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43. (Enem-2011) Guardar Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado. Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela. Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro Do que um pássaro sem voos. Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se declara e declama um poema: Para guardá-lo: Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda: Guarde o que quer que guarda um poema: Por isso o lance do poema: Por guardar-se o que se quer guardar. (MACHADO, G. In: MORICONI, I. (Org.). Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.) A memória é um importante recurso do patrimônio cultural de uma nação. Ela está presente nas lembranças do passado e no acervo cultural de um povo. Ao tratar o fazer poético como uma das maneiras de se guardar o que se quer, o texto A) ressalta a importância dos estudos históricos para a cons- trução da memória social de um povo. B) valoriza as lembranças individuais em detrimento das nar- rativas populares ou coletivas. C) reforça a capacidade da literatura em promover a subjetivi- dade e os valores humanos. D) destaca a importância de reservar o texto literário àqueles que possuem maior repertório cultural. E) revela a superioridade da escrita poética como forma ideal de preservação da memória cultural. Literatura Contemporânea 44. (Enem-2017) Contranarciso em mim eu vejo o outro e outro e outro enfim dezenas trens passando vagões cheios de gente centenas o outro que há em mim é você você e você assim como eu estou em você eu estou nele em nós e só quando estamos em nós estamos em paz mesmo que estejamos a sós (LEMINSKI, P. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras, 2013.) A busca pela identidade constitui uma faceta da tradição lite- rária, redimensionada pelo olhar contemporâneo. No poema, essa nova dimensão revela a A) ausência de traços identitários. B) angústia com a solidão em público. C) valorização da descoberta do “eu” autêntico. D) percepção da empatia como fator de autoconhecimento. E) impossibilidade de vivenciar experiências de pertencimento. 45. (Enem-2016) Sem acessórios nem som Escrever só para me livrar de escrever. Escrever sem ver, com riscos sentindo falta dos acompanhamentos com as mesmas lesmas e figuras sem força de expressão. Mas tudo desafina: o pensamento pesa tanto quanto o corpo enquanto corto os conectivos corto as palavras rentes com tesoura de jardim cega e bruta com facão de mato. Mas a marca deste corte tem que ficar nas palavras que sobraram. Qualquer coisa do que desapareceu continuou nas margens, nos talos no atalho aberto a talhe de foice no caminho de rato. (FREITAS FILHO, A. Máquina de escrever: poesia reunida e revista. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003.) Nesse texto, a reflexão sobre o processo criativo aponta para uma concepção de atividade poética que põe em evidência o(a) A) angustiante necessidade de produção, presente em “Escrever só para me livrar/de escrever”. B) imprevisível percurso da composição, presente em “no ata- lho aberto a talhe de foice/no caminho de rato”. C) agressivo trabalho de supressão, presente em “corto as pa- lavras rentes/ com tesoura de jardim/ cega e bruta”. D) inevitável frustração diante do poema, presente em “Mas tudo desafina:/ o pensamento pesa/ tanto quanto o corpo”. E) Conflituosa relação com a inspiração, presente em “sen- tindo falta dos acompanhamentos/ figuras sem força de expressão”. 43. (Enem-2011) assim como LiteraturaLiteratura LiteraturaLiteratura 95 PG18EA445SD00_QE_2018_MIOLO.indb 95 26/02/2018 16:42:10