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É um prazer falar de assuntos que nos são tão caros, e tema de hoje é educação, não qualquer educação, mas a educação de sempre, clássica, liberal e a educação católica, que são a mesma coisa. “Ai, meu Deus! Educação liberal não!”. Sim! Nós veremos por que a educação pode se chamar clássica, liberal e católica, e que os antigos chamavam simplesmente de Educação. Hoje em dia, nós dizemos quando alguém aprende um ofício, que aquilo faz parte da educação dela; o sujeito vai ser engenheiro, aquilo é parte da educação superior dele, o sujeito vai ser artesão e está sendo educado para sê-lo. Nada disso é educação para os antigos – entenda-se gregos, romanos e medievais, em certa medida. Isso tudo são aprendizados, com isso nós aprendemos novas habilidades, mas mesmo um pintor como o Leonardo da Vinci é um sujeito que não foi educado, resolvendo aprender latim já depois de velho, mas a princípio ele era um artesão, não um sujeito educado, ele trabalhava com algo cujo fruto era exterior a ele mesmo. Um sujeito que faz uma mesa não precisa de educação, segundo a terminologia antiga, ele precisa de adestramento. Isso o diminui de dignidade? Não! De forma alguma, só que educação era educação do próprio espírito, ela aquela pessoa que se dedicava ao ócio e não ao negócio; se dedicar ao ócio não é deitar na rede, bater papo furado, tomar chimarrão, nem nada disso, se dedicar ao ócio é trabalhar para dentro e isso vem de educação. Educação vem do vocábulo latino ex ducere, que significa conduzir, isto é, dux é um condutor, um guia – na Itália, Mussolini era chamado de II duce, o que na Alemanha se diz Führer -, que conduz para fora, e para isso é preciso ter alguma coisa dentro que seja conduzida para fora, e a formação disso que está dentro é o que nós fazemos em educação no sentido mais estrito da palavra. A Grécia que existe hoje compreende aquilo que nós poderíamos chamar de centro da cultura grega antiga, mas a cultura grega se espalha por todo o Mediterrâneo e Mar Negro, se nós formos na Ucrânia ou na Bulgária, na Romênia e em toda a costa do Mar Negro, ali ainda há aquelas ruínas de templos gregos, conseguimos encontrar vestígios de cultura grega, assim como no norte da África inteiro, na Espanha, nós encontramos cultura grega, aqueles templos com colunas, que são uma coisa bem típica da Grécia Antiga. Por acaso, Lisboa recebe esse nome de olisipo, a palavra foi se corrompendo até chegar em Lisboa, que é uma outra força de dizermos Odisseu, já que em Latim nós dizemos Ulisses, que era uma cidade fora das colunas de Hércules, ou seja, dentro do Oceano Atlântico; Ulisses saiu navegando, chegou ali naquele lugar e fundou uma cidade, que é Lisboa. Tudo na Europa, inclusive coisas pouco prováveis como a costa do Atlântico, precisa ter uma ligação com a Grécia, e essa ligação na maioria das vezes não é histórica mas mitológica, como nesse caso de Lisboa, que nós não temos nenhuma ruína grega, não achamos nenhum vaso grego, nenhum artefato arqueológico, nem mesmo relatos de que algum dia algum grego tenha estado em Lisboa, mas tudo precisa ter uma relação com a Grécia, e mais precisamente com uma guerra que foi travada entre os gregos (que são europeus) e os troianos que (são asiáticos, pois Tróia fica onde hoje é a Turquia). Se os gregos em europeus, por que existe essa palavra Europa? Europa era uma menina fenícia, ou seja, ela era de uma raça semitas, como por exemplo os árabes, judeus e algumas etnias dos babilônicos; Abraão era um semita porque saiu da Babilônia, nasceu na cidade de Ur, e foi chamado por Deus para sair dali e se deslocar para uma terra que Ele havia guardado. Os fenícios também são semitas, e eis que uma menina semita estava na costa da Fenícia – que nunca existiu de forma concreta, já que ainda não sabemos ao certo onde se localizava -, brincando com seu povo de navegantes, quando o deus Júpiter (Zeus, para os gregos) a admira, acha ela muito bonita, resolvendo se transformar em touro, descer do Olimpo e ir brincar com a menina; ao transformar-se em um touro branco enorme, Zeus assusta todas as meninas que brincavam, menos a Europa, que com coragem se aproxima e dá um pouco de capim para o touro comer. Em um golpe súbito, o touro captura a menina e adentra o mar com ela em suas costas, fazendo com que as outras meninas ficassem espantadas, levando Europa para a Ilha de Creta, na Grécia (que existe até hoje). A partir de então, todo o território acima de onde Zeus deixa Europa viver e crescer ganha o nome da menina, passando a se chamar Europa. Nós usamos esse nome até hoje, que surgiu de uma história que alguém inventou de cabeça, pode ter tido algum fundo de verdade, pode até ter existido uma menina chamada Europa, mas é muito improvável que ela tenha sido raptada por um deus que desceu do Olimpo e se metamorfoseou em touro, mas se não fosse por essa história nós teríamos perdido para sempre a justificativa de por que a Europa tem esse nome e por que Lisboa se chama Lisboa. E não é só isso, tudo tem que ver com essas histórias, a nossa cultura inteira é baseada em histórias da carochinha como essas, que precisam ser conhecidas e mantidas dentro da nossa memória, se não as coisas param de fazer sentido. “Ah, mas como foi realmente na História?”, pergunte a um historiador, ele não sabe, porque não há História antes da escrita, e mesmo quando se começa a se escrever as coisas, não era uma ata, um diário oficial que era redigido, eram histórias como essas. Nós estamos nos esquecendo das histórias, o ser-humano cria estas histórias e precisa ensiná-las aos seus filhos, aí nasce o princípio que nós chamamos de educação e que os gregos chamavam de paideia, que vem de paidos que significa criança, ou seja, um paidagogos é um dux infantium, em grego nós dizemos gogos, que é o indivíduo que conduz a criança no caminho para a escola, ele não é um professor, mas alguém que acompanha a criança para que ela não ande sozinha, o professor é didáskalos, mas um paidagogos é o sujeito que anda de mão dada, ajudando a criança a carregar o seu material para ir à escola, para encontrar-se com seu professor, quase sempre um escravo que conduz a criança de perto. Parei aos 13.