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- Uma característica importante distingue a degradação dos aminoácidos de outros processos catabólicos: todos os aminoácidos contêm um grupo amino, e as vias para a degradação dos aminoácidos incluem, portanto, uma etapa fundamental, na qual o grupo alfa-amino é separado do esqueleto de carbono e desviado para as vias do metabolismo do grupo amino; As proteínas intracelulares são degradadas, gerando aminoácidos livres (renovação das proteínas) > de todas as moléculas das células, apenas o DNA é sintetizado uma única vez; O esqueleto carbonado é constituído de alfa-cetoácidos (compostos com um grupo cetona no carbono alfa), os quais entram no ciclo de Krebs e são oxidados (ex.: glutamato tem seu grupo amina retirado, virando alfa-cetoglutarato, entrando no ciclo cítrico para gerar oxalacetato que, por sua vez, é utilizado na síntese da glicose na gliconeogênese); Qualquer aminoácido que possa ser convertido em intermediários do Ciclo de Krebs é chamado aminoácido glicogênico, sendo que, dos 20 aminoácidos que compõem as proteínas, 18 podem virar glicose (exceção da leucina e da lisina - exclusivamente cetogênicos); A amina retirada dos aminoácidos (seja alfa ou da cadeia lateral - presente na arginina, glutamina) pode ter dois destinos: ir para o ciclo da ureia para sintetizar ureia (animais ureotélicos) ou ser utilizada para a biossíntese de aminoácidos, nucleotídeos ou aminas biológicas; Ligando o ciclo da ureia ao ciclo de krebs, existe a lancadeira de aspartato argino succinato do ciclo de krebs; - Os aminoácidos derivados das proteínas da dieta são a origem da maioria dos grupos amino. A maior parte dos aminoácidos é metabolizada no fígado. Parte da amônia gerada nesse processo é reciclada e utilizada em uma variedade de vias biossintéticas; o excesso é excretado diretamente ou convertido em ureia ou ácido úrico para excreção, dependendo do organismo. O excesso de amônia produzido em outros tecidos (extra-hepáticos) é enviado ao fígado (na forma de grupos amino) para conversão em sua forma de excreção; - Há 3 formas de excreção de compostos nitrogenados: amônia, ureia e ácido úrico (diluído nas fezes - aparelho urinário e digestório com parte final comum). O ácido úrico por muito tempo foi uma fonte de compostos nitrogenados para a adubação e é muito encontrado nos ninhais de aves na Cordilheira dos Andes; - Quatro aminoácidos desempenham papéis centrais no metabolismo do nitrogênio: glutamato, glutamina, alanina e aspartato. Eles são aqueles mais facilmente convertidos em intermediários do ciclo do ácido cítrico: glutamato e glutamina são convertidos em alfa-cetoglutarato, alanina em piruvato e aspartato em oxaloacetato; - No citosol das células do fígado (hepatócitos), os grupos amino da maior parte dos aminoácidos são transferidos para o alfa-cetoglutarato, formando glutamato, que entra na mitocôndria e perde seu grupo amino para formar NH4+. O excesso de amônia produzido na maior parte dos demais tecidos é convertido no nitrogênio amídico da glutamina, que circula até chegar ao fígado, entrando na mitocôndria hepática; - No músculo esquelético, os grupos amino que excedem as necessidades geralmente são transferidos ao piruvato para formar alanina, outra molécula importante para o transporte de grupos amino até o fígado; - Em humanos, a degradação das proteínas ingeridas até seus aminoácidos constituintes acontece no trato gastrintestinal. A chegada de proteínas da dieta ao estômago estimula a mucosa gástrica a secretar o hormônio gastrina, que, por sua vez, estimula a secreção de ácido clorídrico pelas células parietais e de pepsinogênio (forma inativa que se transforma em pepsina por uma clivagem proteolítica) pelas células principais das glândulas gástricas; - A pepsina é uma protease ácida (atua em ambientes ácidos) e promove a degradação das proteínas, transformando-as em aminoácidos livres e peptídeos. Essas proteínas parcialmente degradadas vão para o intestino delgado e, no duodeno, é secretado o suco pancreático, o qual é rico em proteases (zimogênios - forma não ativa das enzimas). Finalmente, no intestino, os peptídeos pequenos e aminoácidos são absorvidos pelas vilosidades intestinais; EM CÉLULAS MUSCULARES OU NERVOSAS: o aminoácido reage com o alfa-cetoglutarato (diácido) e perde sua amina, virando um alfa-cetoácido, enquanto o alfa-ceto-glutarato vira glutamato (TRANSAMINAÇÃO). O glutamato é jogado no sangue, indo até o fígado, onde perde seu grupo amina, que é utilizado principalmente para a síntese de ureia. Ele volta a ser alfa-cetoglutarato, que é jogado no sangue, vai para os tecidos periféricos, voltando a reagir com os outros aminoácidos. A glutamina, que possui a mesma estrutura molecular do glutamato (porém é aminado na cadeia lateral), também perde um grupo amina, virando glutamato. A alanina do músculo perde um grupo amina alfa, virando piruvato (alfa-cetoácido); - Chegando ao fígado, a primeira etapa no catabolismo da maioria dos L-aminoácidos é a remoção de seus grupos alfa-amino, realizada por enzimas denominadas AMINOTRANSFERASES ou TRANSAMINASES. Nessas reações de TRANSAMINAÇÃO, o grupo alfa-amino é transferido para o carbono a do alfa-cetoglutarato, liberando o correspondente alfa-cetoácido, análogo do aminoácido. Não ocorre desaminação (perda de grupos amino) efetiva nessas reações, pois o alfa-cetoglutarato torna-se aminado enquanto o alfa-aminoácido é desaminado. O efeito das reações de transaminação é coletar grupos amino de diferentes aminoácidos, na forma de L-glutamato. O glutamato então funciona como doador de grupos amino para vias biossintéticas ou para vias de excreção, que levam à eliminação de produtos de excreção nitrogenados; -Todas as aminotransferases apresentam o mesmo grupo prostético e o mesmo mecanismo de reação. O grupo prostético é o PIRIDOXAL-FOSFATO (PLP), a forma de coenzima da piridoxina ou vitamina B6 - Outra forma do aminoácido perder o grupo amina é a DESAMINAÇÃO OXIDATIVA: perde diretamente no meio aquoso, não o transferindo para outro composto (ocorre apenas com glutamato e alanina). Nesse processo, é gerado um NADH ou NADPH. Essa reação é inibida por GTP (sinaliza abundância de energia) e estimulada por ADP (sinaliza necessidade de energia); - Se trata do transporte de amônia dos tecidos para o fígado pela glutamina; - Em um tecido periférico (cérebro, musculatura), o glutamato, sob a ação da GLUTAMINA SINTETASE, é transformado em glutamil fosfato (ocorreu a adição de um grupo fosfato do ATP, que vira ADP). O glutamil- fosfato recebe um grupo amônia e, sob a ação da mesma enzima, produz glutamina, que é lançada no sangue e vai para o fígado, onde, sob a ação da GLUTAMINASE, vira glutamato outra vez (perdendo um grupo amina, que é utilizado na síntese da ureia e liberando um grupo amônia); - As proteínas do músculo são degradadas a aminoácidos, que liberam um grupo amônia, o qual é ligado ao piruvato (proveniente da via glicolítica do músculo). Nessa reação do piruvato com a amônia na forma de glutamato, ele passa a sua amina alfa para o piruvato, o qual se transforma em alanina, enquanto o glutamato se transforma em alfa-cetoglutarato. Essa reação é catalisada pela ALANINA AMINOTRANSFERASE (ALT/TGP); OBS.: o esqueleto carbonado da alanina é o piruvato e o esqueleto carbonado do glutamato é o alfa-cetoglutarato; - A alanina vai para o sangue e então para o fígado, onde perde amina para o alfa-cetoglutarato, voltando a ser piruvato (e o alfa-cetoglutarato volta a ser glutamato - transaminação). O glutamato perde amina para a síntese de ureia (desaminação oxidativa) e o piruvato gerado pode ser utilizado para a síntese de glicose (volta para o sangue para ser distribuído nos tecidos, inclusive no músculo, onde é degradado pela via glicolítica, retornando como piruvato para o ciclo alanina-glicose); OBS. 2: GTP no sangue é sinal delesão muscular ou hepática; - A glicose sai do fígado e vai para outros tecidos, dentre eles o músculo. Ao entrar no músculo pela hexocinase, a glicose vira glicose-6-fosfato, que pode ser utilizada para ser armazenada como glicogênio ou pode ser metabolizada pela via glicolítica, gerando piruvato; - O piruvato pode ser transaminado, gerando alanina (recebe grupo amina do glutamato pela ALT, vai para o sangue e, em seguida, para o fígado, onde perde o grupo amina novamente por ação da ALT, que é utilizada para a síntese de ureia e o piruvato é utilizado para síntese de lactato ou na gliconeogênese para síntese de glicose, a qual pode ser novamente exportada); - O músculo não joga piruvato na corrente sanguínea, mas sim ácido lático, que é transformado em piruvato pela lactato-desidrogenase no fígado; - Ocorre nos hepatócitos: parte no citosol e parte na mitocôndria; - A amônia obtida no ciclo da glutamina, que vem ou dos tecidos extra-hepáticos pela ação da glutaminase, ou do glutamato (que entra na mitocôndria pela ação da glutamato-desidrogenase - desaminação oxidativa), reage com o bicarbonato por ação da enzima glutamoil sintetase 1, consumindo 2 ATP > vira carbomoil fosfato (composto com 1 carbono, 1 grupo amina e 1 grupo fosfato), o qual reage com a ornitina obtida da transformação da arginina (ARG do citosol perde um grupo ureia) > a ornitina vira citrulina, a qual sai da mitocôndria e reage com o aspartato, virando argininosuccinato (reação que consome ATP), sendo clivado a fumarato e voltando a ser arginina; - A enzima que faz a transaminação do grupo amina dos 19 aminoácidos para o glutamato é chamada TGO ou AST (transaminase glutâmica oxalocética ou aspartato aminotransferase). A AST é encontrada em abundância no sangue após lesão muscular ou hepática; OBS.: quando o aspartato perde grupo amina, vira oxalacetato; - A arginina perde ureia pela clivagem da sua cadeia lateral, virando ornitina (no citosol) > entra na mitocôndria, recebe carbamoil fosfato, vira citrulina, volta para o citosol, reage com aspartato, consumindo ATP e gerando arginino-succinato; - O Ciclo de Krebs produz oxalacetato que, se for aminado, gera aspartato, o qual leva o seu grupo amina para ligar com a citrulina, gerando arginino-succinato (lancadeira de aspartato-arginino-succinato que conecta o ciclo de krebs ao ciclo da ureia); OBS. 2: no Ciclo da Ureia, estão presentes 2 aminoácidos não proteicos: ornitina e citrulina; Enzimas do ciclo da ureia: - carbomoil fosfato sintetase; - ornitina transcarbamilase; - arginino-succinato sintetase; - argininosuccinase; - arginase;