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Leia o trecho abaixo e responda às questões de 03 a 07.

Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati “pra cortar a friagem”.

Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição, para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso, resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros.

E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão português: e Jerônimo abrasileirou-se. (...)
Dos comentários abaixo sobre os trechos em negrito, o único que está CORRETO é:
a) “tragava dois dedos de parati”: expressão típica da variedade linguística predominante no discurso do narrador.
b) “pra cortar a friagem”: essa expressão está entre aspas, no texto, para indicar que se trata do uso do discurso indireto livre.
c) “patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos”: assume o sentido de “registravam oficialmente”.
d) “posto que em detrimento das suas forças físicas”: equivale, quanto ao sentido, a “desde que em favor”.
e) “tornava-se (...) imprevidente” e “resignando-se (...) às imposições do sol”: trata-se do mesmo prefixo, apresentando, portanto, idêntico sentido.
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Desvendando com Questões

há 3 semanas

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há 3 semanas

Vamos analisar cada alternativa: a) “tragava dois dedos de parati”: expressão típica da variedade linguística predominante no discurso do narrador. — Errado. "Parati" é uma gíria regional, típica da fala popular, não do discurso do narrador, que é mais formal. b) “pra cortar a friagem”: essa expressão está entre aspas, no texto, para indicar que se trata do uso do discurso indireto livre. — Errado. As aspas indicam que é uma expressão popular ou coloquial, não discurso indireto livre. c) “patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos”: assume o sentido de “registravam oficialmente”. — Errado. Aqui, "patentear" significa "manifestar-se claramente", "tornar evidente", não "registrar oficialmente". d) “posto que em detrimento das suas forças físicas”: equivale, quanto ao sentido, a “desde que em favor”. — Errado. "Posto que em detrimento" significa "embora prejudicando", o oposto de "desde que em favor". e) “tornava-se (...) imprevidente” e “resignando-se (...) às imposições do sol”: trata-se do mesmo prefixo, apresentando, portanto, idêntico sentido. — Correto. Ambos os termos têm o prefixo "re-", que indica repetição ou intensidade, e aqui mantêm sentido semelhante de mudança ou adaptação. Portanto, a alternativa correta é: e) “tornava-se (...) imprevidente” e “resignando-se (...) às imposições do sol”: trata-se do mesmo prefixo, apresentando, portanto, idêntico sentido.

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Leia o texto abaixo, retirado de O Cortiço, e faça o que se pede:
Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma possível leitura do fragmento citado:
a) No texto, o narrador enfatiza a força do coletivo. Todo o cortiço é apresentado como um personagem que, aos poucos, acorda como uma colméia humana.
b) O texto apresenta um dinamismo descritivo, ao enfatizar os elementos visuais, olfativos e auditivos.
c) O discurso naturalista de Aluísio Azevedo enfatiza nos personagens de O Cortiço o aspecto animalesco, 'rasteiro' do ser humano, mas também a sua vitalidade e energia naturais, oriundas do prazer de existir.
d) Através da descrição do despertar do cortiço, o narrador apresenta os elementos introspectivos dos personagens, procurando criar correspondências entre o mundo físico e o metafísico.
e) Observa-se, no discurso de Aluísio Azevedo, pela constante utilização de metáforas e sinestesias, uma preocupação em apresentar elementos descritivos que comprovem a sua tese determinista.

Leia o trecho abaixo e responda às questões de 03 a 07.

Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati “pra cortar a friagem”.

Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição, para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso, resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros.

E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão português: e Jerônimo abrasileirou-se. (...)
Considere as seguintes afirmacoes, relacionadas ao excerto de O cortiço:
I. O sol, que, no texto, se associa fortemente ao Brasil e à “pátria”, é um símbolo que percorre o livro como manifestação da natureza tropical e, em certas passagens, representa o princípio masculino da fertilidade.
II. A visão do Brasil expressa no texto manifesta a ambiguidade do intelectual brasileiro da época em que a obra foi escrita, o qual acatava e rejeitava a sua terra, dela se orgulhava e envergonhava, nela confiava e dela desesperava.
III. O narrador aceita a visão exótico-romântica de uma natureza (brasileira) poderosa e transformadora, reinterpretando-a em chave naturalista.

Aplica-se ao texto o que se afirma em:
I. O sol, que, no texto, se associa fortemente ao Brasil e à “pátria”, é um símbolo que percorre o livro como manifestação da natureza tropical e, em certas passagens, representa o princípio masculino da fertilidade.
II. A visão do Brasil expressa no texto manifesta a ambiguidade do intelectual brasileiro da época em que a obra foi escrita, o qual acatava e rejeitava a sua terra, dela se orgulhava e envergonhava, nela confiava e dela desesperava.
III. O narrador aceita a visão exótico-romântica de uma natureza (brasileira) poderosa e transformadora, reinterpretando-a em chave naturalista.
a) I, somente.
b) II, somente.
c) II e III, somente.
d) I e III, somente.
e) I, II e III.

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