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1 Ginecologia Puberdade normal e patológica Lara Castro Transição entre a infância e o período que é chamado de menacme, é um período que compreende o surgimento dos caracteres sexuais secundários e é seguido pelo ciclos ovulatórios. Puberdade engloba um conjunto mais amplo de transformações, não é súbito, tem duração de 4-5 anos em média. É manifestada pelo aparecimento de caracteres sexuais secundários e é resultado do amadurecimento do eixo hipotálamo-hipófise-gonadas. Esse amadurecimento leva cerca de 2 anos desde a menarca nas meninas, antes disso, é muito comum a ocorrência de ciclos anovulatórios. As glândulas suprarrenais também tem contribuição importante, relacionada principalmente à produção de androgênios. Cronologia normal 1º telarca desenvolvimento das glândulas mamárias (em 90% dos casos a telarca precede a pubarca e a telarca precede a menarca em cerca de 2 anos). 2º pubarca desenvolvimento dos pelos pubianos e axilares. Alguns autores chamam de adrenarca. 3º menarca geralmente dura cerca de 2 anos entre o surgimento da telarca e da menarca. Estirão de crescimento (incremento da atividade osteoblástica) com o início da puberdade e ocorre uma desaceleração após a menarca. Fatores que afetam a época de início da puberdade Genético principal Estado nutricional/Saúde em geral Região geográfica Exposição à luz (em cegas é mais tardio) Estado psicológico Para que o ciclo reprodutivo seja regular, em geral, o percentual de gordura corporal compatível com o eixo hipotálamo hipófise é entre 22-23%, para garantia da integridade do ciclo reprodutivo. Muitas vezes mulheres que praticam exercícios muito intensos, com percentuais de gordura muito baixos costumam gerar irregularidades no ciclo menstrual. Telarca 1º sinal percebido da puberdade. (precede a pubarca quase sempre) Pode haver crescimento assimétrico das mamas inicialmente Efeito do aumento da secreção dos estrogenios proliferação ductal e acinar do parênquima mamário. Pubarca (adrenarca) Maturação da zona reticular do córtex da suprarrenal Aumento da secreção de DHEA, DHEA-S e androstenediona, dois anos antes da pubarca. Pelos pubianos, axilares, acne, odor, sudorese e oleosidade cutânea e capilar. 2 Ginecologia Menarca 1ª Menstruação Estímulo estrogênico sobre o endométrio significa que a 1ª ovulação dessa menina aconteceu e posteriormente ocorreu a descamação desse endométrio. Sucede a telarca em cerca de 2 ANOS. A média de idade é por volta dos 12 anos. 90% dos ciclos são anovulatórios nos primeiros 2 anos desde a menarca maturação do eixo Hipotalamo-hipófise-gonadal. Menstrua quem ovula Estirão do crescimento Precede a telarca. Não é caractere sexual secundário, mas geralmente é o primeiro sinal percebido. Ganho de cerca de 25cm. Interação entre GH, estrogênio, IGF-1. Após a menarca o ganho fica por volta de 5 cm (ocorre redução desse ritmo de crescimento) O crescimento se completa com a fusão das epífises ósseas, cerca de 1-2 anos após a menarca. Outras modificações Distribuição feminina de gordura em coxas, nadegas e quadris (característico) Útero com proporção corpo:colo de 2:1 Comprimento e acidez vaginal atividade estrogênica e proliferação da flora lactobacilar, o epitélio se espessa e descama mais com isso tem glicogênio substrato para os lactobacillos aumento da acidez vaginal. Leucorreia fisiológica alterações do muco cervical e epitélio vaginal. Vulva gordura e pigmentação Estadiamento de Tanner Caracterizar o grau em que a pessoa se encontra da puberdade, o estágio. Sendo assim atribui pontuações de M1 até M5 (para a telarca) e de P1 até P5 (para pubarca). Na prática clínica nem sempre se avalia os estádios de Tanner de forma fidedigna, pode-se utilizar o olho clínico para avaliar de uma forma geral em que estágio está a puberdade. 3 Ginecologia Endocrinologia Perda da sensibilidade do hipotálamo aos efeitos inibitórios (esse efeito inibitório vem desde o nascimento) dos estrogênios gonadais em baixa dosagem leva ao aumento do FSH. Vai ocorrer amadurecimento da resposta de feedback positivo ou estimulatório de estrogênio para que se ocorra a síntese de LH PICO DE LH SÓ ovula quem tem PICO DE LH. A leptina é produzida pelos adipócitos e circula ligada com uma proteína carreadora relacionada com os índices de massa gordurosa, relação com desencadeamento da puberdade relacionada à massa corporal. Inibição central dos pulsos de GnRH Maturação da zona reticular do córtex suprarrenal leva a liberação de androgênios (DHEA, androstenediona e DHEA-S) 2 anos antes da pubarca. Puberdade precoce Definida pelo aparecimento dos caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos de idade (telarca, pubarca). Deve-se a fontes exógenas ou endógenas de esteroides sexuais. Exógenas: cremes com esteroides, pílulas, esteroides anabolizantes. Endógenas: ovários e suprarrenais Sempre pensar na confirmação e descarte de lesões tumorais O tratamento visa garantir estatura para essa criança Classificação Central, verdadeira ou isossexual completa deve-se a um amadurecimento do eixo hipotálamo- hipofise. Periférica, pseudopuberdade precoce ou isossexual incompleta fonte periférica de produção de esteroides, sendo chamada também de pseudopuberdade precoce. Formas isoladas (só telarca ou só adrenarca). Puberdade precoce CENTRAL/VERDADEIRA É GnRH dependente 4 Ginecologia Ocorre uma ativação prematura do EHH (Eixo hipotálamo-hipofisário). Pode ser familiar ou constitucional (90% dos casos) 50% ocorre entre 6/7 anos, 25% entre 2/6 anos, 18% antes dos anos. ANTECEDENTES FAMILIARES EM 90% DOS CASOS. Secundária a lesões encefálicas (10% dos casos) displasia do septo óptico, TCE, radiacao, tumores do SNC, cistos, hidrocefalia. SEMPRE confirmar ou descartar quando for secundário á lesões de SNC, mas a maioria costuma ser idiopática. Puberdade precoce PERIFÉRICA/PSEUDOPUBERDADE PRECOCE Ocorre secreção de esteroides ovarianos ou suprarrenais independentes dos estímulos hipofisários. Níveis de LH e FSH baixos ou em níveis pré-puberais Fontes exógenas Tumores e cistos ovarianos Tumores feminilizantes das suprarrenais Sindrome de McCune-albright (displasia óssea, manchas café com leite, cistos ovarianos funcionantes) Secreção extra-hipofisárias de gonadotrofinas Formas isoladas Telarca precoce: forma mais comum de desenvolvimento de caracteres sexuais secundários precocemente. Mais comum antes dos 2 anos de idade, a paciente contem idade óssea normal e não tem estirão de crescimento, sendo que na puberdade precoce mesmo ocorre o estirão puberal. Geralmente associada a cistos foliculares. Adrenarca precoce/pubarca precoce: Aparecimento isolado de pelos pubianos e ocasionalmente pelos axilares. Ocorrência devido a maturação precoce das suprarrenais. MAS lembrar que o Hamartoma hipotalâmico pode ser uma causa de ativação precoce do EHH. Síndrome de McCune albright é considerada uma displasia óssea, com manchas em café com leite e puberdade precoce. 5Ginecologia desenvolvimento dos demais caracteres sexuais secundários vai ser normal. Descartar hiperplasia congênita das suprarrenais. Precocidade heterossexual: Devido ao aumento de androgênios pensar em causas tumorais, hiperplasia congênita de suprarrenal ou androgênios exógenos. Avaliação clínica EXTENSA, mas indispensável e necessária, ainda que não se encontre alterações. Pesquisa do início do surgimento dos caracteres sexuais secundários, como vem evoluindo Pesquisa se existe história familiar Exposição a esteroides exógenos (pode não ser tão comum, mas sempre investigar a possibilidade) Alterações do SNC (TCE, tumores, infecções e radioterapia) Exame físico: dados antropométricos, estádio de Tanner, avaliação de vulva e vagina, sinais de virilização, manchas em café com leite. Avaliação laboratorial Dosagem de estradiol (os níveis variam muito) Raio X de punho para avaliação de idade óssea critérios de ferriman e gallaway US pélvico (avaliar presença de cistos e tumores ovarianos) Citologia vaginal o citopatologista consegue avaliar o padrão de descamação que ela tem US abdominal ou TC (suprarrenais) TC ou RNM encefálicos na investigação da causa central/verdadeira Androgênios suprarrenais (DHEA, DHEA-S) FSH, LH e HCG (tumores secretores) TSH e T4 livre Teste do GnRH utilização na puberdade precoce central se administra GnRH no laboratório para a crianca para avaliar a resposta das gonadotrofinas hipofisárias 17OH-progesterona pesquisa da hiperplasia congênita de suprarrenal Nem sempre vai ser encontrada uma causa constitucional, mas sempre deve ser feito a investigação. TRATAMENTO Detectar lesões expansivas do SNC Interromper o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários Otimizar a estatura final da criança Apoio psicológico e emocional 6 Ginecologia Prevenir abusos sexuais e início prematuro de atividade sexual Análogos do GnRH Suprimem a secreção das gonadotrofinas levando a HIPOESTROGENISMO Fazem ooforectomias químicas de certa maneira, pois suprimem a liberação de gonadotrofinas levando ao hipoestrogenismo Uso para puberdade precoce do tipo central Pode prejudicar o ganho de massa óssea um problema no futuro e pode dessa maneira favorecer a osteoporose no futuro. Bloqueia a atividade do eixo e com isso o ovário não produz estrogênio Interrompe o crescimento impede o fechamento precoce das epífises aumenta a estatura final da menina. Outros Hiperplasia congênita de suprarrenal corticoides Causas tumorais cirurgias Virilizacao de genitália cirurgia Acompanhamento psicológicos Quanto mais cedo iniciar tratamento MELHOR prognostico. Puberdade tardia Conceito: é definido pela ausência do desenvolvimento puberal até os 14 anos (considerando 16 anos a idade limítrofe para a menarca) e se a menarca não ocorreu até os 16 anos. É menos presente que a puberdade precoce. Causas: Constitucional familiares, não há um fator causal muito bem definido. Não há uma causa patológica detectada, geralmente desenvolve os caracteres tardiamente, mas sem necessidade de intervenção. Pode ser encontrada uma idade óssea atrasada e geralmente apresenta história familiar positiva para puberdade tardia. Desnutrição Deficiência de secreção gonadal Deficiência de secreção de gonadotrofinas Hipogonadismo hipogonadotrófico Há um problema no eixo hipotálamo-hipófise não há estimulo hipofisário para os ovários produzirem estrogênio. ↓GnRH, FSH E LH ↓hormônios esteroides Problemas de SNC ou hipófise Síndrome de kallmann (síndrome hipotalâmica e genética, caracterizada pela associação entre anosmia e deficiência congênita de GnRH). 7 Ginecologia Síndrome de Prader-willi (baixa estatura, dificuldade de deglutição, atraso mental, hipotonicidade, obesidade). Problemas no SNC: TCE, tumores, infecções, radiação, sarcoidose, Hipotireoidismo Hiperprolactinemia (prolactinoma) Distúrbios alimentares Exercício intenso Doenças crônicas Hipogonadismo hipergonadotrófico O problema se encontra nos ovários EHH tenta compensar produção muito alta de FSH para tentar compensar, entretanto não consegue agir, devido a essa alteração ovariana. ↑FSH ↓hormônios esteroides. O FSH fica elevado Há um eixo hipotálamo hipofisário tentando compensar a deficiência da secreção dos hormônios esteroides pelos ovários. Síndrome de Turner (principal causa de hipogonadismo hipergonadotrófico) disgenesia gônadal, pescoço alado, implantação baixa do cabelo, apresentam ovário em fita, paciente não apresenta desenvolvimento puberal normal, não tem crescimento, estirão, caracteres sexuais secundários (os ovários delas não produzem estrogênios). As pacientes com síndrome de Turner apresentam quase como via de regra amenorreia primária. Doença autoimune Radiação Quimioterapia Genética Síndrome dos ovários resistentes não existe receptores nos folículos para ação das gonadotrofinas é a chamada síndrome de Savage. Avaliação clínica 8 Ginecologia Padrão familiar de desenvolvimento puberal História pregressa Uso de medicações (hiperprolactinemia) Pratica de exercícios físicos Medidas antropométricas, estigmas sindromicos, pubarca, telarca, olfato. Laboratórios Diferenciação entre hipogonadismo HIPERGONADOTRÓFICO DO HIPOGONADOTRÓFICO é pela dosagem de FSH e LH (as gonadotrofinas), pois no hipergonadotrófico se encontrarão aumentados e no hipogonadotrófico se encontrarão baixos. Idade óssea Us pélvico Teste do GnRH Cariótipo TC/RNM TSH Prolactina Tratamento Se for possível identificar a causa é fácil tratar. Ex: hiperprolactinemia, hipotireoidismo, distúrbio elementar, desnutrição, doenças crônicas. Terapias estrogênicas/progestínicas Paciente com Y no cariótipo gonadectomia