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Questões Comentadas 21
C) O dolo específico é de causar sofrimento físico e mental. (errado)
De acordo Renato Brasileiro (p. 989, 2020) com o advento da Constituição Federal de 1988 após 
um longo período de ditadura militar, durante o qual inúmeras pessoas foram torturadas, era de 
se esperar uma nítida preocupação do constituinte em coibir tal prática. Essa expectativa restou 
consolidada em alguns dispositivos constitucionais, quais sejam: a) o art. 5°, inciso III, dispõe que 
ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante; b)o mandado 
de criminalização do inciso XLIII do art. 5° determina que a lei deverá considerar inafiançáveis e 
insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas 
afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, 
os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.
Em relação a lei de tortura, 9.455/97, tem-se:
Art. 1º Constitui crime de tortura:
I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento 
físico ou mental:
k) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira 
pessoa;
l) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
m) em razão de discriminação racial ou religiosa;
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave 
ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida 
de caráter preventivo.
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Renato Brasileiro (p. 990, 2020) afirma que o núcleo do tipo (verbo da descrição da conduta na 
lei penal) é constranger, que significa retirar de alguém sua liberdade de autodeterminação.
Constranger significa, então, submeter, subjugar, obrigar, compelir, forçar alguém a fazer ou 
deixar de fazer alguma coisa. Esse constrangimento contra alguém (qualquer pessoa) deve ser 
praticado com violência ou grave ameaça. Vejamos o conceito desses meios de execução:
n) violência: a violência à pessoa, também denominada de vis corporalis ou vis abso-
luta, significa a violência física empregada pela força contra o corpo de alguém. É 
desnecessário que da violência resulte lesão corporal, merecendo consignar que, se 
esta sobrevier, desde que grave ou gravíssima, incidirá a qualificadora prevista no §3° 
do art. 1 º da Lei n. 9.455/97. A lesão leve é absorvida pelo crime previsto no caput;
o) grave ameaça: também chamada de vis compulsiva ou vis relativa, é a violência mo-
ral capaz de causar temor na vítima, de forma a viciar sua vontade e incapacitar sua 
resistência. A vítima, neste caso, experimenta um fundado receio de grave e iminente 
mal, seja físico ou moral, que possa atingir a si próprio ou pessoas que lhe são afetas. 
Pelo menos em tese, é possível que alguém seja objeto de constrangimento com 
o emprego de violência (ou grave ameaça) para causar sofrimento mental a outra 
pessoa. Basta pensar na hipótese de um filho ser submetido a sucessivas simulações 
de afogamento, visando impor sofrimento moral ao pai, para dele se obter eventual 
informação, declaração ou confissão. Nesse caso, o agente pratica dois crimes de tor-
tura - um contra o pai (tortura psicológica) e outro contra o filho (tortura física) - por 
meio de uma única conduta, devendo responder por ambos os delitos em concurso 
formal impróprio, haja vista a existência de desígnios autônomos (CP, art. 70, in fine).