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Leia o texto para responder às questões de números 11 a 15.

O desejo mergulha na luz

Chamava-se Desiderio, mas desconfio que não gostava muito desse nome. Que nem é feio – em italiano, pelo menos, quer dizer desejo. Eu só soube por acaso que era também Desiderio, um dia que pedi a meu irmão para levar uns livros a ele no hospital. A moça da portaria procurou “Fernando”, não havia nenhum. Procurou então “Severino”, e lá estava: Desiderio. Não cheguei a perguntar a ele se não gostava mesmo do nome tão sonoro. Não soube também se chegou a ler O apanhador no campo de centeio, que eu mandara naquela tarde. Eu não soube, não perguntei nem disse uma porção de coisas. Não comemos os camarões do Tirol com o doutor Eduardo. Não houve tempo. E a gente não sabia disso.

Só o encontrei há poucos meses, no fim da primavera do ano passado, por intermédio de Marcos Breda, que só conhece pessoas do bem, e com quem ele fazia Bailei na curva. Nos vimos poucas vezes depois.

Foi nessa mesma tarde que percebi
12. As passagens – Chamava-se Desiderio, mas desconfio que não gostava muito desse nome. (1o parágrafo) – e – Então, quando me contaram, suspirei assim “que alívio, meu Deus, que alívio”. (5o parágrafo) – estão, correta e respectivamente, interpretadas em:
(A) O narrador expõe um comentário jocoso sobre Desiderio em relação ao nome do rapaz. / O narrador ironiza a morte de Desiderio, julgando-a conveniente.
(B) O narrador expõe uma hipótese sobre Desiderio não gostar do próprio nome. / O narrador expressa compaixão, sugerindo que o amigo deixara de sofrer.
(C) O narrador expõe uma dúvida sobre a relação que Desiderio tem com o próprio nome. / O narrador sabe que a morte de Desiderio seria naquele dia.
(D) O narrador expõe uma crítica do nome de Desiderio, o qual considera extravagante. / O narrador mostra-se surpreso e desesperado com a morte do amigo.
(E) O narrador expõe uma concordância com o fato de Desiderio não apreciar o próprio nome. / O narrador revela um sentimento ambíguo com a morte do amigo.
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Aprendendo com Desafios

há 3 semanas

Respostas

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há 3 semanas

Vamos analisar as duas passagens e as alternativas: 1) "Chamava-se Desiderio, mas desconfio que não gostava muito desse nome." Aqui, o narrador expressa uma hipótese, uma suspeita, não uma certeza ou crítica forte. Ele não faz um comentário jocoso nem ironiza, apenas supõe que Desiderio talvez não gostasse do próprio nome. 2) "Então, quando me contaram, suspirei assim 'que alívio, meu Deus, que alívio'." Esse suspiro indica um sentimento de alívio, provavelmente porque o amigo deixou de sofrer, ou seja, o narrador expressa compaixão e um certo conforto diante da morte. Agora, analisando as alternativas: (A) Comentário jocoso / ironiza a morte → Não corresponde ao tom do texto. (B) Hipótese sobre o nome / expressa compaixão e alívio → Está correto. (C) Dúvida sobre o nome / sabe que a morte seria naquele dia → Não há indicação de que sabia a data da morte. (D) Crítica ao nome / surpresa e desespero → Não condiz com o texto. (E) Concordância com o fato / sentimento ambíguo → O narrador não concorda, apenas desconfia; o sentimento não é ambíguo, é de alívio. Portanto, a alternativa correta é: (B) O narrador expõe uma hipótese sobre Desiderio não gostar do próprio nome. / O narrador expressa compaixão, sugerindo que o amigo deixara de sofrer.

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Leia o texto para responder às questões de números 03 a 10.

O viés da palavra câncer: combate ao estigma

Receber um diagnóstico de câncer é uma experiência que não vem com manual de instruções. É desafiador lidar com a notícia e, mais ainda, se preparar para o que está por vir. A própria palavra câncer não é uma palavra que as pessoas gostam de pronunciar, porque carrega um estigma e um peso, decorrentes de décadas de desinformação.

O estigma se reflete em expressões cotidianas. Quem nunca falou ou ouviu algo como “aquilo ali é um câncer para o País”? Não vamos menosprezar a doença que é, sim, complexa e pode ser o ponto final para muitas pessoas. Porém, precisamos ressaltar que os avanços em prevenção e tratamento são enormes e tornaram o diagnóstico cada vez mais promissor. É hora de reduzir a carga negativa que a palavra câncer carrega, pois, além de perpetuar desinformação, contribui para o isolamento emocional e psicológico de quem convive ou acompanha alguém nesse processo.

Compreender o câncer e seu significado não é mais sobre viver em função da doença, mas tratá-la para viver mais e melhor. Cada paciente, incluindo crianças e adolescentes em formação, é um indivíduo com uma história e trajetória únicas. Essa combinação é o que traz as melhores taxas de cura e sobrevida.

Tratar o câncer como algo terminal ou como uma guerra é uma violência silenciosa que abala a autoestima de quem está em tratamento. Medo e incerteza são naturais, mas, quando amplificados pelo estigma social, tornam-se fardos cruéis.

O primeiro passo para mudar essa realidade é disseminar informações precisas sobre o que significa viver com câncer, destacando que essa não é mais uma condição implacável. Campanhas de conscientização são essenciais, mas precisamos de uma transformação mais profunda e genuína no discurso e nas atitudes diárias.
(Victor Piana. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao. Adaptado)
03. Em seu artigo, o autor mostra-se favorável a uma mudança de comportamento no que tange a
(A) dimensionar corretamente a viabilidade de se usar a palavra “câncer” com quem é diagnosticado com a doença, vista como estigma social até hoje.
(B) entender a desesperança causada pela palavra “câncer” para as pessoas diagnosticadas com essa doença, pois viverão uma guerra silenciosa marcada pela dor.
(C) desconstruir preconceitos que giram em torno da palavra “câncer”, uma vez que a doença perdeu o estigma de tempos atrás e já tem cura na maioria dos casos.
(D) diminuir a carga negativa tradicionalmente atribuída à palavra “câncer” como forma de preservar a autoestima das pessoas que convivem com essa doença.
(E) vetar totalmente o emprego da palavra “câncer”, já que ela, além de comprometer a autoestima das pessoas doentes, ainda prejudica a conscientização.

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