Como encaixar o Modelo de Atendimento Centrado na Família de Hart (2010) e Modelo de Acolhimento de Knobel (2007): enfatiza a importância da escuta e do vínculo, no texto abaixo?
A entrevista aborda temas centrais da atuação de assistentes sociais com crianças e adolescentes, especialmente em situações de vulnerabilidade social. Abaixo, articulamos os principais pontos destacados nas respostas com questões amplas sobre a temática e os desafios enfrentados no campo da saúde mental dos profissionais que atuam nessa área, bem como a complexidade dos aspectos subjetivos relacionados ao atendimento de jovens: A intervenção social com crianças e adolescentes em vulnerabilidade requer um conjunto de estratégias que envolvem escuta ativa, criação de um ambiente de confiança e trabalho multidisciplinar. A complexidade dessas intervenções destaca a importância da formação contínua dos profissionais, que precisam estar atentos às questões psicossociais dos jovens. As atividades como música, jogos e rodas de conversa foram citadas como meios eficazes de aproximar os jovens e criar espaços de expressão emocional. Essas práticas refletem a importância de um atendimento que não apenas busca resolver problemas imediatos, mas também fortalece o bem-estar emocional e o desenvolvimento pessoal dos jovens. A demanda emocional do trabalho com crianças e adolescentes em situações de risco é significativa. Os assistentes sociais precisam lidar com histórias de trauma, vulnerabilidade e frustração diante das limitações impostas pela falta de políticas públicas eficazes. O desgaste emocional é um risco presente, e estratégias de cuidado com a própria saúde mental tornam-se indispensáveis para a manutenção da qualidade do trabalho. Na entrevista, o profissional menciona a prática de auto-reflexão, supervisão e o acompanhamento psicológico como formas de se manter equilibrado. Essa perspectiva é fundamental no campo da saúde mental, onde o esgotamento emocional pode comprometer a eficácia das intervenções. O trabalho com crianças e adolescentes em vulnerabilidade social muitas vezes exige o envolvimento de diferentes profissionais – psicólogos, educadores, terapeutas, entre outros. No entanto, um dos principais desafios mencionados é a falta de articulação entre os setores, o que pode dificultar a criação de uma abordagem integrada. Além disso, os aspectos subjetivos dos pacientes, como traumas, sentimento de rejeição e falta de perspectivas, são elementos que precisam ser levados em consideração durante as intervenções. O sucesso dessas intervenções depende não apenas da aplicação de técnicas e metodologias, mas da capacidade de criar vínculos e acessar as necessidades emocionais dos jovens. Outro ponto crucial levantado foi a falência das políticas públicas que deveriam proteger os direitos das crianças e adolescentes. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é mencionado como um marco legal importante, mas que, na prática, encontra desafios na sua implementação devido à escassez de recursos. Isso agrava o ciclo de vulnerabilidade, criando uma distância entre o que é preconizado pela legislação e o que de fato é executado nas intervenções sociais. A inclusão das famílias no processo de intervenção foi apontada como fundamental para o sucesso das ações. No entanto, a realidade dessas famílias muitas vezes impede que estejam presentes de forma ativa nas reuniões e atividades propostas pelos profissionais. A questão da marginalização dos direitos dessas famílias, muitas delas chefiadas por mães solo, representa mais um obstáculo no trabalho do assistente social. Portanto, a adaptação das estratégias de comunicação e a busca por horários mais flexíveis para encontros com essas famílias são vistas como formas de driblar essa dificuldade. O trabalho com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social é multifacetado, exigindo dos profissionais não apenas habilidades técnicas, mas uma capacidade profunda de empatia, adaptação e resiliência emocional. O cuidado com a saúde mental dos próprios profissionais é essencial para garantir que continuem oferecendo um atendimento de qualidade, mesmo diante dos desafios constantes. A articulação entre a equipe multidisciplinar, as políticas públicas e as famílias são pontos-chave que precisam ser fortalecidos para que as intervenções sejam eficazes e proporcionem uma real mudança social. Ao longo desta reflexão, fica evidente a interseção entre a saúde mental dos profissionais e a subjetividade dos pacientes como elementos centrais para garantir intervenções efetivas e duradouras na vida das crianças e adolescentes atendidos.