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Miolo RPA ENEM (Questões para Revisão_pag129

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129
A causa mortis do personagem, expressa no 
último parágrafo, adquire um efeito irônico 
no texto porque, ao longo da narrativa, ocor-
re uma:
a) metaforização do sentido literal do verbo 
“beber”.
b) aproximação exagerada da estética abstra-
cionista.
c) apresentação gradativa da coloquialidade da 
linguagem.
d) exploração hiperbólica da expressão “inúme-
ras coroas”.
e) citação aleatória de nomes de diferentes ar-
tistas.
 7. (Enem) Verbo ser
QUE VAI SER quando crescer? Vivem pergun-
tando em redor. Que é ser? É ter um corpo, 
um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? 
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro 
nome, corpo ou jeito? Ou a gente só prin-
cipia a ser quando cresce? É terrível, ser? 
Dói? É bom? É triste? Ser: pronunciado tão 
depressa, e cabe tantas coisas? Repito: ser, 
ser, ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? 
Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para 
entender. Não vou ser. Não quero ser. Vou 
crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer.
ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de 
Janeiro: Nova Aguilar, 1992.
A inquietação existencial do autor com a au-
toimagem corporal e a sua corporeidade se 
desdobra em questões existenciais que têm 
origem:
a) no conflito do padrão corporal imposto con-
tra as convicções de ser autêntico e singular.
b) na aceitação das imposições da sociedade se-
guindo a influência de outros.
c) na confiança no futuro, ofuscada pelas tra-
dições e culturas familiares.
d) no anseio de divulgar hábitos enraizados, 
negligenciados por seus antepassados.
e) na certeza da exclusão, revelada pela indife-
rença de seus pares.
 8. (Enem) Cegueira
Afastou-me da escola, atrasou-me, enquan-
to os filhos de seu José Galvão se interna-
vam em grandes volumes coloridos, a doen-
ça de olhos que me perseguia na meninice. 
Torturava-me semanas e semanas, eu vivia 
na treva, o rosto oculto num pano escuro, 
tropeçando nos móveis, guiando-me às apal-
padelas, ao longo das paredes. As pálpebras 
inflamadas colavam-se. Para descerrá-las, eu 
ficava tempo sem fim mergulhando a cara na 
bacia de água, lavando-me vagarosamente, 
pois o contato dos dedos era doloroso em ex-
cesso. Finda a operação extensa, o espelho 
da sala de visitas mostrava-me dois bugalhos 
sangrentos, que se molhavam depressa e 
queriam esconder-se. Os objetos surgiam 
empastados e brumosos. Voltava a abrigar-
-me sob o pano escuro, mas isto não atenua-
va o padecimento. Qualquer luz me deslum-
brava, feria-me como pontas de agulha [...]. 
Sem dúvida o meu espectro era desagra-
dável, inspirava repugnância. E a gente da 
casa se impacientava. Minha mãe tinha a 
franqueza de manifestar-me viva antipatia. 
Dava-me dois apelidos: bezerro-encourado e 
cabra-cega. 
RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: 
Record, 1984. (fragmento)
O impacto da doença, na infância, revela-se 
no texto memorialista de Graciliano Ramos 
através de uma atitude marcada por:
a) uma tentativa de esquecer os efeitos da doença.
b) preservar a sua condição de vítima da negli-
gência materna.
c) apontar a precariedade do tratamento médi-
co no sertão.
d) registrar a falta de solidariedade dos amigos 
e familiares.
e) recompor em minúcias e sem autopiedade, a 
sensação da dor.
 9. (Enem) TEXTO I
Poema de sete faces 
Mundo mundo vasto mundo, 
Se eu me chamasse Raimundo 
seria uma rima, não seria uma solução. 
Mundo mundo vasto mundo, 
mais vasto é meu coração. 
ANDRADE, C. D. Antologia poética. Rio de 
Janeiro: Record, 2001 (fragmento). 
TEXTO II 
CDA (imitado) 
Ó vida, triste vida! 
Se eu me chamasse Aparecida 
dava na mesma. 
FONTELA, O. Poesia reunida. São Paulo: Cosac 
Naify; Rio de Janeiro: 7Letras, 2006. 
Orides Fontela intitula seu poema “CDA”, si-
gla de Carlos Drummond de Andrade, e entre 
parênteses indica “imitado” porque, como 
nos versos de Drummond:
a) apresenta o receio de colocar os dramas pes-
soais no mundo vasto. 
b) expõe o egocentrismo de sentir o coração 
maior que o mundo. 
c) aponta a insuficiência da poesia para solu-
cionar os problemas da vida.
d) adota tom melancólico para evidenciar a de-
sesperança com a vida. 
e) invoca a tristeza da vida para potencializar 
a ineficácia da rima.