FAÇA UMa apresentação de 2 slides do seguinte conteúdo A deficiência na qualidade da estruturação dos empreendimentos resulta, muitas vezes, em projetos com baixo grau de maturidade. Como consequência, tornam-se necessárias alterações durante a execução contratual, gerando maior ônus regulatório para a agência reguladora, insegurança jurídica para os concessionários e atrasos ou ineficiências na entrega dos benefícios esperados pelos usuários da infraestrutura concedida. Nesse contexto, a maturidade dos projetos é um fator crítico, pois influencia diretamente a modelagem econômico-financeira, a alocação de riscos e a delimitação das obrigações contratuais. Quando esses elementos não são adequadamente definidos, podem comprometer o próprio sucesso do leilão ou resultar em propostas econômicas distorcidas. Além disso, a ausência de projetos estruturados de forma adequada para atender às exigências do mercado financeiro afeta a bancabilidade dos empreendimentos, especialmente no setor ferroviário, caracterizado por elevados volumes de investimento e longos prazos de concessão. Essa situação também pode representar uma barreira à entrada de novos investidores, concentrando o mercado em poucos players já consolidados. Como força, destaca-se o reconhecimento da relevância do modo ferroviário na estratégia nacional de infraestrutura. Essa prioridade é evidenciada pela destinação de 30,2% dos recursos previstos para o eixo de Transporte Eficiente e Sustentável do Novo PAC ao setor ferroviário, bem como pelo lançamento de uma carteira com previsão de oito leilões ferroviários e cerca de R$ 140 bilhões em investimentos diretos na malha. Por outro lado, a experiência histórica demonstra que a descontinuidade administrativa entre governos pode representar uma ameaça à continuidade dos programas de concessão e à concretização dos investimentos planejados. Nesse sentido, é fundamental que o programa de concessões esteja vinculado a uma política de Estado, e não apenas a uma política de governo, de forma a assegurar a continuidade dos projetos e a efetivação dos investimentos previstos. Como exemplo, observa-se que, nos últimos anos, o setor ferroviário registrou predominantemente prorrogações antecipadas de contratos existentes, como os da Estrada de Ferro Carajás (EFC), da Rumo Malha Paulista e da MRS, sem a realização de novos leilões de grande porte. Ainda sob a perspectiva política, a relação por vezes instável entre os Poderes Executivo e Legislativo pode afetar o apoio institucional aos projetos ferroviários. Além disso, as prioridades governamentais podem se deslocar para outros modais de transporte, gerando concorrência por recursos públicos e atenção política entre empreendimentos localizados em uma mesma região. Sob outra perspectiva, observa-se uma evolução da governança relacionada aos projetos de concessão ferroviária. Atualmente, os empreendimentos são avaliados no âmbito do planejamento logístico nacional e, posteriormente, submetidos ao Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), responsável pela qualificação dos projetos. Esse processo incorpora aspectos relacionados às dimensões estratégica, econômica, financeira e de governança, aproximando-se dos princípios do Modelo de 5 Dimensões. A publicação do Decreto nº 11.412, de 2023, que reorganizou a composição do Conselho do PPI, representa mais um avanço institucional. Da mesma forma, a Lei das Ferrovias (Lei nº 14.273/2021) e o Decreto nº 11.245/2022, que instituiu o Programa de Desenvolvimento Ferroviário, constituem importantes marcos para o fortalecimento da governança setorial. Esse processo é complementado pelo amadurecimento contínuo do Planejamento Logístico Integrado, que tende a contribuir para políticas públicas mais consistentes e alinhadas às necessidades de longo prazo do setor. A Lei das Ferrovias também trouxe uma inovação relevante ao instituir o regime de autorizações ferroviárias. O crescimento desse modelo pode representar uma oportunidade para expansão da malha ferroviária, ampliação da conectividade com redes existentes e viabilização de projetos sem dependência direta de recursos públicos. Entretanto, apesar do grande interesse inicial demonstrado pelo mercado, verifica-se que, dos 42 contratos de adesão celebrados entre a ANTT e as autorizatárias, com previsão de aproximadamente 11.939 quilômetros de novas ferrovias, apenas uma obra teve início efetivo. Ademais, existe o risco de que determinadas autorizações capturem demanda potencial de projetos em estudo pelo governo, especialmente em regiões associadas a portos e corredores logísticos estratégicos. Também se observa um avanço na maturidade regulatória do setor ferroviário, especialmente nos contratos mais recentes submetidos à consulta pública. Esses instrumentos buscam aprimorar mecanismos de incentivo ao cumprimento das obrigações contratuais, reduzir práticas inadequadas e incorporar diretrizes alinhadas a padrões internacionais, incluindo aspectos relacionados à agenda ESG. Contudo, apesar dessa evolução, o setor ferroviário ainda apresenta um nível de maturidade regulatória inferior ao observado no setor rodoviário. Nesse processo de aperfeiçoamento institucional, os órgãos de controle têm desempenhado papel relevante ao contribuir para o aprimoramento das modelagens e da regulação. Por outro lado, a forte dependência das etapas de controle e fiscalização pode resultar em ciclos mais longos de estruturação e contratação dos empreendimentos. Por fim, o histórico recente do cenário macroeconômico brasileiro revela desafios importantes para a expansão dos investimentos em infraestrutura. Restrições fiscais, limitações orçamentárias e o aumento do custo de capital podem reduzir o interesse dos investidores privados e dificultar a mobilização de recursos públicos necessários para a viabilização de projetos estruturados na modalidade de PPP.