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Conteudista Prof. Dr. Rodrigo Medina Zagni Revisão Textual Mírian Lúcia Ferreira Revisão Técnica Prof.ª Dra. Vivian Fiori Teorias sobre Cultura Sumário Objetivos da Unidade ............................................................................................................3 Introdução .............................................................................................................................. 4 Teorias Antropológicas da Cultura .................................................................................... 5 Evolucionismo Cultural .........................................................................................................7 Difusionismo .........................................................................................................................12 Funcionalismo .......................................................................................................................16 Estruturalismo ..................................................................................................................... 22 Em Síntese ............................................................................................................................ 26 Atividades de Fixação ........................................................................................................ 27 Material Complementar..................................................................................................... 29 Referências ...........................................................................................................................30 Gabarito .................................................................................................................................31 3 Objetivos da Unidade Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao conteúdo on-line para que você assista à videoaula. Será muito importante para o entendimento do conteúdo. Este arquivo PDF contém o mesmo conteúdo visto on-line. Sua disponibili- zação é para consulta off-line e possibilidade de impressão. No entanto, re- comendamos que acesse o conteúdo on-line para melhor aproveitamento. • Explorar algumas teorias sobre cultura; • Discutir alguns teóricos e suas obras sobre cultura; • Analisar as teorias e perspectivas sobre cultura a fim de compreender e expli- car as diferenças culturais existentes entre indivíduos, considerando fatores como hereditariedade, origem geográfica e aprendizagem. 4 VOCÊ SABE RESPONDER? Como as teorias sobre cultura propostas por diversos teóricos influenciam nossa compreensão e interpretação desse fenômeno social? Introdução O que explicam as diferenças culturais? Ou seja, por que indivíduos demonstram serem portadores de sistemas culturais sutis ou completamente distintos uns dos outros, dependendo do lugar ou do tempo de sua existência? A hereditariedade ex- plica? Legaríamos características culturais, valores, caráter e até mesmo inteligência aos nossos descendentes? A origem geográfica é o determinante? Se tivéssemos nascido em outra região, teríamos uma cultura completamente diversa da nossa? Ou a questão é a aprendizagem? Ou seja, todo o nosso repertório cultural nos foi ensinado por nossos familiares, pelas instituições religiosas, pela educação formal, pela própria sociedade na qual vivemos? Reflita Para complicar ainda mais essas questões, imagine a seguinte situação: um casal de franceses tem dois filhos gêmeos idênti- cos, ocorre que o parto acontece na Guatemala. Semanas de- pois, os irmãos são separados dos pais. Um dos quais é criado por uma tribo na Namíbia, o outro é criado em Tóquio. Os ir- mãos gêmeos terão idênticos sistemas culturais, obedecendo à hereditariedade? Ou seja, terão uma cultura primordialmente francesa – ou, em linhas gerais, europeia? Por terem nascido na Guatemala, mesmo que tenham sido transportados para locali- dades distintas, terão a mesma cultura por conta de uma origem geográfica comum? Ou teriam culturas completamente distin- tas? Um completamente inserido em uma cultura tribal africana; outro na complexa sociedade urbana e cosmopolita de Tóquio? Nesta Unidade conheceremos as teorias que, de diferentes pontos de vista, tenta- ram responder a questões dessa ordem, na Antropologia, Ciência Social cujo objeto primordial é o homem tomado em sua dimensão cultural. Em busca das respostas às perguntas aqui elaboradas, discutiremos a seguir algumas teorias sobre cultura. 5 Teorias Antropológicas da Cultura As teorias antropológicas servem de ferramentas para a aplicação do estudo em Antropologia, Ciência Social cujo objetivo é o estudo do homem e de suas obras, ou seja, de sua cultura. Nesse contexto, as teorias antropológicas servem diretamente à compreensão das diversas formas de manifestação cultural em distintas organiza- ções sociais humanas. Os diferentes tipos de organização social, desde os considerados primitivos até os mais complexos, estão intimamente relacionados às características culturais ali predominantes, para as quais as teorias da cultura servem de instrumento compreensivo. A partir da segunda metade do século XIX, período de consolidação de importantes conquistas anteriores, como o advento do Renascimento cultural na Europa (séc. XVI-XVII), das grandes navegações (séc. XVI), da conquista do Novo Mundo (séc. XVI), do desenvolvimento do método científico (séc. XVI-XVIII), das luzes da razão iluminista (séc. XVIII) e da consolidação do cientificismo e da corrente de pensa- mento positivista (séc. XIX). O espírito humano passou de uma fase subjetiva de conhecimento, na qual as fundamentações se davam em termos abstratos, hipotéti- cos e especulativos, para um conhecimento mais objetivo. Esse novo conhecimento visa estabelecer saberes científicos calcados na experimentação empírica, na iden- tificação de leis explicativas para seus determinantes causais e de sua generalização – transformação das leis científicas em leis gerais que explicam a totalidade das possibilidades de ocorrência do fenômeno estudado. Importante Essa mudança de postura, da qual provêm praticamente todas as teorias da cultura, foi responsável pelo novo status de Ciên- cia, conferido à Antropologia, cujo objeto passou a ser tratado como algo observável, mensurável, passível de ser decodifica- do estatisticamente, quantificado, teorizado, experimentado e comprovado, tratando-se o produto desse sistema de “conhe- cimento científico”. 6 Tiveram fundamental importância entre as teorias culturais, a fim de que a Antro- pologia fosse reconhecida como Ciência, primeiramente o evolucionismo, que tratava seu objeto de forma mais ampla, abraçando o estudo de civilizações in- teiras, enquanto outras teorias focavam organizações sociais quantitativamente menores, lidando com a cultura por meio de aspectos entendidos como evoluti- vos. Igual importância teve o difusionismo, que buscava a explicação do desen- volvimento cultural a partir do processo de difusão de elementos culturais de um sistema para outro. Figura 1 – Chromolithograph of human races of the World Fonte: iStock #ParaTodosVerem: a imagem intitulada “Chromolithograph of Human Races of the World” é uma ilustração colorida que retrata representações estilizadas das diferentes raças humanas ao redor do mundo. A imagem apresenta a variedade humana, cada uma representando um grupo étnico específico. Cada pessoa é mostrada com traços distintos, como características faciais, penteados e roupas típicas de sua região. Fim da descrição. Já o funcionalismo, que inovou o campo de interpretação antropológica, focava não mais nas origens históricas do estudo da cultura; mas sim seu contexto em dado momento, com a lógica do sistema focalizado. Porém, o estruturalismo, o mais re- cente movimento em orientação teórica em Antropologia, adotou posições próprias de natureza predominantemente subjetivas. São as ferramentas utilizadas pelos antropólogos estudiosos do “homem e suas obras”,de seu produto direto: a cultura humana; nobilíssimo trabalho ao qual se agregam conhecimentos de outras tantas ciências afins, com a mesma finalidade: reconstituir o passado cultural humano, entender a condição presente e projetar reflexões a respeito dos horizontes do homem. 7 Evolucionismo Cultural Com o incremento das navegações no século XVIII, resultado do avanço do comér- cio ultramarino, o transporte de produtos agrícolas e riquezas minerais entre territó- rios coloniais na América, África, Ásia e Europa, a civilização europeia pôde ter maior contato com povos que até então desconhecia; pôde saber de práticas religiosas, hábitos cotidianos e comportamentos sociais completamente diversos dos seus. O contato com o diverso possibilitou ao europeu pensar o homem em termos evo- lutivos, ou seja, comparar o homem europeu com os novos povos que eram do- minados permitiu interpretá-los como se estivessem em distintos estágios de um mesmo processo: a evolução. De forma etnocentrista e eurocêntrica, essas diferen- ças culturais moveram explicações de caráter monogenista e poligenista. Figura 2 – The perils of Atlantic navigation – the steamship “Columbia’s” encounter with an enormous iceberg on the Newfoundland Banks. From a sketch by an Off Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem intitulada The Perils of Atlantic Navigation – The Steamship ‘Columbia’s Encoun- ter with an Enormous Iceberg on the Newfoundland Banks é uma representação visual de um evento dramático ocorrido durante uma viagem marítima. A ilustração retrata o navio a vapor “Columbia” encontrando um imenso iceberg nas águas próximas aos Bancos de Newfoundland. O cenário é marcado pela presença imponente do iceberg, que se eleva acima das águas, contrastando com o navio em primeiro plano. Fim da descrição. 8 A interpretação monogeísta pressupunha um caminho linear e finalista para o pro- cesso evolutivo, partindo sempre de um estágio menos evoluído – o patamar primi- tivo – para o mais evoluído – a civilização. Essa interpretação encontrava respaldo nas teses do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) e sua defesa da per- fectibilidade humana, como um estágio possível de ser alcançado na esperança que depositava no homem natural, essencialmente bom. Vídeo As diferenças culturais constituiriam, portan- to, indicadores de que se encontrariam em etapas distintas do mesmo processo evoluti- vo e nisso consistiu o referencial teórico dos primeiros etnólogos que estudavam os ho- mens do passado, então como “homens pri- mitivos”. Caro leitor, convido você a assistir a este vídeo enriquecedor, que complemen- tará e solidificará os aprendizados adquiridos até o momento. Através desta experiência audiovisual, vamos aprofundar nossa com- preensão sobre os temas abordados neste e-book, ampliando nosso conhecimento de forma interativa e envolvente. Aproveite essa oportunidade para expandir seus horizontes e aprofundar sua compreensão. Já a poligenia, que não descartava a concepção da evolução, defendia que as di- ferenças provinham essencialmente da existência de distintos centros de criação, onde os homens teriam, portanto, diferentes origens, o que explicaria não apenas di- ferenças físicas, mas também prometia elucidar as diferenças morais entre os quais. Nas convicções da poligenia reside ainda a defesa de que, mesmo pertencentes a uma origem em comum, as diferenças que se de- senvolveriam no processo evolutivo levariam à degeneração da espécie no caso de indiví- duos pertencentes a distintas etapas evoluti- vas que tivessem se entrecruzado. https://youtu.be/dHbX3fY1LLE 9 Sob vários aspectos, o impacto da publica- ção da obra de Charles Darwin (1809-1882), intitulada “A origem das espécies”, em 1859, fez com que a perspectiva evolucionista pe- netrasse em várias áreas de conhecimento, para além da Biologia. Sua repercussão nas nascentes Ciências Hu- manas desdobrou-se no fenômeno do darwi- nismo social. A dominação colonial ganhava uma justificativa biológica: tratava-se do avanço civi- lizador do homem branco sobre a barbárie, que deveria ser civilizada. As sociedades também poderiam ser escalonadas segundo diferentes graus evolutivos que demons- trassem em termos econômicos, tecnológicos, políticos e culturais. Foi o filósofo in- glês Herbert Spencer (1820-1903), profundo admirador da obra de Charles Darwin e criador da expressão “sobrevivência do mais apto”, quem criou o darwinismo social, em sua busca por aplicar as leis da evolução em todos os níveis da atividade humana. Figura 3 – Herbert Spencer Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: imagem em preto e branco retratando Herbert Spencer. Ele veste terno e gravata borboleta, apa- renta idade avançada, o que pode ser notado pela calvície parcial e pelos cabelos e barba grisalhos. Fim da descrição. 10 Nesse esforço, a partir do darwinismo social, Spencer erigiu uma teoria sobre as raças; estendendo critérios de comparação e diferenciação, utilizados para o estudo de animais, a fim de compreender as diferenças entre os homens. Estabelecendo que, tal qual os animais, os homens se subdividiriam em raças e que, aplicando as teses darwinistas, poderiam ser qualificadas como mais ou menos aptas ou, ainda, primitivas ou civilizadas, de modo que estaria anulado o poder de livre arbítrio do homem, uma vez que suas escolhas estariam determinadas pelas características ét- nico-culturais que teriam herdado de seus antepassados. Utilizando esses critérios, o cruzamento inter-racial, a miscigenação, levaria à de- generação das espécies, enquanto sua perpetuação seria garantida pela valorização das raças “puras”, ou seja, intocadas pela miscigenação. A dominação de um grupo sobre outro ganhava não só uma explicação sistê- mica, pseudocientífica; mas, fundamentalmente, ganhava uma legitimação, pois em nome da defesa da civilização seria preciso dominar e/ou civilizar a barbárie. A Antropologia se desenvolveu, em seu período embrionário, orientada exatamente por esses pressupostos teóricos: evolucionistas. Assim, a tarefa do antropólogo, nesse contexto, não consistiria apenas em determi- nar a antiguidade do homem, utilizando as recentes descobertas da Química, senão identificar em que estágio estaria no processo evolutivo. A criação das etapas, dos estágios culturais segundo as características dos grupos estudados, constituiu tam- bém como tarefa primordial desses primeiros antropólogos – a taxiologia. O próprio tempo cronológico dava lugar a outra percepção de tempo: o da evolução, que per- mitiria a criação de uma escala para a sua determinação. Nesse esforço de identificar as etapas evolutivas de distintas sociedades, des- taca-se o trabalho do antropólogo e etnólogo norte-americano Lewis Henry Morgan (1818-1881), considerado um dos fundadores da Antropologia moderna, tendo sido um dos primeiros teóricos da cultura e da sociedade no pensamento antropológico. 11 Figura 4 – Lewis Henry Morgan Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: a imagem intitulada “Lewis Henry Morgan” retrata um retrato em preto e branco de Lewis Henry Morgan, um antropólogo e etnógrafo americano. Na imagem, Morgan está posicionado no centro, com o olhar para a lateral. Ele é retratado usando roupas formais da época, incluindo terno e gravata. Fim da descrição. Na obra Ancient society (1877), Morgan defendeu a existência de três estágios evo- lutivos para as sociedades humanas, que permitiriam agrupá-las e estudá-las de acordo com critérios rigorosos de análise e qualificação de seus caracteres: selva- geria, barbárie e civilização. Outra contribuição notável, no contexto do evolucionismo na Antropologia, foi dada pelo antropólogo inglês Edward Burnett Tylor (1832-1917), considerado o “pai do conceito moderno de cultura”. Condensou, em sua principal obra – Primitive culture, de 1871 (HOEBEL; FROST, 1976) –, ideias que possuem um longo histórico de fluên- cia no Ocidente, remontando aos primórdios da Filosofia iluminista eque já faziam a defesa do papel da educação na transmissão cultural – fenômeno caracterizado como endoculturação. Ocorre que, na prática, os “selvagens”, ou seja, o “homem primitivo”, não era estudado in loco. Dito de outra forma, se contemporâneos ao estudioso, não eram estudados pelo an- tropólogo onde viviam; mas por meio de documentos escritos: relatos de cronistas, viajantes, missionários religiosos, mercenários etc.; já para povos do passado, o de- safio era ainda maior, uma vez que apenas seus artefatos poderiam ser estudados e seu estágio evolutivo determinado comparativamente com aqueles mais evoluidos. Obviamente, a questão do “mais evoluído” ou da “civilização” tinha como modelo o homem europeu. Portanto, trata-se de uma visão etnocentrista e eurocêntrica que comprometia a ideia de progresso, que perpassa ideologicamente esse arcabouço teórico, como o caminho que levaria a selvageria ao modelo europeu de civilização. 12 Difusionismo Cultura é o todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade, ou hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade. Fonte: TYLOR, 1871 O difusionismo se desenvolveu, na Antropologia, como uma violenta resposta aos pressupostos teóricos do evolucionismo. Figura 5 – William Halse Rivers Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: a imagem, intitulada “William Halse Rivers”, exibe um retrato em preto e branco de William Halse Rivers, um renomado antropólogo e psiquiatra britânico. Na imagem, Rivers está posicionado no centro, mas olha para a sua direita. Ele é retratado usando roupas formais da época, incluindo terno e gravata, está utili- zando óculos e possui um bigode. Fim da descrição. Data do início do século XX a comunicação das posturas mais radicais dessa cor- rente. O primeiro teórico a se engajar na resistência contra o evolucionismo foi o médico, psicólogo e antropólogo britânico William Halse Rivers Rivers (1864-1922), cujos discípulos – William James Perry (1887-1949) e Grafton Elliot Smith (1871- 1937) – deram continuidade à sua obra. 13 A teoria antropológica que se desenvolveu na crença de que os homens surgiram na África e de lá migraram e se desenvolveram em outros lugares é chamada de: a. Evolucionismo. b. Funcionalismo. c. Difusionismo. d. Relativismo. e. Darwinismo social. Os difusionistas britânicos – Rivers, Perry e Smith – contrapunham-se às explicações evolucionistas para as diferenças e semelhanças culturais recorrendo a fenômenos ignorados por essa corrente, como correntes migratórias, deslocamentos popula- cionais e contatos interculturais. Particularmente Elliot Smith, egiptólogo, além de antropólogo, defendeu a tese de que a civilização egípcia seria portadora de indícios que revelariam ter sido a África o berço da origem da humanidade, e a partir dali teria se difundido. O movimento de difusão teria se desencadeado naquele ponto – o Egito –, culminando em sua difusão por todo o mundo, em ondas de deslocamento que teriam passado a se diferenciar umas das outras. Figura 6 – American Museum of Natural History Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: a imagem apresenta a fachada principal do famoso museu localizado na cidade de Nova York. A construção é imponente, com várias colunas e uma arquitetura grandiosa. A fachada é decorada com esculturas e detalhes ornamentais que conferem ao edifício um estilo clássico. Fim da descrição. 14 Ainda que tenha sido desmontada, em termos teóricos, a tese de que a diversidade cultural seria resultado da difusão de características provenientes de um único centro fez com que o difusionismo tenha cumprido um relevante papel ao oferecer, no início do século XX, uma alternativa explicativa à questão da diversidade cultural, tendo sido a primeira a se defrontar com o vigente evolucionismo. O antropólogo teuto-america- no Franz Boas (1858-1942), defensor da corrente denominada histórica, pode-se dizer, esteve entre o difusionismo e o funcionalismo – que veremos a seguir. Figura 7 – Antropologista Franz Boas Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: a imagem, intitulada “Antropologista Franz Boas”, retrata o antropologista Franz Boas. Ele é representado em preto e branco, em uma fotografia de perfil. Utiliza um terno com uma camisa branca e uma gravata borboleta. O antropologista possui um bigode. Fim da descrição. Seu trabalho pioneiro, junto de seus discípulos, consiste no mais importante ponto de inflexão nos estudos antropológicos, no que tange ao declínio da Antropologia Rácica Evolucionista, uma vez que sua proposta relativista desmontava a ideia de proximidade entre evolução biológica e cultural. Seu pioneirismo consiste na cons- trução teórica que assentou métodos radicalmente distintos daqueles produzidos nos modos de conceber e estudar as culturas humanas, propondo relativizá-las, ao invés de escaloná-las hierarquicamente. Não que estudos comparativos não pudes- sem ser feitos entre distintas culturas, ou mesmo que não se pudesse identificar uma origem comum para ambas. 15 O que Boas propunha era um pro- cesso indutivo que identificasse as relações que possibilitariam a comparação, para o então estabe- lecimento das conexões históricas pertinentes. Para Boas o mesmo fenômeno tem sentidos variados em cada cultura. Assim, o fato de ocorrências semelhantes serem identificadas em distintas culturas não constitui prova de uma origem comum. Consequentemente, não havendo uma única origem cultu- ral, não se pode mencionar cultura no singular, senão culturas. Ou seja, cada cultura teria sua própria história; não uma cultura humana universal e originária – como pressupunham os evolucionistas e até mesmo parte dos difusio- nistas. Sendo então autônomas, todas as culturas seriam também dinâmicas em suas transformações ao longo do tempo. Nesse contexto, suas críticas pesavam mais gravemente sobre os determinismos biológicos e geográficos, bem como no transporte de categorias explicativas evolucionistas para o tratamento das relações culturais, o que havia levado ao fenômeno do evolucionismo cultural. Contrário a essa explicação evolucionista para a diferenciação das culturas, Boas demonstrou que cada sistema cultural constituiria uma unidade inte- grada, resultado de um desenvolvimento histórico específico. Com isso, determinou a independência dos fenômenos culturais em relação aos condicionantes geográficos e biológicos, vigentes como explicação desde o perí- odo formativo da Antropologia. As dinâmicas culturais estariam desatreladas des- ses elementos; obedecendo apenas à lógica da interação entre os indivíduos, o meio e a sociedade. A concepção evolucionista aplicada à cultura, responsável pelo assentamento de uma visão etapista linear, na forma de estágios evolutivos pelos quais, obrigatoriamente, 16 todas as sociedades passariam, assistia ao surgimento de sua mais severa e consis- tente crítica. Esta nova postura teórica deslocou completamente os sentidos ge- rais da Antropologia, desde seus objetos, objetivos até o ofício do antropólogo, que passava a ser o estudo de sistemas culturais particulares – e não da identificação de uma cultura universal. Funcionalismo Uma das mudanças mais significativas para a determinação do fracasso explicativo do evolucionismo foi o abandono dos relatos de cronistas, viajantes e congêneres como base informativa para estudos antropológicos e a adoção de métodos de pes- quisa de campo. A excessiva utilização de valores europeus na análise valorativa de povos não euro- peus para demarcar sua posição em uma espécie de “corrida” linear e etapista rumo à civilização, tendo como força motriz o progresso, marcou também o abandono do evolucionismo como ferramenta explicativa de diferenças não apenas biológicas ou culturais, mas também psicológicas e intelectuais. Importante Nesse contexto, o evolucionismo de Spencer passou a, grada- tivamente, dar lugar ao determinismo de uma corrente teórica ascendente:o funcionalismo na Antropologia, cujo precursor foi o antropólogo polonês Bronislaw Kasper Malinowski (1884- 1942), considerado um dos fundadores da Antropologia Social. Apesar de tomar o avanço colonizador como dado, bem como justificar a neces- sidade de estudo dos “povos primitivos” pelo avanço do imperialismo europeu, o funcionalismo de Malinowski, ainda que comparando as sociedades estudadas com aquela na qual pertencia o estudioso, abandonava a mecanicidade da escala evo- lutiva, focalizando as culturas diversas em situação, ou seja, a partir de sua própria contextualização. 17 Leitura O Funcionalismo na Antropologia Prezado(a) aluno(a), recomendamos este artigo como uma forma de complementar o tema que está sendo explorado. Acre- ditamos que a partir dessa leitura envol- vente, você irá ampliar sua compreensão e vivenciar uma experiência enriquecedora, trazendo novas nuances e perspectivas ao assunto em foco. O próprio etnocentrismo e o eurocentrismo passaram a dar lugar, na Antropologia, a outra atitude. Malinowski sistematizou o método que passou a tomar a cultura do “homem primitivo” não a partir do olhar valorativo europeu, ou seja, do antropólogo; o desafio consistiria em determinar o ponto de vista do “homem primitivo” para, en- tão, empreender a análise de sua cultura. Sua proposta metodológica consistia ainda na compreensão do todo complexo de uma sociedade, incluindo sua constituição cultural, identificando suas partes componentes significativas. Tais seriam estudadas isoladamente, parte por parte para, em seguida, serem articu- ladas, construindo-se a partir daí a compreensão sobre o todo. Seguindo o exemplo do que fez com as sociedades, dividiu também a existência social, a partir da identi- ficação da natureza das necessidades humanas. Para Malinowski haveria dois tipos primordiais de necessidades: Que seriam as necessidades biológicas; Primárias https://cesad.ufs.br/ORBI/public/uploadCatalago/11080016022012Antropologia_I_aula_9.pdf 18 As necessidades culturais. Ocorre que as necessidades primárias é que de- terminariam as secundárias, ou seja, a cultura estaria ligada à satisfação das necessidades biológicas, até que se desenvolveriam dinâmicas tão com- plexas que passariam a constituir, por si só, necessidades. Secundárias Para empreender esses estudos, o antropólogo necessitaria de um rigoroso proce- dimento metodológico. Dada a complexidade dos objetos da Antropologia, a impor- tação pura e simples dos métodos das Ciências da Natureza e das Ciências Formais não resolveria, de modo que seria necessário criar novos métodos para as nascen- tes Ciências Humanas. Assim, o método proposto por Malinowski consiste em três etapas/tarefas: 1. Observar todos os costumes dos nativos; 2. Apreender suas narrativas orais; 3. Utilizar métodos estatísticos. A observação do comportamento social dos povos estudados possibilitaria ao antropólogo identificar as referências dos nativos, exatamente o que permitiria ao pesquisador dessa área estudar uma cultura com o uso de suas próprias refe- rências – e não as do antropólogo. Tais referências captadas receberam o nome de imponderáveis da vida real, o cerne de toda a pesquisa. Isso possibilitaria abandonar as pré-concepções que caracterizavam as abordagens evolucionistas e as atitudes que possibilitavam valorar negativamente os nativos, comparando- -os aos europeus. 19 Brincando nos campos do Senhor Dir. Héctor Babenco, Estados Unidos, drama, colorido, 1991. Sinopse: um casal de missionários e seu filho pequeno embarcam na selva ama- zônica brasileira para catequizar índios ainda arredios à noção de Deus. Martin Quarrier (Aidan Quinn) é sociólogo e termina sendo motivado pelas expe- riências de outro casal, os Hubens. As intenções religiosas e a harmonia entre brancos e índios no local ficam instáveis devido à presença de Lewis Moon (Tom Berenger), um mercenário descendente dos índios americanos. As comparações seguiriam possíveis; mas a extensão dos valores europeus aos nati- vos não seria mais viável. O afastamento das ideias preconcebidas, os preconceitos, possibilitaria à Antropologia galgar, por meio de maior rigor metodológico, maior grau empírico. O cientista social britânico Alfred Reginald Radcli e-Brown (1881- 1955), tido como um dos maiores expoentes da Antropologia por desenvolver a te- oria do funcionalismo estrutural, imbuído da defesa de Malinowski à pesquisa de campo, propunha combiná-la também ao trabalho de gabinete. Isso possibilitaria abrir novos horizontes à Ciência Antropológica, uma vez que o risco era o de a An- tropologia, estudando culturas isoladamente, tornar-se exaustivamente descritiva. Os novos horizontes constituiriam as possibilidades de se estudar comparativamen- te as culturas descritas. 20 Figura 8 – Alfred Reginald Radcliffe-Brown Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: a imagem retrata o renomado antropólogo Alfred Reginald Radcliffe-Brown. Ele é repre- sentado em preto e branco, em uma fotografia cortada acima dos ombros. Radcliffe-Brown é um homem de postura ereta e expressão séria. Ele possui cabelos curtos e barba aparada. Está vestindo roupas formais, como um terno e gravata. Fim da descrição. A tarefa seria articular os métodos histórico e comparativo nos estudos antropológi- cos. O estudo comparado possibilitaria, por sua vez, a identificação de regularidades e a proposição de leis gerais para fenômenos recorrentes ou similares. Entre as possibilidades, então, de identificação de fenômenos gerais, uma lei ge- ral identificada por Radcliffe e-Brown consistiria na natureza e funcionamento das relações e estruturas sociais baseadas em “oposição”. Enfatizando seus aspectos funcionais, fenômenos recorrentes como os de hostilidade intergrupal, violência, estupro, entre outros. 21 Figura 9 – Engraving by Theodor de Bry after a weroans or great lord of Virginia by John White Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: a imagem intitulada “Engraving by Theodor de Bry after a weroans or great lord of Virginia by John White” retrata dois líderes se encarando. A gravura é uma obra de Theodor de Bry, baseada em um de- senho de John White. Ambos os líderes são representados de forma detalhada, com roupas e adereços distintos. Eles estão posicionados de frente um para o outro, encarando-se; suas expressões faciais parecem sérias. A gravura é em preto e branco, apresentando traços finos e precisos. Fim da descrição. Problemas do Relativismo Comparativamente ao Evolucionismo, o funcionalismo permitiu a adoção de uma postura diversa daquela de superioridade entre o estu- dioso e a cultura estudada. O desdobramento dessa postura consiste no relativismo que, por sua vez, distancia o investigador dos questionamentos valorativos sobre os nativos, que passam a ser meros comunicadores de suas práticas culturais. Normas e valores, para os relativistas, não devem ser objeto de nenhuma ordem de questionamento e a postura do antropólogo em campo, por- tanto, é a de mero coletor e analista de informações. O relativismo é ra- dicalmente contrário à tendência universalista do evolucionismo; ou seja, contra seu ímpeto de estender um mesmo repertório cultural – o europeu, entendido como civilizado – à totalidade das sociedades, taxadas como inferiores – bárbaras. 22 Nada a universalizar, tudo a relativizar! Ocorre que, assim, ao tratar de costu- mes como o do apedrejamento de mulheres adúlteras no Irã; o estupro aceito e legalizado no âmbito do matrimônio no Afeganistão; a condenação à morte de homossexuais em Uganda; a prática da excisão – mutilação do clitóris e dos pequenos lábios do órgão sexual feminino – em Djibuti, Etiópia, Somália, Sudão, Egito e Quênia; o racismo desvelado no Sul dos Estados Unidos; o machismo na sociedade brasileira; a pena de morte atualmente praticada em diversos países no mundo; não poderiam ser criticados por cientistas, isso porque valores como a liberdade, igualdade, o direito à vidae à inviolabilidade do corpo não poderiam ser universalizados. Ainda hoje essa postura consiste em um problema: parte dos cientistas defende que se tratam, as práticas de violência acima descritas, de práticas culturais, de modo que qualquer tentativa de universalização de valores – incluindo a liberdade, igualdade, o direito à vida e à inviolabilidade do corpo – seria um atentado contra a autonomia cultural. Outra parte significativa defende que alguns valores devem ser universalizados. Ocorre que, da mesma forma, sociedades que foram historicamente com- preendidas como civilizadas, são também portadoras de culturas violentas e que atentam contra direitos básicos. Vide o histórico de guerras religio- sas, intolerância, torturas, execuções em fogueiras e enforcamentos que atravessam a história do cristianismo na Europa. Vide a violência com que negros são tratados pela polícia nos Estados Unidos de hoje. Para não nos demorarmos nas incontáveis possibilidades de exemplos que de- monstram que culturas de ódio e intolerância são também fenômenos universais. Importante pergunta a ser feita é: reconhecido o direito à autonomia cultural e à necessidade de se relativizar valores, não seria necessário universalizar a liberdade, igualdade, o direito à vida e à inviolabilidade do corpo? Estruturalismo O antropólogo, professor e filósofo francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009) foi o fundador da chamada Antropologia Estrutural, corrente que se conformou a partir de seus estudos sobre os povos indígenas do Brasil. Durante o período em que aqui permaneceu, integrou a missão francesa cujo objetivo foi estruturar as áreas de Ci- ências Humanas da recém-criada Universidade de São Paulo (USP), no período que 23 se estendeu de 1935 a 1939. Durante esses quatro anos, estudando aspectos sobre a língua, costumes e lendas de povos indígenas, coletou os dados que permitiram criar uma nova teoria antropológica, elaborada e apresentada entre o final da década de 1940 e início de 1950. Figura 10 – Filósofo francês Claude Lévi-Strauss Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: a imagem, intitulada “Filósofo francês Claude Lévi-Strauss”, retrata Claude Lévi-Strauss, um renomado filósofo francês, em uma foto colorida. Ele está sorrindo enquanto olha para a sua esquerda. Claude Lévi-Strauss está vestindo terno e usa óculos. Fim da descrição. Estudou os Kaingang, no Norte do Paraná. Os pressupostos dessa nova corrente teórica foram publicados em duas de suas principais obras: as estruturas elemen- tares do parentesco, de 1949; e Tristes trópicos, de 1955; que o notabilizaram mundialmente. Lévi-Strauss recorreu à chamada teoria estruturalista francesa, a qual pressu- punha que “estruturas universais” estariam por trás de todas as ações humanas, dando forma às culturas em suas mais variadas manifestações: linguagem, mitos, religiões, etc. Distinguiu-se gravemente dos demais antropólogos que buscavam revelar as diferenças entre povos e culturas, nas mais das vezes valorativas; en- quanto Lévi-Strauss procurava as estruturas universais, chamadas também de estruturas profundas. 24 Dança com lobos Dir. Kevin Costner. Estados Unidos, drama, colorido, 1990. Sinopse: durante a Guerra Civil, um jovem soldado (Kevin Costner) pratica um ato ousado, é considerado herói e vai servir por sua escolha em um lu- gar com forte predominância do povo Sioux. Com o tempo, ele assimila os costumes dos nativos, acontecendo uma aculturação às avessas. Sem se preocupar com as diferenças, os estudos de Lévi-Strauss colaboraram na relativização entre povos e culturas, estreitando seus laços pela via da aceitação do diverso, exatamente porque, para esse pesquisador, as diferenças entre os po- vos não constituíam o objeto central de interesse antropológico. Para Lévi-Strauss a maior parte dos antropólogos estava preocupada com o que denominaram de “aparência”. Obviamente, utilizou-se de um dos fundamentos do estruturalismo para fazer tal afirmação, exatamente a oposição entre essência e aparência. Suas pesquisas estavam dirigidas aos sentidos profundos das ações humanas e de seus pro- dutos, na busca pela essência, encontrando-se com a Psicologia, a Lógica e a Filosofia das sociedades estudadas. A mera descrição das práticas rituais de uma determinada sociedade, a aparência, não lhe interessava. Essa nova e revolucio- nária abordagem encontrou contornos teóricos acabados na obra O pensamento selvagem, de 1962. 25 O pensamento selvagem Claude Lévi-Strauss Sinopse: essa obra fundamental de an- tropologia do ‘pai’ do estruturalismo, aqui se ocupa minuciosa e objetivamen- te da etnologia tradicional, focalizando uma característica universal do espírito humano – o pensamento selvagem que se desenvolve no homem, seja no anti- go ou no contemporâneo. Sobre o impacto que representou, para além da Antropologia, implicava em como tratar o, até então denominado, homem primitivo. Seu método estruturalista per- mitia compreender que sociedades tribais revelavam sistemas lógicos notáveis, de qualidades mentais, racionais tão sofisticadas quanto às de sociedades até então tidas como superiores. 26 Em Síntese Sua teoria desmontava as convicções comumente aceitas de que as sociedades primitivas seriam intelectualmente de citárias e temperamentalmente irracionais, e que suas ações e obras, que constituiriam seus “pobres” repertórios culturais, tinham por finalidade a satisfação de necessidades imediatas, como as de alimento, vesti- menta e abrigo. Sob esses novos pressupostos teóricos, a visão pejorativa sobre as tribos primitivas estava fadada a desaparecer. Finalizando esta Unidade, é importan- te perceber que existem diferentes teorias que explicam a cultura e a visão sobre a existência do homem. 27 Atividades de Fixação 1 – Tiveram fundamental importância entre as teorias culturais, a fim de que a An- tropologia fosse reconhecida como Ciência, as seguintes áreas, EXCETO: a. Evolucionismo, que tratava seu objeto de forma mais ampla, abraçando o estu- do de civilizações inteiras, enquanto outras teorias focavam organizações sociais quantitativamente menores, lidando com a cultura por meio de aspectos enten- didos como evolutivos. b. Difusionismo, que buscava a explicação do desenvolvimento cultural a partir do processo de difusão de elementos culturais de um sistema para outro. c. Funcionalismo, que inovou o campo de interpretação antropológica, focava não mais as origens históricas do estudo da cultura; mas sim seu contexto em dado momento, com a lógica do sistema focalizado. d. Estruturalismo, o mais recente movimento em orientação teórica em Antropolo- gia, adotou posições próprias de natureza predominantemente subjetivas. e. Relativismo, que trata da difusão dos povos e mostra que a cultura vai evoluindo dos mais atrasados para os mais adiantados e se relaciona à herança biológica. 2 – Pressupunha um caminho linear e finalista para o processo evolutivo, partindo sempre de um estágio menos evoluído – o patamar primitivo – para o mais evo- luído – a civilização. Essa interpretação encontrava respaldo nas teses do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) e sua defesa da perfectibilidade huma- na, como um estágio possível de ser alcançado na esperança que depositava no homem natural, essencialmente bom. Trata-se: a. Da poligenia. b. Da interpretação monogeísta. c. Do estruturalismo. d. Do funcionalismo. e. Da interpretação difusionista. 28 Atividades de Fixação Atenção, estudante! Veja o gabarito desta atividade de fixação no fim deste conteúdo. 3 – O cientista social britânico Alfred Reginald Radcliffe-Brown (1881-1955), tido como um dos maiores expoentes da Antropologia por ter desenvolvido a teoria do funcionalismo estrutural, imbuído da defesa de Malinowski à pesquisa de campo, propunha combiná-la também ao trabalho de gabinete. Considerando o fragmento de texto acima apresentado, analise as asserções abai- xo quanto à veracidade das proposições:A tarefa seria articular os métodos histórico e comparativo nos estudos antropológicos. PORQUE O estudo comparado possibilitaria, por sua vez, a identificação de regularidades e a proposição de leis gerais para fenômenos recorrentes ou similares. Sobre estas duas asserções, é CORRETO afirmar que: a. As duas são falsas. b. A primeira é verdadeira e a segunda é falsa. c. A primeira é falsa e a segunda é verdadeira. d. As duas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. e. As duas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira. 4 – Sobre o funcionalismo, cujo expoente foi Malinowski, assinale a alternativa que NÃO tem relação com a concepção desse autor para compreender a cultura: a. Definia que os homens evoluíam de primitivos a civilizados e que os europeus deveriam ser considerados povos superiores. b. A cultura deveria ser estudada a partir dos próprios povos e suas manifestações. c. Focalizava as culturas diversas em situação, ou seja, a partir de suas próprias contextualizações. d. Abandonou o próprio etnocentrismo e eurocentrismo. e. Sua proposta metodológica consistia ainda na compreensão do todo complexo de uma sociedade, incluindo sua constituição cultural, identificando suas partes componentes significativas. 29 Material Complementar O Último dos Moicanos Sinopse: no período colonial, durante a guerra entre Inglaterra e França, o ho- mem criado por índios Hawkeye (Daniel Day-Lewis) luta pela justiça e segue os valores moicanos. Ele se apaixona por Cora Munro (Madeleine Stowe), a filha de um oficial britânico e deve enfrentar o desacordo deste. https://youtu.be/Ztx_gmZDLO4 Filme História e Etnologia. Lévi-Strauss e os Embates em Região de Fronteira https://bit.ly/3Qpc9iG O Nascimento da Antropologia Americana e o Difusionismo: “Franz Boas como Protagonista.” – por Moacir Pereira Alencar Junior https://bit.ly/3rMAs03 Leituras https://youtu.be/Ztx_gmZDLO4 https://bit.ly/3Qpc9iG https://bit.ly/3rMAs03 30 Referências CHICARINO, T. Antropologia social e cultural. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2014. (e-book) FONSECA, D. M.; PACHECO, M. R. Difusionismo e evolucionismo. ant1mcc, 7 abr. 2009. Disponível em: <http://ant1mcc.blogspot.com/2009/04/difusionismo-e-e- volucionismo.html>. Acesso em: 15/01/2017. HOEBEL, E. A.; FROST, E. L. Antropologia cultural e social. São Paulo: Cultrix, 1976. REIS, N. I. dos. [Resenha de] BOAS, F. Antropologia cultural. Org. Celso Castro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. 109 p. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, RS, v. 10, n. 22, jul./dec. 2004. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/ha/a/SLhCKZyD- JsKyHTbmcXZRxGP/?lang=pt>. Acesso em: 15/01/2017. SCHWARCZ, L. K. M. História e Etnologia. Lévi-Strauss e os embates em região de fronteira. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 42, n. 1-2, 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-77011999000100011&script=sci_art- text>. Acesso em: 15/01/2017. https://www.scielo.br/j/ha/a/SLhCKZyDJsKyHTbmcXZRxGP/?lang=pt. Acesso em: 15/01/2017 31 Gabarito Atividades de Fixação Questão 1 e) Relativismo, que trata da difusão dos povos e mostra que a cultura vai evoluindo dos mais atrasados para os mais adiantados e se relaciona à herança biológica. Justificativa: É importante ressaltar que o relativismo cultural não aborda a cultura como uma herança biológica. Diferentemente das características hereditárias trans- mitidas geneticamente, a cultura é adquirida por meio da interação e aprendizagem social. O relativismo cultural reconhece que as normas, valores e comportamentos culturais são construídos coletivamente e podem variar amplamente entre diferen- tes grupos e sociedades. Questão 2 b) Da interpretação monogeísta. Justificativa: A interpretação monogeísta pressupunha um caminho linear e fina- lista para o processo evolutivo, partindo sempre de um estágio menos evoluído – o patamar primitivo – para o mais evoluído – a civilização. Essa interpretação encon- trava respaldo nas teses do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) e sua defesa da perfectibilidade humana, como um estágio possível de ser alcançado na esperança que depositava no homem natural, essencialmente bom. Questão 3 d) As duas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. Justificativa: Ambas as afirmativas são verdadeiras e a segunda é uma justificativa apropriada para a primeira. Questão 4 a) Definia que os homens evoluíam de primitivos a civilizados e que os europeus deveriam ser considerados povos superiores. Justificativa: O funcionalismo ou mesmo Malinowski não coadunaram com a afir- mação da alternativa em questão. Atividades Rápidas Pág. 13 c) Difusionismo.