John Creswell, em sua obra clássica sobre design de pesquisa, explora profundamente como as cosmovisões (worldviews) dos pesquisadores — que ele define como “um conjunto básico de crenças que guiam a ação” — influenciam fundamentalmente cada aspecto do estudo. Ele argumenta que essas cosmovisões não são neutras, pois são moldadas pela formação acadêmica, pelas orientações disciplinares e pelas experiências pessoais do pesquisador. Consequentemente, essas crenças orientam as escolhas sobre: Qual tipo de questão fazer: uma cosmovisão pós-positivista levará a questões diferentes das formuladas sob uma cosmovisão construtivista ou pragmática; Quais referenciais teóricos utilizar: os quadros teóricos são selecionados porque ressoam com a forma como o pesquisador compreende a realidade e o conhecimento; Como coletar e interpretar os dados: a escolha das abordagens metodológicas e dos métodos de análise é diretamente informada por essas crenças subjacentes. Essas escolhas deliberadas não são meras formalidades; são atos ativos que constroem o problema de pesquisa e direcionam as possíveis soluções. A posição singular e a trajetória intelectual do pesquisador estão intrinsecamente ligadas