração vermelho-clara, cujo surgimento se deve à ruptura das paredes dos alvéolos e dos capilares sanguíneos. Sinais externos de asfixia por afogamento: maceração da pele e cogumelo de espuma. Gabarito: Alternativa B 73. (FUMARC/MG PERITO CRIMINAL – 2013) Considerando as asfixias em espécie, a presença de um sulco “horizontal, uniforme em toda a periferia da região cervical, contínuo, duplo, inferior à cartilagem tireoide do esqueleto da laringe e de igual profundidade em toda a sua extensão” é compatível com: a. Esganadura. b. Esgorjamento. c. Enforcamento. d. Estrangulamento. Comentários No estrangulamento, o sulco está localizado geralmente sobre a laringe; único, duplo, triplo ou múltiplo, contínuo e de profundidade uniforme, de margens elevadas e cianosadas e leito deprimido pergaminhado, é tipicamente horizontalizado, podendo, porém excepcionalmente, ser ascendente quando o laço foi tracionado pelo agente por detrás e para cima. Gabarito: Alternativa D 74. (IBFC/MPE-SP ANALISTA DE PROMOTORIA – 2013) As principais características do sulco de enforcamento típico são, em geral: a. oblíquo, múltiplo, interrompido em região posterior do pescoço, com profundidade desigual. b. oblíquo, múltiplo, interrompido em região anterior do pescoço, com profundidade desigual. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 107 c. oblíquo, único, interrompido em região anterior do pescoço, com profundidade uniforme. d. oblíquo, único, interrompido em região posterior do pescoço, com profundidade desigual. e. oblíquo, único, interrompido em região posterior do pescoço, com profundidade uniforme Comentários No enforcamento, o sulco é na parte mais alta do pescoço, entre o hioide e a laringe. Geralmente é único, mas pode ser duplo, triplo ou múltiplo, de acordo com o número de voltas em torno do pescoço. A direção é oblíqua ascendente bilateral anteroposterior e, o sulco normalmente é descontínuo, interrompendo-se nos pontos correspondentes à interposição de corpos moles e especialmente nas proximidades do nó. Será contínuo, quando produzido por laço muito apertado. Pode não haver sulco se forem empregados laços moles, ou quando é interposto um corpo mole entre o laço e o pescoço; ou ainda se a constrição não foi muito demorada. Gabarito: Alternativa D LISTA DE QUESTÕES 1. ( VUNESP – MÉDICO LEGISTA – PC/SP – 2014) São características do sulco cervical nas asfixias por enforcamento e estrangulamento, respectivamente: a. Geralmente único / frequentemente múltiplo. b. Raramente apergaminhado / frequentemente apergaminhado. c. Horizontal / oblíquo. d. Contínuo / descontínuo. e. Abaixo da cartilagem tireoide/ acima da cartilagem tireoide. 2. (VUNESP – MÉDICO LEGISTA – PC/SP – 2014) Além do osso hioide, outras estruturas comumente passíveis de lesão nas asfixias por constrição do pescoço são: a. Cartilagem cricoide, artérias carótidas, veias jugulares, artérias vertebrais e mandíbula. b. Cartilagem tireoide, cartilagem cricoide, vértebras cervicais e traqueia. c. Cartilagem tireoide, artérias carótidas, veias jugulares, artérias vertebrais e vértebras cervicais. d. Artérias carótidas, veias jugulares, cartilagem tireoide e mastoide. e. Arartérias carótidas, veias jugulares, mandíbula e fúrcula esternal. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 108 3. (FUNCAB – DELEGADO DE POLÍCIA – PC/RO – 2014) Um indivíduo civil pulou o muro de um quartel do Exército por volta das 2h00min razão por que foi detido para averiguações. Durante a troca matutina da guarda, às 7h00min do mesmo dia, ele foi encontrado morto, no interior da cela, parcialmente suspenso pelo pescoço, na grade da porta, por uma tira de lona retirada do colchão, amarrada com nó fixo em volta única. Instaurou-se, então, um inquérito Policial Militar para apurar a causa e as circunstâncias dessa morte. A necropsia constatou livores de hipóstase da cintura para baixo, sulco único cervical, de disposição oblíqua e ascendente, com fundo pergaminhado, de profundidade desigual e interrupção ao nível da nuca, associado à ausência de lesões internas no pescoço e sinais gerais de asfixia. Com base na prova técnica elaborada pelo perito legista, assinale a opção que apresenta a melhor hipótese para o caso acima descrito. a. Estrangulamento típico. b. Enforcamento completo atípico. c. Enforcamento incompleto típico. d. Sufocação por esganadura. e. Estrangulamento atípico. 4. (FUNCAB – PERITO MÉDICO LEGAL – POLITEC/MT – 2013) Assinale a opção que apresenta uma característica típica do sulco no pescoço em casos de estrangulamento. a. Interrompido ao nível do nó. b. Fundo pergaminhado. c. Geralmente único. d. Profundidade uniforme. e. Disposição oblíqua e ascendente. 5. (VUNESP – DELEGADO DE POLÍCIA – PC/CE – 2015) Adolescente de 15 anos é avaliado em uma perícia. Ele apresentava: (a) dificuldade na fala, rouquidão e relatava dor na região cervical e na face; (b) edema e equimose de coloração vermelho-violácea na região periorbitária direita e esquerda; (c) hemorragia conjuntival e petéquias na pálpebra inferior de ambos os olhos; (d) escoriação linear, horizontal, uniforme, de coloração avermelhada, medindo 0,4 cm de largura, localizada abaixo da tireoide, estendendo-se pela circunferência do pescoço e interrompendo-se em sua região lateral esquerda. a. A perícia descrita mais provavelmente sugere b. Estrangulamento por tentativa de homicídio. c. Edema e equimose observados na região periorbitária, como consequências da asfixia. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 109 d. Enforcamento por tentativa de suicídio. e. Que o evento ou dano ocorreu muito recentemente, provavelmente, em menos de 2 horas. f. Graves consequências clínicas secundárias à asfixia por inalante, por exemplo, monóxido de carbono ou cianeto. 6. (UEG – DELEGADO DE POLÍCIA – PC/GO – 2013) Com relação às asfixias, tem-se o seguinte: a. Esganadura tem origem homicida, sendo rara sua forma acidental. b. O sulco comumente encontrado nos enforcados e estrangulados é produzido por um instrumento corto- contundente. c. Soterramento é um tipo de asfixia em que ocorre a substituição do meio aéreo por terra. d. Estrangulamento braquial é forma comum de asfixia em suicídios e requer desproporção de forças. 7. (FDRH – AUXILIAR DE PERÍCIA – IGP/RS – 2008) Analise o seguinte caso: Cadáver encontrado no interior de uma cela de um presídio, suspenso em uma corda, apresentando no pescoço um sulco de profundidade desigual, interrompido na região occipital, oblíquo e ascendente. A inspeção interna demonstra lesões internas em artérias carótidas, com infiltrado sangüíneo em planos musculares do pescoço, sem outros sinais significativos no exame das cavidades, afora os achados de asfixia mecânica a. A causa provável da morte foi estrangulamento. b. Esganadura. c. Sufocação. d. Enforcamento. e. Asfixia por monóxido de carbono. 8. (FUNCAB – DELEGADO DE POLÍCIA – PC/RO – 2009) Assinale a afirmativa INCORRETA com respeito às asfixias. a. Por constrição do pescoço pelas mãos: estrangulamento. b. Em ambientes por gases irrespiráveis: confinamento, asfixia por monóxido de carbono e asfixia por outros vícios de ambiente. c. Por constrição passiva do pescoço, exercida pelo peso do corpo: enforcamento. d. Por obstrução dos orifícios ou condutos respiratórios: sufocações diretas ou indiretas. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 110 e. Por transformação do meio gasoso em meio líquido: afogamento. 9. (FGV – DELEGADO DE POLÍCIA – PC/MA – 2012) Na sufocação indireta por compressão torácica, a vítima asfixia-se pela restrição aos movimentos de inspiração e expiração. O achado de necropsia típico desta modalidade de asfixia caracteriza-se por a. Rotura das camadas interna e externa das artérias carótidas. b. Fratura do osso hioide. c. Petéquias subpleurais e subepicárdicas. d. Máscara equimótica ou equimose cérvico-facial. e. Cogumelo de espuma eliminado pelos orifícios da face. 10. CESPE – PERITO MÉDICO LEGAL – SEGESP/AL – 2013) A respeito de morte por afogamento e por asfixia, julgue os itens subsecutivos. Considerando-se que, durante uma perícia médico-legal, tenha sido verificado, no corpo de uma mulher morta, sulco único com profundidade variável e direção oblíqua ao eixo do pescoço, é correto afirmar que a vítima sofreu asfixia por estrangulamento. a. Certo b. errado 11. (INSTITUTO ACESSO/ES MÉDICO LEGISTA – 2019) Considerando a fisiopatologia das asfixias, é possível determinar um cronograma estabelecendo suas diversas fases com o aparecimento das manifestações clínicas. Referente ao exposto, assinale a alternativa correta. a. A 1ª fase é conhecida como fase de excitação cortical e medular. b. Na 2ª fase, aparecem enjôos, lipotimias e vertigens. c. A 3ª fase se caracteriza pela lentidão e superficialidade dos movimentos respiratórios. d. A 4ª fase é conhecida como fase respiratória. e. Na 3ª fase, os batimentos do coração são lentos e arrítmicos. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 111 12. (INSTITUTO AOCP/ES MÉDICO LEGISTA – 2019) Em relação às asfixias, é correto afirmar que a. são causadas por energias de ordem mecânica. b. o enforcamento é causado por força constritiva ativa. c. o estrangulamento é causado por força constritiva passiva. d. a esganadura é causada por sufocação. e. a sufocação indireta é causada pela compressão do tórax. 13. (MPE/PR PROMOTOR SUBSTITUTO – 2019) Relativamente à morte causada por asfixia, suas modalidades e sinais cadavéricos, analise as assertivas abaixo e assinale a correta: a. São sinais internos observados em todas as necropsias: sangue fluído de cor escura, congestão polivisceral, equimoses viscerais com forma de petéquias, mais frequentes nas regiões subpleural, subcárdica e subepicárdia. b. Estrangulamento é a contrição cervical realizada diretamente por qualquer parte do corpo do agressor, como mãos, pernas, braços. c. Esganadura caracteriza-se pela constrição do pescoço por laço acionado por força mecânica ativa, como o garrote. d. A presença de sulco horizontalizado, contínuo, comprofundidade uniforme pode indicar enforcamento. e. A presença de sulco único, oblíquo e ascendente, com profundidade desigual pode indicar enforcamento. 14. (FUMARC/MG ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL – 2018) Em relação à máscara equimótica de Morestin, NÃO é correto afirmar que: a. aparece frequente na compressão torácica. b. é conhecida por cianose cervicofacial de Le Dentut. c. ocorre na asfixia por monóxido de carbono, a qual é tipicamente azulada. d. pode ser encontrada na asfixia mecânica. 15. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL- PERITO CRIMINAL FEDERAL – 2018) No que se refere à medicina legal, julgue o item que segue. Caso uma pessoa seja encontrada morta, pendurada por uma corda envolta em seu pescoço, mas com os joelhos semifletidos e os pés tocando o chão, deve-se excluir a hipótese de suicídio por enforcamento. a. Certo b. Errado Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 112 16. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL- PERITO CRIMINAL FEDERAL – 2018) No que se refere à medicina legal, julgue o item que segue. O sinal de Amussat, que corresponde a lesão na túnica íntima da artéria carótida, é mais comum no enforcamento do que na esganadura. a. Certo b. Errado 17. (FCC/MPE-PB PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO – 2018) A asfixia mecânica que se caracteriza pela interrupção do ar atmosférico até as vias respiratórias, em decorrência da constrição do pescoço por um laço fixo, agindo o peso do próprio corpo da vítima como força ativa, deve ser classificada como a. esganadura. b. estrangulamento. c. enforcamento. d. confinamento. e. soterramento. 18. (UEG/GO DELEGADO DE POLÍCIA – 2018) As asfixias mecânicas se enquadram na categoria dos traumas de natureza fisicoquímica. Nos casos das constrições cervicais – enforcamento, estrangulamento e esganadura – as asfixias demonstram sinais característicos que as diferenciam entre si. Nesse sentido, verifica-se o seguinte: a. num enforcamento, diferentemente de um estrangulamento, é possível reconhecer o material empregado no laço, a partir da marca deixada na pele. b. a esganadura só ocorre na forma dolosa, uma vez que as formas acidental e culposa são afastadas pelo mecanismo de ação empregado. c. nos estrangulamentos, os sinais são constituídos de equimose facial associada a marcas ungueais, os quais permitem a identificação do agressor. d. uma suspensão incompleta, num caso de enforcamento, aponta, direta e inquestionavelmente, para um homicídio por execução da vítima. e. dentre as asfixias por constrição cervical, a mais rápida delas em termos de ocorrência da morte é representada pelo estrangulamento. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 113 19. (FUNDATEC/RS DELEGADO DE POLÍCIA – 2018) Em relação às asfixias por constrição cervical, analise as afirmações abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas. ( ) O enforcamento, de acordo com sua definição médico-legal, quando diagnosticado indica a ocorrência de suicídio. ( ) O enforcamento, de acordo com sua definição médico-legal, necessita que o peso do corpo da vítima acione o laço. Desta forma, os casos descritos como enforcamento, mas nos quais a vítima não estava completamente suspensa (pés não tocando o solo) devem ser classificados como “montagem” (tentativa de ocultação de homicídio). ( ) O enforcamento, de acordo com sua definição médico-legal, não necessita do peso do corpo da vítima para ocorrer. ( ) A esganadura pode ser consequência de suicídio ou de homicídio. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: a. V – V – F – F. b. V – F – V – V. c. F – V – F – F. d. F – F – V – V. e. F – F – F – F. 20. (INSTITUTO AOCP/ITEP-RN AGENTE DE NECRÓPSIA – 2018) Com base na seguinte situação hipotética, responda a questão. Durante um levantamento de local de homicídio, o cadáver de uma mulher foi encontrado em uma varanda ao lado de uma mesa. A morte, aparentemente, ocorreu por asfixia por constrição do pescoço na modalidade esganadura. Sobre a mesa havia uma garrafa de vinho parcialmente consumida e duas taças, uma das quais estava com manchas de batom. Considerando a modalidade de asfixia apresentada, o responsável pelo levantamento do local deve buscar: a. a corda ou o objeto que pudesse ter sido utilizado como laço na constrição do pescoço da vítima. b. a região em que a corda ou instrumento constritor foi amarrada para que o peso da própria vítima tracionasse o laço. c. marcas ungueais ao redor do pescoço da vítima, corroborando a hipótese de esganadura. d. sulco oblíquo, ascendente e interrompido ao nível do nó, ao redor do pescoço da vítima. e. vultosas manchas de sangue no local, uma vez que esganaduras tendem a se caracterizar pela intensa hemorragia pelas vias aéreas superiores. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 114 21. (INSTITUTO AOCP/ITEP-RN PERITO CRIMINAL – 2018) Sulco cervical oblíquo, de profundidade desigual e com área de interrupção, com fundo escoriado, comumente está presente em morte por: a. estrangulamento. b. enforcamento. c. sufocação direta. d. sufocação indireta. e. esganadura. 22. (NUCEPE/PI PERITO MÉDICO LEGAL – 2012) No exame do corpo de uma criança foram encontradas as seguintes lesões: escoriações crostosas, equimoses esverdeadas, luxação do ombro direito, fratura de elementos dentários e marcas ungueais em torno da boca e do nariz. Neste caso, o tipo de instrumento utilizado na agressão do menor e a causa da sua morte foram, respectivamente: a. perfurante e estrangulamento. b. contundente e sufocação direta. c. cortante e enforcamento. d. contundente e sufocação indireta. e. cortocontundente e esganadura. 23. (CESPE/MA ODONTOLEGISTA – 2018) Em relação às asfixias por obstrução das vias aéreas por constrição cervical, julgue os itens seguintes. I Em casos de enforcamento, a cabeça fica voltada para o lado do nó, e formam-se manchas hipostáticas na parte superior do corpo. II Nas situações de estrangulamento, o sulco no pescoço é horizontal e fica situado abaixo da cartilagem tireoide, podendo haver vários sulcos. III Em casos de esganadura, ficam marcas ungueais do agressor. Assinale a opção correta. a. Apenas o item I está certo. b. Apenas o item III está certo. c. Apenas os itens I e II estão certos. d. Apenas os itens II e III estão certos. e. Todos os itens estão certos. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 115 24. (CESPE/MA MÉDICO LEGISTA – 2018) Existem casos em que a morte ocorre pela constrição do pescoço por um laço que exerce força ativa, ao passo que o corpo da vítima atua de forma passiva. Nesses casos, também é possível que haja obstrução da passagem do ar para os pulmões, compressão dos nervos cervicais e interrupção sanguínea para o encéfalo. Essas informações estão relacionadas à asfixia por: a. estrangulamento b. enforcamento com suspensão típica ou completa. c. enforcamento com suspensão atípica ou incompleta. d. sufocação indireta. e. esganadura. 25. (IESES/IGP-SC PERITO MÉDICO LEGISTA – 2017) Um trabalhador de 39 anos cai acidentalmente dentro de um silo de açúcar sendo encoberto por grande quantidade do produto. É encontrado morto duas horas depois, apresentando externamente sinais gerais de asfixia. No exame interno, são reiterados os sinais gerais de asfixia, além da presença de grande quantidade de açúcar em vias aéreas superiores, traqueia, brônquios e esôfago. Qual o tipo específico de asfixia mecânica ocorreu nesse caso? a. Sufocaçãodireta. b. Confinamento. c. Sufocação indireta. d. Soterramento. 26. (IESES/IGP-SC PERITO CRIMINAL GERAL – 2017) Assinale a alternativa em que todas as características estão presentes nos sulcos dos enforcados, segundo a classificação de Bonnet: a. Sulco oblíquo ascendente, interrompido ao nível do nó, por baixo da cartilagem tireoide e profundidade desigual. b. Sulco horizontal, contínuo, profundidade uniforme e por baixo da cartilagem tireoide. c. Sulco oblíquo ascendente, interrompido ao nível do nó, por cima da cartilagem tireoide e com profundidade desigual. d. Sulco horizontal, interrompido ao nível do nó, por baixo da cartilagem tireoide e profundidade desigual. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 116 27. (FCC/POLITEC-AP PERITO MÉDICO LEGISTA – 2017) Durante reforma de um estabelecimento de dois andares, uma das vigas de sustentação do segundo andar se quebrou e caiu sobre um dos funcionários. Ao realizar o exame necroscópico, o Perito Médico Legista constata que o cadáver apresenta sujidade esbranquiçada em pele do tórax, congestão intensa da face, petéquias em conjuntiva ocular, escoriação em região temporal direita, fratura de seis arcos costais à esquerda e cinco arcos costais à direita, sangue escuro e fluido, manchas de Tardieu nos pulmões e no coração, tendo sido medidos 70 mL de sangue em cavidade torácica esquerda e 20 mL em cavidade torácica direita. O peso do cadáver era 80 kg. A causa final de morte da vítima foi: a. hemorragia aguda interna traumática. b. sufocação indireta. c. sufocação direta. d. confinamento. e. soterramento. 28. (FUNDATEC/IGP-RS PERITO MÉDICO LEGISTA – 2017) A respeito de asfixias por constrição cervical, assinale a alternativa correta. a. O sulco pode estar ausente em certas modalidades de estrangulamento. b. A causa jurídica do enforcamento é homicida na maioria das vezes. c. Fratura do osso hioide deve estar presente para caracterização do enforcamento. d. A esganadura é a forma de constrição cervical que menos apresenta fraturas da laringe e do osso hioide. e. O sulco oblíquo descendente em região cervical é incompatível com enforcamento. 29. (FUNDATEC/IGP-RS PERITO MÉDICO LEGISTA – 2017) Em locais de suicídio por enforcamento, é comum que, em tentativas de socorro, familiares e/ou equipes de assistência médica removam a vítima do objeto usado como elemento constritor. Notando que houve alteração anterior a sua chegada, o Perito Criminal deve: a. Realizar o exame do local, registrar no Laudo a alteração notada e fazer considerações pertinentes quanto às consequências dela na dinâmica dos fatos. b. Informar à polícia que o exame pericial não será realizado uma vez que o local foi alterado. c. Realizar apenas o registro fotográfico do local e encaminhar as fotos via ofício à polícia sem constatações técnicas. d. Determinar apenas a remoção imediata do cadáver. e. Coletar o provável instrumento utilizado pela vítima e encaminhar via ofício à polícia, apenas. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 117 30. (FUNDATEC/IGP-RS TÉCNICO EM PERÍCIAS – 2017) São exemplos de morte por asfixia: a. Soterramento e hanseníase. b. Afogamento e enforcamento. c. Eletroplessão e esganadura. d. Choque hipovolêmico e sufocamento. e. Estrangulamento e litíase de vias biliares. 31. (FUNDATEC/IGP-RS TÉCNICO EM PERÍCIAS – 2017) Em enforcamentos, a suspensão do cadáver pode ser completa ou incompleta. Suspensão incompleta ocorre quando: a. O laço é acionado pelo próprio peso da vítima. b. O sulco produzido pelo laço no pescoço da vítima é interrompido ao nível do nó. c. O sulco produzido pelo laço no pescoço da vítima é oblíquo. d. O nó do laço fica na porção anterior do pescoço da vítima. e. Parte do corpo da vítima toca o solo ou encosta em algum ponto de apoio. 32. (FUNDATEC/IGP-RS TÉCNICO EM PERÍCIAS – 2017) Existem diversas modalidades de mortes por asfixia. Associe os vestígios extrínsecos descritos em cadáveres com a modalidade correta de morte por asfixia. Coluna 1 1. Face cianótica, pele macerada, mãos e pés atados. 2. Equimose e escoriações ao redor do pescoço produzidas por dedos e unhas. 3. Sulco horizontal ao redor do pescoço sem interrupção ao nível do nó. 4. Sulco oblíquo ao redor do pescoço com interrupção ao nível do nó. Coluna 2 ( ) Enforcamento. ( ) Esganadura. ( ) Estrangulamento. ( ) Afogamento. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 118 a. 4 – 2 – 3 – 1. b. 3 – 1 – 2 – 4. c. 4 – 3 – 2 – 1. d. 3 – 2 – 4 – 1. e. 1 – 3 – 4 – 2. 33. (IBADE/AC DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – 2017) Diante de notícia sobre a ocorrência de crime de homicídio, policiais civis foram ao local para investigar o fato. Ao chegarem, foi possível observar que a vítima estava com o corpo totalmente em contato com o solo, em decúbito ventral, com as mãos amarradas para trás. Na região do pescoço, foi possível observar que havia um fio que circulava a região por três vezes. A perícia no material revelou que nas duas pontas do fio havia um pedaço de madeira amarrado, o que possibilitava o tracionamento para lados opostos. O sulco provocado pelo fio era contínuo, com profundidade uniforme e em sentido horizontal, tendo lesionado a região inferior ao osso hioide. Diante das informações apresentadas acima, pode-se afirmar que houve: a. soterramento. b. enforcamento. c. esganadura. d. estrangulamento. e. Afogamento 34. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL- PERITO CRIMINAL FEDERAL – 2013) O conceito de asfixia é bastante amplo e controverso, porém, de forma genérica, pode-se conceituar asfixia como um estado de hipoxia e hipercapnia no sangue arterial. A respeito desse assunto, julgue o item subsecutivo. A participação do mecanismo nervoso de morte é mais importante no enforcamento que na esganadura. a. Certo b. Errado 35. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL- PERITO CRIMINAL FEDERAL – 2013) O conceito de asfixia é bastante amplo e controverso, porém, de forma genérica, pode-se conceituar asfixia como um estado de hipoxia e hipercapnia no sangue arterial. A respeito desse assunto, julgue o item subsecutivo. Cianose, petéquias, congestão polivisceral, fluidez do sangue e espuma no sistema respiratório são sinais de alta sensibilidade e alta especificidade para asfixias criminosas. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 119 a. Certo b. Errado 36. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL- PERITO CRIMINAL FEDERAL – 2013) O conceito de asfixia é bastante amplo e controverso, porém, de forma genérica, pode-se conceituar asfixia como um estado de hipoxia e hipercapnia no sangue arterial. A respeito desse assunto, julgue o item subsecutivo. O soterramento pode ser definido de modo estrito ou genérico. De modo genérico, soterramento corresponde à ocorrência de asfixia por mecanismos como compressão torácica, sufocação direta, confinamento em locais de escombros, sem renovação aérea, onde pode haver lesões por material desmoronado. A asfixia por penetração de substância pulverulenta como terra e areia nas vias respiratórias corresponde a um mecanismo de soterramento estrito. a. Certo b. Errado 37. (IBFC/POLÍCIA CIENTÍFICA-PR MÉDICO LEGISTA – 2017) Uma das modalidades de asfixia mecânica é o estrangulamento. Marque a alternativa em que todas as características do sulco se referem ao estrangulamento: a. Oblíquo ascendente; por cima da cartilagem tireóidea; interrompido ao nível do nó, deprofundidade desigual b. Horizontal; variável segundo a zona do pescoço; por cima da cartilagem tireóidea, de profundidade uniforme. c. Horizontal; uniforme em toda a periferia do pescoço; contínuo, de profundidade uniforme d. Horizontal; variável segundo a zona do pescoço; por cima da cartilagem tireóidea, de profundidade uniforme e. Oblíquo ascendente; por baixo da cartilagem tireóidea; contínuo, de profundidade desigual 38. (IBFC/POLÍCIA CIENTÍFICA-PR MÉDICO LEGISTA – 2017) Na medicina legal, segundo a classificação de asfixias de Afrânio Peixoto, temos os grupos das asfixias puras, asfixias complexas e asfixias mistas. A respeito do assunto, analise as afirmativas abaixo. I. No enforcamento, sempre há a suspensão completa do indivíduo, sendo que o corpo fica totalmente sem tocar em qualquer ponto de apoio. II. O período inicial da evolução do enforcamento caracteriza-se por convulsões e excitação do corpo proveniente dos fenômenos respiratórios. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 120 III. O sulco do enforcamento é proporcional à consistência do laço, mas, mesmo sendo um laço mole, o sulco permanece, não desaparecendo posteriormente. Está/estão incorreta(s) a(s) afirmativa(s). a. I, apenas b. I e II, apenas c. I e III, apenas d. II e III, apenas e. I, II e III 39. (IBFC/POLÍCIA CIENTÍFICA-PR ONTOLEGISTA – 2017) Assinale a alternativa que corresponde à definição abaixo. Constrição do pescoço pelas mãos obstruindo a passagem de ar atmosférico pelas vias respiratórias até os pulmões. a. Esganadura b. Estrangulamento indireto c. Asfxia pura d. Sufocação indireta e. Estrangulamento direto 40. (IBFC/POLÍCIA CIENTÍFICA-PR ODONTOLEGISTA – 2017) Considerando a modalidade de asfixia mecânica de enforcamento, assinale a alternativa que apresenta a característica correta referente ao sulco produzido no pescoço da vítima. a. Uniforme em toda a periferia do pescoço b. Horizontal c. De profundidade uniforme d. Por baixo da cartilagem tireóidea e. Oblíquo ascendente 41. (CESPE/GO DELEGADO DE POLÍCIA – 2017) Em relação às asfixias, assinale a opção correta. a. A projeção da língua e a exoftalmia são achados suficientes para concluir que houve morte não natural. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 121 b. As equimoses das conjuntivas somente são encontradas nos casos de afogamento. c. Nas asfixias, as ocorrências de manchas de hipóstase são raras. d. Na sufocação por compressão do tórax, observam-se pulmões congestos e com hemorragias. e. O cogumelo de espuma é uma característica exclusiva do afogamento. 42. (FUNCAB/PA DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – 2016) De acordo com a classificação de Afrânio Peixoto, as asfixias podem ser definidas como puras, complexas e mistas. Acerca desta classificação, é um exemplo de asfixia pura a(o): a. esganadura. b. enforcamento. c. confinamento. d. empalamento. e. estrangulamento. 43. (MPE/PB PROMOTOR DE JUSTIÇA – 2011) É errado afirmar: a. O confinamento se manifesta pela anoxemia e pela hipercapneia. b. A sufocação poderá ser provocada por compressão do tórax. c. A fulminação e a fulguração, fenômenos decorrentes da ação de eletricidade natural, diferenciam- se pelos efeitos das lesões sofridas pela vítima. d. Os estigmas são lesões próprias do sulco do pescoço da vítima de enforcamento, distinguindo-a da vítima de esganadura ou de estrangulamento. e. (Abstenção de resposta - Seção VIII, item 11, do Edital do Concurso). 44. (FUNCAB/PA INVESTIGADOR DE POLÍCIA CIVIL – 2016) De acordo com os conceitos médico-legais, enforcamento incompleto é aquele no qual: a. mãos e pés da vítima estão amarrados com a mesma corda. b. o nó do laço está localizado na parte da frente do corpo da vítima. c. o nó do laço está localizado na parte de trás do corpo da vítima. d. parte do corpo da vitima toca em algum ponto de apoio ou encosta no solo. e. o corpo da vítima não encosta no solo. nem toca em qualquer ponto de apoio. 45. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE MÉDICO LEGISTA – 2016) A respeito das causas jurídicas de morte, assinale a opção correta. a. A esganadura é comumente identificada nos casos de suicídio. b. O afogamento por submersão é uma forma de homicídio rara, porém frequente nos acidentes. c. Os enforcamentos constituem uma forma comum de prática de homicídio e suicídio. d. O estrangulamento é frequente nos homicídios e suicídios, mas de baixa ocorrência em acidentes. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 122 e. Os acidentes de trânsito são frequentes como forma de homicídio; no entanto, ocorrem raramente em casos de suicídios. 46. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE MÉDICO LEGISTA – 2016) Com referência ao estrangulamento, assinale a opção correta: a. Equimoses de pequenas dimensões na face, nas conjuntivas, no pescoço e na face anterior do tórax são patognomônicas do estrangulamento, o que o diferencia de outras modalidades de asfixias mecânicas. b. Na morte por estrangulamento, resultante da constrição do pescoço com um laço acionado por uma força estranha, o corpo da vítima, que exerce resistência, e a força constritiva do laço agem de forma ativa. c. Assim como em outras asfixias mecânicas, a projeção da língua, que adquire aspecto escurecido, é um achado comum em estrangulamentos. d. O sulco do estrangulamento é tipicamente oblíquo, ascendente, semelhante ao enforcamento. e. O sulco do estrangulamento geralmente está situado acima da cartilagem tireoide. 47. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE MÉDICO LEGISTA – 2016) No que tange à sufocação, assinale a opção correta. a. A congestão cefalocervical é rara na sufocação por compressão torácica, sendo encontrada tipicamente nos afogamentos. b. A sufocação direta ocorre quando a asfixia é intencional; a indireta, quando acidental. c. Na sufocação por impedimento à penetração do ar nas vias respiratórias, o obstáculo é situado invariavelmente nos orifícios naturais — boca e narinas. d. Nas compressões do tórax, suficientes para causar sufocação, há impedimento também da movimentação abdominal, podendo ser encontradas lesões no esqueleto torácico e nas vísceras torácicas e abdominais. e. A sufocação difere da asfixia por aspiração: nesta última, o impedimento à penetração do ar nas vias respiratórias é causado por objetos ou pelo vômito. 48. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE MÉDICO LEGISTA – 2016) Nas asfixias mecânicas, é comum: a. a tonalidade rósea da face. b. o aparecimento de manchas de hipóstase de surgimento tardio. c. surgirem petéquias disseminadas pelo corpo, sobretudo nos membros inferiores. d. o aumento da viscosidade sanguínea. e. a congestão polivisceral. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 123 49. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE MÉDICO LEGISTA – 2016) Acerca do enforcamento, assinale a opção correta. a. O enforcamento caracteriza-se pela interrupção do ar atmosférico até as vias respiratórias, decorrendo essa suspensão de ar da constrição do pescoço por um laço fixo ou móvel. Atua nessa situação o peso da vítima como uma força passiva. b. O fenômeno da rigidez cadavérica é observado mais precocemente no enforcamento do que nas mortes naturais. c. O sulco do enforcamento está sempre presente no cadáver, até mesmo nas suspensões de curta duração e nos laços de consistência amolecida. d. A presença de nó no laço é imprescindível para caracterizar o enforcamento, podendo situar-se em qualquer posição no pescoço. e. O leito do sulco produzido por laçosduros é de consistência apergaminhada, endurecida e de tonalidade pardo-escura, devido à desidratação da pele escoriada nos fenômenos post mortem. 50. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE AUXILIAR DE LEGISTA – 2016) O tipo de asfixia mecânica que ocorre devido à constrição do pescoço por laço e na qual a força atuante é o próprio peso da vítima denomina-se: a. estrangulamento. b. sufocação direta. c. enforcamento. d. sufocação indireta. e. esganadura. 51. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE AUXILIAR DE PERITO – 2016) O principal sinal observado em vítimas de soterramento é a presença de a. bolhas de espuma, denominadas cogumelo de espuma, nas vias aéreas superiores da vítima. b. sinais de maceração da epiderme. c. sinais de embebição cadavérica. d. sinais de rotura de vísceras ocas. e. substâncias pulverulentas no interior das vias respiratórias da vítima. 52. (CESPE/POLÍCIA CIENTÍFICA-PE AUXILIAR DE PERITO – 2016) A modalidade de asfixia mecânica que impede a passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas, devido à constrição anterolateral do pescoço, promovida diretamente pela mão de um agente, denomina-se: a. estrangulamento. b. sufocação direta. c. sufocação indireta. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 124 d. esganadura. e. enforcamento. 53. (FUNIVERSA/POLÍCIA CIENTÍFICA-GO MÉDICO LEGISTA – 2015) No soterramento, pode-se encontrar a associação de outro tipo de asfixia denominado a. confinamento. b. sufocação direta. c. sufocação indireta. d. síndrome de imersão. e. edema agudo de pulmão. 54. (FUNIVERSA/POLÍCIA CIENTÍFICA-GO MÉDICO LEGISTA – 2015) A asfixia realizada pela constrição cervical com o uso das mãos é denominada a. esganadura. b. sufocação direta c. sufocação indireta. d. estrangulamento. e. enforcamento. 55. (FUNIVERSA/POLÍCIA CIENTÍFICA-GO MÉDICO LEGISTA – 2015) Ao exame pericial, a presença de um sulco horizontal, de profundidade uniforme, completo na maioria das vezes e localizado externamente na região cervical, associado à presença de sinais externos de asfixia, sugere: a. sufocação indireta. b. estrangulamento. c. esganadura. d. sufocação direta. e. enforcamento. 56. (FUNCAB/AC PERITO MÉDICO LEGISTA – 2015) O mecanismo de morte mais importante nos casos de esganadura é: a. excitação dos seios carotídeos. b. compressão das artérias carótidas. c. compressão da glote. d. compressão da traqueia. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 125 e. excitação do nervo laríngeo superior. 57. (FUNIVERSA/DF PERITO MÉDICO LEGISTA – 2015) A asfixia causada por uma constrição cervical que se valha de um laço com nó atípico e deslizante é chamada de: a. esganadura. b. estrangulamento. c. sufocação direta. d. sufocação indireta. e. enforcamento. 58. (FUNIVERSA/DF PERITO MÉDICO LEGISTA – 2015) Quanto às asfixias de causa violenta, assinale a alternativa que apresenta uma síndrome de imersão ou hidrocussão que se relaciona a um tipo de asfixia causado por modificação do meio ambiente. a. afogamento incompleto. b. afogamento branco. c. afogamento úmido. d. afogamento secundário. e. confinamento. 59. (COPS-UEL/PR DELEGADO DE POLÍCIA – 2013) As asfixias são modalidades de morte derivadas de energias físico-químicas. Entre elas são frequentes as modalidades de constrição do pescoço. Em relação às diferenças entre enforcamento, esganadura e estrangulamento, considere as afirmativas a seguir. I. A esganadura ocorre por laço tracionado ou por parte do corpo que atua de forma similar a um laço (gravata, chave de braço, golpes de jiu jitsu), desde que a força empregada não seja o peso da vítima. II. O estrangulamento ocorre através da interrupção da passagem do ar atmosférico pelas vias aéreas e é causado diretamente pela mão do agente, não havendo forma homicida ou incidental da mesma. III. É possível do ponto de vista pericial em medicina legal a distinção entre estrangulamento e enforcamento, através da análise das características dos sulcos imprimidos no pescoço da vítima. IV. O enforcamento ocorre por um laço cuja extremidade se acha fixa a um ponto dado, agindo o próprio peso do indivíduo como força viva. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 126 Assinale a alternativa correta. a. Somente as afirmativas I e II são corretas. b. Somente as afirmativas I e IV são corretas. c. Somente as afirmativas III e IV são corretas. d. Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e. Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 60. (FUNCAB/RJ DELEGADO DE POLÍCIA – 2012) Nas necropsias, em casos de morte por asfixias em geral, na ausência de lesões externas específicas, o perito deverá basear o seu diagnóstico no achado de um conjunto de sinais internos, que estarão descritos no corpo do laudo cadavérico. A autoridade policial, ao ler o laudo pericial, irá observar a presença constante de: a. edema cerebral, petéquias pulmonares e sangue coagulado. b. fluidez do sangue, congestão e equimoses viscerais. c. desidratação corporal e hemorragia visceral. d. edema pulmonar, distensão intestinal e congestão vascular. e. encontro de espuma e de corpos estranhos nas vias respiratórias. 61. (UEG/GO DELEGADO DE POLÍCIA – 2012) É impossível que a morte tenha ocorrido em virtude de suicídio ou acidente, na hipótese de a. estrangulamento. b. enforcamento. c. afogamento. d. esganadura. 62. (FUMARC/MG DELEGADO DE POLÍCIA – 2011) Constitui um exemplo de asfxia mecânica pura de interesse médico-legal: a. Sufocação direta. b. Estrangulamento típico. c. Enforcamento completo. d. Esganadura antebraquial. 63. (FUNIVERSA/SECTEC-GO PERITO CRIMINAL – 2010) Morte violenta produzida por asfixia, em que o laço é acionado pelo próprio peso da vítima; o sulco produzido pelo laço se apresenta oblíquo, de Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 127 baixo para cima, interrompido ao nível do nó e com bordos desiguais, sendo o bordo superior saliente; a suspensão pode ser completa ou incompleta, e apresenta a vítima cianose facial, com protusão de língua, trata-se de: a. estrangulamento. b. esganadura. c. sufocação. d. fulminação. e. enforcamento. 64. (MPE/PB PROMOTOR DE JUSTIÇA – 2010) Considere as proposições abaixo e, em seguida, indique a alternativa que contenha o julgamento devido sobre elas: I - A esganadura é classificada como forma de asfixia mecânica-mista uma vez que se confundem e se superpõem, em graus variados, os fenômenos circulatórios, respiratórios e nervosos. II - A falta de uniformidade nas lesões produzidas no sulco do pescoço da vítima é uma das características do estrangulamento. III - Nos denominados afogados brancos de Parrot não se encontra fenomenologia imanente às asfixias. a. Apenas a proposição I está incorreta. b. Apenas a proposição III está incorreta. c. Apenas a proposição II está incorreta. d. Todas as proposições estão incorretas. e. Todas as proposições estão corretas. 65. (MPE/PB PROMOTOR DE JUSTIÇA – 2010) O exame no sulco do pescoço da vítima é de capital valor no diagnóstico do enforcamento, apresentando as características abaixo, exceto: a. Livores cadavéricos, em placas, por cima e por baixo das suas bordas. b. Infiltrações hemorrágicas punctiformes no fundo do sulco. c. Pele enrugada e escoriada no fundo do sulco. d. Ser necessariamente apergaminhado. e. Vesículas sanguinolentas no fundo do sulco. 66. (CESPE/PB DELEGADO DE POLÍCIA – 2009) Um médico legista, ao chegar à salade necropsia, deparou- se com três cadáveres cuja causa da morte foi asfixia. O primeiro apresentava elementos sinaléticos que constavam de sulco único, com profundidade variável e direção oblíqua ao eixo do pescoço; no Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 128 segundo, os sulcos eram duplos, de profundidade constante e transversais ao eixo do pescoço; no terceiro, em vez de sulcos, havia equimoses e escoriações nos dois lados do pescoço. Na situação acima descrita, os tipos de morte mais prováveis são, respectivamente, a. enforcamento, estrangulamento e esganadura. b. esganadura, enforcamento e estrangulamento. c. estrangulamento, esganadura e enforcamento. d. esganadura, estrangulamento e enforcamento. e. enforcamento, esganadura e estrangulamento. 67. (CESPE/ES MÉDICO LEGISTA – 2011) O cadáver de uma pessoa do sexo feminino submetida à necropsia no IML apresentou erupção de segundos molares, e ausência de erupção dos terceiros molares. A rigidez cadavérica apresentava-se desfeita e havia mancha verde abdominal e circulação póstuma. Os livores concentravam-se no ventre. No pescoço, havia sulco horizontal completo abaixo da cartilagem tireoide. Apresentava equimoses subconjuntivais e retrofaringianas, com pulmões congestos, escuros e com manchas de Tardieu, principalmente em pleuras visceral e interlobares. O exame cardíaco referiu ventrículo esquerdo esvaziado e direito repleto. Exame da genitália mostrou integridade himenal e positividade para PSA em líquido sanguinolento colhido da cavidade retal; e havia laceração de mucosa anal. Com base no caso hipotético acima, julgue os itens subsequentes, relacionados a exame em cadáveres. Em face do caso acima, é correto afirmar que existe evidência de enforcamento. a. Certo b. Errado 68. (FUNCAB/RO MÉDICO LEGISTA – 2012) Em relação à morte por afogamento, assinale a alternativa correta. a. O exame histológico do pulmão do afogado revela sinais de infarto do tecido pulmonar por tromboembolismo. b. O estudo geológico e do plâncton permite determinar a cronologia do afogamento. c. São sinais cadavéricos encontrados: temperatura da pele baixa, pele anserina, maceração da epiderme, cogumelo de espuma. d. Equimoses subpleurais conhecidas como manchas de Tardieu são comumente encontradas no afogamento. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 129 e. A tonalidade e a densidade do sangue são similares às encontradas nos outros tipos de asfixia, com sangue escurecido e denso. 69. (CESPE/SEGESP-AL PERITO MÉDICO LEGAL – 2013) A respeito de morte por afogamento e por asfixia, julgue os itens subsecutivos. Os sinais de Ponsold, Azevedo Neves e Thoinot são comumente encontrados em vítimas de afogamento. a. Certo b. Errado 70. (CESPE/SEGESP-AL PERITO MÉDICO LEGAL – 2013) A respeito de morte por afogamento e por asfixia, julgue os itens subsecutivos. O quadro de asfixia mecânica pela ação de meio físico-químico pode ser provocado por acidentes com soterramento. a. Certo b. Errado 71. (CESPE/SEGESP-AL PERITO MÉDICO LEGAL – 2013) A respeito de morte por afogamento e por asfixia, julgue os itens subsecutivos. Considere que, a uma temperatura ambiente de 38 ºC, um jovem tenha mergulhado, de forma súbita, em uma piscina de água fria que havia sido coberta durante a noite e que, apesar de saber nadar, tenha- se afogado. Considere, ainda, que, durante a necropsia, tenha sido verificada a presença de líquido nas vias respiratórias da vítima. Nessa situação, configura-se o quadro do afogado branco de Parrot. a. Certo b. Errado 72. (VUNESP/SP MÉDICO LEGISTA 2014) Assinale a alternativa que contém sinais mais comumente encontrados nas vítimas de afogamento. a. Manchas de Tardieu, cogumelo de espuma e máscara equimótica. b. Manchas de Paltauf, maceração da pele e cogumelo de espuma. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 130 c. Máscara equimótica, manchas de Paltauf, pele anserina. d. Hipóstases claras, manchas de Tardieu e cianose ungueal. e. Lesões por animais aquáticos, cianose ungueal e hipóstases escuras. 73. (FUMARC/MG PERITO CRIMINAL – 2013) Considerando as asfixias em espécie, a presença de um sulco “horizontal, uniforme em toda a periferia da região cervical, contínuo, duplo, inferior à cartilagem tireoide do esqueleto da laringe e de igual profundidade em toda a sua extensão” é compatível com: a. Esganadura. b. Esgorjamento. c. Enforcamento. d. Estrangulamento. 74. (IBFC/MPE-SP ANALISTA DE PROMOTORIA – 2013) As principais características do sulco de enforcamento típico são, em geral: a. oblíquo, múltiplo, interrompido em região posterior do pescoço, com profundidade desigual. b. oblíquo, múltiplo, interrompido em região anterior do pescoço, com profundidade desigual. c. oblíquo, único, interrompido em região anterior do pescoço, com profundidade uniforme. d. oblíquo, único, interrompido em região posterior do pescoço, com profundidade desigual. e. oblíquo, único, interrompido em região posterior do pescoço, com profundidade uniforme GABARITO A 1. C 2. C 3. D 4. A 5. A 6. D 7. A 8. D 9. ERRADO 10. C 11. E 12. E 13. C 14. ERRADO 15. CERTO 16. C 17. B 18. E 19. C 20. B 21. B 22. D 23. A 24. D 25. C 26. B 27. A 28. A 29. B 30. E 31. A 32. D 33. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . . 131 ERRADO 34. ERRADO 35. CERTO 36. C 37. E 38. A 39. E 40. D 41. C 42. D 43. D 44. B 45. C 46. D 47. E 48. E 49. C 50. E 51. D 52. C 53. A 54. B 55. A 56. E 57. B 58. C 59. B 60. D 61. A 62. E 63. C 64. D 65. A 66. ERRADO 67. C 68. ERRADO 69. CERTO 70. ERRADO 71. B 72. D 73. D 74. Equipe Paulo Bilynskyj, Paulo Bilynskyj Aula 02 Medicina Legal p/ PC-PB (Delegado) 2021 Pré-Edital www.estrategiaconcursos.com.br . .