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Pelo menos em tese, é possível que alguém seja objeto de constrangimento com 
o emprego de violência (ou grave ameaça) para causar sofrimento mental a outra 
pessoa. Basta pensar na hipótese de um filho ser submetido a sucessivas simulações 
de afogamento, visando impor sofrimento moral ao pai, para dele se obter eventual 
informação, declaração ou confissão. Nesse caso, o agente pratica dois crimes de tor-
tura - um contra o pai (tortura psicológica) e outro contra o filho (tortura física) - por 
meio de uma única conduta, devendo responder por ambos os delitos em concurso 
formal impróprio, haja vista a existência de desígnios autônomos (CP, art. 70, in fine).
Na eventualidade de alguém ser submetido a constrangimento por meio de violência ou grave 
ameaça, porém incapaz de lhe causar sofrimento físico ou mental, não se estará diante de 
um crime de tortura, subsistindo, todavia, como verdadeiro soldado de reserva, o delito de 
constrangimento ilegal, previsto no art. 146 do CP (“Constranger alguém, mediante violência 
ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de 
resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda”).
Todavia, para fins de tipificação de um dos crimes de tortura previsto no art. 1 °, inciso I, da Lei n. 
9.455/97, não basta o constrangimento de alguém com o emprego de violência ou grave ameaça, 
com a produção de sofrimento físico ou mental. Para além disso, o delito deve ser praticado com 
um dos especiais fins de agir das alíneas “a” (“com o fim de obter informação, declaração ou 
confissão da vítima ou de terceira pessoa”) e “b” (“para provocar ação ou omissão de natureza 
criminosa”), ou com o especial motivo de agir da alínea “c” (“em razão de discriminação racial 
ou religiosa”). Verificada a ausência desses dados anímicos, o crime de tortura do art. 1°, 
inciso I, não se completa, do ponto de vista típico, embora possa dar origem a fato criminoso 
de qualificação jurídica diversa, como, por exemplo, lesão corporal, constrangimento ilegal, 
sequestro, etc. É o que ocorre, por exemplo, num trote em faculdade.
D) Não está tipificado o crime de tortura por falta de especial fim de agir, mas os autores 
poderão responder por constrangimento ilegal. (certo)
De acordo Renato Brasileiro (p. 989, 2020) com o advento da Constituição Federal de 1988 após 
um longo período de ditadura militar, durante o qual inúmeras pessoas foram torturadas, era de 
se esperar uma nítida preocupação do constituinte em coibir tal prática. Essa expectativa restou 
consolidada em alguns dispositivos constitucionais, quais sejam: a) o art. 5°, inciso III, dispõe que 
ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante; b)o mandado 
de criminalização do inciso XLIII do art. 5° determina que a lei deverá considerar inafiançáveis e 
insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas 
afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, 
os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.
Em relação a lei de tortura, 9.455/97, tem-se:
Art. 1º Constitui crime de tortura:
I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento 
físico ou mental:
p) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira 
pessoa;
q) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
r) em razão de discriminação racial ou religiosa;
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave 
ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida 
de caráter preventivo.